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Estado do Piauí

Ministério Público de Contas

TC/010359/2017 - Tomada de Contas Especial – Secretaria de Turismo

EXMA. SRA. RELATORA CONSELHEIRA WALTÂNIA ALVARENGA

PROCESSO TC/010359/2017
ASSUNTO Tomada de Contas Especial instaurada em face da ausência de comprovação da
aplicação dos valores repassados pela Secretaria de Turismo do Estado do Piauí ao
Instituto Cultural Arte e Esporte – ICAE, em razão do convênio nº 003/2015 - SETUR
INTERESSADO Secretaria de Turismo
RESPONSÁVEIS Flávio Rodrigues Nogueira; Jacqueline Coelho Mousinho; Jonathan Willian Sena;
Monção; Instituto Cultural Arte e Esporte; Cerqueira & Soares LTDA; AR3 Comércio e
Serviços Ltda.
RELATORA Waltânia Maria Nogueira de Sousa Alvarenga

Parecer 2018LE0050

1. RELATÓRIO

Tratam os autos de Tomada de Contas Especial oriunda de solicitação do Ministério


Público de Contas nos autos do processo TC/016594/2015 referente à Inspeção Concomitante
realizada na Secretaria de Turismo do Estado do Piauí, exercício de 2015, para fiscalizar o Convênio
nº 003/2015-SETUR, firmado com o Instituto Cultural Arte e Esporte – ICAE, cujo objeto seria a
realização do “Seminário Piauiense do Plano de Desenvolvimento Sustentável da Região Turística do
Meio-Norte, nos municípios de Teresina e Parnaíba”, no valor de R$ 800.000,00.

O Ministério Público de Contas já se pronunciou neste processo na Peça 44, onde se


manifestou opinando pela: a) Imputação do débito correspondente ao valor atualizado do dano ao
erário quantificado nesta Tomada de Contas Especial aos responsáveis solidários: Sr. Flávio
Rodrigues Nogueira, Sra. Jaqueline Coelho Mousinho, Sr. Jonathan Willian Sena Monção, bem como
as empresas Cerqueira & Soares Ltda. e AR3 Comércio e Serviços Ltda; b) Aplicação de multa ao
Sr. Flávio Rodrigues Nogueira, à Sra. Jaqueline Coelho Mousinho, ao Sr. Jonathan Willian Sena
Monção, bem como às empresas Cerqueira & Soares Ltda. e AR3 Comércio e Serviços Ltda, nos
termos no art. 79, incisos I e II c/c art. 80, parágrafo único da Lei nº 5.888/09; c) Comunicação ao
Ministério Público Estadual para adoção das medidas legais cabíveis; d) Comunicação da decisão
à Procuradoria Geral do Estado do Piauí para adoção das providências cabíveis no que diz
respeito ao ressarcimento do débito imputado pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí.
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Após a emissão do referido parecer, o processo foi incluído e retirado de pauta em


atendimento à solicitação do advogado Sr. Fabiano Pereira da Silva - OAB/PI n° 6.115, que requereu
a concessão de prazo para apresentação de defesa da gestora Jaqueline Coelho Mousinho, em
razão de erro no endereço para citação, nos termos do despacho (DES-2768/2018).

Em razão disso, os autos foram novamente encaminhados para a DFAE na Peça 55, na
ocasião, as justificativas da gestora acima citada foram analisados.

Ora, retornaram os autos ao Ministério Público de Contas para a análise e manifestação


sobre este novo relatório.

É o relatório. Passa-se a opinar.

2. FUNDAMENTAÇÃO

Primeiramente, deve-se esclarecer que este parecer se restringe ao exame da defesa


encaminhada pela Sra. Jaqueline Coelho Mousinho e acostada na Peça 52.

Compulsando-se os autos, verificou-se que o relatório da DFAE apresentou de forma


resumida as alegações da defesa, as quais serão expostas a seguir, e que a defesa não foi suficiente
para modificar os posicionamentos e conclusões apresentadas anteriormente, porque tentou rebater
os fatos descritos e já considerados irregulares por esta Corte no processo de inspeção que deu
origem a esta Tomada de Contas Especial. Além disso, não trouxe nenhuma justificativa que pudesse
rebater as irregularidades constatadas no âmbito desta TCE. Senão vejamos:

A Sra. Jaqueline Coelho Mousinho, Gestora do Convênio nº 003/2015 – SETUR,


sustentou, em síntese, que o objeto do convênio nº 003/2015-SETUR firmado com o
Instituto Cultural Arte e Esporte – ICAE foi devidamente executado segundo as
regras legais, não havendo o que se questionar quanto à capacidade técnica ou
estrutural da referida entidade para a realização do objeto do convênio.
Afirmou que prestação de contas do convênio foi realizada de forma integral à
SETUR, estando atualmente em análise no referido órgão, acrescentando que após
a instauração da inspeção pelo TCE/PI, requereu juntamente com o ex-gestor da
SETUR, a adoção de providências para apuração dos fatos (fl. 18 – peça 52).
Especificamente quanto ao relatório de tomada de contas especial, que apontou o
débito no valor de R$ 831.641,14 (oitocentos e trinta e um e seiscentos e quarenta e
um reais e quatorze centavos), não apresentou nenhuma justificativa para
afastar as irregularidades apontadas no Relatório Preliminar de Tomada de
Contas Especial (peça 12), em especial no tocante à apresentação de notas fiscais
inidôneas pela entidade convenente para justificar os gastos realizados. (Fls. 03 -
Peça 55)
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Diante disso, a Divisão Técnica confeccionou seu relatório reiterando as irregularidades


já constatadas (fls. 03/07 - Peça 55), as quais serão resumidas neste parecer, por economia
processual:
a) houve decisão desta Corte no Acórdão nº 3.370/2016 (peça 02) pela procedência dos fatos
apontados na Inspeção, com declaração de ilegalidade das falhas analisadas, transitado em julgado
em 23 de fevereiro de 2017;

b) as notas fiscais juntadas na prestação de contas do ICAE para fins de comprovação da boa e
regular aplicação dos recursos transferidos pela SETUR, referente a serviços realizados pelas
empresas Cerqueira & Soares Ltda. e AR3 Comércio e Serviços Ltda., eram inidôneas e presentava
divergência em relação aos valores informados, não podendo servir de comprovação da realização
do objeto do convênio nº 003/2015-SETUR;

c) as notas fiscais apresentadas pelo ICAE para justificar as despesas realizadas com a suposta
execução do convênio nº 003/2015-SETUR apresentam divergência em relação à descrição do
serviço, ao valor informado e ao tomador do serviço (peças 09, 10 e 11), sendo, portanto,
materialmente falsas;

d) de acordo com os autos do processo TC/016594/2015, observa-se na peça 30 (fls. 77/80) o


pagamento de valores por cheque nominal a pessoas diversas daquelas que emitiram as notas fiscais
que, em tese, justificariam as despesas com a execução do convênio ora analisado, a saber, as
empresas Cerqueira & Soares Ltda. e AR3 Comércio e Serviços Ltda. Assim, não foi possível
estabelecer um nexo de causalidade entre os recursos estaduais transferidos e o objeto executado;

A DFAE apresentou julgados do TCU que corroboram que os fatos detectados e acima
relatados são irregularidades, destacou o voto do Relator Walton Alencar Rodrigues e ainda ressaltou
o fato de que o próprio Convênio nº 003/2015-SETUR, que rege a relação em tela, estabelece no item
2, alínea “i”, da cláusula quarta, que a obrigação de a instituição convenente (ICAE) “restituir ao
CONCEDENTE o valor correspondente às despesas comprovadas com documentos inidôneos ou
impugnados, atualizando monetariamente e acrescido de juros legais”.

Quanto à responsabilidade da gestora, a DFAE afirmou às fls. 06/07 - Peça 55:

Desse modo, em que pese a afirmativa da Sra. Jaqueline Coelho Mousinho no


sentido de se exonerar de responsabilidade, subsiste o dever de cautela e
prudência no que tange, inicialmente, à observância – pela entidade Proponente
(ICAE) através de seu Plano de Trabalho – acerca do atendimento de todas as
exigências apontadas pela Legislação e princípios que norteiam a atuação da
Administração Pública, o que não foi observado, e, posteriormente, no
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acompanhamento da execução em cumprimento ao dever de fiscalização (art. 14,


caput, Decreto Estadual n° 13.860/2009) e aos ditames do Controle Interno (art. 25,
§3°, Dec. 12.440/06 c/c art. 14, X, IN SEPLAN/SEFAZ/CGE n° 001/2009), até
mesmo por ser o Ordenador da Despesa.
A imputação de responsabilidade solidária da gestora do Convênio nº
003/2015SETUR e responsável pela fiscalização da execução do ajuste, Sra.
Jaqueline Coelho Mousinho, decorre da omissão na adoção das medidas
necessárias à fiel execução das condições pactuadas, uma vez que atestou a
realização das ações do “Seminário Piauiense do Plano de Desenvolvimento
Sustentável da Região Turística do Meio-Norte” sem observar as impropriedades
praticadas pela instituição contratada, em especial não ter constatado a inidoneidade
e a divergência em algumas notas fiscais apresentadas pela entidade Convenente
no intuito de justificar os gastos realizados.
No caso, a servidora não se desincumbiu do ônus de comprovar a correta aplicação
dos recursos públicos transferidos ao ICAE, devendo ser responsabilizada
juntamente com o Ex-Secretário de Turismo Flávio Rodrigues Nogueira e o ICAE
pelo ressarcimento do erário no valor atualizado até 11/07/2017 de R$ 831.641,14
(oitocentos e trinta e um e seiscentos e quarenta e um reais e quatorze centavos).
Por fim, ressalta-se que o fato de terem sido realizadas algumas ações/atividades
tendentes ao cumprimento do objeto não é motivo suficiente para afirmar que houve
integral cumprimento deste, principalmente em razão do reconhecimento por esta
Corte das irregularidades apontadas no relatório de inspeção (peça 03 e tabela 06
do Relatório – peça 12). Portanto, não basta comprovar a execução do objeto, mas
também deve-se estabelecer o liame necessário entre os recursos públicos
envolvidos e os gastos efetuados, o que não foi demonstrado no presente caso pela
gestora do Convênio nº 003/2015-SETUR.

Diante do exposto, o Ministério Público de Contas considera que a defesa encaminhada


pela Sra. Jaqueline Coelho Mousinho e ora analisada não apresentou nenhum argumento que
pudesse modificar as conclusões já proferidas no primeiro parecer de Peça 44.

3. CONCLUSÃO

Considerando o exposto, o Ministério Público de Contas corrobora o parecer preliminar


emitido e acostado na Peça 44 e opina pelo(a):

a) Imputação do débito correspondente ao valor atualizado do dano ao


erário quantificado nesta Tomada de Contas Especial aos responsáveis
solidários: Sr. Flávio Rodrigues Nogueira, Sra. Jaqueline Coelho
Mousinho, Sr. Jonathan Willian Sena Monção, bem como as empresas
Cerqueira & Soares Ltda. e AR3 Comércio e Serviços Ltda;
Estado do Piauí

Ministério Público de Contas

TC/010359/2017 - Tomada de Contas Especial – Secretaria de Turismo

b) Aplicação de multa ao Sr. Flávio Rodrigues Nogueira, à Sra. Jaqueline


Coelho Mousinho, ao Sr. Jonathan Willian Sena Monção, bem como às
empresas Cerqueira & Soares Ltda. e AR3 Comércio e Serviços Ltda,
nos termos no art. 79, incisos I e II c/c art. 80, parágrafo único da Lei nº
5.888/09;
c) Comunicação ao Ministério Público Estadual para adoção das
medidas legais cabíveis;
d) Comunicação da decisão à Controladoria Geral do Estado do Piauí
para adoção das providências cabíveis no que diz respeito ao
ressarcimento do débito imputado pelo Tribunal de Contas do Estado do
Piauí;

É o parecer.

Teresina, 04 de setembro de 2018.

Leandro Maciel do Nascimento


Procurador-Geral do Ministério Público de Contas – PI
(Assinado digitalmente)

Assinado Digitalmente pelo sistema e-TCE - LEANDRO MACIEL DO NASCIMENTO - 04/09/2018 23:47:22