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Direito Processual Civil – 4º Semestre


Processo de Conhecimento
Prof. Paulo Dimas

PROCESSO E PROCEDIMENTO

Processo:
Tecnicamente, há distinção entre processo e procedimento.
O processo corresponde a um sistema voltado a compor a lide
em juízo através de uma relação jurídica vinculativa de direito público.
O processo representa um complexo de atividades que se
desenvolvem para que se alcance em juízo um determinado provimento
jurisdicional.
Temos uma sucessão ordenada de atos que segue modelos
previstos em lei que são os procedimentos. O processo é, então, um
instrumento pelo qual se opera a jurisdição. É uma unidade, um todo e algo
abstrato.

Procedimento:
O processo não se desenvolve do mesmo modo em todos os
casos. Os atos exteriorizam-se de maneiras diferentes conforme as
peculiaridades da pretensão deduzida.
O modo próprio de desenvolvimento do processo, conforme
cada caso, é exatamente o procedimento, ou seja, o rito a ser adotado. Rito e
procedimento são expressões sinônimas.
O procedimento, portanto, é a maneira pela qual os atos se
desenvolvem no processo; representa o aspecto formal do processo.
Uma ação de cobrança não se desenvolve da mesma maneira
que uma ação de prestação de contas ou de consignação em pagamento; uma
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ação de despejo por falta de pagamento não se desenvolve do mesmo modo


que uma ação de mandado de segurança.

Tipos de processo:
O CPC de 1973 indicava a existência de três tipos de processo,
levando em conta o conteúdo da prestação jurisdicional almejada (processo de
conhecimento, processo de execução e processo cautelar); o novo CPC
reconhece autonomia apenas aos processos de conhecimento e de execução,
estabelecendo uma nova disciplina para a outorga das tutelas provisórias de
urgência.

1) Processo de Conhecimento:
A parte busca uma sentença de mérito voltada ao
reconhecimento de um direito, haja vista a existência de um conflito de
interesses.
Temos então a cognição da causa pelo juiz e a declaração do
direito material aplicável ao caso concreto. O juiz irá conhecer das alegações
das partes e das provas produzidas, proferindo uma sentença voltada a compor
a lide. A sentença nesse tipo de processo sempre terá uma carga declaratória.
O processo de conhecimento apresenta uma subclassificação,
tendo em vista a natureza do provimento pretendido pelo autor. Pode ser
meramente declaratório, condenatório e constitutivo.

a) processo meramente declaratório - o objetivo é remover a


incerteza reinante acerca da existência ou inexistência de uma relação jurídica
ou ainda quanto à autenticidade ou falsidade de um documento (v. art. 4º do
CPC de 1973).
No CPC de 2015, o artigo 19, no inciso I, contempla uma
ampliação das chamadas ações “meramente declaratórias”, constando que o
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interesse do autor pode também envolver a declaração “do modo de ser de


uma relação jurídica”. Essa ampliação decorre do entendimento da
jurisprudência, no sentido de que é admissível ação declaratória visando a
obter certeza quanto à exata interpretação de cláusula contratual (v. Súmula
181 do STJ); logo, esse tipo de ação se presta também a declarar de que
maneira a obrigação deve ser cumprida pelos contratantes.
Como se vê, a simples declaração judicial já esgota a
finalidade da ação. Normalmente, não será necessária a execução da sentença.
Ex.: ação de investigação de paternidade, ação declaratória de
nulidade do negócio jurídico por incapacidade absoluta do contratante, ação
de usucapião, etc.

b) processo condenatório - temos a declaração do direito


material aplicável, mais a aplicação de uma sanção, ou seja, a imposição do
cumprimento de uma obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar
quantia certa.
A sentença condenatória atribui ao vencedor um título
executivo, podendo instaurar-se então a fase de execução na mesma relação
processual (e nos próprios autos em que ela foi proferida), caso a obrigação
não seja cumprida voluntariamente pelo devedor.
Ex.: ação de cobrança, ação de indenização, ação de obrigação
de fazer (fornecimento pelo Estado de medicamentos para pessoas carentes),
etc.

c) processo constitutivo - temos a declaração do direito


material aplicável mais uma inovação específica no mundo jurídico. A
sentença constitutiva presta-se a criar, modificar ou extinguir um estado (da
pessoa) ou uma relação jurídica. Essa sentença também não comporta
execução ulterior.
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Ex.: ação de rescisão de contrato, ação de divórcio, ação


anulatória de negócio jurídico por vício no consentimento, etc.
OBS.: podemos ter no mesmo processo a cumulação de
pedidos, objetivando provimentos de natureza distinta; o autor, por
exemplo, pode postular declaração de paternidade (pretensão meramente
declaratória), mais a condenação do réu a pagar alimentos (pretensão
condenatória).

2) Processo de Execução:
Visa a satisfação de uma obrigação expressa em título
produzido em processo de conhecimento (títulos executivos judiciais) ou em
negócio jurídico documentado (títulos executivos extrajudiciais).
No CPC de 1973 o rol dos títulos executivos judiciais se
encontrava no artigo 475-N e dos extrajudiciais no artigo 585.
No CPC de 2015 o rol dos títulos executivos judiciais
se encontra no artigo 515 e dos extrajudiciais no artigo 784.
Art. 475-N. São títulos executivos judiciais: Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo
cumprimento dar-se-á de acordo com os
artigos previstos neste Título:
I – a sentença proferida no processo civil que I – as decisões proferidas no processo civil que
reconheça a existência de obrigação de fazer, reconheçam a exigibilidade de obrigação de
não fazer, entregar coisa ou pagar quantia; pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de
entregar coisa;
III – a sentença homologatória de conciliação II – a decisão homologatória de autocomposição
ou de transação, ainda que inclua matéria não judicial;
posta em juízo;
V – o acordo extrajudicial, de qualquer III – a decisão homologatória de autocomposição
natureza, homologado judicialmente; extrajudicial de qualquer natureza;
VII – o formal e a certidão de partilha, IV – o formal e a certidão de partilha,
exclusivamente em relação ao inventariante, exclusivamente em relação ao inventariante, aos
aos herdeiros e aos sucessores a título singular herdeiros e aos sucessores a título singular ou
ou universal. universal;
V – o crédito de auxiliar da justiça, quando as
custas, emolumentos ou honorários tiverem sido
aprovados por decisão judicial;
II – a sentença penal condenatória transitada em VI – a sentença penal condenatória transitada em
julgado; julgado;
IV – a sentença arbitral; VII – a sentença arbitral;
VI – a sentença estrangeira, homologada pelo VIII – a sentença estrangeira homologada pelo
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Superior Tribunal de Justiça; Superior Tribunal de Justiça;


IX – a decisão interlocutória estrangeira, após a
concessão do exequatur à carta rogatória pelo
Superior Tribunal de Justiça;
X – (VETADO)
Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, IV e § 1º Nos casos dos incisos VI a IX, o devedor
VI, o mandado inicial (art. 475-J) incluirá a será citado no juízo cível para o cumprimento da
ordem de citação do devedor, no juízo cível, sentença ou para a liquidação no prazo de 15
para liquidação ou execução, conforme o caso. (quinze) dias.
§ 2º A autocomposição judicial pode envolver
sujeito estranho ao processo e versar sobre
relação jurídica que não tenha sido deduzida em
juízo.

Art. 585. São títulos executivos Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:
extrajudiciais:
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a I – a letra de câmbio, a nota promissória, a
duplicata, a debênture e o cheque; duplicata, a debênture e o cheque;
II - a escritura pública ou outro documento II – a escritura pública ou outro documento
público assinado pelo devedor; o documento público assinado pelo devedor;
particular assinado pelo devedor e por duas
testemunhas; o instrumento de transação
referendado pelo Ministério Público, pela
Defensoria Pública ou pelos advogados dos
transatores;
III – o documento particular assinado pelo
devedor e por 2 (duas) testemunhas;
IV – o instrumento de transação referendado
pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública,
pela Advocacia Pública, pelos advogados dos
transatores ou por conciliador ou mediador
credenciado pelo tribunal;
III - os contratos garantidos por hipoteca, V – o contrato garantido por hipoteca, penhor,
penhor, anticrese e caução, bem como os de anticrese ou outro direito real de garantia e
seguro de vida; aquele garantido por caução;
VI – o contrato de seguro de vida em caso de
morte;
IV - o crédito decorrente de foro e laudêmio; VII – o crédito decorrente de foro e laudêmio;
V - o crédito, documentalmente comprovado, VIII – o crédito, documentalmente comprovado,
decorrente de aluguel de imóvel, bem como de decorrente de aluguel de imóvel, bem como de
encargos acessórios, tais como taxas e despesas encargos acessórios, tais como taxas e despesas
de condomínio; de condomínio;
VI - o crédito de serventuário de justiça, de
perito, de intérprete, ou de tradutor, quando as
custas, emolumentos ou honorários forem
aprovados por decisão judicial;
VII - a certidão de dívida ativa da Fazenda IX – a certidão de dívida ativa da Fazenda
Pública da União, dos Estados, do Distrito Pública da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Territórios e dos Municípios, Federal e dos Municípios, correspondente aos
correspondente aos créditos inscritos na forma créditos inscritos na forma da lei;
da lei;
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X – o crédito referente às contribuições


ordinárias ou extraordinárias de condomínio
edilício, previstas em Convenção de Condomínio
ou aprovadas em Assembleia Geral, desde que
documentalmente comprovadas;
XI – a certidão expedida por serventia notarial
ou de registro, relativa a valores de emolumentos
e demais despesas devidas pelos atos por ela
praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em
lei;
VIII - todos os demais títulos a que, por XII – todos os demais títulos aos quais, por
disposição expressa, a lei atribuir força disposição expressa, a lei atribuir força
executiva. executiva.
§ 1o A propositura de qualquer ação relativa ao § 1º A propositura de qualquer ação relativa ao
débito constante do título executivo não inibe o débito constante do título executivo não inibe o
credor de promover-lhe a execução. credor de promover-lhe a execução.
§ 2o Não dependem de homologação pelo § 2º Os títulos executivos extrajudiciais oriundos
Supremo Tribunal Federal, para serem de país estrangeiro não dependem de
executados, os títulos executivos extrajudiciais, homologação para serem executados.
oriundos de país estrangeiro. O título, para ter
eficácia executiva, há de satisfazer aos
requisitos de formação exigidos pela lei do
lugar de sua celebração e indicar o Brasil como
o lugar de cumprimento da obrigação.
§ 3º O título estrangeiro só terá eficácia
executiva quando satisfeitos os requisitos de
formação exigidos pela lei do lugar de sua
celebração e o Brasil for indicado como o lugar
de cumprimento da obrigação.

No processo de execução, não temos sentença de mérito, mas


apenas uma sentença extintiva do processo, em razão do cumprimento
integral da obrigação, remissão total da dívida, renúncia ao crédito, etc. [v.
arts. 794 e 795 do CPC de 1973; 924 (traz novas hipóteses de extinção) e 925
do CPC de 2015].
DA EXTINÇÃO DA EXTINÇÃO
Art. 794. Extingue-se a execução quando: Art. 924. Extingue-se a execução quando:
I – a petição inicial for indeferida;
I - o devedor satisfaz a obrigação; II – a obrigação for satisfeita;
II - o devedor obtém, por transação ou por III – o executado obtiver, por qualquer outro
qualquer outro meio, a remissão total da dívida; meio, a extinção total da dívida;
III - o credor renunciar ao crédito. IV – o exequente renunciar ao crédito;
V – ocorrer a prescrição intercorrente.

Art. 795. A extinção só produz efeito quando Art. 925. A extinção só produz efeito quando
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declarada por sentença. declarada por sentença.

Na execução, não temos, portanto, atividades de cognição e de


declaração do direito por parte do juiz. O direito do credor já está explicitado
no título judicial ou extrajdicial, sendo necessária, então, a prática de atos
materiais coativos voltados à realização concreta da obrigação existente. O
exequente busca, portanto, a realização concreta do direito material.
No CPC de 1973 e agora no novo CPC, quando se trata de
execução ou cumprimento de sentença, não se instaura processo autônomo de
execução com a citação do executado para cumprir a obrigação. Os atos
materiais de execução representam uma nova fase do processo instaurado
(temos então fase de conhecimento e fase de execução); essa nova fase se
processa, destarte, nos próprios autos em que foi proferida a sentença
exequenda.
O processo de execução pode tramitar de modo diferente se o
título em que se funda for judicial ou extrajudicial. O procedimento também
varia dependendo da natureza da prestação devida, ou seja, se a obrigação é
de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia certa.
Cumprimento ou execução de sentença: arts. 475-I e
seguintes do CPC de 1973; arts. 513 a 538 do CPC de 2015.
Execução de títulos extrajudiciais: arts. 566 a 795 do CPC
de 1973; arts. 771 a 925 do CPC de 2015.

3) Processo Cautelar:
Guardava autonomia no CPC de 1973.
Ao postular uma tutela cautelar, o requerente objetiva uma
proteção emergencial e provisória de bens jurídicos envolvidos em um litígio,
de modo a preservar a situação de fato, enquanto se aguarda a obtenção da
tutela definitiva; no CPC de 1973, essa tutela de urgência normalmente
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deveria ser requerida em processo cautelar autônomo, sendo que a tutela


definitiva, de caráter satisfativo, era obtida em outro processo, denominado de
processo principal (de conhecimento ou de execução).
Pretendia-se, portanto, nessa sistemática, assegurar a eficácia e
utilidade do processo principal. Tratava-se então de um processo acessório
voltado à concessão de uma tutela de garantia, ou seja, de caráter preventivo.
De todo modo, no processo instaurado para obter uma tutela
cautelar, o juiz normalmente concede ou nega a medida requerida; só haverá
resolução do mérito da causa se o juiz pronunciar a prescrição ou a
decadência (v. art. 810 do CPC de 1973 e art. 310 do CPC de 2015).
Art. 810. O indeferimento da medida não obsta Art. 310. O indeferimento da tutela cautelar não
a que a parte intente a ação, nem influi no obsta a que a parte formule o pedido principal,
julgamento desta, salvo se o juiz, no nem influi no julgamento desse, salvo se o
procedimento cautelar, acolher a alegação de motivo do indeferimento for o reconhecimento
decadência ou de prescrição do direito do autor. de decadência ou de prescrição.

No CPC de 1973, tínhamos a previsão de medidas típicas ou


nominadas (v. arts. 813 a 899), mas o juiz poderia conceder outras medidas
com base no seu poder geral de cautela (v. arts. 796 a 812).
No CPC de 2015, se apresenta alteração radical na disciplina
das tutelas provisórias de urgência (de natureza satisfativa ou cautelar).
Não temos mais a previsão do processo cautelar em livro
próprio; há agora apenas previsão das denominadas tutelas de urgência e de
evidência, submetidas às mesmas disposições gerais, passando a constar da
parte geral do CPC (v. arts. 294 a 311).
Foram abolidas todas as medidas cautelares típicas ou
nominadas; todas as medidas agora serão atípicas ou inominadas, sejam elas
tutelas de urgência cautelares ou satisfativas; tais medidas podem ser
concedidas em caráter antecedente (antes da apresentação do pedido principal
ou de tutela final) ou incidental (caso em que já está em andamento o
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processo relativo ao pedido de tutela final – normalmente um processo de


conhecimento).
Apresentado pedido específico de tutela de urgência (de
natureza satisfativa ou cautelar), portanto em caráter antecedente, o mesmo
processo instaurado será aproveitado para deduzir o pedido de tutela final ou
principal, sem incidência de novas custas processuais; se o processo de
conhecimento já está em curso, a tutela provisória, fundada em urgência ou
evidência, pode ser requerida nos próprios autos; não há mais necessidade de
instaurar processo cautelar autônomo para requerer tutela preventiva de
urgência de caráter incidental; no CPC de 1973, a medida cautelar incidental
também deveria ser requerida em processo autônomo.
OBS.: a cada tipo de processo pode corresponder mais de
um procedimento.

CLASSIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS


No sistema do CPC, temos a seguinte classificação:
1 - Procedimento Comum: diz respeito a processos de
conhecimento; no CPC de 1973 se desdobrava em rito sumário (v. arts. 275 a
281) e em rito ordinário (v. arts. 271 e 272).
No novo CPC, de 2015, o rito sumário foi abolido; portanto,
não mais teremos “dois procedimentos comuns”, o ordinário e o sumário; há
elementos de um e de outro na composição de um novo procedimento
comum.
2 - Procedimentos Especiais: são aqueles referentes a
processos especiais de conhecimento (previstos no CPC e em leis esparsas), a
processos cautelares autônomos (CPC/73), a pedidos de tutelas de urgência
em caráter antecedente (v. arts. 303 a 310 do CPC de 2015) e a processos de
ações de competência originária dos tribunais.
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Ações de competência originária são aquelas ajuizadas


diretamente no tribunal competente. Ex.: ação rescisória (v. arts. 485 e
seguintes do CPC de 1973; arts. 966 a 975 do CPC de 2015), mandado de
segurança contra ato judicial, ações diretas de constitucionalidade ou
inconstitucionalidade de leis, etc.
3 - Procedimentos de Execução: são aqueles que atendem às
diversas modalidades de execução.
Cumprimento ou execução de sentença: arts. 475-I e
seguintes do CPC de 1973; arts. 513 a 538 do CPC de 2015.
Execução de títulos extrajudiciais: arts. 566 a 795 do CPC
de 1973; arts. 771 a 925 do CPC de 2015.
Há também previsão de procedimentos de execução em leis
esparsas; ver, por exemplo, a Lei de Execução Fiscal (nº 6.830/80).
No processo de conhecimento temos a previsão de ritos
especiais, que são aqueles próprios para o processamento de certas causas, em
razão das peculiaridades da pretensão do autor.
Esses procedimentos especiais podem ser de jurisdição
voluntária e de jurisdição contenciosa (v. arts. 890 a 1211 do CPC de 1973;
arts. 539 a 770 do CPC de 2015).
Por outro lado, leis esparsas também disciplinam
procedimentos específicos. Exemplos: a) ação de mandado de segurança – Lei
nº 12.016/09; b) ações locatícias – Lei nº 8.245/91; c) ação civil pública – Lei
nº 7.347/85; d) ação popular – Lei nº 4.717/65, etc.
O procedimento comum é aplicável no processo de
conhecimento a todas as causas para as quais a lei não estabeleceu um
procedimento especial. Não havendo previsão de rito específico, adota-se o
procedimento comum.
Mas o procedimento comum, no CPC de 1973, era subdividido
em rito sumário e ordinário; verificava-se, então, em primeiro lugar, se a
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causa enquadrava-se nas hipóteses do artigo 275 do CPC (rito sumário); não
sendo hipótese de rito sumário, teria lugar então a adoção do rito ordinário,
que era o rito padrão; suas disposições gerais aplicavam-se subsidiariamente
aos demais procedimentos (v. art. 272, parágrafo único, do CPC de 1973); no
CPC de 2015 o procedimento comum não apresenta o desdobramento do
CPC de 1973; as disposições gerais desse novo procedimento comum são
aplicadas subsidiariamente aos procedimentos especiais e ao processo de
execução (v. art. 318 do CPC de 2015).
Art. 271. Aplica-se a todas as causas o Art. 318. Aplica-se a todas as causas o
procedimento comum, salvo disposição em procedimento comum, salvo disposição em
contrário deste Código ou de lei especial. contrário deste Código ou de lei.
Parágrafo único. O procedimento comum aplica-
se subsidiariamente aos demais procedimentos
especiais e ao processo de execução.
Art. 272. O procedimento comum é ordinário
ou sumário.
Parágrafo único. O procedimento especial e o
procedimento sumário regem-se pelas
disposições que lhes são próprias, aplicando-se-
lhes, subsidiariamente, as disposições gerais do
procedimento ordinário.

NOVO PROCEDIMENTO COMUM – CPC DE 2015


Podemos identificar quatro fases lógicas:
1 - Fase Postulatória:
Predominam as atividades das partes, existindo agora previsão
da designação, desde logo, de audiência para tentativa de autocomposição do
litígio. Temos a exposição da causa pelo autor, que deduz uma pretensão na
petição inicial, e a contestação do réu; no novo CPC, não mais se identificam
três modalidades de resposta (contestação, exceção e reconvenção).
Com o ingresso da petição inicial em juízo, considera-se
proposta a ação e instaurado o processo (v. art. 312 do CPC de 2015).
“Art. 312. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial
for protocolada, todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos
mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.”
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Com a citação do réu, aperfeiçoa-se a relação processual.


No procedimento comum, relativo a processos de
conhecimento, o juiz faz o controle prévio de admissibilidade da petição
inicial e, se esta preencher os requisitos essenciais e não for caso de
improcedência liminar do pedido, designará audiência de conciliação ou de
mediação, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o
réu com pelo menos 20 (vinte) dias de antecedência.
O réu, portanto, é citado, em princípio, para comparecer à
audiência de conciliação ou de mediação (v. art. 334 do CPC de 2015); o juiz
não designará audiência prévia apenas quando verificar que a causa não
admite a autocomposição; nesta hipótese, o réu será citado para apresentar
contestação em 15 (quinze) dias, contados normalmente da juntada aos autos
do comprovante de citação.
Essa audiência, porém, não será realizada (embora já
designada) diante da manifestação expressa de ambas as partes de que não
têm interesse na solução consensual do litígio.
O autor deve indicar na petição inicial seu desinteresse na
autocomposição; já o réu deverá se manifestar nesse sentido por petição, a ser
apresentada até 10 (dez) dias antes da data designada para a audiência; se
houver litisconsórcio, esse desinteresse deve ser manifestado por todos os
litisconsortes.
Nessa audiência de conciliação ou de mediação, as
partes devem estar acompanhadas por seus patronos; podem elas
constituir representante apenas para tal audiência, por meio de
procuração específica, outorgando poderes para negociar e
transigir.
Art. 334. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência
liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com antecedência
mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) dias de
antecedência.
§ 1º O conciliador ou mediador, onde houver, atuará necessariamente na audiência de conciliação
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ou de mediação, observando o disposto neste Código, bem como as disposições da lei de


organização judiciária.
§ 2º Poderá haver mais de uma sessão destinada à conciliação e à mediação, não podendo exceder a
2 (dois) meses da data de realização da primeira sessão, desde que necessárias à composição das
partes.
§ 3º A intimação do autor para a audiência será feita na pessoa de seu advogado.
§ 4º A audiência não será realizada:
I – se ambas as partes manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual;
II – quando não se admitir a autocomposição.
§ 5º O autor deverá indicar, na petição inicial, seu desinteresse na autocomposição, e o réu deverá
fazê-lo, por petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência, contados da data da audiência.
§ 6º Havendo litisconsórcio, o desinteresse na realização da audiência deve ser manifestado por
todos os litisconsortes.
§ 7º A audiência de conciliação ou de mediação pode realizar-se por meio eletrônico, nos termos da
lei.
§ 8º O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de conciliação é
considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por
cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do
Estado.
§ 9º As partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos.
§ 10. A parte poderá constituir representante, por meio de procuração específica, com poderes para
negociar e transigir.
§ 11. A autocomposição obtida será reduzida a termo e homologada por sentença.
§ 12. A pauta das audiências de conciliação ou de mediação será organizada de modo a respeitar o
intervalo mínimo de 20 (vinte) minutos entre o início de uma e o início da seguinte.

Nessa audiência prévia não cabe apresentação de contestação


ou produção de qualquer prova. A consequência para a ausência injustificada
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do autor ou do réu vem prevista no § 8º desse artigo 334: o não


comparecimento é considerado ato atentatório à dignidade da justiça, tendo
lugar a imposição de multa, revertida em favor da União ou do Estado.
A contestação poderá ser oferecida por petição, no prazo de 15
(quinze) dias; de acordo com o artigo 335 do CPC de 2015, o termo inicial
para contestar será a data:
“I – da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de
conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não
houver autocomposição;
II – do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de
mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º,
inciso I;
III – prevista no art. 231 1, de acordo com o modo como foi feita a citação, nos
demais casos.
§ 1º No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese do art. 334, § 6º, o
termo inicial previsto no inciso II será, para cada um dos réus, a data de
apresentação de seu respectivo pedido de cancelamento da audiência.
§ 2º Quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso II, havendo litisconsórcio
passivo e o autor desistir da ação em relação a réu ainda não citado, o prazo para
resposta correrá da data de intimação da decisão que homologar a desistência.”

Não há mais previsão de oferecimento de exceção para arguir


incompetência relativa do juízo e impedimento ou suspeição do juiz; a
exceção foi abolida, não mais subsistindo como modalidade de resposta do
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Art. 231. Salvo disposição em sentido diverso, considera-se dia do começo do prazo:
I – a data de juntada aos autos do aviso de recebimento, quando a citação ou a intimação for pelo correio;
II – a data de juntada aos autos do mandado cumprido, quando a citação ou a intimação for por oficial de
justiça;
III – a data de ocorrência da citação ou da intimação, quando ela se der por ato do escrivão ou do chefe de
secretaria;
IV – o dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz, quando a citação ou a intimação for por edital;
V – o dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do prazo para que a
consulta se dê, quando a citação ou a intimação for eletrônica;
VI – a data de juntada do comunicado de que trata o art. 232 ou, não havendo esse, a data de juntada da carta
aos autos de origem devidamente cumprida, quando a citação ou a intimação se realizar em cumprimento de
carta;
VII – a data de publicação, quando a intimação se der pelo Diário da Justiça impresso ou eletrônico;
VIII – o dia da carga, quando a intimação se der por meio da retirada dos autos, em carga, do cartório ou da
secretaria.
§ 1º Quando houver mais de um réu, o dia do começo do prazo para contestar corresponderá à última das
datas a que se referem os incisos I a VI do caput.
§ 2º Havendo mais de um intimado, o prazo para cada um é contado individualmente.
§ 3º Quando o ato tiver de ser praticado diretamente pela parte ou por quem, de qualquer forma, participe do
processo, sem a intermediação de representante judicial, o dia do começo do prazo para cumprimento da
determinação judicial corresponderá à data em que se der a comunicação.
§ 4º Aplica-se o disposto no inciso II do caput à citação com hora certa.
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réu; a incompetência relativa deve ser suscitada como preliminar da


contestação; e temos agora a previsão de arguição de impedimento e de
suspeição do juiz, a ser oferecida em petição específica, por qualquer das
partes (v. arts. 146 e 147 do CPC de 2015).
“Art. 146. No prazo de 15 (quinze) dias, a contar do conhecimento do fato, a
parte alegará o impedimento ou a suspeição, em petição específica dirigida ao
juiz do processo, na qual indicará o fundamento da recusa, podendo instruí-la
com documentos em que se fundar a alegação e com rol de testemunhas.
§ 1º Se reconhecer o impedimento ou a suspeição ao receber a petição, o juiz
ordenará imediatamente a remessa dos autos a seu substituto legal; caso
contrário, determinará a autuação em apartado da petição e, no prazo de 15
(quinze) dias, apresentará suas razões, acompanhadas de documentos e de rol
de testemunhas, se houver, ordenando a remessa do incidente ao tribunal.
§ 2º Distribuído o incidente, o relator deverá declarar os seus efeitos, sendo que,
se o incidente for recebido:
I – sem efeito suspensivo, o processo voltará a correr;
II – com efeito suspensivo, o processo permanecerá suspenso até o julgamento
do incidente.
§ 3º Enquanto não for declarado o efeito em que é recebido o incidente ou
quando este for recebido com efeito suspensivo, a tutela de urgência será
requerida ao substituto legal.
§ 4º Verificando que a alegação de impedimento ou de suspeição é improcedente,
o tribunal rejeitá-la-á.
§ 5º Acolhida a alegação, tratando-se de impedimento ou de manifesta suspeição,
o tribunal condenará o juiz nas custas e remeterá os autos ao seu substituto legal,
podendo o juiz recorrer da decisão.
§ 6º Reconhecido o impedimento ou a suspeição, o tribunal fixará o momento a
partir do qual o juiz não poderia ter atuado.
§ 7º O tribunal decretará a nulidade dos atos do juiz, se praticados quando já
presente o motivo de impedimento ou de suspeição.
Art. 147. Quando 2 (dois) ou mais juízes forem parentes, consanguíneos ou afins,
em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, o primeiro que conhecer do
processo impede que o outro nele atue, caso em que o segundo se escusará,
remetendo os autos ao seu substituto legal.”

A reconvenção representa uma ação do réu contra o autor, no


mesmo processo em que está sendo demandado (contraataque do réu); no
novo CPC não mais é apresentada em peça autônoma; assim, na própria
contestação o réu propõe reconvenção para manifestar pretensão própria,
conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa (v. art. 343 do
CPC de 2015).
16

Também não há mais previsão para a instauração de incidente


específico de impugnação ao valor da causa; eventual incorreção do valor da
causa deve ser suscitada como preliminar na contestação (v. art. 337, III, do
CPC de 2015).
Essa fase inicial vai do ingresso da petição inicial em juízo até
a apresentação de contestação; proposta reconvenção, essa fase se estende até
a resposta à reconvenção.
2 - Fase intermediária de ordenamento e saneamento do
feito:
Apresentada a contestação pelo réu, ou decorrido o prazo sem
comparecimento deste, os autos são conclusos ao juiz, que poderá, conforme
o caso, determinar algumas providências preliminares (v. art. 347 do CPC de
2015). Fala-se em pré-saneamento do feito. Neste momento, o juiz poderá
facultar a réplica ao autor, agora em 15 dias (réplica representa a manifestação
do autor sobre a contestação do réu), deliberar providências para suprir
irregularidades no que toca à representação processual ou capacidade das
partes, poderá determinar a especificação de provas, etc. (v. arts. 348 a 353 do
CPC de 2015).
Cumpridas as providências preliminares ou não havendo
necessidade delas, o juiz passa a proferir o julgamento conforme o estado do
processo (v. arts. 354 a 357 do CPC de 2015).
Nesse momento, o juiz pode adotar três posturas distintas:
a) encerrar a fase cognitiva do processo, se delineadas as
hipóteses previstas no artigo 485 (prolação de sentença sem exame do mérito
da causa) ou 487, incisos II e III (há resolução do mérito da causa);
“Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
I – indeferir a petição inicial;
II – o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das
partes;
III – por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor
abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias;
17

IV – verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento


válido e regular do processo;
V – reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;
VI – verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;
VII – acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o
juízo arbitral reconhecer sua competência;
VIII – homologar a desistência da ação;
IX – em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por
disposição legal; e
X – nos demais casos prescritos neste Código.
§ 1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada
pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias.
§ 2º No caso do § 1º, quanto ao inciso II, as partes pagarão proporcionalmente as
custas, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado ao pagamento das
despesas e dos honorários de advogado.
§ 3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em
qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.
§ 4º Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu,
desistir da ação.
§ 5º A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença.
§ 6º Oferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da causa
pelo autor depende de requerimento do réu.
§ 7º Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste
artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratar-se.
Art. 486. O pronunciamento judicial que não resolve o mérito não obsta a que a
parte proponha de novo a ação.
§ 1º No caso de extinção em razão de litispendência e nos casos dos incisos I, IV,
VI e VII do art. 485, a propositura da nova ação depende da correção do vício que
levou à sentença sem resolução do mérito.
§ 2º A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento
ou do depósito das custas e dos honorários de advogado.
§ 3º Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em abandono
da causa, não poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo objeto,
ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu
direito.
Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:
I – acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção;
II – decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou
prescrição;
III – homologar:
a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na
reconvenção;
b) a transação;
c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção.
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1º do art. 332, a prescrição e a
decadência não serão reconhecidas sem que antes seja dada às partes
oportunidade de manifestar-se.
18

b) não sendo caso de encerramento do feito na fase de


conhecimento, o juiz poderá proceder ao julgamento antecipado da lide, se
delineadas as hipóteses previstas no artigo 355 do CPC de 2015.
De acordo com o inciso I desse artigo, é possível o julgamento
antecipado do mérito quando desnecessária a dilação probatória (a matéria
controvertida é exclusivamente de direito ou sendo de direito e de fato não há
necessidade de produção de outras provas; a prova documental apresentada na
fase postulatória já seria suficiente para elucidação da matéria fática
controvertida).
No caso do inciso II do artigo 355, o julgamento antecipado do
mérito é viável quando estiver presente o efeito da revelia previsto no artigo
344 do CPC de 2015 (presumem-se verdadeiras as alegações de fato
formuladas pelo autor e não há requerimento de prova na forma do artigo
349).
Em algumas situações, o réu é revel, mas não está presente o
efeito da revelia, previsto no artigo 344. Esse efeito da revelia não se verifica
nas hipóteses do artigo 345 do CPC.
Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se:
I – havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação;
II – o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
III – a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à
prova do ato;
IV – as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição
com prova constante dos autos.
Quando o réu é revel, mas foi citado por edital ou com hora
certa, ou se encontra preso, também não incide o efeito da revelia do artigo
344. O juiz deverá então nomear um curador especial para esse réu, que
poderá contestar o pedido por negativa geral (v. arts. 72, II e 341, parágrafo
único, do CPC de 2015). Essa contestação do curador especial, ainda que por
negativa geral, faz com que o autor continue com o ônus de provar o fato
constitutivo do seu direito; isto porque está afastado o efeito da revelia
(presunção de veracidade dos fatos alegados na inicial).
19

Quando o juiz profere, desde logo, a sentença de mérito, incide


o artigo 487, inciso I, do CPC de 2015. Podemos ter então a fase decisória
logo após a fase postulatória, encerrando-se a fase de conhecimento do
processo.
Há agora previsão expressa de julgamento
antecipado parcial do mérito (v. art. 356 do CPC de 2015).
Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou
parcela deles:
I - mostrar-se incontroverso;
II – estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.
§ 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obrigação líquida
ou ilíquida.
§ 2º A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar
parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto.
§ 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será definitiva.
§ 4º A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser
processados em autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz.
§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento.

c) não sendo caso de extinção do processo ou do julgamento


antecipado do mérito (integral), teremos então o saneamento do feito,
mediante provimento decisório lançado desde logo nos autos , devendo o
juiz, no entanto, se a causa apresentar complexidade em matéria
de fato ou de direito, designar audiência para que o saneamento
seja feito em cooperação com as partes (v. art. 357 do CPC de
2015).
Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de
saneamento e de organização do processo:
I - resolver as questões processuais pendentes, se houver;
II - delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os
meios de prova admitidos;
III – definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373;
IV – delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito;
V – designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento.
§ 1º Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes,
no prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão se torna estável.
§ 2º As partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões de
fato e de direito a que se referem os incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o
juiz.
20

§ 3º Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, deverá o juiz designar


audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as partes, oportunidade em que o
juiz, se for o caso, convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações.
§ 4º Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum não
superior a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol de testemunhas.
§ 5º Na hipótese do § 3º, as partes já devem levar, para a audiência prevista, o respectivo rol de
testemunhas.
§ 6º O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no
máximo, para a prova de cada fato.
§ 7º O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e
dos fatos individualmente considerados.
§ 8º Caso tenha sido determinada a produção da prova pericial, o juiz deve observar o disposto no
art. 465 e, se possível, estabelecer, de logo, calendário para sua realização.
§ 9º As pautas deverão ser preparadas com intervalo mínimo de 1 (uma) hora entre as audiências.

Nessa audiência do § 3º do artigo 357 do CPC de 2015 não


tem lugar a produção de provas, prestando-se apenas ao saneamento do feito,
com a colaboração das partes; nesta oportunidade, o juiz, se for o caso,
convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações.
Com a decisão de saneamento, encerra-se a fase intermediária,
abrindo-se, então, a fase instrutória do feito.
Em princípio, só caberá agravo de instrumento contra
essa decisão, no prazo de 15 (quinze) dias, se nela for inserida
solução de alguma das matérias mencionadas no artigo 1.015 do
CPC de 2015.
Art. 1015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
I – tutelas provisórias;
II – mérito do processo;
III – rejeição da alegação de convenção de arbitragem;
IV – incidente de desconsideração da personalidade jurídica;
V – rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação;
VI – exibição ou posse de documento ou coisa;
VII – exclusão de litisconsorte;
VIII – rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;
IX – admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros;
X – concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução;
XI – redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1º;
XII – (VETADO);
XIII – outros casos expressamente referidos em lei.
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas
na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no
21

processo de inventário.

3 - Fase instrutória ou probatória:


Proferida a decisão de saneamento, abre-se a fase instrutória.
Nesta podemos ter a produção de prova pericial, prova oral e até a
complementação da prova documental.
A prova oral concentra-se, normalmente, na audiência de
instrução e julgamento (v. arts. 358 a 368 do CPC de 2015). Há uma ordem
estabelecida para a coleta da prova oral, tida como preferencial (v. art. 361 do
CPC de 2015). A prova oral pode consistir nos esclarecimentos em audiência
do perito judicial e dos assistentes técnicos, no depoimento pessoal das partes
e na inquirição (oitiva) de testemunhas.
Encerrada a instrução, temos os debates orais, ou seja,
manifestação dos advogados, apresentando suas alegações finais. Os debates
orais podem ser substituídos por razões finais escritas (memoriais) (v. art. 364
do CPC de 2015). Com as razões finais das partes, encerra-se a fase
instrutória.
OBS.: quando há necessidade de perícia e de prova oral, a
audiência de instrução e julgamento normalmente é designada após a
conclusão dos trabalhos periciais; o representante do MP, quando atua como
fiscal da lei, pode requerer a produção de provas e apresentar alegações finais
(v. arts. 178 e 179 do CPC de 2015).
Art. 178. O Ministério Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, intervir como fiscal
da ordem jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Constituição Federal e nos processos que
envolvam:
I – interesse público ou social;
II – interesse de incapaz;
III – litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana;
Parágrafo único. A participação da Fazenda Pública não configura, por si só, hipótese de
intervenção do Ministério Público.
Art. 179. Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público:
I – terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de todos os atos do processo;
II – poderá produzir provas, requerer as medidas processuais pertinentes e recorrer.
Art. 180. O Ministério Público gozará de prazo em dobro para manifestar-se nos autos, que terá
22

início a partir da sua intimação pessoal, nos termos do art. 183, § 1º.
§ 1º Findo o prazo para manifestação do Ministério Público sem o oferecimento de parecer, o juiz
requisitará os autos e dará andamento ao processo.
§ 2º Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa,
prazo próprio para o Ministério Público.

DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO (CPC de 2015)

“Art. 358. No dia e na hora designados, o juiz declarará aberta a audiência de


instrução e julgamento e mandará apregoar as partes e os respectivos
advogados, bem como outras pessoas que dela devam participar.
Art. 359. Instalada a audiência, o juiz tentará conciliar as partes,
independentemente do emprego anterior de outros métodos de solução
consensual de conflitos, como a mediação e a arbitragem.
Art. 360. O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe:
I – manter a ordem e o decoro na audiência;
II – ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem
inconvenientemente;
III – requisitar, quando necessário, força policial;
IV – tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério
Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo;
V – registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em
audiência.
Art. 361. As provas orais serão produzidas em audiência, ouvindo-se nesta
ordem, preferencialmente:
I – o perito e os assistentes técnicos, que responderão aos quesitos de
esclarecimentos requeridos no prazo e na forma do art. 477, caso não
respondidos anteriormente por escrito;
II – o autor e, em seguida, o réu, que prestarão depoimentos pessoais;
III – as testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu, que serão inquiridas.
Parágrafo único. Enquanto depuserem o perito, os assistentes técnicos, as partes
e as testemunhas, não poderão os advogados e o Ministério Público intervir ou
apartear, sem licença do juiz.
Art. 362. A audiência poderá ser adiada:
I – por convenção das partes;
II – se não puder comparecer, por motivo justificado, qualquer pessoa que dela
deva necessariamente participar;
III – por atraso injustificado de seu início em tempo superior a 30 (trinta) minutos
do horário marcado.
§ 1º O impedimento deverá ser comprovado até a abertura da audiência, e, não o
sendo, o juiz procederá à instrução.
§ 2º O juiz poderá dispensar a produção das provas requeridas pela parte cujo
advogado ou defensor público não tenha comparecido à audiência, aplicando-se a
mesma regra ao Ministério Público.
§ 3º Quem der causa ao adiamento responderá pelas despesas acrescidas.
23

Art. 363. Havendo antecipação ou adiamento da audiência, o juiz, de ofício ou a


requerimento da parte, determinará a intimação dos advogados ou da sociedade
de advogados para ciência da nova designação.
Art. 364. Finda a instrução, o juiz dará a palavra ao advogado do autor e do réu,
bem como ao membro do Ministério Público, se for o caso de sua intervenção,
sucessivamente, pelo prazo de 20 (vinte) minutos para cada um, prorrogável por
10 (dez) minutos, a critério do juiz.
§ 1º Havendo litisconsorte ou terceiro interveniente, o prazo, que formará com o
da prorrogação um só todo, dividir-se-á entre os do mesmo grupo, se não
convencionarem de modo diverso.
§ 2º Quando a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, o
debate oral poderá ser substituído por razões finais escritas, que serão
apresentadas pelo autor e pelo réu, bem como pelo Ministério Público, se for o
caso de sua intervenção, em prazos sucessivos de 15 (quinze) dias, assegurada
vista dos autos.
Art. 365. A audiência é una e contínua, podendo ser excepcional e
justificadamente cindida na ausência de perito ou de testemunha, desde que haja
concordância das partes.
Parágrafo único. Diante da impossibilidade de realização da instrução, do debate
e do julgamento no mesmo dia, o juiz marcará seu prosseguimento para a data
mais próxima possível, em pauta preferencial.
Art. 366. Encerrado o debate ou oferecidas as razões finais, o juiz proferirá
sentença em audiência ou no prazo de 30 (trinta) dias.
Art. 367. O servidor lavrará, sob ditado do juiz, termo que conterá, em resumo, o
ocorrido na audiência, bem como, por extenso, os despachos, as decisões e a
sentença, se proferida no ato.
§ 1º Quando o termo não for registrado em meio eletrônico, o juiz rubricar-lhe-á as
folhas, que serão encadernadas em volume próprio.
§ 2º Subscreverão o termo o juiz, os advogados, o membro do Ministério Público
e o escrivão ou chefe de secretaria, dispensadas as partes, exceto quando houver
ato de disposição para cuja prática os advogados não tenham poderes.
§ 3º O escrivão ou chefe de secretaria trasladará para os autos cópia autêntica do
termo de audiência.
§ 4º Tratando-se de autos eletrônicos, observar-se-á o disposto neste Código, em
legislação específica e nas normas internas dos tribunais.
§ 5º A audiência poderá ser integralmente gravada em imagem e em áudio, em
meio digital ou analógico, desde que assegure o rápido acesso das partes e dos
órgãos julgadores, observada a legislação específica.
§ 6º A gravação a que se refere o § 5º também pode ser realizada diretamente por
qualquer das partes, independentemente de autorização judicial.
Art. 368. A audiência será pública, ressalvadas as exceções legais.”

Normalmente, a prova documental é produzida pelas partes na


fase postulatória. Mas há a possibilidade de requisição de documentos pelo
juiz junto a repartições públicas e apresentação de outros documentos pelas
partes no curso do procedimento (v. arts. 320 e 434 a 438 do CPC de 2015).
24

“Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à


propositura da ação.”
“Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os
documentos destinados a provar suas alegações.
Parágrafo único. Quando o documento consistir em reprodução cinematográfica
ou fonográfica, a parte deverá trazê-lo nos termos do caput, mas sua exposição
será realizada em audiência, intimando-se previamente as partes.
Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos
novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados
ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos autos.
Parágrafo único. Admite-se também a juntada posterior de documentos formados
após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram
conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os
produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los anteriormente e
incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com
o art. 5º.
Art. 436. A parte, intimada a falar sobre documento constante dos autos, poderá:
I – impugnar a admissibilidade da prova documental;
II – impugnar sua autenticidade;
III – suscitar sua falsidade, com ou sem deflagração do incidente de arguição de
falsidade;
IV – manifestar-se sobre seu conteúdo.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, a impugnação deverá basear-
se em argumentação específica, não se admitindo alegação genérica de
falsidade.
Art. 437. O réu manifestar-se-á na contestação sobre os documentos anexados à
inicial, e o autor manifestar-se-á na réplica sobre os documentos anexados à
contestação.
§ 1º Sempre que uma das partes requerer a juntada de documento aos autos, o
juiz ouvirá, a seu respeito, a outra parte, que disporá do prazo de 15 (quinze) dias
para adotar qualquer das posturas indicadas no art. 436.
§ 2º Poderá o juiz, a requerimento da parte, dilatar o prazo para manifestação
sobre a prova documental produzida, levando em consideração a quantidade e a
complexidade da documentação.
Art. 438. O juiz requisitará às repartições públicas, em qualquer tempo ou grau de
jurisdição:
I – as certidões necessárias à prova das alegações das partes;
II – os procedimentos administrativos nas causas em que forem interessados a
União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios ou entidades da
administração indireta.
§ 1º Recebidos os autos, o juiz mandará extrair, no prazo máximo e improrrogável
de 1 (um) mês, certidões ou reproduções fotográficas das peças que indicar e das
que forem indicadas pelas partes, e, em seguida, devolverá os autos à repartição
de origem.
§ 2º As repartições públicas poderão fornecer todos os documentos em meio
eletrônico, conforme disposto em lei, certificando, pelo mesmo meio, que se trata
de extrato fiel do que consta em seu banco de dados ou do documento
digitalizado.”
Com as razões finais das partes, encerra-se a fase instrutória.
25

4 - Fase decisória:
A sentença pode ser proferida em audiência, após o
encerramento da instrução, ou no prazo de 30 (trinta) dias (v. art. 366 do CPC
de 2015). Esse prazo é impróprio, pois é conferido ao juiz e não se submete à
preclusão.

PETIÇÃO INICIAL
(Arts. 282 a 285-A do CPC de 1973 e 319 a 332 do CPC de
2015)
Consiste na declaração da parte da vontade de acionar. Na
petição inicial o autor formula a sua pretensão a ser examinada pelo órgão
jurisdicional.
Requisitos da petição inicial:
- Requisito externo: forma escrita. A petição pode ser
impressa, datilografada ou manuscrita.
- Requisitos internos: arts. 282 do CPC 1973 e 319 do CPC
de 2015.
Dos Requisitos da Petição Inicial Dos Requisitos da Petição Inicial
Art. 282. A petição inicial indicará: Art. 319. A petição inicial indicará:
I - o juiz ou tribunal, a que é dirigida; I – o juízo a que é dirigida;
II - os nomes, prenomes, estado civil, profissão, II – os nomes, os prenomes, o estado civil, a
domicílio e residência do autor e do réu; existência de união estável, a profissão, o
número no cadastro de pessoas físicas ou no
cadastro nacional de pessoas jurídicas, o
endereço eletrônico, o domicílio e a residência
do autor e do réu;
III - o fato e os fundamentos jurídicos do III – o fato e os fundamentos jurídicos do
pedido; pedido;
IV - o pedido, com as suas especificações; IV – o pedido com as suas especificações;
26

V - o valor da causa; V – o valor da causa;


VI - as provas com que o autor pretende VI – as provas com que o autor pretende
demonstrar a verdade dos fatos alegados; demonstrar a verdade dos fatos alegados;
VII – a opção do autor pela realização ou não de
audiência de conciliação ou de mediação.
VII - o requerimento para a citação do réu.
§ 1º Caso não disponha das informações
previstas no inciso II, poderá o autor, na petição
inicial, requerer ao juiz diligências necessárias a
sua obtenção.
§ 2º A petição inicial não será indeferida se, a
despeito da falta de informações a que se refere o
inciso II, for possível a citação do réu.
§ 3º A petição inicial não será indeferida, pelo
não atendimento ao disposto no inciso II deste
artigo, se a obtenção de tais informações tornar
impossível ou excessivamente oneroso o acesso
à justiça.
Art. 283. A petição inicial será instruída com os Art. 320. A petição inicial será instruída com os
documentos indispensáveis à propositura da documentos indispensáveis à propositura da
ação. ação.
Art. 284. Verificando o juiz que a petição Art. 321. Verificando o juiz que a petição inicial
inicial não preenche os requisitos exigidos nos não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou
arts. 282 e 283, ou que apresenta defeitos e que apresenta defeitos e irregularidades capazes
irregularidades capazes de dificultar o de dificultar o julgamento de mérito, determinará
julgamento de mérito, determinará que o autor que o autor, no prazo de quinze dias, a emende
a emende, ou a complete, no prazo de 10 (dez) ou a complete, indicando com precisão o que
dias. deve ser corrigido ou completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a Parágrafo único. Se o autor não cumprir a
diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

Dois desses requisitos internos dizem respeito ao mérito da


pretensão, formando o libelo (indicação da causa de pedir e do pedido –
incisos III e IV).
Os demais requisitos são de ordem processual.
I - endereçamento da petição à autoridade judiciária
competente.
Muitas vezes, a ação é de competência originária de Tribunal e
a petição inicial deve ser endereçada ao seu Presidente. Exemplos de ações
que são ajuizadas diretamente no Tribunal: ação rescisória, mandado de
segurança contra ato judicial, mandado de segurança contra ato de
27

Governador (competência originária do TJ), MS contra ato de Ministro de


Estado (competência originária do STJ), etc..
II - indicação dos dados qualificativos das partes.
No CPC de 2015, os §§ 1º a 3º do artigo 319 (supra
transcritos) regulamentam a exigência de indicação desses dados, permitindo
que as informações previstas no inciso II sejam obtidas a partir da atuação do
órgão jurisdicional (v. §§ 1º e 2º); de forma mais ampla, aponta que a falta
delas não pode tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à
justiça (v. § 3º); em último caso, o autor deverá indicar elementos
esclarecedores, que tornem certa a pessoa que está sendo demandada.
III - indicação do fato e dos fundamentos jurídicos do
pedido.
Temos nesse inciso a indicação da causa de pedir; o “porquê
do pedido”.
Dessa indicação deve transparecer a presença das condições da
ação.
O nosso CPC adota a teoria da substanciação, pela qual não
basta a indicação de um fundamento geral para o pedido, ou seja, não basta a
indicação do título que justificaria a pretensão deduzida. O CPC impõe que na
fundamentação do pedido o autor indique, além da causa de pedir próxima
(fundamento jurídico), a causa de pedir remota, que são os fundamentos de
fato. A causa de pedir próxima, que corresponde ao fundamento jurídico, não
representa a indicação da norma de direito material em que se funda a
pretensão do autor. O fundamento jurídico, que não se confunde com
fundamento legal, representa a declaração da natureza do direito pleiteado
(direito pessoal ou real), ou seja, representa a indicação do título que legitima
a pretensão deduzida. O autor declara, então, que é credor, proprietário,
possuidor, etc. O fundamento jurídico corresponde, então, à relação jurídica
controvertida e ao direito particular dela decorrente.
28

Já a causa de pedir remota corresponde aos fundamentos de


fato (fato gerador do direito do autor e da obrigação do réu).
Exemplo 1: em uma ação de cobrança, o autor declara que é
credor do réu (fundamento jurídico), em razão de contrato de prestação de
serviços, não sendo pago o preço ajustado (fundamentos de fato).
Exemplo 2: em uma ação reivindicatória, o credor alega que é
proprietário do bem (fundamento jurídico), sendo que o réu dele se apossou
injustamente (fundamento de fato).
IV - o pedido com as suas especificações.
É o objeto da ação. Não há ação sem pedido. Deve o pedido
guardar nexo lógico com a causa de pedir.
V - atribuição de valor à causa.
Deve esse valor corresponder tanto quanto possível ao
proveito econômico perseguido pelo autor. Mesmo quando a causa não tem
conteúdo econômico imediato, deve ser atribuído a ela um valor, cabendo ao
autor estimá-lo (v. arts. 258 a 261 do CPC de 1973 e arts. 291 a 293 do CPC
de 2015).
Do Valor da Causa DO VALOR DA CAUSA
Art. 258. A toda causa será atribuído um valor Art. 291. A toda causa será atribuído valor certo,
certo, ainda que não tenha conteúdo econômico ainda que não tenha conteúdo econômico
imediato. imediatamente aferível.
Art. 259. O valor da causa constará sempre da Art. 292. O valor da causa constará da petição
petição inicial e será: inicial ou da reconvenção e será:
I - na ação de cobrança de dívida, a soma do I – na ação de cobrança de dívida, a soma
principal, da pena e dos juros vencidos até a monetariamente corrigida do principal, dos juros
propositura da ação; de mora vencidos e de outras penalidades, se
houver, até a data da propositura da ação;
V - quando o litígio tiver por objeto a II – na ação que tiver por objeto a existência, a
existência, validade, cumprimento, modificação validade, o cumprimento, a modificação, a
ou rescisão de negócio jurídico, o valor do resolução, a resilição ou a rescisão de ato
contrato; jurídico, o valor do ato ou o de sua parte
controvertida;
VI - na ação de alimentos, a soma de 12 (doze) III – na ação de alimentos, a soma de 12 (doze)
prestações mensais, pedidas pelo autor; prestações mensais pedidas pelo autor;
VII - na ação de divisão, de demarcação e de IV – na ação de divisão, de demarcação e de
reivindicação, a estimativa oficial para reivindicação o valor de avaliação da área ou
lançamento do imposto. bem objeto do pedido;
V – na ação indenizatória, inclusive a fundada
29

em dano moral, o valor pretendido;


II - havendo cumulação de pedidos, a quantia VI – na ação em que há cumulação de pedidos, a
correspondente à soma dos valores de todos quantia correspondente à soma dos valores de
eles; todos eles;
III - sendo alternativos os pedidos, o de maior VII – na ação em que os pedidos são
valor; alternativos, o de maior valor;
IV - se houver também pedido subsidiário, o VIII – na ação em que houver pedido
valor do pedido principal; subsidiário, o valor do pedido principal.
Art. 260. Quando se pedirem prestações § 1º Quando se pedirem prestações vencidas e
vencidas e vincendas, tomar-se-á em vincendas, considerar-se-á em consideração o
consideração o valor de umas e outras. O valor valor de umas e outras.
das prestações vincendas será igual a uma § 2º O valor das prestações vincendas será igual
prestação anual, se a obrigação for por tempo a uma prestação anual, se a obrigação for por
indeterminado, ou por tempo superior a 1 (um) tempo indeterminado ou por tempo superior a 1
ano; se, por tempo inferior, será igual à soma (um) ano, e, se por tempo inferior, será igual à
das prestações. soma das prestações.
§ 3º O juiz corrigirá, de ofício e por
arbitramento, o valor da causa quando verificar
que não corresponde ao conteúdo patrimonial em
discussão ou ao proveito econômico perseguido
pelo autor, caso em que se procederá ao
recolhimento das custas correspondentes.
Art. 261. O réu poderá impugnar, no prazo da Art. 293. O réu poderá impugnar, em preliminar
contestação, o valor atribuído à causa pelo da contestação, o valor atribuído à causa pelo
autor. A impugnação será autuada em apenso, autor, sob pena de preclusão, e o juiz decidirá a
ouvindo-se o autor no prazo de 5 (cinco) dias. respeito, impondo, se for o caso, a
Em seguida o juiz, sem suspender o processo, complementação das custas.
servindo-se, quando necessário, do auxílio de
perito, determinará, no prazo de 10 (dez) dias, o
valor da causa.
Parágrafo único. Não havendo impugnação,
presume-se aceito o valor atribuído à causa na
petição inicial.

A exigência justifica-se pelos seguintes motivos: a) o valor da


causa pode determinar a competência do Juízo (ver, por exemplo, a
competência do JEC); no âmbito da Justiça Estadual, na comarca da Capital, a
competência dos foros regionais para as ações de rito ordinário está limitada a
500 salários mínimos; b) o valor da causa pode determinar, na atualidade, o
rito a ser adotado em ações de conhecimento no juízo comum (sumário ou
ordinário); c) o valor da causa serve de base para o recolhimento da taxa
judiciária; d) o valor da causa pode servir de parâmetro para a fixação dos
honorários advocatícios em favor da parte vencedora.
30

Regras para atribuição de valor à causa – v. arts. 259 e 260 do


CPC de 1973 e 292 do CPC de 2015.
O juiz pode, de ofício e por arbitramento, corrigir o valor da
causa quando não observados os critérios legais, determinando, se for o caso,
a complementação das custas recolhidas (v. § 3º do art. 292 do CPC de 2015).
O réu pode impugnar o valor atribuído à causa na petição
inicial; de acordo com o art. 293 do CPC de 2015, essa impugnação será
apresentada como preliminar da contestação; esse prazo é preclusivo; se não
for apresentada a impugnação oportunamente, presume-se que o valor
constante da inicial foi aceito pelo réu; portanto, não há mais instauração de
incidente específico, como anteriormente previsto no artigo 261 do CPC de
1973.
VI - indicação das provas com que o autor pretende
demonstrar a verdade dos fatos alegados.
Basta menção à espécie de prova a ser produzida, ou seja, o
autor pode protestar genericamente pela utilização de todos os meios de prova
admitidos em direito, sendo que posteriormente poderá particularizar as
provas a produzir.
VII (de acordo com o CPC de 2015) – a opção do autor
pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.
OBS.: o autor, portanto, já deve declinar, na petição inicial, se
tem ou não interesse na realização dessa audiência prévia; no entanto, ela só
não se realizará se o réu ou os réus também manifestarem por petição, até 10
dias antes da data designada, que não tem interesse na autocomposição do
litígio.
O novo CPC não mais estabelece como requisito essencial o
requerimento para a citação do réu; isso porque a citação é indispensável para
a validade e a eficácia da relação processual e se realizará independentemente
de qualquer postulação do promovente.
31

No novo procedimento comum, previsto no CPC de 2015, o


réu é citado para comparecer à audiência prévia de conciliação ou de
mediação; caso a causa não admita autocomposição, o juiz não designará essa
audiência e o réu já será citado para apresentar contestação em 15 dias; se a
audiência inicialmente designada não se realizar pela manifestação antecipada
de ambas as partes que não têm interesse na autocomposição do litígio, o
prazo para contestar observará o disposto no artigo 335 (CPC de 2015).
“Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por petição,
no prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo inicial será a data:
I – da audiência de conciliação ou de mediação, ou da
última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou,
comparecendo, não houver autocomposição;
II – do protocolo do pedido de cancelamento da audiência
de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a
hipótese do art. 334, § 4º, inciso I;
III – prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi
feita a citação, nos demais casos.
§ 1º No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese
do art. 334, § 6º, o termo inicial previsto no inciso II será, para cada um
dos réus, a data de apresentação de seu respectivo pedido de
cancelamento da audiência.
§ 2º Quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso II,
havendo litisconsórcio passivo e o autor desistir da ação em relação a réu
ainda não citado, o prazo para resposta correrá da data de intimação da
decisão que homologar a desistência.”
No processo de execução, o réu é citado para cumprir a
obrigação e no procedimento de concessão de tutela cautelar requerida em
caráter antecedente o requerido é citado para contestar o pedido em cinco dias
(v. art. 306 do CPC de 2015).
32

Outras exigências legais:


Na fase postulatória, também temos atividade probatória das
partes; o autor deve instruir a petição inicial com os documentos
indispensáveis à propositura da ação (v. arts. 283 do CPC de 1973 e 320 do
CPC de 2015).
São os chamados documentos substanciais e fundamentais.
a) documentos substanciais (v. art. 366 do CPC de 1973 e 406
do CPC de 2015); conforme enuncia referido artigo 406, que reproduz
basicamente o artigo 366 do CPC vigente, “quando a lei exigir instrumento
público como da substância do ato, nenhuma outra prova, por mais
especial que seja, pode suprir-lhe a falta”; são aqueles, portanto, que a lei
expressamente exige para fazer prova de um ato ou de um negócio jurídico.
Exemplos: em uma ação reivindicatória de bem imóvel, o autor deve
apresentar desde logo a escritura pública registrada no ofício imobiliário; em
ação de divórcio, o autor deve apresentar com a inicial a certidão do registro
civil do casamento.
b) documentos fundamentais – são aqueles mencionados como
fundamento da pretensão do autor. Exemplo: em uma ação de rescisão de
contrato, o autor deve exibir desde logo o instrumento respectivo, em que
fundamenta a sua pretensão.
Instrumento do mandato: o advogado que subscreve a
petição inicial deve apresentar, desde logo, o instrumento da procuração que
lhe foi conferido pelo autor, salvo se postular em causa própria (v. arts. 36 a
40 do CPC de 1973 e 103 a 107 do CPC de 2015).
CAPÍTULO III CAPÍTULO III
DOS PROCURADORES DOS PROCURADORES
Art. 36. A parte será representada em juízo por Art. 103. A parte será representada em juízo por
advogado legalmente habilitado. Ser-lhe-á advogado regularmente inscrito na Ordem dos
lícito, no entanto, postular em causa própria, Advogados do Brasil.
quando tiver habilitação legal ou, não a tendo,
no caso de falta de advogado no lugar ou recusa
ou impedimento dos que houver.
33

Parágrafo único. É lícito à parte postular em


causa própria quando tiver habilitação legal.
§ 1º (Revogado pela Lei nº 9.649, de 1998)
§ 2º (Revogado pela Lei nº 9.649, de 1998)
Art. 37. Sem instrumento de mandato, o Art. 104. O advogado não será admitido a
advogado não será admitido a procurar em postular em juízo sem procuração, salvo para
juízo. Poderá, todavia, em nome da parte, evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou
intentar ação, a fim de evitar decadência ou para praticar ato considerado urgente.
prescrição, bem como intervir, no processo,
para praticar atos reputados urgentes. Nestes
casos, o advogado se obrigará,
independentemente de caução, a exibir o
instrumento de mandato no prazo de 15
(quinze) dias, prorrogável até outros 15
(quinze), por despacho do juiz.
§ 1º Nas hipóteses previstas no caput, o
advogado deverá, independentemente de caução,
exibir a procuração no prazo de 15 (quinze) dias,
prorrogável por igual período por despacho do
juiz.
Parágrafo único. Os atos, não ratificados no § 2º O ato não ratificado será considerado
prazo, serão havidos por inexistentes, ineficaz relativamente àquele em cujo nome foi
respondendo o advogado por despesas e perdas praticado, respondendo o advogado pelas
e danos. despesas e perdas e danos.
Art. 38. A procuração geral para o foro, Art. 105. A procuração geral para o foro,
conferida por instrumento público, ou particular outorgada por instrumento público ou particular
assinado pela parte, habilita o advogado a assinado pela parte, habilita o advogado a
praticar todos os atos do processo, salvo para praticar todos os atos do processo, exceto
receber citação inicial, confessar, reconhecer a receber citação, confessar, reconhecer a
procedência do pedido, transigir, desistir, procedência do pedido, transigir, desistir,
renunciar ao direito sobre que se funda a ação, renunciar ao direito sobre o qual se funda a ação,
receber, dar quitação e firmar compromisso. receber, dar quitação, firmar compromisso e
assinar declaração de hipossuficiência
econômica, que devem constar de cláusula
específica.
Parágrafo único. A procuração pode ser § 1º A procuração pode ser assinada
assinada digitalmente com base em certificado digitalmente, na forma da lei.
emitido por Autoridade Certificadora
credenciada, na forma da lei específica.
§ 2º A procuração deverá conter o nome do
advogado, seu número de inscrição na Ordem
dos Advogados do Brasil e endereço completo.
§ 3º Se o outorgado integrar sociedade de
advogados, a procuração também deverá conter
o nome desta, seu número de registro na Ordem
dos Advogados do Brasil e endereço completo.
§ 4º Salvo disposição expressa em sentido
contrário constante do próprio instrumento, a
procuração outorgada na fase de conhecimento é
eficaz para todas as fases do processo, inclusive
para o cumprimento de sentença.
Art. 39. Compete ao advogado, ou à parte Art. 106. Quando postular em causa própria,
34

quando postular em causa própria: incumbe ao advogado:


I - declarar, na petição inicial ou na I – declarar, na petição inicial ou na contestação,
contestação, o endereço em que receberá o endereço, seu número de inscrição na Ordem
intimação; dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade
de advogados da qual participa, para o
recebimento de intimações;
II - comunicar ao escrivão do processo qualquer II – comunicar ao juízo qualquer mudança de
mudança de endereço. endereço.
Parágrafo único. Se o advogado não cumprir o § 1º Se o advogado descumprir o disposto no
disposto no I deste artigo, o juiz, antes de inciso I, o juiz ordenará que se supra a omissão,
determinar a citação do réu, mandará que se no prazo de cinco dias, antes de determinar a
supra a omissão no prazo de 48 (quarenta e citação do réu, sob pena de indeferimento da
oito) horas, sob pena de indeferimento da petição.
petição; se infringir o previsto no II, reputar-se-
ão válidas as intimações enviadas, em carta
registrada, para o endereço constante dos autos.
§ 2º Se o advogado infringir o previsto no inciso
II, serão consideradas válidas as intimações
enviadas por carta registrada ou meio eletrônico
ao endereço constante dos autos.
Art. 40. O advogado tem direito de: Art. 107. O advogado tem direito a:
I - examinar, em cartório de justiça e secretaria I – examinar, em cartório de fórum e secretaria
de tribunal, autos de qualquer processo, salvo o de tribunal, mesmo sem procuração, autos de
disposto no art. 155; qualquer processo, independentemente da fase
de tramitação, assegurados a obtenção de cópias
e o registro de anotações, salvo na hipótese de
segredo de justiça, nas quais apenas o advogado
constituído terá acesso aos autos;
II - requerer, como procurador, vista dos autos II – requerer, como procurador, vista dos autos
de qualquer processo pelo prazo de 5 (cinco) de qualquer processo, pelo prazo de cinco dias;
dias;
III - retirar os autos do cartório ou secretaria, III – retirar os autos do cartório ou secretaria,
pelo prazo legal, sempre que lhe competir falar pelo prazo legal, sempre que neles lhe couber
neles por determinação do juiz, nos casos falar por determinação do juiz, nos casos
previstos em lei. previstos em lei.
§ 1º Ao receber os autos, o advogado assinará § 1º Ao receber os autos, o advogado assinará
carga no livro competente. carga em livro ou documento próprio.
§ 2º Sendo comum às partes o prazo, só em § 2º Sendo o prazo comum às partes, os
conjunto ou mediante prévio ajuste por petição procuradores poderão retirar os autos somente
nos autos, poderão os seus procuradores retirar em conjunto ou mediante prévio ajuste, por
os autos, ressalvada a obtenção de cópias para a petição nos autos.
qual cada procurador poderá retirá-los pelo § 3º Na hipótese do § 2º, é lícito ao procurador
prazo de 1 (uma) hora independentemente de retirar os autos para obtenção de cópias, pelo
ajuste. prazo de duas a seis horas, independentemente
de ajuste e sem prejuízo da continuidade do
prazo.
§ 4º O procurador perderá no mesmo processo o
direito a que se refere o § 3º se não devolver os
autos tempestivamente, salvo se o prazo for
prorrogado pelo juiz.
35

De se registrar que, em situações emergenciais, o advogado


poderá intentar a ação e pedir prazo para exibir o instrumento de mandato.

Emenda ou complementação da petição inicial:


(v. arts. 284 do CPC de 1973 e 321 do CPC de 2015).
O juiz, no controle prévio de admissibilidade da petição
inicial, pode identificar defeitos capazes de dificultar a defesa ou o
julgamento do mérito. Deve determinar então a emenda ou complementação
da petição. Se a diligência não for cumprida a contento, tem lugar o
indeferimento da petição inicial, com a extinção do processo na fase
cognitiva, sem exame do mérito (v. arts. 267, I, CPC de 1973 e 485, I, do CPC
de 2015).
No CPC de 2015, o prazo para essa emenda ou
complementação da inicial passou a ser de 15 dias; e o juiz deve
indicar com precisão o que deve ser corrigido ou completado.
Art. 284. Verificando o juiz que a petição Art. 321. Verificando o juiz que a petição inicial
inicial não preenche os requisitos exigidos nos não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou
arts. 282 e 283, ou que apresenta defeitos e que apresenta defeitos e irregularidades capazes
irregularidades capazes de dificultar o de dificultar o julgamento de mérito, determinará
julgamento de mérito, determinará que o autor que o autor, no prazo de quinze dias, a emende
a emende, ou a complete, no prazo de 10 (dez) ou a complete, indicando com precisão o que
dias. deve ser corrigido ou completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a Parágrafo único. Se o autor não cumprir a
diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

Causas de indeferimento da petição inicial:


Seção III (CPC de 1973) Seção III (CPC de 2015)
Do Indeferimento da Petição Inicial Do Indeferimento da Petição Inicial
Art. 295. A petição inicial será indeferida: Art. 330. A petição inicial será indeferida
quando:
I - quando for inepta; I – for inepta;
II - quando a parte for manifestamente II – a parte for manifestamente ilegítima;
ilegítima;
III - quando o autor carecer de interesse III – o autor carecer de interesse processual;
processual;
IV - quando o juiz verificar, desde logo, a
decadência ou a prescrição (art. 219, § 5o);
36

V - quando o tipo de procedimento, escolhido


pelo autor, não corresponder à natureza da
causa, ou ao valor da ação; caso em que só não
será indeferida, se puder adaptar-se ao tipo de
procedimento legal;
VI - quando não atendidas as prescrições dos IV – não atendidas as prescrições dos arts. 106 2 e
arts. 39, parágrafo único, primeira parte, e 284. 3213.
Parágrafo único. Considera-se inepta a petição § 1º Considera-se inepta a petição inicial
inicial quando: quando:
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; I – lhe faltar pedido ou causa de pedir;

II – o pedido for indeterminado, ressalvadas as


hipóteses legais em que se permite o pedido
genérico;
II - da narração dos fatos não decorrer III – da narração dos fatos não decorrer
logicamente a conclusão; logicamente a conclusão;
III - o pedido for juridicamente impossível;
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si. IV – contiver pedidos incompatíveis entre si.
§ 2º Nas ações que tenham por objeto a revisão
de obrigação decorrente de empréstimo,
financiamento ou alienação de bens, o autor terá
de, sob pena de inépcia, discriminar na petição
inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas
que pretende controverter, além de quantificar o
valor incontroverso do débito.
§ 3º Na hipótese do § 2º, o valor incontroverso
deverá continuar a ser pago no tempo e modo
contratados.

I - inépcia da petição inicial: diz respeito à imperfeição do


libelo, ou seja, deficiência na formulação do pedido ou da causa de pedir; não
é, portanto, qualquer defeito que representa essa inépcia; ver então as
hipóteses no parágrafo único do artigo 295 do CPC de 1973 e no § 1º do
artigo 330 do CPC de 2015;
2
Art. 106. Quando postular em causa própria, incumbe ao advogado:
I – declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem dos
Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para o recebimento de
intimações;
II – comunicar ao juízo qualquer mudança de endereço.
§ 1º Se o advogado descumprir o disposto no inciso I, o juiz ordenará que se supra a omissão, no prazo de 5
(cinco) dias, antes de determinar a citação do réu, sob pena de indeferimento da petição.
§ 2º Se o advogado infringir o previsto no inciso II, serão consideradas válidas as intimações enviadas por
carta registrada ou meio eletrônico ao endereço constante dos autos.
3
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 ou que
apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no
prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou
completado.
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.
37

II - ilegitimidade “ad causam” manifesta, ativa ou passiva:


considerando a situação fática exposta na inicial, pode o juiz verificar desde
logo a ilegitimidade das partes, pronunciando-a;
III - falta de interesse processual: o juiz irá verificar a
necessidade e utilidade da prestação jurisdicional; exemplo: o juiz verifica
que o medicamento está disponível na rede pública, podendo ser obtido sem a
prestação jurisdicional; é caso então de reconhecer a falta de interesse de agir,
indeferindo desde logo a petição inicial;
OBS.: a) nas hipóteses dos incisos II e III identifica-se a
carência da ação (falta de condições da ação);
b) o exame da presença das condições da ação deve ser feito
pelo juiz com abstração do fato do autor ter ou não o direito que se atribui, ou
seja, se as afirmações do autor são verdadeiras ou não é questão que envolve
o mérito da causa e não a carência da ação;
c) no CPC de 2015 a ocorrência de decadência ou prescrição,
identificada desde logo pelo juiz no controle de admissibilidade da petição
inicial, não induz ao indeferimento desta (conforme técnica estabelecida no
CPC de 1973), mas ao julgamento liminar de improcedência do pedido, tal
como previsto no artigo 332, § 1º4;
d) no CPC de 2015 não mais consta, como causa de
indeferimento da inicial, a impossibilidade de adaptação ao tipo de
procedimento legal (v. inciso V do art. 295 do CPC de 1973, supra transcrito);

4
Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará
liminarmente improcedente o pedido que contrariar:
I – enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;
II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de
recursos repetitivos;
III – entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de
competência;
IV – enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.
§ 1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a
ocorrência de decadência ou de prescrição.
38

IV - não atendimento das prescrições dos artigos 106 e 321


do CPC de 2015 – v. transcrição anterior desses dois dispositivos em
rodapé.
OBS.: o fato do juiz receber a petição inicial não afasta a
possibilidade de indeferi-la posteriormente, de ofício ou mediante provocação
do réu. Não há preclusão para o juiz, pois a aptidão da petição inicial é
requisito essencial para a outorga da prestação jurisdicional.
O provimento do juiz que indefere a petição inicial representa
uma sentença terminativa, extinguindo-se então o processo sem exame do
mérito na fase de conhecimento (v. art. 267, I, do CPC de 1973 e 485, I, do
CPC de 2015). Cabe recurso de apelação, no prazo de quinze dias.
Normalmente, diante do recurso de apelação, o juiz não pode
exercer o chamado juízo de retratação, ou seja, não pode reformar a sentença
proferida.
Mas temos duas hipóteses excepcionais em que o juízo de
retratação é admitido, diante da apelação do autor:
1 – v. arts. 296 do CPC de 1973 e 331 do CPC de 2015:
Art. 296. Indeferida a petição inicial, o autor Art. 331. Indeferida a petição inicial, o autor
poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 48 poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de
(quarenta e oito) horas, reformar sua decisão. cinco dias, retratar-se.
Parágrafo único. Não sendo reformada a § 1º Se não houver retratação, o juiz mandará
decisão, os autos serão imediatamente citar o réu para responder ao recurso.
encaminhados ao tribunal competente.
§ 2º Sendo a sentença reformada pelo tribunal, o
prazo para a contestação começará a correr da
intimação do retorno dos autos, observado o
disposto no art. 334.
§ 3º Não interposta a apelação, o réu será
intimado do trânsito em julgado da sentença.

Nessa primeira hipótese, o juiz indefere liminarmente a petição


inicial, ou seja, antes da citação do réu;
se o autor apelar, o juiz poderá reformar a sentença proferida e
determinar o prosseguimento da ação (no CPC de 1973 a retratação deveria se
39

dar no prazo de 48 horas, enquanto no CPC de 2015 esse prazo passou a ser
de cinco dias);
no CPC de 1973, se o juiz não reformasse sua sentença,
determinava então a imediata remessa dos autos ao Tribunal para julgamento
da apelação; não havia previsão de citação do réu para responder ao recurso;
já no CPC de 2015, se não houver retratação, o réu deverá ser citado para
responder ao recurso; por via de consequência, se a sentença for reformada
pelo Tribunal, com determinação de prosseguimento da ação, o prazo para o
réu contestar começará a correr automaticamente da intimação do retorno dos
autos, observado o disposto no art. 334;
2 – v. arts. 285-A do CPC de 1973 e 332 do CPC de 2015:
CAPÍTULO III
DA IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO
PEDIDO
Art. 285-A. Quando a matéria controvertida for Art. 332. Nas causas que dispensem a fase
unicamente de direito e no juízo já houver sido instrutória, o juiz, independentemente da citação
proferida sentença de total improcedência em do réu, julgará liminarmente improcedente o
outros casos idênticos, poderá ser dispensada a pedido que contrariar:
citação e proferida sentença, reproduzindo-se o
teor da anteriormente prolatada.
I – enunciado de súmula do Supremo Tribunal
Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;
II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal
Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em
julgamento de recursos repetitivos;
III – entendimento firmado em incidente de
resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
IV – enunciado de súmula de tribunal de justiça
sobre direito local.
§ 1º O juiz também poderá julgar liminarmente
improcedente o pedido se verificar, desde logo, a
ocorrência de decadência ou de prescrição.
§ 2º Não interposta a apelação, o réu será
intimado do trânsito em julgado da sentença, nos
termos do art. 241.
§ 1º Se o autor apelar, é facultado ao juiz § 3º Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-
decidir, no prazo de 5 (cinco) dias, não manter se em 5 (cinco) dias.
a sentença e determinar o prosseguimento da
ação.
§ 2º Caso seja mantida a sentença, será § 4º Se houver retratação, o juiz determinará o
ordenada a citação do réu para responder ao prosseguimento do processo, com a citação do
recurso. réu, e, se não houver retratação, determinará a
40

citação do réu para apresentar contrarrazões, no


prazo de 15 (quinze) dias.

Temos julgamento liminar de mérito nessas hipóteses, ou seja,


ocorrerá o julgamento de plano da causa, prescindindo-se da citação do réu;
isso é possível quando a matéria controvertida for exclusivamente de
direito, ou seja, quando a causa dispensa a fase instrutória;
no CPC de 1973, para que ocorresse esse julgamento liminar
de mérito, bastaria que naquele juízo já tivesse sido proferida sentença de
total improcedência em outros casos idênticos, reproduzindo-se então o teor
da anteriormente prolatada;
já no CPC de 2015, tem lugar a improcedência liminar do
pedido do autor se ele contrariar a jurisprudência consolidada no âmbito dos
tribunais superiores ou enunciado de súmula de Tribunal de Justiça sobre
direito local; cabe também o julgamento liminar de improcedência se o juiz
verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou prescrição;
o autor pode então apelar dessa sentença de improcedência, no
prazo de quinze dias; diante da apelação do autor, o juiz poderá reformar essa
sentença em cinco dias, determinando o prosseguimento da ação; mantida a
sentença, o réu deverá ser citado para responder o recurso, em quinze dias; na
sequência, os autos são remetidos ao tribunal competente para julgamento do
apelo.

ALTERAÇÕES DA PETIÇÃO INICIAL


Art. 264. Feita a citação, é defeso ao autor Art. 329. O autor poderá:
modificar o pedido ou a causa de pedir, sem o I – até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a
consentimento do réu, mantendo-se as mesmas causa de pedir, independentemente de
partes, salvo as substituições permitidas por lei. consentimento do réu;
II – até o saneamento do processo, aditar ou
alterar o pedido e a causa de pedir, com
consentimento do réu, assegurado o contraditório
mediante a possibilidade de manifestação deste
no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o
requerimento de prova suplementar.
41

Parágrafo único. A alteração do pedido ou da Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste


causa de pedir em nenhuma hipótese será artigo à reconvenção e à respectiva causa de
permitida após o saneamento do processo. pedir.

Alterações objetivas: dizem respeito ao libelo, ou seja, à


indicação da causa de pedir e do pedido.
Antes da citação do réu, a alteração ou o aditamento do pedido
ou da causa de pedir são admitidos sem restrições. Após a citação, a alteração
ou o aditamento dependem de consentimento do réu, assegurando-se, todavia,
o contraditório; proferida decisão de saneamento, tais alterações objetivas não
mais serão admitidas (v. artigos supra transcritos).
Alterações subjetivas: dizem respeito às partes. Após a
citação, só são admitidas as substituições previstas em lei.
No caso de falecimento, a parte deve ser substituída pelo
espólio ou pelos herdeiros e sucessores.
Alegada pelo réu sua ilegitimidade ad causam, deverá ele
indicar quem deve legitimamente figurar como sujeito passivo da relação
jurídica discutida; no CPC de 1973 havia previsão de nomeação à autoria,
como forma de intervenção de terceiros (v. arts. 64 a 69); no CPC de 2015,
essa indicação deve ser feita na própria contestação, conforme artigo 339,
verbis:
“Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o
sujeito passivo da relação jurídica discutida sempre que tiver
conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de
indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
§ 1º O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze)
dias, à alteração da petição inicial para a substituição do réu, observando-
se, ainda, o parágrafo único do art. 338.
§ 2º No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição
inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo
réu.”
42

Aceita essa indicação, teremos então a substituição do réu


originário; no CPC de 2015, o autor pode optar pela formação de
litisconsórcio passivo, incluindo então na relação processual o sujeito
indicado pelo réu.
Em caso de alienação ou cessão do direito ou da coisa
litigiosa, no curso de processo já instaurado, só haverá substituição do
vendedor ou cedente pelo adquirente ou cessionário com anuência do
adversário (v. arts. 42 do CPC de 1973 e 109 do CPC de 2015).

CAPÍTULO IV (CPC DE 1973) CAPÍTULO IV (CPC DE 2015)


DA SUBSTITUIÇÃO DAS PARTES E DOS DA SUCESSÃO DAS PARTES E DOS
PROCURADORES PROCURADORES
Art. 41. Só é permitida, no curso do processo, a Art. 108. No curso do processo, somente é lícita
substituição voluntária das partes nos casos a sucessão voluntária das partes nos casos
expressos em lei. expressos em lei.
Art. 42. A alienação da coisa ou do direito Art. 109. A alienação da coisa ou direito
litigioso, a título particular, por ato entre vivos, litigioso por ato entre vivos, a título particular,
não altera a legitimidade das partes. não altera a legitimidade das partes.
§ 1º O adquirente ou o cessionário não poderá § 1º O adquirente ou cessionário não poderá
ingressar em juízo, substituindo o alienante, ou ingressar em juízo, sucedendo o alienante ou
o cedente, sem que o consinta a parte contrária. cedente, sem que o consinta a parte contrária.
§ 2º O adquirente ou o cessionário poderá, no § 2º O adquirente ou cessionário poderá intervir
entanto, intervir no processo, assistindo o no processo como assistente litisconsorcial do
alienante ou o cedente. alienante ou cedente.
§ 3º A sentença, proferida entre as partes § 3º Estendem-se os efeitos da sentença
originárias, estende os seus efeitos ao proferida entre as partes originárias ao
adquirente ou ao cessionário. adquirente ou cessionário.
Art. 43. Ocorrendo a morte de qualquer das Art. 110. Ocorrendo a morte de qualquer das
partes, dar-se-á a substituição pelo seu espólio partes, dar-se-á a sucessão pelo seu espólio ou
ou pelos seus sucessores, observado o disposto seus sucessores, observado o disposto no art.
no art. 265. 313, §§ 1º e 2º.

PEDIDO
É o objeto da ação. É a expressão da pretensão do demandante.
Não há ação sem pedido.
No pedido temos a postulação de uma providência
jurisdicional na tutela de um bem jurídico.
Fala-se então em pedido imediato e pedido mediato.
43

O pedido imediato corresponde à providência jurisdicional


pretendida pela parte. No processo de conhecimento, a providência
jurisdicional almejada é uma sentença de mérito, que pode ser meramente
declaratória, condenatória ou constitutiva.
Já o pedido mediato corresponde ao bem jurídico (bem da
vida) a ser tutelado pelo órgão jurisdicional.
Ex.: em uma ação de indenização, o pedido imediato é a
sentença condenatória; já o pedido mediato é a reparação dos danos
ocasionados ao autor.
Ex.: em uma ação de rescisão de negócio jurídico (contrato), o
pedido imediato será a prolação de sentença constitutiva; já o pedido mediato
é a desconstituição do negócio jurídico.
Ex.: em uma ação declaratória de nulidade de negócio jurídico,
por incapacidade absoluta do contratante, o pedido imediato é a sentença
meramente declaratória e o pedido mediato corresponde justamente à
declaração judicial da nulidade. Nesse caso (nas ações meramente
declaratórias) o pedido imediato e o mediato se confundem; a simples
declaração judicial já esgota a finalidade da ação.

REQUISITOS DO PEDIDO
(v. art. 286, caput, do CPC de 1973 e arts. 322 e 324 do CPC
de 2015)
O pedido deve ser certo, determinado e concludente.
Pedido certo: quer dizer pedido expresso, explícito.
Pedido determinado: significa pedido delimitado na sua
qualidade e na sua quantidade. O pedido mediato pode ser indeterminado em
alguns casos.
Pedido concludente: deve resultar logicamente da causa de
pedir (caso contrário, haverá inépcia da petição inicial).
44

É o pedido que vai delimitar o conteúdo da sentença. O juiz


fica adstrito (vinculado) ao que foi postulado pela parte.

ESPÉCIES DE PEDIDO
1 - Pedido determinado ou genérico: arts. 286, I a III, do
CPC de 1973 e 324, § 1º, do CPC de 2015.
Art. 286. O pedido deve ser certo ou Art. 324. O pedido deve ser determinado.
determinado. É lícito, porém, formular pedido § 1º É lícito, porém, formular pedido genérico:
genérico:
I - nas ações universais, se não puder o autor I – nas ações universais, se o autor não puder
individuar na petição os bens demandados; individuar os bens demandados;
II - quando não for possível determinar, de II – quando não for possível determinar, desde
modo definitivo, as consequências do ato ou do logo, as consequências do ato ou do fato;
fato ilícito;
III - quando a determinação do valor da III – quando a determinação do objeto ou do
condenação depender de ato que deva ser valor da condenação depender de ato que deva
praticado pelo réu. ser praticado pelo réu.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se à
reconvenção.

O pedido é determinado desde que assinale todas as


características do bem jurídico pretendido, de modo a distingui-lo de qualquer
outro. Em princípio, o autor deve indicar o que é devido (“an debeatur”) e o
quanto devido (“quantum debeatur”).
O pedido genérico é aquele determinado no que toca ao que é
devido, mas indeterminado no que se refere ao quantum devido. A definição
do quantum devido pode ocorrer na própria sentença de mérito ou será
relegada para a fase de liquidação de sentença.
I – É possível pedido genérico nas ações universais. A ação
universal se refere a uma universalidade de fato (rebanho, biblioteca) ou de
direito (herança). Exemplo: o filho não reconhecido pelo de cujus ingressa
com ação de investigação de paternidade mais petição de herança; no que toca
ao segundo pedido, postulará o seu quinhão na herança sem individualizar os
bens que vão integrar esse quinhão.
45

II – É possível pedido genérico quando não for possível


determinar desde logo as consequências do ato ou fato ilícito. Exemplo: o
autor pede a condenação do réu a compor danos materiais e morais sem
definir o valor devido, que será apurado no curso do procedimento ou na fase
de liquidação de sentença.
III – Também é possível pedido genérico quando a
determinação do valor devido depender de ato a ser praticado pelo réu. Ex.:
ação de prestação de contas; eventual saldo credor só será definido a partir da
exibição das contas pelo réu.
2 - Pedido fixo ou alternativo: arts. 288 do CPC de 1973 e
325 do CPC de 2015.
Art. 288. O pedido será alternativo, quando, Art. 325. O pedido será alternativo quando, pela
pela natureza da obrigação, o devedor puder natureza da obrigação, o devedor puder cumprir
cumprir a prestação de mais de um modo. a prestação de mais de um modo.
Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo Parágrafo único. Quando, pela lei ou pelo
contrato, a escolha couber ao devedor, o juiz contrato, a escolha couber ao devedor, o juiz lhe
lhe assegurará o direito de cumprir a prestação assegurará o direito de cumprir a prestação de
de um ou de outro modo, ainda que o autor não um ou de outro modo, ainda que o autor não
tenha formulado pedido alternativo. tenha formulado pedido alternativo.

O autor pode formular pedido alternativo quando, pela


natureza da obrigação, ela puder ser cumprida pelo réu por mais de um modo.
Exemplo 1: ação de depósito; o autor pede a entrega do bem objeto do
contrato ou o pagamento do equivalente em dinheiro. Exemplo 2: o
adquirente de um terreno verifica que falta metragem em razão da venda
contratada; pode pedir a complementação da área ou o abatimento do preço.
De uma forma ou de outra, nesses exemplos, o autor terá a sua
pretensão satisfeita.
OBS.: Somente se fala em pedido alternativo se a escolha
couber ao réu. Se a opção é do autor, ele deve apresentá-la na petição inicial,
não sendo caso então de pedido alternativo.
46

3 - Pedido principal e pedidos sucessivos ou subsidiários:


arts. 289 do CPC de 1973 e 326 do CPC de 2015.
Art. 289. É lícito formular mais de um pedido Art. 326. É lícito formular mais de um pedido
em ordem sucessiva, a fim de que o juiz em ordem subsidiária, a fim de que o juiz
conheça do posterior, em não podendo acolher conheça do posterior, em não acolhendo o
o anterior. anterior.
Parágrafo único. É lícito formular mais de um
pedido, alternativamente, para que o juiz acolha
um deles.

É possível formular mais de um pedido em ordem sucessiva, a


fim de que o juiz conheça do posterior, se não puder acolher o anterior.
Apresenta-se, então, um pedido principal e outro, subsidiariamente, caso
aquele pedido principal não possa ser acolhido. Nesse caso, o juiz deve
apreciar os pedidos na ordem em que foram apresentados. Ex.: “A” recebeu
área menor do que a adquirida. Pede, então, em juízo, em primeiro lugar, a
complementação da área, apresentando, em caráter subsidiário, pedido de
rescisão do contrato e composição de perdas e danos.
No CPC de 2015, o parágrafo único do art. 326 preconiza a
possibilidade de formulação de mais de um pedido, conferindo ao juiz
alternativa para acolher um deles; o juiz então não fica vinculado a uma
ordem pré-estabelecida pela parte.
4 - Pedido de prestações periódicas: arts. 290 do CPC de
1973 e 323 do CPC de 2015.
Art. 290. Quando a obrigação consistir em Art. 323. Na ação que tiver por objeto
prestações periódicas, considerar-se-ão elas cumprimento de obrigação em prestações
incluídas no pedido, independentemente de sucessivas, essas serão consideradas incluídas no
declaração expressa do autor; se o devedor, no pedido, independentemente de declaração
curso do processo, deixar de pagá-las ou de expressa do autor, e serão incluídas na
consigná-las, a sentença as incluirá na condenação, enquanto durar a obrigação, se o
condenação, enquanto durar a obrigação. devedor, no curso do processo, deixar de pagá-
las ou de consigná-las.
Esse pedido diz respeito ao cumprimento de obrigações de
trato sucessivo, ou seja, que se prolongam no tempo. Nesse caso, o autor pode
pedir que sejam incluídas na condenação as prestações que se vencerem no
47

curso do procedimento (normalmente, as que se vencerem até o trânsito em


julgado da sentença seriam exigíveis do devedor nesse processo).
OBS.: fala-se em prestações vincendas.
Ex.: ações de cobrança de encargos condominiais, de
alimentos, aluguéis, prestações de financiamentos, etc.
OBS.: as prestações vincendas podem ser incluídas na
condenação independentemente de postulação expressa do autor, enquanto
perdurar a obrigação.
5 - Pedido cominatório.
CPC DE 1973 CPC DE 2015
Art. 461. Na ação que tenha por objeto o Art. 497. Na ação que tenha por objeto a
cumprimento de obrigação de fazer ou não prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se
fazer, o juiz concederá a tutela específica da procedente o pedido, concederá a tutela
obrigação ou, se procedente o pedido, específica ou determinará providências que
determinará providências que assegurem o assegurem a obtenção de tutela pelo resultado
resultado prático equivalente ao do prático equivalente.
adimplemento.
§ 3o Sendo relevante o fundamento da demanda
e havendo justificado receio de ineficácia do
provimento final, é lícito ao juiz conceder a
tutela liminarmente ou mediante justificação
prévia, citado o réu. A medida liminar poderá
ser revogada ou modificada, a qualquer tempo,
em decisão fundamentada.
§ 4o O juiz poderá, na hipótese do parágrafo
anterior ou na sentença, impor multa diária ao
réu, independentemente de pedido do autor, se
for suficiente ou compatível com a obrigação,
fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento
do preceito.
§ 5o Para a efetivação da tutela específica ou a
obtenção do resultado prático equivalente,
poderá o juiz, de ofício ou a requerimento,
determinar as medidas necessárias, tais como a
imposição de multa por tempo de atraso, busca
e apreensão, remoção de pessoas e coisas,
desfazimento de obras e impedimento de
atividade nociva, se necessário com requisição
de força policial.
§ 6o O juiz poderá, de ofício, modificar o valor
ou a periodicidade da multa, caso verifique que
se tornou insuficiente ou excessiva.
Parágrafo único. Para a concessão da tutela
específica destinada a inibir a prática, a
reiteração ou a continuação de um ilícito, ou a
48

sua remoção, é irrelevante a demonstração da


ocorrência de dano ou da existência de culpa ou
dolo.

Cominar significa ameaçar pena, sanção.


Esse pedido cominatório diz respeito às ações que visam o
adimplemento de obrigações de fazer e de não fazer. O CPC estabelece
medidas que podem ser determinadas pelo juiz para que se possa alcançar a
tutela específica da obrigação, ou seja, resultado prático equivalente ao
cumprimento espontâneo da obrigação pelo devedor. Uma das medidas é a
fixação de pena pecuniária (“astreintes”) por dia de atraso no cumprimento da
prestação.
6 - Pedidos cumulados: arts. 292 do CPC de 1973 e 327 do
CPC de 2015.
Art. 292. É permitida a cumulação, num único Art. 327. É lícita a cumulação, em um único
processo, contra o mesmo réu, de vários processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos,
pedidos, ainda que entre eles não haja conexão. ainda que entre eles não haja conexão.
§ 1o São requisitos de admissibilidade da § 1º São requisitos de admissibilidade da
cumulação: cumulação que:
I - que os pedidos sejam compatíveis entre si; I – os pedidos sejam compatíveis entre si;
II - que seja competente para conhecer deles o II – seja competente para conhecer deles o
mesmo juízo; mesmo juízo;
III - que seja adequado para todos os pedidos o III – seja adequado para todos os pedidos o tipo
tipo de procedimento. de procedimento.
§ 2o Quando, para cada pedido, corresponder § 2º Quando, para cada pedido, corresponder
tipo diverso de procedimento, admitir-se-á a tipo diverso de procedimento, será admitida a
cumulação, se o autor empregar o procedimento cumulação se o autor empregar o procedimento
ordinário. comum, sem prejuízo do emprego das técnicas
processuais diferenciadas previstas nos
procedimentos especiais a que se sujeitam um ou
mais pedidos cumulados, que não forem
incompatíveis com as disposições sobre o
procedimento comum.
§ 3º O inciso I do § 1º não se aplica às
cumulações de pedidos de que trata o art. 326.

É possível cumular no mesmo processo vários pedidos contra


o mesmo réu, ainda que entre eles não haja conexão, ou seja, decorram de
relações jurídicas distintas. Ex.: o autor pede a condenação do réu ao
49

pagamento de uma dívida decorrente de contrato de empréstimo e outra


decorrente de contrato de prestação de serviços.
Essa cumulação de pedidos pode também decorrer da mesma
relação jurídica. Ex.: autor pede a rescisão de um contrato mais a composição
de perdas e danos. Ex.: o autor reclama o reconhecimento da paternidade mais
a condenação do réu a pagar alimentos.

Requisitos de admissibilidade da cumulação:


- Compatibilidade entre os pedidos, ou seja, um pedido não
pode excluir o outro. Ex.: em uma ação de depósito, o autor não pode pedir a
entrega da coisa mais o pagamento do equivalente em dinheiro. Nesse caso, é
possível formular pedido alternativo.
- Competência do mesmo juízo para conhecer dos pedidos
cumulados. Muitas vezes, não se pode cumular os pedidos em razão da
incompetência absoluta do juízo para conhecer de todos eles. Ex.: empregado
dispensado pela empresa pretende reclamar em juízo o pagamento das verbas
rescisórias, bem como de uma quantia que emprestou à empregadora. Nesta
hipótese, não é possível a cumulação, pois o pagamento das verbas
trabalhistas deve ser postulado perante a Justiça do Trabalho e o pagamento
do valor do empréstimo deve ser reclamado perante a Justiça Comum
Estadual.
- Adequação do mesmo tipo de procedimento para deduzir
os pedidos cumulados. Muitas vezes, temos pedidos a serem cumulados,
mediante ações de ritos especiais inconciliáveis. Ex.: pedido de prestação de
contas e de consignação em pagamento. Nessas hipóteses, o legislador criou
procedimentos específicos, tendo em vista as peculiaridades da pretensão,
considerado o direito material.
OBS.: a regra do § 2º do art. 327 do CPC de 2015 permite a
cumulação quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de
50

procedimento, se o autor empregar o procedimento comum; podem ser


empregadas as técnicas processuais diferenciadas relativas aos procedimentos
especiais, desde que não sejam incompatíveis com as disposições sobre o
procedimento comum.

INTERPRETAÇÃO DO PEDIDO
Arts. 293 do CPC de 1973 e 322 do CPC de 2015.
Art. 293. Os pedidos são interpretados Art. 322. O pedido deve ser certo.
restritivamente, compreendendo-se, entretanto, § 1º Compreendem-se no principal os juros
no principal os juros legais. legais, a correção monetária e as verbas de
sucumbência, inclusive os honorários
advocatícios.
§ 2º A interpretação do pedido considerará o
conjunto da postulação e observará o princípio
da boa-fé.

Os pedidos devem ser interpretados restritivamente pelo juiz,


ou seja, o juiz fica adstrito ao que foi expressamente postulado pela parte. O
pedido deve ser certo, ou seja, expresso, explícito. Assim, não se admite, via
de regra, pedido implícito. Mas temos exceções previstas em lei. Certos
pedidos consideram-se compreendidos no pedido principal, ou seja, podem
ser considerados pelo juiz independentemente de postulação expressa pela
parte.

EXCEÇÕES PREVISTAS EM LEI:


- incidência dos juros legais;
- incidência de correção monetária;
- condenação nas verbas da sucumbência;
- inclusão na condenação das prestações vincendas: arts. 290
do CPC de 1973 e 323 do CPC de 2015.

TUTELA PROVISÓRIA
51

No sistema do CPC, temos duas espécies de tutela provisória:


1 – tutela provisória antecipada, que pode fundamentar-se
em “urgência” ou “evidência” (v. arts. 273 do CPC de 1973 e 294 do CPC
de 2015); representa instituto típico de processo de conhecimento, pois
envolve a antecipação do próprio provimento jurisdicional de mérito ou dos
seus efeitos, ou seja, corresponde a adiantamento da tutela final, a ser
outorgada na sentença de mérito de um processo de conhecimento; na
concepção do CPC de 1973, a tutela provisória antecipada só poderia ser
obtida nos autos do processo de conhecimento já instaurado, existindo
previsão de requisitos específicos no citado artigo 273 (CPC/1973);
No CPC de 2015, a parte pode também deduzir desde logo o
pedido de tutela final, instaurando processo de conhecimento, reclamando, já
na petição inicial ou mesmo no curso do procedimento, a antecipação da
tutela de mérito pretendida; mas o legislador inovou, permitindo que o autor
possa apresentar, na petição inicial, apenas o pedido de tutela urgente
antecipada, indicando em que consistirá o pedido de tutela final; nesse caso,
se a tutela urgente antecipada for concedida pelo juiz e o réu não recorrer
contra essa decisão, esse provimento provisório se estabilizará (v. art. 304 do
CPC de 2015); o processo será então extinto e a tutela antecipada conservará
seus efeitos, enquanto não revista, reformada ou invalidada por decisão de
mérito proferida em ação própria, ou seja, em um novo processo, a ser
iniciado por qualquer das partes (v. §§ 1º a 6º do art. 304 do CPC de 2015).
Como se vê, o novo Código cuidou de disciplinar um
procedimento específico para a tutela antecipada requerida em caráter
antecedente (ou seja, provimento provisório requerido antes da apresentação
do pedido de tutela final), quando estiver presente o perigo da demora da
prestação da tutela jurisdicional definitiva (v. arts. 303 e 304 do CPC de
2015).
52

É de se considerar, por outro lado, que a tutela antecipada


provisória pode fundamentar-se em evidência, ou seja, pode ser requerida e
concedida sem o pressuposto da urgência (sem a presença do periculum in
mora).
De acordo com o artigo 311 do CPC de 2015:
“A tutela da evidência será concedida, independentemente da
demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo,
quando:
I – ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto
propósito protelatório da parte;
II – as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas
documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou
em súmula vinculante;
III – se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental
adequada do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de
entrega do objeto custodiado, sob cominação de multa;
IV – a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos
fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de
gerar dúvida razoável.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir
liminarmente.”
Cumpre observar aqui que o texto do novo CPC traz inovações
e uma nova técnica na disciplina da antecipação da tutela de mérito.

2 - tutela cautelar.
No CPC de 1973, a medida cautelar, antecedente ou incidental,
deveria ser sempre requerida em processo autônomo (v. arts. 796 e seguintes);
falava-se em processo acessório, que visava simplesmente assegurar a eficácia
e utilidade do processo principal, que poderia ser de conhecimento ou de
execução.
53

No novo CPC, operou-se uma alteração substancial no sistema


voltado à concessão da tutela cautelar; o legislador procurou unificar, na parte
geral do Código, o regime das tutelas provisórias.
Mas continuam existindo diferenças entre a tutela cautelar e a
tutela antecipada, embora ambas sejam concedidas pelo juiz a partir de
cognição sumária (averiguação superficial e provisória dos fatos da causa).
A propósito, o parágrafo único do artigo 294 do CPC de 2015
estabelece devidamente que a tutela provisória de urgência, cautelar ou
antecipada, pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental; ou seja,
faz clara distinção entre a tutela de urgência antecipada, de caráter satisfativo,
e a outra, de caráter meramente preventivo (tutela cautelar).

Tutela Antecipada
O art. 273 do CPC de 1973 é que veio a instituir a
possibilidade da antecipação da tutela de mérito pretendida pela parte, em
qualquer processo de conhecimento, mediante cognição sumária (averiguação
superficial e provisória dos fatos da causa).
A sentença de mérito é proferida a partir de uma cognição
exauriente, ou seja, a partir de um exame aprofundado dos elementos de
convicção coligidos no curso do procedimento.
O juiz pode, então, a requerimento da parte, antecipar total ou
parcialmente o próprio provimento de mérito pretendido ou os seus efeitos.
Essa tutela provisória é instituto típico de processo de conhecimento, pois
apenas neste tipo de processo temos o julgamento do mérito de uma causa.
A ideia do legislador foi a de evitar os males corrosivos do
tempo no processo, tratando de forma diferenciada o direito que se mostra
evidente. Quando concede a tutela antecipada, o juiz adianta os efeitos da
sentença de mérito a ser proferida na ação de conhecimento.
54

Ex.: “A” comprou um imóvel e pagou o preço ajustado, mas o


vendedor não entregou o imóvel no prazo devido. O comprador pode, então,
ajuizar uma ação de imissão na posse, pedindo, desde logo, tutela antecipada
para ocupar de imediato o imóvel adquirido.
Ex.: pessoa carente reclama em juízo o fornecimento de
medicamentos de alto custo pelo Estado. É possível requerer tutela antecipada
para obter desde logo esse fornecimento.
Nesses casos, verifica-se que a parte pode obter a fruição
antecipada do direito afirmado, ou seja, antes mesmo da outorga da tutela
jurisdicional definitiva.
OBS.: antes da alteração do art. 273 do CPC/73, em 1994, já
havia previsão de concessão de tutela antecipada em procedimentos
específicos previstos no CPC e em leis esparsas. Ex.: fixação de prestação
provisória em ação de alimentos; reintegração liminar em ação possessória;
medida liminar em mandado de segurança, etc.
A tutela antecipada representa uma prestação jurisdicional
provisória de caráter satisfativo e não se confunde com tutela cautelar.
Como já realçado, essa distinção também pode ser inferida do
texto do CPC de 2015, que será reproduzido adiante.
Na verdade, a tutela provisória cautelar, sempre concedida
com fundamento na urgência, visa apenas assegurar o estado de fato enquanto
se aguarda a tutela satisfativa definitiva, ou seja, enquanto se aguarda a
apreciação do pedido principal; ela tem caráter preventivo, e não satisfativo
como a tutela antecipada. Enquanto na tutela antecipada a ideia é satisfazer de
antemão o direito da parte que se mostra evidente, na tutela cautelar a ideia é
somente assegurar a eficácia e utilidade da tutela satisfativa.
Ex. 1 de tutela cautelar: ao determinar o sequestro de um
bem, o juiz apenas estará assegurando a sua higidez, ou seja, o provimento
tem apenas um caráter preventivo (evitar o perecimento ou a dilapidação do
55

bem, de modo a assegurar a sua entrega a quem de direito nos autos da ação
principal).
Ex. 2: a mulher, pretendendo ajuizar ação de divórcio, requer
em caráter antecedente o arrolamento dos bens do casal, de modo a assegurar
a futura partilha, a ser deliberada quando da eventual decretação da dissolução
do vínculo conjugal.
OBS.: o novo CPC inovou e a tutela provisória cautelar poderá
ser concedida, em caráter incidental, nos próprios autos do processo de
conhecimento ou de execução em curso, ou seja, não se exige mais que a
medida cautelar nessas condições seja reclamada em processo cautelar
autônomo; aproveita-se a mesma relação processual em que tramita o pedido
de tutela principal; há também disciplina própria, no CPC de 2015, para
requerer e obter tutela cautelar em caráter antecedente, ou seja, antes de se
propor o pedido de tutela principal.
Uma vez concedida a tutela cautelar, em caráter antecedente, o
autor deve formular o pedido principal em 30 dias, sob pena de cessação da
eficácia da medida; o requerido será citado para apresentar contestação em 5
dias; caso venha a cessar a eficácia da tutela preventiva, o pedido não pode
ser renovado, salvo sob fundamento diverso.
Observações sobre tutela provisória:
a) em princípio, não pode ser concedida de ofício pelo juiz,
ou seja, depende de requerimento da parte;
b) tem lugar a antecipação da tutela de mérito em qualquer
processo de conhecimento, seja qual for o rito adotado; cabe, inclusive, no
procedimento sumaríssimo do JEC;
c) nas ações de conhecimento meramente declaratórias e
constitutivas é possível a antecipação dos efeitos da sentença de mérito a ser
proferida (antecipam-se os efeitos, e não o próprio provimento de mérito);
56

d) a tutela antecipada pode ser requerida pelo autor, pelo réu


quando este apresente reconvenção, pelo terceiro interveniente (assistente) e
pelo Ministério Público como fiscal da lei;
e) a expressão “liminar” tem um conteúdo temporal, ou seja,
representa um provimento jurisdicional que é concedido “initio litis”, ou seja,
no início, no limiar do procedimento, antes mesmo da citação da parte
contrária; não se confunde tutela cautelar com liminar; a tutela cautelar pode
ser concedida liminarmente no processo cautelar; e a tutela antecipada pode
ser concedida liminarmente, ou seja, antes da citação do réu, mas pode
também ser concedida em outros momentos do processo.

Disposições gerais sobre tutela provisória no CPC de 2015


(v. arts. 294 a 299)
“Art. 294. A tutela provisória pode fundamentar-se em urgência ou
evidência.
Parágrafo único. A tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada,
pode ser concedida em caráter antecedente ou incidental.
Art. 295. A tutela provisória requerida em caráter incidental independe
do pagamento de custas.
Art. 296. A tutela provisória conserva sua eficácia na pendência do
processo, mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada.
Parágrafo único. Salvo decisão judicial em contrário, a tutela provisória
conservará a eficácia durante o período de suspensão do processo.
Art. 297. O juiz poderá determinar as medidas que considerar adequadas
para efetivação da tutela provisória.
Parágrafo único. A efetivação da tutela provisória observará as normas
referentes ao cumprimento provisório da sentença, no que couber.
Art. 298. Na decisão que conceder, negar, modificar ou revogar a tutela
provisória, o juiz motivará seu convencimento de modo claro e preciso.
Art. 299. A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, quando
antecedente, ao juízo competente para conhecer do pedido principal.
57

Parágrafo único. Ressalvada disposição especial, na ação de competência


originária de tribunal e nos recursos a tutela provisória será requerida ao órgão
jurisdicional competente para apreciar o mérito.”

Disposições gerais sobre tutela provisória de urgência


(cautelar ou antecipada)
“Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos
que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil
do processo.
§ 1º Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso,
exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir
a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não
puder oferecê-la.
§ 2º A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após
justificação prévia.
§ 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida
quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.
Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada
mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de
bem e qualquer outra medida idônea para asseguração do direito.
Art. 302. Independentemente da reparação por dano processual, a parte
responde pelo prejuízo que a efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa, se:
I – a sentença lhe for desfavorável;
II – obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os
meios necessários para a citação do requerido no prazo de 5 (cinco) dias;
III – ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese
legal;
IV – o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão
do autor.
Parágrafo único. A indenização será liquidada nos autos em que a medida
tiver sido concedida, sempre que possível.”
O novo CPC, como se vê, estabelece uma disciplina geral para
a concessão da tutela de urgência, não estabelecendo requisitos específicos
58

para a tutela cautelar e para a tutela antecipada, como ocorria no CPC de


1973.
Fala-se apenas em presença de elementos que evidenciem a
probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do
processo; no caso de tutela de urgência de natureza antecipada subsiste o
requisito adicional de não se identificar perigo de irreversibilidade dos efeitos
da decisão.
Não há mais previsão de medidas cautelares típicas ou
nominadas, apontando-se, exemplificativamente, algumas providências que
podem ser efetivadas em caráter preventivo, como arresto, sequestro,
arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem,
explicitando-se a possibilidade do deferimento de qualquer outra medida
idônea para asseguração do direito.
De toda sorte, possível entrever que para a concessão de tutela
provisória de natureza antecipada exige-se mais do que o fumus boni iuris
necessário à obtenção de uma tutela cautelar; para a concessão desta, basta a
aparência do bom direito, mas para a concessão de tutela antecipada exige-se
a evidência do direito afirmado; o CPC vigente fala em oferecimento de prova
consistente, que convença o juiz da verossimilhança da alegação do
requerente; em se tratando de tutela de urgência, é indispensável a presença
do periculum in mora; isso significa que a demora processual pode acarretar
ao requerente lesão grave de difícil ou incerta reparação.
A tutela cautelar sempre terá como requisito essencial a
presença do periculum in mora. Já a tutela provisória antecipada nem sempre
representará uma tutela de urgência, pois também pode ser concedida a partir
de outros pressupostos, falando-se então, no CPC de 2015, em tutela da
evidência (v. art. 311, já transcrito linhas atrás).
OBS.: como já destacado, não se admite o provimento
antecipatório quando houver perigo de irreversibilidade dos seus efeitos;
59

embora represente uma tutela satisfativa, ela é provisória, devendo então ser
considerada a possibilidade da reversão dos seus efeitos.
Ex.: não se admite tutela antecipada para demolição ou
modificação de prédio tombado pelo patrimônio histórico.
Essa regra deve ser interpretada com temperamento quando se
está diante de um interesse legitimamente superior a ser tutelado como direito
à saúde e à vida.
Segue reprodução dos artigos 303 a 310 do CPC de 2015,
relativos aos procedimentos da tutela antecipada requerida em caráter
antecedente e da tutela cautelar requerida em caráter antecedente.

CAPÍTULO II
DO PROCEDIMENTO DA TUTELA ANTECIPADA
REQUERIDA EM CARÁTER ANTECEDENTE
“Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura
da ação, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à indicação
do pedido de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se busca realizar e do
perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo.
§ 1º Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo:
I – o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua
argumentação, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de tutela final,
em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar;
II – o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de
mediação na forma do art. 334;
III – não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado
na forma do art. 335.
§ 2º Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste
artigo, o processo será extinto sem resolução do mérito.
§ 3º O aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo dar-se-á
nos mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais.
§ 4º Na petição inicial a que se refere o caput deste artigo, o autor terá
de indicar o valor da causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela final.
60

§ 5º O autor indicará na petição inicial, ainda, que pretende valer-se do


benefício previsto no caput deste artigo.
§ 6º Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela
antecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em até 5 (cinco)
dias, sob pena de ser indeferida e de o processo ser extinto sem resolução de mérito.
Art. 304. A tutela antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se
estável se da decisão que a conceder não for interposto o respectivo recurso.
§ 1º No caso previsto no caput, o processo será extinto.
§ 2º Qualquer das partes poderá demandar a outra com o intuito de rever,
reformar ou invalidar a tutela antecipada estabilizada nos termos do caput.
§ 3º A tutela antecipada conservará seus efeitos enquanto não revista,
reformada ou invalidada por decisão de mérito proferida na ação de que trata o § 2º.
§ 4º Qualquer das partes poderá requerer o desarquivamento dos autos
em que foi concedida a medida, para instruir a petição inicial da ação a que se refere o § 2º,
prevento o juízo em que a tutela antecipada foi concedida.
§ 5º O direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada, previsto
no § 2º deste artigo, extingue-se após 2 (dois) anos, contados da ciência da decisão que
extinguiu o processo, nos termos do § 1º.
§ 6º A decisão que concede a tutela não fará coisa julgada, mas a
estabilidade dos respectivos efeitos só será afastada por decisão que a revir, reformar ou
invalidar, proferida em ação ajuizada por uma das partes, nos termos do § 2º deste artigo.

CAPÍTULO III
DO PROCEDIMENTO DA TUTELA CAUTELAR REQUERIDA
EM CARÁTER ANTECEDENTE
Art. 305. A petição inicial da ação que visa à prestação de tutela cautelar
em caráter antecedente indicará a lide e seu fundamento, a exposição sumária do direito
que se objetiva assegurar e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
Parágrafo único. Caso entenda que o pedido a que se refere o caput tem
natureza antecipada, o juiz observará o disposto no art. 303.
Art. 306. O réu será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, contestar o
pedido e indicar as provas que pretende produzir.
61

Art. 307. Não sendo contestado o pedido, os fatos alegados pelo autor
presumir-se-ão aceitos pelo réu como ocorridos, caso em que o juiz decidirá dentro de 5
(cinco) dias.
Parágrafo único. Contestado o pedido no prazo legal, observar-se-á o
procedimento comum.
Art. 308. Efetivada a tutela cautelar, o pedido principal terá de ser
formulado pelo autor no prazo de 30 (trinta) dias, caso em que será apresentado nos
mesmos autos em que deduzido o pedido de tutela cautelar, não dependendo do
adiantamento de novas custas processuais.
§ 1º O pedido principal pode ser formulado conjuntamente com o pedido
de tutela cautelar.
§ 2º A causa de pedir poderá ser aditada no momento de formulação do
pedido principal.
§ 3º Apresentado o pedido principal, as partes serão intimadas para a
audiência de conciliação ou de mediação, na forma do art. 334, por seus advogados ou
pessoalmente, sem necessidade de nova citação do réu.
§ 4º Não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado
na forma do art. 335.
Art. 309. Cessa a eficácia da tutela concedida em caráter antecedente, se:
I – o autor não deduzir o pedido principal no prazo legal;
II – não for efetivada dentro de 30 (trinta) dias;
III – o juiz julgar improcedente o pedido principal formulado pelo autor
ou extinguir o processo sem resolução de mérito.
Parágrafo único. Se por qualquer motivo cessar a eficácia da tutela
cautelar, é vedado à parte renovar o pedido, salvo sob novo fundamento.
Art. 310. O indeferimento da tutela cautelar não obsta a que a parte
formule o pedido principal, nem influi no julgamento desse, salvo se o motivo do
indeferimento for o reconhecimento de decadência ou de prescrição.”

DEFESA DO RÉU
62

O réu, no processo de conhecimento, é convocado para


comparecer em juízo e se defender. A defesa é uma faculdade e não uma
obrigação do réu. Se ele não se defender, sofrerá, no entanto, uma
consequência negativa – o reconhecimento da revelia.
Ao ser citado, o réu pode assumir duas posturas:
- atacar a relação processual instaurada, buscando
impedir a decisão judicial sobre a lide ou pelo menos protelar o momento
em que ela será proferida;
- resistir à pretensão manifestada pelo autor, buscando
a sua improcedência.
Temos, então, duas espécies de defesa: defesas contra o
processo (defesas processuais) e defesas contra o mérito.

Defesas contra o processo:


O réu objetiva o trancamento ou a paralisação da relação
processual. Essas defesas se prestam a impedir ou retardar a resolução do
mérito da causa.
As defesas processuais podem ser diretas e indiretas.
Defesas Diretas contra o processo: dizem respeito às
arguições de falta de condições da ação (carência da ação) ou ausência de
pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do
processo (v. arts. 267, IV e VI, do CPC de 1973; 485, IV e VI, do CPC de
2015).
Defesas Indiretas contra o processo: o réu recorre a
circunstâncias externas, exteriores, atacando o processo em curso. Temos aqui
as chamadas exceções processuais, que podem ser dilatórias (impróprias) ou
peremptórias (próprias).
Dilatórias: apenas dilatam o curso do procedimento,
levando à sua paralisação momentânea; são as arguições de incompetência
63

relativa e absoluta do juízo, de impedimento ou suspeição do juiz, as


alegações de inexistência ou nulidade da citação, de conexão ou continência,
incapacidade da parte, defeito de representação, falta de autorização, a
indevida concessão do benefício da justiça gratuita etc.
Peremptórias: o seu acolhimento leva à extinção do
processo sem exame do mérito; são as arguições de litispendência, coisa
julgada, perempção, ilegitimidade ad causam, ausência de interesse
processual, inépcia da petição inicial e convenção de arbitragem (v. arts. 267,
I, V e VI, 301, §§ 2º e 3º, e 268, todos do CPC de 1973; 485, I e V, VI, 337,
§§ 1º e 2º, e 486, § 3º, todos do CPC de 2015).

DEFESAS CONTRA O MÉRITO


Visam à rejeição do pedido do autor, atacando o mérito da
causa. Podem ser diretas e indiretas.
Defesas diretas: são dirigidas contra os fundamentos de
fato ou de direito do pedido inicial;
a) o réu nega a veracidade dos fatos alegados pelo autor.
Ex.: em uma ação de indenização, o réu afirma que não praticou o ato ilícito,
não sendo então verdadeiros os fatos articulados na petição inicial (defesa
dirigida contra os fundamentos de fato);
b) o réu admite que os fatos são verdadeiros, mas nega as
consequências jurídicas pretendidas pelo autor. Ex.: em uma ação de despejo,
o réu admite que ocupa o imóvel e não paga aluguel; aponta, no entanto, que a
relação mantida com o autor é de comodato, não sendo cabível pedido de
despejo (defesa dirigida contra os fundamentos jurídicos).

Defesas indiretas contra o mérito:


64

a) o réu admite que os fatos alegados na petição inicial


são verdadeiros, mas invoca em seu favor outros, ou seja, aponta fato
extintivo, impeditivo ou modificativo do direito afirmado pelo autor. Ex.: fato
extintivo - o réu admite a existência da dívida, mas afirma que já efetuou o
pagamento; fato impeditivo - o réu admite a existência da obrigação, mas
alega que era absolutamente incapaz ao tempo da contratação; fato
modificativo - o réu admite ser devedor, mas afirma que já pagou parte do
valor devido;
b) o réu admite a veracidade dos fatos alegados na petição
inicial, mas invoca outros fatos que têm por conteúdo direito seu, que anulam
ou impedem os efeitos do direito invocado pelo autor. Ex.: prescrição,
compensação, exceção de contrato não cumprido, direito de retenção por
benfeitorias, etc.

MODALIDADES DE RESPOSTA
No CPC de 1973, tínhamos:
- contestação
- exceção
- reconvenção
Exceção, para o CPC de 1973, representava processo
incidente pelo qual o litigante poderia apenas arguir incompetência relativa do
Juízo e impedimento ou suspeição do Juiz. É defesa indireta processual,
restrita a tais arguições. Todas as demais defesas contra o processo e contra o
mérito deveriam ser deduzidas na contestação.
Como meios de defesa, incluiam-se a contestação e a
exceção. A reconvenção não tinha como propósito buscar a extinção do
processo sem resolução do mérito ou requerer a improcedência da ação –
representava um contra-ataque do réu.
65

No CPC de 2015, não se fala mais em exceção como


modalidade de resposta; temos então apenas a contestação e a
reconvenção; a incompetência relativa do juízo deve ser suscitada como
preliminar na própria contestação; já o impedimento e a suspeição do
juiz devem ser alegados em petição específica na forma do artigo 146 do
CPC de 2015.

Contestação – artigos 300 a 303 do CPC de 1973 e 335 a


342 do CPC de 2015
A contestação é defesa geral, em que o réu deve concentrar as
suas alegações. Incide o princípio da eventualidade ou da concentração da
defesa: as defesas devem ser apresentadas desde logo, de uma só vez, até
como medida de prevenção, de modo que não sendo acolhida uma, outra
possa ser apreciada pelo Juiz.
Em princípio, apresentada a contestação, dá-se a preclusão das
alegações que o réu poderia oferecer em sua defesa.
Entende-se que apresentada a contestação, o réu normalmente
não poderá aditá-la ou complementá-la posteriormente, ainda que dentro do
prazo legal.
Esse princípio da eventualidade sofre restrições, ou seja,
existem exceções à regra de que todas as alegações defensivas devem estar
concentradas na contestação (v. arts. 303 do CPC/1973 e 342 do CPC/2015).
Art. 303. Depois da contestação, só é lícito Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao
deduzir novas alegações quando: réu deduzir novas alegações quando:
I - relativas a direito superveniente; I – relativas a direito ou a fato superveniente;
II - competir ao juiz conhecer delas de ofício; II – competir ao juiz conhecer delas de ofício;
III - por expressa autorização legal, puderem III – por expressa autorização legal, puderem ser
ser formuladas em qualquer tempo e juízo. formuladas em qualquer tempo e grau de
jurisdição.

Algumas defesas podem então, excepcionalmente, ser


suscitadas depois da contestação.
66

É possível apresentar novas alegações quando relativas a


direito ou fato superveniente, ou seja, direito que se constituiu após a
contestação ou fato ocorrido em momento ulterior.
Ex.: Município move ação demolitória de imóvel edificado
irregularmente; após a apresentação de contestação, é editada uma nova lei,
anistiando os imóveis irregulares; o réu pode então comparecer em juízo e
invocar o direito superveniente, sem que se possa falar em preclusão por já ter
decorrido o prazo para contestar.
É também possível apresentar novas alegações quando o Juiz
puder conhecer delas de ofício, ou seja, independentemente de provocação
das partes. Existem matérias de ordem pública que não precluem, que podem
ser examinadas pelo julgador a qualquer tempo, e em qualquer grau de
jurisdição, de ofício ou mediante provocação das partes – v. arts. 267, § 3º, e
301, § 4º, do Código de 1973; 485, § 3º, e 337, § 5º, estes do CPC de 2015.
Exs.: falta de condições da ação; ausência de pressupostos processuais;
litispendência; coisa julgada; perempção; inépcia da inicial etc.
Na atualidade, a prescrição também pode ser pronunciada de
ofício.
O impedimento do Juiz e a incompetência absoluta do juízo
também podem ser declarados de ofício, a qualquer tempo.
A hipótese do inciso III dos artigos 303 do CPC/1973 e 342 do
CPC/2015 se confunde basicamente com a do inciso II.
Exemplos:
- o réu foi citado e não apresentou contestação no prazo legal;
nada impede que, posteriormente, mediante simples petição, ou mesmo na via
recursal, venha a alegar as matérias já mencionadas. Se o Juiz pode conhecê-
las de ofício, a parte não está impedida de suscitá-las após a contestação.
- o réu apresentou contestação oportunamente, mas não arguiu,
por exemplo, a prescrição ou outra matéria que o Juiz pode conhecer de
67

ofício; diante do que dispõem os artigos supracitados, poderá comparecer


posteriormente para apresentar tais alegações.
O réu tem o ônus da impugnação especificada dos fatos
narrados na petição inicial. Em princípio, presumem-se verdadeiros os fatos
não impugnados na contestação.
Temos, porém, exceções a essa regra de que os fatos não
impugnados presumem-se verdadeiros e aceitos pelo réu.
Ver artigos 302 do CPC de 1973 e 341 do CPC de 2015.
Art. 302. Cabe também ao réu manifestar-se Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se
precisamente sobre os fatos narrados na petição precisamente sobre as alegações de fato
inicial. Presumem-se verdadeiros os fatos não constantes da petição inicial, presumindo-se
impugnados, salvo: verdadeiras as não impugnadas, salvo se:
I - se não for admissível, a seu respeito, a I – não for admissível, a seu respeito, a
confissão; confissão;
II - se a petição inicial não estiver II – a petição inicial não estiver acompanhada de
acompanhada do instrumento público que a lei instrumento que a lei considerar da substância do
considerar da substância do ato; ato;
III - se estiverem em contradição com a defesa, III – estiverem em contradição com a defesa,
considerada em seu conjunto. considerada em seu conjunto.
Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da Parágrafo único. O ônus da impugnação
impugnação especificada dos fatos, não se especificada dos fatos não se aplica ao defensor
aplica ao advogado dativo, ao curador especial público, ao advogado dativo e ao curador
e ao órgão do Ministério Público. especial.

Assim, não se opera a presunção de veracidade nas seguintes


hipóteses:
a) quando não for admissível a respeito dos fatos a confissão,
por dizerem respeito a direitos indisponíveis (fatos relacionados a ações que
dizem respeito ao estado e à capacidade das pessoas naturais, como
investigação de paternidade, destituição do poder familiar, anulação de
casamento etc., ou ainda fatos discutidos em ações que envolvem interesse
público primário);
b) quando a petição inicial não estiver acompanhada do
instrumento que a lei considerar da substância do ato – v. arts. 366 do CPC de
1973 e 406 do CPC de 2015; determinados atos, por exigência legal, só se provam por
instrumento público ou particular.
68

Art. 366. Quando a lei exigir, como da Art. 406. Quando a lei exigir instrumento
substância do ato, o instrumento público, público como da substância do ato, nenhuma
nenhuma outra prova, por mais especial que outra prova, por mais especial que seja, pode
seja, pode suprir-lhe a falta. suprir-lhe a falta.
Ex.: numa ação reivindicatória de bem imóvel, a propriedade
do autor só pode ser provada mediante exibição da escritura pública,
registrada no ofício imobiliário. A não exibição do documento não pode ser
suprida nem mesmo pela não impugnação do réu da alegação do autor de que
é proprietário do bem.
c) quando os fatos não impugnados estiverem em contradição
com a defesa, considerada em seu conjunto. Ex.: o réu baseia a sua defesa no
fato de que não estava presente no local onde ocorreu o ato ilícito.
Implicitamente, estarão impugnados todos os demais fatos alegados pelo
autor que pressuponham a presença desse contestante no local.
Como visto, essa regra, da impugnação especificada dos fatos,
não se aplica ao defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial.
A jurisprudência entende que a regra também não se aplica à
Fazenda Pública, que defende direitos indisponíveis em Juízo.
Obs.: o Curador Especial atua na defesa do réu quando ele for
revel em hipóteses em que a citação se deu por edital ou com hora certa, ou
ainda quando ele se encontra preso, podendo então contestar o pedido por
negativa geral; isso faz com que o autor continue com o ônus de provar os
fatos alegados na inicial, afastada, assim, a presunção de veracidade das
alegações de fato constantes da petição inicial.
As defesas processuais revestem-se de caráter prejudicial e
devem ser apresentadas preliminarmente, ou seja, antes de discutir o mérito
da causa – v. arts. 301 do CPC de 1973 e 337 do CPC de 2015.
Art. 301. Compete-lhe, porém, antes de discutir Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o
o mérito, alegar: mérito, alegar:
I - inexistência ou nulidade da citação; I – inexistência ou nulidade da citação;
II - incompetência absoluta; II – incompetência absoluta e relativa;
III – incorreção do valor da causa;
III - inépcia da petição inicial; IV – inépcia da petição inicial;
69

IV - perempção; V – perempção;
V - litispendência; VI – litispendência;
Vl - coisa julgada; VII – coisa julgada;
VII - conexão; VIII – conexão;
Vlll - incapacidade da parte, defeito de IX – incapacidade da parte, defeito de
representação ou falta de autorização; representação ou falta de autorização;
IX - convenção de arbitragem; X – convenção de arbitragem;
X - carência de ação; XI – ausência de legitimidade ou de interesse
processual;
Xl - falta de caução ou de outra prestação, que a XII – falta de caução ou de outra prestação que a
lei exige como preliminar. lei exige como preliminar;
XIII – indevida concessão do benefício da
gratuidade de justiça.
§ 1o Verifica-se a litispendência ou a coisa § 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa
julgada, quando se reproduz ação anteriormente julgada quando se reproduz ação anteriormente
ajuizada. ajuizada.
§ 2o Uma ação é idêntica à outra quando tem as § 2º Uma ação é idêntica a outra quando possui
mesmas partes, a mesma causa de pedir e o as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o
mesmo pedido. mesmo pedido.
§ 3o Há litispendência, quando se repete ação, § 3º Há litispendência quando se repete ação que
que está em curso; há coisa julgada, quando se está em curso.
repete ação que já foi decidida por sentença, de § 4º Há coisa julgada quando se repete ação que
que não caiba recurso. já foi decidida por decisão transitada em julgado.
§ 4o Com exceção do compromisso arbitral, o § 5º Excetuada a convenção de arbitragem e a
juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada incompetência relativa, o juiz conhecerá de
neste artigo. ofício das matérias enumeradas neste artigo.
§ 6º A ausência de alegação da existência de
convenção de arbitragem, na forma prevista
neste Capítulo, implica aceitação da jurisdição
estatal e renúncia ao juízo arbitral.

Algumas dessas alegações preliminares, quando acolhidas,


levam à extinção do processo sem resolução do mérito; a suscitação de outras
alegações pode levar à paralisação momentânea da relação processual,
ensejando deliberações que não implicam no trancamento do feito.
I – inexistência ou nulidade da citação;
A falta de citação ou sua nulidade podem ser suscitadas e
sanadas ainda quando o processo está em andamento.
De acordo com o § 1º do artigo 239 do CPC de 2015, “o
comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade
da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação
ou de embargos à execução”.
70

II – incompetência absoluta e relativa;


A incompetência relativa não é mais suscitada por meio de
exceção; uma vez acolhida a arguição de incompetência absoluta ou relativa,
será deliberada a remessa dos autos ao juízo competente.
III – incorreção do valor da causa;
A impugnação ao valor da causa, no CPC de 2015, não é mais
oferecida em peça autônoma, com autuação em apenso, devendo ser então
suscitada como preliminar na contestação, sob pena de preclusão.
IV – inépcia da petição inicial;
São as hipóteses do § 1º do artigo 330 do novo Código de
Processo Civil, já apontadas anteriormente; o acolhimento dessa alegação
leva à extinção do processo, sem exame do mérito.
V – perempção; VI – litispendência; VII – coisa julgada;
O acolhimento dessas alegações também acarreta a extinção
anômala do processo.
VIII – conexão;
As ações são conexas quando lhes for comum o pedido ou a
causa de pedir; o seu reconhecimento não leva à extinção, mas à reunião dos
processos, no juízo prevento, para julgamento simultâneo; a ideia é evitar
decisões contraditórias; a continência também pode ser suscitada em
preliminar de contestação, desbordando na reunião dos processos, na forma
dos artigos 56 e 57 do novo CPC.
IX – incapacidade da parte, defeito de representação ou
falta de autorização;
Esses vícios podem ser sanados, razão pela qual o juiz deve
intimar a parte para tanto, em prazo razoável, sob pena de extinção do
processo caso a providência caiba ao autor; se a providência couber ao réu,
será considerado revel.
X – convenção de arbitragem;
71

Se essa preliminar for acolhida, o processo também será


extinto sem julgamento de mérito, devendo as partes se valer da arbitragem.
XI – ausência de legitimidade ou de interesse processual;
Aponta-se, nessa preliminar, a carência da ação, ou seja, a falta
das condições da ação; em princípio, o seu acolhimento leva à extinção do
processo; no caso de ilegitimidade do réu, o novo CPC prevê a possibilidade
de alteração do polo passivo (v. arts. 338 e 339, que serão transcritos adiante).
XII – falta de caução ou de outra prestação que a lei exige
como preliminar;
Essa falta pode ser sanada, em prazo a ser fixado pelo juiz, sob
pena de extinção anômala do feito.
XIII – indevida concessão do benefício de gratuidade de
justiça.
Pelo novo CPC não é mais necessária a instauração de
incidente específico para que o réu questione o benefício da justiça gratuita
concedido ao autor; essa impugnação assim oferecida como preliminar de
contestação, uma vez acolhida, leva à revogação da gratuidade, devendo então
o autor recolher as custas e despesas processuais pertinentes, sob pena de
extinção do processo.
As matérias assim enumeradas nos arts. 301 do CPC de 1973 e
337 do novo CPC, excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência
relativa do juízo, consistem em questões de ordem pública, a serem
conhecidas de ofício pelo Juiz (v. arts. 337, § 5º, e 485, § 3º, do novo CPC),
podendo ainda ser suscitadas pelo réu a qualquer tempo no processo (v. art.
342, II e III, do novo CPC); em relação às mesmas não se opera então a
preclusão.
Após a apresentação das defesas processuais, o réu deve
articular as defesas contra o mérito, diretas e indiretas.
72

A prescrição e a decadência correspondem a defesas indiretas


contra o mérito; o juiz, como é sabido, pode decidir de ofício sobre a
ocorrência de decadência ou prescrição; se o juiz pronuncia a prescrição ou a
decadência, há resolução do mérito no sistema do CPC, pois a parte não
poderá repropor a mesma ação (v. arts. 269, IV, do CPC de 1973 e 487, II, do
novo CPC).
Na disciplina do novo CPC, “ressalvada a hipótese do § 1º do
art. 332, a prescrição e a decadência não serão reconhecidas sem que antes seja
dada às partes oportunidade de manifestar-se” .

As arguições de prescrição ou decadência devem ser


apresentadas como preliminares de mérito, pois se forem acolhidas dispensam
o exame das demais defesas meritórias.
OBS.: no sistema do CPC de 1973, o procedimento comum
se desdobrava em rito sumário e ordinário; no rito ordinário o prazo para
apresentar contestação era de 15 dias (v. art. 297 do CPC). O prazo é contado
de acordo com o art. 241. No rito sumário, a contestação deveria ser
apresentada na audiência prévia de conciliação – v. art. 278 do CPC; poderia
ser apresentada oralmente nesse rito. Na contestação do rito sumário o réu, se
fosse o caso, deveria desde logo arrolar testemunhas bem como, no caso de
ser necessária a perícia, formular quesitos e indicar assistente técnico.
No Juizado Especial Cível a contestação é apresentada na
audiência de instrução e julgamento.
No procedimento para concessão de tutela cautelar em caráter
antecedente, o prazo para contestar é de 5 dias – v. arts. 802 do CPC de 1973
e 306 do novo CPC.
No novo procedimento comum, do CPC de 2015, o prazo para
contestar é de 15 dias, observando-se o disposto no artigo 335:
“Art. 335. O réu poderá oferecer contestação, por petição, no prazo de 15
(quinze) dias, cujo termo inicial será a data:
73

I – da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão de


conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver
autocomposição;
II – do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação
ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso I;
III – prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi feita a citação,
nos demais casos.
§ 1º No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a hipótese do art. 334, §
6º, o termo inicial previsto no inciso II será, para cada um dos réus, a data de apresentação
de seu respectivo pedido de cancelamento da audiência.
§ 2º Quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4º, inciso II, havendo
litisconsórcio passivo e o autor desistir da ação em relação a réu ainda não citado, o prazo
para resposta correrá da data de intimação da decisão que homologar a desistência.”
Inovação importante do CPC de 2015
Os artigos 338 e 339 do novo CPC tratam da possibilidade de
correção do polo passivo pelo autor; prestigia-se a simplificação do
procedimento e o princípio da sanabilidade de certos vícios; essa correção, no
CPC/73, se dava mediante a nomeação à autoria (arts. 62 e 63); no novo CPC
não há mais previsão dessa modalidade de intervenção de terceiros; o réu
pode então, em preliminar de contestação, suscitar a sua ilegitimidade
passiva, indicando, se tiver conhecimento, quem deve legitimamente
responder aos termos da ação aforada; o autor pode, em 15 dias, aceitar a
indicação, substituindo o réu; mas pode também optar por alterar a petição
inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu.
“Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou
não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor,
em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial para substituição do
réu.
Parágrafo único. Realizada a substituição, o autor reembolsará as
despesas e pagará os honorários ao procurador do réu excluído, que
serão fixados entre três e cinco por cento do valor da causa ou, sendo
este irrisório, nos termos do art. 85, § 8º.
74

Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar


o sujeito passivo da relação jurídica discutida sempre que tiver
conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de
indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
§ 1º O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15
(quinze) dias, à alteração da petição inicial para a substituição do réu,
observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338.
§ 2º No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a
petição inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado
pelo réu.”
Outra alteração relevante trazida pelo novo CPC (v. art.
340).
Como já realçado, a incompetência relativa do juízo e a
incompetência absoluta devem ser suscitadas como preliminar na contestação;
e, nessa situação, a contestação poderá ser protocolada pelo réu no foro do seu
domicílio; a ideia é evitar deslocamentos penosos e onerosos do réu, quando
está sendo demandado em juízo incompetente; se o processo for eletrônico,
esse inconveniente decorrente da deslocação não existirá; o citado artigo 340
disciplina devidamente essa hipótese de oferecimento da contestação em juízo
diverso daquele em que tramita o feito:
“Art. 340. Havendo alegação de incompetência relativa ou
absoluta, a contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do
réu, fato que será imediatamente comunicado ao juiz da causa,
preferencialmente por meio eletrônico.
§ 1º A contestação será submetida a livre distribuição ou, se o réu
houver sido citado por meio de carta precatória, juntada aos autos
dessa carta, seguindo-se a sua imediata remessa para o juízo da
causa.
§ 2º Reconhecida a competência do foro indicado pelo réu, o juízo
para o qual for distribuída a contestação ou a carta precatória será
considerado prevento.
75

§ 3º Alegada a incompetência nos termos do caput, será


suspensa a realização da audiência de conciliação ou de mediação, se
tiver sido designada.
§ 4º Definida a competência, o juízo competente designará nova
data para a audiência de conciliação ou de mediação.”

REVELIA (v. arts. 319 a 322 do CPC/73 e 344 a 346 do


novo CPC)
A não apresentação da contestação oportunamente acarreta a
revelia do réu, ou seja, ele é considerado revel; contestar representa
um ônus para o réu e não uma obrigação; se ele não se
desincumbir desse ônus, poderá sofrer consequências em razão
da sua inércia (de caráter material e processual).
CAPÍTULO III CAPÍTULO VII
DA REVELIA DA REVELIA
Art. 319. Se o réu não contestar a ação, reputar- Art. 344. Se o réu não contestar a ação, será
se-ão verdadeiros os fatos afirmados pelo autor. considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras
as alegações de fato formuladas pelo autor.
Art. 320. A revelia não induz, contudo, o efeito Art. 345. A revelia não produz o efeito
mencionado no artigo antecedente: mencionado no art. 341 se:
I - se, havendo pluralidade de réus, algum deles I – havendo pluralidade de réus, algum deles
contestar a ação; contestar a ação;
II - se o litígio versar sobre direitos II – o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
indisponíveis;
III - se a petição inicial não estiver III – a petição inicial não estiver acompanhada
acompanhada do instrumento público, que a lei de instrumento que a lei considere indispensável
considere indispensável à prova do ato. à prova do ato;
IV – as alegações de fato formuladas pelo autor
forem inverossímeis ou estiverem em
contradição com prova constante dos autos.
Art. 321. Ainda que ocorra revelia, o autor não
poderá alterar o pedido, ou a causa de pedir,
nem demandar declaração incidente, salvo
promovendo nova citação do réu, a quem será
assegurado o direito de responder no prazo de
15 (quinze) dias.
Art. 322. Contra o revel que não tenha patrono Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha
nos autos, correrão os prazos patrono nos autos fluirão da data de publicação
independentemente de intimação, a partir da do ato decisório no órgão oficial.
publicação de cada ato decisório.
Parágrafo único O revel poderá intervir no Parágrafo único. O revel poderá intervir no
76

processo em qualquer fase, recebendo-o no processo em qualquer fase, recebendo-o no


estado em que se encontrar. estado em que se encontrar.
A revelia, no juízo comum, se caracteriza normalmente pela
ausência de contestação.
O principal efeito da revelia consiste na presunção de
veracidade das alegações de fato deduzidas pelo autor; no entanto, em certas
situações, o réu é revel, mas não incide esse efeito principal da revelia:
- em caso de réu preso revel, ou revel citado por edital ou com
hora certa, há necessidade de nomeação de curador especial (v. arts. 9º, II, do
CPC/73 e 72, II, do novo CPC), cuja contestação, ainda que por negação
geral, afasta esse efeito da revelia e faz com que o autor continue com o ônus
de provar o fato constitutivo do direito invocado na petição inicial;
- nas hipóteses dos arts. 320 do CPC/73 e 345 do novo CPC:
a) há litisconsórcio passivo e um dos réus contesta a ação – a
contestação assim apresentada obsta a presunção em relação aos que se
pautaram pela revelia se os fatos forem comuns, ou seja, quando a defesa
apresentada pelo contestante disser respeito a fatos que se comunicam àquele
réu que não apresentou contestação; a aplicação do inciso I dos artigos citados
pressupõe fato comum ao réu atuante e ao litisconsorte revel;
b) o litígio versa sobre direitos indisponíveis (é o que ocorre
nas ações de estado da pessoa ou contra a Fazenda Pública); efetivamente não
se admite a confissão se as partes não podem dispor dos direitos discutidos
em juízo (v. arts. 351 do CPC/73 e 392 do novo CPC); exemplos: ações de
investigação de paternidade, de destituição do poder familiar, de anulação de
casamento; etc.; o Código Civil, no art. 840, assenta que só direitos
patrimoniais de caráter privado permitem a transação;
c) a petição inicial não está acompanhada do instrumento que a
lei considera indispensável à prova do ato; se a lei exige prova especial,
solene, nenhuma outra pode suprir-lhe a falta, nem mesmo a confissão;
exemplo: a ação reivindicatória de bem imóvel não poderá ser julgada
77

procedente, ainda que o réu não conteste o pedido, se não for exibida a
escritura pública registrada no ofício imobiliário.
Obs.: a presunção de veracidade em causa é relativa, tendo em
vista o princípio da livre apreciação da prova e da persuasão racional; se há
elementos nos autos que levam a conclusão diversa, o juiz não está obrigado a
julgar a ação procedente; nessa linha, temos agora o inciso IV do citado artigo
345 do novo CPC: “a revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se as
alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em
contradição com prova constante dos autos”.

Dos fatos incontroversos nem sempre decorrem as


consequências jurídicas pretendidas e, nesse caso, a revelia não produz
nenhum efeito prático. Incumbe ao juiz aplicar o direito aos fatos.
Outro efeito da revelia: os prazos correm para o réu revel,
que não tenha patrono nos autos, independentemente de intimação pessoal;
fluirão da data de publicação do ato decisório no órgão oficial, que se dará
normalmente em nome do advogado do autor; pode ele, no entanto, intervir
no processo no estado em que se encontra; e, a partir daí, passa a ser intimado
na pessoa de seu advogado; poderá então exercer toda a atividade processual
adequada ao momento da causa.
Se o réu não contesta o pedido, mas apresenta reconvenção,
deve ser intimado, à evidência, dos atos do processo.

RECONVENÇÃO (arts. 315/318 do CPC de 1973 e 343 do


CPC de 2015)
Representa ação do réu contra o autor, proposta no mesmo
feito em que está sendo demandado, ou seja, por meio da reconvenção o réu
aproveita-se da mesma base procedimental para formular pedido próprio em
face do autor da ação originária; fala-se que o réu é o reconvinte e o autor é o
reconvindo; amplia-se então o objeto do feito em curso, existindo então duas
78

pretensões contrapostas, a serem apreciadas, em princípio, na mesma


sentença; prestigia-se a economia processual, evitando-se, outrossim, decisões
conflitantes acerca do litígio existente entre as partes.
A reconvenção não se confunde com defesa.
Na defesa o réu resiste à pretensão do autor ou à sua
vinculação ao processo (pede a extinção do processo ou a improcedência do
pedido inicial).
A reconvenção é, na verdade, um contra-ataque do réu – uma
nova ação, aproveitando a mesma base procedimental da ação originária;
representa então cumulação de ações no mesmo processo.
É mera faculdade – pode o réu ajuizar ação paralela ainda
que esgotado o prazo para reconvir.
É possível reconvir sem contestar; temos agora regra expressa
nesse sentido no § 6º do artigo 343 do CPC de 2015.
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: de acordo com o CPC de
1973, a reconvenção deveria ser apresentada em petição própria,
simultaneamente com a contestação, ou seja, são apresentadas peças
autônomas (v. art. 299); na disciplina do novo CPC, a reconvenção é proposta
na própria contestação, ou seja, inserida no bojo desta peça processual (v. art.
343, caput).
Pressupostos de admissibilidade
A reconvenção subordina-se aos pressupostos processuais
comuns e às condições exigidas para a propositura de qualquer ação.
Existem, ainda, pressupostos específicos a serem observados:
1 – existência de conexão da reconvenção com a ação
principal ou com o fundamento da defesa;
A conexão pode se verificar por identidade de objeto ou da
causa de pedir.
79

Identidade de objeto: os pedidos das partes visam o mesmo


fim; exemplo: o autor pede a rescisão contratual por culpa do réu e a
condenação deste a compor perdas e danos; o réu, na reconvenção, faz
idênticos pedidos, apontando a culpa do autor.
Identidade de causa petendi: ação e reconvenção se baseiam
no mesmo ato ou negócio jurídico. Exemplos: a) o autor pede que o réu
entregue o objeto do contrato; o réu, na reconvenção, pede o pagamento do
saldo do preço; b) o autor, na inicial, postula a declaração de nulidade das
cláusulas de reajuste das prestações de um contrato de financiamento
imobiliário; o réu pode então reconvir, pedindo a rescisão desse contrato e a
reintegração na posse do bem, diante do inadimplemento das parcelas
devidas.
A conexão pode ainda ocorrer entre os fundamentos da
contestação oferecida e a reconvenção.
O fato jurídico invocado na defesa serve também para
fundamentar pedido próprio do réu. Exemplos: a) na contestação alega-se a
invalidade do negócio jurídico por ter sido fruto de erro; na reconvenção o réu
pede a anulação do contrato e a condenação do autor ao pagamento de perdas
e danos, com base no mesmo vício (erro); b) respondendo ação de cobrança, o
réu invoca em sua defesa a compensação, pois também seria credor do autor;
em reconvenção pleiteia então o pagamento da diferença que eventualmente
seja identificada em seu favor.
2 – o juízo da ação originária não pode ser absolutamente
incompetente para a reconvenção, pois nesse caso se mostraria inviável a
prorrogação da competência para o julgamento conjunto das pretensões
contrapostas.
3 – compatibilidade de procedimentos – ação e reconvenção
devem ter procedimentos compatíveis; se a ação originária é de rito especial,
é possível a reconvenção se é observado o procedimento comum após a
80

resposta (ex.: ação de consignação em pagamento); no CPC vigente deve ser


observado o rito ordinário após o momento da resposta.
A reconvenção é autônoma em relação à ação originária,
ou seja, a desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que
impeça o exame do seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo
quanto à reconvenção – v. arts. 317 do CPC de 1973 e 343, § 2º, do CPC
de 2015.

Procedimento
Admitida a reconvenção, o autor é intimado na pessoa de seu
procurador para apresentar resposta em 15 dias. Essa intimação tem a
natureza e os efeitos de uma citação.
Normalmente a reconvenção enseja o recolhimento de taxa
judiciária.
No CPC vigente é necessário identidade de partes entre a ação
originária e a reconvenção, ou seja, só o réu ou qualquer dos réus têm
legitimidade para reconvir e só o autor ou autores ostentam legitimação
passiva para a reconvenção; o novo CPC possibilita a ampliação subjetiva da
relação processual, a partir do oferecimento da reconvenção; assim, esta pode
ser proposta contra o autor e terceiro; nesse caso, o terceiro deve ser citado
para integrar a lide; de outro lado, a reconvenção pode ser proposta pelo réu
em litisconsórcio com terceiro.
Indeferida liminarmente a reconvenção, é possível admitir a
interposição do recurso de agravo de instrumento; o novo CPC não contém
previsão expressa para a apresentação de agravo de instrumento nas hipóteses
de indeferimento liminar da reconvenção ou julgamento liminar de sua
improcedência (v. arts. 330 e 332 do CPC de 2015); mas essa interposição
pode encontrar fundamento nos artigos 354, parágrafo único, e 356, § 5º,
também do CPC de 2015.
81

OBS.: o julgamento antecipado do mérito da ação principal


não interfere no curso da ação reconvencional e vice-versa.
Nem sempre o acolhimento da ação acarreta a
improcedência da reconvenção. Ex.: na ação originária o autor pede que o
réu seja condenado a entregar o bem objeto do contrato; na reconvenção o réu
pede que o autor seja condenado a pagar o saldo do preço avençado; esses
pedidos não se excluem, podendo ambos ser acolhidos na sentença.
Dispositivos do CPC de 1973 e do novo CPC relativos à
reconvenção:
CPC/73 CPC/2015
Seção IV CAPÍTULO VI
Da Reconvenção DA RECONVENÇÃO
Art. 315. O réu pode reconvir ao autor no Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor
mesmo processo, toda vez que a reconvenção reconvenção para manifestar pretensão própria,
seja conexa com a ação principal ou com o conexa com a ação principal ou com o
fundamento da defesa. fundamento da defesa.
Art. 316. Oferecida a reconvenção, o autor § 1º Proposta a reconvenção, o autor será
reconvindo será intimado, na pessoa do seu intimado, na pessoa de seu advogado, para
procurador, para contestá-la no prazo de 15 apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias.
(quinze) dias.

Art. 317. A desistência da ação, ou a existência § 2º A desistência da ação ou a ocorrência de


de qualquer causa que a extinga, não obsta ao causa extintiva que impeça o exame de seu
prosseguimento da reconvenção. mérito não obsta ao prosseguimento do processo
quanto à reconvenção.
§ 3º A reconvenção pode ser proposta contra o
autor e terceiro.
§ 4º A reconvenção pode ser proposta pelo réu
em litisconsórcio com terceiro.
Art. 315. § 5º Se o autor for substituto processual, o
Parágrafo único. Não pode o réu, em seu reconvinte deverá afirmar ser titular de direito
próprio nome, reconvir ao autor, quando este em face do substituído, e a reconvenção deverá
demandar em nome de outrem. ser proposta em face do autor, também na
qualidade de substituto processual.
§ 6º O réu pode propor reconvenção
independentemente de oferecer contestação.
Art. 318. Julgar-se-ão na mesma sentença a
ação e a reconvenção.
82

Dos Impedimentos e da Suspeição do Juiz – Da


incompetência relativa do juízo
No sistema do CPC/73, o impedimento ou a suspeição do
juiz, bem como a incompetência relativa do juízo, eram suscitados sob a
forma de exceção; a palavra exceção é empregada no sentido ritual;
corresponde então, no CPC vigente, a um processo incidente, destinado
exclusivamente à arguição das matérias supra aludidas.
A incompetência refere-se ao juízo, ou seja, ao órgão
jurisdicional; o impedimento e a suspeição, ao juiz, como pessoa física
incumbida da prestação jurisdicional.
Embora mencionadas como meio de resposta, essas exceções
poderiam ser suscitadas por ambas as partes, conforme previsão do art. 304
do CPC/73.
Apresentada pelo réu, a exceção representa defesa processual
indireta, dilatória.
Essas exceções são denominadas de instrumentais, visto que
cada qual acarreta a formação de um processo separado do processo principal.
Na forma do art. 299 do CPC/73, a exceção era processada em
apenso aos autos principais.
O direito de excepcionar vai de encontro ao próprio interesse
do Estado, de que seu órgão na relação processual atue no limite de seu poder
de jurisdição e ostente capacidade subjetiva.
Competência e imparcialidade são pressupostos processuais
relativos ao juiz.
As exceções têm efeito suspensivo desde que recebidas pelo
juiz.
Em se tratando de exceção de incompetência, a suspensão será
apenas até o julgamento em primeiro grau de jurisdição (agravo não tem, em
princípio, efeito suspensivo).
83

Em se tratando de suspeição e impedimento, o feito principal


fica suspenso até decisão do Tribunal ao qual está vinculado o juiz.
O CPC/73 estabelecia dois procedimentos para as exceções:
um para a incompetência relativa (arts. 307 a 311) e outro para o impedimento
e a suspeição (arts. 312 a 314).
Já no CPC de 2015, não se fala mais em exceção como
modalidade de resposta do réu; temos então apenas a contestação e a
reconvenção; a incompetência relativa do juízo deve ser suscitada como
preliminar na própria contestação; já o impedimento e a suspeição do
juiz devem ser alegados em petição específica na forma do artigo 146 do
CPC de 2015.

Impedimento e suspeição do juiz


A parte, para denunciar a falta de capacidade subjetiva do juiz,
deve se valer de petição específica (no CPC vigente fala-se em exceção); a
ideia é afastar o juiz da relação processual.
Na suspeição há dúvida quanto ao bom procedimento do juiz;
há fundada suspeita de parcialidade.
As causas de suspeição estão previstas no art. 135 do CPC /73 e
145 do CPC/2015.
Art. 135. Reputa-se fundada a suspeição de Art. 145. Há suspeição do juiz:
parcialidade do juiz, quando:
I - amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer I – amigo íntimo ou inimigo de qualquer das
das partes; partes ou de seus advogados;
IV - receber dádivas antes ou depois de iniciado II – que receber presentes de pessoas que
o processo; aconselhar alguma das partes tiverem interesse na causa antes ou depois de
acerca do objeto da causa, ou subministrar iniciado o processo, aconselhar alguma das
meios para atender às despesas do litígio; partes acerca do objeto da causa ou subministrar
meios para atender às despesas do litígio;
II - alguma das partes for credora ou devedora III – quando qualquer das partes for sua credora
do juiz, de seu cônjuge ou de parentes destes, ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou
em linha reta ou na colateral até o terceiro grau; de parentes destes, em linha reta até o terceiro
grau, inclusive;
V - interessado no julgamento da causa em IV – interessado no julgamento de causa em
favor de uma das partes. favor de qualquer das partes.
Parágrafo único. Poderá ainda o juiz declarar-se § 1º Poderá o juiz declarar-se suspeito por
84

suspeito por motivo íntimo. motivo de foro íntimo, sem necessidade de


declarar suas razões.
§ 2º Será ilegítima a alegação de suspeição
quando:
I – houver sido provocada por quem a alega;
II – a parte que a alega houver praticado ato que
signifique manifesta aceitação do arguido.

No que toca ao impedimento, as suas hipóteses estão previstas


nos artigos 134 e 136 do CPC/73 e 144 do CPC/2015; há uma presunção
absoluta de parcialidade do juiz; a disciplina do impedimento no CPC de
2015 é mais ampla e mais rígida.
O juiz impedido está proibido de exercer suas funções no
processo; seus atos decisórios são considerados inválidos, ainda que não
apresentada arguição a respeito.
A sentença proferida por juiz impedido pode ser desconstituída
através de ação rescisória (é considerada nula).
Nesse contexto, o impedimento é considerado vício insanável.
Já a suspeição representa vício sanável – se não for arguida
oportunamente, presume-se que o juiz suspeito foi aceito pelas partes; as
causas de suspeição têm então uma conotação subjetiva, gerando presunção
relativa de parcialidade.
O novo CPC traz novas hipóteses de impedimento e maior
abrangência às hipóteses de suspeição (ler artigos supra transcritos).
Embora o CPC de 2015 não faça mais alusão à exceção de
impedimento ou suspeição, o procedimento da arguição não difere
substancialmente do que vinha previsto no CPC/73.
A parte (autor ou réu) tem o prazo de 15 dias, a contar do
conhecimento do fato, para alegar, em petição própria, endereçada ao juiz do
processo, o impedimento ou a suspeição; deve indicar o fundamento da recusa
e apresentar desde logo documentos e rol de testemunhas.
85

Observação: não há como sustentar que o decurso do prazo


para arguição do impedimento acarrete preclusão; o impedimento fere de
nulidade a relação processual, podendo ser suscitado a qualquer tempo; como
visto, é vício da maior gravidade, tanto que, como já realçado, é causa de
rescindibilidade da decisão de mérito transitada em julgado; entende-se então
que o impedimento, por ser questão de ordem pública, pode ser aventado em
qualquer oportunidade.
Ao receber a petição, se o juiz reconhecer a presença da causa
de impedimento ou de suspeição, deve remeter os autos de imediato ao seu
substituto legal; caso contrário, determinará a autuação em separado dessa
petição e, no prazo de 15 dias, deve apresentar as suas razões, acompanhadas
de documentos e rol de testemunhas, se for o caso, ordenando então a remessa
dos autos desse incidente ao tribunal.
No tribunal competente, o incidente é julgado conforme seu
Regimento Interno; é regularmente distribuído e o relator decidirá, desde
logo, se deve ou não atribuir-lhe efeito suspensivo; se não for atribuído efeito
suspensivo ao incidente, o processo onde se deu a arguição retomará o seu
curso; concedido o efeito suspensivo, o feito permanecerá suspenso até a
solução do incidente.
Considerada improcedente a arguição, o tribunal determina seu
arquivamento. Acolhida, o juiz impedido ou suspeito será condenado nas
custas, remetendo-se os autos ao substituto legal; o novo CPC permite que o
juiz recorra da decisão; estabelece ainda que o tribunal deve fixar o momento
a partir do qual o juiz não poderia ter atuado e decretar a nulidade dos atos
praticados quando já presente o motivo de impedimento ou suspeição.
Tais regras incidem nas arguições oferecidas em face do juiz
de primeira instância; em relação aos membros dos tribunais, a arguição é
apresentada perante o relator, aplicando-se daí o que está previsto nos
respectivos regimentos internos.
86

Obs.: em primeiro grau, não há deslocação dos autos do


processo do juízo de origem; apenas o julgador, dentro do mesmo órgão, é
substituído.
Importante: o juiz deve, de ofício, reconhecer a presença de
causa de impedimento ou suspeição, ou seja, independentemente de
provocação das partes, determinando então a remessa dos autos ao
substituto legal.
CPC/73 CPC/2015
Art. 312. A parte oferecerá a exceção de Art. 146. No prazo de quinze dias, a contar do
impedimento ou de suspeição, especificando o conhecimento do fato, a parte alegará o
motivo da recusa (arts. 134 e 135). A petição, impedimento ou a suspeição, em petição
dirigida ao juiz da causa, poderá ser instruída específica dirigida ao juiz da causa, na qual
com documentos em que o excipiente fundar a indicará o fundamento da recusa, podendo
alegação e conterá o rol de testemunhas. instruí-la com documentos em que se fundar a
alegação e com rol de testemunhas.
Art. 306. Recebida a exceção, o processo ficará
suspenso (art. 265, III), até que seja
definitivamente julgada.
Art. 313. Despachando a petição, o juiz, se § 1º Se reconhecer o impedimento ou a
reconhecer o impedimento ou a suspeição, suspeição ao receber a petição, o juiz ordenará
ordenará a remessa dos autos ao seu substituto imediatamente a remessa dos autos a seu
legal; em caso contrário, dentro de 10 (dez) substituto legal; caso contrário, determinará a
dias, dará as suas razões, acompanhadas de autuação em apartado da petição e, no prazo de
documentos e de rol de testemunhas, se houver, quinze dias, apresentará suas razões,
ordenando a remessa dos autos ao tribunal. acompanhadas de documentos e de rol de
testemunhas, se houver, ordenando a remessa do
incidente ao tribunal.
§ 2º Distribuído o incidente, o relator deverá
declarar os seus efeitos, sendo que, se o
incidente for recebido:
I - sem efeito suspensivo, o processo voltará a
correr;
II - se com efeito suspensivo, o processo
permanecerá suspenso até o julgamento do
incidente.
§ 3º Enquanto não for declarado o efeito em que
é recebido o incidente ou quando este for
recebido com efeito suspensivo, a tutela de
urgência será requerida ao substituto legal.
Art. 314. Verificando que a exceção não tem § 4º Verificando que a alegação de impedimento
fundamento legal, o tribunal determinará o seu ou de suspeição é improcedente, o tribunal
arquivamento; no caso contrário condenará o rejeitá-la-á.
juiz nas custas, mandando remeter os autos ao § 5º Acolhida a alegação, tratando-se de
seu substituto legal. impedimento ou de manifesta suspeição, o
tribunal condenará o juiz nas custas e remeterá
os autos ao seu substituto legal, podendo o juiz
87

recorrer da decisão.
§ 6º Reconhecido o impedimento ou a suspeição,
o tribunal fixará o momento a partir do qual o
juiz não poderia ter atuado.
§ 7º O tribunal decretará a nulidade dos atos do
juiz, se praticados quando já presente o motivo
de impedimento ou de suspeição.

Importante: aplicam-se também os motivos de suspeição e


impedimento ao membro do Ministério Público, aos auxiliares da justiça e aos
demais sujeitos imparciais do processo (v. arts. 138 do CPC/73 e 148 do
CPC/2015).
De acordo com o art. 149 do novo CPC, “são auxiliares da
Justiça, além de outros cujas atribuições sejam determinadas pelas normas de
organização judiciária, o escrivão, o chefe de secretaria, o oficial de justiça, o
perito, o depositário, o administrador, o intérprete, o tradutor, o mediador, o
conciliador judicial, o partidor, o distribuidor, o contabilista e o regulador de
avarias”.
O assistente técnico da parte não está sujeito à arguição.
Esse incidente é processado em separado, mas sem a
suspensão da causa.
CPC/73 CPC/2015
Art. 138. Aplicam-se também os motivos de Art. 148. Aplicam-se os motivos de
impedimento e de suspeição: impedimento e de suspeição:
I - ao órgão do Ministério Público, quando não I – ao membro do Ministério Público;
for parte, e, sendo parte, nos casos previstos nos
ns. I a IV do art. 135;
II - ao serventuário de justiça; II – aos auxiliares da justiça;
III - ao perito;
IV - ao intérprete.
III – aos demais sujeitos imparciais do processo.
o
§ 1 A parte interessada deverá argüir o § 1º A parte interessada deverá arguir o
impedimento ou a suspeição, em petição impedimento ou a suspeição, em petição
fundamentada e devidamente instruída, na fundamentada e devidamente instruída, na
primeira oportunidade em que Ihe couber falar primeira oportunidade em que lhe couber falar
nos autos; o juiz mandará processar o incidente nos autos;
em separado e sem suspensão da causa, § 2º o juiz mandará processar o incidente em
ouvindo o argüido no prazo de 5 (cinco) dias, separado e sem suspensão do processo, ouvindo
facultando a prova quando necessária e o arguido no prazo de quinze dias e facultando a
julgando o pedido. produção de prova, quando necessária.
88

§ 2o Nos tribunais caberá ao relator processar e § 3º Nos tribunais, a arguição a que se refere o §
julgar o incidente. 1º será disciplinada pelo regimento interno.
§ 4º O disposto nos §§ 1º e 2º não se aplica à
arguição de impedimento ou de suspeição de
testemunha.

Incompetência relativa
Não pode ser declarada de ofício pelo juiz (v. Súmula 33 do
STJ), prevalecendo essa vedação no novo CPC (v. § 5º do art. 337); exceção à
regra encontra-se no artigo 112, parágrafo único, do CPC/73, com
correspondência no § 3º do art. 63 do CPC/2015; de acordo com a nova
disciplina, é possível ao juiz, de ofício, declarar abusiva cláusula de eleição de
foro, reputando-a ineficaz, caso em que será determinada a remessa dos autos
ao juízo do foro de domicílio do réu; no novo CPC, ressalva-se que a análise
ex officio da validade da cláusula de eleição de foro só tem lugar antes da
citação do réu; realizada a citação, cabe ao réu alegar na própria contestação,
se for o caso, que a cláusula de eleição de foro é abusiva; fica preclusa a
questão se não for ela suscitada oportunamente.
CPC/73
Art. 112. Argui-se, por meio de exceção, a incompetência relativa.
Parágrafo único. A nulidade da cláusula de eleição de foro, em contrato de adesão, pode ser
declarada de ofício pelo juiz, que declinará de competência para o juízo de domicílio do réu.

CPC/2015
Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro
onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações.
§ 1º A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir
expressamente a determinado negócio jurídico.
§ 2º O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes.
§ 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz se
abusiva, hipótese em que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu.
§ 4º Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob
pena de preclusão.
Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de
contestação.
89

Na disciplina do CPC/73, a exceção de incompetência relativa


deveria ser manifestada através de petição escrita e devidamente instruída,
com indicação expressa do juízo para o qual declina a competência.
Essa petição podia ser indeferida liminarmente quando
manifestamente improcedente (v. art. 310 do CPC/73), quando inadmissível
(por intempestiva) ou quando não houvesse indicação do juízo tido por
competente.
Admitida a exceção, o excepto, a rigor o autor, poderá se
manifestar em dez dias, seguindo-se o julgamento no mesmo prazo.
A decisão que rejeita ou acolhe a exceção pode ser impugnada
por recurso de agravo.
Acolhida a exceção, remetem-se os autos ao órgão
competente.
Não oposta a exceção oportunamente, prorrogava-se a
competência do juízo (art. 114 do CPC/73); no novo CPC, se não for
alegada a incompetência relativa do juízo como preliminar de
contestação, prorroga-se igualmente a competência.
OBS.: a incompetência absoluta decorre, como regra, da
matéria ou da função (competência funcional); já a incompetência
relativa é fixada normalmente com base no critério territorial.

Das Providências Preliminares e do Saneamento do Feito


Do julgamento conforme o estado do processo

CPC/73 CPC/2015
CAPÍTULO IV CAPÍTULO IX
DAS PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES DAS PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES E
DO SANEAMENTO
Art. 323. Findo o prazo para a resposta do réu, Art. 347. Findo o prazo para a contestação, o
o escrivão fará a conclusão dos autos. O juiz, juiz tomará, conforme o caso, as providências
no prazo de 10 (dez) dias, determinará, preliminares constantes das seções deste
conforme o caso, as providências preliminares, Capítulo.
que constam das seções deste Capítulo.
90

Seção I Seção I
Do Efeito da Revelia Da não Incidência dos Efeitos da Revelia
Art. 324. Se o réu não contestar a ação, o juiz, Art. 348. Se o réu não contestar a ação, o juiz,
verificando que não ocorreu o efeito da revelia, verificando a inocorrência do efeito da revelia
mandará que o autor especifique as provas que previsto no art. 344, ordenará que o autor
pretenda produzir na audiência. especifique as provas que pretenda produzir, se
ainda não as tiver indicado.
Art. 349. Ao réu revel será lícita a produção de
provas, contrapostas às alegações do autor, desde
que se faça representar nos autos a tempo de
praticar os atos processuais indispensáveis a essa
produção.
Seção II
Da Declaração incidente
Art. 325. Contestando o réu o direito que
constitui fundamento do pedido, o autor poderá
requerer, no prazo de 10 (dez) dias, que sobre
ele o juiz profira sentença incidente, se da
declaração da existência ou da inexistência do
direito depender, no todo ou em parte, o
julgamento da lide (art. 5o).
Seção III Seção II
Dos Fatos Impeditivos, Modificativos ou Do Fato Impeditivo, Modificativo ou
Extintivos do Pedido Extintivo do Direito do Autor
Art. 326. Se o réu, reconhecendo o fato em que Art. 350. Se o réu alegar fato impeditivo,
se fundou a ação, outro Ihe opuser impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor,
modificativo ou extintivo do direito do autor, este será ouvido no prazo de quinze dias,
este será ouvido no prazo de 10 (dez) dias, permitindo-lhe o juiz a produção de prova.
facultando-lhe o juiz a produção de prova
documental.

Seção IV Seção III


Das Alegações do Réu Das Alegações do Réu
Art. 327. Se o réu alegar qualquer das matérias
Art. 351. Se o réu alegar qualquer das matérias
enumeradas no art. 301, o juiz mandará ouvir oenumeradas no art. 337, o juiz determinará a
autor no prazo de 10 (dez) dias, permitindo-lhe
oitiva do autor no prazo de quinze dias,
a produção de prova documental. Verificando a permitindo-lhe a produção de prova.
existência de irregularidades ou de nulidades Art. 352. Verificando a existência de
sanáveis, o juiz mandará supri-las, fixando à irregularidades ou vícios sanáveis, o juiz
parte prazo nunca superior a 30 (trinta), determinará sua correção em prazo nunca
dias. superior a trinta dias.
Art. 328. Cumpridas as providências Art. 353. Cumpridas as providências
preliminares, ou não havendo necessidade preliminares ou não havendo necessidade delas,
delas, o juiz proferirá julgamento conforme o o juiz proferirá julgamento conforme o estado do
estado do processo, observando o que dispõe o processo, observando o que dispõe o Capítulo X.
capítulo seguinte.
CAPÍTULO V CAPÍTULO X
DO JULGAMENTO CONFORME O DO JULGAMENTO CONFORME O
ESTADO DO PROCESSO ESTADO DO PROCESSO
Seção I Seção I
Da Extinção do Processo Da Extinção do Processo
91

Art. 329. Ocorrendo qualquer das hipóteses Art. 354. Ocorrendo qualquer das hipóteses
previstas nos arts. 267 e 269, II a V, o juiz previstas nos arts. 485 e 487, incisos II e III, o
declarará extinto o processo. juiz proferirá sentença.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o
caput pode dizer respeito a apenas parcela do
processo, caso em que será impugnável por
agravo de instrumento.
Seção II Seção II
Do Julgamento Antecipado da Lide Do Julgamento Antecipado do Mérito
Art. 330. O juiz conhecerá diretamente do Art. 355. O juiz julgará antecipadamente o
pedido, proferindo sentença: pedido, proferindo sentença com resolução de
mérito, quando:
I - quando a questão de mérito for unicamente I – não houver necessidade de produção de
de direito, ou, sendo de direito e de fato, não outras provas;
houver necessidade de produzir prova em
audiência;
II - quando ocorrer a revelia (art. 319). II – o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no
art. 344 e não houver requerimento de prova, na
forma do art. 349.
Seção III
Do Julgamento Antecipado Parcial do Mérito
Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito
quando um ou mais dos pedidos formulados ou
parcela deles:
I - mostrar-se incontroverso;
II – estiver em condições de imediato
julgamento, nos termos do art. 355.
§ 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito
poderá reconhecer a existência de obrigação
líquida ou ilíquida.
§ 2º A parte poderá liquidar ou executar, desde
logo, a obrigação reconhecida na decisão que
julgar parcialmente o mérito, independentemente
de caução, ainda que haja recurso contra essa
interposto.
§ 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em
julgado da decisão, a execução será definitiva.
§ 4º A liquidação e o cumprimento da decisão
que julgar parcialmente o mérito poderão ser
processados em autos suplementares, a
requerimento da parte ou a critério do juiz.
§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é
impugnável por agravo de instrumento.
Seção III
Da Audiência Preliminar
Art. 331. Se não ocorrer qualquer das hipóteses
previstas nas seções precedentes, e versar a
causa sobre direitos que admitam transação, o
juiz designará audiência preliminar, a realizar-
se no prazo de 30 (trinta) dias, para a qual serão
as partes intimadas a comparecer, podendo
92

fazer-se representar por procurador ou preposto,


com poderes para transigir.
§ 1o Obtida a conciliação, será reduzida a termo
e homologada por sentença.
Seção IV
Do Saneamento e da Organização do Processo
§ 2o Se, por qualquer motivo, não for obtida a Art. 357. Não ocorrendo qualquer das hipóteses
conciliação, o juiz fixará os pontos deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de
controvertidos, decidirá as questões processuais saneamento e de organização do processo:
pendentes e determinará as provas a serem I - resolver as questões processuais pendentes, se
produzidas, designando audiência de instrução houver;
e julgamento, se necessário. II - delimitar as questões de fato sobre as quais
recairá a atividade probatória, especificando os
meios de prova admitidos;
III – definir a distribuição do ônus da prova,
observado o art. 373;
IV – delimitar as questões de direito relevantes
para a decisão do mérito;
V – designar, se necessário, audiência de
instrução e julgamento.
§ 3o Se o direito em litígio não admitir
transação, ou se as circunstâncias da causa
evidenciarem ser improvável sua obtenção, o
juiz poderá, desde logo, sanear o processo e
ordenar a produção da prova, nos termos do §
2o.
§ 1º Realizado o saneamento, as partes têm o
direito de pedir esclarecimentos ou solicitar
ajustes, no prazo comum de cinco dias, findo o
qual a decisão se torna estável.
§ 2º As partes podem apresentar ao juiz, para
homologação, delimitação consensual das
questões de fato e de direito a que se referem os
incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as
partes e o juiz.
§ 3º Se a causa apresentar complexidade em
matéria de fato ou de direito, deverá o juiz
designar audiência para que o saneamento seja
feito em cooperação com as partes, oportunidade
em que o juiz, se for o caso, convidará as partes
a integrar ou esclarecer suas alegações.
§ 4º Caso tenha sido determinada a produção de
prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum
não superior a quinze dias para que as partes
apresentem rol de testemunhas.
§ 5º Na hipótese do § 3º, as partes devem levar,
para a audiência prevista, o respectivo rol de
testemunhas.
§ 6º O número de testemunhas arroladas não
pode ser superior a dez, sendo três, no máximo,
para a prova de cada fato.
93

§ 7º O juiz poderá limitar o número de


testemunhas em consideração à complexidade da
causa e dos fatos individualmente considerados.
§ 8º Caso tenha sido determinada a produção da
prova pericial, o juiz deve observar o disposto no
art. 465 e, se possível, estabelecer, desde logo,
calendário para sua realização.
§ 9º As pautas deverão ser preparadas com
intervalo mínimo de uma hora entre as
audiências.

Encerrada a fase postulatória, segue-se a fase intermediária, de


ordenamento e saneamento do feito.
Decorrido o prazo para a contestação ou, tendo havido
reconvenção, escoado o prazo para resposta por parte do autor-reconvindo, os
autos são conclusos ao juiz para eventualmente deliberar certas medidas,
designadas pelo CPC como providências preliminares; a ideia é eliminar
vícios que possam comprometer a higidez processual.
Temos o que se chama de fase de pré-saneamento: constitui a
primeira etapa da fase de saneamento.
O juiz, se for o caso, deve:
- deliberar a renovação da citação, diante da presença de vício
na realização do ato e do não comparecimento do réu;
- facultar ao autor a réplica (manifestação sobre o conteúdo da
contestação); o prazo, no novo CPC, é de 15 dias; a réplica tem lugar se o réu
invocar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor ou
quando apresentar defesas processuais, ou seja, preliminares de contestação;
- fixar prazo não superior a 30 dias para que sejam supridas
nulidades sanáveis ou irregularidades;
- determinar a especificação de provas a produzir;
- determinar a citação de litisconsortes necessários, se for o
caso.
94

OBS.: o novo CPC eliminou a ação declaratória incidental,


uma vez que não mais existe interesse na sua propositura, pois o artigo
503, § 1º, preconiza que a coisa julgada abrangerá não só a decisão que
julgar os pedidos das partes, mas também a decisão a respeito da questão
prejudicial.
“Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem
força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida.
§ 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão
prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se:
I – dessa resolução depender o julgamento do mérito;
II – a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não
se aplicando no caso de revelia;
III – o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa
para resolvê-la como questão principal.
§ 2º A hipótese do § 1º não se aplica se no processo houver
restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o
aprofundamento da análise da questão prejudicial.”

OBS.: de acordo com o artigo 349 do novo CPC, o réu


revel pode produzir provas destinadas a demonstrar a inexistência do
fato constitutivo invocado pelo autor, desde que compareça em tempo
oportuno.
Cumpridas as providências preliminares, ou não havendo
necessidade delas, o juiz proferirá julgamento conforme o estado do processo.
Ao órgão jurisdicional se abrem as seguintes possibilidades:
- proferir sentença, se ocorrer qualquer das hipóteses previstas
nos arts. 485 e 487, incisos II e III, do CPC/2015 (v. no CPC/73 os arts. 267 e
269, incisos II a V);
- julgar antecipadamente o mérito da causa, existindo previsão
no novo CPC de “julgamento antecipado parcial do mérito”;
- proferir decisão de saneamento e de organização do processo.
95

Extinção do processo
O processo é extinto sem exame do mérito se delineadas as
hipóteses previstas no art. 267 do CPC/73 e 485 do CPC/2015.
CAPÍTULO III CAPÍTULO XIII
DA EXTINÇÃO DO PROCESSO DA SENTENÇA E DA COISA JULGADA
Seção I
Das Disposições Gerais
Art. 267. Extingue-se o processo, sem Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
resolução de mérito:
I - quando o juiz indeferir a petição inicial; I – indeferir a petição inicial;
Il - quando ficar parado durante mais de 1 (um) II – o processo ficar parado durante mais de um
ano por negligência das partes; ano por negligência das partes;
III - quando, por não promover os atos e III – por não promover os atos e as diligências
diligências que Ihe competir, o autor abandonar que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por
a causa por mais de 30 (trinta) dias; mais de trinta dias;
IV - quando se verificar a ausência de IV – verificar a ausência de pressupostos de
pressupostos de constituição e de constituição e de desenvolvimento válido e
desenvolvimento válido e regular do processo; regular do processo;
V - quando o juiz acolher a alegação de V – reconhecer a existência de perempção, de
perempção, litispendência ou de coisa julgada; litispendência ou de coisa julgada;
Vl - quando não concorrer qualquer das VI – verificar ausência de legitimidade ou de
condições da ação, como a possibilidade interesse processual;
jurídica, a legitimidade das partes e o interesse
processual;
Vll - pela convenção de arbitragem; VII – acolher a alegação de existência de
convenção de arbitragem ou quando o juízo
arbitral reconhecer sua competência;
Vlll - quando o autor desistir da ação; VIII – homologar a desistência da ação;
IX - quando a ação for considerada IX – em caso de morte da parte, a ação for
intransmissível por disposição legal; considerada intransmissível por disposição legal;
e
X - quando ocorrer confusão entre autor e réu;
XI - nos demais casos prescritos neste Código. X – nos demais casos prescritos neste Código.
o
§ 1 O juiz ordenará, nos casos dos ns. II e Ill, o § 1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a
arquivamento dos autos, declarando a extinção parte será intimada pessoalmente para suprir a
do processo, se a parte, intimada pessoalmente, falta no prazo de cinco dias.
não suprir a falta em 48 (quarenta e oito) horas.
§ 2o No caso do parágrafo anterior, quanto ao n o § 2º No caso do § 1º, quanto ao inciso II, as
II, as partes pagarão proporcionalmente as partes pagarão proporcionalmente as custas, e,
custas e, quanto ao no III, o autor será quanto ao inciso III, o autor será condenado ao
condenado ao pagamento das despesas e pagamento das despesas e dos honorários de
honorários de advogado (art. 28). advogado.
o
§ 3 O juiz conhecerá de ofício, em qualquer § 3º O juiz conhecerá de ofício da matéria
tempo e grau de jurisdição, enquanto não constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer
proferida a sentença de mérito, da matéria tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer
constante dos ns. IV, V e VI; todavia, o réu que o trânsito em julgado.
a não alegar, na primeira oportunidade em que
Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas
96

custas de retardamento.
§ 4o Depois de decorrido o prazo para a § 4º Oferecida a contestação, o autor não poderá,
resposta, o autor não poderá, sem o sem o consentimento do réu, desistir da ação.
consentimento do réu, desistir da ação.
§ 5º A desistência da ação pode ser apresentada
até a sentença.
§ 6º Oferecida a contestação, a extinção do
processo, por abandono da causa pelo autor,
depende de requerimento do réu.
§ 7º Interposta a apelação em qualquer dos
casos de que tratam os incisos deste artigo, o
juiz terá cinco dias para retratar-se.

Em todos esses casos temos hipóteses de sentenças processuais


(chamadas terminativas). Os aspectos examinados pelo juiz são de natureza
formal. Reconhece-se, em várias dessas hipóteses, a imprestabilidade do
processo para dar uma resposta ao pedido do autor. A coisa julgada é, destarte,
apenas formal.
A ação, em princípio, pode ser novamente proposta, desde que
sanado o vício que acarretou a extinção sem análise do mérito.
CPC/73 CPC/2015
Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a Art. 486. O pronunciamento judicial que não
extinção do processo não obsta a que o autor resolve o mérito não obsta a que a parte
intente de novo a ação. A petição inicial, proponha de novo a ação.
todavia, não será despachada sem a prova do
pagamento ou do depósito das custas e dos
honorários de advogado.
§ 1º No caso de extinção em razão de
litispendência e nos casos dos incisos I, IV, VI e
VII do art. 485, a propositura da nova ação
depende da correção do vício que levou à
extinção do processo sem resolução do mérito.
Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a § 2º A petição inicial, todavia, não será
extinção do processo não obsta a que o autor despachada sem a prova do pagamento ou do
intente de novo a ação. A petição inicial, depósito das custas e dos honorários de
todavia, não será despachada sem a prova do advogado.
pagamento ou do depósito das custas e dos
honorários de advogado.
Parágrafo único. Se o autor der causa, por três § 3º Se o autor der causa, por três vezes, a
vezes, à extinção do processo pelo fundamento sentença fundada em abandono da causa, não
previsto no no III do artigo anterior, não poderá poderá propor nova ação contra o réu com o
intentar nova ação contra o réu com o mesmo mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada,
objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o
possibilidade de alegar em defesa o seu direito. seu direito.
97

O juiz pode também proferir sentença desde logo, com


resolução do mérito da causa, nos casos previstos no art. 269, incisos II a V,
do CPC/73, com correspondência no art. 487, incisos II e III, do CPC/2015.
Art. 269. Haverá resolução de mérito: Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o
juiz:
IV - quando o juiz pronunciar a decadência ou a II – decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a
prescrição; ocorrência de decadência ou prescrição;
III – homologar:
II - quando o réu reconhecer a procedência do a) o reconhecimento da procedência do pedido
pedido; formulado na ação ou na reconvenção;
III - quando as partes transigirem; b) a transação;
V - quando o autor renunciar ao direito sobre c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou
que se funda a ação. na reconvenção.
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do §
1º do art. 332, a prescrição e a decadência não
serão reconhecidas sem que antes seja dada às
partes oportunidade de manifestar-se.
Art. 488. Desde que possível, o juiz resolverá o
mérito sempre que a decisão for favorável à
parte a quem aproveitaria o pronunciamento que
não o resolve.

Nessas hipóteses, embora o juiz não dê solução própria à lide,


profere sentença definitiva, correspondente à integral prestação da tutela
jurisdicional, com todos os seus efeitos e consequências; representam,
portanto, provimentos de mérito, sujeitos à autoridade da coisa julgada
material.
O reconhecimento da procedência do pedido formulado na
ação ou na reconvenção, a transação e a renúncia à pretensão formulada na
ação ou na reconvenção representam formas de autocomposição da lide.
Esse reconhecimento não se confunde com confissão; no
reconhecimento a parte admite expressamente a procedência do pedido
formulado na ação ou na reconvenção; há adesão ao que foi postulado pelo
adversário; diz respeito então ao próprio direito material em que se funda a
pretensão deduzida.
98

Já a confissão versa sobre os fatos da causa, não se


pronunciando a parte sobre a pertinência da pretensão deduzida pelo
oponente.
Tanto o reconhecimento como a confissão só são admissíveis e
geram efeitos em detrimento da posição do adversário se a causa versar sobre
direitos disponíveis.
O reconhecimento pode se dar pela parte ou por procurador
com poderes especiais.

Transação
O juiz chancela a solução encontrada pelas próprias partes para
o litígio.
A transação corresponde a negócio jurídico bilateral apto a
prevenir ou terminar litígio, mediante concessões recíprocas (art. 840 do
Código Civil).
O juiz intervém apenas para verificar a capacidade das partes,
a licitude do objeto e a regularidade formal, homologando então a transação
por sentença.
A lide estará solucionada definitivamente. A sentença
homologatória produz coisa julgada material.
Prescrição e decadência: são efeitos do transcurso do tempo
sobre os direitos subjetivos.
A decadência é a extinção do próprio direito, que pela lei ou
pela convenção, nasceu com um prazo certo de eficácia.
O reconhecimento da decadência é o reconhecimento do
perecimento do direito invocado.
Prescrição – decorrido o lapso previsto em lei, desaparece a
possibilidade da fazer valer o direito. O direito não desaparece.
99

Interferindo diretamente com o pedido, o reconhecimento da


prescrição ou da decadência representa genuína decisão de mérito, impedindo
o exame, em definitivo, do direito caduco ou prescrito.
A prescrição e a decadência podem ser pronunciadas de ofício
pelo juiz; mas o novo CPC estabelece que não podem ser reconhecidas
sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se (v.
parágrafo único do art. 487).
Renúncia ao direito
A parte renuncia ao direito material que invocou na ação ou na
reconvenção; demite-se da titularidade desse direito; está então solucionada a
lide definitivamente.
Os direitos indisponíveis não podem ser renunciados (são
inerentes ao estado e a capacidade das pessoas, bem como os relativos a
alimentos).
A renúncia depende de capacidade civil plena e deve ser
incondicional. Deve ser expressa, podendo ser manifestada por procurador
com poderes especiais.
Não se confunde com desistência da ação, cujo efeito é
meramente formal e não impede a repropositura.
Na renúncia há resolução do mérito, com extinção do
processo, não sendo necessário o consentimento do réu. A sentença extintiva
produz coisa julgada material.
A renúncia pode ser manifestada até mesmo em grau de
recurso, mas antes de formada coisa julgada material.

Julgamento antecipado da lide


Na fase do julgamento conforme o estado do processo, o juiz
poderá conhecer diretamente do pedido, proferindo sentença, quando:
100

- a questão de mérito é unicamente de direito (os litigantes


divergem apenas quanto às consequências jurídicas de fatos incontroversos);
- a questão de mérito é de direito e de fato, mas se encontra
elucidada satisfatoriamente pelas provas já constantes dos autos e pelas
alegações das partes, sendo desnecessária a dilação probatória;
- ocorrer o efeito da revelia previsto nos arts. 319 do CPC/73 e
344 do CPC/2015.
Elimina-se, nessas hipóteses, a incidência do princípio da
oralidade no processo de conhecimento.
Não basta a ocorrência da revelia; necessária a presença do seu
efeito principal: presunção de veracidade das alegações de fato constantes da
petição inicial.
A revelia se caracteriza normalmente pela ausência de
contestação. No rito sumário, abolido no CPC/2015, também se configurava
pelo não comparecimento injustificado do réu à audiência preliminar, ou pelo
seu comparecimento desacompanhado de advogado.
O efeito da revelia, previsto nos artigos 319 do CPC/73 e 344
do CPC/2015, não incide:
- em caso de réu preso revel, ou revel citado por edital ou com
hora certa (art. 9º, II, CPC), quando há necessidade de nomeação de curador
especial, cuja contestação, ainda que por negação geral, faz com que o autor
continue com o ônus de provar o fato constitutivo do direito invocado na
petição inicial;
- nas hipóteses dos arts. 320 do CPC/73 e 345 do CPC/2015:
Art. 320. A revelia não induz, contudo, o efeito Art. 345. A revelia não produz o efeito
mencionado no artigo antecedente: mencionado no art. 344 se:
I - se, havendo pluralidade de réus, algum deles I – havendo pluralidade de réus, algum deles
contestar a ação; contestar a ação;
II - se o litígio versar sobre direitos II – o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
indisponíveis;
III - se a petição inicial não estiver III – a petição inicial não estiver acompanhada
acompanhada do instrumento público, que a lei de instrumento que a lei considere indispensável
101

considere indispensável à prova do ato. à prova do ato;


IV – as alegações de fato formuladas pelo autor
forem inverossímeis ou estiverem em
contradição com prova constante dos autos.

Obs.: ver texto anterior sobre a revelia do réu.


O que permite o julgamento antecipado da lide em todos os
casos é a desnecessidade da dilação probatória.

Do Saneamento e da Organização do Processo


Não sendo caso de extinção do processo ou de julgamento
antecipado da lide, o juiz deverá proferir decisão de saneamento.
Na disciplina do CPC/73, o saneamento e o ordenamento do
feito deveriam ocorrer normalmente na audiência preliminar prevista no art.
331, se a causa versasse sobre direitos disponíveis; essa audiência prévia tinha
por escopo incentivar a autocomposição da lide; a ela deveriam comparecer as
partes ou seus procuradores habilitados a transigir; obtida a conciliação, era
ela reduzida a termo e homologada por sentença; não sendo alcançada a
conciliação, o juiz deveria adotar as seguintes providências:
- decidir as questões processuais pendentes;
- fixar os pontos controvertidos entre as partes;
- organizar a instrução, determinando as provas a produzir; se
necessária apenas a produção de prova oral, deveria ser designada desde logo
audiência de instrução e julgamento.
Não se produzia qualquer prova nela.
Essa audiência do artigo 331 do CPC/73 não era obrigatória,
podendo o juiz, se vislumbrasse a inviabilidade da composição, proferir desde
logo a decisão saneadora (v. § 3º do art. 331).
O novo CPC alterou substancialmente a forma e o conteúdo
da decisão saneadora; a tentativa de conciliação ocorre agora desde logo, ou
seja, no início do procedimento, nos termos do art. 334 (“Se a petição inicial
102

preencher os requisitos essenciais e não for o caso de improcedência liminar do


pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação com
antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo
menos 20 (vinte) dias de antecedência.”); assim, não sendo caso de extinção do

processo ou de julgamento antecipado do mérito, o juiz lança a decisão de


saneamento desde logo nos autos; só terá lugar a designação de audiência se a
causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, caso em que
o juiz promoverá o saneamento e organização da prova a partir da
colaboração direta e efetiva das partes, presentes ao ato.
A decisão de saneamento representa:
– juízo de admissibilidade positivo relativamente à ação;
– juízo positivo de validade do processo;
– necessidade de dilação probatória.
(v. art. 357 do CPC/2015, supra transcrito, sobre o
conteúdo da decisão saneadora)
OBS.: nessa decisão, se o juiz admitir a produção de prova
testemunhal, fixará prazo de até 15 dias para a apresentação do rol
respectivo em cartório; se deferir prova pericial, nomeará desde logo o
perito e fixará prazo a entrega do laudo; quando admitida a prova
técnica, a audiência de instrução e julgamento será designada
normalmente após a conclusão dos trabalhos periciais.

Prova Judiciária
Prova, no direito processual, corresponde a todo elemento que
contribui para a formação da convicção do juiz a respeito da existência de
determinado fato controvertido, tido como relevante para a solução do litígio.
Fala-se, nesse aspecto, em prova judiciária, a ser produzida
normalmente na fase instrutória do processo de conhecimento.
Classificação das provas:
103

As provas são classificadas segundo diferentes critérios.


A classificação mais aceita tem por base três critérios:
- o do objeto da prova;
- o do sujeito da prova;
- o da forma da prova.
1) Objeto da prova é o fato por provar-se.
Relativamente ao objeto, as provas são diretas ou indiretas.
Se a prova se refere ao próprio fato probando ou consiste no
próprio fato, é considerada direta.
Numa ação de indenização voltada à reparação dos danos
causados em acidente de trânsito, a testemunha ocular, que narra o fato que
assistiu, é uma prova direta.
Numa ação para cobrança de dívida, o contrato de mútuo é
uma prova direta.
Já a prova indireta é aquela que se não se refere ao próprio
fato probando, mas sim a outro, através do qual, por meio de raciocínio
dedutivo, se chega àquele.
Na ação de indenização decorrente de acidente de trânsito, a
testemunha que descreveu a posição em que se encontravam os veículos
sinistrados após o acidente é uma prova indireta.
Aos fatos, objeto da prova indireta, dos quais o juiz deduz o
fato probandi, dá-se o nome de indícios (fala-se em prova indiciária ou por
presunção).
2) Sujeito da prova: pessoa ou coisa de quem ou de onde
emana a prova. A pessoa ou coisa que atesta a existência do fato probando.
Conforme o seu sujeito a prova é pessoal ou real.
Prova pessoal: toda afirmação pessoal consciente destinada a
fazer fé de determinados fatos.
- testemunha narra o que viu;
104

- instrumento de confissão de dívida;


- escritura de testamento.
Prova real: consiste na atestação inconsciente, feita por uma
coisa, da ocorrência do fato a ser provado:
- danos ocasionados em imóvel;
- lesões pessoais;
- cerca nos limites entre dois imóveis.
A prova real normalmente é obtida do exame de uma pessoa
ou de uma coisa (prova pericial).
3) Forma da prova: modalidade ou maneira pela qual se
apresenta em juízo.
- prova oral;
- prova documental;
- prova material.
a) prova oral compreende a inquirição de testemunhas,
depoimento da parte, confissão e juramento.
b) prova documental: toda afirmação escrita ou gravada. Ex.:
escrituras públicas ou particulares, cartas, plantas, projetos, desenhos, fotos,
gravações magnéticas etc.
c) prova material: consiste em qualquer outra materialidade
que sirva de prova do fato probando. Fala-se em atestação do fato emanada da
coisa ou da pessoa, como o corpo de delito, exames periciais e inspeção
judicial.
A doutrina classifica ainda prova no que toca à sua preparação.
Nesse aspecto pode ser casual ou pré-constituída.
Prova casual é a prova produzida no curso do procedimento
em juízo para demonstrar a realidade de determinados fatos controvertidos.
Ex.: perícia, depoimentos de testemunhas, depoimento pessoal das partes etc.
Prova pré-constituída: representa prova preparada
105

preventivamente para demonstrar a existência de um ato ou negócio jurídico.


Ex.: elaboração de contrato de mútuo para provar a existência da dívida em
juízo ou fora dele; emissão de um título de crédito.

Objeto da prova
A prova se destina a convencer o juiz quanto à existência ou
inexistência dos fatos sobre os quais versa a lide.
Os fatos da causa são objeto da prova.
Via de regra provam-se fatos; por exceção, prova-se o direito
quando estadual, municipal, costumeiro, singular ou estrangeiro (v. arts. 337
do CPC/73 e 373 do CPC/2015).
Nem todos os fatos carecem de prova (arts. 334 do CPC/73 e
374 do CPC/2015).
Dependem de prova os fatos controvertidos, relevantes e
determinados.
Fatos controvertidos ou controversos – se não há controvérsia
quanto aos fatos alegados pelos litigantes, a questão se traduz à mera
aplicação do direito.
Reclamam prova apenas os fatos contestados ou não admitidos
como verdadeiros pela parte contrária a quem os alega.
Em dadas circunstâncias, embora não contestados, deve ser
feita a prova dos fatos:
- quando reclamada pelo juiz para o fim de formar com mais
segurança o seu convencimento;
- quando a lide versar sobre direitos indisponíveis (v. ação de
anulação de casamento, de investigação de paternidade, de destituição do
poder familiar etc.) – v. arts. 320, II, do CPC/73 e 345, II, do CPC/2015;
- quando a lei exige que a prova do ato ou negócio jurídico se
revista de forma especial (prova da propriedade imobiliária, de direito real de
106

garantia, do casamento, da separação, etc.) – v. arts. 366 do CPC/73 e 406 do


CPC/2015.
Independem ainda de prova os fatos tidos como verdadeiros
por uma presunção legal (de existência ou de veracidade):
- provado o domínio, presume-se ser este exclusivo e
ilimitado;
- se o filho nasceu nos 300 dias subsequentes à dissolução da
sociedade conjugal, a parte não precisa provar que foi concebido na
constância do casamento (art. 1.597, II, do Código Civil);
- devedor que tem em seu poder título de crédito não precisa
provar o respectivo pagamento (v. art. 324 do Código Civil).
O direito, em princípio, não depende prova.
Uma das características da lei é sua obrigatoriedade. Ninguém
pode escusar-se de respeitar a lei sob a alegação de desconhecê-la.
O juiz, obviamente, não pode eximir-se de cumprir sua função
sob o pretexto de desconhecer a lei.
Daí a desnecessidade de produzir prova do teor e vigência da
norma legal; o juiz conhece o direito; mas tal princípio não é absoluto.
Os arts. 337 do CPC/73 e 373 do CPC/2015 apresentam duas
regras: uma sobre o objeto da prova e outra sobre o ônus da prova.
Por exceção, pode ser objeto de prova o teor e a vigência do
direito estadual, municipal, costumeiro, singular (portarias, alvarás,
concessões) ou estrangeiro. Quando o juiz desconhecer o direito assim
invocado, pode determinar a produção de prova acerca do seu teor e vigência.
O juiz, porém, está obrigado a conhecer o direito vigente no
local em que exerce a sua jurisdição.
Ônus da prova: a prova do direito deve ser fornecida por quem
o alegar.
Prova do teor e de vigência:
107

a) mediante certidão passada pela repartição competente;


b) exibição de jornal oficial que publicou a norma;
c) indicação de repertório de leis que a contiver (qualquer
documento público ou particular idôneo que reproduza o texto da lei).
Direito estrangeiro: a prova nem sempre é fácil.
Diante da impossibilidade de apresentação de cópia autêntica
da lei ou de coleção oficial de leis, pode ser admitida referência à obra
jurídica de reconhecido mérito que mencione a lei invocada, bem como a
apresentação de pareceres de juristas.
Fatos notórios também independem de prova.
Certos fatos fazem parte da cultura de uma determinada esfera
social.
São considerados notórios os fatos cujo conhecimento faz
parte da cultura normal própria de determinado círculo social no tempo em
que ocorre a decisão.
São notórios os acontecimentos ou situações de conhecimento
geral inconteste – datas históricas, fatos históricos, situações geográficas, atos
de gestão política etc.
Para que um fato seja notório não é preciso que seja
efetivamente conhecido, bastando que o possa ser pela ciência pública ou
comum. Ex.: o juiz para se inteirar acerca da época da colheita de safra de
café pode consultar calendário agrícola ou agricultores da região.

Destinatário da Prova
O destinatário direto da prova é o juiz da causa, que deve se
convencer da verdade dos fatos para compor o litígio.
Para garantia das próprias partes, o julgador só pode tomar em
consideração o que for alegado e provado no curso do procedimento.
O direito processual se contenta, então, com a chamada
108

verdade processual ou formal, ou seja, a verdade que transparece dos


elementos do processo, que pode não corresponder à verdade real.
Em princípio, incumbe às partes a atividade probatória,
observadas as regras do ônus da prova.
Mas o juiz pode determinar de ofício a produção das provas
necessárias à instrução do processo, tendo, então, iniciativa probatória (v. arts.
130 do CPC/73 e 370 do CPC/2015).
Art. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a
requerimento da parte, determinar as provas requerimento da parte, determinar as provas
necessárias à instrução do processo, indeferindo necessárias ao julgamento do mérito.
as diligências inúteis ou meramente Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão
protelatórias. fundamentada, as diligências inúteis ou
meramente protelatórias.

Não lhe é dado, porém, suprir simplesmente a deficiência


probatória de uma das partes, porque isto representaria afronta à regra pela
qual compete ao juiz assegurar aos litigantes igualdade de tratamento (v. arts.
125, I, do CPC/73 e 139, I, do CPC/2015).
Ex.: o juiz não pode determinar de ofício a inquirição das
testemunhas cujo rol uma das partes apresentou fora de prazo.
Via de regra o julgador pode interferir mais diretamente na
produção das provas quando presentes razões de ordem pública e igualitária,
ou seja:
1) diante de causa que tenha por objeto direito indisponível
(ações relativas ao estado e à capacidade das pessoas, como as de
investigação de paternidade, interdição, destituição do poder familiar etc.);
2) quando, ante as provas já produzidas, estiver em dúvida que
impossibilite a formação do seu convencimento;
3) quando se deparar com significativa desproporção
econômica ou sociocultural entre as partes, isto é, uma das partes se encontra
em clara posição de inferioridade em relação à outra.
109

Sistemas de Valoração da Prova


Há três sistemas conhecidos para orientar a valoração das
provas pelo juiz:
- o critério legal;
- o da livre convicção;
- o da persuasão racional.
O critério legal está totalmente superado no direito
processual; por este sistema, cada tipo de prova tem um valor pré-
estabelecido, a ser observado pelo juiz; há pouca margem para ele formar sua
íntima convicção, estando adstrito a uma hierarquia legal das provas, pela
qual a solução da lide surge automaticamente.
Já o sistema da livre convicção é o oposto ao critério legal.
Prevalece a íntima convicção do juiz, que pode decidir a causa com base em
impressões pessoais e a ciência privada que tem dos fatos.
Por esse sistema o juiz não fica adstrito ao que foi alegado e
provado nos autos, o que sujeita às partes a possíveis arbitrariedades.
O nosso Código de Processo Civil adota o sistema da
persuasão racional ou do livre convencimento motivado.

CPC/73 CPC/2015
Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos
atendendo aos fatos e circunstâncias constantes autos, independentemente do sujeito que a tiver
dos autos, ainda que não alegados pelas partes; promovido, e indicará na decisão as razões da
mas deverá indicar, na sentença, os motivos que formação de seu convencimento.
Ihe formaram o convencimento.

O juiz pode analisar livremente as provas produzidas e atribuir


a cada uma delas o valor que possa merecer. Não há hierarquia legal, mas o
juiz deve se ater apenas aos elementos de convicção constantes dos autos. E
mais: deve motivar suas decisões.
110

A exigência de motivação tem por finalidade permitir o


controle da atividade jurisdicional.

Máximas de Experiência (arts. 335 do CPC/73 e 375 do


CPC/2015)
Art. 335. Em falta de normas jurídicas Art. 375. O juiz aplicará as regras de experiência
particulares, o juiz aplicará as regras de comum subministradas pela observação do que
experiência comum subministradas pela ordinariamente acontece e, ainda, as regras da
observação do que ordinariamente acontece e experiência técnica, ressalvado, quanto a estas, o
ainda as regras da experiência técnica, exame pericial.
ressalvado, quanto a esta, o exame pericial.

O juiz, para deliberar sobre as provas, para avaliá-las, para


interpretar e aplicar o direito, usa de diversas noções extrajudiciais, fruto de
sua cultura, de seus conhecimentos sociais, científicos e práticos.
São as noções que se denominam de “máximas de experiência
ou regras de experiência”.
É o juízo formado na observação do que costumeiramente
acontece.
Esses fatos cotidianos fazem parte da communis opinio e
podem variar conforme o tempo, o lugar e o progresso da ciência.

Ônus da prova
CPC/73 CPC/2015
Art. 333. O ônus da prova incumbe: Art. 373. O ônus da prova incumbe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu
direito; direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato II – ao réu, quanto à existência de fato
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito impeditivo, modificativo ou extintivo do direito
do autor. do autor.
§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de
peculiaridades da causa, relacionadas à
impossibilidade ou à excessiva dificuldade de
cumprir o encargo nos termos do caput ou à
maior facilidade de obtenção da prova do fato
contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova
de modo diverso, desde que o faça por decisão
111

fundamentada, caso em que deverá dar à parte a


oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe
foi atribuído.
§ 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não
pode gerar situação em que a desincumbência do
encargo pela parte seja impossível ou
excessivamente difícil.

Art. 333.
Parágrafo único. É nula a convenção que § 3º A distribuição diversa do ônus da prova
distribui de maneira diversa o ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes,
quando: salvo quando:
I - recair sobre direito indisponível da parte; I - recair sobre direito indisponível da parte;
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o II - tornar excessivamente difícil a uma parte o
exercício do direito. exercício do direito.

§ 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser


celebrada antes ou durante o processo.

As partes não têm a obrigação de provar os fatos alegados, têm


apenas o ônus de fazê-lo, ou seja, o litigante, se não se desincumbir do ônus
da prova, sofrerá as consequências decorrentes da sua inércia, assumindo o
risco de perder a demanda.
Em princípio, a solução da lide será dada com base nas regras
sobre a distribuição do ônus da prova.
O Código de Processo Civil distribui entre as partes o ônus da
prova – ao autor incumbe o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito; –
ao réu incumbe o ônus de provar o fato impeditivo, modificativo ou extintivo
do direito do autor.
Portanto, se o réu apenas nega a veracidade do fato em que se
funda a pretensão do autor, sobre este recai todo o ônus probatório.
Porém, se o réu apresenta a chamada defesa indireta contra o
mérito, ou seja, admite como verdadeiros os fatos alegados na petição inicial,
mas invoca, em contrapartida, fato impeditivo, modificativo ou extintivo do
direito do autor, assume o ônus da prova.
Ex.: réu admite que contraiu a dívida, mas alega que já a
quitou; incumbe-lhe produzir a prova do pagamento.
112

Inversão do ônus da prova


As regras da distribuição do ônus da prova, contidas nos
incisos I e II dos artigos 333 do CPC/73 e 373 do CPC/2015, não são
absolutas.
Em dadas circunstâncias, o ônus da prova pode ser invertido.
Essa inversão pode ter três origens distintas:
- legal;
- convencional;
- judicial.
A inversão é feita em favor de uma das partes e em prejuízo da
outra.
Quando feita em favor do autor, ele não mais terá o ônus de
provar o fato constitutivo do seu direito. Basta a alegação, devendo então o
réu provar que o fato invocado não é verdadeiro. Quando feita em favor do
réu, este estará dispensado do ônus de provar os fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos do direito do autor eventualmente alegados na
contestação.

Inversão convencional
As partes podem transigir sobre a distribuição do ônus da
prova, salvo quando:
- recair sobre direito indisponível;
- a convenção tornar excessivamente difícil a uma parte o
exercício do direito (v. parágrafo único do art. 333 do CPC/73 e § 3º do art.
373 do CPC/2015).
O direito indisponível não é sujeito à transação ou à confissão,
razão pela qual também não se admite a inversão do ônus da prova por
convenção entre as partes.
113

Inversão legal
É normalmente aquela que decorre de uma presunção.
A presunção consiste em uma forma de raciocínio pela qual,
por meio do conhecimento de um fato, infere-se a existência de outro.
Há presunções relativas e absolutas estabelecidas pelo
legislador (presunções legais).
Apenas no caso de presunção relativa, por admitir prova em
contrário, é que se pode falar em inversão do ônus probatório.
Quando o fato é presumido, não precisa ser comprovado por
quem o alega. Cabe ao adversário fazer prova da inveracidade do fato
alegado.
A inversão legal não depende da avaliação do juiz, pois
decorre da lei.
A presunção legal é muito usada no âmbito da
responsabilidade civil. Ex.: presume-se a culpa do dono do animal pelos
danos por ele causados; numa ação de indenização, o autor invoca a culpa
assim presumida, incumbindo-se o réu de demonstrar a sua inocorrência.
Presume-se ainda a culpa das prestadoras de serviço público
pelos danos ao particular, a do fornecedor pelos danos ao consumidor e a
daquele que exerce atividade de risco pelos danos causados a terceiros
(Código Civil, art. 927, parágrafo único).
O artigo 38 do Código de Defesa do Consumidor também
estabelece uma hipótese de inversão do ônus da prova que não está na esfera
de discricionariedade do juiz, ou seja, é obrigatória; refere-se a dois aspectos
da publicidade: a veracidade e a correção; de acordo com o dispositivo, o
ônus da prova nesses dois aspectos da informação ou comunicação
publicitária cabe a quem as patrocina.

Inversão judicial do ônus da prova


114

Tem lugar normalmente nas demandas relativas à relações de


consumo, protegidas pela Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do
Consumidor).
O artigo 6º, VIII, do CDC autoriza o juiz a inverter o ônus da
prova em favor do consumidor, desde que presentes os seus pressupostos.
A inversão pode ocorrer em duas situações distintas:
- quando o consumidor for hipossuficiente;
- quando for verossímil a sua alegação.
As hipóteses são consideradas alternativas pela doutrina
majoritária.
A hipossuficiência a ser considerada não é a econômica
propriamente, mas a técnica; irrelevante, na caracterização da
hipossuficiência, o fato do consumidor ser ou não beneficiário da assistência
judiciária gratuita.
Assim, o juiz determinará a inversão do ônus da prova sempre
que verificar a superioridade técnica do fornecedor para produzir as provas
pertinentes, ou seja, a produção da prova seria mais difícil ao consumidor
porque depende de conhecimentos técnicos ou de informações que
normalmente estão em poder do fornecedor.
Ex.: o consumidor pede na inicial a substituição de máquina
por apresentar defeito de fabricação; o fornecedor ostenta superioridade
técnica para demonstrar a causa do defeito e eventualmente afastar sua
responsabilidade civil, tendo lugar então a inversão do ônus da prova.
O novo Código de Processo Civil traz agora regra específica
sobre a chamada “distribuição dinâmica do ônus da prova”, que pode então
ser aplicada em hipóteses que não digam respeito a relações de consumo
protegidas pelo Código de Defesa do Consumidor (v. §§ 1º e 2º do art. 373 do
CPC/2015).
§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa, relacionadas à
115

impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior


facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo
diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade
de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.
§ 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do
encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.

As regras sobre o ônus da prova são consideradas regras de


julgamento. As consequências do seu descumprimento serão carreadas à parte
quando da prolação da sentença. Todavia, entende-se que o juiz deve se
pronunciar sobre a inversão antecipadamente, ou seja, na fase de saneamento,
para não surpreender as partes e dificultar a sua iniciativa probatória. O novo
CPC, ao tratar da decisão saneadora, explicita que deverá o juiz nela “definir
a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373” (v. art. 357, inciso III).

Momentos da Prova
O procedimento probatório passa por três momentos:
- proposição da prova;
- admissão da prova;
- produção da prova.
1º) Proposição ou propositura da prova: as partes determinam
na petição inicial ou na contestação os fatos a serem provados; e para
demonstrar a existência desses fatos, devem especificar os meios de prova a
serem utilizados.
De acordo com o CPC/73, no rito ordinário bastaria menção à
espécie de prova; já no rito sumário, havia necessidade da particularização das
provas a produzir desde logo.
No novo procedimento comum, disciplinado no CPC/2015,
basta menção genérica, na inicial e na contestação, aos meios de prova a
serem utilizados.
Em todos os casos, a prova documental deve ser proposta e
116

oferecida com a petição inicial e a contestação; a exigência diz respeito aos


documentos substanciais e fundamentais:
CPC/73 CPC/2015
Art. 283. A petição inicial será instruída com os Art. 320. A petição inicial será instruída com os
documentos indispensáveis à propositura da documentos indispensáveis à propositura da
ação. ação.
Art. 396. Compete à parte instruir a petição Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição
inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com inicial ou a contestação com os documentos
os documentos destinados a provar-lhe as destinados a provar suas alegações.
alegações.
Parágrafo único. Quando o documento consistir
em reprodução cinematográfica ou fonográfica, a
parte deverá trazê-lo nos termos do caput, mas
sua exposição será realizada em audiência,
intimando-se previamente as partes.

A propositura se confunde, nesse caso, com a produção.


Verifica-se, daí, que já há atividade probatória das partes na
fase inicial do procedimento, ou seja, na fase postulatória (produção da prova
documental).

2º) Admissão da prova: proposta a produção de provas, o juiz


deve resolver sobre a sua admissibilidade; é ato exclusivo do juiz; este,
portanto, na decisão saneadora, decide sobre os meios de prova a serem
utilizados pelas partes:
- v. rito ordinário (art. 331 do CPC/73) – decisão saneadora em
audiência ou fora dela;
- v. rito sumário (art. 278 do CPC/73).
v. novo procedimento comum (v. art. 357 do CPC/2015).

3º) Produção da prova: diz respeito à reprodução no processo


dos fatos afirmados pelas partes.
Há um momento processual que é próprio à produção da prova
oral – a audiência de instrução e julgamento (v. arts. 450 a 457 do CPC/73 e
117

358 a 367 do CPC/2015).


A prova pericial normalmente se realiza antes da audiência de
instrução e julgamento, mas nesta pode ser complementada, com os
esclarecimentos orais do perito judicial e dos assistentes técnicos.

Princípio da oralidade em relação à prova


As provas, em princípio, são produzidas perante o juiz da
causa.
No procedimento probatório se acentua o sistema da oralidade,
esposado pelo Código de Processo Civil, com a aplicação dos princípios da
imediatidade e da concentração da causa.
Na produção das provas, o juiz se põe em contato imediato,
direto, com as partes e testemunhas, tomando-lhes os depoimentos.
E a atividade probatória se desenvolve normalmente na fase
instrutória do processo de conhecimento; a prova oral concentra-se na
audiência de instrução e julgamento.
Entretanto, são exceções ao sistema da oralidade previsto no
CPC:
a) os casos de produção de prova de fora da terra;
b) provas antecipadas ou ad perpetuam rei memoriam;
c) prova emprestada.

Prova de fora da terra:


Tem lugar quando o sujeito da prova, pessoa ou coisa, não se
acha no lugar onde corre o processo.
Nesse caso, a produção da prova se dá perante o juízo onde se
encontra o sujeito da prova.
Fala-se então em prova fora da terra ou prova de fora, que é
a que deve ser produzida em local diverso daquele onde o juiz da causa exerce
118

sua jurisdição.
Expede-se, nessas hipóteses, carta precatória, rogatória ou de
ordem.
Em princípio, a prova por rogatória ou precatória deve ser
requerida na petição inicial ou na contestação.
O momento da proposição dessa prova influi sobre os efeitos
da precatória ou rogatória (v. arts. 338 do CPC/73 e 377 do CPC/2015).
Requerida a expedição após o despacho saneador, a precatória
ou rogatória não terão efeito suspensivo, ou seja, a sua expedição não
suspende o julgamento da causa.
Art. 338. A carta precatória e a carta rogatória Art. 377. A carta precatória, a carta rogatória e o
suspenderão o processo, no caso previsto na auxílio direto suspenderão o julgamento da causa
alínea b do inciso IV do art. 265 desta Lei, no caso previsto no art. 313, inciso V, alínea b,
quando, tendo sido requeridas antes da decisão quando, tendo sido requeridos antes da decisão
de saneamento, a prova nelas solicitada de saneamento, a prova neles solicitada for
apresentar-se imprescindível. imprescindível.
Parágrafo único. A carta precatória e a carta Parágrafo único. A carta precatória e a carta
rogatória, não devolvidas dentro do prazo ou rogatória não devolvidas no prazo ou concedidas
concedidas sem efeito suspensivo, poderão ser sem efeito suspensivo poderão ser juntadas aos
juntas aos autos até o julgamento final. autos a qualquer momento.

Regras a serem observadas na expedição das cartas – arts. 202


a 212 do CPC/73 e 260 a 268 do CPC/2015.
Prova antecipada
Em determinadas circunstâncias, há conveniência e
necessidade de produzir-se a prova de certo fato para invocá-lo eventualmente
em processo de conhecimento futuro ou colhê-la, pendente o processo, mas
antes de chegar o momento próprio para a sua produção.
Prova antecipada significa prova produzida antes do momento
processual oportuno no processo de conhecimento.
Ex.: inquirição de testemunha de idade avançada; constatação
de vestígios de fatos de natureza transitória.
No CPC/73, as provas antecipadas achavam-se incluídas na lei
119

processual entre as medidas cautelares (v. arts. 846 a 851 do CPC/73);


instaurava-se processo cautelar específico para a coleta da prova oral ou
pericial antecipadamente.
Estávamos diante de providências destinadas a acautelar o
interesse daquele que dependa dessas provas para a afirmação do seu direito
no momento próprio, ante o risco de perecimento.
No novo CPC (v. arts. 381 a 383), a disciplina da produção
antecipada da prova se encontra inserida no capítulo que trata das provas,
dando-se ênfase ao que a doutrina chama de “direito autônomo à prova”; essa
produção antecipada, pelo novo CPC, não se fundamenta apenas na urgência
(risco de perecimento de seu objeto ou fonte), prestando-se também a
viabilizar tentativa de autocomposição do litígio, antes do ajuizamento de
ação de conhecimento, ou ainda auxiliar as partes numa melhor análise dos
fatos da causa, de modo a justificar ou evitar a propositura da ação; na nova
concepção, a medida tem o escopo de reduzir a litigiosidade, estimulando a
transação ou desestimulando o ajuizamento de demanda fadada ao insucesso;
cuida-se então de uma ação probatória autônoma, voltada a produção de prova
oral, pericial ou mesmo de inspeção judicial; os §§ 1º e 5º do artigo 381 do
CPC/2015 preconizam a mesma finalidade e o mesmo procedimento da
produção antecipada de provas para o arrolamento de bens (quando se destina
apenas à sua documentação e não à sua apreensão) e para a justificação;
assim, o arrolamento de bens e a justificação deixaram de ostentar a condição
de medidas cautelares, presente no Código de Processo Civil de 1973.
CPC/73 CPC/2015
Da Produção Antecipada de Provas Da Produção Antecipada da Prova
Art. 846. A produção antecipada da prova pode Art. 381. A produção antecipada da prova será
consistir em interrogatório da parte, inquirição admitida nos casos em que:
de testemunhas e exame pericial.
Art. 847. Far-se-á o interrogatório da parte ou a
inquirição das testemunhas antes da propositura
da ação, ou na pendência desta, mas antes da
audiência de instrução:
120

I - se tiver de ausentar-se;
II - se, por motivo de idade ou de moléstia I – haja fundado receio de que venha a tornar-se
grave, houver justo receio de que ao tempo da impossível ou muito difícil a verificação de
prova já não exista, ou esteja impossibilitada de certos fatos na pendência da ação;
depor.
II – a prova a ser produzida seja suscetível de
viabilizar a autocomposição ou outro meio
adequado de solução de conflito;
III – o prévio conhecimento dos fatos possa
justificar ou evitar o ajuizamento de ação.
§ 1º O arrolamento de bens observará o disposto
nesta seção quando tiver por finalidade apenas a
realização de documentação e não a prática de
atos de apreensão.
§ 2º A produção antecipada da prova é da
competência do juízo do foro onde esta deva ser
produzida ou do foro de domicílio do réu.
§ 3º A produção antecipada da prova não previne
a competência do juízo para a ação que venha a
ser proposta.
§ 4º O juízo estadual tem competência para
produção antecipada de prova requerida em face
da União, entidade autárquica ou empresa
pública federal se, na localidade, não houver
vara federal.
§ 5º Aplica-se o disposto nesta Seção àquele que
pretender justificar a existência de algum fato ou
relação jurídica, para simples documento e sem
caráter contencioso, que exporá, em petição
circunstanciada, a sua intenção.
Art. 848. O requerente justificará Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as
sumariamente a necessidade da antecipação e razões que justificam a necessidade de
mencionará com precisão os fatos sobre que há antecipação da prova e mencionará com precisão
de recair a prova. os fatos sobre os quais a prova há de recair.
Parágrafo único. Tratando-se de inquirição de
testemunhas, serão intimados os interessados a
comparecer à audiência em que prestará o
depoimento.
§ 1º O juiz determinará, de ofício ou a
requerimento da parte, a citação de interessados
na produção da prova ou no fato a ser provado,
salvo se inexistente caráter contencioso.
§ 2º O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência
ou a inocorrência do fato, nem sobre as
respectivas consequências jurídicas.
§ 3º Os interessados poderão requerer a
produção de qualquer prova no mesmo
procedimento, desde que relacionada ao mesmo
fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar
excessiva demora.
§ 4º Neste procedimento, não se admitirá defesa
ou recurso, salvo contra a decisão que indeferir
121

totalmente a produção da prova pleiteada pelo


requerente originário.
Art. 849. Havendo fundado receio de que
venha a tornar-se impossível ou muito difícil a
verificação de certos fatos na pendência da
ação, é admissível o exame pericial.
Art. 850. A prova pericial realizar-se-á
conforme o disposto nos arts. 420 a 439.
Art. 851. Tomado o depoimento ou feito exame Art. 383. Os autos permanecerão em cartório
pericial, os autos permanecerão em cartório, durante um mês para extração de cópias e
sendo lícito aos interessados solicitar as certidões pelos interessados.
certidões que quiserem.
Parágrafo único. Findo o prazo, os autos serão
entregues ao promovente da medida.

Conforme a sua razão de ser e a sua finalidade, as provas


antecipadas podem ser classificadas em:
1) Propriamente preventivas: visam produzir a prova do fato
antecipadamente, sem objetivos diretos e imediatos, de modo a assegurar a
eficácia de um direito no futuro.
O interessado vislumbra uma lide que poderá não ocorrer;
conserva a prova de um fato sem objetivar diretamente algum litígio. Ex.:
inquilino, para prevenir-se contra futura ação do locador, promove vistoria
para determinar as condições em que se acha o prédio alugado.
2) Preparatórias: o objetivo é preparar elementos de prova para
fundamentar ação determinada e já em vista, já definida, objetivando um
direito já violado.
Ex.: fixar danos ocasionados em imóvel para instruir ação de
indenização contra o seu causador.
3) Incidentes: são produzidas quando já pendente o processo
de conhecimento, mas antes do momento próprio para sua produção (fase
instrutória).
(v. doutrina do Prof. Moacyr Amaral Santos)

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES SOBRE A AÇÃO


122

AUTÔNOMA DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA, DE


ACORDO COM O NOVO CPC:
a) não objetiva a declaração do direito material aplicável, mas
apenas assegurar o direito à produção da prova com fundamento na urgência
ou na indicação de que o requerente quer melhor esclarecer os fatos
relacionados a uma determinada situação jurídica, nos moldes do que dispõe o
artigo 381;
b) não há necessidade de indicar na petição inicial uma ação de
conhecimento em que a prova antecipada poderá ser utilizada, mas apenas os
fatos sobre os quais a prova há de recair; o requerente deve também esclarecer
a utilidade da prova;
c) deve ser assegurado o contraditório, com a citação de todos
quantos possam ter interesse na situação jurídica vinculada a prova a ser
produzida antecipadamente;
d) em princípio, mais de um meio de prova poderá ser
requerido no mesmo procedimento; porém, as provas devem estar
relacionadas ao mesmo fato e a produção conjunta não pode acarretar
excessiva demora;
e) não se admite defesa voltada a estabelecer controvérsia
sobre os fatos a serem provados ou a debater o direito material aplicável; o
requerido pode apresentar, no entanto, defesas processuais e invocar a
ausência dos pressupostos necessários à produção antecipada da prova;
f) o requerido é citado para acompanhar a produção da prova,
podendo interferir diretamente na sua coleta; no caso de prova pericial, deve
ser facultada a apresentação de quesitos e a indicação de assistente técnico;
em se tratando de prova testemunhal, pode ele contraditar as pessoas arroladas
para depor (arguir a incapacidade, o impedimento ou a suspeição da
testemunha), bem como apresentar perguntas na audiência para esclarecer o
depoimento;
123

g) como já realçado, o juiz não deve se pronunciar sobre a


ocorrência ou a inocorrência do fato probando, nem sobre as suas
consequências jurídicas; colhida a prova, profere ele uma sentença
homologatória, sem qualquer juízo de valor quanto aos fatos perquiridos; essa
sentença se presta apenas a atestar a regularidade do procedimento;
h) no sistema do CPC/73, os autos ficavam arquivados em
cartório para consulta dos interessados; no novo CPC, os autos permanecem
em cartório apenas durante um mês (para extração de cópias e certidões pelos
interessados), sendo que, escoado esse prazo, são entregues ao promovente.

Prova emprestada
É aquela produzida em determinado processo, buscando-se o
seu aproveitamento em outro feito.
O novo CPC, no artigo 372, admite expressamente a utilização
de prova emprestada (“Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova
produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado,
observado o contraditório”); o CPC/73 não continha previsão a respeito, sendo

que a doutrina e a jurisprudência admitiam esse aproveitamento, desde que


observadas certas condições.
A questão da eficácia da utilização de prova produzida em
outro processo diz respeito às provas casuais ou simples e não às pré-
constituídas ou documentais em geral. Estas, originais ou emprestadas,
valem igualmente em qualquer juízo em que forem apresentadas.
As provas casuais são aquelas produzidas no curso do
processo, sem que tenham sido intencionalmente preparadas para a
demonstração de um fato (testemunhos, perícias, depoimentos das partes e
inspeção judicial).
Parte da doutrina, tendo em vista o sistema da oralidade do
CPC, sustenta que a prova emprestada é ineficaz; porém, tendo em vista a
124

possibilidade de produção de provas antecipadamente ou mediante precatória,


a doutrina majoritária admite a eficácia da prova emprestada; com a regra do
novo CPC, essa controvérsia deixa de existir.
A prova emprestada deve ser acolhida e apreciada com
cautelas; o juiz irá verificar a necessidade do seu aproveitamento, a partir,
normalmente, da impossibilidade ou da inconveniência de sua reprodução no
segundo processo; de toda sorte, a prova emprestada será apreciada em
conjunto com outros elementos de convicção e diante das peculiaridades do
caso concreto.
O artigo 372 do CPC/2015 impõe a observância do
contraditório; é necessário, portanto, que a parte, contra quem a prova
emprestada será produzida, tenha participado do processo anterior, influindo
então na sua coleta; à evidência, é indispensável que essa prova a ser
aproveitada diga respeito aos mesmos fatos.
Na vigência do CPC/73, o Prof. Moacyr Amaral Santos já
preconizava regras a serem observadas para que tenha eficácia a prova
emprestada:
- prova produzida em processo anterior:
a) entre as mesmas partes – guarda, em princípio, sua eficácia
natural, desde que: 1) tenham sido observadas as formalidades legais
(contraditório, etc.); 2) o fato probando seja idêntico;
b) prova produzida em processo em que uma das partes do
segundo processo litigou com terceiro – só vale se foi trasladada por quem
não foi parte no processo anterior; se a prova é trasladada por quem integrou o
processo anterior, não tem eficácia em relação à parte contrária, que não
participou de sua produção; assim, não há necessidade de que as partes sejam
as mesmas nos dois processos; é preciso apenas que a parte, contra quem a
prova emprestada será utilizada, tenha participado do primeiro processo,
participando da sua produção;
125

c) prova produzida em processo entre terceiros – normalmente


não tem eficácia.

Meios de Prova
São os instrumentos através dos quais se torna possível a
comprovação dos fatos relevantes à solução da lide.
O nosso direito processual admite a utilização dos meios legais
de prova ou outros meios moralmente legítimos.
CPC/73 CPC/2015
Art. 332. Todos os meios legais, bem como os Art. 369. As partes têm o direito de empregar
moralmente legítimos, ainda que não todos os meios legais, bem como os moralmente
especificados neste Código, são hábeis para legítimos, ainda que não especificados neste
provar a verdade dos fatos, em que se funda a Código, para provar a verdade dos fatos em que
ação ou a defesa. se funda o pedido ou a defesa e influir
eficazmente na convicção do juiz.

Meios legais são os meios de prova típicos, ou seja, aqueles


previstos em lei.
Meios moralmente legítimos são aqueles que escapam à
previsão do legislador, mas podem ser admitidos por não afrontarem a moral e
os bons costumes (ex.: prova cinematográfica e outras gravações magnéticas).
A Constituição Federal proíbe a utilização no processo de
provas obtidas por meio ilícito (art. 5º, LVI). Ex.: confissão obtida mediante
tortura, grave ameaça; interceptação telefônica etc.
A escuta clandestina, chamada de “grampo”, é ilícita, salvo a
possibilidade de determinação judicial para gravação de conversas
telefônicas, voltada à instrução criminal (art. 5º, XII, da CF).
Entende-se que essas gravações, autorizadas especificamente
para fins de persecução penal, não podem ser utilizadas como prova
emprestada no processo civil, diante do nosso sistema constitucional. A
questão não é pacífica.
126

No entanto, quando a gravação é feita por um dos


interlocutores é considerada lícita, mesmo que sua utilização se faça sem o
consentimento do outro (v. STJ – RT 743/208). A situação assemelha-se à
carta exibida em juízo pelo próprio destinatário. Não há violação de
correspondência, nem ofensa ao direito à intimidade.
Os meios de prova especificados no Código de Processo Civil
são os seguintes:
- ata notarial (art. 384 do CPC/2015);
- depoimento pessoal (arts. 342/347 do CPC/73 e 385/388 do
CPC/2015);
- confissão (arts. 348/354 do CPC/73 e 389/395 do
CPC/2015);
- exibição de documento ou coisa (arts. 355/363 do CPC/73 e
396/404 do CPC/2015);
- prova documental (arts. 364/399 do CPC/73 e 405/441 do
CPC/2015);
- prova testemunhal (arts. 400/419 do CPC/73 e 442/463 do
CPC/2015);
- prova pericial (arts. 420/439 do CPC/73 e 464/480 do
CPC/2015);
- inspeção judicial (arts. 440/443 do CPC/73 e 481/484 do
CPC/2015).

Ata Notarial (art. 384 do NCPC)


“Art. 384. A existência e o modo de existir de algum fato podem
ser atestados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ata
lavrada por tabelião.
Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som
gravados em arquivos eletrônicos poderão constar da ata notarial.”
Representa novidade quanto aos meios de prova no CPC/2015.
127

Essa ata é lavrada exclusivamente por notário (Tabelião de


Notas), na forma do artigo 7º, III, da Lei Federal nº 8.935/94; sua finalidade é
atestar ou documentar a existência de algum fato, de modo a fixá-lo de modo
permanente e idôneo, incidindo então a presunção de autenticidade e
veracidade inerente aos documentos públicos; cabe ao oficial público
descrever os fatos ocorridos em sua presença ou em ambiente virtual; essa
prática, de lavratura da ata notarial, já está sedimentada no dia a dia do foro,
prestando-se a certificação de situações veiculadas na rede mundial de
computadores, que podem ser facilmente deletadas, modificadas ou
transferidas de endereço eletrônico; assim, para resguardar direitos e futuras
providências pelos interessados, esse serviço prestado pelos notários é
solicitado com grande frequência; anota a doutrina que os pedidos mais
comuns da lavratura estão relacionados ao uso indevido de imagem,
divulgação de textos ofensivos à honra das pessoas e informações comerciais;
cabe ao notário então atestar o conteúdo de uma determinada página da
internet, discriminando o dia e o horário do acesso; o parágrafo único do
artigo 384 define a possibilidade de constar da ata registros de sons e de
imagens.

Depoimento pessoal
Depoimento pessoal consiste no testemunho da parte em juízo.
Consiste em meio de prova, pelo qual a parte é inquirida, a
pedido do adversário, a respeito dos fatos relevantes para a solução da lide.
É um instituto voltado a provocar a confissão e a elucidação
dos fatos debatidos no processo.
O sujeito do depoimento pessoal é aquele que figura como
parte no processo e tem capacidade jurídica.
O objeto do depoimento pessoal são os fatos da causa.
A iniciativa da diligência pode ser da parte contrária ou do
128

próprio juiz.
Faz-se então distinção entre depoimento pessoal e
interrogatório.
O depoimento pessoal é sempre requerido pelo adversário, é
colhido normalmente na audiência de instrução e julgamento e tem por
finalidade provocar a confissão.
Já o interrogatório é determinado de ofício pelo juiz, pode ser
realizado em qualquer fase do procedimento e se destina a fornecer subsídios
para o julgamento do feito; não se aplica então a pena de confesso caso a
parte não compareça à audiência para interrogatório ou, comparecendo, se
recuse a depor.
Não se admite requerimento para depoimento pessoal da
própria parte ou de litisconsorte. O pedido deve ser feito para inquirição de
quem ocupa o polo oposto da relação processual.
O Ministério Público, atuando como fiscal da lei, pode
requerê-lo.
Se a parte for pessoa jurídica, o depoimento será prestado
pelos seus representantes legais.
A parte (autor ou réu), uma vez intimada, deve comparecer em
juízo e prestar o depoimento, o que representa um ônus processual; se a parte
não comparecer ou, comparecendo, se recusar a depor, estará sujeita a uma
consequência negativa, qual seja, a aplicação da pena de confesso; o juiz
admite então como verdadeiros os fatos alegados contra ela.
A pena de confesso também pode ser aplicada pelo juiz
quando a parte, sem motivo justificado, calar-se ou deixar de responder
adequadamente o que lhe for perguntado, empregando evasivas.
A parte, no entanto, pode se escusar de depor nas hipóteses
previstas nos artigos 347 do CPC/73 e 388 do CPC/2015; o novo CPC trouxe
relevante ampliação dos casos em que a escusa pode ser admitida (ler os
129

artigos adiante transcritos).

Procedimento
O depoimento pessoal normalmente é requerido na petição
inicial ou na contestação e via de regra é prestado na audiência de instrução e
julgamento.
A parte deve ser intimada pessoalmente, com a advertência da
pena de confesso.
Admite-se, por exceção, a produção antecipada dessa prova (v.
arts. 846/848 do CPC/73 e 381/383 do CPC/2015).
Admite-se ainda a inquirição da parte por precatória ou
rogatória, se residir fora da comarca onde tramita o feito; o NCPC preconiza a
possibilidade do depoimento ser colhido por meio de videoconferência ou
outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real (v.
§ 3º do art. 385).
Observa-se a mesma forma prevista para a inquirição de
testemunhas, ressalvadas as disposições incompatíveis; o advogado do
depoente não poderá fazer reperguntas; o litigante que ainda não prestou
depoimento não pode assistir a inquirição do litisconsorte ou do adversário.
Na audiência de instrução e julgamento o depoimento das
partes é tomado antes da oitiva das testemunhas. Primeiro ouve-se o autor,
depois o réu.
O novo CPC permite que o advogado da parte adversa formule
as suas perguntas diretamente ao depoente; o juiz poderá formular suas
perguntas à parte depoente antes ou depois da intervenção do advogado; cabe
ao juiz indeferir perguntas impertinentes, repetitivas ou que tenham por
escopo induzir a resposta; no sistema do CPC vigente, o advogado formula
suas indagações por intermédio do juiz.
CPC/73 CPC/2015
130

Do Depoimento Pessoal Do Depoimento Pessoal


Art. 342. O juiz pode, de ofício, em qualquer
estado do processo, determinar o
comparecimento pessoal das partes, a fim de
interrogá-las sobre os fatos da causa.
Art. 343. Quando o juiz não o determinar de Art. 385. Cabe à parte requerer o depoimento
ofício, compete a cada parte requerer o pessoal da outra parte, a fim de que esta seja
depoimento pessoal da outra, a fim de interrogada na audiência de instrução e
interrogá-la na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do juiz de
julgamento. ordená-lo de ofício.
§ 1o A parte será intimada pessoalmente,
constando do mandado que se presumirão
confessados os fatos contra ela alegados, caso
não compareça ou, comparecendo, se recuse a
depor.
§ 2o Se a parte intimada não comparecer, ou § 1.° Se a parte, pessoalmente intimada para
comparecendo, se recusar a depor, o juiz Ihe prestar depoimento pessoal e advertida da pena
aplicará a pena de confissão. de confesso, não comparecer ou, comparecendo,
se recusar a depor, o juiz aplicar-lhe-á a pena.
Art. 344. A parte será interrogada na forma
prescrita para a inquirição de testemunhas.
Parágrafo único. É defeso, a quem ainda não § 2.° É vedado a quem ainda não depôs assistir
depôs, assistir ao interrogatório da outra parte. ao interrogatório da outra parte.
§ 3º O depoimento pessoal da parte que residir
em comarca, seção ou subseção judiciária
diversa daquela onde tramita o processo poderá
ser colhido por meio de videoconferência ou
outro recurso tecnológico de transmissão de sons
e imagens em tempo real, o que poderá ocorrer,
inclusive, durante a realização da audiência de
instrução e julgamento.
Art. 345. Quando a parte, sem motivo Art. 386. Quando a parte, sem motivo
justificado, deixar de responder ao que Ihe for justificado, deixar de responder ao que lhe for
perguntado, ou empregar evasivas, o juiz, perguntado ou empregar evasivas, o juiz,
apreciando as demais circunstâncias e apreciando as demais circunstâncias e os
elementos de prova, declarará, na sentença, se elementos de prova, declarará, na sentença, se
houve recusa de depor. houve recusa de depor.
Art. 346. A parte responderá pessoalmente Art. 387. A parte responderá pessoalmente sobre
sobre os fatos articulados, não podendo servir- os fatos articulados, não podendo servir-se de
se de escritos adrede preparados; o juiz Ihe escritos anteriormente preparados; o juiz lhe
permitirá, todavia, a consulta a notas breves, permitirá, todavia, a consulta a notas breves,
desde que objetivem completar desde que objetivem completar esclarecimentos.
esclarecimentos.
Art. 347. A parte não é obrigada a depor de Art. 388. A parte não é obrigada a depor sobre
fatos: fatos:
I - criminosos ou torpes, que Ihe forem I – criminosos ou torpes que lhe forem
imputados; imputados;
II - a cujo respeito, por estado ou profissão, II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva
deva guardar sigilo. guardar sigilo;
III – acerca dos quais não possa responder sem
desonra própria, de seu cônjuge, de seu
companheiro ou de parente em grau sucessível;
131

IV – que coloquem em perigo a vida do depoente


ou das pessoas referidas no inciso III.
Parágrafo único. Esta disposição não se aplica Parágrafo único. Esta disposição não se aplica às
às ações de filiação, de desquite e de anulação ações de estado e de família.
de casamento.

Confissão
Consiste no reconhecimento, pela parte, de serem verdadeiros
os fatos ou alguns dos fatos alegados pelo adversário.
Confissão diz respeito então a fatos desfavoráveis ao
confitente e favoráveis à parte contrária.
A confissão não se confunde com reconhecimento da
procedência do pedido pelo réu, que é causa de extinção do processo, com
julgamento do mérito; também não se confunde com renúncia ao direito sobre
que se funda a ação; mediante confissão a parte (autor ou réu) apenas admite a
veracidade de fato alegado pelo adversário, sem reconhecer a justiça ou
injustiça da pretensão deste; o fato confessado pode ou não levar à vitória do
adversário; portanto, na confissão a parte não abre mão do seu direito.
A confissão é considerada meio de prova de excepcional
eficácia, pois a partir dela o fato se torna incontroverso, dispensando outras
provas a respeito; os seus efeitos são análogos aos da revelia.
A confissão só é válida:
1) sobre fatos relativos a direitos disponíveis, ou seja, deve
haver disponibilidade do direito relacionado com o fato confessado (ex.: não
se admite confissão nas ações relativas ao estado da pessoa ou à filiação –
destituição do poder familiar, anulação de casamento, investigação de
paternidade, e mesmo nas ações movidas contra a Fazenda Pública);
2) quando inexigível forma especial para a validade do ato
judicial confessado (ex.: confissão não supre escritura pública quando esta for
da substância do negócio jurídico);
3) se emanar de pessoa capaz de obrigar-se; é inadmissível a
132

confissão de incapaz, mesmo por seu representante legal.


(v. arts. 350 e 351 do CPC/73 e 391/392 do CPC/2015).
A confissão deve conter um elemento subjetivo, intencional,
que é a vontade de reconhecer a verdade do fato alegado pelo adversário.

Espécies de confissão
Pode ser judicial ou extrajudicial (v. arts. 348 do CPC/73 e
389 do CPC/2015).
Confissão Judicial: feita em juízo nos próprios autos, a
qualquer tempo; pode ser escrita (na contestação, réplica ou em outra petição
oferecida) ou verbal (durante o depoimento pessoal).
Fala-se ainda que a confissão judicial pode ser espontânea ou
provocada (v. arts. 349 do CPC/73 e 390 do CPC/2015); a provocada resulta
normalmente do depoimento pessoal da parte, quando ela responde as
perguntas do juiz ou do advogado do adversário; a espontânea resulta da
iniciativa do próprio confitente e é manifestada em petição dirigida ao juízo.
Confissão extrajudicial: é feita fora do processo, por escrito
ou oralmente, perante a parte contrária ou terceiros, ou ainda por testamento
(v. arts. 353 do CPC/73 e 394 do CPC/2015); deve ser provada nos autos por
documentos ou testemunhas.
A confissão judicial e a extrajudicial podem ser feitas pela
parte ou por representante com poder especial (v. arts. 349, parágrafo único,
do CPC/73 e 390, § 1º, do CPC/2015).
A confissão também pode ser expressa ou tácita (ficta); a
expressa é feita de forma categórica, por escrito ou oralmente; a ficta ou tácita
decorre da falta de impugnação na contestação dos fatos alegados na petição
inicial ou da omissão da parte em falar quando provocada (geralmente resulta
da recusa da parte em prestar depoimento).
A eficácia da confissão judicial e extrajudicial está prevista nos
133

artigos 350 e 353 do CPC/73 e 391 e 394 do CPC/2015 (ler os artigos adiante
transcritos); a confissão judicial faz prova contra o confitente, não podendo
prejudicar os litisconsortes; “nas ações que versarem sobre bens imóveis ou
direitos reais sobre imóveis alheios, a confissão de um cônjuge ou
companheiro não valerá sem a do outro, salvo se o regime de casamento for o
de separação absoluta de bens”.
Uma vez considerada eficaz, a confissão é irretratável.
O confitente poderá pleitear a anulação da confissão em ação
própria, diante da presença de vício de consentimento; o CPC/73 fazia
referência ao cabimento de ação anulatória, se o processo em que se deu a
confissão ainda estivesse em andamento, ou de ação rescisória se transitou em
julgado a sentença de mérito proferida com fundamento na confissão viciada;
o novo CPC menciona apenas a possibilidade de ação anulatória, pois não
mais se insere dentre os fundamentos para ajuizar uma ação rescisória
eventual vício da confissão manifestada.
Os artigos 354 do CPC/73 e 395 do CPC/2015 preconizam a
indivisibilidade da confissão; isso quer dizer que se o ato da confissão abordar
vários pontos, deve ser considerado como um todo, ou seja, tanto naquilo que
for favorável ou desfavorável à parte a quem aproveita a confissão; esta,
porém, poderá cindir-se quando o confitente a ela aduzir fato novo, capaz de
constituir fundamento de defesa de direito material ou de reconvenção.
CPC/73 CPC/2015
Da Confissão Da Confissão
Art. 348. Há confissão, quando a parte admite a Art. 389. Há confissão, judicial ou extrajudicial,
verdade de um fato, contrário ao seu interesse e quando a parte admite a verdade de fato
favorável ao adversário. A confissão é judicial contrário ao seu interesse e favorável ao
ou extrajudicial. adversário.
Art. 349. A confissão judicial pode ser Art. 390. A confissão judicial pode ser
espontânea ou provocada. Da confissão espontânea ou provocada.
espontânea, tanto que requerida pela parte, se
lavrará o respectivo termo nos autos; a
confissão provocada constará do depoimento
pessoal prestado pela parte.
Parágrafo único. A confissão espontânea pode § 1º A confissão espontânea pode ser feita pela
134

ser feita pela própria parte, ou por mandatário própria parte ou por representante com poder
com poderes especiais. especial.
§ 2º A confissão provocada constará do termo de
depoimento pessoal.
Art. 350. A confissão judicial faz prova contra Art. 391. A confissão judicial faz prova contra o
o confitente, não prejudicando, todavia, os confitente, não prejudicando, todavia, os
litisconsortes. litisconsortes.
Parágrafo único. Nas ações que versarem sobre Parágrafo único. Nas ações que versarem sobre
bens imóveis ou direitos sobre imóveis alheios, bens imóveis ou direitos reais sobre imóveis
a confissão de um cônjuge não valerá sem a do alheios, a confissão de um cônjuge ou
outro. companheiro não valerá sem a do outro, salvo se
o regime de casamento for o da separação
absoluta de bens.
Art. 351. Não vale como confissão a admissão, Art. 392. Não vale como confissão a admissão,
em juízo, de fatos relativos a direitos em juízo, de fatos relativos a direitos
indisponíveis. indisponíveis.
§ 1º A confissão será ineficaz se feita por quem
não for capaz de dispor do direito a que se
referem os fatos confessados.
§ 2º A confissão feita por um representante
somente é eficaz nos limites em que este pode
vincular o representado.
Art. 352. A confissão, quando emanar de erro, Art. 393. A confissão é irrevogável, mas pode
dolo ou coação, pode ser revogada: ser anulada se decorreu de erro de fato ou de
I - por ação anulatória, se pendente o processo coação.
em que foi feita;
II - por ação rescisória, depois de transitada em
julgado a sentença, da qual constituir o único
fundamento.
Parágrafo único. Cabe ao confitente o direito de Parágrafo único. A legitimidade para a ação
propor a ação, nos casos de que trata este prevista no caput é exclusiva do confitente e
artigo; mas, uma vez iniciada, passa aos seus pode ser transferida a seus herdeiros se ele
herdeiros. falecer após a propositura.
Art. 353. A confissão extrajudicial, feita por
escrito à parte ou a quem a represente, tem a
mesma eficácia probatória da judicial; feita a
terceiro, ou contida em testamento, será
livremente apreciada pelo juiz.
Parágrafo único. Todavia, quando feita Art. 394. A confissão extrajudicial, quando feita
verbalmente, só terá eficácia nos casos em que oralmente, só terá eficácia nos casos em que a lei
a lei não exija prova literal. não exija prova literal.
Art. 354. A confissão é, de regra, indivisível, Art. 395. A confissão é, de regra, indivisível, não
não podendo a parte, que a quiser invocar como podendo a parte que a quiser invocar como prova
prova, aceitá-la no tópico que a beneficiar e aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la
rejeitá-la no que lhe for desfavorável. Cindir- no que lhe for desfavorável, porém cindir-se-á
se-á, todavia, quando o confitente lhe aduzir quando o confitente a ela aduzir fatos novos,
fatos novos, suscetíveis de constituir capazes de constituir fundamento de defesa de
fundamento de defesa de direito material ou de direito material ou de reconvenção.
reconvenção.
135

Exibição de documento ou coisa com finalidade probatória


Pretensão à exibição de documento ou coisa manifestada por
um litigante contra o outro ou contra terceiro tem o caráter de ação; tem ela
por objeto a apresentação em juízo de coisa corpórea ou documento com a
finalidade de fazer prova de fatos relevantes da causa; a ideia é assegurar o
direito à produção da prova.
A pretensão exibitória pode ser preparatória ou incidental.
Preparatória: visa amealhar a prova constante de documento
ou coisa, com o qual terá de instruir a ação de conhecimento a ser proposta no
futuro.
Incidental: visa à prova de um fato numa lide pendente;
pressupõe processo de conhecimento em curso.
Partes:
requerente da exibição: é aquele que tem interesse específico
em fazer prova de um fato que se discute ou será discutido em processo de
conhecimento;
requerido: é aquele que está obrigado ou no dever de exibir
documento ou coisa; pode ser a parte contrária ou terceiro estranho à lide e
que está na obrigação de exibir.
O direito à exibição e à obrigação de exibir se resolvem de
acordo com o disposto nos artigos 358 do CPC/73 e 399 do CPC/2015,
transcritos adiante.
O direito à exibição existe quando:
- o requerido tiver obrigação de exibir (detentor do testamento
cerrado, de livros empresariais numa ação de dissolução da sociedade, do
título de domínio do bem nomeado à penhora, etc.);
- o requerido aludiu ao documento ou à coisa no processo com
o intuito de constituir prova (nesse caso nasce para o adversário o direito de
conhecer o documento ou a coisa e de reclamar sua exibição em juízo; por
136

força do princípio da comunhão da prova o objeto se tornou processualmente


comum às partes);
- o documento, por seu conteúdo, for comum às partes (ex.:
instrumento de contrato em que existe apenas uma via em poder de um dos
contratantes).
Nesses casos não se admite a recusa em exibir; o juiz aplicará
ao requerido as consequências da recusa ilegítima.
A recusa manifestada pela parte contrária ou por terceiro é
considerada legítima quando delineada qualquer das hipóteses previstas nos
arts. 363 do CPC/73 e 404 do CPC/2015 (ex.: documento ou coisa
concernente a negócios da própria família, possibilidade da violação de dever
de honra, etc.); predominam os valores da família e da intimidade justa.
A exibição de documento ou coisa com finalidade probatória
pode ser requerida, além da parte interessada, por terceiros intervenientes e
pelo representante do Ministério Público quando atua como fiscal da ordem
jurídica.
OBS.: o CPC de 1973 cuidava da exibição de documento ou
coisa como meio de prova e como “procedimento cautelar específico” (arts.
844 e 845); este ficava reservado à hipótese em que o pedido da exibição era
formulado antes da instauração do processo de conhecimento; o novo CPC
disciplina a exibição apenas como meio de prova, em caráter incidental ao
processo de conhecimento em curso, não ficando afastada, porém, a
possibilidade de se requerer a exibição também em caráter antecedente, como
se fosse uma ação probatória autônoma, nos moldes do artigo 351
(CPC/2015).
O pedido de exibição deve conter os requisitos previstos nos
arts. 356 do CPC/73 e 397 do CPC/2015 (individuação da coisa ou
documento, finalidade da prova e indicação das circunstâncias em que se
137

funda o requerente para afirmar que o documento ou a coisa existe e se acha


em poder do requerido).

PROCEDIMENTO
Pedido de exibição em face da parte contrária, no curso de
processo de conhecimento.
A exibição pode ser requerida na petição inicial ou na
contestação, ou logo após o adversário mencionar a existência do documento;
quando se trata de pedido incidental, não há autuação em separado, ou seja,
processa-se nos próprios autos da ação originária.
O requerido é intimado para responder em cinco dias:
- feita a exibição, encerra-se o incidente;
- se o requerido não responde o pedido, não efetua a exibição
quando determinado ou se sua recusa for considerada ilegítima, o juiz profere
decisão interlocutória, admitindo como verdadeiros os fatos que seriam
provados por meio do documento ou da coisa (EXTRAEM-SE
ARGUMENTOS PROBATÓRIOS CONTRA O REQUERIDO, COM
EFICÁCIA DE CONFISSÃO FICTA – v. arts. 359 do CPC/73 e 400 do
CPC/2015);
- quando o requerido nega a existência do documento ou da
coisa em seu poder, cabe ao requerente o ônus de provar a inveracidade da
afirmação (arts. 357 do CPC/73 e 398, parágrafo único, do CPC/2015);
- alegada a inexistência da obrigação de exibir, o juiz examina
a pertinência dos argumentos apresentados; não os acolhendo, admitirá como
verdadeiros os fatos que seriam provados por meio do documento ou da coisa;
- considerando justo o motivo invocado, o juiz dispensa o
requerido da exibição.
OBS.: o novo CPC traz inovação, dando conta que, sendo
necessário, o juiz pode adotar medidas indutivas, coercitivas, mandamentais
138

ou sub-rogatórias para que o documento seja exibido (v. parágrafo único do


art. 400); essas medidas normalmente serão cabíveis quando o pedido
exibitório é feito em caráter antecedente em face daquele que eventualmente
responderá aos termos da ação de conhecimento; a presunção de veracidade
dos fatos somente poderá incidir na hipótese de exibição requerida pela parte
em face do adversário ou determinada de ofício pelo juiz quando já há ação de
conhecimento em curso; na hipótese de pedido antecedente, não há como o
juiz dessa ação probatória autônoma extrair argumentos probatórios contra o
requerido, de modo a vincular a solução a ser dada pelo juiz do futuro
processo de conhecimento.

Procedimento da exibitória contra 3º


Terceiro – pessoa estranha à lide pendente; é estabelecida uma
relação processual paralela em face desse terceiro, não se tratando, nesse caso,
de mero incidente processual.
A petição deve conter os requisitos dos arts. 356 do CPC/73 e
397 do CPC/2015.
O terceiro é citado para exibir ou responder; o CPC/73 estipula
o prazo de 10 dias e o novo CPC fixa-o em 15 dias (v. arts. 360 do CPC/73 e
401 do CPC/2015).
Quando o terceiro exibe o documento ou coisa, encerra-se o
procedimento; a revelia enseja o julgamento antecipado, com a condenação
do terceiro a depositar à disposição do juízo o documento ou coisa; quando o
terceiro nega a obrigação de exibir ou a posse do objeto, é designada
audiência especial; nela é tomado o depoimento do requerido, bem como o
das partes e, se necessário, o de testemunhas; na sequência, o juiz profere
decisão (v. arts. 361 do CPC/73 e 402 do CPC/2015).
139

Defesas possíveis ao terceiro: fatos previstos nos arts. 363 do


CPC/73 e 404 do CPC/2015, pelos quais se escusa de exibir em juízo o
documento ou a coisa, e a inexistência do objeto em seu poder.
Considerada injusta a recusa a exibir, o juiz ordena o depósito
em cinco dias, às expensas do requerente; descumprida a ordem, o juiz faz
expedir mandado de apreensão, a ser cumprido com o auxílio de força policial
se for o caso; tudo sem prejuízo da responsabilidade por crime de
desobediência (v. arts. 362 do CPC/73 e 403 do CPC/2015).
OBS.: o novo CPC também preconiza a possibilidade da
imposição ao terceiro do pagamento de multa e outras medidas indutivas,
coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias, necessárias para assegurar a
efetivação da decisão.
A obrigação do terceiro decorre da previsão de que qualquer
pessoa está obrigada a colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento
da verdade.
CPC/73 CPC/2015
Art. 339. Ninguém se exime do dever de Art. 378. Ninguém se exime do dever de
colaborar com o Poder Judiciário para o colaborar com o Poder Judiciário para o
descobrimento da verdade. descobrimento da verdade.

Disposições do CPC relacionadas à exibição de documento ou


coisa:
CPC/73 CPC/2015
Da Exibição de Documento ou Coisa Da Exibição de Documento ou Coisa
Art. 355. O juiz pode ordenar que a parte exiba Art. 396. O juiz pode ordenar que a parte exiba
documento ou coisa, que se ache em seu poder. documento ou coisa que se encontre em seu
poder.

Art. 356. O pedido formulado pela parte Art. 397. O pedido formulado pela parte conterá:
conterá:
I - a individuação, tão completa quanto I – a individuação, tão completa quanto possível,
possível, do documento ou da coisa; do documento ou da coisa;
II - a finalidade da prova, indicando os fatos II – a finalidade da prova, indicando os fatos que
140

que se relacionam com o documento ou a coisa; se relacionam com o documento ou a coisa;


III - as circunstâncias em que se funda o III – as circunstâncias em que se funda o
requerente para afirmar que o documento ou a requerente para afirmar que o documento ou a
coisa existe e se acha em poder da parte coisa existe e se acha em poder da parte
contrária. contrária.
Art. 357. O requerido dará a sua resposta nos 5 Art. 398. O requerido dará a sua resposta nos
(cinco) dias subseqüentes à sua intimação. Se cinco dias subsequentes a sua intimação.
afirmar que não possui o documento ou a coisa, Parágrafo único. Se o requerido afirmar que não
o juiz permitirá que o requerente prove, por possui o documento ou a coisa, o juiz permitirá
qualquer meio, que a declaração não que o requerente prove, por qualquer meio, que a
corresponde à verdade. declaração não corresponde à verdade.
Art. 358. O juiz não admitirá a recusa: Art. 399. O juiz não admitirá a recusa se:
I - se o requerido tiver obrigação legal de I – o requerido tiver obrigação legal de exibir;
exibir;
II - se o requerido aludiu ao documento ou à II – o requerido tiver aludido ao documento ou à
coisa, no processo, com o intuito de constituir coisa, no processo, com o intuito de constituir
prova; prova;
III - se o documento, por seu conteúdo, for III – o documento, por seu conteúdo, for comum
comum às partes. às partes.
Art. 359. Ao decidir o pedido, o juiz admitirá Art. 400. Ao decidir o pedido, o juiz admitirá
como verdadeiros os fatos que, por meio do como verdadeiros os fatos que, por meio do
documento ou da coisa, a parte pretendia documento ou da coisa, a parte pretendia provar
provar: se:
I - se o requerido não efetuar a exibição, nem I – o requerido não efetuar a exibição, nem fizer
fizer qualquer declaração no prazo do art. 357; qualquer declaração no prazo do art. 398;
II - se a recusa for havida por ilegítima. II – a recusa for havida por ilegítima.
Parágrafo único. Sendo necessário, o juiz pode
adotar medidas indutivas, coercitivas,
mandamentais ou sub-rogatórias para que o
documento seja exibido.

Art. 360. Quando o documento ou a coisa Art. 401. Quando o documento ou a coisa
estiver em poder de terceiro, o juiz mandará estiver em poder de terceiro, o juiz ordenará sua
citá-lo para responder no prazo de 10 (dez) citação para responder no prazo de quinze dias.
dias.
Art. 361. Se o terceiro negar a obrigação de Art. 402. Se o terceiro negar a obrigação de
exibir, ou a posse do documento ou da coisa, o exibir ou a posse do documento ou da coisa, o
juiz designará audiência especial, tomando-lhe juiz designará audiência especial, tomando-lhe o
o depoimento, bem como o das partes e, se depoimento, bem como o das partes e, se
necessário, de testemunhas; em seguida necessário, o de testemunhas, e em seguida
proferirá a sentença. proferirá decisão.
Art. 362. Se o terceiro, sem justo motivo, se Art. 403. Se o terceiro, sem justo motivo, se
recusar a efetuar a exibição, o juiz lhe ordenará recusar a efetuar a exibição, o juiz ordenar-lhe-á
que proceda ao respectivo depósito em cartório que proceda ao respectivo depósito em cartório
ou noutro lugar designado, no prazo de 5 ou em outro lugar designado, no prazo de cinco
(cinco) dias, impondo ao requerente que o dias, impondo ao requerente que o ressarça pelas
embolse das despesas que tiver; se o terceiro despesas que tiver.
descumprir a ordem, o juiz expedirá mandado Parágrafo único. Se o terceiro descumprir a
de apreensão, requisitando, se necessário, força ordem, o juiz expedirá mandado de apreensão,
policial, tudo sem prejuízo da responsabilidade requisitando, se necessário, força policial, sem
por crime de desobediência. prejuízo da responsabilidade por crime de
desobediência, pagamento de multa e outras
141

medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou


sub-rogatórias necessárias para assegurar a
efetivação da decisão.

Art. 363. A parte e o terceiro se escusam de Art. 404. A parte e o terceiro se escusam de
exibir, em juízo, o documento ou a coisa: exibir, em juízo, o documento ou a coisa, se:
I - se concernente a negócios da própria vida da I – concernente a negócios da própria vida da
família; família;
II - se a sua apresentação puder violar dever de II – sua apresentação puder violar dever de
honra; honra;
III - se a publicidade do documento redundar III – sua publicidade redundar em desonra à
em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes
seus parentes consangüíneos ou afins até o consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou
terceiro grau; ou lhes representar perigo de ação lhes representar perigo de ação penal;
penal;
IV - se a exibição acarretar a divulgação de IV – sua exibição acarretar a divulgação de fatos
fatos, a cujo respeito, por estado ou profissão, a cujo respeito, por estado ou profissão, devam
devam guardar segredo; guardar segredo;
V - se subsistirem outros motivos graves que, V – subsistirem outros motivos graves que,
segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem
a recusa da exibição. a recusa da exibição;
VI – houver disposição legal que justifique a
recusa da exibição.
Parágrafo único. Se os motivos de que tratam Parágrafo único. Se os motivos de que tratam os
os ns. I a V disserem respeito só a uma parte do incisos I a VI do caput disserem respeito a
conteúdo do documento, da outra se extrairá apenas uma parcela do documento, a parte ou
uma suma para ser apresentada em juízo. terceiro exibirá a outra em cartório, para dela ser
extraída cópia reprográfica, de tudo sendo
lavrado auto circunstanciado.

Prova documental (arts. 364 a 399 do CPC/73 e 405 a 441


do CPC/2015)
O documento, no campo da prova judiciária, é a coisa
representativa de um fato e destinada a fixá-lo de modo permanente e idôneo,
reproduzindo-o em juízo.
Liga-se a ideia de papel escrito, mas pode ser composto por
material diverso. Assim, não só apenas os papéis escritos são documentos,
mas qualquer meio material ou digital utilizado para a representação de um
fato.
Importa analisar a autoria do documento, a maneira de sua
formação e o seu conteúdo.
142

Autoria
Autor do documento é a pessoa a quem se atribui sua
formação.
É considerado autor do documento não só quem o forma
materialmente para si, mas também quem o faz formar por outrem para si.
Nessa segunda hipótese alguém manda outrem compor o documento para si.
Ainda que eu solicite a confecção de um recibo por um contador ou
secretário, eu sou o autor desse documento particular.
Temos ainda como autor do documento aquele que o forma no
exercício da atividade de documentador, por força de função na qual é
investido pelo Estado.
Assim, autor do documento público também pode ser o oficial
público que o forma. No entanto, a formação do documento se dá no interesse
de outras pessoas. Os efeitos jurídicos do documento aproveitarão a quem
solicitou sua formação ao oficial público. Aqui, portanto, no sentido estrito,
autor é o notário. Mas num sentido amplo, a autoria do documento também
pode ser atribuída ao interessado ou interessados na representação do ato ou
do negócio jurídico.
Pode ser feita então a distinção entre autor intelectual e autor
material do documento.
Autor intelectual ou autor propriamente dito é quem
procura produzir com o documento determinados efeitos jurídicos e a quem
tais efeitos aproveitarão. O documento foi formado em proveito dele.
De outro lado, entende-se por autor material aquele que de
fato e materialmente elaborou o documento.
Em se tratando de documento particular normalmente há
coincidência entre o seu autor intelectual e material.
143

No que tange ao documento público, autor intelectual é aquele


que procurou o oficial para a lavratura; este oficial será o autor material.
A autoria do documento particular vem destacada nos artigos
371 do CPC/73 e 410 do CPC/2015.
Visto sob o aspecto de sua autoria, em sentido estrito, o
documento pode ser classificado como público ou privado (ou particular).
Público: formado por quem esteja no exercício de uma função
pública que o autorize a formá-lo. Assim, serão públicos todos os documentos
formados por um agente público, ou seja, por quem tenha fé pública, nos
limites de sua competência.
Privado ou particular: formado por um particular ou mesmo
por um oficial público que não aja nessa qualidade.
Sob o prisma da autoria o documento pode ainda ser
classificado como autógrafo e heterógrafo.
Autógrafo: quando há coincidência entre o autor do
documento e o autor do fato documentado (escritos particulares em geral).
Heterógrafo: autor do documento, em sentido estrito, é
terceiro em relação ao autor do fato documentado (documentos públicos em
geral).

Meios de formação do documento


O documento decorre das atividades do seu autor sobre uma
coisa.
Alguém interessado na fixação de um fato de modo duradouro,
permanente, atua para que ele se reproduza materialmente por certo meio, sob
certa maneira.
Em todos os casos a representação da ideia ou do fato é
transferida à coisa representativa, ou seja, ao documento.
144

Normalmente os documentos se materializam em papel,


mediante uso da escrita.
Porém a representação pode ser dar por sinais gráficos
diversos da escrita ou pelos chamados meios diretos.
Temos então, quanto aos meios de formação, a seguinte
classificação de documentos:
- escritos: documentos normais, regulados por lei, com o uso
da palavra escrita; formado dessa maneira, diz-se que o documento constitui
prova literal;
- gráficos: ideia ou fato são representados por sinais gráficos
diversos da escrita: desenhos, pinturas, plantas, cartas topográficas, etc.;
- diretos: o fato representado é transmitido diretamente para a
coisa representativa (fotografia, fonografia, cinematografia e meios digitais
em geral); distinguem-se dos chamados docs. gráficos ou escritos, pois nestes
o fato representado se transmite para a coisa através do sujeito do fato
representado.

Conteúdo do documento
Os documentos reproduzem normalmente uma declaração de
ciência ou de vontade. Fala-se, então, em documentos declarativos.
E, conforme as declarações reproduzidas sejam de ciência ou
de vontade, os documentos são considerados narrativos (declarações de
ciência acerca de um fato) ou constitutivos (encerram declarações de
vontade, criando, extinguindo ou modificando uma relação jurídica).
Duas outras questões ligadas diretamente à autoria do
documento merecem atenção: a subscrição e a autenticidade.

Subscrição
145

Não é suficiente a indicação no documento de quem seja seu


autor; é preciso que se comprove a autoria do documento.
Essa prova se tem com a subscrição, que consiste no
lançamento da assinatura do seu autor ao pé do documento.
Assim, a subscrição indica e prova a autoria do documento.
Normalmente os documentos escritos são assinados pelo seu
autor. Mas há documentos que também tem eficácia probatória e não contêm
subscrição (registros domésticos, como agendas, diários, etc. e livros
empresariais).

Autenticidade
Entende-se por autenticidade a certeza de que o documento
proveio do autor nele indicado.
Do fato da subscrição não se extrai a certeza de que seja
autêntico o documento. Há possibilidade de ser falsa a indicação da autoria.
Da subscrição ou assinatura decorre apenas a autoria aparente.
Apenas quando se confirma a coincidência entre a autoria
aparente e a real é possível falar em documento autêntico.
Num sentido estrito, consideram-se autênticos apenas os
documentos públicos; estes encerram uma presunção de autenticidade.
De ordinário, os documentos particulares, cuja
autenticidade necessita de confirmação, não são considerados autênticos.
Provada a sua autenticidade, fala-se em documento autenticado (v. arts.
369 e 372 do CPC/73 e 411 do CPC/2015).
Resumindo o exposto, é possível definir uma classificação
geral dos documentos:
No que tange a autoria os documentos podem ser: públicos ou
privados; autógrafos e heterógrafos; assinados ou não assinados; autênticos e
autenticados.
146

Quanto ao meio de sua formação podem ser: escritos, gráficos


e diretos (ou estampados).
Quanto ao seu conteúdo, os documentos podem ser narrativos
ou constitutivos.

Documento e instrumento
O documento, quando especialmente preparado para a prova
de um ato ou negócio jurídico, denomina-se instrumento.
Instrumento é, destarte, espécie do gênero documento, sendo
mencionado no Código Civil nos artigos 215 e 221; tem por finalidade criar,
extinguir ou modificar uma relação jurídica, servindo-lhe de prova. Presta-se,
portanto, a tornar exequível um ato.
Os instrumentos podem ser públicos ou particulares, conforme
sejam formados por oficial público no exercício de suas funções ou por
particulares.
Instrumentos Públicos: testamento público, instrumento
público de mandato, escritura pública de compra e venda de imóvel, ato de
nomeação de funcionário, sentença judicial, auto de penhora, etc.
Instrumentos Particulares: títulos cambiais, instrumento
particular de mandato, compromisso de compra e venda, etc.
Documentos, em sentido estrito, são escritos que, não sendo
prova pré-constituída do ato, oferecem, contudo, elementos para prová-lo
(definição de João Mendes Júnior). Podem ser públicos (mensagens do Chefe
do Executivo, publicações de atos administrativos, etc.) ou particulares
(missivas, convites, avisos de estabelecimentos bancários, etc.).

Força probante dos documentos


Eficácia do documento público, em sentido genérico
Formado por oficial público, o documento público, desde que
147

mantida sua integridade, é considerado autêntico.


Carrega uma presunção de autenticidade entre as partes e
perante terceiros, isto em decorrência da fé pública conferida aos agentes
públicos.
Essa presunção de autenticidade alcança apenas os elementos
da formação do ato (data, local, nome e qualificação das partes etc.), as
declarações de vontade que o oficial público ouvir das partes e os fatos
ocorridos na sua presença (pagamento feito, entrega de um objeto, etc.); não
incide sobre o conteúdo dessas declarações, ou seja, o oficial público atesta
que ouviu as declarações, mas não que sejam elas verdadeiras (v. arts. 364 do
CPC/73 e 405 do CPC/2015).
Art. 364. O documento público faz prova não Art. 405. O documento público faz prova não só
só da sua formação, mas também dos fatos que da sua formação, mas também dos fatos que o
o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o
que ocorreram em sua presença. servidor declarar que ocorreram em sua
presença.

Julgados do Superior Tribunal de Justiça assentam justamente


que o documento público, contendo declarações de um particular, faz certo,
em princípio, que elas foram prestadas. Não se firma a presunção, entretanto,
de que seu conteúdo corresponde à verdade (v. RSTJ 74/292).
Os documentos públicos podem ser:
- judiciais: elaborados por escrivão, com base em atos
processuais e peças dos autos, ou emanados do juiz;
- notariais: provenientes de notários e registradores, sendo
extraídos de seus livros e assentamentos;
- administrativos: oriundos de outras repartições públicas.
Todos gozam da mesma presunção de autenticidade.
Essa presunção, no entanto, é “juris tantum”, podendo ser
desconstituída por declaração judicial da falsidade do documento, que pode
ser obtida em ação autônoma (v. arts. 4º, II, do CPC/73 e 19, II, do CPC/2015)
148

ou incidentalmente no processo em que foi produzido (v. arts. 390 a 395 do


CPC/73 e 430 a 433 do CPC/2015).

Importante:
O juiz não pode formar sua convicção contra o teor de
documento público, louvando-se em outra prova.
Só pode ser desconsiderada a eficácia probante do documento
público se for declarada a sua falsidade ou reconhecida a presença de vícios
sociais (simulação e fraude) ou do consentimento (erro, dolo e coação).
OBS.: quando a lei exige, como da substância do ato, o
instrumento público, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode
suprir-lhe a ausência (v. arts. 366 do CPC/73 e 406 do CPC/2015). Nem
mesmo a confissão da outra parte supre essa ausência.
Para certos atos a forma especial e substancial é a escritura
pública, sendo nulos se constituídos por outra forma. Exemplos: pactos
antenupciais, contratos constitutivos ou translativos de direitos reais sobre
imóveis, salvo o penhor agrícola (v. artigos 108 e 109 do Código Civil).
Nem sempre é possível a exibição dos documentos públicos
em original; daí a possibilidade de usar cópias ou outras reproduções para
juntada aos autos (v. arts. 365 do CPC/73 e 425 do CPC/2015).
Art. 365. Fazem a mesma prova que os Art. 425. Fazem a mesma prova que os
originais: originais:
I - as certidões textuais de qualquer peça dos I – as certidões textuais de qualquer peça dos
autos, do protocolo das audiências, ou de outro autos, do protocolo das audiências ou de outro
livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por livro a cargo do escrivão ou chefe de secretaria,
ele ou sob sua vigilância e por ele subscritas; sendo extraídas por ele ou sob sua vigilância e
por ele subscritas;
II - os traslados e as certidões extraídas por II – os traslados e as certidões extraídas por
oficial público, de instrumentos ou documentos oficial público de instrumentos ou documentos
lançados em suas notas; lançados em suas notas;
III - as reproduções dos documentos públicos, III – as reproduções dos documentos públicos,
desde que autenticadas por oficial público ou desde que autenticadas por oficial público ou
conferidas em cartório, com os respectivos conferidas em cartório, com os respectivos
originais. originais;
IV - as cópias reprográficas de peças do próprio IV – as cópias reprográficas de peças do próprio
processo judicial declaradas autênticas pelo processo judicial declaradas autênticas pelo
149

próprio advogado sob sua responsabilidade advogado, sob sua responsabilidade pessoal, se
pessoal, se não lhes for impugnada a não lhes for impugnada a autenticidade;
autenticidade.
V - os extratos digitais de bancos de dados, V – os extratos digitais de bancos de dados
públicos e privados, desde que atestado pelo públicos e privados, desde que atestado pelo seu
seu emitente, sob as penas da lei, que as emitente, sob as penas da lei, que as informações
informações conferem com o que consta na conferem com o que consta na origem;
origem;
VI - as reproduções digitalizadas de qualquer VI – as reproduções digitalizadas de qualquer
documento, público ou particular, quando documento público ou particular, quando
juntados aos autos pelos órgãos da Justiça e juntadas aos autos pelos órgãos da justiça e seus
seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus
auxiliares, pelas procuradorias, pelas auxiliares, pela Defensoria Pública e seus
repartições públicas em geral e por advogados auxiliares, pelas procuradorias, pelas repartições
públicos ou privados, ressalvada a alegação públicas em geral e por advogados, ressalvada a
motivada e fundamentada de adulteração antes alegação motivada e fundamentada de
ou durante o processo de digitalização. adulteração.
§ 1o Os originais dos documentos digitalizados, § 1º Os originais dos documentos digitalizados
mencionados no inciso VI do caput deste mencionados no inciso VI deverão ser
artigo, deverão ser preservados pelo seu preservados pelo seu detentor até o final do
detentor até o final do prazo para interposição prazo para propositura de ação rescisória.
de ação rescisória.
§ 2o Tratando-se de cópia digital de título § 2º Tratando-se de cópia digital de título
executivo extrajudicial ou outro documento executivo extrajudicial ou de documento
relevante à instrução do processo, o juiz poderá relevante à instrução do processo, o juiz poderá
determinar o seu depósito em cartório ou determinar seu depósito em cartório ou
secretaria. secretaria.

O documento público, quando elaborado por oficial


incompetente ou sem as formalidades legais perde a força probatória dos
instrumentos oficiais. Goza, no entanto, se assinado pelas partes, da mesma
eficácia probatória do documento particular (v. arts. 367 do CPC/73 e 407 do
CPC/2015).

Valor probante do documento particular


Documentos particulares são aqueles formados sem a
interferência de oficial público.
Os documentos particulares, a princípio, não gozam da
presunção legal de autenticidade.
Desse modo, diante da simples impugnação da assinatura em
juízo (o NCPC fala em impugnação de autenticidade), aquele que produziu o
150

documento passa a ter o ônus de provar a sua autenticidade, ou seja, provar


que o documento proveio do autor nele indicado (v. arts. 388, I, e 389, II, do
CPC/73 e 428, I, e 429, II, do CPC/2015).
No entanto, se o notário reconhecer a firma do signatário, o
documento particular ganha presunção de autenticidade (v. arts. 369 do
CPC/73 e 411 do CPC/2015). A presunção é “juris tantum”, prevalecendo até
prova em contrário.
A mesma presunção de autenticidade passa a incidir quando,
embora não reconhecida a firma do signatário por tabelião, a parte contrária
não arguir dúvida quanto a autenticidade do documento particular após sua
juntada aos autos de um processo (v. art. 372 do CPC/73, reunido no novo
CPC no art. 411). O documento particular, destarte, é autenticado em juízo;
ocorre o que se chama ato de reconhecimento do documento.
Art. 369. Reputa-se autêntico o documento, Art. 411. Considera-se autêntico o documento
quando o tabelião reconhecer a firma do quando:
signatário, declarando que foi aposta em sua I - o tabelião reconhecer a firma do signatário;
presença. II – a autoria estiver identificada por qualquer
outro meio legal de certificação, inclusive
eletrônico, nos termos da lei;
III – não houver impugnação da parte contra
quem foi produzido o documento.

OBSERVAÇÕES: o artigo 411 do NCPC amplia as


hipóteses em que se considera autêntico o documento particular; incluiu
dentre as presunções de autenticidade os documentos assinados com
recurso eletrônico e os documentos não impugnados pela parte contrária
quando encartados a processo judicial; nesta última parte, o citado artigo
411 abrangeu o que estava disposto no artigo 372 do CPC/73; o novo
CPC também não reproduz a exigência do artigo 369 do CPC/73,
dispensando a declaração do tabelião de que a assinatura do signatário
foi aposta em sua presença.
No documento é importante distinguir a sua autenticidade da
151

sua veracidade; a autenticidade refere-se à integridade formal do documento,


à sua materialidade; a veracidade refere-se ao conteúdo, à sua conformidade
com a verdade.
E desde que não haja dúvida quanto à autenticidade do
documento (ou seja, não haja dúvida de que proveio do autor nele indicado),
faz ele prova que o seu autor fez a declaração que lhe é atribuída (v. arts. 373
do CPC/73 e 412 do CPC/2015).
Surgindo controvérsia quanto à época em que foram
manifestadas as declarações de vontade contidas no documento particular,
aplica-se o disposto nos arts. 370 do CPC/73 e 409 do CPC/2015.
Perante terceiros, a data lançada no documento particular é
ineficaz, inoperante; a eficácia é limitada às partes.
Para aqueles que não participaram do negócio jurídico
documentado, a eficácia do instrumento particular só se inicia a partir de sua
transcrição em registro público.
Mas o CPC apresenta outras quatro situações em que se
considera datado o documento particular em relação a terceiros. Esses fatos
tornam inequívoco que a partir dos eventos citados não poderia o documento
mais ser assinado, de modo que pode ser considerado formado pelo menos
nesses momentos (v. incisos II a V do art. 370 do CPC/73 e do parágrafo
único do art. 409 do CPC/2015). É comum providenciar o reconhecimento de
firmas, ainda que por semelhança, apenas para tornar certa a data da
assinatura e, por via de consequência, a data da formação do documento.
Art. 370. A data do documento particular, Art. 409. A data do documento particular,
quando a seu respeito surgir dúvida ou quando a seu respeito surgir dúvida ou
impugnação entre os litigantes, provar-se-á por impugnação entre os litigantes, provar-se-á por
todos os meios de direito. Mas, em relação a todos os meios de direito.
terceiros, considerar-se-á datado o documento Parágrafo único. Em relação a terceiros,
particular: considerar-se-á datado o documento particular:
I - no dia em que foi registrado; I – no dia em que foi registrado;
II - desde a morte de algum dos signatários; II – desde a morte de algum dos signatários;
III - a partir da impossibilidade física, que III – a partir da impossibilidade física que
sobreveio a qualquer dos signatários; sobreveio a qualquer dos signatários;
152

IV - da sua apresentação em repartição pública IV – da sua apresentação em repartição pública


ou em juízo; ou em juízo;
V - do ato ou fato que estabeleça, de modo V – do ato ou do fato que estabeleça, de modo
certo, a anterioridade da formação do certo, a anterioridade da formação do
documento. documento.

O documento particular é considerado indivisível.


CPC/73 CPC/2015
Art. 373. Ressalvado o disposto no parágrafo Art. 412. O documento particular de cuja
único do artigo anterior, o documento autenticidade não se duvida prova que o seu
particular, de cuja autenticidade se não duvida, autor fez a declaração que lhe é atribuída.
prova que o seu autor fez a declaração, que Ihe
é atribuída.
Parágrafo único. O documento particular, Parágrafo único. O documento particular
admitido expressa ou tacitamente, é admitido expressa ou tacitamente é
indivisível, sendo defeso à parte, que indivisível, sendo vedado à parte que pretende
pretende utilizar-se dele, aceitar os fatos que utilizar-se dele aceitar os fatos que lhe são
Ihe são favoráveis e recusar os que são favoráveis e recusar os que são contrários ao
contrários ao seu interesse, salvo se provar seu interesse, salvo se provar que estes não
que estes se não verificaram. ocorreram.

Nós temos regras no CPC sobre documentos especiais:


telegrama, radiograma e outros meios de transmissão, cartas, registros
domésticos, livros empresariais e reproduções mecânicas ou eletrônicas (v.
arts. 374 a 382 do CPC/73 e 413 a 421 do CPC/2015).
OBS.: registros domésticos são apontamentos escritos pela
parte, mas não assinados; representam anotações, memórias, diários, agendas,
relacionados com a vida profissional ou privada do autor; fazem prova apenas
contra quem os escreveu.
Vale em benefício do devedor, independentemente de
assinatura, a nota escrita pelo credor em qualquer parte do documento
representativo da obrigação (v. arts. 377 do CPC/73 e 416 do CPC/2015). Tem
eficácia apenas anotações favoráveis ao devedor.
Os livros empresariais provam contra seu autor, ainda que
irregulares; provam também a seu favor no litígio entre empresários se
preencherem os requisitos exigidos em lei; nas ações de natureza civil, os
153

livros fazem prova a favor do empresário se seus lançamentos forem


corroborados por outros documentos que por si só não façam prova suficiente
do fato controvertido; prevalece a regra da indivisibilidade da escrituração.
É admissível a exibição em juízo de livros empresariais e de
documentos do arquivo do empresário?
Sim; mas a exibição integral só tem lugar nas hipóteses
previstas nos artigos 381 do CPC/73 e 420 do CPC/2015.
Normalmente o exame de livros e documentos do empresário
em ação judicial fica limitado às transações entre os litigantes, ou seja, o
exame se verifica na parte que interessa à questão posta em juízo (v. arts. 382
do CPC/73 e 421 do CPC/2015, bem como a Súmula 260 do STF); nessa
hipótese a exibição pode ser ordenada de ofício ou a requerimento do
interessado.
Art. 378. Os livros comerciais provam contra o Art. 417. Os livros empresariais provam contra
seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia,
demonstrar, por todos os meios permitidos em demonstrar, por todos os meios permitidos em
direito, que os lançamentos não correspondem à direito, que os lançamentos não correspondem à
verdade dos fatos. verdade dos fatos.
Art. 379. Os livros comerciais, que preencham Art. 418. Os livros empresariais que preencham
os requisitos exigidos por lei, provam também a os requisitos exigidos por lei provam a favor do
favor do seu autor no litígio entre comerciantes. seu autor no litígio entre empresários.
Art. 380. A escrituração contábil é indivisível: Art. 419. A escrituração contábil é indivisível e,
se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns
são favoráveis ao interesse de seu autor e outros são favoráveis ao interesse de seu autor e outros
Ihe são contrários, ambos serão considerados lhe são contrários, ambos serão considerados em
em conjunto como unidade. conjunto, como unidade.
Art. 381. O juiz pode ordenar, a requerimento Art. 420. O juiz pode ordenar, a requerimento da
da parte, a exibição integral dos livros parte, a exibição integral dos livros empresariais
comerciais e dos documentos do arquivo: e dos documentos do arquivo:
I - na liquidação de sociedade; I – na liquidação de sociedade;
II - na sucessão por morte de sócio; II – na sucessão por morte de sócio;
III - quando e como determinar a lei. III – quando e como determinar a lei.
Art. 382. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte Art. 421. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte
a exibição parcial dos livros e documentos, a exibição parcial dos livros e dos documentos,
extraindo-se deles a suma que interessar ao extraindo-se deles a suma que interessar ao
litígio, bem como reproduções autenticadas. litígio, bem como reproduções autenticadas.

Disposições do CPC/2015 sobre reproduções mecânicas


(fotográfica, cinematográfica, fonográfica ou de outra espécie):
154

“Art. 422. Qualquer reprodução mecânica, como a fotográfica, a


cinematográfica, a fonográfica ou de outra espécie, tem aptidão para fazer prova
dos fatos ou das coisas representadas, se a sua conformidade com o documento
original não for impugnada por aquele contra quem foi produzida.
§ 1º As fotografias digitais e as extraídas da rede mundial de
computadores fazem prova das imagens que reproduzem, devendo, se
impugnadas, ser apresentada a respectiva autenticação eletrônica ou, não sendo
possível, realizada perícia.
§ 2º Se se tratar de fotografia publicada em jornal ou revista, será
exigido um exemplar original do periódico, caso impugnada a veracidade pela
outra parte.
§ 3º Aplica-se o disposto neste artigo à forma impressa de
mensagem eletrônica.
Art. 423. As reproduções dos documentos particulares,
fotográficas ou obtidas por outros processos de repetição, valem como certidões
sempre que o escrivão ou o chefe de secretaria certificar sua conformidade com o
original.”

MOMENTOS DA PROVA DOCUMENTAL


Os documentos devem ser propostos com a petição inicial pelo
autor e com a resposta pelo réu (v. arts. 396 do CPC/73 e 434 do CPC/2015).
Produzir prova documental significa fazer com que o
documento seja encartado aos autos do processo e passe a integrá-lo como
peça de instrução.
Em princípio, entende-se que os documentos indispensáveis à
prova das alegações das partes devem ser apresentados desde logo, ou seja, na
fase postulatória.
São considerados documentos indispensáveis os chamados
documentos substanciais (aqueles que a lei exige como da substância do ato
ou negócio jurídico – arts. 366 do CPC/73 e 406 do CPC/2015) e
155

fundamentais (aqueles mencionados como fundamento da pretensão do autor


ou da defesa do réu).
Sob a égide do CPC/73, a jurisprudência era liberal quanto à
possibilidade de a qualquer tempo serem juntados documentos novos,
máxime quando não evidenciada malícia processual da parte e quando se
verificava a conveniência e necessidade ao convencimento do juiz.
O Superior Tribunal de Justiça tem entendido justamente que
apenas os documentos tidos como pressupostos da causa é que devem
acompanhar a inicial e a defesa. Os demais podem ser oferecidos em outras
fases e até mesmo na via recursal, desde que ouvida a parte contrária e
inexistente o espírito de ocultação premeditada e o propósito de surpreender o
juízo (RSTJ 14/359).
De qualquer modo, o próprio CPC admite a juntada de novos
documentos, em qualquer tempo:
CPC/73 CPC/2015
Art. 397. É lícito às partes, em qualquer tempo, Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo,
juntar aos autos documentos novos, quando juntar aos autos documentos novos, quando
destinados a fazer prova de fatos ocorridos destinados a fazer prova de fatos ocorridos
depois dos articulados, ou para contrapô-los aos depois dos articulados ou para contrapô-los aos
que foram produzidos nos autos. que foram produzidos nos autos.
Parágrafo único. Admite-se também a juntada
posterior de documentos formados após a
petição inicial ou a contestação, bem como dos
que se tornaram conhecidos, acessíveis ou
disponíveis após esses atos, cabendo à parte que
os produzir comprovar o motivo que a impediu
de juntá-los anteriormente e incumbindo ao juiz,
em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de
acordo com o art. 5º.

OBS.: o parágrafo único do art. 435 do novo CPC melhor


esclarece o que pode ser compreendido como documento novo, impondo à
parte que os produzir o ônus de justificar essa qualidade.
Para assegurar a observância do princípio do contraditório
incide a regra dos artigos 398 do CPC/73 e 437, § 1º, do CPC/2015.
156

Art. 437. O réu manifestar-se-á na contestação


sobre os documentos anexados à inicial, e o
autor manifestar-se-á na réplica sobre os
documentos anexados à contestação.
Art. 398. Sempre que uma das partes § 1º Sempre que uma das partes requerer a
requerer a juntada de documento aos autos, juntada de documento aos autos, o juiz
o juiz ouvirá, a seu respeito, a outra, no ouvirá, a seu respeito, a outra parte, que
prazo de 5 (cinco) dias. disporá do prazo de quinze dias para adotar
qualquer das posturas indicadas no art. 436.
§ 2º Poderá o juiz, a requerimento da parte,
dilatar o prazo para manifestação sobre a
prova documental produzida, levando em
consideração a quantidade e a complexidade
da documentação.

Na forma dos artigos 399 do CPC/73 e 438 do CPC/2015, o


órgão jurisdicional pode requisitar às repartições públicas, em qualquer tempo
e grau de jurisdição, certidões necessárias à prova das alegações das partes e
os procedimentos administrativos nas causas em que forem interessados entes
estatais ou respectivas entidades da administração indireta.
Art. 399. O juiz requisitará às repartições Art. 438. O juiz requisitará às repartições
públicas em qualquer tempo ou grau de públicas em qualquer tempo ou grau de
jurisdição: jurisdição:
I - as certidões necessárias à prova das I – as certidões necessárias à prova das alegações
alegações das partes; das partes;
II - os procedimentos administrativos nas II – os procedimentos administrativos nas causas
causas em que forem interessados a União, o em que forem interessados a União, os Estados,
Estado, o Município, ou as respectivas o Distrito Federal, os Municípios ou entidades da
entidades da administração indireta. administração indireta.
§ 1o Recebidos os autos, o juiz mandará extrair, § 1º Recebidos os autos, o juiz mandará extrair,
no prazo máximo e improrrogável de 30 (trinta) no prazo máximo e improrrogável de um mês,
dias, certidões ou reproduções fotográficas das certidões ou reproduções fotográficas das peças
peças indicadas pelas partes ou de ofício; findo que indicar e das que forem indicadas pelas
o prazo, devolverá os autos à repartição de partes e, em seguida, devolverá os autos à
origem. repartição de origem.
§ 2o As repartições públicas poderão fornecer § 2º As repartições públicas poderão fornecer
todos os documentos em meio eletrônico todos os documentos em meio eletrônico,
conforme disposto em lei, certificando, pelo conforme disposto em lei, certificando, pelo
mesmo meio, que se trata de extrato fiel do que mesmo meio, que se trata de extrato fiel do que
consta em seu banco de dados ou do documento consta em seu banco de dados ou do documento
digitalizado. digitalizado.

Importante: entende a jurisprudência que a regra só deve ser


aplicada quando demonstrado o real interesse na produção da prova e a
impossibilidade da obtenção de tais documentos diretamente pela parte.
157

Desentranhamento de documentos
O documento, uma vez produzido, se incorpora ao processo,
passando a constituir parte integrante deste.
Não pode ser dispensado antes de proferida a sentença e seu
trânsito em julgado, a não ser que a parte contrária concorde e o juiz o
autorize.
O desentranhamento tem lugar, no entanto, se os documentos
são impertinentes ou produzidos intempestivamente.
OBS.: o processo moderno é informado pelo princípio da
aquisição processual ou da comunhão da prova. É irrelevante quem tenha
trazido a prova aos autos. Ela passa a pertencer ao processo e deverá ser
avaliada pelo juiz independentemente de ter origem na atividade deste ou
daquele litigante.
O princípio aludido admite que a parte produza prova contra si
mesma, devendo o juiz tomá-la em consideração no julgamento da lide.
Nesse sentido é explícito o artigo 371 do CPC/2015: “O juiz
apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a
tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu
convencimento.” (g.n.)

Vícios dos documentos


Podem ser externos ou internos.
a) externos ou extrínsecos: há desrespeito a formalidades
exteriores; são visíveis a simples inspeção ocular;
como vícios extrínsecos se consideram as emendas,
entrelinhas, borrões, cancelamentos e outros defeitos fisicamente apreciáveis;
se houver ressalva ou não for afetado ponto substancial permanece íntegra a
eficácia probante do documento (v. arts. 386 do CPC/73 e 426 do CPC/2015);
158

também apresenta vício extrínseco o documento público


formado por oficial público incompetente ou sem a observância das
formalidades legais (v. arts. 367 do CPC/73 e 407 do CPC/2015);
b) internos ou intrínsecos: inerentes à formação ou ao conteúdo do
documento.
Art. 386. O juiz apreciará livremente a fé que Art. 426. O juiz apreciará fundamentadamente a
deva merecer o documento, quando em ponto fé que deva merecer o documento, quando em
substancial e sem ressalva contiver entrelinha, ponto substancial e sem ressalva contiver
emenda, borrão ou cancelamento. entrelinha, emenda, borrão ou cancelamento.

Art. 367. O documento, feito por oficial Art. 407. O documento feito por oficial público
público incompetente, ou sem a observância incompetente ou sem a observância das
das formalidades legais, sendo subscrito pelas formalidades legais, sendo subscrito pelas partes,
partes, tem a mesma eficácia probatória do tem a mesma eficácia probatória do documento
documento particular. particular.

Dependendo da natureza do vício identificado, fala-se que o


documento é falso, ou seja, há falsidade documental.
Quando o vício se manifesta na elaboração física do
documento, ou seja, na sua formação material e não na vontade declarada,
estamos diante da falsidade material.
Quando não há vício na forma, mas a declaração, consciente
ou inconsciente, revela um fato inverídico, ocorre a chamada falsidade
ideológica, intelectual ou moral; corresponde ao fruto da simulação ou dos
vícios do consentimento; materialmente o documento é perfeito, mas encerra
ideias ou declarações falsas.
A falsidade ideológica propicia a anulação ou a declaração de
nulidade do ato ou negócio jurídico, que devem ser reclamadas em ação
própria. O incidente de falsidade ou a impugnação na contestação não tem a
força de desconstituir o ato viciado.
A opinião majoritária na doutrina brasileira é no sentido
de que apenas a falsidade material é objeto do incidente de falsidade
previsto nos artigos 390 a 395 do CPC/73 e 430 a 433 do CPC/2015.
159

A falsidade documental vem conceituada no parágrafo único


dos artigos 387 do CPC/73 e 427 do CPC/2015: “consiste em formar
documento não verdadeiro ou alterar documento verdadeiro”.
Forma-se materialmente documento falso quando se utiliza
papel assinado em branco, nele lançando declaração não desejada pelo
signatário; pode haver inclusive a falsificação da assinatura; cria-se
documento falso por inteiro.
Altera-se documento quando apenas se insere novidade em
documento verdadeiro preexistente; modificam-se palavras ou termos do
escrito, alterando o sentido da declaração.
Registre-se que cessa a fé do documento público ou particular
quando declarada sua falsidade (arts. 387 do CPC/73 e 427 do CPC/2015).
Fora os casos de falsidade, a fé do documento particular cessa
nas hipóteses previstas nos artigos 388 do CPC/73 e 428 do CPC/2015.
Contestada a assinatura de documento particular, não produz
ele efeitos no processo enquanto não demonstrada a veracidade da assinatura
por quem o produziu; é o que a doutrina chama de verificação de assinatura.
O CPC legalizou ainda a figura do documento particular
assinado em branco para ser preenchido posteriormente, no todo ou em parte;
nesse caso, havendo a impugnação do seu conteúdo, com alegação de
preenchimento abusivo, cessa a fé do documento; caberá ao subscritor
demonstrar que ocorreu o preenchimento em desconformidade com o
pactuado (quebra da confiança).
CPC/73 CPC/2015
Art. 388. Cessa a fé do documento particular Art. 428. Cessa a fé do documento particular
quando: quando:
I - lhe for contestada a assinatura e enquanto I – lhe for impugnada a autenticidade e enquanto
não se lhe comprovar a veracidade; não se comprovar sua veracidade;
II - assinado em branco, for abusivamente II – assinado em branco, for impugnado o seu
preenchido. conteúdo, por preenchimento abusivo.
Parágrafo único. Dar-se-á abuso quando aquele, Parágrafo único. Dar-se-á abuso quando aquele
que recebeu documento assinado, com texto que recebeu documento assinado com texto não
160

não escrito no todo ou em parte, o formar ou o escrito no todo ou em parte o formar ou o


completar, por si ou por meio de outrem, completar por si ou por meio de outrem,
violando o pacto feito com o signatário. violando o pacto feito com o signatário.

ÔNUS DA PROVA NOS CASOS DE FALSIDADE


DOCUMENTAL:
CPC/73 CPC/2015
Art. 389. Incumbe o ônus da prova quando: Art. 429. Incumbe o ônus da prova quando:
I - se tratar de falsidade de documento, à parte I – se tratar de falsidade de documento ou de
que a arguir; preenchimento abusivo, à parte que a arguir;
II - se tratar de contestação de assinatura, à II – se tratar de impugnação da autenticidade, à
parte que produziu o documento. parte que produziu o documento.

ARGUIÇÃO DE FALSIDADE
Consiste na provocação do órgão jurisdicional para declarar a
falsidade de documento.
Pode verificar-se com finalidade preventiva, instaurando-se
processo autônomo (v. ação de conhecimento meramente declaratória prevista
nos arts. 4º, II, do CPC/73 e 19, II, do CPC/2015); ou então como incidente,
no curso do processo em que foi produzido o documento (v. arts. 390 a 395 do
CPC/73 e 430 a 433 do CPC/2015).
Amplia-se, no caso de arguição incidente, o thema
decidendum, pois o juiz, além de solucionar a lide pendente, irá se pronunciar
quanto a falsidade ou a autenticidade do documento.
A arguição incidente é admitida em qualquer tempo ou grau de
jurisdição (no juízo de primeiro grau ou nos tribunais), respeitadas as
limitações quanto a prazos, estabelecidas no CPC; somente pode ser
instaurado o incidente de falsidade em relação a falsidade material, ou
seja, quando houver vício na elaboração física do documento; pode
referir-se a documentos públicos ou particulares.
Eventual controvérsia quanto a veracidade dos fatos
documentados, ensejará à parte interessada a possibilidade de demonstrar,
161

pelos meios de prova pertinentes, que outra era a realidade; não é caso,
portanto, de instaurar incidente de falsidade.
Esse incidente de falsidade, tal como concebido no CPC
vigente, constitui verdadeira ação declaratória incidental, devendo então o
juiz declarar, no dispositivo da sentença, se o documento é falso ou autêntico;
e essa declaração judicial será então acobertada pela coisa julgada material,
impedindo que a questão do falsum assim decidida seja reavivada em outro
processo.
OBS. IMPORTANTE: no novo CPC a parte pode também
invocar a falsidade documental apenas como fundamento de defesa, ou
seja, sem deflagrar o incidente de falsidade; e nesse caso a decisão a
respeito constará apenas da parte de fundamentação da sentença, que
não é alcançada pela coisa julgada material (v. art. 436, III, do
CPC/2015); desse modo, ao arguir a falsidade, a parte deve explicitar se
pretende que esta seja resolvida como questão principal, nos termos do
inciso II do art. 19 do CPC/2015; assim, a parte estará suscitando a
falsidade como fundamento de uma ação declaratória incidental.
A arguição de falsidade deve ser suscitada pelo réu na
contestação (diante de documentos exibidos com a petição inicial), na réplica
pelo autor (em face de documentos que instruíram a contestação) ou no prazo
legal, contado a partir da intimação da juntada do documento aos autos; no
caso de apresentação de documentos após o ajuizamento da inicial e o
oferecimento da contestação ou da réplica, o CPC/73 estabelecia o prazo de
10 dias para suscitar o incidente, enquanto o novo CPC fixa prazo de 15 dias.
Instaurado o incidente, a parte que produziu o documento será
intimada para responder; o CPC/73 estabelecia prazo de 10 dias para tanto; o
novo CPC fixa prazo de 15 dias; segue-se então, normalmente, a realização de
perícia; não se procederá ao exame pericial se a parte que produziu o
documento concordar em retirá-lo.
162

No novo CPC não se reproduz a regra de que o juiz suspenderá


o processo principal logo que for suscitado o incidente (v. art. 394 do
CPC/73).
Importante: na disciplina do CPC de 1973, o incidente estava
previsto apenas para que a coisa julgada material alcançasse a solução judicial
no que toca à falsidade documental suscitada no curso do processo; era uma
espécie de ação declaratória incidental, de modo a obter-se a eficácia da coisa
julgada sobre a solução do pedido inicial e também sobre a questão
superveniente da falsidade. O fato da não instauração do incidente não
impedia que o juiz reconhecesse a falsidade ao motivar sua decisão sobre a
lide principal. O reconhecimento eventual do “falsum” figuraria apenas entre
as razões de decidir, na parte de fundamentação, não se revestindo, daí, da
imutabilidade que caracteriza a coisa julgada material.
No novo CPC, o art. 433 define precisamente que apenas
quando suscitada como questão principal (v. art. 430, parágrafo único), a
declaração sobre a falsidade do documento constará da parte dispositiva da
sentença e sobre ela incidirá também a autoridade da coisa julgada material.
CPC/73 CPC/2015
Da Arguição de Falsidade Da Arguição de Falsidade
Art. 390. O incidente de falsidade tem lugar em Art. 430. A falsidade deve ser suscitada na
qualquer tempo e grau de jurisdição, contestação, na réplica ou no prazo de quinze
incumbindo à parte, contra quem foi produzido dias, contado a partir da intimação da juntada do
o documento, suscitá-lo na contestação ou no documento aos autos.
prazo de 10 (dez) dias, contados da intimação
da sua juntada aos autos.
Parágrafo único. Uma vez arguida, a
falsidade será resolvida como questão
incidental, salvo se a parte requerer que o juiz
a decida como questão principal, nos termos
do inciso II do art. 19.
Art. 391. Quando o documento for oferecido Art. 431. A parte arguirá a falsidade expondo os
antes de encerrada a instrução, a parte o arguirá motivos em que funda a sua pretensão e os meios
de falso, em petição dirigida ao juiz da causa, com que provará o alegado.
expondo os motivos em que funda a sua
pretensão e os meios com que provará o
alegado.
Art. 392. Intimada a parte, que produziu o Art. 432. Depois de ouvida a outra parte no
documento, a responder no prazo de 10 (dez) prazo de quinze dias, será realizado o exame
163

dias, o juiz ordenará o exame pericial. pericial.


Parágrafo único. Não se procederá ao exame Parágrafo único. Não se procederá ao exame
pericial, se a parte, que produziu o documento, pericial, se a parte que produziu o documento
concordar em retirá-lo e a parte contrária não se concordar em retirá-lo.
opuser ao desentranhamento.
Art. 393. Depois de encerrada a instrução, o
incidente de falsidade correrá em apenso aos
autos principais; no tribunal processar-se-á
perante o relator, observando-se o disposto no
artigo antecedente.
Art. 394. Logo que for suscitado o incidente de
falsidade, o juiz suspenderá o processo
principal.
Art. 395. A sentença, que resolver o incidente, Art. 433. A declaração sobre a falsidade do
declarará a falsidade ou autenticidade do documento, quando suscitada como questão
documento. principal, constará da parte dispositiva da
sentença e sobre ela incidirá também a
autoridade da coisa julgada.

Prova testemunhal (arts. 400 a 419 do CPC/73 e 442 a 463


do CPC/2015)
Prova testemunhal é aquela produzida oralmente perante o juiz
através do depoimento de pessoa estranha à lide.
A testemunha deve ser pessoa física capaz, sendo chamada a
juízo para depor o que sabe sobre os fatos controvertidos.
A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei
de modo diverso (v. art. 400 do CPC/73 e 442 do CPC/2015).
Porém, não será deferida pelo juiz:
- se houver documento que comprove o fato;
- se já existir nos autos confissão judicial ou extrajudicial,
comprobatória do fato;
- se o fato só puder ser provado por documento ou por exame
pericial.
Em algumas situações a lei impõe forma escrita especial para a
comprovação da prática de determinados atos ou negócios jurídicos (v. arts.
164

366 do CPC/73, 406 do CPC/2015 e 108/109 do Código Civil). Para tais atos
a forma escrita é da sua substância.
De outro lado, há fatos que exigem conhecimento especial de
técnico e somente através do exame pericial podem ser provados; muitas
vezes a prova pericial pode ser complementada em audiência com a
inquirição de testemunhas, mas não pode ser por ela substituída.
No CPC/73, vinha estabelecida restrição ao cabimento da
prova exclusivamente testemunhal (v. art. 401 do CPC/73); não se admitia
prova exclusivamente testemunhal para comprovar a existência de contrato
cujo valor exceda o décuplo do salário mínimo vigente ao tempo em que foi
celebrado; essa regra, aplicável à prova dos contratos, era extensiva à prova
do pagamento e da remissão de dívida (v. art. 403 do CPC/73).
O CPC/2015 não reproduz tais disposições, de modo a afastar
situações de enriquecimento sem causa; muitas vezes, embora inexista
contrato escrito, pode ter ocorrido, por exemplo, prestação de serviços de
valor expressivo e, desse modo, não deve ser de todo afastada a possibilidade
de se produzir prova oral idônea.
De toda sorte, mesmo nos casos em que o direito material
exige prova escrita da obrigação, a parte pode se valer da prova testemunhal
como subsidiária ou complementar da prova literal, ou seja, sempre que haja
“começo de prova por escrito”; considera-se “começo de prova por escrito” o
documento emanado da parte contra quem se pretende produzir prova; deve
existir, então, prova escrita capaz de demonstrar a verossimilhança da
indicação da celebração do contrato, ou ainda do pagamento ou da remissão
da dívida (v. arts. 402, I, CPC/73 e 444 do CPC/2015).
A prova exclusivamente testemunhal é admitida, outrossim,
quando há impossibilidade material ou moral de obter prova escrita da
obrigação (v. arts. 402, II, CPC/73 e 445 do CPC/2015); como por exemplo,
nas obrigações em caso de parentesco, especialmente entre pais e filhos, e
165

quando referente a obrigações entre médicos e seus clientes (impossibilidade


moral).
Normalmente não se admite prova exclusivamente
testemunhal contra ou além do conteúdo do documento escrito; não se pode
desconstituir com simples prova testemunhal as convenções estabelecidas
entre as partes constantes de um instrumento.
Mas é possível recorrer a prova testemunhal para contrariar a
sinceridade das declarações documentadas e perquirir as causas e a origem da
escritura; qualquer que seja o valor do contrato, será sempre admissível à
parte inocente demonstrar a presença de simulação ou vícios do
consentimento mediante produção de prova exclusivamente testemunhal (v.
arts. 404 do CPC/73 e 446 do CPC/2015).
CPC/73 CPC/2015
Da Admissibilidade e do Valor da Prova Da Admissibilidade e do Valor da Prova
Testemunhal Testemunhal
Art. 400. A prova testemunhal é sempre Art. 442. A prova testemunhal é sempre
admissível, não dispondo a lei de modo diverso. admissível, não dispondo a lei de modo diverso.
O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas Art. 443. O juiz indeferirá a inquirição de
sobre fatos: testemunhas sobre fatos:
I - já provados por documento ou confissão da I – já provados por documento ou confissão da
parte; parte;
II - que só por documento ou por exame II – que só por documento ou por exame pericial
pericial puderem ser provados. puderem ser provados.
Art. 401. A prova exclusivamente testemunhal
só se admite nos contratos cujo valor não
exceda o décuplo do maior salário mínimo
vigente no país, ao tempo em que foram
celebrados.
Art. 402. Qualquer que seja o valor do Art. 444. Nos casos em que a lei exigir prova
contrato, é admissível a prova testemunhal, escrita da obrigação, é admissível a prova
quando: testemunhal, quando houver começo de prova
I - houver começo de prova por escrito, por escrito, emanado da parte contra a qual se
reputando-se tal o documento emanado da parte pretende produzir a prova.
contra quem se pretende utilizar o documento
como prova;
II - o credor não pode ou não podia, moral ou Art. 445. Também se admite a prova
materialmente, obter a prova escrita da testemunhal, quando o credor não pode ou não
obrigação, em casos como o de parentesco, podia, moral ou materialmente, obter a prova
depósito necessário ou hospedagem em hotel. escrita da obrigação, em casos como o de
parentesco, depósito necessário, hospedagem em
hotel ou em razão das práticas comerciais do
166

local onde contraída a obrigação.


Art. 403. As normas estabelecidas nos dois
artigos antecedentes aplicam-se ao pagamento e
à remissão da dívida.
Art. 404. É lícito à parte inocente provar com Art. 446. É lícito à parte provar com
testemunhas: testemunhas:
I - nos contratos simulados, a divergência entre I – nos contratos simulados, a divergência entre a
a vontade real e a vontade declarada; vontade real e a vontade declarada;
II - nos contratos em geral, os vícios do II – nos contratos em geral, os vícios de
consentimento. consentimento.

OBRIGAÇÃO DE TESTEMUNHAR EM JUÍZO


O dever de testemunhar está previsto no CPC, ficando
assentado que ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder
Judiciário para o descobrimento da verdade.
CPC/73 CPC/2015
Art. 339. Ninguém se exime do dever de Art. 378. Ninguém se exime do dever de
colaborar com o Poder Judiciário para o colaborar com o Poder Judiciário para o
descobrimento da verdade. descobrimento da verdade.
Art. 341. Compete ao terceiro, em relação a Art. 380. Incumbe ao terceiro, em relação a
qualquer pleito: qualquer causa:
I - informar ao juiz os fatos e as I – informar ao juiz os fatos e as
circunstâncias, de que tenha conhecimento; circunstâncias de que tenha conhecimento;
II - exibir coisa ou documento, que esteja em II – exibir coisa ou documento que esteja em seu
seu poder. poder.
Parágrafo único. Poderá o juiz, em caso de
descumprimento, determinar, além da imposição
de multa, outras medidas indutivas, coercitivas,
mandamentais ou sub-rogatórias.

Só é prova testemunhal a colhida em juízo com as garantias


que cercam o depoimento oral; deve então ser colhida em audiência, na
presença do juiz e das partes, sob compromisso legal.
A testemunha está sujeita a contradita e a reperguntas dos
advogados das partes.
OBS.: contradita significa arguição de impedimento,
suspeição ou incapacidade da testemunha.
Não se pode atribuir valor de prova testemunhal às declarações
escritas obtidas extrajudicialmente pela parte.
167

A testemunha deve ser capaz de depor e não estar impedida ou


ser suspeita.
O CPC define as pessoas incapazes, impedidas e suspeitas de
depor (v. arts. 405 do CPC/73 e 447 do CPC/2015).
Incapazes: pessoas que em razão de suas condições físicas,
psíquicas ou patológicas, ou ainda por motivos de ordem moral ou jurídica
não se acham em situação de depor (interdito por demência, menor de 16
anos, etc.).
Impedidas: são aquelas cujos interesses são harmônicos,
concorrentes ou colidentes com os interesses das partes (Ex. parentes
próximos das partes, o advogado da parte, etc.).
Suspeitas: pessoas sobre as quais pesa a suspeita de que irão
faltar com a verdade; incidem motivos depreciativos ou excludentes da
credibilidade da pessoa convocada a testemunhar (amizade íntima, inimizade,
condenação definitiva por crime de falso testemunho, etc.).
Sendo estritamente necessário o juiz poderá ouvir testemunhas
impedidas ou suspeitas; o cônjuge, companheiro e parentes próximos podem
ser ouvidos, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, se a prova de
fato relevante não puder ser obtida de outro modo; nesses casos, o
depoimento é prestado independentemente do compromisso de dizer a
verdade; o juiz dará ao depoimento o valor que possa merecer em confronto
com as demais provas obtidas e com as alegações da partes; os incapazes nem
sequer podem ser ouvidos como informantes do juízo, dada a presunção de
que estão física ou mentalmente impossibilitados de prestar depoimento; o
novo CPC ressalva que, sendo necessário, o juiz também pode admitir o
depoimento das testemunhas menores.
CPC/73 CPC/2015
Art. 405. Podem depor como testemunhas Art. 447. Podem depor como testemunhas todas
todas as pessoas, exceto as incapazes, as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou
impedidas ou suspeitas. suspeitas.
168

§ 1o São incapazes: § 1º São incapazes:


I - o interdito por demência; I – o interdito por enfermidade ou deficiência
mental;
II - o que, acometido por enfermidade, ou II – o que, acometido por enfermidade ou
debilidade mental, ao tempo em que ocorreram retardamento mental, ao tempo em que
os fatos, não podia discerni-los; ou, ao tempo ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou, ao
em que deve depor, não está habilitado a tempo em que deve depor, não está habilitado a
transmitir as percepções; transmitir as percepções;
III - o menor de 16 (dezesseis) anos; III – o que tiver menos de dezesseis anos;
IV - o cego e o surdo, quando a ciência do fato IV – o cego e o surdo, quando a ciência do fato
depender dos sentidos que lhes faltam. depender dos sentidos que lhes faltam.
o
§ 2 São impedidos: § 2º São impedidos:
I - o cônjuge, bem como o ascendente e o I – o cônjuge, o companheiro, bem como o
descendente em qualquer grau, ou colateral, até ascendente e o descendente em qualquer grau, ou
o terceiro grau, de alguma das partes, por o colateral, até o terceiro grau, de alguma das
consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo
o interesse público, ou, tratando-se de causa se o exigir o interesse público ou, tratando-se
relativa ao estado da pessoa, não se puder de causa relativa ao estado da pessoa, não se
obter de outro modo a prova, que o juiz puder obter de outro modo a prova que o juiz
repute necessária ao julgamento do mérito; repute necessária ao julgamento do mérito;
II - o que é parte na causa; II – o que é parte na causa;
III - o que intervém em nome de uma parte, III – o que intervém em nome de uma parte,
como o tutor na causa do menor, o como o tutor na causa do menor, o representante
representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e
advogado e outros, que assistam ou tenham outros que assistam ou tenham assistido as
assistido as partes. partes.
o
§ 3 São suspeitos: § 3º São suspeitos:
I - o condenado por crime de falso testemunho,
havendo transitado em julgado a sentença;
II - o que, por seus costumes, não for digno de
fé;
III - o inimigo capital da parte, ou o seu amigo I – o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo;
íntimo;
IV - o que tiver interesse no litígio. II – o que tiver interesse no litígio.
§ 4o Sendo estritamente necessário, o juiz § 4º Sendo necessário, pode o juiz admitir o
ouvirá testemunhas impedidas ou suspeitas; depoimento das testemunhas menores,
mas os seus depoimentos serão prestados impedidas ou suspeitas.
independentemente de compromisso (art. § 5º Os depoimentos referidos no § 4º serão
415) e o juiz lhes atribuirá o valor que prestados independentemente de
possam merecer. compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor
que possam merecer.

Obrigações da testemunha:
1) comparecer em juízo, desde que intimada para tanto; a
parte pode comprometer-se a levar a testemunha à audiência,
independentemente de intimação, presumindo-se, caso ela não compareça,
que desistiu de ouvi-la (v. arts. 412 do CPC/73 e 455, § 2º, do CPC/2015);
169

a testemunha pode ser conduzida coercitivamente se, intimada,


deixar de comparecer sem motivo justificado, respondendo ainda pelas
despesas do adiamento (v. arts. 412, caput, do CPC/73 e 455, § 5º, do
CPC/2015).
No CPC/73, a intimação da testemunha se dava pela via
judicial, utilizando-se usualmente o correio (carta sob registro e com entrega
em mão própria), quando ela tiver residência certa; militares e funcionários
públicos eram requisitados ao comandante da corporação ou ao chefe da
repartição, expedindo-se ofício para tanto;
No CPC/2015 temos importante inovação na disciplina da
intimação da testemunha para comparecer em juízo e depor; como regra, cabe
ao advogado da parte que arrolou a testemunha providenciar a sua intimação,
mediante carta com aviso de recebimento; cumpre ainda ao advogado juntar
aos autos, pelo menos 3 dias antes da audiência de instrução e julgamento,
cópia da correspondência de intimação e do comprovante de recebimento;
assim, a intimação pela via judicial torna-se exceção (tem lugar apenas:
quando o advogado não lograr êxito na intimação que empreendeu; diante de
situação de necessidade, devidamente demonstrada ao juiz; quando figurar no
rol servidor público ou militar; quando a testemunha for arrolada pelo
Ministério Público ou pela Defensoria Pública; a testemunha for autoridade
pública que deve ser inquirida em sua residência ou onde exerce a sua
função); observação importante: a inércia do advogado na realização da
intimação a que se refere o § 1º do art. 455 do CPC/2015 faz presumir que a
parte desistiu da inquirição da testemunha.

CPC/73 CPC/2015
Art. 455. Cabe ao advogado da parte informar
ou intimar a testemunha por ele arrolada do dia,
da hora e do local da audiência designada,
dispensando-se a intimação do juízo.
Art. 412.
§ 3o A intimação poderá ser feita pelo correio, § 1º A intimação deverá ser realizada por carta
170

sob registro ou com entrega em mão própria, com aviso de recebimento, cumprindo ao
quando a testemunha tiver residência certa. advogado juntar aos autos, com antecedência de
pelo menos três dias da data da audiência, cópia
da correspondência de intimação e do
comprovante de recebimento.
Art. 412.
§ 1o A parte pode comprometer-se a levar à § 2º A parte pode comprometer-se a levar à
audiência a testemunha, independentemente de audiência a testemunha, independentemente da
intimação; presumindo-se, caso não compareça, intimação de que trata o § 1º, presumindo-se,
que desistiu de ouvi-la. caso a testemunha não compareça, que a parte
desistiu de sua inquirição.
§ 3º A inércia na realização da intimação a que se
refere o § 1º importa desistência da inquirição da
testemunha.
§ 4º A intimação será feita pela via judicial
quando:
I – frustrada a intimação prevista no § 1º deste
artigo ou quando sua necessidade for
devidamente demonstrada pela parte ao juiz;
Art. 412. II – quando figurar no rol de testemunhas
§ 2o Quando figurar no rol de testemunhas servidor público ou militar, hipótese em que o
funcionário público ou militar, o juiz o juiz o requisitará ao chefe da repartição ou ao
requisitará ao chefe da repartição ou ao comando do corpo em que servir;
comando do corpo em que servir.
III – a testemunha houver sido arrolada pelo
Ministério Público ou pela Defensoria Pública;
IV – a testemunha for uma daquelas previstas no
art. 454.
Art. 412. A testemunha é intimada a § 5º A testemunha que, intimada na forma do §
comparecer à audiência, constando do mandado 1º ou do § 4º, deixar de comparecer sem motivo
dia, hora e local, bem como os nomes das justificado, será conduzida e responderá pelas
partes e a natureza da causa. Se a testemunha despesas do adiamento.
deixar de comparecer, sem motivo justificado,
será conduzida, respondendo pelas despesas do
adiamento.

2) obrigação de depor e de dizer a verdade:


- a testemunha só pode escusar-se de depor se presentes os
motivos previstos nos arts. 406 do CPC/73 e 448 do CPC/2015;
CPC/73 CPC/2015
Art. 406. A testemunha não é obrigada a depor Art. 448. A testemunha não é obrigada a depor
de fatos: sobre fatos:
I - que lhe acarretem grave dano, bem como ao I – que lhe acarretem grave dano, bem como ao
seu cônjuge e aos seus parentes consanguíneos seu cônjuge ou companheiro e aos seus parentes
ou afins, em linha reta, ou na colateral em consanguíneos ou afins, em linha reta ou na
segundo grau; colateral até o terceiro grau;
II - a cujo respeito, por estado ou profissão, II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva
171

deva guardar sigilo. guardar sigilo.

- a testemunha que falta com a verdade, se cala, recusa-se a


depor ou não responde as perguntas do juiz, incide no delito previsto no art.
342 do Código Penal.

Momentos da prova testemunhal


Proposição: a prova testemunhal é requerida na inicial e na
contestação.
No rito ordinário (CPC/73), no novo procedimento comum
(CPC/2015) e nos ritos especiais em geral, o rol de testemunhas não é
apresentado desde logo.
A parte protesta pela produção de prova testemunhal; essa
proposição deverá ser confirmada com o oferecimento oportuno do rol de
testemunhas.
No CPC/73, o rol de testemunhas deveria ser depositado em
cartório no prazo que o juiz fixasse quando da designação da data da
audiência de instrução e julgamento; omitindo-se o juiz, o rol deveria ser
apresentado até 10 dias antes da audiência (v. art. 407); na contagem deste
prazo de 10 dias antes da audiência, que era regressivo, observava-se a regra
do art. 184 do CPC/73; começava então a fluir regressivamente do primeiro
dia útil anterior ao da audiência; o dia da audiência era o “dies a quo”; não
poderia terminar, outrossim, em data em que não houvesse expediente
forense, prorrogando-se, então ao dia útil imediatamente anterior.
No procedimento comum disciplinado no novo CPC, o juiz,
ao determinar a produção de prova testemunhal, fixa prazo comum não
superior a 15 dias para que as partes apresentem o rol de testemunhas (v. art.
357, § 4º); normalmente a deliberação a respeito se dá na decisão de
saneamento e de organização do processo; todavia, caso o saneamento deva
172

ser feito em audiência especialmente designada pelo juiz para este fim, com
apoio no art. 357, § 3º, o rol deve ser apresentado nesse ato.
No juízo comum, a apresentação do rol é indispensável, ainda
que a parte se comprometa a levar as testemunhas à audiência
independentemente de intimação; tal apresentação presta-se a permitir que a
parte contrária possa conhecer previamente as testemunhas arroladas e
preparar a contradita, a ser oferecida na própria audiência em que se dará a
inquirição.
CPC/73 CPC/2015
Art. 407. Incumbe às partes, no prazo que o Art. 450. O rol de testemunhas conterá, sempre
juiz fixará ao designar a data da audiência, que possível, o nome, a profissão, o estado civil,
depositar em cartório o rol de testemunhas, a idade, o número de inscrição no Cadastro de
precisando-lhes o nome, profissão, residência e Pessoas Físicas, o número de registro de
o local de trabalho; omitindo-se o juiz, o rol identidade e o endereço completo da residência e
será apresentado até 10 (dez) dias antes da do local de trabalho.
audiência.
Parágrafo único. É lícito a cada parte oferecer,
no máximo, dez testemunhas; quando qualquer
das partes oferecer mais de três testemunhas
para a prova de cada fato, o juiz poderá
dispensar as restantes.

Depois de apresentado o rol, a parte só pode substituir a


testemunha nas hipóteses expressamente previstas no CPC (v. arts. 408 do
CPC/73 e 451 do CPC/2015):
Art. 408. Depois de apresentado o rol, de que Art. 451. Depois de apresentado o rol de que
trata o artigo antecedente, a parte só pode tratam os §§ 4º e 5º do art. 357, a parte só pode
substituir a testemunha: substituir a testemunha:
I - que falecer; I – que falecer;
II - que, por enfermidade, não estiver em II – que, por enfermidade, não estiver em
condições de depor; condições de depor;
III - que, tendo mudado de residência, não for III – que, tendo mudado de residência ou de
encontrada pelo oficial de justiça. local de trabalho, não for encontrada.

No rito sumário, abolido no CPC/2015, o rol de testemunhas


deveria ser apresentado com a inicial e com a contestação (v. arts. 276 e 278
do CPC/73).
173

ADMISSÃO DA PROVA TESTEMUNHAL


No processo de conhecimento a admissão da prova
testemunhal se dá normalmente quando do saneamento do feito (decisão
saneadora).

Produção
O depoimento da testemunha é prestado, em princípio, na
audiência de instrução e julgamento, perante o juiz da causa.
As testemunhas são inquiridas após os esclarecimentos orais
dos peritos e dos depoimentos das partes (v. arts. 452 do CPC/73 e 361 do
CPC/2015).
Art. 452. As provas serão produzidas na Art. 361. As provas orais serão produzidas em
audiência nesta ordem: audiência, ouvindo-se nesta ordem
preferencialmente:
I - o perito e os assistentes técnicos responderão I – o perito e os assistentes técnicos responderão
aos quesitos de esclarecimentos, requeridos no aos quesitos de esclarecimentos requeridos no
prazo e na forma do art. 435; prazo e na forma do art. 477, caso não
respondidos anteriormente por escrito;
II - o juiz tomará os depoimentos pessoais, II – o autor e, em seguida, o réu, que prestarão
primeiro do autor e depois do réu; depoimentos pessoais;
III - finalmente, serão inquiridas as testemunhas III – as testemunhas arroladas pelo autor e pelo
arroladas pelo autor e pelo réu. réu, que serão inquiridas.

Essa regra comporta exceções:


- admite-se a produção antecipada de prova testemunhal (arts.
846 e 847 CPC/73 e 381 a 383 do CPC/2015);
- produção de prova de fora da terra (mediante expedição de
carta precatória ou rogatória); há coleta da prova por outro órgão
jurisdicional; testemunha residente em comarca diversa não está obrigada a se
deslocar até a sede do juízo no qual tramita o feito; o novo CPC prevê a
utilização de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão e
recepção de sons e imagens em tempo real;
174

- as autoridades relacionadas nos arts. 411 do CPC/73 e 454 do


CPC/2015 podem ser ouvidas em sua residência ou onde exercem suas
funções;
- pessoas enfermas, com idade avançada ou defeito físico
podem ser inquiridas no lugar onde se encontram (arts. 336, parágrafo único,
do CPC/73 e 449, parágrafo único, do CPC/2015).

CPC/73 CPC/2015
Art. 336. Salvo disposição especial em Art. 449. Salvo disposição especial em
contrário, as provas devem ser produzidas em contrário, as testemunhas devem ser ouvidas na
audiência. sede do juízo.
Parágrafo único. Quando a parte, ou a Parágrafo único. Quando a parte ou a
testemunha, por enfermidade, ou por outro testemunha, por enfermidade ou por outro
motivo relevante, estiver impossibilitada de motivo relevante, estiver impossibilitada de
comparecer à audiência, mas não de prestar comparecer, mas não de prestar depoimento, o
depoimento, o juiz designará, conforme as juiz designará, conforme as circunstâncias, dia,
circunstâncias, dia, hora e lugar para inquiri-la. hora e lugar para inquiri-la.

Art. 410. As testemunhas depõem, na audiência Art. 453. As testemunhas depõem, na audiência
de instrução, perante o juiz da causa, exceto: de instrução e julgamento, perante o juiz da
causa, exceto:
I - as que prestam depoimento I – as que prestam depoimento antecipadamente;
antecipadamente;
II - as que são inquiridas por carta; II – as que são inquiridas por carta.
III - as que, por doença, ou outro motivo
relevante, estão impossibilitadas de comparecer
em juízo (art. 336, parágrafo único);
IV - as designadas no artigo seguinte.
§ 1º A oitiva de testemunha que residir em
comarca, seção ou subseção judiciárias
diversa daquela onde tramita o processo
poderá ser realizada por meio de
videoconferência ou outro recurso tecnológico
de transmissão de sons e imagens em tempo
real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante
a audiência de instrução e julgamento.
§2º Os juízos deverão manter equipamento para
a transmissão e recepção dos sons e imagens a
que se refere o § 1º.
Art. 411. São inquiridos em sua residência, ou Art. 454. São inquiridos em sua residência ou
onde exercem a sua função: onde exercem sua função:
I - o Presidente e o Vice-Presidente da I – o presidente e o vice-presidente da
República; República;
II - o presidente do Senado e o da Câmara dos
175

Deputados;
III - os ministros de Estado; II – os ministros de Estado;
IV - os ministros do Supremo Tribunal Federal, III – os ministros do Supremo Tribunal Federal,
do Superior Tribunal de Justiça, do Superior os conselheiros do Conselho Nacional de Justiça,
Tribunal Militar, do Tribunal Superior Eleitoral,os ministros do Superior Tribunal de Justiça, do
do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Tribunal Militar, do Tribunal Superior
de Contas da União; Eleitoral, do Tribunal Superior do Trabalho e do
Tribunal de Contas da União;
V - o procurador-geral da República; IV – o procurador-geral da República e os
conselheiros do Conselho Nacional do
Ministério Público;
V – o advogado-geral da União, o procurador-
geral do Estado, o procurador-geral do
Município, o defensor público-geral federal e o
defensor público-geral do Estado;
Vl - os senadores e deputados federais; VI – os senadores e os deputados federais;
Vll - os governadores dos Estados, dos VII – os governadores dos Estados e do Distrito
Territórios e do Distrito Federal; Federal;
VIII – o prefeito;
Vlll - os deputados estaduais; IX – os deputados estaduais e distritais;
IX - os desembargadores dos Tribunais de X – os desembargadores dos Tribunais de
Justiça, os juízes dos Tribunais de Alçada, os Justiça, Tribunais Regionais Federais, dos
juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais
dos Tribunais Regionais Eleitorais e os Regionais Eleitorais e os conselheiros dos
conselheiros dos Tribunais de Contas dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito
Estados e do Distrito Federal; Federal;
XI – o procurador-geral de justiça;
X - o embaixador de país que, por lei ou XII – o embaixador de país que, por lei ou
tratado, concede idêntica prerrogativa ao agente tratado, concede idêntica prerrogativa a agente
diplomático do Brasil. diplomático do Brasil.
Parágrafo único. O juiz solicitará à autoridade § 1º O juiz solicitará à autoridade que indique
que designe dia, hora e local a fim de ser dia, hora e local a fim de ser inquirida,
inquirida, remetendo-lhe cópia da petição remetendo-lhe cópia da petição inicial ou da
inicial ou da defesa oferecida pela parte, que defesa oferecida pela parte que a arrolou
arrolou como testemunha. como testemunha.
§ 2º Passado um mês sem manifestação da
autoridade, o juiz designará dia, hora e local
para o depoimento, preferencialmente na sede
do juízo.
§ 3º O juiz também designará dia, hora e local
para o depoimento, quando a autoridade não
comparecer, injustificadamente, à sessão
agendada para a colheita do seu testemunho,
nos dia, hora e local por ela mesma indicados.

Número máximo de testemunhas a serem arroladas no Juízo


Comum:
CPC/73 CPC/2015
176

Art. 407. Incumbe às partes, no prazo que o Art. 357. (cuida da decisão de saneamento e de
juiz fixará ao designar a data da audiência, organização do processo).
depositar em cartório o rol de testemunhas,
precisando-lhes o nome, profissão, residência e
o local de trabalho; omitindo-se o juiz, o rol
será apresentado até 10 (dez) dias antes da
audiência.
Parágrafo único. É lícito a cada parte § 6º O número de testemunhas arroladas não
oferecer, no máximo, dez testemunhas; pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no
quando qualquer das partes oferecer mais de máximo, para a prova de cada fato.
três testemunhas para a prova de cada fato, § 7º O juiz poderá limitar o número de
o juiz poderá dispensar as restantes. testemunhas levando em conta a
complexidade da causa e dos fatos
individualmente considerados.
No JEC podem ser apresentadas três testemunhas pela parte
na audiência de instrução e julgamento, não se exigindo o depósito prévio do
rol na Secretaria, salvo se a parte pretender a intimação das testemunhas.
Contradita: consiste na arguição de impedimento, suspeição
ou incapacidade da testemunha (v. arts. 414, § 1º, do CPC/73 e 457, §§ 1º e
2º, do CPC/2015).
A parte pode contraditar a testemunha do adversário, arguindo
a incapacidade, o impedimento ou a suspeição; a contradita deve ser
apresentada logo após a qualificação da testemunha na audiência em que irá
depor; o juiz deve então indagar à testemunha se são verdadeiros os fatos que
lhe são imputados; se esta negar a veracidade desses fatos, o advogado poderá
provar a contradita com documentos ou com testemunhas, até três,
apresentadas no ato e inquiridas em separado; sendo provados ou confessados
os fatos, o juiz dispensará a testemunha ou lhe tomará o depoimento como
informante, ou seja, independentemente do compromisso de dizer a verdade; a
testemunha, por sua vez, pode requerer ao juiz que a escuse de depor,
alegando os motivos previstos no próprio CPC.
CPC/73 CPC/2015
Art. 414. Antes de depor, a testemunha será Art. 457. Antes de depor, a testemunha será
qualificada, declarando o nome por inteiro, a qualificada, declarará ou confirmará seus dados e
profissão, a residência e o estado civil, bem informará se tem relações de parentesco com a
como se tem relações de parentesco com a parte ou interesse no objeto do processo.
parte, ou interesse no objeto do processo.
§ 1o É lícito à parte contraditar a testemunha, § 1º É lícito à parte contraditar a testemunha,
177

arguindo-lhe a incapacidade, o impedimento ou arguindo-lhe a incapacidade, o impedimento ou a


a suspeição. Se a testemunha negar os fatos que suspeição, bem como, caso a testemunha negue
lhe são imputados, a parte poderá provar a os fatos que lhe são imputados, provar a
contradita com documentos ou com contradita com documentos ou com testemunhas,
testemunhas, até três, apresentada no ato e até três, apresentadas no ato e inquiridas em
inquiridas em separado. Sendo provados ou separado.
confessados os fatos, o juiz dispensará a § 2º Sendo provados ou confessados os fatos a
testemunha, ou lhe tomará o depoimento, que se refere o § 1º, o juiz dispensará a
observando o disposto no art. 405, § 4o. testemunha ou lhe tomará o depoimento como
informante.
§ 2o A testemunha pode requerer ao juiz que a § 3º A testemunha pode requerer ao juiz que a
escuse de depor, alegando os motivos de que escuse de depor, alegando os motivos previstos
trata o art. 406; ouvidas as partes, o juiz neste Código, decidindo o juiz de plano, após
decidirá de plano. ouvidas as partes.
Na disciplina do CPC/73, cabia exclusivamente ao juiz a
função de inquirir a testemunha; os advogados das partes podiam dirigir
outras perguntas, por intermédio do juiz, objetivando completar ou esclarecer
o depoimento prestado (v. art. 416 do CPC/73); as reperguntas podiam ser
formuladas primeiro pelo advogado da parte que a arrolou e depois pelo
advogado da parte contrária; o juiz podia indeferir perguntas impertinentes; as
perguntas que o juiz indeferisse eram transcritas no termo, se a parte o
requeresse (v. art. 416, §§ 1º e 2º, do CPC/73).
No novo CPC, há previsão para que as partes formulem
perguntas diretamente à testemunha, começando pela que a arrolou; o juiz,
todavia, não admitirá perguntas que possam induzir a resposta, que não
tenham relação com as questões de fato perquiridas ou importarem repetição
de outra já respondida; e o juiz poderá inquirir a testemunha tanto antes
quanto depois da inquirição feita pelas partes; há também disposição no
sentido de que o depoimento poderá ser documentado por meio de gravação
(v. arts. 459 e 460 do CPC/2015).
OBS.: o juiz pode, de ofício ou a requerimento das partes,
determinar a inquirição de testemunhas referidas nas declarações da parte ou
das testemunhas, bem como a realização de acareação (v. arts. 418 do CPC/73
e 461 do CPC/2015); a acareação consiste em promover confronto pessoal das
178

pessoas que prestaram depoimentos conflitantes; é cabível entre testemunhas


e entre as partes e testemunhas; não é cabível acareação entre as partes.
O depoimento prestado em juízo é considerado serviço
público; a testemunha sujeita ao regime trabalhista não pode sofrer, por
comparecer à audiência, perda de salário ou desconto do tempo de serviço (v.
arts. 419, parágrafo único, do CPC/73 e 463 do CPC/2015).
CPC/73 CPC/2015
Art. 415. Ao início da inquirição, a testemunha Art. 458. Ao início da inquirição, a testemunha
prestará o compromisso de dizer a verdade do prestará o compromisso de dizer a verdade do
que souber e lhe for perguntado. que souber e lhe for perguntado.
Parágrafo único. O juiz advertirá à testemunha Parágrafo único. O juiz advertirá à testemunha
que incorre em sanção penal quem faz a que incorre em sanção penal quem faz afirmação
afirmação falsa, cala ou oculta a verdade. falsa, cala ou oculta a verdade.
Art. 416. O juiz interrogará a testemunha sobre Art. 459. As perguntas serão formuladas pelas
os fatos articulados, cabendo, primeiro à parte, partes diretamente à testemunha, começando
que a arrolou, e depois à parte contrária, pela que a arrolou, não admitindo o juiz aquelas
formular perguntas tendentes a esclarecer ou que puderem induzir a resposta, não tiverem
completar o depoimento. relação com as questões de fato objeto da
atividade probatória ou importarem repetição de
outra já respondida.
§ 1º O juiz poderá inquirir a testemunha tanto
antes quanto depois da inquirição feita pelas
partes.
§ 1o As partes devem tratar as testemunhas com § 2º As testemunhas devem ser tratadas com
urbanidade, não Ihes fazendo perguntas ou urbanidade, não se lhes fazendo perguntas ou
considerações impertinentes, capciosas ou considerações impertinentes, capciosas ou
vexatórias. vexatórias.
§ 2o As perguntas que o juiz indeferir serão § 3º As perguntas que o juiz indeferir serão
obrigatoriamente transcritas no termo, se a transcritas no termo, se a parte o requerer.
parte o requerer.
Art. 417. O depoimento, datilografado ou Art. 460. O depoimento poderá ser documentado
registrado por taquigrafia, estenotipia ou outro por meio de gravação.
método idôneo de documentação, será assinado § 1º. Quando digitado ou registrado por
pelo juiz, pelo depoente e pelos procuradores, taquigrafia, estenotipia ou outro método idôneo
facultando-se às partes a sua gravação. de documentação, o depoimento será assinado
pelo juiz, pelo depoente e pelos procuradores.
§ 1o O depoimento será passado para a versão § 2º Se houver recurso em processo em autos
datilográfica quando houver recurso da não eletrônicos, o depoimento somente será
sentença ou noutros casos, quando o juiz o digitado quando for impossível o envio de sua
determinar, de ofício ou a requerimento da documentação eletrônica.
parte.
§ 2o Tratando-se de processo eletrônico, § 3º Tratando-se de autos eletrônicos, observar-
observar-se-á o disposto nos §§ 2 o e 3o do art. se-á o disposto neste Código e na legislação
169 desta Lei. específica sobre a prática eletrônica de atos
processuais.
Art. 418. O juiz pode ordenar, de ofício ou a Art. 461. O juiz pode ordenar, de ofício ou a
179

requerimento da parte: requerimento da parte:


I - a inquirição de testemunhas referidas nas I – a inquirição de testemunhas referidas nas
declarações da parte ou das testemunhas; declarações da parte ou das testemunhas;
II - a acareação de duas ou mais testemunhas ou II – a acareação de duas ou mais testemunhas ou
de alguma delas com a parte, quando, sobre de alguma delas com a parte, quando, sobre fato
fato determinado, que possa influir na decisão determinado que possa influir na decisão da
da causa, divergirem as suas declarações. causa, divergirem as suas declarações.
§1º Os acareados serão reperguntados para que
expliquem os pontos de divergência, reduzindo-
se a termo o ato de acareação.
§2º A acareação pode ser realizada por
videoconferência ou outro recurso tecnológico
de transmissão de sons e imagens em tempo
real.
Art. 419. A testemunha pode requerer ao juiz o Art. 462. A testemunha pode requerer ao juiz o
pagamento da despesa que efetuou para pagamento da despesa que efetuou para
comparecimento à audiência, devendo a parte comparecimento à audiência, devendo a parte
pagá-la logo que arbitrada, ou depositá-la em pagá-la logo que arbitrada ou depositá-la em
cartório dentro de 3 (três) dias. cartório dentro de três dias.
Parágrafo único. O depoimento prestado em Art. 463. O depoimento prestado em juízo é
juízo é considerado serviço público. A considerado serviço público.
testemunha, quando sujeita ao regime da Parágrafo único. A testemunha, quando sujeita
legislação trabalhista, não sofre, por ao regime da legislação trabalhista, não sofre,
comparecer à audiência, perda de salário nem por comparecer à audiência, perda de salário
desconto no tempo de serviço. nem desconto no tempo de serviço.

Prova pericial (arts. 420 a 439 do CPC/73 e 464 a 480 do


CPC/2015)
O processo de verificação dos fatos por perito recebe a
denominação de perícia.
A perícia deve ser deferida quando a perquirição do fato
depender de conhecimento técnico especial; consiste então em meio de prova
pelo qual, no processo, pessoas entendidas verificam fatos interessantes à
causa, transmitindo ao juiz as suas conclusões.
O perito é considerado auxiliar da justiça, pois colabora na
formação do material probatório (v. arts. 145 a 147 do CPC/73 e 156 a 158 do
CPC/2015).
Do Perito Do Perito
Art. 145. Quando a prova do fato depender de Art. 156. O juiz será assistido por perito quando
conhecimento técnico ou científico, o juiz será a prova do fato depender de conhecimento
assistido por perito, segundo o disposto no art. técnico ou científico.
421.
180

§ 1o Os peritos serão escolhidos entre § 1º Os peritos serão nomeados entre os


profissionais de nível universitário, profissionais legalmente habilitados e os
devidamente inscritos no órgão de classe órgãos técnicos ou científicos devidamente
competente, respeitado o disposto no Capítulo inscritos em cadastro mantido pelo tribunal
VI, seção VII, deste Código. ao qual o juiz está vinculado.
§ 2º Para formação do cadastro, os tribunais
devem realizar consulta pública, por meio de
divulgação na rede mundial de computadores
ou em jornais de grande circulação, além de
consulta direta a universidades, a conselhos
de classe, ao Ministério Público, à Defensoria
Pública e à Ordem dos Advogados do Brasil,
para a indicação de profissionais ou órgãos
técnicos interessados.
§ 2o Os peritos comprovarão sua especialidade
na matéria sobre que deverão opinar, mediante
certidão do órgão profissional em que
estiverem inscritos.
§ 3º Os tribunais realizarão avaliações e
reavaliações periódicas para manutenção do
cadastro, considerando a formação
profissional, a atualização do conhecimento e
a experiência dos peritos interessados.
§ 4º Para verificação de eventual impedimento
ou motivo de suspeição, nos termos dos arts. 148
e 467, o órgão técnico ou científico nomeado
para realização da perícia informará ao juiz os
nomes e dados de qualificação dos profissionais
que participarão da atividade.
§ 3o Nas localidades onde não houver § 5º Na localidade onde não houver inscrito
profissionais qualificados que preencham os no cadastro disponibilizado pelo tribunal, a
requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação nomeação do perito é de livre escolha pelo
dos peritos será de livre escolha do juiz. juiz e deverá recair sobre profissional ou
órgão técnico ou científico comprovadamente
detentor do conhecimento necessário à
realização da perícia.
Art. 146. O perito tem o dever de cumprir o Art. 157. O perito tem o dever de cumprir o
ofício, no prazo que lhe assina a lei, ofício no prazo que lhe designar o juiz,
empregando toda a sua diligência; pode, empregando toda sua diligência, podendo
todavia, escusar-se do encargo alegando motivo escusar-se do encargo alegando motivo legítimo.
legítimo.
Parágrafo único. A escusa será apresentada § 1º A escusa será apresentada no prazo de
dentro de 5 (cinco) dias, contados da intimação quinze dias, contado da intimação, da suspeição
ou do impedimento superveniente, sob pena de ou do impedimento supervenientes, sob pena de
se reputar renunciado o direito a alegá-la (art. renúncia ao direito a alegá-la.
423).
§ 2º Será organizada lista de peritos na vara
ou na secretaria, com disponibilização dos
documentos exigidos para habilitação à
consulta de interessados, para que a
nomeação seja distribuída de modo
equitativo, observadas a capacidade técnica e
a área de conhecimento.
181

Art. 147. O perito que, por dolo ou culpa, Art. 158. O perito que, por dolo ou culpa, prestar
prestar informações inverídicas, responderá informações inverídicas responderá pelos
pelos prejuízos que causar à parte, ficará prejuízos que causar à parte e ficará inabilitado
inabilitado, por 2 (dois) anos, a funcionar em para atuar em outras perícias no prazo de dois a
outras perícias e incorrerá na sanção que a lei cinco anos, independentemente das demais
penal estabelecer. sanções previstas em lei, devendo o juiz
comunicar o fato ao respectivo órgão de classe
para adoção das medidas que entender cabíveis.

No sistema do CPC, ao lado do perito, foi instituída a figura do


assistente técnico da parte. Este representa perito indicado pelo litigante, para
acompanhar devidamente os trabalhos periciais.
Toda pessoa capaz para os atos da vida civil pode ser perito;
além da capacidade jurídica, o perito deve ter capacidade técnica, ou seja,
deve ter conhecimentos suficientes para exercer a função pericial.
Ao perito também se aplicam os motivos de impedimento e
suspeição previstos nos artigos 134 e 135 do CPC/73 e 144 e 145 do
CPC/2015.
Já o assistente técnico da parte não pode ser recusado por tais
motivos.
OBS.: o novo CPC preconiza a formação, pelo tribunal ao
qual o juiz está vinculado, de cadastro de peritos e de órgãos técnicos ou
científicos interessados na nomeação para a realização de exames
periciais; ressalva que, na localidade onde não houver inscrito no
cadastro disponibilizado pelo tribunal, a nomeação do perito é de livre
escolha pelo juiz.

Deveres do perito:
- aceitar o encargo, podendo escusar-se apenas se alegar justo
motivo (v. arts. 146 do CPC/73 e 157 do CPC/2015);
- respeitar os prazos (v. também arts. supra citados); pode ser
substituído se deixar de cumprir o encargo no prazo assinalado (v. arts. 424 do
CPC/73 e 468 do CPC/2015); além disso, o juiz deverá comunicar o ocorrido
182

à corporação profissional competente, podendo ainda impor multa conforme o


valor da causa e o prejuízo ocasionado ao andamento do feito; de acordo com
o novo CPC, o perito substituído restituirá, no prazo de 15 dias, os valores
recebidos pelo trabalho não realizado, sob pena de ficar impedido de atuar
como perito judicial pelo prazo de 5 anos;
- comparecer à audiência quando convocado com a
antecedência mínima prevista no CPC (v. arts. 435, parágrafo único, do
CPC/73 e §§ 3º e 4º do art. 477 do CPC/2015);
- dever de lealdade (v. arts. 147 do CPC/73 e 158 do
CPC/2015): incide no crime de falsidade se prestar informações inverídicas,
podendo ainda responder pelos prejuízos causados à parte e ficar inabilitado
para funcionar em outras perícias.

Direitos dos peritos


- escusar-se do encargo, alegando motivo legítimo
(inabilitação técnica, ocupação com outros trabalhos, etc.) (v. arts. 423 do
CPC/73 e 467 do CPC/2015);
- pedir prorrogação de prazo (v. arts. 432 do CPC/73 e 476 do
CPC/2015);
- recorrer às fontes de informação pertinentes (v. arts. 429 do
CPC/73 e § 3º do art. 473 do CPC/2015);
- indenização pelas despesas suportadas com o exercício do
encargo e honorários fixados pelo juiz (v. arts. 33 do CPC/73, que cuida da
antecipação e pagamento, e 95 do CPC/2015).
CPC/73 CPC/2015
Art. 422. O perito cumprirá escrupulosamente Art. 466. O perito cumprirá escrupulosamente o
o encargo que lhe foi cometido, encargo que lhe foi cometido,
independentemente de termo de compromisso. independentemente de termo de compromisso.
Os assistentes técnicos são de confiança da § 1º Os assistentes técnicos são de confiança da
parte, não sujeitos a impedimento ou suspeição. parte e não estão sujeitos a impedimento ou
suspeição.
§ 2º O perito deve assegurar aos assistentes das
183

partes o acesso e o acompanhamento das


diligências e dos exames que realizar, com
prévia comunicação, comprovada nos autos, com
antecedência mínima de cinco dias.
Art. 423. O perito pode escusar-se (art. 146), Art. 467. O perito pode escusar-se ou ser
ou ser recusado por impedimento ou suspeição recusado por impedimento ou suspeição.
(art. 138, III); ao aceitar a escusa ou julgar Parágrafo único. O juiz, ao aceitar a escusa ou ao
procedente a impugnação, o juiz nomeará novo julgar procedente a impugnação, nomeará novo
perito. perito.
Art. 424. O perito pode ser substituído quando: Art. 468. O perito pode ser substituído quando:
I - carecer de conhecimento técnico ou I – faltar-lhe conhecimento técnico ou científico;
científico;
II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o II – sem motivo legítimo, deixar de cumprir o
encargo no prazo que lhe foi assinado. encargo no prazo que lhe foi assinado.
Parágrafo único. No caso previsto no inciso II, § 1º No caso previsto no inciso II, o juiz
o juiz comunicará a ocorrência à corporação comunicará a ocorrência à corporação
profissional respectiva, podendo, ainda, impor profissional respectiva, podendo, ainda, impor
multa ao perito, fixada tendo em vista o valor multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da
da causa e o possível prejuízo decorrente do causa e o possível prejuízo decorrente do atraso
atraso no processo. no processo.
§ 2º O perito substituído restituirá, no prazo
de quinze dias, os valores recebidos pelo
trabalho não realizado, sob pena de ficar
impedido de atuar como perito judicial pelo
prazo de cinco anos.
§ 3º Não ocorrendo a restituição voluntária de
que trata o § 2º, a parte que tiver realizado o
adiantamento dos honorários poderá
promover execução contra o perito, na forma
dos arts. 513 e seguintes deste Código, com
fundamento na decisão que determinar a
devolução do numerário.

Art. 435. A parte, que desejar esclarecimento Art. 477.


do perito e do assistente técnico, requererá ao § 3º Se ainda houver necessidade de
juiz que mande intimá-lo a comparecer à esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que
audiência, formulando desde logo as perguntas, mande intimar o perito ou o assistente técnico a
sob forma de quesitos. comparecer à audiência de instrução e
julgamento, formulando, desde logo, as
perguntas, sob forma de quesitos.
Parágrafo único. O perito e o assistente técnico Art. 477.
só estarão obrigados a prestar os § 4º O perito ou o assistente técnico será
esclarecimentos a que se refere este artigo, intimado por meio eletrônico, com pelo menos
quando intimados 5 (cinco) dias antes da dez dias de antecedência da audiência.
audiência.

Art. 33. Cada parte pagará a remuneração do Art. 95. Cada parte adiantará a remuneração do
assistente técnico que houver indicado; a do assistente técnico que houver indicado, sendo a
perito será paga pela parte que houver do perito adiantada pela parte que houver
requerido o exame, ou pelo autor, quando requerido a perícia ou rateada quando a perícia
requerido por ambas as partes ou determinado for determinada de ofício ou requerida por
184

de ofício pelo juiz. ambas as partes.


Parágrafo único. O juiz poderá determinar que § 1º O juiz poderá determinar que a parte
a parte responsável pelo pagamento dos responsável pelo pagamento dos honorários do
honorários do perito deposite em juízo o valor perito deposite em juízo o valor correspondente.
correspondente a essa remuneração. O § 2º A quantia recolhida em depósito bancário à
numerário, recolhido em depósito bancário à ordem do juízo será corrigida monetariamente e
ordem do juízo e com correção monetária, será paga de acordo com o art. 465, § 4º.
entregue ao perito após a apresentação do
laudo, facultada a sua liberação parcial, quando
necessária.
§ 3º Quando o pagamento da perícia for de
responsabilidade de beneficiário de gratuidade
da justiça, ela poderá ser:
I - custeada com recursos alocados no orçamento
do ente público e realizada por servidor do Poder
Judiciário ou por órgão público conveniado;
II - paga com recursos alocados no orçamento da
União, do Estado ou do Distrito Federal, no caso
de ser realizada por particular, hipótese em que o
valor será fixado conforme tabela do tribunal
respectivo ou, em caso de sua omissão, do
Conselho Nacional de Justiça;
§ 4º Na hipótese do § 3º, o juiz, após o trânsito
em julgado da decisão final, oficiará a Fazenda
Pública para que promova, contra quem tiver
sido condenado ao pagamento das despesas
processuais, a execução dos valores gastos com a
perícia particular ou com a utilização de servidor
público ou da estrutura de órgão público,
observando-se, caso o responsável pelo
pagamento das despesas seja beneficiário de
gratuidade da justiça, o disposto no art. 98, § 2º.
§ 5º Para fins de aplicação do § 3º, é vedada a
utilização de recursos do fundo de custeio da
Defensoria Pública.

Espécies de perícia
A prova pericial pode consistir em exame, vistoria ou
avaliação (v. arts. 420 do CPC/73 e 464 do CPC/2015).
Exame pericial, em sentido estrito, corresponde à inspeção, por
meio de perito, de pessoas, coisas móveis e semoventes, para a verificação de
fatos e circunstâncias que interessam à causa.
Vistoria: inspeção realizada sobre bens imóveis.
185

Avaliação: exame destinado a estimação do valor, em moeda,


de coisas, direitos e obrigações; corresponde a estimação do justo preço de
alguma coisa ou de algum direito.

Admissibilidade da perícia
Só é admissível a perícia quando da prova do fato depender de
conhecimento técnico ou científico.
O juiz deve indeferir a perícia quando:
- a prova do fato não depender do concurso de técnico;
- for desnecessária em vista de outras provas produzidas;
- a verificação for impraticável (o fato é de natureza transitória
e não pode mais ser constatado);
Rege a matéria o princípio da utilidade da prova; para que se
admita a perícia é indispensável que o fato exista ou tenha existido, de modo
que possa ser examinado direta ou indiretamente; se o fato for de natureza
transitória e não puder mais ser examinado, porque não deixou vestígios, a
perícia é impraticável, devendo ser indeferida; muitas vezes, no entanto, se o
fato estiver fixado no processo por meio idôneo (testemunhas ou
documentos), sobre ele poderão incidir as observações do técnico,
procedendo-se à chamada perícia indireta (v. perícias médicas indiretas
realizadas em prontuários, exames de imagem, fotografias, etc.).
Exemplo de perícia indireta: uma mulher se submeteu à
cirurgia estética, colocando próteses de silicone; diante do insucesso do
procedimento, realizou nova cirurgia, que corrigiu as sequelas originadas da
primeira intervenção; após, moveu ação de indenização contra o médico que
realizou a primeira cirurgia, socorrendo-se da perícia indireta para demonstrar
os danos que suportou; o perito nomeado, para constatar eventual erro
médico, examinou os prontuários, exames de imagem, fotografias etc.,
produzindo laudo.
186

Proposição da perícia
Normalmente é feita pela parte (autor propõe a realização da
perícia na petição inicial e o réu na contestação).
No rito sumário, abolido no CPC/2015, deveriam as partes
indicar desde logo seus assistentes técnicos e formular quesitos (autor na
petição inicial e réu na contestação).

ADMISSÃO
Rito ordinário e novo procedimento comum do CPC/2015: na
decisão saneadora o juiz admitirá ou não a perícia.
Rito sumário: deliberação se dava na audiência prévia de
conciliação.

PRODUÇÃO
Normalmente a perícia é realizada na fase instrutória da ação
de conhecimento; pode, no entanto, ser produzida antecipadamente (v. arts.
849 do CPC/73 e 381 a 383 do CPC/2015).

PROCEDIMENTO DA PROVA PERICIAL


Nomeação do perito:
- rito ordinário e novo procedimento comum: normalmente na
decisão saneadora (v. arts. 331, § 2º, do CPC/73 e 357, § 8º, do CPC/2015);
- rito sumário: normalmente na audiência prévia do artigo 277
do CPC/73.
As partes podem indicar assistentes técnicos e formular
quesitos.
No rito ordinário, do CPC/73, observava-se o disposto no
artigo 421, § 1º (cinco dias após a intimação do despacho que nomear o
187

perito); no rito sumário, observava-se o disposto nos artigos 276 e 278 do


CPC/73; no procedimento comum do novo CPC, as partes devem indicar
assistente técnico e apresentar quesitos dentro de 15 dias, também contados
da intimação do despacho de nomeação do perito.
O perito pode ser recusado pelas partes quando impedido ou
suspeito e pode ser substituído pelo juiz após a nomeação, conforme
dispositivos do CPC já transcritos linhas atrás.

CPC/73 CPC/2015
Art. 421. O juiz nomeará o perito, fixando de Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no
imediato o prazo para a entrega do laudo. objeto da perícia e fixará de imediato o prazo
para a entrega do laudo.
§ 1o Incumbe às partes, dentro em 5 (cinco) § 1º Incumbe às partes, dentro de quinze dias
dias, contados da intimação do despacho de contados da intimação do despacho de nomeação
nomeação do perito: do perito:
I – arguir o impedimento ou a suspeição do
perito, se for o caso;
I - indicar o assistente técnico; II – indicar o assistente técnico;
II - apresentar quesitos. III – apresentar quesitos.
§ 2o Quando a natureza do fato o permitir, a
perícia poderá consistir apenas na inquirição
pelo juiz do perito e dos assistentes, por ocasião
da audiência de instrução e julgamento a
respeito das coisas que houverem
informalmente examinado ou avaliado.
§ 2º Ciente da nomeação, o perito apresentará
em cinco dias:
I – proposta de honorários;
II – currículo, com comprovação de
especialização;
III – contatos profissionais, em especial o
endereço eletrônico, para onde serão dirigidas
as intimações pessoais.
§ 3º As partes serão intimadas da proposta de
honorários, para, querendo, manifestar-se no
prazo comum de cinco dias, após o que, o juiz
arbitrará o valor, intimando-se as partes para
os fins do art. 95.
§ 4º O juiz poderá autorizar o pagamento de
até cinquenta por cento dos honorários
arbitrados a favor do perito no início dos
trabalhos, devendo o remanescente ser pago
apenas ao final, depois de entregue o laudo e
prestados todos os esclarecimentos
188

necessários.
§ 5º Quando a perícia for inconclusiva ou
deficiente, o juiz poderá reduzir a
remuneração inicialmente arbitrada para o
trabalho.
Art. 428. Quando a prova tiver de realizar-se § 6º Quando tiver de realizar-se por carta,
por carta, poderá proceder-se à nomeação de poder-se-á proceder à nomeação de perito e à
perito e indicação de assistentes técnicos no indicação de assistentes técnicos no juízo ao
juízo, ao qual se requisitar a perícia. qual se requisitar a perícia.

QUESITOS são indagações endereçadas aos vistores, que


delimitam o campo da perícia.
Podem ser formulados pelas partes ou pelo juiz (v. arts. 426, II,
do CPC/73 e 470, II, do CPC/2015); podem ser apresentados, no decorrer da
perícia, quesitos suplementares (v. arts. 425, primeira parte, do CPC/73 e 469
do CPC/2015).
A parte pode impugnar os quesitos apresentados pelo
adversário, devendo ser cientificada pelo escrivão (v. art. 425, segunda parte,
do CPC/73 e parágrafo único do art. 469 do CPC/2015).
Após a entrega do laudo as partes ainda podem solicitar
esclarecimentos do perito e dos assistentes técnicos, a serem prestados
eventualmente em audiência (v. arts. 435 do CPC/73 e 477, § 3º, do
CPC/2015); nesse caso as perguntas devem ser formuladas desde logo, sob a
forma de quesitos; após a entrega do laudo, são admitidos apenas quesitos
elucidativos, destinados a esclarecer as respostas oferecidas; não quesitos
novos.
Os quesitos impertinentes devem ser indeferidos pelo juiz (v.
arts. 426, I, do CPC/73 e 470, I, do CPC/2015); são considerados
impertinentes os quesitos que não digam respeito aos fatos da causa, bem
como os inúteis ou irrelevantes; os quesitos devem ser objetivos, tendo lugar
o indeferimento daqueles que reclamam pronunciamentos subjetivos do perito
ou envolvam questões de direito.
189

O juiz, como visto, ao nomear o perito, fixa o prazo para


entrega do laudo, levando em conta a complexidade da perícia.
O laudo consiste na documentação dos fatos examinados, das
diligências realizadas e das conclusões devidamente fundamentadas;
representa parecer conclusivo do perito judicial sobre a matéria submetida a
exame; deve ser apresentado pelo menos vinte dias antes da audiência de
instrução e julgamento (v. arts. 433 do CPC/73 e 477 do CPC/2015).
De acordo com o novo CPC (v. § 1º do art. 477), as partes
serão intimadas para, querendo, manifestar-se sobre o laudo do perito do juízo
no prazo comum de 15 dias, podendo o assistente técnico de cada uma das
partes, em igual prazo, apresentar seu respectivo parecer; já o CPC/73 (v. art.
433, parágrafo único) fixava o prazo de 10 dias para os assistentes técnicos
oferecerem seus pareceres, contados da intimação das partes da apresentação
do laudo; a parte deveria então diligenciar para que seu assistente
apresentasse o parecer oportunamente.
Os peritos e assistentes técnicos têm ampla liberdade de
investigação, podendo recorrer às fontes de informação que entenderem
necessárias e úteis para o perfeito conhecimento da matéria sujeita à perícia
(v. arts. 429 do CPC/73 e 473, § 3º, do CPC/2015).
CPC/73 CPC/2015
Art. 426. Compete ao juiz: Art. 470. Incumbe ao juiz:
I - indeferir quesitos impertinentes; I – indeferir quesitos impertinentes;
II - formular os que entender necessários ao II – formular os quesitos que entender
esclarecimento da causa. necessários ao esclarecimento da causa.
Art. 471. As partes podem, de comum acordo,
escolher o perito, indicando-o mediante
requerimento, desde que:
I – sejam plenamente capazes;
II – a causa possa ser resolvida por
autocomposição.
§ 1º As partes, ao escolher o perito, já devem
indicar os respectivos assistentes técnicos para
acompanhar a realização da perícia, que se
realizará em data e local previamente
anunciados.
190

§ 2º O perito e os assistentes técnicos devem


entregar, respectivamente, laudo e pareceres
em prazo fixado pelo juiz.
§ 3º A perícia consensual substitui, para todos
os efeitos, a que seria realizada por perito
nomeado pelo juiz.
Art. 427. O juiz poderá dispensar prova pericial Art. 472. O juiz poderá dispensar prova
quando as partes, na inicial e na contestação, pericial quando as partes, na inicial e na
apresentarem sobre as questões de fato contestação, apresentarem sobre as questões
pareceres técnicos ou documentos elucidativos de fato pareceres técnicos ou documentos
que considerar suficientes. elucidativos que considerar suficientes.
Art. 473. O laudo pericial deverá conter:
I – a exposição do objeto da perícia;
II – a análise técnica ou científica realizada pelo
perito;
III – a indicação do método utilizado,
esclarecendo-o e demonstrando ser
predominantemente aceito pelos especialistas da
área do conhecimento da qual se originou;
IV – resposta conclusiva a todos os quesitos
apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão
do Ministério Público.
§ 1º No laudo, o perito deve apresentar sua
fundamentação em linguagem simples e com
coerência lógica, indicando como alcançou suas
conclusões.
§ 2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de
sua designação, bem como emitir opiniões
pessoais que excedam o exame técnico ou
científico do objeto da perícia.
Art. 429. Para o desempenho de sua função, § 3º Para o desempenho de sua função, o perito e
podem o perito e os assistentes técnicos os assistentes técnicos podem valer-se de todos
utilizar-se de todos os meios necessários, os meios necessários, ouvindo testemunhas,
ouvindo testemunhas, obtendo informações, obtendo informações, solicitando documentos
solicitando documentos que estejam em poder que estejam em poder da parte, de terceiros ou
de parte ou em repartições públicas, bem como em repartições públicas, bem como instruir o
instruir o laudo com plantas, desenhos, laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos,
fotografias e outras quaisquer peças. fotografias ou outros elementos necessários ao
esclarecimento do objeto da perícia.
Art. 430. (Revogado pela Lei nº 8.455, de
24.8.1992)
Art. 431. (Revogado pela Lei nº 8.455, de
24.8.1992))
Art. 431-A. As partes terão ciência da data e Art. 474. As partes terão ciência da data e do
local designados pelo juiz ou indicados pelo local designados pelo juiz ou indicados pelo
perito para ter início a produção da prova. perito para ter início a produção da prova.
Art. 431-B. Tratando-se de perícia complexa, Art. 475. Tratando-se de perícia complexa que
que abranja mais de uma área de conhecimento abranja mais de uma área de conhecimento
especializado, o juiz poderá nomear mais de um especializado, o juiz poderá nomear mais de um
perito e a parte indicar mais de um assistente perito e a parte indicar mais de um assistente
técnico. técnico.
Art. 432. Se o perito, por motivo justificado, Art. 476. Se o perito, por motivo justificado, não
191

não puder apresentar o laudo dentro do prazo, o puder apresentar o laudo dentro do prazo, o juiz
juiz conceder-lhe-á, por uma vez, prorrogação, poderá conceder-lhe, por uma vez, prorrogação
segundo o seu prudente arbítrio. pela metade do prazo originalmente fixado.
Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 8.455,
de 24.8.1992)
Art. 433. O perito apresentará o laudo em Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo,
cartório, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos no prazo fixado pelo juiz, pelo menos vinte dias
20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e antes da audiência de instrução e julgamento.
julgamento.
Parágrafo único. Os assistentes técnicos § 1º As partes serão intimadas para, querendo,
oferecerão seus pareceres no prazo comum de manifestar-se sobre o laudo do perito do juízo no
10 (dez) dias, após intimadas as partes da prazo comum de quinze dias, podendo o
apresentação do laudo. assistente técnico de cada uma das partes, em
igual prazo, apresentar seu respectivo parecer.
§ 2º O perito do juízo tem o dever de, no prazo
de quinze dias, esclarecer ponto:
I – sobre o qual exista divergência ou dúvida de
qualquer das partes, do juiz ou do órgão do
Ministério Público;
II – divergente apresentado no parecer do
assistente técnico da parte.
Art. 435. A parte, que desejar esclarecimento § 3º Se ainda houver necessidade de
do perito e do assistente técnico, requererá ao esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que
juiz que mande intimá-lo a comparecer à mande intimar o perito ou o assistente técnico a
audiência, formulando desde logo as perguntas, comparecer à audiência de instrução e
sob forma de quesitos. julgamento, formulando, desde logo, as
perguntas, sob forma de quesitos.
Parágrafo único. O perito e o assistente técnico § 4º O perito ou o assistente técnico será
só estarão obrigados a prestar os intimado por meio eletrônico, com pelo menos
esclarecimentos a que se refere este artigo, dez dias de antecedência da audiência.
quando intimados 5 (cinco) dias antes da
audiência.
Art. 434. Quando o exame tiver por objeto a Art. 478. Quando o exame tiver por objeto a
autenticidade ou a falsidade de documento, ou autenticidade ou a falsidade de documento ou for
for de natureza médico-legal, o perito será de natureza médico-legal, o perito será
escolhido, de preferência, entre os técnicos dos escolhido, de preferência, entre os técnicos dos
estabelecimentos oficiais especializados. O juiz estabelecimentos oficiais especializados, a cujos
autorizará a remessa dos autos, bem como do diretores o juiz autorizará a remessa dos autos,
material sujeito a exame, ao diretor do bem como do material sujeito a exame.
estabelecimento.
§ 1º Nas hipóteses de gratuidade de justiça, os
órgãos e as repartições oficiais deverão cumprir
a determinação judicial com preferência, no
prazo estabelecido.
§ 2º A prorrogação do prazo referido no § 1º
pode ser requerida motivadamente.
Parágrafo único. Quando o exame tiver por § 3º Quando o exame tiver por objeto a
objeto a autenticidade da letra e firma, o perito autenticidade da letra e da firma, o perito poderá
poderá requisitar, para efeito de comparação, requisitar, para efeito de comparação,
documentos existentes em repartições públicas; documentos existentes em repartições públicas e,
na falta destes, poderá requerer ao juiz que a na falta destes, poderá requerer ao juiz que a
pessoa, a quem se atribuir a autoria do pessoa a quem se atribuir a autoria do
192

documento, lance em folha de papel, por cópia, documento lance em folha de papel, por cópia ou
ou sob ditado, dizeres diferentes, para fins de sob ditado, dizeres diferentes, para fins de
comparação. comparação.

APRECIAÇÃO DO LAUDO
As conclusões do laudo oficial não vinculam o juiz; pode ele
formar sua convicção com base em outros elementos de prova constantes dos
autos (v. art. 436 do CPC/73 e 479 do CPC/2015).
Como é sabido, o juiz pode apreciar livremente as provas
produzidas, inexistindo hierarquia no sistema do CPC.
Pode o juiz, por exemplo, valer-se de outros pareceres técnicos
e dados oficiais sobre a matéria objeto da prova, inclusive depoimentos de
outras pessoas entendidas, coligidos em audiência; não pode, no entanto,
valer-se de conhecimentos pessoais.
A recusa ao laudo deve ser bem fundamentada.
É possível a realização de segunda perícia; cabe ao juiz avaliar
a necessidade de outra perícia; esta não substitui a primeira, a não ser que seja
decretada a sua nulidade.
CPC/73 CPC/2015
Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo Art. 479. O juiz apreciará a prova pericial de
pericial, podendo formar a sua convicção com acordo com o disposto no art. 371, indicando na
outros elementos ou fatos provados nos autos. sentença os motivos que o levaram a considerar
ou a deixar de considerar as conclusões do laudo,
levando em conta o método utilizado pelo perito.
Art. 437. O juiz poderá determinar, de ofício Art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a
ou a requerimento da parte, a realização de requerimento da parte, a realização de nova
nova perícia, quando a matéria não lhe perícia quando a matéria não estiver
parecer suficientemente esclarecida. suficientemente esclarecida.
Art. 438. A segunda perícia tem por objeto os § 1º A segunda perícia tem por objeto os mesmos
mesmos fatos sobre que recaiu a primeira e fatos sobre os quais recaiu a primeira e destina-
destina-se a corrigir eventual omissão ou se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos
inexatidão dos resultados a que esta conduziu. resultados a que esta conduziu.
Art. 439. A segunda perícia rege-se pelas § 2º A segunda perícia rege-se pelas disposições
disposições estabelecidas para a primeira. estabelecidas para a primeira.
Parágrafo único. A segunda perícia não § 3º A segunda perícia não substitui a primeira,
substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar cabendo ao juiz apreciar o valor de uma e de
livremente o valor de uma e outra. outra.
193

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:
- no art. 464, §§ 2º a 4º, o CPC/2015 disciplina uma prova
técnica simplificada, em substituição à perícia, quando o ponto
controvertido for de menor complexidade; esta, segundo as normas supra
transcritas, consiste apenas na inquirição de especialista pelo juiz em
audiência; o especialista transmitirá então as suas conclusões sobre a
questão controvertida da causa que demanda especial conhecimento
científico ou técnico;
- e, no art. 471, o CPC/2015 disciplina uma perícia
consensual, em que as partes podem, de comum acordo, escolher o perito;
- tanto no CPC/73, quanto no CPC/2015, há previsão de
dispensa da prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação,
apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou
documentos elucidativos que o juiz considerar suficientes; o juiz, no
entanto, somente admitirá a dispensa quando ambas as partes
fornecerem elementos de natureza técnica idôneos para a formação de
sua convicção; isto porque tal dispensa não pode comprometer o
contraditório (v. arts. 427 do CPC/73 e 472 do CPC/2015).

(v. transcrição dos artigos feita linhas atrás)

Inspeção judicial (v. arts. 440 a 443 do CPC/73 e 481 a 484


do CPC/2015)
É regulada no Código como meio de prova.
Consiste na inspeção direta pelo juiz de pessoas e coisas,
móveis ou imóveis, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à solução
da lide.
Pode ser determinada de ofício ou a requerimento das partes,
em qualquer fase do procedimento.
194

Em princípio é considerada prova subsidiária, sendo realizada


normalmente após a produção de outras provas requeridas pelos litigantes.
A inspeção é via de regra facultativa; fica ao prudente arbítrio
do juiz realizar ou não a diligência.
No CPC há apenas um caso em que ela é obrigatória: o juiz
deve examinar e interrogar pessoalmente o interditando para avaliar o seu
estado mental (v. arts. 1.181 do CPC/73 e 751 do CPC/2015).
O juiz poderá ser assistido por um ou mais peritos, que podem
ser recusados pelas partes em razão de impedimento ou suspeição.
E as partes podem acompanhar a inspeção com assistentes
técnicos, prestando esclarecimentos e fazendo observações.
A determinação é feita através de despacho nos autos, do qual
deve constar o que ou quem será inspecionado, a nomeação do perito que
eventualmente participará da diligência e a designação de dia hora e lugar
para a sua realização.
A inspeção pode ser feita na sede do juízo ou no lugar onde se
encontra a pessoa ou a coisa.
Quando julgar necessário para melhor verificação dos fatos ou
quando for dificultosa ou onerosa a apresentação da pessoa ou coisa em juízo,
o juiz irá ao local onde se encontram.
Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto
circunstanciado, mencionando tudo quanto for útil ao julgamento da causa,
podendo esse auto ser instruído com desenho, gráfico ou fotografia; não
sendo lavrado esse auto, a inspeção perde o seu valor de prova.
CPC/73 CPC/2015
Da Inspeção Judicial Da Inspeção Judicial
Art. 440. O juiz, de ofício ou a requerimento da Art. 481. O juiz, de ofício ou a requerimento da
parte, pode, em qualquer fase do processo, parte, pode, em qualquer fase do processo,
inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se
esclarecer sobre fato, que interesse à decisão da esclarecer sobre fato que interesse à decisão da
causa. causa.
Art. 441. Ao realizar a inspeção direta, o juiz Art. 482. Ao realizar a inspeção, o juiz poderá
195

poderá ser assistido de um ou mais peritos. ser assistido por um ou mais peritos.
Art. 442. O juiz irá ao local, onde se encontre a Art. 483. O juiz irá ao local onde se encontre a
pessoa ou coisa, quando: pessoa ou a coisa quando:
I - julgar necessário para a melhor verificação I – julgar necessário para a melhor verificação
ou interpretação dos fatos que deva observar; ou interpretação dos fatos que deva observar;
II - a coisa não puder ser apresentada em juízo, II – a coisa não puder ser apresentada em juízo,
sem consideráveis despesas ou graves sem consideráveis despesas ou graves
dificuldades; dificuldades;
Ill - determinar a reconstituição dos fatos. III – determinar a reconstituição dos fatos.
Parágrafo único. As partes têm sempre direito a Parágrafo único. As partes têm sempre direito a
assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e assistir à inspeção, prestando esclarecimentos e
fazendo observações que reputem de interesse fazendo observações que considerem de
para a causa. interesse para a causa.
Art. 443. Concluída a diligência, o juiz Art. 484. Concluída a diligência, o juiz mandará
mandará lavrar auto circunstanciado, lavrar auto circunstanciado, mencionando nele
mencionando nele tudo quanto for útil ao tudo quanto for útil ao julgamento da causa.
julgamento da causa.
Parágrafo único. O auto poderá ser instruído Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com
com desenho, gráfico ou fotografia. desenho, gráfico ou fotografia.

SENTENÇA
Os pronunciamentos do juiz podem consistir em sentenças,
decisões interlocutórias e despachos, desprovidos estes de conteúdo decisório.
A sentença, de acordo com o disposto no artigo 162, § 1°, do
CPC/73, era o ato do juiz que implicava alguma das situações previstas nos
arts. 267 e 269 do CPC.
“Dada a circunstância de a Lei nº 11.232/2005, que corporifica o
que podemos chamar de Reforma da Execução, ter feito desaparecer o ‘processo’
de execução por quantia certa que seguia ao ‘processo’ de conhecimento
condenatório (que objetivava o pagamento de quantia), transformado a ‘execução
por quantia’ em mero prolongamento do ‘processo de conhecimento condenatório’
(art. 475-J, caput), é que surgiu a necessidade de alteração do conceito de
sentença que vinha estampado no § 1º do art. 162. Se à luz do regime anterior,
sentença era o ato pelo qual o juiz sempre punha ‘termo ao processo, decidindo
ou não o mérito da causa’, a partir de 2006, sentença já não é necessariamente o
ato que encerra o processo (como visto, após a sentença condenatória a pagar
quantia, o processo entra na fase de execução, ou de ‘cumprimento da sentença’,
como querem os arts. 475-I a 475-R), de sorte que pareceu bem ao legislador
reformista afirmar que sentença é o ato judicial ‘que implica alguma das situações
196

previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei’. (...) O que se deve acentuar é que, com a
Reforma, a sentença deixa de ser necessariamente ato judicial de encerramento
do processo...” (v. “Código de Processo Civil Interpretado”, de Antônio

Cláudio da Costa Machado, 6ª edição, Manole, 2007).


Isso porque, sempre que houver necessidade de execução ou
cumprimento do julgado, ainda que apenas para perseguir o pagamento das
verbas da sucumbência fixadas, a relação processual não se extingue;
prossegue-se nesta com os atos coativos necessários para buscar a realização
concreta do direito expresso no título judicial; fala-se então que a sentença
não é mais ato de encerramento do feito em todos os casos, podendo
representar ato de transição entre as fases cognitiva e executiva do processo
de conhecimento.
Na verdade, não há, necessariamente, extinção da relação
processual nem mesmo quando proferida sentença terminativa, em que não há
resolução do mérito da causa; como já assinalado, a relação processual pode
prosseguir na fase de execução, caso haja condenação da parte ao pagamento
de honorários advocatícios e reembolso de custas e despesas processuais.
OBS.: essa diretriz se mantém no CPC/2015; apenas é de se
observar que o CPC/73 para identificar a sentença, dentre os diversos
pronunciamentos do juiz, adotava o critério do conteúdo (configuração de
alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269, que correspondem aos
arts. 485 e 487 do CPC/2015); o CPC/2015 acrescenta outro critério, que é a
197

função da sentença: por fim a fase cognitiva do procedimento comum ou


extinguir a execução.
Registre-se que esse novo conceito de sentença, que leva em
conta o critério do seu conteúdo, tem por escopo melhor diferenciá-la (a
sentença) de uma decisão interlocutória; de acordo com o § 2º do art. 203 do
novo CPC, decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza
decisória que não se enquadre no § 1º; no sistema do CPC/2015 temos
decisões interlocutórias de mérito, ou seja, decisões que versam sobre o
mérito, mas que não se prestam a encerrar a fase cognitiva do procedimento
comum; é o caso da decisão que decide parcialmente o mérito, na forma do
art. 3565; logo, decisão interlocutória não é mais simplesmente o ato pelo qual
o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente, pois também pode
referir-se ao mérito da causa, ainda que parcialmente.
Assim, os conceitos de decisão interlocutória e sentença estão
ajustados à nova realidade jurídico-processual.
CPC/73 CPC/2015
Dos Atos do Juiz Dos Pronunciamentos do Juiz
Art. 162. Os atos do juiz consistirão em Art. 203. Os pronunciamentos do juiz
sentenças, decisões interlocutórias e despachos. consistirão em sentenças, decisões
interlocutórias e despachos.
§ 1º Sentença é o ato do juiz que implica § 1º Ressalvadas as disposições expressas dos
alguma das situações previstas nos arts. 267 procedimentos especiais, sentença é o
e 269 desta Lei. pronunciamento por meio do qual o juiz, com
fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase
cognitiva do procedimento comum, bem como
extingue a execução.
§ 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o § 2º Decisão interlocutória é todo
juiz, no curso do processo, resolve questão pronunciamento judicial de natureza decisória
5
“Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela
deles:
I – mostrar-se incontroverso;
II – estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.
§ 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obrigação líquida ou
ilíquida.
§ 2º A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar
parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto.
§ 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será definitiva.
§ 4º A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em
autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz.
§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento.”
198

incidente. que não se enquadre no § 1º.


§ 3o São despachos todos os demais atos do juiz § 3º São despachos todos os demais
praticados no processo, de ofício ou a pronunciamentos do juiz praticados no processo,
requerimento da parte, a cujo respeito a lei não de ofício ou a requerimento da parte.
estabelece outra forma.
§ 4o Os atos meramente ordinatórios, como a § 4º Os atos meramente ordinatórios, como a
juntada e a vista obrigatória, independem de juntada e a vista obrigatória, independem de
despacho, devendo ser praticados de ofício pelo despacho, devendo ser praticados de ofício pelo
servidor e revistos pelo juiz quando servidor e revistos pelo juiz quando necessário.
necessários.

Em suma, sentença no processo de conhecimento


consubstancia ato do juiz que põe fim ao processo ou apenas a fase cognitiva,
sendo que as que resolvem o mérito são denominadas definitivas (v. hipóteses
do art. 269 do CPC/73 e 487 do CPC/2015) e as outras terminativas (v.
hipóteses do art. 267 do CPC/73 e 485 do CPC/2015).
Registre-se que se extingue a execução por sentença, na forma
dos artigos 794 do CPC/73 e 924 do CPC/2015; a extinção se dá quando a
obrigação é satisfeita, quando se obtém, por qualquer outro meio, a extinção
total da dívida (transação ou remissão), quando o exequente renúncia ao
crédito ou se ocorrer a prescrição intercorrente.
No processo de conhecimento a sentença é o ato culminante.
Normalmente a sentença, nesse tipo de processo, contém uma
resposta do Estado-juiz aos pedidos formulados pelas partes; todavia, nem
sempre se alcança a resolução de mérito, podendo ser declarada a extinção
anômala do feito por motivos diversos.
Daí porque as sentenças são tradicionalmente classificadas em
sentenças definitivas e sentenças terminativas.
Terminativas: põem fim ao processo sem exame do mérito,
presentes as causas extintivas previstas nos artigos 267 do CPC/73 e 485 do
CPC/2015; via de regra o direito de ação permanece latente, podendo a
pretensão do autor ser renovada em outro feito; nessas hipóteses o juiz
reconhece a inadmissibilidade da tutela jurisdicional de mérito; a sentença
199

tem conteúdo meramente processual, não atingindo a lide; extingue-se o


processo se não houver condenação ao pagamento das verbas da
sucumbência; carreadas estas verbas à parte, a relação processual poderá
subsistir para a pertinente execução.
CPC/73 CPC/2015
Art. 267. Extingue-se o processo, sem Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
resolução de mérito:
I - quando o juiz indeferir a petição inicial; I – indeferir a petição inicial;
Il - quando ficar parado durante mais de 1 (um) II – o processo ficar parado durante mais de um
ano por negligência das partes; ano por negligência das partes;
III - quando, por não promover os atos e III – por não promover os atos e as diligências
diligências que lhe competir, o autor abandonar que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por
a causa por mais de 30 (trinta) dias; mais de trinta dias;
IV - quando se verificar a ausência de IV – verificar a ausência de pressupostos de
pressupostos de constituição e de constituição e de desenvolvimento válido e
desenvolvimento válido e regular do processo; regular do processo;
V - quando o juiz acolher a alegação de V – reconhecer a existência de perempção, de
perempção, litispendência ou de coisa julgada; litispendência ou de coisa julgada;
VI - quando não concorrer qualquer das VI – verificar ausência de legitimidade ou de
condições da ação, como a possibilidade interesse processual;
jurídica, a legitimidade das partes e o interesse
processual;
VII - pela convenção de arbitragem; VII – acolher a alegação de existência de
convenção de arbitragem ou quando o juízo
arbitral reconhecer sua competência;
VIII - quando o autor desistir da ação; VIII – homologar a desistência da ação;
IX - quando a ação for considerada IX – em caso de morte da parte, a ação for
intransmissível por disposição legal; considerada intransmissível por disposição legal;
e
X - quando ocorrer confusão entre autor e réu;
XI - nos demais casos prescritos neste Código. X – nos demais casos prescritos neste Código.
o
§ 1 O juiz ordenará, nos casos dos ns. II e III, o § 1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a
arquivamento dos autos, declarando a extinção parte será intimada pessoalmente para suprir a
do processo, se a parte, intimada pessoalmente, falta no prazo de cinco dias.
não suprir a falta em 48 (quarenta e oito) horas.
§ 2o No caso do parágrafo anterior, quanto ao n o § 2º No caso do § 1º, quanto ao inciso II, as
II, as partes pagarão proporcionalmente as partes pagarão proporcionalmente as custas, e,
custas e, quanto ao no III, o autor será quanto ao inciso III, o autor será condenado ao
condenado ao pagamento das despesas e pagamento das despesas e dos honorários de
honorários de advogado (art. 28). advogado.
o
§ 3 O juiz conhecerá de ofício, em qualquer § 3º O juiz conhecerá de ofício da matéria
tempo e grau de jurisdição, enquanto não constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer
proferida a sentença de mérito, da matéria tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer
constante dos ns. IV, V e VI; todavia, o réu que o trânsito em julgado.
a não alegar, na primeira oportunidade em que
lhe caiba falar nos autos, responderá pelas
custas de retardamento.
200

§ 4o Depois de decorrido o prazo para a § 4º Oferecida a contestação, o autor não poderá,


resposta, o autor não poderá, sem o sem o consentimento do réu, desistir da ação.
consentimento do réu, desistir da ação.
§ 5º A desistência da ação pode ser
apresentada até a sentença.
§ 6º Oferecida a contestação, a extinção do
processo, por abandono da causa pelo autor,
depende de requerimento do réu.
§ 7º Interposta a apelação em qualquer dos
casos de que tratam os incisos deste artigo, o
juiz terá cinco dias para retratar-se.
Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a Art. 486. O pronunciamento judicial que não
extinção do processo não obsta a que o autor resolve o mérito não obsta a que a parte
intente de novo a ação. A petição inicial, proponha de novo a ação.
todavia, não será despachada sem a prova do
pagamento ou do depósito das custas e dos
honorários de advogado.
§ 1º No caso de extinção em razão de
litispendência e nos casos dos incisos I, IV, VI e
VII do art. 485, a propositura da nova ação
depende da correção do vício que levou à
sentença sem resolução do mérito.
Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a § 2º A petição inicial, todavia, não será
extinção do processo não obsta a que o autor despachada sem a prova do pagamento ou do
intente de novo a ação. A petição inicial, depósito das custas e dos honorários de
todavia, não será despachada sem a prova do advogado.
pagamento ou do depósito das custas e dos
honorários de advogado.
Parágrafo único. Se o autor der causa, por três § 3º Se o autor der causa, por três vezes, a
vezes, à extinção do processo pelo fundamento sentença fundada em abandono da causa, não
previsto no no III do artigo anterior, não poderá poderá propor nova ação contra o réu com o
intentar nova ação contra o réu com o mesmo mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada,
objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o
possibilidade de alegar em defesa o seu direito. seu direito.

Definitivas: são as sentenças que resolvem o mérito da causa,


no todo ou em parte; outorga-se a prestação jurisdicional pretendida,
extinguindo-se o direito de ação.
Considera-se sentença de mérito tanto aquela que acolhe ou
rejeita no todo ou em parte os pedidos das partes, como aquelas enunciadas
com base no incisos II e seguintes dos artigos 269 do CPC/73 e 487 do
CPC/2015, quando temos os chamados atos autocompositivos da lide e o
reconhecimento de que se consumou a prescrição ou a decadência.
201

Sentença definitiva em sentido estrito é apenas aquela em que


se dá a solução da lide pelo magistrado; mas o CPC também cuidou de
estabelecer, de forma casuística, que há sentença de mérito nas demais
hipóteses dos arts. 269 do CPC/73 e 487 do CPC/2015; nestas se dá
igualmente a solução definitiva da lide, embora muitas vezes o juiz
simplesmente chancele a solução encontrada pelos próprios litigantes; pelo
novo CPC esses atos autocompositivos da lide devem ser homologados pelo
juiz, podendo referir-se a ação originária e/ou a reconvenção.
CPC/73 CPC/2015
Art. 269. Haverá resolução de mérito: Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o
juiz:
I - quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do I – acolher ou rejeitar o pedido formulado na
autor; ação ou na reconvenção;
IV - quando o juiz pronunciar a decadência ou a II – decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a
prescrição; ocorrência de decadência ou prescrição;
III – homologar:
II - quando o réu reconhecer a procedência do a) o reconhecimento da procedência do pedido
pedido; formulado na ação ou na reconvenção;
III - quando as partes transigirem; b) a transação;
V - quando o autor renunciar ao direito sobre c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou
que se funda a ação. na reconvenção.
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do §
1º do art. 332, a prescrição e a decadência não
serão reconhecidas sem que antes seja dada às
partes oportunidade de manifestar-se.

OBS.: o art. 488 do CPC/2015 dá conta que: “desde que


possível, o juiz resolverá o mérito sempre que a decisão for favorável à
parte a quem aproveitaria eventual pronunciamento nos termos do art. 485” ;

procura dar efetividade ao princípio pelo qual não há “nulidade sem


prejuízo”; a ideia é dar relevância à vocação do processo de conhecimento de
gerar sentença de mérito; diante do caso concreto, o juiz deverá verificar se
pode ser superado o vício que conduziria à prolação de sentença sem
resolução de mérito.

ESTRUTURA DA SENTENÇA
202

A eficácia da sentença depende do atendimento dos requisitos


essenciais previstos nos arts. 458 do CPC/73 e 489 do CPC/2015.
Art. 458. São requisitos essenciais da sentença: Art. 489. São elementos essenciais da sentença:
I - o relatório, que conterá os nomes das partes, I – o relatório, que conterá os nomes das partes,
a suma do pedido e da resposta do réu, bem a identificação do caso, com a suma do pedido e
como o registro das principais ocorrências da contestação, bem como o registro das
havidas no andamento do processo; principais ocorrências havidas no andamento do
processo;
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as II – os fundamentos, em que o juiz analisará as
questões de fato e de direito; questões de fato e de direito;
III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as III – o dispositivo, em que o juiz resolverá as
questões, que as partes lhe submeterem. questões principais que as partes lhe
submeterem.
§ 1º Não se considera fundamentada qualquer
decisão judicial, seja ela interlocutória,
sentença ou acórdão, que:
I – se limitar à indicação, à reprodução ou à
paráfrase de ato normativo, sem explicar sua
relação com a causa ou a questão decidida;
II – empregar conceitos jurídicos
indeterminados, sem explicar o motivo concreto
de sua incidência no caso;
III – invocar motivos que se prestariam a
justificar qualquer outra decisão;
IV – não enfrentar todos os argumentos
deduzidos no processo capazes de, em tese,
infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
V – se limitar a invocar precedente ou enunciado
de súmula, sem identificar seus fundamentos
determinantes nem demonstrar que o caso sob
julgamento se ajusta àqueles fundamentos;
VI – deixar de seguir enunciado de súmula,
jurisprudência ou precedente invocado pela
parte, sem demonstrar a existência de distinção
no caso em julgamento ou a superação do
entendimento.
§ 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve
justificar o objeto e os critérios gerais da
ponderação efetuada, enunciando as razões que
autorizam a interferência na norma afastada e as
premissas fáticas que fundamentam a conclusão.
§ 3º A decisão judicial deve ser interpretada a
partir da conjugação de todos os seus elementos
e em conformidade com o princípio da boa-fé.
203

O relatório é o resumo do processo, devendo conter o


histórico da relação processual; através do relatório o juiz delimita as questões
controvertidas a resolver, preparando o julgamento.
A fundamentação ou motivação consiste na exposição dos
fundamentos de fato e de direito que geraram a convicção do juiz; serve de
compreensão do dispositivo da sentença; nessa parte o juiz vai solucionar as
questões preliminares e prejudiciais, bem como as questões de fato e de
direito relevantes; em matéria de direito aplicável o juiz não fica adstrito aos
fundamentos legais invocados pelas partes.
O dispositivo ou conclusão é o fecho da sentença; o
dispositivo será considerado complexo se o juiz tiver que julgar
conjuntamente ações conexas, reconvenção, oposição, arguição de falsidade
documental, etc.
A inobservância dessas formalidades acarreta a nulidade da
sentença.
OBS.: o § 1º do art. 489 do CPC/2015 traz relevante
inovação, indicando hipóteses em que qualquer decisão não será considerada
fundamentada; exige que o julgador particularize o caso que está sendo
examinado, enfrentando todos os argumentos trazidos pelas partes; não basta
fazer referência à lei aplicável ou a precedentes jurisprudenciais; deve ser
cumpridamente demonstrada a sua aplicação ao caso sob julgamento.

Na sentença o juiz deve compor a lide tal como posta pelas


partes, ou seja, nos limites dos pedidos formulados na ação e na reconvenção.
CPC/73 CPC/2015
Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de
favor do autor, de natureza diversa da pedida, natureza diversa da pedida, bem como condenar
bem como condenar o réu em quantidade a parte em quantidade superior ou em objeto
superior ou em objeto diverso do que lhe foi diverso do que lhe foi demandado.
demandado.
Parágrafo único. A sentença deve ser certa, Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda
ainda quando decida relação jurídica que resolva relação jurídica condicional.
204

condicional.

Assim, não se admite:


Julgamento extra petita (matéria estranha à litiscontestatio) –
corresponde à sentença que decide causa diferente daquela posta em juízo, ou
seja, sentença de natureza diversa da pedida ou que condena o réu em objeto
diverso do que foi demandado. Exemplos: juiz decreta a resolução do contrato
quando a pretensão era de anulação por vício de vontade; embargos de
terceiro em que o juiz desconstitui o título executivo. Nesses casos a sentença
é considerada nula.
Julgamento ultra petita (mais do que o pedido) – Exemplos:
autor pede 100 e o juiz concede 200; o autor pede alimentos e o juiz também
declara a paternidade. Nesses casos entende-se que ao invés de ser anulada a
sentença, o tribunal deve reduzi-la aos limites do pedido.
Julgamento citra petita (julgamento sem apreciar todo o
pedido) – exemplo: foi proposta ação de rescisão contratual cumulada com
indenização por perdas e danos e apenas um dos pedidos é apreciado na
sentença. Também é caso de nulidade do provimento.
O julgador, no entanto, deve tomar em consideração fato
superveniente à propositura da ação (constitutivo, extintivo ou modificativo
do direito em causa); afinal, a sentença ou o acórdão devem refletir o estado
de fato da lide no momento da decisão; é preciso que o fato novo tenha
influência no deslinde da causa e não importe mudança da causa petendi (v.
arts. 462 do CPC/73 e 493 do CPC/2015).
Ex.: a Prefeitura ingressa em juízo para postular a demolição
de prédio construído ao arrepio da legislação vigente; surge, no entanto, lei
anistiando construções irregulares; esse fato deve ser considerado pelo
julgador.
205

Outro exemplo: “A” impetra mandado de segurança


objetivando unificação de imóveis independentemente da prévia liquidação de
tributos em atraso; há declaração posterior de utilidade pública incidente
sobre os imóveis, para fins de desapropriação, perecendo o objeto da
impetração.
CPC/73 CPC/2015
Art. 462. Se, depois da propositura da ação, Art. 493. Se, depois da propositura da ação,
algum fato constitutivo, modificativo ou algum fato constitutivo, modificativo ou
extintivo do direito influir no julgamento da extintivo do direito influir no julgamento do
lide, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração,
de ofício ou a requerimento da parte, no de ofício ou a requerimento da parte, no
momento de proferir a sentença. momento de proferir a decisão.
Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato
novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de
decidir.

OBS.: todas as regras supra mencionadas também se aplicam


na prolação de acórdãos, que consubstanciam julgamentos de órgãos
colegiados.
OBS.: o art. 491 do CPC/2015 veda a prolação de sentença
ilíquida (condenação genérica), ainda que formulado pedido genérico,
ressalvando apenas as hipóteses indicadas nos seus incisos:
“Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda
que formulado pedido genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da
obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de
ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso, salvo quando:
I – não for possível determinar, de modo definitivo, o montante
devido;
II – a apuração do valor devido depender da produção de prova
de realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na
sentença.
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a apuração do
valor devido por liquidação.
§ 2º O disposto no caput também se aplica quando o acórdão
alterar a sentença.”
206

O CPC/73 dispunha, no particular, que, quando o autor tivesse


formulado pedido certo, era vedado ao juiz proferir sentença ilíquida (v. art.
459, parágrafo único); vedação à condenação genérica também se encontrava
no artigo 475-A, § 3º, do CPC/73.
Formulado pedido genérico na petição inicial ou na
reconvenção, o julgador deverá preferencialmente determinar na sentença o
quantum devido ou a coisa devida.

Do julgamento das ações relativas às prestações de fazer,


de não fazer e de entregar coisa.
O artigo 461 do CPC/73 estabelecia regras importantes em
prol da efetividade do processo quando veiculadas ações relativas ao
cumprimento de obrigações de fazer ou não fazer; referido dispositivo visava
que se alcançasse na sentença de procedência um resultado prático
equivalente ao do adimplemento espontâneo da prestação devida; ditava
regras para o conteúdo da sentença que acolhesse o pedido da parte; a
conversão da execução específica da obrigação em perdas e danos ocupava o
último lugar na preferência do legislador; essa conversão deveria ser admitida
quando fosse impossível obter o resultado final desejado ou se fosse requerida
pelo credor da obrigação; os meios de coerção psicológica (multa periódica) e
demais medidas de apoio concebidas se prestavam a alcançar o resultado final
pretendido, podendo ser aplicados até mesmo de ofício pelo juiz.
O artigo 497 do CPC/2015 preserva a diretriz do artigo 461
do CPC/73, sendo que o seu parágrafo único dá conta que “para a concessão
da tutela específica destinada a inibir a prática, a reiteração ou a continuação de
um ilícito, ou a sua remoção, é irrelevante a demonstração da ocorrência de dano
ou da existência de culpa ou dolo”; basta então a ilicitude da conduta comissiva

ou omissiva, não sendo necessária a demonstração de dano, ou de culpa ou


dolo do agente.
207

OBS.: o artigo 498 do CPC/2015 contempla as regras a serem


observadas na decisão que determina a entrega de coisa, nos mesmos moldes
do artigo 461-A do CPC/73; o artigo 501 do CPC/2015, com redação
semelhante a do artigo 466-A do CPC/73, disciplina, conjuntamente, a regra
estabelecida também no artigo 466-B, abrangendo-a: sempre que a ação tiver
por objeto a emissão de declaração de vontade, a sentença de procedência
transitada em julgado produzirá todos os efeitos da declaração não emitida.

CPC/73 CPC/2015
Art. 461. Na ação que tenha por objeto o Art. 497. Na ação que tenha por objeto a
cumprimento de obrigação de fazer ou não prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se
fazer, o juiz concederá a tutela específica da procedente o pedido, concederá a tutela
obrigação ou, se procedente o pedido, específica ou determinará providências que
determinará providências que assegurem o assegurem a obtenção de tutela pelo resultado
resultado prático equivalente ao do prático equivalente.
adimplemento.
§ 3o Sendo relevante o fundamento da demanda
e havendo justificado receio de ineficácia do
provimento final, é lícito ao juiz conceder a
tutela liminarmente ou mediante justificação
prévia, citado o réu. A medida liminar poderá
ser revogada ou modificada, a qualquer tempo,
em decisão fundamentada.
§ 4o O juiz poderá, na hipótese do parágrafo
anterior ou na sentença, impor multa diária ao
réu, independentemente de pedido do autor, se
for suficiente ou compatível com a obrigação,
fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento
do preceito.
§ 5o Para a efetivação da tutela específica ou a
obtenção do resultado prático equivalente,
poderá o juiz, de ofício ou a requerimento,
determinar as medidas necessárias, tais como a
imposição de multa por tempo de atraso, busca
e apreensão, remoção de pessoas e coisas,
desfazimento de obras e impedimento de
atividade nociva, se necessário com requisição
de força policial.
§ 6o O juiz poderá, de ofício, modificar o valor
ou a periodicidade da multa, caso verifique que
se tornou insuficiente ou excessiva.
Parágrafo único. Para a concessão da tutela
específica destinada a inibir a prática, a
reiteração ou a continuação de um ilícito, ou a
sua remoção, é irrelevante a demonstração da
ocorrência de dano ou da existência de culpa ou
208

dolo.
Art. 461-A. Na ação que tenha por objeto a Art. 498. Na ação que tenha por objeto a entrega
entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica,
específica, fixará o prazo para o cumprimento fixará o prazo para o cumprimento da obrigação.
da obrigação.
§ 1o Tratando-se de entrega de coisa Parágrafo único. Tratando-se de entrega de coisa
determinada pelo gênero e quantidade, o credor determinada pelo gênero e pela quantidade, o
a individualizará na petição inicial, se lhe autor individualizá-la-á na petição inicial, se lhe
couber a escolha; cabendo ao devedor escolher, couber a escolha, ou, se a escolha couber ao réu,
este a entregará individualizada, no prazo este a entregará individualizada, no prazo fixado
fixado pelo juiz. pelo juiz.
o
§ 2 Não cumprida a obrigação no prazo
estabelecido, expedir-se-á em favor do credor
mandado de busca e apreensão ou de imissão
na posse, conforme se tratar de coisa móvel ou
imóvel.
§ 3o Aplica-se à ação prevista neste artigo o
disposto nos §§ 1o a 6o do art. 461.
Art. 461.
§ 1o A obrigação somente se converterá em Art. 499. A obrigação somente será convertida
perdas e danos se o autor o requerer ou se em perdas e danos se o autor o requerer ou se
impossível a tutela específica ou a obtenção do impossível a tutela específica ou a obtenção de
resultado prático correspondente. tutela pelo resultado prático equivalente.
Art. 461.
§ 2o A indenização por perdas e danos dar-se-á Art. 500. A indenização por perdas e danos dar-
sem prejuízo da multa (art. 287). se-á sem prejuízo da multa fixada
periodicamente para compelir o réu ao
cumprimento específico da obrigação.
Art. 466-A. Condenado o devedor a emitir Art. 501. Na ação que tenha por objeto a
declaração de vontade, a sentença, uma vez emissão de declaração de vontade, a sentença
transitada em julgado, produzirá todos os que julgar procedente o pedido, uma vez
efeitos da declaração não emitida. transitada em julgado, produzirá todos os efeitos
da declaração não emitida.
Art. 466-B. Se aquele que se comprometeu a
concluir um contrato não cumprir a obrigação,
a outra parte, sendo isso possível e não excluído
pelo título, poderá obter uma sentença que
produza o mesmo efeito do contrato a ser
firmado.
Art. 466-C. Tratando-se de contrato que tenha
por objeto a transferência da propriedade de
coisa determinada, ou de outro direito, a ação
não será acolhida se a parte que a intentou não
cumprir a sua prestação, nem a oferecer, nos
casos e formas legais, salvo se ainda não
exigível.

PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA E SEUS EFEITOS


Publicada a sentença, o juiz somente poderá alterá-la nas
hipóteses dos artigos 463 do CPC/73 e 494 do CPC/2015; poderá ainda
209

reformá-la, a partir da interposição de apelação do autor, nas hipóteses dos


artigos 285-A, § 1º e 296, do CPC/73 e 332, § 3º e 331 do CPC/2015; o
CPC/2015 ainda inovou no particular, permitindo que o juiz também possa
retratar-se quando interposta a apelação em qualquer dos casos em que
profere sentença sem resolução do mérito (v. art. 485, § 7º).
Enquanto não publicada, a sentença não será ato processual e,
portanto, não produzirá qualquer efeito; publicar a sentença quer dizer torná-
la pública.
Quando proferida em audiência, a publicação consiste na
leitura da sentença; estando presentes as partes, saem elas já intimadas da
decisão, passando a fluir o prazo para interposição de recurso.
Proferida fora da audiência, a publicação será feita em
Cartório, pelo escrivão, mediante termo nos autos, seguindo-se a intimação
dos advogados das partes na forma usual; com a entrega da sentença em
cartório e sua juntada aos autos ela se torna pública; de igual modo, em se
tratando de processo eletrônico, a sua juntada aos autos faz com que ela se
torne pública.
OBS.: não confundir então publicação com intimação.
Da publicação decorre um efeito importante: a sentença
torna-se em princípio inalterável e o juiz que a proferiu não pode mais
revogá-la ou modificá-la na sua substância, ressalvadas as exceções legais.
O CPC, nos artigos 463 do CPC/73 e 494 do CPC/2015, prevê
duas situações em que a sentença poderá ser corrigida:
Art. 463. Publicada a sentença, o juiz só poderá Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá
alterá-la: alterá-la:
I - para lhe corrigir, de ofício ou a requerimento I – para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento
da parte, inexatidões materiais, ou lhe retificar da parte, inexatidões materiais ou erros de
erros de cálculo; cálculo;
II - por meio de embargos de declaração. II – por meio de embargos de declaração.
210

- o inciso I trata da correção de erros de cálculo ou inexatidões


materiais; essa correção pode ser feita de ofício ou a requerimento das partes
(exemplos: erros aritméticos, erros de grafia, omissão ou troca de nomes,
etc.).
- de acordo com o inciso II, o juiz pode ainda explicitar ou
integrar a sentença por meio de embargos de declaração, que têm natureza
recursal; a finalidade dos embargos é então sanar eventuais obscuridades,
contradições ou omissões da sentença (ou de acórdão); acolhidos os embargos
declaratórios, o juiz complementa ou esclarece a sentença proferida, afastando
os vícios apontados pela parte (omissão, obscuridade ou contradição).
Prazo para interposição dos embargos: 05 dias; os embargos de
declaração não estão sujeitos a preparo, interrompendo, no Juízo Comum, o
prazo para interposição do recurso de apelação.
Essas regras também têm aplicação nas sentenças terminativas.
OBS.: como já realçado, a interposição do recurso de apelação
em face da sentença normalmente não permite o juízo de retratação, ou seja, o
juiz não pode reformar a sentença ainda que se convença do desacerto da
decisão proferida; todavia, o Código de Processo Civil, em situações
excepcionais, permite que o juiz reforme a sua sentença, diante da apelação
interposta:
1 – v. arts. 296 do CPC de 1973 e 331 do CPC de 2015:
Art. 296. Indeferida a petição inicial, o autor Art. 331. Indeferida a petição inicial, o autor
poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de 48 poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de
(quarenta e oito) horas, reformar sua decisão. cinco dias, retratar-se.
Parágrafo único. Não sendo reformada a § 1º Se não houver retratação, o juiz mandará
decisão, os autos serão imediatamente citar o réu para responder ao recurso.
encaminhados ao tribunal competente.
§ 2º Sendo a sentença reformada pelo tribunal, o
prazo para a contestação começará a correr da
intimação do retorno dos autos, observado o
disposto no art. 334.
§ 3º Não interposta a apelação, o réu será
intimado do trânsito em julgado da sentença.
211

Nessa primeira hipótese, o juiz indefere liminarmente a petição


inicial, ou seja, antes da citação do réu;
se o autor apelar, o juiz poderá reformar a sentença
proferida e determinar o prosseguimento da ação (no CPC de 1973 a
retratação deveria se dar no prazo de 48 horas, enquanto no CPC de
2015 esse prazo passou a ser de cinco dias);
no CPC de 1973, se o juiz não reformasse sua sentença,
determinaria a imediata remessa dos autos ao Tribunal para julgamento da
apelação; não havia previsão de citação do réu para responder ao recurso; já
no CPC de 2015, se não houver retratação, o réu deverá ser citado para
responder ao recurso; por via de consequência, se a sentença for reformada
pelo Tribunal, com determinação de prosseguimento da ação, o prazo para o
réu contestar começará a correr automaticamente da intimação do retorno dos
autos, observado o disposto no art. 334;
2 – v. arts. 285-A do CPC de 1973 e 332 do CPC de 2015:
CAPÍTULO III
DA IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DO
PEDIDO
Art. 285-A. Quando a matéria controvertida for Art. 332. Nas causas que dispensem a fase
unicamente de direito e no juízo já houver sido instrutória, o juiz, independentemente da citação
proferida sentença de total improcedência em do réu, julgará liminarmente improcedente o
outros casos idênticos, poderá ser dispensada a pedido que contrariar:
citação e proferida sentença, reproduzindo-se o
teor da anteriormente prolatada.
I – enunciado de súmula do Supremo Tribunal
Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;
II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal
Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em
julgamento de recursos repetitivos;
III – entendimento firmado em incidente de
resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
IV – enunciado de súmula de tribunal de justiça
sobre direito local.
§ 1º O juiz também poderá julgar liminarmente
improcedente o pedido se verificar, desde logo, a
ocorrência de decadência ou de prescrição.
§ 2º Não interposta a apelação, o réu será
intimado do trânsito em julgado da sentença, nos
212

termos do art. 241.


§ 1º Se o autor apelar, é facultado ao juiz § 3º Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-
decidir, no prazo de 5 (cinco) dias, não manter se em cinco dias.
a sentença e determinar o prosseguimento da
ação.
§ 2º Caso seja mantida a sentença, será § 4º Se houver retratação, o juiz determinará o
ordenada a citação do réu para responder ao prosseguimento do processo, com a citação do
recurso. réu; se não houver retratação, determinará a
citação do réu para apresentar contrarrazões, no
prazo de quinze dias.

Temos julgamento liminar de mérito nessas hipóteses, ou seja,


ocorrerá o julgamento de plano da causa, prescindindo-se da citação do réu;
isso é possível quando a matéria controvertida for exclusivamente de
direito, ou seja, quando a causa dispensa a fase instrutória;
no CPC de 1973, para que ocorresse esse julgamento liminar
de mérito, bastaria que naquele juízo já tivesse sido proferida sentença de
total improcedência em outros casos idênticos, reproduzindo-se então o teor
da anteriormente prolatada;
já no CPC de 2015, tem lugar a improcedência liminar do
pedido do autor se ele contrariar a jurisprudência consolidada no âmbito dos
tribunais superiores ou enunciado de súmula de Tribunal de Justiça sobre
direito local; cabe também o julgamento liminar de improcedência se o juiz
verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou prescrição;
o autor pode então apelar dessa sentença de
improcedência, no prazo de quinze dias; diante da apelação do autor, o
juiz poderá reformar essa sentença em cinco dias, determinando o
prosseguimento da ação; mantida a sentença, o réu deverá ser citado
para responder o recurso, em quinze dias; na sequência, os autos são
remetidos ao tribunal competente para julgamento do apelo.
3 – v. art. 485, § 7º, do CPC/2015, sem correspondência
com o CPC/73.
213

Nas hipóteses em que o juiz profere sentença sem resolução do


mérito, passou-se a admitir o chamado juízo de retratação, ou seja, interposta
a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos do artigo 485, o
juiz terá 5 dias para proferir outra sentença, apreciando então o mérito da
causa; se não houver retratação, o recurso será então processado e
encaminhado oportunamente ao tribunal competente.

CLASSIFICAÇÃO DAS SENTENÇAS


Tendo em vista o seu conteúdo, as sentenças se classificam em
terminativas ou processuais e definitivas ou de mérito.
No que tange a espécie de tutela jurisdicional concedida à
parte, as sentenças, no processo de conhecimento, podem ser declaratórias,
constitutivas e condenatórias. Essa classificação leva em consideração a
natureza do bem jurídico visado pelo julgamento.
Em se tratando de sentença que julga improcedente a ação, a
doutrina entende que os seus efeitos são sempre declaratórios negativos; dar
pela improcedência significa negar, na parte dispositiva, o direito afirmado
pelo autor.

Sentença meramente declaratória


A função declarativa é inerente à jurisdição, ou seja, em todas
as sentenças, mesmo as com pedido constitutivo ou condenatório, o juiz
declara quem tem razão.
Mas, em se tratando de sentença meramente declaratória, o seu
único efeito é declarar a existência ou inexistência de uma relação jurídica e a
autenticidade ou falsidade de um documento (v. arts. 4º do CPC/73 e 19 do
CPC/2015).
214

Busca o autor, nesses casos, apenas remover a incerteza


reinante numa relação jurídica ou a incerteza quanto a higidez de um
documento. A simples declaração judicial já esgota a finalidade da ação.
Sentença meramente declaratória não comporta, em princípio,
execução forçada ulterior.
Exemplos: sentenças proferidas em ação de investigação de
paternidade, de usucapião, declaratória de nulidade de ato ou negócio
jurídico, etc.

Sentença condenatória
Nela é reconhecido o direito da parte vencedora
acrescentando-se uma sanção. Tem função sancionadora.
Evidentemente tem função declaratória da existência de uma
relação jurídica, acrescentando-se então uma carga condenatória.
O juiz aprecia e declara o direito existente e adiciona um
comando, determinando que o vencido cumpra obrigação de pagar quantia,
entregar coisa, fazer ou não fazer.
Atribui ao vencedor um título executivo, possibilitando que ele
possa se valer da execução forçada caso o vencido não cumpra
voluntariamente a obrigação.

Sentença constitutiva
Também não se limita à mera declaração do direito da parte.
Apresenta, cumulativamente, carga constitutiva.
Atesta o direito da parte vencedora e traz para o universo
jurídico uma inovação específica.
Destarte, a sentença constitutiva cria, modifica ou extingue um
estado ou uma relação jurídica.
215

O seu efeito opera-se instantaneamente dentro do processo,


não comportando posterior execução.
Exs.: Sentença que decreta a separação judicial ou divórcio,
rescisão de contrato, anula negócio jurídico por vício de consentimento, etc.
Anote-se que a providência do registro civil da separação ou
divórcio não se confunde tecnicamente com execução propriamente dita. É
mera providência posterior, de formalização do comando judicial.
Diante dessa classificação os efeitos principais ou primários
das sentenças são declaratórios, constitutivos ou condenatórios.
Qual o momento de eficácia desses efeitos?
As sentenças declaratórias e condenatórias produzem efeito
“ex tunc”.
O efeito declaratório retroage à época em que se formou a
relação jurídica ou em que se verificou o ato jurídico declarado. Ex.: ação
declaratória de nulidade de ato jurídico- declarado nulo o ato, o efeito da
sentença retroage à data em que foi praticado.
Nas sentenças condenatórias a retroação dos seus efeitos se dá
até a data em que o devedor foi constituído em mora; normalmente a data da
citação (v. arts. 219 do CPC/73 e 240 do CPC/2015).
Já o efeito das sentenças constitutivas é via de regra ex nunc –
opera para o futuro, após o trânsito em julgado.
Existem no entanto casos especiais, que representam exceções
à regra:
sentença que anula negócio jurídico por incapacidade relativa
do agente ou em razão de vícios do consentimento; nesses casos, o Código
Civil, em seu artigo 182, determina que as partes sejam restituídas ao estado
em que se achavam antes do ato invalidado;
sentença de interdição: produz efeitos ex nunc a partir da
sentença, mas antes do trânsito em julgado (v. art. 1184 do CPC).
216

Observação: na prática as sentenças não se limitam a um


provimento meramente declaratório ou constitutivo, visto que sempre haverá
condenação do vencido nas verbas da sucumbência (arts. 20 do CPC/73 e 82,
§ 2º e 85, estes do CPC/2015).
Logo, numa sentença pode haver: parte meramente
declaratória e parte condenatória; parte constitutiva e parte condenatória.

Efeitos secundários da sentença


A sentença de mérito também pode produzir efeitos
secundários, sendo impossível categorizá-los. Por exemplo: a sentença que
decreta a separação judicial pode acarretar a volta do uso do nome de solteira
pela mulher, acarreta a partilha dos bens comunicáveis, etc.
O CPC trata de modo específico de um desses efeitos
secundários, que é a constituição de hipoteca judiciária.
O CPC/2015 disciplinou de modo mais detalhado esse
instituto; essa constituição tem lugar diante de sentença condenatória a
pagamento de prestação em dinheiro e de decisão que converte prestação de
fazer, de não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária (v. arts. 466 do
CPC/73 e 495 do CPC/2015).
Inscrita essa hipoteca, os bens do devedor passam a garantir,
de forma privilegiada, a futura execução; esse efeito independe do trânsito em
julgado da decisão condenatória; é admissível ainda que a sentença seja
ilíquida, exista arresto de bens do devedor ou seja possível a execução
provisória.
CPC/73 CPC/2015
Art. 466. A sentença que condenar o réu no Art. 495. A decisão que condenar o réu ao
pagamento de uma prestação, consistente em pagamento de prestação consistente em dinheiro
dinheiro ou em coisa, valerá como título e a que determinar a conversão de prestação de
constitutivo de hipoteca judiciária, cuja fazer, de não-fazer ou de dar coisa em prestação
inscrição será ordenada pelo juiz na forma pecuniária valerão como título constitutivo de
prescrita na Lei de Registros Públicos. hipoteca judiciária.
Parágrafo único. A sentença condenatória § 1º A decisão produz a hipoteca judiciária:
217

produz a hipoteca judiciária:


I - embora a condenação seja genérica; I – embora a condenação seja genérica;
II - pendente arresto de bens do devedor; II – ainda que o credor possa promover o
cumprimento provisório da sentença ou esteja
III - ainda quando o credor possa promover a pendente arresto sobre bem do devedor;
execução provisória da sentença.
III – mesmo que seja impugnada por recurso
dotado de efeito suspensivo.
§ 2º A hipoteca judiciária poderá ser realizada
mediante apresentação de cópia da sentença
perante o cartório de registro imobiliário,
independentemente de ordem judicial, de
declaração expressa do juiz ou de
demonstração de urgência.
§ 3º No prazo de até quinze dias da data de
realização da hipoteca, a parte informá-la-á
ao juízo da causa, que determinará a
intimação da outra parte para que tome
ciência do ato.
§ 4º A hipoteca judiciária, uma vez
constituída, implicará, para o credor
hipotecário, o direito de preferência quanto
ao pagamento, em relação a outros credores,
observada a prioridade no registro.
§ 5º Sobrevindo a reforma ou a invalidação da
decisão que impôs o pagamento de quantia, a
parte responderá, independentemente de
culpa, pelos danos que a outra parte tiver
sofrido em razão da constituição da garantia,
devendo o valor da indenização ser liquidado
e executado nos próprios autos.

Observação importante: Pontes de Miranda e outros juristas


pátrios acrescentam à classificação das sentenças, tendo em vista seus efeitos
distintos, as mandamentais e as executivas lato sensu. Essas sentenças não
passam, porém, de subespécies de tutela condenatória.
Na sentença mandamental, o juiz emite uma ordem, um
comando (ato de império do órgão jurisdicional), impondo ao réu a
observância do direito material reconhecido ao autor.
O exemplo clássico de sentença mandamental é aquela
proferida em mandado de segurança. Tal sentença envolve uma ordem do
órgão jurisdicional a outro órgão, normalmente ligado ao Poder Executivo.
218

Outros exemplos seriam as sentenças proferidas nas ações que


têm por objeto obrigação de fazer ou não fazer, de entrega de coisa, de
interdito proibitório, etc.
A sentença executiva lato sensu também ostenta natureza
condenatória, prescindindo-se, no entanto, de uma fase de execução para que
seu comando seja observado. Há satisfação do direito material reconhecido de
modo imediato, com a expedição de mandado judicial, a ser cumprido
independentemente de citação do obrigado. Essas sentenças são cumpridas,
portanto, sem a instauração de um processo subsequente de execução.
Na atualidade as sentenças normalmente devem ser cumpridas
independentemente da instauração de processo autônomo de execução, ou
seja, as atividades jurisdicionais de cognição e de execução são realizadas na
mesma relação processual.

Da Remessa Necessária
CPC/73 CPC/2015
Art. 475. Está sujeita ao duplo grau de Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de
jurisdição, não produzindo efeito senão depois jurisdição, não produzindo efeito senão depois
de confirmada pelo tribunal, a sentença: de confirmada pelo tribunal, a sentença:
I - proferida contra a União, o Estado, o Distrito I – proferida contra a União, os Estados, o
Federal, o Município, e as respectivas Distrito Federal, os Municípios e suas
autarquias e fundações de direito público; respectivas autarquias e fundações de direito
público;
II - que julgar procedentes, no todo ou em II – que julgar procedentes, no todo ou em parte,
parte, os embargos à execução de dívida ativa os embargos à execução fiscal.
da Fazenda Pública (art. 585, VI).

§ 1o Nos casos previstos neste artigo, o juiz § 1º Nos casos previstos neste artigo, não
ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja interposta apelação no prazo legal, o juiz
ou não apelação; não o fazendo, deverá o ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se
presidente do tribunal avocá-los. não o fizer, o presidente do respectivo tribunal
avocá-los-á.
§ 2º Em qualquer dos casos referidos no § 1º, o
tribunal julgará a remessa necessária.
§ 2o Não se aplica o disposto neste artigo § 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando
219

sempre que a condenação, ou o direito a condenação ou o proveito econômico obtido na


controvertido, for de valor certo não excedente causa for de valor certo e líquido inferior a:
a 60 (sessenta) salários mínimos, bem como no
caso de procedência dos embargos do devedor
na execução de dívida ativa do mesmo valor.
I – mil salários mínimos para União e as
respectivas autarquias e fundações de direito
público;
II – quinhentos salários mínimos para os
Estados, o Distrito Federal, as respectivas
autarquias e fundações de direito público, e os
Municípios que constituam capitais dos Estados;
III – cem salários mínimos para todos os demais
municípios e respectivas autarquias e fundações
de direito público.
o
§ 3 Também não se aplica o disposto neste § 4º Também não se aplica o disposto neste
artigo quando a sentença estiver fundada em artigo quando a sentença estiver fundada em:
jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal I – súmula de tribunal superior;
Federal ou em súmula deste Tribunal ou do II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal
tribunal superior competente. Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em
julgamento de recursos repetitivos;
III – entendimento firmado em incidente de
resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
IV – entendimento coincidente com orientação
vinculante firmada no âmbito administrativo do
próprio ente público, consolidada em
manifestação, parecer ou súmula administrativa.

Os dispositivos supra transcritos cuidam do chamado duplo


grau de jurisdição obrigatório; não se trata de recurso, mas de condição de
eficácia da sentença proferida contra a Fazenda Pública (que é a dimensão
financeira dos entes políticos, de suas autarquias e fundações), ou que julgar
procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal; assim,
enquanto não ocorrer o reexame necessário, quando ele é cabível, a sentença
não transitará em julgado.
O novo CPC aumentou o valor da condenação apto a dispensar
a remessa necessária, diferenciando os diversos entes federados; e melhor
sistematizou outros casos em que esse reexame necessário é dispensado,
dando eficácia aos “precedentes” (v. § 4º do art. 496).
220

Observações adicionais sobre Sentença


1) Como já realçado, o CPC/73 para identificar a sentença,
dentre os diversos pronunciamentos do juiz, adotava o critério do conteúdo
(configuração de alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269, que
correspondem aos arts. 485 e 487 do CPC/2015); o CPC/2015 mantém essa
diretriz e acrescenta outro critério, que é a função da sentença: por fim a fase
cognitiva do procedimento comum ou extinguir a execução.
Registre-se que esse novo conceito de sentença, que leva em
conta o critério do seu conteúdo, tem por escopo melhor diferenciá-la (a
sentença) de uma decisão interlocutória; de acordo com o § 2º do art. 203 do
novo CPC, decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza
decisória que não se enquadre no § 1º; no sistema do CPC/2015 temos
decisões interlocutórias de mérito, ou seja, decisões que versam sobre o
mérito, mas que não se prestam a encerrar a fase cognitiva do procedimento
comum; é o caso da decisão que decide parcialmente o mérito, na forma do
art. 3566; logo, decisão interlocutória não é mais simplesmente o ato pelo qual
o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente, pois também pode
referir-se ao mérito da causa, ainda que parcialmente.
Assim, os conceitos de decisão interlocutória e sentença estão
ajustados à nova realidade jurídico-processual.
2) Cumpre também destacar que o julgador, no primeiro e no
segundo grau de jurisdição, deve tomar em consideração fato superveniente
à propositura da ação (constitutivo, extintivo ou modificativo do direito em
6
“Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela
deles:
I – mostrar-se incontroverso;
II – estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.
§ 1º A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obrigação líquida ou
ilíquida.
§ 2º A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar
parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto.
§ 3º Na hipótese do § 2º, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será definitiva.
§ 4º A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em
autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz.
§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento.”
221

causa); afinal, a sentença ou o acórdão devem refletir o estado de fato da lide


no momento da decisão; é preciso que o fato novo tenha influência no
deslinde da causa e não importe mudança da causa petendi (v. arts. 462 do
CPC/73 e 493 do CPC/2015).
Ex.: a Prefeitura ingressa em juízo para postular a demolição
de prédio construído ao arrepio da legislação vigente; surge, no entanto, lei
anistiando construções irregulares; esse fato deve ser considerado pelo
julgador.
Outro exemplo: “A” impetra mandado de segurança
objetivando unificação de imóveis independentemente da prévia liquidação de
tributos em atraso; há declaração posterior de utilidade pública incidente
sobre os imóveis, para fins de desapropriação, perecendo o objeto da
impetração.
CPC/73 CPC/2015
Art. 462. Se, depois da propositura da ação, Art. 493. Se, depois da propositura da ação,
algum fato constitutivo, modificativo ou algum fato constitutivo, modificativo ou
extintivo do direito influir no julgamento da extintivo do direito influir no julgamento do
lide, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração,
de ofício ou a requerimento da parte, no de ofício ou a requerimento da parte, no
momento de proferir a sentença. momento de proferir a decisão.
Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato
novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de
decidir.

COISA JULGADA
Consiste em qualidade da sentença ou do acórdão e não em
efeito destes; qualidade representada pela imutabilidade do julgado e seus
efeitos.
É fenômeno típico do processo de conhecimento, que se
destina a dar cunho de definitividade a declaração do direito constante da
decisão de mérito.
222

Enquanto sujeita a recurso, a decisão judicial exprime apenas


uma situação jurídica – não produz seus efeitos regulares, principais ou
secundários, em caráter definitivo; esgotada a via recursal, ordinária e
extraordinária, a sentença, como ato processual, não pode mais ser
modificada.
Temos, então, a coisa julgada formal – fenômeno da
imutabilidade da sentença pela preclusão dos prazos para interposição de
recursos; operando-se a coisa julgada formal, a sentença não poderá ser
reexaminada, modificada ou revogada no mesmo processo em que foi
proferida.
Todas as sentenças, terminativas ou definitivas, em dado
momento, fazem coisa julgada formal.
Em se tratando de sentença de mérito, quando ocorre a coisa
julgada formal, opera-se também a coisa julgada material, que é a
imutabilidade dos seus efeitos que se projetam para fora do processo em que
foi proferida; o comando emergente da decisão de mérito adquire força de lei
entre as partes e não pode ser desconhecido fora do processo; logo, não é
possível propor nova demanda sobre a mesma lide.
Coisa julgada formal e material são dois degraus do mesmo
fenômeno.
A sentença não pode mais ser modificada no processo em que
foi prolatada: temos a coisa julgada formal; seus efeitos declaratórios,
condenatórios ou constitutivos se projetam para fora do processo: temos o
segundo degrau – coisa julgada material.
Os arts. 467 do CPC/73 e 502 do CPC/2015 definem apenas a
coisa julgada material: a eficácia que torna imutável e indiscutível a decisão
de mérito, não mais sujeita a recurso.
OBS.: o novo CPC, nos arts. 502 e 503, diante da
possibilidade da prolação de “decisão interlocutória de mérito”, define a coisa
223

julgada fazendo remissão a “decisão de mérito”; isso porque a coisa julgada


alcança não só a sentença de mérito, mas também outras decisões que, no
curso do processo, julgam parcialmente o mérito (v. art. 356 do CPC/2015).
CPC/73 CPC/2015
Art. 467. Denomina-se coisa julgada material a Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a
eficácia, que torna imutável e indiscutível a autoridade que torna imutável e indiscutível a
sentença, não mais sujeita a recurso ordinário decisão de mérito não mais sujeita a recurso.
ou extraordinário.

Fundamento do instituto: promover a paz social, de modo a


evitar a eternização dos litígios, alcançando-se então a estabilidade nas
relações jurídicas.
Somente as decisões de mérito, proferidas com fundamento
nos arts. 269 do CPC/73 e 487 do CPC/2015, são acobertadas pela autoridade
da coisa julgada material.
As sentenças terminativas, proferidas com apoio nos arts. 267
do CPC/73 e 485 do CPC/2015, que não resolvem o mérito da causa, não
fazem coisa julgada material; tais sentenças são atingidas apenas pela
preclusão (coisa julgada formal).
Por não importarem solução de uma lide, também não fazem
coisa julgada material: despachos e decisões interlocutórias, sentenças
proferidas em procedimentos de jurisdição voluntária e as sentenças
proferidas em processos cautelares (as medidas concedidas podem ser
revogadas ou modificadas a qualquer tempo).
Relações jurídicas continuativas e outros casos de
rejulgamento (arts. 471 do CPC/73 e 505 do CPC/2015).
Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as Art. 505. Nenhum juiz decidirá novamente as
questões já decididas, relativas à mesma lide, questões já decididas relativas à mesma lide,
salvo: salvo:
I - se, tratando-se de relação jurídica I – se, tratando-se de relação jurídica de trato
continuativa, sobreveio modificação no estado continuado, sobreveio modificação no estado de
de fato ou de direito; caso em que poderá a fato ou de direito, caso em que poderá a parte
parte pedir a revisão do que foi estatuído na pedir a revisão do que foi estatuído na sentença;
sentença;
224

II - nos demais casos prescritos em lei. II – nos demais casos prescritos em lei.

Para alguns doutrinadores, as sentenças proferidas em casos de


relações jurídicas continuativas (de trato continuado) e em outras situações
em que é possível a revisão do que foi nelas estatuído, não fazem coisa
julgada material.
São os casos de alimentos, guarda de filhos, acidentes do
trabalho, etc., em que a sentença proferida comporta revisão diante de
modificação no estado de fato ou de direito.
Ora, nesses casos, a sentença proferida baseia-se numa
situação atual; e enquanto essa situação não se modificar a sentença é
intangível; alterados os fatos que motivaram a decisão de mérito, é possível a
revisão do que foi decidido; não se trata de alterar, ou seja, desconstituir a
sentença anterior, mas de obter uma nova sentença, diante de uma nova
realidade; não se repete a rigor a mesma lide, já que outra é a causa de pedir; é
possível então mover ação revisional de alimentos, ação de mudança de
guarda de filho menor, ação contra o INSS para alterar benefício de auxílio
acidente para aposentadoria por invalidez acidentária, etc.; nessas hipóteses o
demandado não poderá alegar a existência de coisa julgada no novo processo
e, desse modo, reclamar a prolação de sentença sem resolução do mérito.
Observação importante: a coisa julgada ocorre no processo
tenham ou não sido produzidas provas dos fatos alegados; não é possível a
repropositura da ação onde se deu a coisa julgada material, invocando-se
novas provas; diante da coisa julgada material é mesmo inviável a rediscussão
da lide, reputando-se repelidas todas as alegações e defesas que as partes
poderiam apresentar; como assinala a doutrina, cabe distinguir causas de pedir
de meros argumentos que envolvem o pedido; exemplo: “A” moveu ação de
indenização contra “B”, decorrente de danos ocasionados em acidente de
veículos, aduzindo que este invadiu a contramão de sua direção, dando causa
225

ao sinistro; julgado improcedente o pedido, não poderá ajuizar posteriormente


nova ação contra “B”, alegando agora que ele deu causa ao acidente por estar
alcoolizado e com os pneus em péssimo estado; não há que se falar nesse caso
que foi deduzida outra causa de pedir, cuidando-se, na verdade, de outros
argumentos que giram em torno da mesma causa de pedir: conduta culposa de
“B”.
CPC/73 CPC/2015
Art. 474. Passada em julgado a sentença de Art. 508. Transitada em julgado a decisão de
mérito, reputar-se-ão deduzidas e repelidas mérito, considerar-se-ão deduzidas e repelidas
todas as alegações e defesas, que a parte todas as alegações e as defesas que a parte
poderia opor assim ao acolhimento como à poderia opor tanto ao acolhimento quanto à
rejeição do pedido. rejeição do pedido.

Porém, o ordenamento jurídico abre exceções a esta regra:


- é possível a repropositura de ação popular, ação civil pública
e ação coletiva para a defesa de direitos difusos e coletivos quando forem
julgadas improcedentes por falta ou insuficiência de provas (LAP, 4717/65,
art. 18; LACP, 7.347/85, art. 16, CDC 103, I e II );
- outra hipótese: ação coletiva para a defesa de direitos
individuais homogêneos: a coisa julgada só se verifica se procedente o
pedido; se improcedente, não há sobre a sentença a autoridade de coisa
julgada, facultando-se às partes ou a outro co-legitimado a repropositura da
mesma ação (CDC, 103, III).

Limites objetivos da coisa julgada (v. arts. 469 do CPC/73 e


504 do CPC/2015)
A sentença, ao decidir a lide, terá normalmente que abordar as
questões suscitadas pelas partes, visando o acolhimento ou a rejeição do
pedido.
A sentença é a resposta do juiz ao pedido do autor.
226

Está na conclusão da sentença, no seu dispositivo, o


pronunciamento do juiz sobre o pedido. A sentença se prende ao pedido e ao
pedido se liga a coisa julgada; a coisa julgada se restringe então ao
dispositivo da sentença.
Art. 469. Não fazem coisa julgada: Art. 504. Não fazem coisa julgada:
I - os motivos, ainda que importantes para I – os motivos, ainda que importantes para
determinar o alcance da parte dispositiva da determinar o alcance da parte dispositiva da
sentença; sentença;
Il - a verdade dos fatos, estabelecida como II – a verdade dos fatos, estabelecida como
fundamento da sentença; fundamento da sentença.
III - a apreciação da questão prejudicial,
decidida incidentemente no processo.

Solução de questões prejudiciais


- questões prejudiciais são premissas lógicas da sentença, ou
seja, antecedentes lógicos que condicionam a resolução da lide;
- podem ser objeto de ação autônoma.
Exemplos: a questão do domínio na ação de reivindicação; a
questão do parentesco na ação de alimentos; a existência da relação locatícia
na ação de despejo, etc.
No sistema do CPC/73, tais questões prejudiciais não faziam
coisa julgada se decididas incidentalmente, ou seja, a decisão a respeito só
fazia coisa julgada material se provocado o seu exame mediante ação
declaratória incidental (v. arts. 5º e 325); o escopo da ação declaratória
incidental, como visto anteriormente, era propiciar que essa questão
prejudicial fosse analisada como questão principal e sua resolução constasse
do dispositivo da sentença, de modo a incidir a coisa julgada material,
impedindo então nova apreciação em outro feito.
A ação declaratória incidental ampliava o objeto da lide. Em
virtude dela o dispositivo da sentença deveria ser composto de duas partes:
- decisão da questão prejudicial;
- decisão da questão originária.
227

O CPC/2015 inovou, consoante se vê do disposto no art.


503:
“Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem
força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida.
§ 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão
prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se:
I – dessa resolução depender o julgamento do mérito;
II – a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não
se aplicando no caso de revelia;
III – o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa
para resolvê-la como questão principal.
§ 2º A hipótese do § 1º não se aplica se no processo houver
restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento
da análise da questão prejudicial.”
Tanto no regime do CPC/73, quanto no regime do novo CPC,
deve haver controvérsia acerca da existência ou da validade da relação
jurídica tida como antecedente lógico para a resolução da lide; por exemplo,
numa ação de despejo por falta de pagamento, o réu pode alegar na
contestação que não há locação, mas simples comodato, estabelecendo então
controvérsia sobre a relação jurídica existente; o juiz, para resolver o mérito
da causa, deve necessariamente se pronunciar sobre essa questão antecedente;
no regime do CPC/2015, a coisa julgada se estende à resolução dessa
questão prejudicial, independentemente do ajuizamento de ação
declaratória incidental, que foi abolida; assim, ainda que a questão seja
tratada incidenter tantum, ou seja, apenas na parte de fundamentação da
sentença, ficará acobertada pela autoridade de coisa julgada; as condições
para tanto vêm definidas nos incisos I a III do § 1º desse art. 503 do
CPC/2015; exige-se notadamente que a seu respeito tenha havido
contraditório prévio e efetivo, não se aplicando essa extensão no caso de
revelia.
228

Limites subjetivos da coisa julgada (v. arts. 472 do CPC/73


e 506 do CPC/2015)
Quais são as pessoas alcançadas pela coisa julgada material?
Regra geral: a sentença apenas obriga as partes entre as quais
foi dada, não prejudicando nem beneficiando aqueles que não participaram da
relação processual; a imutabilidade dos seus efeitos, que é a coisa julgada, só
atinge as partes (autores, réus, denunciados, chamados ao processo e
opoentes).
Terceiros interessados, que não integraram a lide, podem, no
entanto, ser atingidos reflexamente pela coisa julgada material, como o
fiador, o sublocatário, o credor hipotecário, etc.
Nesses e em outros casos, o terceiro se vê alcançado de modo
inevitável pelos efeitos da sentença; mas isso não quer dizer que ele sofreu os
efeitos diretos da coisa julgada; sofreu apenas os efeitos civis da sentença,
tendo em vista a alteração produzida no plano do direito material.
Resta ao terceiro, muitas vezes, apenas ação de perdas e danos
diante dos efeitos produzidos na demanda em que não foi parte; mas nessa e
em outras ações pode discutir tudo o que desejar.
De qualquer modo, o terceiro, após sofrer os efeitos da decisão
anterior, pode, se possível, vir a juízo defender seu interesse específico,
gerando sentença objetivamente contraditória em relação a anterior.
Exemplo: terceiro que toma conhecimento que seu bem foi
objeto de ação reivindicatória entre outros interessados pode vir a juízo
reclamar seu direito em relação ao vencedor da ação, obtendo uma nova
sentença (não se desconstitui a decisão anterior); os terceiros, portanto,
podem voltar a discutir todas as questões anteriormente debatidas, porque não
foram partes na ação anterior.
229

Há casos especiais de verdadeira extensão da coisa julgada a


quem não foi parte, em virtude da posição especial ocupada no plano das
relações de direito material.
Exemplos:
1) sucessores da parte: estão sujeitos à coisa julgada porque
recebem os direitos e ações no estado em que se encontram; a sucessão pode
ser inter vivos ou mortis causa; se a parte vem a falecer, no curso do processo,
será substituída pelo espólio ou sucessores (v. arts. 43 do CPC/73 e 110 do
CPC/2015) e, nesse caso, a coisa julgada estenderá seus efeitos a esses
substitutos; a sucessão inter vivos ocorre quando há alienação da coisa ou do
direito litigioso no curso do processo, tendo aplicação então o disposto nos
artigos 42 do CPC/73 e 109 do CPC/2015;
Art. 42. A alienação da coisa ou do direito Art. 109. A alienação da coisa ou direito
litigioso, a título particular, por ato entre vivos, litigioso por ato entre vivos, a título particular,
não altera a legitimidade das partes. não altera a legitimidade das partes.
§ 1º O adquirente ou o cessionário não poderá § 1º O adquirente ou cessionário não poderá
ingressar em juízo, substituindo o alienante, ou ingressar em juízo, sucedendo o alienante ou
o cedente, sem que o consinta a parte contrária. cedente, sem que o consinta a parte contrária.
§ 2º O adquirente ou o cessionário poderá, no § 2º O adquirente ou cessionário poderá intervir
entanto, intervir no processo, assistindo o no processo como assistente litisconsorcial do
alienante ou o cedente. alienante ou cedente.
§ 3º A sentença, proferida entre as partes § 3º Estendem-se os efeitos da sentença
originárias, estende os seus efeitos ao proferida entre as partes originárias ao
adquirente ou ao cessionário. adquirente ou cessionário.

2) legitimados concorrentes para demandar, como os credores


solidários.
Logo, embora não tenham eles integrado a relação processual
em que foi proferida a sentença, a decisão de mérito os alcança
necessariamente.
A regra é a coisa julgada inter omnes – obriga apenas as
partes.
Mas há exceções:
230

1) coisa julgada erga omnes – ocorre nas ações coletivas e


nas ações civis públicas propostas com apoio no Código de Defesa do
Consumidor e na Lei da Ação Civil Pública.
Exemplo: ação voltada a indenizar lesados por publicidade
enganosa ou contaminação do meio ambiente.
Versando sobre direito difuso, a eficácia será sempre erga
omnes procedente ou improcedente o pedido, salvo se a improcedência se der
por insuficiência de provas.
Versando sobre direito individual homogêneo (Código de
Defesa do Consumidor – art. 81, parágrafo único, III), a eficácia erga omnes
ocorre apenas se procedente o pedido.
2) coisa julgada ultra partes.
Nas ações que versam sobre direitos coletivos, a eficácia será
sempre para além das partes, procedente ou improcedente o pedido. É
limitada, porém, ao grupo, categoria ou classe de pessoas a que se refere o
direito coletivo discutido; exemplo: ação movida por Sindicato para obter o
reconhecimento de um direito da categoria profissional que representa.
Em caso de improcedência da ação por falta de provas, não
haverá coisa julgada ultra partes (v. art. 81, parágrafo único, incisos I e II, do
Código de Defesa do Consumidor).
231

Bibliografia utilizada para a elaboração do texto:

GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo Curso de Direito Processual


Civil, São Paulo: Editora Saraiva, Vols. 1 e 2.

SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, São


Paulo: Editora Saraiva, Vols. 2 e 3.

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Rio de
Janeiro: Editora Forense, Vol. 1.