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Arte de Rua julho de 2013

Arte de rua
Janice Jara Conceição Dutra - janicedutra@hotmail.com
Máster em Arquitetura
Instituto de Pós Graduação - IPOG

Resumo
O tema central deste trabalho foi a investigação das principais manifestações de arte urbana na
área central de Pelotas entre julho de 2011 e julho de 2012, a fim de compreender a estrutura
necessária para sua realização e finalmente propor um espaço urbano organizado para este fim.
Para tanto, foram pesquisados artigos em jornais e sites no período e feito um levantamento
fotográfico das ocorrências em julho de 2012. Paralelamente, foram consultadas, como aporte
teórico sobre estas manifestações, as obras Pallamin (2000) e Piovesana (2007). Percebeu-se
claramente que a divulgação desses trabalhos, sobretudo no “Calçadão” de Pelotas, em conjunto
com o comércio ambulante, contribui para a dificuldade no fluxo de pessoas e andamento do
comércio, além de descaracterizar a paisagem urbana. Entendeu-se que a característica turística
que a cidade reivindica para si teria crescimento com um maior destaque a estes artistas em um
local apropriado para apresentarem-se. Finalmente, a autora propõe a destinação de um local
mais adequado à manifestação da arte urbana em Pelotas, em um espaço público e com
reconhecido valor histórico.
Palavras-chave: Arquitetura; Arte urbana; Ocupação de espaços públicos.

1. Introdução
Esta pesquisa tem como tema principal a ARTE DE RUA que é conceituada como “praticamente
todo tipo de diversão, como contorcionismos, acrobacias, truques com animais, truques com cartas,
ventriloquismo, danças, recitais de poesia, apresentações de música, estátuas vivas, entre outros.”
(WIKIPEDIA, 2012).
É a arte expressada por artistas que, na maioria das vezes, estão no anonimato e que
preferencialmente usam as ruas como palco, sem considerar, muitas vezes, se o local onde estão é
apropriado para divulgarem seus trabalhos.
Em Pelotas, muitos desses artistas são vistos apresentando-se na zona central, na maioria dos casos
nos calçadões das ruas Andrade Neves, Quinze de Novembro e Sete de Setembro. São artistas de
vários gêneros como grafiteiros, dançarinos, músicos, estátuas vivas, pessoas que mostram suas
habilidades de malabarismos com ferramentas variadas.
Essas expressões artísticas populares atraem os olhares de curiosos que circulam no calçadão e
também de pessoas que realmente apreciam esse trabalho.
Mas há também os que criticam tais apresentações porque o centro de Pelotas é um local repleto de
comerciantes e estas manifestações acabam escondendo as vitrines e atrapalhando o fluxo de
pedestres. Elas somam-se a um conjunto de elementos que poluem urbanisticamente esse local tais
como rede elétrica aérea, cabos de telefonia e internet e vendedores ambulantes de diferentes
mercadorias.
Fizeram parte do trabalho a pesquisa de artigos em jornais e sites sobre manifestações ocorridas no
período mencionado e um levantamento fotográfico das ocorrências em julho de 2012, para
verificar quais os tipos de manifestações de arte urbana ocorridas e que tipo de suporte urbano

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necessitavam para acontecer. A parte sobre Arte Urbana foi embasada teoricamente na obra de
Pallamin (2000). Paralelamente sentiu-se a necessidade de estudar sobre a infraestrutura urbana
necessária e apropriada para tais manifestações, e para isto a obra de Piovesana (2007) foi a base.
Depois dessa coletânea de informações e da constatação de que existem convenientes lugares
próximos aos calçadões centrais e comerciais sugeriu-se um espaço considerado como o mais
apropriado para que esses artistas de rua possam mostrar seus trabalhos sem atrapalhar o fluxo de
pedestres no centro comercial. Levou-se em conta que este local deverá ser bem localizado na zona
central e preferencialmente que esteja nas imediações dos prédios tombados como patrimônio
histórico dessa cidade. O local sugerido foi a Praça Coronel Pedro Osório, partindo de um espaço,
embora ainda deficitário para este tipo de manifestação, que foi instalado pela Prefeitura para fins
de manifestações artísticas.
A proposta inicialmente seria aproveitar uma área já existente na praça com forma semicircular,
com revestimento no chão com ladrilho hidráulico, o que caracteriza as calçadas de Pelotas, onde
ocorreriam as apresentações artísticas. Neste espaço já existe banco que “convida” alguns jovens
para reunirem-se, conversarem e tocarem violão ao ar livre.
Como a população pelotense valoriza muito seus prédios históricos, acredita-se que este local torna-
se interessante, já que o mesmo está voltado para o principal teatro de Pelotas, o Sete de Abril, que
tem grande valor histórico para o patrimônio arquitetônico e cultural dessa região.

Figura 1 - Praça Coronel Pedro Osório vista para o Teatro Sete de Abril

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Figura 2 - Teatro Sete de Abril vista para a Praça Coronel Pedro Osório

2. Arte Urbana: caracterização e tipos de manifestação


Vivemos numa sociedade onde muitas pessoas procuram divulgar, apresentar e vender o seu
trabalho de forma autônoma e livre, utilizando o espaço público urbano como o local mais indicado
para isso. Desta forma, aqueles que praticam a arte urbana como meio de sobrevivência encontram,
naturalmente, seu maior público.
Conforme Pallamin (2000), a arte urbana é praticada pela sociedade e desenvolvida na zona urbana,
especialmente nas ruas. Os artistas sentem-se no direito de ocupar espaços da cidade sem estarem
preocupados se irão atrapalhar o andamento da vida urbana. Esse fato de certa forma afeta o aspecto
social, cultural e político da população.
Percebem-se diversas formas de manifestações de arte urbana. Para alguns artistas é uma forma de
expor seu trabalho utilizando técnicas e materiais para atrair os olhos da população, ganhar
dinheiro, levar a arte ao alcance do povo, estimular e incentivar os menos favorecidos.
O Grafite parece ser o primeiro tipo de arte urbana que nos vem à mente, talvez porque permaneça
nas ruas como um registro. Aos poucos, vai alastrando-se pelas cidades e passando a ser uma forma
de interferência na paisagem urbana, constituindo uma cadeia comunicativa entre o grafite, o
grafiteiro, o morador da cidade e o entorno. Esta forma de expressão artística está espalhada por
vários lugares atraindo muitos olhares. De certa forma abre-se uma discussão quanto à influência
que causa ao território urbano e à opinião das pessoas em relação a essa arte (SCOTTO, 2008).
Hoje em dia a sociedade aceita esse trabalho como arte porque os profissionais utilizam de formas e
cores para pintar e criar personagens, conceitos e figuras em muros, painéis e elementos que
acreditam que possam servir como ambientes e plataformas para soltar sua criatividade entre traços
e sprays (SCOTTO, 2008).
Entretanto, esta atividade expressada em grandes espaços urbanos ainda carrega preconceito porque
não há divulgação de como e por quem este trabalho é desenvolvido. Para que os leigos no assunto
possam conhecê-lo, seria necessário que houvesse mais divulgação e aproximação com as pessoas.
Segundo alguns grafiteiros, o apoio e incentivo à divulgação de seus trabalhos são fundamentais
para que sejam valorizados, reconhecidos e vistos não só como pintores, mas como artistas urbanos.
Sendo assim, acreditam que um local apropriado atrairia o público que conhece e aprecia essas
expressões, ao mesmo tempo os que não conhecem teriam a possibilidade de questionar e ter um
contato mais próximo do ambiente desses artistas (SCOTTO, 2008).

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Outra manifestação de arte urbana muito comum são as estátuas vivas. Conforme Brito (2012) este
fenômeno se expandiu desde os anos 90, invadindo as ruas mais movimentadas do Brasil inteiro.
Muitos destes artistas passam dificuldades porque vivem viajando, precisam pagar hospedagens,
alimentações e passagens. É desse trabalho que vem o seu sustento, pois as pessoas param, olham o
artista e deixam algum dinheiro.
As estátuas vivas são performances temáticas em movimentos estáticos, geralmente em pé, com
pausas estratégicas e perfeitas. A concentração e a resistência são fundamentais para esses artistas
além de terem que construir personagens que devem ter maquiagens e cenários. A preparação de
uma apresentação de estátua viva é cara já que as maquiagens devem ser apropriadas para o corpo e
os artistas devem usar artifícios para proteger a pele do frio, como base ou creme hidratante
corporal.
Outra expressão artística são as artes circenses que nos dias atuais estão vivendo um processo de
transformação. A lona deixou de ser o único lugar onde o circo se apresenta. Uma nova visão se cria
neste momento, o circo está voltado para todas as pessoas - crianças e adultos - e sendo utilizado de
maneira educacional, utilizando os movimentos do corpo.
Hoje é possível assistir a um espetáculo circense em teatros, parques, praças e lugares públicos. Até
então o “fazer circo” estava limitado às pessoas que seguiram seus familiares, que nasceram no
circo ou fugiram com ele, dando continuidade aos trabalhos de geração a geração. Com o tempo, a
arte circense está atraindo outro público, formado por pessoas que apreciam a dança, o
malabarismo, o teatro e a representação, por isso houve a abertura para esse novo tipo de arte, uma
arte que junta técnicas do circo, tais como se pendurar em um trapézio, jogar bolinhas, subir em um
tecido e saltar, com apresentação em teatros fechados e lugares públicos e abertos (TELLES, 2007).

3. Manifestações de Arte Urbana em Pelotas


Entre as manifestações de arte de rua mencionadas pelos autores consultados, destacam-se aqui
aquelas que ocorreram em Pelotas no período desta pesquisa, melhor caracterizando-as.
O Grafite é uma das manifestações de arte de rua mais comuns nesta cidade.
Recentemente o artista plástico Jotapê Pax esteve em Pelotas para ministrar uma oficina de grafite
tendo como objetivos o reconhecimento da arte de rua como ferramenta de socialização e
entretenimento e a aproximação dos interessados na prática da arte, desenvolvendo um pensamento
criativo de forma coletiva.
Devido ao reconhecimento de seu trabalho, é possível ver sua arte em ambientações de restaurantes
e fachadas comerciais pelo Brasil. Fora do país, apresentou-se em festivais culturais de arte.
Segundo ele, a atividade era considerada marginal, mas atualmente é possível vê-la em galerias e
museus. (DIÁRIO POPULAR, 2012)

Figura 3 - Grafite de Jotapê Pax

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Fonte: (DIÁRIO POPULAR, 2012)

Figura 4 - Grafite de Jotapê Pax


Fonte: (DIÁRIO POPULAR, 2012)

Figura 5 - Grafite de Jotapê Pax


Fonte: (DIÁRIO POPULAR, 2012)

Há também outro tipo de arte de rua que atrai os olhares das pessoas que circulam pela cidade.
Ao andar pela Rua Andrade Neves, onde se localiza o principal calçadão de Pelotas, depara-se com
personagens conhecidos como estátuas vivas. Atualmente encontramos o “homem prateado”, figura
ilustre que encanta e alegra as pessoas que por ali passam.
Este artista geralmente usa poucas vestimentas, figurinos e maquiagens criados por ele. Em meio ao
fluxo de pessoas, vendedores ambulantes, comerciantes de artesanatos de rua, ele se mantém forte e
persistente, mesmo sabendo que essa profissão pode ser admirada ou desprezada.
Questionado sobre o que pensa sobre o local em que se instala para apresentar-se, revela acreditar
que este é um lugar bastante movimentado por pedestres e ali consegue arrecadar dinheiro para sua
sobrevivência. Ao mesmo tempo não saberia onde mais se apresentar. Se estas estátuas vivas
tivessem seu reconhecimento profissional e o trabalho divulgado, existiria a possibilidade de terem
a rua como sua sobrevivência e possivelmente alguns espaços de estabelecimentos fechados onde
fariam eventos corporativos e particulares (festas, aniversários...) como vitrine viva, hoje já visto
em vários lugares do mundo. (BRITO, 2012)

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Figura 6 - Estátua Viva, “homem prateado”


Fonte: (DIÁRIO POPULAR, 2012)

Figura 7- Estátua Viva, “homem prateado”


Fonte: (DIÁRIO POPULAR, 2012)

Outros artistas que eventualmente são encontrados pelas principais ruas de Pelotas são integrantes
da oficina permanente de técnicas circenses criada nessa cidade, o Tholl, formada por artistas de
teatro e dança grupo que se apresentam em teatros fechados e também na rua, caracterizando um
circo sem lona e picadeiro.
Os principais objetivos do Grupo Tholl são: estimular o crescimento cultural de crianças e
adolescentes com sua inserção no mundo das técnicas circenses, desenvolvendo atividades
físicas e lúdicas; promover as técnicas circenses, conjuntamente com teatro e dança, em
montagens de espetáculos com elevado padrão de excelência; difundir e desenvolver o
pleno exercício da educação, proporcionando qualidade de vida à comunidade em que está
inserida; exercer parcerias, diálogo local e solidariedade entre diferentes segmentos sociais,
que visem interesses comuns com a arte. (www.grupotholl.com)

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O grupo é reconhecido nacionalmente, tanto que o seu trabalho foi apresentado na emissora da Rede
Globo nos programas Caldeirão do Huck e TV XUXA, além disso, também se apresenta com
frequência em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em cidades que ficam nos arredores de Pelotas e
em outros estados do Brasil. Temos este como um “produto” de grande importância para nossa
cidade.
Este também trabalha com publicidade, divulgando eventos ligados a eles ou empresas
terceirizadas. Fazem apresentações artísticas pelos calçadões centrais de Pelotas em datas
comemorativas. Quando aparecem, as pessoas direcionam os olhares para as performances e
figurinos dos personagens, enquanto que outros cercam esses artistas, tornando o calçadão central
um palco, esquecendo que o andamento do comércio fica prejudicado.

Figura 8- Arte Circense, grupo Tholl


Fonte: (www.grupotholl.com)

Figura 9- Arte Circense, grupo Tholl


Fonte: (GRUPO THOLL, 2012)

Outro grupo de teatro, mais novo, a “Companhia Informal de Artes Cênicas”, parte do princípio que
o público não tem mais o costume de sair de casa para ir ao teatro. Sendo assim, resolveu levar seu
trabalho ao público. Em meio à multidão que circulava pelo centro comercial, personagens com
roupas e maquiagens fora do convencional chamaram a atenção dos pedestres em julho de 2010,
porque começaram a interagir com as pessoas que estavam a sua volta, as quais reagiram de várias
formas. Enquanto as crianças aceitaram as brincadeiras e mergulharam no mundo da imaginação,
outros só olhavam. O grupo visa expandir a cultura e mostrar que é possível fazer arte de rua
(DIÁRIO POPULAR, 2010).

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Figura 10- Companhia Informal de Artes Cênicas


Fonte: (DIÁRIO POPULAR, 2010)

Além de manifestações circenses e teatrais, a cidade de Pelotas é rica em grupos e companhias de


dança. “O corpo da cidade que dança” foi o tema escolhido por um grupo da “Escola de Dança
Estímulo”, em parceria com o curso de Dança - Habilitação em Teatro, da Universidade Federal de
Pelotas (UFPEL), para não deixar passar em branco o Dia Internacional desta arte.
Berê Fuhro Souto, integrante da escola “Estímulo”, destaca que esta experiência é inovadora em
Pelotas e escolheram um tema é para chamar a atenção de todos sobre os problemas do cotidiano
como a economia, os mendigos que caminham pelas ruas, o lixo espalhado e os sinais de trânsito.
“Eles ensaiaram a forma como iriam mostrar o contemporâneo ao público. O diferencial de outras
apresentações de rua são os diálogos que em algumas situações são improvisados de acordo com o
momento”, destaca Berê. Para ela todas as reações do público são importantes e com isso está
sempre em busca de novas apresentações para surpreender o mesmo.
Nesta ocasião, dançarinos perguntavam: "você dança?". Alguns pedestres diziam que sim e outros
atravessavam a rua rapidamente e criticavam a manifestação artística. Em algumas exceções,
ocorria a interação entre público e artista (DIÁRIO POPULAR, 2010).

Figura 11- Grupo de Escola de dança Estímulo


Fonte: (DIÁRIO POPULAR, 2010)

Podemos encontrar um casal de artistas de rua morador da periferia de Pelotas, que enfrenta
engarrafamentos no trânsito para chegar ao calçadão, principal palco de suas apresentações.
Trabalham de segunda a sábado e se chover não se apresentam, porque o local é descoberto.
Estão sempre acompanhados dos bonecos que também formam um casal. Devido à divulgação do
trabalho, já estão se apresentando em eventos infantis e comunidades carentes em Pelotas.

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A arte deles é mais uma manifestação entre tantas outras presentes nas ruas centrais. Mais do que
isso, foi a alternativa encontrada por pessoas talentosas para vencer o problema do desemprego. Por
meio das apresentações de suas habilidades nas ruas, os artistas vivem exclusivamente da renda
obtidas com as apresentações.

Figura 12- Casal de dançarino com bonecas de pano

4. O calçadão de Pelotas e seus “múltiplos” usos


De acordo com Figueira (2009), Pelotas é um município que possui como
atividade principal o comércio, que atrai a população das cidades da
redondeza. O número de estabelecimentos comerciais e indústrias que prestam
serviços são grandes. Além disso, a cidade é polo na produção de doces
caseiros e industrializados, sendo sua qualidade e sabor conhecidos pelo país.
O calçadão da cidade abrange muitos pontos comerciais e de integração
regional. É nele que estão as principais lojas de bazar, confecções, entre
outras. Local preferido para moradores locais e das cidades próximas para
fazerem compras e passearem, consequentemente possui grande fluxo de
pedestres. Devido ao comércio e à integração social existe competitividade no
mercado e na diversificação cultural.
Neste local é possível encontrar apenas pequenos espaços para descanso,
bancos ao redor das árvores e circundando o chafariz. Destaca-se na paisagem
urbana do calçadão da Andrade Neves o Chafariz das Três Meninas que veio da
França em meados de 1874, na Rua Andrade Neves entre Marechal Floriano e
Sete de Setembro.

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Figura 13- Chafariz Três Meninas

Apesar desta bela construção isolada, no calçadão de Pelotas, o planejamento


urbano sofre deficiências porque o crescimento da população ficou
desproporcional em relação à infraestrutura do mesmo. As condições ficaram
precárias e os problemas começaram a aparecer, tais como: fiações de rede
elétrica e TV a cabo, lixo a céu aberto, animais abandonados, mendigos
embaixo das marquises, bicicletas escoradas em árvores, ambulantes, artistas
de rua, vendedores de artesanatos, carrocinhas que vendem lanches e mesas
de restaurantes espalhados pelo calçadão. Assim, manifestações de cidadania,
expressões artísticas e de pessoas com diferentes estilos e interesses ocorrem
no meio do fluxo de pedestres ou em esquinas, de modo improvisado.

Figura 14- Calçadão da Rua Andrade Neves

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Figura 15- Calçadão da Rua Andrade Neves

É necessário que haja intervenção de autoridades, políticos, empresários e


população, juntamente com profissionais do turismo, arquitetura, urbanismo e
geógrafos, para traçarem metas a fim de revitalizar e reativar o potencial
turístico desse espaço. Para os turistas, o calçadão é um dos principais
atrativos da cidade e para o turismo gerador de empregos se expandir, é
necessária maior atenção a esses problemas.
Algumas estratégias nesse espaço urbano seriam indispensáveis, como:
utilização de rede elétrica, telefonias e TV a cabos subterrâneos, um quiosque
de informações turísticas, melhorias no calçamento, espaço destinado aos
ambulantes fora do calçadão, painel de informações sobre programações locais
de artistas de rua, painéis com informações históricas do chafariz. Estas
medidas certamente diminuiriam a atual poluição visual deste espaço.
Acredita-se que estas medidas poderiam melhorar as condições de serviços e
andamento da zona central de Pelotas, incentivando a população a valorizar o
patrimônio histórico, proporcionando bem estar na sua infraestrutura,
melhorando a qualidade de vida das pessoas que frequentam esse local.
Paralelamente à infraestrutura urbana, seria necessária uma política que
protegesse a paisagem para delimitar o que poderia ser ou não ser utilizado,
dentro das finalidades a que foram planejados.
Neste momento, os profissionais de arquitetura e urbanistas ambientalistas
deveriam atuar juntamente com órgãos competentes e Prefeitura, exercendo o
planejamento urbano e a fiscalização, de modo a impedir as irregularidades e
fazer cumprir as leis.

5. A infraestrutura arquitetônica e urbana necessária aos tipos de


manifestação artística urbana em Pelotas

Considerando as ideias de Tjibaou (2005), o centro cultural deve ser um lugar


destinado aos artistas para divulgarem seus trabalhos e exporem sua arte,
diminuindo os problemas causados ao fluxo de pedestres no calçadão, como se

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escreveu. Para isso seria necessário um espaço público com infraestrutura


adequada à arte de rua como de um espaço de arte e de fácil acesso.
Como se tratam de manifestações artísticas voltadas à arte de rua, é
necessário que o local atraia esses artistas e seu público. Pensando nisso,
devem-se utilizar alguns elementos arquitetônicos no estudo da volumetria e
nas cores para atrair as pessoas sem esquecer a funcionalidade e a eficiência
do mesmo.
Além disso, as ambientações devem ser acolhedoras e valorizarem a
identidade do conjunto arquitetônico. O local deve estar equipado
adequadamente para que os observadores possam se sentar e se proteger das
variações climáticas.
A infraestrutura necessária para que haja bom funcionamento do espaço de
arte deve possuir palco multiuso coberto, arquibancadas que não sejam
fixadas no chão para possibilitar o deslocamento caso seja necessário,
iluminação natural utilizando de artifícios arquitetônicos para aproveitar ao
máximo esse recuso natural e artificial quando necessário, banheiros públicos
para homens, mulheres e portadores de deficiência, vestiários para os artistas,
bilheteria caso seja cobrado algum ingresso ou contribuição, acessibilidade
para cadeirantes com piso tátil e rampas, equipamentos de som, para o
conforto térmico evitar grandes superfícies envidraçadas na fachada norte e
oeste, em relação ao conforto acústico utilizar material isolante e quanto a
segurança prever saída de emergência, sinalização, sistema de alarme e
sistema de combate a incêndio no interior.

6. A praça como um espaço de interação e a Praça Coronel Pedro


Osório

A praça é de domínio público e coletivo para a cidade, segundo Caldeira (2007). Desde a Roma
antiga este era o local mais importante da cidade, como também aconteceu no Brasil nas cidades
coloniais.
Com o tempo, as cidades estão crescendo e as modernidades oferecidas pelas mesmas como
cinemas, restaurantes, parques fechados com brinquedos, clubes sociais e shoppings, estão atraindo
o público, diminuindo assim a ocupação de espaços abertos e públicos.
A praça que foi abordada no urbanismo modernista utiliza os grandes espaços livres ao invés dos
locais fechados, mas é criticada pela sua falta de ocupação.

No modernismo, a praça tem grande dimensão morfológica, mas se transforma em um


espaço vazio, desarticulado do cotidiano urbano, o que a faz deserta e apenas ocupada em
situações muito particulares Já a praça contemporânea, a praça de hoje, tem a preocupação
de recuperar o sentido de urbanidade, depois das criticas que se fizeram à cidade
modernista. (CALDEIRA, 2007)

Algumas praças possuem vários nichos com diversos equipamentos como playground, mesas para
jogos de dama, bancos, áreas verdes, lagos e áreas livres, lugares atrativos ao público em geral,
como a própria Praça Coronel Pedro Osório. Entretanto, apesar deste espaço em Pelotas possuir
alguma infraestrutura, falta-lhe outras, que efetivamente atrairiam a ocupação e viabilizariam a
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permanência por mais tempo e por mais freqüentadores. Não existe, por exemplo, restaurante na
mesma. Não existem, também, atrações culturais que atraiam o público para este espaço. Assim,
com outras programações existentes na cidade, como a feira de artesanato na Avenida Bento
Gonçalves, acaba que não é ocupada por tantas pessoas quanto poderia ser.
Apesar disso, a praça se transforma completamente durante uma feira anual de livros. Quando esta
acontece, atrações gastronômicas são instaladas, um palco onde vários grupos artísticos se
apresentam se faz presente, além dos estandes de livrarias que são a atração principal. A praça
ganha, então, a “vida” e a ocupação que não possui durante o resto do ano.
A praça Coronel Pedro Osório tem sua origem no estilo modernista de praça século XX, se
adequando ao estilo contemporâneo proposto pelos urbanistas. Neste, as praças querem resgatar os
moldes dos espaços das praças da antiguidade romana, recuperando o verdadeiro significado do
urbanismo.

Como projeto de modernização destinado ao embelezamento da cidade ordenada, higiênica


e segura das propostas burguesas, a praça é um local público para o exercício da função de
lazer e incentivo da vida comunitária. Espaço voltado ao atendimento dos cidadãos,
habitantes da urbe, que em suas horas vagas podem desfrutar, na companhia de seus
familiares ou amigos, de um espaço comum, bem arborizado, livre do movimento contínuo
dos carros e com infraestrutura suficiente para atrair a população para um exercício de
sociabilidade, símbolo da coesão social e fruto da prosperidade. (PIOVESANA, 2007)

Levando em conta isso se acredita que é possível recuperar o interesse pela


utilização da praça como lazer oferecendo programações artísticas com atores
locais, através da arte urbana, pois além de incentivar os mesmos seria mais
uma alternativa de cultura para a população.

7. Proposta de um espaço da Praça Coronel Pedro Osório

A Praça Coronel Pedro Osório, revitalizada em 1997, é repleta de “nichos”


como playground, mesas para jogos de damas, bancos, banheiros públicos,
monumentos históricos de artistas dessa região, arborizada, em ótima
localização e situada na zona central da cidade onde é possível enxergar os
calçadões da rua Andrade Neves e da rua Quinze de Novembro.
No seu entorno existem muitos prédios considerados patrimônio histórico tais
como: a Prefeitura do Município de Pelotas, o Grande Hotel, o Teatro Sete de
Abril e casarões históricos.
De frente para o Teatro Sete de Abril, existe um espaço ao modelo de um
anfiteatro, ao ar livre, onde um piso semicircular é cercado de um banco.
Pode-se inferir que a intenção da Prefeitura, ao construí-lo, foi de propiciar um
local para encontros e apresentações de todo tipo.
Depois de estudos, de pesquisas e de perceber a necessidade de contribuir
para melhorar o fluxo dos pedestres e diminuir a poluição urbana dos
calçadões centrais de Pelotas, pensou-se em deslocar os artistas de rua
justamente para este espaço público já existente, porém pouco utilizado para
apresentações artísticas, divulgações de trabalhos e exposição de arte.

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Esta proposta vai ao encontro das concepções da praça contemporânea, como


espaço de lazer, cultura e convívio social.
O fato de este espaço ser aberto ao público permitiria atividades esportivas em geral e de lazer, além
de eventos culturais tais como: apresentação de música, realização de espetáculos de teatro, de
dança, palestras e exposições artísticas. Com a revitalização deste espaço pode-se pensar que a
praça também poderia atrair e despertar o interesse para feiras e eventos porque a mesma possui
espaço amplo.
“Um espaço aberto para o encontro e o convívio, onde se pode ficar à vontade, vadiar, ler,
descansar, namorar, assistir à espetáculos artísticos e esportivos, participar de
manifestações públicas...” ( PIOVESANA, 2007)

Os profissionais que fazem manifestação artística nos calçadões da cidade não


seriam prejudicados quanto ao fluxo de pessoas, pois o anfiteatro da praça se
encontra muito próximo a estes calçadões e é ponto de passagem para os
pedestres que circulam na área central.
Este local precisaria, entretanto, sofrer algumas alterações porque não possui infraestrutura para
suprir as expectativas dessa proposta. Imaginou-se um espaço coberto, com arquibancadas, fácil
acesso para cadeirantes, sinalização de entrada e saída do centro cultural, iluminação artificial,
palco central, aberturas nas laterais e painéis de informações sobre programações de artistas locais
de rua, projetada para ser um espaço multiuso e proporcionar a realização de atividades variadas.
Dentro das alterações propostas, deverá possuir cobertura metálica com policarbonato transparente
no formato arredondado tirando partido a forma geométrica do mesmo. As arquibancadas serão de
estrutura de metal, os assentos de madeira, para proporcionar conforto térmico e não deverá ser
fixada ao chão. Durante o dia será priorizada a iluminação natural e à noite, artificial. O palco será
locado no centro desse “nicho” onde se está desenvolvendo a proposta, cuja pavimentação é com
ladrilho hidráulico, dando referência as primeiras pavimentações da cidade. Como a praça possui
banheiros públicos, não se sente a necessidade de projetar outros e, num contexto geral, possui boa
iluminação artificial com postes de luz já existentes no local.
Para convidar a população aos eventos, seria interessante a colocação de painéis luminosos
distribuídos pelo calçadão, na frente do local e próximo ao chafariz locado no seu eixo central.
Os materiais e infraestrutura sugeridos pretendem que a intervenção construtiva arquitetônica
transmita a sensação de transparência e leveza, não causando impacto e sim preservando a
visualização do traçado urbanístico dessa área.

8. Conclusão

Percebe-se, ao concluir a pesquisa, que o município de Pelotas possui a necessidade de proporcionar


à comunidade e aos artistas de rua um espaço para cultura digno e com infraestrutura adequada para
a realização e a valorização das atividades artísticas que vêm se desenvolvendo e se instalando em
lugares inapropriados, dificultando o andamento dos locais de grande fluxo de pedestres da zona
central, já que a cidade dispõe de lugares públicos com a possibilidade de ser adequado para receber
tais atividades.
A Arte de Rua passaria a possibilitar a convivência e a troca de informações entre as pessoas,
agregando um crescimento cultural coletivo, essencial para a formação de uma sociedade mais
crítica e participativa.

ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - 5ª Edição nº 005 Vol.01/2013 – julho/2013
Arte de Rua julho de 2013

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