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BOLETIM

INFORMATIVO

PLANTAÇÕES - CONVÍVIO DE SÓCIOS E AMIGOS


VISITA GUIADA - TROCA DE SEMENTES

Domingo, 24 de fevereiro - 9.30 h Quinta Pedagógica da Caria


(Casal da Barreirinha – Maceira – Torres Vedras)

Traz as tuas sementes para troca


Traz algo para comer e beber para partilhar!
Nesta edição:
Editorial Balanço Atividades 2

Convocatória 3
Continuamos a refletir sobre o que será o maior desafio da
atualidade, as alterações climáticas, e nesta edição Food for Change 3
aprofundamos a questão da energia. Energia e Clima 4
Em 2019 celebramos o 20º aniversário, por isso reforço a
todos os associados e amigos e reforço o convite para Breves 6
o programa e assembleia geral na Quinta Pedagógica da Mês do Agricultor 7
Caria. O local é convidativo e em boa companhia esse dia
será certamente muito bem passado à semelhança dos Eco-Receita 7
eventos anteriores! Espaço Jovem Atento 8
Votos de um excelente ano de 2019.
Ano 15, N.º 41
A presidente da direção Janeiro de 2019
Alexandra Azevedo www.mpica.info
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PARTICIPAÇÃO NA TERRA MADRE E SALÃO DO GOSTO 2018 Alexandra Azevedo

Participei num grande evento do Slow Food


Internacional, o TERRA MADRE e Salone
del Gusto, que se realizou de 19 a 24 de setem-
bro em Turim - Itália, um mega-evento gastro-
nómico com edições de 2 em 2 anos, com cerca
de 3000 delegados dos 5 continentes, milhares
de expositores e de visitantes. Eu integrei a
delegação portuguesa composta por 14 elemen-
tos provenientes de várias regiões do país, des-
de o Algarve ao Minho.
Fui ainda uma das oradoras tendo participa-
do no fórum sobre ervas medicinais, cogumelos
e algas, mas o meu foco foi a bolota, e todos os
presentes puderam degustar o pão de bolota
que levei e… foi uma agradável surpresa, pois
ninguém sabia que a bolota se podia comer e
que o pão fosse tão saboroso!
A bolota como alimento para humanos ganhou ainda uma maior relevância devido aos grandes in-
cêndios de 2017. A necessária mudança na floresta também passa pela necessária mudança da nossa
alimentação que tem de valorizar mais os alimentos melhor adaptados ao nosso território e que melhor
preservam outros recursos naturais (água, solo, biodiversidade…)

PLANTAÇÕES E SEMENTEIRAS DE ESPÉCIES AUTÓCTONES


NA QUINTA DO OLIVAL DA MURTA (CADAVAL)

Depois do Sítio do Vale Salgueiro (Pêro Moniz)


em 2017 agora a Quinta do Olival da Murta foi a
propriedade agrícola onde prosseguimos
na recuperação do ecossistema agrícola.
No passado dia 16 de dezembro mais de 20
pessoas responderam à chamada, vindas de vá-
rios pontos da região Oeste, cheias de vontade
de trabalhar e de adquirir conhecimentos para
fazerem o mesmo nos seus terrenos! E era pre-
cisamente esse um dos objetivos também:
inspirar outras pessoas!
São muitas as sebes que se pretendem recupe-
rar na quinta, mas iniciou-se por 2 áreas que
confinam com pomares de produção intensiva/
química, num total de cerca de 158 metros, para
desta forma se reduzir um pouco a contaminação. Foram selecionadas 13 espécies diferentes para plan-
tação e 3 espécies de Quercus (Carvalho cerquinho, sobreiro e azinheira) para sementeira direta, cuja
proveniência foi a própria Quinta do Olival da Murta, Alexandra Azevedo (do MPI) e do Centro de
Educação Especial (Caldas da Rainha).
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CONVOCATÓRIA
De acordo com os estatutos do MPI — Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente,
convoco a Assembleia Geral Ordinária desta Associação, que se realizará Domingo, dia 24 de fevereiro,
pelas 14:30 horas, na Quinta Pedagógica da Caria, sita no Casal da Barreirinha, concelho de Torres
Vedras, com a seguinte ordem de trabalhos:
1. Discussão e votação do Relatório e Contas do ano 2018
2. Eleição dos corpos sociais para o triénio 2019-2021
3. Discussão e votação do Plano de Atividades e Orçamento para 2019
4. Outros assuntos de interesse para a associação
Não havendo número legal de associados para a Assembleia funcionar, fica desde já marcada
uma segunda convocação para meia hora depois, funcionando com qualquer número de associados.
Vilar, 7 de janeiro de 2019
A Presidente da Assembleia-Geral
Graça Maria Rolim André Queirós

CAMPANHA “FOOD FOR CHANGE” – COMIDA PELO CLIMA!

Esta campanha foi lançada na edição


do Terra Madre Salone del Gusto de
2018, a 12ª, dedicada às alterações climá-
ticas com o objetivo de gerar a mudança
em cada um de nós, no nosso dia-a-dia, a
partir das escolhas alimentares diárias,
muitas vezes não sustentáveis, a escolha
do que compramos – e o que cultivamos
– para preparar o que comemos.
São lemas da campanha: A revolução
tem que ser alegre. A revolução tem que
ser de bom gosto. A revolução é comida.

UMA SEMANA PELO CLIMA

O primeiro desafio foi a adesão à Semana pelo Clima, de 16 de outubro (Dia Mundial
da Alimentação) a 22 de outubro, em que foi pedido aos participantes que se comprometessem
a comer local, sem desperdícios ou sem carne.
Registaram-se 5.000 participantes e permitiu poupar 63 toneladas de CO2, isto é, o equivalente de
175.000 km de automóvel (que correspondem a 4 voltas da Terra).
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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS Alexandra Azevedo


e Artur Varges
O QUE FAZER: AS QUESTÕES DA ENERGIA
Neste boletim continuamos a analisar o que podemos fazer para mitigar (resolver) as alterações climáti-
cas e partilhamos o nosso testemunho.

POUPAR ENERGIA
Antes mesmo de pensarmos em energias renováveis, há algo bem mais simples e que está ao al-
cance de qualquer um..., poupar energia… embora algumas das dicas que aqui deixamos sejam mais
fáceis de por em prática do que outras:
- poupar água (também poupamos energia em bombagem, por exemplo);
- comprar produtos locais/nacionais em vez de produtos que venham do outro lado do planeta (e
de preferência avulso reutilizando os sacos, e assim não só poupamos energia como reduzimos o lixo!!);
- fazer uma condução eficiente (arranques suaves, manter velocidade constante, evitar grandes
velocidades e acelerações…);
- acabar com os standby, é raro o aparelho que não tenha standby, mesmo quando estão
“desligados”, a única forma de garantir que ficam mesmo desligados é usar tomadas com interruptor,
olhem que os chamados “consumos fantasma” podem chegar aos 20% do total do consumo de energia
numa casa!
- iluminação de baixo consumo (lâmpadas a LED são as melhores e agora já existe boa oferta no
mercado a bom preço, ou as lâmpadas fluorescentes compactas);
- apostar em bom isolamento da casa (isolamento dos tetos, onde se perde cerca de 80% do calor,
vidros duplos;
- vegetação à volta da casa se possível, é um sistema de climatização natural que em nossa casa é
bem visível! nesse caso as espécies de folha persistente devem estar a norte e as de folha caduca a sul);
- lavar louça e roupa a baixas temperaturas sempre que possível e no momento de comprar novos
eletrodomésticos optar por aparelhos mais eficientes (no projeto TOP TEN topten.pt há boa informa-
ção para ajudar na escolha).
Para além de tudo isto, uma das opções mais eficientes que fizemos em nossa casa, foi substituir o
recuperador de calor por um fogão de lenha, assim com metade da lenha fazemos muito mais, pois po-
demos cozinhar quer no fogão, quer na parte do forno e aquecer melhor a casa! Às vezes as “velhas”
soluções continuam válidas e às vezes são mesmo as melhores opções!

Tomada com
Fogão de lenha Comprar local
interruptor
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ENERGIAS RENOVÁVEIS
Por definição são as fontes de energia inesgotáveis e temos o sol, o vento, a água, o biogás, a bio-
massa (por exemplo: lenha), as marés e a geotérmica. O sol e o vento são sem dúvida das fontes mais
acessíveis, mesmo para instalações individuais. Quanto à energia da água convém clarificar uma ques-
tão que é a seguinte, a energia produzida pelas barragens é considerada oficialmente como renovável,
mas na realidade não deveria ser, porque os impactos gerados são enormes pela destruição dos rios,
destruição de território pela submersão e consequente desflorestação, destruição de aldeias, vias
de comunicação, etc., além disso os detritos nas águas estagnadas das albufeiras libertam dióxido de
carbono. Daí que vários países estejam a implementar políticas de desmantelamento de barragens e
renaturalização dos seus territórios!
- Água quente solar: Foi a primeira coisa que fizemos, e de fabrico próprio! O consumo de gás,
muito do qual era para os banhos, reduziu-se para metade assim que começaram a funcionar
os 2 painéis
- Microgeração: Em vez de grandes unidades de produção de energia elétrica deveria ser forte-
mente incentivada as unidade de pequena escala, ou seja, a microgeração, mas… isso não interessa aos
grandes grupos económicas que controlam o setor energético. A lei foi muito lentamente melhorando
as condicionantes, como capacidade instalada, venda à rede, licenciamentos, mas ainda está aquém do
desejável! No nosso caso optámos pela instalação de um gerador eólico e de 10 painéis fotovoltaicos e,
para não estarmos condicionados pela legislação, decidimos investir em baterias que têm autonomia
para 3 dias. Portanto desde que haja sol somos 100% autossuficientes!
- Mobilidade elétrica: Os carros elétricos ainda são muito caros e têm pouca autonomia (nos auto-
móveis 100% elétricos as autonomias, em regra, ficam-se pelos 150 Km) e portanto só servem para pe-
quenas deslocações, que é o caso de percursos nas cidades precisamente onde os transportes públicos
deveriam ser a maior aposta (quanto melhor for a oferta mais utilizadores também poderá ter), mas para
quem precisa mesmo de transporte individual, as scooters elétricas são uma opção muito económica, e
desde 2011 é o nosso meio de transporte para o dia-a-dia e… já está paga só com a poupança
em combustível!

Desidratador solar

Energia solar e eólica


Scooter eléctrica
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BREVES
Lixo por pontos para desconto no mercado municipal
Um projeto inovador que valoriza as embalagens alimentares depois de usadas. Uma máquina de
recicláveis valoriza separação no mercado municipal da Póvoa de Varzim. A cada entrega de resíduos a
máquina devolve um talão de desconto com pontos, 5 pontos por cada garrafa PET de garrafas de água
ou refrigerantes, 3 pontos por PEAD dos iogurtes líquidos, ECAL dos pacotes de sumo ou de leite e
para o aço e alumínio das latas refrigerantes, e 2 pontos pelas embalagens de vidro. Os pontos acumula-
dos dão descontos em compras no Mercado Municipal e em equipamentos culturais do município.
Fonte: http://www.ambienteonline.pt/canal/detalhe/maquina-de-reciclaveis-valoriza-separacao-no-mercado-da-povoa-de-varzim

Poluição por plásticos é conhecida de 96% dos portugueses, mas só metade muda comportamento
Foi este o resultado de inquérito realizado no âmbito de uma iniciativa europeia de sensibilização
sobre os descartáveis de plástico, a campanha "#40 dias sem plástico", que convidou os europeus
a desistir dos produtos descartáveis, ao mesmo tempo que sensibilizou para modos de vida mais
amigos do ambiente, tentando reduzir a poluição do mar.
Muitos dos inquiridos não conhecem as alternativas ecológicas aos descartáveis, como os sacos de
pano, escovas em bambu, garrafas reutilizáveis ou palhinhas em inox, a maioria tem dúvidas na identi-
ficação dos produtos que contêm microplásticos e 65% não sabem identificar os plásticos recicláveis.
O consumo de produtos descartáveis está a crescer e muito deste lixo vai parar ao mar e deterioram-
se, dando origem a pequenas partículas que são ingeridas pelos animais e levam à sua morte.
Os plásticos são fabricados a partir do petróleo e demoram entre 200 a 400 anos a desaparecer do
meio natural, tendo o seu fabrico várias questões ambientais associadas.
Fonte: https://www.dn.pt/lusa/interior/poluicao-por-plasticos-e-conhecida-de-96-so-metade-muda-comportamento---
quercus-9233356.html 04 DE ABRIL DE 2018

Monsanto condenada a pagar 290 milhões de dólares por não ter aviso do perigo do herbicida
'Roundup, na origem de um cancro num jardineiro
Dewayne Johnson é o jardineiro americano, de 46 anos, vítima de um cancro em fase terminal, após
ter vaporizado com o herbicida ‘Roundup’ durante vários anos.
Esta condenação foi a 9 de agosto de 2018 por um tribunal de São Francisco, nos Estados Unidos, e
este caso fez aumentar o número de processos contra a empresa para 8.000!
A substância ativa é o glifosato que é criticada em todo o planeta, considerado, desde 2015,
como “provável cancerígeno” pela Organização Mundial de Saúde. Após dois anos de intensos debates,
a União Europeia renovou, em finais de 2017, a licença do glifosato por cinco anos.

Ficha técnica
Diretora: Alexandra Azevedo / Paginação: Nuno Carvalho
Colaboraram nesta edição: Alexandra Azevedo e Artur Varges
Impressão com o apoio da Junta de Freguesia de Vilar.
Impresso em papel 100% reciclado.
Propriedade: MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente
Largo 16 de Dezembro, 2 / Vilar / 2550-069 VILAR CDV
tel:/fax: +351 262 771 060 email: mpicambiente@gmail.com
Web site: www.mpica.info
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MÊS DO AGRICULTOR

A campanha Food for Change continuou em novembro, com o Mês do/a Agricultor/a, e termina em
31 de dezembro. A natureza está a dar sinais claros de que precisamos mudar, reverter o rumo, escolher
práticas agroecológicas, transformá-las em modelo de vida. Por isso, precisamos premiar esses agriculto-
res locais que muitas vezes se sentem abandonados e deixados em último lugar. Precisamos de valorizá
-los, fazer com que as pessoas sintam que é diferente comer um alimento que tem uma alma.
A mudança começa aqui”.
O alimento é a causa, vítima e — o melhor de tudo — uma solução deliciosa para a mudança climáti-
ca. É hora de agir por um planeta mais saudável!

O clima é o alimento e o solo no qual é cultivado,


e é responsabilidade de cada um de nós.
O clima é vida, e exige todo nosso cuidado e atenção.

Apenas juntos podemos garantir


o futuro do nosso planeta
Apenas juntos podemos desenvolver o futuro
daqueles que virão depois de nós."

Carlo Petrini
Fundador e Presidente do Slow Food

Alexandra Azevedo
ECO-RECEITA

Sopas saborosas
A sopa é um prato tão típico da nossa gastronomia,
tão saudável e prático nem sempre é assim tão
saudável e do agrado de muitos. O segredo
para inverter essa situação pode estar em fazer sopas
mesmo deliciosas, por isso em vez de uma receita
deixo várias dicas:
- Fazer primeiro um leve refogado de cebolas
e alho em bom azeite (depois juntar a água e os vários
legumes da época)
- Juntar ervas aromáticas (coentros, salsa, hortelã,
poejo… consoante o gosto e da época do ano)
- Juntar um pouco de carne (pode ser chouriço, pre-
sunto ou bacon ou ainda um osso)
- Usar algumas especiarias
(pimenta, noz-moscada) e
- Nunca esquecer, o alho!
Podemos combinar várias destas hipóteses numa mesma receita para resultados ainda
mais saborosos!
As leguminosas são importantes aliadas em várias receitas de sopa e devemos também variá-las ao
máximo desde vários tipos de feijão, vários tipos de lentilhas, grão, ervilhas, favas, chícharo… e assim
ficamos com uma refeição saciante e completa, pelo menos para o jantar! Viva a sopa!
Alexandra Azevedo

ATIVISTAS NÃO SE MEDEM AOS PALMOS


O exemplo de Greta Thunberg

Já ouviste falar de Greta Thunberg? É sueca e tem apenas 15 anos, mas deixou líderes
mundiais sem palavras no seu discurso na Cimeira do Clima que se realizou em dezembro de
2018 na Polónia. Vale a pena conhecer um pouco das suas palavras que sem papas na língua diz
as verdades inconvenientes para que os políticos tenham vergonha e percebam de uma vez
por todas de é preciso agir JÁ!!
"Muitos dizem que a Suécia é um país pequeno e que não importa o que fazemos. Mas eu
aprendi que nunca somos pequenos demais para fazermos a diferença"
"Vocês não são maduros o suficiente", acusou Greta referindo que as consequências do
ambiente são "um fardo" que será colocado nas mãos das crianças. Afirmou que “vocês [os
líderes presentes] só se preocupam em falar do crescimento económico verde porque têm
medo de não serem populares e de terem apenas ideias que são semelhantes às que coloca-
ram o mundo no seu estado atual”.
"Dizem que amam os seus filhos mais do que tudo, mas estão a arruinar o seu futuro pe-
rante os seus olhos"
"Não me importo se sou famosa. Importo-me sim com a justiça climática e com o planeta"
Ela é um fenómeno de popularidade e já tem mais de 60.000 seguidores no Instagram e o
grupo no facebook da organização de conservação da natureza em seu apoio que se chama
“Im with Greta Thunberg” (Estou com a Greta Thunberg) com perto de 10 mil membros.
Não precisamos todos de ter a coragem e ser como a Greta Thunberg, mas todos temos
o dever de fazer o que estiver ao nosso alcance para diminuir o problema das alterações cli-
máticas ou para nos adaptarmos melhor ao que aí vem e já demos aqui alguns exemplos: come
menos carne, planta árvores, anda mais a pé ou de bicicleta…