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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

GEOVANA GUIMARÃES

COMPARATIVO A RESPEITO DO HOMEM, DA SOCIEDADE CIVIL E DO


ESTADO ENTRE AS VISÕES DE JOHN LOCKE E JEAN-JACQUES ROUSSEAU.

UBERLÂNDIA

2018
GEOVANA GUIMARÃES

COMPARATIVO A RESPEITO DO HOMEM, DA SOCIEDADE CIVIL E DO


ESTADO ENTRE AS VISÕES DE JOHN LOCKE E JEAN-JACQUES ROUSSEAU.

Este presente protótipo de artigo contém análises e


comparações obtidas através da leitura das obras
“Segundo Tratado Sobre o Governo Civil” de John
Locke e “Discurso Sobre a Origem e os
Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens”
de Jean-Jacques Rousseau, referentes a disciplina
de Introdução a Filosofia, ministrada pelo Prof. Dr.
Gianni Fresu.

UBERLÂNDIA

2018
1 Introdução

Durante os séculos XVI e XVIII emergiram questionamentos a respeito da origem da


sociedade civil e a respeito da natureza humana e, nesse âmbito, adveio a corrente filosófica
contratualista que, através de pensamentos racionais, propôs a ideia que, antes de se organizar
na sociedade atual, o homem esteve em seu estado de natureza1, isto é, livre das amarras morais;
com o instinto atuando como intercessor das atitudes individuais e, não dispunham de um poder
controlador externo. Os adeptos do contratualismo acreditam que partindo de um estado de
liberdade, as instabilidades e inseguranças se tornam recorrentes, o que propicia a formulação
de um governo, o qual seu organismo abdica de seus propósitos individuais em função de um
bem coletivo, formulando assim, um contrato social. O contratualismo tem como principais
expoentes Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau.

Esse presente protótipo de artigo tem como intuito buscar e apresentar as semelhanças
e diferenças entre os pensamentos de Locke e Rousseau a respeito do homem, da sociedade
civil e do Estado e, para sua construção, dispõe das seguintes fontes: a obra “O Segundo Tratado
Sobre o Governo” de autoria de John Locke e, “Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da
Desigualdade Entre os Homens” de Jean-Jacques Rousseau, contando também com o conteúdo
ministrado nas aulas de Introdução a Filosofia pelo Professor Doutor Gianni Fresu, além de
bibliografias adicionais encontradas online.

2. John Locke

Locke foi um dos grandes nomes da filosofia política, nascido no ano de 1632 em
Wrington – Inglaterra, dedicou sua vida para sua formação acadêmica e dispõe de diploma
no curso filosofia na Universidade de Oxford, o qual, posteriormente, lecionou grego,
retórica e filosofia. Foi uma figura importante para o empirismo, sendo considerado um de
seus líderes, e ideólogo do iluminismo e do liberalismo.

O filósofo empírico busca o conhecimento de mundo através de experiências e


observações, distanciando-se de especulações e premissas alicerçadas na fé, o que propõe -
já citado anteriormente - o entendimento da sociedade civil baseado na racionalidade e,
acreditava no homem como uma tábula rasa que era moldada pela sociedade. O autor, como
idealista liberal, defende a propriedade privada e a ascensão da burguesia, se posicionando

1
É um consenso para os contratualistas. É tido como um período anterior à construção da sociedade civil
contrariamente ao governo absolutista que regia na época, o mesmo desenvolve durante a
Revolução Gloriosa (1688-1689), um período marcante que, resultou no distanciamento do
governo pautado no absolutismo e da aproximação de uma disposição liberal burguesa, uma
de suas principais obras, já citada anteriormente, o Segundo Tratado Sobre o Governo.

2.1 Análise Introdutória do Segundo Tratado Sobre o Governo

O Segundo Tratado analisa, substancialmente, a ideia do liberalismo econômico e a


ideia de propriedade privada, fazendo, também, referência à conjuntura do homem, da
sociedade civil e do Estado, sendo esses os tópicos que serão explanados no
desenvolvimento desse segmento.

O autor inicia a obra se manifestando contrário ao ideal de poder absoluto, natural e


garantido por Deus, já evidenciando seu caráter liberal, sendo observado pelo trecho:

“1º Que Adão não tinha, nem por direito natural de paternidade nem por
doação positiva de Deus, autoridade alguma sobre seus filhos ou domínio sobre
o mundo, como se pretende;
2º Que, se ele a tivesse, seus herdeiros, contudo não teriam direito a ela;...” 2

2.1.1 A respeito do Homem, da Sociedade Civil, do Estado.

O conhecimento acerca do homem precede aquele referente ao poder político, portanto


Locke coloca conhecer o estado natural do homem como essencial para abstrair o entendimento
sobre o poderio público e derivá-lo de sua origem. Ele apresenta a ideia de um estado de
natureza no qual os indivíduos estão em um momento de liberdade e igualdade, sem submissão
ou sujeição. Entretanto a aceitação da liberdade se distancia da libertinagem, pois, sendo todos
filhos de um único pai criador e, não possuir superioridade ao outro, o homem é impossibilitado
de destruir ao próximo, a não ser que a sua própria conservação o exija e, desse modo, um
homem obtém poder sobre o subsequente, ou seja, ao retribuir com a força pessoal,
proporcionalmente, a transgressão do seguinte. Em sumo o homem possui exclusivamente
autonomia sobre si mesmo, não havendo hierarquização social.

Ademais, no momento em que o homem importuna a lei da natureza, o mesmo afirma


estar vivendo consonantemente a uma regra paralela distanciada da razão e da equidade comum,

2
Dois Tratados Sobre o Governo, John Locke, 1689, cap. I, pp.379.
afastada de Deus e comprometendo a segurança da humanidade. Locke afirma que o homem é
uma tábula rasa que é moldada pela sociedade em que está inserido.

Após a análise do homem em seu estado natural, é importante dar sequência na formação
de uma organização administrativa e, é de intrínseca relevância afirmar que, na sociedade
política, seus membros devem renunciar o poder natural e confia-lo ao corpo político, para
moldar a sociedade mediante a regras fixas estabelecidas, sendo elas imparciais e idênticas para
todos que a compõem e, sendo função dos governantes verifica-las e executa-las. Ademais, a
partir do momento em que esse corpo social é montado se referenciando em leis e as cumprindo
ele passa a ser uma sociedade civil, que é o completo oposto do estado de natureza, em que
cada indivíduo age por si só e, ao ser montado um organismo social e o mesmo consentir com
as leis e os representantes, é formado o contrato social.

Com a formação do corpo político a sociedade civil recebe o direito de estabelecer as


leis e as determinadas punições as respectivas infrações, sendo isso atribuição do Poder
Legislativo, já ao tratar do Poder Executivo, têm se a responsabilidade de punir os infratores,
tudo isso para conservar a propriedade, posteriormente, apresenta a ideia do poder Federativo,
o qual tem a responsabilidade de decidir relações de paz e guerra entre as sociedades. Ao ser
visualizado pelo lado negativo, quando o homem abre mão do seu estado de natureza e do seu
poder próprio de intervir, ele está suscetível ao abuso de poder de seus governantes, como
explicitado no trecho:

“... enquanto no estado de natureza ordinário ele tem a liberdade de julgar seu
próprio direito e, de acordo com o que estiver a seu alcance, sustenta-lo, neste
caso, sempre que sua propriedade for invadida por vontade ou ordem de seu
monarca, ele não só não tem a quem apelar, tal como devem ter os que vivem
em sociedade, mas é como se fosse degradado do estado comum das crianças
racionais, sendo-lhes negada a liberdade de julgar e defender seu próprio
direito, de modo que fica exposto a todas as misérias e inconvenientes que um
homem possa temer por parte de alguém que, além de encontrar-se num estado
irrestrito de natureza, é ainda corrompido pela adulação e está armado com o
poder.”3

Locke também faz críticas ferrenhas as monarquias absolutas ao ironizar aquele que
acredita que “o poder absoluto purifica o sangue dos homens e corrige a baixeza da natureza
humana”4 pois basta analisar histórias a respeito desses governos para se convencer do oposto,
além de afirmar que, um governo deve fazer juris prudência apenas sobre a localidade em que

3
Dois Tratados Sobre o Governo, John Locke; II Tratado – cap. VII, parágrafo 91, pp.463
4
Dois Tratados Sobre o Governo, John Locke; II Tratado – cap. VII, parágrafo 92, pp.463
tiver influência, criticando, assim, o príncipe absolutista ao penalizar imigrantes e mostrando
esse regime totalmente incompatível com a sociedade civil.

Ademais, é importante ressaltar que nenhum homem está acima das leis, pois aqueles
que agem tal como o contrário estariam inseridos no estado de natureza, e não podendo ser parte
integrada da sociedade civil. O autor também faz menção a liberdade inalienável, que pode ser
entendida como uma justificativa para o crescimento da burguesia sem restrições, sendo
denominada liberdade negativa, a qual é delimitada com o poder político.

Ao analisar a perspectiva da lei e da justiça há uma discrepância entre a justiça formal


e a substancial, a qual a formal está englobando tudo aquilo que é perante a lei, já a substancial
remete a intervir politicamente para garantir a justiça formal, sendo observada quando pessoas
com situação econômica superior recebe beneficies em detrimento das classes mais baixas.

O Estado, para Locke, carece de ser uma democracia representativa, em que o povo
escolhe um representante para coordenar o rumo da sociedade civil, sempre deixando claro que,
caso haja abuso de autoridade, o povo deve se manifestar contrariamente e afastar o homem do
poder pois, o representante deve garantir, essencialmente, a propriedade5 da população, a qual
tem por direito e dever seguir as leis. O autor, no capítulo X, faz questão de explicitar as
tipologias de governo existentes – democracia, oligarquia e monarquia – e afirma que a
população pode formar governos mistos entre essas três variações citadas anteriormente.

Retornando aos três poderes, o autor valoriza o poder legislativo em função dos demais
e o coloca como o poder supremo pois ao formular as leis é capaz de ditar as diretrizes e
consegue esculpir uma sociedade, como observado no trecho na sequência. O poder executivo
está subordinado as leis.

“Pois uma vez que a forma de governo depende de quem é o depositário do


poder supremo, que é o legislativo, e sendo impossível conceber que um poder
inferior possa regular um superior, ou que outro senão o poder supremo elabore
as leis, a forma da sociedade política depende de quem é o depositário do poder
de elaboras as leis.”6

E, para concluir, a dissolução do governo pode ser dada de maneira externa – com a
invasão de outros Estados – e de maneira interna – quando o povo se manifesta contra o abuso
de poder do governados, quando ele usa o legislativo de maneira egoísta -. A dissolução interna

5
A vida, a liberdade e os bens materiais
6
Dois tratados sobre o governo, John Locke – II Tratado, cap. X, parágrafo 132, pp. 501.
é um tópico importante a ser tratado pois, o povo, ao confiar sua propriedade nas mãos de um
indivíduo e esse o deixa na miséria, ele tem o dever de retira-lo do poder.

3. Jean-Jacques Rousseau

O filósofo social, teórico e político suíço, nascido em 1722, foi um dos mais populares
iluministas, foi um grande influente para a Revolução Francesa – a qual, em resumo, significou
o fim do absolutismo e dos privilégios da nobreza – pois o mesmo valorizava, essencialmente,
a liberdade do homem. Se posicionava contrário ao racionalismo, uma vez que, acreditava na
bondade humana em seu estado natural. Fazendo, também, referência à conjuntura do homem,
da sociedade civil e do Estado, sendo esses os tópicos que serão explanados no desenvolvimento
desse segmento.

3.1 Análise Introdutória ao Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da


Desigualdade Entre os Homens

O autor expõe a ideia de se distinguir o homem de seu estado natural do homem


transformado socialmente, sendo o primeiro como naturalmente bom e, partindo da
interferência da evolução social, o mesmo se corrompe e deixa de ser inteiramente bom. O
fundamento do seu pensamento se distancia do individualismo e se aproxima nas deliberações
primordiais do homem (racionalidade, moralidade e linguagem articulada). Afirma também a
necessidade do Discurso pois deve-se conhecer a fundo um estado – em referência ao natural –
que não se existe mais e possuir noções justas. Acredita que a disputa entre poderosos e fracos
– luta de classes – é uma razão superficial para a evolução da sociedade pois, impõe a busca
pelo fundamento natural primitivo.

3.1.1 A respeito do Homem, da Sociedade Civil, do Estado.

No estado de natureza, Rousseau divide a ideia de homem em três tipos, o homem físico,
o qual é definido pela organização fisiológica perfeita, e tem a capacidade de adquirir todos os
sentidos dos animais; o homem psicológico, o qual, também, é assemelhado com os animais no
âmbito dos sentidos e da maneira como dirige entretanto, o mesmo possui a liberdade; já o
homem moral tem como primeiro princípio a auto conservação e, como segundo princípio a
piedade. Através dessas análises pode-se depreender a ideia que a desigualdade é quase nula no
estado de natureza, porém, essa desigualdade natural se multiplica conforme a sociedade.

Ainda sobre o estado de natureza, pode-se afirmar que o indivíduo, é bom, inocente e
livre, mas o avanço das instituições, da propriedade privada e das relações sociais baseadas na
desigualdade, o modifica, o autor defende, também, a ideia de que o homem é qualificado pela
linguagem, pela moralidade e pelo raciocínio e é construído conforme seu trabalho e sua
história, e a terra lhe fornecia o que era preciso para sua sobrevivência.

“Parece, a princípio, que os homens nesse estado de natureza não havendo


entre eles espécie alguma de relação moral ou de deveres comuns, não
poderiam ser bons ou maus ou possuir vícios e virtudes, a menos que, tomando
estas palavras num sentido físico, se considerem vícios do indivíduo as
qualidades capazes de prejudicar sua própria conservação, e virtudes aquelas
capazes de em se favor contribuir, caso em que se poderiam chamar mais
virtuosos àqueles que menos resistissem aos impulsos simples da natureza.” 7

Para o filósofo, o primeiro fundador da sociedade civil, foi aquele que, delimitou sua
propriedade e convenceu aos demais que era verdade, propriedade essa que, posteriormente,
desencadeou guerras, horrores e miséria, entretanto, a ideia de posse não surgiu de repente, deu-
se através de uma sucessão de fatos, sendo esses: o sentimento de auto conservação do homem,
a concorrência com os animais e o aumento do gênero humano. Ao se tratar da terra, uma vez
reconhecida como propriedade e, para se fazer justiça, é feita a partilha e, ao ter um bem passível
de perda, e sofrer a mesma, o indivíduo estará sujeito a represália, enfatizando a desigualdade.

Quanto a desigualdade, ela é desenvolvida em três estágios, sendo eles: a criação e


aceitação da propriedade, a definição de funções para a regência política e a transfiguração do
poder legitimo para o autocrático. Ademais, o autor a divide em dois segmentos, sendo o
primeiro a desigualdade natural, como produto das disparidades físicas como a idade, a força
corporal e a alma; e a segunda se pautando na desigualdade política – efeito do acordo entre os
homens –, advinda dos privilégios provenientes da superioridade de um em detrimento do outro.
Ademais, também admite que o estado de guerra é derivado do estado de sociedade civil. O
homem perde sua liberdade para se tornar subordinado à relação com a natureza e com outros
homens, desenvolvendo, assim, um vínculo de servo e senhor, e do domínio de homens sobre
homens.

Para se desamarrar a desigualdade e o estado de guerras da sociedade civil é estabelecido


um contrato social, não natural, através do Estado, o qual deve ser aceito e protagonizado por

7
Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens. Discurso Sobre as Ciências e as
Artes; ROUSSEAU, JJ. Vol. II; editora Nova Cultural; p. 75.
todos os cidadãos. O povo deve se organizar em um só corpo político e, deixar de pensar no
individual e focar apenas no bem comum, a fim de estabelecer um governo, logo se posiciona
a favor da democracia em que a vontade popular é decidida através de assembleia, garantindo
a liberdade democrática – positiva –, a qual garante ao indivíduo de atuar efetivamente dos
processos de decisões políticas.

O contrato social é o alicerce da sociedade política, pois através dele é elaborada a


legislação e, por meio desta, aliena o homem para molda-lo referente a nova sociedade,
deixando de ser um homem em estado natural e se tornando um cidadão e, com o consenso, o
mesmo se arquiteta em uma relação de mutualismo entre os cidadãos acarretando o fim da
liberdade individual. Para Jean-Jacques Rousseau, o representante de cada poder – legislativo,
executivo e judiciário – deve abdicar das vontades individuais em prol das vontades coletiva,
pois o Estado é subordinado ao povo e, caso ele não cumpra com os anseios geral, a população
pode troca-lo e refazer o contrato.

O autor faz uma crítica obstinada para a sociedade civil, acredita que a mesma devia ter
sido interrompida no momento em que forma delimitas as propriedades afinal com ela adveio
a ambição e a necessidade de se fazer mais forte e se servir do mais fraco, comprometendo a
liberdade do mais pobre, provocando, inclusive, a escravidão.

“Assim, os mais poderosos ou os mais miseráveis, fazendo de suas forças ou de suas


necessidades uma espécie de direito ao bem alheio, equivalente, segundo eles, ao de
propriedade, seguiu-se à rompida igualdade a pior desordem; assim as usurpações dos
ricos, as extorsões dos pobres, as paixões desenfreadas de todos, abafando a piedade
natural e a voz ainda fraca da justiça, tornaram os homens avaros, ambiciosos e maus.
Ergueu-se entre o direito do mais forte e do primeiro ocupante um conflito perpétuo que
terminava em combates e assassinatos.”8

4. Conclusão: Comparações Acerca do Pensamento de Cada Autor Com Base no


Homem, na Sociedade Civil e no Estado.

Ambos os autores contratualistas, John Locke e Jean-Jacques Rousseau, possuem ideias que
divergem e convergem e, cabe a esse segmento, após a análise detalhada das três noções citadas
acima, explicita-las.

8
Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens. Discurso Sobre as Ciências e as
Artes; ROUSSEAU, JJ. Vol. II; editora Nova Cultural; p. 98.
4.1 A Respeito do Homem

Os dois autores partem da premissa que, antes de se formar em sociedade, o homem está
inserido em um estado natural, em que o mesmo é livre e se mantém em igualdade com os
demais, entretanto, para Locke, que é um filósofo empírico e racional, o homem é como uma
folha em branco que será moldada socialmente, sem submissão ou sujeição e coloca todos como
filhos de um único Deus, portanto, com base na igualdade, nenhum homem é superior aos
demais.

Enquanto que, para Rousseau, o homem é bom em seu estado natural porém o convívio
em sociedade o corrompe, tem a formação individual de cada um embasado no seu próprio
trabalho e sua própria história. Divide o homem em três segmentos: o físico, o psicológico e o
moral9 o que justifica a desigualdade natural. Ou seja, ambos concordam com o estado natural,
em serem livres; concordam também com a ideia de que o humano garante sua sobrevivência e
sua propriedade em função da terra, logo, mantém, também, afinidade quanto a ideia de auto
conservação, que ainda no estado natural, o homem deve se preocupar apenas com a própria
preservação.

4.2 A Respeito da Sociedade Civil

Ambos filósofos concordam que, ao se produzir sua propriedade privada e, junta a ela a
ideia de posse o homem começa a moldar a sociedade em que, a população abre mão das
vontades individuais e se formam em um só organismo que, através de leis, deve favorecer a
todos. Para Locke, a propriedade privada advém de buscar algo natural e transforma-lo,
justificando, assim a expansão colonial e a escravidão, enquanto que, para Rousseau, está
definido em cercar algo, defini-lo como seu e fazer os demais concordarem.

Para Locke, a formação da sociedade civil, que é o oposto do estado de natureza, tem a
função de garantir a igualdade a todos seus membros, com políticas voltadas para o bem geral
e, os homens que transgredem as leis, não são membros da sociedade pois ainda pertencem ao
seu estado natural, todos os indivíduos são iguais perante a lei. Já para o filósofo suíço, se
organizar em sociedade é um motor para as guerras pois, quando se tem uma propriedade que
é passível de perda, a mesma se transforma em razão para desigualdade política, e um homem
acaba por ter-se como superior a outro, provocando em alguns casos, a perda da liberdade
individual, como a escravidão.

9
Definidos na pag.
Há um consenso, também, referente ao abuso de poder do governante, o qual, ao
colocar as vontades individuais em detrimento das vontades coletivas, o povo tem o
direito – e o dever – de retira-lo do poder e substituí-lo por outro, logo refazendo o
contrato social. Para Rousseau, que se posiciona como democrático, as decisões deve
ser tomadas através de uma assembleia popular em que todos os cidadãos tem voz pois,
os representantes são subordinados ao povo.

a. A Respeito do Estado

O Estado, deve ser aceito por todos e, carece dos três poderes, para minimizar as chances
de haver uma tirania, pois, os autores se posicionaram totalmente contrário a ela, também
contrários ao absolutismo. Para Rousseau o Estado deve formar o povo para que o mesmo não
encontre sua liberdade e igualdade restringida, enquanto os governantes estabelecem uma
conexão entre os cidadãos e o bem maior do Estado por meio de leis que garantam a liberdade,
necessitam de agir de maneira não intrusiva e harmonizar a vontade geral. Embora tenha sido
taxado de totalitário por alguns liberais – por achar necessário o povo se formar em um único
corpo político e abdicar de suas vontades individuais –, se mantém favorável a democracia pura
a qual é exercida a soberania do povo através de assembleias.

Já, para John Locke, que é o pai do liberalismo econômico, que se pauta na limitação
do poder e na não imposição divina de governante, defende a diversidade ideológica-social,
acredita também que a divisão dos três poderes é a melhor forma de constituição, tendo o
legislativo como o expoente. Acredita que o governo deve garantir a paz, a tranquilidade e a
tolerância religiosa, além de garantir uma justiça objetiva e fazer juris prudência apenas em sua
localidade. Em sumo, Rousseau acredita que o povo deve formar um único corpo político, se
enquadrando nas necessidades da maioria e o Estado, de maneira não intrusiva, atendê-las,
enquanto Locke defende um governo limitado, para que haja maior facilidade para o
crescimento da burguesia, classe social em que ele se encontrava.