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Aula 02

Geografia e História de Rondônia p/ ICMS/RO - Auditor


Professor: Leandro Signori
Geografia e História de Rondônia para o ICMS/RO - Auditor
Prof. Leandro Signori

AULA 02 – História de Rondônia

Caro aluno,

Nesta aula começamos a estudar a história de Rondônia. No edital do


último concurso, a banca segmentou os conteúdos em tópicos. Estou seguindo
essa segmentação. No entanto, os conteúdos históricos se inter-relacionam; não
é possível separá-los de forma estanque.

Assim, alguns tópicos que serão estudados na próxima aula, serão


abordados de forma sintética nos conteúdos desta aula.

Um grande abraço,

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Sumário Página

1. A ocupação territorial de Rondônia 1

2. Os fluxos migratórios 9

3. Diferentes ciclos econômicos (borracha/látex, madeira,


11
minérios)

10. Questões Comentadas 19

11. Lista de Questões 88178323249

32

12. Gabarito 40

1. A ocupação territorial de Rondônia

A história do Estado de Rondônia está associada à ocupação de seu


território, aos fluxos migratórios na região e aos aspectos econômicos vinculados
aos diferentes ciclos exploratórios de produtos da região. A partir destes

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aspectos, podemos ter uma visão panorâmica da história do Estado, a qual pode
ser dividida em cinco períodos históricos e econômicos distintos.

O primeiro período corresponde ao período colonial, no século XVI, com a


vinda de navegantes, droguistas (coletadores de vegetais na Planície
Amazônica), bandeirantes e aventureiros que buscavam explorar as múltiplas
riquezas da região. O segundo período ocorre com a Colonização do Vale do
Guaporé, local que atualmente compõe o Estado de Rondônia. O terceiro período
ocorre com o I Ciclo da Borracha. O quarto período acontece em decorrência da
II Guerra Mundial, gerando o II Ciclo da Borracha.

O quinto período, na perspectiva de uma história mais recente, está


associado à abertura da BR 029, atual BR 364, quando ocorre um surto de
ocupação, conhecido por “Colonização recente de Rondônia”.

Atualmente, outra fase pode ser considerada a partir da construção de


duas grandes hidrelétricas, Jirau e Santo Antônio no Rio Madeira, quando o
Estado de Rondônia e, principalmente, a capital Porto Velho, tornam-se pontos
estratégicos para o desenvolvimento com uma grande quantidade de
investimento e obras visando ao melhoramento da infraestrutura do Estado.

Buscando inserir a história do Estado de Rondônia no contexto historio


inicial de colonização do Brasil, é importante destacar o Tratado de
Tordesilhas, assinado entre as coroas de Portugal e Espanha em 1494, após a
chegada de Cristóvão Colombo à América (1492). Este estabelecia uma linha
imaginária a 370 léguas de Cabo Verde como referência para divisão das terras:
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a oeste para a Espanha, a leste para Portugal. Desse modo, Portugal e Espanha,
obedeciam à divisão territorial estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas,
conforme a figura abaixo:

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Tratado de Tordesilhas

O Tratado de Tordesilhas deveria contemplar os interesses de ambos os


reinos em relação à descoberta, à exploração e colonização das novas terras.
Por esse acordo, grande parte do que hoje conhecemos como Amazônia
brasileira pertencia aos espanhóis. Assim, mesmo antes da descoberta do Brasil
pelos portugueses, a totalidade do espaço geográfico da atual região de
Rondônia, era possessão espanhola. Cabe ressaltar ainda, que a região já era
habitada, por muitas tribos de índios nativos, as quais se espalhavam pela
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colônia portuguesa e espanhola.

Apesar dos espanhóis terem seus direitos garantidos pelo Tratado de


Tordesilhas, inicialmente não se interessaram por povoar a Amazônia, não
efetivando uma política de ocupação nestas terras, fixando-se em outras partes
da América. Foi somente no final da primeira metade do século XVI que os
espanhóis deram início ao reconhecimento da região, se interessando por
explorar as riquezas da Amazônia, com expedições que desbravaram os rios
amazônicos em busca de riquezas regionais como as “Drogas do Sertão”.

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As Drogas do Sertão eram especiarias amazônicas, como o cacau, urucum,


canela, salsa parrílha, guaraná e demais produtos que pudessem atender à
indústria de perfumes, de condimentos e de remédios na Europa. Assim, a
Amazônia e seus rios foram a porta de entrada para os europeus que buscavam,
através da navegação, encontrar grandes riquezas.

Os portugueses se voltaram para a ocupação do país, a partir da expedição


colonizadora de Martin Afonso de Sousa, em 1530, para expulsar os franceses
do litoral nordestino, quando deram início ao desenvolvimento da cana de açúcar
e a fundação de povoamentos. Como resultado, bandeirantes e aventureiros
também investiram na busca de produtos, como metais, Drogas do Sertão e
índios para serem aprisionados e trabalharem nas lavouras. É nesse contexto de
ocupação do interior do país que os portugueses chegaram às terras interioranas
da colônia, atingindo a região em que se localiza o Estado de Rondônia.

Para iniciar a colonização, Portugal implantou o sistema de Capitanias


Hereditárias, assim, dividiu as terras, doando-as para nobres, transferindo a
colonização aos particulares. O processo de ocupação do interior do Brasil
ocorreu de forma muito lenta, ligado a atividades econômicas como a mineração,
a coleta das Drogas do Sertão e o apresamento de índios, atividades que não
geraram ocupações consistentes e duradouras nesta região.

Em 1750, O Tratado de Tordesilhas deixou de vigorar com a assinatura do


Tratado de Madri, firmado entre as duas coroas, portuguesa e espanhola, o
qual estabeleceu novos limites de divisão territorial para as colônias da América
do Sul. Esse Tratado é um dos mais importantes tratados de limites da história
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diplomática brasileira porque estabeleceu não só as bases territoriais do Brasil,


mas também definiu o princípio que nortearia todas as questões de limites
surgidas posteriormente: o uti possidetis, segundo o qual a terra pertencia ao
país de origem dos homens que nela morassem.

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Assim, com a ação dos bandeirantes, a expansão de pecuária e,


posteriormente, os tratados de fronteiras, a parte da Amazônia que era posse
antes da coroa espanhola passa a compor o território português, sendo que o
Tratado de Madri foi um importante passo nessa direção. Dessa forma, o norte
do Brasil foi ocupado e colonizado no período colonial pelos portugueses, de
1500 a 1822, pela facilidade oferecida pela navegação dos seus rios.

Já os espanhóis não desenvolveram uma política de ocupação da Amazônia


brasileira, suas várias expedições apenas a visitaram em busca de encontrar o
ouro, divulgado pelas lendas, entre elas a de El Dorado. Dentre as expedições
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espanholas, podemos citar a de Gonzalo Pizarro, Pedro de Anzurres, Francisco


Orellana, Pedro de Ursua, Lope de Aguirre.

As bandeiras consistiam em grupos de homens organizados, os quais,


além dos paulistas, muitos eram estrangeiros, desertores e fugitivos da justiça,
que saíam em expedições particulares com o objetivo de penetrar pelos sertões
a procura de índios para o cativeiro, de negros foragidos da escravidão e,
posteriormente, de metais preciosos. Utilizavam, principalmente, os caminhos
fluviais para penetrarem no sertão. Havia as bandeiras militares e as bandeiras
sertanistas.

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Com o avanço dos bandeirantes para o interior do Brasil no século XVII e


XVIII, estes encontraram uma localidade nomeada, mais tarde, como Vila Real
de Bom Jesus de Cuiabá, onde havia importantes jazidas auríferas.
Posteriormente, novas minas foram encontradas nas margens do rio Guaporé.
Com as descobertas, a região começou a se tornar importante. Assim, a coroa
portuguesa com o objetivo de assegurar as terras e as minas criou uma política
de ocupação e conquista, travando uma disputa com a Espanha em função do
Tratado de Tordesilhas, que havia estabelecido a posse da região para os
espanhóis.

Nesse contexto, o rio Guaporé passou a ser um motivo de preocupação


para Portugal, pois através dele era realizada a atividade de contrabando por
parte de portugueses e espanhóis, assim, foi fundamental para a conquista do
território a sua ocupação. A fundação dos povoados começou com a criação da
localidade de Pouso Alegre, mais tarde elevada à condição de Vila, que passou
a se chamar Vila Bela da Santíssima Trindade. Os espanhóis, afrontando
Portugal, fundaram Santa Rosa na margem direita do rio Guaporé; e após,
fundaram alguns povoados também na margem esquerda do rio.

Cabe destacar que, assim como as bandeiras, os jesuítas também foram


importantes na ocupação da região amazônica, com a fundação de aldeias,
originadas a partir da divisão dos territórios para missões, que tinham o objetivo
de catequizar os índios e utilizar sua mão de obra para coletar drogas. Tais
aldeias também foram alvos de sertanistas que buscavam capturar índios
domesticados. 88178323249

Com a disputa entre espanhóis e portugueses, vários tratados fronteiriços


foram assinados, entre eles, o Tratado de Madri, assinado em 1750, no qual a
coroa portuguesa tem a posse definitiva da região. Para governar a região foi
destacado o fidalgo português, Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, tendo
sido nomeado o primeiro Governador-General da Capitania do Mato
Grosso, fundada em 1748. Antônio Rolim de Moura Tavares assumiu as
primeiras tarefas quanto à administração da Capitania e ao processo de
colonização.

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Com o Tratado de Madri, a Coroa portuguesa procurou assegurar a posse


do território, a partir dos novos limites definidos para a América portuguesa.
Em 1752, Rolim de Moura instala a capital do Mato Grosso em Vila Bela da
Santíssima Trindade, localizada na margem direita do rio Guaporé. Dentro da
estratégia de defesa do território, ocorre a política de ocupação com a
construção de fortes, a organização de exércitos regulares e a formação de
novos povoados, na margem direita do rio Guaporé.

Um dos fortes construídos foi o Real Forte do Príncipe da Beira, na


margem direita do rio Guaporé, no atual município de Costa Marques, em
Rondônia. O forte foi construído, entre os anos de 1779 a 1783, no Governo de
Luis Albuquerque Melo Pereira e Cáceres, o quarto governador da Capitania do
Mato Grosso. Sua construção foi autorizada por Marquês de Pombal e pelo
ministro do rei da Corte de Portugal.

O forte foi fundamental para garantir o amplo plano de consolidação da


política portuguesa no extremo oeste da colônia com o objetivo de acabar com
a intenção espanhola de invadir, ocupar ou disputar as terras e as riquezas
presentes na margem direita do rio Guaporé.

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Vista do Real Forte do Príncipe da Beira, na margem direita do rio Guaporé

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Entretanto, a ocupação da Amazônia ou o extremo oeste brasileiro tornou-


se efetiva no final do século XIX e início do XX, durante o ciclo da borracha. Com
a chegada de nordestinos para trabalhar com a produção de borracha foram
ocupadas as margens do rio Guaporé, Mamoré, Madeira, Cabixi, Corumbiará,
Jamari, Jacy, Machado, Pimenta, etc. Com a abertura da Amazônia aos
interesses imperialistas internacionais, são criadas as cidades de Porto Velho,
Vila Murtinho e Guajará Mirim.

A principal herança desse ciclo econômico, a ferrovia Estrada de Ferro


Madeira-Mamoré (EFMM), proporcionou um processo de criação de uma
identidade ao território, o qual compreendeu os vales do Madeira e do Mamoré,
tendo sido uma das bases para a posterior criação do Território Federal de
Guaporé, a futura Rondônia.

O início da construção da ferrovia, em 1908, ocorreu em Porto Velho, cuja


origem está associada à ferrovia, como um povoado constituído junto à Ferrovia
Madeira Mamoré.

Outra ação também foi fundamental para a ocupação do atual território


rondoniense, a qual ocorreu concomitantemente ao ciclo da borracha: a
Comissão Rondon. A atuação dessa Comissão estava relacionada à
preocupação do Governo Brasileiro com o avanço dos bolivianos sobre as terras
do atual Estado de Rondônia.

Ela foi responsável pela garantia dos limites a oeste do território brasileiro,
com a pacificação de muitos grupos indígenas e pela delimitação inicial dos
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caminhos por onde passaria a Marcha para Oeste, o que irá ocorrer a partir da
década de 1930, na Era Vargas.

Com os postos telegráficos instalados para ampliar a comunicação com a


região, através da Comissão Rondon, foram formados núcleos de povoamento
em Vilhena, Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (atual Ji-
Paraná), Jarú e Ariquemes, cujo trajeto compreendia os vales do rio Machado e
do rio Jaguari. Esse caminho formado se tornaria, posteriormente, a BR 364,
principal via de ligação do território rondoniense com o Centro-Sul do país. Já,
os postos telegráficos se tornaram algumas das principais cidades do Estado.

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As terras que pertencem, atualmente, ao Estado de Rondônia pertenciam


em sua maioria ao Estado de Mato Grosso, somente cerca de 5% de todo o
território rondoniense pertenciam ao Amazonas, assim os eventos da história do
Estado de Rondônia estão associados aos eventos que marcaram a história de
Mato Grosso.

2. Os fluxos migratórios

Vale ressaltar que a região de Rondônia era habitada, inicialmente por


índios nativos, cuja população foi dominada, escravizada, expropriada e
explorada por jesuítas ou outros colonizadores. Também, desde o primeiro
século da colonização brasileira, seu território já era percorrido por bandeiras,
entretanto, seu povoamento começou de fato com as minas de ouro, no século
XVIII.

No primeiro século da chegada de Portugal, a região amazônica


permaneceu praticamente inexplorada, pois Portugal não se motivou a implantar
um sistema administrativo no Brasil, já que seu interesse era o comércio das
especiarias no Oriente. O ambiente difícil também contribui para os exploradores
não adentrarem no território.

Em 1616, a expulsão dos holandeses do território do Maranhão e a


construção do Forte do Presépio, em Belém do Pará, podem caracterizar um
marco no seu interesse pela região amazônica, pela conquista, exploração e
manutenção dessa região. Dessa forma, o território do atual Estado de Rondônia
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começou a ser alvo da exploração portuguesa. O domínio dos vales dos rios
Guaporé, Mamoré e Madeira, que atualmente delimitam o Estado, ocorreu a
partir das ações de sertanistas e de bandeirantes, tornando-se os responsáveis
pela ocupação rondoniense.

Em 1647, uma bandeira, cujo líder era Antônio Raposo Tavares, saiu da
antiga vila de São Paulo até encontrar o rio Mamoré, chegando ao Madeira em
meados do século XVII, tendo sido considerada a primeira exploração de todo o
curso do rio Madeira e regiões adjacentes. Essa missão também foi responsável

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pelo fim de inúmeras missões religiosas, principalmente as espanholas que


avançavam para conquistar o vale do rio Guaporé-Mamoré.

A expedição de Francisco de Melo Palheta que chegou na foz do rio Jamari,


afluente do Madeira, em 1723, foi realizada juntos com missionários jesuítas que
se estabeleceram na foz do Rio Madeira, constituindo a primeira vila.

Dessa forma, desde o início do século XVII, grupos sertanistas, a maioria


do sudeste brasileiro, partiram para as terras do Oeste e do Norte do Brasil com
o objetivo de capturar índios. A partir dessas viagens, nas primeiras duas
décadas do século XVIII, as terras ao oeste do Brasil começaram a ser
devassadas e povoadas pelas ações dos sertanistas.

Com as expedições que chegaram de outras regiões, como por exemplo,


as provenientes de Minas Gerais e São Paulo em busca de ouro, a primeira forma
de povoamento da região ocorreu através do contato entre os índios nativos da
região e os brancos, e ainda, os negros, que chegavam com as expedições.

O surto minerador gerou para o oeste do país um povoamento lento e


gradual. Cabe destacar que o Vale do Guaporé foi um dos últimos locais a ser
desbravado na América do Sul, apesar da presença europeia na região registrada
na segunda metade do século XVII.

As migrações só ocorreram de forma mais efetiva em meados do século


XVIII com a atividade mineradora, a partir da descoberta e a exploração de ouro
no oeste brasileiro, que fez aumentar o interesse português pelas terras da
região. Nesse contexto de formação da sociedade e do território brasileiro e
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amazônico, ocorre, concomitantemente, também do rondoniense.

Quando ocorrem os ciclos da borracha, durante o Império e a República,


além das explorações de indígenas e, ainda, de caboclos, são trazidos para a
Amazônia em torno de meio milhão de nordestinos. Já explorados em sua região
de origem, nos seringais da região amazônica, transformaram-se em “escravos
de si”, cuja produção tinha como objetivo seu enriquecimento, bem como dos
seringalistas.

No apogeu do processo produtivo da borracha, os nordestinos que já


estavam trabalhando no Amazonas chegam ao vale do rio Madeira e, logo depois

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aos vales do rui Abunã, rio Machado, rio Preto, rio Jamari, rio Jaci-Paraná e rio
Mutum-Paraná, todos afluentes do primeiro. Esses nordestinos vinham,
principalmente, do Estado do Ceará, fugindo da seca que atingiu o semiárido
nordestino nas últimas décadas do século XIX e de uma estrutura agrária
controlada por uma oligarquia regional. Desse modo, viam na migração uma
forma de conseguirem deixar a seca e ter acesso à terra. Porém, essa intenção
foi frustrada com a Constituição de 1891, que resultou em uma enorme
concentração de terras nas mãos da oligarquia agrária regional.

Assim, o Ciclo da Borracha foi o principal responsável, em Rondônia, por


um período fundamental para a organização inicial da localidade. Para esse
processo, destacam-se: os nordestinos que irão em momentos posterior se
tornar posseiros da terra; os seringalistas que tomaram posse de grandes áreas,
gerando a desigualdade sobre a posse das terras.

3. Diferentes ciclos econômicos (borracha/latéx, madeira,


minérios)

No século XIX, após a Independência do Brasil, em 1822, tem início uma


movimentada atividade econômica na Amazônia, com o Ciclo da Borracha, que
pode ser divido em dois ciclos. O primeiro corresponde ao período de 1879 a
1912; o segundo, ao período de 1939-1945.

A borracha já era utilizada nas aldeias indígenas antes da ocupação


europeia e, desde o século XVI, já compunha o conjunto das chamadas Drogas
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do Sertão. A população cabocla que trabalhava na agricultura, inicialmente,


trabalhou na extração da borracha – eram os seringueiros caboclos, que também
coletavam óleo de copaíba, castanha e cacau. Nesse período, a coleta da
borracha era parte de uma produção de subsistência.

Dois tratados estão associados ao Ciclo da Borracha: O Tratado de


Ayacucho, assinado em 1867, e o Tratado de Petrópolis, em 1903. Ambos
surgem como iniciativas entre o Governo da Bolívia e do Brasil com uma
preocupação em relação aos interesses internacionais sobre a grande região com
ricos e vastos seringais.

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O primeiro Tratado ficou conhecido como Munhoz Neto, ou ainda, como


Tratado da navegação, amizade, limites, fronteiras e extradição. Ocorreu no
contexto da Guerra do Paraguai, aproximando o Brasil da Bolívia com a sua
aprovação. Com o tratado, a Bolívia concedia território ao Brasil, o qual percorria
a margem esquerda do rio Madeira, entre Calama, a jusante do rio Madeira, um
povoado de Humaitá, a montante do rio Madeira em Vila Murtinho, hoje Vila
Nova do Mamoré. A construção de uma estrada de ferro também já era
negociada nesse Tratado para o posterior transporte da borracha, como forma
de superar os obstáculos das cachoeiras e corredeiras do rio Madeira.

Através do Tratado de Petrópolis, o Brasil incorporou ao território


nacional uma extensão de terra de 191 mil km², referente a atual Estado do
Acre, que foi entregue a 60 mil seringueiros e suas famílias para que lá
pudessem exercer as funções extrativas da borracha. O governo brasileiro
indenizou a Bolívia e assumiu formalmente o compromisso de construir a Estrada
de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM).

Com a exploração da borracha, a região Amazônica passa a ter destaque


no cenário econômico mundial. A borracha passou a ter uma importância no
desenvolvimento da indústria internacional. Dessa maneira, a borracha, Hevea
brasiliensis, passou a ser considerada uma matéria-prima de grande utilidade
para a indústria nascente. Tornava-se, assim, um dos mais importantes
produtos comercializados no Brasil.

Muitas possibilidades começaram a ser desenvolvidas para o uso da


borracha, a mais importante, a descoberta do processo de vulcanização, em
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1842, por Goodyear (Estados Unidos) e Hancock (Inglaterra). Nos anos de 1850,
com a difusão do automóvel em toda a Europa, a borracha entrou em um período
de demanda crescente.

Dessa forma, o vale amazônico, de forma geral, e os vales do rio Madeira


e Guaporé-Mamoré, atualmente território rondoniense, foram sendo inseridos,
de forma rápida, nesse processo econômico. Um vertiginoso aumento na
produção ocorre em poucas décadas, principalmente, em razão da chegada da
mão de obra nordestina tornando-se fundamental para esse aumento na
produtividade.
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Cabe ressaltar que o atual Estado de Rondônia não era uma das regiões
que se destacava na produção de látex durante o ciclo da borracha. O vale
amazônico e regiões do atual estado do Acre e Bolívia tiveram uma produção
mais elevada. No entanto, o ciclo econômico da borracha foi relevante para a
organização agrária territorial do estado.

Um dos grandes empreendimentos realizados neste ciclo é a principal


herança para Rondônia: a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
(EFMM), iniciada em 1908. Uma licitação foi aberta para a contratação da
empresa construtora. O vencedor foi o brasileiro Joaquim Catrambym que
passou a concessão ao empresário norte-americano Percival Farquiar, conhecido
como o “Dono do Brasil”, uma vez que possuía diversos empreendimentos no
país. A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) trouxe
consequências para a organização territorial do Estado, que desencadeou um
processo que teve como resultado a criação do Estado de Rondônia,
posteriormente.

O primeiro Ciclo da Borracha (1879-1912) foi propiciado pela


Revolução Industrial que ocorria nos países centrais da Europa e nos Estados
Unidos. A vulcanização da borracha, substância que só existia na floresta
amazônica, motivou uma intensa migração de homens vindos de todas as partes
do Brasil e do mundo. Fascinados pela promessa de riqueza, novas levas de
europeus atravessaram o oceano, aventuraram-se em cidades e vilas até então
isoladas na floresta. O contingente mais numeroso era de sírio-libaneses,
especializados no comércio, mas 88178323249

vieram também italianos, franceses,


portugueses e ingleses em grande número.

Contudo, a borracha estava na floresta, espalhada em longas distâncias,


habitadas por índios. Era necessário colhê-la nas árvores, ainda líquida, defumá-
la até ficar sólida, transportá-la até as margens dos rios e daí para o comércio
nas cidades, um trabalho penoso e perigoso, que só poderia ser realizado por
um exército de homens acostumados à vida mais rude. Esse exército veio do
Nordeste do Brasil, empurrado pela miséria e pelas grandes secas, como as de
1877 e 1878. Antes que o século findasse, mais de 300 mil nordestinos,
principalmente do sertão do Ceará, migraram para a Amazônia.

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Nos seringais, esses homens valiam menos que os escravos. Na outra


extremidade da sociedade regional, os seringalistas e grandes comerciantes
usufruíam da riqueza fácil proporcionada pela borracha. Essa evidente
contradição no quadro social do Ciclo da Borracha se devia a um perverso
sistema de exploração, que consumiu a vida de milhares de homens. O sistema
de aviamento se constituía numa rede de créditos e se espalhou nos imensos
seringais que foram abertos em todos os vales amazônicos.

Por esse sistema, os seringueiros eram obrigados a comprar a crédito


somente dos seus seringalistas tudo de que necessitavam para sobreviver:
alimentos, roupas e ferramentas. Pagavam suas dívidas com a borracha
produzida. Os seringalistas compravam a crédito (aviavam) das casas
aviadoras, todas as mercadorias que vendiam para os seringueiros. Pagavam
com a produção anual do seringal. As casas aviadoras, estabelecidas
principalmente em Belém e Manaus, compravam das firmas exportadoras as
mercadorias que forneciam aos seringalistas e pagavam as exportadoras com a
produção dos seringais. Por fim, as exportadoras, na maioria de origem inglesa
ou alemã, se capitalizavam nos bancos europeus e norte–americanos para
financiar o sistema de aviamento e obtinham um extraordinário lucro com a
venda da borracha nos mercados industrializados.

A euforia econômica proporcionada pela borracha amazônica – que chegou


ao posto de segundo produto da pauta de exportações brasileira, só perdendo
para o café – foi efêmera. Em menos de três décadas a velha pirataria europeia
conseguiu destruir todos os sonhos de grandeza amazônica. Um biopirata inglês
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contrabandeou da Amazônia grande quantidade de sementes de seringueiras


para o Jardim Botânico de Londres. Rapidamente se descobriu que as mudas de
seringueira obtidas das sementes contrabandeadas se adaptavam perfeitamente
na Ásia. Logo os ingleses implantaram enormes seringais de cultivo no sudeste
asiático, racionalizando e modernizando a produção da borracha. Assim
conseguiram reduzir de forma drástica os custos de produção, que, na
Amazônia, eram extremamente altos, e derrubaram os preços internacionais.

A rede de crédito do sistema de aviamento era como um castelo de cartas


que desabou inteiro, uma vez que foi rompido pelos grandes compradores

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internacionais. Nas décadas de 1920 e 1930, milhares de seringueiros


nordestinos abandonaram os seringais e voltaram derrotados para suas regiões
de origem. A Amazônia brasileira se despovoou e entrou em um novo ciclo de
decadência econômica. Na crise, a agricultura passou a ser utilizada e isso fez
com que práticas e conhecimentos dos nordestinos se fundissem aos
conhecimentos da agricultura indígena.

O segundo Ciclo da Borracha foi mais curto que o primeiro ciclo. Na


Segunda Guerra Mundial (1939-1945) o Japão, aliado da Alemanha e da Itália
(países do Eixo) conquista e ocupa o Sudeste Asiático área que produzia
borracha e, os aliados ficam sem esse importante produto para a sua indústria.

Os Estados Unidos que entraram na guerra em decorrência do ataque


japonês a base americana de Pearl Harbour, no Havaí, necessitava da borracha
para a sua indústria. O presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt e o
presidente do Brasil Getúlio Vargas, assinaram os Acordos de Washington
(1942), pelo qual o Brasil comprometia-se a reativar os seringais amazônicos,
através de uma operação conjunta com os EUA.

O Brasil entrou com os seringais, mão-de-obra e 58% de capital para a


criação do Banco de Crédito da Borracha. Os EUA entraram com 42% de capital
para o Banco de Crédito da Borracha e, forneciam meios para a produção,
transporte e escoamento.

Inicialmente, os norte-americanos investiram 5 milhões de dólares para


serem aplicados pelo Instituto Agronômico do Norte, nas pesquisas científicas
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para a melhoria e fomento da produção e mais 5 milhões de dólares para o


saneamento a ser feito pela Fundação Rockfeller. Esses acordos proporcionaram
à região, a montagem de um esquema logístico institucional do qual participou
ativamente o governo brasileiro com o apoio norte-americano, abrindo-se
muitas frentes operacionais e estratégicas na área.

Os objetivos, no entanto, de um e de outro governo, eram em certo ponto


conflitante, os norte-americanos tinham seus interesses marcado pela urgência
e pelo prazo curto, enquanto o governo brasileiro tinha o interesse voltado para

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o permanente e o duradouro desejo de manter na Amazônia uma política de


desenvolvimento.

Com o apoio financeiro dos EUA, o governo brasileiro montou uma


infraestrutura que possibilitou aos seringais uma expressiva produção. A
infraestrutura criada foi a seguinte:

- SEMTA (Serviço de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia)


e CAETA (Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para
a Amazônia) com o objetivo de recrutar, encaminhar e colocar trabalhadores,
principalmente nordestinos, nos seringais, sob a supervisão do Departamento
Nacional de Imigração.

- SAVA (Superintendência de Abastecimento da Vale Amazônico) que fazia


o abastecimento direto dos seringais com gêneros de primeira necessidade.

- RRC (Rubber Reserve Company) que passou a posteriormente a -


denominar-se RDC (Rubber Devenlopment Company) encarregada do
transporte de passageiros e de suprimentos através da SAVA.

- SESP (Serviço Especial de Saúde Pública): foi criado para promover o


melhoramento urbano, o combate à malária e o saneamento.

- Banco da Borracha: realizava operações de crédito, fomento à produção


e financiamento aos seringalistas. O Banco exercia o monopólio da compra e
venda da borracha.

- Criação de territórios federais: Território do Guaporé (hoje


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Rondônia), Rio Branco (hoje Roraima) e Amapá, em 1943, iniciando-se assim


o processo de reorganização do espaço político amazônico.

O movimento migratório da Batalha da Borracha, que se desenvolveu no


decorrer dos anos de 1941 e início de 1943, adquiriu um novo colorido com a
chegada a partir de 1943 e durante os anos de 1944/1945, de novos
contingentes humanos, os nordestinos que ficaram sendo conhecidos como
soldados da borracha.

A diferença entre essas duas correntes de migrantes era flagrante, a


primeira se constituía na sua maioria de cearenses que se deslocavam do

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interior. A partir de 1943 até 1945, provinha dos centros urbanos, geralmente
composta de homens solteiros ou desgarrados de sua parentela, muito deles
desempregados ou sem profissão definida, vinham para a Amazônia pelo simples
sabor da aventura e para fugir à convocação para a FEB (Força Expedicionária
Brasileira) que lutava na Itália.

Com o término da Guerra em 1945, foram liberadas as plantações de


borracha da região asiática, cessando o interesse norte-americano pela borracha
produzida na Amazônia, que passou a acumular estoques crescentes, já que o
mercado interno não tinha capacidade de absorver toda a produção. A tentativa
de produzir borracha ainda permaneceu até os idos de 1960. A partir desta data,
paulatinamente a produção de borracha cai, ocasionando o fim desse ciclo.

Com o declínio da exploração da borracha, os seringueiros migram para a


extração de outros produtos. A castanha e os minérios, sobretudo, a cassiterita
e o ouro passam a ter importância no Estado de Rondônia, criando-se uma ova
organização produtiva.

Muitos seringueiros, com o fim da batalha da borracha, foram incluídos


nos projetos das Colônias Agrícolas. A falta de apoio do Estado para a
estruturação das colônias foi o principal objetivo de seu perecimento. Contudo,
a Colônia Nipo-Brasileira somente sobreviveu devido ao apoio financeiro da
embaixada japonesa em Belém. Como em outros momentos da história
rondoniense, o objetivo do Estado foi o de garantir os direitos de grandes
latifundiários e do capital nacional e internacional.
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Foi, no entanto, com a cassiterita que o território rondoniense saiu,


momentaneamente, da crise da borracha e do extrativismo. O surto da
cassiterita promoveu um novo alento para uma massa de seringueiros que
estava ociosa nas cidades ou trabalhando na coleta de castanha. Já nesse
período, também, a cassiterita trouxe um pequeno fluxo migratório das regiões
próximas ao estado, em especial, do Amazonas e Mato Grosso.

A cassiterita foi descoberta em 1952 nas terras abandonadas do


seringalista Joaquim Pereira da Rocha, mas somente em 1960 é que começa a
grande corrida em direção aos garimpos de cassiterita. A corrida foi tão intensa

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que Porto Velho, nos fins de semana, chagava a reunir mais de 5 mil
trabalhadores procedentes das zonas de garimpo.

A produção, nesse período, era realizada de forma artesanal. Cada


indivíduo ou pequeno grupo bateava nos igarapés e rios de toda bacia do Jamari
e Machado, principalmente. Essa corrida informal da cassiterita não durou muito
tempo. Após o golpe de 1964, a garimpagem individual foi proibida e as jazidas
do minério foram cedidas à exploração de grandes conglomerados nacionais e,
principalmente, internacionais.

O período da exploração da cassiterita em Rondônia foi, certamente, o que


mais representou a entrega das riquezas para grupos internacionais. Com as
riquezas minerais foram, também, as terras entregues. Em especial, a partir do
início da década de 1970, essas empresas não somente dominaram a exploração
da cassiterita, como se apossaram de largas glebas de terras no Estado. Essas
empresas, ou suas subsidiárias, controlam ainda hoje grandes espaços de terra
em Rondônia.

Portanto, o período que se inicia com a Revolução de 1930 não mudou


muito quanto à forma em que se ocupava o território de Rondônia, no que diz
respeito aos interesses e formas de ocupação, exploração, violência e
desigualdade. O processo foi, contudo, intensificado de forma rápida. A opção
do governo Getúlio Vargas pela industrialização do país promoveu o
planejamento de estradas que ligaram o Norte ao Centro-Sul, ocupando o
espaço vazio que representava a Amazônia.
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Consequentemente, esse processo preparou o ambiente para a ocupação


definitiva do atual estado de Rondônia. A construção da Rodovia BR 364 foi o
grande símbolo deste avanço para o norte e para o oeste. Desta forma, quando
assume o Governo Militar em 1964, todo o contexto de ocupação do espaço
rondoniense pelo capital com apoio do Estado, já estava dado. Um processo, o
qual explorou, sistematicamente, índios, nordestinos e sulistas.

Outra atividade procedente da produção extrativa florestal realizada na


região foi a atividade madeireira, que respondeu por um longo período pela

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economia do Estado de Rondônia e, ainda hoje, é o principal produto da


economia de algumas regiões do Estado.

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QUESTÕES COMENTADAS:

1) (FGV/DPE RO/2015 – TÉCNICO DA DEFENSORIA PÚBLICA) Durante


o processo de União Ibérica (1580/1640), Portugal avançou o seu
território na América, resultando na transformação do espaço físico
brasileiro que passou a ser continental. Assim foi possível a ocupação
da região norte e, especificamente, a área do atual Estado de Rondônia.
Tal processo de ocupação de Rondônia se deu pela presença dos jesuítas
na região, buscando a catequização dos indígenas.

Acerca da conquista territorial de Rondônia entre os séculos XVII e


XVIII, um outro grupo responsável por esse processo foi:

(A) a elite açucareira interessada na ampliação dos engenhos de açúcar


na região norte;

(B) a elite pecuarista que avançou da região sul em busca de melhores


pastagens;

(C) os bandeirantes que buscavam a exploração econômica da região;

(D) os produtores de borracha interessados na riqueza oferecida pelo


produto no exterior;

(E) os produtores de soja que tinham o interesse de ampliar a sua


produção.

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COMENTÁRIOS:

Veja que a questão fala do período da União Ibérica (1580-1640). A elite


açucareira não andou pela região norte em nenhum período da história do Brasil.
O ciclo da borracha ocorreu nos séculos XIX e XX e não no período colonial. A
expansão da pecuária e da soja para Rondônia é recente, data da segunda
metade do século XX e do século XXI.

Galera, restou os bandeirantes, que incursionaram pelo território


brasileiro, não só pelo Norte, nos séculos XVI e XVII, em busca de riquezas e do

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apresamento de índios. Os bandeirantes buscavam principalmente encontrar


metais preciosos, como o ouro e o diamante.

Gabarito: C

2) (FUNCAB/MPE RO/2012 – ANALISTA) Um importante tratado fixou a


linha de fronteira no extremo norte e oeste do Brasil, a partir dos cursos
dos rios Guaporé e Mamoré, até o médio curso do Madeira, sendo de
inegável relevância para a definição do futuro Território do Guaporé. O
tratado referido é o de:

a) Tordesilhas,1494.

b) Utrecht, 1713.

c) Utrecht, 1915.

d) Petrópolis, 1903.

e) Madri, 1750

COMENTÁRIOS:

O tratado referido é o de Madri, assinado em 1750, entre as coroas de


Portugal e Espanha. Esse Tratado é um dos mais importantes tratados de limites
da história diplomática brasileira; porque estabeleceu não só as bases territoriais
do Brasil, mas também definiu o princípio que nortearia todas as questões de
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limites surgidas posteriormente: o uti possidetis, segundo o qual a terra


pertencia ao país de origem dos homens que nela morassem.

Gabarito: E

3) (CESPE/TJ RO/2012 – CARGOS DE NÍVEL SUPERIOR) O recrutamento


de colonos para povoar regiões consideradas estratégicas por Portugal
em sua colônia americana foi uma das medidas políticas empreendidas
pelo Marquês de Pombal, por meio de uma política colonial claramente

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mercantilista, com o objetivo de fortalecer o poder da realeza e reduzir


históricos privilégios concedidos a comerciantes ingleses.

Nesse sentido, a decisão tomada pelo governo de Lisboa de enviar


colonos provenientes dos Açores e de Mazagão, no norte da África, para
a região Norte brasileira foi motivada

A) pela expansão da produção aurífera ao longo do século XVIII, cujo


andamento das atividades dependia do fornecimento de gêneros
alimentícios produzidos nos mais diversos pontos da colônia.

B) pela necessidade de controle do território do Norte, que permitiria ao


governo de Portugal ampliar seus domínios americanos e, a partir do
mapeamento hidrográfico da Amazônia, controlar a estratégica bacia
platina.

C) pelo fato de as correntes migratórias externas poderem substituir,


com vantagem, as populações nativas que, nesse contexto, haviam sido
dizimadas em larga medida.

D) pelo comprovado sucesso do emprego de mão de obra imigrante nas


lavouras de café no centro-sul da colônia, fato que indicava bons
prognósticos para sua utilização na Amazônia.

E) pela urgente necessidade de povoar o Norte do Brasil, uma vez que,


em face da crescente pressão exercida por Inglaterra, França e Holanda,
era preciso integrar a área às demais regiões da colônia.
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COMENTÁRIOS:

O território atual do Brasil é quase três vezes maior que aquele delimitado
pelo Tratado de Tordesilhas. O pequeno reino português conseguiu um feito
memorável de em menos de três séculos expandir territorialmente a colônia
brasileira pela maior parte da América do Sul. Nesta expansão territorial,
tratava-se de ocupar, povoar e controlar os territórios penetrados. Para isto,
Portugal enviava colonos as frentes de expansão, seja no Norte, oeste ou sul do
Brasil.

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Gabarito: E

4) (FUNCAB/DER RO/2010 – ANALISTA DE SISTEMAS) O início da


exploração da borracha amazônica foi próspero, mas a bonança durou
pouco. Em 1912, a produção atingia o pico de 42 mil toneladas. A
borracha representava 40% de todas as exportações nacionais. Em um
segundo momento, entre 1942 e 1945, a borracha teve uma sobrevida
que não foi com a mesma pujança do início do século, e logo voltou a
perder em expressão no cenário econômico nacional. Nas duas fases
mais expressivas da produção, um fator apontado abaixo pode ser
considerado como responsável pelo declínio da borracha brasileira:

a) falta de crédito à extração e ao beneficiamento do látex.

b) precariedade da mão de obra usada pelos seringueiros.

c) dificuldade para escoar a produção até o porto de Belém.

d) concorrência da borracha produzida pelos asiáticos.

e) população indígena dificultava o acesso aos seringais.

COMENTÁRIOS:

Devido aos custos de produção inferiores, a borracha produzida no


mercado asiático desbancou a produção de borracha da Amazônia. Isso ocorreu
no início do século XX. Posteriormente, na Segunda Guerra Mundial, os seringais
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da Malásia foram ocupados pelos japoneses, que cortaram o fornecimento para


os mercados europeu e norte-americano, o que reavivou a produção amazônica.
Contudo, foi um ciclo brevíssimo. Com o fim da guerra e a liberação dos seringais
asiáticos, a produção da Amazônia voltou a declinar.

Gabarito: D

5) (FUNCAB/SESAU RO/2009 – TÉCNICO EM ENFERMAGEM) Durante o


período colonial, a porção norte do território brasileiro, na qual se

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encontra o atual Estado de Rondônia, não despertou interesse à


metrópole a não ser pelas “drogas do sertão”. Podemos dizer que são
elas:

A) sal, seda e açúcar;

B) açúcar e especiarias nativas;

C) açúcar, sal e baunilha;

D) cravo, canela e baunilha;

E) baunilha, açúcar e cravo.

COMENTÁRIOS:

Drogas do Sertão é um termo que se refere a determinadas especiarias


extraídas da Floresta Amazônica na época das entradas e das bandeiras. As
"drogas" eram produtos nativos do Brasil, que não existiam na Europa e, por
isso, atraíam o interesse dos europeus que as consideravam como novas
especiarias. As principais drogas do sertão eram o cacau, baunilha, canela,
castanha-do-pará, cravo, guaraná, pau-cravo e urucum.

Gabarito: D

6) (FUNCAB/SESAU RO/2009 - MÉDICO) O período compreendido entre


1877 e 1910 ficou conhecido no Brasil como “Primeiro Ciclo da
Borracha”. Extraía-se a borracha na Amazônia, principalmente entre o
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Brasil e a Bolívia, onde está situado o Estado de Rondônia. Um pouco


depois, a produção brasileira entrou em decadência. Podemos apontar
como causa principal do declínio desta produção:

a) o isolamento da Região Norte;

b) a falta de mão-de-obra para a exploração;

c) a produção de látex feita pelo Reino Unido;

d) a preocupação com a preservação ambiental;

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e) a proposta de internacionalização da Amazônia.

COMENTÁRIOS:

A seringueira, árvore de onde se extrai o látex, matéria prima para a


produção da borracha, é nativa da Amazônia. No entanto, os ingleses levaram
ilegalmente para fora da Amazônia, mudas da seringueira e desenvolveram com
sucesso e custo mais baixo seringais e a extração do látex na Malásia. A
produção na então colônia inglesa derrubou a produção do látex amazônico.

Gabarito: C

7) (CESGRANRIO/TJ RO/2008 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Desde o período


colonial, a ocupação e a colonização da região dos vales dos rios
Madeira, Mamoré e Guaporé foram focos de preocupação dos governos
brasileiros porque essa área

a) representava importante polo de atividade mercantil, vinculado à


formação de lavouras e exportação de cacau.

b) representava importante via de rota comercial e seu controle


garantia a posse territorial e a integridade de fronteira.

c) foi dominada por missões jesuíticas que passaram a constituir um


"Estado religioso dentro do Estado".

d) estava sujeita às frequentes inundações da Bacia Amazônica, que


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destruíam qualquer tentativa de ocupação da região.

e) viabilizou o apresamento de indígenas para trabalhar nos seringais


da Amazônia Ocidental.

COMENTÁRIOS:

Os rios Mamoré, Guaporé e Madeira representavam importante via de rota


comercial e seu controle garantia a posse territorial e a integridade de fronteira.
Como rota comercial, eram importantes para o Brasil e a Bolívia. Para consolidar

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a sua ocupação, o governo brasileiro fomentou a criação de núcleos de


povoamento e instalou postos militares.

Gabarito: B

8) (FUNCAB/IDARON RO/2008 – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO)


Devido à grande demanda da exploração da borracha, durante a
Segunda Guerra Mundial, muitos nordestinos foram atraídos com
promessas de trabalho nos seringais da Amazônia. Eram conhecidos
como:

a) “mercenários da borracha”;

b) “trabalhadores da borracha”;

c) “empregados da borracha”;

d) “soldados da borracha”;

e) “nordestinos da borracha”.

COMENTÁRIOS:

Estes nordestinos ficaram conhecidos com “sodados da borracha”.

Gabarito: D

9) (FUNCAB/CORPO DE BOMBEIROS RO/2008 – SOLDADO) A retomada


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da demanda da extração do látex na região do vale Madeira-Guaporé


ocorreu em decorrência da 2ª Guerra Mundial pois:

a) os seringais brasileiros se tornaram competitivos graças ao


investimento do governo brasileiro em tecnologia para extração do
látex;

b) a ação de contrabandistas ingleses, noruegueses e alemães


intensificou-se;

c) a produção do látex no Oriente (Malásia) aumentou;

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d) o Tratado de Petrópolis restabeleceu a paz entre Brasil e Alemanha;

e) os seringais da Malásia foram ocupados por tropas japonesas, não


sendo possível continuar a produção.

COMENTÁRIOS:

Durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses ocuparam os seringais


da Malásia e bloquearam a exportação do látex para a Europa e os Estados
Unidos. Isso fez com que o governo dos EUA estabelecesse um acordo com o
governo brasileiro para a produção emergencial e em grande quantidade de látex
da Amazônia.

Gabarito: E

10) (FUNCAB/CORPO DE BOMBEIROS RO/2008 - SOLDADO) As florestas


de Rondônia são ricas em espécies vegetais. Pode-se dizer que o
primeiro produto explorado, responsável pelo povoamento dos vales do
Madeira, Mamoré, Guaporé, Machado e seus afluentes foi:

a) a madeira da espécie castanheira;

b) o mogno, madeira considerada nobre;

c) a seiva da árvore seringueira;

d) a madeira, de cor avermelhada, chamada pau-brasil;


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e) o jatobá, madeira considerada nobre.

COMENTÁRIOS:

O primeiro produto explorado, responsável pelo povoamento dos vales do


Madeira, Mamoré, Guaporé, Machado e seus afluentes, foi a seiva da seringueira,
o látex, de onde se produz a borracha.

Gabarito: C

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11) (FUNRIO/SEJUS RO/2008 – AGENTE EDUCADOR) Com relação à


ocupação da região amazônica, é correto afirmar que a década e o
principal motivo das preocupações do governo brasileiro terem se
agravado foram, respectivamente:

a) 1930, pois houve uma queda na exportação da borracha, importante


produto da região.

b) 1960, pela renúncia de Jânio Quadros e as repercussões na política


nacional.

c) 1970, em função de uma possível invasão americana e receio de uma


guerra civil.

d) 1980, pela criação do Estado de Rondônia e a manutenção das áreas


fronteiriças.

e) 1990, em função da elevação da taxa de juros que afetou as


exportações.

COMENTÁRIOS:

Na década de 1930, a produção exportação de borracha havia caído


vertiginosamente. Isso agravou as preocupações do governo brasileiro quanto
ao desenvolvimento e a segurança da Amazônia.

Gabarito: A
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12) (CESGRANRIO/TJ RO/2008 – TÉCNICO JUDICIÁRIO)

Os relatos espetaculares sobre a Amazônia, presentes nos depoimentos


dos indígenas e nas crenças europeias, contrapunham, a todo momento,
duas visões da nova terra: a idílica e a temível, a paradisíaca e a trágica.
Esse contraponto, na verdade, refletia o contexto histórico no qual
estava inserido, significando que:

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(A) a força dos nativos da Amazônia, proveniente de sua forte ligação


com a natureza, comoveu e transformou o universo ideológico europeu
do século XVI.

(B) o longo confronto entre Portugal e Espanha, decorrente da Guerra


de Reconquista, perpetuava-se, na América, com a disputa de territórios
além-mar.

(C) o encontro com o indígena significava, para o europeu, um


estranhamento perante aquele desconhecido, sempre vitorioso nos
conflitos iniciais, apesar de suas armas rudimentares.

(D) mesmo enfrentando dificuldades de toda sorte, a conquista da


região significava alcançar riquezas materiais que as expedições da
época moderna buscavam.

(E) quaisquer que fossem os perigos que a região apresentasse,


deveriam ser enfrentados, pois esta era a vontade divina, tanto no que
se refere ao europeu, como no imaginário nativo.

COMENTÁRIOS:

O contexto histórico era o do mercantilismo, a política econômica do


capitalismo comercial, que suplantou o feudalismo. Os europeus buscaram
explorar outros continentes, visando ampliar o comércio e encontrar novas
riquezas. Na grandiosa Amazônia, mesmo enfrentando dificuldades de toda
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sorte, a sua conquista significava alcançar riquezas materiais que as expedições


da época moderna buscavam.

Gabarito: D

13) (FGV/PGE-RO/2015 – TÉCNICO DA PROCURADORIA) “Rondon saiu


de Cuiabá (MT) na chefia de uma comissão composta por mais de 300
homens e 15 cachorros (animais de estimação e paixão do sertanista)
(...) No dia 25 de dezembro de 1909, com apenas 15 homens e nenhum
cachorro, chegou a Santo Antônio do Madeira (6 quilômetros do centro

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de Porto Velho). A jornada de quase três anos colocou seu nome na


história mundial e nominou um Estado (Rondônia) e o Meridiano 52
(Rondon) do planeta Terra."

(Fonte: http://www.rondonia.ro.gov.br/Acesso em 15 de setembro de


2015)

O objetivo inicial da comissão comandada por Rondon era a:

a) instalação e conservação de linhas telegráficas;

b) construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré;

c) busca por riquezas minerais na região amazônica;

d) demarcação de terras indígenas com vistas à criação de reservas;

e) abertura de pistas de pouso para facilitar o acesso à região.

COMENTÁRIOS:

Nesse período, a região amazônica, já possuía uma importância econômica


com o ciclo da borracha. A construção de uma estrada de ferro já havia sido
negociada no Tratado de Ayacucho, assinado em 1867, e ratificada pelo Tradado
de Petrópolis, em 1903, com objetivo de transportar a borracha e como forma
de superar os obstáculos do rio Madeira.

Como forma de ampliar a integração nacional, foi designada a Comissão


Rondon com o objetivo fazer uma linha telegráfica às margens do Rio Madeira,
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nas regiões de Cuiabá e Porto Velho, onde também estava sendo realizada a
construção de uma estrada de ferro, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM)

Gabarito: A

14) (FCC/TCE-RO/2010 – PROCURADOR) Em 1750, redefiniu as


fronteiras entre as Américas Portuguesa e Espanhola, anulando o
estabelecido no Tratado de Tordesilhas: Portugal garantia o controle da
maior parte da Bacia Amazônica, enquanto a Espanha controlava a
maior parte da Bacia do Prata. Neste Tratado, o princípio do usucapião

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(uti possidetis), que quer dizer que a terra pertence a quem a ocupa, foi
levado em consideração pela primeira vez.

(http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/povoamento/index.html)

Trata-se do Tratado de

a) Santo Ildefonso.

b) Badajós.

c) Madri.

d) Utrecht.

e) Lisboa.

COMENTÁRIOS:

O Tratado de Tordesilhas deixou de vigorar com o Tratado de Madri,


assinado em 1750, que estabeleceu novos limites de divisão territorial para as
colônias da América do Sul. Através dele, a Coroa portuguesa tem a posse
definitiva da região, definindo também o princípio que nortearia todas as
questões de limites surgidas posteriormente: o uti possidetis, segundo o qual a
terra pertencia ao país de origem dos homens que nela morassem.

Gabarito: C

15) (FCC/TCE-RO/2010 – PROCURADOR) O processo de conquista e


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povoamento do espaço geográfico atualmente ocupado pelo Estado de


Rondônia

a) ocorreu promovendo a fuga ou extermínio de inúmeras etnias que


originalmente eram ocupantes primitivos da região.

b) caracterizou-se pela rápida expansão de atividades agropecuárias


que enriqueceram portugueses e espanhóis.

c) foi diferenciado em relação a outras áreas do país porque não contou


com a presença de bandeirantes e de missionários.

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d) esteve atrelado à introdução de escravos africanos para a exploração


dos recursos naturais amazônicos.

e) teve início no final do Segundo Império, através de grupos de


militares cujo objetivo era defender as fronteiras brasileiras.

COMENTÁRIOS:

Quando o Brasil ainda não havia sido descoberto por Portugal, a região
amazônica já era habitada por muitas tribos de índios nativos, inclusive a região
de Rondônia, cuja população foi dominada, escravizada, expropriada e explorada
por jesuítas para realizarem a coleta de Drogas do Sertão, e outros
colonizadores. Bandeirantes aprisionaram índios para o trabalho nas lavouras.

Gabarito: A

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LISTA DE QUESTÕES:

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1) (FGV/DPE RO/2015 – TÉCNICO DA DEFENSORIA PÚBLICA) Durante


o processo de União Ibérica (1580/1640), Portugal avançou o seu
território na América, resultando na transformação do espaço físico
brasileiro que passou a ser continental. Assim foi possível a ocupação
da região norte e, especificamente, a área do atual Estado de Rondônia.
Tal processo de ocupação de Rondônia se deu pela presença dos jesuítas
na região, buscando a catequização dos indígenas.

Acerca da conquista territorial de Rondônia entre os séculos XVII e


XVIII, um outro grupo responsável por esse processo foi:

(A) a elite açucareira interessada na ampliação dos engenhos de açúcar


na região norte;

(B) a elite pecuarista que avançou da região sul em busca de melhores


pastagens;

(C) os bandeirantes que buscavam a exploração econômica da região;

(D) os produtores de borracha interessados na riqueza oferecida pelo


produto no exterior;

(E) os produtores de soja que tinham o interesse de ampliar a sua


produção.

2) (FUNCAB/MPE RO/2012 – ANALISTA) Um importante tratado fixou a


linha de fronteira no extremo norte e oeste do Brasil, a partir dos cursos
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dos rios Guaporé e Mamoré, até o médio curso do Madeira, sendo de


inegável relevância para a definição do futuro Território do Guaporé. O
tratado referido é o de:

a) Tordesilhas,1494.

b) Utrecht, 1713.

c) Utrecht, 1915.

d) Petrópolis, 1903.

e) Madri, 1750

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3) (CESPE/TJ RO/2012 – CARGOS DE NÍVEL SUPERIOR) O recrutamento


de colonos para povoar regiões consideradas estratégicas por Portugal
em sua colônia americana foi uma das medidas políticas empreendidas
pelo Marquês de Pombal, por meio de uma política colonial claramente
mercantilista, com o objetivo de fortalecer o poder da realeza e reduzir
históricos privilégios concedidos a comerciantes ingleses.

Nesse sentido, a decisão tomada pelo governo de Lisboa de enviar


colonos provenientes dos Açores e de Mazagão, no norte da África, para
a região Norte brasileira foi motivada

A) pela expansão da produção aurífera ao longo do século XVIII, cujo


andamento das atividades dependia do fornecimento de gêneros
alimentícios produzidos nos mais diversos pontos da colônia.

B) pela necessidade de controle do território do Norte, que permitiria ao


governo de Portugal ampliar seus domínios americanos e, a partir do
mapeamento hidrográfico da Amazônia, controlar a estratégica bacia
platina.

C) pelo fato de as correntes migratórias externas poderem substituir,


com vantagem, as populações nativas que, nesse contexto, haviam sido
dizimadas em larga medida.

D) pelo comprovado sucesso do emprego de mão de obra imigrante nas


lavouras de café no centro-sul da colônia, fato que indicava bons
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prognósticos para sua utilização na Amazônia.

E) pela urgente necessidade de povoar o Norte do Brasil, uma vez que,


em face da crescente pressão exercida por Inglaterra, França e Holanda,
era preciso integrar a área às demais regiões da colônia.

4) (FUNCAB/DER RO/2010 – ANALISTA DE SISTEMAS) O início da


exploração da borracha amazônica foi próspero, mas a bonança durou
pouco. Em 1912, a produção atingia o pico de 42 mil toneladas. A

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borracha representava 40% de todas as exportações nacionais. Em um


segundo momento, entre 1942 e 1945, a borracha teve uma sobrevida
que não foi com a mesma pujança do início do século, e logo voltou a
perder em expressão no cenário econômico nacional. Nas duas fases
mais expressivas da produção, um fator apontado abaixo pode ser
considerado como responsável pelo declínio da borracha brasileira:

a) falta de crédito à extração e ao beneficiamento do látex.

b) precariedade da mão de obra usada pelos seringueiros.

c) dificuldade para escoar a produção até o porto de Belém.

d) concorrência da borracha produzida pelos asiáticos.

e) população indígena dificultava o acesso aos seringais.

5) (FUNCAB/SESAU RO/2009 – TÉCNICO EM ENFERMAGEM) Durante o


período colonial, a porção norte do território brasileiro, na qual se
encontra o atual Estado de Rondônia, não despertou interesse à
metrópole a não ser pelas “drogas do sertão”. Podemos dizer que são
elas:

A) sal, seda e açúcar;

B) açúcar e especiarias nativas;

C) açúcar, sal e baunilha;


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D) cravo, canela e baunilha;

E) baunilha, açúcar e cravo.

6) (FUNCAB/SESAU RO/2009 - MÉDICO) O período compreendido entre


1877 e 1910 ficou conhecido no Brasil como “Primeiro Ciclo da
Borracha”. Extraía-se a borracha na Amazônia, principalmente entre o
Brasil e a Bolívia, onde está situado o Estado de Rondônia. Um pouco
depois, a produção brasileira entrou em decadência. Podemos apontar
como causa principal do declínio desta produção:

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a) o isolamento da Região Norte;

b) a falta de mão-de-obra para a exploração;

c) a produção de látex feita pelo Reino Unido;

d) a preocupação com a preservação ambiental;

e) a proposta de internacionalização da Amazônia.

7) (CESGRANRIO/TJ RO/2008 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Desde o período


colonial, a ocupação e a colonização da região dos vales dos rios
Madeira, Mamoré e Guaporé foram focos de preocupação dos governos
brasileiros porque essa área

a) representava importante polo de atividade mercantil, vinculado à


formação de lavouras e exportação de cacau.

b) representava importante via de rota comercial e seu controle


garantia a posse territorial e a integridade de fronteira.

c) foi dominada por missões jesuíticas que passaram a constituir um


"Estado religioso dentro do Estado".

d) estava sujeita às frequentes inundações da Bacia Amazônica, que


destruíam qualquer tentativa de ocupação da região.

e) viabilizou o apresamento de indígenas para trabalhar nos seringais


da Amazônia Ocidental.
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8) (FUNCAB/IDARON RO/2008 – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO)


Devido à grande demanda da exploração da borracha, durante a
Segunda Guerra Mundial, muitos nordestinos foram atraídos com
promessas de trabalho nos seringais da Amazônia. Eram conhecidos
como:

a) “mercenários da borracha”;

b) “trabalhadores da borracha”;

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c) “empregados da borracha”;

d) “soldados da borracha”;

e) “nordestinos da borracha”.

9) (FUNCAB/CORPO DE BOMBEIROS RO/2008 – SOLDADO) A retomada


da demanda da extração do látex na região do vale Madeira-Guaporé
ocorreu em decorrência da 2ª Guerra Mundial pois:

a) os seringais brasileiros se tornaram competitivos graças ao


investimento do governo brasileiro em tecnologia para extração do
látex;

b) a ação de contrabandistas ingleses, noruegueses e alemães


intensificou-se;

c) a produção do látex no Oriente (Malásia) aumentou;

d) o Tratado de Petrópolis restabeleceu a paz entre Brasil e Alemanha;

e) os seringais da Malásia foram ocupados por tropas japonesas, não


sendo possível continuar a produção.

10) (FUNCAB/CORPO DE BOMBEIROS RO/2008 - SOLDADO) As florestas


de Rondônia são ricas em espécies vegetais. Pode-se dizer que o
primeiro produto explorado, responsável pelo povoamento dos vales do
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Madeira, Mamoré, Guaporé, Machado e seus afluentes foi:

a) a madeira da espécie castanheira;

b) o mogno, madeira considerada nobre;

c) a seiva da árvore seringueira;

d) a madeira, de cor avermelhada, chamada pau-brasil;

e) o jatobá, madeira considerada nobre.

11) (FUNRIO/SEJUS RO/2008 – AGENTE EDUCADOR) Com relação à


ocupação da região amazônica, é correto afirmar que a década e o

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principal motivo das preocupações do governo brasileiro terem se


agravado foram, respectivamente:

a) 1930, pois houve uma queda na exportação da borracha, importante


produto da região.

b) 1960, pela renúncia de Jânio Quadros e as repercussões na política


nacional.

c) 1970, em função de uma possível invasão americana e receio de uma


guerra civil.

d) 1980, pela criação do Estado de Rondônia e a manutenção das áreas


fronteiriças.

e) 1990, em função da elevação da taxa de juros que afetou as


exportações.

12) (CESGRANRIO/TJ RO/2008 – TÉCNICO JUDICIÁRIO)

Os relatos espetaculares sobre a Amazônia, presentes nos depoimentos


dos indígenas e nas crenças europeias, contrapunham, a todo momento,
duas visões da nova terra: a idílica e a temível, a paradisíaca e a trágica.
Esse contraponto, na verdade, refletia o contexto histórico no qual
estava inserido, significando que:

(A) a força dos nativos da Amazônia, proveniente de sua forte ligação


com a natureza, comoveu e transformou o universo ideológico europeu
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do século XVI.

(B) o longo confronto entre Portugal e Espanha, decorrente da Guerra


de Reconquista, perpetuava-se, na América, com a disputa de territórios
além-mar.

(C) o encontro com o indígena significava, para o europeu, um


estranhamento perante aquele desconhecido, sempre vitorioso nos
conflitos iniciais, apesar de suas armas rudimentares.

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(D) mesmo enfrentando dificuldades de toda sorte, a conquista da


região significava alcançar riquezas materiais que as expedições da
época moderna buscavam.

(E) quaisquer que fossem os perigos que a região apresentasse,


deveriam ser enfrentados, pois esta era a vontade divina, tanto no que
se refere ao europeu, como no imaginário nativo.

13) (FGV/PGE-RO/2015 – TÉCNICO DA PROCURADORIA) “Rondon saiu


de Cuiabá (MT) na chefia de uma comissão composta por mais de 300
homens e 15 cachorros (animais de estimação e paixão do sertanista)
(...) No dia 25 de dezembro de 1909, com apenas 15 homens e nenhum
cachorro, chegou a Santo Antônio do Madeira (6 quilômetros do centro
de Porto Velho). A jornada de quase três anos colocou seu nome na
história mundial e nominou um Estado (Rondônia) e o Meridiano 52
(Rondon) do planeta Terra."

(Fonte: http://www.rondonia.ro.gov.br/Acesso em 15 de setembro de


2015)

O objetivo inicial da comissão comandada por Rondon era a:

a) instalação e conservação de linhas telegráficas;

b) construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré;

c) busca por riquezas minerais na região amazônica;


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d) demarcação de terras indígenas com vistas à criação de reservas;

e) abertura de pistas de pouso para facilitar o acesso à região.

14) (FCC/TCE-RO/2010 – PROCURADOR) Em 1750, redefiniu as


fronteiras entre as Américas Portuguesa e Espanhola, anulando o
estabelecido no Tratado de Tordesilhas: Portugal garantia o controle da
maior parte da Bacia Amazônica, enquanto a Espanha controlava a
maior parte da Bacia do Prata. Neste Tratado, o princípio do usucapião

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(uti possidetis), que quer dizer que a terra pertence a quem a ocupa, foi
levado em consideração pela primeira vez.

(http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/povoamento/index.html)

Trata-se do Tratado de

a) Santo Ildefonso.

b) Badajós.

c) Madri.

d) Utrecht.

e) Lisboa.

15) (FCC/TCE-RO/2010 – PROCURADOR) O processo de conquista e


povoamento do espaço geográfico atualmente ocupado pelo Estado de
Rondônia

a) ocorreu promovendo a fuga ou extermínio de inúmeras etnias que


originalmente eram ocupantes primitivos da região.

b) caracterizou-se pela rápida expansão de atividades agropecuárias


que enriqueceram portugueses e espanhóis.

c) foi diferenciado em relação a outras áreas do país porque não contou


com a presença de bandeirantes e de missionários.

d) esteve atrelado à introdução de escravos africanos para a exploração


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dos recursos naturais amazônicos.

e) teve início no final do Segundo Império, através de grupos de


militares cujo objetivo era defender as fronteiras brasileiras.

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