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História

Saudações aos vestibulandos. É com grande prazer que trazemos algumas dicas para te
ajudar a se dar bem nas provas de História. Antes, é interessante lembrar a importância do seu
esforço nessa fase final, faltando pouco menos de um mês para os exames das principais
universidades de nosso estado. Pode ser que uma ou duas horas de estudo por dia sejam a
diferença entre mais um ano de espera, e a aprovação que trará o fim do “sufoco” da vida de
vestibulando. Este “sufoco” é em parte responsável pela reprovação de muitos candidatos
preparados para as provas, a tensão, o nervosismo, o estresse, acabam levando muitos alunos
a passarem pelo famoso “branco”, esquecendo a matéria, ou cometerem erros fáceis de se
evitar nas provas. Um modo de se cortar o mal pela raíz seria mudar a forma de encarar o
exame vestibular.
Como todas as conquistas importantes na vida, uma vaga numa das melhores
universidades não vêm sem esforço. Encarar esse esforço como um “martírio insuportável”,
apenas o tornará ainda maior. Ora, se o esforço é inevitável, por que não enfrentá-lo de
maneira natural? Apesar da necessidade de se preparar para uma prova extremamente
concorrida, essa não é mesmo a única utilidade dos estudos. Enquanto estudamos,
aprendemos muita coisa, e de uma maneira que possivelmente não voltará a se repetir em
intensidade tão grande, uma vez que o vestibular cobra o que deveríamos ter aprendido ao
longo do ensino fundamental e médio, e na faculdade passamos a estudar assuntos mais
específicos. A maioria das pessoas dizem mudar de idéia sobre o vestibular depois que entram
na rotina da universidade. Antes da aprovação, pensamos que nunca mais iremos ter que fazer
tanto esforço quanto o que estamos fazendo para passar, depois dela, percebemos que
precisaremos de muito mais esforço na vida. Então nosso conselho é: estude pra valer, procure
um professor e tire suas dúvidas, descanse bem antes das provas, leia muito bem os avisos no
início da prova e cada uma das questões para não cometer enganos, responda-as com
tranqüilidade, e principalmente: aproveite o que você está fazendo, encare tudo como uma
coisa boa, se esforce pensando nos resultados (e podemos garantir que eles compensam o
esforço), e tenha a consciência de ter feito o melhor que pode, faça a sua parte.
Mas estamos aqui para falar de História então falemos de História. Para começar,
vamos analisar uma situação bastante comum: Suponha que no seu vestibular apareça uma
questão pedindo que você cite os principais fatores que influenciaram a proclamação da
república no Brasil. Você deveria falar sobre a Guerra do Paraguai e suas conseqüências para
o Brasil, citar a Questão Militar e explicar a contenda entre o Exército e o Imperador D. Pedro
II, a Questão Religiosa e a Abolição da Escravidão, são esses os principais fatores que
influenciaram nosso país a se tornar uma República. É pouco provável que uma questão peça
a explicação minuciosa de cada um dos eventos citados, então tendo estudado razoavelmente
a História do Brasil da segunda metade do século XIX, você provavelmente vai ser capaz de
resolver a questão sem grandes problemas. Porém, você precisou reforçar aquele conteúdo
em Física, ou terminar de ler aquele livro que vai cair em Literatura, e infelizmente não
consegue se lembrar dos detalhes da Questão Religiosa e da Questão Militar. Tudo está
perdido? É claro que não. O que você realmente precisa saber para o vestibular é que a
proclamação da república no Brasil foi influenciada pelo Exército, pelos grandes fazendeiros
(dentre os quais uma parte já apoiava o movimento republicano a décadas e viria a controlar a
política no Brasil República, e a outra deixou de apoiar o Imperador após a Abolição da
Escravidão pois perderam muito dinheiro com isso), e pela Igreja Católica que nas últimas
décadas do Brasil monárquico teve suas relações com D. Pedro II bastante abaladas. Não é
preciso decorar nomes e datas, apenas conhecer os contextos históricos e saber articulá-los
em suas respostas. Dizer que “A proclamação da República brasileira foi influenciada pelas
más relações do Imperador e seu gabinete com o exército, devido à falta de participação
política do mesmo e seu contato com a república decorrente de sua convivência com os
argentinos e uruguaios durante a Guerra do Paraguai, com os cafeicultores, devido à sua luta
por uma maior autonomia política e com a Igreja devido à perseguição a dois bispos católicos,
e também pela abolição da escravidão, que virou contra o imperador os antigos escravocratas.”
já seria mais do que suficiente para conseguir os pontos pela questão. Não adianta tentar
decorar toda a matéria, pois além de demandar muito mais tempo para isso do que o que
temos disponível, ao fazer isso você se sujeita a esquecer ou se confundir na hora da prova, e
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provavelmente vai esquecer tudo mais tarde, limitando a utilidade dos seus estudos somente à
aprovação, sendo que isso não é tudo o que você tem a ganhar estudando.
Tanto em História quanto em Geografia, é interessante associar os diversos tópicos da
matéria, pois com isso, você pode tornar suas respostas mais completas ou mesmo encontrar
aquele detalhe da matéria do qual não consegue se lembrar, por exemplo: Se uma questão
perguntasse quais as propostas de Getúlio Vargas e sua Aliança Liberal para as eleições de
1930, você poderia encontrar a resposta nos vários setores da sociedade que apoiaram sua
candidatura: O grupo principal foi o dos fazendeiros que não produziam café, que descontentes
com mais de 30 anos de domínio político e privilégios somente aos cafeicultores, queriam o fim
dessa hegemonia, por acaso essa era uma das propostas de Getúlio: uma moralização política
com a implantação de um órgão de justiça eleitoral para impedir a manipulação que era feita
pelas oligarquias cafeeiras, com isso o futuro presidente também conseguiu o apoio da camada
média militar; a classe média urbana e os proprietários de indústrias queriam que o governo
investisse menos no setor agrário e priorizasse o desenvolvimento industrial, outra das
propostas de Vargas; e por fim, Getúlio Vargas prometia leis trabalhistas e regularização dos
sindicatos dos operários, bastava lembrar que o operariado também apoiou o candidato que
viria a ser conhecido como “O Pai dos Pobres”.
Tenha cuidado com o que for escrever nas questões dissertativas, antes de escrever,
pense na idéia e procure se lembrar se você aprendeu isso com seus professores, em algum
livro confiável, ou se ouviu ou leu em alguma fonte pouco digna de desconfiança (leia-se
Internet).
É sabido que vários vestibulares costumam incluir questões sobre acontecimentos
importantes que completam um ou dois séculos. Por isso este artigo trata também sobre alguns
desses eventos.
Em 2007, o patrono da Marinha Brasileira, Almirante Joaquim Marques Lisboa
(Marquês de Tamandaré) completa 200 anos de nascimento. Seu aniversário é considerado o
Dia do Marinheiro e Dia de Tamandaré. Por seus quase 67 anos de serviços prestados à
Marinha, é hoje considerado o seu marinheiro símbolo e padrão.
O futuro Almirante Tamandaré ingressou na Marinha do Brasil em 4 de março de 1823,
aos 16 anos, sendo designado para servir a bordo da fragata "Niterói", ao comando de Taylor
que, integrando a esquadra brasileira de Lord Cockrane, combateu na guerra da
Independência, na Bahia, em 1823. Esta guerra foi feita contra os portugueses que se
opuseram à independência, concentrados nas regiões norte e nordeste, e na Cisplatina (atual
Uruguai, na época província brasileira). Terminada esta guerra, foi requisitado pelo Almirante
Cockrane para embarcar na nau "D. Pedro I" destinada a combater a Confederação do
Equador, revolta que se alastrou pelo nordeste. Com isto conseguiu sua promoção a 2º
Tenente em 1825, marco de sua carreira.

Figura 1: O Almirante Tamandaré


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Tamandaré lutou na guerra Cisplatina 1825-28, inclusive no comando de dois navios,
aos 20 anos. Combateu também a maior parte das revoltas regenciais e a Revolução Praieira
em Pernambuco. Também teve sua carreira marcada pela atuação na Guerra do Paraguai. Em
1865 travou-se a batalha do Riachuelo, a maior batalha naval da América do Sul vencida pela
Esquadra Brasileira sob o seu comando. Se aposentou em 1890 e viria a falecer aos 88 anos,
em 1897, no Rio de Janeiro.
Também completa 200 anos em 2007 a fuga da família real portuguesa para o Brasil,
isso aconteceu no contexto das invasões napoleônicas, em que Napoleão Bonaparte expandia
seu império pela Europa. Não conseguindo vencer os ingleses, que possuíam a Marinha mais
poderosa do mundo, Napoleão decreta o Bloqueio Continental, proibindo qualquer tipo de
relações diplomáticas ou comerciais com a Inglaterra por parte de qualquer país da Europa,
praticamente sob seu comando. Portugal nessa época já se encontrava em grave situação de
dependência econômica em relação à Inglaterra, por tanto não poderia atender à exigência do
governante francês. D. João VI, na época regente do trono português, exerceu durante algum
tempo a chamada diplomacia pendular, tentando se manter neutro no embate entre França e
Inglaterra, até que em 1906, Inglaterra e Portugal assinam um tratado onde a Inglaterra se
comprometia a garantir a segurança da fuga da família real e da corte portuguesa para o Brasil
e a combater os franceses em Portugal caso o país fosse invadido. Pouco tempo depois,
Napoleão assina com a Espanha o Tratado de Fontainebleau, negociando a divisão de
Portugal entre os dois países. Em 1807 as forças de Napoleão lideradas pelo General Junot
invadem Portugal enquanto a família real e a corte portuguesa, somando mais de 12.000
pessoas, embarcam rumo ao Brasil.

Figura 2: Napoleão Bonaparte, em pintura romantizada


Este evento significaria para o Brasil o início do fim da dominação portuguesa, uma vez
que logo que D. João VI desembarcou no Brasil, foi assinada a Abertura dos Portos, permitindo
que o Brasil fizesse comércio com outras nações além de Portugal, a presença da família real
acarretaria a criação do Banco do Brasil, das primeiras faculdades brasileiras, o Rio de Janeiro
seria reurbanizado, a produção manufatureira seria liberada em nosso território e a elevação do
Brasil a Reino Unido de Portugal e Algarves, em 1815. Todas estas melhorias permaneceriam
com o retorno da Família Real para Portugal, em 1821 e quando isso aconteceu, o processo de
emancipação política já era irreversível, tornando-se o Brasil um país independente em 7 de
Setembro do ano seguinte.
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Figura 3: A Família Real e a Corte Portuguesa, em fuga para o Brasil


Neste ano, completa 100 anos a Segunda Conferência de Paz de Haia, na Holanda,
tratou-se de uma reunião envolvendo representantes de países do mundo inteiro, incluindo o
Brasil, com o objetivo de buscar soluções diplomáticas pacíficas para as disputas entre os
países, evitando assim que se repetisse o grande número de guerras que ocorreram no século
XIX (hoje sabemos que este esforço não impediu as duas maiores guerras da história da
humanidade). O representante do Brasil nesta conferência foi o diplomata e ex-ministro Rui
Barbosa, que teria feito uma brilhante atuação em defesa da paz mundial e dos interesses
brasileiros, proferindo um discurso em diversos idiomas, simultaneamente. A atuação de Rui
Barbosa lhe rendeu a popularidade necessária para se lançar candidato a presidente do Brasil
por 3 vezes, onde, segundo consta, teria vencido se não fosse o uso da fraude eleitoral por
parte das oligarquias que então controlavam o processo eleitoral.

Figura 4: O diplomata e político Rui Barbosa


Por fim, teremos no ano que vem os 100 anos da imigração japonesa no Brasil. Já
temos várias comemorações ocorrendo pelo país. A imigração começou, como um acordo
entre o governo japonês e o brasileiro pois o Japão vivia desde o final do século XIX uma crise
demográfica enquanto o Brasil necessitava de mão-de-obra para a lavoura do café. A
população de japoneses e descendentes no Brasil está estimada em um milhão e quinhentas
mil pessoas e é a maior fora do Japão. Essa imigração começou no ano de 1908 com a
chegada do Navio Kasato Maru ao Porto de Santos, trazendo 165 famílias de imigrantes.
Os japoneses, em sua maioria, foram trabalhar nas plantações de café no interior de
São Paulo e posteriormente no norte do Paraná, um grupo menor se deslocou mais tarde para
a região norte do Brasil. A princípio trabalhando exclusivamente na agricultura, os imigrantes
passariam aos poucos para o ambiente urbano, onde teriam a princípio uma atitude de
reclusão reproduzindo comunidades japonesas como a do bairro da Liberdade, na capital
paulista. Porém, a partir da terceira geração (sansei), os descendentes seriam criados na
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cultura brasileira, e iriam aos poucos se “abrasileirando”, logo passaram a ocorrer também os
casamentos fora da colônia, que se tornaram comuns a partir da década de 1970. Hoje apenas
10% dos filhos e netos de japoneses falam a língua japonesa e aproximadamente 30% dos
descendentes são frutos de uniões entre japoneses e não-japoneses.
A comunidade nipo-brasileira foi muito perseguida durante a Segunda Guerra Mundial,
na qual o Japão lutou ao lado do Eixo (juntamente com Alemanha e Itália). Quando o Brasil
entrou na guerra ao lado dos Aliados (EUA, Inglaterra, França, URSS), a imigração foi proibida.
O uso do idioma japonês se tornou crime, assim como o italiano e o alemão, e também
qualquer manifestação que simbolizasse a cultura japonesa. Os imigrantes que viviam no litoral
foram forçados a se mudarem para o interior, devido ao temor de que pudessem colaborar com
uma invasão japonesa. A imigração só seria novamente legalizada a partir de 1945. Hoje em
dia existe o fenômeno Dekassegui, a imigração dos descendentes de japoneses e seus
cônjuges para o Japão buscando melhores condições de vida. Durante estes cem anos o Brasil
foi enormemente influenciado pela cultura nipônica e a temos hoje certamente como uma das
muitas dentro da mistura que define a cultura brasileira.

Figura 5: Comunidade nipo-brasileira em homenagem ao Tenente-Brigadeiro-do-Ar Juniti


Saito, Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, primeiro brasileiro de origem japonesa a chegar
a um cargo tão alto na Forças Aérea Brasileira.

Diego Alvares Garcia


Professor de História do CASD Vestibulares