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O DESIGN ALIADO A ECONOMIA COLABORATIVA COMO UM NOVO

MEIO AGREGADOR PARA ALCANÇAR RESULTADOS

Paulo Augusto Hermógenes dos Santos Pereira


UNESA – Universidade Estácio de Sá, Bacharelado em Design
paulohermogenes@hotmail.com

Resumo

O Esse artigo tem como objetivo fazer uma relação entre o design e modelo de economia
colaborativa, permitindo ao designers e empresas entender como esse modelo alternativo de
negócio funciona e como ele afeta a sociedade amplamente, ao mesmo tempo que permita
compreender as possibilidades e as vantagens na atuação do designer no modelo da economia
colaborativa através do designer colaborativo.
Palavras-chave: Economia Colaborativa, Design, Design Colaborativo

Abstract

This article aims to make a relationship between the design and model of collaborative economy,
allowing designers and companies to understand how this alternative business model works and
how it affects society broadly, while understanding the possibilities and advantages in the
performance of the designer in the model of the collaborative economy through the collaborative
designer.
Keywords: Collaborative Economics, Design, Collaborative Design

1. INTRODUÇÃO

As mudanças no comportamento de consumo da sociedade, tem direcionado as organizações a


adotarem novas formas de atenderem os consumidores, portanto a preocupação com o consumo
sustentável, os impactos sociais, o desejo de compartilhar e ter acesso a bens ao invés de adquiri-los
vem abrindo espaço para o surgimento de uma nova modalidade de negócios que se baseia nos
princípios da partilha de recursos humanos e físicos (crowdsourcing).
Com a força da internet, das novas tecnologias e os benefícios financeiros trazidos por esse
modelo alternativo, a economia colaborativa tem atraído a atenção das empresas, e tem sido aplicada
em diversas áreas de atuação, como é o caso do design, que tem se valido dos conceitos de economia
colaborativa para tornar o processo de projetar mais eficiente e variado, além de torna o processo
criativo mais inclusivo e próximo do consumidor a qual se busca atingir.

2. A IMPORTÂNCIA DO DESIGN NOS NEGÓCIOS

O design tem aplicação em quase tudo no mundo, ao se analisar um espaço é fácil perceber o
quão presente ele está. Todos nós compramos produtos, usamos serviços e vivemos experiências, e
de certo modo o bom design é o que nos impulsiona a fazer isso, pois ele agrega valor através da
valorização da funcionalidade e da estética (VIEIRA, 2004).
Quando se trata de negócios, a aplicação do design, dentro do plano estratégico pode ser
determinante para se alcançar resultado positivos, isso tudo graça as possibilidades que a metodologia
de design carrega.
O design é uma ferramenta imprescindível para empresas de todos os portes e segmentos.
Não é um “artigo de luxo” que só as grandes podem alcançar. É um investimento de ótimo
custo benefício que pode trazer resultados importantes para sua empresa em diversos níveis
(SEBRA RJ, 2016).

As empresas têm cada vez mais buscado centrarem suas estratégias no design e segundo
(STRAFACCI, 2018) isto tem relação com complexidade da tecnologia moderna e dos negócios
modernos. A preocupação já não está somente sobre o produto, mas também na experiência e fatores
intangível relacionados aos consumidor e isso é o reflexo das mudanças no panorama de consumo da
sociedade em geral. Os consumidores estão mais conscientes e estão mais preocupados com a forma
como eles interagem com os produtos e serviços (STRAFACCI, 2018). Com isso ferramentas como
o design thinking tem ganhado espaço, principalmente pela sua metodologia focada na empatia com
o usuário.
Essa preocupação com a experiência e os efeitos emocionais no usuário, tem direcionado o designer a
abordagens que explorem a interação e a forma como os consumidores se conectam e se relacionam entre si e
também com a empresa (STRAFACCI, 2018). Neste contexto o design passa atuar como intermediador,
viabilizando e estreitando essa conexão, seja por meios de novos modelos de negócios inovadores ou criativos.

3. A ECONOMIA COLABORATIVA
O termo economia colaborativa vem cada vez mais sendo falado e o seu significado tem cada
vez mais ganhado importância, apesar de ser um termo relativamente novo, com menos de uma
década, a economia colaborativa acontece desde muito tempo, como por exemplo, no aluguel de um
imóvel, na prática de dar carona entre outros, porém essa modalidade nunca foi tão relevante diante
do panorama da sociedade atual, segundo (SPADA, 2018) a economia colaborativa, surge a partir da
conscientização das emergências ambientais e socais, bem como a preocupação com o consumo
sustentável ou seja, os consumidores se tornaram mais atento aos seus modos de consumo e com a
procedência do que é consumido, ao mesmo tempo em que eles já não buscam ter bens, mas sim o
acesso a eles. O SEBRAE reforça essa a afirmativa apontando essa mudança na visão de consumo,
como impulsionador da economia colaborativa.
A economia colaborativa (compartilhada ou em rede, como também é conhecida) é um
movimento de concretização de uma nova percepção de mundo. Ela representa o
entendimento de que, diante de problemas sociais e ambientais que se agravam cada vez
mais, a divisão deve necessariamente substituir o acúmulo. Trata-se, assim, de uma força que
impacta a forma como vivemos e, principalmente, fazemos negócio (SEBRAE Nacional,
2018).

O mundo está cada vez mais digital e interconectado, a massificação da internet e as tecnologias
móveis se tornaram um dos principais aliados no consumo colaborativo. A internet tem mudado a
forma coma as pessoas lidam em sociedade e junto com a força da colaboração transformações
impactantes ocorreram no mundo e ainda vêm ocorrendo: a facilidade de compartilhar e adquirir
conhecimento, o surgimento de novas empresas e o fechamento de outras e até ditadores foram
removidos do poder, ressalta o (SEBRAE NACIONAL, 2018).

Portanto as possibilidades e benefícios trazidos por essa modalidade são diversas, desde a redução de
custos e maximização dos lucros, aprimoramento de um produto ou serviço, o estreitamento do relacionamento
com o cliente e a conexão de indivíduos com características interdisciplinares, são vantagens que têm atraído
cada vez mais pessoas para esse modelo de negócios. As grandes empresas também já perceberam a relevância
da economia colaborativa na sociedade e isso tem refletido cada vez mais nos engajamentos delas a esse novo
modelo, como é o caso da Uber, da Airbnb, o Kickstater, assim como a pequenos empreendedores inovadores
que buscam um diferencial ao ofertar seus produtos ou serviços, de modo que estejam alinhados com os novos
interesses e a visão do mercado.

4. DESIGN COLABORATIVO

No design colaborativo a estrutura organizacional é formada por um ou mais atores com


diferentes atributos, que trabalham juntos em direção a um objetivo comum, de modo que as
diferentes visões sobre determinado problemas permita maiores as possibilidades de solução.
Podemos até dizer que conseguimos criar um produto ou serviço sozinho, não duvido que
existam pessoas que consigam imergir profundamente em um determinado “problema” para
gerar uma solução viável, mas a questão é que ao trabalharmos em colaboração com pessoas
de diversas áreas e com expertises diferentes, teremos mais perspectivas a serem exploradas
e em um período de tempo bem menor do que se buscarmos fazer sozinhos (ROCHA, 2017).

Sendo a economia colaborativa um conceito inovador que permite a integração de diversos


indivíduos para se atingir um resultado. É inegável que o design colaborativo utilize dos mesmos
preceitos para ser igualmente relevante. O design colaborativo atua como uma abordagem alternativa
do modelo tradicional baseado nas metodologias lineares, ou seja, neste conceito é dado valor a
interdisciplinaridade e a interação entre os indivíduos, passando o designer a atuar na projeção de
experiências em detrimento de coisas. Para (Rocha, 2017) O design colaborativo surgiu não só para
fazer como o processo de design seja voltado apenas paras questões físicas do consumidor, mas para
torna o processo mais humanizado, permitindo que os atingidos por determinados produtos e serviços
possam participar e interagir durante o processo de concepção.

5. CASES DE SUCESSO

Os resultados vindos através economia colaborativa tem sido positivo, refletindo em diversos
cases de sucessos como aponta o (SEBRAE NACIONAL, 2018). Como exemplos de cases de
sucessos no tange o design colaborativo, a empresa camiseteria se destaca pela forma como ela integra
com o consumidor no processo criativo dos seus produtos, e o escritório de design, Pentagram, pela
forma que ele atua abraçando a interdisciplinaridade dos seus colaboradores, para agregar valor e
abranger mais opções de soluções e serviços aos clientes.

6.1 Plataforma Camiseteria

Lançado pelo designer Rodrigo Davi e seu amigo Fabio Seixas em 2005, o site Camiseteria
(Figura 01), permitia que artistas, designers ou qualquer pessoa, criassem estampas de camisetas e as
submetesse a votação da comunidade durante determinado período, após o tempo de avaliação as
estampas mais votadas passavam a ser fabricadas e vendidas no marketplace do site, sendo os autores
recompensados com prêmios em dinheiro e uma porcentagem nos lucros das vendas (MELLO, 2008).
Com menos de 10 mil reais de investimento inicial, o Camiseteria em menos de três anos
chegou à fatura 137 mil reais por mês, como aponta (MELLO, 2008). Grande parte do sucesso da
plataforma vem da colaboração da comunidade, já que a empresa não conta com um designer ou
estilista, ficando esse papel a cargo dos próprios internautas que fornecem sua criatividade em troca
de remuneração financeira (Figura 02) e satisfação de ver seu trabalho sendo usados pelas pessoas
(MELLO, 2008). Esse modelo de negócio elimina os riscos de não vender determinado produto, além
de reduzir os gastos com pesquisas de mercado, de tendências e contratação de profissional para a
confecção das estampas, já que os próprios consumidores é quem decidem através da votação o que
é interessante para eles. Gerando benefícios não só para a plataforma, mas também para a
comunidade.
Atualmente o Camiseteria se uniu com ao site Moldura Pop, para aumentar sua opção de
produtos, oferecendo aos consumidores além de camisetas originais (Figura 03), pôster, molduras e
canvas personalizados, sendo em grande parte dos produtos dos seu catálogo originados dos
concursos promovidos pela plataforma.

Figura 01 – Página do Camiseteria


Fonte: www.blogdaspromocoes.com.br

Figura 02 – Concurso do Camiseteria


Fonte: www.blogdaspromocoes.com.br
Figura 03 – Estampas Criadas Pela Comunidade
Fonte: www.gravataborboleta.com

6.2 Estúdio de Design Pentagram

O Estúdio de design Pentagram foi fundado em 1972 por Alan Fletcher, Theo Crosby, Colin
Forbes, Kenneth Grange e Mervyn Kurlansky em Needham Road, Oeste Londrino. Desde a sua
concepção, o estúdio se apoia na colaboração interdisciplinar entre diferentes profissionais no ramo
do design e arquitetura, para aumentar o seu leque de atuação a possibilidade eoferecer aos clientes
maiores opções de serviços (ABC DESIGN, 2010). O estúdio conta com profissionais renomados das
áreas do design gráfico, de produto, de interiores, arquitetura, web e mídias digitais. Os colaboradores
que trabalham nos escritórios do Pentagram têm a autonomia de usarem os recursos compartilhados,
seja eles físicos ou humanos, para trabalharem em projetos individuais, pessoais ou coletivos.
Atualmente o estúdio conta com o total de 23 colaboradores (Figura 04) espalhados pelos
escritórios de Londres, Nova York, San Francisco, Austin e Berlim (Figura 05) e é considerado o
maior estúdio de design do mundo, tendo realizado trabalhos para grandes e importantes parceiros,
com Nike, Tesco, Citibank e United Airlines e outros. O estúdio também já foi responsável por
projetos para o mercado brasileiro, como a criação do branding da marca Melissa em 2018 (Figura
06).
Figura 04 – Colaboradores do Estúdio Pentagram
Fonte: www.pentagram.com

Figura 05 – Escritório Sediado em Nova York


Fonte: www.pentagram.com
Figura 06 – Branding da Marca Melissa
Fonte: www.pentagram.com

6. Considerações finais

Obeservando os casos de sucessos dentro do modelo de economia colaraborativa, fica claro que esse
modelo de compartilhamento de recursos fisicos e intelectuais promove beneficios tanto para o profissional
ou empresa, quanto para o consumidor. As possibilidades gerada por esse modelo alternativo aliada as
facilidades trazidas com a internet e as tecnologias, tarna-o altamente atrativo e lucrativo. Porém devemos
sempre ter cautela para não distorcer os conceitos da economia colaborativa, que tem em seu pilar a
preocupação com os efeitos ambientais e sociais em detrimento do lucro.

A linha entre o colaborativismo e do coporativismo é tênue, tornando fácil para as empresas se perdere,
nesta questão como vem acontecendo com grandes serviços e produtos que nasceram a partir do conceito do
colaborativismo e atualmente tenderam ir para o lado do corporativismo, sendo assim as empresas passam
aumentar o controle e se tornam mais invasivas com seus colaboradores, passando para o mesmo a sensação
de ser um apenas um empregado do que ser um verdadeiro contribuidor no movimento da empresa. Portanto,
cabe aos novo empreendedores que buscam a economia colaborativa como diferencial, preservar as diretrizes
desse modelo com tantos potenciais, para que os consumidores e os colaboradores continuem a acreditar e a
apostar nos diferenciais da economia colaborativa e nos beneficios trazidos pela mesma.

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7. Referências

VIEIRA, Eduardo. A importância do design para as empresas e indústrias... o valor do design.


Disponível em: Acesso em: 02 dez. 2018.

ABC DESIGN. Redação. ABCDESIGN CONFERENCE PENTAGRAM – UM BREVE


HISTÓRICO. 2010. Disponível em: <http://www.abcdesign.com.br/abcdesign-conference-
pentagram-um-breve-historico/>. Acesso em: 02 dez. 2018.

MELLO, Bruno. Camiseteria subverte o mercado da moda e vende o que o consumidor quer.
2008. Disponível em: <https://www.mundodomarketing.com.br/cases/3532/camiseteria-subverte-o-
mercado-da-moda-e-vende-o-que-consumidor-quer.html>. Acesso em: 02 dez. 2018.

ROCHA, Islard. Design Colaborativo. 2017. Disponível em: <https://designculture.com.br/design-


colaborativo>. Acesso em: 02 dez. 2018.

SPADA, Letícia. ECONOMIA COLABORATIVA: Compartilhando bens, serviços e meios de


consumo. 2018. Disponível em: <https://www.politize.com.br/economia-colaborativa/>. Acesso em:
02 dez. 2018.

NACIONAL, Sebrae. Economia Colaborativa: a tendência que está mudando o mercado. 2018.
Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/economia-colaborativa-a-
tendencia-que-esta-mudando-o-mercado,49115f4cc443b510VgnVCM1000004c00210aRCRD>.
Acesso em: 01 dez. 2018.
STRAFACCI, Gilberto. Design-Centric Enterprise: Organizações Centradas no Design. 2018.
Disponível em: <https://www.setecnet.com.br/home/design-centric-enterprise-organizacoes-
centradas-no-design/>. Acesso em: 01 dez. 2018.