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MIÚDAS

Episódio 1
CENA 2
INT DIA
Aptº da Ana ( Sofia) e da Mónica (Inês) –
[Dormem na cama, Ana em cima da Mónica – toca o alarme do tlm]

M: [Estremunhada] Alarme, alarme.


A: Onde está? [Procura]
M: Não sei!
CENA 2.1
INT DIA
Calinhos – ( Gonçalo)
Cozinha
M: Bom dia Carlinhos. Porque é que não me acordaste? Eu não queria dormir
com a Ana.
C: Porque vocês as duas estavam angelicais.
A: Anjo da Victoria’s Secret, anjo gordo.
M: Não digas isso!
C: Que seria, estás óptima!
A: Por favor, pára de olhar.
C: Um presente? Para mim? Dá-me cá.
M: Obrigada.
C: Vocês adormeceram a ver o ‘5 para a Meia Noite’ (Mary Tyler Moore)
outra vez?
M: Sim, culpada.
C: É um programa muito estranho de se ouvir através da parede.
C: A chegar a ti. Aqui vai! (barulho de bomba) Acabei de largar um beijo em
ti.
CENA 2.2
INT DIA
Casa de banho – Aptº Ana e Mónica
A: Vais ficar de toalha?
M: Sim.
A: Mas eu nunca te vi nua e tu vês-me sempre, e devia ser ao contrário.
M: Tu és linda, cala a boca.
A: Eu não preciso disso. Preciso é de ver as tuas mamas.
M: Mas não vais, desculpa. Só as mostro a quem estou a fazer sexo com…
A: Tu dormiste na minha cama para evitá-lo.
M: Eu sei. Eu e ele seguimos caminhos diferentes. O seu toque agora
parece-se com o de um tio esquisito, que põe a mão no meu joelho durante
o jantar de Natal.
A: O que é que vais fazer?
M: Acho que tenho de acabar.
A: Não podes fazer isso!
M: Porquê?
A: Porque ele vai pôr umas colunas de som aos altos berros debaixo da
nossa janela ou então mata-se.
M: Pára.
[Entra Carlinhos sem bater]
C: Olá querida. Peço desculpa, pensei que só estava aqui a minha
namorada.
A: Isso nunca vai acontecer.
C: Vinha dizer adeus. Vejo-as à noite, trago vinho. Beijocas.
M: Adeus. [Sai]
A: Como é que é, ser-se tão amada assim?
M: Não sei, já não consigo sentir.
A: A sério?!
M: Eu sei… faz-me sentir puta… não aguento vê-lo a ser tão querido comigo.
Irrita-me.
A: Acho que tens de admitir a ti própria que estás farta de o comer.
M: Que nojo…
A: Porque ele… tem uma vagina.
Ep. 1 - CENA 3 e 4
INT DIA
Aptº Xana (Ana Maciel) – Jéssica (Denise) chega a casa da Xana
X: Bonjour, colega de quarto.
J: Olá. Ça va?
X: Oh meu Deus, és tão moderna que me dás vontade de vomitar. Eu não
conseguia usar esse chapéu, como é que consegues?
J: Adoro o teu fato de treino.
X: A tua pele é tipo, linda!
J: Posso arrumar as minhas malas?
X: O quê? Oh meu Deus, claro! Tu és, tipo, a minha prima favorita. Sou a
única das minhas amigas que tem uma prima inglesa. Quanto tempo é que
achas que vais ficar? Não estou a sugerir que te vás embora, podes ficar
para sempre…
J: Posso comer alguma coisa?
X: Sim!
[Entram]
***
X: É um óptimo negócio para a Nolita. 400 euros por mês? Maravilhoso. É
um bocadinho mais caro que as residências, a tia Irene acha que é um
apartamento perfeito para uma pessoa. Quer dizer… [Jessica olha para a TV
acesa] Gostas?
J: Nunca vi aquele filme.
X: Nem o programa?
J: É um programa?
X: Oh meu Deus! Não podes estar a falar a sério. É como não ter Facebook.
J: Eu não tenho Facebook.
X: És tão chique! É giro, porque és como a Carrie, mas com um pouco de
Samantha, e com o cabelo da Charlotte. É uma combinação mesmo boa.
J: Obrigada.
X: Eu acho que no fundo sou a Carrie mas, às vezes, a Samantha aparece. E
quando estou na faculdade tento parecer-me com a Miranda. Onde é que
estiveste antes de França?
J: Antes de França estive em Amesterdão. Não, estive em Bali, a tirar pérolas
das ostras. Depois conheci um surfista…
X: Oh meu Deus! Ele gostava mesmo de ti? Gostava mesmo não gostava?
J: Sim, gostava…
Ep. 1 - CENA 5
INT DIA
Trabalho da Ana (Clara), com o patrão Hélder (Machado)
[Ana chega-se à secretária de Hélder que está ao computador]
H: Ana!
A: Olá Hélder. Olá!
H: Pareces ansiosa.
A: Como sabes, trabalho aqui há mais de um ano.
H: Já passou tanto tempo? És uma parte inestimável da nossa empresa.
A: Que eu aprendi recentemente que quer dizer que uma coisa é muito
valiosa, ao contrário de uma coisa sem nenhum valor. Queria que soubesses
que as minhas circunstâncias mudaram e que não posso continuar a
trabalhar de graça.
H: Oh Ana. Tenho muita pena em perder-te. Ia pedir-te que passasses a
moderar o nosso Twitter. Tens o perfil perfeito para fazer isso.
A: Não, eu não me estou a demitir. É só que eu soube, que a Joana foi
contratada depois do estágio e pensei que talvez…
H: Ana. A Joana sabe usar o Photoshop. Nesta economia, tens noção da
quantidade de pedidos de estágio que recebo todos os dias?
A: Suponho que imensos.
H: Cinquenta, perto de cinquenta. Mando-os quase todos para a caixa de
spam. Por isso, se achas que não tens mais nada para aprender connosco…
A: Não, não é isso, de todo. É só que, sabe, tenho de comer.
H: Bem, quando estiveres suficientemente esfomeada, vais conseguir
arranjar qualquer coisa.
A: Quer dizer fisicamente com fome ou com fome de trabalho?
H: [Cínico a sorrir] Vou mesmo sentir a falta da tua energia. Acho que vai ser
mesmo bom para ti.
A: Disse-me que quando eu acabasse o meu livro, lho podia enviar.
H: [A sorrir, cínico] Quer dizer… já cá não estarias para o leres para nós. Pois
não?
[Ana vira-lhe as costas e vai buscar as coisas à secretária]
J: [muito aprumada à secretária] Onde é que vais? Compras-me um
chocolate vegan? E uma água mineral e uma água vitaminada?

Ep. 1 - CENAS 8 e 10
INT NOITE – Cozinha de casa da Mónica e Ana
Mónica (Lúcia) + Carlinhos (Flávio) beijam-se - Carlinhos bastante
excitado
C: Sabes o que é que seria de loucos?
M: O que é que seria de loucos?
C: Se nós…perdêssemos a cabeça, aqui e agora. O que é que achas?
Ninguém nos impedia. E não está ninguém em casa. O que é que te
excitaria mais neste momento?
M: O que é que me excitaria mais? O que é que te excitaria mais?
C: Excitar-te, isso é que me excitaria. Vá lá…
M: Está bem…e se fosses um desconhecido?
C: Sim, um desconhecido.
M: E se fosses uma pessoa totalmente diferente? Que não agisse como tu?
[Tocam à porta]
M: Acho que a Jéssica chegou.
C: Não. Deve ser o Rui.
M: Convidaste o Rui?
C: Se não , não era uma festa de quatro pessoas.
M: A isso chama-se jantar.
C: Pois é, desculpa.
***
Cena 10 - À mesa de jantar Rui (Tomás) + Miúda excitada (Ana
Coelho) + Mónica (Lúcia)+ Carlinhos (Flávio)
R: Não é como se fossem mandamentos mas, regra geral, tento não
namorar com miúdas com menos de 25 ou que, em algum momento,
tenham sido penetradas por um baterista.
Miúda: Foi só uma vez! [Ri-se excitada]
R: Culpada dos dois. Mas estava a andar pelo centro comercial esta manhã,
e vejo estes dois olhões. Olha-me estes olhos! Já os viste?
Miúda: São os meus olhos! [ri-se] Ele é tão querido comigo!
R: Ridículo! Olha-me só estas pestanas. Já viste estas pestanas?
Miúda: Culpada.
R: Tão querida.
C: [para Mónica chateada] Estás bem?
M: Sim… mas não acredito que a Ana ainda não tenha aparecido.
R: Nós estamos aqui. A viver. A comemorar. [Vai servir a míuda]
Miúda: Não queria parecer mal-educada. É só que esta semana não estou
muito numa de comer.
M: A Ana a dizer que isto ia ser a nossa grande reunião e agora
desapareceu.
C: Estás preocupada? Devíamos ligar a alguém?
M: Não, ainda por cima porque sei exactamente onde é que ela está. Está
fazer sexo nojento com aquele animal.
C: Porque é que ele é nojento?
R:O Carlinhos pelo menos, gostava de ouvir falar sobre sexo.
M: Desculpa?
C: Vá, o Rui está só a ser encorajador. Bem, pelo menos não tiveste de
entreter a Jéssica sozinha.
M: Exacto, não tive de entreter ninguém, porque ninguém veio.
[Uma voz chama lá fora]
J: Ana! Mónica!
Miúda: Quem é? Parece inglesa!
R: Mandei vir umas prostitutas, espero q
ue não se importem. Umas búlgaras. As melhores. Miúdas óptimas.
Miúda: Ele mata-me, a sério!
____________
[Jessica (Denise) muito sedutora p/ o Carlinhos, no braço do sofá]
J: Paris é que é… Se fores um francófilo, eu e tu obviamente…
C: Sim.
J: Então tens de ir a França.
C: Pois é.
J: Eu era professora particular de três crianças, e todas cantavam. E o pai
delas era um intelectual pacifista…
R: Isso não é a história da “Música no coração?” É sim.
M: Nós queremos mesmo viajar mais. Podíamos ir…
C: Levanta-te e vamos.

[Chega a Ana (Clara) ]


A: Peço imensa desculpa pelo atraso.
C: Ana Banana!
M: Podes chegar aqui e falar connosco?
[Jessica escondida, aparece por trás do sofá]
J: Oláááá!
A: Estás aqui! Olááá! Por onde é que tens andado? Estás linda!
(Jéssica aproxima-se da orelha de Ana)
A: O que é que disseste?
M: O que é que se passa?
J: Ela cheira a sexo.
C: (ingénuo) Mas ela tomou banho de manhã.
A: Fiz as contas e acho que me consigo aguentar em Lisboa, durante mais
três dias e meio. Talvez sete, se não almoçar.
J: Vou encontrar-te um trabalho, digno dos teus talentos.
A: Agradeço o esforço, mas não sei como é que vais encontrar um
suficientemente rápido. Vou ter de ir trabalhar para o McDonald’s.
M: Não vais nada ter de ir trabalhar para o McDonald’s.
R: Qual é que é o problema? Podias ir trabalhar para lá. É óptimo. É incrível.
Sabes quantas pessoas é que comem lá todos os dias? Sabes quantas
pessoas é que emprega por todo o mundo? Ainda por cima eles criaram um
produto incrível: Sabe maravilhosamente; é barato e consistente. Eu posso
entrar num McDonald’s na Nigéria, pedir uns nuggets, comê-los…e sabes a
que é que sabem? Sabem a casa!
A: Lá por isso não quer dizer que eu tenha de ir para lá trabalhar… Para que
é que eu andei na faculdade?
R: Eu também andei na faculdade. E sabes o que é que eu consegui com
isso? Consegui 12 mil euros de empréstimos para pagar. É o quão afundado
em dívidas estou. Desculpem, mas assistir a isto é como ver o “Clueless”.
Miúda: O filme ou a série?
[Rui mexe num tacho ao lume]
M: O que é que estás a fazer?
A: O que é que estás pr’aí a fazer?
R: Estou a fazer uma infusãozinha.
C: Está a fazer chá de ópio.
M: [Sarcástica] Óptimo, trouxeste ópio para nossa casa.
R: Sim, mas isto é bastante suave. Muito mais suave do que aquilo que se
fuma. É legal, comprei na florista. Podes ir lá comprar as vagens.
C: Importas-te que eu beba um bocadinho?
M: À vontade.
J: Odeio ópio.
R: Qual é a tua cena? Coca?
J: Não, nunca faço coca. Sempre que cheiro coca, faço cocó nas cuecas.
C: Que horror!
A: Mas isso é horrível.
J: Acontece.
A: Sabe a quê?
R: A bolbos.
A: Vou experimentar.
M: Acho melhor não. Tu és super sensível a drogas.
A: Não há problema. Passa aí.
R: Está quente.
A: [Cospe o chá] Belherque…Isto não sabe a bolos.
R: Não é bolos, é bolbos! Raízes de flores.

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