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MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL NO ESTADO DO PIAUÍ

PROCESSO Nº 0600973-66.2018.6.18.0000

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ RELATOR

Espécie: Requerimento de Registo de DRAP

O Ministério Público Eleitoral, por intermédio da


Procuradoria Regional Eleitoral, vem apresentar Alegações Finais nos autos da
Ação de Impugnação de Registro de Candidatura- AIRC ajuizada por Francisco
Rodrigues Soares em face da Coligação Resistência pelo Piauí III, por seu
representante, nos termos do art. 42, parágrafo único, da Resolução TSE
nº23.548/2017.

Relata o impugnante que foi devidamente escolhido em


convenção e não teve sua candidatura solicitada junto ao Juízo Eleitoral pela
coligação impugnada. Sustenta a possibilidade de ter ocorrido fraude e
ingerências na escolha e registro da coligação impugnada.

A Coligação demandada apresentou contestação afirmando a


incompetência da Justiça Eleitoral para apreciar atos interna corporis de partidos
políticos e pugnou pela regularidade da Convenção Estadual do Partido
Podemos- PODE. Asseverou que as alterações realizadas com a exclusão do
nome do impugnante da lista de candidatos estaduais está amparada na

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autonomia partidária fulcrada no art. 17, da Constituição Federal e, outrossim, no


Estatuto do Partido. No mérito, aduz ausência de fraude e regularidade nas
convenções de escolhas de candidatos ao cargo de Deputado Estadual pela
Coligação Resistência pelo Piauí III.

II- Preliminar de incompetência da Justiça Eleitoral- Improcedência

Em relação à competência dessa Justiça Especializada para o


deslinde da presente demanda, compreendo, sem jamais olvidar a autonomia
partidária assegurada no art. 17, § 1º, da Constituição Federal, ser possível a
devida prestação jurisdicional pelo TRE-PI.

Isso porque em que pesem as nuances fáticas estarem


intrinsecamente ligadas ao procedimento de escolhas de candidatos para
pleitearem cargos de Deputado Estadual pelo Partido Podemos (matéria de
natureza intrapartidária) não há como desvencilhar tal fato do contexto das
eleições e julgamento de registros de candidatura.

Nesse trilhar, colaciono entendimento jurisprudencial do


TRE-MG na linha do raciocínio esposado:

Registro de candidatura. Eleições 2006. Candidato a


Deputado Estadual, Impugnação. Preliminar de
incompetência da Justiça Eleitoral. Rejeitada.
Inafastabilidade da competência desta Justiça
especializada para exame de questões intrapartidárias
cujos reflexos incidem no registro de candidaturas.

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Mérito. Escolha de candidatos ocorrida de forma legítima,


observada a exclusiva competência afeta à Convenção
Regional. Posterior deliberação excluindo o nome de um dos
candidatos. A comissão Executiva extrapolou os limites
estatutários permitidos ao proceder a exclusão de candidato
legitimamente escolhido em Convenção. Incorreta aplicação
de normas estatutárias da agremiação em flagrante prejuízo
ao candidato. Observância dos requisistos estabelecidos na
Lei nº 9.504/97 e na Resolução nº 22.156/2006/TSE.
Improcedência da impugnação. Deferimento do registro.
(REGISTRO DE CANDIDATOS n 18932006, ACÓRDÃO n
2130 de 17/08/2006, Relator(a) ANTÔNIO ROMANELLI,
Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 17/08/2006
RDJ - Revista de Doutrina e Jurisprudência do TRE-MG,
Tomo 16, Data 01/07/2007, Página 148 )

Dessa forma, manifesto-me pelo afastamento da preliminar


de incompetência do TRE-PI e consequente apreciação de mérito.

III- Mérito – Fraude na convenção partidária- Ausência de provas-


Improcedência do pedido.

O impugnante sustenta a possibilidade de ter ocorrido fraude


e ingerências na escolha e registro da coligação impugnada, uma vez que foi
devidamente escolhido em convenção e não teve sua candidatura solicitada junto
ao Juízo Eleitoral pela coligação impugnada. Anexou ata da convenção ocorrida

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dia 02 de agosto de 2018, imagens registradas no dia da convenção, comprovante


de domicílio, edital de registro de candidatura publicada no Diário de Justiça
Eleitoral do Piauí.

Lado outro, o impugnado apresentou atas comprobatórias da


escolha de candidatos e esclareceu que as alterações realizadas, com a
consequente exclusão do impugnado, foram necessárias para que o número de
postulantes a cargo eletivo obedecesse aos parâmetros legais (art. 10, I, da Lei nº
9.504/97 e art. 20 da Resolução nº 23.548/2017).

Analisando os autos, verifico não haver provas da fraude


alegada pelo impugnante. Na linha desse raciocínio decidiu o TRE-PI:

REGISTRO DE CANDIDATURA. ELEIÇÕES 2016.


DRAP. COLIGAÇÃO. ALEGAÇÃO DE INVALIDADE DE
CONVENÇÃO DE UM DOS PARTIDOS INTEGRANTES
DA COLIGAÇÃO, REALIZADA COM DISSIDÊNCIA
PARTIDÁRIA. CONVENÇÃO PRESIDIDA POR PESSOA
NÃO AUTORIZADA PELO ESTATUTO DO PARTIDO
POLÍTICO E INTEGRADA POR CONVENCIONAIS NÃO
MAIS MEMBROS ATIVOS DA COMISSÃO EXECUTIVA
PROVISÓRIA MUNICIPAL. SENTENÇA.
DEFERIMENTO PARCIAL DO DRAP COM EXCLUSÃO
DO PARTIDO DISSIDENTE. RECURSO.
REGULARIDADE DA CONVENÇÃO DO PARTIDO
DISSIDENTE. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.

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CRITÉRIOS DE ESCOLHA DE CANDIDATOS QUE


REFOGEM À COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
ELEITORAL, POR SE TRATAR DE MATÉRIA
INTERNA CORPORIS DOS PARTIDOS POLÍTICOS.
VÍCIOS EXISTENTES. RECURSO CONHECIDO, MAS
DESPROVIDO.

1. No caso dos autos, não há como deixar de reconhecer a


validade da convenção presidida e tempestivamente
convocada pelo filiado que tinha a condição de Presidente
da Comissão municipal da agremiação em tela,
legalmente autorizado para tal ato, especialmente quando
a alegação de fraude encontra-se destituída de qualquer
prova. Por outro lado, impende reconhecer a invalidade da
convenção realizada pelos membros dissidentes da Comissão
municipal do partido em apreço, dada a constatação de vícios
de convocação, iniciativa e participação, contrariamente à
tese aventada na peça recursal.

2. Recurso conhecido, mas não provido.

(Registro de Candidatura n 35028, ACÓRDÃO de


30/09/2016, Relator(a) EDVALDO PEREIRA DE MOURA,
Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Tomo 109ª, Data
30/09/2016 ).

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Logo, a presente impugnação não se firma em provas capazes


de ensejar a procedência da demanda.

III- Conclusão

Diante disso, o Ministério Público Eleitoral manifesta-se pela


improcedência do pedido inserto na presente Ação de Impugnação de Registro de
Candidatura- AIRC.

Teresina, 03 de setembro de 2018.

Patrício Noé da Fonseca


Procurador Regional Eleitoral