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À CÂMARA DE VEREADORES DE UBERABA – MG

EXMO SR. ISMAR MARÃO

DD PRESIDENTE

UBERABA, 21 DE MARÇO DE 2019.

ASSUNTO: DENÚNCIA COM O SEGUNDO PEDIDO DE CASSAÇÃO DE MANDATO


(IMPEACHMENT) DO PREFEITO DE UBERABA – PAULO PIAU.

ARIEL RUAS DE OLIVEIRA, brasileiro, solteiro, maior de idade, CPF


055.570.616-81, RG MG-10735701, no pleno gozo dos seus direitos políticos, residente
e domiciliado à Avenida São Paulo, 248, bairro Jardim Indianópolis, cep 38072-590;
CLODOALDO AMARAL, brasileiro, maior de idade, casado, empresário,
CPF 755.933.006-15, RG M-7479970, no pleno gozo dos seus direitos políticos,
residente e domiciliado em Avenida Guilherme Capucci, 777, bairro Cidade
Nova, Uberaba – MG, cep 38082-257;
JANETE MAURILIA DE ALMEIDA, brasileira, casada, conselheira da
saúde, CPF 928.411.126-91, RG MG-10.393.975, no pleno gozo de seus direitos
políticos, residende e domiciliada à Rua Bernardo Berber Martinez, 580, bairro
Cartafina, Uberaba – MG, cep 38036-490.
VICENTE ARAUJO DE SOUSA NETTO, brasileiro, maior de idade,
solteiro, advogado, OAB/MG 131387, portador do RG M-7102661 SSP/MG, CPF
889.172.826-87, no pleno gozo de seus direitos civis e políticos, residente e
domiciliado à Rua Manoel Coelho, 199, bairro Olinda, Uberaba - MG, CEP 38055-600.
As partes acima qualificadas, vem, respeitosamente, PROPOR DENÚNCIA
COM PEDIDO DE CASSAÇÃO DE MANDATO (IMPEACHMENT) em face do prefeito de
Uberaba PAULO PIAU NOGUEIRA, pelos seguintes fatos e fundamentos que se seguem:

Se eventualmente fossemos dar um título a essa denúncia poderiam ser:

1 – CADÊ OS 40 MILHÕES QUE ESTAVAM AQUI????? Ou

2 – ME ENGANA QUE EU GOSTO... ASSINADO : POVO DE UBERABA


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PRELIMINARMENTE:

1 - Que no decorrer legal do trâmite deste instrumento, nessa sessão, os vereadores


que se auto avaliar suspeito nos termos do artigo 15 do regimento interno dessa Câmara
Municipal por ter parentes nomeados na prefeitura, que se declarem como tal nos termos
desse artigo como se segue abaixo:

“Art. 15 - São deveres do Vereador:

§ 1o - O Vereador não poderá presidir os trabalhos da


Câmara ou Comissão, quando se estiver discutindo ou votando assunto de seu interesse
pessoal, ou de parente afim ou consanguíneo até terceiro grau, sob pena de nulidade da
votação, quando o seu voto for decisivo.”

2 – Que o trâmite de plenário definido na lei 201/67 e no artigo 25 e 28 do


Regimento Interno da Câmara Municipal de Uberaba, e, depois da leitura da denúncia
seja feita diretamente a votação dos vereadores, conforme trâmite legal que se segue
abaixo, e, após a leitura da denúncia siga diretamente para a aprovação ou não em
plenário:
“Art. 25 - O processo de cassação do mandato de
Vereador, assim como de Prefeito Municipal e Vice-Prefeito, nos casos de infrações
político-administrativas definidas na lei Federal (Decreto-Lei no 201/67), obedecerá ao
seguinte rito:

II - de posse da denúncia, o Presidente da Câmara


Municipal, na primeira reunião, determinará a sua leitura e consultará o Plenário sobre
seu recebimento. Decidido o recebimento, pelo voto da maioria dos presentes, na
mesma Reunião será constituída a Comissão processante, com três (03) Vereadores
sorteados entre os desimpedidos, os quais elegerão, desde logo, o Presidente e o Relator.

“Art. 28 - Os membros da Mesa Diretora podem ser


afastados ou destituídos dos cargos por irregularidades, quando faltoso, omisso ou
ineficiente no desempenho de suas atribuições regimentais, apuradas pelas Comissões, a
que se refere o art. 79 deste Regimento Interno. ”

3 – Os vereadores são independentes para fiscalizar o poder executivo e não


podem ser alvo de ameaça por parte deste, conforme artigo 1 do Regimento Interno da
CMU, e pela Constituição Federal:

“Art. 1o - A Câmara Municipal é órgão Legislativo do


Município e se compõe de Vereadores, eleitos de acordo com a legislação vigente.
§ 1o - O Vereador é inviolável por suas opiniões,
palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município (CF/88, art.
29, VIII).
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III - a função de fiscalização e controle é de caráter


político-administrativo e é exercida sobre o Município (CF/88, art. 31).”

DA ADMISSIBILIDADE DA DENÚNCIA

Com efeito, determina o Decreto Lei 201 de 1967: (grifo nosso)

(LEI DOS PREFEITOS)

Art. 4º São infrações político-administrativas dos Prefeitos Municipais sujeitas ao


julgamento pela Câmara dos Vereadores e sancionadas com a cassação do mandato:

I - Impedir o funcionamento regular da Câmara;

II - Impedir o exame de livros, folhas de pagamento e demais documentos que devam


constar dos arquivos da Prefeitura, bem como a verificação de obras e serviços municipais, por
comissão de investigação da Câmara ou auditoria, regularmente instituída;

III - Desatender, sem motivo justo, as convocações ou os pedidos de informações da


Câmara, quando feitos a tempo e em forma regular;

IV - Retardar a publicação ou deixar de publicar as leis e atos sujeitos a essa


formalidade;

V - Deixar de apresentar à Câmara, no devido tempo, e em forma regular, a proposta


orçamentária;

VI - Descumprir o orçamento aprovado para o exercício financeiro,

VII - Praticar, contra expressa disposição de lei, ato de sua competência ou omitir-
se na sua prática;

VIII - Omitir-se ou negligenciar na defesa de bens, rendas, direitos ou interesses do


Município sujeito à administração da Prefeitura;

IX - Ausentar-se do Município, por tempo superior ao permitido em lei, ou afastar-se da


Prefeitura, sem autorização da Câmara dos Vereadores;

X - Proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.

Ao seu turno o artigo 5º dispõe (grifo nosso):

Art. 5º O processo de cassação do mandato do Prefeito pela Câmara, por infrações


definidas no artigo anterior, obedecerá ao seguinte rito, se outro não for estabelecido pela
legislação do Estado respectivo:
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I - A denúncia escrita da infração poderá ser feita por qualquer eleitor, com a
exposição dos fatos e a indicação das provas. Se o denunciante for Vereador, ficará
impedido de votar sobre a denúncia e de integrar a Comissão processante, podendo, todavia,
praticar todos os atos de acusação. Se o denunciante for o Presidente da Câmara, passará a
Presidência ao substituto legal, para os atos do processo, e só votará se necessário para
completar o quórum de julgamento. Será convocado o suplente do Vereador impedido de votar,
o qual não poderá integrar a Comissão processante.

Ademais ainda no artigo 1º tem-se: (grifo nosso)

Art. 1º São crimes de responsabilidade dos Prefeitos Municipal, sujeitos ao julgamento do


Poder Judiciário, independentemente do pronunciamento da Câmara dos Vereadores:

I - apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito próprio ou


alheio;

Il - utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas ou


serviços públicos;

Ill - desviar, ou aplicar indevidamente, rendas ou verbas públicas;

Conforme citado acima, a Câmara Municipal tem toda a legalidade e


prerrogativa a este intento.

DOS FATOS:

1 – Foi feito pelo município o contrato 65/2011 firmado para construção da ETA III e
reforma e ampliação da ETA I e a ETA II financiados pelo PAC I – Governo Federal – Porta Voz
nº 929 de 14/10/2011, no valor de R$ 49.609.567,36, com prazo de 850 dias para conclusão da
obra (documento em anexo).

2 - Em 2015, já fora do prazo, pode-se constatar em anexo, o Relatório de Projetos da


Secretaria Especial de Projetos e Parcerias (documento em anexo) onde através do Sistema
Municipal de Monitoramento de Contratos e Convênios – SIMC da PREFEITURA MUNICIPAL DE
UBERABA, observamos que no 5º item da página nº 2, traz a Proposta/Convênio/Termo de
Compromisso/PAC nº 0296.148-16, cujo garantidor financeiro é o prefeito municipal, senhor
Paulo Piau Nogueira. Na referida proposta o valor do Contrato de Financiamento nº 0296.148-
16 consta um valor maior, ou seja, de R$ 68.631.311,40, por abranger obras, além da
implantação da ETA III e reforma e ampliação da ETA I e ETA II, também a implantação do
sistema de automação dos centros de reservação e estações de tratamento, conforme descrito
no relatório.

3 - Em 09/10/2015 foi publicado no site do CODAU (documento em anexo), uma vistoria


nas obras da ETA pelo presidente do CODAU e o prefeito, onde os gestores analisam as
decisões sobre reprogramação da obra e pendências, e ainda afirmam que, com a implantação
da automação haverá também o controle analítico da água, com sensores para medir os níveis
de Ph e Cloro que chega nos centros de reservação. O que significa um recurso para uma
verificação do pleno funcionamento das 3 ETAs .

4 - Em 13/09/2016, dias antes das eleições para prefeito que reelegeu o atual prefeito
Paulo Piau, o site G1 (documento em anexo) e outros órgãos de imprensa, publica matéria
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sobre a inauguração nesse mesmo dia, da ETA III construída pelo valor que ultrapassaria R$ 26
milhões segundo o presidente do CODAU.

5 - Diferente da declaração do presidente do CODAU na imprensa e de acordo com o


relatório de pagamentos para a empresa COMIM CONSTRUTORA LTDA (vencedora para a
execução completa da obra), extraídos do Portal da Transparência do CODAU (documento em
anexo) e somatória de valores em planilha Excel, os valores pagos para a referida empresa
totalizam R$ 32.465.769,00 e não os R$ 26 milhões declarados pelo presidente do CODAU, o
que causa muita estranheza pelos rumores que circulam dentro da autarquia de que materiais
(tubulações, curvas, conexões, etc) adquiridos com verbas públicas, na realidade teriam que
ser compradas pela empresa contratada, por isso a diferença dos valores.

6 - Outro assunto muito abordado por servidores graduados da autarquia é que foram
adquiridos 06 (seis) centrífugas para operar na Desidratação do Lodo e evitar desperdício de
água, no valor de R$ 1.500.000,00 (um milhão e meio de reais) cada uma, o que totalizariam
R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais), e essas centrífugas foram fabricadas para funcionar
na frequência de 50 Hz e aqui na cidade de Uberaba e em todo território nacional a frequência
utilizada é de 60 Hz, o que teria problemas e impossibilitaria colocar os equipamentos em
operação. De acordo com relatos de funcionários da autarquia, o local das centrífugas, bem
como de outras bombas inoperantes, virou “ninho de pombas” e “casa de gatos”.

7 - Publicação no site Uberaba Popular no dia da inauguração, 13/09/2016, alerta sobre


denúncia de que a obra estaria inacabada/inexistente, denunciado por servidores do CODAU.

8 - Vídeo do Professor Agostinho Morais, divulgado nas redes sociais, logo após a
inauguração do dia 13/09/2016, deixa claro manifestação de repúdio sobre a inauguração
fraudada, segundo ele, pela falta também de conclusão das obras.

9 - Publicação do Blog ‘EmDia’ do jornalista Racib Idaló no dia 16/01/2018 com o título
“Enganação está no ar’… Tribunal de Contas confirma informação do BLOG: ETA ‘inaugurada’
não funciona”, comprovaria a suspeita de que a ETA não estaria em funcionamento pelo fato
do atraso da conclusão das instalações elétricas da ETA, conforme demonstrativo extraído do
Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, em que explicita 386 dias de atraso de sua
conclusão. As informações são de que a empresa NWM LTDA, não viabilizaria as instalações
elétricas e automação, pelo fato de que a obra da ETA III nunca entrou em operação por não
ter finalizado a obra. Essa prestação de serviços também está incluída naquele contrato de
Financiamento citado anteriormente de R$ 68.631 milhões.

11 - Vídeo e foto da ETA III paralisada confirma as denúncias anteriores, com os tanques
secos e sem operação (documento e pen drive em anexo), sendo que o pouco de água parada
que sobrou depois de esvaziar os tanques que foram cheios apenas para inauguração, estavam
dando dengue (inclusive com a zoonoses notificando mais de uma vez o CODAU), e com as
diversas reclamações da população do bairro o Sr Omar, técnico de manutenção da ETA, teve
que, constantemente jogar cloro na mesma para tentar matar os focos de dengue (declaração
em anexo com firma reconhecida na próxima página).
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12 – Na página anterior, o Sr. Omar, responsável pela manutenção da ETA, traz


informações importantes vivenciadas pessoalmente por ele em todo esse período descrito,
inclusive sobre a compra e pagamento de tubos e equipamentos usados (remanufaturados),
feito pela prefeitura à empresa COMIN, no mandato do prefeito Paulo Piau. Tais equipamentos
quando testados não serviram ao serviço, e foram escondidos na ETE Hugo Rodrigues da
Cunha, e aos poucos foram sendo descartados, mas nessa denúncia ainda conseguimos
fotografar e filmar o restante desses tubos e equipamentos na própria ETE. (foto e pen drive
em anexo)

13 – Não obstante a isso é lançada uma licitação pelo CODAU referente manutenção
preventiva, corretiva e preditiva para a ETA III, inaugurada fraudulentamente, uns dias antes
das eleições em 2016 em que o CODAU estaria tentando ver se conseguem colocar a estação
em operação, com capital próprio da autarquia, depois de ter desperdiçado ou desviado todo a
verba do PAC para concluir tal obra.

14 – O aludido Aviso de licitação é o Pregão Presencial nº 001/2019, publicado no


Porta Voz nº 1670 de 11/01/2019 para contratação de empresa especializada no ramo de
engenharia para a prestação de serviços de manutenção predial preventiva, corretiva e
preditiva na Estação de Tratamento de Água (ETA) (documento em anexo)

15 - Termo de Referência da licitação acima, Pregão Presencial nº 001/2019, assinado


por dois diretores e uma chefe de departamento do CODAU fica claro que os serviços a serem
realizados tem como meta a finalização da obra inacabada. A constatação dessa afirmação
pode ser verificada facilmente no ítem 3 deste Termo: Escopo dos Serviços e no ítem 4
Caracterização dos trabalhos. O que impressiona é que a fonte pagadora da obra de
complementação da ETA III é de recursos próprios do CODAU no valor de R$ 1.289.540,47 ( um
milhão duzentos e oitenta e nove mil quinhentos e quarenta reais e quarenta e sete centavos),
descritos no ítem 12 e 13 do Termo de Referência, ou seja, não termina a obra financiada com
verba do PAC, mas gasta o dinheiro pagando a empresa COMIN sem receber a obra finalizada
e ainda pagando equipamentos remanufaturados e executa a complementação com recursos
próprios.

16 - Os projetos anexos do Pregão Presencial nº 001/2019 deixam mais transparentes,


é o verdadeiro “batom na cueca”, a intenção de complementação da obra inacabada. De
acordo com as legendas do projeto fica visível o esforço para colocar a estação em operação
com os serviços a serem executados, desperdiçando mais ainda recursos públicos.

17 - No dia 20/02/2019 extraímos publicação do TCE – MG sobre a atual situação das


instalações elétricas da ETA. Quantidade de dias de atraso: 786 dias, além de que a prefeitura
não fez já há muito tempo nesse caso a alimentação no site GE-OBRAS do TCE, portanto, mais
suspeito ainda.
18 – Diante do expostos o que temos inexplicavelmente são:

A – Inauguração de obra inexistente/inacabada.


B – Pagamento irregular ou desvio de dinheiro em mais de R$ 30 milhões à empresa
COMIN de uma obra nunca entregue ao cidadão uberabense
C – Compra e pagamento de centrífugas irregulares para a ETA no valor de R$ 9
milhões
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D – Obrigar funcionários subalternos a praticar atos ilegais e imorais, tais como mentir
ou omitir sobre uma inauguração de obra inexistente/inacabada, e ainda, receber mercadoria
irregular e dar quitação.
E – Mistura de pagamentos que seriam devidos pela empresa COMIN na compra de
equipamentos, mais que os indícios indicam que o CODAU pagou parte do que seria obrigação
da empresa.
F – Depois de desperdiçar/desviar o dinheiro do PAC (mais de R$ 40 milhões) o CODAU
lança o primeiro de muitos editais para tentar fazer a obra com capital próprio.
G – Mal uso do dinheiro público e colocou em risco a saúde pública comprando tubos e
equipamentos usados (remanufaturados), que nos testes apresentaram ferrugem, vazamento
e contaminantes e por isso foram “escondidos” na ETE, além da propagação de dengue
devidamente notificado pela zoonoses.
H – Publicação de edital com informação falsa de “reforma e manutenção” quando na
verdade seria de implantação do sistema.
I – Omitir ou não publicar informações obrigatórias no Tribunal de Contas de Recursos
oriundos da União.

Prezados vereadores, se os itens citados acima são mais do que suficientes, entre
indícios e provas concretas, para a abertura de investigação por esta CASA, do Prefeito de
Uberaba, e a sociedade clama por essa investigação, colocando na mão dos senhores o futuro
de nossa cidade.

DOS FUNDAMENTOS:

TEORIA DO DOMÍNIO DOS FATOS

Hans Welzel e Claus Roxin autores da teoria defendem que o autor pode participar do
fato criminoso como mandante, como partícipe, ou ainda, não pode se eximir da culpa do
crime pelo fato de dizer “Eu não sabia”. Ela foi utilizada no Supremo Tribunal Federal – STF, no
julgamento da ação penal 470, conhecida por mensalão, e para a prisão do ex presidente
LULA, onde para culpar os mandantes utilizaram a teoria apresentada. O que nos leva a
qualquer descarte do prefeito dizer que não sabia dos fatos que o beneficiou (como a
inauguração fraudulenta em época de eleição), bem como a dotação orçamentária assinada
por ele mesmo, e, como mandatário, deixar tudo acontecer e esconder da população a
verdade das fraudes ocorridas com a ETA III até os dias de hoje.

Diz o Código Penal:

“Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois


de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não
fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

Aumento de pena

§ 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a


execução do crime, se reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas.”

Nesse caso do artigo 146 o Prefeito de Uberaba através de suas ordens diretas ou
indiretas constrangeu o funcionário Omar (conforme declaração anexo) além de outros
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concursados da prefeitura a silenciar, concordar e agir em descordo com a lei recebendo


material usado, mas com nota fiscal de material novo, inaugurar obra inexistente, ligar a
bomba de outra ETA para encher a ETA III e inaugurar a mesma antes da eleição para
beneficiar o prefeito, concordar com pagamentos ilegais de serviços não prestados, dar
quitação de equipamentos irregulares e impróprios para o uso, etc. E, se a pena é de detenção,
antes claro, vem a cassação de mandato.

“Art. 299 do CP - Omitir, em documento público ou particular, declaração que


dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa
da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou
alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:

Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público,


e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular.

Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime


prevalecendo-se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento
de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.”

Nesse caso do artigo 299 do CP o prefeito que é quem revisa o site de publicações da
prefeitura PORTA VOZ publica o pregão presencial 001/2019 como reforma e manutenção de
uma ETA III que nunca funcionou, sendo que na verdade a obra seria de implantação da
mesma incorre em declaração falsa de documento público. E, não há que se falar em erro de
grafia pois a tal licitação ocorreu e as empresas estão sendo habilitadas para tal serviço com
essa concepção falsa. Outro item que cabe cassação de mandato.

“Art. 312 do CP - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro


bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em
proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do
dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio
ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.
Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.”

Tal contenda é também contemplada no artigo 1º e 4º da lei 201/67:

“Art. 1º São crimes de responsabilidade dos Prefeitos Municipal, sujeitos ao


julgamento do Poder Judiciário, independentemente do pronunciamento da Câmara
dos Vereadores:

I - apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito próprio ou


alheio;

Il - utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas ou


serviços públicos;

Ill - desviar, ou aplicar indevidamente, rendas ou verbas públicas;”


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“Art. 4º São infrações político-administrativas dos Prefeitos Municipais sujeitas ao


julgamento pela Câmara dos Vereadores e sancionadas com a cassação do mandato:

VIII - Omitir-se ou negligenciar na defesa de bens, rendas, direitos ou interesses


do Município sujeito à administração da Prefeitura;

X - Proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo.”

Ora se estamos falando da má aplicação através de pagamentos indevidos, do


prefeito, de serviços não prestados pela empresa COMIN, ou ainda, de desvios de
verbas em favor da mesma (com medições comprovadas), já que a obra não foi
entregue e foram pagos a bagatela de mais de R$ 30 milhões a esta empresa,
estamos falando de um caso claro e necessário de cassação de mandato. Além é
claro da falta de decoro em inaugurar uma obra inexistente/inacabada enganando
todos os vereadores da cidade, toda a população da cidade, e ainda manter isso por
longos 03 anos seguidos escondido da população.

Novamente o Código Penal nos dá a alusão do crime contra saúde pública:

"Art. 272. Corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimentício


destinado a consumo, tornando-o nocivo à saúde ou reduzindo-lhe o valor
nutritivo:"(NR)

"Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa."(NR)

"§ 1o-A. Incorre nas penas deste artigo quem fabrica, vende, expõe à venda, importa,
tem em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo a
substância alimentícia ou o produto falsificado, corrompido ou adulterado."

"§ 1o Está sujeito às mesmas penas quem pratica as ações previstas neste artigo em
relação a bebidas, com ou sem teor alcoólico."(NR)

"Modalidade culposa

§ 2o Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa."(NR)

"Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins


terapêuticos ou medicinais"(NR)

"Art. 273. Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins


terapêuticos ou medicinais:"(NR)

"Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa."(NR)

"§ 1o Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda, tem em
depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o produto
falsificado, corrompido, adulterado ou alterado."(NR)
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"§ 1o-A. Incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os


medicamentos, as matérias-primas, os insumos farmacêuticos, os cosméticos,
os saneantes e os de uso em diagnóstico."

"§ 1o-B. Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no
§ 1o em relação a produtos em qualquer das seguintes condições:

I - sem registro, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária competente;

II - em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso


anterior;

III - sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua


comercialização;

IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade;

V - de procedência ignorada;

VI - adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária


competente."

"Modalidade culposa

§ 2o Se o crime é culposo:

Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa."

Está mais do que claro quando o artigo 273 parágrafo primeiro cita “os
saneantes”, ou seja quando o prefeito compra produto usado (remanufaturado),
conforme foi comprovado acima, incorre em crime, e, pior está colocando a
vida de todos nós em risco.

DO PROCESSO DE IMPEACHMENT:

Diz a Lei 201/67:

“Art. 5º O processo de cassação do mandato do Prefeito pela Câmara, por infrações


definidas no artigo anterior, obedecerá ao seguinte rito, se outro não for estabelecido pela
legislação do Estado respectivo:

I - A denúncia escrita da infração poderá ser feita por qualquer eleitor, com a exposição
dos fatos e a indicação das provas. Se o denunciante for Vereador, ficará impedido de votar
sobre a denúncia e de integrar a Comissão processante, podendo, todavia, praticar todos os
atos de acusação. Se o denunciante for o Presidente da Câmara, passará a Presidência ao
substituto legal, para os atos do processo, e só votará se necessário para completar
oquorum de julgamento. Será convocado o suplente do Vereador impedido de votar, o qual não
poderá integrar a Comissão processante.
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II - De posse da denúncia, o Presidente da Câmara, na primeira sessão, determinará sua


leitura e consultará a Câmara sobre o seu recebimento. Decidido o recebimento, pelo voto da
maioria dos presentes, na mesma sessão será constituída a Comissão processante, com três
Vereadores sorteados entre os desimpedidos, os quais elegerão, desde logo, o Presidente e o
Relator.

III - Recebendo o processo, o Presidente da Comissão iniciará os trabalhos, dentro em


cinco dias, notificando o denunciado, com a remessa de cópia da denúncia e documentos que
a instruírem, para que, no prazo de dez dias, apresente defesa prévia, por escrito, indique as
provas que pretender produzir e arrole testemunhas, até o máximo de dez. Se estiver ausente
do Município, a notificação far-se-á por edital, publicado duas vezes, no órgão oficial, com
intervalo de três dias, pelo menos, contado o prazo da primeira publicação. Decorrido o prazo
de defesa, a Comissão processante emitirá parecer dentro em cinco dias, opinando pelo
prosseguimento ou arquivamento da denúncia, o qual, neste caso, será submetido ao Plenário.
Se a Comissão opinar pelo prosseguimento, o Presidente designará desde logo, o início da
instrução, e determinará os atos, diligências e audiências que se fizerem necessários, para o
depoimento do denunciado e inquirição das testemunhas.

IV - O denunciado deverá ser intimado de todos os atos do processo, pessoalmente, ou


na pessoa de seu procurador, com a antecedência, pelo menos, de vinte e quatro horas, sendo
lhe permitido assistir as diligências e audiências, bem como formular perguntas e reperguntas
às testemunhas e requerer o que for de interesse da defesa.

V – concluída a instrução, será aberta vista do processo ao denunciado, para razões


escritas, no prazo de 5 (cinco) dias, e, após, a Comissão processante emitirá parecer final, pela
procedência ou improcedência da acusação, e solicitará ao Presidente da Câmara a
convocação de sessão para julgamento. Na sessão de julgamento, serão lidas as peças
requeridas por qualquer dos Vereadores e pelos denunciados, e, a seguir, os que desejarem
poderão manifestar-se verbalmente, pelo tempo máximo de 15 (quinze) minutos cada um, e, ao
final, o denunciado, ou seu procurador, terá o prazo máximo de 2 (duas) horas para produzir
sua defesa oral;

VI - Concluída a defesa, proceder-se-á a tantas votações nominais, quantas forem as


infrações articuladas na denúncia. Considerar-se-á afastado, definitivamente, do cargo, o
denunciado que for declarado pelo voto de dois terços, pelo menos, dos membros da Câmara,
em curso de qualquer das infrações especificadas na denúncia. Concluído o julgamento, o
Presidente da Câmara proclamará imediatamente o resultado e fará lavrar ata que consigne a
votação nominal sobre cada infração, e, se houver condenação, expedirá o competente
decreto legislativo de cassação do mandato de Prefeito. Se o resultado da votação for
absolutório, o Presidente determinará o arquivamento do processo. Em qualquer dos casos, o
Presidente da Câmara comunicará à Justiça Eleitoral o resultado.”

“Art. 7º A Câmara poderá cassar o mandato de Vereador, quando:

I - Utilizar-se do mandato para a prática de atos de corrupção ou de improbidade


administrativa;

III - Proceder de modo incompatível com a dignidade, da Câmara ou faltar com o decoro
na sua conduta pública.”

Sobre o processo de cassação/impeachment do prefeito pela câmara


municipal, a lei é clara, como mostramos acima nos artigos 5º e 7º
estabelecendo todo um cronograma em realizar tal feito.

E, como expusemos em toda essa denúncia não restam dúvidas dos crimes
passíveis de cassação cometidos pelo prefeito de Uberaba.
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DOS PEDIDOS:

Desta forma, estando atendidos os requisitos legais e enrobustecidos os


pressupostos respectivos, requer-se:

1. O recebimento e processamento da presente denúncia, com os


documentos que a acompanham, e divulgação em plenário dos vídeos contidos no pen drive
anexo para os vereadores poderem ter acesso a informação completa;

2. Sejam admitidas a denúncia e as acusações, por seus fatos,


fundamentos e provas, para autorizar a instauração do processo de investigação, na Câmara
Municipal, contra o Senhor prefeito de Uberaba, para que seja oportunizado o
processamento e julgamento dos crimes ora elencados;

3. Seja o prefeito responsabilizado pelos seus atos e penalizado por esta


casa com a cassação do seu mandato, e, encaminhado seus outros crimes aos órgãos
competentes no que couber, nos termos da lei.

4. Por consequência, sejam determinadas todas as providências legais,


tantas quanto necessárias, para o cumprimento da decisão proferida por essa Colenda Câmara
Municipal, com os poderes dados a ela pela Constituição Federal, pela lei 201/67, pelas leis
municipais e demais dispositivos legais.

5 – Sejam claramente definidos, item por item, a consideração das seguintes


penalidades a serem apreciadas pelos nobres vereadores:

5.1 – Deixar de praticar atos de sua competência, ou omissão nessa prática.

5.2 - Omitir-se ou negligenciar na defesa de bens, rendas, direitos ou


interesses do Município sujeito à administração da Prefeitura;

5.3 – Quebra da dignidade e do decoro do cargo.

5.4 - apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito


próprio ou alheio
5.5 - utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio ou alheio, de bens,
rendas ou serviços públicos

5.6 - desviar, ou aplicar indevidamente, rendas ou verbas públicas

5.7 – crime de constrangimento e ameaça a funcionário público.


5.8 – Fraude em publicação de edital com informações falsas, fraude
em compra consciente de equipamentos inadequados e remanufaturados, fraude em
pagamentos indevidos à empresa COMIN e outras mais relacionadas ao caso, fraude
em “sumir” com mais de R$ 32.465.769,00 (trinta e dois milhões quatrocentos e
sessenta e seis mil setecentos e sessenta e nove reais) verbas públicas.
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5.9 – Crime contra saúde pública


5.10 – Inauguração de obra inexistente/inacabada em favor de
campanha eleitoral de reeleição.
Esses e outros crimes que o Legislativo entender como típicos.
A POPULAÇÃO DE UBERABA PEDE E ESPERA PROVIDÊNCIAS DA CÂMARA
MUNICIPAL

Nestes termos,

Pede deferimento.

Uberaba, 21 de março de 2019.

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ARIEL RUAS DE OLIVEIRA

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CLODOALDO AMARAL

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JANETE MAURILIA DE ALMEIDA

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VICENTE ARAUJO DE SOUSA NETTO


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FOTO ACIMA INDICA PARTE DOS TUBOS REMANUFATURADOS “ESCONDIDOS” NA ETE HUGO
RODRIGUES DA CUNHA (SETA INDICATIVA)

ACIMA FOTO DA ETAIII QUE NUNCA FUNCIONOU (VAZIA A ESQUERDA, E QUE FOI NOTIFICADA
POR DENGUE), E A DIREITA OUTRA ETA CHEIA EM FUNCIONAMENTO.
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ACIMA PREGÃO PRESENCIAL COM INFORMAÇÕES FALSAS DE MANUTENÇÃO DA ETAIII


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PROVA DE QUE A COMIN FOI A VENCEDORA PARA A OBRA DA ETAIII

DOTAÇÃO DA ETA III CONSTANDO NO MINISTERIO DAS CIDADES, DE RESPONSABILIDADE DO


PREFEITO, COMO “EM OBRA”.
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Nota de inauguração
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