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Distribuições de Probabilidades

3.1. Distribuições de Probabilidade 2

3.1. Probabilidade e Distribuição de Probabilidade

Probabilidade de um acontecimento ou evento: verosimilhança ou possibilidade de ob-


servação desse evento.

É expressa pela frequência relativa1 desse evento num grande número de observações
do fenómeno ou inferida pelo conhecimento prévio da ocorrência do acontecimento.

Um grande número de fenómenos biológicos/psicológicos é explicado por aconteci-


mentos de natureza intrinsecamente aleatória, podendo ser descritos como experiên-
cias aleatórias.

Experiência aleatória: procedimento que se pode repetir inúmeras vezes com resulta-
dos imprevisíveis, i.e. de natureza não determinística (aleatória)
e.g. formação de gametas, acontecimentos climáticos, eventos psicóticos, …

1
Definição frequencista de probabilidade, existem outras definições, e.g. a Clássica [P=X/N] e a Subjetivista/Bayesiana
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Distribuição Probabilidade: tabela ou função matemática que regista a probabilidade de


ocorrência de um evento ou conjunto de eventos de uma variável aleatória

Variável aleatória: variável cujas realizações (ou observações) resultam de um proces-


so aleatório (não determinístico).

1. v.a. aleatórias discretas: valores ou observações discretas (1, 2, 5, 9, …) finitos


ou infinitos (x  )
2. v.a. aleatórias contínuas: valores ou observações de um continuum de valores
(2.34, 2.54, 4.321, …) finitos ou infinitos x  ).
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Variáveis Aleatórias Discretas

Função de distribuição de probabilidades ou função massa de probabilidade: Repre-


sentam a probabilidade de um evento discreto:

X x1 x2 … xn f1 se x 1
f2 se x 2
P[X] f1 f2 … fn f (x ) P [X x]

fn se x n

Função de Distribuição: função de distribuição de probabilidades acumuladas de uma


v.a. discreta
F (0) se 0 x 1

x F (1) se 1 x 2
F (x ) P [X x] fi ; F (x ) P [X x]
i 1

F (n ) se n 1 x n
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Variáveis Aleatórias Contínuas

Em rigor para v.a. contínuas P[X=x ]= 1/ = 0…

Porém, faz sentido calcular a probabilidade de X pertencer a um determinado intervalo


de valores, p.e. P[a<X<b]  [0,1].

Função densidade de probabilidade (f.d.p.): probabilidade de X pertencer a um deter-


minado intervalo das realizações possíveis para a v.a. Esta função constrói-se a partir
do histograma de frequências para intervalos infinitesimais:

n+
k +
A 0
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As “probabilidades” são a área da função de densidade de probabilidade entre limites a


e b:

b
P[a X b] f (x )dx
a

A função de distribuição é a função de densidade de probabilidade acumulada:

a
F (X ) P[X a] f (x )dx

Área total f (x )dx 1


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Algumas distribuições de Probabilidade úteis em Psicologia e Ciência Sociais…

DISTRIBUIÇÃO BINOMIAL

• ‘experiências de Bernoulli’: experimento aleatório com 1 de 2 resultados possíveis


mutuamente exclusivos e independentes. e.g. sexo bebé; sobrevivência; aprova-
ção; …
• O resultado de interesse designa-se “sucesso” e a probabilidade do sucesso re-
presenta-se por p. O acontecimento complementar designa-se “insucesso” e a
sua probabilidade representa-se por q
• p+q=1 ou q=1p
• Usada para inferência sobre proporções
• XB(n, p) n – número de experiências de Bernoulli (nº tentativas)
• f.d.p: f (X ) P[X x] n
C x px q n x

E(X)=np; V(X)=npq
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EXEMPLO 1:
Num estudo sobre a gravidade da obesidade infantil, 45 sujeitos em cada100 adultos
amostrados aleatoriamente consideram o problema muito grave ou grave. Determine:
1.1. Numa amostra de 12 sujeitos a probabilidade de exatamente 3 considerarem o
problema muito grave ou grave
1.2. Numa amostra de 10 sujeitos mais de 2 considerarem o problema grave ou
muito grave
1.3. Numa amostra de 10 sujeitos, não mais de 5 considerarem o problema grave
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EXEMPLO 2:
A probabilidade de um aluno ser aprovado, numa turma de 10 alunos, pode ser dada
por uma das 3 figuras seguintes:

2.1. Qual dos gráficos representa uma probabilidade equilibrada de aprovação?


2.2. Qual dos gráficos sugere maior probabilidade de reprovação?
2.3. Qual(is) dos gráficos representa(m) menor variância amostral?
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2.4. Defina o espaço de resultados possíveis. A probabilidade dos diferentes casos é


independente? Justifique.
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EXEMPLO 3:
Sabe-se que determinado tratamento psicológico para a cinofobia (medo irracional e
persistente de cães) tem uma probabilidade de cura de 70%. Se o tratamento for apli-
cado a 20 pessoas com esta perturbação, qual a probabilidade de:
3.1. Obter 15 curas no máximo.
3.2. Obter 12 ou mais curas.
3.3. Obter um número de curas não inferior a 10 nem superior a 15.
3.4. Obter exatamente 10 curas?
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EXEMPLO 4:
Num estudo realizado com crianças do ensino primário, concluiu-se que:” 60 em cada
100 crianças têm medo de trovoada”. Calcule a probabilidade:
4.1. De numa turma de 18 alunos, 5 crianças apresentarem este tipo de fobia.
4.2. De numa turma de 20 alunos, não mais de 3 crianças apresentarem este tipo de
fobia.
4.3. De numa turma 20 alunos, pelo menos 5 crianças apresentarem este tipo de fobia.
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DISTRIBUIÇÃO NORMAL

• Provavelmente a distribuição de probabilidades mais importante na Psicologia…


• Todos os fenómenos que resultam do acumular de muitos e pequenos efeitos
(e.g. Stress, Depressão, Burnout,…, apresentam distribuição de probabilidades
de tipo Normal
• Abraham de Moivre (Séc. XVIII) deduziu a f.d.p da Normal observando que a uma
B(n,0.5) tende para a curva normal à medida que n+ (Aproximação da Bino-
mial à Normal).
• Laplace e Gauss (outros nomes com que é conhecida a Distribuição Normal) ob-
servaram que os erros das medições astronómicas seguiam uma distribuição
normal.
• XN(,) onde  - média populacional,  - desvio-padrão populacional
• Uso frequente em inferência estatística (assunção que a variável sob estudo pro-
vém de uma população com Distribuição Normal)
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DISTRIBUIÇÃO NORMAL REDUZIDA

Se X
então
Z=(X)  0,1
Z tem distribuição normal centrada e reduzida

Alguns valores de interesse:


 P(Z = c)
P(Z  -1.96)=0.025
P(Z 1.96)=0.025
P(Z  1.96)=0.975
P(Z  1.645)=0.95
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EXEMPLO 1:
De acordo com David Wechsler (1939)2 a inteligência define-se como “... a capacidade
global para agir com propósito, pensar de forma racional, e de lidar de forma eficaz
com o ambiente”.

2
Wechsler, D. (1939). The measurement of adult intelligence. Baltimore, MD: Williams & Witkins.
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Sabendo que na população normativa (... normal) o coeficiente de inteligência (FSIQ)


medido com a escala de Wechsler (WAIS) para adultos tem distribuição normal de mé-
dia 100 e desvio-padrão 15, determine:
1.1. A probabilidade de um indivíduo selecionado aleatoriamente da população norma-
tiva ter um FSIQ superior a 115
1.2. Num grupo de 30 candidatos à Academia da Força Aérea quantos se esperam ter
um FSIQ entre 115 e 130.
1.3. A probabilidade de um indivíduo selecionado da população normativa ter um
FSIQ superior a 130.
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EXEMPLO 2:
Baseando-se na distribuição do número de horas estudadas pelos alunos de Estatísti-
ca, diga a qual função de distribuição correspondente a cada média e cada variância:

A -> E (X) = 65.5 Var (X) = 400 C -> E (X) = 55.5 Var (X) = 100

B -> E (X) = 75.5 Var (X) = 100 D -> E (X) = 65.5 Var (X) = 100
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EXEMPLO 3:
Supondo que os resultados de um teste de aptidão para a matemática (X) seguem uma
distribuição aproximadamente normal e que no caso do sexo feminino, a distribuição
tem valor médio 62 e um desvio-padrão de 15, enquanto no sexo masculino, a distri-
buição tem parâmetros 65 e 8, respetivamente, responda às seguintes questões:
3.1. Qual a percentagem da população do sexo feminino que apresenta uma aptidão
matemática superior a 80.
3.2. Qual o percentil correspondente à cotação de 62 valores, obtida pelo João.
3.3. Qual é o valor correspondente ao percentil 75, num indivíduo do sexo feminino.
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EXEMPLO 4:
Num estudo efetuado com estudantes de uma escola concluiu-se que o “coeficiente de
inteligência apresentava distribuição aproximadamente normal com média 115 e desvio
padrão 5”. Calcule:
4.1. A probabilidade de selecionado aleatoriamente um aluno dentre os alunos dessa
escola, este apresentar um coeficiente de inteligência inferior a 100.
4.2. A probabilidade de selecionado aleatoriamente um aluno dentre os alunos dessa
escola, este apresentar um coeficiente de inteligência entre 108 e 118.
4.3. Numa turma de 20 alunos desta escola quantos alunos espera encontrar com um
coeficiente de inteligência superior a 112.
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DISTRIBUIÇÃO QUI-QUADRADO

• A soma de Normais reduzidas elevadas ao quadrado não tem Distribuição Nor-


mal, mas sim distribuição Qui-quadrado:
k
X Zi2 2
(k ) onde Z N (0,1)
i 1
• Graus de Liberdade (k): nº de realizações de uma variável que é necessário co-
nhecer para calcular uma estatística nessa variável.
• f.d.p. utilizada na inferência estatística para testes de ajustamento, testes a vari-
âncias e testes não paramétricos

1 X /2 (n /2 1)
f (X ) .e .X
n /2 n /2 1 X
2 . X .e .dX
0
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DISTRIBUIÇÃO T-STUDENT

• W. Gosset observou que em amostras de pequena dimensão, algumas variáveis


biométricas apresentavam distribuições que ficavam algo aquém da distribuição
normal.
• A razão entre uma Normal e um Qui-quadrado é uma distribuição t-Student
Z 2
X ~t student (k 1) onde Z ~ N (0,1) e Y ~ (k )
Y /k
• f.d.p. usada com frequência em infe-
rência estatística sobre médias.
3.2. Distribuições Amostrais

Para realizar inferência estatística é necessário conhecer as propriedades distribucio-


nais das estatísticas amostrais, a partir das quais se quer inferir para a população teó-
rica, i.e. é necessário conhecer a Distribuição Amostral da Estatística sob estudo.

Distribuição Amostral de uma Estatística:


Distribuição de probabilidades que caracteriza a probabilidade associada à realização
dessa estatística em múltiplas amostras aleatórias e independentes da população teó-
rica.

Por exemplo:

“Qual a distribuição amostral de X em muitas amostras aleatórias de dimensão n de


uma população”?
3.2. Distribuições Amostrais 25

X N( , )
x1 n

.
x2
. N n
. X N( ,
N 1
)
n
x 999 x

x 1000 n/N > 0.05

X
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TEOREMA DO LIMITE CENTRAL

Um dos mais importantes teoremas em inferência estatística:


“a soma (ou média) de muitas variáveis aleatórias independentes e com mesma distri-
buição de probabilidade, qualquer que ela seja, tende para a distribuição normal à me-
dida que n+”

Por exemplo: seja X a v.a. que representa um lançamento de 10 000


3.2. Distribuições Amostrais 27

Se da população (N=10000) extrairmos k = 1000 amostras aleatórias de dimensão n,


(com reposição) então a distribuição amostral de X nessas 1000 amostras será:

Se n  então X N( , ) i.e.
n

“para amostras grandes (n  30) a distribuição da média, se  é conhecido, é de tipo


normal”...
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... se  é desconhecido (o que acontece quase sempre) então


X
t(n 1)
s'
n
Mas… para n grande t(n1) → N(,)

Outras distribuições amostrais de interesse:


p(1 p) Pˆ p
Proporção (P): Pˆ N (p, ) ou N (0,1) para n grande (np  7)
n p(1 p)
n
(n 1)S '2 2
Variância (S’2): 2
(n 1)

S 1 '2 / 2

Rácio de Variâncias:
2
1
2
F (n1 1, n2 1)
S2 ' / 2
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EXEMPLO 1
O departamento de Saúde e Nutrição dos USA na amostragem feita entre 1988-1994
observou que o nível médio de colesterol, para mulheres entre os 20-74 anos, é de 204
mg/dl com um desvio-padrão de 44 mg/dl.
1.1. Numa amostra aleatória de 10 mulheres deste escalão etário qual é o valor médio
e desvio-padrão esperado para o nível médio de colesterol?
1.2. Qual a probabilidade de na amostra anterior o nível médio ser superior a 220
mg/dl?
1.3. Quantas mulheres da amostra anterior se esperam observar com nível médio de
colesterol acima de 220 mg/dl?
3.2. Distribuições Amostrais 30

EXEMPLO 2
Imagine que possui uma amostra da nota final de 25 alunos de Estatística, da popula-
ção de alunos da Universidade X (N = 800):
1.1. Qual é a distribuição mais apropriada para a média?
1.2. Se aumentarmos a amostra para uma taxa amostral de 50%, qual será a distri-
buição mais apropriada para a média? Justifique.
1.3. A amostragem realizada é de uma população que se pode considerar pequena?
3.2. Distribuições Amostrais 31

EXEMPLO 3
Seja X uma v.a. com distribuição normal de média 20 e desvio-padrão 5, calcule a di-
mensão da amostra de modo a que seja pelo menos igual a 0.9 a probabilidade da
média da amostra se situar entre 18 e 22.
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EXEMPLO 4
Numa escola primária estão inscritos 100 alunos. Sabe-se que 60 destes alunos têm
medo de trovoada.
4.1. Caracterize a distribuição amostral das proporções relativamente a amostras de 30
alunos.
4.2. Calcule a probabilidade de entre as 30 crianças, menos de 50% terem medo de
trovoada.