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• H) PRINCIPIO DA BUSCA DA VERDADE REAL:

No processo penal não basta a verdade meramente formal decorrente do conjunto probatório produzido na
instrução do exercício do Direito de punir deve o estado sempre buscar a medida do justo não bastando
simplesmente apenas acusar e condenar.
À atuação jurisdicional em matéria processual penal deve sempre buscar a verdade real dos fatos, isto é, a
verdade concreta mais próxima possível da realidade, todos os fatos e circunstancias são essenciais ao
exercício da jurisdição penal, uma vez que influenciam a prestação jurisdicional por conta disso o processo é
dotado de mecanismo para garantia e busca verdade real.
Está, todavia, não é absoluta surgindo hipóteses legais em que a verdade real é mitigada em favor da
verdade formal.
• OBSERVAÇÃO: No processo Penal, a verdade real busca a apuração de fatos, que mais se
correlacionam com algum ocorrido. Para a aplicação desse princípio, é necessário que se utilize
todos os mecanismos de provas para a compilação idêntica dos fatos.
Tal princípio traz como um norte aos juristas, quanto da aplicação da pena e da apuração dos fatos,
ou seja, deve existir o sentimento de busca do julgador, e cabe ao magistrado buscar outras fontes de
prova, somente a verdade real seja em sua essência atingida.

Segundo Fernando Tourinho, para que o juiz possa melhor formar suas convicções a respeito da
matéria do processo, ele deve reproduzir por meio de provas os fatos que mais se aproximam com a
realidade, ou seja, ele deve saber quem cometeu a infração, onde cometeu, quem foi a vítima,
porque cometeu, de que forma cometeu, podendo assim, quem sabe, descrever minuciosamente o ,
garantindo um julgamento justo para as partes.

• OBSERVAÇÃO: Este axioma recomenda ao julgador e às partes — entre estas principalmente o


Ministério Público — que se empenhem no processo para atingir a verdade real, para desvendá-la,
para determinar os acontecimentos exatamente como se sucederam, a fim de permitir a justa
resposta estatal.

Segundo a doutrina mais moderna, capitaneada no Brasil por LUIZ FLÁVIO GOMES, é impossível alcançar a
verdade real. No máximo, obtém-se a verdade processual ou a verdade judicial, o que dá no mesmo.
O que importa observar é que nunca será possível reconstruir inteiramente o iter criminis, porquanto parte
dele se processa no mundo subjetivo, na mente do delinqüente, sendo inalcançável pelo julgador e pelo
Ministério Público, mesmo mediante confissão.
De qualquer modo, o princípio da verdade real — que deve ser aplicado também ao processo civil, malgrado
a resistência da doutrina — obriga:
a)à busca do verdadeiro autor da infração;
b)à punição desse pelo fato praticado, como praticado;
c)à exata delimitação da culpabilidade do agente.
Para atingir esse desiderato, permite-se, ao lado da iniciativa das partes, o impulso oficial pelo magistrado e a
produção de provas ex officio, faculdade que é criticável pois pode contaminar o ente de razão do juiz,
levando-o a pré-julgamento.
Decorrem também desse princípio a redução das faculdades dispositivas das partes, quanto a prazos,
procedimentos e formas, todos de ordem pública, bem assim a drástica limitação das ficções, transações e
presunções, tão características do processo civil, mas quase totalmente vedadas no penal.
Também em razão da verdade real, a confissão do réu, para alguns tida como regina probationum, passa a
ser vista no processo penal como prova comum, a teor do art. 197 do Código de Processo Penal, que dispõe:
"O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua
apreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas
existe compatibilidade ou concordância".
A parte final do dispositivo deixa claro que a confissão só merecerá consideração se estiver em conformidade
com a verdade processual, extraída das outras provas colhidas na instrução criminal, e desde que tenha sido
obtida voluntariamente, sem coação.
No entanto, há institutos processuais que impedem o atingimento da verdade real. Portanto, são exceções a
esse princípio:
a)a impossibilidade de rescisão de absolvição indevida (res judicata pro veritate habetur), ou seja, não é
possível a revisão criminal pro societate;
b)a perempção, que extingue o processo, na ação penal privada, em razão da contumácia ou da simples
inércia do querelante;
c)o perdão do ofendido na ação penal privada, como forma de extinção do processo, impedindo também a
declaração da verdade real.
• I) PRINCIPIO DA ORALIDADE:
Tendo em vista o carácter unitário dos atos
processuais o desdobramento jurídico
penal adota como regra a forma oral na
realização dos atos.

Os atos processuais devem ser


expressamente feitos de forma oral=
falada(os).
Verbal.

• OBSERVAÇÃO: O procedimento oral, característico do sistema acusatório, tem a grande vantagem


de tornar mais célere e mais leve a instrução criminal. Se bem aplicado, permite a concentração dos
atos processuais em uma audiência, como se dá (rectius: como se deveria dar) no rito sumário dos
delitos de tóxicos, previsto na Lei n. 6.368/76: ouvida de testemunhas, alegações orais e sentença
em uma só audiência

• J) PRINCIPIO DA IMEDIATIDADE:
Como reflexo do principio do juiz natural e do
caráter unitário da instrução penal este principio
faz a aproximação entre as partes com vitas a
prestação jurisdicional.
• OBSERVAÇÃO: Princípio da imediatidade. O
Princípio da Imediatidade, ou Princípio do
Juízo Imediato, é um princípio jurídico de
direito processual penal que privilegia o
julgamento da ação pelo juiz que presidiu a fase de instrução da causa.
• PRINCIPIO DA
IDENTIDADE FÍSICA
DO JUIZ:
Em decorrência deste
principio por regra o
juiz que atua na
instrução processual
deve ser o mesmo a
proferir a sentença.

• PRINCIPIO DA PUBLICIDADE:
Está garantia constitucional impõe ao
processo o seu caráter público de sorte que
qualquer pessoa possa ter conhecimento
da exigência e do resultado do processo
penal. Não pode o processo ganhar
publicidade em carácter absoluto até
mesmo por conta da inviolabilidade da
intimidade porém, os atos processuais uma
vez realizados se tornam públicos quanto a
sua forma.
• OBSERVAÇÃO: O princípio constitucional da publicidade é característica fundamental do sistema
processual acusatório.
Mirabete coloca que a publicidade:

• "Trata-se de garantia para obstar arbitrariedades e violências contra o acusado e benéfica para a
própria Justiça, que, em público, estará mais livre de eventuais pressões, realizando seus fins com mais
transparência. Esse princípio da publicidade inclui os direitos de assistência, pelo público em geral, dos atos
processuais, a narração dos atos processuais e a reprodução dos seus termos pelos meios de comunicação
e a consulta dos autos e obtenção de cópias, extratos e certidões de quaisquer deles". (Art. 5º, LX, e 93, IX
da CF/88)
• OBSERVAÇÃO: O artigo. 5º , Inciso LX, diz respeito a parte em que a Lei restringirá a publicidade do
processo, quando se tratar de intimidade ou o
interesse social o exigirem.

• Artigo. IX todos os julgamentos dos órgãos


do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena
de nulidade, podendo a lei limitar a presença,
em determinados atos, às próprias partes e a
seus advogados, ou somente a estes, em
casos nos quais a preservação do direito à
intimidade do interessado no sigilo não
prejudique o interesse público à informação;
(Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 45, de 2004.

• PRINCIPIO DA
OBRIGATORIEDADE:
O exercício do ( IUS
PUNIEND) depende do
processo de sorte que pesa
ao estado a obrigação de
realizar a persecução penal.
→ Ato processual.
• PRINCIPIO DA INDISPONIBILIDADE:
Tratando das ações penais de carácter público não é faculdade do titular da ação penal a sua
propositura. Ao contrario , é poder dever do titular da ação penal promover o processo nestes casos
e seguir até o final na busca da condenação.
Este principio sofreu sensíveis reduções com advento com a Lei 9.99/1995, que possibilitou em
alguns casos ao titular da ação penal transacional diretamente com o acusado abrindo mão do
processo.
• OBSERVAÇÃO: Do princípio da obrigatoriedade decorre o da indisponibilidade do processo, que
vigora inclusive na fase de inquérito policial. Uma vez instaurado este, não pode ser mais paralisado
indefinidamente ou arquivado. A lei processual prevê prazos para a conclusão do inquérito no artigo
10 do CPP (10 dias se o indiciado estiver preso e 30 dias quando estiver solto) e proíbe a autoridade
mandar arquivar os autos (art. 17 CPP). Mesmo quando o membro do Ministério Público requer o
arquivamento de um inquérito policial, a decisão é submetida ao Juiz, como fiscal do princípio da

indisponibilidade, que, discordando das razões invocadas, deve remeter os autos ao chefe da
Instituição (art.28). Além disso, se proíbe que o Ministério Público desista da ação penal já in staurada
(art. 42 do CPP) ou do recurso interposto (art. 576 do CPP), e o juiz pode condenar o réu mesmo na
hipótese de pedido de absolvição por parte do Ministério Público (art. 385).
• A adoção desse princípio proíbe a paralisação injustificada da investigação policial ou seu
arquivamento pela autoridade policial. Também não permite que o Ministério Público desista da ação.
• OBSERVAÇÃO: Como garantia do aludido princípio, a lei processual penal traz diversos dispositivos,
como, por exemplo, a determinação dos prazos para a conclusão do inquérito policial (art. 10) e,
ainda, a proibição da autoridade policial de formular pedido de arquivamento. Observe o texto legal:

Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.
É importante ressaltar que a indisponibilidade encontra hoje ressalva na lei nº 9.099/1995 que permite
a transação penal nos crimes de menor potencial ofensivo (contravenções e infrações cuja pena
máxima não ultrapasse dois anos de prisão, ou não com multa)

• PRINCIPIO DA OFICIALIDADE:
O processo penal deve ser praticado e produzidos por órgãos oficiais do aparato de persecução
penal do estado.

• OBSERVAÇÃO:
Segundo este
princípio, a
pretensão punitiva
do Estado deve se
fazer valer por
órgãos públicos, ou
seja, a autoridade
policial, no caso do
inquérito, e o
Ministério Público,
no caso da ação
penal pública.

• PRINCIPIO DA VEDAÇÃO AS
PROVAS OBTIDAS POR MEIO
ILÍCITO:
Está garantia constitucional veda nos processos a possibilidade da utilização de provas produzidas
com desrespeito a normas matérias ou processuais estás não podem ser reconhecidas ao processo
nem produzir qualquer efeito para fins de condenação do acusado excepcionalmente a jurisprudência
vem admitindo a utilização de provas ilícitas em favor do acusado com vistas ao principio da ampla
defesa.

➢ EFICACIA TEMPORAL DA LEI PROCESSUAL PENAL ( LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO):

• CONCEITO: Importamos neste ponto a verificar medida e alcance das Leis processuais penais no
tempo.
Sabemos que em matéria penal vige o principio da atividade aplicando-se a Lei Penal em vigor no
momento da conduta.
Por outro lado no processo penal utiliza-se o principio da imediatidade ou aplicação imediata das Leis
processuais penais. Significa dizer que o processo será instruído de acordo co, a norma vigente por
ocasião da prática do ato ocorrendo alterações na legislação processual durante o processo será
aplicável imediatamente a lei nova. Neste casos tratando de aspectos estritamente processuais
pouco importa se a Lei nova é melhor ou pior as partes. → APLICA-SE A LEI PENAL QUE ESTIVER
VIGENTE HOJE ( IMEDIATA).
Com relação aos atos processuais praticados na vigência da extinta legislação adotamos o sistema
do isolamento dos atos processuais isto implica que todos os atos já praticados mantém sua validade
não precisando ser renovados .
Existem casos em que a Legislação processual acaba por atingir aspectos materiais envolvendo a
liberdade ou patrimônio do acusado nessas hipóteses deverá ser aplicado a lei mais vantajosa para a
defesa.
→ RITO PROCESSUAL: SEQUÊNCIA DE ATOS NO PROCESSO.
• CONTAGEM DE PRAZOS
NO PROCESSO PENAL:
Com relação aos prazos
processuais dentro dos ritos
sumário e ordinário a
contagem é realizada em
dias corridos desprezando-
se o dia inicial e
conceituado o termo final caso o inicio ou fim recaia em feriado a contagem se prolonga ai próximo
dia útil subsequente
• Com relação aos prazos processuais relativos aos juizados criminais especiais a contagem de prazo
se faz em dias uteis( LEI 13.728/2018).
• OBSERVAÇÃO: A contagem de prazo penal está no artigo 10 do Código Penal que reza:
“O dia do começo inclui-se do cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário
comum”. Esta contagem é usada para o direito material penal (prescrição, decadência, etc).
Para a contagem do prazo processual penal, ou seja, aquele tempo que se tem para cumprir um ato
processual, observa-se o art. 798 do Código de Processo Penal:
Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do vencimento (§ 1º);
O prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-se-á prorrogado até o dia útil imediato (§ 3º).
Importante lembrar também a Súmula 310 do STF:
“Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira, ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia, o
prazo judicial terá início na segunda-feira imediata, salvo se não houver expediente, caso em que começará
no primeiro dia útil que se seguir”.

Portanto, os prazos começam a correr a partir do primeiro dia útil subsequente à citação / intimação. Assim,
se a intimação for feita na sexta-feira, o prazo começa a correr na segunda (se esta for útil). Ou, se for
intimado em um dia antes de feriado, começará a correr no primeiro dia útil após o feriado.

Por outro lado, se o prazo terminar em um feriado ou sábado ou domingo, se prorroga até o próximo dia útil.
Por exemplo: O prazo começou a correr na terça feira e você tem 5 dias para cumprir determinado ato. Seu
prazo acabará no sábado. Você pode protocolar sua defesa na segunda-feira.
➢ EFICACIA ESPACIAL DA LEI
PROCESSUAL PENAL:
Tratando da eficacia especial das normas
processuais penais e considerando a
existência de um diploma geral disciplinado a
matéria aplica-se o principio da territorialidade.
O código de processo penal somente será
afastado quando legislação especial
disciplinar de forma diferente aspectos do
processo são expressões: Código de
Processo Militar; Código Eleitoral; Lei de
Drogas; Lei de Juizados Especiais Criminais.