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A conversão de Paulo (TAMIRIS)

As autoridades religiosas de Jerusalém outorgaram a Saulo cartas que lhe garantiam o direito
de prender os cristãos. Todavia, no caminho de Damasco, Saulo teve um encontro memorável
com Jesus. Este encontro mudou radicalmente sua vida. Diante do Rei dos reis, Saulo, o
perseguidor de cristão, se prostra. Um dia, todos terão que se curvar diante de Jesus. As
convicções religiosas de Saulo também são lançadas ao chão naquele momento. Embora cego,
Saulo sai daquele encontro transformado e “enxergando” a realidade! Esse novo homem ficou
três dias sem comer ou beber nada, certamente pensando em tudo que lhe aconteceu. Mais
tarde Paulo aprendeu o que é padecer pelo Senhor. Por intermédio desse “vaso escolhido” a
igreja tornou-se basicamente gentia.

RESUMO DA VIDA DE PAULO

• Nascido em Tarso, Capital da Cilícia (22.3);

• Fariseu (23.6);

• Cidadão romano (22.25-28);

• Fazedor de tendas (18.3);

• Aluno de Gamaliel (22.3);

• Guardava a Lei (26.5);

• Um encontro com Jesus mudou sua vida (9);

• Foi batizado (9.18);

• Suas últimas palavras (2 Tm 4.6-8).

Paulo é considerado, depois de Jesus, o personagem mais importante da historia da Igreja


Cristã (At 24.5). Ele escreveu quase a metade dos livros do Novo Testamento e foi responsável
direto pela evangelização dos gentios. Dezessete dos vinte e oito capítulos de Atos dos
Apóstolos são dedicados à conversão e ao ministério do apóstolo dos gentios (At 9; 13-
28).Sabemos mais a respeito de Pauto do que dos demais apóstolos. Aprendamos, pois, com a
vida e a obra de Paulo!

SAULO DE TARSO

Na comunidade judaica, Paulo era conhecido por um nome bem hebreu: Saulo (At 9.1,4,11).
Ele provinha de uma família benjamita que, apesar de viver na Diáspora, era mui fiel à tradição
(Fp 3.5). Tendo em vista sua formação cultural e religiosa; mostrou-se mais do que hábil para
atuar como o apóstolo dos gentios.
A formação cultural de Paulo. Instruído aos pés de Gamaliel (At 22.3), Saulo pertencia ao
partido religioso mais conceituado do Judaísmo — os fariseus (At 26.5; Fp 3.5). Ele conhecia
profunda e intimamente o Antigo Testamento (Rm 1.17; 3.4,5,10-18; 9.6-33), as tradições de
seu povo (At 26.24: 28.17,18; Gl 1.13-14) e a língua hebraica (At 22.1,2). Era tão bem versado
no meio religioso de Israel que, dos principais sacerdotes, recebera autorização para perseguir
os discípulos de Cristo (At 26.10).

As evidências indicam que Paulo cursou a universidade de Tarso. Haja vista o seu domínio do
idioma grego e dos autores clássicos, dos quais cita pelo menos dois: Aratos e Epimênides (At
17.28; Tt 1.12). Cidadão romano, falava também mui provavelmente o latim.

Paulo, cidadão romano. Natural de Tarso, na Cilícia (At 9.11; 21.39; Gl 1.21), Paulo tornara-se,
por nascimento, cidadão de Roma, pois a cidade era província romana (At 22.25-29). Naquele
tempo, a nacionalidade romana era adquirida de três maneiras: por direito de nascença, por
concessão imperial e por aquisição pecuniária (At 22.28; 23.27; 24.7,22).

Embora conhecesse muito bem os seus direitos como romano (At 22.25-29; 25.10-12,21,27),
era-lhe a cidadania celeste (Ef 2.19; Fp 3.20) mais importante do que os privilégios concedidos
pelos homens. Esta é a razão pela qual renunciou a todas as regalias terrenas para assumir a
cruz de Cristo (Fp 3.7-9). Como tem agido você como cidadão do céu?

A CONVERSÃO DE PAULO

A conversão de Paulo está narrada em três capítulos de Atos dos Apóstolos (9.3-18; 22.6-21 e
26.12-18). Vejamos os relatos segundo o desenvolvimento cronológico dos fatos.

O Encontro com Jesus. Saulo solicita autorização aos principais sacerdotes, afim de perseguir
os discípulos de Cristo que se achavam em Damasco (At 9.1-2; 22.5; 26.10-11). Já próximo da
cidade, ele e seus companheiros são envolvidos subitamente por uma luz do céu, muito mais
forte que o sol (At 9.3; 22.6; 26.13). E todos caem por terra (At 9.4; 22.7; 26.14). Em língua
hebraica, Jesus deu-se-Ihe a conhecer (At 26.14,15).

Os que o acompanhavam não viram a ninguém. Aturdidos, ouviram, sim, a voz, mas não
entenderam a mensagem (At 9.7; 22.9; cf. Jo 12.28-30). Paulo, então, é confrontado por Jesus
Cristo (At 9.5; 22.7; 26.14,15) e por este é comissionado a levar o evangelho tanto aos filhos de
Israel como aos gentios (At 26.16-18). Em seguida, o Senhor orienta-o a seguir viagem até
Damasco, onde receberia novas instruções (At 9.6; 22.10).

Erguendo-se, Saulo nada enxerga. Conduzido por seus auxiliares até Damasco, na cidade
permanece durante três dias sem nada ver, sem nada comer e sem nada beber (At 9.8,9;
22.11).

Ananias visita a Paulo. Enquanto isso, o Senhor em visão aparece a Ananias, homem piedoso e
justo que morava em Damasco, e ordena-lhe que vá à casa de Judas, que ficava na rua Direita,
e pergunte “por um homem de Tarso chamado Saulo”. Naquele instante, este orava e via
numa visão a Ananias que, entrando em seus aposentos, impunha-lhe as mãos para que
voltasse a enxergar (At 9.10-12; 22.12).
Ananias, então, retruca. Sabe ele qual o propósito de Paulo na cidade (At 9.13-14). O Senhor,
porém, afiança-lhe que o perseguidor será doravante um vaso escolhido para tornar o
evangelho conhecido em todo o mundo (At 9.15-16; 26.16-18). Imediatamente Ananias vai ao
encontro de Saulo e, impondo-lhe as mãos, confirma a comissão que ele recebera do Senhor,
recobra-lhe a visão e batiza-o (At 9.17-18; 22.13-16).

Saulo, de perseguidor a perseguido. Já refeito, Saulo busca congregar-se com os irmãos em


Damasco (At 9.19). Apesar dos temores iniciais, os discípulos acabam por estender-lhe a destra
de comunhão. Em ato contínuo, põe-se ele a testemunhar de Cristo a todos nas sinagogas da
cidade (At 9.20). Os judeus perturbam-se com a sua conversão (At 9.21-22). E intentam tirar-
lhe a vida (At 9.23). Tal plano chega ao conhecimento de Saulo (At 9.23-24). Para o livrarem da
cilada, os irmãos descem-no de noite num cesto pelo muro (At 9.25). E ele segue em direção a
Jerusalém (At 9.26; 22.17).

PROPÓSITOS DA VOCAÇÃO DE PAULO

Os objetivos de Cristo ao confrontar Saulo na estrada de Damasco são desenvolvidos nas três
narrativas de sua conversão de Atos dos Apóstolos (9.3-18; 22.6-21; 26.12-18).

Conhecer a vontade de Deus. Saulo teria de conhecer realmente a vontade de Deus


concernente a Israel, a Igreja e ao mundo (At 22.14,15). Mais tarde, em sua Epístola aos
Efésios, revela a sua compreensão concernente à Igreja de Deus, formada não por uma nação,
mas constituída igualmente por judeus e gentios. Tudo isso revelou-lhe o próprio Senhor. Tem
você procurado saber a vontade divina para a sua vida?

Tornar-se ministro e testemunha de Jesus. Consciente de sua vocação, põe-se Paulo a


testemunhar de Cristo não somente diante dos gentios, mas também perante Israel. Faz ele
apologia do evangelho ante os reis e filósofos. É um verdadeiro campeão de Deus (At 9.15;
22.15,21; 26.16-18). Como está o seu testemunho cristão? Acha-se preparado para defender a
sua fé?

Sofrer a favor de Cristo e do evangelho. Em virtude de sua audácia, muito sofre por amor a
Cristo (Gl 6.17). O que dantes perseguira a Igreja de Cristo, vê-se de repente perseguido por
causa deste mesmo nome. No capítulo 11 de sua Segunda Epístola aos Coríntios, discorre ele
acerca das muitas perseguições por ele sofridas, quer por parte de seus patrícios, quer por
parte dos gentios. Mesmo perseguido, o evangelho foi poderosamente anunciado através de
suas

A conversão e vocação de Paulo ensinam-nos que Deus chama e capacita a quem ele quer para
ministérios específicos. Ele transforma o mais terrível dos homens num “vaso escolhido”, a fim
de que proclame o seu Evangelho até aos confins da terra.Você foi chamado para anunciar a
mensagem da cruz? Obedeça, já. É o tempo de segar.

A conversão de Saulo.“Saulo (posteriormente chamado de Paulo, o equivalente grego do nome


‘Saulo’), que é mencionado pela primeira vez como tendo participado do apedrejamento de
Estêvão era tão zeloso das suas crenças religiosas que iniciou uma campanha de perseguição
contra todos os que acreditavam em Cristo, todos que eram do ‘Caminho’ (versão RA) (veja o
testemunho de Paulo em Filipenses 3.6). A expressão ‘o Caminho’ se referia ao ‘caminho do
Senhor’ ou ‘o caminho da salvação’. Por que os judeus em Jerusalém queriam perseguir os
cristãos a uma distância tão grande como Damasco? Há várias possibilidades: (1) para prender
os cristãos que tinham fugido; (2) para evitar a chegada do cristianismo a outras cidades
importantes; e (3) para impedir que os cristãos causassem qualquer problema com Roma. [...]
Damasco [era] uma cidade comercial importante, estava situada cerca de 280 quilômetros a
nordeste de Jerusalém, na província romana da Síria. [...] Saulo pode ter pensado que ao
eliminar o cristianismo em Damasco, ele poderia impedir a sua disseminação a outras regiões.
Já próximo do seu destino, quase ao meio-dia, quando o sol estava a pino [...], Saulo
repentinamente se encontrou cercado por um resplendor de luz. Embora o texto não afirme
abertamente que Saulo viu a Cristo, este fato fica implícito, uma vez que ver o Senhor
ressuscitado era um requisito para o apostolado do Novo Testamento (1 Co 9.1; 15.8)”
(Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Vol.1. 1.ed. RJ: CPAD, 2009, pp.662-63).

O Evangelho propaga-se entre os gentios (REWEL)

Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Criador de tudo quanto existe, a todos
preserva pela sua bondade e justiça (At 17.25-28). Ele ama a todos indistintamente e
deseja a salvação de toda a humanidade (Jo 3.16) através de Jesus Cristo (Mt 1.21; At
4.12). Esta é a mensagem que os apóstolos de Nosso Senhor proclamaram aos gentios.
No Filho, todos somos amados pelo Pai, sem quaisquer distinções. Está você também
disposto a anunciar o evangelho até aos confins da terra? Há muita terra ainda a ser
conquistada.

OS GENTIOS NO ANTIGO TESTAMENTO

Toda a humanidade descende de um único casal a quem Deus formara segundo a sua
imagem e semelhança (Gn 1.27; 5.2). Embora criado santo, justo e bom para a glória do
Senhor (Gn 5.1; Sl 115.1), o homem desobedeceu-lhe as ordens e veio a conhecer
experimentalmente o pecado. Com a sua apostasia, fez com que a maldade tomasse
conta do mundo (Gn 4.8,23). A Deus, então, não restou outra alternativa senão destruir
a primeira civilização através de um dilúvio universal (Gn 6-9).
Um novo começo com Noé. Apenas Noé e a sua família salvaram-se daquele cataclismo.
Por intermédio dos filhos do piedoso e santo patriarca: Jafé (Gn 10.2-5), Cam (Gn 10.6-
20) e Sem (Gn 10.21-31), vieram a formarem-se as nações com as suas respectivas
geografias (Gn 10 - 11). Infelizmente, a humanidade porfiou em desobedecer a Deus (Gn
11.1-9). Em meio a essa desolação espiritual e moral, Deus santifica um descendente de
Sem, Abraão, para que dele uma nova nação fosse formada (Gn 12.1-3). Em Abraão,
fomos todos abençoados.
A exclusividade dos descendentes de Abraão (Gn 15.5,6). Ao chamar Abraão, o Senhor
dá início à história de Israel (Gn 12.1-3). Seu propósito à nação judaica (Gn 18.18; 22.18)
era torná-la uma propriedade peculiar, um reino sacerdotal e um povo santo (Êx 19.5,6).
Ele a constituiu para que esta lhe fosse uma possessão distinta e particular (Is 44.1-2), a
fim de que, por seu intermédio, alcançasse os gentios.
A partir de então, todas as demais etnias passaram a ser conhecidas como gôyim —
gentios (Gn 15.18-21). Isso não significa, porém, que Deus não ame as demais nações.
Ele as ama, sim! E de tal maneira amou-as, que deu o seu Único Filho, para que todo
aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Além do mais, em Abraão
foram benditas todas as nações da terra (Gn 12.3).

OS GENTIOS EM O NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento faz questão de realçar o amor de Deus não somente por Israel, mas
por todos os povos. João 3.16 deixa isso bem claro. Não resta dúvida: a salvação vem
dos judeus, mas não se restringe aos judeus, mas através dos judeus deve alcançar a
todos os não-judeus.
Nos Evangelhos. Nos evangelhos há várias referências aos gentios (Mt 6.7,32: Mc 10.33;
Lc 12.30; 18.32). Descritos às vezes com certa reserva (Mt 20.19; Mc 10.33), são eles
vistos como a grande seara a ser alcançada pelos apóstolos que, no cumprimento da
Grande Comissão, deixariam Jerusalém e a Judeia para evangelizar e ensinar todas as
nações (Mt 28.18-20). Aliás, Isaías já destacava a missão do Cristo entre os gentios (Is
42.1-4). Durante o seu ministério terreno, o Senhor Jesus agraciou alguns destes como
a mulher cananeia (Mt 15.21-28) e o centurião (Lc 7.1-10).
Nos Atos dos Apóstolos. Embora Atos 1.8 estabeleça a obrigatoriedade da missão entre
os gentios, somente no capítulo 9 e versículo 15, após a conversão de Paulo, é que se
declara aberta e enfaticamente a evangelização das nações (ver At 13.44-47). A
resistência inicial dos apóstolos em discipulá-Ios (At 10.9-16) é vencida quando Cornélio,
sua família e demais assistentes, recebem o batismo com o Espírito Santo (At 10.44-48).
O fato trouxe perplexidade no colégio apostólico (At 11.1-3,18), mas após a apologia de
Pedro (At 11.4-17 ver 15.7-11), a Igreja glorificou a Deus pelo fato de os gentios serem
também objeto do amor de Deus (At 10.45).
Missão e Salvação entre os Gentios. Se Pedro, com o evangelho da circuncisão, é
proeminente nos capítulos de 1 a 12 de Atos, nos capítulos de 13 a 28, destaca-se Paulo
com o evangelho da incircuncisão (Gl 1.7). O primeiro diz respeito aos judeus, o segundo
aos gentios (At 13.44-47). Trata-se, porém, de um só evangelho — o evangelho de Nosso
Senhor Jesus Cristo.
Paulo estava consciente de que fora chamado por Deus para anunciar o evangelho aos
gentios (At 9.15), sem os entraves da lei (At 15.19,28,29; Rm 4.9-16). Em suas viagens
missionárias, não foram poucos os gentios que se converteram ao Senhor (At 11.1,18) e
de bom grado ouviram a exposição da graça divina (At 13.42).
Você se preocupa com a evangelização transcultural? Se você não foi chamado ao
campo, coopere financeiramente com a Obra Missionária e ore pelos que se acham
além-fronteira falando do amor de Deus. A responsabilidade pelo “Ide” também é sua.

JUDEUS E GENTIOS UNIDOS POR DEUS MEDIANTE A CRUZ

A Igreja de Deus. Ao defender a difusão do Evangelho entre as nações, afirmou Pedro:


“[...] Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome” (At 15.14).
Esse povo é a Igreja formada por judeus e gentios em Cristo (Rm 9.24-33). De ambos,
fez Ele um só povo, derribando a parede de separação que estava no meio, e, pela cruz,
reconciliou ambos com Deus em um corpo (Ef 2.14-16).
Dessa maneira, o Espírito Santo revela a Paulo (Ef 3.4,5) que os gentios não são mais
estrangeiros (gôyim) e nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos, da família de Deus
(Ef 2.11-22; 1 Pe 2.5), co-herdeiros e participantes da promessa em Cristo pelo
evangelho (Ef 3.6).
Expansão da Igreja entre os gentios. Através de suas viagens missionárias, Paulo
propagou o evangelho entre os povos e culturas conhecidos naqueles dias (Rm
15.19,20). Em várias regiões, estabeleceu ele igrejas constituídas notadamente por
gentios (Rm 16.4).

A evangelização dos povos é o maior desafio da igreja moderna. A responsabilidade é


nossa. O Senhor confiou-nos a Grande Comissão para que, sem remissões, alcancemos
os confins da terra. Ele deseja que todos os gentios sejam salvos. Você sabia que muitos
povos ainda não ouviram falar de Jesus? Como responderá você a esse grande desafio?
Se o Senhor o chama à Obra Missionária, responda prontamente: “Eis-me aqui, Senhor.
Envia-me a mim”.
“Israel e a Igreja.Nos capítulos iniciais de Atos dos Apóstolos, a recepção judaica à
mensagem do evangelho foi poderosa e inquietou os líderes judaicos. Mas, depois,
iniciou-se a reação e a perseguição judaicas para que a Igreja se dispersasse. Em alguns
locais, a mensagem foi tirada da sinagoga e oferecida diretamente aos gentios que
responderam de forma favorável (At 13.46; 18.6; 28.28). Esse padrão híbrido de
recepção judaica, perseguição e busca dos gentios foi comum, em especial, no
ministério de Paulo. Os apóstolos iniciaram na sinagoga, pois criam que a mensagem de
Cristo era também para os de Israel. As igrejas locais desenvolveram-se por necessidade
de sobreviver em face da rejeição. Essas realidades fizeram com que Lucas, em Atos dos
Apóstolos, falasse de forma reiterada sobre os mensageiros da Igreja ‘se voltarem para
os gentios’ e ‘advertirem Israel’. Esses temas, com frequência, aparecem lado a lado e
dominam o último terço do livro de Atos dos Apóstolos. Eles mostram que a Igreja não
era Israel e que essa distinção tornou-se uma realidade do ponto de vista histórico”
(ZUCK, R. B., et al. Teologia do Novo Testamento. 1.ed. RJ: CPAD, 2008, pp. 160-61).
“A inclusão dos Gentios na Única e Nova Humanidade em Cristo (Ef 2.13-18).Paulo
continua a descrever como a obra da redenção torna as pessoas um só povo em Cristo.
O verso 13 começa com duas frases importantes: ‘Mas, agora’ que aparece em contraste
com ‘antes’ (v.11) e ‘naquele tempo’ (v.12); e ‘em Cristo Jesus’, que aparece em
contraste com ‘sem Cristo’ (v.12). Essas duas expressões enfatizam como a situação dos
gentios seria drasticamente modificada, de estarem ‘longe’ para chegarem ‘perto’. Essa
nova aproximação de Deus é tanto ‘em Cristo Jesus’ como ‘pelo sangue de Cristo’. Essa
última se refere ao evento histórico da morte de Jesus na cruz; e a primeira está
relacionada à conversão dos infiéis e sua presente união com Cristo. Os cinco versos
seguintes explicam o que foi alcançado pela morte redentora de Cristo na cruz.
Os versos 14-18 revelam o âmago da mensagem de reconciliação de Paulo, e como Deus
deu início ao ser eterno plano de reconciliação cósmica (embora não universal) (1.10).
A palavra principal nessa passagem é paz, e ela aparece quatro vezes (vv.14,15, e duas
vezes no verso 17).
O verso 14 começa com uma declaração enfática: ‘Porque ele [Cristo] é a nossa paz’.
Cristo, e somente Cristo, nos deu a solução para esse problema que infesta a raça
humana, isto é, a separação de Deus e de outras pessoas. Ele é a Reconciliação do povo
com Deus e a Reconciliação das pessoas, umas com as outras. Assim, o evangelho torna-
se uma mensagem de reconciliação (2 Co 5.17-21). Por causa de seu sangue redentor
(2.14), nesse ponto de Efésios Paulo anuncia, em dois sentidos, o próprio Cristo Jesus
como sendo a ‘nossa paz’:
Como pecadores, Ele nos reconcilia com Deus pela cruz (v.16) e
Reconcilia grupos mutuamente hostis entre si (tais como judeus e gentios) e ‘de ambos
os povos faz um’ (v.14b; também vv.15-18).
A reconciliação é o tema central desta passagem. Nada, a não ser o evangelho, poderá
nos oferecer, genuinamente, a paz com Deus (Rm 5.1), ‘e nada, a não ser o evangelho,
poderá remover as barreiras que dividem a humanidade em grupos hostis em sua
própria época’ (Bruce, 1961, 54). A paz entre judeus e gentios exigia a destruição da
‘parede de separação que estava no meio’ (v.14c). Nenhuma distinção de cor, conflito
étnico, separação por classes ou divisão política era mais absoluta que a barreira entre
judeus e gentios no primeiro século d.C. Bruce acrescenta: ‘O maior triunfo do
evangelho na era apostólica foi que ele venceu essa antiga e longa desavença e permitiu
que judeus e gentios se tornassem verdadeiramente um único povo em Cristo’”
(Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. RJ: CPAD, 2004, pp.1219-20).