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Prática - Resposta sísmica de camadas de terreno 1

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2 - RESPOSTA SÍSMICA DE CAMADAS DE TERRENO

2.1 – Equação do movimento

Equação do movimento para a vibração de uma camada semi-infinita, sujeita na sua base rígida a
uma acção sísmica horizontal üg(t):

2
∂ u ∂u 2
2∂ u
+ β - Vs = −&u& g (t)
∂ t2 ∂t ∂ z2
em que:
u é o deslocamento relativo
β é o amortecimento
Vs é a velocidade de propagação das ondas transversais:
com
G = ρ Vs2
em que:

G é o módulo de distorção;
ρ é a massa específica

Solução geral para a equação



u(z, t) = ∑ [f n (z)].u n (t)
1

em que:

fn(z) = Ln.φn(z)
u(z,t) é a evolução cronológica da coordenada modal n

2.2 - Cálculo das respostas associadas ao modo n com base na solução de Ambraseys

(z=0 no topo da camada)

a) Cálculo dos períodos de ordem n ou das respectivas frequências:


2π 2πH π
Tn = = com a n = (2n − 1)
ω n a n Vs 2
em que:
ωn é a frequência angular de propagação
H a espessura total da camada considerada.

b) Determinação das acelerações espectrais An correspondentes a cada período para determinado


valor de β.

- pode recorrer-se a um espectro dado, ou pode recorrer-se a valores dados pelo


espectro de potência do RSA.
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c) Cálculo dos factores de participação de cada modo:

Solução de Ambraseys

z ω z
φ n (z) = cos( a n ) = cos( n ) (em radianos)
H Vs

2
Ln = (em radianos)
an .sin a n

Os valores de an para os três primeiros modos são os seguintes:

a1=1,572; a2=4,712; a3=7,854

(Construir tabela com os valores de φn(z) para diferentes valores de z/H.)

2.2.1 – Deslocamento relativo:

un (z,t) = L n φ n (z) u n (t)


2
 H 
u n (z, t ) máx = L n φn (z) Dn = L n φn (z) A2n = L n φn (z) A n  
ωn  Vs a n 

2.2.2 – Aceleração relativa:

∂ 2 u n ( z, t )
&u& n (z, t) = = L n φn (z) &u& n (t)
∂t 2

&u& n (z, t ) máx = L n φn (z) A n

2.2.3 – Distorção ou deformação de corte:

∂u n (z, t) ∂φ (z) z
γ n (z, t) = = L n n . u n (t) = L n sin(a n ).u n ( t )
∂z ∂z H

2
a  z a  z  H  H L   z
γ n (z, t ) máx = L n n sin  a n D n = L n n sin  a n .  A n = 2  n sin  a n  A n
H  H H  H   Vs a n  Vs  a n   H

2.2.4 - Tensão de corte:

τ n (z, t ) = G.γ n (z, t ) = ρ.Vs2 γ n (z, t )


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L   z
τ n (z, t ) máx = ρH n . sin  a n A n
 an   H

2.3 - Combinação das respostas modais

É usada uma regra estatística para estimar o máximo de uma dada resposta:

∑ (L
2
&u&(z, t) máx = n φn (z). A n )
n =1

NOTA: Para obter o valor máximo de qualquer resposta à profundidade z, é necessário obter a
mesma resposta máxima associada a cada um dos modo de propagação e compor
quadraticamente as respostas nodais.

2.4 - Resposta no domínio não linear

Pode ser avaliada através de um método simplificado, fazendo intervir, por um processo
iterativo, os valores do módulo de distorção G e do amortecimento β, compatíveis com a
distorção média equivalente:
H
( γ méd )eq = 0,65.φ1(z). . A1 com φ1(z) = 0,5057
Vs2
a) O cálculo inicia-se atribuindo, por estimativa, um valor para a distorção média
equivalente (γméd)eq.

b) Com este valor e a partir do ábaco de Makdisi e Seed ou os de Vucetic e Dobry


obtém--se um par de valores compatíveis de G/Gmáx e β que é utilizado para efectuar o
cálculo da resposta sísmica:

G Vs2 4H
= 2
→ T1 =
G máx V s máx
Vs

A partir de T1 obtém-se A1 do espectro dado ou do espectro de potência do RSA.

c) Chega-se a novo valor de (γméd)eq.

d) Se este valor for diferente do inicial, repete-se o processo para uma ou mais iterações,
até obter valores finais compatíveis.

O processo converge, em geral muito rapidamente, em duas ou três iterações.


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2.5 - Caso de uma camada rígida sobre uma camada elástica

a) Cálculo de µ:
γm . Hm
µ=
γ.H
em que:
γ é o peso específico;
H é a altura do terreno brando;
Hm é a espessura da camada rígida.

b) Cálculo dos períodos dos modos de ordem n:

2 πH 1
Tn = =
Vs . a n ( µ ) f n
em que:
Vs é a velocidade das ondas de corte;

Os valores de an encontram-se na tabela Ambraseys (1960) em função do modo n e de µ.

c) Determinação das acelerações An correspondentes a cada período para determinado valor de β:

Pode recorrer-se a um espectro dado, ou pode recorrer-se a valores dados pelo espectro de
potência do RSA.

d) Cálculo dos factores de participação de cada modo:

z z
φn (z, µ) = cos(a n ) - µ. a n . sin (a n ) (em radianos)
H H

(Construir tabela com os valores de φn(z) para diferentes valores de z/H.)

2
L n (µ) = (em radianos)
µa cos a n + a n (1 + µ) sin a n
2
n

µ µ µ µ µ µ µ µ µ µ µ
Ln 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1
n=1 1,2732 1,2619 1,2403 1,2235 1,1965 1,1784 1,1627 1,1489 1,1378 1,1277 1,1192
n=2 -0,4244 -0,3934 -0,3442 -0,3008 -0,2654 -0,2367 -0,2132 -0,1938 -0,1775 -0,1636 -0,1517
n=3 0,2546 0,2104 0,1588 0,1241 0,1010 0,0848 0,0730 0,0640 0,0569 0,0513 0,0466

2.5.1 – Deslocamento relativo:


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2
 H 
u n (z, t ) máx = L n (µ) φn (z, µ) Dn = L n (µ) φn (z, µ) A n  
 Vs a n 
2.5.2 – Aceleração relativa:

&u& n (z, t ) máx = L n (µ) φn (z, µ) A n

2.5.3 – Distorção ou deformação de corte:

H  L n (µ)    z   z 
γ n (z, t ) máx =   sin  a n  + µa n cos a n  A n
Vs2  a n   H   H 
2.5.4 - Tensão de corte:

τ n ( z, t ) máx = G γ n (z, t ) máx

2.6 - Combinação das respostas modais

Combinação das respostas modais


(Ex: aceleração)
3
&u&(z, t) máx = ∑ (L
n =1
n (µ) φn (z, µ). A n )2

NOTA: Como anteriormente pode ser usado um valor da distorção média equivalente para obter
um par de valores compatíveis do módulo de distorção G e do amortecimento β, efectuando
iterações:
H
( γ méd )eq = 0,65.φ1(z, µ). .A 1
Vs2

L1 (µ)   z   z  z
com φ1(z, µ) = sin  a 1 H  + µa 1 cos a 1 H  para = 0,5
a1      H

Estimativa do deslocamento sísmico máximo à superfície:

( γ méd )eq .
u máx = .H
0,65

sendo (γméd)eq o valor final das iterações efectuadas.