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2014

METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA


Produzido pelo Núcleo de Ensino a Distância da Faculdade de
Jaguariúna.

DIRETOR
THALES COELHO BORGES LIMA

COORDENADOR
SILVIO PETROLI NETO

CONTEÚDO
MARCIA LOPES MONTEIRO

REVISÃO
VALÉRIA BASTELLI PAGNAN

RESPOSÁVEL TÉCNICO
TIAGO NOGUEIRA DE SOUZA

APOIO
EQUIPE EDITORIAL REVISTA INTELLECTUS

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Sumário

Apresentação ..............................................................................10

Como estudamos a distância? ........................................................13

Módulo 1 ........................................................................................24

O pesquisador e a comunicação na sociedade do conhecimento


....................................................................................................24

Introdução ...............................................................................24

Século XXI: Qualificações esperadas do profissional ................26

Adequação da comunicação de acordo com a finalidade, os


receptores e os diferentes contextos. .........................................33

Adequação de linguagem e a comunicação .............................37

Linguagem adequada ou inadequada? ....................................40

Ler e interpretar: como avançar no domínio ...........................44

3
Ferramentas de acesso e uso da informação: como utilizá-las
para realizar pesquisas.............................................................56

Sugestão de Atividades ...............................................................67

Referências .....................................................................................68

Módulo 2 ........................................................................................74

Introdução ...................................................................................74

A Ciência como atividade própria da comunidade científica .......76

O que é Ciência? ......................................................................80

Ciência e Tecnologia ................................................................82

O caráter histórico do conhecimento científico ..........................86

O conhecimento científico e sua relação com o conhecimento


prático......................................................................................86

O conhecimento popular ou vulgar .........................................90

O’ conhecimento filosófico ......................................................94

4
O conhecimento religioso ou teológico ...................................95

Métodos Científicos Técnicas de Pesquisa ..................................97

Ciência: A importância do erro ..............................................101

Métodos científicos ...................................................................103

Técnicas de Pesquisa..............................................................114

Sugestão de Atividades .............................................................117

Referências ................................................................................118

Módulo 3 ......................................................................................126

Introdução .................................................................................126

A Pesquisa e suas classificações ................................................130

Como classificar as pesquisas com base em sua natureza? ...130

Como classificar com base na forma de abordagem do


problema?..............................................................................131

5
Como classificar as pesquisas com base em seus objetivos? (Gil,
2002) ......................................................................................133

Como classificar as pesquisas com base nos procedimentos


técnicos utilizados? (Gil, 2002) ..............................................135

A construção do modelo de análise: a construção das hipóteses


...............................................................................................164

Seleção dos métodos e técnicas e a coleta de dados .............169

Elaboração dos dados ............................................................171

Análise, interpretação e representação dos dados ................171

Conclusão da análise e dos resultados obtidos ......................172

Redação e apresentação do trabalho científico .....................173

Sugestão de Atividades .............................................................175

Referências ...................................................................................177

Módulo 4 ......................................................................................184

6
Introdução .................................................................................184

Características da linguagem científica .....................................186

Procedimentos didáticos .......................................................200

Grifar textos: noções básicas .................................................201

Elaborar esquema ..................................................................204

Elaborar resumo: ...................................................................206

Fichar .....................................................................................212

Confira a atividade de grifar: .................................................214

Como fazer citações ...............................................................216

Como fazer referências bibliográficas ...................................224

Sugestão de Atividades .............................................................234

Módulo 5 ......................................................................................242

Introdução .................................................................................242

7
Projeto de Pesquisa ..................................................................243

Projeto de Pesquisa: importância para a vida acadêmica e


profissional ............................................................................243

O que é projeto ......................................................................251

Estrutura do Projeto ..............................................................254

Estrutura do Relatório de Pesquisa ...........................................284

Apresentação .........................................................................285

Sinopse (abstract) ..................................................................286

Sumário ..................................................................................286

Introdução .............................................................................286

Revisão bibliográfica ..............................................................287

Metodologia ..........................................................................287

Embasamento teórico ............................................................288

8
Apresentação dos dados e sua análise ...................................288

Interpretação dos resultados .................................................289

Conclusões .............................................................................291

Recomendações e sugestões .................................................291

Apêndice ................................................................................292

Bibliografia .............................................................................293

Sugestão de Atividades .............................................................296

Referências ...................................................................................297

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Apresentação

O laboratório de Ensino à Distância da Faculdade de Jaguariúna


(FAJ) elaborou este material, composto de 05 módulos
desenvolvidos em apostilas e slides, para fornecer a você a
oportunidade de cursar a disciplina de Metodologia da Pesquisa
Científica, envolvendo-se com os conteúdos de acordo com seu
próprio ritmo e interesse, sem deslocamentos e usando seu tempo
disponível.

O mundo atual encontra-se marcado por alta complexidade,


movido pela velocidade; invadido pela tecnologia, pela
multiplicidade de linguagens, pelo mundo do trabalho altamente
competitivo; dominado pelas necessidades de um pensamento
tecno-científico, pela abundância de informações, bem como
desafiado pela percepção clara de diferenças e desigualdades de
oportunidades e de competência.

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Em consequência, tem imposto alterações ao aprender e
proposto desafios que exigem outras formas de comunicação e
transformações significativas e rápidas na vida social e profissional.

Diante de um mercado altamente competitivo, é exigido também


outro perfil de profissional: não apenas alguém com domínio
específico da área, mas que tenha também capacidade de
comunicação oral e escrita; de leitura e interpretação do que lê; de
base para atividades que exijam método, ordem e lógica; enfim,
capacidade de pesquisar, de aprender a aprender, entre outras
coisas.

Ao fazer opção por esta modalidade de ensino, você faz uso de


uma das possibilidades oferecidas pela atual era digital. É
fundamental que sua postura não seja a de um aluno passivo, mas
que assuma a sua aprendizagem, que, de forma autodidata, construa
seu conhecimento a partir da reflexão sobre alguns pontos que serão
propostos e participação efetiva nas atividades, discussões e
avaliações. Para a concretização de sua aprendizagem, é

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fundamental que assuma a postura de um aluno mais ativo,
interativo, autônomo, com iniciativa, auto-organizado, motivado,
questionador, investigativo.

O objetivo deste material é servir-lhe de apoio para “aprender


a aprender”: assim, diante de tanto conteúdo que o século XXI lhe
oferece, aprender a distinguir o que é importante, necessário e de
valor, para que informações transformem-se em conhecimento,
possibilitando-lhe desenvolver competências (conhecimentos) e
habilidades (saber fazer) as quais são exigências impostas pelo
mundo atual.

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Como estudamos a distância?

Quanto ao conteúdo:

No horário escolhido por você, você deve acessar o nosso


ambiente virtual de aprendizagem (AVA) e no tópico "Aulas" ir
cumprindo o Conteúdo Programático do curso.

Semanalmente, a nossa equipe alimentará esse conteúdo e


novas aulas ficarão disponíveis para vocês.

Obs.: Durante todo o curso, vocês terão acesso ao conteúdo já


colocado, tornando possível rever conteúdos mal compreendidos,
bem como deixar algum assunto menos atrativo para mais tarde.

Quanto aos fóruns:

Essa parte é muito importante! Pode-se dizer que é a mais


importante no EAD. Sua participação nos fóruns de discussão é
fundamental!

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Semanalmente serão colocadas questões que devem ser discutidas
pelo grupo e pelo tutor. Juntos, aprenderão coisas novas e contarão
suas experiências.

Cada um pode escolher o melhor momento para participar do


fórum. O ideal é que vocês participem, no mínimo, uma vez por
semana.

O tutor participará diariamente, assim, se tiverem alguma


dúvida e colocarem no fórum, será respondida rapidamente.

Quanto à avaliação:

Outro ponto favorável no ensino a distância é que a avaliação


é de forma continuada. Isso significa que durante todo o período do
curso vocês estarão sendo avaliados.

O importante para ganhar os pontos relativos à participação


em fórum não é apenas colocar uma mensagem, mas o quanto o
conteúdo colocado vale para construção do conhecimento do grupo.

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Critérios de avaliação:

Durante o semestre, as notas serão computadas da seguinte


maneira:

Nota1:

 Avaliação I = 6.0

 Participação nos fóruns = 2.0

 Atividades do Módulo1 = 0.5

 Atividades do Módulo2 = 0.5

 Avaliação Integrativa de conhecimentos gerais = 1.0

A média para o primeiro bimestre é a soma de cada item e deve


ser igual ou superior a 6.0

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Nota2:

 Avaliação II = 6.0

 Participação nos fóruns = 1.5

 Atividade do módulo3 = 0.5

 Atividade do módulo4 = 0.5

 Atividade do módulo5 = 0.5

 Avaliação Integrativa de conhecimento específico = 1.0


(observem que, aqui, a integrativa de conhecimento específico
também vale 1.0 ponto)

A média para o primeiro bimestre é a soma de cada item e deve


ser igual ou superior a 6.0

A média final é a média aritmética entre as notas 1 e 2 e está


aprovado o aluno que obtiver nota igual ou superior a 6.0

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(continuam contando com o critério de arredondamento). Então,
precisam apenas de 5,75 para aprovação!!

Acompanhamento do Professor-Tutor:

Vocês poderão colocar suas dúvidas nos fóruns, local onde


todas as discussões serão acompanhadas. Além disso, poderão
mandar uma mensagem particular (através do link “Mensagens ao
professor/tutor” - funciona como um e-mail dentro do nosso
ambiente virtual de aprendizagem) sempre que quiserem
privacidade para o assunto abordado. O tutor terá prazer em ajudá-
los no que for preciso.

Ainda poderão falar com o tutor através do Chat. No tópico


chat, bem como no calendário, você encontra as datas das próximas
sessões. Lembre que para os chats as sessões acontecem em horário
marcado.

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O curso foi estruturado em conteúdos semanais. No entanto, a
grande vantagem do EaD é que o aluno pode (e deve) gerir o seu
tempo. Assim, você pode escolher o melhor momento para estudar!

Para facilitar, semanalmente serão disponibilizadas as


atividades daquela semana como sugestão. Para isso, será utilizado
o fórum de avisos.

Basta acessar o fórum de avisos para conhecer a proposta de estudo


para aquela semana!

Suporte Técnico

Temos a equipe do Suporte Técnico dedicada a sanar dúvidas


de todos os alunos. Para entrar em contato com eles, podem se

servir deste ambiente, enviando Mensagem ao Suporte Técnico.

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Para começar

I - Preencha o seu perfil;

O preenchimento do perfil de cada um é muito importante,


pois é através dele que vamos conhecer a nossa turma. Não se
esqueça de colocar uma foto sua no seu perfil!

Para preencher o seu perfil, siga os seguintes passos:

1. Faça acesso ao sistema – No menu inferior, localize o

ícone Meu Perfil .

2. Após clicar em Meu Perfil, clique a seguir em Editar

Meu Perfil ou no ícone .

3. Preencha com as suas informações.

Lembre: a maioria das informações estão integradas ao


Sistema Acadêmico e não podem ser alteradas, a não ser através da

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Central Acadêmica (CA). Você pode inserir uma descrição e postar
foto. Para adicionar a foto clique em adicionar , clique em enviar
um arquivo, escolha seu arquivo no computador.

4. Para finalizar clique em “Atualizar Perfil”

Obs.: Use esses primeiros dias para conhecer nosso Website,


navegando livremente. Procure conhecer todas as funções do AVA.

II - Envie uma mensagem de boas-vindas aos colegas.

Responda ao tópico de boas-vindas, apresentando-se aos


colegas. Coloque suas informações pessoais e profissionais, sua área
de atuação e as expectativas para o curso.

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FACULDADE DE JAGUARIÚNA
2014
MÓDULO METODOLOGIA DA PESQUISA
I CIENTÍFICA

23
Módulo 1

O pesquisador e a comunicação na sociedade do


conhecimento

Introdução

O mundo atual mudou, trazendo novas exigências, mas


também disponibilizando ferramentas antes não conhecidas. A
sociedade contemporânea passou a ser digital e altamente
tecnológica e cobra bom desempenho no ler, interpretar, escrever e
contextualizar problemas.

Se antes bastava ter conhecimentos memorizados, para repeti-


los nas situações oportunas, agora é exigência encontrar respostas
para fazer frente a um mercado cada vez mais questionador e
competitivo. Pensar criticamente e encontrar soluções inovadoras
passaram a ser vitais para a saúde e sobrevivência pessoal e
profissional.

24
Se antes bastava mandar para ser obedecido, agora é preciso
ser líder, ser um comunicador eficiente. Para ser líder, é preciso
treino e observação; para ser um bom comunicador, faz-se
necessário saber argumentar de forma clara e de acordo com o
público a que se dirige, adequando-se a situações formais e
informais.

Se antes bastava dominar os conhecimentos específicos de


uma determinada área, agora, diante da velocidade com que as
informações se reformulam, é preciso dominar ferramentas que
capacitem o indivíduo a buscá-los nos momentos em que se fazem
necessários.

Portanto, exige-se que o cidadão, movido pela mola da


renovação, seja antes de tudo um pesquisador, que se eduque
constantemente através da pesquisa, que faça dela uma alavanca da
aprendizagem e que a utilize como método de atualização e de
reconstrução do conhecimento. Que se comunique com os

25
diferentes níveis da sociedade e em circunstâncias variadas de forma
eficaz; que, por fim, seja um indivíduo comprometido com a solução
dos problemas que o circundam, quer da sociedade local quer da
esfera global.

Século XXI: Qualificações esperadas do profissional

Na era da sociedade do conhecimento, “formar” consiste em


fazer de alguém o sujeito de seu processo de aprendizagem, desafio
onde se mover da ação para a reflexão com retorno à ação e ser
participativo definem-se como essenciais. O aprender não se
configura como repetição de conceitos, mas sim como a capacidade
de ler e interpretar situações problemas.

Exige-se do pesquisador: saber buscar, pesquisar utilizando


sites confiáveis, pensar criticamente, ter capacidade de elaborar
bons questionamentos, construir argumentos e comunicar de forma
adequada em diferentes contextos.

26
Pensar criticamente, elaborar bons questionamentos e
construir argumentos.

Aprender a pensar é decisivo para se situar de forma autônoma


na sociedade, caso contrário, não se é guiado pela opinião própria e
se está condenado a repetir modelos e fórmulas que se superam
rapidamente. Autonomia supõe a não permissão para ser utilizado
como “massa de manobra”, impondo-se pelo convencimento e
fundamentando-se no colaborar, cooperar, conviver.

Pensar criticamente traz uma vantagem: ao avaliar ideias e


argumentos, dificilmente se é manipulado pela quantidade enorme
de informação que se encontra disponível todos os dias.

Não é uma tarefa fácil; aprender a pensar criticamente requer


tempo e dedicação. Diferente do que muitos consideram, fazer uma
análise crítica de um artigo ou argumento não é ser negativo,
apontar apenas as falhas; é sim, avaliar e analisar a qualidade dos
argumentos apresentados, identificar os pontos de desacordo e

27
saber contra-argumentar de forma consistente, com base em
conhecimentos sólidos e comunicados através de ideias organizadas.

O pensamento crítico ensina disciplina mental, organiza as


ideias, facilita a tomada de decisões e o manejo adequado da
informação:

Quem aprendeu a pensar como cientista e a usar o


método científico tem um raciocínio mais enxuto e
rigoroso. As perguntas são mais bem formuladas e já
facilitam a busca sistemática das respostas. Não importa
o assunto (mas, obviamente, uma boa base científica
apenas dá a embocadura para entrar com segurança no
assunto, não substitui o conhecimento específico). Só
falta dizer que há uma enorme diferença entre aprender
a pensar como um cientista e decorar fórmulas, teoremas
e leis. (CASTRO, 2009)

28
Para Moraes; Galiazzi; Ramos (2002), “a pergunta, a dúvida, o
problema desencadeia uma procura. Leva a um movimento no
sentido de encontrar soluções. [...] perguntar, questionar é o
movimento inicial da pesquisa”.

Na construção do conhecimento, a curiosidade, revelada pelo


questionar, é fator essencial. A capacidade de elaborar questões é
pedra fundamental do pensamento crítico e é básica para aprender
a aprender.

Segundo Bartels (2013, p.16), “Aprender a fazer boas


perguntas influencia a qualidade da pesquisa científica das pessoas”,
pois quando elas aprendem a considerar questões como “E se?” e
“Como é?” têm sua capacidade de investigação estimulada e passam
a ter mais empenho na elaboração das perguntas, tornando-as mais
abrangentes, com preocupação de causa e efeito, com mais
questionamento e mais atenção aos resultados. Bartels (op.cit.),
refletindo sobre pesquisas realizadas, há mais de uma década, nos
Estados Unidos, junto a alunos do 5° ano e de faculdade, retoma a

29
ideia de que os erros enriquecem o aprendizado, pois, ao se
refazerem as questões diante de experimentos, fazem-se
descobertas. Acrescenta, ainda, a necessidade de se tolerar melhor
o fracasso, dar mais tempo para a elaboração e perseguição das
perguntas, pois essa é uma capacidade que precisa ser adquirida
pelas pessoas, uma vez que a sociedade depende dela para tomar
decisões em tarefas simples e ou complexas de seu cotidiano.

O questionamento sistemático e reconstrutivo pode contribuir


para a construção de novos argumentos, mas para que eles se
construam é necessário definir o foco, o problema e coletar
informações capazes de alimentar o processo: argumentar sobre
fatos, problemas e situações desafiadoras, tanto oralmente como
por escrito, é uma competência que precisa ser estimulada e
desenvolvida.

A problematização do conhecimento ajuda na construção da


autonomia, conduz o cidadão a se tornar sujeito de seu aprender;
contudo, este processo não pode ser ensinado, precisa ser

30
vivenciado. À medida que os desafios são colocados e as respostas
são encontradas, vivencia-se um processo que possibilita novos
argumentos, novos conhecimentos, maior confiança nas próprias
iniciativas, ou seja, cresce-se em autonomia e em independência.

Ter boas ideias, boas soluções não é tarefa de “gênios”, de


pessoas superdotadas, pois elas dependem muito mais de empenho
do que de inspiração:

 É preciso reservar tempo para pensar;


 Não ter pressa, pois algumas ideias precisam de um tempo de
incubação; muitas vezes tem-se que retornar à mesma ideia e
fazer adaptações e novas combinações;
 Alimentar a curiosidade, fazer indagações, interessar-se pelos
porquês;
 Buscar formas de encontrar pessoas que estejam conectadas
com nossas ideias; “somar” ideias pode ser uma excelente
estratégia;
 Fazer anotações provisórias; anotar tudo, para depois
combinar as ideias ou reorganizá-las;

31
 Não ter medo de errar; aprende-se muito refletindo sobre os
próprios erros, conhecendo suas causas e buscando outras
alternativas.

Aprender a fazer uso da informação

Uma boa ideia não é obrigatoriamente uma ideia complexa:


muitas vezes, os problemas se resolvem através de soluções, de
argumentos simples. Para se argumentar com propriedade é preciso
ter conhecimento - a melhor saída está sempre no estoque de
conhecimentos armazenados, daí a importância e necessidade de se
pesquisar para aumentar o arsenal de informações.

Atualmente, dada a velocidade com que tudo se renova, ficou


impraticável o domínio de todas as informações existentes, mesmo
que seja de uma área específica. Em decorrência disso, mais do que
conhecer tudo, é vital conhecer as ferramentas que possibilitem o
acesso e uso das informações nos momentos em que se fazem
necessárias. Isto requer habilidade de acessar, selecionar, analisar e

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interpretar a informação para que ela se transforme em um novo
conhecimento. Portanto, não basta colocar umas palavras no
“Google”, acessar o primeiro site que aparece na lista disponibilizada
e copiar e colar.

Adequação da comunicação de acordo com a finalidade, os


receptores e os diferentes contextos.

Atualmente, domínio apenas da área específica não é mais


suficiente. O século XXI, portador de uma multiplicidade de
linguagens, traz como necessidade o saber ler, interpretar e se
expressar nas diferentes linguagens presentes nas práticas sociais:
verbais, não verbais, numéricas, as dos ambientes virtuais como, por
exemplo, o e-mail, os chats (salas de bate-papo), os blogs e os fóruns
on-line (espaços de opinião e debate).

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Passou a ser necessidade possuir hábitos de leitura e de
estudo; dominar técnicas diferenciadas de leitura de acordo com o
objetivo pretendido, bem como os procedimentos específicos para
cada propósito; ter capacidade de interpretação do que se lê;
expressar-se através de estruturas organizadas, com sequência,
coerência e ligação lógica das ideias; preocupar-se com
concordâncias verbais e nominais elementares; observar regras
ortográficas de uso frequente e regências de verbos de uso habitual;
fazer uso de maiúsculas e das regras básicas de acentuação, apenas
para citar alguns aspectos essenciais.

Dizer alguma coisa para alguém, de uma determinada forma,


em uma determinada situação é fazer uso da linguagem, ferramenta
preferencial de participação nos movimentos sociais. O diálogo, a
leitura, a escrita, a elaboração e negociação de argumentos
fundamentados são instrumentos através dos quais o homem
participa das diferentes práticas da sociedade. Para que a
comunicação aconteça, há necessidade, por exemplo, de se fazer
algumas escolhas em relação às estruturas de organização das ideias

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e ao vocabulário, considerando, para citar alguns elementos
essenciais, o grau de familiaridade que se tem com o interlocutor,
sua cultura, o objetivo pretendido, o contexto em que se encontra
etc.

À medida que comunica, que lê, que estuda, que escreve, é


muito produtivo o estudante estar atento a competências e
habilidades para buscar o “conhecimento” e o “saber fazer”
pretendidos. Algumas pertinentes a Cursos de Ensino Superior:
desenvolver a competência textual, estruturando as ideias de maneira

organizada; conhecer técnicas de leitura e de interpretação de textos;

reconhecer características de diferentes tipos de textos; elaborar


sínteses de ideias contidas em fontes acadêmicas e não acadêmicas;
argumentar com fundamentação; preocupar-se com a qualidade da
comunicação oral e escrita, vendo-a como elemento facilitador nas
relações interpessoais e empresariais; aplicar técnicas e
fundamentos aprendidos, para solução de problemas de
comunicação oral e escrita; elaborar produções orais e escritas,
acadêmicas e não acadêmicas, preocupando-se com a norma culta

35
da língua, a finalidade, os receptores e os diferentes contextos em
que estão inseridas; valorizar a leitura e interpretar o que lê.

É preciso que cada um faça o diagnóstico de suas defasagens,


busque vencê-las de forma consciente e também as avalie durante o
processo. Traz bons resultados ir, concomitantemente, monitorando
a qualidade:

- da comunicação. Ex: O receptor compreendeu a mensagem?


O que se espera que ele faça após o contato com o texto? Ele foi
capaz de dar a resposta esperada? Houve ruídos (interferências) na
comunicação? Como eles poderiam ser eliminados?

- da compreensão do que está lendo e tomar medidas quando ela


falha. Ex: Estou entendendo o que o autor está dizendo? Não
consegui perceber qual sua ideia principal; preciso, portanto, reler o
período. Desconheço o sentido desta palavra que é chave no
parágrafo, não é possível deduzir pelo contexto, logo, vou precisar
consultar um dicionário.

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- da produção de texto (oral e escrito). Ex: O texto que está sendo
produzido está claro? Adequado à situação comunicativa, à
finalidade e ao receptor? Lógico? Há sequência? Não há muita
repetição? As ideias estão bem estruturadas? O grau de (in)
formalidade está adequado à situação de comunicação? Há
conectivos estabelecendo a coesão entre os parágrafos? A norma
gramatical está observada? Os argumentos são válidos?

Resumindo: A competência de uma pessoa também se revela


a partir do modo como ela se comunica, como fala e como escreve e
este é um processo que precisa ser monitorado com frequência, para
que melhorias surjam em consequência de medidas concretas de
intervenção.

Adequação de linguagem e a comunicação

Será que se fala ou se escreve da mesma forma:

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 Independente do objetivo pretendido?

 Com qualquer que seja a pessoa que nos escuta ou lê?

 Em qualquer situação?

NÃO, a linguagem precisa ser adequada:

 aos receptores
 à finalidade
 aos diferentes contextos

Quando se quer interagir com certo público-alvo é fundamental


adequar a linguagem a ele, caso contrário, a chance de problemas
com a comunicação é significativa. Quando não há adequação, corre-
se o risco de não se ser aceito e de não haver interesse pelo
conteúdo.

Além disso, NÃO SE ESCREVE COMO SE FALA. A fala e a escrita


exigem conhecimentos diferentes - ao falar, as pessoas recorrem a

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recursos como: gestos, expressão facial e corporal, entonação, pode-
se pedir para repetir o que foi dito, etc. Já, como a linguagem escrita
não conta com esses recursos, deve recorrer a sinais de pontuação,
por exemplo, e é preciso explicitar melhor o que se quer. Geralmente
deve ser mais cuidada em relação às regras gramaticais,
principalmente em se tratando de situações mais formais, mas nem
por isso a escrita é mais complexa e a fala mais simples. O grau de
formalidade tanto no uso da linguagem oral quanto na escrita
depende do ambiente em que se encontra o falante, do objetivo a
atingir, de quem são os ouvintes.

Nossa cultura é predominantemente oral, pois se fala muito e


se escreve pouco. A comunicação oral é menos exigente do que a
escrita; desde que se consiga comunicar algo, aceita- se que se digam
as coisas de qualquer modo. No entanto, é inaceitável escrever com
erros e com falta de clareza: escrever implica em organização do
pensamento e de sua materialização através da escrita.

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Há situações que exigem uma fala mais elaborada, preocupação
com vocabulário e organização mais próxima da escrita; porém, é
mais frequente usá-la na linguagem do dia-a-dia (linguagem
coloquial). Na escrita, isto também ocorre: situações em que há
necessidade de se utilizar um texto mais formal, de acordo com a
norma culta da língua e situações em que se usa uma escrita mais
pessoal, como no caso de um bilhete ou carta a um amigo próximo.

Linguagem adequada ou inadequada?

Há tempos atrás, entendia-se que falava e escrevia bem quem


observasse o padrão imposto pela gramática normativa, o chamado
nível ou padrão formal culto. Quem fugisse desse padrão cometia
em erro, não importando o quê, para que e para quem se estivesse
falando ou escrevendo.

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Qualquer que fosse o interlocutor, o assunto, a situação, a
intenção do falante/ escritor, era o padrão formal culto que deveria
ser seguido. Hoje, este conceito foi alterado: entende-se que o uso
que cada indivíduo faz da língua depende de várias circunstâncias:
do que vai ser falado/ escrito e de que forma, do contexto, do nível
social e cultural de quem fala/escreve e de para quem se está
falando/ escrevendo. Isso significa que a linguagem do texto deve
ser adequada à situação, ao interlocutor e a intencionalidade do
falante.

Exemplificando: Descrever um robô para uma criança é


diferente de fazê-lo para um público especializado em automação;
narrar as etapas de um tratamento médico para um familiar é
diferente do que para uma enfermeira.

Ainda, para se tornar uma pessoa que se expressa bem em


língua portuguesa, é preciso saber quando empregar o nível culto ou
quando se deve usar o nível coloquial da linguagem. Adequar o nível

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de linguagem ao contexto e ao receptor é, pois, requisito básico para
se comunicar bem.

Com base nessas considerações, não se deve pensar a


língua pelas noções de certo e errado, mas pelos conceitos de
adequado e inadequado, que são mais convenientes e exatos,
porque refletem o uso da língua nos mais diferentes contextos. Não
se espera que um adolescente, assim se expresse em seu facebook:
“Vamos ao shopping assistir a um filme hoje?”; por outro lado é
aceitável: “Vamos no shopping assistir um filme hoje?”. Também não
seria adequado a um aluno universitário se manifestar em textos
acadêmicos com linguagem popular e com erros gramaticais.

O que determina o nível de linguagem empregado é o meio


social no qual o indivíduo se encontra. Portanto, para cada ambiente
sociocultural há uma medida de vocabulário, um modo de se falar,
uma entonação empregada, uma maneira de se fazer as
combinações das palavras, e assim por diante.

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Falar/Escrever conforme a norma culta é um requisito para
qualquer profissional de nível universitário que pretenda se destacar
em sua profissão. O domínio eficiente da língua, em seus variados
registros e em suas inesgotáveis possibilidades de variação, é uma
das condições para o bom desempenho profissional e social.

Como a pesquisa exige o argumentar criticamente e de forma


fundamentada, pressupõe um papel central da escrita, pois seu
aprofundamento de estudos ocorre com base na linguagem,
exigindo, de forma permanente, interpretações especialmente, na
fase de reunião de informações e na expressão dos resultados. Ao
longo da produção escrita, tanto descritiva como interpretativa,
procura-se exercitar a explicitação de argumentos fundamentados.

Ao submeter os argumentos ao grupo, cada um vai


consolidando o seu conhecimento, ou seja, para que o
conhecimento em processo seja validado ele precisa ser submetido
à prova e à crítica. Enquanto houver questionamentos e
contestações, novos argumentos deverão ser apresentados para

43
clarear o entendimento do grupo, o que desenvolve não apenas o
processo de comunicação, como também a crítica, elemento
essencial para o avanço do conhecimento.

Dialogar, aprender a ouvir, defender ideias, aceitar


críticas, reformular argumentos são movimentos
necessários e imprescindíveis para o aprender. Sendo
movimentos intrínsecos da pesquisa, isso reforça a nossa
argumentação da indissociabilidade entre o aprender e o
pesquisar (MORAES; GALIAZZI; RAMOS, 2002, p.10).

Ler e interpretar: como avançar no domínio

É preciso ampliar o conceito de leitura: há muitos


conhecimentos de leitura que não se restringem ao domínio do
código alfabético, como por exemplo, a capacidade de distinguir
diferentes tipos de texto (acadêmicos, não acadêmicos,
empresariais, informativos, de convencimento, poéticos,

44
instrucionais, etc.) e diferentes suportes textuais (livros, revistas,
jornais, bem como a grande variedade que o mundo digital oferece).

Quando se abrem livros, quando se olham as revistas de


divulgação científica, vê-se que são portadores de muito mais que
apenas textos escritos. São vistos desenhos, fotografias, diagramas,
mapas, tabelas, páginas impressas com tipos e tamanhos diversos de
letras, cores variadas, negritos, portadores de significados que é
preciso aprender a ler: quer como leitores quer como escritores,
necessário se faz perceber esse universo visual.

Para um estudante de nível universitário, o hábito da leitura é


essencial como fator de estudo, permitindo a ampliação do
conhecimento, a abertura de novos horizontes, a ampliação do
vocabulário e melhor compreensão de conteúdos. (MARCONI e
LAKATOS, 2003)

Também no mundo empresarial, a capacidade de ler, escrever


e se comunicar vem sendo valorizada. Pesquisas recentes vêm
demonstrando, inclusive, que a ascensão profissional também está

45
ligada à quantidade de vocabulário que o profissional domina, daí a
necessidade de ler revistas, jornais, livros de ficção, não ficções,
textos técnicos da área, etc. Se falta tempo para ler, recomenda-se
ter sempre algo em mãos e aproveitar oportunidades como:
engarrafamentos, salas de espera, minutinhos antes de dormir. Se
ainda não foi criado o gosto pela leitura, isto precisa acontecer, pois
seus resultados trazem um grande diferencial nas carreiras. A
sugestão é iniciar aos poucos, com o tipo preferido, com textos mais
fáceis e até mais curtos e, aos poucos, ir aumentando o nível de
dificuldade/ complexidade.

Como visto, a leitura é uma necessidade: é preciso ler sempre


e ler com um objetivo, para sanar uma necessidade. Ler de
diferentes formas. Marconi e Lakatos (2003, p.21) apresentam cinco
tipos de leitura, cujo conhecimento é muito produtivo, pois além de
se prestarem a diferentes objetivos, também indicam os
procedimentos específicos que cada um destes tipos de leitura
requer:

46
Scanning – procura de certo tópico da obra, utilizando o índice ou
sumário, ou a leitura de algumas linhas, parágrafos, visando
encontrar frases ou palavras-chave.

Skimming – captação da tendência geral, sem entrar em minúcias,


valendo-se dos títulos, subtítulos e ilustrações, se houver; deve-se
também ler parágrafos, tentando encontrar a metodologia e a
essência do trabalho;

Do significado – visão ampla do conteúdo, principalmente do que


interessa, deixando de lado os aspectos secundários, percorrendo
tudo de uma vez, sem voltar;

De estudo ou informativa – absorção mais completa do conteúdo e


de todos os significados, devendo-se ler, reler, utilizar o dicionário,
marcar ou sublinhar palavras ou frases-chave, fazer esquemas e
resumos.

Crítica – estudo e formação de ponto de vista sobre o texto,


comparando as declarações do autor com todo o conhecimento

47
anterior de quem lê; avaliação dos dados e informações no que se
refere à solidez da argumentação, sua atualização e também
verificação se estão corretos e completos.

Um leitor competente só pode constituir-se mediante uma


prática constante de leitura de textos de fato, a partir de um trabalho
que deve se organizar em torno da diversidade de textos que circula
socialmente. Do profissional, bem como do cidadão de hoje é
cobrado o conhecimento das características de texto acadêmico e
não acadêmico, para que a expressão ocorra de forma adequada,
formal ou informal e fazendo uso do gênero apropriado à situação e
ao interlocutor.

Marconi e Lakatos (2003) apresentam algumas técnicas que


auxiliam a absorção mais completa de conteúdo e de todos os
significados, quando se tem à frente uma leitura de estudo ou
informativa, recomendando leitura, releitura, utilização de
dicionário, sublinhar palavras ou frases-chave, elaborar esquema e
fazer resumos.

48
Competência textual: como elaborar um bom texto?

Para escrever é necessário fazer um esforço de organização das


próprias ideias, para que a comunicação tenha clareza para quem
escreve e para que os outros possam entender as mensagens.

Escrevendo adquire-se uma estrutura de linguagem mais


sofisticada, o que tende a contribuir para o desenvolvimento dos
conceitos científicos que são mais complexos.

Aprende-se a ler, lendo; portanto, é preciso ler com frequência.

Aprende-se a escrever, lendo e escrevendo; portanto, é


necessário ler com frequência, ler bons materiais, observar como
bons produtores de texto se expressam; escrever e reescrever, pois
um bom texto não é apenas fruto de inspiração, mas também de
planejamento, esforço e preocupação com melhorias.

Para produzir um bom texto, oral ou escrito, é produtivo


observar estas dicas:

49
Conhecer o assunto:

 Antes de escrever, é preciso conhecer o assunto.


 Imprescindível à leitura sistemática de materiais sobre o tema.

Selecionar as ideias:

 Deixar que elas fluam livremente, sem preocupação com


avaliação das mesmas.
 Selecionar as ideias, eliminando as que não são apropriadas.

Organizar as ideias

 Organização das ideias de forma coerente, em parágrafos


articulados entre si, usando os conectivos apropriados.
 Tópico frasal: garantir que cada parágrafo tenha uma ideia
central.
 Articulação lógica entre as três partes fundamentais:
introdução, desenvolvimento e conclusão.

50
Produção de texto

Como anteriormente afirmado, aprende-se a ler, lendo;


aprende-se a escrever, lendo e escrevendo. Somente isto já seria um
argumento forte para justificar a necessidade e importância da
leitura: ela é fundamental para se aprender a ler e a escrever. Em
outras palavras, uma boa estratégia para se desenvolver a
competência textual é mediante a leitura inteligente, observando
como escrevem bons autores: que artifícios utilizam, por exemplo,
para evitar repetições, para dar coesão às ideias, de que modo
argumentam, como finalizam seus textos, etc.

Constitui-se recurso valioso para a aprendizagem da


organização e estruturação das ideias, produzir textos oralmente a
partir do que se lê, buscando criar estruturas semelhantes às
produzidas por autores reconhecidos, as quais, após se tornarem
auditivamente familiares, surgem mais naturalmente nas produções
escritas.

51
Há sempre que se considerar para quem se destina o texto:
para um leitor especializado ou para um leitor comum. Este último
precisa ser cativado; diferentemente do leitor especializado que
precisa ser convencido com base em argumentos sólidos, não
bastando apenas uma história atraente.

Blikstein (1999) destaca alguns “ganchos” para agarrar o leitor:

- Sugere a utilização de mensagens frias (as que solicitam


pouco o raciocínio) sempre que possível; recomenda as mensagens
quentes (as que solicitam bastante o raciocínio) para receptores
mais especializados.

- Ressalta o poder das imagens, as quais podem valer por


muitas palavras; segundo ele, não adianta falar ou escrever muito, é
melhor mostrar.

A mensagem icônica (que utiliza ícones, imagens) é


compreendida rapidamente, no seu global, tendo a vantagem de
comunicar um máximo de informações ou significados com um

52
mínimo de signos; já a mensagem escrita é formada de palavras, que
são signos lineares (percebidos na sequência e não no total). No
entanto, pode se conferir a essa mensagem um pouco de
visualização, através do uso de técnicas que podem tornar o texto
mais compreensível: primeira técnica - ter concisão e economia;
segunda técnica - planejar com coerência e ter o objetivo à vista;
terceira técnica - cuidar da disposição visual.

- No terceiro gancho, aconselha a comover e assustar o leitor,


temperar o texto com elementos emotivos e poéticos, a fim de atrair
a simpatia do leitor.

Níveis de linguagem

Para efeitos didáticos, vamos considerar, por agora, apenas


dois níveis de linguagem, embora existam outros:

53
 o informal ou coloquial: usado mais comumente em conversas
entre amigos, com conhecidos mais íntimos;

 o formal ou culto: usado em situações de maior cerimônia,


quando devem ser observadas as normas gramaticais.

A linguagem informal está presente nas mais diversas


situações: conversas familiares ou entre amigos, anedotas,
irradiação de esportes, programas de TV (sobretudo os de auditório),
novelas, expressão dos estados emocionais, etc. É aquela usada
espontânea e fluentemente pelo povo. Mostra-se quase sempre
carregada de vícios de linguagem: erros de regência e concordância;
erros de pronúncia, grafia e flexão; ambiguidade; cacofonia;
pleonasmo; expressões vulgares; gírias e preferência pela
coordenação, que ressalta o caráter oral e popular da língua.

Formal é a modalidade de linguagem que deve ser utilizada em


situações que exigem maior formalidade, sempre tendo em conta o
contexto e o interlocutor. Caracteriza-se pela seleção e combinação

54
das palavras, pela adequação a um conjunto de normas, entre elas,
a concordância, a regência, a pontuação, o emprego correto das
palavras quanto ao significado, a organização das orações e dos
períodos, as relações entre termos, orações, períodos e parágrafos.

É aquela ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências em


que se apresenta com terminologia especial. É usada pelas pessoas
instruídas das diferentes classes sociais e caracteriza-se pela
obediência às normas gramaticais. Mais comumente usada na
linguagem escrita e literária, reflete prestígio social e cultural. Está
presente nas aulas, conferências, sermões, discursos políticos,
comunicações científicas, noticiários de TV, programas culturais etc.

Deve-se ficar atento para não utilizar, na redação de textos na


universidade ou na empresa, elementos próprios da linguagem
informal e, portanto, inadequados à linguagem acadêmica ou
empresarial. Repetindo, então, para cada situação linguística, há
uma linguagem adequada.

55
A Linguagem do bom texto

Uma das qualidades do bom texto é justamente o capricho na


linguagem. Evite repetições, usando sinônimos. Ex:

 O turismo em minha cidade dá bons frutos. (Produz).


 Faz-se necessário que ele dê uma solução. (Apresente).
 Eles deram atenção ao menor abandonado. (Dedicaram).
 Os jornais deram a notícia. (Publicaram).

Ferramentas de acesso e uso da informação: como utilizá-las


para realizar pesquisas

Quer em pesquisa a livros e revistas especializadas, quer a sites


na internet não basta copiar de uma fonte: é preciso consultar pelo
menos três fontes e elaborar uma análise mais pessoal do texto.

Uma das dificuldades é saber trabalhar com a extensão da


informação e a variedade das fontes de acesso: informações demais
acarretam a dificuldade em escolher quais são significativas. A
aquisição da informação, dos dados precisa depender menos do

56
professor e mais das tecnologias que podem trazer dados, imagens,
resumos de forma rápida e atraente e cabe ao aluno interpretar
esses dados, relacioná-los e contextualizá-los. Atenção: a
informação só se transforma em conhecimento quando o sujeito se
apropria dela, quando ela se torna significativa para ele- o
conhecimento se constrói.

O sucesso de uma boa busca depende da forma como a pessoa


realiza a sua pesquisa. Quer em sites, quer em fontes impressas,
além de localizar informações aparentemente úteis, é necessário ler
atentamente os conteúdos, selecionar os melhores, avaliar e
comparar a qualidade dos dados apresentados e verificar se as
fontes são confiáveis.

É preciso ter critérios em relação às fontes. É preciso prestar


atenção a detalhes como credibilidade, informações atualizadas, etc.
Analisar também a informação, a qual deve estar adequada ao nível
do estudante: por exemplo, um site pode ser muito bom para
estudantes de ensino médio, mas pode ser insuficiente para um que

57
esteja cursando ensino superior. Não esquecer: se se pesquisou e se
citaram dados ou informações de uma determinada fonte, deixar
clara a autoria do que foi registrado. Verificar ainda se há alguma
restrição de uso.

Fica, aqui, a sugestão de leitura do especial da Biblioteca


Virtual “Como pesquisar na internet”, o qual traz também um bom
vídeo que aborda estratégias de pesquisa na internet com excelentes
dicas de navegação (Disponível em: <
http://www.bibliotecavirtual.sp.gov.br/especial/200908-
pesquisanainternet.php)

Dica importante: TENHA FOCO – Não se perca na navegação – diante


de tantas coisas interessantes não é nada difícil afastar-se do foco!
Não se deixe arrastar para áreas de interesse pessoal, nem perca
tempo com informações pouco significativas. Tenha bom senso, não
se detenha diante de todas as possibilidades, selecione, dentre
rápidas comparações, as mais importantes.

58
Segundo Moraes; Galiazzi; Ramos (2002), os alunos devem ser
incentivados a pesquisar em todas as fontes possíveis na busca de
argumentos:

Recursos como livros didáticos e paradidáticos, revistas,


dicionários, enciclopédias, softwares educativos e a Internet podem
contribuir sobremaneira para a construção de novos argumentos.
Além disso, experimentos orientados ou exploratórios, coleta de
informações na comunidade, filmes sucedidos de debate e reflexão,
simulações acerca da tentativa de solução de problemas reais,
simples ou complexos, percebidos na comunidade e, inclusive, a
exposição de temas pelo professor ou por especialistas são
alternativas importantes que podem contribuir para a construção de
novos argumentos para tentar abordar uma situação problema e
teorizar sobre ela.

Em passado bastante próximo, o local privilegiado para a


localização de fontes de pesquisa era a biblioteca. No entanto, na
atualidade, em virtude da grande disseminação de materiais

59
bibliográficos em formato eletrônico, faz-se necessário que as
pesquisas sejam feitas também por meio de bases de dados e
sistemas de busca.

Na rede mundial de computadores, há diversos sites de busca


grátis e, em meio às fontes de informação disponíveis, é preciso
saber selecionar as que são confiáveis. As extensões. .gov
(governamentais), .org (instituições sem fins lucrativos) e .edu
(universidades, fora do Brasil) oferecem conteúdos de credibilidade
e são bastante indicadas. A extensão .com é a mais comum; abriga
sites de jornais e revistas, mas é importante observar quem é o
responsável, que pode ser conhecido através do link “Quem somos”.
Importante lembrar que nem tudo o que está disponível nesta
extensão é de qualidade.

60
Indicação de algumas fontes confiáveis

Portal EBSCO - Biblioteca da FAJ – Artigos Nacionais e


Internacionais. Link: http://www.faj.br/f.aspx?id=323

Scielo: Scientific Electronic Library Online. Publica textos


completos de revistas brasileiras na Web. Link: http://www.scielo.br

Portal Periódicos da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento


de Pessoal de Nível Superior) – Publicações Internacionais.
Link:http://www.periodicos.capes.gov.br.ez100.periodicos.capes.g
ov.br/index.php?option=com_phome

Portal DOMINIO PUBLICO - Artigos, dissertações e teses


nacionais

Link:http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraFor
m.jsp

GOOGLE ACADÊMICO - Artigos, dissertações e teses nacionais.


Link: http://scholar.google.com.br

61
BIBLIOTECA DA USP - Artigos, dissertações e teses nacionais.
Link: http://www.teses.usp.br

BANCO de teses e ESPECIAL teses disponibilizados pelo


Universia. Link: http://www.universia.com.br

Sites de busca:

Os sites de revistas e de bibliotecas das universidades podem


ser encontrados com sistemas de busca como o Google, bastando
para isso colocar o nome da revista/ universidade que se procura.
Oferece também outras facilidades como - pesquisar por imagens:
www.google.com.br/imghp e em revistas acadêmicas:
http://scholar.google.com, varrer os principais jornais online:
Google News. Google Insights for Search mostra o que se pesquisa
no mundo e o Google Blogs pesquisa os blogs por assunto.

Guia com orientações práticas para pesquisa.


Link:www.yahoo.com.br/manual.

62
Sites que reúnem links sobre assuntos:
www.geocities.com/mssilva , www.prossiga.br/comoachar.

Outras indicações:

http://www.aonde.com.br

http://www.dogpile.com

http://www.gigabusca.com.br

http://www.altavista.com

Dica para localização de artigos científicos com mais agilidade. Usar


a seguinte sequência para facilitar a seleção:

 1°: iniciar a busca valendo-se da escolha de uma palavra


significativa. Fazer a seleção, escolhendo um título que seja de
interesse;
 2°: ler as palavras- chave: elas aparecem abaixo do resumo e
indicam as ideias mais marcantes que serão desenvolvidas no
artigo;

63
 3°: recorrer ao resumo do artigo, onde serão encontradas
quatro informações essenciais: objetivo, metodologia,
resultados e conclusão.

Estes passos agilizarão bastante o processo de busca. Em


seguida, uma leitura pelos títulos e subtítulos, palavras destacadas
por negritos ou em fonte maior dará uma visão geral do que será
tratado.

Livros, jornais e revistas. Emissoras de TV e Rádio com


noticiários diários. Google, Wikipedia, Portais de notícias, Blogs,
Twitter, Orkut, Facebook. Dezenas de e-mails que trazem anexos. O
melhor modo para separar a informação necessária em meio a
muita inutilidade é utilizar o pensamento crítico.

O aprender e o pesquisar se confundem quando se acata o


argumento de que o conhecimento de cada indivíduo evolui na
medida em que se torna mais complexo. A ação individual e coletiva
dos alunos tem relação direta com a reconstrução de seus

64
argumentos frente a situações problemáticas, tendo como
referência o contexto sociocultural. O educar pela pesquisa traduz
uma abordagem de ensinar e aprender e procura, pelo diálogo, pela
problematização do conhecimento, pela construção de novos
argumentos e pela sua validação nesse coletivo, dar conta do
processo de aprender a aprender. (MORAES; RAMOS; GALIAZZI,
2002)

FINALIZANDO - AVALIE-SE:

 Tornou-se um comunicador mais competente? Um leitor mais


frequente? Um produtor de textos preocupado com a
qualidade na forma e conteúdo? Que medidas concretas você
tomou para melhoria de seu desempenho nestes três
aspectos?
 Comunica-se oralmente e por escrito de forma adequada,
adaptando a linguagem em função do contexto, dos objetivos
e do destinatário?
 Faz uso das ferramentas disponíveis nas fontes impressas e
digitais para localizar informações necessárias? Utiliza o

65
pensamento crítico para priorizá-las? Interpreta-as? Elabora
seu próprio texto?
 Está levando a sério ser UM PESQUISADOR e se EDUCAR PELA
PESQUISA?

66
Sugestão de Atividades

Para discussão em fórum:

 Por que aprender a fazer boas perguntas influencia a


qualidade da pesquisa científica das pessoas?
 Discuta a frase: É o uso que determina a linguagem a
ser utilizada.
 Apresente argumentos que justifiquem a afirmação:
O sucesso de uma busca depende dos procedimentos
que a pessoa utiliza para realizar a sua pesquisa.

Atividade:

Faça o diagnóstico de suas defasagens em relação a


sua capacidade de comunicação, de compreensão do que
está lendo e da produção de texto e proponha formas de
vencê-las.

Desenvolva o seu trabalho oferecendo seu


posicionamento e os fundamentos legais.

67
Referências

BARTES, Dennis M. Qual é a Sua Pergunta? Forum Scientific


American Brasil, maio 2013.

BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de comunicação escrita. São Paulo:


Ática, 1999.

CASTRO, Claudio de Moura. Academia de ginástica (mental). Revista


VEJA, Edição 2136, 28 out. 2009.

MARCONI, Marina de Andrade e LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos


de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

MORAES; R.; RAMOS; M. G.; GALIAZZI, M.do C. Pesquisar e aprender


em educação química: alguns pressupostos teóricos. Disponível em:
<http://foco.fae.ufmg.br/sbq-ensino/conteudo/w o r k s h o p _ 2 6
r a / w o r k s h o p - d i v _ e n s i n o - roque_moraes.doc>. Acesso
em: 24 maio 2013.

68
Anotações
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FACULDADE DE JAGUARIÚNA
2014
MÓDULO METODOLOGIA DA PESQUISA
II CIENTÍFICA

73
Módulo 2

Introdução

Afinal, o que é Ciência? A ciência pode ser considerada como


uma forma de pensar e também como uma forma de se trabalhar; é
uma atividade intelectual, através da qual é possível fazer
observações e recolher dados, que analisados podem ser utilizados
para que se compreenda o mundo. Ela é sistemática, rigorosa e
metódica: seus resultados precisam ser testados e seus testes
precisam ser confirmados.

Como seria o mundo sem a Ciência e a Tecnologia? Esse


interesse por compreender o mundo e os fenômenos da natureza
existe desde as culturas pré-científicas e é o que move o Homem a
buscar conhecimentos que sejam capazes de dar sentido à vida,
aprimorá-la e preservá-la. Ciência e Tecnologia estão intimamente
ligadas: a evolução da primeira leva à evolução da segunda que
novamente interferirá na primeira; o desejado é que ambas tenham

74
como prioridade o bem-estar da Sociedade, o que, infelizmente,
nem sempre ocorre.

Como se chega à verdade, ao conhecimento? Vivendo na era da


informação e do conhecimento, é esperado que você use os diversos
tipos de conhecimentos existentes (científico, religioso, prático e
filosófico) e se apoie em uma nova mentalidade, novas habilidades e
instrumentos. Espera-se, ainda, que tenha acesso a um cabedal de
informações que lhe permita ir além do apenas conjecturar, vendo
soluções, com base científica, para os problemas detectados em seu
entorno.

Por que se valoriza tanto a Criatividade? Perante a abundância


de oferta de produtos e serviços, as empresas precisam competir
com maior eficiência por consumidores mais exigentes. Para tanto,
elas têm que cortar custos e oferecer novidades de forma acelerada,
contexto em que vai se destacar quem conseguir criar mais e criar
bem, com utilização de método e técnicas adequadas.

75
É importante trabalhar/ pensar usando método? Com método,
(na forma de trabalho e no pensamento) somado a técnicas
apropriadas, você poderá ir à busca de respostas para o problema
constatado, usando argumentação plausível e coerente, trazendo,
consequentemente, benefícios para sua vida tanto profissional,
quanto social, afetiva e econômica.

A Ciência como atividade própria da comunidade científica

Através da Ciência, uma comunidade consegue ver além do que


percebe usando os órgãos do sentido (as percepções sensoriais) e
enxerga a verdadeira realidade, interagindo com as ideias e as
possibilidades do mundo. Consegue, ainda, a possibilidade de se
influenciar e ser influenciado pelas ideias e coisas do mundo, de
adquirir informações relevantes, de obter explicações, de explicar ou
de compreender o porquê e formar opiniões a respeito das coisas.

O chileno Ernesto Schiefelbein (2009, p.16), doutor em


educação pela Universidade Harvard, dedicado a pesquisas para

76
medir a eficácia de políticas públicas para a educação na América
Latina, assim se pronunciou em entrevista à Revista VEJA sobre a
realidade brasileira: "Para melhorar, o Brasil e os outros países
precisarão se aproximar mais da ciência – e se afastar dos achismos".
Ainda segundo ele, sobra intuição e falta ciência. Educadores e
políticos dos países da América Latina vêm, por décadas, tomando
decisões sem respaldo científico, razão pela qual acabam gastando
muito com medidas de pouco ou nenhum impacto na sala de aula.

Outro problema apontado pelo entrevistado: a memorização é


ainda o método utilizado por cerca de 80% dos professores nas
escolas públicas e particulares de países da América Latina, o que é

... temerário num mundo em que se demanda das


pessoas alta capacidade de análise e síntese. Piora
a situação saber que muitos dos professores
desconhecem parte da matéria que ensinam aos
alunos. Sabe-se que um estudante pode aprender
pela própria experiência, pela razão ou pela fé.

77
Infelizmente, é a fé que predomina na maioria das
escolas brasileiras, chilenas, colombianas...
Isso significa que os alunos absorvem as
informações por acreditar nelas – e não porque
foram convencidos pela razão. Que chances eles
terão de competir com um francês, a quem desde
cedo é estimulada a leitura dos clássicos, ou com
um alemão, a quem é dada a oportunidade de
aprender em laboratórios e museus? Muito
poucas. (SCHIEFELBEIN, 2009, p.16)

O pesquisador também destaca a importância de se ter a


criatividade como objetivo, uma vez que ela está na base da
investigação científica. No entanto, em países da América Latina,
como o Brasil, ser criativo é confundido com saber improvisar, o que
é, na verdade, fruto de despreparo, processo que nada tem a ver
com ciência.

78
Segundo publicação da Revista Época (2010, p.90), “... ser
criativo não é só ter ideias originais – é pensar em como torná-las
realidade”. Considera-se criativa a pessoa que tem ideias diferentes,
mas também práticas e utilizáveis; que trabalha, pensando em como
concretizá-las dentro dos limites do mundo real; que diante de
possibilidades que os outros não enxergam contribui com algo
original e útil.

Pesquisas têm apontado que, atualmente, as pessoas criativas


estão cada vez mais raras. É importante que cada um se empenhe
para adquirir esta competência, pois ela pode ser treinada e
melhorada. Boa notícia - há um caminho para se tornar mais criativo
- ter ideias e procurar aplicá-las, fazendo uso de doses de talento,
esforço, hábito e método.

79
O que é Ciência?

Mas, por que se valoriza tanto a criatividade? Que relação ela


guarda com a Ciência? E com a curiosidade? Afinal, o que é Ciência?

Normalmente associam-se cientistas a homens sábios, de


branco, com muitos anos de estudo, trancados em laboratórios,
afogados por fórmulas matemáticas. A partir dessa ideia, pensa-se
na ciência como algo enorme, responsável pela criação de aviões e
foguetes, pela projeção de computadores capazes de alto controle e
outras coisas similares muito distantes de nós e de nosso alcance. No
entanto, ela é simples: nasce de nossa vontade natural, de nosso
desejo de entender e explicar questionamentos, tendo, portanto,
tudo a ver com criatividade e curiosidade.

Ela nasce da observação curiosa de coisas e fatos que achamos


interessante e para os quais queremos respostas. Quando propomos
hipóteses de solução e fornecemos explicações testadas sobre tais
coisas e fatos que atraíram nossa observação, estamos fazendo
ciência, estamos tendo ações próprias de cientistas.

80
No entanto, para serem aceitas como científicas tais explicações
deverão, obrigatoriamente, ser submetidas a algum tipo de
experimentação que confirme sua correção e coerência. Tendo
ocorrida a confirmação, esta explicação será considerada válida até
que outras observações e estudos proponham uma explicação
melhor. Com isto, a Ciência abre um mundo para constantes
descobertas, uma vez que nenhum conhecimento é considerado
infalível e eterno: ele dura até que algo melhor substitua a explicação
anterior. Foi assim que se deixou de acreditar que o Sol girava em
torno da Terra: quando se observou, se testou e se comprovou que
era a Terra que girava em torno do Sol.

Entre as diversas definições existentes sobre Ciência, registra-


se, aqui, a de Trujilo (1974, p.8), considerada bastante precisa “A
Ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais,
dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado, capaz de
ser submetido à verificação”.

81
Tartuce (2006, p. 12) reforça a concepção de que a “Ciência é
um procedimento metódico cujo objetivo é conhecer, interpretar e
intervir na realidade, tendo, como diretriz, problemas formulados
que sustentam regras e ações adequadas à constituição do
conhecimento”.

Ciência e Tecnologia

A ciência e a tecnologia representam uma via de mão dupla para


o desenvolvimento, não apenas de uma nação, mas também do
indivíduo.

Não se podem negar as inúmeras contribuições que a Ciência


tem em nossas vidas, sendo difícil imaginar como seria a vida hoje
sem os avanços que ela propiciou. No entanto, vale ressalvar que
nem sempre as tecnologias têm trazido um impacto positivo, como
as armas de destruição e as pesquisas referentes à clonagem e à
manipulação genética, que têm levantado muitas discussões e
divergências.
82
O desenvolvimento científico e tecnológico tem impactos sobre
diversos fatores: produção, comércio internacional, crescimento
econômico e, potencialmente sobre o desenvolvimento social.

No Brasil, percebe-se falta de uma política científico-


tecnológica. Enquanto os países mais industrializados preocupam-se
com suas estruturas educacionais, priorizam a criatividade e
premiam a capacidade de empreendimento, aqui se tem a
deterioração do ensino como um problema geral; não se dá a
necessária atenção à formação da mão de obra qualificada, os
investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) são baixos.
Também as empresas não demonstram interesse em promover
parcerias com as Universidades, nem priorizar este tipo de
investimentos em seus próprios processos produtivos.

Segundo Carneiro (2008, p.40),

... as empresas não priorizam a ciência e a


tecnologia. O resultado é que enquanto 75% dos
cientistas empregados na Alemanha trabalham

83
dentro das indústrias, 15% nas universidades e
10% para o governo federal, no Brasil, o percentual
de cientistas e engenheiros trabalhando
diretamente nas indústrias é de cerca de 10%. Isso
mostra que se a ciência é importante, não é
suficiente, pois se não se tem tecnologia, as
possibilidades de competir mundialmente ficam
comprometidas.

Como a influência da C&T na nossa cultura se torna cada vez


mais evidente, é fundamental acatar o desafio de se refletir
criticamente sobre seu papel na sociedade contemporânea. Valério
e Bazzo (2006), debruçando-se sobre esta relação, defendem a
construção de uma massa pública crítica que seja capaz de avaliar os
impactos que as inovações trazem para o meio social e de interferir/
controlar para que esta prática científico-tecnológica se coloque a
serviço da sociedade e não o contrário. No entanto, reconhecem

84
que, para ter condições de exercer esta regulação, é necessário que
o cidadão seja científica e tecnologicamente esclarecido, o que, via
de regra, não acontece.

Historicamente tem sido mostrado que

... não se pode delegar apenas aos cientistas e


tecnólogos a competência para ditar os rumos de
toda uma sociedade. Caberá ao cidadão comum a
tarefa de dizer que tipo de desenvolvimento
científico/tecnológico é necessário e aceitável,
para assim aproximar – verdadeiramente – a
prática de C&T de seu pretenso objetivo de
melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas.
(VALÉRIO; BAZZO, 2006, p.4).

85
O caráter histórico do conhecimento científico

O conhecimento científico e sua relação com o conhecimento


prático

A reflexão a seguir tem por objetivo que você compreenda que


há diversas formas de se chegar à verdade: através dos órgãos de
sentido (conhecimento popular), através do método científico
(conhecimento científico), através do filosofar (conhecimento
filosófico) e através da fé (conhecimento religioso). Pretende
também dar-lhe informações para que possa ampliar sua capacidade
de análise e visão dos fatos na aquisição do conhecimento,
deslocando-o da percepção de situações cotidianas através dos
órgãos do sentido (de forma imediata e ditada pelo senso comum),
para um modo de pensar distinto, mais elaborado, tendo como
referência as características da ciência.

É histórica a curiosidade do ser humano de dar explicações aos


fenômenos que o circundavam e de conhecer o Universo, pautando-
se, para tanto, nas diversas formas de conhecimento (religiosa,

86
filosófica, popular e científica). O conhecimento científico não é,
portanto, um único caminho, mas o caminho que tem que ser
trilhado, conhecido e trabalhado pelo aluno no Ensino Superior
como uma das formas de interpretar a realidade.

Frise-se que não há uma relação de exclusão, de ruptura com o


conhecimento do senso comum (com origens no cotidiano) em favor
do conhecimento científico; há sim, continuidade entre essas duas
formas de conhecimento, embora haja diferenças em seus modos de
construção. Entenda-se que para se apropriar do conhecimento
validado pela ciência deve-se partir do que já se conhece.

Tartuce (2006, p. 8), assim se pronuncia:

(...) o conhecimento científico exige


demonstrações, submete-se à comprovação, ao
teste. O senso comum representa a pedra
fundamental do conhecimento humano e
estrutura a captação do mundo empírico imediato,
para se transformar posteriormente em um

87
conteúdo elaborado que, por intermédio do bom
senso, poderá conduzir às soluções de problemas
mais complexos e comuns até as formas de solução
metodicamente elaboradas e que compõe o
proceder científico.

O conhecimento científico resulta de investigação metódica,


sistemática da realidade – pressupõe, assim, método, o que é
essencial não só para a vida acadêmica, mas também para a vida
pessoal e profissional; cria as estruturas necessárias para explicações
sobre o cotidiano de forma mais elaborada. Transcende os fatos e os
fenômenos em si, analisa-os para descobrir suas causas e concluir as
leis gerais que o regem, sendo verificável na prática, por
demonstração ou experimentação.

88
Os conceitos cotidianos estão ligados aos objetos concretos do
mundo e criam uma base para os conceitos científicos, portanto,
embora o conhecimento científico e o cotidiano se desenvolvam em
trajetórias inversas, estão intimamente conectados. Quando se
domina aquele, ocorre um processo de transformação deste,
elevando o nível de consciência e compreensão, uma vez que se
passa a pensar sobre os objetos ao redor e a tomar decisões
pautadas em escolhas deliberadas, as quais podem ser justificadas
com argumentos mais sólidos, capazes de ir além do “porque sim,
porque não, porque eu acho, porque eu vi...”

Exemplificando:

O Universo foi gerado por uma grande explosão.


O Sol é uma estrela com 6 bilhões de anos de vida.

89
O conhecimento popular ou vulgar

O conhecimento popular ou vulgar é transmitido de geração em


geração por meio da educação informal, sendo baseado em imitação
e experiências pessoais e mescla-se ao conhecimento científico.
Marconi e Lakatos (2009, p.7) ilustram muito bem esta mixagem
através de um exemplo onde são contrastados o conhecimento
típico de um camponês (sem informação sobre composição do solo,
da natureza das pragas, etc.) e o conhecimento científico (fruto de
treinamento apropriado e obtido de forma racional, capaz de
explicar “porque” e “como” os fenômenos ocorrem):

Desde a Antiguidade, até aos nossos dias, um


camponês, mesmo iletrado e/ou desprovido de
outros conhecimentos, sabe o momento certo da
semeadura, a época da colheita, a necessidade de
utilização de adubos, as providências a serem
tomadas para a defesa das plantações de ervas
daninhas e pragas e o tipo de solo adequado para

90
as diferentes culturas. Tem também conhecimento
de que o cultivo do mesmo tipo, todos os anos, no
mesmo lugar, exaure o solo. Já no período feudal,
o sistema de cultivo era em faixas: duas cultivadas
e uma “em repouso”, alternando-as de ano para
ano, nunca cultivando a mesma planta, dois anos
seguidos, na mesma faixa. O início da Revolução
Agrícola não se prende ao aparecimento, no século
XVIII, de melhores arados, enxadas e outros tipos
de maquinaria, mas à introdução, na segunda
metade do século XVII, da cultura do nabo e do
trevo, pois seu plantio evitava o desperdício de
deixar a terra pousio: seu cultivo “revitaliza” o solo,
permitindo o uso constante. Hoje, a agricultura
utiliza-se de sementes selecionadas, de adubos
químicos, de defensivos contra as pragas e tenta-
se, até, o controle biológico dos insetos daninhos.

91
O que distingue estes dois tipos de conhecimento não é
propriamente o conteúdo, a veracidade, nem a natureza do objeto a
conhecer, mas sim o contexto metodológico, a forma, o modo, o
método e os instrumentos. Conforme afirmam Marconi e Lakatos
(op.cit., p. 76) um mesmo objeto “... pode ser matéria de observação
tanto para o cientista como quanto para o homem comum; o que
leva um ao conhecimento científico e outro ao vulgar é a forma de
observação”.

O conhecimento vulgar ou popular também conhecido como


“bom senso” é o modo espontâneo de conhecer, que é adquirido no
trato com as coisas e pessoas. É o saber que faz parte da vida diária,
sendo adquirido sem aplicação de reflexão ou método; pode, ainda,
apresentar argumentos lógicos para explicar os fatos que conhece,
mas seu conhecimento não penetra os fenômenos, permanece na
ordem aparente da realidade. Como é fruto da experiência
circunstancial, não vai além do fato em si. Portanto, conforma-se,
normalmente com a aparência (“ouvi dizer”, “disseram”), sendo,
assim, superficial. Refere-se a estados de ânimo (é sensitivo), sendo

92
organizado pelo próprio sujeito de acordo com suas experiências
(subjetivo, portanto) e de forma acrítica, assistemática (sem
observação metódica, nem verificação). Este conhecimento é
prático, baseado no ensaio e erro, tendo surgido com os artesãos os
quais não tinham preocupação com a explicação, com a causa, mas
sim se funciona ou não funciona e serviu de base para os
significativos progressos experimentados pelas grandes construções
gregas, como as gigantescas pirâmides do mundo antigo. O
conhecimento vulgar não deve ser menosprezado, pois, apesar de
ser um nível inferior ao científico, constitui a base do saber e já
existia muito antes de se imaginar a possibilidade da ciência.

Exemplificando: A
dor no calo do pé significa que vai chover.
Colocar a bolsa no chão atrai a falta de dinheiro.

93
O’ conhecimento filosófico

Paralelamente a este tipo de conhecimento prático, surgiram os


filósofos e o conhecimento filosófico com os questionamentos sobre
problemas mais gerais do homem e sua presença no universo.
Caracterizado pela coerência lógica e pelo esforço da razão,
questiona os problemas humanos e levanta hipóteses na procura de
discernir o certo do errado - está sempre procurando compreender
ou interpretar a realidade em sua totalidade.

Exemplificando:

Homem – O que há após a morte?

Penso, logo existo.

Este conhecimento se origina na capacidade de reflexão do


homem e, tem o raciocínio como instrumento exclusivo. Muitas
vezes, diante da impossibilidade de a Ciência explicar o sentido geral
do universo, pois se encontra delimitada pela necessidade de
comprovação concreta, o homem tenta essa explicação através da

94
Filosofia. Tem na busca do “saber” sua essência, interroga o próprio
saber, sendo especulativa, uma vez que suas conclusões não
necessitam de prova material da realidade.

O conhecimento religioso ou teológico

Anteriormente ao filosófico e ao prático, o Homem havia


procurado chegar ao conhecimento através da fé e de suas crenças
religiosas, do conhecimento religioso ou teológico. Tudo o que lhe
fugia à compreensão, era explicado recorrendo-se a forças
sobrenaturais, obra de um criador divino. Assim, o fiel não buscava
provas de evidência dos fatos, pois os tomava como revelação dessa
divindade, considerando-os como verdades indiscutíveis, cujas
evidências não precisam ser verificadas.

Exemplificando:

“Não tema, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis


que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus”

95
(LUCAS). A Santíssima Trindade é formado pelo Pai, Filho e Espírito
Santo.

Oportuno frisar que a aprendizagem dos conceitos científicos


não chega ao estudante de uma forma já pronta: passa por uma
transformação de acordo com suas capacidades em compreender
modelos mais elaborados.

Sugestão de vídeos

1. Luz, Trevas e o Método Científico (Parte 1)


< http://www.youtube.com/watch?v=G0oImVekJzg>

2. Luz, Trevas e o Método Científico (Parte 3)


< http://www.youtube.com/watch?v=ULBCbnLY7XU >

96
Métodos Científicos Técnicas de Pesquisa

Têm-se, aqui, como objetivos:

 Que você compreenda o que é o método científico e destrua o


mito de que o mesmo só é utilizado por cientistas.

 Que você perceba que as ciências fazem parte do nosso dia-a-


dia: quebrar, portanto, a barreira ciência - cotidiano.

 Mostrar-lhe os métodos que proporcionam as bases lógicas à


investigação científica.

Cientista é quem faz Ciência. Cientistas são pessoas “normais”


que se interessam pela busca do novo, do desconhecido. Em geral,
são pessoas extremamente curiosas que estão sempre buscando
saber mais para entender melhor o mundo.

97
“Então, onde começa a Ciência? Como os cientistas ‘fazem’
Ciência? A Ciência começa na observação, e o ‘fazer Ciência’ pode
ser resumido em um conjunto de etapas que chamamos de Método
Científico”. (OUTEIRO-BERNSTEIN, 2010).

Organograma que resume o conceito de Método Científico


Observação e constatação do problema

Formulação de hipótese

Testagem
Hipótese Confirmada
Hipótese não confirmada

Retestagem

Hipótese não confirmada Hipótese Confirmada

Formula e publica a teoria

98
Na busca da verdade, o método reveste-se de importância, pois disciplina
o trabalho, elimina da investigação o acaso e os preconceitos, adapta a
atividade científica às características do objeto estudado, seleciona os meios e
processos mais adequados. O método se caracteriza como o caminho feito
pelo pesquisador – cientista, no processo de compreensão do objeto;
entretanto, ele não substitui o talento, a intuição e a inteligência do cientista.

Cientistas importantes fizeram descobertas que permitiram ao


Homem compreender e explicar muitos aspectos da natureza, que
antes eram atribuídos à vontade dos deuses. Principalmente no final
da Idade Média, as superstições e medo da magia começaram a ser
suplantadas por uma concepção científica do mundo, que trouxe
muitas conquistas tecnológicas, médicas e sociais.

Aliada a essa concepção científica de mundo, vem o método


científico impondo uma disciplina que elimina as imprecisões e
equívocos na busca científica das respostas, conferindo maior
confiança aos resultados:

Sem o desenvolvimento do método científico, não


teríamos os avanços tecnológicos que tanto

99
beneficiam a humanidade. Mas o meu argumento
aqui vai em [sic] outra direção. O método tornou-
se uma espécie de roteiro seguro para pensar bem
sobre todos os assuntos, não apenas para fazer
pesquisas. O método impõe a disciplina de
formular as perguntas de maneira rigorosa e sem
ambiguidades. Em seguida, propõe e fiscaliza um
plano de ação para verificar se as hipóteses para
responder às perguntas, de fato, descrevem o
mundo real. (CASTRO, 2009)

Na maior parte do tempo, o método científico funciona bem.


Quando uma hipótese, submetida a testes experimentais repetidos,
recebe confirmação, seu resultado pode se tornar uma teoria. A
Ciência tem como um de seus objetivos não só confirmar teorias,
mas também refutá-las. Quando isso acontece, significa que um

100
dado novo encontrado exige que a teoria seja modificada ou
descartada de todo.

Ciência: A importância do erro

Para se chegar a uma boa resposta, é necessário muito trabalho


e dedicação: o trabalho do cientista é muito mais fruto de seu
esforço físico e intelectual do que de inspiração divina, ou seja, há
muito erro e gastos nas tentativas fracassadas, os quais podem
desempenhar um importante papel no avanço da ciência, desde que
se saiba como lidar com a incerteza.

Até mesmo Galileu, Newton e Einstein, considerados gênios,


enfrentaram tentativas, falhas e fracassos. Compreenda-se, no
entanto, que nem sempre o erro é negativo: o erro de um cientista
pode servir de alerta para que outro não cometa a mesma falha, ou
até mesmo indicar um caminho, desde que se empreguem
diferentes objetivos e métodos.

101
Para se entender melhor, Salatiel (201-) sugere o exame dos
três passos que compõem o método científico:

Primeiro, ao se deparar com um determinado


problema – uma doença incurável, um mistério do
cosmos ou a origem da vida, por exemplo – o
cientista formula hipóteses, que são respostas
possíveis para uma questão. É nesse momento que
ele emprega a criatividade.

Em seguida, por meio do raciocínio dedutivo, o


pesquisador extrai as consequências de sua
hipótese. Ele formula, então, uma teoria, ou seja,
uma regra geral que deve ser aplicada a todos os
casos particulares.

Mas o trabalho não termina aí. Para que uma teoria


seja aceita pela comunidade científica, ela deve ser
testada, confrontada com os fatos. Inicia-se, então,
uma série de testes em campo ou laboratório. É o

102
chamado método indutivo. Neste processo, teorias
cujos resultados destoam da realidade são
descartadas, enquanto outras permanecem e
ganham status de verdades, ainda que provisórias.

Conforme anteriormente afirmado, a ciência é uma atividade


intelectual. Ela pressupõe fazer observações e recolher dados, os
quais precisam ser analisados e utilizados para que entendamos o
mundo ao nosso redor.

Métodos científicos

O que seria Método científico? Como empregá-lo?

Segundo Gil (1999, p.26), para que seus objetivos sejam


atingidos, a investigação científica depende de “um conjunto de
procedimentos intelectuais e técnicos”, os quais são denominados
os métodos científicos.

103
Marconi; Lakatos (2009) definem método científico como o
conjunto de processos ou operações mentais que se devem
empregar na investigação; é a linha de raciocínio adotada.

O método científico não é utilizado apenas pelos cientistas


treinados; ao contrário, é algo natural em todo ser humano e todos
nós podemos usá-lo a qualquer momento. São atividades básicas do
método científico: ser curioso, fazer perguntas, procurar respostas.

As etapas do Método Científico

Algumas fontes descrevem o método científico em três etapas,


outras em duas ou ainda cinco; no entanto, os princípios que são
fundamentais são mantidos.

Aqui, de acordo com Harris (2013), o método é apresentado


em cinco etapas fundamentais:

104
Etapa 1: Observação

Quase todas as investigações científicas começam por uma


observação que desperta a curiosidade ou suscita uma questão, que
leva a formular uma pergunta que deve poder ser submetida a teste.

Etapa 2: Formulação da pergunta

O objetivo da pergunta é estreitar o foco da investigação,


delimitar o assunto e tornar o problema mais específico. Eis
exemplos de questões científicas:

 O que causa descoloração nos corais?

 Que tipo de material de construção absorve mais som?

Diante de algo que provoca curiosidade, normalmente


formulam-se perguntas; isto não requer treinamento científico.

105
Etapa 3: Formulação da hipótese

A partir do questionamento, sugere-se uma possível resposta


em forma de hipótese. Uma hipótese é, muitas vezes, um palpite
baseado nas informações de que você dispõe sobre o assunto.

Etapa 4: Experiência controlada

Uma experiência não se restringe a laboratórios e ou tubos de


ensaio. No entanto, ela precisa ser montada de forma a testar uma
hipótese específica e precisa ser controlada.

Controlar uma experiência significa controlar todas as variáveis,


para que apenas uma esteja passível de estudo.

Etapa 5: Analise os dados e conclusão

Durante uma experiência, os cientistas reúnem dados


quantitativos e qualitativos. Em meio a essas informações, se eles
tiverem sorte, estão indícios que podem ajudar a sustentar ou a

106
rejeitar uma hipótese. O volume de análise necessário para chegar a
uma conclusão pode variar amplamente.

Tipos de Método Científico

Os métodos que estão à disposição de pesquisadores na


produção do conhecimento e que fornecem as bases lógicas à
investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e
fenomenológico.

Método indutivo

O raciocínio indutivo parte do particular para o geral: é a


capacidade de fazer generalizações com base em observações
específicas, ou seja, a generalização deriva de observações de casos
da realidade concreta. A ciência faz previsões e as testa usando
experiências. Generalizações são ferramentas poderosas porque
permitem que cientistas façam previsões.

107
Clássico exemplo de raciocínio indutivo:

Antônio é mortal.

João é mortal.

Paulo é mortal.

...

Carlos é mortal.

Ora, Antônio, João, Paulo... e Carlos são homens.

Logo, (todos) os homens são mortais.

Conforme Oliveira (1997, p. 60), “Apesar das grandes discussões


levantadas no século XIX sobre o assunto, a indução é o método
científico por excelência e, por isso mesmo, é o método fundamental
das ciências naturais e sociais”.

Segundo Cruz e Ribeiro (2003, p. 34):

108
A indução é um método válido, porém não é
infalível. Por exemplo, por muito tempo pensou-se
que a ordem de peixes celacantos estava extinta,
porque elas eram conhecidas apenas por fósseis de
200 milhões de anos. Entretanto, em 1938, na costa
da África do Sul, um celacanto foi pescado, o que
demonstrou que a indução feita pelos
paleontólogos estava errada. Assim, para descartar
uma indução basta que um fato a contradiga.

A) Método dedutivo

O método dedutivo utiliza o raciocínio que caminha do


geral para o particular: Tem, como ponto de partida, princípios
reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis, possibilitando
chegar a conclusões de maneira puramente formal, em virtude
de sua lógica.

109
Usa o silogismo: construção lógica que, partindo de duas
premissas, propõe uma conclusão baseada em uma terceira
logicamente decorrente das duas primeiras (MARCONI; LAKATOS,
2009).

Clássico exemplo de raciocínio dedutivo:

Todo homem é mortal. .....................................(premissa maior)

Pedro é homem. ..............................................(premissa menor)

Logo, Pedro é mortal. .............................................(conclusão)

No exemplo apresentado, as duas premissas são verdadeiras,


portanto, a conclusão é verdadeira.

Segundo Cruz e Ribeiro (2003), o método dedutivo leva o


pesquisador do conhecido ao desconhecido com pouca margem de
erro; por outro lado, é de alcance limitado, pois a conclusão não
pode exceder as premissas.

110
Note que os dois tipos de métodos anteriormente comentados
têm funções diversas: o dedutivo busca deixar evidente o conteúdo
das premissas; por outro lado, o indutivo procura ampliar o alcance
dos conhecimentos.

B) Método hipotético-dedutivo

Proposto por Karl Popper, a partir de suas críticas ao método


indutivo. Segundo o pesquisador, o método indutivo propunha um
salto de “alguns” para “todos” o que exigiria que a observação de
fatos isolados fosse infinita. Este método pressupõe a adoção do
raciocínio:

... quando os conhecimentos disponíveis sobre


determinado assunto são insuficientes para a
explicação de um fenômeno, surge o problema.
Para tentar explicar a dificuldades expressas no
problema, são formuladas conjecturas ou

111
hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se
consequências que deverão ser testadas ou
falseadas. Falsear significa tornar falsas as
consequências deduzidas das hipóteses. Enquanto
no método dedutivo se procura a todo custo
confirmar a hipótese, no método hipotético-
dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências
empíricas para derrubá-la (GIL, 1999, p.30).

C) Método dialético

Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel; considera que


os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social,
político, econômico, etc. Empregado em pesquisa qualitativa.

112
D) Método fenomenológico

Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é


dedutivo nem indutivo. Preocupa-se com a descrição direta da
experiência tal como ela é. A realidade é construída socialmente e
entendida como o compreendido, o interpretado, o comunicado.
Então, a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas
interpretações e comunicações. (GIL, 1999). Empregado em
pesquisa qualitativa.

Como visto, existem diversos métodos científicos disponíveis;


em uma mesma produção científica pode haver,
concomitantemente, o emprego de dois ou mais métodos. Para
escolha, o importante é verificar qual está mais adequado para a
pesquisa que se vai desenvolver.

113
Técnicas de Pesquisa

Convém salientar que, na busca da ‘verdade’, o método e a


técnica caminham juntos. Enquanto o primeiro é o procedimento
sistemático em plano geral, a técnica é o processo - a aplicação, a
instrumentalização específica do plano metodológico. O método se
faz acompanhar da técnica, é seu o suporte físico, a qual abrange os
instrumentos que auxiliam o pesquisador para que chegue ao
resultado pretendido.

As técnicas mais utilizadas para coleta de dados em uma


pesquisa são: questionário, entrevista e formulário. Qualquer
instrumento traz vantagens e desvantagens; a opção por um ou
outro depende da especificidade de cada pesquisa, dos objetivos a
serem considerados.

114
Sugestão de leitura para maiores detalhes: CERVO, A. L.; BERVIAN, P
A. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Pearson Education, 2002,
p.45-48.

FINALIZANDO – Avalie-se:

 Compreendeu o que é o método científico e destruiu o mito


de que o mesmo só é utilizado por cientistas?

 Percebeu que as ciências fazem parte do nosso dia-a-dia?

 Entendeu que os métodos proporcionam as bases lógicas à


investigação científica?

Fica aqui nosso desafio: Olhe seu redor com olhos curiosos, procure
observar e estudar diretamente algo que lhe desperte a atenção e
escreva sobre suas descobertas sem se limitar exclusivamente aos
sites de pesquisa! Uma coisa é certa: trabalhando ciências de um
modo concreto, você terá uma grande contribuição para seu

115
aprendizado!

Prepare-se: o mundo atual deseja que sejamos capazes de observar


o que se encontra ao nosso redor, perceber os problemas ali
existentes e propor soluções simples (na maioria das vezes) ou
complexas (poucas vezes), mas que sejam originais e criativas.

Votos de que esteja empenhando em se tornar um pesquisador


com método,

Profª Márcia Monteiro

116
Sugestão de Atividades

Para discussão em fórum:

 Quais são as formas de se chegar à verdade, ao


conhecimento?
 Por que é importante trabalhar/ pensar usando
método?
 Discuta a afirmação: O erro desempenha um
importante papel no avanço da Ciência.

Atividade:

A partir das etapas do Método Científico, comprove


que é mito a afirmação de que o mesmo só é utilizado por
cientistas.

117
Referências

CARNEIRO, Ana Paula Morgado. Estudo da importância da inovação


tecnológica no Brasil através da PINTEC (Pesquisa Inovação
Tecnológica /IBGE). II Simpósio Internacional de Transparência dos
Negócios - Jul/Ago 2008.

CASTRO, Luis Claudio Moura. Academia de ginástica (mental).


Revista Veja Edição 2136, 28 out. 2009.

CRUZ, Carla; RIBEIRO, Uirá. Metodologia Científica – teoria e prática.


Rio de Janeiro: Gisella Narcisi, 2003.

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São


Paulo: Atlas, 1999.

HARRIS, William. Como funciona o Método Científico. Traduzido por


HowStuffWorks Brasil. Disponível em: <
http://ciencia.hsw.uol.com.br/metodos-cientificos2.htm>. Acesso
em: 15 maio 2013.

118
MARCONI, Marina de Andrade e LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos
de Metodologia Científica. 6. ed.-7.reimpr. São Paulo: Atlas, 2009.
Capítulo 3.

OLIVEIRA, Sílvio Luiz de Oliveira. Tratado de Metodologia Científica:


projetos de pesquisas, TGI; TCC, monografia, dissertações e teses. 2.
ed. São Paulo: Pioneira, 1997.

OUTEIRO-BERNSTEIN, Marianna A. F. O Cientista, o Método Científico


e o Processo de ensino-aprendizagem. Jun.2010. Disponível em:
<
http://despertandopequenoscientistas.blogspot.com/2010/06/ativi
dade-educacional-sobre-metodo.html >. Acesso em: 15 ago.2012.

REVISTA ÉPOCA. Procuram-se criativos – teste e caminhos para


desenvolvimento da criatividade. 2010.

SALATIEL, José Renato. Ciência: A importância do erro. Página 3


Pedagogia & Comunicação. Disponível em: <

119
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/atualidades/ciencia-a-
importancia-do-erro.htm>. Acesso em: 15 ago.2012.

SCHIEFELBEIN, Ernesto. Menos opinião e mais ciência. REVISTA


VEJA. Edição 2100, 18 de fevereiro de 2009. Entrevista.

TARTUCE, T. J. A. Métodos de pesquisa. Fortaleza: UNICE – Ensino


Superior, 2006.

Apostila.

TRUJILO FERRARI, Alfonso. Metodologia da ciência. 2. ed. Rio de


janeiro: Kennedy, 1974. Capítulo 1.

VALÉRIO, Marcelo; BAZZO, Walter Antonio. O papel da divulgação


científica em nossa sociedade de risco: em prol de uma nova ordem
de relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Revista
Iberoamericana de Ciência, Tecnologia, Sociedad e Innovatión, n.7,
Sep. / Dic., 2006.

120
Anotações
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Anotações
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123
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FACULDADE DE JAGUARIÚNA
2014
MÓDULO
METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA
III

125
Módulo 3

Introdução

No módulo 1, discutimos que a sociedade atual, como sociedade


do conhecimento que é, valoriza a comunicação competente, a
leitura frequente, a produção de textos com qualidade na forma / no
conteúdo e o convidamos a ser um pesquisador, a educar-se pela
pesquisa.

No módulo 2, buscamos incentivá-lo a ser um cientista:


interessar-se pela busca do novo, do desconhecido, ser curioso,
buscar saber mais para entender melhor o mundo. Estimulamos que
passasse a fazer ciência com método, uma vez que isto melhora a
forma de pensar e não apenas ajuda a fazer pesquisas: é essencial
para a vida acadêmica, pessoal e profissional, pois impõe a disciplina,
sistematização, organização na formulação de perguntas e na
investigação da realidade.

Como, atualmente, os conceitos e os conhecimentos se


modificam muito rapidamente, o pesquisar precisa ser uma atitude
126
constante para a atualização: você precisa saber pesquisar e
conhecer “instrumentos” para acessar e utilizar as informações
adequadamente: elas são muitas (nem sempre é fácil escolher quais
são as significativas); as tecnologias oferecem imagens, dados, bem
como resumos de forma rápida e atraente (você precisa saber
interpretá-los, relacioná-los, contextualizá-los).

Além disso, o setor produtivo, para atender as demandas do


mercado atual altamente competitivo, precisa ser mais rápido e ágil;
requer, portanto, profissionais empreendedores, pró-ativos, com
capacidade de pesquisar, de criar, de propor soluções para
problemas, de elaborar projetos inovadores, que tenham a inovação
como busca constante.

Este é o perfil do profissional que precisa ter: ser alguém capaz


de buscar informação, de se reciclar, de se atualizar
constantemente; ser um cidadão crítico, sensível aos problemas da
sociedade e do trabalho; ser capaz de construir conhecimento, de

127
aliar o conhecimento à técnica; ser instigado por situações problema
e/ou elaboração de projetos.

Segundo Rowan (1981), a educação pela pesquisa caracteriza-se


por três momentos: questionamento, construção de argumentos e
comunicação. Há, portanto, primeiramente uma pergunta, uma
dúvida, um problema para o qual se buscam soluções; o segundo
momento é o de construção de argumentos que necessitam de
dados, vivências, fatos fundamentados em leitura crítica e reflexão a
respeito do que já se conhece sobre o determinado tema; por
último, tais elementos devem ser organizados, interpretados e
apresentados na forma escrita e oral, constituindo-se na
comunicação dos resultados, o terceiro momento. Neste módulo 3,
é isso que vamos entender melhor: o que é pesquisa, suas
classificações, suas etapas.

Mas, afinal, o que é pesquisa?

128
Segundo Gil (2002, p.17), “é um procedimento racional e
sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos
problemas que são propostos”.

Lakatos & Marconi (2003, p.154) apontam a pesquisa como “um


procedimento formal, com método de pensamento reflexivo, que
requer um tratamento científico e se constitui no caminho para
conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais”.

Há, ainda, diversas outras formas de responder a esta pergunta,


mas, de forma bem simples, “pesquisar” é buscar respostas para
uma pergunta, usando um procedimento sistemático. O objetivo
fundamental da pesquisa é, portanto, descobrir respostas para
problemas através de procedimentos científicos.

Vamos, portanto, aprender os procedimentos formais de


pesquisa...

129
A Pesquisa e suas classificações

Como a pesquisa é um conceito complexo não pode ser descrito


de maneira única: existem várias formas de classificá-la; a seguir,
serão apresentadas as formas clássicas.

Como classificar as pesquisas com base em sua natureza?

Pesquisa básica

Quando tem o foco em verdades e interesses universais e seu


objetivo é gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da
Ciência; sem aplicação prática prevista.

Pesquisa aplicada

O foco são as verdades e interesses locais e tem como objetivo


gerar conhecimentos para aplicação prática, para solução de
problemas específicos.

130
Importante não é o classificar, mas assegurar a transferência de
tecnologia entre esses dois compartimentos, ciência básica e ciência
aplicada.

Como classificar com base na forma de abordagem do


problema?

Pesquisa Quantitativa

Considera que opiniões e informações podem ser mensuráveis,


isto é, traduzidas em números, para serem classificadas e analisadas.
Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem,
média, moda, mediana, desvio-padrão, coeficiente de correlação
etc.).

131
Pesquisa Qualitativa

Coloca ênfase na perspectiva do indivíduo que está sendo


estudado, procura captar suas perspectivas e interpretações, o que
não significa obrigatoriamente ausência de quantificação. Utiliza
técnicas preocupadas com o entendimento e não com a frequência
de ocorrência das variáveis do fenômeno. Seu interesse não é
apenas com o resultado, mas como se chegou a eles. Não requer o
uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte
direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave.

Dependendo do problema de pesquisa, a escolha de


abordagem será qualitativa ou quantitativa, podendo, no entanto,
haver situações em que o pesquisador deve considerar a
combinação das abordagens.

132
Como classificar as pesquisas com base em seus objetivos?
(Gil, 2002)

Esta classificação é bastante útil para se estabelecer o marco


teórico, para aproximação conceitual.

Pesquisa Exploratória

Tem como principal objetivo proporcionar maior familiaridade


com o problema, buscando torná-lo mais explícito ou construir
hipóteses. Normalmente envolve levantamento bibliográfico,
entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o
problema pesquisado e análise de exemplos que estimulem a
compreensão. Assume, em geral, a forma de Pesquisa Bibliográfica
ou de Estudo de Caso.

133
Pesquisa Descritiva

Busca descrever as características de determinada população ou


fenômeno ou estabelecer relações entre variáveis. Tem como
característica marcante o uso de técnicas padronizadas de coleta de
dados, como questionário e observação sistemática. Destina-se, por
exemplo, a estudar as características de um grupo (sua distribuição
por idade, sexo, nível de escolaridade etc.); as condições de
habitação de uma comunidade, seu índice de criminalidade; as
opiniões, atitudes e crenças de uma população. Bastante usada por
instituições educacionais, empresas comerciais, partidos políticos
etc. Assume, em geral, a forma de Levantamento.

Pesquisa Explicativa

Seu principal objetivo é identificar os fatores que determinam


ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Busca explicar a
razão, o “porquê” das coisas, aprofundar o conhecimento da
realidade.Quando realizada nas ciências naturais, usa
134
preferencialmente o método experimental; já nas ciências sociais,
por revestir-se de muitas dificuldades, lança mão de outros métodos,
sobretudo o observacional. Assume, em geral, forma de Pesquisa
experimental e Pesquisa ex- post facto.

Como classificar as pesquisas com base nos procedimentos


técnicos utilizados? (Gil, 2002)

Para confrontar a visão teórica com os dados da realidade, há


necessidade de considerar o ambiente em que são coletados os
dados e as formas de controle das variáveis envolvidas.

Quando a ênfase maior recai sobre os procedimentos técnicos


de coleta e análise dos dados, classifica-se a pesquisa segundo o seu
delineamento (segundo o modelo, o plano).

Há dois grandes grupos de delineamento de acordo com o


procedimento adotado para a coleta de dados:

135
a) os que usam as fontes “de papel”: pesquisa bibliográfica e
pesquisa documental.

b) e aqueles cujos dados são obtidos através de pessoas:


pesquisa experimental, ex-post facto, levantamento, estudo
de caso, pesquisa- -ação e pesquisa participante.

Esta classificação não pode ser tomada de forma muito rígida,


havendo pesquisas que não se enquadram neste ou naquele
modelo.

Pesquisa Bibliográfica

Elaborada a partir de material já publicado, constituindo-se


principalmente de livros, de artigos de periódicos e materiais da
Internet. Permite ao pesquisador cobertura muito mais ampla da
que poderia pesquisar diretamente, no entanto é preciso cautela,

136
pois, muitas vezes, pode apresentar dados coletados de forma
equivocada.

Pesquisa Documental

Utiliza materiais que não receberam ainda um tratamento


analítico: documentos conservados em arquivos; diários, fotografias,
gravações; jornais, boletins e folhetos; relatórios de pesquisa etc.

Pesquisa Experimental

É o delineamento de mais prestígio nos meios científicos. O


pesquisador é um agente ativo e não um observador passivo:
determina um objeto de estudo, seleciona as variáveis que seriam
capazes de influenciá-lo, define as formas de controle e de
observação dos efeitos que a variável produz no objeto. Não precisa
obrigatoriamente ser realizada em laboratório, podendo ser

137
desenvolvida em qualquer lugar, desde que apresente as
propriedades: manipulação, controle e distribuição aleatória.

Levantamento

Quando a pesquisa realiza a interrogação direta das pessoas


para conhecimento de seu comportamento.

“Procura ser representativo de universo definido e oferecer


resultados caracterizados pela precisão estatística.” (GIL, 2002, p.
52). Quando se recolhem informações de todos os integrantes do
universo pesquisado tem-se um censo. São muito úteis para estudo
de opiniões e atitudes.

Estudo de campo

Quando o foco recai sobre uma comunidade (de trabalho, de


estudo, de lazer ou centrada em qualquer outra atividade humana).

138
Desenvolve-se, principalmente, através da observação direta e de
entrevistas, exigindo que o pesquisador realize a maior parte do
trabalho pessoalmente, em imersão na realidade que pretende
investigar.

Estudo de caso

“É um trabalho de caráter empírico que investiga um dado


fenômeno dentro de um contexto real contemporâneo por meio de
análise aprofundada de um ou mais objetos de análise (casos)”
(CAUCHICK MIGUEL, 2012, p.133).

Pesquisa ex- post facto

“A partir do fato passado”, quando o “experimento” se realiza


depois dos fatos e seu propósito básico é verificar a existência de
relações entre variáveis.

139
Pesquisa-ação

“Um tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e


realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução
de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e participantes
representativos da situação ou do problema estão envolvidos de
modo cooperativo ou participativo.” (THIOLLENT, 1985, p.14).

Pesquisa Participante

Quando se desenvolve a partir da interação entre


pesquisadores e membros das situações investigadas. Muito
utilizada pelos grupos religiosos voltados para a ação comunitária.

Levantamento Tipo Survey

O pesquisador pretende ter um panorama descritivo de um


fenômeno, ele “avalia uma amostra significativa de um problema a

140
ser investigado a fim de extrair conclusões acerca dessa amostra.”
(MIGUEL, 2012, p.75). Pode ser exploratória, descritiva ou
explicativa.

Veja, abaixo, um resumo para facilitar sua compreensão e


memorização.

Tipos de pesquisa - Critérios

Natureza Realização
Abordagem Objetivo Procedimento
local

Bibliográfica
Exploratória
Básica Quantitativa Estudo de Campo
Descritiva
Aplicada Qualitativa caso Laboratório
Explicativa
Outros

141
Preparação da pesquisa

Segundo Quivy & Campenhoudt (2005) é muito comum as


pessoas iniciarem uma pesquisa, sabendo apenas vagamente o que
querem investigar, sem ter clareza por onde começar e como
proceder. Os mesmos apontam algumas condutas que facilitam e
outras que dificultam:

 Apossar-se de uma grande quantidade de livros, de artigos, de


dados numéricos, julgando que eles tragam clareza sobre o
objetivo e o tema a pesquisar, é atitude enganosa e só traz mais
dificuldade. Na verdade, este procedimento desmotiva: a
abundância de informações mal absorvidas embaralham as
ideias.

Sugestão: escolher cuidadosamente o material que realmente


pode contribuir e lê-lo em profundidade.

142
 É prejudicial coletar dados e escolher técnica de investigação
antes de saber exatamente o que se vai pesquisar.

Sugestão: primeiramente formular as hipóteses de pesquisa,


ter clareza de onde se quer chegar. Por exemplo, não se pode
optar por fazer uma pesquisa utilizando questionário junto a
um determinado grupo, se não se conhecem os dados ou
informações que se quer coletar. Em outras palavras, a coleta
de dados só deve ser iniciada após se ter problematizado e
delimitado o tema a ser pesquisado.

 É errônea a crença de que a utilização de uma linguagem


rebuscada conduz a maior credibilidade.

Sugestão: usar linguagem clara e objetiva, que ao mesmo


tempo seja científica, acadêmica.

Para esta fase de preparação de uma pesquisa, também Lakatos


& Marconi (2003) apontam elementos que consideram importantes:

143
 Decisão - deve ser a primeira etapa da pesquisa: tomar a
decisão de realizá-la, determinar o que se pretende investigar, o que
nem sempre é fácil, uma vez que exige conhecimentos anteriores e
metodologia adequada.

 Especificação de objetivos: o objetivo deve estar


claramente definido (ele torna o problema explícito), sabendo-se o
que se vai procurar e o que se pretende alcançar. Responde às
perguntas: Por quê? Para quê? Para quem?

 Elaboração de um esquema: isto possibilita maior


objetividade ao pesquisador e imprime uma ordem lógica ao
trabalho com visualização e planejamento de tudo o que será
necessário (recursos materiais, humanos e de tempo). Poderá ou
não ser modificado posteriormente.

 Constituição da equipe de trabalho: previsão de


recrutamento e treinamento de pessoas, distribuição das tarefas ou
funções, indicação de locais de trabalho e todo o equipamento

144
necessário ao pesquisador. Há casos em que a pesquisa é realizada
por apenas uma pessoa. Responde à pergunta: Quem?

 Levantamento de recursos e cronograma: previsão dos


recursos financeiros necessários para realizar o estudo, bem como
cronograma de execução da pesquisa em suas diferentes etapas.
Responde às perguntas: Quanto? Quando?

Etapas da pesquisa

Embora não haja um consenso entre os autores quanto ao


número de etapas que constituem o processo de pesquisa, os passos
previstos para sua realização são, essencialmente, os que seguem:

Escolha do Tema

Nesta etapa inicial você deverá responder à pergunta:


O que será explorado? Qual é o assunto que desejo estudar,
pesquisar com mais profundidade?

145
O tema é um aspecto ou uma área de interesse de um assunto
que se deseja provar ou desenvolver; deve ser preciso, bem
determinado e específico.

Para selecioná-lo, considere sua aptidão pessoal como


pesquisador, suas qualificações, seu conhecimento sobre ele e
também que seja algo que mereça ser pesquisado cientificamente.

Pense se é possível de ser executado; considere também o


tempo que terá a sua disposição; o interesse que tal assunto pode
despertar; sua utilidade e relevância.

Após esta definição, o passo seguinte é levantar e analisar a


literatura existente sobre o tema.

Levantamento de dados

Nesta etapa, você deve se preocupar com as seguintes questões:


Quem já escreveu sobre o assunto? O que já foi publicado? Quem
pode ser entrevistado para fornecer dados da realidade? Que

146
documentos podem trazer mais informações sobre o assunto? Que
aspectos já foram abordados? Que lacunas ainda existem na
literatura?

Trata-se, agora, de fazer a exploração do tema através de


leituras, entrevistas exploratórias e outros métodos
complementares. De acordo com Lakatos & Marconi (2003), podem
ser utilizados três procedimentos para obtenção dos dados
necessários: pesquisa bibliográfica, pesquisa documental e contatos
diretos:

 Pesquisa bibliográfica - faça um apanhado geral sobre os


principais trabalhos importantes já realizados, ou seja, localize
publicações reconhecidas sobre o assunto, capazes de fornecer
dados atuais e relevantes sobre o tema, que sirvam de fonte de
informações, que orientem suas indagações e sejam pistas de
reflexão esclarecedoras. Isto fornecerá elementos para que
você não duplique pesquisa sob enfoque já realizado sobre o

147
tema, além de oferecer contornos mais precisos do problema
a ser estudado.

 Pesquisa documental- antes de ir a campo, realize análise das


fontes documentais: fontes primárias (dados históricos,
estatísticos; material cartográfico; arquivos oficiais e
particulares; diários, memórias, autobiografias etc.) e fontes
secundárias (imprensa em geral e obras literárias)

 Os contatos diretos - pesquisa de campo ou de laboratório - são


realizados com pessoas que podem fornecer dados ou sugerir
possíveis fontes de informações úteis. Três tipos de
interlocutores são interessantes: especialistas científicos sobre
o tema em estudo, informantes privilegiados e pessoas
diretamente envolvidas.

148
Durante esses contatos, Quivy & Campenhoudt (2005)
propõem:

a. Fazer o menor número de perguntas

b. Fazer intervenções de forma aberta

c. Não se implicar no conteúdo

d. Procurar garantir ambiente e contexto adequados

e. Gravar as entrevistas

Não se perca na leitura e análise de dezenas de obras diferentes!

Quivy & Campenhoudt (2005, p.25) recomendam um trabalho


de seleção bastante cuidadosa de um pequeno número de autores e
de organização para tirar deles o máximo de proveito possível.
Sugerem para tanto alguns critérios de escolha e organização das
leituras:

149
a) Primeiro princípio: comece pela pergunta de pesquisa. Ter
uma boa pergunta de partida como fio condutor do trabalho
facilita a escolha das leituras.

b) Segundo princípio: selecione obras que apresentam uma


reflexão de síntese ou artigos de algumas dezenas de páginas.
É preferível ler de modo aprofundado e crítico alguns textos
bem escolhidos a ler superficialmente milhares de páginas.

c) Terceiro princípio: procure documentos que não se limitem a


apresentar dados, mas que tragam também elementos de
análise e interpretação, que levem a refletir.

d) Quarto princípio – recolha textos que tragam abordagens


diversificadas do fenômeno estudado.

e) Quinto princípio – em intervalos regulares, reserve períodos


para reflexão pessoal e troca de ponto de vista com colegas
ou com pessoas experientes.

150
Vamos à prática: escolha suas primeiras leituras

Escolha dois ou três textos sobre o tema de pesquisa,


procedendo da seguinte forma:

o Comece pela sua pergunta de pesquisa.

o Recorde os critérios de escolha que foram mencionados


acima.

o Identifique os temas de leitura mais próximos de sua


questão inicial.

o Consulte pessoas informadas sobre o tema.

o Verifique que documentos estão disponíveis nas


bibliotecas.

Fonte: Quivy & Campenhoudt (2005, p.28)

151
Como ler (Em outro módulo, discutiremos um pouco mais
sobre os procedimentos didáticos de leitura). Por enquanto, utilize
dois procedimentos fundamentais:

o Leia com profundidade e com ordem.

o Faça um resumo do que precisa ser lembrado,


identificando as ideias principais e suas articulações de
forma a recuperar a unidade de pensamento do autor.

152
Vamos à prática: resumo e comparação de suas primeiras leitura

o Faça o resumo das obras escolhidas sem se esquecer de sua


questão inicial: seja preciso em relação às ideias que estão
ligadas a ela.
o Tenha seus objetivos bem presentes, procurando ler e
resumir para progredir em seu trabalho.
o Trabalhe em duas fases: primeiro, compare os textos
atentamente; depois destaque pistas para dar
prosseguimento à investigação.
o Compare os conteúdos e pontos de vista adotados
pelos diferentes autores (convergências, divergências e
em que se complementam).
o Evidencie pistas de pesquisa interessantes para seu
estudo: Quais das leituras estão mais próximas de sua
questão inicial? Que pistas estas leituras sugerem?
o Dê-se algum tempo para reflexão e troca de pontos de
vista.
o Parta para a seleção da segunda leva de textos.

Fonte: Quivy & Campenhoudt (2005, p.33).

153
Formulação do problema

O que vem mesmo a ser problema no conceito científico?

Problema é uma dificuldade, teórica ou


prática, no conhecimento de alguma coisa de real
importância, para a qual se deve encontrar uma
solução.

Definir um problema significa especificá-Io em


detalhes precisos e exatos. Na formulação de um
problema deve haver clareza, concisão e
objetividade. A colocação clara do problema pode
facilitar a construção da hipótese central.

O problema deve ser levantado, formulado, de


preferência em forma interrogativa... (LAKATOS &
MARCONI, 2003, p.158)

154
Para Gil (2002, p.23), problema “é uma questão não solvida e
que é objeto de discussão, em qualquer domínio do conhecimento”.
Fica claro, portanto, que para haver pesquisa precisa existir
uma necessidade a ser sanada, precisa haver um problema a ser
resolvido?

Considera que todo problema pode ser alvo de pesquisa?

Acertou se respondeu NÃO. Ele precisa estar enquadrado na


categoria de científico. Observe, portanto, problemas que não
possibilitam análise científica:
a) Problemas de engenharia: referem-se a como fazer algo com
qualidade e não como são as coisas, suas causas e
consequências. Ex: Como fazer para diminuir os índices de
violência? Como aumentar a produtividade da sociedade
brasileira?
b) Problemas de valor: questionam se alguma coisa deve ou não
ser feita, se algo é desejável ou indesejável. Ex: Qual a melhor

155
técnica para fazer a sondagem de um determinado
problema? É bom usar questionamentos como procedimento
didático?

Tais problemas não se configuram como científicos, porque as


respostas a tais questões não seriam passíveis de verificação
empírica.

Que problemas possibilitam análise científica?

O problema é considerado de natureza científica, quando


envolve variáveis que podem ser testadas.
Ex: Em que medida o nível socioeconômico interfere na
escolaridade? Perceba que é possível verificar o nível
socioeconômico de um grupo, bem como seu nível de escolaridade,
para depois determinar quanto essas variáveis se relacionam.

156
Gil (2002, p.25) indica que o problema de pesquisa pode ser
determinado por razões de ordem prática ou de ordem intelectual,
por exemplo:
- se uma determinada propaganda atinge o perfil do consumidor a
que o produto se destina (analisa-se a resposta para subsidiar a ação
da campanha);
- ou para avaliar certas ações ou programas (efeitos de um programa
na recuperação de drogados);
- ou consequências de várias alternativas possíveis (mestre deseja
saber que sistema de avaliação seria o mais adequado para seus
alunos trabalhadores);
- ou interesses práticos com vistas a prever acontecimentos, a
planejar uma ação (o diretor de uma instituição pode estar
interessado em verificar em que medida um curso x poderia atender
às necessidades de certa região);
- ou interesses práticos próximos de interesses intelectuais (cursos
de graduação exigem de seus alunos universitários a formulação de
problemas para treiná-los na realização de projetos de pesquisa);

157
- ou um pesquisador pode querer explorar um objeto pouco
conhecido; ou interessar-se por áreas já exploradas para determinar
com mais profundidade em que condições certos fenômenos
ocorrem; ou interessar-se em descrever um determinado fenômeno.

Como formular um problema científico? (GIL, 2002, p.26-9)

Esta não é tarefa fácil, principalmente se você é iniciante em


pesquisa, mas treinando vai melhorar. São fatores que facilitam:
mergulhar no objeto de forma organizada, estudar a literatura
existente sobre o assunto e discutir com pessoas experientes na
área.

Vamos a algumas regras práticas:


a) Dar ao problema a forma de pergunta: é a maneira mais fácil
e direta, pois facilita sua identificação, provoca a
problematização do tema.

158
Atenção: portanto, não basta escolher um tema, é preciso
formular perguntas sobre ele.

b) Colocar o problema de forma clara e precisa: ele não pode ser


formulado de maneira desestruturada, vaga; utilizando
termos ambíguos do cotidiano; o problema precisa ser
respondível.
À prática- qual das duas questões a seguir pode ser
considerada clara, respondível: “Como funciona a mente?”
ou “Que mecanismos psicológicos podem ser identificados no
processo de memorização?”
Acertou, se optou pela segunda.

c) O problema deve ser empírico: sua comprovação deve ser


feita pelos sentidos; apoia-se em experiências vividas; deve
ser devidamente testado através da experiência.

159
d) O problema deve ser sujeito à solução: é preciso se ter ideia
de como seria possível coletar dados para sua resolução.

e) O problema deve ser delimitado a uma dimensão viável: se


for formulado de forma muito ampla, muito abrangente, a
pesquisa torna- -se complexa; por outro lado, quando bem
delimitado e simplificado facilita a investigação.

Para Lakatos & Marconi (2003, p. 161), delimitar uma pesquisa


significa
... estabelecer limites para a investigação. A
pesquisa pode ser limitada em relação:
a) ao assunto - selecionando um tópico, a fim de
impedir que se torne ou muito extenso ou muito
complexo;
b) à extensão - porque nem sempre se pode
abranger todo o âmbito onde o fato se desenrola;

160
c) a uma série de fatores - meios humanos,
econômicos e de exiguidade de prazo - que podem
restringir o seu campo de ação.

À prática- qual das duas questões a seguir pode ser considerada


delimitada: “O que os jovens da cidade y pensam a respeito de
alguns aspectos de uma religião específica?” ou “O que os jovens
pensam sobre religião?”
Acertou, se optou pela primeira; a segunda é muito abrangente.

Quivy & Campenhoudt (2005) reforçam a importância de se


começar a pesquisa somente após ter uma pergunta de partida
devidamente elaborada; apontam-na como o fio condutor da
investigação e a melhor forma de começar o trabalho. Indicam que
é preciso garantir que a pergunta de partida apresente as qualidades
de:
a) Clareza: seja precisa e concisa, produza apenas um sentido.
b) Exequibilidade: seja realista

161
c) Pertinência: seja uma verdadeira pergunta; aborde o estudo
do que existe e fundamente as transformações do novo
estudo sobre o tema; tenha uma intenção de compreensão
dos fenômenos estudados.

Já, para Lakatos & Marconi (2003, p.159-160), o problema


precisa apresentar os seguintes aspectos:
a) Viabilidade. Pode ser eficazmente resolvido
através da pesquisa.
b) Relevância. Deve ser capaz de trazer
conhecimentos novos.
c) Novidade. Estar adequado ao estágio atual da
evolução científica.
d) Exequibilidade. Pode chegar a uma conclusão
válida.
e) Oportunidade. Atender a interesses particulares
e gerais.

162
Em outras palavras: A formulação da pergunta de pesquisa é
uma fase muito importante e é preciso dedicar tempo a ela, pois a
mesma somente será útil se estiver corretamente formulada.

Vamos à prática: formulação da questão inicial

o Formule uma questão inicial.

o Teste esta questão com um grupo de colegas ou amigos;


assegure-se que ela esteja clara e precisa, compreendida
por todos da mesma forma. Formule a questão ao grupo
sem expor seu sentido ou dar explicações.

o Cada pessoa do grupo deve expor a forma como


compreendeu a pergunta.

o A questão será precisa se as interpretações convergirem e


corresponderem às intenções do pesquisador.

163
o Verifique se ela contém as outras qualidades antes
apresentadas.

o Caso contrário, reformule a questão e recomece o processo.

Fonte: Quivy & Campenhoudt (2005, p.22)

A construção do modelo de análise: a construção das


hipóteses

O modelo de análise constitui o prolongamento natural da


problemática, articulando de forma operacional os marcos e as
pistas que serão finalmente retidos para orientar o trabalho de
observação e de análise. É composto por conceitos e hipóteses
estreitamente ligados entre si para, em conjunto, formarem um
quadro de análise coerente.

164
A conceitualização, ou construção dos conceitos, constitui uma
construção abstrata que visa dar conta do real. Para esse efeito, não
retém todos os aspectos da realidade em questão, mas somente
aquilo que exprime o essencial segundo o ponto de vista do
pesquisador. Trata-se, portanto, de uma construção-seleção.
(QUIVY, 2005, p 74)
Como apontado acima, após a construção da problemática,
tem-se como próxima etapa a elaboração de um modelo de análise.
É o momento em que se formulam as hipóteses ou questões de
estudo: fazem-se proposições para tentar verificar a validade das
respostas surgidas para o problema. Trata-se de suposições
provisórias que antecedem a constatação dos fatos e que precisam
ser testadas para determinar se são certas ou erradas.
As hipóteses são de grande importância, pois orientam a coleta
de informações: precisam ter embasamento teórico e serem
claramente formuladas, de forma a servirem de guia na investigação.
Os resultados finais da pesquisa poderão comprovar ou rejeitá-las;

165
se forem rejeitadas, deverão ser reformuladas e novos testes
realizados para verificar sua validade.
No início de qualquer investigação, é preciso formular
hipóteses; nos estudos meramente exploratórios ou descritivos, elas
podem ser dispensadas.

Vamos entender melhor como formular as hipóteses?

Duas formas são sugeridas para a construção das hipóteses:


método hipotético-indutivo e hipotético-dedutivo. Quando
iniciamos a pesquisa, normalmente prevalece a abordagem
hipotético-indutiva (as hipóteses são construídas a partir da
observação do campo empírico; a partir daí novos conceitos surgem
e novas hipóteses, as quais serão submetidas à comprovação). Passo
seguinte, no momento em que já se têm alguns conceitos sobre o
tema trabalhado, a abordagem hipotético-dedutiva passa a ter mais
importância (busca-se, então, a partir do geral, particularizar). Essas

166
duas abordagens se articulam, pois os modelos em uma pesquisa
científica comportam indução e dedução.

Vamos à prática: definição dos conceitos de base e


formulação das principais hipóteses da investigação

Tenha em mente estas sugestões:

o Parta de uma questão precisa, tal como ficou depois de


revista e corrigida pelo trabalho exploratório e pela
problemática.

o Não queime etapas. Este exercício constitui o fim natural de


um trabalho exploratório corretamente realizado e de uma
reflexão sobre sua problemática.

o Consulte os bons autores. Não hesite em utilizar seus


conceitos e inspirar-se em suas hipóteses, mas tenha o
cuidado de indicar suas referências e empréstimos: é questão

167
de honestidade intelectual, mas está também em causa a
validade externa de seu trabalho.

o Tenha em atenção a coerência de seu modelo de análise:


ponha claramente em evidência as relações entre os
conceitos e as hipóteses.

o Lembre-se que a qualidade é preferível à quantidade.

Fonte: Quivy & Campenhoudt (2005, p.75)

Próxima etapa: confrontar as hipóteses aos dados coletados.

168
Seleção dos métodos e técnicas e a coleta de dados

É o momento de selecionar os métodos e as técnicas: os


mesmos precisam estar adequados:
 ao problema a ser estudado;
 às hipóteses levantadas
 e ao tipo de informantes que se pretende contatar.

Nas investigações, em geral, não se utiliza apenas um método


ou uma técnica; na maioria das vezes, há uma combinação de dois
ou mais que são usados concomitantemente. São vários os
procedimentos para a realização da coleta de dados, que variam de
acordo com as circunstâncias ou com o tipo de investigação. As
técnicas serão vistas, em detalhes, em outro módulo.

Esta fase de elaboração ou organização dos instrumentos de


investigação é uma etapa que requer tempo, compreendendo desde
a preparação dos instrumentos de observação até a organização da

169
documentação relativa à pesquisa - pastas, cadernos, livretos,
fichários.
Os instrumentos de pesquisa, antes de serem aplicados sobre o
"universo" escolhido, precisam ser testados sobre uma “amostra”
(pequena parte da população deste "universo") para se verificar se
podem garantir resultados isentos de erros: por exemplo, em
questionários, constatar se as perguntas são objetivas, se estão bem
formuladas, se a linguagem usada é acessível etc. Esta aplicação,
conhecida como pré-teste, permite a correção de possíveis falhas.
A coleta de dados é etapa em que a pesquisa começa a ser
executada; é o momento de aplicação dos instrumentos elaborados
e das técnicas selecionadas. É tarefa que quase sempre toma mais
tempo do que se espera; exige paciência, perseverança, esforço e
cuidadoso registro dos dados.
Em resumo, esta etapa representa o momento em que o
modelo de análise é confrontado com os dados observáveis e deve
responder três questões essenciais: O que coletar? Com quem
coletar? Como coletar?

170
Elaboração dos dados

Esta é a etapa em que as informações, depois de coletadas,


serão sistematicamente analisadas, seguindo os passos de:

a) Seleção: exame minucioso dos dados, o qual pode


apontar tanto o excesso como a falta de informações: fase de
eliminação de dados incompletos e volta ao campo, se necessário.

b) Codificação: utilização de técnica para categorizar os


dados, transformando-os em símbolos, os quais podem ser
tabelados e contados.

c) Tabulação: organização dos dados em tabelas para haver


maior facilidade de se verificar as inter-relações existentes.

Análise, interpretação e representação dos dados

Depois de tabulados, para responder às investigações, os dados


serão:

171
1- Analisados: detalhe os dados estatísticos, buscando
responder à investigação e estabeleça as relações entre os
dados obtidos e as hipóteses formuladas; mediante
análise, comprove-as ou refute-as.
2- Interpretados: através de atividade intelectual, procure
expor o significado do material em relação aos objetivos
propostos e ao tema. Seja sintético, claro e observe dois
aspectos: a construção de tipos, modelos, esquemas, bem
como a ligação com a teoria.
3- Representados: disponha os dados em tabelas, quadros e
gráficos.

Conclusão da análise e dos resultados obtidos

Agora é hora de explicitar os resultados finais considerados


relevantes, os quais devem comprovar ou refutar a hipótese de
investigação.

172
Com precisão e clareza, apresente síntese comentada das ideias
essenciais e dos principais resultados. Aponte se algo ficou sem
solução, para que seja retomado, futuramente, por você, autor, ou
por outros.

Redação e apresentação do trabalho científico

Tem por finalidade fazer uma exposição geral da pesquisa,


desde a apresentação do problema de estudo, até os processos
utilizados (plano de estudo, método, natureza da amostra, técnicas
de coleta de dados, método de análise estatística), os resultados e
consequências deduzidas dos resultados.
Em linguagem simples, clara, objetiva, concisa e coerente, dê
informações sobre os resultados da pesquisa, mantendo expressão
impessoal. Evite frases qualificativas ou valorativas.

173
FINALIZANDO – Avalie-se:

 Compreendeu que “pesquisar” é buscar respostas para


uma pergunta, usando um procedimento sistemático?

 Entendeu que há diversos critérios para se classificar a


pesquisa?

 Percebeu a importância de estar atento aos problemas


que o cercam e buscar soluções para os mesmos seguindo
as diversas etapas da pesquisa, principalmente
começando pela elaboração de uma boa pergunta de
investigação?

Votos de que esteja empenhado em se tornar um pesquisador


com método,

Profª Márcia Monteiro

174
Sugestão de Atividades

Para discussão em fórum:

 Como formular um problema científico: algumas regras


práticas.
 No início de qualquer investigação, é preciso formular
hipóteses: Por quê? Como formulá-las?
 Depois de coletadas, as informações devem ser
sistematicamente analisadas. Discuta os passos que
devem ser seguidos.

175
Sugestão de Atividades

Atividade:
Considere os critérios de escolha e organização das leituras
abaixo para escolher dois ou três textos sobre um tema de pesquisa
 Primeiro princípio: comece pela pergunta de pesquisa. Ter uma
boa pergunta de partida como fio condutor do trabalho facilita
a escolha das leituras.
 Segundo princípio: selecione obras que apresentam uma
reflexão de síntese ou artigos de algumas dezenas de páginas. É
preferível ler de modo aprofundado e crítico alguns textos bem
escolhidos a ler superficialmente milhares de páginas.
 Terceiro princípio: procure documentos que não se limitem a
apresentar dados, mas que tragam também elementos de
análise e interpretação, que levem a refletir.
 Quarto princípio – recolha textos que tragam abordagens
diversificadas do fenômeno estudado.
 Quinto princípio – em intervalos regulares, reserve períodos
para reflexão pessoal e troca de ponto de vista com colegas ou
com pessoas experientes.

Vamos à prática: escolha suas primeiras leituras


Proceda da seguinte forma:
 Comece pela sua pergunta de pesquisa.
 Recorde os critérios de escolha que foram mencionados acima.
 Identifique os temas de leitura mais próximos de sua questão
inicial.
 Consulte pessoas informadas sobre o tema.
 Verifique que documentos estão disponíveis nas bibliotecas.
Fonte: Quivy & Campenho
176
Referências

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo:


Atlas, 2002.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos


de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

MIGUEL, Paulo Augusto Cauchick; SOUSA, Rui. O Método do estudo


de Caso na Engenharia de Produção. In: MIGUEL, Paulo Augusto
Cauchick. Metodologia de Pesquisa em Engenharia de Produção e
Gestão de Operações- 2. ed.Rio de Janeiro; Elsevier: ABEPRO, 2012.

OLIVEIRA, Nirlei Maria de; MEDEIROS, Gerson Araujo de. PESQUISA


EM SALA DE AULA NO CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL –
CREUPI: UMA PRÁTICA POSSÍVEL Espírito Santo do Pinhal, v.1, n.1,
p.057-064, jan./dez., 2004.

QUIVY, R.; CAMPENHOUDT, L. V. Manual de investigação em


Ciências Sociais. 4.ed. Lisboa: Gradiva, 2005.

177
ROWAN, J. Human inquiry: a sourcebook of new paradigm research.
New York: John Wiley & Sons, 1981.

THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo,


Cortez, 1985.

178
Anotações
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FACULDADE DE JAGUARIÚNA
2014
MÓDULO METODOLOGIA DA PESQUISA
IV CIENTÍFICA

183
Módulo 4

Introdução

 Será que lemos e escrevemos textos científicos e não


científicos com a mesma facilidade?
 Utilizamos para estes tipos de texto os mesmos
procedimentos?
 Que competências e habilidades é preciso adquirir para que
nossas leituras sejam mais proveitosas?
 Que elementos podem facilitar nossas sínteses e nosso
processo de análise dos textos?
 Quais são as normas que regulamentam a linguagem
científica?
 Que recomendações a ABNT faz para a formulação de citações
de documentos? E para as referências?

184
Estas são questões para as quais desejamos que encontre
respostas; pretendemos também que reflita sobre elas, para que,
assim, sua capacidade de leitor e produtor de texto acadêmico
melhore, progrida significativamente.

Elas serão tratadas neste módulo, através da abordagem de:

 Características que são próprias da linguagem científica e que


devem ser observadas nos textos acadêmico-científicos.
 Procedimentos didáticos que, aplicados, possibilitarão
desempenho com maior qualidade na leitura, interpretação e
produção de textos acadêmicos.

 Instrumentos para que você seja capaz de formular citações e


referências dos textos nos moldes das normas da ABNT.

Nosso convite: pratique o que vai ler aqui e também reflita sobre
sua prática para trazer a ela as melhorias detectadas por você como
necessárias. Vamos, então, ao trabalho e ao consequente, esperado
e desejado progresso!

185
Características da linguagem científica

São visíveis as significativas dificuldades que os alunos de Ensino


Superior trazem, quando precisam produzir textos acadêmicos.

Já recomendamos alguns caminhos de solução, no módulo 1,


como a prática da leitura habitual, uma vez que ler e escrever são
processos intrinsecamente relacionados e que esta referida prática
é básica e fundamental, não só para sua própria melhoria, como
também para aprimoramento da escrita.

No mesmo módulo 1, p.10, reforçamos que “Falar/Escrever


conforme a norma culta é um requisito para qualquer profissional
de nível universitário que pretenda se destacar em sua profissão”,
uma vez que “o domínio eficiente da língua, em seus variados
registros e em suas inesgotáveis possibilidades de variação, é uma
das condições para o bom desempenho profissional e social”.

Convidamos, ainda, que passasse a fazer uso da língua


considerando várias circunstâncias: o que iria ser falado/ escrito e

186
sua forma deveriam estar adequados à situação social em que
estivesse, à pessoa a quem se dirigisse e ao tipo de relação (mais
formal ou mais familiar) que tivesse com ela.

Ampliemos um pouco...

Já dissemos que se aprende a ler, lendo; que se aprende a


escrever, lendo e escrevendo. Como será que se aprende a
linguagem científica?

Um bom caminho para essa aprendizagem é através da


observação: observando como bons profissionais do setor se
expressam e se organizam quer em artigos, quer em painéis e outras
formas de comunicação científica.

Procure tê-los como referência, aproximar-se deles: observe


como elaboram os títulos, como estruturam as partes, como
introduzem as ideias, como organizam os parágrafos etc.

Importante também considerar o público-alvo a que o texto vai


se dirigir, para avaliar em que medida termos técnicos específicos

187
podem ou devem ser usados. Por exemplo: em se tratando de texto
que será lido por uma comunidade em geral, tais termos devem ser
evitados; ao contrário, se ele se destina a um grupo especializado, a
terminologia deve ser a usual da área.

Também a situação deve ser avaliada: trata-se de contexto mais


ou menos formal? Quanto mais formal a situação, mais cuidado deve
ser o estilo, mais observador das regras gramaticais.

E quanto ao Estilo, o que observar? Gil (2002, p. 164-165)


menciona algumas qualidades básicas que devem ser observadas na
redação científica:

1. Impessoalidade: o mais recomendado é usar linguagem


impessoal. Assim sendo, expressões como: “meu trabalho”,
“nossas pesquisas”, “elaboramos o questionário”, devem ser
evitadas por serem pessoais. Substitua-as por: “o presente
trabalho”, “tais pesquisas”, “elaborou-se o questionário”.

188
Atenção! Em construções com o pronome “se” apassivador, o
verbo obrigatoriamente concorda com o sujeito,
acompanhando-o no singular ou plural. Exemplo:

- Elaborou-se (singular) o questionário (singular), mas


- Elaboraram-se (plural) os questionários (plural).

À prática: Qual é o correto?

A)Interpretou-se os resultados ou

B) Interpretaram-se os resultados?

Acertou, se indicou a alternativa “B”. O verbo encontra-se no


plural para acompanhar e concordar com “resultados”, que é o
sujeito no caso e está no plural.

2. Objetividade: A linguagem técnica deve ser objetiva, direta,


sem considerações que não sejam essenciais. Os argumentos

189
produzidos devem ser alicerçados em dados e provas e não em
opiniões pessoais. Por exemplo, expressões subjetivas como
"eu penso", “parece-me", “acredito” não podem ser utilizadas.

3. Clareza: as ideias apresentadas não podem conduzir a mais de


uma interpretação, precisam ser claras, sem ambiguidade:
a) utilizar vocabulário adequado, que não permita sentido
duplo;

b) evitar repetições, palavras e detalhes desnecessários;


c) garantir clareza também nas ideias: planejar mentalmente,
ou através de um esquema, o que se pretende comunicar;
verificar se o assunto está bem claro, quais são as informações
essenciais, em que sequência elas devem ser colocadas, se são
suficientes etc. Portanto, antes de escrever o texto, verifique se
há clareza das ideias que deve registrar e se conhece o assunto
suficientemente.

190
4. Precisão: cada palavra ou expressão precisa ser escolhida de
forma que traduzam exatamente o que você quer transmitir,
principalmente se estiver fazendo relatórios com registro de
observações, medições e análises. A nomenclatura técnica
específica ajuda nesse aspecto; se não a domina deve buscá-la
em dicionários especializados ou outras fontes que possam
auxiliá-lo nisto. Evite:

a) Uso de adjetivos que não expressem os dados com


clareza e precisão, tais como: pequeno, médio, grande,
espaçoso etc.

b) Expressões do tipo: quase todos, uma boa parte, a


minoria etc.

c) A indicação de tempo, modo, lugar através de advérbios


que não sejam precisos, como: recentemente,
antigamente, provavelmente etc.

191
Exemplificando, para que entenda melhor:
- Os questionários foram aplicados a muitos funcionários ou a
todos os presentes (perceba que não se tem objetivamente a
quantificação).

- Os questionários foram aplicados a 20 funcionários, os quais


representavam a totalidade dos envolvidos (agora se pode conhecer
exatamente quantos foram ouvidos no processo).

Observação: Use de forma moderada expressões como "é


provável que" ou "possivelmente". Se ainda restam pontos de
dúvida do escritor é preferível registrar a necessidade de trabalhos
complementares.

À prática: Qual é o correto?

A) O estoque estava armazenado em uma sala que media 4


metros de largura e 10 metros de comprimento ou

B) O local de armazenamento era grande e espaçoso.

192
Acertou, se indicou a alternativa “A”, pois através dela se tem
precisamente o tamanho da sala.

5. Coerência: as ideias precisam ser apresentadas em uma sequência


ordenada e lógica, em parágrafos que se sucedam e que se
relacionem entre si. Ao dividir os capítulos em itens, procure
garantir que os títulos indiquem o que prioritariamente vai ser
tratado ali e, na redação, inicie todos da mesma forma: com
verbos ou com substantivos.

Dedique especial atenção à formulação dos parágrafos: para


cada assunto, um parágrafo; mudando o assunto, mudará o
parágrafo, o que é marcado pela mudança de linha e pelo
recolhido em relação à margem. Ele deve se iniciar, de
preferência, com frase que indique qual é a sua ideia central, sua
ideia – núcleo (conhecida como tópico frasal). Devem continuar
no mesmo parágrafo, os detalhes e explicações, as ideias
secundárias a ele associadas (sua explanação). Em outras
palavras, para se manter a coerência do parágrafo, ele precisa

193
apresentar uma única ideia à qual estarão ligadas pelo sentido
outras secundárias, que serão apresentadas através de outras
frases: um bom parágrafo é, portanto, constituído de duas partes,
tópico frasal e explanação.

O tópico frasal orienta o resto do parágrafo: ele contém a frase-


chave com o potencial de gerar ideias secundárias; dirige a
atenção do leitor diretamente para o tema central do escritor;
apresenta afirmação ou negação que leva o leitor a esperar uma
explicação, detalhes, exemplos para completar o raciocínio;
coloca argumento que supõe desdobramento ou explicação;
geralmente vem no começo do parágrafo, seguido de outros
períodos que explicam ou detalham sua ideia central.

Explanação: são seus comentários, a discussão do tópico frasal.


Quando se tratar de um parágrafo de introdução, a explanação
situa o leitor, propondo o que deverá ser retomado no
desenvolvimento. Quando for parágrafo de

194
desenvolvimento, a explanação deverá discorrer sobre o
argumentado proposto na primeira frase. Exemplificando1:

(1) Atribuo grande parte do meu fracasso pessoal


aos desenhos animados de Hanna-Barbera. (2) O
fato de ter assistido a todos os episódios dos
Herculóides, da Tartaruga Touché e dos Flintstones
comprometeu meu futuro. (3) O dano causado por
horas e horas de Space Ghost, de Wally Gator e de
Jonny Quest foi definitivo. (4) Muitas de minhas
falhas intelectuais e de personalidade podem ser
imputadas a eles. (5) De nada adiantou ler

1 Fonte: Coerência interna do parágrafo. Disponível em:


< http://deborando.blogspot.com.br/2011/11/aula-8-coerencia-
interna-do-paragrafo.html> Acesso em: 14 ago. 2013.

195
Montaigne mais tarde. (6) No deserto mental
provocado por Frankenstein Júnior, pelos Irmãos
Rocha e pela Formiga Atômica, Montaigne
simplesmente não frutifica. (Diogo Mainardi,
Revista Veja, 31/01/2007).

A frase 1, em negrito, abre o parágrafo e anuncia a


ideia central. A frase 2 reforça a primeira citando
exemplos. A frase 3 dá mais informações sobre a
Hanna-Barbera e insiste na tese. As frases 4 e 5
detalham o fracasso e ampliam a ideia quando
contrapõem os desenhos a um grande escritor. A
frase 6 é a mais interessante porque, além de
discorrer ainda sobre o que o autor propõe no
tópico frasal, ela desfecha o parágrafo, servindo de
conclusão.

196
Vamos à prática: Considere como tema “Redigir com clareza e
objetividade é aprendizado que exige dedicação”. Das alternativas
abaixo, qual não apresenta a especificidade necessária?

A) É muito complexo aprender a redigir, pois é muito difícil chegar a


um resultado bom.
B) Para atingir um bom nível numa redação, é preciso dedicação e
ajuda de especialistas.
C) Para se atingir um patamar de excelência na elaboração de
redações, é fundamental a leitura diversificada e dinâmica, além da
constante elaboração de novos textos.

Acertou, se a resposta escolhida foi a registrada na alternativa “A”.

Comece a praticar o que foi aqui exposto, quer quando estiver


exercendo sua função de leitor, quer quando você for o escritor.

197
6. Concisão: cuide que as frases de seu texto sejam enxutas,
tenham poucas palavras. É bom que os períodos tenham, no
máximo, duas a três linhas: frases longas, com várias orações
subordinadas dificultam a compreensão, tornam a leitura mais
pesada e conduzem a falhas na estrutura e erros gramaticais,
em especial de concordância.

Quando o período longo não puder ser evitado, construa-o de


forma que o sujeito e o verbo apareçam na primeira parte,
onde são mais facilmente memorizados, facilitando, assim, a
compreensão; evite intercalar muitas palavras entre o sujeito
e o verbo principal.

7. Simplicidade: utilize apenas as palavras necessárias, tendo


como objetivo o “se expressar bem” e não “impressionar”.
Evite abusar de jargões técnicos, lembrando-se sempre de
quem será o leitor de seu texto. Simplicidade, no entanto, não
é sinônimo de linguagem popular: use linguagem culta e sem
erros gramaticais.

198
o Igualmente importante é cuidar do título: ele deve ser o
mais conciso possível. Como tornar o título mais incisivo? O uso da
vírgula ou dos dois pontos com a supressão de palavras é boa
alternativa. Observe e compare os exemplos abaixo:

• “Uma experiência de ensino com a disciplina Introdução à


Engenharia”

• "Introdução à Engenharia: uma experiência de ensino".

o Resumindo: a linguagem técnica deve ser clara, objetiva,


precisa e simples, no que diz respeito ao vocabulário e à construção
das frases. Deve também estar baseada em dados objetivos e
verificáveis, a partir dos quais se analisa, sintetiza, argumenta e
conclui (GIL, 2002)

199
o Dica: para aperfeiçoar seu vocabulário técnico, leia com
frequência, observando os bons autores e consulte dicionários e
informações especializadas.

Procedimentos didáticos

No módulo 3, já destacamos a importância de você saber fazer


uma adequada seleção das leituras para que elas possam
efetivamente auxiliá-lo em suas pesquisas.

Agora queremos dar um passo além: somente a seleção de


obras não é suficiente:

- você precisa conhecer alguns procedimentos de estudo, para


que a leitura lhe propicie o que efetivamente busca - a obtenção de
informações básicas, específicas.

- você precisa conseguir identificar o tópico frasal (ideia principal


do parágrafo) e as ideias secundárias (explanação)

200
Para que os conteúdos e significados do texto sejam mais bem
absorvidos, é de grande valia aprender como sublinhar e fazer os
resumos da parte lida.

Grifar textos: noções básicas

a) Faça uma primeira leitura apenas para ter o texto como um


todo organizado em sua mente. Não assinale nada neste momento.
Anote os termos que desconhece e antes da segunda leitura, faça a
consulta para esclarecer o sentido deles caso o contexto não seja
suficiente; dessa forma compreenderá melhor o texto e ampliará seu
vocabulário. Busque responder à pergunta: "Do que trata o texto?”.

b) Durante a segunda leitura faça interrupções e, com lápis na


mão, destaque ideias, entenda o significado de palavras difíceis e
capte o sentido de frases mais longas, com inversões ou com
elementos ocultos. Retome parágrafo por parágrafo (se for um texto
curto), parte por parte (se for um texto mais longo): sublinhe com

201
dois traços as palavras-chave e com um traço os pormenores mais
significativos.

c) Num terceiro momento, divida o texto em blocos de ideias


que tenham alguma unidade de sentido.

d) Quando a passagem representar um todo relevante para a


ideia desenvolvida no texto, assinale-a inteiramente com uma linha
vertical, à margem.

e) Passagens que tragam dúvidas, pois entram em confronto


com o tema exposto ou com as proposições que o apoiam, devem
ser assinaladas com um ponto de interrogação.

f) Reconstitua cada parágrafo a partir das palavras sublinhadas,


dando- -lhe continuidade como se tratasse de um texto de
telegrama.

202
Dicas:

 Não grifar parágrafos inteiros: longos trechos marcados


dificultam a rápida recuperação das ideias essenciais.
 Nem todos os parágrafos precisam ser grifados: muitas
vezes, trazem repetidos conceitos ou exemplos explicativos.
 Antes de começar a grifar, é importante ler o texto inteiro
para perceber como ele está organizado.

À pratica: Grife o trecho, usando os procedimentos indicados.


Mais à frente, ao final deste item 3, poderá conferir seus resultados.

A organização de uma pesquisa começa pela escolha do tema,


que não nasce ao acaso, mas é fruto de um processo de seleção e de
maturação que passa por muita leitura, estudo e reflexão.

Selecionado o assunto, deve-se partir para a sua plena


compreensão, que só estará assegurada quando o pesquisador for
capaz de:

• Explicá-lo claramente a outros;

203
• Exemplificar com casos particulares;

• Apresentar possíveis aplicações dos resultados;

• Desenvolver o tema e analisá-lo com propriedade e


fluidez.

Elaborar esquema

Por que é importante elaborar esquemas?

A representação simplificada em tópicos leva à fixação das


informações do texto.

a) Selecione as palavras-chave ou frases que são bastante


significativas para a compreensão do texto.

b) Após várias leituras, recupere a hierarquia das palavras, frases


e parágrafos-chave, mostrando como as ligações entre as ideias
evidenciam o raciocínio desenvolvido.

204
c) O respeito às hierarquias:

o Em cada frase, condense a ideia em palavras-chave.

o Em cada parágrafo, expresse a ideia numa frase-


chave.

o Em uma exposição, garanta a sucessão das principais


ideias através de parágrafos-chave.

Dica:

 Selecione os tópicos através de palavras ou frases.

 Localizada a palavra ou frase importantes, faça, ao lado


delas, uma chave ou uma seta e insira as outras palavras
ou frases relacionadas.

205
À pratica:

Grifado o trecho na atividade anterior, use, agora, os


procedimentos de esquematizar. Retome o texto grifado. Mais à
frente, ao final deste item 3, poderá conferir seus resultados.

Elaborar resumo:

Uma excelente forma de estudar em profundidade.

Resumir não é apenas copiar alguns trechos nem citar o início


de cada parágrafo; consiste, sim, na capacidade de condensar um
texto, parágrafo, frase, reduzindo-o a seus elementos de maior
importância, sem perder de vista:

a) as partes essenciais;
b) a progressão em que elas se sucedem;
c) a correlação que o texto estabelece entre cada uma dessas
partes.

206
Diferente do esquema, o resumo forma parágrafos com sentido
completo: não indica apenas os tópicos. Ele facilita o trabalho de
analisar, relacionar, fixar e integrar aquilo que se está estudando;
leva à melhor compreensão do texto e serve também para exposição
de assuntos.

Sem compreender o sentido global, é impossível fazer um bom


resumo. É fundamental também observar o título e os subtítulos
(quando houver).

Escrever um resumo pressupõe explicitar a lógica dos blocos


visualizados com as próprias palavras, seguindo a ordem das ideias
como aparecem no texto principal e estabelecendo relações entre
elas. Deve-se ressaltar de forma clara e sintética a natureza e o
objetivo do trabalho, o método empregado, bem como os resultados
e as conclusões mais importantes.

Pode ajudá-lo a melhor resumir, a compreensão das quatro


macrorregras que, segundo Van Dijk (1983), o leitor utiliza quando
tenta resumir um texto: omitir, selecionar, generalizar e integrar.

207
Através da omissão e seleção, suprime-se informação, embora de
maneiras diferentes e, através da generalização e integração,
substitui-se informação presente no texto por outra mais
abrangente que comporá o resumo. Detalhando e exemplificando:

Analisando o Aberta a janela, o sol entrou,


exemplo: de repente, aquecendo o
idoso, travesseiro, lençol e
cobertor. Estava firme, em
pé, mais saudável e pronto
para deixar o quarto: voltava
para casa, finalmente.

Omissão Supressão de informações Pode-se omitir, por


pouco importantes para a exemplo, que o sol
compreensão global do entrou de repente.
texto, para os objetivos de
leitura.

208
Seleção Supressão de informações Pode-se omitir
óbvias, redundantes, “aberta a janela”,
desnecessárias. pois “o sol entrou”
já a engloba.

Generalização Permite substituir Pode-se substituir


informação por palavra “travesseiro, lençol
capaz de globalizar. e cobertor” pela
palavra “cama” -
“... aquecendo o
idoso e sua cama”

Integração Permite substituir “Estava firme, em


informação por outra mais pé, mais saudável e
global. Elabora-se nova pronto para deixar
informação que geralmente o quarto, voltava
não está no texto, para casa,
englobando outras mais finalmente.”
detalhadas. poderia ser
substituído
“recebera alta”.

209
A NBR6028 (NB88) da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(1990) define as regras para sua redação e apresentação,
aconselhando a se evitar no resumo:

o Frases longas;

o Citações e descrições ou explicações detalhadas;

o Expressões do tipo: o “autor trata”, no “texto do autor” o


“artigo trata” e outros similares;

o Figuras, tabelas, gráficos, fórmulas, equações e diagramas.

Quanto à extensão em casos de resumos informativos, a ABNT


recomenda:

o Em monografias e artigos = até 250 palavras;

o Em notas e comunicações breves = até 100 palavras;

o Em relatórios e teses = até 500 palavras.

210
O modelo abaixo serve como parâmetro:

Modelo de resumo

O texto _________ (título), de ________ (autoria), trata de


______ (tema do texto). Ele pode ser dividido em ____ (número
de partes) blocos significativos. No primeiro, o autor apresenta
___________________ (tema do primeiro bloco). No segundo,
aparece ________ (tema do segundo bloco). Na terceira parte,
______ (tema do terceiro bloco). O autor conclui
que_____________________________.

À pratica:

Retome o texto anteriormente grifado e esquematizado e,


agora, use os procedimentos de resumir. Ao final deste item 3,
poderá conferir seus acertos. Lembre-se: aprende-se a resumir,
resumindo!

Dicas

 Faça síntese oral antes da produção escrita.

211
 Após escrever a síntese, releia e corte redundâncias.

Fichar
É registrar os dados importantes sobre algum tema ou assunto,
conforme os objetivos da leitura.

Diferente do resumo, onde se deve recuperar a totalidade do texto


principal, no fichamento há seleção, organização e registro de
informações para atender a objetivos específicos de leitura.

Num fichamento, é importante aparecerem a referência


bibliográfica, a explicitação do tema, as informações essenciais sobre
questões específicas e as observações complementares.

O modelo a seguir pode auxiliá-lo na elaboração do


fichamento:

212
Fichamento:

Referência bibliográfica

Tema do texto

Ideias importantes

Observações complementares

Dicas

 Começar o fichamento fazendo a referência da fonte: nome


do autor, título da obra, editora e ano da edição. Veja o item 5
Como fazer referências bibliográficas.

 Ao transcrever passagens inteiras, anotar o número das


páginas para posteriores citações.

213
Confira a atividade de grifar:

Existem alguns procedimentos

- Ensinar o aluno a estudar.


- Discutir situações didáticas de leitura em contexto de
estudo.
- Refletir sobre estratégias que favoreçam o domínio de
algumas práticas de organização.

214
A organização de uma pesquisa começa pela escolha do
tema, que não nasce ao acaso, mas é fruto de um
processo de seleção e de maturação que passa por muita
leitura, estudo e reflexão.

Selecionado o assunto, deve-se partir para a sua plena


compreensão, que só estará assegurada quando o
pesquisador for capaz de:

 Explicá-lo claramente a outros;


 Exemplificar com casos particulares;
 Apresentar possíveis aplicações dos resultados;
 Desenvolver o tema e analisá-lo com propriedade e
fluidez.

Confira a atividade de esquematizar:

1. Organização de uma pesquisa começa


1.1 escolha do tema
1.2 compreensão do assunto

215
Confira a atividade de resumir:

A organização de uma pesquisa requer primeiramente a escolha


do tema, seguida de uma perfeita compreensão do assunto.

Como fazer citações

Ao elaborar um texto, você pode utilizar as ideias ou palavras


de autor de renome na área, o que confere a seu trabalho maior
credibilidade e maior embasamento teórico. Isto é o que se chama
fazer uma citação e seu uso é disciplinado pela NBR 10520 da
ABNT/set. 2002.

Quando utilizar este artifício, deverá, obrigatoriamente, deixar


isto evidente por questão de ética, de respeito à autoria. Se, ao
contrário, a menção não for feita, estará incorrendo em plágio, o que
é considerado um crime.

Os autores citados deverão ser detalhados nas referências


bibliográficas.

216
Ao serem elaboradas de acordo com as normas da ABNT, as Citações
e Referências não só ajudam a identificar os documentos lidos, como
também, por uma questão de honestidade intelectual, permitem
que você dê crédito aos autores das ideias usadas em sua pesquisa.

Como estas citações devem ser feitas?

Citação Direta: ocorre quando são utilizadas as próprias


palavras do autor. Neste caso, há dois diferentes procedimentos de
acordo com o número de linhas que utilizará:

A1) Se a citação for pequena (apenas algumas palavras ou


frases curtas de até três linhas), deve ser feita em continuidade,
no próprio parágrafo, sendo a transcrição marcada por aspas
duplas. Se no texto original já houver aspas, elas devem ser
substituídas por aspas simples.

É preciso também mencionar o sobrenome do autor, ano em


que a obra foi editada e página em que tal trecho se encontra. Isto
facilita sua localização, caso um leitor queira retomá-lo no original.

217
Exemplo: “Consistem na transcrição literal das palavras do
autor, respeitando todas as suas características.” (LAKATOS &
MARCONI, 2003, p.286).

A2) Se a citação for mais longa, com mais de três linhas, deve-
se transcrevê-la em parágrafo próprio, sem aspas, com recuo de 4
cm da margem, em espaço um, com letra menor que a do texto
utilizado e espaço justificado.

Exemplo: Segundo Lakatos & Marconi (2003, p.286),

Consistem na transcrição literal das palavras do autor,


respeitando todas as suas características. Devem ser transcritas
sempre entre aspas e seguidas pelo sobrenome do autor, data de
publicação e páginas da fonte em que foram retiradas, separados por
vírgula e entre parênteses. Essa citação bibliográfica remete para a
referência completa, que figura no final do trabalho.

Caso não haja cópia de todo o trecho (em qualquer das duas
opções, transcrição mais curta ou mais longa), isto precisa ser

218
demonstrado, utilizando--se reticências para marcar a parte da frase
que foi omitida.

Consideremos estas diferentes alternativas neste trecho: As


citações diretas consistem na transcrição literal das palavras do
autor, respeitando todas as suas características, devendo ser
transcritas sempre entre aspas e seguidas pelo sobrenome do autor,
data de publicação e páginas da fonte em que foram retiradas,
separados por vírgula e entre parênteses.

As citações diretas devem “... ser transcritas sempre entre


aspas e seguidas pelo sobrenome do autor, data de publicação e
páginas da fonte em que foram retiradas, separados por vírgula e
entre parênteses”. (LAKATOS & MARCONI, 2003, p.286).

“As citações diretas consistem na transcrição literal das


palavras do autor...” (LAKATOS & MARCONI, 2003, p.286).

219
“As citações diretas consistem na transcrição literal das palavras do
autor (...) devendo ser transcritas sempre entre aspas...” (LAKATOS
& MARCONI, 2003, p.286).

B) Citação Indireta: ocorre quando são reproduzidas as ideias


do autor, quando se comenta o conteúdo do texto original, mas
não há cópia das palavras do autor citado. Neste caso, não se
usam aspas, nem nenhum tipo de destaque. É preciso também
mencionar o sobrenome do autor, ano em que a obra foi
editada, sendo a menção da página opcional. Retomando o
mesmo trecho anterior, assim ficaria em uma citação indireta
(note que não há copia das palavras).

Exemplo: Nas citações diretas há transcrição literal das palavras


do autor e as mesmas devem ser colocadas entre aspas, constando
também sobrenome do autor, data de publicação e página (LAKATOS
& MARCONI, 2003).

220
Quer nas citações diretas, que nas indiretas, há duas formas de
proceder: com menção ao autor antes da transcrição ou posterior a
ela. Observe com atenção, pois há procedimento específico para
cada caso: destaquei-os em negrito apenas para melhor
identificação.

Exemplo- As citações diretas, segundo Lakatos & Marconi


(2003, p.286), “Consistem na transcrição literal das palavras do
autor, respeitando todas as suas características.”

Exemplo- Citações diretas: “Consistem na transcrição literal das


palavras do autor, respeitando todas as suas características.”
(LAKATOS & MARCONI, 2003, p.286).

C) Citação de citação2: pode ainda ocorrer que se queira fazer


uma citação direta ou indireta de um texto ao qual não se teve
acesso pelo original, ou seja, queira se transcrever palavras

2 Fonte: FAJ. BIBLIOTECA. Manual para citações bibliográficas, 2002.

221
textuais ou conceitos de autor de que se tomou conhecimento
por citação em outro trabalho.

Neste caso, deve-se proceder da seguinte forma:

No texto: cita-se o sobrenome do autor do documento não


consultado, seguido de “apud” (expressão latina que significa “citado
por”), conforme, citado por ou segundo”, mais o sobrenome do
autor do documento consultado.

Exemplo:

Olson (1977, p. 23) apud Smith (1991, p. 86), afirma que nossa
capacidade para produzir e compreender tal linguagem falada é, na
verdade, um subproduto do fato de sermos alfabetizados.

- na listagem bibliográfica (referências) devem-se incluir os


dados completos do documento efetivamente consultado e do não
consultado. Nesse caso, deverá constar da bibliografia a obra de
Olson, e, separadamente, em ordem alfabética, a obra de Smith.

222
Exemplo:

OLSON, D. R. From utterance to text: the bias of language in


speech and writing. Harvard Educational Review. v. 47, n. 3, p. 257-
281, 1977 apud SMITH, F. Compreendendo a leitura: uma análise
psicolinguística da leitura e do aprender a ler. 2. ed. rev. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1991.

SMITH, F. Compreendendo a leitura: uma análise


psicolinguística da leitura e do aprender a ler. 2. ed. rev. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1991.

Atenção:

Nas citações não figuram os nomes, apenas o último


sobrenome.

Quando se tratar de dois ou três autores, separar os


sobrenomes por ( ; )

Quando se tratar de mais de três autores, usar o primeiro


seguido de “et al.”

223
Como fazer referências bibliográficas

Todos os autores que foram citados no transcorrer de uma


pesquisa precisam necessariamente ter sua obra listada no final do
trabalho. (A bibliografia, diferente das referências bibliográficas,
refere-se a todas as fontes consultadas, mesmo às que não foram
citadas).

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) disciplina tal


apresentação através da norma NBR-6023.

A obediência a esta norma garante que a indicação das obras


contenha os dados mínimos indispensáveis para a sua localização,
além de permitir a identificação da sua autoria.

Para que serve uma referência bibliográfica?

As referências bibliográficas têm quatro funções essenciais:

a) Honestidade intelectual: Reconhecimento do mérito do autor


do texto consultado.

224
b) Confere maior credibilidade àquilo que o escritor escreve.

c) Permite a quem lê localizar, confirmar e explorar a fonte de


onde foi extraída a informação.

d) “Memória auxiliar" para o escritor, permitindo uso posterior.

Referência: dados mínimos

Para uma melhor recuperação de um documento, alguns


elementos são indispensáveis, como:

1. autor (quem?);

2. título (o que?);

3. edição (a partir da segunda);

4. local de publicação (onde?);

5. editora;

6. data de publicação da obra (quando?).

225
Autor Título Edição

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed.


São Paulo, Atlas, 2002.

Local de publicação Editora Data


editora citação
citação
do
do
docum
Existem vários tipos de referências, impressos ou eletrônicos,
docume
ento ou
congressos, vídeo, música etc. A NBR 6023 traz a forma correta de
nto ou o
o
descrevê-los; neste material, apresentaremos somente os mais
resumo
resumo
comuns nos trabalhos acadêmicos.
de uma
de uma
questão
questão
interessa
interess
nte. 226
ante.
Você
Você
pode
pode
posicion
posicio
Referência- os tipos de entrada:

 Autores pessoais

 Entidades coletivas

 Congressos, conferências, simpósios etc.

 Entrada por título.

1) Entrada por autor

GIL, Antonio Carlos. § Entrada por sobrenome simples


CASTELO BRANCO, Entrada por sobrenome composto
Camilo.
RODRIGUES NETO, Entrada por sobrenome composto. Não
Clóvis. podem ser separados sobrenomes e
designativos tipo “Filho”, “Neto” ou
“Sobrinho” (esses designativos são
sempre grafados junto aos
sobrenomes.)
LAKATOS, Eva Maria; Entrada com dois autores. Note que são
MARCONI, Marina de separados por ponto e vírgula.
Andrade.

227
MOURA, M.L.S. de; Entrada com três autores. Note que são
FERREIRA, M.C.; separados por ponto e vírgula.
PAINE, P.A. §
ALVES, J.C. et al. Entrada com mais de três autores. Note
que, quando há mais de três autores,
coloca-se o primeiro seguido da
expressão “et al”.
OBS: Os nomes podem ser escritos por extenso ou podem ser
abreviados, conforme vê nos exemplos acima. No entanto, quando
estiver fazendo uma Referência Bibliográfica, eles devem ser
uniformizados, ou seja, escolha uma das formas e use-a do começo
ao fim.

2) Entrada por entidades coletivas

Referem-se a obras de instituições, organizações, empresas,


etc. em que não se distingue autoria pessoal.

228
Exemplos:

 BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Federal de


Educação.

 MINAS GERAIS. Secretaria do Estado da Educação.

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Biblioteca


universitária.

3) Congressos, conferências, simpósios, seminários etc.

Referem-se a encontros científicos e incluem-se as


informações: nome do evento, número, ano e local de realização.

Exemplos:

 CONGRESSO CIENTÍFICO LATINO-AMERICANO DA FIEP-


UNIMEP, 2., 2002, Piracicaba.

229
 ENCONTRO DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, 4., 2001,
Cascavel.

4) Livros

AUTOR (es) do livro. Título do livro. Edição acima da primeira


2. ed.. Local de publicação: Editora, ano.

Exemplos:

 KISHIMOTO, T. M. O jogo e a educação infantil. São Paulo:


Pioneira, 1998.

 _______________. Comunicação de dados. São Paulo:


Pioneira, 2010.

 MATTOS, M. G.; NEIRA, M. G. Educação física infantil: inter-


relações movimento, leitura e escrita. São Paulo: Phorte,
2002.TANI, G. et al. Educação física escolar: fundamentos de
uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo: EPU/USP,
1988.

230
OBS: Quando o autor for repetido na sequência da referência
(por exemplo, dois livros de um mesmo autor), coloca-se um espaço
tracejado (sublinear) da seguinte forma: ______. (Equivalente a seis
espaços e ponto final).

5) Livros/ Artigos em meios eletrônicos

AUTOR(es) do livro. Título do livro. Fonte (se houver).


Disponível em: <endereço eletrônico>. Acesso em: dia mês
abreviado ano.

Exemplo:

SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Entendendo o


meio ambiente. São Paulo, 1999. Disponível em:
<http://www.bdt.org.br/sma/entendendo/atual.htm>. Acesso em:
08 mar. 1999.

231
6) Artigos de Periódicos

AUTOR do artigo. Título do artigo. Nome da revista, Local de


publicação, volume (v.), numero (n.), página inicial e página final
do artigo p.00-00, período (jan./fev.) ano.

Exemplo:

VALLENTINI, N. C. A influência de uma intervenção motora no


desempenho motor e na percepção de competências de crianças
com atrasos motores. Revista Paulista de Educação Física, São
Paulo, v. 16, n. 1, p. 62-75, jan./jun. 2002.

Atenção! Site que poderá lhe dar grande auxílio, pois gera
referência bibliográfica automaticamente:
<http://www.rexlab.ufsc.br:8080/more/index.jsp>

232
FINALIZANDO – Avalie-se:

 É, agora, capaz de identificar os pontos importantes de


um texto?

 Elabora sínteses de textos com mais qualidade?

 Aprendeu a formular citações de documentos segundo a


ABNT?

 Compreendeu como fazer referências seguindo as


normas da ABNT?

Votos de que esteja empenhado em se tornar um pesquisador


capaz de produzir textos acadêmico-científicos, seguindo as normas
da ABNT,

Profª Márcia Monteiro

233
Sugestão de Atividades
Para discussão em fórum:

 Indique os procedimentos que devem ser observados


para se fazer uma citação direta de mais de três linhas.
 Indique os procedimentos que devem ser observados
para se fazer uma citação indireta.
 Para que serve uma referência bibliográfica?
Atividade:
Utilize os trechos dos dois textos oferecidos abaixo
(com alterações para fins didáticos) para desenvolver esta
questão.
Texto 1- Dados do artigo
A importância da disciplina de metodologia científica no
desenvolvimento de produções acadêmicas de qualidade no
nível superior, p.3. Escrito por Rosane Tolentino Maia em
2008. Acessado no site http://www.urutagua.uem.br, em 25
de setembro de 2013.
A iniciação científica caracteriza-se como instrumento
de apoio teórico e metodológico à realização de um projeto
de pesquisa e constitui um canal adequado de auxílio para a
formação de uma nova mentalidade no aluno, que de
simples repetidores, passam a criadores de novas atitudes e
comportamento, através 234 da construção do próprio
conhecimento.
Texto 2 - Dados do artigo
Elaboração de Projetos Inovadores na Educação Profissional, p.23-
24. Escrito por Simone Luzia Maluf Zanon e Thaise Nardelli. Publicado em
Curitiba, 2006 pela Editora SENAI.

Os projetos têm sido utilizados como referencial tanto nas escolas como
nas empresas.

Nas escolas, os projetos são um referencial para o desenvolvimento


de competências, pois ensinam os alunos a pensarem, a agirem e
decidirem, além de promover a mobilização de saberes e conhecimentos
adquiridos, desenvolver a cooperação, a inteligência coletiva, a
autonomia, a capacidade de fazer escolhas e negociá-las.

No âmbito das empresas, os projetos marcam um referencial


competitivo. Clientes vêm exigindo produtos melhores e serviços mais
rápidos. Para atender a velocidade do mercado são necessários
profissionais com capacidade de prever os prazos e custos das atividades,
bem como os riscos envolvidos.

 Utilize o texto 1 para justificar a necessidade de inclusão da


disciplina MPC no curso, recorrendo a uma citação direta com até
03 linhas.
 Utilize o texto 2 para justificar a necessidade de inclusão da
aprendizagem de elaboração de projetos no curso, recorrendo a
uma citação direta com mais de 03 linhas.
 Simulemos que terminou de fazer este trabalho (citações 1 e 2) e deve
agora, no final do trabalho, elaborar a bibliografia utilizada.

235
Referências

GIL, A.C. Como elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.

Coerência interna do parágrafo. Disponível em: <


http://deborando.blogspot.com.br/2011/11/aula-8-coerencia-
interna-do-paragrafo.html> Acesso em: 14 ago. 2013.

FAJ. BIBLIOTECA. Manual para citações bibliográficas, 2002.

LAKATOS, E.M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia


científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

VAN DIJK, T.A. La ciencia del texto. Barcelona, Paidós, 1983.

236
Anotações
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___________________________________________
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Anotações
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Anotações
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___________________________________________
239
___________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
FACULDADE DE JAGUARIÚNA
2014
MÓDULO METODOLOGIA DA PESQUISA
V CIENTÍFICA

241
Módulo 5

Introdução

Você tem percebido que o mercado, nos últimos anos, vem


valorizando bastante o profissional com pensamento crítico,
reflexivo, criativo? O profissional capaz de, através de projetos
inovadores, propor soluções sobre problemas que respondam às
exigências atuais de competitividade: maior produtividade, em
menos tempo e menor custo?

Pois bem, para capacitá-lo para essas exigências, ofereceremos,


neste módulo, detalhes sobre:

- a estrutura de projeto de pesquisa (título, introdução, revisão


bibliográfica, procedimentos metodológicos, bibliografia,
cronograma e orçamento);

- a estrutura do relatório de pesquisa.

242
Projeto de Pesquisa

Projeto de Pesquisa: importância para a vida acadêmica e


profissional

A maioria dos estudantes, ao iniciar um projeto, recorre a


procedimentos de recortar e colar de diversas fontes, perdendo-se
em escolhas e cópias; não faça isso, é possível agir de forma
sistematizada.

Você pode também estar se perguntando: Mas, afinal, para que


serve um projeto? Qual é sua importância para a vida acadêmica e
profissional?

Elaborar um projeto de pesquisa é o primeiro passo para você


se inserir no mundo da pesquisa. Ele é utilizado em toda e qualquer
área do conhecimento, sendo referencial tanto nas escolas como nas
empresas.

243
É um processo que tem grande importância tanto no
desenvolvimento científico quanto no profissional, pois permite
maior conhecimento do referencial teórico existente na área que se
pretende investigar, além de contribuir significativamente para
imprimir disciplina ao pesquisador, aspecto que tem reflexos
altamente positivos na vida profissional, acadêmica e pessoal.

Cada vez mais as escolas o empregam para o desenvolvimento


de competências e habilidades:

- ele ensina os alunos a pensarem, a agirem e decidirem;

- promove a mobilização de saberes e conhecimentos


adquiridos;

- desenvolve a cooperação, a inteligência coletiva, a autonomia,


a capacidade de fazer escolhas e negociá-las.

Nas empresas, como já afirmado anteriormente, ele é marco no


referencial competitivo: somente profissionais com capacidade de
prever os prazos e custos das atividades, bem como os riscos

244
envolvidos estão aptos a atender a velocidade do mercado atual.
Para sobreviverem, no ambiente global, competitivo e dinâmico em
que as organizações se encontram, elas precisam possuir capacidade
de mudança, de adaptação e de alteração estratégica de seus
processos e de habilidades de negociação. É através dos projetos que
essas inovações são efetivadas: quanto mais inovações, mais
projetos surgem. A elaboração de projetos inovadores é uma
importante ferramenta para aumentar a participação do indivíduo
no ambiente empresarial. Também o método aproxima a
aprendizagem do universo empresarial, uma vez que é básico para
resolver questões de ordem gerencial e produtiva.

A finalidade do projeto é, sempre, solucionar um problema


concreto imediato, a curto, médio ou a longo prazo, uma dificuldade
ou um desafio proposto, transformando ideias em ações.

Seu objetivo é aprofundar os conhecimentos existentes a


respeito de um determinado tema e estimular a busca por

245
informações suplementares confiáveis, para proporcionar um
enriquecimento no conhecimento existente.

Por onde começar?

Tenha postura criativa e inovadora na resolução da situação


problema:

- Coloque o foco em sua pergunta de pesquisa.

- Pense em todos os aspectos que rodeiam seu desafio.

- Anote, em forma de tópicos, o que você já sabe a respeito


dele: pessoas com quem pode falar, locais onde pesquisar,
onde conseguir dados, livros e revistas que falem sobre o tema,
o que você ainda não sabe e pretende abordar...

246
O que e como?

- Você terá obrigatoriamente que ler muito.

O que ler e como ler reveste-se de grande importância, pois é


fundamental conhecer o que já existe sobre o assunto.

- Verifique se a data da publicação pode influenciar no


trabalho: em áreas como ciência e tecnologia, o conhecimento
poderá estar ultrapassado em menos de um ano; já, há outras áreas
(baseadas, por exemplo, em fatos históricos) em que esta data não
causa tanto impacto.

- Ao recorrer à internet, vá com calma: entre em sites confiáveis


(releia o exposto no módulo 1, item 4) e verifique o que já existe na
área pretendida ou a respeito do seu tema e dos
autores/pesquisadores que tratam disto.

- Peça dicas de bons livros e autores que tratem do tema a


pessoas mais experientes, docentes da área ou familiares,
profissionais com que tem contato.

247
- Recolha material: de colegas, da biblioteca, do professor,
procure artigos destes autores que estejam disponíveis na internet,
teses de universidade de qualidade, referências bibliográficas de
algum artigo de que gostou, busque em jornais, revistas e periódicos.

Na hora da pesquisa

- Selecione os dados que sejam sólidos, confiáveis e que


estejam relacionados à sua pergunta de pesquisa.

- Tenha sempre papel e caneta à mão, para anotar ideias que


surjam durante a leitura, para que não as perca e possa retornar a
elas oportunamente.

- Retome os procedimentos didáticos do módulo 4:

- o quê e como grifar: não grife nada antes de captar a ideia


do autor; sublinhe apenas as ideias chaves ou detalhes importantes;

248
- organize as anotações em forma de esquema de cada leitura
realizada para não ter que relê-las novamente na íntegra;

- anote páginas interessantes, separando-as por livro ou por


assunto, assim, não terá dificuldades em formular suas citações e
referências ao construir seu texto.

Na hora de produzir seu texto

- Hora de fazer um resumo, selecionando o que é relevante


para o projeto.

- Recorde qual é a situação de produção, quem são as pessoas


para quem você está escrevendo; garanta que os que vão lê-lo
entendem suas ideias e pensamentos; busque ser claro e objetivo,
oferecer material de leitura clara e agradável.

- Organize suas anotações em um plano provisório,


distribuindo-as pelos itens que pretende desenvolver.

249
- Lembre-se que, toda vez que fizer transcrições, fiéis ou
adaptadas de textos publicados, deve citar sempre a fonte, obedecer
às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

Para que as soluções sejam encontradas e, para facilitar a


elaboração do projeto, o planejamento é fundamental. Atente para
as questões que podem servir como guia:

O quê?

Por quê?

Como?

Quando?

Quanto?

Com que recursos?

250
Você deve garantir resposta a todas estas questões. Em seguida,
em forma de esquema, organize as informações, buscando
responder: Como vou solucionar este problema? Que soluções eu
quero investigar e desenvolver? Isto é inovador? Que etapas terão
que ser cumpridas? Que objetivos? Quais os meios que serão
utilizados para atingi-los? Que recursos serão necessários? Onde
serão obtidos? Como os resultados serão avaliados?

O que é projeto

Agora que você já sabe que os projetos fazem parte de sua vida,
vamos conhecer alguns conceitos? Leia e reflita sobre o que os
conceitos apresentados abaixo têm em comum:

“Projeto é todo o trabalho que fazemos de uma vez. Seja


projetar uma aeronave, construir o balcão de uma padaria ou criar a
logomarca de um negócio, todo projeto produz resultados, e todo
projeto tem um começo e um fim.” (VERZUH, 2000, p. 19).

251
Projeto é um empreendimento não repetitivo,
caracterizado por uma sequência clara e lógica de
eventos, com início, meio e fim, que se destina a
atingir um objetivo claro e definido, sendo
conduzido por pessoas dentro de parâmetros
predefinidos de tempo, custo, recursos envolvidos
e qualidade. (VARGAS, 2003, p. 7).

Segundo Valeriano (1998, p. 34),

O projeto de pesquisa consiste na busca


sistematizada de novos conhecimentos, podendo
situar-se no campo da ciência (projeto de pesquisa
científica ou básica) ou no da tecnologia (projeto
de pesquisa tecnológica ou aplicada). Os projetos
de pesquisa científica ou básica não têm um
direcionamento intencional para o mercado. Os
resultados da pesquisa científica são divulgados

252
livremente, enquanto aqueles obtidos no campo
da tecnologia têm valor comercial, sendo
considerados mercadoria.

Percebeu? Isto mesmo, todo projeto tem início, meio e fim (um
projeto que não tem término não é um projeto, é uma rotina), não é
algo repetitivo e requer trabalho sistematizado, com observação de
etapas básicas.

E projetos inovadores o que seriam? O que faz um projeto ser


inovador?

O projeto é considerado inovador quando ele é capaz de


transformar, revolucionar, causar algum tipo de impacto,
proporcionar uma alternativa não pensada antes, apresentar um
“diferencial” ainda não pensado.

253
Não são projetos inovadores aqueles que não agregam ou não
promovem qualquer tipo de mudança, sendo elaborados,
normalmente, apenas para tornar legítimas decisões já tomadas.

Como inovar? Como pensar diferente?

Inova-se através do conhecimento: é a busca permanente de


atualização, a aprendizagem continuada que leva o indivíduo a ser
criativo, a gerar novas ideias.

Estrutura do Projeto

Focaremos, agora, a estrutura do projeto de pesquisa, o qual


normalmente se formula após ter sido delimitado o tema e o
problema correspondente da pesquisa. Como no Módulo 3 foram
abordadas as etapas de uma pesquisa, em alguns casos,
solicitaremos que retome as informações lá prestadas.

254
A estrutura de um projeto completo de pesquisa é a seguinte:

Título do projeto

Reforçamos a ideia já apresentada no módulo 4 (p.8), de que é


importante reservar espaço para cuidar do título, o qual,
preferencialmente, deve ser curto, claro e atrair a atenção e
interesse do leitor.

Ele deve informar o objetivo ou a conclusão parcial do trabalho,


evitando- -se: gírias, siglas, repetição de palavras, expressões como
vários, alguns, diversos, etc.

O uso da vírgula ou dos dois pontos com a supressão de


palavras é boa alternativa. Quando acompanhado de subtítulo, cabe
ao título ser mais abrangente, enquanto a caracterização é feita pelo
subtítulo.

Observe o exemplo:

255
“Título: algo a ser criteriosamente planejado.”

Observe que título e tema não é a mesma coisa: enquanto o


tema precisa ser delimitado, especificado, o título é formulado como
uma síntese do conteúdo da pesquisa, proveniente dos objetivos.

Escolha do tema

A escolha do tema deve considerar as lacunas existentes na


área que se pretende investigar: às vezes, para se chegar a conhecê-
las, haverá necessidade de muita leitura. O assunto deve se referir a
algo que permita generalização dos resultados, algo de interesse
universal, não apenas local.

A indefinição inicial de um tema é normal, sendo esperado que


ele, gradativamente, vá se tornando mais concreto, preciso e
determinado. Ele é o assunto que se deseja provar ou desenvolver;
é uma proposição até certo ponto abrangente, diferente da

256
formulação do problema que é mais específica, que deve indicar
exatamente qual a dificuldade que se pretende resolver.

Exemplos: - tema - "O perfil do jovem que, mais facilmente,


inicia-se em drogas”; problema - "Quais condições mais influenciam
os jovens a se iniciarem nas drogas?”.

O tema deve ser introduzido por algumas dúvidas (das quais irá
surgir o problema de pesquisa): Como o pesquisador chegou a ele?
Quais os motivos que produziram dúvidas e interesse a respeito
desse tema?

Deve ser antecedido e localizado através de estudos


preliminares (leituras bibliográficas, visitas a locais específicos,
discussões com especialistas e colegas), os quais contribuem para a
delimitação do problema de pesquisa. É também através deles que
se inicia a revisão bibliográfica, uma das exigências fundamentais de
um projeto de pesquisa, a qual será complementada quando o
problema estiver pelo menos relativamente definido.

257
Mas quais são as motivações que levam à escolha de um tema?
Os temas podem surgir:

- de observação do cotidiano;

- da vida profissional;

- do contato e relacionamento com especialistas;

- de pesquisas já realizadas;

- do estudo de literatura especializada;

- da experiência pessoal;

- de estudos e leituras, da descoberta de discrepâncias entre


trabalhos ou da analogia com temas de estudos de outras
disciplinas ou áreas científicas.

258
Resumindo: o tema pode surgir de uma dificuldade prática, de uma
curiosidade científica, de desafios encontrados na leitura de outros
trabalhos ou da própria teoria.

Retome o Módulo 3 (item 4.1) que trata de escolha do tema.

Estudos preliminares

Retome o Módulo 3 (item 4.2) que trata de Estudos


preliminares.

Para a realização dos estudos preliminares, é importante saber


em que área e subárea do conhecimento o tema se insere, assim será
mais fácil localizar livros, periódicos especializados, teses, jornais,
etc. para atualização e subsídios, os quais podem melhor orientá-lo
e dar-lhe mais segurança sobre o tema, bem como ajudar na
formulação do enunciado.

259
Com uma visão relativamente clara da área de inserção de seu
tema, é preciso que o pesquisador vá para a biblioteca ler sobre o
assunto: este levantamento bibliográfico preliminar é fundamental
para melhor delimitação e clarificação do assunto e também para
aproximá-lo de multiplicidade de pontos de vista. Posteriormente,
deve ser incorporada ao projeto acrescida de complementação no
tópico intitulado "Revisão bibliográfica" ou "Estado da questão”.

Formulação do Problema

Retome o Módulo 3 (item 4.3) onde este item foi bem


explorado. Verifique as características que o problema deve ter para
ser de validade científica, observando, também, que perguntas
retóricas, especulativas e afirmativas (valorativas) não são perguntas
científicas.

260
Formular um problema é dizer, de maneira explícita,
compreensível e clara, qual é a dificuldade que se pretende resolver,
apresentando suas características e limitando o seu campo.

A problemática não pode ser imprecisa e vaga; é preciso que ela


seja consciente, objetivada, delimitada, uma problemática racional.
O problema de pesquisa deve ser algo que se pode resolver, com
conhecimentos e dados e não pela intuição, especulação ou senso
comum. Deve ser formulado como uma pergunta de forma clara e
precisa, constituindo- se em passo fundamental, a partir do qual
ocorrerão os passos subsequentes do projeto, principalmente a
formulação das hipóteses e as escolhas metodológicas.

A pergunta deve também ser significativa, deve conter a


promessa de que uma solução pode ser esperada, caso contrário não
haveria razão para se fazer uma pesquisa.

Cumpre lembrar que o pesquisador não deve passar para a


próxima etapa do projeto, a revisão da literatura, antes de ter
delimitado muito bem seu problema, através da formulação de sua

261
pergunta; para avançar com eficácia nos passos do projeto, é preciso
saber bem o que se procura. A identificação e delimitação clara do
problema é o primeiro passo para aprovação do projeto e êxito na
sua execução.

Apresentação da Relevância / Justificativas

Neste tópico, deve ser apresentada a relevância técnica do


projeto: a proposta deve ser justificada técnica, científica e
socialmente, arrolando-se e explicitando os argumentos que
indiquem que a pesquisa é significativa, importante ou relevante.

Assim, a contribuição será de ordem científico-teórica (caso


mais raro), quando o conhecimento advindo da pesquisa
proporcionar a construção de uma nova teoria, ou ampliar
conhecimento teórico já existente, ou preencher lacunas existentes
na área, ou ajudar na compreensão de conceitos teóricos complexos.

262
Ela será de ordem científico-prática, quando pretender dar
respostas a um aspecto novo que a realidade apresenta como fruto
do desenvolvimento das forças produtivas, técnicas etc., ou quando
se tem a intenção de sugerir caminhos para uma determinada
aplicação tecnológica.

Pode ainda ser de ordem social, quando o conhecimento


resultado da pesquisa estiver voltado para debate em torno de
problemas sociais ou quando um conhecimento prático é buscado
como meio de intervenção na realidade social.

A justificativa, quer dizer, a argumentação sobre a relevância


do trabalho, deve, não apenas esclarecer que ele ainda não foi feito
por outro pesquisador, mas principalmente enfatizar por que ele
deve ser realizado.

Se o problema de pesquisa não estiver bem delimitado e se a


revisão bibliográfica não for expressiva, a justificativa fica
prejudicada, pois não há como justificar algo que não esteja bem

263
definido e nem com pano de fundo dos estudos realizados no mesmo
circuito de questões suficientemente claro.

Enfim, a justificativa deve apresentar os elementos que res-


pondem às questões: "Por que a pesquisa é relevante”? "De onde
vem sua pertinência”? "Qual é o âmbito da contribuição que ela
trará"?

A apresentação da contribuição que a pesquisa pode trazer é


uma excelente ponte de passagem para a explicitação de seus
objetivos.

Apresenta respostas à questão por quê?

264
A Explicitação dos Objetivos

O objetivo responde às questões: Para quê? Para quem?

Justificado o problema, o projeto deve definir seus objetivos,


ou seja, deve evidenciar que fins a pesquisa visa atingir, aonde se
quer chegar, qual é o "alvo" ou fim que se pretende.

Via de regra, são hierarquicamente divididos em objetivos


gerais (dizem respeito a uma visão global e abrangente do problema;
indicam de forma genérica o objetivo a ser alcançado) e objetivos
específicos (permitem que o objetivo geral seja atingido ou que ele
seja aplicado a situações particulares; detalham o objetivo geral,
indicando exatamente o que será realizado na pesquisa, apresentam
caráter mais concreto).

Na descrição dos objetivos, é importante que os verbos sejam


utilizados no infinitivo. Por exemplo: O objetivo do projeto é analisar,
compreender, identificar, interpretar, etc.

Richardson (2007) orienta sobre que verbos utilizar:

265
Usualmente, em uma pesquisa exploratória, o
objetivo geral começa pelos verbos conhecer,
identificar, examinar, levantar e descobrir; em uma
pesquisa descritiva, inicia com os verbos
caracterizar, descrever e traçar; e, em uma
pesquisa explicativa, começa pelos verbos analisar,
avaliar, verificar, explicar, etc.

Formulação das hipóteses

Retome o Módulo 3 (item 4.4) que trata de Construção de


hipóteses.

Depois da explicitação dos objetivos, o pesquisador passa para


a formulação das hipóteses. Como suposições de respostas para o
problema proposto, as hipóteses se responsabilizam pelo
direcionamento da pesquisa, na medida em que são elas que a
pesquisa terá por finalidade demonstrar ou testar e comprovar ou
não.
266
O problema propõe uma interrogação, uma pergunta que
procurará ser resolvida pela pesquisa; a hipótese, em forma
afirmativa, procura dar uma suposta resposta, provável, provisória,
funcionando como guia, como bússola para os passos seguintes do
projeto.

Ora, não há formulação de hipóteses sem um quadro teórico


de referência. É por isso que essa formulação já encaminha o
pesquisador para a explicitação do seu quadro teórico.

Na proposta de uma hipótese alguns elementos precisam ser


observados:

- ela deve ser plausível, isto é, indicar algo que possa ser aceito,
admitido;

- deve ter consistência, ou seja, seu enunciado não pode estar


em contradição com a teoria, nem com o conhecimento científico;

267
- não deve apresentar contradições no próprio enunciado; ele
deve ser claro, simples, não utilizar termos desnecessários ou que
dificultem a compreensão.

- a hipótese deve ser verificável através de processos


científicos.

Embasamento Teórico

Responde à questão “Como?”

É imprescindível correlacionar a pesquisa com uma teoria de


base, um universo teórico e conceitual, o qual é utilizado pelo
pesquisador para fundamentar sua interpretação dos dados e fatos
colhidos.

A revisão da bibliografia.

Segundo Lakatos & Marconi (2003), as pesquisas não partem da


estaca zero: em algum lugar, alguém já deve ter feito pesquisas

268
iguais ou semelhantes; conhecer quem já escreveu e o que já se
escreveu sobre o tema e o problema escolhido é essencial para que
não ocorra duplicação de esforços em “descobertas” de ideias já
expressas e também para que não haja inclusão de “lugares –
comuns” no trabalho.

A revisão de bibliografia permite a determinação do “estado da


arte”: documenta o que está a ser feito atualmente no campo em
estudo, o que é fundamental para explicar os acréscimos da tese ao
estado de conhecimento atual. Mostra, através da literatura já
publicada, o que já se sabe sobre o tema, as lacunas ainda existentes
e onde se encontram os principais entraves teóricos ou
metodológicos. É bastante produtivo, explorar melhor os títulos
colhidos durante a fase de estudos preliminares: utilizar a listagem
bibliográfica que consta no final de cada obra como fonte de
localização de outras referências, uma vez que estes livros têm o
mesmo interesse de pesquisa e já foram selecionados com cuidado.

269
Cabe, aqui, realizar uma análise, procurando mostrar os
enfoques recebidos pelo tema em livros, periódicos especializados e
internet, salientando os pontos de vista convergentes e divergentes
dos autores.

Vê-se, assim, por que a revisão bibliográfica é importante: de um


lado, ela comprova que o pesquisador não está querendo realizar
algo que já foi feito e de outro lado, ajuda a encaminhar a
justificativa, oferecendo argumentação sobre a relevância do
trabalho e por que ele deve ser realizado.

Como são raros os problemas e as perguntas que ainda não


foram levantados, Laville e Dionne (1999, p. 113) sugerem "seguir a
informação como um detetive procura pistas: com imaginação e
obstinação. É, aliás, esse aspecto do trabalho, agir como um
detetive, que, com frequência, torna prazerosa a realização da
revisão da literatura". No entanto, alertam (ibidem, p.112) que a
atividade não pode ser semelhante a "uma caminhada no campo

270
onde se faz um buquê com todas as flores que se encontra", ou seja,
não se pode perder o foco, a pergunta que se quer responder.

É preciso disciplina, fazer escolhas criteriosas em função do que


as obras podem, efetivamente, contribuir para o trabalho em
questão e não simplesmente elaborar resumos e paráfrases do que
está escrito nos livros; é o momento de fazer considerações,
explicando e justificando as escolhas em função do problema
proposto.

Para melhor aproveitamento do tempo, é bom, paralelamente


às leituras, fazer registros relativos àquelas selecionadas: comentar
resumidamente as ideias apresentadas, destacar trechos que
poderão ser usados em citações e anotar as referências da obra.

Resumindo: Neste tópico, apoiado em um quadro teórico de


referência e sem perder de foco seu problema, você deve expor, de
forma resumida, as principais ideias já discutidas por outros autores
sobre a questão, estabelecendo paralelos entre eles e deixando

271
evidenciado em que seu trabalho será diferente, bem como em que
ele vai contribuir.

Procedimentos metodológicos

Neste ponto, o projeto deve ter como foco as questões


metodológicas, técnicas e instrumentais: o método cuidará dos
procedimentos de raciocínio e analíticos mais amplos; as técnicas
apresentarão operacionalizações do método das quais os
instrumentos serão suportes.

Deverá ser mostrado:

 Como será executada a pesquisa e o desenho


metodológico que se pretende adotar: será quantitativa ou
qualitativa? Descritiva, explicativa ou exploratória?
Levantamento, um estudo de caso, uma pesquisa
experimental? Etc.

272
 Definição da população (universo) a ser aplicada a
pesquisa.

 Como será selecionada a amostra e o quanto ela


corresponde percentualmente à população estudada.

 Como os dados serão coletados e que instrumentos de


pesquisa serão usados: observação, questionário, formulário
ou entrevistas.

 Como será elaborado o instrumento de pesquisa.

 Como os dados serão tabulados e analisados?

A especificação da metodologia responde, a um só tempo, às


questões: Como? Com quê? Onde? Quanto?

No momento da indicação dos procedimentos metodológicos, o


pesquisador localiza o tipo de pesquisa que estará realizando,

273
estando a metodologia sempre estreitamente ligada a essa tipologia.
Esclarecer se é:

 Natureza: teórica ou aplicada.

 Objetivos: explicativa, descritiva ou exploratória.

 Procedimentos: bibliográfica, estudo de caso, survey,


pesquisa-ação etc.

 Abordagem: quantitativa ou qualitativa.

 Local: laboratório ou de campo.

Retomar Módulo 3, item 2.4.

Além disso, os métodos devem estar afinados com o problema


proposto e com as hipóteses.

Com o problema em mente, as hipóteses e o método são


entrelaçados através da pergunta "Como e com que meios poderei

274
resolvê-lo?”, funcionando as hipóteses como sinalizações para o
caminho a ser percorrido, (daí a necessidade de método estar
sintonizado a essas sinalizações).

Outro aspecto importante é não haver contradição entre o


método e o quadro teórico de referência (também conhecimento
como fundamentação teórica), pois, muitas vezes, o método advém
diretamente do quadro teórico.

Determinar as técnicas de coleta de dados

A coleta de dados é a busca por informações para


esclarecimento do fenômeno ou fato que o pesquisador quer
investigar. As técnicas correspondem à parte prática de coleta de
dados.

Os tipos de técnicas de coleta de dados ou instrumentos de


coleta de dados mais comuns são:

275
1- Documentação indireta - Pesquisa bibliográfica: abrange
todas as obras publicadas sobre o tema de estudo; fundamentada
em fontes bibliográficas, seus dados são obtidos a partir de fontes
escritas, como: jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias,
teses, material cartográfico, etc. Tem por finalidade colocar o
pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou
filmado sobre o assunto.

2- Documentação indireta: Pesquisa documental – realizada a


partir de documentos contemporâneos ou retrospectivos,
considerados cientificamente autênticos. Sua finalidade é descrever,
comparar fatos sociais, estabelecendo suas características ou
tendências. Os documentos são classificados em dois grupos
principais:

- fontes de primeira mão: os que não receberam qualquer


tratamento analítico, tais como: documentos oficiais, reportagens

276
de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações,
gravuras, etc.

- fontes de segunda mão: os que de alguma forma já foram


analisados, tais como: relatórios de pesquisa, tabelas estatísticas,
manuais internos de procedimentos, decisões de juízes, etc.

3- Pesquisa eletrônica: abarca informações extraídas de endereços


eletrônicos, disponibilizados em home page e sites. Importante
verificar se as fontes são confiáveis, pois nem toda informação
disponibilizada em meios eletrônicos pode ser considerada como
sendo de caráter científico.

4- Documentação direta: Questionário - constituído por uma série


ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito pelo
informante, sem a presença do pesquisador. Sua finalidade é
levantar opiniões, crenças, interesses, situações vivenciadas, etc. A

277
linguagem deve ser simples e direta: garante, assim, mais
compreensão e clareza sobre o que está sendo perguntado.

5- Formulário: diferentemente do questionário, no formulário, as


questões são formuladas e anotadas pelo entrevistador face a face
ao entrevistado. Devem partir das mais simples para as mais
complexas, possibilitarem uma única interpretação e respeitarem o
nível de conhecimento do informante. Por serem perguntas
padronizadas são instrumentos de pesquisa mais adequados à
quantificação, pela maior facilidade de codificação e tabulação,
possibilitando comparações entre dados relacionados ao tema
pesquisado. O mesmo ocorre com o questionário.

6 – Entrevista: esta alternativa possibilita a coleta de dados não


documentados sobre determinado tema, através de conversação
face a face, em que, de maneira metódica, uma das partes busca

278
obter dados e a outra se apresenta como fonte de informação. A
entrevista pode se apresentar de diversos tipos, sendo, aqui,
apresentados alguns:

- Padronizada ou Estruturada: segue-se um roteiro


previamente estabelecido, com perguntas predeterminadas, com o
objetivo de obter diferentes respostas para a mesma pergunta,
possibilitando que sejam comparadas. -
Despadronizada ou Não-Estruturada: recomendada nos
estudos exploratórios, ela busca a visão geral do tema, sendo o
entrevistado convidado a falar livremente sobre o tema.

- Entrevista em grupo: pequenos grupos respondem,


simultaneamente, questões, de maneira informal, sendo suas
respostas organizadas posteriormente pelo entrevistador.

279
7- Observação: utiliza os sentidos para obter determinados aspectos
da realidade; não se limita, no entanto, apenas em ver e ouvir, mas
também examina os fatos ou fenômenos que se desejam estudar.

Independente da técnica escolhida é preciso deixar evidente a


característica, a forma de sua aplicação, como será feita a
codificação e a tabulação dos dados obtidos.

Para aprofundamento em Técnicas de Pesquisa, consulte:


LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos
de metodologia científica. 5. ed. - São Paulo: Atlas, 2003.

Verificar como fazer com capítulo

Estabelecer população e amostra:Definir o universo de estudo e a


forma como será selecionada a amostra são atividades que merecem
cuidados.

O universo ou população corresponde ao conjunto de seres que


estaria sendo investigado, tomando como base pelo menos uma

280
característica que apresenta em comum, como: sexo, faixa etária,
comunidade, etc.

No entanto, às vezes, torna-se inviável, por questão dos


recursos disponíveis ou do tempo de que se dispõe, abranger a
totalidade dos integrantes do universo, havendo necessidade de
investigar apenas uma parte. Recorre-se, assim, a uma amostra, ou
seja, escolhe-se apenas uma parte, uma porção ou parcela, que
precisa ser convenientemente selecionada do universo para que ela
seja a mais representativa possível desse todo. Os resultados obtidos
relativos a essa parte serão inferidos como os resultados da
população total, como se esta tivesse sido verificada.

Segundo Doxsey & De Riz (2002-2003, p. 44)

A escolha de quem vai ser estudado mantém uma


relação estreita com dois aspectos principais: 1)
até que ponto queremos generalizar ou concluir
algo para um pequeno grupo ou para uma
população maior; e 2) quantos casos, indivíduos,

281
unidades de observação precisam ser estudados
para que os resultados sejam considerados
“científicos”. As técnicas de amostragem permitem
reduzir o número de sujeitos numa pesquisa, sem
risco de invalidar resultados ou de impossibilitar a
generalização para a população como um todo.

Atenção!

Retomar Módulo 3, itens:

4.6 Elaboração dos dados


4.7 Análise, interpretação e representação dos dados
4.8 Conclusão da análise e dos resultados obtidos

282
Cronograma

Há necessidade de se fazer uma previsão do tempo que será


necessário para desenvolver a pesquisa em todas suas partes:
algumas devem ocorrer antes que outras, enquanto há também
etapas que podem acontecer concomitantemente. Trata-se, agora
de elaborar o cronograma, de indicar as etapas que serão cumpridas
em cada período, de responder à pergunta “Quando?” “Em quanto
tempo?”.

Orçamento

“Quanto vai custar?”.

O orçamento deve apresentar uma estimativa dos


investimentos que serão necessários, distribuindo gastos por itens,
que devem necessariamente ser separados: pessoal (todos os
envolvidos e seus ganhos) e material (subdividido em elementos

283
permanentes e de consumo). Arrolar quantidades e valores em reais
(R$), em um somatório com o valor global.

Bibliografia Preliminar

Ao final de tudo, coloca-se a lista bibliográfica preliminar; a


bibliografia definitiva irá sendo complementada no decorrer da
execução do projeto.

Estrutura do Relatório de Pesquisa

Após a coleta de dados, sua análise, interpretação e


representação (sua codificação e tabulação, tratamento estatístico),
os resultados obtidos devem ser redigidos: é o momento do relatório
de pesquisa.

284
Lakatos &Marconi (2003) indicam os elementos que devem
fazer parte do relatório:

Apresentação

Existem poucas diferenças entre a apresentação do projeto e a


do relatório: a folha com a relação do pessoal técnico é substituída
pela página de rosto, que repete os dizeres da capa, acrescentando
somente ao nome do coordenador, em sequência, os nomes e
respectivos cargos da equipe técnica.

Constituída de duas partes:

a) Capa: entidade, título (e subtítulo, se houver), coordenador


(es), local e data

b) Página de Rosto: entidade, título (e subtítulo, se houver),


coordenador (es), equipe técnica, local e data

285
Sinopse (abstract)

Redigida por último, apresenta em resumo de, no máximo, uma


página o conteúdo do relatório no tocante à natureza da pesquisa
realizada.

Sumário

Relação das partes, capítulos, itens e subitens do trabalho, com


indicação do número de páginas iniciais.

Introdução

A introdução abrange três itens do relatório: Objetivo,


Justificativa e Objeto, incorporando modificações decorrentes da
aplicação da pesquisa-piloto.

a) Objetivo: tema, delimitação do tema, objetivo geral e


objetivos específicos.

286
b) Justificativa

c) Objeto: problema, hipótese básica e hipóteses secundárias,


variáveis.

Revisão bibliográfica

Igual à do projeto, com os acréscimos de novas obras ou


trabalhos que tenham surgido durante a pesquisa.

Metodologia

Igual à do projeto, exceto se houve alterações em decorrência


do pré-teste.

a) Método de Abordagem

b) Métodos de Procedimento

c) Técnicas

287
d) Delimitação do Universo

e) Tipo de Amostragem

Embasamento teórico

O que não foi alterado pela pesquisa-piloto deve ser repetido


no relatório.

Apresentação dos dados e sua análise

Os dados, apresentados de acordo com sua análise estatística,


aparecerão no texto em forma de tabelas, quadros, gráficos e outras
ilustrações. No corpo, devem figurar apenas os necessários à
compreensão do desenrolar do raciocínio; os demais deverão vir em
apêndice.

O material a ser apresentado precisa ser selecionado. As


relações e correlações entre os dados obtidos constituem a essência

288
dessa parte do relatório; aqui são oferecidas evidências à verificação
das hipóteses, que se processa no item seguinte. Todos os dados
pertinentes e significativos devem ser apresentados, e se algum
resultado for inconclusivo tem de ser apontado, assim como devem
ser demonstradas as evidências, a que se chegou através da
pesquisa, que refutem previsões realizadas.

Interpretação dos resultados

Corresponde à parte mais importante do relatório. É aqui que


são transcritos os resultados, na forma de evidências, para a
confirmação ou a refutação das hipóteses. Quando os dados são
irrelevantes, inconclusivos, insuficientes, não se pode nem confirmar
nem refutar a hipótese e tal fato deve ser apontado.

É necessário assinalar:

• as discrepâncias entre os fatos obtidos e os previstos


nas hipóteses;

289
• a comprovação ou a refutação da hipótese, ou ainda, a
impossibilidade de realizá-la;

• especificação da maneira pela qual foi feita a validação


das hipóteses no que concerne aos dados;

• qual é o valor da generalização dos resultados para o


universo, no que se refere aos objetivos determinados;

• maneiras pelas quais se pode maximizar o grau de


verdade das generalizações;

• na medida em que a convalidação empírica permite


atingir o estágio de enunciado de leis;

• como as provas obtidas mantêm a sustentabilidade da


teoria, determinam sua limitação ou, até, a sua rejeição.

290
Conclusões

A apresentação e a análise dos dados, assim como a


interpretação dos resultados, encaminham naturalmente às
conclusões. Estas devem: evidenciar as conquistas alcançadas com o
estudo; indicar as limitações e as reconsiderações; apontar a relação
entre os fatos verificados e a teoria. As conclusões devem ser
redigidas em linguagem precisa e categórica, refletindo a relação
entre os dados obtidos e as hipóteses enunciadas.

Recomendações e sugestões

As recomendações consistem em indicações, de ordem prática,


de intervenções na natureza ou na sociedade, de acordo com as
conclusões da pesquisa. Por sua vez, as sugestões são importantes
para o desenvolvimento da ciência: apresentam novas temáticas de
pesquisa, inclusive levantando novas hipóteses, abrindo caminho a
outros pesquisadores.

291
Apêndice

Apresentando tabelas, quadros, gráficos e outras ilustrações


que não figuram no texto; assim como o(s) instrumento(s) de
pesquisa, o apêndice é composto de material trabalhado pelo
próprio pesquisador: tabelas, quadros, gráficos, outras ilustrações,
instrumento (s) de pesquisa, etc.

Anexos

Constituídos de elementos esclarecedores de outra autoria,


devem ser limitados, incluindo apenas o estritamente necessário à
compreensão de partes do relatório.

292
Bibliografia

Inclui todas as obras já apresentadas no projeto, acrescidas das


que foram sendo sucessivamente utilizadas durante a execução da
pesquisa e a redação do relatório.

Avalie-se:

 Familiarizou-se com os elementos que compõem um projeto


de pesquisa?

 Compreendeu as etapas para escrever um relatório de


pesquisa?

Finalizando

Nossa conversa vai, por ora, terminando...

No entanto, saiba que, mais do que levá-lo a elaborar projetos


ou escrever um texto científico, tivemos, aqui, como objetivo:

293
- que pratique, constantemente, a comunicação correta,
fazendo uso de pensamento estruturado, pautado em argumentos
convincentes, fruto de práticas de leitura, análise e interpretação de
textos;

- que tenha adquirido hábitos e posturas diante de si mesmo, do


outro e do mundo, com base em métodos adequados e técnicas
apropriadas;

- que, a partir da conscientização de um problema, tenha


condições de ir à busca das respostas e soluções, através de
atividade científica, com regras e passos metodológicos;

- que, alimentado pelo gosto da leitura e espírito crítico


maduro, vá se tornando, cada vez mais, cidadão livre e responsável,
capaz de administrar suas emoções, de exercitar o bom senso e de
enfrentar desafios na conquista de suas metas;

- que a iniciação científica, aqui oferecida, possa se converter em


instrumento de apoio teórico e metodológico à realização de

294
projetos de pesquisa, mas também se constitua como um canal
adequado para a formação de uma mentalidade, não mais de
simples repetidor, mas de criador de novas atitudes e
comportamento, através da construção do seu próprio
conhecimento.

Carinhosamente,

Profª Márcia Monteiro

295
Sugestão de Atividades

Para discussão em fórum:

 Projeto de Pesquisa: qual sua importância para a vida


acadêmica e profissional?
 Projeto de Pesquisa: por onde começar?
 O que faz um projeto ser inovador?

Atividade:

Foquemos, agora, parte da estrutura de um projeto de pesquisa:

a) escolha um tema e formule o problema correspondente.

b) apresente sua Relevância / Justificativa.

c) explicite os Objetivos.

d) formule a Hipótese.
296
Referências

DOXSEY J. R.; DE RIZ, J. Metodologia da pesquisa científica. ESAB –


Escola Superior Aberta do Brasil, 2002-2003. Apostila. Apud
RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo:
Atlas, 2007.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos


de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A Construção do Saber: Manual de


Metodologia da Pesquisa Em Ciências Humanas. Porto Alegre:
Artmed, 1999.

RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo:


Atlas, 2007.

VALERIANO, D. L. Gerência em projetos: pesquisa, desenvolvimento


e engenharia. São Paulo: Makron Books, 1998.

VARGAS, R. Gerenciamento de projetos: estabelecendo diferenciais


competitivos. 5. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2003.

297
VERZUH, E. MBA compacto, gestão de projetos. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

298
Anotações
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FACULDADE DE JAGUARIÚNA
2014