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ADEM/ISEL

GI-MOSM & CEEM


Lisboa, 02 Novembro 2016

PLATAFORMA DE ELEVAÇÃO TIPO TESOURA

Dias, Ana Rita Mata1

1: Departamento de Engenharia Mecânica


ISEL – Instituto Superior de Engenharia de Lisboa ou Empresa
Endereço Postal
e-mail: rita_dias@live.com.pt , web: http://www.isel.pt

Palavras-chave: Plataforma de elevação tipo tesoura, Dimensionamento, Placa, Perno,


Cilindro Hidráulico

Resumo O presente projeto foca-se no estudo e dimensionamento de um tipo especifico de


sistema de elevação, uma plataforma elevatória tipo tesoura. Uma mesa elevatória é um
equipamento constituído por uma plataforma de trabalho assente numa estrutura elevatória
geometricamente deformável que utiliza uma força hidráulica como força motriz. Para a
realização do projecto, o plano de trabalho começou por realizar a modelação 3D do sistema
com o auxilio do software Solidworks. De seguida prosseguiu-se com o estudo e
dimensionamento da placa, sendo realizada a seleção do material de fabrico, o método de
agregação do elemento a estrutura (por meio de rebites ou soldadura), o valor convergente
da deformada obtida e a comparação com a simulação realizada em Solidworks. Realiza-se o
cálculo das forças aplicadas em cada ponto da estrutura e com os valores obtidos realiza-se
o dimensionamento dos pernos e do cilindro hidráulico. Para finalizar e aprofundando
conhecimentos sobre as normas europeias, é realizado um estudo de aplicação da parte 4 do
eurocódigo 1 que consiste no estudo e cálculo da força total do vento aplicada na estrutura e
na obtenção dos parâmetros associados.
Dias, Ana Rita Mata 1

1. DESCRIÇÃO DO PRODUTO
Este equipamento tem como finalidade permitir o acesso e realização de tarefas em pontos
elevados em boas condições de segurança e comodidade, bem como possibilitar que um ou
mais trabalhadores possam realizar o seu trabalho num local estável e com a resistência
adequada aos métodos e técnicas de trabalho que irão implementar. Para facilitar o alcance de
locais mais longínquos, a mesa elevatória tipo tesoura permite variar a sua altura
possibilitando a deslocação dos trabalhadores e respectivos equipamentos até ao local de
trabalho. [1]

(A)

(B)
Imagem 1- Mesa elevatória tipo tesoura da ManiAccess, Modelo 78XE em posição fechada (A) e aberta(B)
[FONTE: ManiAccess Modelo 78XE ]

O local onde irão estar os trabalhadores e a carga a ser elevada designa-se por habitáculo e
neste devem estar os comandos de controlo, um corrimão ou guarda-corpos, uma barra
intermédia e um rodapé. [1]
Por questões de segurança, o habitáculo deverá ser equipado com um piso antiderrapante e ser
executado com materiais suficientemente rígidos e com a resistência adequada. O habitáculo
deverá ser equipado com um rodapé com 15cm de altura, uma barra intermédia a 0,45m de
altura e Barra superior a 0.90m de altura. [1]
O equipamento em questão deverá apenas ser utilizado por pessoas com a formação
necessária com os conhecimentos para avaliar e verificar o número máximo de trabalhadores
e o peso do material a elevar, a altura máxima de elevação, o nivelamento da base de apoio ou
existência de obstáculos e a ventilação nos locais onde vai ser instalado o equipamento. [1]

1.1. Modelo em estudo


A plataforma de elevação tipo tesoura em estudo foi projectada com base numa ampla
pesquisa, sendo que inclui alguns aspectos de diferentes modelos analisados visualmente.
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(A)

(B)
Imagem 2 – Mesa elevatória tipo tesoura modelada no software Solidworks em posição fechada (A) e aberta (B)
[FONTE: Modelação em SolidWorks]

(A) (B)
Imagem 3 – Estrutura em posição fechada (A) e em posição aberta (B)
[FONTE: Modelação em SolidWorks]
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O projecto da estrutura em estudo será realizado tendo em conta um coeficiente de segurança


de 2,5 e uma construção maioritária em aço AISI 1045.
Quando se encontra em posição fechada, a estrutura irá atingir uma altura máxima de 1686
mm (incluindo o gradeamento de protecção), e uma altura de 786 mm desde o chão até á
plataforma.
Quando se encontra em posição fechada, a estrutura irá atingir uma altura máxima de 3828
mm (incluindo o gradeamento de protecção), e uma altura de 2928 mm desde o chão até á
plataforma.

2. NORMAS E DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA UTILIZADA


Para a realização do presente trabalho a norma mais utilizada foi a EN 1570:2000 “Safety
requirements for lifting tables” sendo a referente a plataformas de elevação.
No tema referente ao estudo de eurocódigos, foi utilizada a norma EN NP 1993-1-42010
referente ao projecto de ligações em estruturas de aço.

3. DIMENSIONAMENTO DA PLACA
Uma plataforma de elevação é constituída por vários componentes, nos quais se inclui a placa.
A placa é o componente que irá estar em contato directo com os operadores e a mercadoria a
elevar, tendo por isso algumas características a respeitar.
A placa em estudo apresenta um comprimento de 1600 mm, largura de 1000 mm e espessura
de 4 mm (imagem 4). A espessura da placa foi definida previamente com base nas estruturas
que existem na realidade e que se encontram no dia-a-dia, e considerando que uma placa com
uma espessura superior a 4 mm seria exagerada e inexistente neste tipo de aplicação.

Imagem 4 – Dimensões da placa em estudo


[FONTE: Modelação em SolidWorks]

De acordo com o descrito na norma EN 1570:2000 “Safety requirements for lifting tables”,
por cada operador presente sobre a plataforma deverá ser considerada uma massa de 80 kg.
Tendo este facto em conta, efetuou-se o dimensionamento da placa considerando que esta terá
uma capacidade máxima de elevar 500 kg, ou seja, 4905 N.
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Para o fabrico da placa existiam duas possibilidades de material a utilizar: alumínio ou aço. O
alumínio seria o mais aconselhado em termos de densidade resultando num peso menor.
Porém, como dado inicial, foi definido que a estrutura de apoio a este componente será
fabricada em aço AISI 1045, e o contacto direto entre estes dois materiais resultaria numa
corrosão galvânica que diminuiria a vida útil do equipamento.
Dito isto, optou-se pelo fabrico do componente em aço inoxidável. O aço AISI 514 [2] é um
do tipo aço de liga temperado e revenido, utilizado sobretudo no fabrico de placas. [3]

Propriedades Aço AISI 514


Densidade (g/cm3) 7.85
Módulo de Elasticidade (GPa) 190
Coeficiente de Poisson 0.27
Tensão de Cedência (MPa) 690
Tabela 1 - Propriedades do Aço AISI 514

A placa encontra-se sobre uma estrutura metálica que irá definir as suas condições de
fronteira durante o estudo. Tendo em conta que a placa se encontra apoiada no seu interior por
3 travessas igualmente espaçadas, considerou-se que a placa seria uma união de 4 porções de
placa de menor dimensão (A, B, C e D) sendo assim realizado o dimensionamento de apenas
¼ do componente e funcionando este como uma amostra do comportamento geral (imagen 5).
A carga a actuar na placa será também dividida de igual forma pelas 4 porções de placa.

Imagem 5 - Suporte da placa


[FONTE: Modelação em SolidWorks (Adaptado)]

Para realizar o dimensionamento da placa, irão ser considerados dois métodos de agregação
entre a placa e a estrutura, escolhendo posteriormente o método a ser utilizado.
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3.1. Estudo A: Extremidades Exteriores Apoiadas


O primeiro estudo é realizado considerando que
a placa será segura nas suas extremidades
através de rebites, o que se traduz numa
extremidade apoiada. Desta forma, a placa A
será apoiada em todas as suas extremidades.
Para o cálculo da deformada da placa A com as
extremidades apoiadas, utilizou-se o método de
Rayleight-Ritz porque embora o método de
Navier seja mais aplicável ao estudo de uma
placa nestas condições, o primeiro é mais
conservativo.
Considerou-se as expressões presentes nas
imagens 7 e 8, que apresentam, respetivamente,
a função aproximadora da deformada em
condições de extremidades apoiadas, e a Imagem 6 - Condições de fronteira na Placa A
expressão da deformada total numa placa. (medidas em mm)

Imagem 7 – Expressão correspondente á deformada numa placa com extremidades apoiadas

Imagem 8 – Expressão da deformada de uma placa

Tendo em conta que as extremidades da placa A se encontram apoiadas, existem duas


verificações que devem ser efectuadas.
 Nas extremidades da placa (x=0, x=a, y=0 e y=b) a deformada deverá ser nula;
 Nas extremidades da placa (x=0, x=a, y=0 e y=b) o momento flector deverá ser nulo.

Após verificadas estas condições, segue-se então com os restantes cálculos relativamente á
Energia Elástica de Deformação (U), Energia Potencial do Carregamento (Ω), Energia
Potencial total (V), a consequente obtenção da constante C e por fim, a equação aproximadora
da deformada.
Sabendo que a placa em estudo tem iguais condições de fronteira em todas as suas
extremidades, a deformada máxima irá apresentar-se no seu centro, ou seja, x=a/2 e y=b/2.
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Imagem 9 - Deformada máxima da placa A


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

A deformada máxima obtida foi de 1,1mm. Para verificar se o valor da deformada é


admissível, utiliza-se uma regra segundo a teoria clássica de flexão de placas que defende que
o deslocamento transversal, será pequeno em comparação com a espessura, sendo que o
deslocamento máximo será menor que 1/5 da espessura da placa (𝑤 ≤ 𝑡/5).

Imagem 10 – Verificação segundo a teoria de flexão de placas


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

Como se pode observar na imagem 10, a verificação não se confirma, visto que o valor da
deformada obtida segundo o estudo é superior a 1/5 da espessura da estrutura. Logo, o valor
calculado não é admissível.
Conclui-se através deste estudo que a placa com as dimensões definidas, quando se encontra
apoiada nas suas extremidades exteriores, irá apresentar uma deformada superior á admitida,
o que exclui este método de agregação (rebites) como uma possibilidade.

3.2. Estudo B: Extremidade Exteriores Encastradas


O segundo estudo é realizado considerando
que a placa será segura nas suas
extremidades através de uma linha de
soldadura, o que se traduz numa extremidade
encastrada. Desta forma, a placa A será
encastrada em três extremidades (x=0, y=0 e
y=b) e apoiada em apenas uma extremidade
(x=a).
Para o cálculo da deformada da Placa A com
as novas condições será utilizado também o
método de Rayleight-Ritz.
Considerou-se as funções aproximadoras
presentes na imagem 12, e a expressão da
deformada total presente na imagen 8.
Imagem 11 - Condições de fronteira (medidas em
mm)
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Imagem 12 – Expressão da deformada para condições de fronteira encastrada-encastrada e encastrada-apoiada

A Placa terá extremidades encastradas e uma simplesmente apoiada, por isso terá três
verificações a ser realizadas, são estas:
 Nas extremidades da placa (x=0, x=a, y=0 e y=b) a deformada deverá ser nula;
 Nas extremidades da placa (x=0, y=0 e y=b) a rotação deverá ser nula;
 Na extremidade da placa (x=a) o momento flector deverá ser nulo.

Após verificadas estas condições, e notando que todos os resultados foram nulos, segue-se
então com os restantes cálculos relativamente á Energia Elástica de Deformação (U), Energia
Potencial do Carregamento (Ω), Energia Potencial total (V), a consequente obtenção da
constante C e por fim, a equação aproximadora da deformada.
Sabendo que a placa em estudo não tem iguais condições de fronteira em todas as suas
extremidades, utiliza-se as funções “Optimization” e “Maximize” do software Maple para
calcular o valor máximo da deformada e a sua localização.

Imagem 13 - Deformada máxima da placa A


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

A deformada obtida nas condições estudadas é de 0.5 mm. Para verificar se o valor da
deformada é admissível, utiliza-se a regra segundo a teoria clássica de flexão de placas já
descrita anteriormente.

Imagem 14 – Verificação segundo a teoria clássica de flexão de placas


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]
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Como se pode observar na imagem 14, o valor da deformada obtido é admissível.


Pela expressão da deformada obtén-se o gráfico presente na imagen 15 que demonstra a
evolução da deformada na placa.

Imagem 15 – Diagrama da deformada da placa


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

Visto que a deformada máxima obtida é admissível segue-se então com o estudo dos
Momentos Flectores e das tensões, para posteriormente calcular a tensão equivalente de Von
Mises e analizar se a placa em estudo é aceitavel segundo este método, sabendo que a tensão
de cedência do material é 690 MPa.

Imagem 16 – Cálculo da tensão equivalente de Von mises


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

Imagem 17 – Verificação segundo a tensão equivalente de Von Mises


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

Segundo o estudo realizado, a deformada obtida tendo as extremidades todas encastradas é


inferior á primeira opção e admissível tendo em conta a teoria clássica da deformação de
placas. Quanto às tensões presentes, a equação equivalente de Von Mises calculada é inferior
á tensão de cedência do material escolhido sendo também admissível.
Desta forma conclui-se que a placa seria agregada á estrutura metálica de suporte através de
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um cordão de soldadura, o que embora resulte num custo superior e na necessidade de um


trabalhador certificado para a acção, é compensado numa deformada menor da placa, e desta
forma, uma maior segurança.

3.3. Estudo de Convergência


Tendo sido escolhido o método de agregação da placa ao seu suporte, prosseguiu-se com um
estudo de convergência que consiste na observação da evolução dos valores da deformada
obtidos, com a variação do número de termos utilizados. Este estudo foi efectuado para
termos M = [1,2,3,5] e N = [1,2,3,5].

Termos Utilizados Deformada máxima obtida (wmáx) [m]


M=1 e N=1 0.0005229
M=2 e N=2 0.0004638
M=3 e N=3 0.0004782
M=5 e N=5 0.0004758
Tabela 2 - Termos utilizados e respectivas deformadas máximas
Deformada da Placa (m)

0,00052

0,0005

0,00048

0,00046

0,00044
M=1 e N=1 M=2 e N=2 M=3 e N=3 M=5 e N=5
Termos Utilizados

Gráfico 1 – Estudo de convergência da evolução da deformada obtida variando o número de termos utilizados no
cálculo

Através da análise da tabela 2 e do gráfico 1 observa-se que o valor da deformada obtido vai
sofrendo alteração á medida que aumenta o número de termos utilizados para o seu cálculo. A
maior diferença nos valores obtidos ocorre na passagem dos termos M=1 e N=1 para M=2 e
N=2, apresentando por isso um declive mais acentuado no gráfico. Na evolução dos termos
seguintes a diferença vai diminuindo, começando então o valor obtido a estabilizar. Estima-se
com o aumento do número de termos aplicado a deformada máxima da placa em estudo irá
tender para 0.47mm.
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3.4. Simulação
Através do software SolidWorks realizou-se uma simulação com o intuito de comparar o
estudo analítico anteriormente apresentado, com o estudo de simulação.
O material escolhido para o fabrico da placa não se encontrava na biblioteca de materiais do
software o que levou á sua adição. Para tal, o programa foi iniciado como administrador
dando acesso á edição da biblioteca de materiais do mesmo. Após realizada a adição do
material como todas as suas características procedeu-se com a realização das etapas
necessárias a realização da simulação.

 Para iniciar, carrega-se em “New Part” e no “Sketch” desenha-se o rectângulo que irá
representar a placa em estudo (a = 440 mm e b = 1000 mm);
 Com a função “Planar Surface” e carregando no sketch realizado anteriormente
obtém-se placa pronta a estudar;
 Efectua-se a escolha do material indicando-a em “part”, “Edit Material” e selecciona-
se o material AISI 514 adicionado inicialmente;
 Iniciou-se o comando de simulação. Inicia-se um novo estudo (“new study”) e em
“Shell Manager” coloca-se a espessura da placa escolhendo “thin” de 4 mm;
 Colocou-se a Pressão que irá ser aplicada na placa (2786.931818 N/m2), e calculou-se
a malha em “Create Mesh”, bem como a escolha das condições de fronteira da placa.
A placa estará encastrada em três extremidades (“fixed”) e terá um apoio fixo na
quarta extremidade (“Immovable”);
 Tendo colocado todas as condições a que a placa está sujeita, dá-se ordem para correr
o estudo em “run this study”, obtendo os resultados.

Deste processo resulta um relatório, onde se encontra especificado todas as condições


impostas bem como os resultados obtidos.
A imagem 18 apresenta a deformada obtida pela realização da simulação através da simulação
efectuado no software Solidworks. Como se pode observar, a deformada máxima obtida terá
um valor de 0.4753 mm.
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Imagem 17 – Deformação da Placa A obtido a partir da simulação


[FONTE: Simulação no SolidWorks]

3.5. Comparação entre o estudo analítico e o estudo de simulação


Com o objectivo analisar as diferenças nos valores obtidos através dos dois métodos de estudo
utilizados, realizou-se uma comparação entre os mesmos, descobrindo a diferença percentual
existente.
Para a realização desta comparação, o valor analítico utilizado foi o obtido pela utilização de
termos M=5 e N=5.

Estudo Analítico Simulação Diferença percentual


0.0004758 0.0004753 0.1 %
Tabela 3 - Comparação entre o estudo analítica e a simulação

Como se pode observar pela análise da tabela 3, os valores obtidos através dos dois métodos
de estudo são muito próximos existindo uma diferença percentual de apenas 0.1%.

4. CÁLCULO DE FORÇAS APLICADAS NA ESTRUTURA


A plataforma de elevação tipo tesoura em estudo é composta por quatro conjuntos de tesouras,
dois de cada lado, favorecendo a estabilidade da mesma. Para realizar os cálculos e obter as
forças que estarão aplicadas nestes componentes, começou-se por utilizar a modelação
realizada anteriormente no Software SolidWorks para retirar as medidas e ángulos (imagem
18).
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Imagem 18 – Vista lateral da estrutura (medidas em milímetros)


[FONTE: Modelação em SolidWorks]

4.1. Estudo analítico


Para chegar á força que se encontra aplicada nos 4 apoios superiores existentes, teve-se em
conta a carga máxima, bem como o peso da placa e da estrutura metálica de apoio.
A força aplicada pela carga, ou seja, pelos operadores e pela mercadoria foi definida
anteriormente com 4905 N.
A estrutura metálica de apoio será fabricada em aço AISI 1045 [4]. Aplicou-se este material
na modelação realizada no software SolidWorks e retirou-se a massa do componente que,
multiplicada pela aceleração da gravidade, resulta na força aplicada pela estrutura.
𝐹𝑜𝑟ç𝑎𝐸𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 = 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎𝐸𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 × 9.81 = 64.520×9.81 = 632.94 𝑁 (1)
O material da placa foi definida previamente no ponto 3 do presente artigo referente ao
dimensionamento da placa, e pelo mesmo método realizado para a estrutura metálica de
apoio, foi obtida a força.
𝐹𝑜𝑟ç𝑎𝑃𝑙𝑎𝑐𝑎 = 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎𝑃𝑙𝑎𝑐𝑎 × 9.81 = 50.24×9.81 = 492.85 𝑁 (2)
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A força total aplicado nos quatro apoios será então a soma das três forças calculadas
anteriormente. Associou-se ainda um coeficiente de segurança de 2,5.
𝐹𝑜𝑟ç𝑎𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 = 2.5×(𝐹𝑜𝑟ç𝑎𝐶𝑎𝑟𝑔𝑎 + 𝐹𝑜𝑟ç𝑎𝐸𝑠𝑡𝑟𝑢𝑡𝑢𝑟𝑎 + 𝐹𝑜𝑟ç𝑎𝑃𝑙𝑎𝑐𝑎)
= 15076.99 𝑁 (3)

A força total calculada é a carga pontual que se encontra aplicada no centro da placa obtida a
partir da carga distribuída.
O estudo das forças aplicadas nos braços das tesouras foi realizado com base nos conteúdos
leccionados na unidade curricular de Mecânica Técnica referentes ao tema “Máquinas”.
Assim, cada braço da estrutura foi estudado de forma individual. Para cada componente foi
desenhado o seu diagrama de corpo livre, a partir do qual se realizou os sistemas de equação
para a obtenção da força em cada ponto.

Imagem 19 – Digrama de forças nos apoios superiores

Tendo em conta o diagrama de corpo livre representado na imagem 20 realiza-se as equações


de equilíbrio por forma a obter as forças em A e em B, não esquecendo que o cálculo foi
realizado com a força total aplicada na placa.

Imagem 20 – Sistema de equações utilizado para o cálculo de forças em Ay, By e Bx


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

Tendo as forças aplicadas nos componentes superiores inicia-se o estudo das restantes forças
aplicadas nos restantes pontos da estrutura.
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Imagem 21 – Diagrama de corpo livre no braço ACE (A) e no braço BCD (B)

Imagem 22 - Sistema de Equações utilizado nos Braços ACE e BCD


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

Imagem 23 – Diagrama de corpo livre no Braço DGJ (A) e no Braço EFGI (B)
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Imagem 24 – Sistema de equações utlizadas nos Braços DGI e EFGH


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

4.2. Força resultante em cada ponto


A partir dos cálculos realizados utilizando os sistemas de equações demonstrados no ponto
anterior obtém-se os valores das forças aplicadas e cada ponto das tesouras da estrutura que se
encontram resumidos na tabela 4.

Ponto Força em x Força em y |Força resultante|


A - 8908.12 8908.12
B 0 -1369.62 1369.62
C -4326.52 -10277.74 11151.27
D 4326.52 8908.12 9903.20
E -4326.52 -1369.62 5738.12
F - - 17973.47
G -12065.45 -11869.19 16924.92
H - -5722.47 5722.47
I -7738.94 -2961.07 8286.08
Tabela 4 – Forças aplicadas em cada ponto das tesouras da estrutura

Como se pode concluir pela análise da tabela 4, o ponto da estrutura mais solicitado será o
correspondente ao cilindro hidráulico com um valor de 17973.47 N pois é este o componente
responsável pela elevação de toda a estrutura.
Segue-se o ponto G com um valor de 16924.92N correspondente ao ponto de cruzamento
inferior entre os braços da estrutura. Neste ponto tem de se ter em conta que se encontra
aplicada as forças concentradas do peso dos componentes acima localizados, o que justifica a
força elevada. O ponto C será o terceiro local com uma força aplicada maior, tendo um valor
de 11151.27 N. Concluindo, os pontos centrais da estrutura serão os mais solicitados, sendo
que nos restantes pontos da estrutura as solicitações já se encontram mais distribuídas
diminuindo assim as forças neles aplicadas.
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5. DIMENSIONAMENTO DOS PINOS

5.1. Parâmetros de Cálculo


Para a realização do estudo de dimensionamento dos pinos existentes na estrutura foram
definidos previamente os parâmetros como o material de construção e um coeficiente de
segurança. Quanto ao material, este componente irá ser fabricado em aço AISI 1045 [4].

Propriedades AISI 1045


Densidade (g/cm3) 7.87
Módulo de Elasticidade (GPa) 200
Coeficiente de Poisson 0.29
Tensão de Cedência (MPa) 310
Tabela 5 – Propriedades do material AISI 1045

De acordo com os conteúdos leccionados na unidade curricular de Mecânica dos Materiais I,


sabe-se que a tensão admissível é obtida a partir da divisão da tensão de cedência pelo
coeficiente de segurança e que a tensão de corte admissível se obtém dividindo a tensão
admissível por 2. Sabe-se ainda que a tensão de corte admissível num veio será igual á força
nele imposta, dividida pela área transversal do mesmo (equação 1).

5.2. Pino Central


Através dos cálculos realizados anteriormente foram obtidas as forças que se encontram
aplicadas nos pinos centrais da estrutura (ponto C e G). Os pinos a colocar na estrutura serão
de iguais dimensões, pelo que irão ser efectuados os cálculos de dimensionamento para o pino
G visto que se encontra submetido a uma força de valor mais elevado (tabela 4).
𝐹𝐶 = 11151.27 N < 𝐹𝐺 = 16924.92 𝑁
A partir da sequência de equações (1) retira-se o valor do diâmetro mínimo admissível no
pino.

Imagem 25 – Cálculo do diâmetro mínimo do pino central


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]
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Através dos cálculos efectuados, conclui-se que o pino deverá ter no mínimo de 19 mm de
diâmetro para que seja admissível na estrutura, sem que ocorram deformações indesejadas.

5.3. Pino de Apoio ao Cilindro


Através dos cálculos realizados anteriormente foi obtida a força que se encontra aplicada no
cilindro. Visto que o cilindro se encontra ligado a estrutura por um pino, dimensiona-se este
componente tendo em conta a força resultante a que se encontra submetido (ver tabela 4). A
força calculada no ponto F da estrutura considera apenas a aplicada num dos lados da
estrutura sendo que a real aplicada no cilindro, e consequentemente no pino, é o dobro da
obtida.
𝐹𝐹 = 2×17973.47 = 35946.94 𝑁
A partir da sequência de equações (1), retira-se o valor do diâmetro mínimo admissível no
perno.

Imagem 26 – Cálculo do diâmetro mínimo do pino


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

Através dos cálculos efectuados, conclui-se que o perno deverá ter no mínimo de 43 mm de
diâmetro para que seja admissível na estrutura, sem que ocorram deformações indesejadas.

6. DIMENSIONAMENTO DO CILINDRO HIDRÁULICO


O cilindro hidráulico é dos componentes mais importantes no conjunto estudado visto que é
este que fornece a força necessária para elevar a plataforma. Este componente, também
conhecido por um motor hidráulico linear, consiste em duas peças, um cilindro e um pistão
móvel agregado a uma haste, o que resulta em duas câmaras durante o funcionamento, a
câmara inferior e a câmara da haste. O movimento linear é produzido através da actuação da
pressão hidráulica no pistão. [5]
Através do estudo demonstrado anteriormente sobre os esforços aplicados nas tesouras
concluiu-se que a força aplicada no cilindro hidráulico é de 17973.47 N (Fad).
Adiciona-se um factor de segurança (S) de 2.5 e obtém-se a Carga (k).
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Imagem 28 - Cálculo da Carga


Imagem 27 - Equação para o cálculo da carga
[FONTE: Catálogo Cudell]

Segundo o catálogo da empresa CUDELL os materiais de


construção deste componente serão para o tubo e a haste, um
aço St52,3 rectificado interior com costura e um aço Ck45
cromado, respectivamente. Quanto ao tipo de fixação, o
cilindro em questão será fixado através de olhais com rótula.
Para que seja possível o dimensionamento deste componente
é efetuado um estudo de verificação á encurvadura para
evitar a sua deformação e possível rotura. Para tal, utiliza-se Imagem 29 - Fórmula de Euler
a fórmula de Euler (imagem 29). [5] [FONTE: Catálogo Cudell]
Tendo a equação há dados a obter, nomeadamente o valor do comprimento de encurvadura
(le). Foi escolhido um tipo de cilindro com as duas extremidades articuladas, o que resulta
num comprimento de encurvadura (Le) igual ao comprimento de encurvadura com a haste
completamente estendida (L). Sabe-se ainda que o Momento de Inércia é calculado por 𝐽 =
𝑑4 ×𝑝
.
64

Imagem 30 – Comprimento de encurvadura


[FONTE: Catálogo Cudell]

Tendo os valores todos prossegue-se então com o cálculo do diâmetro.


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Imagem 31 - Cálculo do diâmetro


[FONTE: Ferramenta de cálculo Maple]

O diâmetro obtido através dos cálculos corresponde ao diâmetro interior do cilindro. Do


catálogo Cudell referido anteriormente escolhe-se o cilindro C200, do tipo Duplo Efeito com
um tubo interior de 40 mm (imagem 32).

Imagem 32 - Escolha do cilindro para a estrutura


[FONTE: Catálogo Cudell (Adaptado)]
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7. EUROCÓDIGO 1, PARTE 1-4: AÇÕES DO VENTO


Este projecto irá focar-se sobre a acção do vento na estrutura, focando por isso no
“Eurocódigo 1- Acções em estruturas. Parte 1-4: Acções gerais. Acções do vento”. [6] Com
este estudo pretende-se realizar o cálculo da força total exercida pelo vento na estrutura.

7.1. Valor de referência da velocidade do vento vb


Referenciado no ponto 4.2 da norma em estudo, o valor de referência da velocidade do vento
deverá ser calculado a partir da expressão (2).
𝑣𝑏 = 𝑐𝑑𝑖𝑟 ×𝑐𝑠𝑒𝑎𝑠𝑜𝑛 ×𝑣𝑏,0 (2)
O valor para o coeficiente de direcção 𝑐𝑑𝑖𝑟 poderá ser fornecido no Anexo Nacional; o valor
recomendado é 1,0. O valor para o coeficiente de sazão 𝑐𝑠𝑒𝑎𝑠𝑜𝑛 poderá ser fornecido no
Anexo Nacional; o valor recomendado é 1,0.
O valor básico da velocidade de referência do vento 𝑣𝑏,0 encontra-se no Anexo Nacional da
Norma em estudo no ponto NA.2.3 – Princípios e Regras de Aplicação com prescrições a
nível nacional, b) NA-4.2(1), Nota 2. Para efeitos de quantificação, considera-se o País
dividido em duas zonas, A e B. A zona A inclui a generalidade do território, excepto as
regiões pertencentes á zona B. Já a zona B, inclui os arquipélagos dos Açores e da Madeira,
bem como as regiões do continente situadas numa faixa costeira com 5 Km de largura, ou
altitude superior a 600m. No presente estudo irá considerar-se a utilização da estrutura na
zona B, o que que corresponde a um valor básico de velocidade de referência do vento de 27
m/s.
Prossegue-se então com o cálculo do valor de referência da velocidade do vento.
𝑣𝑏 = 𝑐𝑑𝑖𝑟 ×𝑐𝑠𝑒𝑎𝑠𝑜𝑛 ×𝑣𝑏,0 = 1,0×1,0×27 = 27𝑚/𝑠

7.2. Altura de referência ze


No ponto 7.6 da norma em estudo encontra-se a informação de que a altura de referência ze é
igual á altura máxima, acima do solo, da secção considerada, ou seja, 3.8 m.

7.3. Categoria do Terreno


No ponto 4.3.2 sobre rugosidade do terreno, mais especificamente no quadro 4.1 – Categorias
e parâmetros de terreno, encontra-se os valores para o comprimento de rugosidade z0, e para a
altura mínima de construção zmin.
Considerando uma categoria de terreno III, uma zona com uma cobertura regular de
vegetação ou edifícios, ou com obstáculos isolados com separações entre si de, no máximo,
20 vezes a sua altura (por exemplo: aldeias, zonas suburbanas, florestas permanentes) obtém-
se os valores de z0 = 0.3 m e zmin = 5 m.

7.4. Valor característico da pressão dinâmica de pico


A pressão dinâmica de pico encontra-se descrita no ponto 4.5 da norma em estudo e resulta da
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velocidade média e das flutuações de curta duração da velocidade do vento.


Em que:
𝑞𝑝 (𝑧)
𝑐𝑒 – coeficiente de exposição 𝑐𝑒 (𝑧) = 𝑞𝑏
𝑞𝑝 (𝑧) = 𝑐𝑒 (𝑧)×𝑞𝑏 (3) 1
𝑞𝑏 – pressão dinâmica de referência 𝑞𝑏 = 2 ×𝜌×𝑣𝑏 2
𝜌 – massa volúmica do ar
O coeficiente de exposição ce é retirado do gráfico presente no eurocódigo tendo em conta a
categoria do terreno e a altura de referência definidas nos postos anteriores. ce =1.3
A massa volúmica do ar, a qual depende, da temperatura e da pressão atmosférica previstas
para a região durante situações de vento intenso é fornecida no Anexo Nacional, o valor
recomendado é 1,25 kg/m3.
Tendo os parâmetros necessários prossegue-se com o cálculo da pressão dinâmica de pico.
1 1
𝑞𝑝 (𝑧) = 𝑐𝑒 (𝑧)×𝑞𝑏 = 𝑐𝑒 (𝑧)× ×𝜌×𝑣𝑏 2 = 1.3× ×1.25×272 = 592.3 𝑁/𝑚2
2 2
7.5. Coeficiente de orografia c0
No ponto 4.3.1 da norma em estudo encontra-se referência de que no Anexo Nacional
poderão ser fornecidas informações sobre o co, o valor recomendado é 1,0.

7.6. Coeficiente de rugosidade cr


Segundo o descrito no ponto 4.3.2. da norma em estudo, o coeficiente de rugosidade tem em
conta a variabilidade da velocidade média do vento no local da construção em resultado da
altura acima do nível do solo e da rugosidade do terreno a barlavento da construção, na
direcção do vento considerada.
Para o que seja possível obter o valor do coeficiente de rugosidade, é necessário calcular
primeiramente o coeficiente de terreno. Para isso utiliza-se a expressão (4) referida no ponto
4.3.2 da norma.
Em que:
𝑧
0.07 𝑧0 – comprimento da rugosidade
𝑘𝑟 = 0.19× (𝑧 0 ) (4) 𝑧0,𝐼𝐼𝐼 – altura mínima da construção para a categoria
0,𝐼𝐼𝐼
de terreno III
0.3 0.07
𝑘𝑟 = 0.19× ( ) = 0.19
0.3
Como é referido na norma, esta encontra-se limitada a estruturas até 200m de altura, pelo que
se considera este valor como altura máxima (zmáx). O valor da altura mínima será o valor
retirado do gráfico anteriormente de 2 m (zmin).O valor de z será o valor de referência
indicado também anteriormente (ze).
Para calcular o coeficiente de rugosidade existe uma regra de utilização da expressão.
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Em que:
 𝑐𝑟 (𝑧) = 𝑘𝑟 ×𝑙𝑛(𝑧/𝑧0 ) 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑧𝑚𝑖𝑛 ≤ 𝑧 ≤ 𝑧𝑚á𝑥
(5) 𝑧0 - comprimento da rugosidade
 𝑐𝑟 (𝑧) = 𝑐𝑟 (𝑧𝑚𝑖𝑛 ) 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑧 < 𝑧𝑚𝑖𝑛 𝑘𝑟 – coeficiente de orografia
Visto que 𝑧𝑒 = 3.8𝑚 < 𝑧𝑚𝑖𝑛 = 5𝑚 utiliza-se a expressão (5) considerando que z = zmin.
𝑐𝑟 (𝑧) = 0.19×𝑙𝑛(5/0.3) = 0.53

7.7. Velocidade média do vento vm


De acordo com o descrito no ponto 4.3.1. da norma em estudo, utiliza-se a expressão (6) para
obter a velocidade média do vento.
𝑣𝑚 (𝑧) = 𝑐𝑟 (𝑧)×𝑐0 (𝑧)×𝑣𝑏 (6)
𝑣𝑚 (𝑧) = 0.53×1,0×27 = 14.31 𝑚/𝑠

7.8. Intensidade de turbulência


A intensidade da turbulência encontra-se referida no ponto 4.4 da norma em estudo, e é
definida como o quociente entre o desvio padrão da turbulência e a velocidade média do
vento, como descrito na expressão (7).
Em que:
𝑘𝑟 – coeficiente de terreno
𝜎𝑣 = 𝑘𝑟 ×𝑣𝑏 ×𝑘𝐼 (7)
𝑣𝑏 – valor de referência da velocidade do vento
𝑘𝐼 – coeficiente de turbulência
O valor de vb já foi calculado anteriormente de 27m/s. O coeficiente de turbulência poderá ser
fornecido no Anexo Nacional; o valor recomendado é 1,0.
𝜎𝑣 = 0.19×27×1,0 = 5.13
Para calcular a intensidade de turbulência existe uma regra de utilização da expressão.
𝜎𝑣 𝑘𝐼
 𝐼𝑣 (𝑧) = 𝑣 = 𝑧 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑧𝑚𝑖𝑛 ≤ 𝑧 ≤
𝑚 (𝑧) 𝑐0 ×ln( )
𝑧0 Em que:
𝑧𝑚á𝑥 (8) 𝑣𝑚 - velocidade média do vento
 𝐼𝑣 (𝑧) = 𝐼𝑣 (𝑧𝑚𝑖𝑛 ) 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑧 < 𝑧𝑚𝑖𝑛 𝑐0 – coeficiente de orografia

5.13 1.0
𝐼𝑣 (𝑧) = = 0.36 𝑜𝑢 𝐼𝑣 (𝑧) = = 0.36
14.31 5
1.0×ln(0.3)

7.9. Coeficientes de força e pressão


No estudo a realizar sobre a acção do vento na plataforma de elevação tipo tesoura,
considerar-se que esta se encontra na sua posição mais alta. Quanto às geometrias que
sofrerão contacto direto do vento, iremos considerar uma parede isolada, um painel de
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sinalização e elementos estruturais de secção rectangular (imagen 33).

Caso 1

Caso 2

Imagem 33 – Diferentes geometrias sob a acção do vento

Parede Isolada
Começando por baixo vamos ter segundo o ponto 7.4.1 da norma uma parede isolada. Sabe-se
que a esta zona será considerada com pano de esquina devido á geometria da mesma. Tendo
os valores da largura e comprimento da geometria em contato com o vento, prossegue-se com
a identificação da zona, e por fim com a obtenção do coeficiente de pressão.

Temos que:
𝑙 = 1600 𝑚𝑚
ℎ = 470 𝑚𝑚
Ou seja:
1600 (𝑙) ≤ 470(ℎ)×4

2×470 (ℎ) ≤ 1600 (𝑙) ≤ 4×470(ℎ)


Imagem 34 – Classificação da zona em parede isolada 940 ≤ 1600 ≤ 1880
[FONTE: Eurocódigo 1, Parte 1-4] 𝑍𝑜𝑛𝑎 𝐶

A partir da tabela para a obtenção do coeficiente de pressão cp,net recomendadas para paredes
isoladas, obtém-se um coeficiente de 1.4 para esta geometria.
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Painel de Sinalização
Para painéis de sinalização afastados do solo a uma altura zg superior a h/4 o coeficiente de
força é cf=1,80. Deverá considerar-se que a força resultante perpendicular ao painel de
sinalização actua á altura do centro do painel e com uma excentricidade horizontal 𝑒 que
poderá ser fornecido no Anexo Nacional, com um valor recomendado de:
𝑒 = ±0.25𝑏 = ±400𝑚𝑚

Temos que:
𝑏 = 1600 𝑚𝑚
ℎ = 274 𝑚𝑚
𝑧𝑔 = 2726 𝑚𝑚

ℎ 274
𝑧𝑔 > ↔ 2726 > ↔ 2726 > 68.5
4 4
Imagem 34 – Painel de sinalização
[FONTE: Eurocódigo 1, Parte 1-4]

Elementos estruturais de secção rectangular


O coeficiente de força cf para elementos estruturais de secção rectangular, com o vento
incidindo perpendicularmente a uma face, deverá ser determinado pela expressão (9). Neste
caso, irão ser considerados dois casos, sendo o caso 1 correspondente ao gradeamento de
protecção constituído por veio de perfil 30x30mm, e o caso 2 correspondente ás tesouras da
estrutura, constituídas por veios de perfil 100x60mm.
𝑐𝑓 = 𝑐𝑓,0 ×𝜓𝐼 ×𝜓𝜆 (9)
Em que:
𝑐𝑓,0 – coeficiente de força para elementos de secção rectangular com arestas vivas e sem livre
escoamento em torno das extremidades.
𝜓𝐼 – coeficiente de redução para secções quadradas com cantos arredondados, dependo do
numero de Reynolds
𝜓𝜆 – coeficiente de efeitos de extremidade para elementos cujas extremidades sejam
livremente contornadas pelo vento.

O coeficiente de força (imagem 35), é obtido tendo em conta os dois casos existentes na
estrutura: o perfil superior de dimensões 30x30mm (caso 1) e o perfil inferior de 100x60mm
(caso 2).
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Em que:

Caso 1 (perfil 30x30mm):


𝑑 = 30 𝑚𝑚
𝑏 = 30 𝑚𝑚
𝑑 30
= = 1 → 𝑐𝑓,0 = 2.1
𝑏 30

Caso 2 (Perfil 100x60mm):


𝑑 = 100 𝑚𝑚
𝑏 = 60 𝑚𝑚
𝑑 100
= = 1.67 →
Imagem 35 - Coeficiente de força para secções rectangulares com 𝑏 60
arestas vivas e sem livre escoamento em torno das extremidades do 𝑐𝑓,0 = 1.85
elemento
[FONTE: Eurocódigo 1, Parte 1-4]

O coeficiente de redução é obtido a partir do gráfico presente no Eurocódigo considerando


que nestes componentes não são considerados cantos arrendondados o que corresponde a um
raio de 0mm e resulta num coeficiente de redução (𝜓𝐼 ) de 1.
O coeficiente de efeitos de extremidade 𝜓𝜆 encontra-se descrito no ponto 7.13 da norma
juntamente com a esbelteza efectiva 𝜆.
A esbelteza efectiva deverá ser definida em função das dimensões da construção e da sua
posição, sendo retirada da tabela presente no eurocódigo como 𝜆 = 70.
O índice de cheios 𝜙, também indicado no ponto 7.13 da norma em estudo, é necessário para
que se obtenha o coeficiente de efeitos de extremidade e é calculado através da equação (10).
Em que:
𝐴
𝜙=𝐴 (10) 𝐴 – Soma das áreas projectadas dos elementos
𝑐
𝐴𝑐 – Área limitada pelo contorno exterior

Imagem 36 – Definição do índice de cheios


[FONTE: Eurocódigo 1, Parte 1-4]
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Caso 1 (perfil 30x30mm):


Em que:
𝑏 = 750𝑚𝑚
𝑙 = 1590𝑚𝑚
Á𝑟𝑒𝑎 = 136800𝑚𝑚2
𝐴 136800
𝜙= = = 0.11
𝐴𝑐 750×1590
Imagem 37 – Área do gradeamento
(medidas retiradas da modelação SolidWorks)

Caso 2 (perfil 100x60mm):

Em que:
𝑏 = 2279𝑚𝑚
𝑙 = 823𝑚𝑚
Á𝑟𝑒𝑎 = 575046𝑚𝑚2
𝐴 575046
𝜙= = = 0.31
𝐴𝑐 2279×823
(medidas retiradas da modelação SolidWorks)

Imagem 38 – Área das tesouras

Por fim retira-se o valor do coeficiente de efeitos de extremidade do gráfico presente no


eurocódigo em função do índice de cheios e da esbelteza, obtendo-se par ao caso 1, 𝜓𝜆 = 1,0
e para o caso 2, 𝜓𝜆 = 0.98.
Após terem sido obtidos os parâmetros necessários é possível prosseguir com o cálculo do
coeficiente de força para cada perfil.
 Caso 1 (perfil 30x30mm): 𝑐𝑓 = 2,1×1,0×1,0 = 2,1
 Caso 2 (perfil 100x60mm): 𝑐𝑓 = 1,85×1,0×0,98 = 1,81

7.10. Pressão exterior e interior exercida pelo vento


A pressão exterior exercida pelo vento encontra-se descrita no ponto 5.2 da norma em estudo
sendo obtida através da expressão (11), bem como a pressão interior (12).
Em que:
𝑤𝑒 = 𝑞𝑝 (𝑧)×𝑐𝑝𝑒 (11) 𝑞𝑝 – Pressão dinâmica de pico
𝑤𝑖 = 𝑞𝑝 (𝑧)×𝑐𝑝𝑖 (12) 𝑐𝑝𝑒 - coeficiente de pressão para a pressão exterior
𝑐𝑝𝑖 - coeficiente de pressão para a pressão interior
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Segundo o descrito no ponto 7.1.1 da norma em estudo, deverão ser determinados coeficiente
de pressão resultante para paredes isoladas, platibandas e vedações, que irão fornecer o efeito
conjunto das pressões exteriores e interiores do vento sobre uma construção, um elemento
estrutural ou um componente. Desta forma, o coeficiente de pressão calculado em relação á
parede isolada irá corresponder ao coeficiente de pressão exterior e interior, resultando assim
numa pressão exterior (11) e interior (12) de igual valor.
𝑤𝑒 = 𝑤𝑖 = 592.3×1,4 = 829.2 𝑁/𝑚2

7.11. Coeficiente estrutural cscd


O procedimento de cálculo do coeficiente estrutural encontra-se descrito na secção 6 da
norma em estudo. Este coeficiente deverá ter em conta o efeito nas acções do vento da não
simultaneidade na ocorrência das pressões de pico sobre a superfície (cs) em conjunto com o
efeito das vibrações da estrutura devidas á turbulência (cd).
No ponto 6.2 da norma encontra-se referido que para edifícios de altura inferior a 15m o valor
de cscd poderá ser considerado igual a 1.

7.12. Força exercida pelo vento calculada a partir de coeficientes de força


O cálculo para determinar a força exercida pelo vento a partir de coeficiente de força
(expressão 13) encontra-se descrito no ponto 5.3 (2) da norma em estudo.
Em que:
𝑐𝑠 𝑐𝑑 - coeficiente estrutural
𝐹𝑊 = 𝑐𝑠 𝑐𝑑 ×𝑐𝑓 ×𝑞𝑝 ×𝐴𝑟𝑒𝑓 (13) 𝑐𝑓 – coeficiente de força
𝑞𝑝 – pressão dinâmica de pico
𝐴𝑟𝑒𝑓 – Área de referência da construção ou do
elemento de construção
Para realizar o cálculo resultante da foça Fw calculada a partir dos coeficientes de força, é
necessário considerar 3 componentes já referidos anteriormente: o painel de sinalização e os
dois casos de elementos estruturais de secção rectangular.
 Força no painel de sinalização
A partir dos dados já obtidos anteriormente e sabendo que a área do painel de sinalização é de
0.437909 m2 calcula-se a força aplicada neste componente.
𝐹𝑊1 = 1,0×1,80×592.3×0.437909 = 466.87 𝑁
 Força no elemento estrutural de secção rectangular: Caso 1
𝐹𝑊2 = 1,0×2,1×592.3×0.136800 = 170.16 𝑁
 Força no elemento estrutural de secção rectangular: Caso 2
𝐹𝑊3 = 1,0×1,85×592.3×0.575046 = 630.11 𝑁
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7.13. Força exercida pelo vento calculada a partir de coeficientes de pressão


O cálculo para determinar a força exercida pelo vento a partir de coeficiente de pressão
(expressões 14 e 15) encontra-se descrito no ponto 5.3 (3) da norma em estudo.
Em que:
𝑐𝑠 𝑐𝑑 - coeficiente estrutural
𝐹𝑊,𝑒 = 𝑐𝑠 𝑐𝑑 ×𝑤𝑒 ×𝐴𝑟𝑒𝑓 (14)
𝑤𝑒 – pressão exterior
𝐹𝑊,𝑖 = 𝑤𝑖 ×𝐴𝑟𝑒𝑓 (15) 𝑤𝑖 – pressão interior
𝐴𝑟𝑒𝑓 – Área de referência da construção ou do elemento
de construção
 Parede Isolada
Tendo em conta os parâmetros já calculados anteriormente sabe-se que a pressão interior e
exterior tem o mesmo valor, e que o coeficiente estrutural corresponde a 1,0. Tendo isto em
conta e que a área deste componente é 0.750527m2 calcula-se então a força resultante.
𝐹𝑊4 = 𝐹𝑊,𝑒 + 𝐹𝑊,𝑖 = 1,0×829.2×0.750527 + 𝑤𝑖 ×𝐴𝑟𝑒𝑓 ↔
𝐹𝑊4 = 1,0×829.2×0.750527 + 829.2×0.750527 = 950.10 𝑁

7.14. Força resultante aplicada na estrutura


A força total aplicada na estrutura pela acção do vento é calculada pela soma das forças
𝐹𝑊1 , 𝐹𝑊2 , 𝐹𝑊3 𝑒 𝐹𝑊4 calculadas anteriormente.
𝐹𝑊 = 𝐹𝑊1 + 𝐹𝑊2 + 𝐹𝑊3 + 𝐹𝑊4 = 466.87 + 170.16 + 630.11 + 950.10 = 2217.24 𝑁

8. CONCLUSÕES
A realização do presente projecto começou pela escolha do tema. Na modelação 3D realizada
a partir do SolidWorks foram feitas todos os componentes com base em figuras e imagens
pesquisadas sendo que o modelo em estudo foi uma construção baseada com aspectos de
diferentes modelos de plataforma de elevação tipo tesoura. Quanto aos dimensionamentos
efectuados, foram realizados estudos para a placa, dos pinos e do cilindro hidráulico.
Para o dimensionamento da placa consideraram-se parâmetros de cálculo que não deveriam
sofrer alteração, são estes, as suas dimensões (largura, comprimento e espessura). A espessura
considerou-se como um valor fixo e não alterável tendo por base a pesquisa realizada sobre
placas existentes onde se concluiu que uma placa com uma espessura superior não seria real
neste tipo de aplicações. O material de fabrico escolhido para este componente foi o Aço AISI
514 visto que a alternativa (liga de alumínio) não seria viável em termos de vida útil da
estrutura porque teria uma maior tendência a sofrer corrosão galvânica. Existiam dois
métodos possíveis de agregação da placa a estrutura: rebites ou cordão de soldadura. Para
seleccionar a adequada, foram realizados estudos por forma a obter a deformada obtida em
cada método, através da alteração das condições de fronteira. Concluiu-se que a deformada
obtida a partir da agregação por rebites não só é superior como não aceitável segundo a teoria
clássica da flexão de placas, ficando assim a escolha de agregação pelo cordão de soldadura.
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Tendo a escolha do método, foi avaliado a evolução do valor da deformada quando alterados
o número de termos utilizados para o seu cálculo. Concluiu-se que a diferença inicial é
bastante elevada, começando posteriormente a tender para um valor específico. Para finalizar
o estudo deste componente foi realizada uma simulação no software SolidWorks de onde foi
também retirado o valor da deformada da placa que se iria provar ter apenas 0.1% de
diferença percentual do valor cálculo pelo método analítico.
Para o estudo das forças aplicadas nas tesouras considerou-se a posição mais aberta da
estrutura, sendo esta a posição mais solicitada. Através de diagramas de corpo livre e
equações de equilíbrio chegou-se ao valor das forças aplicadas em cada ponto do conjunto de
tesouras. Os maiores valores obtidos foram o ponto de apoio ao cilindro, que é o responsável
pelo movimento de ascensão da plataforma e portanto, submetido a uma maior força, e os
pontos centrais de cruzamento das tesouras, onde as forças se encontram concentradas.
A partir do estudo anterior foram retiradas as forças aplicadas nos pinos da estrutura que
foram dimensionados com base na escolha do material (AISI 1045) e nas equações da tensão
de cedência e de corte. O pino responsável pelo apoio do cilindro resultou num diâmetro
mínimo muito elevado justificado pela carga elevada que se encontra nele aplicada.
De seguida prosseguiu-se com o dimensionamento do cilindro. Tendo sido também calculada
a força aplicada neste componente, recorreu-se ao auxílio de um catálogo de cilindros que
apresentava de forma detalhada o cálculo de dimensionamento do componente.
Por fim, realizou-se um estudo de aplicação do Eurocódigo 1, Parte 1-4: Acções do vento, na
estrutura em estudo. Este estudo passou pelo cálculo de diversos parâmetros associados à
acção do vento como coeficientes, velocidade, alturas, entre outros que levariam por fim ao
cálculo da força total resultante aplicada pelo vento na estrutura.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Disponível na Internet: http://seguranca-
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[4] AZO Materials, AISI 1045 Medium Carbon Steel [Consult. 19 Junho 2016] Disponível na
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[Consult. 14 Junho 2016] Disponível na Internet em:
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ruturas_Parte_1-
4_Ac%C3%A7%C3%B5es_gerais_Ac%C3%A7%C3%B5es_do_vento_Eurocode_1_Actions
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