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Licenciatura em Matemática

Álgebra I

Autor: Cleiton Carvalho de Melo

Instituto Federal de Educação,


Ciência e Tecnologia
de Pernambuco

Recife-PE
2011
Presidência da República Federativa do Brasil

Ministério da Educação

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES

Este Caderno foi elaborado em parceria entre o Instituto Federal de Educação,


Ciência e Tecnologia de Pernambuco - IFPE e a Universidade Aberta do Brasil - UAB

Equipe de Elaboração Diagramação


Pérola Torres
Coordenação do Curso Sthelline Gomes
Maria de Fátima Neves Cabral
Edição de Imagens
Supervisão de Tutoria Pérola Torres
Sônia Quintela Carneiro Sthelline Gomes

Logística de Conteúdo Revisão Linguística


Aldo Luiz Silva Queiroz Ivone Lira de Araújo

Coordenação Institucional Revisão de Conteúdo


Reitoria Moacyr Cunha Filho
Pró-Reitoria de Ensino
Diretoria de Educação a Distância
Pró-Reitoria de Extensão
Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação
Pró-Reitoria de Administração e Planejamento
Sumário

Sumário 5

Palavra do professor-autor 7

Aula 1 - 13
Aula 2 - 41
Aula 3 - 65
Aula 4 - 85
Aula 5 - 109
Aula 6 - 135
Palavra do professor-autor

Estimado (a) estudante, é com grande apreço que desenvolvemos este ma-
terial, buscando imergir no universo matemático através de uma linguagem
mais simples. Todo esse percurso se deu por uma árdua triagem, a qual foi
facilitada pela contribuição, mais que importante, de um apanhado biblio-
gráfico rebuscado de grandes autores e também de um toque particular do
conhecimento adquirido pela vivência pessoal nas esferas matemáticas.

A proposta do Curso de Álgebra I é proporcionar aos estudantes de licen-


ciatura em Matemática o revestimento de um classicismo algébrico, ou seja,
adentrar num campo de abstração de conceitos modernos, por meio de
argumentos lógicos e demonstrações plausíveis.

Nossa outra preocupação foi em suavizar a linguagem algébrica de con-


juntos e da aritmética dos inteiros, sem a perda de sua essência, através de
concatenação com o cotidiano. Colocamos-nos também no processo de en-
sino e aprendizagem, para confecção desse material, preocupados cada vez
mais em equalizar seu palavreado. Lembrando sempre que seguimos uma
normatização acadêmica.

Enfim, partimos da premissa de que para servir, primeiro temos que ser ser-
vos. Assim, fazemos votos de que tenham um ótimo Curso de Álgebra I.

Cordialmente,

Cleiton Carvalho de Melo

Álgebra I 7 UAB
Apresentação da Disciplina

Não é só por fazer parte de uma grade de disciplina, que a Álgebra deve
ser estudada, mas, principalmente, pela sua relevância, por ser a mola pro-
pulsora de conceitos tão ínfimos da Matemática. Assim como toda ciência,
a Matemática precisou de uma ressignificação, de uma nova abordagem,
mediante uma apresentação mais moderna. Proposta aderida pela idiossin-
crasia de muitos estudiosos que, levou a cabo a necessidade de, quando
ainda estavam revestidos de um classicismo algébrico, estender o conceito
de grandezas mensuráveis a ideias infinitesimais.

Nossa proposta apresenta, de maneira menos cabal, porém, sem perder a


essência, o resultado dessa extensão. A fim de tornar mais acessível a abstra-
ção de conceitos modernos da álgebra a todos os estudantes.

A ideia seminal deste curso se dá pela apresentação elementar de conjuntos


e de seus argumentos que levam a veracidade de valores lógicos, rumando
pela aritmética dos inteiros, a qual daremos bastante ênfase, seguida das
relações binárias, aplicações e suas operações, perfazendo com isso o acesso
à Álgebra I.

Para Álgebra II, estudaremos o rigor matemático a partir dos questionamen-


tos feitos por muitos matemáticos, físicos e cientistas, sobre a resolubilidade
de uma equação cúbica, proposta por Scipione Del Ferro (1456-1526), por
radicais. Foram nomes como Lagrange (1736-1813), Abel (1802-1829) e
Galois (1811-1832) que começaram a se debruçar na perspectiva de garantir
uma solução extensiva para equações resolúveis por radicais. Esse último,
(Galois), foi quem apresentou pela primeira vez o nome e a ideia de grupo.

Em seguida, caminharemos sobre Anéis e Corpos, pois segundo Abel


(1802-1829), Corpo é uma coleção de números fechada para operações
básicas, salvo no caso de divisor igual a zero. A ideia de Corpos se firma
quando Dedekind (1831-1916) introduz números de grau finito como base
para o estudo dos números algébricos.

Álgebra I 9 UAB
Esperamos imergir juntos nessa partícula da Matemática de forma homogê-
nea, tomando posse desse rico conhecimento, na certeza de que contribui-
remos na mudança significativa da educação em nosso País.

“Enquanto existirem educadores, eu me recuso a pensar que não possamos


oferecer um futuro mais promissor à juventude”.

HELMUT TROPPMAIR

UAB 10 Álgebra I
Álgebra I 11 UAB
Aula 1 - Conjuntos

Objetivos

Espera-se que o estudante ao final deste conteúdo possa:

–– Realizar operações com conjuntos;


–– Demonstrá-los através de operações constantes com proposições
e funções proposicionais..

Assunto
Conjuntos e suas demonstrações.

Introdução
A gênese desta aula está em apresentar, de forma não convencional, através
da teoria de Cantor, mais uma ideia de conjunto, perpassando por suas ope-
rações e expor, de forma lógica, uma sucessão de argumentos concludentes,
permitindo mostrar que um resultado proposto é consequência de princípios
pré-fixados e de proposições pré-estabelecidas.

Apresentação
Não é só por fazer parte de uma grade de disciplina, que a Álgebra deve
ser estudada, mas, principalmente, pela sua relevância, por ser a mola pro-
pulsora de conceitos tão ínfimos da Matemática. Assim como toda ciência,
a Matemática precisou de uma ressignificação, de uma nova abordagem,
mediante uma apresentação mais moderna. Proposta aderida pela idiossin-
crasia de muitos estudiosos que, levou a cabo a necessidade de, quando
ainda estavam revestidos de um classicismo algébrico, estender o conceito
de grandezas mensuráveis a ideias infinitesimais.

Nossa proposta apresenta, de maneira menos cabal, porém, sem perder a


essência, o resultado dessa extensão. A fim de tornar mais acessível a abstra-
ção de conceitos modernos da álgebra a todos os estudantes.

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A ideia seminal deste curso se dá pela apresentação elementar de conjuntos
e de seus argumentos que levam a veracidade de valores lógicos, rumando
pela aritmética dos inteiros, a qual daremos bastante ênfase, seguida das
relações binárias, aplicações e suas operações, perfazendo com isso o acesso
à Álgebra I.

Para Álgebra II, estudaremos o rigor matemático a partir dos questionamen-


tos feitos por muitos matemáticos, físicos e cientistas, sobre a resolubilidade
de uma equação cúbica, proposta por Scipione Del Ferro (1456-1526), por
radicais. Foram nomes como Lagrange (1736-1813), Abel (1802-1829) e
Galois (1811-1832) que começaram a se debruçar na perspectiva de garantir
uma solução extensiva para equações resolúveis por radicais. Esse último,
(Galois), foi quem apresentou pela primeira vez o nome e a ideia de grupo.

Em seguida, caminharemos sobre Anéis e Corpos, pois segundo Abel


(1802-1829), Corpo é uma coleção de números fechada para operações
básicas, salvo no caso de divisor igual a zero. A ideia de Corpos se firma
quando Dedekind (1831-1916) introduz números de grau finito como base
para o estudo dos números algébricos.

Esperamos imergir juntos nessa partícula da Matemática de forma homogê-


nea, tomando posse desse rico conhecimento, na certeza de que contribui-
remos na mudança significativa da educação em nosso País.

“Enquanto existirem educadores, eu me recuso a pensar que não pos-


samos oferecer um futuro mais promissor à juventude”.

HELMUT TROPPMAIR

Conjuntos
Sabe-se o quanto é elementar, mas, de grande importância, a ideia de con-
junto, portanto, a abordagem que daremos para expressar a noção de con-
junto, sob o enfoque dos inteiros ( ), está relacionada com a Teoria de Con-
junto de Cantor, tentando diferenciar das notas bibliográficas já existentes
e encontradas em demasia.

A ideia de cardinalidade (Diz-se que dois conjuntos têm a mesma cardina-


lidade se seus elementos podem ser postos em correspondência biunívoca)
é estendida para conjuntos infinitos conforme George Cantor (1845-1918),
em seus trabalhos sobre teoria dos conjuntos. Ele também lançou mão das

UAB 14 Álgebra I
nomenclaturas usuais, coleção, classe, para designar conjunto.

A gênese da ideia de Cantor foi estender o conceito de finitude para infini-


tude de classe ou coleção de objetos “ditada” por certa regra, aplicando a
relação biunívoca aos conjuntos infinitos. Observemos a afirmação descrita
abaixo:

O conjunto dos números inteiros pares é menor que todos os números na-
turais.

Prova:

Inteiro/Par 2 4 6 8 ...

Naturais 1 2 3 4 ...

A primeira impressão é que, realmente, o subconjunto dos inteiros pares


seria menor que o conjunto dos naturais. Portanto, a prova nos mostra, exa-
tamente, o contrário.

Cantor definiu essa relação um a um como Conjuntos Denumeráveis,


aqueles equivalentes ao conjunto dos naturais, de modo que, cada com-
ponente pode ser colocado em correspondência um a um com os números
naturais.

Outro exemplo de um conjunto denumerável é o conjunto dos racionais ( ),


ou seja, os números racionais têm correspondência um a um com os naturais
( ).

Prova:

Considere os números racionais ordenados de maneira tal que na 1ª coluna


estejam dispostas todas as frações com numerador igual a 1, na 2ª coluna
todas as frações com numerador 2 e, assim, sucessivamente. Ao mesmo
tempo, na 1ª linha, todos os denominadores são iguais a 1, na segunda
linha, todos os denominadores são iguais a 2 e,assim, por diante.

Dessa forma, eliminando os valores repetidos como 3/3 = 1 e 2/4 = ½, etc.,


todos os números racionais são listados numa relação biunívoca com os na-
turais.

Álgebra I 15 UAB
Já sobre conjunto infinito, Cantor (1845-1918) definiu que:

“Um conjunto infinito é aquele que pode ser colocado em correspondência


um a um como um subconjunto próprio de si mesmo”.

Entende-se por subconjunto A’ de A, a reunião de alguns elementos, mas


não de todos, os componentes de A.

A B (Vx) (x A x B)

No uso de uma linguagem comum, conjunto é o mesmo que agrupamento,


classe, coleção, o que coaduna com a noção matemática dada por Cantor
para conjunto.

Como primeiros exemplos de conjuntos podemos citar os conjuntos numé-


ricos comumente conhecidos, para os quais usaremos a seguinte nomencla-
tura:

= {0,1,2,...t,...} - números naturais

= {...,-k,...,-1,0,1,...,t,...} - números inteiros

={ ;m,n com n ≠ 0} - números racionais

={ + irracionais} - números reais

C ={a + bi; a, b e i = √-1} - números complexos

Costuma-se indicar os conjuntos por letras maiúsculas e seus elementos por


letras minúsculas de nosso alfabeto. Deve-se entender por elemento, por

UAB 16 Álgebra I
exemplo, o objeto que faz parte de uma coleção (conjunto).

O conjunto vazio é denotado pelo símbolo Ø. Ele é aceito como conjunto,


porque cumpre a função de simplificar as proposições, evitando uma longa
menção de exceções. Ø é o conjunto dos objetos x tais que x é diferente de
si mesmo. Seja qual for o objeto x, tem-se sempre x Ø.

Relação de Inclusão
Sejam A e B conjuntos. Se todo elemento de A for também elemento de B,
diz-se que A é um subconjunto de B, que A está contido em B ou que A é
parte de B. Para indicar esse fato, usa-se a notação.

Exemplo: Sejam T o conjunto dos triângulos e P o conjunto dos polígonos do


plano. Todo triângulo é um polígono, logo A B.

A relação A B chama-se relação de inclusão. Quando A não é subconjunto


de B, escreve-se A B. Isso significa que nem todo elemento de A pertence
a B, ou seja, que existe pelo menos um objeto a tal que a A e a B.

Por exemplo, sejam A o conjunto dos números pares e B o conjunto dos


múltiplos de 3. Tem-se A B, porque 2 A, mas 2 B. Tem-se também B
A, pois 3 B, mas 3 A.

Diz-se que A é subconjunto próprio de B quando se tem A B com A ≠ Ø e


A ≠ B Sendo escrito sob a forma A B.

A relação de inclusão goza de três propriedades fundamentais. Dados quais-


quer conjuntos A, B e C têm-se:

• Reflexividade: A A

• Antissimetria: se A BeB A, então A = B;

• Transitividade: se A BeB A, então A C.

A propriedade antissimétrica é, constantemente, usada nos raciocínios ma-


temáticos. Quando se deseja mostrar que os conjuntos A e B são iguais,
prova-se que A B e B A, ou seja, que todo elemento de A pertence a B
e todo elemento de B pertence a A.

Álgebra I 17 UAB
Na realidade, a propriedade antissimétrica contém, intrinsecamente, a con-
dição de igualdade entre conjuntos: os conjuntos A e B são iguais se, e so-
mente se, têm os mesmos elementos.

Por sua vez, a propriedade transitiva da inclusão é a base do raciocínio dedu-


tivo, sob a forma denotada por silogismo.

Um exemplo de silogismo: todo ser humano é um animal, todo animal é


mortal, logo todo ser humano é mortal. Na linguagem dos conjuntos, isso
seria formulado assim: sejam H, A e M, respectivamente, os conjuntos dos
seres humanos, dos animais e dos mortais. Temos H A e A M, logo H
M.

Para visualizar relações e operações entre conjuntos, a ferramenta mais


apropriada são os diagramas de Venn.

Vejamos, por exemplo, a relação A B entre dois subconjuntos de U (uni-


verso), logo abaixo.

Observação: A relação de pertinência relaciona elemento e conjunto, en-


quanto, a de inclusão relaciona conjunto e conjunto.

Operações com Conjuntos


# Complementar de um Conjunto

Falar de complementar de um conjunto faz sentido quando se fixa um con-


junto U, ou seja, o conjunto-universo. Pois, uma vez fixado U, todos os
elementos a serem considerados pertencerão a U e todos os subconjuntos

UAB 18 Álgebra I
serão subconjuntos de U, ou derivados desses.

Por exemplo, na Geometria Plana, U é o plano. Na teoria aritmética da


divisibilidade, U é o conjunto dos números inteiros.

Então, dado o conjunto A (subconjunto de U) chama-se complementar de


A ao conjunto Ac formado pelos objetos de U que não pertencem a A. Lem-
bremos que, fixado o conjunto A, para cada elemento x em U, vale uma, e
somente uma, das alternativas: x A ou x A.

Numa representação por diagrama teremos:

As simbologias para complementar podem ser:

O fato de que, para todo x U, não existe outra opção além de x A ou,
esse fato é conhecido como princípio do terceiro excluído, e o fato de
que as alternativas x A e x A não podem ser verdadeiras ao mesmo
tempo chama-se o princípio da não-contradição.

Regras fundamentais no tocante a complementar de quaisquer conjuntos,


derivados dos princípios acima.

• Para todo conjunto A U tem-se (Ac) = A. (Todo conjunto é o comple-


mentar do seu complementar.)

• Se A B então Bc Ac. (Se um conjunto está contido noutro, seu com-


plementar contém esse outro.)

Álgebra I 19 UAB
• A B Bc Ac

Para esse terceiro ponto, vale esmiuçar a seguinte observação:

As propriedades que definem os conjuntos Ac e Bc são, respectivamente, a


negação de P (certa propriedade do conjunto A), representada por P’ e a ne-
gação de Q (certa propriedade do conjunto B), representada por Q’. Assim,
dizer que um objeto x goza da propriedade P’ significa afirmar que x não
goza da propriedade P, e analogamente, para Q’. Com essas convenções, a
relação A B Bc Ac lê-se:

P Q se, somente se Q’ P’

Vejamos um exemplo: Seja U o conjunto dos quadriláteros convexos, R a


propriedade que tem um quadrilátero x de ser um retângulo e P a proprieda-
de de ser um paralelogramo. Então P’ é a propriedade que tem um quadrilá-
tero convexo de não ser um paralelogramo e R’ a de não ser um retângulo.
As implicações R P e P’ R’ se leem, nesse caso, da seguinte forma:

I. Se x é um retângulo, então x é um paralelogramo;

II. Se x não é um paralelogramo, então x não é um retângulo.

A implicação Q’ P’ chama-se contrapositiva da implicação Q P.

Seguindo com as propriedades do complementar de um conjunto, temos:

• Uc = Ø e Ø = Uc;

• A Ac = Ø e A U A = U ;

• (A B)c = Ac U B e (A U B)c = A Bc

As duas últimas propriedades são conhecidas como lei de Morgan ou leis de


dualidades.

UAB 20 Álgebra I
# Reunião e Interseção

Dados dois conjuntos A e B, a reunião ou união A U B é conjunto formado


pelos elementos de A mais os elementos de B, enquanto que a interseção A
B é o conjunto dos objetos que são, ao mesmo tempo, elementos de A e
de B. Portanto, se considerarmos as afirmações x A, x B, veremos que x
A U B quando pelo menos uma dessas afirmações for válida e, por outro
lado,x A B quando ambas as afirmações são válidas.

Resumindo, temos:

x A U B significa “x A ou x B“

X A B significa “x Aex B“

Exemplo1: Convencionamente, costuma-se dizer que um número x goza da


propriedade P quando for válida a igualdade:

x²-3x+2=0

Digamos ainda que x tem a propriedade Q quando for

x²-5x+6=0

O conjunto dos números que possuem a propriedade P é A = {1,2} e o con-


junto dos números que gozam de Q é B = {2,3}. Assim, a afirmação:

x²-3x+2=0 ou x²-5x+6=0

Equivale a “x {1,2,3}“e a afirmação:

x²-3x+2=0 e x²+6=0

Álgebra I 21 UAB
Equivale a “x {2}ou x=2“

Em outras palavras,

AUB = {1,2,3} e A B = {2}

A interseção goza das seguintes propriedades:

• A (B C)= (A B) C Associatividade

• A B=B A comutatividade

• Se A B, então A B=A

• A Ø=Ø

A união cumpre as seguintes propriedades:

• A U (BUC) = (AUB) UC Associatividade

• AUB = BUA comutatividade

• Se A B, então AUB = A

• A Ø=A

# Diferença entre conjuntos


Dados dois conjuntos A e B chama-se diferença entre A e B o conjunto
formado pelos elementos de A que não pertencem a B.

A-B = {x|x Aex B}

A seguir serão vistos exemplos que contemplam a fundamentação sobre


conjuntos.

Exemplo2: Prove que A (AUB), A

Solução

UAB 22 Álgebra I
x A (x A ou x B)

É uma implicação verdadeira, para todo x; portanto: A (AUB)

Exemplo3: Se A, B e C são conjuntos tais que:

AUB= AUC e A B= A C prove que B = C.

Solução

Seja x B Então x A U B = A U C Temos, aqui, duas possibilidades:

x A ou x C.Mas, se x A , então x A B = A C e, portanto, x C.


Assim, todo elemento de B é também elemento de C. Provando, no entanto,
que B = C.

Exemplo4: Dado dois conjuntos A = {1,2,3}, B = {3,4} e C={1,2,4}, determine


o conjunto X tal que xUB = AUC e X B = Ø

Solução

i.XUB = {1,2,3,4}, então os possíveis elementos de X são: 1, 2, 3 e 4.

ii. XUB = Ø 3 xe4 x

Conclusão X = {1,2}

Exemplo5: Prove que (A - B) A, A

Solução

x (A - B) (x Aex B) A

É verdadeira para todo x, então (A - B) A.

Exemplo 6: Prove que A - B = A B , em que A e B são conjuntos quaisquer


do universo U.

Solução

Álgebra I 23 UAB
A implicação

x (A- B ) (x Aex B) (x Aex B) x AB

É verdadeira para todo x.

Demonstrações

Nesta seção iremos abordar uma matemática articulada de raciocínios lógi-


cos, através de: proposições, conectivos, implicações e equivalências, recí-
proca de uma proposição ou função proposicional, negação de funções pro-
posicionais, demonstração de existência, demonstração por contraexemplo,
contrapositiva de uma proposição.

Há registros desde o século XVII, a partir de trabalhos de Leibniz (1646-1716)


sobre uma álgebra simbólica formal para a lógica. Esse campo da álgebra
causava maior o impacto em diversas áreas, por conduzir o raciocínio sem
esforços demasiados. Não podíamos deixar de mencionar a enorme contri-
buição de Aristóteles (384-322 a.C), ao qual podemos chamar de Pai da Ló-
gica, mas, também outros matemáticos, tal como Boole (1815-1864) deram
continuidade numa lógica mais rebuscada já no século XIX.

Todas as implicações supracitadas, inicialmente, serão feitas de

um modo objetivo e direto com seus devidos exemplos.

# Proposições e Funções proposicionais


Consiste na demonstração da validade de um resultado matemático através
de valores lógicos, tais como, verdadeiro ou falso, exclusivamente, ou sen-
tenças lógicas que envolvem a presença de variáveis.

Observe que:

“2 é o único par que é primo” Proposição

“x é um número real maior que 1” Função Proposicional

Para que uma função proposicional seja uma proposição, basta usarmos um
quantificador existencial (expressão de “existe pelo menos um”) ou quanti-
ficador universal (expressão de “qualquer que seja” ou “todo”) caracteriza-

UAB 24 Álgebra I
dos, respectivamente, pelos símbolos.

Exemplo7:

“x2 ≥ 4” no universo dos racionais, então p(3) é “32 ≥ 4” verdadeira, mas,


p(-1) é “(-1)2 ≥ 4” falsa.

# Conectivos
São operações que têm interesse fundamental. E são expressos por uma
linguagem matemática significativa para a resolução de um problema que
os contêm.

São eles:

OU (v): caracteriza uma disjunção

A disjunção p q é verdadeira se ao menos uma das proposições p ou q é


verdadeira; se p e q são ambas falsas, então p q é falsa.

Caso1: “2 é primo ou 2 é par” (ambas verdadeiras).

E (): caracteriza uma conjunção

A conjunção p q verdadeira se p e q são ambas verdadeiras; se ao menos


uma delas for falsa, então p ^ q é falsa.

Caso2: “2 é primo e par”.

Se, e somente se ( ): caracteriza uma bicondicionalidade, uma condição


p e outra q simultaneamente, ou seja, p é uma condição suficiente e neces-
sária de q.

Esse valor lógico ( ) é verdadeiro somente quando p e q são ambas verda-


deiras ou ambas falsas; se isso não acontecer, o condicional é falso.

Caso3: “2 é primo se, e somente se, 2 é par”

Se... então...( ): caracteriza uma condicionalidade, uma condição suficien-


te para tornar válida a proposição.

Álgebra I 25 UAB
O condicional p q é falso somente quando p é verdadeira e q é falsa; caso
contrário, p q é verdadeiro.

Caso4: Se uma pessoa é Pernambucana, então ela é Brasileira.

- A indicação feita para negar uma proposição p é indicada por: ~ p

# Implicação e Equivalência
Diz-se que p implica ou acarreta q quando, a condição de p leva a q. Indica-
se por: p q

Por exemplo: p é positivo e primo mdc(p, p²) = p. Quer dizer que o condi-
cional “se p é primo e positivo, então o máximo divisor comum de p é p²”,
portanto, verdadeiro.

Diz-se que p equivale a q quando, ambos têm os mesmos valores lógicos.


Indica-se por: p q

Exemplo8: 2|8 (lê-se dois divide 8) mdc (2,8) = 2. Significa dizer que é
verdadeira a bicondicionalidade “2 é divisor de 8 se, e somente se, o máximo
divisor comum de 2 e 8 é 2”.

# Recíproca de uma proposição ou função proposicional


A reciprocidade proposicional dá-se pela seguinte expressão escrita abaixo,
autoentendível.

“se q, então p” é a recíproca de “se p, então q”.

Exemplo9: “Se x é ímpar, então x² é ímpar” e recíproca de “Se x² é ímpar,


então x é ímpar”. Notar que ambas as proposições são verdadeiras.

Há, também, o caso em que a primeira proposição tem um valor lógico e sua
recíproca outro valor lógico.

Exemplo10: “Se x é um quadrado, então x é um losango” obviamente, essa


primeira proposição é verdadeira, mas, sua recíproca “Se x é um losango,
então x é um quadrado”, não é verdade, pois, nem todo losango é um qua-
drado.

# Demonstração Indireta

UAB 26 Álgebra I
Também chamada de demonstração por redução ao absurdo, por de-
monstrar, pela negação de uma função proposicional, um teorema proposto.

Exemplo11: Deseja-se provar que “se m² é ímpar, então m também é ímpar”.


(essa é nossa hipótese).

Por redução ao absurdo teremos que “desdizer” a proposição acima através


de uma argumentação lógica válida, ou seja, um caminho que nos leve a
comprovar que ambas as condições são, necessariamente, verdadeiras, para
qualquer que seja m.

Negando a tese, suponhamos que m fosse par. Portanto, m (sendo par) pode
ser escrito na forma m = 2t, sendo t inteiro. Então, m² = (2t)² = 4t² = 2 .
(2t²) também seria par, o que gera o absurdo contra a hipótese. De onde, m
necessariamente é ímpar.

Observação: O resultado a ser provado é nossa tese. Se a negação da tese


levar a alguma contradição com as hipóteses ou com outros pressupostos da
teoria, o teorema está provado.

# Demonstração de Existência
A demonstração por existência está reduzida a exibição de um elemento ou
objeto que cumpra as condições previamente propostas.

Exemplo12: Dado dois números racionais, a e b, com a < b, então existe um


número irracional a tal que a < a < b. De fato, o número

(1)

cumpre as condições desejadas. Observemos primeiro que, pela própria ma-


neira como foi definido, o número é maior que a e menor que b. Por outro
lado, de (1) segue que:

Portanto, supondo a racional, teríamos que a divisão também seria ra-


cional, o que seria um absurdo, pois, faria com que, pela igualdade acima,√2
fosse racional. Logo √2 é irracional.

Álgebra I 27 UAB
# Demonstração por Contraexemplo
“Se a é um divisor de b e de c, então a é um divisor de b + c”. Se essa afir-
mação for verdadeira, o intuito do contraexemplo é demonstrar que sua
recíproca não é verdadeira.

Recíproca: “Se a é um divisor de b + c, então é um divisor de b e c”. Por con-


traexemplo temos: 7 é um divisor de 3 + 4, mas não é divisor de nenhuma
das parcelas dessa soma.

Exercícios Comentados
Todos os exemplos supracitados servem como base para resolver os exercí-
cios propostos.

Exercícios Propostos
1.Sejam A e B conjuntos tais que A U B = A B. Prove que A = B

2.Considere os seguintes subconjuntos de (conjunto universo):

A = {x € | x2< 4},

B = {x € |x2 - x 2}

Classifique cada relação seguinte como verdadeira ou falsa.

a) Ac B

b) C Bc

c) A B=D

UAB 28 Álgebra I
3.Define-se diferença entre dois conjuntos, A e B da seguinte maneira: A -
B= {x|x € A e x B}. Ache a diferença A- B nos seguintes casos:

4.Prove por redução ao absurdo que;

Se x é um número inteiro e x³ é ímpar, então x é ímpar.

5.Considere que numa universidade se tenha a seguinte situação: Há pes-


quisadores que não são professores e professores que não são pesquisado-
res; mas alguns pesquisadores são professores. Através desse relato, quais
das seguintes afirmações relativas a essa universidade são verdadeiras?

a)Existem professores que são pesquisadores.

b)Se P indica o conjunto dos professores e Q o conjunto dos pesquisadores,


então P Q ≠ Ø.

c)Todo pesquisador é professor.

d)O conjunto dos professores não está contido no conjunto dos pesquisa-
dores.

e)Existem pesquisadores que não são professores.

f)O conjunto dos pesquisadores está contido no conjunto dos professores.

Resumo
Essa aula tem a função de propor uma síntese na vastidão da álgebra abs-
trata, de conceitos, formulações e demonstrações no tocante a conjuntos.

A premissa é observar que, Cantor(1845-1918) abriu o conceito de finitu-


de para infinitude, através de uma relação de mão dupla em relação aos
conjuntos infinitos, deduzindo assim, conjuntos denumeráveis que, por sua
vez, se baseia na associação um a um entre elementos de conjuntos distin-
tos. Desde então, não houve uma formalização da nomenclatura conjuntos,
usava-se o conceito de reunião de elementos, ou algo semelhante.

Álgebra I 29 UAB
Portanto, abri-se um leque do que vem a ser conjuntos, dando início com
o embasamento de relações a partir de suas propriedades (antissimétrica,
reflexiva e transitiva), formalizando as operações triviais e princípios que nor-
teiam os conjuntos.

As demonstrações propostas têm o intuito de solidificar o encadeamento


de, por exemplo, proposições e funções proposicionais, além de outros itens
abordados.

Referências
ELON, L; CARVALHO, P.C.P; WAGNER, E e MORGADO, A.C. A Matemática do Ensino
Médio, volume 1 (9ª edição). Rio de Janeiro: SBM Coleção do Professor de Matemática,
2006.
GONÇALVES, A. Introdução à Álgebra. Rio de Janeiro: IMPA Coleção Projeto Euclides,
1998.
HEFEZ, A. Curso de Álgebra, volume 1 (3ª edição). Rio de Janeiro: IMPA Coleção
Universitária, 1999.
IEZZI, G e HYGINO, H. Álgebra Moderna. São Paulo: Atual, 2001
IEZZI, G. Fundamentos de Matemática Elementar, volume 1 (8ª edição). São Paulo: Atual,
2002.

UAB 30 Álgebra I
Álgebra I 31 UAB
Aula 2 - Aritmética dos Inteiros

Objetivos

Espera-se que o estudante ao final deste conteúdo possa:

– Construir Z e sua estrutura aritmética, a partir de N;


– Realizar algumas propriedades satisfeitas em Z.

Assunto
Introdução à Aritmética dos Inteiros – Princípio de Indução Finita e Divisibi-
lidade em Z.

Introdução
Durante muito tempo os números naturais atendiam, suficientemente, a to-
das as questões inerentes a operações numéricas, no entanto, apareceram
situações que exigia uma necessidade de resolver questões de diferença en-
tre a e b, quando a < b, ou seja, um caso como a subtração de 1 – 2 que não
pertencia aos naturais.

Após estar “fechada” a ideia de números naturais com seus devidos axiomas
seria inaceitável, para alguns matemáticos, a existência de um ente negativo.
Surge então a noção dos números inteiros que, por sua vez, vem atender a
demanda da época.

A simbologia usada para descrever os números inteiros é dada por:

Z = {..., -3, -2, -1, 0, 1, +1, +2, +3,...}

Algumas considerações foram levadas em conta quanto ao novo conjunto


que satisfaz, momentaneamente, o conhecimento numérico Leopoldiniano
[trata-se de Leopold Kronecker (1823 – 1891)], tal como:

I. Incorporar aos números naturais, munido de suas operações primárias, o


novo conjunto Z, levando em consideração uma relação biunívoca.

Álgebra I 33 UAB
Aritmética dos Inteiros – Propriedades
Elementares
No conjunto Z, estão definidas as operações de soma e produto, segundo as
apresentações abaixo:

(+): Z x Z Z e (.): Z x Z Z
(x, y) x + y ; (x,y) .
x y

As quais gozam das seguintes propriedades: x, y, z € Z

i. (x + y) + z = x + (y + z) (associatividade da soma)

ii. 0 € Z tal que x + 0 = 0 + x = x (existência do elemento neutro)

iii. - x € Z tal que x + (- x) = (- x) + x = 0 (existência de inverso aditivo de


cada elemento de Z)

iv. x + y = y + x (comutatividade da soma)

v. (x. y). z = x. (y. z) (associatividade do produto)

vi. 1€ Z tal que x . 1 = 1. X = x (existência da unidade em Z)

vii. x. (y + z) = x. y + x. z (distributividade do produto em relação à soma)

viii. x. y = y. x (comutatividade do produto)

ix. x. y = 0 x = 0 ou y = 0 (Z não possui divisores de zero)

Apresentadas as propriedades dos inteiros, faremos a verificação de funções


proposicionais a partir do processo de indução finita, que se caracteriza pela
generalização de propriedades após a validade em alguns casos particulares.

O uso do princípio de indução finita minimiza a demonstração de igualdades


nas funções proposicionais, cujo universo é o conjunto dos inteiros (Z).

A indução vulgar se apropria de requisitos elementares para conduzir a igual-


dade proposicional a sua veracidade.

UAB 34 Álgebra I
# Primeiro Princípio de Indução:

Seja n0 um número inteiro e suponhamos que a cada inteiro n, n ≥ n0, está


associada uma afirmação A(n), a qual possui, para cada n, um valor lógico
V(quando verdadeira) ou F(quando falsa). Suponhamos que as condições 1
e 2 abaixo sejam verificadas:

1) A afirmação A(n) é verdadeira para n = n0;

2) Para cada k ≥ n0, se A(k) é verdadeira, então A (k + 1) é também verda-


deira;

Então, a afirmação A(n) é verdadeira para cada n ≥ n0.

Exemplo1:

Provar que:

1.2 + 2.3 + 3.4 ++... + n(n + 1) = n € N.

(i) Para n = 1 a expressão acima se verifica facilmente;

(ii) Hipótese: 1.2 + 2.3 + 3.4 ++... + n(n + 1) = (n/3)(n + 1)(n + 2)

(iii) Provar que:


1.2 + 2.3 + 3.4 +...+ n(n + 1) + (n + 1)(n + 2)=[(n + 1)/3] (n+2)(n+3).

Demonstração:

1.2 + 2.3 + 3.4 +...+ n(n + 1) + (n + 1)(n + 2) =


= (n/3) (n + 1) (n + 2) + (n + 1) (n + 2) =
= (n + 1) (n + 2) [(n/3) + 1] = (n + 1) (n + 2) [(n + 3) /3] =
= [(n + 1) /3] (n + 2) (n + 3).

# Segundo Princípio de Indução

Seja n0 um número inteiro e suponhamos que a cada inteiro n, n ≥ n0, está


associada uma afirmação A(n), a qual possui, para cada n, um valor lógico
V(quando verdadeira) ou F(quando falsa). Suponhamos que as condições 1
e 2 abaixo sejam verificadas:

Álgebra I 35 UAB
1) A afirmação A(n) é verdadeira para n = n0;

2) Para inteiro k ≥ n0, se A(n) é verdadeira para n0 ≤ n ≤ k então A (k + 1)


é também verdadeira.

Então, a afirmação A(n) é verdadeira para cada n ≥ n0.

Exemplo2:

Prove que: 2n < 2n+1, n€N

(i) Para n = 1, a expressão acima se verifica facilmente;

(ii) Hipótese: 2n < 2n+1

(iii) Provar: 2n+1 < 2n+2

Demonstração: 2n < 2n+1 2.2n < 2.2n+1 2n+1 < 2n+2

# Divisibilidade em Z

O papel da divisibilidade nos inteiros é apresentar propriedades que deem


sustentabilidade para casos em que pares de inteiros sejam divisores entre si,
ou seja, com resto zero. Caso contrário, lançaremos mão de uma ferramenta
exposta por Euclides (360 a.C – 295 a.C) em sua obra Elementos (300 a.C),
que é a base da aritmética teórica, exposta quando dois inteiros não são
divisores entre si, portanto, divisão com resto.

Tomados dois números inteiros, em que apenas será possível a ser divisor de
b quando tivermos um c € Z tal que b = ac . Nesse caso, podemos dizer que b
é múltiplo de a. A simbologia usada para indicar a notação de divisibilidade
será: a|b, com a ≠ 0.

Vale ressaltar que a notação a|b não representa uma fração, ou até mesmo,
uma operação em Z. Trata-se de uma linguagem matemática que caracteriza
uma possível veracidade na existência de c tal que b = ac. É salutar citar tam-
bém que a negação para essa sentença se dá pela simbologia: .

UAB 36 Álgebra I
Exemplos3:

A relação entre pares de inteiros definida por a|b se satisfaz das seguintes
propriedades:

(i) 1|c, a|a e a|0. No caso de a|a tem-se a propriedade reflexiva.

(ii) Se a|b e b|c, então a|c, tem-se a propriedade transitiva.

(iii) Se a, b ≥ 0, a|b e b|a, então a = b, tem-se a propriedade antissimétrica;

(iv) Se a|b e b|c, então a| (bx + cy), quaisquer que sejam os inteiros x e y

(v) Se a|b e c|d, então ac|bd;

(vi) Se a > b > 0, então a – b|an – bn;

(vii) Se a + b ≠ 0, então a + b|a2n+1 + b2n+1;

(viii) Se a ≥ b > 0, então a + b|a2n – b2n.

Exemplo4:

Vamos provar que h(n) = 22n + 15n - 1 é divisível por 9, ou seja, 9|h(n) qual-
quer que seja o inteiro n ≥ 1.

Solução:

A demonstração é feita por indução em n. Como h(1) = 22.1 + 15.1 - 1 = 2.9,


então, a afirmação é verdadeira para n = 1.

Seja r ≥ 1 e suponhamos h(r) divisível por 9. Então, h(r) = 22r + 15r - 1 = 9.q
para algum inteiro q. Segue daí que 22r = 9q - 15r + 1.

Logo,

h (r + 1) = 22(r +1) + 15 (r + 1) - 1 = 22r .2r + 15r + 15 - 1 = 4.22r +15r + 14 =


4. (9q - 15r + 1) + 15r + 14 = 9 (4q) - 60r 15r + 18 = 9 (4q) - 9(5r) + 9.2 =
9 (4q - 5r + 2)

Álgebra I 37 UAB
Que por sua vez é múltiplo de 9. Demonstrando assim que 9|h(n).

Segundo o propósito inicial de divisibilidade em Z, a divisão Euclidiana nos


possibilita continuar o processo de divisão mesmo quando, por exemplo,
nem 2 é divisor de 3, nem vice-versa, configurando uma divisão com resto.

Sendo a um número, estritamente, positivo. Tomando-se algum inteiro b, há


duas possibilidades.

(i) b é múltiplo de a e, portanto, b = aq para um conveniente inteiro q;

(ii) b está situado entre dois múltiplos consecutivos de a, isto é, existe um


inteiro q tal que aq < b < a (q+1). Daí, 0 < b – aq < a. Então, fazendo b – qa
= r, obtemos b = aq + r, em que 0 < r < a.

As duas possibilidades nos garantem o seguinte: dados dois inteiros, a e b,


com a > 0, então, sempre se pode encontrar dois inteiros q e r tais que:

b = aq + r, em que, 0 ≤ r < a

Como exemplo5 determina-se, usando o raciocínio do algoritmo euclidiano,


o quociente e o resto da divisão de 97 por 6.

Solução:

O número 97 está entre 96 e 102, a escolha de ambos os números se deu


por serem múltiplos, estritamente, positivos de 6. No entanto, podemos
escrever 96 = 6 x 16 e 102 = 6 x 17, o que nos dá como quociente o número
16 e resto igual a 1, pois, r = 97 – 6 x 16 (r = b – aq).

# Um insight sobre nosso sistema de numeração decimal

Basicamente, o que sabemos sobre o nosso sistema de numeração decimal


é que sua formação se apresenta dá seguinte forma:

N = a0 + a1.10 + a2.102 + ... + ar. 10rn ( I )

Exemplo6

O número 12019, representado na base 10, tem seu desenvolvimento ex-


pressado conforme expressão abaixo:

UAB 38 Álgebra I
1.104 + 2.103 + 0.102 + 1.101 + 9.100 = 1.104 + 2.103 + 1.101 + 9.

Isso nos revela que, qualquer que seja o número natural N, é possível encon-
trar uma única sequência a0, a1,..., ar de números naturais, com:

0 ≤ ai ≤ 9 (i = 1, 2, ..., r)

A sustentação para I está alicerçada numa divisão euclidiana sucessiva, como


segue abaixo:

a = bq0 + r0, r0 < q


q0 = bq1 + r1, r1 < b
q1 = bq2 + r2, r2 < b

Em termos gerais, tem-se uma generalização sob a forma de:

qn-1 = bqn + rn (II)

De fato, como a > q0 > q1 > ..., donde: qn-1 < b.

De II decorre que qn = 0, implicando: 0 = qn = qn+1 = qn+2 = ... e, consequen-


temente: 0 = rn+1 = rn+2 = ... levando a:

a = r0 + r1b + ... + rnbn ( III )

essa última (III) representação se assemelha, ou até mesmo, é idêntica, a I.

O outro ponto de vista, no tocante ao sistema posicional (decimal), é o his-


tórico que, por sua vez, se desenvolveu na China e Índia derivando-o do
sistema sexagesimal utilizado pelos babilônicos 1700 anos antes de Cristo.

Um sistema também muito utilizado, que rege a esfera tecnológica, está na


linguagem computacional, é denominado por bases de potências de 2, ou
sistemas binário.

Assim, nesse sistema todo número natural é representado por uma sequên-
cia de 0 e 1.

Álgebra I 39 UAB
Exemplo7

O número 2510 (base 10) representado na forma binária se expressa no mo-


delo abaixo:

25: 2 = 12 resta 1
12: 2 = 6 resta 0
6: 2 = 3 resta 0
3: 2 = 1 resta 1
1: 2 = 0 resta 1

A leitura é feita do último resto para o primeiro resto, então 2510 (base 10)
representado na forma binária fica:

11001

Exercícios Comentados
1. Demonstre, usando o princípio de indução finita, a seguinte expressão:

8 | (32n - 1), n € N*

Solução:

Demonstraremos pelo princípio de indução finita.

(i) P(1) é verdadeira, pois 8 | (32n - 1) 8 | (32 - 1) 8|8 OK!

(ii) Admitamos que P(k), k € N*, seja verdadeira.

Então, teremos 8 | (32k - 1) hipótese de indução e provemos que 8 | (32(k+1) - 1)


para n = k+1:

32(k+1) - 1 = 32k+2 - 1 = 32k . 32 - 1 = 32k . 9 - 1 = 32k . (8 + 1) - 1 = 32k . 8 +


(32k - 1)

Então:

UAB 40 Álgebra I
Observe que 8 | 8 . 32k, ou seja, 8 divide 8 . 32k por ser um múltiplo de 8 e
divide 32k - 1 pela hipótese da indução.

Portanto, 8 divide a expressão | (32(k+1) - 1).

2. Provemos por exemplo que: 1 + 3 + 5 + ... + (2n - 1) = n2 [n € N*]

(i) Verifiquemos que P(1) é verdadeira:

n=1 1 = 12 OK!

(ii) Admitamos que P(k), com k € N*, seja verdadeira:

1 + 3 + 5 + ... + (2k - 1) = k2 [hipótese de indução] e provemos que decorre


a validade de P(k+1), isto é:

1 + 3 + 5 + ... + (2k - 1) + [2 (k + 1) - 1] = (k + 1)2.

Temos que:

1 + 3 + 5 + ... + (2k - 1) = k2, portanto, k2 + (2k + 1) = k2 + 2k + 1 = (k + 1)2


C.Q.D

3. Prove por indução que:

2n ≥ n + 1, n € N*

Solução:

(i) P(1) é verdadeira, pois 2 . 1 ≥ 1 + 1

(ii) Admitamos que P(k), k € N*, seja verdadeira:

2k ≥ k + 1 (hipótese de indução) e provemos que:


2(k + 1) ≥ (k + 1) + 1 temos:
2(k + 1) = 2k + 2 ≥ (k + 1) + 2 > (k + 1) + 1

4. Mostre que 9|10n – 1.

Solução:

Álgebra I 41 UAB
Provaremos por indução sobre n.

- Para n = 0 a divisibilidade se confirma com 9|100 - 1 9|0

- Suponhamos o resultado válido para um dado n, ou seja, 9|10n – 1. Con-


sidere que 10n - 1 = 9q 10n = 9q + 1

- Tomemos agora n + 1, ficamos então com:

10n+1 = 10.10n = (9 + 1).10n = 9.10n + 10n = 9.10n + 9q + 1 = 9 (10n + q) +


1, provando que o resultado vale para n + 1 e, consequentemente, vale para
todo n € Z.

5. Vamos determinar os múltiplos de 5 que se encontram entre 1 e 253.

Solução:

Estes são todos os múltiplos de 5 que cabem em 253. Pelo algoritmo da


divisão temos que:

253 = 5. 50 + 3

Ou seja, o maior múltiplo de 5 que cabe em 253 é 5.50, em que 50 é o quo-


ciente da divisão de 253 por 5. Portanto, os múltiplos de 5 entre 1 e 253 são:

1.5, 2.5, 3.5, ..., 50.5

E, consequentemente, são em número de 50.

Observação:

Geralmente, dados a, b n € Z com a < b, o número de múltiplos não nulos de


a menores ou iguais a b é igual ao quociente da divisão de b por a.

Exercícios Propostos
1. Mostre, por indução matemática, que, para todo n € N.

a) 8|32n + 7
b) 13|92n – 24n

UAB 42 Álgebra I
2. Quantos múltiplos de 7 existem entre 123 e 2551?

3. Na divisão euclidiana de 802 por a, o quociente é 14. Determine os valo-


res possíveis de a e do resto.

4. Demonstre por indução que:

5. Prove que quaisquer que sejam os inteiros a e b, a expressão a + b + a2 +


b2 representa um número par.

Resumo

A Aritmética dos Inteiros está norteada por propriedades no campo da soma


e multiplicação. Faremos então, a verificação de funções proposicionais a
partir do processo de indução finita, que se caracteriza pela generalização de
propriedades após a validade em alguns casos particulares.

Ao usar o princípio de indução finita, minimizaremos a demonstração de


igualdades nas funções proposicionais, cujo universo é o conjunto dos intei-
ros (). A indução vulgar se apropria de requisitos elementares para conduzir
a igualdade proposicional a sua veracidade.

O papel da divisibilidade nos inteiros é apresentar propriedades que deem


sustentabilidade para casos em que pares de inteiros sejam divisores entre si,
ou seja, com resto zero. Caso contrário, lançaremos mão de uma ferramenta
exposta por Euclides (360 a. C – 295 a. C) em sua obra Elementos (300 a.
C), que é a base da aritmética teórica, exposta quando dois inteiros não são
divisores entre si, portanto, divisão com resto.

Referências
GONÇALVES, A. Introdução à Álgebra. Rio de Janeiro: IMPA Coleção Projeto Euclides,
1998.
HEFEZ, A. Curso de Álgebra, volume 1 (3ª edição). Rio de Janeiro: IMPA Coleção
Universitária, 1999.
IEZZI, G e HYGINO, H. Álgebra Moderna. São Paulo: Atual, 2001
IEZZI, G. Fundamentos de Matemática Elementar, volume 1 (8ª edição). São Paulo: Atual,
2002.

Álgebra I 43 UAB
UAB 44 Álgebra I
Aula 3 - MMC e MDC

Objetivos

Espera-se que o (a) estudante ao final deste conteúdo possa:

– Identificar e resolver situações que envolvam Números Primos;


– Realizar operações que envolvam MDC e MMC.

Assunto
Introdução à Aritmética dos Inteiros – Números Primos; Máximo Divisor Co-
mum e Mínimo Múltiplo Comum.

Introdução
Quem não já escutou, de um professor de matemática, a seguinte frase:

“número primo é todo número que tem apenas dois divisores, o 1 e ele
mesmo”.

Muitas vezes, quem profere essa frase, não faz a observação de que seriam
quatros os divisores de um número primo, pois, contamos também com os
negativos, já que trabalhamos no bojo dos números inteiros. Como exem-
plo tem-se o número 5 que é primo, pois, tem apenas ± 1 e ± 5 como seus
divisores.

Dentro do universo dos inteiros, os números primos são os mais simples, no


que concerne ao campo da divisibilidade, por serem irredutíveis. Porém, é
um dos conceitos matemáticos mais importantes pela suficiência em gerar
todos os inteiros diferentes de 0 e ± 1.

A proposta inicial desta aula está numa apresentação minuciosa dos nú-
meros primos, na divulgação cautelosa dos conceitos de Máximo Divisor
Comum (M.D.C) e Mínimo Múltiplo Comum (M.M.C). |Trazendo propostas
teóricas que subsidiem problemas que os envolvem.

Álgebra I 45 UAB
Números Primos
Dizemos que um inteiro p é um número primo de Z se p ≠ ± 1 e seus únicos
divisores são ± 1 e ± p.

Dessa definição decorre a seguinte equivalência:

p € Z é um número primo se houver um a = ± 1 ou a = ± p; com a € Z e, p


≠ ± 1, que satisfaça, todas as vezes, a igualdade p = ab, com b também € Z.
Os divisores ± 1 e ± p são chamados divisores triviais de p.

De forma definitiva, para se ter um número primo precisa-se verificar as se-


guintes condições;

(i) p ≠ 0;
(ii) p ≠ ± 1;
(iii) ± 1 e ± p são os únicos divisores de p.

Caso contrário, se houver outros divisores para um inteiro a ≠ 0, ± 1 estão


caracterizados os números compostos.

Um dos lemas proposto por Euclides que, dá sustentabilidade à apresenta-


ção de um número primo está em: Sejam a, b, p € Z. Se p é primo e p|ab,
então p|a ou p|b.

Demonstração

Supondo que p não seja um divisor de a. Logo, - p também não é divisor de


a. Como os divisores de p são apenas ± 1 e ± p, então, os divisores comuns
a p e a são apenas ± 1. Daí, mdc(p, a) = 1 e, portanto, existem x0 e y0 € Z tais
que px0 + ay0 = 1. Multiplicando-se ambos os membros dessa igualdade por
b, obtém-se: p(bx0) + (ab)y0 = b. Como p|p e p|ab (hipótese), então, p|[p(bx0)
+ (ab)y0], ou seja, p|b.

Analogamente, mostra-se que se p não divide b, então divide a. O processo


de indução finita sobre n torna evidente o teste de primalidade. Se p, p1,...,
pn são números primos e, se p|p1... pn, então p = pi para algum i = 1,...,n.
Portanto, p|pi, então p = pi.

Uma proposição que encorpa a forma de qualquer número primo é o Teore-


ma Fundamental da Aritmética que, por sua vez, tem o seguinte enunciado:

UAB 46 Álgebra I
“Todo número natural maior que 1 ou é primo ou se escreve de modo único
como um produto de números primos”.

O enunciado teórico acima quer dizer, numa linguagem algébrica, que:

Seja a > 1 um número inteiro. Então, é possível expressar a como um pro-


duto a = p1p2p3...pr em que r ≥ 1 e os inteiros p1,p2,p3,...,pr são números
primos positivos.

Além disso, se a = q1,q2,q3,...,qs, em que q1,q2,q3,...,qs são também números


primos positivos, então s = r e cada pi é igual a um dos qj.

Além do pressuposto, na introdução, sobre a frase pronunciada por alguns


professores, tem-se uma necessidade didática de algoritmizar o processo
prático da decomposição canônica, no qual nos compete fazer uma descri-
ção sucinta a posteriori.

Numa exposição exponencial, supondo que os fatores primos distintos sejam


p1 < p2 < ... < pm (m ≥ 1), e que eles apareçam respectivamente a1 < a2 < ...
< am vezes (ai ≥ 1, i = 1,2,...,m), a decomposição poderá ser escrita assim:

a = p1a1 p2a2 ... pmam

O que costumamos fazer é ampliar essa ideia para decompor em fatores


primos dois ou mais números, na tentativa de construir o mdc e/ou o mmc
de ambos.

A exemplo, têm-se os números 5544 e 650 que podem ser representados


na forma abaixo:

5544 = 23. 32. 50. 7. 11. 130 e 650 = 21. 30. 52. 70. 110. 13

Generalizando para quaisquer inteiros a e b, podemos escrevê-los assim:

a = p1a1 p2a2 ... pmam e b = p1B1 p2B2 ... prBr

Observe que se a > 1, escrito da maneira acima, temos a caracterização de


um quadrado perfeito se, e somente se, cada expoente ai é par.

Álgebra I 47 UAB
Outra observação, de igual importância, está na determinação da quantida-
de de divisores do número natural a que, segue por uma contagem simples,
por: a = p1a1 p2a2 ... pmam , onde p1,p2,...,pr são números primos e a1, ..., ar
€ Z, então:

d(a) = (a1 + 1) (a2 + 1) ... (ar +1)

Exemplo1: o número de divisores positivos de:

300 = 22.3.52 é 3.2.3 = 18

# Números Primos numa visão histórica

Como tudo na matemática, quiçá na ciência, os números primos vieram de


um processo histórico, em que o primeiro resultado se relaciona com os nú-
meros conhecidos de Pierre Fermat (1601-1665), foi quem mais contribuiu
no desenvolvimento da Teoria dos Números, após Euclides (350 a.C) e Era-
tóstenes (276-196 a.C).

Por volta de 1640, Fermat caracteriza sua descoberta, sobre números pri-
mos, através da expressão:

n
Fn = 22 + 1

“Por falta de persistência”, Fermat achava que todo e qualquer primo ca-
beria na expressão acima, foi quando em 1732 Leonhard Euler (1707-1783)
mostrou que, para quando n = 5 tem-se um número composto e não primo.
Mesmo assim, não tira o brilhantismo do trabalho de Fermat.

Tantos outros se debruçaram em desenvolver “fórmulas” ou pressupostos


teóricos sobre os números primos, vejamos alguns, sem a necessidade de
demonstrá-los.

t Mersenne – estende a quantidade de números primos na forma;

Mp = 2p - 1

Em que p é primo.

UAB 48 Álgebra I
t Lejeune Dirilecht – associa a infinitude dos números primos a uma Pro-
gressão Aritmética de números naturais, com primeiro termo e razão
primos entre si.

Máximo Divisor Comum (M.D. C.)


Comumente, iniciamos o estudo de M.D. C. a partir dos divisores comuns de
dois ou mais números.

Exemplo2:

D(6) = {±1,±2,±3,±6} e D(9) = {±1,±3,±9}


D(6) D(9) = {±1,±3}

Daí, elegemos o maior elemento dessa interseção, que caracteriza a no-


menclatura máximo (maior) divisor comum (igual). Essa seria a mais óbvia
demonstração da existência de M.D. C. entre dois números.

Outro método proposto para determinarmos o M.D. C. entre dois ou mais


números é a fatoração dos mesmos em números primos, elegendo os primos
comuns de menor expoente. Vejamos o método a seguir.

M.D.C. (12,8) = 22 = 4

fator primo comum de menor expoente = 22

Pode-se fazer esse processo, simultaneamente, da seguinte forma:

2.2 = 4 = 22

Para determinarmos o mdc usando esse dispositivo, precisamos observar


quanto(s) divisor (es) divide ambos os dividendos simultaneamente e multi-
plicá-los. O 2 marcado em vermelho é o primeiro divisor comum entre 12 e
8, enquanto, o 2 marcado em azul é o segundo divisor comum entre 6 e 4.

Álgebra I 49 UAB
Note que o terceiro 2 (divisor) e o 3 (divisor) não são divisores comuns entre
(3, 2) e (3, 1), respectivamente (ambos os pares dividendos).

Como não podia ser diferente, a existência de M.D.C., no campo dos intei-
ros, também está atrelada a propriedades que o constitui. São elas, para d
€ Z.

(i) d ≥ 0
(ii) d é um divisor comum de a e de b
(iii) d é divisível por todo divisor comum de a e b

Por essas condições, pode-se perceber que o M.D.C. (6,9) = 3

Para uma demonstração mais palpável, faremos menção de alguns dos lemas
proposto por Euclides que, posteriormente, subsidiará o algoritmo que leva
o seu nome, permitindo calcular, efetivamente, o M.D.C. de dois inteiros.

Lema de Euclides

Sejam a, b, n € Z com a < na < b. Se existe mdc (a, b - na), então mdc (a, b)
existe e mdc (a,b) = mdc (a,b - na).

Demonstração

Seja d = mdc (a,b - na). Como d|a e d|b, segue que d divide b = b - na + na.
Logo, d é um divisor comum de a e b. Suponha agora que c seja um divisor
comum de a e b; logo, c é um divisor comum de a e b – na e, portanto, c|d.
Provando com isso que:

d = mdc (a, b).

Outra observação, muito relevante, inserida no estudo de M.D.C. está numa


apresentação, com sólida demonstração, de primos relativos, ou seja, copri-
mos. É o que afirma a proposição (ß) logo abaixo, revelando que:

(ß) Dois números inteiros a e b são primos entre si se, e somente se, existem
números naturais n e m tais que na – mb = 1.

UAB 50 Álgebra I
Demonstração

Suponha que existam números naturais n e m tais que na – mb = 1. Se d =


mdc(a, b), temos que d|mdc (na – mb), o que mostra que d|1, e, portanto,
d = 1.

Numa linguagem mais coloquial, menos algébrica, é o mesmo que dizer que
o M.D.C. entre dois inteiros é igual a 1.

D(6) = {±1,±2,±3,±6} e D(25) = {±1,±5,±25}


D(6) D(25) = {±1}

Observe que ambos os números são compostos.

Poderíamos ter também o caso, como apresentado em seguida, em que am-


bos os números são primos, o que torna muito óbvia a solução.

D(5) = {±1,±5} e D(7) = {±1,±7}


D(5) D(7) = {±1}

Assim, de igual modo, a coprimalidade se verifica quando temos um número


primo e outro composto.

D(8) = {±1,±2,±4,±8} e D(13) = {±1,±13,}


D(8) D(13) = {±1}

A partir da proposição ß, sobre coprimalidade, “derivam” as situações (i), (ii)


e (iii) a seguir:

(i) Sejam a, b e c naturais. Se a|b. c e mdc(a, b) = 1, então a|c.


(ii) Dados a € N e b, c € N*, temos que b|a e c|a .

(iii) Dados números naturais a1,..., an, existe o seu mdc e mdc (a1, ..., an) =
mdc (a1, ..., (an-1, an).

Com o intuito de não nos delongarmos mais no conteúdo em questão, gos-


taríamos de apresentar uma exemplificação sobre um dos lemas de Euclides
no que tange ao máximo divisor comum, para daí, então, adentrarmos no
algoritmo de divisão.

Álgebra I 51 UAB
Exemplo3:

Determinemos os valores de a e n para os quais a + 1 divide a2n+1 – 1

Note que

mdc (a + 1, a2n+1 - 1) = mdc (a + 1, a (a2n - 1) + a - 1) = mdc (a + 1, a - 1)

Portanto, a + 1|a2n+1 - 1, para algum n € N, se, e somente se:

a + 1 = mdc (a + 1, a2n+1 - 1) = mdc (a + 1, a - 1)

O que ocorre se, e somente se: a = 1.

# Algoritmo de Divisão de Euclides

O tema em questão vem abalizar a existência do M.D.C. e irá nos permitir


calcular o mdc de vários inteiros.

Em suma, o que veremos e demonstraremos está, intrinsecamente, ligado a


um dispositivo usado para o cálculo do mdc através de divisões sucessivas,
em que iremos considerar a importante igualdade a seguir:

a = b.q + r (com r < b)

Legenda:

a = dividendo; b = divisor; q = quociente e r = resto

Diferentemente aos demais conteúdos apresentados antes, iremos discorrer


sobre o Algoritmo de Euclides, a priori, na forma de exemplos e em seguida
faremos uma formalização do mesmo.

Exemplo4:

Calcular o mdc entre (330, 240)

Então, o mdc (330, 240) = 30

UAB 52 Álgebra I
Exemplo5:

Calcular o mdc entre (28,90)

Então, o mdc (28,90) = 2

Descrição passo a passo dos exemplos 4 e 5

(i) Os números dispostos na linha superior referem-se aos quocientes das


divisões sucessivas, entre o número situado à esquerda e o da direita (90:
28 = 2 com resto 6...)

(ii) Os números dispostos na linha intermediária referem-se aos dividendos


(esquerda) e divisores (direita). Observe que, na divisão de 90 por 28, temos
o quociente 3 e resto 4, logo em seguida o 6 deixa de ser resto e passa a
ser divisor enquanto, o 28 deixa de ser divisor e passa a ser dividendo, assim
sucessivamente;

(iii) Os números dispostos na linha inferior são os restos.

O algoritmo acima pode ser sintetizado e realizado, algebricamente, na se-


guinte medida:

Inicialmente, efetuamos a divisão a = bq1 + r1 e colocamos os números en-


volvidos dispostos no diagrama abaixo:

Depois, continuamos efetuando a divisão a = r1q2 + r2 e colocamos os núme-


ros envolvidos dispostos nos diagrama abaixo:

Álgebra I 53 UAB
A seguir, enquanto for possível, teremos:

Levando em consideração que, em nossa próxima aula, abordaremos as


Equações Diofantinas, vale salientar agora, como um insight para um futuro
próximo, o processo inverso no intuito de escrever o mdc(a, b) como a dife-
rença entre dois múltiplos de a e b, conforme exemplo logo abaixo.

Exemplo6:

Calcular o mdc entre (372 ,162)

Os dados diagramais acima nos fornece:

6 = 18 - 12.1
12 = 48 – 18.2
18 = 162 – 48.3
48 = 372 – 162.2

Donde segue que:

6 = 18 – 1.12 = 18 – 1. (48 – 2.18) = 3.18 – 48 = 3. (162 – 3.48) – 48 =


= 3.162 – 10.48 = 3.162 – 10. (372 – 2.162) = 23.162 – 10.372

Temos, então, que mdc (372, 162) = 6 = 23.162 – 10.372

Determinamos, no entanto, nosso n e m respectivamente, ou seja, um par


de soluções para equações diofantinas (veremos mais adiante com proprie-
dade), que satisfaz a seguinte expressão:

mdc (a, b) = na - mb,

vista no início de nossa abordagem sobre M.D.C.

* Lembre-se que o mdc (a, b) = mdc (b, a)

UAB 54 Álgebra I
Mínimo Múltiplo Comum (M.M.C. )
Não obstante a abordagem introdutória feita no estudo de M.D.C., ao ini-
ciarmos o conteúdo em questão (M.M.C.), levantaremos, primordialmente,
a quantidade de múltiplos de alguns números, daí então, iremos eleger o
mínimo (menor) entre a interseção de ambos, por exemplo, e determinamos
o M.M.C.

Exemplo7:

M(6) = {0, 6,12,18,24,...,6n} e D(9) = {0,9,18,27,35,...,9m}


M(6) M(9) = {18} – O menor entre todos os múltiplos de 6 e 9.

Essa é a demonstração mais evidente da comprovação entre mínimos múlti-


plos comuns de dois ou mais números.

Consoante uma segunda forma de evidenciar o M.D.C. entre inteiros, apon-


tamos, pelo processo de fatoração em números primos, os entes matemáti-
cos comuns e não comuns de maior expoente, que caracterizam o M.M.C.
dos mesmos. Vejamos a seguir.

M.M.C. (6,9) = 2.32 = 18

Primos comuns e não comuns de maior expoente

Pelo processo simultâneo temos:

nesse caso, utilizaremos os primos comuns e não comuns.

Para determinarmos o mmc, usando esse dispositivo, precisamos apenas


multiplicar todos os primos divisores dos números propostos.

Como os métodos supracitados são para desembaraçarmos o modelo algé-


brico, convencionalmente adotado para esse curso, debulharemos, a partir
de propriedades, a construção abstrata do tema em foco (M.M.C.).

Diz-se que um número é múltiplo comum de dois números quaisquer se ele


é, simultaneamente, múltiplo de ambos os números, ou seja, ab é sempre
múltiplo comum de a e b.

Álgebra I 55 UAB
m é um mínimo múltiplo comum de a e b se possuir as seguintes proprie-
dades:

(i) m é um mínimo múltiplo comum de a e b, e

(ii) se c é um múltiplo comum de a e b, então, m|c.

Do item (ii) temos que m|c e, portanto, m < c, isso se c for múltiplo de a e b.
Caracterizando o M.M.C., quando existir será o único e o menor dos múlti-
plos comuns de a e b.

Algumas proposições a serem feitas sobre M.D.C. e M.M.C. estão elencadas


abaixo.

1) Para todo par de números inteiros a e b subsiste a relação

M.D.C. (a, b) . M.M.C. (a, b) = a.b

2) Se a e b são primos relativos (coprimos), então:

M.M.C. (a,b) = a.b

Exercícios Comentados
1. Seja a = b.q + r, ache q e r na divisão euclidiana quando:

Solução:

a) a = 17 e b = 5

Note que a equação a = b.q + r é obtida do algoritmo usual para a divisão


de inteiros, assim:

Facilmente, chegamos à solução em que q = 3 e r = 2. Pois, 12 = 5.3 + 2

b) a = - 91 e b = 4

UAB 56 Álgebra I
o raciocínio é exatamente igual ao anterior, pensar num múltiplo de 4, ime-
diatamente, inferior a – 9, ou seja, - 92 e efetuar a divisão de modo normal.

2. Quais os números inteiros que, quando divididos por 5, dão um resto igual
à metade do quociente?

Solução:

Montando o algoritmo da divisão para esse problema, iremos obter:

Ou seja, a = 5.2r + r = 11r, assim percebemos que, para que um determinado


tenha essa propriedade, ele precisa ser múltiplo de 11, além disso, devemos
lembrar que o resto é sempre menor que o divisor, assim o conjunto-solução
do problema é:

S = {0,11,22,33,44}

Pois os únicos valores que o resto pode assumir são 0, 1,2,3 e 4.

3. Calcular mdc(n, n + 2), sendo n um inteiro par.

Solução:

Seja d = mdc(n, n+2). Então d | n e d | (n+2). Como d | n e d | (n+2), então, d


| 2 e portanto, d = 1 ou d = 2 e como n é par, a resposta será d = 2 (o maior
dos divisores).

4. Mostre que, se n é ímpar, n(n2 + 1) é divisível por 24.

Solução:

Observe que o produto n(n2 + 1) pode ser escrito da seguinte forma n.(n
– 1).(n + 1), o que nos dá subsídio para chegarmos à solução. Lembrando
também que podemos reescrever 24 em fatores como:

24.1; 2.12; 8.3 e 4.6, olhando para eles, percebemos que nessa fatoração
tem-se um número par e outro ímpar e, além disso, existem em todas fato-
rações propostas um múltiplo de 3.

Álgebra I 57 UAB
Portanto, ao escrevermos n.(n – 1). (n + 1), números consecutivos, para
quando n pertencente aos naturais não nulos, há sempre um múltiplo de 3
e um fator par.

Para n sendo ímpar, ou seja, sob a forma 2k + 1, por exemplo, consegui-


mos escrever o divisor acima como (2k+1).(2k+1–1).(2k+1+ 1) = (2k+1).(2k).
[2(k+1)], k € N*, provando que para esses fatores e sob as condições acima,
temos que n(n2+1) divide 24.

5. Quantos números inteiros, múltiplos de 3, existem entre 1 e 2005?

Solução

Lembramos, inicialmente, que um número c é múltiplo de um número a


quando existe b tal que a.b = c. Portanto, os múltiplos de 3 são do tipo 3k,
com k inteiro. Como desejamos encontrar quantos são os múltiplos de 3
entre 1 e 2005 devemos observar que sequência desses múltiplos é: 3x1,
3x2, 3x3, ..., 3xk. Claramente, percebemos que a quantidade de múltiplos
de 3 é correspondente à sequência de números 1, 2, 3, ..., k. Assim, basta
descobrir o valor de k.

2005 = 3x668 + 1. Logo, k = 668

Exercícios Propostos
1) Determinar a e b se, a + b = 589 e

2) Calcular o mdc(n,n + 2), sendo n um inteiro ímpar.

3) Mostre que a3 – a é múltiplo de 3, para todo a € Z.

4) Mostre que um número é múltiplo de 6 se, e somente se, ele é simultane-


amente múltiplo de 2 e 3.

5) Escreva a quantidade de divisores positivos de:

a) 300
b) 155
c) 173

UAB 58 Álgebra I
Resumo
Os números primos vieram de um processo histórico. Euclides(1601-1665),
com um de seus lemas, deu sustentabilidade à apresentação como conhe-
cemos hoje, sobre a primalidade dos números. Claro, outros matemáticos
também contribuíram para a extensividade dos primos, Fermat(1601-1665),
com suas tentativas e erros, caindo numa expressão falida, provada por Leo-
nhard Euler(1707-1783). Enfim, diz-se que um inteiro p é um número primo
de Z se p ≠ ± 1 e seus únicos divisores são ± 1 e ± p.

Como não podia ser diferente a existência de M.D.C, no campo do inteiros,


também está atrelada a propriedades que o constituem. Por exemplo, para
determinarmos o M.D.C entre dois ou mais números, fazemos a fatoração
dos mesmos em números primos, outro dispositivo é observado em relação
a quantidade de divisores que divide ambos os dividendos simultaneamen-
te, multiplicando-os. Há também o Algoritmo de Euclides, através de uma
disposição matricial entre os números que se quer determinar o M.D.C. A
co-primalidade se dá quando o 1 é divisor comum de dois ou mais números.

Corroborando com uma das formas de evidenciar o M.D.C. entre inteiros,


apontamos, pelo processo de fatoração em números primos, os números
comuns e não comuns de maior expoente, caracterizando assim o M.M.C
dos mesmos.

Outra forma de deduzir o M.M.C. entre dois ou mais números, está no


seguinte dito: Diz-se que um número é múltiplo comum de dois números
quaisquer, se ele é simultaneamente múltiplo de ambos os números, ou seja,
dado ab é sempre múltiplo comum de a e b.

Referências
GONÇALVES, A. Introdução à Álgebra. Rio de Janeiro: IMPA Coleção Projeto Euclides,
1998.
HEFEZ, A. Curso de Álgebra, volume 1 (3ª edição). Rio de Janeiro: IMPA Coleção
Universitária, 1999.
IEZZI, G e HYGINO, H. Álgebra Moderna. São Paulo: Atual, 2001.

Álgebra I 59 UAB
Aula 4 - Aritmética Modular

Objetivos

Ao final deste conteúdo, o(a) estudante deverá estar


habilitado(a) a :

– Resolver as equações polinomiais com coeficientes inteiros;


– Aplicar a noção de congruência modular em situações-problemas
que envolvem restos da divisão euclidiana;
– Determinar a solução geral para congruências simultâneas.

Assunto
Introdução à Aritmética dos Inteiros – Equações Diofantinas Lineares, Con-
gruência Modular e Problema Chinês do Resto.

Introdução
Ao navegar pelo legado deixado por Diofanto (250 a.C.) no tocante a equa-
ções polinomiais com coeficientes inteiros, estaremos mergulhados na teoria
dos números que se utilizava de métodos algébricos em suas resoluções,
algo que difere de seus antecessores.

O interessante da aritmética modular, em especial da congruência modular,


é sua resposta ao seguinte questionamento: “para que serve isso?”. Mos-
trando a todo instante que a matemática nos cerca, ao fazermos compras,
em nossa identificação (CPF, por exemplo), na simples observação das horas
de um relógio, ou seja, está em diversos fenômenos periódicos do nosso
cotidiano. Esse modelo matemático simplifica situações complexas sobre tais
fenômenos.

Apoiado num sistema simultâneo de congruência, o problema chinês do


resto sintetiza questões que pedem, por exemplo, para determinar os restos
das divisões de 52.4841 + 285 por 3. Algo que manualmente é, no mínimo,
cansativo.

Álgebra I 61 UAB
Equações Diofantinas
O profeta Salomão, em um de seus livros, a saber, Provérbios, é exortado
a esboçar sobre a sabedoria, e um dos trechos mais sapienciais está em Pv.
8.11, que diz:

“Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e de tudo que se deseja nada


pode se comparar com ela.”

Outra máxima que estamos costumados a ouvir é: “ainda que sejamos rou-
bados, levaremos nosso conhecimento até o fim de nossa vida.”

Dionfanto levou tão a sério isso que, sob a forma de epitáfio, formulou o
seguinte problema, a revelar sua idade:

Deus concedeu-lhe passar a sexta parte de sua vida na juventude; um duo-


décimo na adolescência; um sétimo em seguida, foi passado num casamen-
to estéril. Decorreram mais cinco anos, depois do que lhe nasceu um filho.
Mas este filho desgraçado e, no entanto, bem amado! apenas tinha atingido
a metade da idade que viveu seu pai, morreu. Quatro anos ainda, mitigando
sua própria dor com o estudo da ciência dos números, passou-os Diofanto,
antes de chegar ao termo de sua existência.

O epigrama acima, numa linguagem algébrica, é traduzido por uma equa-


ção do 1º grau com uma incógnita, que iremos deixar como “desafio”.

As equações polinomiais com coeficientes inteiros das quais nos ocuparemos


é da forma

ax + by = c,

com a, b e c

Um insight foi apresentado na aula anterior sobre mdc (a,b). Algumas pro-
posições são necessárias para deduzirmos um par (x0,y0) de inteiros que sa-
tisfaz a sentença acima.

# Proposição1

A equação diofantina linear admite solução se, e somente se, o mdc(a,b)|c,


ou seja, se o máximo divisor comum de a e b divide c.

UAB 62 Álgebra I
Para uma simples demonstração, precisaríamos dizer que:

t Se (x0,y0) é uma solução admissível da igualdade ax0+by0 = c, segue que


o mdc (a,b) divide a e divide b, então divide ax0+by0 = c. (Essa suposição
está apoiada numa das condições de divisibilidade em z).

t Reciprocamente, suponha que mdc(a,b)|c. Então existe um número in-


teiro k tal que c = k.mdc(a,b). Como existem inteiros m0 e n0 tais que
m0.a+n0.b = mdc (a,b), segue que c = k.mdc (a,b) = (k.m0).a + (k.n0).b.
Logo, os inteiros x0 = k.m0 e y0 = k.n0 são soluções da equação.

Exemplo1

Resolver a equação 56x + 72y = 40.

Solução

Determinemos o mdc(72,56), pela divisão euclidiana (vide aula 3).

Como o mdc(56,72) = 8 divide 40, a equação possui solução. Usando o al-


goritmo da divisão, temos:

72 = 56 . 1 + 16
56 = 16 . 3 + 8
16 = 8 . 2

Escrevendo o mdc 8 como combinação linear de 56 e 72, ficamos com:

8 = 56 – 16.3 = 56 – (72 – 56).3 = 56.4 – 72.3 = 56.(4) + 72.(- 3), obser-


ve que determinamos x0 e y0, falta-nos determinar o valor de c que, pela
equação proposta, vale 40, mas temos o valor 8. O que precisamos fazer é
multiplicar a igualdade por 5, para daí então conseguirmos o valor 40 para c.

Segue que

8 = 56.(4) + 72.(- 3) multiplicado por 5 temos 40 = 56.(20) + 72(-15).


Logo, o par (x0 = 20 e y0 = - 15) é uma solução particular da equação dada.

Álgebra I 63 UAB
# Proposição2

Pela proposição1, se x0,y0 caracteriza um par de solução particular, então o


conjunto solução simboliza a genera-
lização da equação diofantina, distintamente temos:

Exemplo2

Determine a solução geral da equação 11x + 30y = 31.

Solução

Determinemos o mdc(30,11), pela divisão euclidiana (vide aula 3).

Como o mdc(30,11) = 1, obviamente divide 31, no entanto, a equação pos-


sui solução. Usando o algoritmo da divisão, temos:

30 = 11 2 + 8
11 = 8.1 + 3
8 = 3.2 + 2
3 = 2.1 + 1
2 = 1.2

Vamos escrever o mdc 1 como combinação linear de 11 e 30.

1 = 3 – 2 = 3 – (8 – 3.2) = 3 x 3 – 8 = (11 – 8).3 – 8 =11 . 3 – 8.4 =


= 11.3 – (30 –11.2).4
1 = 11.11 – 30.4 = 11(11) + 30(–4)

Como queremos resolver a equação 11x + 30y = 31, multipliquemos a igual-


dade 1= 11(11) + 30(-4) por 31, daí temos que

31 = 11(341) + 30(–124). Logo xo = 341 e yo = –124, resultando na solução


geral:

x = 341 + 30k e y = –124 – 11k

UAB 64 Álgebra I
Congruência Modular
Falamos na introdução, com empolgação, sobre a acuidade da congruência
modular. Deve-se todo crédito a Karl Friedich Gauss (1777-1855), por torná-
la um sólido instrumento matemático que decodifica a teoria dos números
para uma linguagem clara.

A diversidade na qual está imersa a congruência dilata o conceito de con-


textualização do ensino e aprendizagem. É o que veremos logo abaixo com
breves exemplificações desse conteúdo.

A priori, singelamente, iremos nos deter na seguinte afirmação sobre con-


gruência:

“Uma congruência é a relação entre dois números que, divididos por um


terceiro - chamado módulo de congruência - deixam o mesmo resto.”

Exemplo3

t A congruência modular do relógio

Trata-se de um caso de congruência, módulo 12 (nos relógios analó-


gicos, é claro). Note que 13 horas é congruente a 1 hora, no módulo
12. Ambos divididos por 12 deixam resto 1. 17 horas é congruente a 5
horas, módulo 12. Tanto 17, como 5, divididos por 12, deixam resto 5,
e assim, sucessivamente.

1 13 25 ...., mod 12
5 17 29 ...., mod 12

Assim as horas marcadas num relógio analógico constituem também


um caso clássico de congruência, nesse caso com módulo 12.

Exemplo4

t Congruência Modular do Calendário

Vejamos uma aplicação interessante sobre o tema, relacionada aos


calendários:
Vamos supor que você saiba em qual dia da semana caiu o dia 1º de
janeiro de um determinado ano. Em 2006, por exemplo, foi um domin-

Álgebra I 65 UAB
go. Imaginemos que você deseja saber quando cairá outro dia qualquer
desse mesmo ano (vale para qualquer ano, é claro). É só montar uma
tabela para essa primeira semana, que no caso será:

Verificamos aqui que estamos novamente diante de um caso de con-


gruência, módulo 7 nesse caso. Digamos que estivéssemos interessados
em descobrir em que dia da semana caiu o dia 5 de julho de 2006 (e
não temos um calendário em mãos, é claro). Primeiro, precisamos ver
quantos dias existem de 1 de janeiro até 5 de julho. Vejamos:

Janeiro = 31 dias
Fevereiro = 28 dias (2006 não é bissexto)
Março = 31 dias
Abril = 30 dias
Maio = 31 dias
Junho = 30 dias
Julho = 5 dias

Total = 186 dias.

Agora, é como se tivéssemos uma fila de 186 dias e estamos desejando


saber, na congruência de módulo 7 (7 dias da semana), qual o corres-
pondente ao 186. Acho que você concorda que estamos diante de
uma situação bem semelhante à que vimos no problema da aranha e
também no problema dos relógios analógicos. Se dividirmos 186 por 7,
teremos:

Logo, 186 é congruente a 4, no módulo 7. Como o dia 4 de janeiro de


2006 foi uma quarta-feira, o 186º desse mesmo ano também o será e,
é claro, que todas as demais quartas-feiras deste ano serão ocupadas
por números congruentes a 4, módulo 7.

Exemplo5

t Congruência Modular nos Códigos de Barras (EAN-13)

UAB 66 Álgebra I
Um dos códigos de barras mais usados no mundo todo é o EAN-13,
constituído de 13 algarismos, sendo que o último é o dígito de controle.
Nesse caso, é usada a congruência módulo 10 e os fatores que com-
põem a base de multiplicação são os dígitos 1 e 3, que vão se repetindo
da esquerda para a direita.

Se a1 a2 a3 a4 a5 a6 a7 a8 a9 a10 a11 a12 a13 a sequência formada pelos 12


primeiros dígitos, devemos multiplicá-los, nessa ordem, pela base {1,
3, 1, 3, 1, 3, 1, 3, 1, 3, 1, 3}, somar os produtos obtidos. Vamos re-
presentar por S a soma obtida. O dígito que está faltando, que vamos
representar por a13 deve ser tal que ao ser somado com S, deve gerar
um múltiplo de 10, isto é, o número S + a13 deve ser múltiplo de 10, ou
seja,
S + a13 0 (mod 10).

Vejamos a concretização do exemplo numa etiqueta com código de


barras.

Calculemos o dígito de controle (que estamos vendo ser o dígito 3)

978972711530
131313131313

Efetuamos os produtos, teremos:

9 + 21 + 8 + 27 + 7 + 6 + 7 + 3 + 1 + 15 + 3 + 0 = 107

Logo, o dígito de controle será igual a 3 (10 – 7). Note que 107 + 3 =
110 (múltiplo de 10).

Sabemos também que, no código de barras com 13 algarismos, os três


primeiros dígitos do código representam o país de registro do produ-
to (verifique que, para produtos filiados no Brasil, teremos sempre os
dígitos 7, 8 e 9); os quatro dígitos seguintes identificam o fabricante;

Álgebra I 67 UAB
os próximos cinco dígitos identificam o produto e o último, como
já sabemos, é o dígito verificador ou de controle, que se pode calcular
através da congruência, módulo 10.

Como não podia deixar de ser, precisamos algebrizar o modelo aritmético


modular dando uma consistência palpável, a luz da álgebra abstrata.

Seja m um inteiro não nulo. Dois inteiros a e b serão ditos congruentes


módulo m se os restos de a e b por m forem iguais. Quando isso acontece,
transcrevemos essa frase para uma linguagem algébrica que nos dá a se-
guinte expressão:

a b mod m

De outra forma, temos que a é côngruo a b módulo m se, e somente se,


m|(a-b), se existir um q no qual satisfaça à igualdade a – b = mq. Isso fica
comprovado que para quando a b mod.m, então existem inteiros r, q e q’
tais que a m.q + r e b m.q’ + r, logo a – b = m.(q – q’) e como conse-
quência m|(a-b).

# Propriedades atinentes à congruência para quando a, b, c, d, m e n sejam


inteiros com m > 1 e n ≥ 1.

(i) a a mod m (reflexividade);

Se m|(a-b) então m|(a-a) logo m|0

(ii) a b mod m, então b a mod m (simetria);

Se m|(a-b), ou seja, a – b = m.q para algum q. Daí b – a = m.(-q) e, portanto,


m|(b-a). Logo, b a mod m.

(iii) a b mod m e b c mod m, então a c mod m (transitividade);

Se a b mod m e b c mod m, então m|(a-b) e m|(b-c) logo m|(a-b+b-c)


donde m|(a-c) e, portanto a c mod m.

(iv) a b mod m e c d mod m, então a + c b + d mod m;

Se a b mod m e c d mod m, segue que m(a-b) e m|(c-d), logo m|(a-b+c-


d) e, portanto a + c b + d mod m.

UAB 68 Álgebra I
(v) a b mod m e c d mod m, então a.c b.d mod m;

Se a b mod m e c d mod m, segue que m|(a-b) e m|(c-d).


Como ac – bd = a(c-d) + d(a-b), donde m|(ac-bd) e consequentemente ac
bd mod m.

(vi) a b mod m, então an bn mod m.

Por indução sobre n temos que:


Para n ≥ 1 é óbvia a congruência
an bn mod m, pois, a b mod m.

Para n = k, temos por hipótese que


ak bk mod m

Para n = k + 1, levando em consideração a proposição [(v) a b


k+1 k+1
mod m e c d mod m, então a.c b.d mod m], temos que: a b
k k k k
mod m a .a b .b mod m, então a b mod m e a b mod m.
n n
O que comprova a congruência a b mod m.

Diante mão, podemos dizer que as propriedades que equivalem à: reflexi-


vidade, simetria e transitividade, i, ii e iii, respectivamente, são relações de
equivalência. Enquanto as propriedades iv e v compatibilizam com as opera-
ções de adição e multiplicação.

(vii) a b mod m e se n|m, então a b mod n

Se a b mod m, então m|(a-b) e como n|m segue que n|(a-b), logo


a b mod n.

(viii) a b mod m e a b mod n se e somente se a b mod mmc(m,n)

Se a b mod m e a b mod n, temos que m|(a-b) e n|(a-b), portanto, pela


definição de mmc temos que mmc(m,n)|(a-b) e consequentemente a b
mod mmc(m,n).

(ix) a.c b.c mod m e m.d.c(c,m) = 1, então a b mod m

Se a.c b.c mod m, então m|[c.mdc(a,b)], e como mdc(c,m) = 1, segue que


m|(a-b) e portanto a b modm.

Álgebra I 69 UAB
(x) d = mdc(c,m), então a.c b.c mod m se e somente se a b

Se a.c b.c mod m, segue que m|[c.(a-b)], donde c.(a-b) = t.m para algum t
. Sendo d = mdc(c,m), temos que com
segue, de (iii), que a b

Outro campo no qual a congruência deixa sua marca está nos critérios de
divisibilidade. Todos os critérios anunciados a posteriori estão embasados
pelas propriedades vistas anteriormente.

t Critérios de divisibilidade por 2

De modo trivial, todo número é divisível por 2 se, e somente se, for par.

10t 0 (mod 2), para todo t ≥ 1

t Critérios de divisibilidade por 3

Corriqueiramente costumamos enunciá-lo da seguinte forma:


Todo número é divisível por 3 se, ao somarmos seus algarismos, o resul-
tado for um múltiplo de 3.

N = a0 + a1.10 + a2.102+...+ar.10r a0 + a1 + a2+...+ar(mod3)

t Critérios de divisibilidade por 4

Neste caso, cumpre-se a exigência de que todo número é dividido por


4 se, e somente se, os dois últimos algarismos for múltiplo de 4 ou o
número terminar em 00.

N a0 + a1.10(mod4)

t Critérios de divisibilidade por 5

Um dos mais fáceis de ser verificado, pois basta as terminações numéri-


cas serem 0 ou 5.

t Critérios de divisibilidade por 6

Quando o número é, simultaneamente, divisível por 2 e 3. Daí segue as


orientações de divisibilidade de ambos.

UAB 70 Álgebra I
Problema Chinês do Resto
Em resumo, o problema chinês do resto orienta-se por um sistema de con-
gruências simultâneas em que mdc(ni , mj ) = 1, sempre que i ≠ j.

Onde m1, m2, m3, ..., mr são inteiros positivos co-primos.

O sistema possui uma única solução módulo m = m1.m2.....mr. (ou seja, exis-
te uma solução x com 0 ≤ x < m, e todas as outras soluções são congruentes
módulo m com essa solução).

O expoente dessa teoria foi o matemático chinês Sun-Tsu, que lançou o


seguinte questionamento: “Que número será esse de forma que quando
dividido por 3, o resto é 2; quando dividido por 5, o resto é 3; e quando
dividido por 7, deixa resto 2?”

Numa linguagem matemática teremos que resolver o sistema abaixo:

Na medida em que resolvermos o sistema proposto por Sun-Tsu, delineare-


mos o caminho até a determinação de x.

Solução

t Definiremos o m (multiplicação dos divisores modular – “emizinhos”), Mk


(razão do divisor modular pelo “emizinhos” ---- Mk = m / mk), onde k =
1, 2, 3,..., n (inteiros), Yk o inverso de Mk módulo mk, ou seja, Mk.Yk 1
(módulo mk) e por fim

t Como m1,m2 e m3 (3, 5 e 7 respectivamente) são primos relativos, confor-


me sugere a propriedade para resolução desse tipo de problema, o mmc
entre eles será a multiplicação dos três. Então mmc (3,5,7) = 105 = m.

t Descoberto o m = 105, prosseguiremos na descoberta dos respectivos


Mk’s, ou seja, M1 = 105/3 = 35; M2 = 105/5 = 21 e M3 = 105/7 = 15.

Álgebra I 71 UAB
t Com base no primeiro ponto da solução, precisamos determinar os Yk’s,
que, por sua vez, é o fator cujo produto com Mk deve ser congruente a
1 módulo mk, ou seja,

O que queremos saber é qual o valor do Y1 quando na divisão de 35.Y1 por


3 resta 1. E, assim sucessivamente. Então

t Por fim, resta-nos somar os fatores correspondentes dos restos deixado


por x na divisão por 3, 5 e 7, respectivamente, vezes os M’s vezes Y’s.

x 2.35.2 + 3.21.1 + 2.15.1 (mod 105) 233 23 (mod 105)

t Portanto, x 23 (mod 105), ou seja

Exercícios Comentados
1. Achar o menor inteiro positivo que represente a soma:

5 + 3 + 2 + 1 + 8 (mod. 7).

Solução

5+2 0 (mod.7), 3 + 1 4 (mod. 7) e 8 1 (mod. 7).

Portanto 5 + 3 + 2 + 1 + 8 0+4+1 5 (mod. 7).

UAB 72 Álgebra I
2. Mostrar que 41 divide 220 – 1.

Solução

Devemos mostrar que 220 1 (mod 41).

26 23 (mod 41); 24 16 (mod 41); 210 = 26 . 24 23.16 40 (mod 41)


220 402 1 (mod 41).

3. Mostrar que todo primo (exceto 2) é congruente módulo 4 a 1 ou 3.

Solução

Se p é primo, diferente de 2, então ele é ímpar. Dividindo p por 4 obtemos os


restos 1 ou 3. Assim p = 4q + 1 ou p = 4q + 3. Na primeira igualdade p – 1
= 4q, então p 1 (mod 4) e na segunda igualdade p – 3 = 4q , dando p
3 (mod 4).

4. Mostrar que 89 | (244 - 1).

Solução

Devemos mostrar que 244 1 (mod 89)

27 39 (mod 89); 24 16 (mod 89); 211 = 27 . 24 39. 16 1 (mod 89)


244 = (211)4 1 (mod 89). No entanto, 89|(1-1).

5. Determinar todas as soluções inteiras e positivas da seguinte equação


diofantina linear

5x – 11y = 29

Solução

Fazendo o processo de divisão euclidiana para determinarmos o mdc entre


5 e 11, temos

Álgebra I 73 UAB
Logo, o mdc(11,5) = 1, escrevendo o 1 como combinação linear de 11 e 5
temos 1 = 11 – 5.2, como a equação diofantina é igual a 29, precisamos
efetuar a multiplicação de ambos os lados da igualdade por 29.

29 = 11.29 – 5.58.

Portanto, a equação geral diofantina é: x = –58 – 11k e y = –29 –5k


Como queremos as soluções positivas, devemos ter: –58 – 11k > 0 e –29 –
5k > 0
Da 1ª desigualdade, tiramos: k < –5,27 ou k ≤ –6 e da 2ª, k < –5,8 ou k ≤
–6.
Sendo assim, a solução será k ≤ –6, dando uma infinidade de soluções
positivas.

Exercícios Propostos
1. Resolva, mediante o teorema chinês do resto, o seguinte sistema.

x 1 (mod 10), x 4 (mod 11), x 6 (mod 13)

2. Determinar todas as soluções inteiras e positivas da seguinte equação


diofantina linear

62x + 11y = 788

3. Que inteiros deixam resto 1 quando divididos por 2 e resto 1 quando


divididos por 3?

4. Mostrar que 97 | (248 – 1).

9
5. Ache os dois últimos algarismos de 9(9 ).

Resumo
A diversidade no qual estão mergulhadas as equações diofantinas, o teorema
chinês do resto e a da congruência modular, dirige esta semana de aula. Este
último alarga o conceito de contextualização do ensino e aprendizagem. É
o que se pode ver em exemplos, usando como material de apoio objetos do
cotidiano, tais como: o relógio, o CPF, o calendário, a identificação dos pro-
dutos através de seus códigos de barras, etc. Enquanto o segundo baseia-se

UAB 74 Álgebra I
numa teoria pautada na congruência modular. Já o terceiro tópico torna um
sólido instrumento matemático que decodifica a teoria dos números para
uma linguagem clara, resumindo bastante nosso trabalho.

Portanto, fato comumente da matemática, é a algebrização, em alguns ca-


sos, desses modelos, ou seja, tornar matemático a linguagem cotidiana. Daí
entram as propriedades, as conjecturas, as demonstrações, etc. No caso da
congruência modular não é diferente, a partir de extensas propriedades e
critérios de divisibilidades, vemos a formalização desse item na seguinte afir-
mação: Dois inteiros a e b serão ditos congruentes módulo m se os restos de
a e b por m forem iguais, ou seja, o teorema chinês do resto orienta-se por
um sistema de congruências simultâneas em que mdc(ni, mj) = 1, sempre
que i ≠ j. Para as equações diofantinas, apoiadas no processo de determi-
nação do M.D.C., deduz-se um par ordenado (x0,y0) que satisfaz algumas
proposições. A forma comum de visualizarmos uma equação diofantina é
da forma:

Referências
GONÇALVES, A. Introdução à Álgebra. Rio de Janeiro: IMPA Coleção Projeto Euclides,
1998.
HEFEZ, A. Curso de Álgebra: volume 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: IMPA Coleção Universitária,
1999.
IEZZI, G e HYGINO, H. Álgebra Moderna. São Paulo: Atual, 2001.

Álgebra I 75 UAB
Aula 5 - Relações Binárias

Objetivos

Ao final deste conteúdo, o(a) estudante deverá estar habilitado(a) a :

– Identificar atributos referentes às relações binárias;


– Utilizar o conhecimento de congruência nas expansões de rela-
ções;
– Resolver problemas que envolvem o conteúdo em questão.

Assunto
Relações Binárias.

Introdução
Intuitivamente, o conceito de relação em matemática é próximo do conceito
de relação que vivenciamos no nosso cotidiano. No cotidiano, são exemplos
de relação: “irmão de”, “menor ou igual”, “faz fronteira com”. Trataremos
inicialmente de um tipo de relação, as relações binárias.

Relação Binária – Par Ordenado


Sejam A e B dois conjuntos. Uma relação binária R de A em B é um con-
junto de pares ordenados (x, y), com x € A e y € B. Para uma definição
mais precisa, será divulgada uma conjectura dada por Kazimierz Kuratowski
(1896-1980), que define par ordenado como:

(a,b) = {{a},{a,b}}

Que, por sua vez, satisfaz o seguinte teorema abaixo, no qual se propõe
considerar dois casos como demonstração.

Teorema
Se (a,b) e (x,y) são pares ordenados e se (a,b) = (x,y), então a = x e b = y.

Álgebra I 77 UAB
1º caso: a = b
Então, (a,b) = {{a}} é um conjunto unitário. Como (a,b) = (x,y), segue que

(x,y) = {{x}, {x,y}} = {{a}} é também um conjunto unitário; isso implica que x =
y. Agora, desde que {x} € (a,b) = {{a}}. Logo, concluímos que a, b, x e y são
todos iguais.

2º caso: a ≠ b
Neste caso, note que (a,b) e (x,y) contêm exatamente um conjunto unitário,
a saber, {a} e {x}, respectivamente, de modo que {a} = {x}, logo a = x. Conse-
quentemente, {a,b} = {x,y} e, em particular, b € {x,y}. Note agora que b ≠ x.
De fato, se b = x, teríamos por transitividade que a = b, uma contradição.
Isso acarreta b = y, como queríamos demonstrar.

Em resumo, se (x, y) € R, diz-se que x está relacionado a y por meio de R será


indicado por x R y. Para exprimir que R é uma relação de A em B, escrevemos
R: A B, em que o conjunto A é chamado de conjunto de partida e B é o
conjunto de chegada da relação R.

É claro que uma relação R de A em B é um subconjunto do produto carte-


siano A x B, um significado mais conciso sobre produto cartesiano será
explanado, após as exemplificações abaixo. Assim, o produto cartesiano
A x B é ele próprio uma relação de A para B. Podemos então dizer que dados
dois conjuntos A e B, uma relação binária de A em B é um subconjunto de A
x B. Se R é uma relação binária em A x B, então escrevemos x R y (x, y) € R.

Exemplo1

Sejam os conjuntos A = {1, 2, 3} e B = {2, 3}. O produto cartesiano dos dois


conjuntos A x B = {(1,2), (1,3), (2,2), (2,3), (3, 2), (3, 3)}.

Se estivermos interessados na relação de igualdade, então os pares (2,2) e


(3,3) são os únicos que apresentam essa propriedade. Então a relação R que
contém esses pares é R1= {(x, y) € A x B : x = y}.

Se estivermos interessados na relação em que o primeiro número do par é


maior que o segundo, escolheremos o par (3,2). Nesse caso, a relação será
R2 = {(x, y) € A x B : x > y}.

UAB 78 Álgebra I
A relação R3 = {(x, y) € A x B : y = x+1} = { (1, 2), (2, 3) }.

A notação x R y indica que o par ordenado (x, y) satisfaz a relação R.

A relação R pode ser descrita com palavras ou simplesmente pela enumera-


ção dos pares ordenados que a satisfaça.

Exemplo2

Considere S = {1, 2} e T = {2, 3, 4} e R, a relação dada pela descrição


xRy x + y é ímpar. Então R = {(1, 2), (1, 4),(2, 3)}.

Exemplo3

Considere o conjunto A = {1, 2, 3, 4} e a relação R definida de A em A pela


condição (x, y) € R x divide y. A divisão aqui considerada é aquela que não
deixa resto, de modo que 1 divide 1, 1 divide 2, 2 divide 4, 2 não divide 3,
etc.

Assim, a relação R é constituída pelos pares:

(1, 1), (1, 2), (1, 3), (1, 4), (2,2), (2, 4), (3, 3) e (4, 4).

Consoante René Descartes (1596-1650), temos que produto cartesiano de-


fine-se por: Sejam A1,A2 , . . . , Am ≠ Ø conjuntos.

O conjunto M = A1 x A2 x . . . Am = {(a1 ,a2 ,. . .,am )|a1€ A1,a2 € A2, . . . am € Am}

chama-se produto cartesiano dos A1, A2,..., Am (respectivamente). Os ele-


mentos (a1, a2, ..., am) em M chamam-se m-uplas. O elemento éa
i-ésima coordenada da m-úpla (a1, a2, ..., am) com ( 1 ≤ i ≤ m).

Para dois elementos (a1, a2, ..., am) e (b1, b2, ..., bm) em M têm-se sua
igualdade definida por:

{(a1,a2,...,am)=(b1,b2,...,bm) a1=b1,a2=b2,...,am=bm}

No caso particular, quando m = 2, A1 = A e A2 = B, temos

Em que (a,b) = (c,d) a = c eb=d

Álgebra I 79 UAB
No caso m arbitrário e A1 = A2 = ... = Am = A , o produto cartesiano passa a
ser a potência cartesiana m-ésima de A, indicada por

M = Am= {(a1,a2,...,am)|a1,a2,...,am€ A}

Exemplo4

Para

Temos

Porém

Vemos | A x B | = | B x A | = 12. Mas, A x B ≠ B x A

Mais exatamente: (A x B) (B x A) = Ø

Exemplo5

Para A = R temos

R2 = {(x,y)|x,y€ R} é plano cartesiano (euclidiano) real,

é a sua diagonal (a primeira mediana).

Para

UAB 80 Álgebra I
Temos

Por fim, como as relações binárias são conjuntos de pares ordenados, todas
as operações que se faz com conjuntos são válidas para elas, podendo en-
tão definir a união e a interseção de relações. E, logo em seguida, a relação
complementar. Além disso, determina-se a relação diferença e a relação di-
ferença simétrica.

Uma ressalva a ser considerada dá-se pela definição de uma relação entre
certos elementos de A com certos de B, que se valida da seguinte forma:

Sejam A, B ≠ Ø dois conjuntos.

Uma relação de A em B, sendo um subconjunto do produto cartesiano


de A x B, escreve-se , equivalente .

é portanto o conjunto de todas as relações de A e B.

É óbvio que se A = B, uma é denominada relação em A.

Outra advertência a ser feita é quando, para quaisquer dois conjuntos A,B ≠
Ø, temos que

AxB€2AXB Ø € 2AXB

Isso quer dizer que todo elemento a € A está relacionado com todo elemento
b € B Portanto, A x B é também denominada a relação universal entre A e B.

Um exemplo 6 trivial que resume a advertência acima fica por conta de:

Sejam

Tem-se

Álgebra I 81 UAB
É uma relação de A em B. Sendo assim:

= Domínio de Definição

= Imagem da Relação

Podemos ter também a seguinte formação

É uma relação de B em A.

Temos

O que se costuma ver em algumas bibliografias, quanto à apresentação de


exercícios, sobre a determinação de relações distintas entre A x B, surge da
seguinte forma:

Entre

Existem 212 = 4096 relações distintas. Ou até mesmo, para quando A = B,

A= {a,b.c}

Existem 29 = 512 relações distintas.

Numa perspectiva na qual a ordem dos conjuntos se alteram, ou seja, ao


invés da relação ser R de A em B for R de B em A, está caracterizada uma

UAB 82 Álgebra I
relação inversa.

Define-se como R-1 sendo o conjunto de pares ordenados obtidos a partir


dos pares ordenados de R invertendo-se a ordem dos termos em cada par.
Logo(b,a) € R-1 (a,b) € R

Portanto, a relação binária inversa se assinala pela expressão abaixo:

R-1={ (b,a) € BxA | (a,b) € R}

Observa-se que

Além do mais,

Exemplo7

Para

e considerando-se a relação

Temos

Numa visão de predicados, uma relação binária dispõe de certas proprieda-

Álgebra I 83 UAB
des que visualizaremos por meio de diagramas, seguida de um breve comen-
tário.

t Reflexiva: Diz-se que R é reflexiva quando há uma auto-relação dos ele-


mentos consigo mesmo.

Exemplo 8

A relação R = {(a,a), (b,b), (c,c), (a,b), (b,c)} sobre E = {a,b,c}.

t Simétrica: Diz-se que R é simétrica quando se vale b R a sempre que vale


a R b, ou seja, se a R b, então b R a. Lembre-se a e b são elementos de A
e B respectivamente. E, R caracteriza uma relação.

Exemplo 9

A relação R de perpendicularismo definida sobre o conjunto E das retas do


espaço

UAB 84 Álgebra I
é simétrica, pois, para duas retas a e b quaisquer, .

t Transitiva: Diz-se que R é transitiva se vale a R c sempre que vale a R b e


b R c, ou seja, se a R b e b R c, então a R c.

Exemplo 10

A relação R sobre o conjunto dos naturais definida por

a R b se, e somente se, a ≤ b

é transitiva, pois, dados três números naturais a,b e c, tem-se:

t Antissimétrica: Diz-se que R é anti-simétrica se a = b, sempre que a R c e


c R a, ou seja, se a R b e b R a, então a = b.

Exemplo 11

A relação R de divisibilidade sobe o conjunto dos naturais

a R b se, e somente se, a|b (a é divisor de b)

Álgebra I 85 UAB
é antissimétrica, pois, dados dois números naturais, a e b se a|b e b|a, então
a=b.

# Relação de Equivalência
Uma relação R não vazia sobre um conjunto A não vazio é chamada relação
de equivalência sobre E quando R for uma relação reflexiva, simétrica e
transitiva.

Exemplo12

A relação de paralelismo definida para as retas de um espaço euclidiano

aRb a//b (lê-se: R de a em b se, e somente se, a paralela b)

é uma relação de equivalência, pois, se a, b, e c são retas do espaço, temos:

i. a//a

ii a//b b//a

iii (a//b e b//c) a//c

Um adendo a ser feito é quando uma relação R em um conjunto E for de


equivalência podemos, em geral, usar a notação ~ em vez de R, exemplo, x
~ y em vez de x R y.

# Classe de Equivalência
Considere R uma relação de equivalência sobre um conjunto E. Seja a € E,
então o subconjunto a de E é uma classe de equivalência determinada por x,
módulo R, se, e somente se, x ~ a .

a = {x € E / x~a}

Obs.: o conjunto de todas as classes de equivalência módulo R será indicado


por E/R e chamado de conjunto de E por R.

Exemplo13

Seja A = {a, b, c} e R uma relação em A: R = {(a, a), (b, b), (c, c), (a, c), (c, a)}.
Então, podemos determinar as seguintes classes de equivalência:

UAB 86 Álgebra I
a= {a, c}, pois a ~ a e c ~ a. Ou seja, os elementos que constituem a classe
de equivalência são aqueles que se relacionam com a.

b= {b}, pois apenas b ~ b. Ou seja, o elemento que constitui a classe de


equivalência é o próprio b, pois é o único que se relaciona com b.

c = {c, a}, pois c ~ c e a ~ c. Ou seja, os elementos que constituem a classe


de equivalência são aqueles que se relacionam com c.

Exemplo14

A relação de congruência módulo m sobre (mod. m). Veja-


mos algumas situações:

Z3{0,1,2} = em que

0 = {0,3,6,9,12,15,...}

1= {4,7,10,13,16,...}

2= {5,8,11,14,17,...}

Obs.: Recordando congruência – quando dizemos que Z3{0,1,2} é porque 0,


1 e 2 são os possíveis restos de uma divisão por três.

Então 0 = {0, 3, 6, 9, 12, 15, ...}, pois 0, 3, 6, 9, 12, ... são números que di-
vididos por 3 deixam resto 0; 1 = {4, 7, 10, 13, 16, ...}, pois 4, 7, 10, 13, 16,
... são números que divididos por 3 deixam resto 1; e 2 = {5, 8, 11, 14, 17,
...}, pois 5, 8, 11, 14, 17, ... são números que divididos por 3 deixam resto 2.

# Relação de Ordem
Uma relação R não vazia sobre um conjunto E não vazio será chamada re-
lação de ordem parcial sobre E quando R for uma relação reflexiva, antissi-
métrica e transitiva. R cumpre as exigências predicais anteriormente especi-
ficadas.

Um conjunto parcialmente ordenado é um conjunto sobre o qual se definiu


uma relação de ordem parcial. Além disso, se a precede b na relação R, ou b
segue a na relação R, os elementos a e b são ditos comparáveis.

Álgebra I 87 UAB
Porém, se dois elementos quaisquer de A forem comparáveis mediante R,
então R será chamada relação de ordem total sobre A. Nesse caso, o conjun-
to A é dito conjunto totalmente ordenado por R.

Exemplo15

Seja A = {a, b, c} e a relação R = {(a, a), (b, b), (c, c), (a, b), (b, c), (a, c)}. Então
R é uma relação de ordem total sobre A, pois todos os elementos de A se
relaciona dois a dois.

O conjunto A é totalmente ordenado uma vez que não há dois pontos


distintos de A que não estejam ligados por uma flecha.

A relação R sobre os reais definida por x R y x ≤ y é uma relação de ordem


total, denominada ordem habitual, pois

Exemplo16

Fazer um diagrama simplificado das seguintes ordens no conjunto A = {1, 2,


3, 4, 6, 9, 12, 18, 36}, segundo uma ordem crescente de divisibilidade.

a) Ordem Habitual

Nessa sequência lógica, segue-se a formação de divisibilidade a partir do 1,


ou seja, o 1 divide 2, 3, 4, ..., todos os elementos de A.

Pode-se dizer que a ordem habitual é aquela com a qual já estamos acostu-
mados no dia a dia.

UAB 88 Álgebra I
Exercícios Comentados
1.Seja R a relação em A = {1, 2, 3, 4} tal que: x R y (x – y é múltiplo de 3)

Enumerar os elementos de R. Que propriedades R apresenta?

Sugestão: fazer o diagrama de flechas.

Solução

Os elementos de R são os pares:

(1,1), (1,4), (2,2), (3,3), (4,1), (4,4)

- A relação R definida acima é uma relação reflexiva, pois todo elemento


em A se relaciona com ele mesmo. (ver definição de reflexividade).

- A relação acima é uma relação simétrica, note que invertendo a posição


dos elementos de qualquer dos pares, encontramos sempre outro par da
relação. (ver definição de simetria).

- A relação acima é uma relação transitiva. (ver definição de transitividade).

2.Considere as seguintes relações em S = {1, 2, 3, 4}. Quais dessas relações


são reflexivas, simétricas, antissimétricas e transitivas?

R1 = {(1,1), (1,2), (2,1), (2,2), (3,4), (4,1), (4,4)}

R2 = {(1,1), (1,2), (2,1)}

R3 = {(1,1), (1,2), (1,4), (2,1), (2,2), (3,3), (4,1), (4,4)}

R4 = {(2,1), (3,1), (3,2), (3,3), (4,1), (4,2), (4,3)}

Álgebra I 89 UAB
R5 = {(1,1), (1,2), (1,3), (1,4), (2,2), (2,3), (2,4), (3,3), (3,4), (4,4)}

R6 = {(3,4), (2,3)}

R7 = {(3,4)}

R8 = {(1,1), (2,2), (3,3), (4,4)}.

Solução

Reflexivas: R3, R5 e R8

Simétricas: R2, R3 e R8

Transitivas: R4, R5, R7 e R8

Antissimétricas: R4, R5, R6, R7 e R8.

3.Um casal tem 5 filhos: Amauri, Cláudio, Plácido, Marina e Tamires. Enume-
rar os elementos da relação R definida no conjunto

E = {a, b, c, d, e} por x R y x

é irmão de y. Que propriedades R apresenta?

Nota: x é irmão de y quando x é homem, x ≠ y e x, y têm os mesmos pais.

Solução

Os elementos de R são os pares:

(Amauri, Cláudio),

(Amauri, Plácido),

(Cláudio, Plácido),

(Cláudio, Amauri),

(Plácido, Amauri),

UAB 90 Álgebra I
(Plácido, Cláudio).

- A relação R definida acima não é uma relação reflexiva, pois nenhum ele-
mento em A se relaciona com ele mesmo, ou seja, ninguém é irmão de si
mesmo.

- A relação acima é uma relação simétrica. (ver definição de simetria).

- A relação acima é uma relação transitiva. (ver definição de transitividade).

4. Mostrar que a relação R sobre N x N tal que (a, b) R (c, d) a.b = c.d é
uma relação de equivalência.

Solução

Para mostrar que uma relação é de equivalência, deve-se verificar as seguin-


tes

propriedades:

i. Reflexividade;

ii. Simetria;

iii. Transitividade.

i. Reflexividade: Considere qualquer elemento (a, b) R, devemos verificar


se

(a, b) R (a, b), mas essa verificação é bem direta, visto que:

De acordo com a definição da nossa relação, teríamos

a.b = a.b, que é verdade para todo número natural.

ii. Simetria: Dizer que essa relação é simétrica é dizer que, se (a, b) R (c, d),
então

(c, d) R (a, b).

Álgebra I 91 UAB
No nosso caso: isso significa que, se a.b = c.d, então c.d = a.b, o que tam-
bém é verdadeiro de acordo com as propriedades do produto de números
naturais.

iii. Transitividade: Sejam (a, b), (c, d) e (e, f) R, devemos mostrar que se

(a, b) R (c, d) e (c, d) R (e, f) então (a, b) R (e, f).

De acordo com a definição de R, devemos verificar se

a.b = c.d e c.d = e.f então a.b = e.f

mais uma vez a propriedade se verifica facilmente, conforme as proprieda-


des do produto de números naturais.

5.Dado o conjunto E = {1, 2, 3, 4, 6, 9, 12, 18, 36}, construa o diagrama


simplificado (omitindo as propriedades reflexiva e transitiva) para a ordem
habitual e de divisibilidade.

a) Ordem habitual

Observe que a ordem habitual é aquela em que os elementos se relacionam


do menor para o maior. Ou seja, a ordem com que estamos habituados a
enumerar os elementos de um conjunto numérico.

b) Observe que a ordem de divisibilidade é aquele em que os elementos são


ordenados do divisor para o número que é dividido (múltiplo). Ou seja, o 1
divide o 2 que divide o 4 e o 6. O 4 que divide o 12 que divide o 36. O 6
que divide ...

UAB 92 Álgebra I
Exercícios Propostos
1.Quais das relações abaixo são reflexivas, simétricas, transitivas e antissimé-
tricas? Considere A = {a, b, c}.

R1 = {(a, a), (b, b), (c, c)}

R2 = {(a, b), (b, a), (a, a), (a, c)}

R3 = {(a, b), (a, c), (c, a), (b, a)}

R4 = {(a, b), (b, b), (c, c)}

2.Dados os conjuntos A = {1, 2, 4, 6} e B = {2, 4, 8, 12, 15}, enumere os


elementos das relações indicadas abaixo: a)

R1 = {(x,y)€ AxB : x|}

b) R2{(x,y) € AxB: y = x(moc 3)}

c) R3={(x,y)€ AxB: y >x2}

3.Classifique a relação de ordem dada abaixo em parcial ou total.

a) Relação R = {(a, a), (b, b), (c, c), (a, b), (b, c), (a, c)}

4.Seja A = {x € Z / 0 ≤ x ≤ 10} e R a relação sobre A definida por xRy k


€ Z | x – y = 4k. Determinar o conjunto-quociente A/R.

5. Seja R a relação em A = {1, 2, 3, 4, 5} tal que:

xRy (x – y é múltiplo de 2).

Enumerar os elementos de R. Que propriedade R apresenta?

Sugestão: fazer o diagrama de flechas.

Resumo
Na matemática e na lógica, uma relação binária ou 2-ária é uma relação
entre dois elementos, sendo um conjunto de pares ordenados. As relações

Álgebra I 93 UAB
binárias são comuns em muitas áreas da matemática para definir conceitos
como, por exemplos: “é múltiplo” e “maior que” da aritmética; “é con-
gruente” da geometria; e outros. Nesta aula, o(a) estudante foi direcionado
a identificar os predicados das relações binárias, dispondo de diagramas para
promover melhor entendimento, a fazer um link entre o módulo congruên-
cia para dilatar a extensão de relação, e interpretar problemas que agencia
insights lógicos para o desenvolvimento de questões propostas.

Referências
GONÇALVES, A. Introdução à Álgebra. Rio de Janeiro: IMPA Coleção Projeto
Euclides, 1998.
HEFEZ, A. Curso de Álgebra: volume 1. 3ª ed. Rio de Janeiro: IMPA Coleção
Universitária, 1999.
IEZZI, G e HYGINO, H. Álgebra Moderna. São Paulo: Atual, 2001.
IEZZI, G. Fundamentos de Matemática Elementar: volume 1. 8ª ed. São Paulo:
Atual, 2002.

UAB 94 Álgebra I
Álgebra I 95 UAB
UAB 96 Álgebra I
Aula 6 - Leis de Composições
Internas

Objetivos

Ao final deste conteúdo, o(a) estudante deverá estar habilitado(a) a :

– Distinguir aplicações e funções;


– Examinar e resolver problemas com aplicações;
– Conceituar através dos atributos específicos as aplicações e suas
leis.

Assunto
Aplicação e Leis de composição interna.

Introdução
Dando prosseguimento ao conteúdo de relações e precedendo ao de Gru-
pos, veremos nesta aula a linguagem preliminar do conceito de função, em
alguns casos, pode-se até usar a nomenclatura aplicação como sinônimo de
função.

Como é de práxis, a aplicação estará cercada por propriedades, demonstra-


ções e exemplificações.

Por conseguinte, conceitualizaremos as leis de composição interna median-


te uma operação interna, a que se enquadra no universo estudado, de um
conjunto A, sob a aplicação do produto cartesiano A x A em A. Operação
esta que se dará por símbolos tais como: * (estrela), Δ (triângulo), O (bola) e
outros mais que se fizerem necessários.

Aplicações
Seja ƒ uma relação de E em F, diz-se que ƒ é uma aplicação de E em F se, e
somente se:

Álgebra I 97 UAB
O domínio de ƒ é E, isto é, D(ƒ) = E;

Dado um elemento a € E, é único o elemento b € F tal que (a,b) € ƒ. Se ƒ é


uma aplicação de E em F, escreve-se:

b= ƒ (a) (lê-se “b é imabgem de a pela ƒ”)

Lembre-se de que uma função f : A B consta das seguintes partes:

Um conjunto A, chamado o domínio da função;

Um conjunto B, chamado o contradomínio da função;

Uma regra que permite associar a cada elemento x € A , um único elemento.


O único elemento f(x) € Bchama-se o valor que a função assume em x (ou
no ponto x).

Notação: x f(x) indica que f faz corresponder a x o valor f(x).


Se A é o domínio da função f, A = dom f, então, a regra fornece f(x) para
todo x € A. O gráfico de uma função f: A B é o subconjunto Gr ( f ) do
produto cartesiano A x B formado pelos pares ordenados (x,y) tais que y =
f(x).

Gr(ƒ)= {(x,y) € A x B :y = ƒ(x)

Identificando a função com seu gráfico, podemos definir uma função f : A


B como sendo uma relação f tal que dom f = A, e se

(x,y) € ƒ e (x,z) € ƒ, então y=z .

A exposição usual para imagem de uma aplicação é y = f(x), que nada mais
é uma consonância algébrica para

(x,y) € ƒ ou x ƒ y

A natureza da regra deve satisfazer as seguintes condições, tal como se es-


tuda em função:

Não deve haver exceções - se E é o conjunto de partida da aplicação f, então


a regra fornece y = f(x) para todo x em A.

UAB 98 Álgebra I
Não deve haver ambiguidade – para cada elemento x de E, ela deve fazer
correspondência unívoca y = f(x) em F.

Exemplo1

Sejam T o conjunto dos triângulos do plano e R+ o conjunto dos reais positi-


vos, a aplicação f: R+ T tal que cada número real x > 0 faça corresponder
o triângulo f(x), cuja área é x. Não é uma aplicação, pois não obedece à
condição ii, acima.

Exemplo2

Se E = {a,b,c,d} e F = {m,n,p,q}, consideremos as relações de E em F seguin-


tes:

R1 = {(a,n),(b,p),(c,q)]

R2 = {(a,m),(b,n),(c,q),(d,r)}

R3 = {(a,n),(b,n),(c,q),(d,r)]

R4 = {(a,m),(b,n),(b,p),(c,r),(d,q)}

Examinando os diagramas de flechas:

Temos:

R2 e R3 são aplicações;

R1 não é aplicação, pois D(R1) = {a,b,c} ≠ E, uma vez que d D(R1);

Álgebra I 99 UAB
R4 não é aplicação, pois (b,n) R4 e (b,p) R4, portanto b tem dois corres-
pondentes em F.

# Imagem de uma aplicação


De uma aplicação f : E F.

Define-se imagem direta de A, dado A E, segundo f, ou seja, f(A), o se-


guinte subconjunto de F:

ƒ(A)={f (x)}

isto é, f(A) é o conjunto das imagens por f dos elementos de A.

Define-se imagem inversa de B, dado B F, segundo f, ou seja, f-1(B), o se-


guinte subconjunto de E:

ƒ-1(B) = x € E | ƒ (x) B

isto é, f-1(B) é o conjunto dos elementos de E que tem imagem em B através


de f.

Exemplo3

Seja ƒ: tal que:

Temos:

# Aplicação Sobrejetora
Chama-se aplicação sobrejetiva uma aplicação de um conjunto E em um
conjunto F tal que todo elemento y de F seja imagem de pelo menos um
elemento x de E.

UAB 100 Álgebra I


Em outras palavras, uma função f : E F é sobrejetiva se para todo y € F
existe pelo menos um x € E tal que f(x) = y.

# Aplicação Injetora
Seja uma aplicação f de E em F, se cada elemento y de f(E) é a imagem de um
único elemento x de E, diz-se que a aplicação é injetiva.

Em outras palavras, uma aplicação f : E F é injetiva se dados x e y quais-


quer em E, x ≠ y f(x) ≠ f(y); ou pela contrapositiva da lógica clássica,
f(x) = f(y) x = y; ou de outro modo, f(x1) = f(x2) x1 = x2.

# Aplicação Bijetiva
Quando a aplicação é injetiva e sobrejetiva simultaneamente.

Exemplo4

i. Se E = {a,b,c,d} e F = {0,1,2,3,4}, a aplicação f = {(a,1),(b,2),(c,3),(d,4)} de


E em F é injetiva. Nota-se que, ao fazer o esquema de flechas (sugestão ao
leitor) de uma aplicação injetora, não há flechas que convergem para o mes-
mo elemento de F.

ii. Se E = {a,b,c,d} e F = {0,1,2}, a aplicação f = {(a,0),(b,1),(c,2),(d,2)} de E


em F é sobrejetora. Nota-se que, no esquema de flechas de uma aplicação
sobrejetora, todo elemento de F serve de extremidade para alguma flecha.

iii. A aplicação ƒ R Rdada pela lei f(x) = 3x – 1 é bijetiva, pois:

Dados x1 ,x2€ e R temos: f(x1) = f(x2) 3x1 – 1 x1= x2

Dado y € R , provemos que existe x € R tal que f(x) = y: 3x-1= y 3x=y+1


x=

# Aplicação Inversa
Se f é uma aplicação bijetora de E em F tal que f : x y, então existe uma
aplicação também bijetora de F em E tal que y x. Esta é a aplicação inver-
-1
sa, dada por f .

Nota: só há uma aplicação inversa se, e somente se, tal aplicação for
bijetiva.

Álgebra I 101 UAB


Exemplo5

Seja a aplicação ƒ:Q Q definida por f(x) = 2x + 1, vamos determinar a


inversa de f. Precisamos, a priori, verificar se f é bijetiva, pois só assim terá
inversa.

f(x) = f(y) 2x + 1 = 2y + 1 2x = 2y x = y (f é injetiva)

f(x) = y 2x + 1 = y 2x = y – 1 (f é sobrejetiva)

Sendo assim, a relação ente x e y da inversa pode ser obtida a partir do pro-
cesso de verificação da sobrejetora, trocando-se o x pelo y.

Portanto a inversa de f é ƒ-1: Q Q, tal que .

# Composição de Aplicações
Sejam f : E Feg:G H duas aplicações, se f(E) G, pode-se definir
uma nova aplicação de h de E em H; ou seja, h : E H, compondo-se f e g.

Seja x um elemento de E e seja y a imagem de x por f, tal que f : x ye y€


ƒ(E) G. Ao elemento y corresponde por g a imagem z em H tal que g
:y z e z € ƒ(G) H. Temos então: .

Define-se dessa maneira a aplicação composta de g e f que é indicada por


h= g o ƒ. A imagem abaixo explica o processo de composição de aplicações.

Exemplo6

Sejam as aplicações f : Q R tal que f(x) = x2 + 3 e g : R R tal que g(x) =


2x + 1. Como g(R) ¢ Q, então a composição f o g não é um composição vá-

UAB 102 Álgebra I


lida. Dizemos então que ela não existe. Por outro lado , então a composição
g o f é uma composição válida. Neste caso, dizemos que a composição existe
e determinamos sua sentença que é: h : Q R tal que h(x) = 2x2 + 7.

Outra forma de explicitarmos a composição de aplicações é:

“Se tivermos duas aplicações f(x) e g(x) e quisermos a composição g o f,


por exemplo, dizemos que na aplicação g(x) onde estiver o x coloca-se f(x).
Tomemos as aplicações do exemplo6 e, fazendo conforme citamos na linha
anterior, tem-se g[f(x)] = 2[f(x)] + 1 = 2(x2 + 3) + 1 = 2x2 + 6 + 1 = 2x2 + 7.”

Há outras aplicações que, sem delonga, merecem ser citadas são:

i. Aplicação Idêntica: Dado E ≠ Ø, chama-se aplicação idêntica de E a aplica-


ção ie : E E dada pela lei ie(x) = x, para todo x € E;

Aplicações Monótonas crescentes e decrescentes:

Diz-se que f é uma aplicação crescente em E se f(x) ≤ f(x’) sempre que x ≤ x’;

Diz-se que f é uma aplicação decrescente em E se f(x’) ≤ f(x) sempre que x


≤ x’.

Leis de Composição Interna


Chama-se lei de composição interna e representa-se por uma lei que faz
corresponder a certos pares ordenados (x, y) do conjunto produto E x E um
único elemento z de E. Tal lei é uma aplicação de um subconjunto S de E x
E em E.

Simbolicamente temos:

Se S = E x E, diz-se que a lei de composição interna é completamente defi-


nida, ou seja, uma aplicação de E x E em E. E, neste caso, dizemos que a lei
de composição interna é uma operação interna.

As exemplificações abaixo revelam quando acontece ou não uma operação


interna.

Álgebra I 103 UAB


i. A potenciação não é considerada uma operação interna em Z, pois ƒ(2,-
1)=2-1= Z.

ii Em R , a média aritmética é uma operação interna. Podemos facilmente


verificar que

Em R , a média geométrica é uma lei de composição interna, mas não é uma


operação interna, pois (-2,8) € R x Rno entanto

Seja E = V3, ou seja, o conjunto formado pelos vetores do espaço,f : E x E


E em que f é a adição de vetores, é uma operação ou lei de composição
interna em V3. O produto escalar entre dois vetores não é uma lei de compo-
sição interna, pois e temos que . Neste
caso, tem-se uma lei de composição externa.

Abaixo há algumas observações consoantes a composição interna.

O símbolo * será utilizado para indicar uma operação genérica. Assim escre-
veremos x * y (lê – se “x estrela y”) ao invés de f(x, y).

Exemplo7: escreveremos x* y = xy – 2x ao invés de f(x, y) = xy – 2x

Outras notações poderão ser usadas para indicar uma operação sobre E.
O símbolo “+” fica reservado para operações de caráter aditivo,“ . ” para
operações de caráter multiplicativo e os símbolos *, e outros, para
operações genéricas.

Assim como os demais temas, a composição interna também se sustenta por


propriedades elementares.

i. Propriedade Associativa: x*(y*z) (x*y) * z= , para quaisquer que sejam x,


y e z.

Ex8: 13 . (2 . 4) = (13 . 2) . 4 A multiplicação é associativa

UAB 104 Álgebra I


Ex9: A potenciação em N* não é associativa.

ii. Propriedade Comutativa:x*y = y*x , para quaisquer que sejam x, y e z.

Ex10: 45 . 2 = 2 . 45 A multiplicação é comutativa.

Ex11: A divisão em R* não é comutativa.

iii. Existência de Elemento Neutro: Há a presença de um elemento neutro


na composição interna se, e somente se, existe um ℮ € E tal que x*℮ = x?*
x € E.

Ex12: O elemento neutro da multiplicação em Mn(R) é In (matriz identidade


do tipo n x m), pois Inx = x = xIn, qualquer que seja x € R.

Ex13: A subtração em Z admite 0 como elemento neutro, se este estiver à


direita, pois x – 0 = x. Mas, caso esteja à esquerda, não irá existir neutro tal
que satisfaça ℮ - x = x.

vi Propriedade Distributiva: x (y*z) = (x y) * (x z), para quaisquer


que sejam x, y e z.

Ex14: A potenciação em N* é distributiva à direita em relação à multiplicação,


pois (x . y)z = xz. yz

Ex15: Entretanto, a potenciação em N* não é distributiva à esquerda em rela-


ção à multiplicação, pois 23.4 ≠ 23 . 24

v. Elementos Simetrizáveis: Seja * uma operação sobre E que tem elemento


neutro ℮ , dizemos que x € E é um elemento simetrizável para essa operação
se existir x' € E tal que x' * x = ℮ = x * x'. O elemento x’ é chamado simétrico
de x para a operação *.

Ex16: é simetrizável para a adição em M2(R), e seu simétrico é

,pois

Ex17: 0 não é simetrizável para a operação de multiplicação em Q, pois não


há elemento x' € Q tal que x’ . 0 = 1 = 0 . x’.

Álgebra I 105 UAB


# Tábua de uma Operação
A tábua de operação que iremos abordar não difere muito da que estamos
acostumados a fazer. Definimos a operação a ser realizada e dispomos em
linhas e colunas números a serem relacionados sob o argumento operacional
adotado.

Para um maior formalismo, anunciaremos a construção de uma tábua de


operação para leis de composições.

Seja E = {a1,a2,a3,...,an}, com n > 1, um conjunto com n elementos. Toda


operação sobre E é uma aplicação f : E x E E que associa a cada par (ai,aj)
o elemento ai * aj = aij.

Podemos representar o elemento aij, correspondente ao para (ai,aj), numa


tabela de dupla entrada construída como segue.

a1 a2 ... aj ... an
a1
a2 a2j
...

ai aij

...

an an1

Com o exemplo17 a seguir, finalizamos nosso breve esboço sobre composi-


ção interna, mas precisamente tábua de operação.

Tábua da multiplicação em E = {-1,0,1}.

* -1 0 1
-1 1 0 -1
0 0 0 0
1 -1 0 1

Exercícios Comentados
Sejam os conjuntos E = {-3,-2,-1,0,1,2,3}, e a regra
.

UAB 106 Álgebra I


Os elementos de E estão repartidos em quatro classes de equivalência:

C1 = {-3,-2,-1,0}; C2 = {1}; C3 = {2} e C4 = {3}

Note que: f (C1) = {0}; f (C2) = {1}; f (C3) = {2} e f (C4) = {3}

Seja f : Z Z definida por f(x) = x2.

f não é injetora, pois f(-3) = f(3) embora -3 ≠ 3.

f não é sobrejetora, pois não existe x € Z tal que x2= -1.

Em , a média aritmética é comutativa:

Tábua de operação sobre E = {1,3,5,15} tal que x y = mdc(x,y).

* 1 3 5 15
1 1 1 1 1
3 1 3 1 3
5 1 1 5 5

15 1 3 5 15

A aplicação f : R R é dada pela lei:

Determine f(0), f(5/3), f(-7/2) e f(√3)

f(0) = x2 + 2 = 2; f(5/3) = x2 + 2 = 43/9; f(-7/2) = 2x + 5 = - 2;


f(√3) = 3x = 3√3

Exercícios Propostos
1. Se E = F = , levando em conta a relação de em , determine qual(is)

Álgebra I 107 UAB


relação(ões) abaixo é (são) aplicação(ões).

R1={(x,y) € R2|x2=y2}

R2={(x,y) € R2|x2+ y2=1}

R3={(x,y) € R2| x2=y}

Sugestão: faça os gráficos das relações.

2. Seja E pertencente aos inteiros munido da operação x * y=x.y - 2y , deter-


mine 3*4 e 4*3.

3. Determine, caso exista, a inversa da aplicação g : R R definida por g(x)


= x3 + 2.

4. Sejam f : Z Z tal que f(x) = x2 + 1 e g: Z Z tal que g(x) = 2x – 2, veri-


ficar, se existirem, as composições: g o f e f o g.

5. Construa a tábua de operação Δ sobre E = {0,1,2,3} assim definida:

x Δ y = resto da divisão em Z de x . y por 4.

Resumo
Lei de Composição Interna sobre um conjunto A, nada mais é, que uma re-
lação na qual cada par ordenado (a,b) A x A associada a outro elemento c,
que também pertencente a A. Por essa associação ou composição chama-se
esse elemento c de composto de a e b. A indicação de uma lei de composi-
ção interna, fica por conta de símbolos, um deles é o * (asterisco que prediz
uma operação genérica), e escreve-se a * b = c. A operações de caráter
específico, tais como o símbolo “+”, que indica uma operação de adição e
o símbolo de “.”, que indica a de multiplicação. Outro viés da lei de compo-
sição interna está arraigada à nomenclatura, aplicação. Portanto, uma lei de
composição interna é uma aplicação f :A x A A de modo que f(a, b) = c.

O universo das aplicações antecede o das funções, ou seja, serve como pre-
cursor para o estudo das mesmas e está arrolado de argumentos consisten-
tes que torna acessível o desdobramento delas. A característica embrionária
das operações nas aplicações faz desse conteúdo a mola propulsora para a

UAB 108 Álgebra I


formação conceitual de função. Tanto é que, podemos ver a lembrança do
que vem a ser função a partir de algumas de suas partes, tais como: domí-
nio, contradomínio e imagem, além das bijetividades (relação injetiva, rela-
ção sobrejetiva e relação bijetiva) nas funções. No qual,? também lançamos
mãos para explanar aplicações.

Contou-se também com um modelo habitual da apresentação do assunto


através de uma disposição matricial, a tábua de operação.

Referências
IEZZI, G e HYGINO, H. Álgebra Moderna. São Paulo: Atual, 2001.
IEZZI, G. Fundamentos de Matemática Elementar: volume 1. 8ª ed. São Paulo:
Atual, 2002.

Álgebra I 109 UAB