Você está na página 1de 153

Livro Eletrônico

Aula 00

Direito Processual Penal p/ PGM-SP (Procurador Municipal) Professor: Leonardo Ribas Tavares

00000000000 - DEMO

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

AULA 00

INQU…RITO POLICIAL

AULA

00

. L EONARDO T AVARES AULA 00 INQU…RITO POLICIAL A ULA 00 0 S UM£RIO 0.
0
0

SUM£RIO

0. ApresentaÁ„o do

Curso

4

0.1 ApresentaÁ„o

pessoal

5

0.2 Metodologia do curso

6

0.3 Cronograma de aulas

8

1. InquÈrito policial

8

1.1

Conceito e natureza jurÌdica

9

Doutrina complementar

1.2

1.3

FunÁ„o e finalidade do inquÈrito

Valor probatÛrio do inquÈrito

10

JurisprudÍncia pertinente

11

11

Doutrina complementar

14

14

Doutrina complementar

16

JurisprudÍncia

pertinente

17

1.4

AtribuiÁ„o de investigaÁ„o presidÍncia do inquÈrito

17

Doutrina complementar

20

JurisprudÍncia pertinente

21

1.5

CaracterÌsticas do

inquÈrito

21

1.5.1

Procedimento

escrito

21

Doutrina complementar

21

1.5.2

Procedimento dispens·vel

21

Doutrina complementar

22

JurisprudÍncia pertinente

22

1.5.3

Procedimento sigiloso

22

Doutrina complementar

23

1.5.4

Procedimento inquisitivo

24

Doutrina Complementar

24

1.5.5

Oficialidade

25

Doutrina Complementar

25

1.5.6

Oficiosidade

26

Doutrina Complementar

26

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

2

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 1.5.7

1.5.7

Discricionariedade

26

Doutrina Complementar

27

1.5.8

Indisponibilidade

27

Doutrina complementar

28

1.6 ‘Notitia criminis’

29

Doutrina complementar

29

1.7

InstauraÁ„o do

inquÈrito

30

1.6.1 De ofÌcio /

portaria

31

1.6.2 Por requerimento do ofendido

32

1.6.3 Por requisiÁ„o da autoridade competente

35

1.6.4 Por

delaÁ„o de terceiro

38

1.6.5 Pelo auto de pris„o em flagrante

41

1.6.6 Crimes de aÁ„o penal p˙blica condicionada e de aÁ„o penal privada

42

Doutrina complementar

45

JurisprudÍncia pertinente

46

1.8

DiligÍncias investigatÛrias

48

Doutrina complementar

1.9

IdentificaÁ„o criminal

56

JurisprudÍncia pertinente

 

57

57

Doutrina Complementar

59

1.10

VÌcios no inquÈrito policial

60

Doutrina complementar

62

JurisprudÍncia pertinente

63

1.11

Incomunicabilidade do indiciado preso

63

Doutrina complementar

65

1.12

Indiciamento

66

Doutrina complementar

72

JurisprudÍncia pertinente

73

1.13

Conclus„o do inquÈrito

73

1.13.1 Prazo para conclus„o

73

1.13.2 RelatÛrio final

76

1.13.3 ProvidÍncias decorrentes do recebimento do inquÈrito

79

Doutrina complementar

83

JurisprudÍncia pertinente

84

1.14

Arquivamento do inquÈrito

85

1.14.1 Motivos para o arquivamento

86

1.14.2 Efeitos jurÌdicos do

arquivamento

89

1.14.3 DissidÍncia quanto

ao arquivamento

96

1.14.4 Arquivamento implÌcito e indireto

99

1.14.5 Arquivamento

por juiz incompetente

101

Doutrina complementar

103

JurisprudÍncia pertinente

104

1.15

Trancamento e encerramento do inquÈrito

105

Doutrina complementar

107

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

3

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

JurisprudÍncia pertinente

2. ReferÍncias bibliogr·ficas

3.

Questıes

3.1 Questıes com coment·rios

3.2

3.3

Resumo

Questıes sem coment·rios Gabarito

4.

4.1 InquÈrito policial

0

AULA

00

coment·rios Gabarito 4. 4.1 InquÈrito policial 0 A ULA 00 107 108 111 111 137 145

107

108

111

111

137

145

146

146

0. ApresentaÁ„o do Curso

Aqui comeÁamos o nosso curso eletrÙnico: PreparatÛrio Carreiras JurÌdicas:

Procuradoria Geral do MunicÌpio de SP Procurador do MunicÌpio. Trabalho de envergadura a que nos propusemos depois de dÈcadas de experiÍncia com teoria e pr·tica na ·rea jurÌdica , buscando trazer a vocÍ, nosso aluno/leitor, uma das mais completas obras na ciÍncia do processo penal, no que pertinente ao concurso correspondente.

O objetivo aqui È colocar a nossa tÈcnica e experiÍncia a seu serviÁo, de modo a

facilitar o seu caminho no aprendizado, abrindo-lhe as portas do conhecimento jurÌdico necess·rio para o sucesso nos mais variados concursos p˙blicos para as carreiras jurÌdicas,

mas principalmente no concurso para Procurador do MunicÌpio de S„o Paulo - PGM.

O modo eletrÙnico do material n„o È ‡ toa! Nenhuma obra em formato impresso

consegue acompanhar a rapidez das alteraÁıes legislativas ou, pior ainda, a efemeridade da

jurisprudÍncia brasileira. A prÛpria doutrina vem mudando suas concepÁıes. A atualizaÁ„o

dos ensinamentos e, mais que isso, a contextualizaÁ„o dos novos precedentes nas doutrinas

consolidadas sÛ È alcanÁ·vel com uma obra que n„o esteja presa ‡s amarras da burocracia

e

da demora na impress„o. De maneira tal que se um novo julgado dos tribunais ou uma

nova tese doutrin·ria de algum modo altera a concepÁ„o daquilo que se consolidou, este livro

digital ter· seus escritos rapidamente equacionados, para trazer a vocÍ leitor uma obra ˙nica

e suficiente por si na ·rea do processo penal.

Capturando desde a doutrina mais cl·ssica/ortodoxa atÈ aquela de vanguarda, este

material n„o far· distinÁ„o em relaÁ„o ‡s obras disponÌveis (que n„o aquela decorrente de um mÌnimo de exigÍncia cientÌfica sim, porque na era das redes sociais cada um tem opini„o

e escreve sobre quase tudo), nem ter· preconceitos em relaÁ„o aos renomados autores, por mais que em seus escritos revelem alguma tendÍncia ideolÛgica (da qual o leitor ser· alertado).

Ali·s, esse j· È um primeiro desafio (que o material o ajudar· a compreender e a contornar) para quem se propıe a estudar mais a fundo a ciÍncia processual penal: saber discernir entre aquilo que não passa de uma ‘opinião’ ideológica daquilo que tem embasamento cientÌfico, tem embasamento normativo, È utilizado na praxe forense (nos processos em concreto) e È cobrado nos concursos p˙blicos. A vocÍ, neste momento da vida em que presta concursos, mais interessa saber a matÈria que È efetivamente cobrada nos

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

4

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 certames

certames do que propriamente a tese acadÍmica ou a opini„o doutrin·ria isolada desse ou daquele autor; exatamente aÌ que se insere a nossa proposta.

O cuidado È fundamental porque em nenhum outro ramo do Direito as ideologias e

os preconceitos se fazem t„o presentes quanto no processo penal (aqui temos, na ·rea jurídica, a famosa dicotomia entre ‘direita x esquerda’). No Brasil a construção do Direito, regra geral, não se faz com a doutrina e a jurisprudência ‘caminhando de mãos dadas’. Ao contr·rio, n„o raro se vÍ cada uma delas trilhando caminho oposto ao da outra, desmentindo- se, com crÌticas infundadas e dentro de uma perspectiva unilateral e descontextualizada uma n„o ajuda a construir e a complementar outra.

Teremos aqui neste livro, alÈm da teoria abrangente, questıes pontuais e especÌficas sobre toda a matÈria, oriundas de provas objetivas e discursivas de concurso p˙blico, questıes que, inclusive, orientar„o eventual direcionamento ou aprofundamento da teoria que se apresentar·.

Para alÈm dos fins meramente did·ticos, a obra abordar· aspectos pr·ticos do processo penal, de maneira tal que o leitor n„o seja surpreendido com questıes de casuÌstica, de peÁas processuais, comuns em determinadas fases de concurso p˙blico para carreiras jurÌdicas.

O desafio È grande, sabemos, mas com algum know-how È plenamente alcanÁ·vel!

Falando nisso e apenas com o objetivo de trazer-lhe um pouco mais de credibilidade nas

informaÁıes repassadas , na sequÍncia teremos uma breve apresentaÁ„o pessoal.

0.1 APRESENTA« O PESSOAL

Meu nome È LEONARDO RIBAS TAVARES, sou juiz de Direito h· quase 20 anos, atualmente Titular da 3™ Vara Criminal e Diretor do FÛrum da Comarca de entr‚ncia final de Cascavel, no Paran·.

Sou graduado em Direito pela Universidade Federal do Paran· - UFPR e Mestre em Direito do Estado pela mesma instituiÁ„o de ensino (com a honra de ter sido orientado por REN… ARIEL DOTTI), alÈm de ter concluÌdo trÍs pÛs-graduaÁıes ou especializaÁıes.

Sou professor de graduaÁ„o e de pÛs-graduaÁ„o h· muitos anos e lecionei em algumas faculdades, a ˙ltima delas a saudosa Univel, hoje Centro Universit·rio, onde fiquei por mais de treze anos.

TambÈm lecionei nas cadeiras da Escola da Magistratura do Paran· EMAP, onde, inclusive, fui Diretor do N˙cleo de Cascavel por cinco anos. SÛ recentemente, e com a finalidade de me dedicar com exclusividade ao ESTRAT…GIA, È que me desliguei de todas essas outras atividades pedagÛgicas. Como j· pontuei antes, o desafio, aqui, È grande!

Falando em concursos, j· fui TÈcnico Judici·rio perante o Tribunal Regional Federal da 4™ Regi„o, tendo passado em concurso p˙blico ainda no primeiro ano da Faculdade de Direito, em Curitiba. L· desempenhei funÁıes comissionadas, fui chefe de gabinete de Juiz Federal e Diretor de Secretaria Substituto. TambÈm passei no concurso da Advocacia-Geral da Uni„o,

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

5

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 tendo

tendo exercido a funÁ„o de Advogado da Uni„o em FlorianÛpolis e chegado ao cargo de Subprocurador-Chefe da Uni„o no Estado de Santa Catarina.

Enfim, s„o anos de dedicaÁ„o em concursos e na ·rea jurÌdica, federal e estadual, sempre tentando aliar teoria e pr·tica e l· se v„o (desde que atuei num processo pela primeira vez) 26 proveitosos anos!

Creio que seja professor ‘de sangue’ (minha mãe sempre foi professora, minha irmã tambÈm o È) e por vocaÁ„o, tendo prazer em compartilhar o que aprendi. Nas palavras de Cora Coralina: feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina! Com esse ‘espírito’ é que deixo meus contatos para quaisquer d˙vidas ou sugestıes.

deixo meus contatos para quaisquer d˙vidas ou sugestıes. E-mail: prof.leotavares@gmail.com Facebook: Leonardo

E-mail: prof.leotavares@gmail.com

Facebook: Leonardo Tavares

==0==

0.2 METODOLOGIA DO CURSO

As aulas levarão em consideração as seguintes “fontes”, ou seja, os matizes a partir dos quais os nossos materiais s„o estruturados:

FONTES
FONTES
dos quais os nossos materiais s„o estruturados: FONTES LegislaÁ„o - CPP e leis exparsas, inclusive de
dos quais os nossos materiais s„o estruturados: FONTES LegislaÁ„o - CPP e leis exparsas, inclusive de
dos quais os nossos materiais s„o estruturados: FONTES LegislaÁ„o - CPP e leis exparsas, inclusive de
LegislaÁ„o - CPP e leis exparsas, inclusive de ·reas correlatas Doutrina mais abalizada, inclusive em
LegislaÁ„o - CPP e
leis exparsas,
inclusive de ·reas
correlatas
Doutrina mais
abalizada, inclusive
em livros de temas
especÌficos
JurisprudÍncia e Milhares de precedentes quesıes de paradigm·ticos concursos p˙blicos
JurisprudÍncia e
Milhares de
precedentes
quesıes de
paradigm·ticos
concursos p˙blicos

Como j· se esclareceu, este material digital È elaborado da forma mais abrangente possÌvel, tendo como referÍncia as v·rias fontes do aprendizado jurÌdico-cientÌfico com especial cuidado, todavia, para a construÁ„o do conhecimento que se faz necess·rio para o Íxito nos concursos p˙blicos de maior dificuldade.

As informaÁıes ser„o compiladas e estruturadas de forma muito objetiva, numa redaÁ„o clara, simples e coerente, com atualizaÁ„o constante, de maneira que o leitor/aluno deve ler o livro e, se possÌvel, acompanhar as aulas, assim obtendo uma preparaÁ„o completa, sem a necessidade de qualquer outro material did·tico. A propÛsito: o pensamento de todos os principais autores em processo penal estar· aqui consolidado, com referÍncias especÌficas de cada qual.

Ao final de cada capÌtulo haver· uma transcriÁ„o sintÈtica da doutrina, alÈm da jurisprudÍncia e dos precedentes sobre o tema em estudo de forma pontual, destacando o que È mais importante e com referÍncias (n„o conheÁo nenhuma obra em processo penal que faÁa isso). De maneira tal que as informaÁıes essenciais e os principais conceitos ser„o trazidos em suas mais variadas versıes, concepÁıes e divergÍncias; justamente para que n„o haja necessidade de aquisiÁ„o de in˙meros livros impressos; para que, atendo-se a este material, o aluno obtenha um ‘apanhado’ da melhor doutrina na visão dos principais autores

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

6

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 e,

e, alÈm disso, conheÁa a jurisprudÍncia da matÈria (sem necessidade de horas em consulta na internet ou outra fonte de informaÁ„o).

Entenda

cÌrculo

virtuoso:

texto consolidado doutrina complementar
texto
consolidado
doutrina
complementar
virtuoso: texto consolidado doutrina complementar jurisprudÍncia pertinente o nosso vocÍ n„o precisa
virtuoso: texto consolidado doutrina complementar jurisprudÍncia pertinente o nosso vocÍ n„o precisa
jurisprudÍncia pertinente
jurisprudÍncia
pertinente

o

nosso

vocÍ

n„o

precisa adquirir outras obras porque aqui ter· o pensamento consolidado dos principais autores, por vezes transcrito integralmente na doutrina complementar, com absoluta fidelidade ‡ fonte; n„o precisa ficar adquirindo materiais atualizados (a atualizaÁ„o aqui È constante); n„o ter· de se preocupar com a casuÌstica e nem perder· tempo pesquisando e selecionando a jurisprudÍncia sobre o assunto (ela vir· destacada e por vezes comentada); n„o depender· de correr atr·s de questıes (elas estar„o aqui, inclusive comentadas, ao final de cada aula e observando a pertinÍncia tem·tica); n„o ficar· na dependÍncia de elaboraÁ„o de um resumo (ela j· vem pronto em cada aula).

A propÛsito: para facilitar o seu trabalho e de modo a n„o incidir em contaminaÁ„o

visual (com in˙meras referÍncias e notas de rodapÈ), cada aula do livro digital ter· sua referÍncia bibliogr·fica anotada somente ao final. L· o leitor poder· verificar a maior parte das obras que foram consultadas e referidas e que serviram de base para construÁ„o do livro digital. No texto ser„o apenas referidos o sobrenome do autor e o ano da obra.

Ali·s, a doutrina e a jurisprudÍncia trazida, mesmo a transcrita, ter· as supressıes necess·rias 1 (para evitar o congestionamento de informaÁıes) e levar· os destaques pertinentes para facilitar a leitura e chamar a sua atenÁ„o para os pontos importantes 2 . Em outras palavras: a fidelidade ser· absoluta com o conte˙do dos ensinamentos dos doutrinadores, com os termos utilizados 3 , n„o com a estÈtica e a formataÁ„o. Esta ser· apresentada pensando assimilaÁ„o e conforto visual do leitor.

… fundamental, tambÈm, resolver e analisar as questıes! Ser„o centenas delas,

comentadas, dissecadas, de forma did·tica, para que o raciocÌnio lÛgico auxilie na lembranÁa.

O material ser· permeado de esquemas, gr·ficos informativos, resumos, figuras,

quadros sinóticos, tudo com a pretensão de ‘chamar a atenção’ para as informações que

realmente importam.

Finalmente, destaca-se que um dos instrumentos mais relevantes para o estudo È o contato direto e pessoal com o professor. AlÈm do nosso fÛrum de d˙vidas, estamos disponÌveis por e-mail e, eventualmente, pelo Facebook. Aluno nosso n„o vai para a prova com d˙vida! Por vezes, ao ler o material surgem incompreensıes, incertezas, curiosidades; nesses casos, basta acessar o computador e nos escrever. Assim que possÌvel responderemos todas as d˙vidas. … not·vel a evoluÁ„o dos alunos que levam a sÈrio essa metodologia.

resumo
resumo
dos alunos que levam a sÈrio essa metodologia. resumo questıes (com e sem coment·rios) Assim, cada
questıes (com e sem coment·rios)
questıes
(com e sem
coment·rios)

Assim, cada aula ser· estruturada do seguinte modo:

1 VocÍ ver· colchetes [

2 Vamos sublinhar, negritar e colorir conforme necess·rio e isso n„o ser· consignado em cada vez que acontecer (grifo nosso, p.ex.).

3 As transcriÁıes literais estar„o entre aspas ou em it·lico, conforme a situaÁ„o.

]

quando ocorrerem supressıes.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

7

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 METODOLOGIA

METODOLOGIA

Teoria de forma objetiva e direta com sÌntese do pensamento doutrin·rio relevante e dominante

ReferÍncia e an·lise

da legislaÁ„o pertinente ao assunto

S˙mulas e

jurisprudÍncias

pertinentes

comentadas, alÈm

da doutrina

complementar

pertinentes comentadas, alÈm da doutrina complementar Muitas questıes de provas comentadas Resumo dos
pertinentes comentadas, alÈm da doutrina complementar Muitas questıes de provas comentadas Resumo dos
pertinentes comentadas, alÈm da doutrina complementar Muitas questıes de provas comentadas Resumo dos
pertinentes comentadas, alÈm da doutrina complementar Muitas questıes de provas comentadas Resumo dos

Muitas questıes de provas comentadas

complementar Muitas questıes de provas comentadas Resumo dos principais tÛpicos da matÈria APROVA« O!

Resumo dos

principais tÛpicos da matÈria

comentadas Resumo dos principais tÛpicos da matÈria APROVA« O! 0.3 CRONOGRAMA DE AULAS Segue a

APROVA« O!

0.3 CRONOGRAMA DE AULAS

tÛpicos da matÈria APROVA« O! 0.3 CRONOGRAMA DE AULAS Segue a distribuiÁ„o dos assuntos por cada

Segue a distribuiÁ„o dos assuntos por cada uma das aulas, conforme cronograma:

AULA

CONTE⁄DO

DATA

AULA CONTE⁄DO DATA

Aula 00

Aula 01

InquÈrito Policial [9.7]

15/6

AÁ„o Penal. Den˙ncia e Queixa [9.8]. Efeitos da condenaÁ„o [9.11].

18/7

InquÈrito Policial [9.7] 15/6 AÁ„o Penal. Den˙ncia e Queixa [9.8]. Efeitos da condenaÁ„o [9.11]. 18/7
01 InquÈrito Policial [9.7] 15/6 AÁ„o Penal. Den˙ncia e Queixa [9.8]. Efeitos da condenaÁ„o [9.11]. 18/7

Aula 02

CompetÍncia Criminal [9.8, in fine]

20/8

Aula 03

Teoria geral das provas e provas em espÈcie [9.10]

18/9

Aula 04

Procedimentos (comum ou ordin·rio, dos crimes funcionais e da Lei 9.099/95) [9.13 e 9.14]

17/10

Aula 05

SentenÁa Penal. Efeitos da condenaÁ„o [9.11]

31/10

Aula 06

Recursos penais. Revis„o Criminal [9.12]

20/12

Obs.: entre ‘[

]’

a correspondência com o item do edital (último concurso).

Essa È a distribuiÁ„o dos assuntos ao longo do curso. Eventuais ajustes poder„o ocorrer, especialmente por questıes did·ticas. De todo modo, sempre que houver alteraÁıes no cronograma acima vocÍs ser„o previamente informados.

1. InquÈrito policial

Uma boa e legÌtima definiÁ„o do que vem a ser o inquÈrito policial e qual a raz„o da sua existÍncia (inclusive explicando a diferenÁa do juÌzo de instruÁ„o existente em outros paÌses) È extraÌda da prÛpria ExposiÁ„o de Motivos do CÛdigo de Processo Penal:

IV Foi mantido o inquÈrito policial como processo preliminar ou preparatÛrio da aÁ„o penal,

h· em favor do inquÈrito policial, como instruÁ„o

guardadas as suas caracterÌsticas atuais. [

]

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

8

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 provisÛria

provisÛria antecedendo a propositura da aÁ„o penal, um argumento dificilmente contest·vel: È ele uma garantia contra apressados e errÙneos juÌzos, formados quando ainda persiste a trepidaÁ„o moral causada pelo crime ou antes que seja possÌvel uma exata vis„o de conjunto dos fatos, nas suas circunst‚ncias objetivas e subjetivas. Por mais perspicaz e circunspeta, a autoridade que dirige a investigaÁ„o inicial, quando ainda perdura o alarma provocado pelo crime, est· sujeita a equÌvocos ou falsos juÌzos a priori, ou a sugestıes tendenciosas. N„o raro, È preciso voltar atr·s, refazer tudo, para que a investigaÁ„o se oriente no rumo certo, atÈ ent„o despercebido. Por que, ent„o, abolirse o inquÈrito preliminar ou instruÁ„o provisÛria, expondose a justiÁa criminal aos azares do detetivismo, ‡s marchas e contramarchas de uma instruÁ„o imediata e ˙nica? Pode ser mais expedito o sistema de unidade de instruÁ„o, mas o nosso sistema tradicional, com o inquÈrito preparatÛrio, assegura uma justiÁa menos aleatÛria, mais prudente e serena.

Entre a adoÁ„o de um possÌvel sistema com unidade de instruÁ„o (mais cÈlere, mais expedito) e outro que, teoricamente, outorgasse mais seguranÁa jurÌdica, evitasse erros e injustiÁas, optou (opÁ„o polÌtico-democr·tica) o nosso legislador pelo ˙ltimo, dando ensejo ‡ manutenÁ„o, atÈ os dias atuais, do inquÈrito policial 4 .

1.1 CONCEITO E NATUREZA JURÕDICA

Na antiga liÁ„o de JOS… FREDERICO MARQUES, o inquérito policial “é um procedimento administrativo-persecutÛrio de instruÁ„o provisÛria, destinado a preparar a aÁ„o penal(Marques, 1980). Nos atuais ensinamentos de GUILHERME DE SOUZA NUCCI “é um procedimento preparatÛrio da aÁ„o penal, de car·ter administrativo, conduzido pela polÌcia judici·ria e voltado ‡ colheita preliminar de provas para apurar a pr·tica de uma infraÁ„o penal e sua autoria(Nucci, 2018).

Em concurso para ingresso na classe inicial da carreira de Delegado de PolÌcia do Estado do Rio de Janeiro, realizado em 18/6/1989, o examinador fez a seguinte e simples indagaÁ„o, valendo 25 pontos:

2a Quest„o: Conceitue inquÈrito policial.

InquÈrito policial, assim, È um conjunto de atos praticados pela funÁ„o executiva do Estado com o escopo de apurar a autoria e materialidade (nos crimes que deixam vestÌgios delicta facti permanentis) de uma infraÁ„o penal, dando ao MinistÈrio P˙blico elementos necess·rios que viabilizem o exercÌcio da aÁ„o penal. Nosso CÛdigo n„o define de forma clara o que vem a ser inquÈrito policial nem o seu objeto, que È a investigaÁ„o criminal, porÈm, valemo-nos aqui do conceito dado no CÛdigo de Processo Penal portuguÍs, que È bem claro nesse sentido e perfeitamente aplic·vel ao direito brasileiro (Pacelli, et al., 2018)

Encontra-se uma antiga definiÁ„o normativa do inquÈrito policial no Decreto 4.824, de 22/11/1871, que veio a regulamentar a Lei 2.033, do mesmo ano:

Art. 42. O inquerito policial consiste em todas as diligencias necessarias para o descobrimento dos factos criminosos, de suas circumstancias e dos seus autores e complices; e deve ser reduzido a

instrumento escripto [sic

].

Destaca NUCCI que, a partir daquela Època, passou a ser funÁ„o da polÌcia judici·ria a sua elaboraÁ„o. O nome foi referido pela primeira vez, mas as suas funÁıes, que s„o da prÛpria natureza do processo criminal, existem de longa data e tornaram-se especializadas

4 Os tempos mudaram e a situaÁ„o È outra. Talvez fosse o caso de rever essa escolha (por parte do mesmo legislador), mas isso n„o È tema para este livro digital. Aqui, cabe apenas compreender essa opÁ„o polÌtica, hoje plenamente consolidada no ordenamento jurÌdico.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

9

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 com

com a aplicaÁ„o efetiva do princípio da separação da polícia e da judicatura. “Portanto, já havia no CÛdigo de Processo de 1832 alguns dispositivos sobre o procedimento informativo, mas n„o havia o nomen juris de inquérito policial” (Nucci, 2018).

…, ent„o, o inquÈrito instruÁ„o provisÛria [

destinado, na linguagem do art. 4 , a apurar a infraÁ„o penal e a autoria. Fornece, pois, ao Ûrg„o da

acusaÁ„o a base ou suped‚neo necess·rio ‡ propositura da aÁ„o penal. Dele se encarrega a PolÌcia judici·ria

[

N„o È ele processo, mas procedimento administrativo,

].

]

(Noronha, 1995).

… procedimento (e n„o processo) de natureza administrativa (n„o judicial, nem jurisdicional), por mais que em determinadas situaÁıes haja supervis„o e ordem do juiz que interfira no seu andamento e desfecho. Dele n„o resulta, diretamente, nenhuma pena ou sanÁ„o e nisso se percebe a diferenÁa em relaÁ„o a um processo administrativo que pode impor penalidades.

Trata-se de um procedimento de natureza instrumental, porquanto se destina a esclarecer os fatos delituosos relatados na notÌcia de crime, fornecendo subsÌdios para o prosseguimento ou o arquivamento

da persecuÁ„o penal. De seu car·ter instrumental sobressai sua dupla funÁ„o: a) preservadora: a existÍncia prÈvia de um inquÈrito policial inibe a instauraÁ„o de um processo penal infundado, temer·rio, resguardando a liberdade do inocente e evitado custos desnecess·rios para o Estado; b) preparatÛria:

fornece elementos de informaÁ„o para que o titular da aÁ„o penal ingresse em juÌzo, alÈm de acautelar

Apesar de o inquÈrito policial

n„o obedecer a uma ordem legal rÌgida para a realizaÁ„o dos seus atos, isso n„o lhe retira a caracterÌstica

de procedimento, j· que o legislador estabelece uma sequÍncia lÛgica para sua instauraÁ„o, desenvolvimento e conclus„o. Por sua prÛpria natureza, o procedimento do inquÈrito policial deve ser flexÌvel. N„o h· falar, em sede de investigaÁ„o policial, em obediÍncia a uma ordem predeterminada, rÌgida, o que n„o infirma sua natureza de procedimento, j· que o procedimento pode seguir tanto um esquema rÌgido quanto flexÌvel 5 . Logo, como o inquÈrito È mera peÁa informativa, eventuais vÌcios dele constantes n„o tem o cond„o de contaminar o processo penal a que der origem (Lima, 2018).

meios de prova que poderiam desaparecer com o decurso do tempo. [

]

Mais especificamente com relaÁ„o ‡ natureza jurÌdica, consignam PACELLI e FISCHER que o inquérito policial é um “procedimento de índole meramente administrativa, de caráter informativo, preparatório da ação penal” (Pacelli, et al., 2018).

Doutrina complementar

PAULO RANGEL (Direito processual penal, 26™ ed., S„o Paulo: Atlas, 2018): “InquÈrito policial, assim, È um conjunto de atos praticados pela funÁ„o executiva do Estado com o escopo de apurar a autoria e materialidade (nos crimes que deixam vestÌgios delicta facti permanentis) de uma infraÁ„o penal, dando ao MinistÈrio P˙blico

O inquÈrito policial, em verdade, tem uma

funÁ„o garantidora. A investigaÁ„o tem o nÌtido car·ter de evitar a instauraÁ„o de uma persecuÁ„o penal infundada por parte do MinistÈrio P˙blico diante do fundamento do processo penal, que È a instrumentalidade

e o garantismo penal”. [

policial integra a realizaÁ„o de um dos atos praticados pelo Estado soberano (ato administrativo), f·cil È sua

correta colocaÁ„o dentro da sistem·tica jurÌdica vigente. Assim, sem muitas delongas, sua natureza jurÌdica È de um procedimento de Ìndole meramente administrativa, de car·ter informativo, preparatÛrio da ação penal”.

EDILSON MOUGENOT BONFIM (Curso de processo penal, 7™ ed., S„o Paulo: Saraiva, 2012): “O Decreto n. 4.824, de 22.11.1871, instituiu no Brasil o inquÈrito policial, estabelecendo a separaÁ„o entre a PolÌcia e o Poder Judici·rio. O art. 42 do referido diploma legal determinava que “o inquérito policial consiste em todas as diligências necess·rias para o descobrimento do fato criminoso, de suas circunst‚ncias e dos seus autores e c˙mplices. Com base nas caracterÌsticas reconhecidas atualmente pela doutrina e pela jurisprudÍncia, pode-se conceituar o

Sobre a natureza jurídica desse procedimento, expõe: “Entendido que o inquérito

elementos necess·rios que viabilizem o exercÌcio da aÁ„o penal. [

]

]

5 Se no processo penal a forma, muitas vezes, È sinÙnimo de garantia, em relaÁ„o ao inquÈrito n„o se pode dizer o mesmo.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

10

P ROCESSO P ENAL P REPARAT”RIO : P ROCURADORIA G ERAL DO M UNICÕPIO SP

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 inquÈrito

inquÈrito policial como o procedimento administrativo, preparatÛrio e inquisitivo, presidido pela autoridade policial, e constituÌdo por um complexo de diligÍncias realizadas pela polÌcia, no exercÌcio da funÁ„o judici·ria, com vistas ‡ apuraÁ„o de uma infraÁ„o penal e ‡ identificaÁ„o de seus autores”.

HIDEJALMA MUCCIO (Curso de processo penal, vol. 1, 1ª ed., São Paulo: EDIPRO, 2000): “O inquérito policial nada mais È do que um procedimento informativo, revestido de sigilosidade e inquisitoriedade, no qual, obedecida a forma escrita, tem lugar a primeira fase da persecuÁ„o penal a persecutio criminis que implica na apuraÁ„o da infração penal e da sua autoria, sem prejuízo da colheita de outras provas que guardem relação com o fato”.

JurisprudÍncia pertinente

Supremo Tribunal Federal

A legislaÁ„o que disciplina o inquÈrito policial n„o se inclui no ‚mbito estrito do processo penal, cuja competÍncia È privativa da Uni„o (art. 22, I, CF), pois o inquÈrito È procedimento subsumido nos limites da competÍncia legislativa concorrente, a teor

do art. 24, XI, da ConstituiÁ„o Federal de 1988, tal como j· decidido reiteradamente pelo Supremo Tribunal Federal. O procedimento

do inquÈrito policial, conforme previsto pelo CÛdigo de Processo Penal, torna desnecess·ria a intermediaÁ„o judicial quando ausente a necessidade de adoÁ„o de medidas constritivas de direitos dos investigados, raz„o por que projetos de reforma do

CPP propıem a remessa direta dos autos ao MinistÈrio P˙blico. No entanto, apesar de o disposto no inc. IV do art. 35 da LC 106/2003

se coadunar com a exigÍncia de maior coerÍncia no ordenamento jurÌdico, a sua inconstitucionalidade formal n„o est· afastada, pois

insuscetÌvel de superaÁ„o com base em avaliaÁıes pertinentes ‡ preferÍncia do julgador sobre a correÁ„o da opÁ„o feita pelo legislador dentro do espaÁo que lhe È dado para livre conformaÁ„o. Assim, o art. 35, IV, da Lei Complementar estadual n 106/2003, È inconstitucional ante a existÍncia de vÌcio formal, pois extrapolada a competÍncia suplementar delineada no art. 24, ß1 , da ConstituiÁ„o Federal de 1988. J· em relaÁ„o ao inciso V, do art. 35, da Lei complementar estadual n 106/2003, inexiste infraÁ„o ‡ competÍncia

para que o estado-membro legisle, de forma suplementar ‡ Uni„o, pois o texto apenas reproduz norma sobre o tr‚mite do inquÈrito policial j· extraÌda da interpretaÁ„o do art. 16 do CÛdigo de Processo Penal. Ademais, n„o h· desrespeito ao art. 128, ß5 , da ConstituiÁ„o Federal de 1988, porque, alÈm de o dispositivo impugnado ter sido incluÌdo em lei complementar estadual, o seu conte˙do

n„o destoou do art. 129, VIII, da ConstituiÁ„o Federal de 1988, e do art. 26, IV, da Lei n 8.625/93, que j· haviam previsto que o MinistÈrio P˙blico pode requisitar diligÍncias investigatÛrias e a instauraÁ„o de inquÈrito policial. AÁ„o direta julgada parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade somente do inciso IV do art. 35 da Lei Complementar n 106/2003, do Estado do Rio

de Janeiro. (ADI 2886, Relator(a): Min. EROS GRAU, Relator(a) p/ AcÛrd„o: Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em

03/04/2014, DJe-150 DIVULG 04-08-2014 PUBLIC 05-08-2014 EMENT VOL-02738-01 PP-00001)

Consoante jurisprudÍncia da Corte, o inquÈrito policial È peÁa meramente informativa, n„o suscetÌvel de contraditÛrio, raz„o pela qual n„o se faz necess·ria a oitiva da paciente para se decretar a pris„o preventiva. (HC 132803 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 01/03/2016, PROCESSO ELETR‘NICO DJe-054 DIVULG 22-03-2016 PUBLIC 28-03-2016)

Superior Tribunal de JustiÁa

O inquÈrito policial "qualifica-se como procedimento administrativo, de car·ter prÈ-processual, ordinariamente vocacionado a

subsidiar, nos casos de infraÁıes perseguÌveis mediante aÁ„o penal de iniciativa p˙blica, a atuaÁ„o persecutÛria do MinistÈrio P˙blico, que È o verdadeiro destinat·rio dos elementos que compıem a "informatio delicti"' (STF, HC 89837/DF, Segunda

Turma, Relator Min. Celso de Mello, DJe 20/11/2009). [

A tramitaÁ„o direta de inquÈritos entre a polÌcia judici·ria e o Ûrg„o de

persecuÁ„o criminal traduz expediente que, longe de violar preceitos constitucionais, atende ‡ garantia da duraÁ„o razo·vel do processo, assegurando cÈlere tramitaÁ„o, bem como aos postulados da economia processual e da eficiÍncia. Essa constataÁ„o n„o afasta a necessidade de observ‚ncia, no bojo de feitos investigativos, da chamada cl·usula de reserva de jurisdiÁ„o. [ N„o se mostra

ilegal a portaria que determina o tr‚mite do inquÈrito policial diretamente entre polÌcia e Ûrg„o da acusaÁ„o, encontrando o ato indicado

como coator fundamento na ResoluÁ„o n. 63/2009 do Conselho da JustiÁa Federal. [ FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 19/11/2015, DJe 04/12/2015)

]

]

]

(RMS 46.165/SP, Rel. Ministro GURGEL DE

1.2 FUN« O E FINALIDADE DO INQU…RITO

A funÁ„o e a prÛpria finalidade do inquÈrito policial podem ser deduzidas, dentre outras, de duas disposiÁıes do CÛdigo de Processo Penal:

Art. 12. O inquÈrito policial acompanhar· a den˙ncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

11

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 Art.

Art. 41. A den˙ncia ou queixa conter· a exposiÁ„o do fato criminoso, com todas as suas circunst‚ncias, a qualificaÁ„o do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identific·-lo, a classificaÁ„o do crime e, quando necess·rio, o rol das testemunhas.

Duas conclusıes dessas normas: 1™) den˙ncia ou queixa tem de ser precisa, com a exposiÁ„o clara do fato com todas as circunst‚ncias; 2™) quando servir de base para a acusaÁ„o, o inquÈrito policial acompanhar· (normalmente anexo) a peÁa acusatÛria formal.

Uma formal acusaÁ„o criminal contra alguÈm, por evidente, n„o È um ato jurÌdico qualquer; ao contr·rio, tem singular import‚ncia e n„o pode ser obra do acaso ou mesmo representar a atitude imprudente do acusador. … normal que o MinistÈrio P˙blico (ou tambÈm o querelante) n„o disponha das informaÁıes e elementos necess·rios para, de imediato, oferecer den˙ncia/queixa. Insistimos, È nesse contexto que concebemos o inquÈrito policial. Como dizia JO O MENDES J⁄NIOR, “é um instrumento ou para a denúncia ou para a queixa” (Marques, 1980).

O art. 2 da Lei 12.830/2013 refere sobre o objetivo da investigaÁ„o e do prÛprio inquÈrito, nesses termos:

ß 1 Ao delegado de polÌcia, na qualidade de autoridade policial, cabe a conduÁ„o da investigaÁ„o criminal por meio de inquÈrito policial ou outro procedimento previsto em lei, que tem como objetivo a apuraÁ„o das circunst‚ncias, da materialidade e da autoria das infraÁıes penais.

TORNAGHI destaca que a finalidade do inquÈrito È apurar infraÁıes penais e isso “significa pesquisar o fato infringente da lei. N„o cabe ‡ polÌcia nenhum julgamento de valor, nem mesmo provisÛrio, acerca da ilicitude do fato mas, t„o-sÛ: 1 ) a colheita da prova de sua materialidade e autoria; 2 ) todas as providÍncias que possam acautelar os vestÌgios deixados pela infraÁ„o e as tendentes a assegurar a execução da sentença”.

O que a polÌcia averigua È apenas a quem È fisicamente imput·vel o fato, quem lhe deu causa [

quem È fisicamente imput·vel o fato, quem lhe deu causa [ ]. N„o compete ‡ autoridade

].

N„o

compete ‡ autoridade policial perquirir da culpabilidade, o que envolve juÌzo de valor (Tornaghi, 1977).

Sua

funÁ„o

È

instrumental,

informativa,

como

procedimento

“que

habilita

instauraÁ„o da instância no juízo criminal”. Aliás, pontua JOS… FREDERICO MARQUES:

] [

o auto de pris„o em flagrante, norma alguma est· traÁada, pelo CÛdigo de Processo Penal, no tocante ao assunto. Tudo o que vem disposto sobre as atividades da autoridade policial, no texto do CÛdigo, constitui uma sÈrie de preceitos ditados em raz„o da eficiÍncia investigatÛria da autoridade policial, e n„o como procedimento ou modus faciendi obrigatÛrio.

o inquÈrito n„o est· sujeito a formas indeclin·veis, tanque que, a n„o ser para o interrogatÛrio e para

a

Interessante notar no CPP que, realmente, poucas disposiÁıes v„o incidir e regulamentar atos do inquÈrito o tÌtulo II, do livro I È que faz isso, iniciando no art. 4 e terminando no 23. Apenas dezenove artigos e nem todos exatamente voltados a disciplinar o inquÈrito. Embora a lei regulamente o inÌcio e o desfecho do inquÈrito, alÈm de algumas diligÍncias que devam ser tomadas, o procedimento n„o tem uma ritualÌstica que lhe seja prÛpria, como acontece no processo penal e isso acontece justamente em funÁ„o da sua natureza e finalidade.

Se de um lado o direito de punir do Estado não escapa da ‘filtragem’ desempenhada pelo processo, por outro o processo n„o pode sequer ser iniciado sem que tenha um mÌnimo

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

12

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 de

de provas que lhe deem embasamento. A esse mÌnimo de provas a lei chama de justa causa. Sem ela, por imperativo, nenhuma acusaÁ„o pode desencadear uma aÁ„o penal; a prÛpria peÁa inicial deve ser rejeitada, segundo o CPP:

Art. 395. A den˙ncia ou queixa ser· rejeitada quando: [ III - faltar justa causa para o exercÌcio da aÁ„o penal.

]

É para fornecer esse ‘lastro probatório mínimo’ (quando não houver) que serve o inquÈrito policial. AtravÈs dele o Estado procura angariar informaÁıes e provas sobre a materialidade (existÍncia) e a autoria do crime.

Uma coisa est· relacionada ‡ outra, mas podemos identificar duas utilidades b·sicas para o inquÈrito: 1™) evitar que pessoas inocentes sejam formalmente acusadas e tenham de responder a um processo penal (com as agruras que lhe s„o inerentes); 2™) colher provas e elementos de informaÁ„o consistentes para subsidiar a acusaÁ„o.

Como instrumento da aÁ„o penal, o inquÈrito È peÁa que interessa precipuamente ao Ûrg„o da acusaÁ„o. Tanto que o art. 16 do CPP prevÍ a possibilidade de o MinistÈrio P˙blico requerer a devoluÁ„o do inquÈrito ‡ autoridade policial para novas diligÍncias que sejam imprescindÌveis ao oferecimento da den˙ncia.

… justamente atravÈs do inquÈrito policial que o MinistÈrio P˙blico, na grande maioria dos casos criminais, avalia sobre a viabilidade da aÁ„o penal, forma a sua opinio delicti, de acordo com os elementos de informaÁ„o nele constantes.

Mas È importante consolidar que em nenhum momento a lei refere ao inquÈrito policial como um requisitoda aÁ„o penal. Em outras palavras, È perfeitamente possÌvel o oferecimento da acusaÁ„o formal sem ele desde que, por outras vias, se tenha obtido os necess·rios elementos de informaÁ„o, as provas que traduzam a justa causa.

Em concurso p˙blico para ingresso na classe inicial da carreira de Delegado de PolÌcia de 3™ classe do Estado do Rio de Janeiro, ocorrido em 23/2/1991, perguntou-se aos candidatos (Pacelli, et al., 2018):

perguntou-se aos candidatos (Pacelli, et al., 2018): 3™ Quest„o: O MinistÈrio P˙blico pode oferecer

3™ Quest„o: O MinistÈrio P˙blico pode oferecer den˙ncia sem prÈvio inquÈrito policial

ou peÁas de informaÁ„o?

A quest„o È maldosa. Fala em sem inquÈrito ou peÁas de informaÁ„o, exigindo do

candidato atenÁ„o. Sem inquÈrito policial, a resposta È afirmativa, pois, como vimos acima, o inquÈrito È peÁa dispens·vel, desde que o MinistÈrio P˙blico tenha, exatamente, as peÁas de informaÁ„o, ou seja, elementos necess·rios que viabilizem o exercÌcio da aÁ„o penal. PorÈm, sem peÁas de informaÁ„o, a resposta È negativa, pois com base em que propor· a aÁ„o? Qual ser· o suporte de sua imputaÁ„o penal? Assim, sem peÁas de informaÁ„o, È inadmissÌvel o MinistÈrio P˙blico oferecer den˙ncia.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

13

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 elementos
elementos de informaÁ„o materialidade autoria acusaÁ„o (com justa causa)
elementos de
informaÁ„o
materialidade
autoria
acusaÁ„o
(com justa
causa)

A propÛsito, existem autores, como RENATO BRASILEIRO, que sustentam, diante da redaÁ„o do art. 155 do CPP, que provas s„o espÈcies produzidas em fase de processo, de instruÁ„o criminal, com contraditÛrio e ampla defesa; ao passo que elementos de informaÁ„o È que s„o colhidos na investigaÁ„o.

O juiz formar· sua convicÁ„o pela livre apreciaÁ„o da prova produzida em contraditÛrio

judicial, n„o podendo fundamentar sua decis„o exclusivamente nos elementos informativos colhidos

Art. 155.

na investigaÁ„o, ressalvadas as provas cautelares, n„o repetÌveis e antecipadas.

Voltaremos a falar sobre isso quando do estudo das provas, mas vale a referÍncia.

Doutrina complementar

PAULO RANGEL (Direito processual penal, 26ª ed., São Paulo: Atlas, 2018): “O inquérito tem valor apenas informativo. N„o visa emitir nenhum juÌzo de valor sobre a conduta do autor do fato, que, apontado no inquÈrito como tal, passa a ser tratado como indiciado (indicado como, apontado). Assim, sua finalidade È preparar os elementos necess·rios que possibilitem ao titular da aÁ„o penal (p˙blica ou privada) a descriÁ„o correta, na peÁa exordial (den˙ncia ou queixa), dos elementos objetivos, subjetivos e normativos que integram a figura típica”.

no InquÈrito Policial,

que tem por finalidade apurar a existÍncia da infraÁ„o penal e a respectiva autoria, fornecendo aos titulares da aÁ„o penal os elementos necessários ao seu exercício”.

FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO (Processo penal, vol. 1, 32ª ed., São Paulo: Saraiva, 2010): “Qual a finalidade do inquÈrito policial? Pela leitura de v·rios dispositivos do CPP, notadamente o 4 e o 12, h· de se concluir que o inquÈrito visa ‡ apuraÁ„o da existÍncia de infraÁ„o penal e ‡ respectiva autoria, a fim de que o titular da aÁ„o penal disponha de elementos que o autorizem a promovÍ-la. Apurar a infraÁ„o penal È colher informaÁıes a respeito do fato criminoso. Para tanto, a PolÌcia Civil desenvolve laboriosa atividade, ouvindo testemunhas que presenciaram o fato ou que dele tiveram conhecimento por ouvirem a outrem, tomando declaraÁıes da vÌtima, procedendo a exames de corpo de delito, exames de instrumento do crime, determinando buscas e apreensıes, acareaÁıes, reconhecimentos, ouvindo o indiciado, colhendo informaÁıes sobre todas as circunst‚ncias que circunvolveram o fato tido como delituoso, buscando tudo, enfim, que possa influir no esclarecimento do fato”.

HIDEJALMA MUCCIO (Curso de processo penal, vol. 1, 1ª ed., São Paulo: EDIPRO, 2000): “[

]

1.3 VALOR PROBAT”RIO DO INQU…RITO

Estabelece a lei que o inquÈrito deve acompanhar a den˙ncia ou a queixa (art. 12,

CPP). Se È assim, algum valor para efeito da decis„o final do processo deve ter

A resposta a essa indagaÁ„o È obtida a partir do art. 155 do CÛdigo de Processo Penal, mais uma vez transcrito para que os destaques sejam feitos:

Mas qual?

Art. 155.

contraditÛrio judicial, n„o podendo fundamentar sua decis„o exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigaÁ„o, ressalvadas as provas cautelares, n„o repetÌveis e antecipadas.

O juiz formar· sua convicÁ„o pela livre apreciaÁ„o da prova produzida em

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

14

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 O

O princÌpio que rege a avaliaÁ„o das provas no processo penal È o do livre convencimento a traduzir, resumidamente, que o juiz, de um modo geral, n„o est· vinculado a nenhum valor legal e predeterminado para cada uma das provas. … o prÛprio julgador quem define (faz o balanÁo como na representaÁ„o gr·fica) se essa ou aquela prova È mais ou menos relevante para efeito da sua conclus„o final. Normalmente, a propÛsito, deve o juiz chegar a essa conclus„o final com base n„o em uma ou outra prova isoladamente, mas sim tomando em conta todo o conjunto probatÛrio. A conclus„o, que È uma sÛ em relaÁ„o a cada fato, deve ter tomada na avaliaÁ„o conjunta das in˙meras provas

produzidas.

Essa liberdade que o juiz tem para avaliar as provas, perceba, n„o È plena! O prÛprio artigo 155, antes citado, acaba por traÁar alguns limites. Para o que nos interessa neste momento 6 , lanÁamos mais uma pergunta: o juiz pode julgar alguém tomando por base tão somente as ‘provas’ colhidas no inquÈrito? N O. A resposta È dada pela segunda parte do art. 155 (sublinhada).

E È assim porque as provas produzidas em fase de inquÈrito n„o s„o submetidas, via de regra, a contraditÛrio e ampla defesa. Para que n„o haja violaÁ„o a esses princÌpios 7 assegurados pela CF, não deve o juiz, na formação da sua ‘certeza’, resumir-se a elas como fundamento legÌtimo para o seu veredicto.

Ok, mas as provas (ou elementos informativos) colhidas na investigaÁ„o tem algum valor? Servem para alguma coisa? Evidente que SIM. S„o esses elementos de informaÁ„o que subsidiaram inicialmente a aÁ„o penal (traduziram a sua justa causa que, agora, n„o pode ser desprezada) e a ela devem acompanhar (como diz a lei). Em nenhum momento o CÛdigo determina o seu ‘descarte’ ou a sua ‘desconsideração’. O que se veda é o exclusivo uso delas para efeito de fundamentaÁ„o da sentenÁa. Nada impede que esses elementos de informaÁ„o sejam usados de forma secund·ria, como complemento de outras provas que foram produzidas (em contraditÛrio) na fase de processo.

E essa forma secund·ria ou complementar (j· reconhecida pelos tribunais) revestida pelas provas colhidas na investigaÁ„o, se justifica em raz„o dos princÌpios da ampla defesa e do contraditÛrio, n„o aplic·veis no inquÈrito policial. Embora constituam provas, o que quis o legislador foi estabelecer um desvalor aos elementos informativos do inquÈrito se comparados ‡queles produzidos na instruÁ„o criminal.

O que percebemos pelo art. 155 do CPP È uma espÈcie de desvalor legal para os elementos de informaÁ„o do inquÈrito, se comparados com as provas do processo mas n„o uma anulaÁ„o completa; atÈ porque existem provas que s„o produzidas na investigaÁ„o (sem

ACUSA« O

declaraÁıes

reconhecimentos

delaÁıes

perÌcias

DEFESA

interrogatÛrio

documentos

depoimentos

·libis

DEFESA interrogatÛrio documentos depoimentos ·libis 6 O assunto ser· aprofundado no capÌtulo das provas. 7
DEFESA interrogatÛrio documentos depoimentos ·libis 6 O assunto ser· aprofundado no capÌtulo das provas. 7
DEFESA interrogatÛrio documentos depoimentos ·libis 6 O assunto ser· aprofundado no capÌtulo das provas. 7

6 O assunto ser· aprofundado no capÌtulo das provas. 7 Estudados na aula anterior.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

15

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 contraditÛrio)

contraditÛrio) que, por sua natureza, n„o poder„o ser reproduzidas posteriormente (uma necropsia, por exemplo).

Nesse sentido, RENATO BRASILEIRO:

A Lei n 11.690/08, ao inserir o advÈrbio exclusivamente no corpo do art. 155, caput, do CPP acaba por confirmar a posiÁ„o jurisprudencial que vinha prevalecendo. Destarte, pode-se dizer que, isoladamente considerados, elementos informativos n„o s„o idÙneos para fundamentar uma condenaÁ„o. Todavia, n„o devem ser completamente desprezados, podendo se somar ‡ prova produzida em juÌzo e, assim, servir como mais um elemento na formaÁ„o da convicÁ„o na formaÁ„o do Ûrg„o julgador. Tanto È verdade que

a nova lei n„o previu a exclus„o fÌsica do inquÈrito policial dos autos do processo (CPP, art. 12) (Lima,

2018).

Embora n„o sejam provas chanceladas pelo contraditÛrio e ampla defesa e com um desvalor legal preestabelecido, os elementos informativos angariados na investigaÁ„o tÍm a sua valia, valia preponderantemente 8 subsidi·ria e complementar em relaÁ„o ‡s provas produzidas no processo. Isoladamente, jamais devem legitimar a fundamentaÁ„o de uma sentenÁa.

Doutrina complementar

a fundamentaÁ„o de uma sentenÁa. Doutrina complementar a valoraÁ„o dos elementos colhidos na fase do inquÈrito

a valoraÁ„o dos elementos

colhidos na fase do inquÈrito somente poder· ser feita se em conjunto com as provas colhidas no curso do processo judicial, pois, sendo o inquÈrito, meramente, um procedimento administrativo, de caracterÌstica inquisitorial, tudo o que nele for apurado deve ser corroborado em juÌzo. O inquÈrito, assim, È um suporte probatÛrio sobre o qual repousa a imputaÁ„o penal feita pelo MinistÈrio P˙blico, mas que deve ser comprovada

em juÌzo, sob pena de se incidir em uma das hipÛteses do art. 386 do CPP”.

EDILSON MOUGENOT BONFIM (Curso de processo penal, 7™ ed., S„o Paulo: Saraiva, 2012) registra que se trata de tema com calorosa discussão doutrinária e assenta qual a posição majoritária a esse respeito: “No entanto, a maior parte da doutrina tende a negar a possibilidade de uma condenaÁ„o lastreada t„o somente em provas obtidas durante a investigaÁ„o policial. Admitem, quando muito, que essas provas tenham natureza indici·ria, sejam comeÁos de prova, vale dizer, dados informativos que n„o permitem lastrear um juÌzo de certeza no espÌrito do julgador, mas de probabilidade, sujeitando-se a posterior confirmaÁ„o. Isso porque sua admiss„o como elemento de prova implicaria infringÍncia ao princÌpio do contraditÛrio, estatuÌdo em sede constitucional. Nesse sentido se tem posicionado a jurisprudÍncia, ao admitir o valor probatÛrio do inquÈrito apenas quando corrobora a prova produzida em juÌzo. A prova produzida durante o inquÈrito seria, assim, mero reforÁo indici·rio, a reforÁar o convencimento do julgador (TRF, 4™ R., 7™ T., Rel. Tadaaqui Hirose, j. 11.10.2005, DJ, 26.10.2005, p. 732)”.

AURY LOPES JR. (Direito processual penal, 13ª ed., São Paulo: Saraiva, 2016), por outro lado, assevera: “Como regra geral, pode-se afirmar que o valor dos elementos coligidos no curso do inquÈrito policial somente serve para fundamentar medidas de natureza endoprocedimental (cautelares etc.) e, no momento da admiss„o da

acusaÁ„o, para justificar o processo ou o n„o processo (arquivamento). [

O inquÈrito policial somente pode

gerar o que anteriormente classificamos como atos de investigaÁ„o e essa limitaÁ„o de efic·cia est· justificada pela forma mediante a qual s„o praticados, em uma estrutura tipicamente inquisitiva, representada pelo segredo, a forma escrita e a ausÍncia ou excessiva limitaÁ„o do contraditÛrio. Destarte, por n„o observar os incisos LIII, LIV, LV e LVI do art. 5 e o inciso IX do art. 93 da nossa ConstituiÁ„o, bem como o art. 8 da CADH,

o inquÈrito policial jamais poder· gerar elementos de convicÁ„o valor·veis na sentenÁa para justificar uma

condenaÁ„o”. Sintetizando, pontua: “Todos os elementos de convicÁ„o produzidos/obtidos no inquÈrito policial e que se pretenda valorar na sentenÁa devem ser, necessariamente, repetidos na fase processual. Para

PAULO RANGEL (Direito processual penal, 26™ ed., S„o Paulo: Atlas, 2018) sustenta: “[

]

]

8 Lembre-se que existem algumas provas produzidas no inquÈrito que ganharam ressalva da ideia geral do art. 155 do CPP cautelares, n„o repetÌveis e antecipadas.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

16

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 aqueles

aqueles que por sua natureza sejam irrepetÌveis ou que o tempo possa tornar imprest·veis, existe a produÁ„o antecipada de provas”.

NORBERTO AVENA (Processo Penal, 9™ ed., S„o Paulo: Forense, 2018): Considerando a ausÍncia das garantias constitucionais apontadas (ampla defesa e contraditÛrio), h· muito tempo consolidaram-se os tribunais p·trios no sentido de que o inquÈrito policial possui valor probante relativo, ficando sua utilizaÁ„o como instrumento de convicÁ„o do juiz condicionada a que as provas nele produzidas sejam renovadas ou ao menos confirmadas pelas provas judicialmente realizadas sob o manto do devido processo legal e dos demais princÌpios informadores do processo. Com a vigÍncia da Lei 11.690/2008, a necessidade de judicializaÁ„o da prova foi expressamente contemplada no art. 155, caput, 1.™ parte, do CPP, dispondo que o juiz formar· sua convicÁ„o pela livre apreciaÁ„o da prova produzida em contraditÛrio judicial, n„o podendo fundamentar sua decis„o exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigaÁ„o. Importante ter em mente que a redaÁ„o conferida ao art. 155 n„o proÌbe o juiz de utilizar, como fundamento de convicÁ„o, as provas coligidas na fase investigativa, apenas dispondo que n„o poder· ele fundamentar-se exclusivamente nessa categoria de provas. Nada impede, ent„o, sejam elas usadas como elementos secund·rios de motivaÁ„o, isto È, supletiva ou subsidiariamente, como forma de reforÁo ‡s conclusıes j· extraÌdas do contexto judicializado.

JurisprudÍncia pertinente

Supremo Tribunal Federal

Os elementos do inquÈrito podem influir na formaÁ„o do livre convencimento do juiz para a decis„o da causa quando complementam outros indÌcios e provas que passam pelo crivo do contraditÛrio em juÌzo. 5. Agravo regimental improvido. (RE 425734 AgR, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 04/10/2005, DJ 28-10-2005 PP-00057 EMENT VOL- 02211-03 PP-00529)

1.4 ATRIBUI« O DE INVESTIGA« O PRESID NCIA DO INQU…RITO

Eis o ‚mbito espacial de atividade das autoridades de polÌcia judici·ria, no CÛdigo de Processo Penal, em destaque:

Art. 4 A polÌcia judici·ria ser· exercida pelas autoridades policiais no territÛrio de suas respectivas circunscriÁıes e ter· por fim a apuraÁ„o das infraÁıes penais e da sua autoria.

CircunscriÁ„o quer aqui significar, na liÁ„o de TORNAGHI, “raio de ação, porção do espaço dentro do qual o funcionário exerce a respectiva autoridade” (Tornaghi, 1977).

No que diz respeito a inquÈrito policial, justamente por n„o se tratar de processo, n„o se fala em competÍncia, mas sim em atribuiÁ„o. Ent„o, quando falamos de atribuiÁ„o estamos tratando sobre qual autoridade policial È que ter· a incumbÍncia e o poder de presidir o procedimento investigativo. O que para os processos criminais È competÍncia, para os inquÈritos policiais È atribuiÁ„o.

Mais recentemente e n„o obstante o inquÈrito se trate de um procedimento administrativo-informativo de pouca regulamentaÁ„o legal e sem um rigorismo formal , tem havido uma preocupaÁ„o maior do legislador com relaÁ„o ‡ sua disciplina, inclusive no que se refere ‡ estabilidade da autoridade policial que o conduz/preside. Nesse sentido, a Lei n 12.830/2013 n„o sÛ chancelou natureza jurÌdica para as funÁıes de polÌcia judici·ria e de apuraÁ„o de infraÁıes penais, estabelecendo-as como essenciais e exclusivas do Estado, como tambÈm restringiu/delimitou as situaÁıes em que o procedimento pode ser avocado ou redistribuÌdo; deu, ainda, alguma estabilidade para o delegado de polÌcia.

Art. 2 As funÁıes de polÌcia judici·ria e a apuraÁ„o de infraÁıes penais exercidas pelo delegado de polÌcia s„o de natureza jurÌdica, essenciais e exclusivas de Estado. [ ]

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

17

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 ß

ß 4 O inquÈrito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poder· ser

avocado ou redistribuÌdo por superior hier·rquico, mediante despacho fundamentado, por motivo de interesse p˙blico ou nas hipÛteses de inobserv‚ncia dos procedimentos previstos em regulamento da corporaÁ„o que prejudique a efic·cia da investigaÁ„o.

ß 5 A remoÁ„o do delegado de polÌcia dar-se-· somente por ato fundamentado.

Assim È que o tema de atribuiÁ„o para a presidÍncia do inquÈrito tem ganhado maior import‚ncia nos ˙ltimos tempos. O legislador tem feito mais normas que interferem diretamente no inquÈrito policial.

A regra È que a definiÁ„o da presidÍncia do inquÈrito tome em conta a natureza da

infraÁ„o penal qual È o crime que se investiga. Nesse sentido, um crime militar, por exemplo, ser· apurado pela polÌcia judici·ria militar, a quem compete instaurar o inquÈrito policial militar (IPM).

Segundo a ConstituiÁ„o Federal, art. 144, a PolÌcia Federal È que desempenha o papel de polÌcia judici·ria da Uni„o e a ela se atribui a investigaÁ„o de crimes de competÍncia da JustiÁa Federal:

ß 1 A polÌcia federal, instituÌda por lei como Ûrg„o permanente, organizado e mantido pela Uni„o e estruturado em carreira, destina-se a:

I - apurar infraÁıes penais contra a ordem polÌtica e social ou em detrimento de bens, serviÁos e interesses da Uni„o ou de suas entidades aut·rquicas e empresas p˙blicas, assim como outras infraÁıes cuja pr·tica tenha repercuss„o interestadual ou internacional e exija repress„o uniforme, segundo se dispuser em lei; [ ]

IV - exercer, com exclusividade, as funÁıes de polÌcia judici·ria da Uni„o.

A propÛsito, olha o que diz a Lei 9.266/1996, que regulamenta a Carreira Policial

Federal:

Art. 2 A. A PolÌcia Federal, Ûrg„o permanente de Estado, organizado e mantido pela Uni„o, para o exercÌcio de suas competÍncias previstas no ß1 do art. 144 da ConstituiÁ„o Federal, fundada na hierarquia e disciplina, È integrante da estrutura b·sica do MinistÈrio da JustiÁa.

Par·grafo ˙nico. Os ocupantes do cargo de Delegado de PolÌcia Federal, autoridades policiais no ‚mbito da polÌcia judici·ria da Uni„o, s„o respons·veis pela direÁ„o das atividades do Ûrg„o e exercem funÁ„o de natureza jurÌdica e policial, essencial e exclusiva de Estado.

Os crimes de competÍncia da JustiÁa Eleitoral, sendo esta componente do Poder Judici·rio da Uni„o, tambÈm, precipuamente, ser„o investigados pela PolÌcia Federal.

] [

impede que sua investigaÁ„o seja levada a efeito pela PolÌcia Civil. Portanto, a atribuiÁ„o legal da PolÌcia Federal para a instauraÁ„o de inquÈritos policiais de apuraÁ„o da pr·tica de crimes eleitorais n„o exclui a atribuiÁ„o subsidi·ria da autoridade policial estadual, quando se verificar a ausÍncia de Ûrg„o da PolÌcia Federal no local da pr·tica delituosa (Lima, 2018).

verificando-se a pr·tica de crime eleitoral em municÌpio onde n„o haja Ûrg„o da PolÌcia Federal, nada

A competÍncia da JustiÁa Estadual, como sabemos, È residual. Aquilo que n„o constitua matÈria especializada e n„o seja de competÍncia da JustiÁa Federal ser· normalmente julgado pelos juÌzes de direito. Da mesma forma, ent„o, crimes de competÍncia da JustiÁa Estadual, ordinariamente, ser„o investigados pela PolÌcia Civil nem sempre. As exceÁıes ocorrem por conta do inc. I do ß 1 do art. 144 da CF, antes transcrito: crime de repercuss„o interestadual ou internacional que exija repress„o uniforme tambÈm poder· ser apurado pela PF.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

18

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 A

A Lei 10.446/2002 È que regulamenta essa atribuiÁ„o extraordin·ria:

Art. 1 Na forma do inciso I do ß 1 do art. 144 da ConstituiÁ„o, quando houver repercuss„o interestadual ou internacional que exija repress„o uniforme, poder· o Departamento de PolÌcia Federal do MinistÈrio da JustiÁa, sem prejuÌzo da responsabilidade dos Ûrg„os de seguranÁa p˙blica arrolados no art. 144 da ConstituiÁ„o Federal, em especial das PolÌcias Militares e Civis dos Estados, proceder ‡ investigaÁ„o, dentre outras, das seguintes infraÁıes penais:

I sequestro, c·rcere privado e extors„o mediante sequestro (arts. 148 e 159 do CÛdigo Penal),

se o agente foi impelido por motivaÁ„o polÌtica ou quando praticado em raz„o da funÁ„o p˙blica exercida

pela vÌtima;

II formaÁ„o de cartel (incisos I, a, II, III e VII do art. 4 da Lei n 8.137, de 27 de dezembro de

1990); e

III relativas ‡ violaÁ„o a direitos humanos, que a Rep˙blica Federativa do Brasil se comprometeu

a reprimir em decorrÍncia de tratados internacionais de que seja parte; e

IV furto, roubo ou receptaÁ„o de cargas, inclusive bens e valores, transportadas em operaÁ„o

interestadual ou internacional, quando houver indÌcios da atuaÁ„o de quadrilha ou bando em mais de um Estado da FederaÁ„o.

V - falsificaÁ„o, corrupÁ„o, adulteraÁ„o ou alteraÁ„o de produto destinado a fins terapÍuticos

ou medicinais e venda, inclusive pela internet, depÛsito ou distribuiÁ„o do produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado (art. 273 do Decreto-Lei n 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - CÛdigo Penal).

VI - furto, roubo ou dano contra instituiÁıes financeiras, incluindo agÍncias banc·rias ou caixas

eletrÙnicos, quando houver indÌcios da atuaÁ„o de associaÁ„o criminosa em mais de um Estado da

FederaÁ„o.

Par·grafo ˙nico. Atendidos os pressupostos do caput, o Departamento de PolÌcia Federal proceder· ‡ apuraÁ„o de outros casos, desde que tal providÍncia seja autorizada ou determinada pelo Ministro

de Estado da JustiÁa.

ou determinada pelo Ministro de Estado da JustiÁa. Detalhe: em relaÁ„o ao terrorismo e organizaÁ„o

Detalhe: em relaÁ„o ao terrorismo e organizaÁ„o terrorista, a recente Lei 13.260/2016 consignou o seguinte:

Art. 11. Para todos os efeitos legais, considera-se que os crimes previstos nesta Lei s„o praticados contra o interesse da Uni„o, cabendo ‡ PolÌcia Federal a investigaÁ„o criminal, em sede de inquÈrito policial, e ‡ JustiÁa Federal o seu processamento e julgamento, nos termos do inciso IV do art. 109 da ConstituiÁ„o Federal.

As regras que disciplinam a atribuiÁ„o da polÌcia judici·ria normalmente acompanham, em boa medida, as normas que definem a competÍncia da JustiÁa, seja no que diz respeito ao Ûrg„o da polÌcia que ser· encarregado da investigaÁ„o (Civil, Federal ou outra), seja no que se refere ‡ circunscriÁ„o territorial para instauraÁ„o e desenvolvimento do inquÈrito. O local da infraÁ„o (no caso de crime consumado) ou o local do ˙ltimo ato de execuÁ„o (no caso de tentativa), nesse sentido, s„o determinantes.

Para não ‘engessar’ muito a investigação, a lei (CPP) permitiu a prática de diligências em outra circunscriÁ„o da mesma comarca:

Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscriÁ„o policial, a autoridade com exercÌcio em uma delas poder·, nos inquÈritos a que esteja procedendo, ordenar diligÍncias em circunscriÁ„o de outra, independentemente de precatÛrias ou requisiÁıes,

e bem assim providenciar·, atÈ que compareÁa a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presenÁa, noutra circunscriÁ„o.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

19

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 Compreenda-

Compreenda-se o dispositivo: “a divisão em circunscrições territoriais visa apenas à distribuiÁ„o de tarefas para maior rendimento do aparelho policial. N„o deve, pois, ser obstáculo à ação da polícia” (Tornaghi, 1977).

Por vezes, a atribuiÁ„o territorial È fracionada de acordo com a natureza da infraÁ„o penal, buscando a especializaÁ„o e o aprimoramento do serviÁo. Criam-se delegacias de combate ao tr·fico de drogas, de homicÌdios, contra crimes de internet e contra o patrimÙnio, por exemplo. Considerando isso e o disposto no art. 22 do CPP, nada impediria, a tÌtulo ilustrativo, que o delegado de repress„o ao tr·fico ou de uma determinada regi„o praticasse diligÍncia em circunscriÁ„o outra dentro de uma mesma comarca.

De qualquer forma, a infringÍncia (mesmo gritante) de alguma regra de atribuiÁ„o;

o fato de algum delegado presidir inquÈrito que seria de outro, enfim, nada disso tem o

cond„o de anular o processo que dele se originou. Como j· dissemos n„o È de competÍncia que tratamos; n„o há se falar em ‘delegado natural’ e mais que isso, inquÈrito n„o È processo, È mera peÁa informativa de relativo valor probatÛrio.

H· quem veja nas disposiÁıes da Lei n 12.830/2013 o princÌpio do delegado natural. Todavia, s„o vozes isoladas que desconsideram os termos constitucionais do art. 5 :

0

LIII - ninguÈm ser· processado nem sentenciado sen„o pela autoridade competente;

Delegado n„o processa, nem sentencia; preside a investigaÁ„o, o inquÈrito que È procedimento administrativo. As prerrogativas a ele outorgadas n„o tÍm o cond„o de traduzir um princÌpio, ainda menos um axioma cuja violaÁ„o importe em nulidade processual. … um passo largo demais.

Doutrina complementar

NESTOR T£VORA (Curso de direito processual penal, 11ª ed., Salvador: JusPodivm, 2016): “Basicamente, podemos subdividir o papel da polÌcia em: 2.1) PolÌcia administrativa ou de seguranÁa. De car·ter eminentemente preventivo, visa, com o seu papel ostensivo de atuaÁ„o, impedir a ocorrÍncia de infraÁıes. Ex: a PolÌcia Militar dos Estados-membros. 2.2) PolÌcia judici·ria. De atuaÁ„o repressiva, que age, em regra, apÛs a ocorrÍncia de infraÁıes, visando angariar elementos para apuraÁ„o da autoria e constataÁ„o da materialidade delitiva. Neste aspecto, destacamos o papel da PolÌcia Civil que deflui do art. 144, ß 4 , da CF, verbis: ‡s polÌcias civis, dirigidas por delegados de carreira, incumbem, ressalvada a competÍncia da Uni„o, as funÁıes de polÌcia judici·ria e a apuraÁ„o de infraÁıes penais, exceto as militares. No que nos interessa, a polÌcia judici·ria tem a miss„o primordial de elaboraÁ„o do inquÈrito policial. Incumbir· ainda ‡ autoridade policial fornecer ‡s autoridades judici·rias as informaÁıes necess·rias ‡ instruÁ„o e julgamento dos processos; realizar as diligÍncias requisitadas pelo juiz ou pelo MinistÈrio P˙blico; cumprir os mandados de pris„o e representar, se necess·rio for, pela decretaÁ„o de pris„o cautelar (art. 13 do CPP).

EUG NIO PACELLI, DOUGLAS FISCHER (Coment·rios ao CÛdigo de Processo Penal e sua JurisprudÍncia, 10™ edição, 2018, Atlas): “Delegado natural? Se È possÌvel apontar-se excesso de preocupaÁıes corporativas na Lei

n 12.830/13, que cuida da investigaÁ„o criminal pelo Delegado de PolÌcia, de outro lado, h· disposiÁıes que devem ser aplaudidas. A primeira, por certo, diz respeito ‡ categÛrica afirmaÁ„o no sentido de caber ao Delegado de PolÌcia, no ‚mbito das instituiÁıes policiais, a privatividade para a investigaÁ„o de infraÁıes criminais. Se ao leitor mais atento parecer desnecess·ria a observaÁ„o, deve-se lembrar que outras autoridades

policiais (PolÌcia Federal Rodovi·ria, por exemplo) j· insinuaram a ausÍncia dessa primazia

esclarecimento (Ûbvio, por certo!) legislativo È bem-vindo. Mas, limitado ao ‚mbito das instituiÁıes policiais, conforme veremos. A segunda, e mais importante, talvez, diz respeito ao impedimento de avocaÁ„o ou de afastamento do Delegado de PolÌcia de determinada investigaÁ„o, salvo quando a redistribuiÁ„o for devidamente fundamentada em razıes de interesse p˙blico, o que, ‡ evidÍncia, tem o objetivo de preservar a

Nesse passo, o

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

20

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 impessoalidade

impessoalidade na pr·tica de atos administrativos (art. 2 , ß 4 ). Por isso, com os mesmos objetivos, a vedaÁ„o de remoÁ„o injustificada do Delegado de polÌcia È digna de aplausos. Nada a dizer sobre o disposto no art. 3 da citada Lei n 12.830/13, no ponto em que reserva ao Delegado de PolÌcia o mesmo tratamento protocolar destinado aos advogados, membros do MinistÈrio P˙blico e JuÌzes. Em terrae brasilis d·-se demasiada

import‚ncia aos protocolos e ‡s ExcelÍncias

JurisprudÍncia pertinente

Superior Tribunal de JustiÁa

HABEAS CORPUS. ANULA« O. INQU…RITO POLICIAL. "INCOMPET NCIA RATIONE LOCI". INOCORR NCIA. AUS NCIA DE

CONTAMINA« O DA A« O PENAL. ORDEM DENEGADA. [

As atribuiÁıes no ‚mbito da polÌcia judici·ria n„o se submetem

aos mesmos rigores previstos para a divis„o de competÍncia, haja vista que a autoridade policial pode empreender diligÍncias

(HC 44.154/SP, Rel. Ministro H…LIO

em circunscriÁ„o diversa, independentemente da expediÁ„o de precatÛria e requisiÁ„o. [ QUAGLIA BARBOSA, SEXTA TURMA, julgado em 09/03/2006, DJ 27/03/2006, p. 337)

”.

]

]

1.5 CARACTERÕSTICAS DO INQU…RITO

… possÌvel elencar v·rias caracterÌsticas inerentes ao procedimento investigatÛrio que È o inquÈrito policial, sen„o vejamos:

1.5.1 Procedimento escrito

Essa caracterÌstica decorre da literalidade do art. 9 do CÛdigo de Processo Penal, de modo que se faz imperiosa a sua transcriÁ„o:

Art. 9 . Todas as peÁas do inquÈrito policial ser„o, num sÛ processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

Conforme se vÍ, sem exceÁ„o, todos os atos praticados durante o procedimento investigativo devem seguir as disposiÁıes do artigo citado (serem escritos e rubricados). Trata-se de garantia do investigado frente ‡ atividade policial, ao mesmo tempo que possibilita o controle de legalidade sobre essa atuaÁ„o (Bonfim, 2013).

Doutrina complementar

HIDEJALMA MUCCIO (Curso de processo penal, vol. 1, 1ª ed., São Paulo: EDIPRO, 2000): “A forma oral não é observada. Se o inquÈrito se destina a fornecer ao autor da aÁ„o penal os elementos necess·rios para o seu exercÌcio e, tambÈm, a dar embasamento probatÛrio suficiente para que a aÁ„o penal tenha justa causa, È evidente que obedece à forma escrita”.

NORBERTO AVENA (Processo Penal, 9™ ediÁão, Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017): “Procedimento escrito: todos os atos realizados no curso das investigaÁıes policiais ser„o formalizados de forma escrita e rubricados pela autoridade, incluindo-se nesta regra os depoimentos, testemunhos, reconhecimentos, acareaÁıes e todo gÍnero de diligÍncias que sejam realizadas (art. 9. do CPP).

1.5.2 Procedimento dispens·vel

Tendo o inquÈrito policial como um de seus principais objetivos a colheita de elementos de informaÁ„o suficientes para embasar a pretens„o do dominus litis, h· de se convir que nem sempre aquele ser· necess·rio, a depender das informaÁıes e elementos a que o titular da aÁ„o j· tenha disponÌveis.

A dispensabilidade do procedimento, inclusive, È claramente demonstrada por v·rios dispositivos do CPP, podendo-se citar os artigos 12, 27 e 39, ß 5 , in verbis:

Art. 12. O inquÈrito policial acompanhar· a den˙ncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

21

00000000000 - DEMO

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 Art.

Art. 27. Qualquer pessoa do povo poder· provocar a iniciativa do MinistÈrio P˙blico, nos casos em que caiba a aÁ„o p˙blica, fornecendo-lhe, por escrito, informaÁıes sobre o fato e a autoria e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicÁ„o.

Art. 39. O direito de representaÁ„o poder· ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaraÁ„o, escrita ou oral, feita ao juiz, ao Ûrg„o do MinistÈrio P˙blico, ou ‡

autoridade policial. [

ß 5 . O Ûrg„o do MinistÈrio P˙blico dispensar· o inquÈrito, se com a

representaÁ„o forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a aÁ„o penal, e, neste caso,

oferecer· a den˙ncia no prazo de quinze dias.

]

Depreende-se dos artigos referidos, portanto, que “desde que o titular da ação penal (MinistÈrio P˙blico ou ofendido) disponha desse substrato mÌnimo necess·rio para o oferecimento da peça acusatória, o inquérito policial será perfeitamente dispensável” (Lima,

2017).

Doutrina complementar

EDILSON MOUGENOT BONFIM (Curso de processo penal, 7™ ed., S„o Paulo: Saraiva, 2012): “Outro argumento a favor da tese da facultatividade È a ideia de que os Ûrg„os do MinistÈrio P˙blico, em raz„o da independÍncia funcional a eles atribuÌda pela ConstituiÁ„o Federal, art. 127, ß 1 , e pela Lei Complementar n. 75/93, art. 4 , tÍm liberdade para formar convicÁ„o acerca da ocorrÍncia do crime (a chamada opinio delicti). Desse modo, n„o seria razo·vel exigir que o MinistÈrio P˙blico seja obrigado a requerer e acompanhar diligÍncias em inquÈrito policial se entender que os elementos j· existentes s„o suficientes para fundamentar o ajuizamento de aÁ„o penal. [ ] N„o se exige, portanto, que a aÁ„o penal seja necessariamente embasada nos elementos obtidos por meio de inquÈrito. A den˙ncia ou queixa poder„o fundar-se em elementos colhidos por meio de outros procedimentos administrativos ou mesmo por documentos idÙneos obtidos por meios diversos, respeitada apenas a necess·ria licitude dos meios pelos quais as provas ser„o obtidas. O inquÈrito policial, portanto, È prescindÌvel na exata medida em que seu objetivo apuraÁ„o da ocorrÍncia de crime e indÌcios do prov·vel autor , nas hipÛteses referidas, foi alcanÁado”.

NESTOR T£VORA (Curso de direito processual penal, 11™ ed., Salvador: JusPodivm, 2016), atendo-se para uma outra consequência da dispensabilidade do inquérito policial, assevera: “Embora n„o seja recomend·vel, nada obsta, de igual maneira, que as medidas cautelares sejam decretadas sem que haja inquÈrito instaurado. Neste caso, ser· necess·ria a produÁ„o de elementos informativos suficientes ‡ decretaÁ„o da medida, devendo estes serem analisados de forma cuidadosa, j· que dispensado o procedimento formal preliminar”.

JurisprudÍncia pertinente

Superior Tribunal de JustiÁa

O inquÈrito policial dirige-se exclusivamente a formaÁ„o do convencimento do Ûrg„o respons·vel pela acusaÁ„o, isto È, serve para fornecer elementos necess·rios para que o titular da aÁ„o penal possa ingressar em juÌzo, constituindo peÁa meramente informativa, n„o sendo fase obrigatÛria da persecuÁ„o penal. Nesse contexto, pode ser dispensado caso o MinistÈrio P˙blico

j· disponha de elementos suficientes para a propositura da aÁ„o penal. [ PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 07/12/2017, DJe 18/12/2017)

1.5.3 Procedimento sigiloso

Conforme assevera RENATO BRASILEIRO DE LIMA: “Se o inquérito policial objetiva investigar infraÁıes penais, coletando elementos de informaÁ„o quanto ‡ autoria e materialidade dos delitos, de nada valeria o trabalho da polÌcia investigativa se n„o fosse resguardado o sigilo necess·rio durante o curso de sua realizaÁ„o. Deve-se compreender ent„o que o elemento da surpresa È, na grande maioria dos casos, essencial ‡ prÛpria efetividade das investigações policiais” (Lima, 2017).

(RHC 76.263/MG, Rel. Ministro JOEL ILAN

]

O CPP, em seu artigo 20, prevÍ a possibilidade de se conferir sigilo ao inquÈrito policial em duas situaÁıes:

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

22

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 Art.

Art. 20. A autoridade assegurar· no inquÈrito o sigilo necess·rio ‡ elucidaÁ„o do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Desta forma, diferentemente do processo penal, a fase inquisitorial n„o deve amplo respeito ao princÌpio da publicidade (o que, frise-se, n„o significa sigilo absoluto); e n„o poderia ser diferente, basta que se analise a prÛpria natureza do procedimento. Por certo que um procedimento investigatÛrio aberto, p˙blico e com ampla divulgaÁ„o dos avanÁos da averiguaÁ„o fulminaria qualquer projeÁ„o de sua eficiÍncia.

Por enfoque diverso, FERNANDO CAPEZ evidencia o outro lado desse car·ter sigiloso do inquérito policial: “Não é demais afirmar, ainda, que o sigilo no inquérito policial deverá ser observado como forma de garantia da intimidade do investigado, resguardando-se, assim, seu estado de inocência” (Capez, 2018).

Outrossim, retomando a ideia de n„o (poder) haver sigilo absoluto, È importante registrar que, mesmo nas hipóteses do artigo mencionado acima, “esse sigilo não alcança o juiz e o MinistÈrio P˙blico. E n„o alcanÁa, tambÈm, o advogado que, por forÁa do Estatuto da OAB (art. 7 , XIV, da Lei 8.906/1994), tem o direito de examinar em qualquer repartiÁ„o policial, mesmo sem procuraÁ„o, autos de flagrante e de inquÈrito, findos ou em andamento, ainda que conclusos a autoridades, podendo copiar peças e tomar apontamentos” (Avena,

2017).

A esse propÛsito, inclusive, h· S˙mula Vinculante, a de n 14, que dispıe:

… direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, j· documentados em procedimento investigatÛrio realizado por Ûrg„o com competÍncia de polÌcia judici·ria, digam respeito ao exercÌcio do direito de defesa.

Note-se, por oportuno, que o prÛprio enunciado tempera o acesso aos elementos de prova, restringindo-o para apenas os atos j· documentados, ratificando a raz„o de esse aspecto sigiloso existir.

Doutrina complementar

HIDEJALMA MUCCIO (Curso de processo penal, vol. 1, 1™ ed., S„o Paulo: EDIPRO, 2000) atesta a possibilidade de afastamento do sigilo por parte da prÛpria autoridade policial em certos casos: “Saliente-se que o sigilo, no entanto, sÛ deve ser observado se necess·rio ‡ elucidaÁ„o do fato ou exigido pelo interesse da sociedade, como

determina o art. 20 do CPP. Logo, se para elucidar o crime a autoridade n„o necessitar do sigilo, ele pode ser dispensado”. Ainda, o autor complementa com situação diametralmente oposta, qual seja, a proposital publicidade de determinado ato para auxiliar na elucidação dos fatos: “Alguns criminosos, acautelados de recursos que dificultem a sua identificaÁ„o (disfarces, utilizaÁ„o de capuzes, veÌculos etc.), premeditando a pr·tica da infraÁ„o penal, o que lhes permite, em grande parte, serem vistos apenas pelas vÌtimas, ou nem mesmo por elas, longe dos olhares de testemunhas, dificultam a atividade investigatÛria. Nesses casos, n„o tendo a autoridade policial avanÁado na persecuÁ„o, È comum que lance m„o da publicidade para que chegue ao autor do delito, ou atÈ mesmo da prova material de sua ocorrÍncia, divulgando atravÈs da imprensa escrita

(jornais, revistas,

eventual suspeito, formas de atuaÁ„o (modus operandi), veÌculos ou objetos utilizados na pr·tica das infraÁıes

penais, etc. [

fotografias, retratos falados, caracterÌsticas pessoais do

)

ou falada (televis„o, r·dio,

),

]

A despeito disso, a sigilação impera, como regra, no inquérito policial”.

AURY LOPES JR. (Direito processual penal, 13ª ed., São Paulo: Saraiva, 2018): “Destacamos que não existe sigilo

para o advogado no inquÈrito policial e n„o lhe pode ser negado o acesso ‡s suas peÁas nem ser negado o direito

‡ extraÁ„o de cÛpias ou fazer apontamentos. [

Assim, vejamos alguns aspectos interessantes: … um direito

do defensor: portanto, pode ser mantido o sigilo externo (para os meios de comunicaÁ„o, por exemplo). No

]

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

23

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 interesse

interesse do representado: logo, pode ser exigida procuraÁ„o para comprovaÁ„o da outorga de poderes e tambÈm justificar a restriÁ„o de acesso aos elementos que sejam do interesse de outros investigados n„o representados por aquele defensor (isso pode ser relevante na restriÁ„o de acesso aos dados banc·rios ou fiscais de outros investigados que n„o s„o representados por aquele advogado). Esse interesse È jurÌdico e vinculado ‡ plenitude do direito de defesa. Ter acesso amplo aos elementos de prova j· documentados: o acesso È irrestrito aos atos de investigaÁ„o (h· uma histÛrica confus„o conceitual, pois n„o s„o, propriamente, atos de prova, mas meros atos de investigaÁ„o), desde que j· documentados. Com isso, preserva-se o necess·rio sigilo aos atos de investigaÁ„o n„o realizados ou em andamento, como, por exemplo, a escuta telefÙnica em andamento ou um mandado de prisão ou busca e apreensão ainda não cumprido”.

1.5.4 Procedimento inquisitivo

O inquÈrito policial, como procedimento administrativo cuja única ‘consequência’ possÌvel ao investigado È o indiciamento (o que n„o lhe impıe, por si sÛ, quaisquer limitaÁıes aos seus direitos e garantias, tampouco vincula o dominus litis ou o juÌzo), e revestido de certo grau de sigilo para preservaÁ„o de sua efic·cia, apresenta-se como exemplo de ato baseado nos predicados do sistema inquisitorial 9 , n„o admitindo, portanto, e em regra, amplo contraditÛrio e defesa em seu bojo.

Conforme assenta EDILSON MOUGENOT BONFIM: O suspeito ou indiciado apresenta- se apenas como objeto da atividade investigatÛria, resguardados, contudo, seus direitos e garantias individuais(Bonfim, 2013).

Sobre o car·ter inquisitivo do inquÈrito policial, FERNANDO CAPEZ assevera:

Caracteriza-se como inquisitivo o procedimento em que as atividades persecutÛrias concentram-se nas m„os de uma ˙nica autoridade, a qual, por isso, prescinde, para a sua atuaÁ„o, da provocaÁ„o de quem quer que seja, podendo e devendo agir de ofÌcio, empreendendo, com discricionariedade, as atividades necess·rias ao esclarecimento do crime e da sua autoria.

O autor ainda complementa: “É secreto e escrito, e não se aplicam os princípios do contraditÛrio e da ampla defesa, pois, se n„o h· acusaÁ„o, n„o se fala em defesa” (Capez,

2018).

h· acusaÁ„o, n„o se f ala em defesa” (Capez, 2018). Percebe-se, ent„o, esse car·ter inquisitivo dos

Percebe-se, ent„o, esse car·ter inquisitivo dos inquÈritos como verdadeira regra geral dessa espÈcie de procedimento; todavia, como de costume no Direito, tal caracterÌstica comporta exceÁ„o, como bem aponta

NORBERTO AVENA:

Ressalva-se, como j· dissemos, o inquÈrito instaurado pela PolÌcia Federal, mediante requisiÁ„o do Ministro da JustiÁa, visando ‡ expuls„o de estrangeiro, hipÛtese em que o contraditÛrio È obrigatÛrio (arts. 102 e 103 do Decreto 86.715/1981), mitigando-se, portanto, nesse caso, o car·ter inquisitivo do procedimento (Avena, 2017).

Doutrina Complementar

PAULO RANGEL (Direito processual penal, 26ª ed., São Paulo: Atlas, 2018): “O car·ter inquisitivo do inquÈrito faz com que seja impossÌvel dar ao investigado o direito de defesa, pois ele n„o est· sendo acusado de nada, mas, sim, sendo objeto de uma pesquisa feita pela autoridade policial. A inquisiÁ„o d· ‡ autoridade policial a discricionariedade de iniciar as investigaÁıes da forma que melhor lhe aprouver. Por isto o inquÈrito È de forma livre. Não há regras previamente determinadas para se iniciar uma investigação”.

9 Estudado na aula anterior.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

24

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 R

RENATO MARC O (Curso de processo penal, 2™ ed., S„o Paulo: Saraiva, 2017) pondera que: “Embora ausentes a amplitude de defesa e o contraditÛrio pleno, nos moldes e com a intensidade incidentes no processo jurisdicional, n„o È correto dizer que n„o h· defesa na fase de inquÈrito, e isso resulta claro n„o apenas da leitura ao art. 14 do CPP, que assegura ao ofendido ou seu representante legal (e tambÈm ao indiciado) a possibilidade de requerer diligÍncias no curso das investigaÁıes, mas, sobretudo, do direito de n„o produzir prova contra si mesmo (ineg·vel atitude defensÛria); da faculdade de permanecer calado quando de seu interrogatÛrio (autodefesa negativa) ou apresentar a vers„o que convier ‡ sua defesa (autodefesa positiva), bem como de se fazer acompanhar de advogado, cuja atuaÁ„o, embora de contornos estreitos nessa fase, tem por objetivo exatamente evitar o cometimento de excessos em detrimento do investigado (v.g., colheita de prova de forma ilegal), podendo, na defesa de seus legÌtimos interesses, ajuizar mandado de seguranÁa e habeas corpus, sendo caso. Pois bem. Se h· defesa (embora limitada) como vimos que h·, È correto dizer que tambÈm h· contraditÛrio em alguma intensidade, ainda que tal não se verifique de forma plena”.

1.5.5 Oficialidade Decorre essa simples caracterÌstica de expressa previs„o na ConstituiÁ„o Federal, que, em seu artigo 144, ßß 1 , I e 4 , estabelece o Ûrg„o oficial com atribuiÁ„o para a conduÁ„o dos inquÈritos e sua presidÍncia:

Art. 144. A seguranÁa p˙blica, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, È exercida para a preservaÁ„o da ordem p˙blica e da incolumidade das pessoas e do patrimÙnio, atravÈs dos seguintes Ûrg„os:

ß 1 A polÌcia federal, instituÌda por lei como Ûrg„o permanente, organizado e mantido pela Uni„o e estruturado em carreira, destina-se a:

I - apurar infraÁıes penais contra a ordem polÌtica e social ou em detrimento de bens, serviÁos e interesses da Uni„o ou de suas entidades aut·rquicas e empresas p˙blicas, assim como outras infraÁıes cuja pr·tica tenha repercuss„o interestadual ou internacional e exija repress„o uniforme, segundo se dispuser em lei;

ß 4 ¿s polÌcias civis, dirigidas por delegados de polÌcia de carreira, incumbem, ressalvada a

competÍncia da Uni„o, as funÁıes de polÌcia judici·ria e a apuraÁ„o de infraÁıes penais, exceto as militares.

Desta forma, a presidÍncia dos inquÈritos policiais È atribuiÁ„o especÌfica dos delegados de polÌcia (federal, nas hipÛteses do ß 1 ; civil, conforme ß 4 ) em exercÌcio perante os respectivos Ûrg„os oficiais.

Oficialidade: trata-se de investigaÁ„o que deve ser realizada por autoridades e agentes integrantes dos quadros p˙blicos, sendo vedada a delegaÁ„o da atividade investigatÛria a particulares, inclusive por forÁa

Em nenhuma hipÛtese a atividade de presidÍncia desse inquÈrito

poder· ser realizada pelo juiz, sob pena de violaÁ„o ‡s regras que informam o sistema acusatÛrio. Este poder· apenas requisitar ao delegado de polÌcia a instauraÁ„o do inquÈrito, nos termos do art. 5. , II, do CPP. E tambÈm n„o poder· presidir o inquÈrito policial o MinistÈrio P˙blico, conforme se pronunciou o

da prÛpria ConstituiÁ„o Federal. [

]

Plen·rio do STF ao deliberar, em sede de repercuss„o geral, acerca do Recurso Extraordin·rio n. 593.727/MG (j. 14.05.2015) (Avena, 2017).

Doutrina Complementar

FERNANDO CAPEZ (Curso de processo penal, 24ª ed., São Paulo: Saraiva, 2018): “O inquérito policial é uma atividade investigatÛria feita por Ûrg„os oficiais, n„o podendo ficar a cargo do particular, ainda que a titularidade da aÁ„o penal seja atribuÌda ao ofendido”.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

25

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

1.5.6 Oficiosidade

0

AULA

00

SP P ROF . L EONARDO T AVARES 1.5.6 Oficiosidade 0 A ULA 00 O inquÈrito

O inquÈrito policial, nos crimes cuja aÁ„o penal È p˙blica incondicionada, constitui

procedimento oficioso; ou seja, exige atuaÁ„o da autoridade policial ex officio/independentemente de provocaÁ„o, como se depreende do art. 5 , I do CPP:

Art. 5 . Nos crimes de aÁ„o p˙blica o inquÈrito policial ser· iniciado:

I - de ofÌcio;

O delegado deve iniciar e conduzir (impulsionar) a investigaÁ„o de forma a alcanÁar

sua finalidade, independentemente da intervenÁ„o ou de requerimento/representaÁ„o de outras pessoas ou autoridades È seu ofÌcio (daÌ o nome).

Nas aÁıes penais p˙blicas condicionadas ‡ representaÁ„o e nas aÁıes penais privadas a regra (para o inÌcio) È outra: existem crimes que ofendem de tal modo a vÌtima em sua intimidade que o legislador achou por bem condicionar a persecuÁ„o criminal ‡ autorizaÁ„o desta, ou conferir-lhe o prÛprio direito de aÁ„o, a autoridade policial depende daquela permiss„o para poder atuar, eis que a prÛpria legislaÁ„o condicionou o inÌcio do inquÈrito a este requisito (art. 5 , ßß 4 e 5 , CPP)(T·vora, 2017).

Doutrina Complementar

EDILSON MOUGENOT BONFIM (Curso de processo penal, 7™ ed., S„o Paulo: Saraiva, 2012): Uma vez oferecida a notitia criminis ou seja, uma vez que a autoridade policial, por qualquer meio, tenha conhecimento da potencial pr·tica de infraÁ„o penal objeto de aÁ„o penal p˙blica incondicionada , estar· essa autoridade obrigada a instaurar, de ofÌcio, inquÈrito policial para sua investigaÁ„o. A obrigatoriedade decorre da redaÁ„o do art. 5 do CÛdigo de Processo Penal, que determina o seguinte: Nos crimes de aÁ„o p˙blica o inquÈrito policial ser· iniciado, n„o deixando margem, portanto, para a discricionariedade da autoridade policial. … indeclin·vel que a autoridade policial promova a capitulaÁ„o do fato investigado, e, conquanto tal capitulaÁ„o seja provisÛria e n„o vincule o MinistÈrio P˙blico, faz-se necess·ria, seja para justificar a decis„o inicial de instaurar o inquÈrito, seja ainda para a soluÁ„o de questıes incidentais relevantes de seu procedimento”.

NORBERTO AVENA (Processo Penal, 9ª edição, Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2017): “Oficiosidade:

ressalvadas as hipÛteses de crimes de aÁ„o penal p˙blica condicionada ‡ representaÁ„o e dos delitos de aÁ„o penal privada, o inquÈrito policial deve ser instaurado ex officio (independente de provocaÁ„o) pela autoridade policial sempre que tiver conhecimento da pr·tica de um delito (art. 5. , I, do CPP). Observe-se que a instauraÁ„o do inquÈrito policial justifica-se diante da notÌcia quanto ‡ ocorrÍncia de uma infraÁ„o penal, como tal considerada o fato tÌpico. Desimportam, assim, aspectos outros como, por exemplo, eventuais evidÍncias de ter sido o fato praticado ao abrigo de causas excludentes de ilicitude ou de culpabilidade. Ali·s, a respeito dessas questıes, sequer no relatÛrio, ao final do inquÈrito, franqueia-se o ingresso da autoridade policial, cabendo-lhe simplesmente relatar as diligÍncias investigatÛrias realizadas e apontar a tipificaÁ„o do fato apurado, se houver esse enquadramento.

1.5.7 Discricionariedade

Como j· abordado por ocasi„o do tÛpico 2.2 (sobre funÁ„o e finalidade do inquÈrito), esse procedimento administrativo n„o se desenvolve por uma sÈrie concatenada e petrificada de atos que devem ser rigorosamente seguidos sob pena de se incidir em nulidades muito pelo contr·rio, inclusive.

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

26

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 A

A discricionariedade que È completamente diferente de arbitrariedade È justamente a margem de liberdade, dentro dos limites legais, concedida ‡ autoridade policial na conduÁ„o dos trabalhos investigativos. Como bem pontua NESTOR T£VORA:

O delegado de polÌcia conduz as investigaÁıes da forma que melhor lhe aprouver. O rumo das diligÍncias

est· a cargo do delegado, e os arts. 6 e 7 do CPP indicam as diligÍncias que podem ou devem ser desenvolvidas por ele. A autoridade policial pode atender ou n„o aos requerimentos patrocinados pelo indiciado ou pela prÛpria vÌtima (art. 14 do CPP), fazendo um juÌzo de conveniÍncia e oportunidade quanto ‡ relev‚ncia daquilo que lhe foi solicitado (T·vora, 2017).

ConvÈm advertir para que se tenha cuidado com a relaÁ„o entre as caracterÌsticas da oficiosidade e discricionariedade, porquanto incidem em momentos diferentes do procedimento. Nesse sentido, NORBERTO AVENA:

A discricionariedade que caracteriza o inquÈrito n„o colide, portanto, com a oficiosidade, que tambÈm o

peculiariza. Esta ˙ltima refere-se ‡ obrigatoriedade de instauraÁ„o do inquÈrito em face da notÌcia de um crime que autoriza o agir ex officio do delegado, enquanto a primeira concerne ‡ forma de conduÁ„o das investigaÁıes, o que abrange tanto a natureza dos atos investigatÛrios (oitiva de testemunhas, perÌcias etc.) quanto a ordem de sua realizaÁ„o (Avena, 2017).

Portanto, a caracterÌstica da discricionariedade incide apÛs a instauraÁ„o do procedimento e se manifesta durante todo o seu decorrer; por sua vez, a oficiosidade È materializada nos momentos que antecedem ‡ instauraÁ„o (em relaÁ„o aos crimes de aÁ„o penal p˙blica incondicionada) e, ent„o, d· lugar ao car·ter discricion·rio para o desenvolvimento da investigaÁ„o e suas diligÍncias.

Doutrina Complementar

PAULO RANGEL (Direito processual penal, 26™ ed., S„o Paulo: Atlas, 2018): “A investigação pode ser feita com base em elementos de convicÁıes pessoais da autoridade, desde que utilizando-se da lei para a sua consecuÁ„o. Ou seja, n„o h· imposiÁ„o legal desta ou daquela forma para apurar o fato em quest„o. Qualquer ato arbitr·rio e n„o discricion·rio ser· corrigido judicialmente (habeas corpus, mandado de seguranÁa, representaÁ„o por abuso de autoridade etc.)”.

EDILSON MOUGENOT BONFIM (Curso de processo penal, 7™ ed., S„o Paulo: Saraiva, 2012): O delegado de polÌcia dever·, no entanto, realizar as diligÍncias requisitadas pelo juiz ou pelo MinistÈrio P˙blico (art. 13, II, do CÛdigo de Processo Penal). N„o estar· a autoridade policial, contudo, obrigada a realizar as diligÍncias requeridas pelo indiciado, pelo ofendido ou pelo representante legal deste ˙ltimo (art. 14 do CÛdigo de Processo Penal). Oportuno frisar que, a despeito de ser conferida discricionariedade ao delegado de polÌcia que conduzir· a investigaÁ„o, algumas medidas n„o podem ser determinadas por ele de ofÌcio, haja vista que necessitam de competente autorizaÁ„o judicial, tais como, verbi gratia, a busca e apreens„o e a interceptaÁ„o telefÙnica”.

1.5.8 Indisponibilidade

Uma vez instaurado o inquÈrito policial, a autoridade policial deve lev·-lo a cabo, n„o podendo dele dispor. Isso È consect·rio de expressa previs„o legal, conforme o artigo 17 do CÛdigo de Processo Penal, que dispıe:

Art. 17. A autoridade policial n„o poder· mandar arquivar autos de inquÈrito.

Como se ver· por ocasi„o do estudo do arquivamento do inquÈrito policial, nem o MinistÈrio P˙blico nem a autoridade policial determinam arquivamento de inquÈritos policiais (embora n„o seja incomum ouvir o errÙneo contr·rio mundo afora), cabendo ao

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

27

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 titular

titular da aÁ„o apenas a possibilidade de requerertal medida, cuja apreciaÁ„o È reservada ‡ autoridade judici·ria competente.

Desta forma, como bem conclui RENATO BRASILEIRO DE LIMA, “uma vez instaurado o inquÈrito policial, mesmo que a autoridade policial conclua pela atipicidade da conduta investigada, não poderá determinar o arquivamento do inquérito policial” (Lima, 2017).

… como se, diante da obrigatoriedade da aÁ„o penal p˙blica, diante do evidente interesse p˙blico no ofÌcio de elucidaÁ„o de crimes, esse procedimento investigatÛrio ‡ autoridade policial n„o fosse disponÌvel, dependendo, para seu encerramento, de um ato complexo (o arquivamento), integrado pela postulaÁ„o do parquet e pela chancela judicial.

Doutrina complementar

NESTOR T£VORA (Curso de direito processual penal, 11™ ed., Salvador: JusPodivm, 2016): A persecuÁ„o criminal È de ordem p˙blica, e uma vez iniciado o inquÈrito, n„o pode o delegado de polÌcia dele dispor. Se diante de uma circunst‚ncia f·tica, o delegado percebe que n„o houve crime, nem em tese, n„o deve iniciar o inquÈrito policial. DaÌ que a autoridade policial n„o est·, a princÌpio obrigada a instaurar de qualquer modo o inquÈrito policial, devendo antes se precaver, aferindo a plausibilidade da notÌcia do crime, notadamente aquelas de natureza apÛcrifa (delaÁ„o anÙnima). Contudo, uma vez iniciado o procedimento investigativo, deve lev·-lo atÈ o final, n„o podendo arquiv·-lo, em virtude de expressa vedaÁ„o contida no art. 17 do CPP”.

) uma vez

instaurado o inquÈrito, n„o pode a autoridade policial, por sua prÛpria iniciativa, promover o seu arquivamento

(art. 17 do CPP), ainda que venha a constatar eventual atipicidade do fato apurado ou a n„o detectar indÌcios que apontem ao investigado sua autoria. Em suma, o inquÈrito sempre dever· ser concluÌdo e encaminhado a juízo”.

NORBERTO AVENA (Processo Penal, 9™ ediÁ„o, Rio de Janeiro: Forense; S„o Paulo: MÈtodo, 2017): “(

CaracterÌsticas do inquÈrito policial • Inquisitivo • Sigiloso • Oficioso • Escrito • IndisponÌvel •
CaracterÌsticas do
inquÈrito policial
• Inquisitivo
• Sigiloso
• Oficioso
• Escrito
• IndisponÌvel
• Oficial
• Dispens·vel
• Discricion·rio
https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

28

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 1

1.6 ‘NOTITIA CRIMINIS’

Essencialmente e ao largo de espÈcies e requisitos que analisaremos na sequÍncia, todas as formas de inÌcio do inquÈrito policial decorrem de uma notitia criminis.

Notitia criminis, pela qual se inicia a investigaÁ„o, na liÁ„o de MAGALH ES NORONHA, “é o conhecimento que a autoridade policial tem de um fato aparentemente criminoso:

encontro de corpo de delito, flagrante, comunicaÁ„o de funcion·rio, publicaÁ„o da imprensa, informação de qualquer do povo etc.” (Noronha, 1995).

Na tradicional liÁ„o de JOS… FREDERICO MARQUES, “chama-se notitia criminis ao conhecimento espont‚neo ou provocado que tem a autoridade p˙blica da pr·tica de um fato delituoso”.

Com alguma divergÍncia na classificaÁ„o, basicamente a doutrina divide a notÌcia de crime como:

a) direta / de cogniÁ„o imediata / espont‚nea / inqualificada: quando a prÛpria autoridade policial, no exercÌcio do seu ofÌcio, por suas atividades rotineiras, toma conhecimento, por qualquer meio, da infraÁ„o penal; exemplos de JOS… FREDERICO

MARQUES:

A vox publica, as informaÁıes da imprensa, a investigaÁ„o de funcion·rio subalterno, a descoberta de um

cad·ver feita ocasionalmente, a comunicaÁ„o telefÙnica de algum acontecimento delituoso tudo isso s„o

exemplos de notitia criminis n„o provocada.

b) indireta / de cogniÁ„o mediata / provocada / qualificada: se d· por um ato jurÌdico com que alguÈm d· conhecimento de suposto crime a uma autoridade ou a um dos Ûrg„os de persecuÁ„o penal; exemplos:

J· a delaÁ„o da vÌtima, a den˙ncia de qualquer do povo, levada diretamente ‡ polÌcia, a representaÁ„o, o

“referto médico”, a requisição judicial ou do Ministério Público constituem formas de notitia criminis provocada, ou melhor, de notÌcia do crime consubstanciada num ato jurÌdico (Marques, 1980).

c) de cogniÁ„o coercitiva: quando a autoridade policial toma conhecimento do fato delituoso com a apresentaÁ„o do agente preso em flagrante e dever· lavrar o auto que dar· inÌcio ao inquÈrito policial.

Doutrina complementar

JOS… FREDERICO MARQUES (Tratado de Direito Processual Penal, vol. I, São Paulo: Saraiva, 1980) “O juiz, que tem notÌcia da pr·tica de um delito de aÁ„o p˙blica, deve levar o fato ao conhecimento dos Ûrg„os estatais a que

cabe a persecuÁ„o penal. A omiss„o dessa delatio criminis constitui um non fazere quod debeatur punÌvel atÈ como

O juiz que comunica um crime ‡ polÌcia ou ao MinistÈrio P˙blico est· apenas desincumbindo-

se de uma obrigaÁ„o funcional, como autoridade p˙blica que È, e nunca exercendo quaisquer das atribuiÁıes

que lhe est„o afetas como juiz, no cargo que se acha investido. Ao comunicar a existÍncia de um crime a qualquer dos Ûrg„os persecutÛrios do Estado, ele n„o est· praticando um ato da sua funÁ„o de juiz nem se sobrepondo ao MinistÈrio P˙blico como autoridade encarregada de promover a persecutio criminis em juÌzo. [ ] Para o juiz desobrigar-se do dever, cujo exercÌcio o art. 40 disciplina e regulamenta, pode ele determinar, nos autos do processo onde encontrou as peÁas reveladoras do delito, que se faÁa a respectiva remessa ao MinistÈrio P˙blico, o que constitui cautela de sumo relevo para mostrar que o magistrado cumpriu com perfeita exaÁ„o seu dever funcional. ImprescindÌvel n„o È, entretanto, que ele assim proceda: por determinaÁ„o feita fora dos autos, pode ele tambÈm dar cumprimento a essa obrigaÁ„o. Se a remessa da notitia criminis refoge de suas

ilÌcito penal. [

]

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

29

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 atribuiÁıes

atribuiÁıes estritamente judici·rias, e sobretudo de sua funÁ„o jurisdicional, motivo n„o existe para constar dos autos qualquer providência que nesse sentido seja tomada”.

EDILSON MOUGENOT BONFIM (CÛdigo de Processo Penal Anotado, 5ª ed., São Paulo: Saraiva, 2015) “A doutrina identifica quatro tipos de notitia criminis, conforme a situaÁ„o em que a autoridade toma conhecimento do fato potencialmente criminoso: a) Direta, espont‚nea ou de cogniÁ„o imediata. Ocorre quando a autoridade policial toma diretamente ciÍncia do fato, em raz„o do exercÌcio de sua atividade funcional. O conhecimento do fato criminoso, portanto, È espont‚neo, como nos casos em que desenvolve investigaÁıes sobre determinado crime, ou dele sabe pela vox populi (J. Frederico Marques, Elementos de direito processual penal, 2. ed., v. 1, p. 134), atravÈs da imprensa (jornais, r·dios, TV), por um encontro casual do produto de um roubo ou de um cad·ver etc. b) Indireta, provocada ou de cogniÁ„o mediata. … o caso em que o fato È relatado ‡ autoridade policial por iniciativa de terceiros. O relato de fato potencialmente criminoso poder· ser comunicado ‡ autoridade por qualquer meio (requerimento da vÌtima ou de seu representante legal, representaÁ„o, bem como requisiÁ„o do juiz ou do MinistÈrio P˙blico v. hipÛteses do art. 5 , II e ßß 1 , 3 e 5 , dentre outros). c) Coercitiva. … aquela que ocorre nos casos de pris„o em flagrante, apresentando-se o autor do crime ‡ autoridade policial (CPP, art. 302 e incisos). Na verdade, essa modalidade de notitia criminis poder· configurar-se como modalidade de notitia criminis direta ou indireta, conforme participe ou n„o do flagrante a prÛpria autoridade policial. Pode ocorrer tanto nos casos de aÁ„o p˙blica condicionada como incondicionada, e ainda nas hipÛteses de aÁ„o privada, caso este em que, para a lavratura do auto flagrancial, È exigÌvel a observaÁ„o dos requisitos do art. 5 , ßß 4 e 5 , do CPP. d) Delatio criminis. A autoridade policial agir· por ter sido noticiada por qualquer do povo para providÍncias e solicitaÁ„o de puniÁ„o do respons·vel. N„o age a autoridade porque investigou, ou porque a vÌtima ou o Estado, por intermÈdio do MP ou do juiz, provocou, ou por meio de uma pris„o em flagrante, mas pela atuação de uma pessoa que tomou conhecimento do fato punível e pediu providências para a punição”.

1.7 INSTAURA« O DO INQU…RITO

A disciplina em relaÁ„o ‡s formas pelas quais se inicia o inquÈrito policial consta do

art. 5 do CÛdigo de Processo Penal e o tema n„o comporta dificuldades.

Art. 5 Nos crimes de aÁ„o p˙blica o inquÈrito policial ser· iniciado:

I - de ofÌcio;

II - mediante requisiÁ„o da autoridade judici·ria ou do MinistÈrio P˙blico, ou a requerimento

do ofendido ou de quem tiver qualidade para represent·-lo.

ß 1 O requerimento a que se refere o no II conter· sempre que possÌvel:

a) a narraÁ„o do fato, com todas as circunst‚ncias;

b) a individualizaÁ„o do indiciado ou seus sinais caracterÌsticos e as razıes de convicÁ„o ou de presunÁ„o de ser ele o autor da infraÁ„o, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;

c) a nomeaÁ„o das testemunhas, com indicaÁ„o de sua profiss„o e residÍncia.

ß 2 Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquÈrito caber· recurso para o chefe de PolÌcia.

ß 3 Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existÍncia de infraÁ„o penal em que caiba aÁ„o p˙blica poder·, verbalmente ou por escrito, comunic·-la ‡ autoridade policial, e esta, verificada a procedÍncia das informaÁıes, mandar· instaurar inquÈrito.

ß 4 O inquÈrito, nos crimes em que a aÁ„o p˙blica depender de representaÁ„o, n„o poder· sem ela ser iniciado.

ß 5 Nos crimes de aÁ„o privada, a autoridade policial somente poder· proceder a inquÈrito a requerimento de quem tenha qualidade para intent·-la.

A forma de inÌcio do inquÈrito, como percebemos da leitura do artigo 5 , depende

essencialmente da natureza do crime a ser investigado. Importa saber, para efeito de inÌcio

https://www.facebook.com/prof.leotavares prof.leotavares@gmail.com
https://www.facebook.com/prof.leotavares
prof.leotavares@gmail.com

00000000000 - DEMO

30

PROCESSO PENAL

PREPARAT”RIO: PROCURADORIA GERAL DO MUNICÕPIO SP PROF. LEONARDO TAVARES

0

AULA

00

DO M UNICÕPIO SP P ROF . L EONARDO T AVARES 0 A ULA 00 de

de investigaÁ„o, se o crime È de aÁ„o penal p˙blica (condicionada ou incondicionada) ou de aÁ„o penal privada isso interfere diretamente.

Nesse contexto, convÈm relembrar o que diz o CÛdigo Penal quanto ‡ caracterizaÁ„o das aÁıes penais:

Art. 100 - A aÁ„o penal È p˙blica, salvo quando a lei expressamente a declara privativa do ofendido.

ß 1 - A aÁ„o p˙blica È promovida pelo MinistÈrio P˙blico, dependendo, quando a lei o exige, de representaÁ„o do ofendido ou de requisiÁ„o do Ministro da JustiÁa.

ß 2 - A aÁ„o de iniciativa privada È promovida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade para represent·-lo.

Sintetizando, ent„o, podemos pensar assim: regra geral os crimes s„o processados mediante aÁ„o penal que È p˙blica e n„o depende de condiÁ„o alguma (incondicionada); se houver necessidade de alguma condiÁ„o (representaÁ„o da vÌtima/requisiÁ„o de Ministro), ou mesmo se o crime for de aÁ„o penal privada, a lei deve expressamente isso consignar 10 . Essas eventuais condicionantespara a aÁ„o se aproveitam totalmente para a investigaÁ„o. A persecuÁ„o penal, para seu inÌcio, depende disso.

Sendo assim, a iniciativa para a instauraÁ„o do inquÈrito policial tambÈm poder· estar condicionada ‡ manifestaÁ„o de vontade daquele a tanto indicado pela Lei (em regra, no CPP), caso especÌfico das aÁıes p˙blicas condicionadas e das aÁıes penais privadas, j· que seria absolutamente in˙til e dispendiosa a investigaÁ„o de um fato criminoso que n„o pudesse ser submetido ao Poder Judici·rio, por desinteresse ou por qualquer outra raz„o deixada ‡ disponibilidade do ofendido (ver art. 24, art. 31 e art. 33, todos do CPP) (Pacelli, et al., 2018).