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ÉTICA NAS EMPRESAS: um diferencial competitivo no mercado brasileiro

Laura Magalhães de Andrade


Doutoranda PPGDIN/UFF. Mestre em Direito e Políticas Públicas
Lauramagalhaes.adv@gmail.com

Karina Guimarães Cavalcanti


Graduanda UFRRJ
Karinaguimi@gmail.com

Ética e gestão empresarial são termos de difícil conceituação, devido seu caráter
subjetivo e pelo fato de serem totalmente interligados quando se trata da organicidade e
fluidez das relações no corpo social. A ética condiz com as condutas dos indivíduos que
levam às suas ações perante a sociedade, sendo esta pautada em expressões de
diversidade. Essa diversidade abarca diferentes formas de pensar, agir, se comunicar e
relacionar, interferindo diretamente nas instituições sociais. Tais instituições necessitam
de uma gestão, que haja com ética e respeite essa diversidade, gerando benefícios de
mão dupla, principalmente ao se tratar de empresas. Nesse passo, o presente estudo
possui como objetivo demonstrar a importância da ética nas relações sociais,
essencialmente abordando o relacionamento entre uma empresa e seus clientes. São
objetivos específicos: (i) demonstrar que as noções de lucro e ética empresarial não
seguem caminhos distintos; (ii) verificar como tais conceitos podem estar totalmente
interligados, a fim de que sejam capazes de alavancar o crescimento de uma empresa; e
(iii) avaliar como o compliance pode ser um instrumento de efetividade nesse processo.
Para tanto, tem-se como hipótese a existência de uma conexão primordial entre ética e
lucro, insipiente muitas vezes em termos práticos, mas que pode se transformar em um
potencial fator diferencial competitivo dentro do mercado financeiro brasileiro. Foram
utilizados os métodos descritivo, dedutivo e jurídico-doutrinal, para revelar que a ética
empresarial consiste na transparência de uma organização perante seu público,
preocupando-se com as demandas da população e tendo sua conduta orientada pela
responsabilidade social e ambiental. É certo que a busca incessante pelo lucro dentro do
sistema insaciável capitalista vem crescendo exponencialmente. Tal fator faz com que
muitos empresários reproduzam padrões antiéticos, como sonegação, desvios
financeiros, explorações trabalhistas e ambientais em busca de rápidos resultados,
entretanto, estão fadados ao fracasso, visto que tal procedimento não funciona a longo
prazo. Por conta de inúmeros episódios de imoralidade, a ética empresarial tornou-se
um fator de diferencial competitivo entre as empresas, visto que se tornam referências
de confiança dentro do mercado, gerando um bom marketing de relacionamento e
espalhando uma boa imagem entre seus clientes. Valores como organização,
responsabilidade, preocupação com a demanda social e meio ambiente agregam valor à
marca, ganhando maior credibilidade perante a concorrência, que não possui um
pensamento de construir uma boa relação de confiança e estabilidade em longo prazo, e
obter seus lucros gradativamente. Verificar-se-á, ao final, que tal entendimento e
aplicação geram benefícios tanto para os sócios quanto para a sociedade, que vê suas
necessidades sendo correspondidas dentro de um ambiente de respeito e transparência.
Afinal, empresas não são institutos isolados, mas sim setores que vivem organicamente
com todos os outros institutos sociais, que trabalham juntos, sistematicamente. Fatores
como prestações de conta, atendimento ao feedback dos clientes para uma evolução
institucional, respeito às diversidades, garantia de direitos trabalhistas e respeito ao
meio ambiente são indiscutivelmente diferenciais dentro do mercado, chamando a
atenção de clientes em potencial e investidores.

Palavras-chave: Ética; Gestão empresarial; Compliance; Transparência.