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Unidade 1 – Direito de Família

1.1 Origem, evolução histórico e concepção moderna.


1.2 Noção de Direito de Família.
1.3 Conteúdo e caracteres.
1.4 Conceito.
1.5 Natureza do Direito de Família.

Unidade 2 – Esponsais ou Promessa de Casamento

2.1 Conceito.
2.2 Efeitos da ruptura do casamento no Direito Brasileiro.

Unidade 3 – Casamento

3.1 Conceito
3.2 Breve Histórico
3.3 Natureza Jurídica
3.4 Caracteres e fins essenciais.
3.5 Casamento civil e religioso.

Unidade 4 – Habilitação

4.1 Requisitos e pressupostos matrimoniais.


4.2 Processo de habilitação.

Unidade 5 – Impedimentos Matrimoniais

5.1 Conceito.
5.2 Classificação.
5.3 Impedimentos dirimentes públicos ou absolutos.
5.4 Impedimentos dirimentes privados ou relativos.
5.5 Impedimentos impedientes ou proibitivos.
5.6 Oposição dos impedimentos matrimoniais.

Unidade 6 – Celebração do Casamento

6.1 Solenidades.
6.2 Casamento nuncupativo.
6.3 Casamento por procuração.
6.4 Casamento religioso com efeitos civis.
6.5 Casamento perante a Autoridade Diplomática ou Consular.
6.6 Prova específica e posse do estado de casado.
6.7 Prova do casamento realizado no exterior.

Unidade 7 – Efeitos Jurídicos do Casamento

7.1 Efeitos do casamento em geral.


7.2 Efeitos patrimoniais.
7.3 Deveres de ambos os cônjuges.
7.4 Direitos e deveres do marido, casos de outorga uxória e de seu suprimento.
Unidade 8 – Ineficácia do Casamento

8.1 Distinção entre casamento nulo e anulável.


8.2 Titularidade para ação de nulidade absoluta do casamento, efeitos da boa-fé e da
má-fé dos cônjuges no casamento nulo.
8.3 Casamento Putativo.
8.4 Casamento nulo, hipóteses de nulidade absoluta do casamento, efeitos da boa-fé
e da má-fé no casamento nulo.
8.5 Casamento anulável, casos em que o casamento pode ser anulado, prazos para a
propositura da ação de anulação de casamento.

Unidade 9 – Regime de Bens

9.1 Conceito
9.2 Regime de comunhão universal de bens, bens comuns e bens incomunicáveis,
bens reservados da mulher que exerce profissão lucrativa, dissolução da comunhão.
9.3 Regime de comunhão parcial de bens, bens particulares e bens comuns,
aqüestros.
9.4 Regime total de bens.
9.5 Regime de separação de bens, incomunicabilidade das dívidas, contribuição da
mulher para os encargos do lar.
9.6 Pacto antenupcial, estipulações permitidas e estipulações proibidas, formalidades
e eficácia.
9.7 Regime Legal.
9.8 Regime Obrigatório da separação.
9.9 Doações antenupciais, doações pelos próprios cônjuges e por terceiros.

Unidade 10 – Concubinato

10.1 Concubina, companheira e convivente, distinções na jurisprudência.


10.2 Reconhecimento da sociedade de fato, dissolução.
10.3 União Estável.
10.4 Uso do nome do companheiro pela concubina.

Unidade 11 – Parentesco

11.1 Parentesco em linha reta e em linha colateral.


11.2 Sistema de contagem dos graus.
11.3 Parentesco por consangüinidade e por afinidade.
11.4 Parentesco Legítimo e Ilegítimo.

Unidade 12 – Filiação

12.1 Espécies.
12.2 Filiação legítima, regras gerais, prova de filiação legítima, legitimação, efeitos
jurídicos.
12.3 Filiação ilegítima, reconhecimento de filho ilegítimo, investigações de
paternidade e de maternidade.
12.4 Adoção, modalidades, requisitos.

Unidade 13 – Pátrio Poder


13.1 Titulares e pessoas sujeitas ao pátrio poder.
13.2 Deveres dos pais quanto à pessoa e bens dos filhos menores.
13.3 Usufruto legal.
13.4 Limitações quanto à disposição dos bens dos filhos.
13.5 Suspensão, perda e extinção do pátrio poder.

Unidade 14 – Dissolução da Sociedade Conjugal

14.1 Separação consensual e litigiosa.


14.2 Partilha de bens.
14.3 Efeitos quanto à pessoa dos filhos.
14.4 Restabelecimento da sociedade conjugal.
14.5 Conservação da separação em divórcio.
14.6 Divórcio direto.
14.7 Separação de corpo.

Unidade 15 – Alimentos

15.1 Natureza jurídica da prestação alimentar.


15.2 Pressupostos.
15.3 Modalidades.
15.4 Viabilidade.
15.5 Inexecução da prestação.

Unidade 16 – Tutela

16.1 Modalidades.
16.2 Exercício da tutela.
16.3 Cessação e prestação de contas.

Unidade 17 – Curatela

17.1 Modalidades.
17.2 Pessoas sujeitas à curatela.
17.3 Exercício da curatela.
17.4 Validade dos atos praticados pelo interditando antes da interdição.
17.5 Cessação da curatela.

Unidade 18 – Ausência

18.1 Administração provisória dos bens do ausente.


18.2 Limites para efeito matrimonial, à presunção de morte do ausente.

Bibliografia Recomendada:

RIZZARDO, Arnaldo. Direito de Família

Unidade 1 – Direito de Família

1.1 Origem, evolução histórico e concepção moderna.


A monogamia é uma imposição social. Se não houvesse esta imposição social o
homem praticaria relações sexuais com várias pessoas (Poligamia).
A primeira figura familiar que se teve na história, foi a da “grande família” do direito
romano, comandada pelo “Paterfamílias”.
Após este grande grupo familiar romano, surgiu ao longo da evolução da mulher, a
chamada “Família Nuclear”, que era aquela família composta por somente um grau de
parentesco (Pai/ Mãe/Filho). A evolução da mulher é a evolução da sociedade.
Após esta visão de família nuclear, passou-se a ter uma terceira visão de família
denominada de “família monoparental”, que era aquela família composta por somente
um dos pais e seus respectivos filhos. Este é o modelo de família mais expressivo nos
dias de hoje. É a fase onde a mulher se desprende do marido, e, passa a viver com
seus filhos sozinha.
A evolução da mulher foi o fator determinante na evolução da família.

Família Gaúcha – Características:

1- Estágio: Etapa em que a mulher dá liberdade ao marido, para que este cuide dos
afazeres domésticos (Estágio do jantar).
2- Estágio: Etapa em que o homem começa a cuidar também dos filhos (Estágio em
que o homem começa a trocar as fraldas do bebê).
3- Estágio: Etapa em que a mulher começa a buscar a sua satisfação sexual na cama
também Estágio do Orgasmo feminino).

PAI MÃE FILHOS


- Sustento. - Sustento. - Sustento da família ( em alguns casos)
- Filhos. - Filhos. - Cuidam do Pai e da Mãe.
- Limitador. - Conciliador. - Conciliador, no caso de uma briga dos pais.
- Decisão - Decisão - Opinião, porém no momento em que passa a trabalhar, e botar
dinheiro dentro de casa, ele passa também a ter voto, dentro das decisões familiares.

Obs: A família gaúcha ainda é uma família tradicional, pois “aparentemente”em


razão dos costumes e da cultura é o homem que manda.

Casamento:

O casamento é um contrato, pois gera direitos e deveres para ambas as partes. O


casamento é solene.

Plano de validade:

Existência: Homem X Mulher ( Haverá casamento quando ocorre uma união entre
homem e mulher). Existe uma corrente que não admite a união entre homossexuais).

Validade: No plano da validade o ato é válido quando as partes têm capacidade,


objeto lícito, e forma legal. A invalidade se subdivide em nulo e anulável. O ato é nulo
quando as partes são absolutamente incapazes, o objeto é ilícito ou impossível, ou não
obedecer a forma legal. O Ato é anulável quando celebrado por relativamente incapaz,
ou quando houvesse algum vício de consentimento.
Eficácia: É a produção de efeitos. Ex: todo ato condicional só produz efeitos após o
acontecimento da condição. Os atos nulos, via de regra, não produzem efeitos, porém
existem algumas exceções: Efeitos “ex tunc”: Retroage nulidando os fatos praticados
antes. Os atos anuláveis tem efeitos “ex nunc”, o que já foi praticado é válido.

Eficácia do casamento nulo: O casamento nulo produz efeitos.

Caso: Se um tio e uma sobrinha conseguirem um atestado de um médico, que


assegure uma filiação saudável, o casamento pode ser autorizado.

1. Nulo – I a VIII – Autoridade


O ato é nulo quando for celebrado por absolutamente incapaz, objeto ilícito e forma
ilegal.
O casamento nulo produz efeitos, vinculados a pessoa dos filhos, e, aos efeitos
vinculados ao regime de bens.

Nota: UNIÃO ENTRE HOMOSSEXUAIS:

A segunda corrente defende que não é válido o casamento entre homossexuais,


porque o objeto não é lícito.Diz respeito a validade do objeto. A primeira corrente
defende que o casamento entre homossexuais não existe, pois, para que o casamento
exista, este deve ser realizado entre um homem e uma mulher.Esta diz respeito à
existência.

O casamento tem causas específicas de nulidade:


Art. 183 - Não podem casar (arts. 207 e 209):
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo,
natural ou civil;

Depois de desfeito o casamento, se poderia casar com a sogra? Não, pois ela
continua sendo parente na linha ascendente. Agora com a cunhada pode.

II - os afins em linha reta, seja o vínculo legítimo ou ilegítimo;


III - o adotante com o cônjuge do adotado e o adotado com o cônjuge do adotante
(art. 376);

*Se refere as relações do adotado e adotante. Com a Cf/88 todos são chamados de
filhos sem nenhum tipo de distinção.
IV - os irmãos, legítimos ou ilegítimos, germanos ou não, e os colaterais, legítimos ou
ilegítimos, até o terceiro grau inclusive;
*Não existe mais discriminação em relação a filiação, pela Cf/88. Não existe mais
diferenciação entre filho legítimo e ilegítimo. Não pode haver mais nenhuma espécie de
discriminação. O tio não pode casar com a sobrinha, como regra, pois, existe uma
relação de parentesco de terceiro grau. Mesmo havendo esta proibição é possível um
tio e uma sobrinha ( Terceiro Grau), casarem, se estes conseguirem um laudo de dois
médicos assegurando que haverá uma filiação saudável. Primos irmãos já podem
casar, pois possuem uma relação de parentesco de quarto grau.
V - o adotado com o filho superveniente ao pai ou à mãe adotiva (art. 376);
VI - as pessoas casadas (art. 203);
* Haja vista que no Brasil é proibida a bigamia. O nosso ordenamento jurídico é
fundamentado na monogamia. A separação judicial não autoriza ninguém a contrair
novo casamento. Somente após o efetivo divórcio se pode casar.
VII - o cônjuge adúltero com o seu co-réu, por tal condenado;
*É uma penalidade a ser aplicada ao cônjuge adúltero. Segundo Jamil Bannura, não
existe a necessidade de sentença transitada em julgado no âmbito penal, e, sim, a
mera condenação no âmbito civil.
VIII - o cônjuge sobrevivente com o condenado como delinqüente no homicídio, ou
tentativa de homicídio, contra o seu consorte;
*Os amantes que montam um assacinato do cônjuge que estavam atrapalhando a
relação deles.

Temos também a nulidade por órgão competente.

2. Anulável – IX a XII (art.183 CC).

O Ato é anulável quando celebrado por relativamente incapaz, ou quando houvesse


algum vício de consentimento.

Art. 183 - Não podem casar (arts. 207 e 209):


IX - as pessoas por qualquer motivo coactas e as incapazes de consentir, ou
manifestar, de modo inequívoco, o consentimento;

* Vício de vontade. Pessoas coagidas ou pessoas impedidas de manifestar a sua


vontade.Se ele não alegar a coação este casamento será válido.

X - o raptor com a raptada, enquanto esta não se ache fora do seu poder e em lugar
seguro;
* Rapto e seqüestro: A diferença entre seqüestro e rapto, é que neste existe um fim
libidinoso. O código quer impedir a fuga dos namorados para casar, sem o
consentimento dos pais. Se os filhos forem maiores, ou seja, tiverem capacidade para
casar , não pode ser configurado como rapto.

XI - os sujeitos ao pátrio poder, tutela ou curatela, enquanto não obtiverem, ou lhes


não for suprido o consentimento do pai, tutor, ou curador (art. 212);
* A pessoa relativamente incapaz , que precisa de um consentimento do tutor ou
curador para casar. Quando há um dissenso entre as vontades, prevalesce a vontade
daquele que estiver com a guarda.
XII - as mulheres menores de 16 (dezesseis) anos e os homens menores de 18
(dezoito);
* A capacidade para casar é diferente da capacidade civil ( Maior de 18 homem –
Maior de 16 mulher) Menor de 16 anos mulher, e, menor de 18 anos homem, somente
com autorização judicial. A mulher amadurece mais cedo que o homem ( mental e
sexual), por isto que a idade permitida para casamento dela é de 16 anos. Com menos
de 14 anos se autoriza o casamento, mas autoriza-se que estes vivam juntos.
XIII - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer
inventário dos bens do casal (art. 225) e der partilha aos herdeiros;
XIV - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido
anulado, até 10 (dez) meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da
sociedade conjugal, salvo se antes de findo esse prazo der à luz algum filho;
Até 10 meses após a viuvez ou após a nulidade do casamento, não se pode contrair
novo matrimônio.
XV - o tutor ou curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou
sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou
curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas, salvo permissão paterna ou
materna manifestada em escrito autêntico ou em testamento;
XVI - o juiz, ou escrivão e seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou
sobrinhos, com órfão ou viúva, da circunscrição territorial onde um ou outro tiver
exercício, salvo licença especial da autoridade judiciária superior.

Erro essencial quanto à pessoa do outro cônjuge: é este o motivo preponderante na


anulabilidade de casamento. Significa que a pessoa casou com alguém , e que este
alguém se revelou posteriormente. Esse erro essencial está elencado no Art.219,CCB.

Art. 219 - Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:


I - o que diz respeito à identidade do outro cônjuge, sua honra e boa fama, sendo
esse erro tal, que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao
cônjuge enganado;
* O motivo do erro não pode ser conhecido antes do casamento, se este for
conhecido, não se pode alegar a anulabilidade. Tem de ser ignorante em relação a este
motivo. Não basta só desconhecer, e, quando for conhecido este motivo a vida se
tornar insuportável.
* A identidade não se refere apenas ao nome, mas, como a personalidade tb.
Infidelidade é um motivo clássico de separação por erro de identidade.
II - a ignorância de crime inafiançável, anterior ao casamento e definitivamente
julgado por sentença condenatória;
* A pessoa que casa com um condenado por crime inafiançável. Isto para evitar que
o condenado esconda o crime.
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável ou de
moléstia grave e transmissível, por contágio ou herança, capaz de por em risco a
saúde do outro cônjuge ou de sua descendência;
* Não há exame de saúde obrigatório no casamento. Quando se casa com alguém e
descobre que esta é portadora de algo (aids, por exemplo).
IV - o defloramento da mulher, ignorado pelo marido.
* Este inciso está derrogado com vistas ao princípio constitucional da igualdade (Art.5
,I,CF). Eles enquadram no inciso primeiro, respeito a igualdade, identidade e boa
fama. Agora se este erro de identidade torna a vida conjugal insuportável é motivo de
anulabilidade.

3. Casamento de boa-fé

O casamento contraído de boa fé: O cônjuge de boa fé aproveita todos os efeitos do


casamento.

Obs: Provoca a nulidade do casamento, ambos voltando ao estado civil de solteiro.


Porém o cônjuge de boa-fé, pode se fazer valer de todos os efeitos do casamento, ou
seja, se este que agiu de má-fé tiver bens, será obrigado a dividi-los conforme o
regime de casamento estabelecido.

4. Parentesco

I. Formação do vínculo:

a)Natural: é o chamado parentesco biológico, consangüíneo.


b)Civil (LEGAL): é o parentesco decorrente da adoção. Antes de CF/88 o adotado
tinha vínculos somente com o adotante, hoje vincula toda a família. Este parentesco
por adoção não tem mais diferenciação, com filho biológico, consangüíneo.

c)Afinidade: é o parentesco que se estabelece entre o cônjuge, e os parentes do


outro cônjuge. NÃO HÁ PARENTESCO DE ESPÉCIE ALGUMA ENTRE OS PARENTES DE
UM CÔNJUGE COM OS PARENTES DO OUTRO CÔNJUGE.

Obs: cônjuges não são parentes.

II. Linha Reta (PAI PARA FILHO) é aqueles que ascendem e descendem do mesmo
tronco comum. Essa linha reta se conta por graus. Na linha reta tanto faz dizer
ascendente e descendente.

Bisavô Þ Avô Þ Pai Þ Filho Þ NetoÞ Tetraneto


(1) (2) (3) (4) (5)
Descendente Ascendente

José (Pai) Ü João (Filho) Ü Maria (Neto) Ü Joana (Bisneta).


(1) (2) (3)
Joana é parente na linha reta ascendente de terceiro grau de José.

III Linha Colateral

Uma pessoa de uma linha com outra pessoa de outra linha é colateral. Irmão é
colateral.

O que dificulta é a forma de contagem do grau colateral.


Primeiro passo: Qual o ascendente comum, e este será o vértice.

Em tese são parentes na linha colateral de sétimo grau, porém o parentesco na linha
colateral vai até sexto grau. Pelo sistema brasileiro estes não são mais parentes.

A
æö
BC
½½
DF
½
E

OBS: “E” é parente de “F” na linha colateral 5 grau.


IV Afinidade:

Não há parentesco entre os parentes de um cônjuge, e o de outro. O parentesco por


afinidade não se extingue, este se mantêm pelo resto da vida.

Exemplo de Linha Colateral Por Afinidade:

A
æö
BC¾D

OBS: “B” é parente de “D” na linha colateral 2 grau por afinidade.

Exemplo de Linha Reta Por Afinidade:

A
½
B
½
C
½
D¾X
½
E

“A”é parente na linha reta 3 grau por afinidade.

Exercício Utilizado na Prova:

João ¾ Maria Hélia ¾ Igor


ßß
Adão ¾ Barbie ¾ Cassandra ¾ Dinamarco Û Elisabeth ¾ Guilherme ¾ Fernando
ßßß
Sílvia Û Leandro ¾ Júlio Yuri ¾ Wilhiam Marcelo ¾ Nelson ¾ Oscar
ßßß
Tati ¾ Ulisses ¾ Victor José Paulo¾ Quelvan
ßß
Xandi ¾ Zeno Romualdo

A) Xandi e Júlio: Parente na linha colateral 4 grau

B)Hélia e Romualdo:Parente na linha reta 4 grau .


C) Oscar e Wilhiam: Parente na linha colateral 4 grau

D) Adão e Elisabeth: Parente na linha colateral 2 grau por afinidade.

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Aula da Professora Substituta:

1) Grau: Linha Reta Descendente: Filho


Linha Reta Ascendente: Pai
Linha Colateral: Não Existe

2) Grau: Linha Reta Descendente: Neto


Linha Reta Ascendente: Avô
Linha Colateral: Irmão

3) Grau: Linha Reta Descendente: Bisneto


Linha Reta Ascendente: Bisavô
Linha Colateral: Tio e Sobrinho

4) Grau: Linha Reta Descendente: Trineto


Linha Reta Ascendente: Trisavô
Linha Colateral: Primo, Tio- Avô, Sobrinho- Neto.

Impedimentos Matrimoniais:

®O impedimento é uma proibição legal para contrair o matrimônio.


® O impedido de casar, não é Incapaz para o casamento.
®A Incapacidade é geral ao passo que o impedimento é circustâncial.
Ex: O impedimento resultante do parentesco gera uma privação
para contrair matrimônio com aquela pessoa a quem está vinculado pelo laço.
® O impedimento vem a ser uma incapacidade especial para determinada pessoa,
em determinada situação.
Ex: O Pai não pode vender bens a um de seus filhos, mas não está impedido de
alienar seu patrimônio.
® O que lhe falta é a legitimação para o caso concreto.

Espécies:

I. Dirimentes:

a) Públicos: Se opõe a interesses públicos. Qualquer pessoa pode impor o


impedimento, pois atingem a sociedade. Agora os impedimentos particulares somente
determinadas pessoas podem fazer.

1) De Parentesco: Os parentes que se casam em grau proibido, praticam, INCESTO.


Os impedimentos resultantes do parentesco consangüineo nem sempre atingem a
finalidade na prática. O impedimento entre parentes afins, só existe para impossibilitar
que se realize entre aqueles que estão em linha reta (Sogro e sogra). Assim, os
cunhados podem casar.

2) De Vínculo: Particulariza-se nos casos de BIGAMIA que sempre se caracteriza


quando o outro matrimônio ainda não está dissolvido (Morte ou Divórcio).

3) De Adultério: Não é impedimento absoluto. No Projeto do Códgo Civil, já não mais


existe tal impedimento.

4) De Crime: Nestes casos (Quando uma pessoa tenha sido condenada pelo
homicídio do cônjuge do outro), não se exige a configuração do adultério.

b) Privados (nubentes): Se opõe a interessados particulares.

1) Erro ou Coação:
2) Ausência de consentimento paterno:
3) Idade:

“Quando o casamento for contraído com a infringência de um impedimento ele será


inválido”.

Infringência de Direito Público ® NULO


Infringência de Direito Privado ® ANULÁVEL

II. Impedientes ou Proibitivos:


1) Inobservância do prazo da viúvez.
2) Falta de inventário se o viúvo tiver filho do cônjuge falecido.
3) Vínculo da tutela.

® Impedimento Absoluto: Art.183, I a VIII + Art.207, CCB.

Art. 207 - É nulo e de nenhum efeito, quanto aos contraentes e aos filhos, o
casamento contraído com infração de qualquer dos ns. I a VIII do art. 183.
Art. 189 - Os impedimentos do art. 183, I a XII, podem ser opostos:
I - pelo oficial do registro civil (art. 227, III);
II - por quem presidir à celebração do casamento;
III - por qualquer pessoa maior, que, sob sua assinatura, apresente declaração
escrita, instruída com as provas do fato que alegar.
Parágrafo único - Se não puder instruir a oposição com as provas, precisará o
oponente o lugar, onde existam, ou nomeará, pelo menos, duas testemunhas,
residentes no Município, que atestem o impedimento.
®Impedimento Relativo: Art.183, XIII a XVI.

Oposição dos Impedimentos:

Exige procedimento formal para que não sejam alegados de forma infundada por
qualquer um que entenda pela não realização do casamento.
A parte (Interessado) que efetua a oposição deve firmar a sua declaração fazendo
acompanhá-la da prova correspondente.
Em caso de impossibilidade, deverá trazer duas testemunhas que atestem o alegado.

Possibilidade:

Dirimentes ® Pode se feita pelo próprio oficial. E até por quem presida a celebração
do casamento. A pessoa deve ser capaz.

Proibitivos ® Só parentes, em linha reta ascendente ou descendente, afim ou


consangüineo. Colateral até o 2 grau (Irmão ou Cunhado).

Direitos e Deveres:

1. Fidelidade: Esta fidelidade é uma das maiores causas de separação litigiosa. A


fidelidade em regra, não é causa da separação, mas conseqüência da separação.

Þ Relacionamento Sexual, Beijos, Amassos, Mãos Dadas.

Infidelidade Virtual: existem alguns entendimentos que caracterizam, isto como


infidelidade. Ex: As Salas de Chat

Tele Sexo: É Caracterizado a infidelidade.

Caso: O homem trai a mulher esta na hora perdoa, três anos depois, arrependida,
ingressa com ação de separação litigiosa, esta ação não será procedente, porém se a
traição for continuada cabe.

Caso: O homem que trai a mulher, e esta para se vingar o trai. O homem pode
ingressar com uma ação de separação, pois esta não entrou com a ação, quando
deveria.

2. Vida em comum: A vida sob o mesmo teto é um direito-dever do casamento na


atualidade. É um direito e um dever morarem sobre um mesmo teto, dormir na
mesma cama, pois se isto não ocorrer caracteriza a separação.

3. Mútua Assistência: Não só da assistência material, mas também da moral. Ex: O


homem fica doente e vai para o hospital, e sua mulher o abandona lá, não vai visitá-lo.

4. Sustento,Guarda e Educação dos filhos: é um dos deveres do casamento. Este


descumprimento do dever pode levar ao rompimento do casamento.
Ex: Pai que bate no filho. A mulher pode entrar com a ação de separação e obter a
guarda dos filhos. Não existe a guarda enquanto o casal não terminar o casamento.

5. Nome do outro: Tanto o homem como a mulher quando casam, podem usar o
nome do outro cônjuge. Na união estável também pode-se usar o nome do outro. Se a
mulher for culpada pela separação, o homem pode exigir que esta deixe de usar o seu
nome, porém, se esta não tiver culpa, pode optar ou não pelo nome do outro cônjuge.

6. Administração dos bens do casal: Antes da CF/88 era feita somente pelo homem,
após a constituição ambos participam da administração. Somente para fins de registro.

7. Venda de Imóveis: Só é valída com a concordância do outro cônjuge. Não


interessa o regime de bens.

8. Fiança: Toda fiança para ser válida somente com a anuência do outro cônjuge.

Separação de Corpos

Þ Medida Cautelar: A medida de separação de separação de corpos é uma medida


cautelar.

a) Preventiva (Art.888,VI,CPC): É proposta antes da ação principal de divócio ou


separação. É uma medida cautelar que pressupõe perigo da demora (periculum in
mora), e, um dano irreparável para parte. É usada naqueles casos de extremados,
onde houver um perigo eminente.Ex: Tirar o sujeito de dentro de casa. Marido que
bate na mulher. Marido que chega embriagado em casa. Homem que ameaça a mulher
com uma faca.
Quando a medida cautelar é preventiva esta ação principal deve ser proposta em até
30 dias do deferimento da liminar. Exige a propositura da ação pricipal 30 dias após do
deferimento da liminar.
Será sempre necessário propor uma separação de corpos antes de propor uma ação
de separação judicial? Não é necessária a propositura, pois existe o tipo de medida
cautelar incidental.

Obs: O Nosso Tribunal de justiça defende que esta medida cautelar é autosatisfativa.
Na medida autosatisfativa pode-se esperar o prazo de 1 ano para propor ação
principal.

b) Incidental: Pode ser proposta durante o curso da ação principal de separação ou


divório.

Þ Alvará - abandono do lar.

Na medida cautelar se pede para o outro cônjuge se afastar do lar, no alvára eu peço
para eu ser autorizado a me afastar do lar.
Porque tem de se pedir autorização judicial para me afastar do lar? Para não ficar
caracterizado o abandono de lar, pois se sair sem autorização judicial, estarei
rompendo com um dos deveres do casamento, e serei considerado o culpado da
separação. Não depende de perigo, podendo ser pedido por qualquer motivo (Ex: Não
amo mais a minha mulher).
Quando o abandono do lar não é feito por alvará gera culpa. O registro da ocorrência
policial também serve para oficializar a situação.
*A medida cautelar de separação de separação de corpos não tem por objetivo
separar bens, ela tem por objetivo separar os corpos.

Þ Separação de Corpos na ação de nulidade de casamento.

Na ação de nulidade de casamento também existe a previsão de separação de


corpos, só que esta separação prevista não é uma medida cautelar, é considerada um
ato preparatório para a ação de nulidade.
Essa separação de corpos não implica o afastamento de um dos cônjuges de seu
respectivo lar, pois não pressupõe cautela (Art.223,CCB).

CCB, Art. 223 - Antes de mover a açao de nulidade do casamento, a de anulaçao, ou


a de desquite, requererá o autor, com documentos que a autorize, a separaçao de
corpos, que será concedida pelo juiz com a possível brevidade.

Þ Efeitos :

a) Pessoais: O primeiro efeito é saída do lar conjugal, que implica na cessação dos
deveres do casamento, com exceção dos alimentos.

b) Matrimoniais: O que é adquirido durante o período de separação de corpos é


patrimônio comum? Existem dois posicionamentos:
Corrente Tradicional: Durante o regime de separação mantém-se o regime de bens,
porque a sociedade conjugal não está dissolvida com base no Art.2 da Lei de
Divórcio(Lei 6515/77).

Art. 2º - A sociedade conjugal termina:


I - pela morte de um dos cônjuges;
II - pela nulidade ou anulaçao do casamento;
III - pela separaçao judicial;
IV - pelo divórcio.
Parágrafo único. O casamento válido somente se dissolve pela morte de um dos
cônjuges ou pelo divórcio.

Segunda Corrente : Defende que não existindo a vida em comum não existe
patrimônio em comum.
O Nosso Tribunal defende que: “Todo patrimônio adquirido durante a separação de
fato, com recursos novos, não integram o patrimônio do casal“. É patrimônio exclusivo
daquele que o adquiriu.

Þ União Estável:

Cabe separação de corpos na União Estável, porém não há previsão legal sobre isto.

É cabível a medida cautelar de separação de corpos também nos casos de


concumbinato e união estável? Sim, mas não há previsão legal sobre isto. A partir
disto se criou dois entendimentos:

1) Aplica-se esta medida cautelar por analogia.

2) Não é possível aplicar uma medida cautelar de separação de corpos na união


estável, mas é possível aplicar uma medida cautelar inominada, com a mesma
finalidade (Art.798,CPC). O juiz tem poder geral de cautela, e através deste, pode-se
impedir este dano irreparável.

Os entendimentos predominantes defendem a aplicabilidade da segunda corrente.

Separação Judicial

A) Separação Judicial Consensual: A separação põe fim a sociedade conjugal. Antes


de 1977 pessoa casada somente se desquitava, e a mesma não podia casar de novo.
Em conseqüência do desquite, foi que se deu a crescimento da união estável no Brasil.
Nelson Carneiro que implantou o instituto do divórcio para o brasil. A Lei 6515/77
manteve o nosso sistema.

É aquela ação judicial proposta ao mesmo tempo pelos cônjuges. Consensualmente


resolvem se separar. Qualquer casal pode consensualmente se separar.

1) Requisitos da petição inicial: O requisito próprio da petição inicial é a assinatura


dos cônjuges além da assinatura do(s) advogado(s).
Deve se haver o reconhecimento da assinatura perante o tabelionato, ou perante o
juiz na audiência.

2) Dois anos de casados: Para se promover a separação judicial consesual são


necessários dois anos de casado. É um período mínimo para que estes se conheçam.
Ainda hoje se exige estes dois anos de casado.

3) Audiência Conciliatória: Audiência de oitiva das partes, e não dos advogados, esta
audiência depende de cada vara. O juiz em primeiro plano tentará a conciliação, se
esta não for possível, ouvirá de viva voz das partes que estas querem se separar. Ao
juiz é permitido as ouvir partes pessoalmente, para ter certeza de que não existe
nenhum tipo de coação. Após isto homologará a sentença, modificando o estado civil
de ambos.

O juiz pode deixar de homologar a separação? Sim, quando este entender que existe
um prejuízo manifesto a uma das partes, ou a pessoa dos filhos, poderá deixar de
homologar a separação.

4) Guarda dos filhos: A cláusula de guarda dos filhos é obrigatória.

5) Partilha dos bens, alimentos, visitas: Estas cláusulas de partilha dos bens,
alimentos e visitas, poderão constar ou não, na separação judicial. Na prática os juizes
ao menos tentam colocar a cláusula de alimentos para a garantia dos filhos.

6) Efeitos: Na separação judicial consensual os efeitos da sentença que declara a


separação, retroage a data do deferimento da separação de corpos.
Art. 8º - A sentença que julgar a separaçao judicial produz seus efeitos à data de seu
trânsito em julgado, ou à da decisao que tiver concedido separaçao cautelar.

B) Separação Judicial Por Decurso De Prazo:

Não se discute o culpado pela separação. A separação é permitida porque já houve


um prazo suficiente de separação de fato.

1) Um ano da separação de fato. Por estarem separados de fato a um ano, já é


considerado um prazo suficiente para promover a separação. Esta ação pode ser
proposta por apenas um dos cônjuges, já na consensual, a ação deveria ser proposta
pelos dois cônjuges obrigatóriamente. As provas apresentadas (Instrução Probatória)
servirão apenas para provar que estes estão separados de fato a um ano ou não.
Obs: Não há instrução probatória da culpa.

2) Legitimidade Processual. É chamada por alguns autores de separação litigiosa. Não


há o litígio propriamente dito.

3) Ausência de Culpa.

4) Divórcio Posterior: Basta mais um ano desde a sentença de separação judicial para
se promover o divórcio. Se não promover a ação de divórcio não estarão divorciados
nunca.

5) Efeitos: Começa a produzir efeitos a sentença: A partir do trânsito em julgado.


Quando não houver liminar de separação de corpos, ou apartir da separação de corpos
quando esta ocorrer.

Divórcio por decurso de prazo:

É também conhecido como divórcio direto. As pessoas vão direto do casamento para
o divórcio, podendo ser proposta por apenas um dos cônjuges, “não precisando ter
consenso”, ou pelos dois conjuntamente.

1) Requisitos Þ É necessário apenas 2 anos contínuos de separação de fato, não


fazendo diferença se houve ou não separação de corpos.

2) Prazo Þ 2 anos contínuos de separação de fato.

3) Contestação Þ A única coisa que pode ser discutida, é se eles tem ou não, 2 anos
contínuos de separação de fato.

4) Cláusulas Obrigatórias Þ O divórcio pode tratar de tudo, porém existem cláusulas


que são obrigatórias que é a guarda dos filhos e a partilha dos bens.

Divórcio Conversão:
1) Requisitos Þ Estarem separados judicialmente. Pode ser proposta por um ou por
ambos.

2) Prazo Þ 1 ano de separação judicial. A data da sentença que homologa a


separação judicial, retroage a data do deferimento da liminar de “medida cautelar de
separação de corpos”. Se não ocorrer liminar o prazo conta-se à partir de 15 dias após
a homologação da separação judicial (Sentença).

3) Contestação:
- O não decurso do prazo de 1 ano;
- Que as cláusulas da separação judicial não forem cumpridas. Exs: Não pagou
alimentos, ficou de fazer uma doação aos filhos e não fez, ficou d vender um bem e
não fez.

Exceção Jurisprudencial: Os tribunais do RS tem entendido que a falta do pagamento


de alimentos, não impede a conversão, pois os alimentos possui ação própria
executiva. Porém a lei exige o cumprimento de todas as obrigações, inclusive
alimentos.

4) Cláusulas Obrigatórias Þ O divórcio pode tratar de tudo, porém existem cláusulas


que são obrigatórias que é a guarda dos filhos e a partilha dos bens.

Partilha de bens:

Regime de separação total de bens:

Þ O casal deve fazer um pacto antenupcial (Contrato onde as partes declaram a


vontade da separação total de bens).

Þ Tem-se 2 patrimônios, um exclusivo do homem e um exclusivo da mulher.

Þ Não há partilha.

Regime de Comunhão Parcial de Bens:

Þ É o regime legal de bens, desde a lei do divórcio em 1977. Antes o regime legal era
o universal.

ÞTem-se 3 patrimônios, um exclusivo do homem e um exclusivo da mulher, e um do


casal.

Patrimônios Exclusivos: Adquiridos antes do casamento, doação recebida após o


casamento, herança, subrogação de bens (Troca de um bem por outro de mesmo
valor. Obs: Se colocar $ a mais o quanto a mais é dos dois).

Patrimônio Comum: Os bens adquiridos onerosamente após o casamento.

Þ Há partilha do patrimônio comum, 50% para cada um dos cônjuges .


Regime de Comunhão Universal de Bens:

Þ Era o regime legal antes de 1977. Hoje o casal deve fazer um pacto antenupcial
para adotar este regime.

Þ Só há um patrimônio comum, não há patrimônio exclusivo. Envolve toda forma de


patrimônio, incluindo herança, doação, etc.

Þ Há partilha do patrimônio, 50% para cada um dos cônjuges .

Þ Na partilha dos bens é necessário que seja visto o patrimônio exclusivo de cada
um.

Separação Obrigatória:

Þ É igual a comunhão parcial.

Separação Judicial Litigiosa:

1) Requisitos:

a) é uma ação que pode ser proposta por qualquer um dos cônjuges.

b) Pode ser proposta a qualquer tempo.

c) É necessário nesta ação imputar a um dos cônjuges uma falta grave do


casamento (Requisito essencial).Quando um dos cônjuges não cumprir ou violar uma
das obrigações do casamento.

2) Causas:

Abandono do lar: Tem de ser caracterizado por dois requisitos fundamentais, tem de
existir o ânimus de abandonar. E, secundariamente este abandono tem de ser
injustificado.

Nota: Melhor obra sobre separação de corpos Yussef Said Cahali

Infidelidade: Se caracteriza no sistema brasileiro pelo relacionamento íntimo com


outra pessoa. Ex: Se a pessoa troca cartas de amor com outra é caracterizado
infidelidade. As relações íntimas por via de internet, telefone. Andar de mão com
outro.

A maioria das situações de infidelidade são ocasionadas por uma insatisfação de um


dos cônjuges, ou de ambos, em relação ao casamento.

Respeito entre os cônjuges: Está vinculado as agressões físicas e morais, e, em


certos casos, também é ligado ao abandono do lar. O castigar moderadamente em
relação aos filhos é permitido. Agora em relação ao outro cônjuge não é permissível.
As agressões morais, como por exemplo, a humilhação, também é causa de
separação judicial litigiosa.

3) Noção de Culpa: A tendência do direito de família moderno é tentar eliminar


completamente a culpa pelo fim da relação, não gerando um desgaste para ambas as
partes.

Caso: O Jamil não ama mais a sua mulher. Ele não poderá entrar com uma ação de
separação judicial litigiosa, pois não há causa para propor a ação, este deve requerer
uma autorização judicial para se afastar do lar (medida cautelar de separação de
corpos), e, após um ano de separação de fato, este pode promover uma ação de
divórcio por decurso de prazo.

4) Prova: Cabe o ônus a quem alega. A sentença da separação litigiosa vai considerar
culpado um dos cônjuges, ou, os dois, pelo fim do casamento. Aqui tem instrução
probatória que se concentra na discussão da culpa. A sentença irá considerar um dos
dois cônjuges ou ambos culpados, além de condená-lo as conseqüências decorrentes
da culpa. A prova pode ser produzida mediante prova documental, testemunha
pericial.

5) Conversão em consensual: A lei permite a qualquer tempo em qualquer momento


a transformação deste separação litigiosa em consensual. Para se converter em
consensual tem que ter dois anos de casados, para evitar uma fraude.

6) Efeitos da Culpa:

Efeitos Objetivos da Culpa: São previstos em lei, escritos e descritos na petição


inicial.

a) Nome: A mulher culpada pela separação perde o direito ao uso do nome de


casada. Exceção: Se ela comprovar prejuízo aos filhos e, à sua atividade profissional.
Ex: Vera Bublits, o Bublits é nome de casada. Luisa Brunet.

b) Filhos: O culpado perde a guarda dos filhos. Esta regra está revogada. Agora a
guarda dos filhos é definida segundo o interesse dos filhos, estes é que definem a
guarda.

c) Alimentos: o culpado pela separação perde o direito de exigir alimentos ao outro


cônjuge. O Projeto do CCB, copiou do Código Civil Português, que este culpado em
caso de extrema necessidade, mesmo culpado, pode pleitear os alimentos do outro
cônjuge.

Obs: Os três efeitos somente foram direcionados contra a mulher.

Efeitos Subjetivos da Culpa: São os mais graves e não tem previsão legal. Não são
descritos na petição inicial. São eles: A vingança, o acerto de contas, prestar contas a
família , amigos e sociedade.

União Estável
1. Histórico:

Hoje existem duas leis que regulam a união estável : Lei 8971/94
Lei 9278/96

A primeira lei que tratou do concubinato foi uma lei previdenciária. Antes da CF/88 a
concubina também podia adotar o nome do companheiro (Lei de registros públicos). A
CF veio tão somente a reconhecer “absolutamente”a união estável.

Casamento diferença da união estável: A relação de parentesco é um dos grandes


problemas. Enquanto o Casamento cria uma relação de parentesco por afinidade, a
união estável não.

2. Conceito: O conceito de União estável é o disposto na Lei 9278/96.

CF, Art. 226 - A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem
e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em
casamento.

União estável é uma união entre um homem e uma mulher (Art.1 da Lei 9278/96).
Não existe prazo de convivência para se criar a união estável; Não são necessários 5
anos estabelecidos. Esta união deve ser duradoura , mas não com prazo definido.

3. Características:

I) Estabilidade: está relacionada com o prazo de duração, mas não está vinculada
somente ao prazo. Está relacionada com o espaço de tempo, este deve ser razoável.
Este prazo fica a critério do julgador.

II) Publicidade: Isto elimina de vez qualquer relação sigilosa à margem da


sociedade. Publicidade significa apresentar frente aos demais como marido e mulher.
Ex: Conta bancária (Conta Conjunta). Colocar o outro dependente no plano de saúde.
Manter o status externo de marido e mulher. Apresentar para os vizinhos, amigos e
parentes como marido e mulher.

III) Animus de Família: A fidelidade é fundamental nessa situação, pois o brasil


adota a forma monogâmica. Se o sujeito é casado e tem relação com outra mulher de
outra cidade, com esta outra não se configura a união estável. A união estável
necessita da vida sob o mesmo teto, a súmula do STF não tem mais aplicabilidade. É
necessário que vivam sob o mesmo teto, e, que mantenham relações sexuais.

Estas características devem ser presentes para a caracterização da união estável. É


necessário que as três estejam presentes para a caracterização da união estável.

Paralelamente não se pode formar uma união estável em que o impedimento para
casar seja absoluto. Ex: Uma relação incestuosa entre um irmão e uma irmã, nunca
será uma união estável.
Nos casos de relação adulterina, onde a “amante”não sabe que o seu concubino é
casado (está de boa-fé), aproveita os efeitos da união estável tendo direito a 50% dos
bens que ela adquiriu com ele, porém os que ele adquiriu com a mulher (casada), a
concubina não tem direito.

Quando a amante tem conhecimento da situação de casado do amante não configura


a união estável.

Separação de fato: Quando o homem esta separado de fato definitivamente, e


constitui uma relação de marido e mulher também será configurado a união estável
( Segundo o entendimento do RS).

Concubinato impuro: São as relações entre um homem e uma mulher que não tem a
proteção legal, não garantem aos indivíduos a proteção destas duas normas. São
relações que são tratadas nas varas cíveis comuns.

Concubinato puro: A competência é da vara de família (competência para discutir as


relações da união estável).

4. Direitos entre os concubinos:

Hoje os direitos são os mesmos entre concubinos e casados.

A. Alimentos: Os Alimentos entre os cônjuges podem ser pedidos não se exigindo


nada.

B. Sucessão: No casamento o cônjuge tem direito a chamada meação (casado). A


meação é a metade do patrimônio comum. O concubino também tem direito a meação,
dependendo do regime de bens

Quando o regime de bens for de comunhão parcial de bens, ou separação total de


bens, o cônjuge sobrevivente tem direito ao usufruto dos bens, usufruto da metade
dos bens se não houver filhos, e 1/4 dos bens se houver filhos.

Para os que são casados pelo regime de comunhão universal de bens, o nosso código
atribui-lhe direito real sobre a moradia, além da respectiva meação, mesmo que a
propriedade do imóvel não seja do cônjuge sobrevivente.

Vide: Parágrafo único, Art.7, Lei 9278/96.

Art. 7º - Dissolvida a união estável por rescisão, a assistência material prevista nesta
Lei será prestada por um dos conviventes ao que dela necessitar, a título de alimentos.
Parágrafo único. Dissolvida a união estável por morte de um dos conviventes, o
sobrevivente terá direito real de habitação, enquanto viver ou não constituir nova
união ou casamento, relativamente ao imóvel destinado à residência da família.

Para efeitos de herança, não existindo descendentes e ascendentes por parte do “de
cujus: , o cônjuge sobrevivente, herda “tudo” pela ordem de vocação hereditária. Se
houver ascendente ou descendente 50% vai para a mulher (patrimônio construído pelo
esforço comum), e 50% vai para o filho ou para o avô dependendo do caso.

5. Regime de bens: Não existe previsão legal de diferenciação de bens expressa, se


utiliza analogicamente os regimes previstos para os casados. O regime de bens
presumido, tácito, é o regime da comunhão parcial de bens.
Porém pode haver um contrato, sem necessidade de escritura pública, podendo ser
por escrito particular (Art.5 da Lei.9278/96).
No casamento o regime de bens deve ser pactuado antes do casamento, além de não
poder ser alterado posteriormente.

A união estável não prevê estas regras acima citadas, por isso as opiniões se
dividem:

1- Corrente: (Majoritária) - Adota por analogia o que se aplica ao casamento.

2- Corrente: (Minoritária) - Diz que o contrato pode ser firmado a qualquer momento
pois não existe um marco (como há no casamento) na união estável, já que se trata
de um processo progressivo onde não há dada inicial, não tem termo inicial definido.
Com relação a alteração do pacto nupcial, como a lei não proíbe, é permitido; já não
podendo ser aplicado analogicamente, por se tratar de uma norma restritiva de direito.

A união estável é um instituto que quer se aproximar do casamento por isto que as
regras do casamento valem para a união estável.

6. Dissolução: Não existe para a união estável toda aquela gama de ações que se
tem para o casamento. A única ação que existe é a ação de dissolução de união
estável, ou também chamada de ação de dissolução da sociedade de fato, sendo de
competência da vara de família.
Na união estável não é preciso alegar motivo algum, diferentemente do casamento,
além da vontade para dissolver a união estável, porém é permitido discutir os motivos,
bastando apenas um querer.
Só a vontade da pessoa basta, sendo objeto do litígio somente a partilha dos bens e
guarda dos filhos, como o divórcio,como cláusulas obrigatórias, podendo porém, como
no divórcio discutir outros assuntos.

Na dissolução será discutida a partilha de bens e a guarda dos filhos (Cláusulas


Obrigatórias).

7. Uniões Homossexuais:

A. Devem ser reconhecido como família? Por quê?

Ainda que tenha vindo a Constituição, com ares de modernidade, outorgar a


proteção do Estado à família, independentemente da celebração do casamento,
continuou a ignorar a existência de entidades familiares formadas por pessoas do
mesmo sexo.

Não se diferencia mais a família pela ocorrência do casamento. A valorização da


dignidade da pessoa humana, como elemento fundamental do estado democrático de
direito, não pode chancelar qualquer discriminação baseada em características
individuais. Repelindo-se qualquer restrição à liberdade sexual, não se pode admitir
tratamento desigualitário em função da orientação sexual.

Para os especialistas da Organização das Nações Unidas: família é qualquer grupo de


pessoas que convivam sob o mesmo teto, sejam ou não do mesmo sexo, não se
usando o matrimônio como origem do casamento.

B. O Casal deve ter os mesmos direitos que o casamento ( alimentos, sucessão,


partilha de bens.etc)?

Se duas pessoas passam a ter vida em comum, cumprindo os deveres de assistência


mútua, em um verdadeiro convívio estável caracterizado pelo amor e respeito mútuo,
com o objetivo de construir um lar, inquestionável que tal vínculo, independentemente
do sexo de seus participantes, gera direitos e obrigações que não podem ficar à
margem da lei.

Presentes os requisitos legais, vida em comum, coabitação, laços afetivos, divisão de


despesas, não se pode deixar de conceder-lhe os mesmos direitos deferidos às
relações heterossexuais que tenham idênticas características.

As uniões estáveis homossexuais não podem ser ignoradas, não se tratando de um


fato isolado, ou de frouxidão dos costumes como querem os moralistas, mas a
expressão de uma opção pessoal que o Estado deve respeitar.

C. O Casal pode adotar uma criança? Por quê?

A Possibilidade de Adotar (Maria Berenice Dias)

A mais tormentosa questão que se coloca, e que mais divide as opiniões, é quando
se questiona sobre a possibilidade de os parceiros virem a adotar. O Projeto de Lei da
união civil nada previa, sendo que a vedação da adoção, tutela ou guarda foi
introduzida pelo relator.

Não há qualquer impedimento no Estatuto da Criança e do Adolescente, pois a


capacidade para a adoção nada tem a ver com a sexualidade do adotante, sendo
expresso o artigo 42 ao dizer: "Podem adotar os maiores de 21 anos,
independentemente do estado civil".

A única objeção que poderia ser suscitada seria face aos termos do artigo 29: "Não
se dará a colocação em família substituta a pessoa que revele, por qualquer modo,
incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça ambiente familiar
adequado". No entanto, o princípio que deve prevalecer é o do artigo 43: "A adoção
será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em
motivo legítimo". Ao depois, é de se atentar na nossa realidade social, com um enorme
contingente de menores abandonados em situação irregular, que poderiam vir a ter
uma vida com mais dignidade. Assim, não há como se ter por incompatível com a
natureza da medida a relação, ainda que homossexual, que possua as características
de uma união estável, em que exista um lar respeitável e duradouro, cumprindo os
parceiros os deveres assemelhados aos dos conviventes, como a lealdade, a fidelidade,
a assistência recíproca, numa verdadeira comunhão de vida e de interesses.
Como não se pode excluir o direito individual de guarda, tutela e adoção garantido a
todo cidadão, independentemente de sua orientação sexual, tal restrição pode gerar
situações injustas. Em havendo a possibilidade de a adoção ser feita por um só dos
parceiros, eventuais direitos do adotado, quer de alimentos, quer sucessórios, só
poderão ser buscados com relação ao adotante, fato que, com certeza, acarreta
injustificável prejuízo, por não gerar direitos com relação àquele que também tem
como verdadeiramente seu pai ou sua mãe.

Na Califórnia, há pesquisadores que, desde meados de 1970, vêm estudando


famílias formadas por lésbicas e gays. Concluíram que crianças com os dois pais do
mesmo sexo são tão ajustadas quanto as crianças com os pais dos dois sexos. Nada há
de incomum quanto ao desenvolvimento do papel sexual dessas crianças (Filhos de
Lésbicas e Gays: Flaks, Ficher, Masterpasqua & Joseph, 1995; Gottman, 1990;
Patterson, 1992, 1994, - in Harris, Judith Rioch, Diga-me com quem anda... Editora
Objetiva, 1999, página 80).

“Uma sociedade que se quer aberta, justa, livre, pluralista, solidária, fraterna e
democrática, às portas do novo milênio, não pode conviver com tão cruel
discriminação, quando a palavra de ordem é a cidadania e a inclusão dos excluídos”.

8. Guarda

1) Conceito: Separar a guarda de pátrio poder, são coisas distintas. A guarda está
inserida dentro do pátrio poder. Guarda é um dos direitos do pátrio poder.

“Guarda é o estado de posse do filho menor”. Nos Eua se chama de custódia do filho.
É o fato de ter a criança consigo. Quem não tem a guarda não quer dizer que não
tenha pátrio poder. O fato de exercer a guarda não quer dizer que se detenha
exclusivamente o pátrio poder.

Pátrio poder: é poder que os pais exercem sobre os filhos.

2) Direitos Vinculados:

Direitos vinculados daqueles que detêm a guarda da criança:

- Define domicílio e residência do menor: O casal separado a criança fica com a mãe.
A mãe pode ir morar aonde quiser com o seu filho. A mãe não pode impossibilitar o
convívio do pai com o filho.

A mãe não fica impedida de mudar de cidade, desde que, não impossibilite o
convívio do pai com o filho.
Se o pai tiver um convívio menor com o filho durante a período escolar, este terá
direito à passar uma parcela maior das férias com o seu filho.

- A escolha da escola, da educação de seu filho:

- Opção de saúde tradicional: Dentre os sistemas tradicionais de saúde a opção é de


quem detêm a guarda.
Dentre a alimentação tradicional (normal) a mãe pode escolher o que quiser. A mãe
decide que tipo de alimentação a criança terá, não poderá impor nenhum tipo de
alimentação alternativa.

Direitos vinculados daqueles que não detêm a guarda da criança:

- O direito de informação: O direito de tomar ciência de tudo o que está acontecendo


com o seu filho. Na prática a omissão de informações ocorre, mesmo entre casais não
separados. O pai tem direito de saber se o filho está doente, como está indo no
colégio. Na prática é muito comum que o guardião proíba o colégio de dar informações
ao outro sobre o desempenho do filho.

As informações são acessíveis a todos.

- Direitos de fiscalização.

3) Deveres Vinculados:

Ambos têm os mesmos deveres vinculados a criança , sustento, saúde, educação,


lazer , moradia, alimentação, etc....

Aquele que detêm a guarda tem mais direitos que o outro, pois, quem não tem a
guarda do menor cumpre com os seus deveres pagando os alimentos do menor.
Aquele que detém a guarda, também tem de arcar com os custos do menor, além de
ser responsável pela aplicação efetiva dos recursos necessários para o sustento deste.
4) Espécies de Guarda:

a) Tradicional: é a guarda normal, a que se aplica comumente em todas as


situações. Ex: O casal se separa e a criança passar a viver com um dos pais.

A única guarda aplicada pelo juiz é a guarda tradicional. Os outros tipos de guarda
depende de consenso dos pais.

b) Alternada: A criança vive um determinado tempo com a mãe, e, depois vive


determinado tempo com o pai. Na prática os psicólogos não aconselham nenhum
período inferior a 6 meses, é aconselhado um período de 1 ano no mínimo.

Vantagem da guarda alternada: A grande vantagem é o convívio mais aprofundado


da criança com a mãe e com o pai (verdadeiro convívio). Impõe um convívio efetivo,
duradouro, com os pais.

A criança terá tudo em dobro, ou seja, duas casas.


Desvantagens da guarda alternada: A primeira grande desvantagem é a perda do
referencial. A criança perde o ponto referencial de segurança, tendo duas casas, na
verdade acaba ela não tendo nenhuma.

A segunda grande desvantagem: é a chantagem que a criança faz com os pais. Isto
evidentemente retira das crianças os limites.Ex Chantagem: Na casa da mamãe eu
posso ver tv até as 10:00 hs.

Não é recomendável a guarda alternada.

c) Conjunta: Embora a criança esteja vivendo na casa da mãe as decisões em


relação à criança são decididas de comum acordo entre eles.

Vantagem da guarda conjunta: Tem a vantagem de impedir a criança de exercer a


chantagem, pois a decisão é conjunta (casal).

Desvantagens da guarda conjunta: A grande desvantagem é que exige dos pais um


grau de maturidade extraordinário e, exige dos novos parceiros dos pais um grau de
maturidade inimaginável.

É uma guarda recomendada, mas muito difícil de ser verificar na prática.

d) Compartilhada: É muito similar a guarda conjunta. Na guarda compartilhada são


divididas as tarefas em relação ao filho. Cada um fica responsável sozinho por
determinadas tarefas.

Vantagens da guarda compartilhada: Dispensa a relação, o contato entre os ex-


cônjuges. Acaba dando a cada um dos pais a possibilidade de educar o seu filho, de
exercer efetivamente o pátrio poder.

É um sistema altamente recomendável, e, possível. É a tendência do nosso direito de


família moderno.

Ex: Levar a criança na escola.

Nunca se aconselha a separação dos filhos de um casal que tiver mais de um filho
em hipótese nenhuma.

Exceção, por exemplo, um filho que tiver 5 anos e, o outro 15 anos. Neste caso, não
houve um convívio grande entre os irmãos pois a diferença de idade é muito grande.
Logo não verifica-se problema na separação entre os irmãos.

Obs: A criança nunca deve ser ouvida pelo juiz sobre com quem quer ficar, o ideal é
a investigação através de um psicólogo.

5) Alteração- Motivos: Em regra, os filhos ficam com a mãe (Lei de Divórcio).

O primeiro fator que determina a guarda dos filhos com a mãe é a questão cultural,
pois a mãe é a responsável pela educação dos filhos.

Segundo fator que determina a guarda dos filhos com a mãe é relacionado com os
filhos menores: As crianças até 3 anos de idade tem uma dependência muito grande
com a mãe. A mãe nessa idade da criança é fundamental.
A partir dos 5 anos entende-se que a mãe tem mais condições de ficar com os filhos.
A jurisprudência confirma maciçamente o privilégio da mãe em ficar com os filhos.

Somente em situações em que a mãe não tem condições é que pode-se falar am
alteração da guarda. Em casos extremados esta guarda pode ser alterada.

Ex: Maus tratos (Violência Física e Psíquica); Doença Mental; Prostituição; Drogas;
Má Conduta (duvidosa); Aliciamento; Bebidas; Abandono; Prisão; Cuidados básicos.

* O índice de violência sexual é muito grande em relação às crianças.

* Má conduta em si não quer dizer nada. Uma mãe traficante é caracterizada como
uma má conduta.

Jamais uma pessoa vai perder a guarda por que dispõe de menos dinheiro do que a
outra.

* O filho na dúvida (presunção), fica com a mãe.

6) Trânsito em julgado: A sentença judicial que decide a guarda de uma criança só


faz coisa julgada formal. A sentença que decide a guarda pode ser revisada a qualquer
momento, desde que, haja alguma alteração na vida da família. Revisada mediante
uma nova ação de guarda.

Nunca a decisão de guarda é definitiva.

9. Visitas

1) Direito ou Dever?

O ECA não regulamenta o direito de visitação .

2) Fixação: Existem várias formas de visitação.

Visitação Livre: O pai vê o filho quando este quiser. Ela pode ser utilizada em uma
situação inicial. Mas na prática não é aconselhável, pois acarreta problemas.

Visitação Regulamentada: Se aconselha a regulamentação rigorosa, com dias e horas


para pegar e devolver a criança. É importante que haja a regulamentação para evitar
futuros conflitos.

Forma de regulamentação padrão, a partir dos três anos de idade: Finais de semana
alternados ( quando o pai tiver condições de pernoitar com seu filho) Um final de
semana com o pai e outro com a mãe; Um dia durante a semana para passar com o
filho (Geralmente na quarta-feira); Divisão dos feriados e datas especiais; Dia dos pais
com o pai, e das mães com a mãe;

Ação cabível: Ação de visitas ou Ação de Regulamentação de Visitas.

3) Alteração - Trânsito em Julgado:


Essa alteração que decide sobre a visitação só faz coisa julgada formal, quer dizer
que a qualquer momento esta regulamentação pode ser revisada.

Pode ser revisada no dia seguinte ao trânsito em julgado.

10. Alimentos

1) Conceito: “É o nome dado a uma prestação paga com fim de suprir as


necessidades básicas do ser humano”.

Necessidades básicas:

CF, Art.7,IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de


atender as suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia,
alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência
social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada
sua vinculação para qualquer fim;

Þ Esse inciso define o que são as necessidades básicas. Os alimentos devem atender
a estas necessidades. Alimentos também devem ser computados como lazer.

2) Entre Ex- Cônjuges:

OBS: O culpado pela destruição do casamento não pode exigir do outro alimentos

OBS: Os alimentos entre cônjuges devem ser os alimentos necessários para a sua
sobrevivência. Não é para continuar mantendo o mesmo padrão de vida que tinha na
época em que eram casados. Não será padronizado pelo nível de vida mantido antes
de casados, e sim pelas necessidades básicas necessárias.

Existem dois tipos de mulheres que pedem alimentos:

A) A mulher que viveu na família tradicional durante muitos anos.

B) A mulher da classe alta.

A mulher da classe média por trabalharem, geralmente não pedem alimentos.

OBS: Vale também para a união estável.

OBS: Esses alimentos cessam no momento em que alimentado constituir nova união,
seja esta casamento ou união estável. Essa obrigação nunca mais pode ser requerida.

3) Entre ascendente e descendente: O pagamento do pai para o filho. A obrigação


alimentar decorre somente do vínculo de paternidade. A obrigação alimentar não é
somente do pai, é da mãe em relação ao filho.

Esta obrigação deve manter o padrão de vida do filho. O filho não pode ser
prejudicado pela separação dos pais. A idéia é a manutenção do padrão de vida do
filho.

OBS: Os alimentos podem ser pagos em dinheiro ($), estes podem ser pagos em
bens.

Pode se exigir alimentos dos avós, se o pai não tiver condições de arcar pelos
alimentos.

4) Entre descendente e ascendente:

OBS: Os alimentos são irrenunciáveis, mas pode-se requerer a sua não concessão.

Existe a obrigação do filho ter de pagar alimentos ao pai. Não se fala em padrão de
vida, se fala em alimentos necessários à sobrevivência.

Se o pai estiver gravemente enfermo, pode levar o filho que não amparar o pai,
perder o direito sucessório.

5) Requisitos- Binômio:

O valor da pensão alimentícia é determinada pelo binômio (necessidade &


possibilidade). Pelo equilíbrio da possibilidade do alimentante e a necessidade do
alimentando.

Nunca digam que os alimentos são fixados em 30% da remuneração. Não é uma
idéia falsa, mas esta idéia não tem fundamento legal nenhum. Os 30% para quem tem
dois filhos é muito pouco.

Necessidade:

Possibilidade:

6) Alteração - Trânsito em Julgado:

Ação de alimentos: Para ingressar com ação de alimentos.

Ação revisional de alimentos: Para se revisar, desde que se comprove alguma


alteração desse binômio. Pode ser proposta para mais ou para menos valor.

Ação de exoneração de alimentos: Ação que se comprova que a criança não necessita
de nada, ou que este pai não pode pagar nada. É uma ação que não é aceita. Essa
idéia de exoneração só é aceita naqueles casos em que o pai comprova efetivamente
que está procurando empregos. Geralmente se comprova através de cartas dos
sindicatos (SINE, por exemplo).

O valor da pensão alimentícia só faz coisa julgada formal, não faz coisa julgada
material. O valor da pensão pode ser revisto a qualquer momento, desde que se
comprove alteração no binômio.
7) Procedimento (Lei 5.478/68):

Esta lei define o procedimento de alimentos. A obrigação alimentar não surge


automaticamente. O dever de pagar alimentos surge a partir do nascimento da
criança. A obrigação alimentar para surgir tem de ser exigida, o sujeito tem de entrar
com um ação, e só a partir da propositura da ação é que eu passo a dever alimentos.

Em hipótese nenhuma pode-se entrar com uma ação alimentar pleiteando alimentos
pretéritos.

Só se pode cobrar os últimos cinco anos depois de definida a obrigação alimentar.

Na ação de alimentos o juiz pode fixar o valor dos alimentos desde logo através de
uma liminar para discutir o valor ao longo da ação.

8) Execução de alimentos: é uma ação que tem por fim pagar alimentos não pagos.

Primeira espécie de ação de execução: Os bens do devedor respondem pela sua


dívida. Esta execução pode ser realizada por opção do credor livremente. Penhorando
os bens do devedor.

Segunda espécie de ação de execução: Execução sob pena de prisão. O sujeito será
preso porque está devendo e, o fato de cumprir esta prisão determinada pelo juiz, não
perdoa a dívida, porém sobre a mesma dívida não poderá ser preso. Logo, pode-se
penhorar os bens do devedor para que seja garantido o pagamento da dívida. Este
poderá ser preso no máximo pelo prazo de 60 dias.

Atualmente, os juizes tem mandado dividir as ações de execuções em duas partes: A


pena de prisão é aplicada para as dívidas alimentares dos últimos 3 meses, e os outros
meses, são executados sob pena de penhora.

Paternidade – Lei 8.560/92

I – Reconhecimento Voluntário:

Registro de nascimento: É a forma mais normal de ser reconhecida a paternidade.

Escritura pública: É uma forma existente antes da Lei 8.560/92.

Escrito particular: É uma inovação da Lei 8.560/92. Qualquer documento particular


de reconhecimento de paternidade é documento hábil para o reconhecimento da
paternidade, perante o cartório de registro civil.
Testamento: É uma forma existente antes da Lei 8.560/92.

Manifestação perante o Juiz: Grande inovação da Lei 8.560/92.Admite o


reconhecimento da paternidade através de uma manifestação em juízo. Em qualquer
tipo de ação
judicial.

O reconhecimento de paternidade é irrevogável, uma vez declarada a paternidade o


sujeito que declarou não pode voltar atrás dizendo que este não é o seu filho.

II – Reconhecimento oficioso:

É o reconhecimento próprio da Lei 8.560/92.

Declaração da Mãe: A mãe solteira vai até o cartório de registro civil, registrar o seu
filho. Esta mãe será questionada perguntando-se quem é o pai da criança. Duas
opções ela terá. Na primeira opção, ela não diz quem é o pai, por não saber quem é.
Segunda opção: Ela declara quem é o pai.

Remessa ao Juiz: Se o suposto pai negar a paternidade o juiz irá remeter ao


Ministério Público.

Ministério Público: O Ministério Público vai tentar reúnir provas da paternidade para
ingressar com uma ação de paternidade contra o suposto pai, e quem ingressa com a
ação é o menor representado pelo Ministério Público.

Essa ação proposta, não retira a legitimidade da mãe de propor esta ação, pois a
legitidade do Ministério Público é uma legitidade concorrente.

O ministério público não paga honorários processuais de sucumbência caso este


venha a perder esta ação.

Alimentos: A sentença que declarar a paternidade, automáticamente fixará a pensão


alimentícia.

III – Reconhecimento Judicial:

Legitimidade: A criança é que tem a legitidade de propositura da ação de


investigação de paternidade. O autor da ação é a criança. Se ela for menor de idade
esta será representada judicialmente, mas a autoria da ação continua sendo da
criança. É possível o pai propor uma ação de investigação de paternidade contra o
filho, querendo reconhecê-lo como filho. Mas se não existia nenhum registro anterior
de paternidade não é necessária a propositura da ação, pois cabe o reconhecimento
voluntário. Se tiver registro a única forma de reconhecimento é a ação de investigação
de paternidade, cumulada com ação de retificação de registro civil. Se esta criança for
capaz é necessário a concordância dessa pessoa para que se tenha a paternidade
reconhecida. O menor tem quatro anos até a sua maioridade para contestar esse
reconhecimento voluntário.

Prescrição: A ação de investigação de paternidade é imprescritível, pode ser proposta


a qualquer tempo, mesmo que este suposto pai seja falecido. A ação de investigação
de paternidade é imprescritível, mas a ação de petição de herança não é, esta
prescreve em 20 anos.

Provas:

I – Documentais: Fotos da mãe e do suposto pai se beijando, por exemplo. Cartas,


bilhetes, qualquer tipo de prova.

II – Periciais: São provas periciais:

Aparência: Braços; Cabeça; Cabelo; Orelhas; Dedos; Formas da mão.

Hematológicas: Exames sanqüíneos. Além do fator RH, nós temos diversos outros
exames sanqüíneos de definição de grupo, cada vez mais consistentes na verificação.
O D.N.A, tem uma precisão de 99,99%, de que aquele sujeito é, ou não o suposto pai.
Os demais testes tem uma precisão de 60%, apenas.

- O ABO, somente exclui a paternidade.

- MNOPQ: Tem uma precisão de até 60%.

- D.N.A: tem uma precisão de 99,99%, de que aquele sujeito é, ou não o suposto
pai.

O juiz só pelo exame de D.N.A, não pode julgar procedente uma ação de investigação
de paternidade, pois a medicina é uma ciência experimental, logo, estas estatísticas
são experimentais, e, em segundo lugar este exame de D.N.A pode ter sido
manipulado por alguém de situação financeira avantajada (propina).

Segundo o entendimento do STF, ninguém será obrigado a submeter-se ao exame de


D.N.A, no entanto, esta negativa em coletar o material será usada como presunção
contra esta pessoa.

O advogado deve antes de nada procurar a verdade. Contestando, impugando, na


tentativa de verficar se este é o respectivo pai ou não, pois o prejuízo a este menor
pode ser incalculável.

III – Testemunhais: Traga o maior número possível de testemunhas para serem


ouvidas. É recomendável, se levar testemunhas que não são parentes, por exemplo, o
vizinho, o zelador, etc…

ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE


Podem ser adotadas pessoas acima de 18 anos, mas não são adotadas pelo ECA, mas
sim, por escritura pública.

O sistema brasileiro impede espécies de filiação, só existe uma filiação , pois não se
pode discriminar os filhos.

A adoção é ato personalíssimo, não sendo permitida a adoção por procuração.

Não, depois da adoção não existe vínculo nenhum com os pais biológicos, salvo para
casamento.

O avô não pode adotar o neto, pode deter a guarda do neto.

A adoção pode ser adotada por apenas uma pessoa.

Um casal sem ser casado pode adotar uma criança.

Estágio de convivência: É um período que a criança ficará sobre guarda provisória, e


sob controle de assistentes sociais e psicólogos que, concluirão se esta criança se
adaptou ou não. Pode ser dispensado o estágio de convivência se esta criança tiver
menos de um ano. Para estrangeiros este estágio não pode ser dispensado em
hipótese nenhuma.

Hoje a adoção é um procedimento judicial, hoje a sentença somente é dada por


setença judicial.

Com a morte dos pais, a criança é titular de todos os direitos sucessórios cabíveis.

PÁTRIO PODER:

Poder que os pais exercem sobre os filhos menores. No sentido de que o menor não
só deve obediência ao pai, mas como o pai determina todos os aspectos em relação à
criança.

Não é Pátrio Poder, deve ser entendido como Pátrio Dever ou Dever Familiar. Não
deve ser considerado mais um poder de exercício mas um dever de exercício.

1) Conceito: Pátrio Poder, são as atribuições conferidas aos pais na criação, educação
e sustento dos filhos menores.

Pátrio poder na verdade são deveres, atribuições, obrigações, conferidas aos pais.

2) Características – Direitos Inerentes: a) Pátrio poder resulta da própria filiação,


esta atribui o direito ao exercício do pátrio poder. b) Esses Pátrio Poder envolve os
aspestos pessoais e envolve os aspectos patrimoniais desse menor. No campo pessoal
envolve a obediência do filho. No aspecto patrimonial os pais tem o direito de
administrar os bens dos filhos, usufruindo desses bens. Os pais não tem obrigação de
prestar contas. Em suma análise, os pais são os representantes legais dos filhos.
3) Exercício – Conflito entre os pais: Quem exerce o Pátrio Poder? O código é
montado com a base de uma família machista. O exercício do Pátrio Poder pertence a
ambos em igualdade de condições, não há privilégio de preferências entre o pai e a
mãe.

Se houver conflito o juiz é novamente chamado para dirimir o conflito com base no
interesse do menor.

Havendo separação dos pais Quem exercerá o Pátrio Poder? O Pátrio poder é
exercido por ambos ainda que separados. A guarda é um dos direitos inerentes ao
pátrio poder.

4) Extinção do Pátrio Poder: Extinção natural do Pátrio Poder (Art.392,CC). Pela


morte dos pais e do filho. Pela emancipação (é ato que torna o menor plenamente
capaz). Pela maioridade (21 anos). Pela adoção (no momento em que a criança é
adotada esta sai completamente da família originária e integra-se na outra família, a
família originária não mais pode exercer o pátrio poder sobre a criança).

5) Suspensão e Perda do Pátrio Poder (Art.394,CC):

Art. 394 - Se o pai, ou mãe, abusar do seu poder, faltando aos deveres paternos, ou
arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, requerendo algum parente, ou o Ministério
Público, adotar a medida, que lhe pareça reclamada pela segurança do menor e seus
haveres, suspendendo até, quando convenha, o pátrio poder.

Parágrafo único. Suspende-se igualmente o exercício do pátrio poder, ao pai ou mãe


condenados por sentença irrecorrível, em crime cuja pena exceda de 2 (dois) anos de
prisão.

O Art.395,CC Þ Elenca os casos de perda do Pátrio Poder:

Art. 395 - Perderá por ato judicial o pátrio poder o pai, ou mãe:

I - que castigar imoderadamente o filho;

Obs: Hoje não se admite o castigo.

II - que o deixar em abandono;

III - que praticar atos contrários à moral e aos bons costumes.

Atos contrários a moral e aos bons costumes. Ex: Exposição ao ridículo, humilhações,
trabalho forçado.

Esta criança que perde o “Poder dos Pais”, não continuará vivendo com os pais. O
ECA prevê nessa situação a Família Substituta, uma família que dê condições
necessários a sua criação e educação. Não havendo família substituta esta criança é
encaminhada a um lar de crianças.

Situação: Um casal que mora com o filho, e o pai por agredir seu filho perde o pátrio
o poder. Esta mulher não denuncia os maus tratos do filho. Em relação a mulher: Þ Ou
esta mulher é considerada como co-responsável por omissão. Þ Ou esta mulher será
obrigada a separar-se para continuar com a criança.

TUTELA:

Os avós embora não possam adotar, podem exercer a tutela deste menor. Ser
inclusive, a sua família substituta.

A família substituta ou adota esta criança, ou exerce a tutela sobre esta crança.

1) Conceito: Tutela nada mais é do que a representação legal de crianças menores


que, não possuam os pais vivos, ou que estes tenham perdido o pátrio poder.
A tutela pode ser deferida a uma pessoa ou a um casal. Nada impede que seja uma
pessoa solteira.

2) Aceitação – 414, CC A pessoa nomeada como tutor é obrigado a aceitar. Não pode
recusar a aceitação. Na prática o exercício da tutela pressupõe sempre a vontade desta
pessoa em ser tutor, pois esta criança deve receber carinho.

Em que situações a pessoa não está obrigada aceitar a tutela:

Art. 414 - Podem escusar-se da tutela:

I - as mulheres;

II - os maiores de 60 (sessenta) anos;

III - os que tiverem em seu poder mais de cinco filhos;

IV - os impossibilitados por enfermidade;

V - os que habitarem longe do lugar onde se haja de exercer a tutela;

VI - os que já exercerem tutela, ou curatela;

VII - os militares, em serviço.

3) Nomeação – 409, CC -

O juiz vai decidir quem será o tutor.

Art. 409 - Em falta de tutor nomeado pelos pais, incumbe a tutela aos parentes
consangüíneos do menor, por esta ordem:

I - ao avô paterno, depois ao materno, e, na falta deste, à avó paterna, ou materna;


II - aos irmãos, preferindo os bilaterais aos unilaterais, o do sexo masculino ao do
feminino, o mais velho ao mais moço;

III - aos tios, sendo preferido o do sexo masculino ao do feminino, o mais velho ao
mais moço.

4) Excluídos – 413, CC

Art. 413 - Não podem ser tutores e serão exonerados da tutela, caso a exerçam:

I - os que não tiverem a livre administração de seus bens;

II - os que, no momento de lhes ser deferida a tutela, se acharem constituídos em


obrigação para com o menor, ou tiverem que fazer valer direitos contra este; e
aqueles cujos pais, filhos, ou cônjuges tiverem demanda com o menor;

Quem é credor ou devedor do menor não pode exercer a tutela. Pois este poderia
exercer a tutela com outra finalidade ($$$$$$$).

III - os inimigos do menor, ou de seus pais, ou que tiverem sido por estes
expressamente excluídos da tutela;

IV - os condenados por crime de furto, roubo, estelionato ou falsidade, tenham ou


não cumprido a pena;

V - as pessoas de mau procedimento, ou falhas em probidade, e as culpadas de


abuso em tutorias anteriores;

VI - os que exercerem função pública incompatível com a boa administração da


tutela.

5) Obrigações do Tutor – 426, CC

Se esta criança tiver muitos bens, este tutor terá de dar garantias reais sobre a
administração destes bens. Terá de colocar o seu patrimônio próprio para garantia da
administração do patrimônio do menor. Se o patrimônio do tutor for menor que o do
tutelado, este terá de dar garantias fidejussórias.

Art. 426 - Compete mais ao tutor:

I - representar o menor, até os 16 (dezesseis) anos, nos atos da vida civil, e assisti-
lo, após essa idade, nos atos em que for parte, suprindo-lhe o consentimento;

II - receber as rendas e pensões do menor;

III - fazer-lhe as despesas de subsistência e educação, bem como as da


administração de seus bens (art. 433, I);

IV - alienar os bens do menor destinados a venda.

6) Autorização Judicial – 427, CC


Art. 427 - Compete-lhe, também, com autorização do juiz:

I - fazer as despesas necessárias com a conservação e o melhoramento dos bens;

II - receber as quantias devidas ao órfão, e pagar-lhe as dívidas;

III - aceitar por ele heranças, legados, ou doações, com ou sem encargos;

IV - transigir;

V - promover-lhe, mediante praça pública, o arrendamento dos bens de raiz;

VI - vender-lhe em praça os móveis, cuja conservação não convier, e os imóveis, nos


casos em que for permitido (art. 429);

VII - propor em juízo as ações e promover todas as diligências a bem do menor,


assim como defendê-lo nos pleitos contra ele movidos, segundo o disposto no art. 84.

7) Prestação de Contas: O encargo da tutela é sempre definido pelo prazo de dois


anos (2). Ocorre que, ao completar um ano este tutor deve prestar contas ao juiz, e,
depois ao final do segundo ano prestará contas novamente. Nada impede que ao final
dos dois anos, este seja reconduzido, mas não terá mais a obrigatoriedade de exercer
a tutela.

CURATELA:

Ao instituto da curatela aplicam-se as mesmas regras da tutela. A diferença


fundamental entre a tutela e a curatela é que, a tutela é a representação de menores,
enquanto que, a curatela é a representação de maiores incapazes.

1) Conceito: Curatela é a representação de maiores incapazes.

2) Sujeitos a Curatela – 446,CC

Art. 446 - Estão sujeitos à curatela:

I - os loucos de todo o gênero (arts. 448, I, 450 e 457);

II - os surdos-mudos, sem educação que os habilite a enunciar precisamente a sua


vontade (arts. 451 e 456);

III - os pródigos (arts. 459 e 461).

3) Interdição:

Os pais não exercem o pátrio poder em virtude da maioridade do filho. Mas nada
impede que o pai seja o curador do filho.
Art. 392 - Extingue-se o pátrio poder:
I - pela morte dos pais ou do filho;
II - pela emancipação, nos termos do parágrafo único do art. 9º, Parte Geral;
III - pela maioridade;
IV - pela adoção.

A ação judicial cabível denomina-se ação de interdição. Na ação de interdição temos


duas fases fundamentais. I -Fase de entrevista pelo juiz, para apenas separar os casos
graves dos menos graves. O sujeito comparece perante o juiz e este o entrevista. II –
Fase do Laudo Perecial, realizado por profissional experiente que vai diagnosticar os
problemas deste indivíduo. Este laudo tem por finalidade concluir se efetivamente
existe este problema. Além de diagnosticar a capacidade, este laudo vai determinar as
limitações desta incapacidade.

4) Limitações da Sentença – 451,CC

Art. 451 - Pronunciada a interdição do surdo-mudo, o juiz assinará, segundo o


desenvolvimento mental do interdito, os limites da curatela.

Essa sentença define os limites da curatela. A sentença de interdição pode ser


gradativa, estabelecer limites, ou apenas restringir alguns direitos desta pessoa. Por
exemplo, o pródigo pode prover de todos os atos de sua vida, menos os relativos à
admnistração de seu respectivo patrimônio. Outro exemplo é o esquizofrênico, pois
este tem momentos de lucidez.

5) Nomeação do curador – 454,CC

Art. 454 - O cônjuge, não separado judicialmente, é, de direito, curador do outro,


quando interdito (art. 455).

§ 1º - Na falta do cônjuge, é curador legítimo o pai; na falta deste, a mãe; e, na


desta, o descendente maior.

§ 2º - Entre os descendentes, os mais próximos precedem aos mais remotos, e,


dentre os do mesmo grau, os varões às mulheres.

§ 3º - Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador.

REVISÃO DA MATÉRIA:

Quais as diferenças entre o casamento e a união estável? O casamento inicia por um


ato solene. A união estável se concretiza no decurso do tempo.

João e Maria publicam uma nota no jornal dizendo que a partir daquele dia
passariam a morar juntos. Sendo que, dois dias depois separaram-se. Houve uma
união estável? Não houve uma união estável, pois não houve a estabilidade, que é um
requisito essencial da união estável.

Quais as espécies de guarda?

Em que situações a mãe perderá a guarda?

Em que moldes pode ser deferida a visita? Estabeleça uma cláusula.

Como é definida a verba alimentar?

Explique o binômio necessidade e possibilidade.

Os alimentos tem prazo prescricional de 5 anos, mas só para alimentos já fixados.

Quais os requisitos para se revisar uma sentença que já fixou os alimentos? O


requisito é que haja uma alteração ocorrida no binômio necessidade e possibilidade.

A guarda possui uma sentença com efeitos apenas formais.

Estabeleça as diferenças entre tutela e a curatela.

Theo Bastos Barcellos: E-Mail: theobast@bol.com.br. Acadêmico de Direito da Ulbra e


bolsista do Fundo Proict/Ulbra, Canoas/RS