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Franz Liszt – o maior pianista de todos os

tempos
6 de abril de 2017 fritzdobbert Pianistas

Ao lembrar de grandes compositores, vários são os nomes que se destacam, como Bach,
Chopin, Beethoven e muitos outros. Mas, ao citar os grandes pianistas, um deles é
considerado, por muitos, o maior de todos os tempos: Franz Liszt.

Liszt nasceu na vila de Raiding, em Doborján, região da Hungria, no dia 22 de outubro de


1811. Foi batizado em latim com o nome “Franciscus”, mas sempre o chamaram de “Franz”,
a versão alemã do nome. Era chamado de “François”, em francês, e “Ferenc”, “Ferencz” ou
“Ferentz” em húngaro.
Sua nacionalidade é, e sempre foi, motivo de muita discussão. De acordo com pesquisas,
seu bisavô, o alemão Sebastian List (a letra “z” foi adicionada mais tarde), resolveu morar
na Hungria no século 18.
Como na época a nacionalidade de uma pessoa nascida na Hungria era herdada, seu avô
e seu pai também seriam alemães e, seguindo este raciocínio, também Franz Liszt, que
sempre respondia, com orgulho, que era húngaro, mesmo sem sequer falar a língua. Sua
mãe, Anna Maria Liszt, era austríaca.
Seu pai, Adam Liszt, era administrador das propriedades do Príncipe Nicolas Eszterházy,
candidato napoleônico ao trono húngaro e protetor de Joseph Haydn e de Ludwig van
Beethoven. Franz recebia aulas do pai, que estudara piano, violino, violão e violoncelo e
cantava no coro da igreja.
Em carta datada de 13 de abril de 1820, Adam Liszt conta ao Príncipe Esterházy que havia
comprado cerca de 8.800 páginas de partituras dos maiores mestres da música para que
Franz estudasse.
Apesar disso, Liszt, já maduro, afirmava que as experiências musicais mais importantes da
sua infância foram as performances de artistas ciganos. Em outubro do mesmo ano, o
pequeno músico, então com nove anos, participou de um concerto do violinista Baron van
Praun. Na segunda parte do evento, tocou um concerto em Mi bemol maior de Ferdinand
Ries, com uma coda improvisada que obteve muito sucesso.

No mês seguinte, apresentou-se para uma audiência de aristocratas e membros da alta


sociedade, o que rendeu um pagamento anual de 600 gulden durante seis anos,
assegurados por um grupo de nobres, para que o garoto pudesse estudar no exterior. A
quantia, no entanto, era insuficiente frente ao custo estimado de 1.500 gulden para a
educação de Franz.
Em maio de 1822, Adam Liszt pediu ao Príncipe Esterházy um ano de ausência. Quando o
príncipe aceitou, ele já havia vendido tudo que possuía em Raiding e, no dia 8, a família foi
para Viena.
Ali, o jovem Liszt frequentou aulas de piano com o grande Carl Czerny, que fora aluno de
Beethoven. O mestre comentou posteriormente que ficou impressionado com o talento de
Liszt ao piano, mas que o aluno “não tinha qualquer conhecimento de dedilhados
apropriados e seu jeito de tocar era caótico”. Liszt também passou a ter aulas de composição
com Antonio Salieri.
A estreia de Franz Liszt como músico em Viena foi em 1° de dezembro de 1822, em um
evento musical na “Landständischer Saal”, em que tocou um concerto de Hummel e fez
improvisações sobre uma ária da ópera Zelmira, de Gioachino Rossini, e o allegretto da
Sinfonia No. 7 de Beethoven. Em 13 de abril de 1823, foi concertista na “Kleiner
Redoutensaal”, tocando um concerto em Si menor de Hummel, Variações de Moscheles e
uma improvisação dele mesmo.
Os programas exploravam o efeito do virtuosismo do jovem, e os críticos o acolheram como
um fenômeno!
Quando o ano de ausência concedido a Adam Liszt estava chegando ao fim, e o pedido de
mais dois não foi concedido, o pai de Franz pediu demissão ao príncipe.
No fim, ainda do mesmo mês, a família voltou pela última vez à Hungria, onde Liszt deu
concertos apresentando um arranjo para piano da “Marcha de Rackózy”, algumas danças
húngaras e peças de Antal Csermák, János Lavotta e János Bihari, reforçando sua
“nacionalidade húngara”. Em seguida, a família retornou à Viena.
Meses depois, a família muda-se para a França, para Liszt estudar no Conservatório
Nacional de Paris. Mas o diretor da instituição recusou o aluno por ser estrangeiro.

Liszt completou seus estudos com aulas particulares, com Reicha e Paer. Seu pai não se
abalou: os comentários vindos do exterior criaram muita expectativa do público parisiense
em relação ao jovem virtuose. Com treze anos, Franz apresentou seu primeiro concerto
público no Teatro Louvois e foi aclamado pela imprensa. Aos 14 anos de idade, compôs sua
primeira ópera, em um ato, “Don Sancho”.
Franz Liszt centrou seus interesses em sua carreira como intérprete. Trabalhando
exaustivamente, é obrigado a tirar um período de férias no litoral francês. Em agosto de
1827, morreu seu pai, o que levou o jovem músico a se mudar para Paris, onde passou a
lecionar música, abandonando os concertos. Ali, apaixonou-se por uma aluna, Carolina, filha
do Conde Saint Cricq, mas, obrigado a se afastar da amada, recolheu-se ao isolamento.
Em 1830, graças à revolução contra a monarquia de Carlos X, saiu da apatia e conheceu
Chopin, Berlioz, Lamartine, Victor Hugo, George Sand e Niccolò Paganini, se familiarizando
com o romantismo.
Era famoso na Europa como um virtuose. A “Lisztomania” dominava o continente, e a carga
emocional dos seus recitais causavam a muitos ouvintes reações descritas como histéricas.
Havia testemunhos de que sua interpretação tinha elevado o estado de ânimo da audiência
a um nível de êxtase místico.
Sua fama com as mulheres também era grande. Com 22 anos conheceu a Condessa Marie
d’Agoult, com quem viveu durante seis anos na Suíça e teve três filhos.
Liszt desejava compor trabalhos orquestrais em grande escala, mas acabava por não ter
tempo para isso por conta de suas viagens como concertista. Em setembro de 1847, deu
seu último recital público e anunciou a sua retirada do circuito de concertos, instalando-se
na corte de Weimar, na Prússia, onde viveu dez anos como diretor musical da Ópera.
Em 1848, teve um romance com a princesa Caroline Sayn-Wittgenstein, dedicou-se à
música orquestral e conheceu o compositor Richard Wagner, futuro marido de sua filha
Cosima.
Em 1858, aborrecido com suas funções em Weimar e separado da princesa, Liszt foi para
a Itália. Já em 1865, tornou-se membro da terceira ordem dos franciscanos. Durante esse
período, dedicou-se à composição de obras sacras. Recluso, fez uma visita à Inglaterra, em
1886, mas a viagem o esgotou. Em Budapeste foi festejado como compositor nacional da
Hungria.
Franz Liszt morreu em 31 de julho de 1886, na casa de Wagner, em Bayreuth, na Baviera.
Seu corpo foi sepultado no cemitério de Alter Friedhof, na mesma cidade.

A Obra de Franz Liszt

Considerado o maior pianista de sua época e um dos maiores de toda a história, Franz Liszt
foi um dos mais proeminentes representantes “Neudeutsche Schule” (Nova Escola Alemã).
Deixou obras que influenciaram seus contemporâneos sobre o futuro e antecipou algumas
ideias e tendências do século 20.
Algumas de suas contribuições mais notáveis foram a invenção do poema sinfônico, em que
desenvolve o conceito de transformação temática, radicais rupturas em harmonia e a
popularização das transcrições para piano.
No campo da música sacra, destacam-se os oratórios: S. Isabel, S. Stanislaus (incompleta),
Christus e Via Crucis. Escreveu duas sinfonias: a Sinfonia Dante, inspirada na Divina
Comédia de Dante Alighieri; e a Sinfonia Fausto, composta por diferentes quadros que
caracterizam as personagens de Fausto, do escritor alemão Goethe. Liszt também escreveu
inúmeros lieder e peças para música de câmara, das quais se devem destacar as obras
para violino e piano.
Mas a grande contribuição de Liszt para a música foi nas obras para piano. Sua Sonata em
Si menor é, provavelmente, sua obra de maior vulto e um verdadeiro desafio aos pianistas.
Suas 19 Rapsódias Húngaras para Piano (posteriormente orquestradas) são muito
populares. A mais conhecida delas, a de número 2, até se tornou trilha sonora de desenhos
animados. Veja no vídeo abaixo:
No compêndio de peças para piano como Liebesträume (“Sonhos de Amor”), produzida a
partir de poemas de Ludwig Uhland e Ferdinand Freiligrath, destaca-se a peça No. 3,
conhecida como “Liebestraum”, que faz parte do repertório de aclamados pianistas. Ainda
se destacam os dois concertos para piano e a Valsa Mephisto No. 1.
Os 12 Estudos de Execução Transcendental estão entre as obras mais virtuosísticas já
escritas para o piano. A primeira versão desses Estudos, Étude en Douze Exercises
(“Estudo em Doze Exercícios”), foi lançada em 1826, quando Liszt tinha apenas 15 anos.
Em 1837, foi lançada uma outra versão desses Estudos, que recebeu o nome de Douze
Grandes Études. A terceira versão (a mais conhecida, gravada e executada) foi lançada em
1852 (catalogada como S139), e recebeu o nome de Estudos de Execução Transcendental,
mais conhecida por Estudos Transcendentais. Foi dedicada a Carl Czerny.
A primeira versão já era desafiadora, mas a segunda versão contém um salto assustador no
nível de virtuosismo, a ponto de Liszt reconhecer que seu nível de dificuldade era tão alto
que, na versão Transcendental, resolveu facilitar os exercícios e dar mais ênfase à
musicalidade deles.

Franz Liszt
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Franz Liszt
Franz Liszt fotografado por Louis Held.

Informação geral

Nome completo Liszt Ferenc

Nascimento 22 de outubro de 1811

Local de nascimento Doborján (atual Raiding), Condado de Sopron


Reino da Hungria

Morte 31 de julho de 1886 (74 anos)

Local de morte Bayreuth, Baviera

Gênero(s) romântico

Ocupação(ões) compositor, maestro, pianista

Instrumento(s) piano

Período em atividade 1830-1880

Influenciado(s) Smetana

Franz Liszt (Doborján, 22 de outubro de 1811 — Bayreuth, 31 de julho de 1886) foi


um compositor, pianista, maestro e professor e terciário franciscano húngaro do século
XIX.[1][2][3] Seu nome em húngaro é Liszt Ferenc.
Liszt ganhou fama na Europa durante o início do século XIX por sua habilidade como
pianista virtuoso. Foi citado por seus contemporâneos como o pianista mais avançado de
sua época, e em 1840 ele foi considerado por alguns como, o maior pianista de todos os
tempos. Liszt foi também um compositor bem conhecido e influente, professor e maestro.
Ele foi um benfeitor para outros compositores, incluindo Richard Wagner, Hector
Berlioz, Camille Saint-Saëns, Edvard Grieg e Aleksandr Borodin.[4]
Como compositor, ele foi um dos representantes proeminentes da "Neudeutsche Schule"
("Nova Escola Alemã"). Deixou para trás um corpo extenso e diversificado de trabalho em
que ele influenciou seus contemporâneos sobre o futuro e antecipou algumas ideias e
tendências do século XX. Algumas de suas contribuições mais notáveis foram a invenção
do poema sinfônico, desenvolvendo o conceito de transformação temática, como parte de
suas experiências em forma musical e fazer rupturas radicais em harmonia.[5] Ele também
desempenhou um papel importante na popularização de uma grande variedade de música
de transcrição para piano.

Índice

 1Biografia
o 1.1Origem
 2Início da vida
 3Liszt na sua juventude
 4Relação com a Princesa Carolyne zu Sayn-Wittgenstein
 5Principais obras
 6Ver também
 7Notas
 8Referências
o 8.1Bibliografia
 9Ligações externas

Biografia[editar | editar código-fonte]


Origem[editar | editar código-fonte]
Liszt nasceu em 21 de outubro de 1811 no vilarejo de Doborján (atual
Raiding, Burgenland), então parte do Reino da Hungria, sob domínio Habsburgo, no
comitato de Oedenburg. Foi batizado em latim com o nome "Franciscus", mas seus amigos
mais próximos sempre o chamaram de "Franz", a versão alemã de seu nome. Era
chamado de "François" em francês, "Ferenc", "Ferencz" ou "Ferentz" em húngaro; no seu
passaporte de 1874, o nome registrado era "Dr. Liszt Ferencz".
A língua tradicional daquela região era o alemão, e apenas uma minoria sabia falar
húngaro. Oficialmente, o latim era utilizado. Seu pai, Adam Liszt, tivera aulas em húngaro
no ginásio de Pozsony, hoje Bratislava, mas ele não aprendeu quase nada. Apenas a
partir de 1835 as crianças de Raiding passaram a ter aulas de húngaro na escola. O
próprio Liszt era fluente em alemão, italiano e francês; também tinha um pequeno domínio
de inglês, mas seu húngaro era muito precário. Nos anos de 1870, quando todos os
habitantes da Hungria foram forçados a aprender húngaro, Liszt tentou aprendê-lo, mas
desistiu depois de algumas aulas.
A nacionalidade de Liszt foi causa de muita intriga e discussão. De acordo com pesquisas,
seu bisavô, Sebastian List,[n 1] era um alemão que resolveu morar na Hungria no século 18.
Como a nacionalidade de uma pessoa nascida na Hungria na época era herdada, seu avô
e seu pai também seriam alemães. Seguindo este raciocínio, Liszt também deveria ser
considerado alemão. A mãe de Liszt, Anna Maria Liszt, era austríaca.
Quando perguntado sobre sua nacionalidade, Liszt sempre respondia com orgulho que era
húngaro, mesmo sem sequer falar a língua; durante toda sua vida usou seu passaporte
húngaro para viajar. Este fato fez com que ainda hoje a maioria pense que ele era
integralmente húngaro.[n 2]

Início da vida[editar | editar código-fonte]

Retrato de Liszt (1856) por Wilhelm von Kaulbach

Era sonho do próprio Adam Liszt se tornar músico.


Estudara piano, violino, violão e violoncelo. Enquanto estudava filosofia na Universidade
de Pressburg, estudou instrumentação com Paul Wigler; infelizmente, devido à sua falta de
recursos financeiros, teve de desistir dos estudos. Logo no dia 1° de janeiro de 1798, ele
passou a trabalhar para o Príncipe Nikolaus II Esterházy. Entre 1805 e 1808, ele trabalhou
em Einsenstadt, onde o Príncipe Esterházy tinha uma casa de férias com uma orquestra.
Até 1804 essa orquestra foi regida por Franz Joseph Haydn, e a partir desta data até 1811,
por Johann Nepomuk Hummel. Em várias ocasiões, Adam Liszt tocou nela como segundo
violoncelista. Em 13 de setembro de 1807, a orquestra executou a Missa em Dó maior
de Ludwig van Beethoven, regida pelo próprio. Adam Liszt conhecia Haydn, Hummel e
Beethoven. Para ele, os vienenses clássicos haviam atingido o mais alto nível de
musicalidade.
Ao nascer, Franz Liszt recebeu pouca esperança de sobrevida. Sofria síncopes frequentes
e chegou a tal ponto que um carpinteiro foi chamado para tirar suas medidas e preparar
seu caixão. Contudo, acabou se curando.[6]
O próprio Liszt, quando adulto e artisticamente maduro, dizia muitas vezes que as
experiências musicais mais importantes da sua infância foram as performances de artistas
ciganos. Porém, o repertório que ele teve de estudar era bem diferente da música dos
ciganos. Uma carta de Adam Liszt para o Príncipe Esterházy datada de 13 de abril de
1820, diz que ele havia comprado cerca de 8,800 páginas de partituras dos maiores
mestres da música. Durante os 22 meses que se seguiram, Liszt já havia estudado as
obras mais tecnicamente complexas de Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus
Mozart, Muzio Clementi, Johann Baptist Cramer, dentre outros. Em outubro de 1820, no
velho cassino de Sopron, ele participou de um concerto do violinista Baron van Praun. Na
segunda parte do evento, Liszt tocou um concerto em Mi bemol maior de Ferdinand Ries,
numa improvisação pessoal de muito sucesso.
Ainda criança, Liszt já se mostrava capaz de reproduzir apenas de memória horas de
música tocadas pelo pai. Em novembro de 1820, Adam Liszt teve uma oportunidade ainda
maior de mostrar ao público o dom de seu filho. Em Pressburg, a Dieta se encontrou pela
primeira vez após um rompimento de 13 anos. Em 26 de novembro, Liszt deu um concerto
para uma audiência de aristocratas e membros da alta sociedade. Um grupo de magnatas
assegurou um pagamento anual de 600 gulden durante seis anos para que o garoto
pudesse estudar no exterior.[7]
Adam Liszt já havia pedido ajuda ao Príncipe Esterházy em 4 de agosto de 1819 para
educar seu filho. Nessa petição, ele estimou um gasto anual que ficaria entre 1,300 e
1,500 Gulden. Ele não esperava que o príncipe fosse pagar essa quantia, mas também
pediu uma posição em Viena. Assim, Adam poderia ganhar dinheiro por conta própria
enquanto seu filho teria aulas com um grande mestre do piano. A petição foi apoiada por
Hofrat Johann von Szentgály, um oficial. Mas como não havia vagas para o trabalho em
Viena, a petição foi negada pelo príncipe. Os 600 Gulden oferecidos pelos magnatas em
novembro de 1820 eram insignificantes comparados aos gastos anuais num total de
1,500 Gulden. Nada aconteceu pelos próximos 18 meses. Em 6 de maio de 1822, Adam
Liszt pediu por uma petição um ano de ausência. Quando o príncipe aceitou esta, Adam
Liszt já havia vendido tudo que ele possuía em Raiding. Em 8 de maio de 1822, a família
Liszt foi para Viena.

Liszt na sua juventude[editar | editar código-fonte]


Em Viena, o jovem Liszt frequentou aulas de piano com o grande Carl Czerny, que fora
aluno de Beethoven em sua juventude. Czerny comentou, em seu livro de memórias, que
ficou impressionado com o talento de Liszt ao piano, mas que o garoto não tinha qualquer
conhecimento de dedilhados apropriados, e seu jeito de tocar era caótico. Czerny mostrou
a Liszt algumas das sonatas mais fáceis de Muzio Clementi e mandou tocá-las. Liszt
tocou-as sem qualquer dificuldade, mas não entendia que tinha de trabalhar nos detalhes
da execução e da expressividade. O professor e seu aluno também tinham opiniões
diferentes quanto a dedilhados usados para as obras tocadas. Há boatos de que ele, numa
tentativa de escapar das aulas de piano, escreveu dedilhados complexos e difíceis para as
obras e os mostrou ao seu pai, alegando que eles haviam sido escritos por Czerny. Havia
se tornado óbvio que Czerny não tinha noção do que mandava seus alunos fazer, e por
isso Liszt deveria parar de ter aulas com ele. Mas logo depois, Adam Liszt conversou com
Czerny e seu filho, e as aulas prosseguiram.
Liszt foi então ouvido em círculos privados. Sua estreia em Viena foi em 1° de dezembro
de 1822, em um evento musical na "Landständischer Saal", Liszt tocou um concerto em Lá
menor de Hummel e também fez uma improvisação sobre uma ária da
ópera Zelmira de Gioachino Rossini e também o allegretto da Sinfonia No. 7 de
Beethoven. Em 13 de abril de 1823, ele deu um famoso concerto na "Kleiner
Redoutensaal". Dessa vez, tocou um concerto em Si menor de
Hummel, Variações de Moscheles e uma improvisação dele mesmo.
A partir de julho de 1822, Liszt passou a ter aulas de composição com Antonio Salieri, o
último professor de Beethoven.[8] De acordo com uma carta deste ao Príncipe Esterházy
datada de 25 de agosto de 1822, até então ele havia introduzido Liszt a alguns elementos
da teoria musical, sendo que mais aulas viriam depois destas. Visto que os admiradores
de Liszt o tratavam como um prodígio, Salieri sabia que havia aceitado uma tarefa nada
fácil.
Na mesma época, a família Liszt conheceu Anton Felix Schindler, amigo de Beethoven por
meio do qual o garoto via uma chance de conhecer seu ídolo. Schindler conseguiu o
encontro, mas Beethoven, à altura já lutando contra a surdez e a pobreza, pouco se
interessou em conhecer o húngaro. Contudo, em 13 de abril de 1823, Beethoven
compareceu a um concerto de Liszt e, ao final da sua apresentação, beijou a testa do
garoto.[9]
Altenburg, residência de Franz Liszt em Weimar, entre 1848–1861, época na qual compôs os seus
primeiros doze poemas sinfónicos.

Na primavera de 1823, quando o ano de ausência concedido a Adam Liszt estava


chegando ao fim, este pediu em vão ao príncipe mais dois. Adam mais tarde pediu
demissão ao príncipe, e no fim de abril de 1823, a família voltou pela última vez à Hungria.
Liszt deu concertos em Pest nos dias 1° e 24 de maio. Também participou de concertos
nos dias 10 e 17 de maio no "Königliches Städtisches Theater" e em 19 de maio na
"Vergnügliche Abendunterhaltung". Neste último evento, Liszt tocou um arranjo para piano
da Marcha de Rackózy, algumas danças húngaras e peças de Antal Csermák, János
Lavotta e János Bihari. No fim do mês, a família retornou a Viena.
Ao final de 1823, os Liszt foram a Paris tentar fazer o garoto entrar no conservatório de
Paris e conseguiram uma reunião com o diretor da instituição, que encerrou o sonho deles
ao informá-los de que apenas franceses poderiam estudar lá.[10] Em 1827, seu pai adoeceu
e morreu no dia 28 de agosto, alertando o filho em suas últimas palavras de que ele seria
dominado pelas mulheres em sua vida.[11]
Liszt conheceu sua primeira paixão logo após a morte do pai: Carolina de Saint-Cricq, sua
aluna, que o correspondeu a princípio. Sua mãe, ciente da relação, morreu pouco tempo
depois e alertou o marido sobre o amor da filha. O conde, então, tratou de informar Liszt
que um noivo (o conde de Artigaux) já havia sido selecionado para sua filha. O músico
nunca mais voltou ao palácio da família.[12]
Liszt tinha tentado escrever sua Sinfonia Revolucionária já em 1830,[13] mas no início da
sua vida adulta centrou seus interesses principalmente em sua carreira como intérprete.
Em 1847, Liszt era famoso na Europa como um virtuoso pianista.[14] A "Lisztomania"
percorria toda a Europa, e a carga emocional dos seus recitais converteram os concertos
em "algo místico em vez de serem eventos musicais sérios", e a reação de muitos ouvintes
poderia ser descrita como histérica.[15]
O musicólogo Alan Walker afirma que "Liszt era um fenómeno natural e a gente era
dominada por ele… Com a sua cativante personalidade, a sua larga melena de cabelo
solto criou uma encenação assombrosa. Havia muitos testemunhos para declarar que a
sua interpretação tinha melhorado realmente o estado de ânimo da audiência a um nível
de êxtase místico".[15] Os pedidos para realizar concertos «aumentaram exponencialmente»
e «cada aparição pública provocava a procura de outra dúzia».[14] Liszt desejava compor
música, como trabalhos orquestrais a grande escala, mas acabava por não ter tempo para
isso devido às suas viagens como virtuoso do piano.[14] Em Setembro de 1847 Liszt deu o
seu último recital público como artista contratado, e anunciou a sua retirada do circuito de
concertos,[16] instalando-se em Weimar, onde tinha sido Kapellmeister honorífico em 1842,
para trabalhar em suas composições.[14]

Relação com a Princesa Carolyne zu Sayn-


Wittgenstein[editar | editar código-fonte]
A Princesa Carolyne zu Sayn-Wittgenstein em 1847

A Princesa Carolyne zu Sayn-Wittgenstein nasceu em 1819 e morreu em 8 de março de


1887 em Roma, e ficou conhecida por sua dedicação a Franz Liszt, com quem se reuniu
em Kiev em 1847, durante uma de suas turnés. O encontro correspondeu ao desejo de
Liszt de parar qualquer composição orquestral.
O grão-duque de Weimar tinha oferecido a Liszt um cargo de prestígio de Kapellmeister, e
a princesa juntou-se a ele em fevereiro de 1848, vivendo juntos durante muitos anos.
Carolyne era então, independente do seu marido já há algum tempo.
A Igreja Católica Romana eventualmente quis que a princesa casasse com Liszt e
regularizasse sua situação, mas por ela estar ainda casada e o marido estar ainda vivo, a
princesa teve que convencer as autoridades católicas de que seu casamento tinha sido
inválido. Em setembro de 1860, depois de um intrincado processo, foi temporariamente
bem sucedida. Estava previsto seu casamento em Roma, em 22 de outubro de 1861, no
dia do 50º aniversário de Liszt. Este, tendo chegado a Roma em 21 de outubro de 1861,
descobriu que a princesa, no entanto, era incapaz de se casar com ele, pois
aparentemente, tanto o marido dela quanto o Czar da Rússia conseguiram revogar a
permissão para o matrimónio no Vaticano.
O governo russo também apreendeu várias das suas propriedades, o que fez com que seu
eventual casamento com Liszt, ou qualquer outro, fosse inviável. Além disso, o escândalo
teria prejudicado seriamente a sua filha, claramente a razão principal pela qual o príncipe
pôs fim ao casamento agendado. Posteriormente, seu relacionamento com Liszt tornou-se
uma companhia platónica, especialmente depois dele ter recebido ordens menores na
Igreja Católica e se tornar abade.
O casal aumentou a influência da música na cidade convidando muitos músicos, incluindo
várias vezes Hector Berlioz, que conversou com a princesa em correspondência nos anos
de 1852–1867. Ela foi especialmente encorajadora para que Berlioz escrevesse Les
Troyens, dedicada a Virgílio Divo, mas também à Princesa Carolyne Sayn-Wittgenstein.
O escândalo causado pelo fato de que Liszt frequentava a casa de uma mulher casada,
contribuiu depois para que mudassem para a Itália em 1860. Eles não eram casados, pois
a princesa não começou um divórcio. A sua permanência durou cerca de quarenta anos.
Faleceram com oito meses de diferença, o que fez deles um par lendário, como George
Sand e Alfred de Musset. Franz Liszt morreu em 31 de julho de 1886, em Bayreuth,
na Baviera. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Alter Friedhof, na mesma cidade.[17]

Principais obras[editar | editar código-fonte]


Franz Liszt em quatro períodos de sua vida

Liszt foi o criador do poema sinfônico, muito popular no século 19. No campo da música
sacra, salientam-se as 4 oratórias: S. Isabel, S. Stanislaus (incompleta), Christus, e a
vanguardista Via Crucis. Escreveu duas sinfonias, a Sinfonia Dante, inspirada na Divina
Comédia de Dante Alighieri, e a Sinfonia Fausto, composta por diferentes quadros que
caracterizam as personagens de Fausto, do escritor romântico alemão Goethe.
Liszt também escreveu inúmeros lieder e peças para música de câmara, das quais se
devem destacar as peças para violino e piano.
A sua Sonata em Si menor, apesar de não ter agradado a Johannes Brahms, que disse ter
adormecido durante a sua execução, é provavelmente sua obra de maior vulto. Também
muito populares são suas rapsódias húngaras para piano. A Rapsódia n.º 2, a mais
conhecida delas, tornou-se muito popular até como trilha sonora de desenhos animados.
No compêndio de peças para piano como Liebesträume ("Sonhos de Amor"), produzida a
partir de poemas de Ludwig Uhland e Ferdinand Freiligrath, destaca-se a peça No. 3,
conhecida como Liebestraum, a qual faz parte do repertório de aclamados pianistas
como Lang Lang, Richard Clayderman, Evgeny Kissin, e Valentina Igoshina.
Suas principais obras são: 19 Rapsódias Húngaras para Piano, (posteriormente
orquestradas), 12 Estudos de Execução Transcendental, Sonata em Si menor,Sinfonia
Fausto, Sinfonia Dante, Concerto para Piano No. 1, Concerto para Piano No. 2, Valsa
Mephisto No. 1, Liebesträume No. 3, e Poemas Sinfónicos.

Ver também[editar | editar código-fonte]


 Obras de Franz Liszt (S.1-S.350)
 Obras de Franz Liszt (S.351-S.999)
 Agnes Street-Klindworth

Notas
1. ↑ O pai de Liszt acrescentou a letra "z" ao sobrenome da família, e esta versão foi adotada
pelo avô de Liszt.
2. ↑ Isso se deve ao fato que o conceito de nacionalidade existente hoje na Hungria, não se
aplica à época de Franz. A Hungria fazia parte do Império Habsburgo, onde a língua
corrente era o alemão. A língua magiar, hoje dita húngara, era falada apenas no interior do
país e por aproximadamente 45% da população. Com o surgimento do nacionalismo entre
os Magiares, a língua húngara apresentou um renascimento, principalmente no período
socialista, onde se "magiarizou" a população, já que boa parte dos germanófonos, entre
eles judeus, haviam morrido ou migrado à força para a Alemanha ou Áustria. Caso
semelhante ocorre com os germanófonos dos sudetos e da pomerânia.

Referências
1. ↑ Walker, New Grove 2
2. ↑ «Franz Liszt». Encyclopædia Britannica. 2008. Consultado em 31 de julho de 2013
3. ↑ «Franz Liszt». Columbia Encyclopedia. Consultado em 31 de julho de 2013
4. ↑ Searle, New Grove, 11:29.
5. ↑ Searle, New Grove, 11:28–29.
6. ↑ Pourtalès (1934), p. 16
7. ↑ Pourtalès (1934), pp. 18-23
8. ↑ Pourtalès (1934), p. 24
9. ↑ Pourtalès (1934), pp. 25-26
10. ↑ Pourtalès (1934), p. 27
11. ↑ Pourtalès (1934), pp. 32-32
12. ↑ Pourtalès (1934), p. 33-36
13. ↑ Bonds, 24:837
14. ↑ Ir para:a b c d Walker, The Weimar Years, p. 6
15. ↑ Ir para:a b Walker, The Virtuoso Years, p. 289
16. ↑ Walker, The Virtuoso Years, p. 442
17. ↑ Franz Liszt (em inglês) no Find a Grave
Bibliografia[editar | editar código-fonte]

 Mark Evan Bonds (2001). The New Grove Dictionary of Music and Musicians. Symphony: II.
19th century. 29 2ª ed. Londres: Macmillan. ISBN 0-333-60800-3
 Jan Larue, Eugene K. Wolf (2001). The New Grove Dictionary of Music and Musicians.
Symphony: I. 18th century. 29. Londres: Macmillan. ISBN 0-333-60800-3
 Hugh Macdonald (1980). The New Grove Dictionary of Music and Musicians. Symphonic
Poem. 20 1ª ed. Londres: Macmillan. ISBN 0-333-23111-2
 Hugh Macdonald (2001). The New Grove Dictionary of Music and Musicians. 29. [S.l.]:
Macmillan. ISBN 0-333-23111-2
 Rena Charin Mueller (1986). Liszt's «Tasso» Sketchbook: Studies in Sources and Revisions.
[S.l.]: Univ. NY
 Michael Murray (1998). French Masters of the Organ: Saint-Saëns, Franck, Widor, Vierne,
Dupré, Langlais, Messiaen. Symphonic Poem. [S.l.]: Yale University Press. ISBN 0-300-07291-0
 Guy de Pourtalès (1934). A Vida de Liszt. [S.l.]: Livraria Cultura Brasileira. ISBN 978-
2070109838
 Harold C. Schonberg. The Great Conductor. Symphonic Poem. Nova Iorque: Simon and
Schuster
 Humphrey Searle. The New Grove Dictionary of Music and Musicians. Liszt, Franz. 20. [S.l.]:
Macmillan. ISBN 0-333-23111-2
 François-René Tranchefort (1998). Guia da Música Sinfónica 1.ª ed. Lisboa: Gradiva.
903 páginas. 9-726-62640-4

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoriacontendo imagens e outros ficheiros sobre Franz Liszt

 Partituras gratuitas de Franz Liszt na CPDL, a Biblioteca Coral de Domínio Público


 Obras de Franz Liszt no International Music Score Library Project