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Boletim nº 018/2019

Direção Colegiada SINTUFSCar - Gestão 2019/2020


“Resistir e Democratizar”
São Carlos, SP, 14 de agosto de 2019

Nota da Reitoria sobre o FUTURE-SE

Enquanto a comunidade universitária vai às ruas, a reitoria da UFSCar


vai ao Palácio

O dia de ontem, #13A, ficou marcado no país pelas várias manifestações da


comunidade acadêmica contra o Programa FUTURE-SE, do governo Bolsonaro e do seu
bizarro Ministro da Educação Abraham Weintraub.
Importante destacar que não é de hoje que a educação pública é menosprezada
pelos governos. Porém, nos últimos meses, vimos a gestão Bolsonaro anunciar diversas
medidas que atacam profundamente nosso setor. A própria nomeação de Abraham
Weintraub, um executivo do mercado financeiro, para o cargo de Ministro da Educação, já
sinaliza o projeto que o atual governo tem para a pasta: transformar a educação em um
produto a ser negociado e privatizado.
Os ataques são generalizados. Com base em argumentos fantasiosos, propagam
mentiras sobre as universidades públicas tentando induzir a população a acreditar que
nelas não se realizam pesquisas nem se produz conhecimento e que são espaços de
“balburdia”. Utilizam essas mentiras para promover um absurdo corte de 30% no
orçamento da Educação Superior. Com isso, as universidades logo estarão
impossibilitadas de pagar suas despesas contínuas, como conta de energia elétrica, honrar
com os contratos de serviços terceirizados (vigilância e limpeza), comprar materiais
necessários para o funcionamento cotidiano de salas de aulas e laboratórios.
Nós não aceitamos essa narrativa mentirosa que é um ataque também a nós,
servidores técnico-administrativos.Nenhum de nós trabalha para construir espaços de
balburdia, muito pelo contrário: nosso trabalho diário é um dos pilares que mantêm as
universidades públicas entre as melhores do Brasil e de toda a América Latina.
O FUTURE-SE visa inserir nas universidades, uma lógica privatizante por meio de
parcerias com Organizações Sociais (OS), o que promoverá, de imediato, o fim da
autonomia administrativa e de gestão financeira e patrimonial, além de produzir
dependência didático-científica aos interesses do mercado, o que gera conflito direto com o
Artigo 207 da Constituição Federal de 1988.

A Reitoria da UFSCar vai no caminho da destruição

Contrariando inúmeras manifestações que se opõem ao Programa FUTURE-SE,


tanto da própria comunidade da UFSCar como da CNTE (Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Educação) e da Andifes (Associação Nacional dos reitores das
universidades federais) – entidade da qual a reitora da UFSCar faz parte – a Administração
Superior soltou uma Nota que demonstra sua postura favorável à proposta do Governo
Federal exatamente no mesmo dia que ocorreram inúmeras manifestações por todo país,
reunindo centenas de milhares de alunos, técnicos, docentes e organizações políticas e
sindicais que veem nesse Programa uma inequívoca medida de destruição do modelo
público de universidade.
O mais preocupante e absurdo nessa Nota da Reitoria não são os esclarecimentos
acerca do Programa que, pretensamente, deseja fornecer à comunidade, mas sim sua
manifestação de acordo com o mesmo. O conteúdo do documento é ainda mais grave
porque faz claramente propaganda do FUTURE-SE e, em vez de colocar a Reitoria em
diálogo com a comunidade para a tomada de decisão, propõe apenas “reuniões de
esclarecimentos” junto às entidades representativas do campus.
A reitoria da UFSCar não foi eleita para ser representante das políticas do governo
aqui na UFSCar e entregar a universidade nas mãos de empresas privadas. Muito ao
contrário disso: foi eleita, como todas as demais foram, justamente para impulsionar o
debate interno frente a todas as questões que tratam da condução da universidade, da sua
existência e do seu modelo.
É premente que a reitoria rompa com essa postura de alinhamento vergonhoso aos
ataques as IFES, que convoque o debate junto ao Conselho Universitário e se apoie nas
entidades representativas das categorias para se posicionar de forma democrática e em
respeito ao que pensa a comunidade universitária. De postura autoritária já basta a do
governo de plantão.
VERGONHA!