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UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS

HUGO CESAR SANTOS TAVARES

PROJETO

ESTUDO SOBRE O PORTO DAS NAUS

Arqueologia Histórica e Análises Geográficas

São Vicente – São Paulo


2019
UNIMES
TEMA

O tema desta pesquisa é o Porto das Naus, localizado no bairro Japuí em São Vicente. Este
porto teria sido um dos primeiros a ser edificado no Brasil pelos portugueses e o primeiro
trapiche alfandegário. Há também outras hipóteses acerca da sua fundação, como por exemplo
Carlos Fabra (2010) diz em seu livro que o porto poderia ter sido fundado pelo Bacharel Mestre
Cosme Fernandes muito antes da chagada da Armada de Martim Afonso em 1532 aqui na região
de São Vicente. O porto então, teria sido fundado no curto período entre 1502 e 1532 na então
chamada “colonização acidental”, termo utilizado pelo Carlos Fabra em seu livro e outros
autores de obras literárias históricas similares.
Não obstante, o porto teria tido uma vida muito curta entre a sua fundação e seu desuso. Tendo
ele como fundado por volta de 1520 pelo Bacharel. Mais tarde elevado para trapiche de
alfandega em 1580, já com o governo português efetivamente colonizando o território
brasileiro. E pouco depois, por volta de 1610, destruído pelo ataque do corsário inglês Thomas
Cavendish à Vila de São Vicente e, respectivamente, no porto que teria sido incendiado e
destruído.
O TCC irá abranger apenas este período histórico da região de São Vicente, entre a colonização
acidental e início das Bandeiras. Além do contexto histórico, também faz parte da pesquisa o
entendimento da geografia local do porto segundo fontes da época.

JUSTIFICATIVA

Perante o contexto histórico já mencionado, esta pesquisa busca clarear esta fase da colonização
portuguesa, que ainda hoje deixa buracos na nossa história. O Porto das Naus é um objeto de
estudo pouco pesquisado, tendo sido alvo de apenas algumas investidas científicas ao longo
destes séculos. E todas estas poucas pesquisas1 nenhuma foi capaz de discorrer claramente sobre
a história do porto, passando por sua construção e destruição, deixando as ruínas atuais algo
que remete apenas ao imaginário da população, sem exercer o seu real emprego de trazer cultura
as populações em todas as esferas municipais, estaduais, nacionais e até mesmo internacionais.
A intenção é não apenas ajudar em pesquisas futuras, tanto para mim como para outros, mas
também para viabilizar e incentivar a prefeitura de São Vicente a realizar trabalhos de

1
Apenas encontrei três pesquisas focadas no porto

-I-
conservação, restauração e arqueologia nas ruínas do porto, que estão abandonadas e deixadas
para o uso de moradores de rua e outros grupos periféricos. Não obstante, acredita-se que este
trabalho quando publicado, possa trazer o porto para mais próximo da população que vive nas
imediações do porto, os quais veem apenas aquelas ruínas como algo antigo e sem valor. O
estudo do porto sozinho não consegue aproximar as pessoas do objeto, é necessário um trabalho
de arqueologia patrimonial que dialogue principalmente com os habitantes daquela região, a
fim de proporcionar uma conservação do porto assim como o levante da curiosidade deles.
Com o texto final, espera-se que o porto não seja o único beneficiário da pesquisa, pois ela
acabará por fazer um grande apanhado de informações sobre São Vicente antes mesmo da
chegada de Martim Afonso e depois do mesmo. Para entender o porto é preciso entender o seu
contexto, e a pesquisa para entender o mesmo irá contar com muitas fontes e textos que acabarão
por tornar a pesquisa uma fonte documental que angaria diversas fontes em um único texto.

OBJETIVO GERAL

Como mencionado, o foco da pesquisa é a compilação das informações existentes do porto


encontradas ao longo da pesquisa. Em adição a essa compilação, farei leituras dessas
informações para que elas não sejam entregues ao leitor de forma crua. Muitos dos textos são
antigos e fogem do vocabulário contemporâneo, uma leitura atual com perspectiva arqueológica
reviverá o porto.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Pesquisar e relacionar outros portos contemporâneos ao Porto das Naus. O intuito é entender as
relações que cada porto teria com a chegada dos colonos e seu papel durante a colonização na
Ilha de São Vicente. Isso também irá considerar o porquê de a escolha do Porto das Naus ser
naquele local e ser chamado de alfândega.
Estudar a história do porto individualmente, seus possíveis fundadores, donos e empregados.
Suas dimensões físicas, possíveis construções adjacentes e sua relação com a formação do povo
vicentino e seu papel na colonização do Brasil como um todo.
Analisar a geografia física do porto, sua localização, que teria relação com a sua história de
fundação, uma vez que muitas fontes contam que a profundidade das águas ali seria muito rasas,
entretanto sua posição geológica apresentaria uma defesa natural muito boa.

- II -
PROBLEMATIZACAO

A colonização portuguesa no Brasil ainda carece de muitos detalhes que seriam muito
explanatórios para nós brasileiros e principalmente pesquisadores. O Porto das Naus é apenas
um detalhe nisso tudo, mas para a compreensão da colonização em São Paulo, e principalmente
na Baixada Santista, o Porto pode ter um grande papel em esclarecer o processo que aqui se
deu.
Partindo deste princípio, entende-se que o porto como agora se encontra é incapaz de produzir
o conhecimento necessário para que haja uma compreensão da sua memória e por tanto um
estudo sobre seu emprego durante seu uso. Além da falta de atenção no objeto, há uma carência
também na sua bibliografia, o que dificulta as pesquisas e por tanto sua compreensão.
Com esta pesquisa, busca-se clarear estes nós sobre o porto que certamente irão dar uma
abertura maior para pesquisas e investimentos do tipo no objeto.

MÉTODO

Para que esta pesquisa seja possível, é necessária uma riqueza em sua bibliografia. Esta
bibliografia deve conter livros, artigos, textos e afins, que discursem sobre a vila e como esta
se deu ao longo da sua formação, constituindo assim o contexto principal da pesquisa, o porto2.
Portanto, inicialmente o principal método da pesquisa será a busca por fontes bibliográficas que
já tenham discursado sobre os temas: Vila de São Vicente, “colonização acidental”, chegada de
Martim Afonso e Porto das Naus em São Vicente.
Tendo este arcabouço referencial, poderá então se elaborar o corpo do texto que se constituirá
nestas informações. Contudo, o contexto histórico não é o único que deve ser levado em conta
para este trabalho, será necessário também uma pesquisa geográfica3, a qual contará com
diversas visitas às ruínas para o estudo da sua localização, assim como a busca por informações
documentais que discursem sobre ele. A importância desta pesquisa leva em conta que vários
autores que escreveram sobre a Vila de São Vicente e este porto dizem a profundidade das
águas na região do porto é rasa, portanto, insuficiente para a atracagem de grandes naves, na

2
Constitui a pesquisa bibliográfica histórica, pesquisa 1 (pesq. 1)
3
Pesquisa bibliográfica geográfica, pesquisa 2 (pesq. 2)

- III -
pesquisa geográfica será feito este levante, levando em consideração a temporalidade destas
informações4.
Com todas essas informações em mão, poder-se-á dar início a elaboração da compilação dessas
mesmas informações, juntamente com a interpretação do pesquisador por uma perspectiva
arqueológica.
Segue à baixo a tabela do cronograma da pesquisa:

X MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO


PESQ. 1 X X X

PESQ. 2 - X X X

FOTOS - - - X X

ESCRITA5 X X X X X X

ENTREGA - - - - - - X

4
A geografia não é algo estável, ela é mutável por si só e muito tangível pelo humano.
5
Por escrita entende-se a elaboração léxica do TCC

- IV -
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS6

REIS, NESTOR GOULART. Imagens de Vilas e cidades do Brasil Colonial. São Paulo:
Ed. da Universidade de São Paulo, 2001.

Porto das Naus em São Vicente, trapiche oficializado em 1532. Cidadeecultura.com.


Disponível em: <https://www.cidadeecultura.com/porto-das-naus-sao-vicente/>. Acesso em:
21 fev. 2019.

Novo Milênio: Histórias e Lendas de S. Vicente: Porto das Naus, primeiro trapiche
alfandegário. Novomilenio.inf.br. Disponível em:
<http://www.novomilenio.inf.br/sv/svh037.htm>. Acesso em: 21 fev. 2019.

MADRE DE DEUS, GASPAR TAUNAY, AFONSO. Memorias para a história da


capitania de S. Vicente. [s.l.: s.n., s.d.].

LANÇA, MARCO ANTONIO. São Vicente - Remanescentes da Vila Colonial e Porto das
Naus -. ipatrimônio. Disponível em: <http://www.ipatrimonio.org/?p=258>. Acesso em:
21 fev. 2019.

LANÇA, MARCO ANTONIO. São Vicente, a Primeira Vila do Brasil. Doutorado,


FAUUSP, 2005.

DOS SANTOS, RONALDO MARCO. O Rascunho da Nação. Doutorado, Universidade


Estadual de Campinas, 1985.

BUENO, BEATRIZ PICCOLOTTO. Sistema de produção da arquitetura na cidade


colonial brasileira – Mestres de ofício, “riscos” e “traças”. Docente, Universidade de São
Paulo, 2012.

6
Aqui constam em grande parte as fontes históricas, algumas poucas arquitetônicas e nenhuma
geográfica. Espera-se encontrar mais fontes ao longo da pesquisa e com a ajuda do orientador e da professora de
elaboração de TCC.

-V-
FABRA, CARLOS. São Vicente Primeiros Tempos. São Vicente: São Vicente, 2010.

AMARAL, Vera Lucia. A Civilização do Açúcar. São Paulo, Alameda. 2017

MELLO, Astolfo Gomes de. Por Uma Arqueologia Cética. São Paulo, Prismas. 2019

- VI -

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