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MERITÍSSIMA JUÍZA DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DA

COMARCA DA CAPITAL / FORO REGIONAL DE JACAREPAGUÁ


Dra. Caroline Rossy Brandão Fonseca

Embargos à execução nº 0046891-57.2017.8.19.0203

SHEILA MARIA COSTA DA SILVA, DAYSE COSTA DA SILVA,


SOLANGE COSTA DA SILVA e Espólio de NAYDE COSTA DA SILVA ,
já qualificados nos autos dos embargos à execução, vêm,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, em atenção à r. decisão de
fls. 201/202, esclarecer e requerer o que se segue.

1. DA NECESSIDADE DE RECOLHIMENTO DAS CUSTAS PARA


QUALQUER MANIFESTAÇÃO NESTES AUTOS

Extrai-se da fundamentação da r. decisão de fls. 201/202,


que Vossa Excelência reconsiderou apenas a primeira parte
da r. decisão de fls. 188/191, que se refere ao tema da suspensão
da execução.

Isto porque, segundo a r. decisão de fls. 201/202, a garantia do


juízo estaria dependendo da aceitação ou não dos bens
apresentados. Assim, não poderiam os embargantes sofrerem as
consequências de um ato que depende das embargadas.

Porém, Excelência, a segunda parte da r. decisão de fls. 188/191


não tem qualquer relação com isso, porque trata do tema do
valor da causa.
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Nessa segunda parte, Vossa Excelência – acertadamente – corrigiu de
ofício o valor da causa e determinou o recolhimento das custas no
prazo em curso de 10 dias. => Desloquei para o próximo
parágrafo.

Isso, aliás, sequer foi atacado pelos embargantes por meio de sua
petição de fls. 193/198. => Não é verdade, vide 2º parágrafo das
fls. 196.

E não foi porque a r. decisão de Vossa Excelência foi correta. O proveito


econômico pretendido por meio dos embargos é o exato valor certo e
definido da execução que pretendem bloquear. Com isso, na segunda
parte da r. decisão de fls. 188/191, Vossa Excelência –
acertadamente – corrigiu de ofício o valor da causa e determinou
o recolhimento das custas no prazo em curso de 10 dias.

Assim, Nobre Julgadora, sob pena de violação à expressa previsão


do art. 82, caput, do Código de Processo Civil, o feito não pode
prosseguir sem o prévio recolhimento das custas
pelos embargantes.

2. DA NÃO ACEITAÇÃO DOS BENS APRESENTADOS /


GARANTIA INIDÔNEA AOS FINS A QUE SE DESTINA

Os embargantes, maliciosamente, vêm aos autos apresentando os lotes


1 e 2 da Estrada do Pau da Fome como forma de garantia da execução.

Acontece que o que os embargantes não narraram a Vossa Excelência é


que esses lotes já foram – de maneira totalmente irregular –

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divididos fracionados em lotes com área inferior à prevista na
legislação municipal de menores e vendidos (por instrumento
particular de promessa de compra e venda) a terceiros,
os quais já construíram ou estão em fase final de construção dos
seus imóveis (fotos em anexo datadas de junho/2018 e,
por conseguinte, hoje em estágio bem mais avançado). Estima-se que
haja em torno de 60 casas no local. Todos imóveis residenciais. =>
Há casas com previsão de estabelecimento comercial no 1º piso e
moradia no 2º andar (isto é comum naquela área).

Sendo assim, os citados lotes não se afiguram como garantia de


coisa alguma, porque os embargantes possuem apenas a
titularidade no registro de imóveis, mas, na prática, a retomada
desses lotes, em caso de execução da garantia, não estariam tais
lotes efetivamente disponíveis às embargadas. tornar-se-á
absolutamente inviável às embargadas.. => Não acho estratégico
desde já reconhecer a inviabilidade de futura eventual ação de
reintegração de posse, visto poder fragilizar negociação com os
atuais possuidores dos lotes.

Ainda que se sustente que esses terceiros adquirentes soubessem da


situação irregular da aquisição, fato é que, no mundo real,
esses moradores, que pagaram elevados valores para construírem as
suas casas, não sairão de bom grado ou sem ajuizar pelo menos
umas dezenas de ações contra as embargadas.

Então, o que se verifica é que a garantia oferecida não possui valor


econômico idôneo à garantia da execução. De fato, nas condições
atuais, traria mais prejuízos às embargadas do que proveito econômico.
=> Tentei não fechar completamente a porta, pois lá na frente os
lotes poderão integrar a equação de pagamento, naturalmente,

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em complementação a um valor em espécie. Afinal de contas,
não nos esqueçamos do elevado valor da execução e que há
também uma ação indenizatória.

3. PEDIDOS

Firme nessas convicções, as EMBARGADAS vêm, respeitosamente,


perante Vossa Excelência, requerer que (i) seja mantida a segunda
parte da r. decisão de fls. 188/191 pelo recolhimento das custas,
pelo prazo lá fixado, e (ii) ante à ausência de suspensão da execução,
seja dado prosseguimento à execução, sobretudo em razão da
não aceitação da garantia oferecida, pelos motivos acima expostos.

Pede deferimento.

Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2019.

Fabio Paulo Reis de Santana


OAB/RJ 172730

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