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Lama Padma Samten – Nascendo no Lótus

O budismo como remédio


Nós temos uma tendência a reificar, que acredito estar ligada à tradição bíblica, ou seja, tudo aquilo
que é falado na bíblia é sagrado em si mesmo. O ensinamento budista é um remédio, não é algo que
tenha a perfeição em sua forma, ele tem uma perfeição na sua origem. Nesse sentido temos o ideal
de abandonar aquilo, é como se na tradição bíblica houvesse o ideal de mesmo encontrando Deus,
abandonar a bíblia. Acredito que S. Francisco de Assis chegou a isso, porque ele não portava nem a
bíblia, aquilo era como se fosse um orgulho, um pouco agressivo levar a bíblia. Mas ele se contentava
em estar em contato com o Cristo vivo. Assim é no budismo, nós temos a conexão com a natureza
primordial e não precisamos de um conjunto de métodos. Estamos numa condição em que se pode
aprender o conjunto de métodos. Maravilhoso! Temos o legado de outros mestres que os trouxeram,
mas todos são como uma farmácia, para serem abandonados. Todas as tradições reveladas precisam
de um registro, de uma memória, então aquilo precisa ser congelado e elevado. O ponto principal é:
como traduzir isso, onde encontrar a versão final e perfeita? Não se compreende a noção da
vacuidade da linguagem, do aspecto inseparável de quem lê daquilo que é lido, da coemergência que
brota disso. Aí surgem muitas interpretações, e dependem de um corpo de doutores para distinguir, e
aí segue... Mais um concílio, e vai indo, muda o tempo todo. É bem complicado. O budismo vem com
uma base daquilo que estamos usando, é método, é teoria, ele se dá muito bem com a ciência. A
ciência é mais apegada, eu diria.

Cognição e energia
Estamos no ponto da construção da mandala. Pela manhã trabalhamos o ponto de ver a importância
de estar preventivamente na mandala e tentar encontrar uma dimensão de sabedoria, e não o
mecanismo de se defrontar com o problema. E então existe uma sabedoria cognitiva que pensa, da
qual tentamos nos valer nos lembrando; e outra sabedoria da própria mandala: se estamos dentro da
mandala, a sabedoria e a energia vêm de acordo. Se não estamos ali dentro mesmo a sabedoria nos
parece meio estranha, se estivermos numa outra paisagem que não seja de sabedoria. Estávamos
vendo o recurso que podemos usar através da disciplina. Vemos que a disciplina é um pouco
problemática, ela se desgasta com o tempo. Agora quero introduzir este elemento que vem depois de
reconhecermos o lodo, a água, o talo, a flor, aí surgimos e podemos perguntar: o que faço agora? Essa
solução é a prática dos Diani budas. Vamos tentar penetrar nisso.

Os cinco Diani budas


Vamos olhar os cinco Diani budas, lembrando que a origem deles se dá posteriormente ao Buda
Sakiamuni. Na época do Buda Sakiamuni as pessoas tinham a própria imagem do Buda. Os alunos do
Buda tinham o Buda diante deles, já imaginaram? O próprio Buda! Ocorre que, quando o Buda passou
para o parinirvana ele desapareceu em presença física, mas curiosamente, as pessoas praticantes
visualizavam o Buda e as bênçãos da presença do Buda surgiam de novo. Com o tempo eles

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começaram a ver o Buda e mais duas imagens: uma, de Manjushri; a outra, de Chenrezig, porque o
Buda manifestava essas sabedorias sempre. Uma sabedoria cortante, cortava a ignorância, e outra
compassiva, que acolhia as pessoas sempre de modo amoroso. Depois, com o tempo, passaram a ver
o Buda na forma de cinco imagens, os cinco Diani budas. Ao olharmos os cinco Diani budas vemos que
eles são o próprio Buda, cada um com uma cor diferente, um mudra diferente, significando uma
característica diferente dos ensinamentos. Então quais são essas características?

A sabedoria do espelho
A primeira delas corresponde à sabedoria do espelho. Enquanto digo isso a vocês, localizem dentro se
já não tinham percebido isso, porque essas sabedorias não estão só no Buda, estão em todos nós, de
algum jeito estão lá! A nossa natureza também é a natureza de Buda, então vamos fazer isso aflorar
até o ponto em que decidamos tomar essas sabedorias como base da nossa manifestação. Quando
decidirmos isso, começaremos a olhar tudo em volta com esses olhos, o mundo surgirá diante desses
olhos especiais dos cinco Diani budas, surgirá como uma mandala, não mais como samsara. É dentro
dessa mandala que nós nos protegemos. Quando as coisas acontecerem já estaremos dentro da
mandala. As coisas vêm e só tomamos cuidado para não sermos arrastados para dentro de onde as
coisas são oferecidas. Logo, a sustentação da mandala se torna nossa prática principal, e não algum
ponto específico de mente que tentamos segurar, esquecendo o resto. Para entendermos isso é
preciso fazer um exercício de olhar para tudo a partir de cada sabedoria, primeiro com os olhos da
primeira sabedoria, depois com os olhos da segunda sabedoria... Para isso precisamos praticar a
visão correspondente. Fazendo estas práticas ganhamos estabilidade nessa mandala, nessa visão.
Quando as coisas aparecem temos a sabedoria pronta para olhar para elas, brota a sabedoria
específica, seja o que for, e não os enganos correspondentes aos seis reinos. Em vez de surgirem os
seis reinos, surge sempre a mandala de sabedoria. O processo é sem esforço, pois uma vez que nos
colocamos dentro da mandala, não tem esforço para isso funcionar. Depois vamos ter uma mandala
das cinco sabedorias em conjunto. A sabedoria do espelho tem a compreensão associada à
prajnaparamita. A noção de coemergência é uma chave dentro disso, eu faço surgir um mundo
interno e tem um mundo externo correspondente, as imagens internas e externas não têm
separação. Se eu estou no reino dos infernos tudo parece ruim, se estou no reino dos deuses tudo
parece bom. Tudo surge dentro e fora, simultaneamente, e então a coemergência nos permite
entender com detalhes o outro, porque a forma comum dos seis reinos de entender o outro é a partir
do reino onde nós estamos, a partir da visão que nós temos.

Na sabedoria do espelho nos habilitamos a entender o outro dentro do mundo que ele está
experimentando. Podemos até distinguir o que é a mente de sabedoria e o que é a mente comum. A
mente comum vê os outros seres dentro do seu próprio mundo, no mundo de quem está olhando; a
mente de sabedoria vê o outro no mundo dele, mas já está embutida a noção de vacuidade, aquilo é
a experiência dele, não é fixo. É a experiência do outro, logo isto já está embutido, vê-se o outro com
a natureza livre e pode-se ver de outras formas. Essa é a sabedoria do espelho, e eu vou perguntar a
vocês se já perceberam isso em algum momento. Então vocês vão fazer o mesmo exercício, vamos

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olhar situações que já vimos e tomar uma situação corrente que não está resolvida e tentar olhar com
esse olho da sabedoria do espelho.

Tatata
Agora vou introduzir outra palavra, que é tatata, a expressão de como opera a mente do Buda, como
opera a sua própria mente. Isso pode ser traduzido como dupla realidade, é novamente a sabedoria
do espelho: nós entendemos o outro no mundo dele, mas estamos livres da fixação à forma dele
entender o mundo. Esse é o aspecto da verdade absoluta, nós temos a verdade absoluta e a verdade
relativa. A verdade absoluta é a grande espacialidade. Eu vejo a onda no lago, mas sigo entendendo
que a realidade do lago não são as ondas. Por exemplo, um terapeuta diagnostica o que ele tem, mas
não prende o outro no que ele apresenta, ele segue livre para imaginar como o outro sairia daquilo.
Não fica preso no diagnóstico, senão não seria sabedoria do espelho, seria uma tentativa de falar de
algo absoluto e externo independente, fixo. Na visão budista isso seria um engano, seria
incompreensão da vacuidade. A essência da sabedoria primordial, que é uma das faces de tatata (o
outro lado é a sabedoria comum), é o ponto da vacuidade em que se reconhece que as coisas são
todas construídas, não há algo que não possa ser construído, logo não há algo que não possa ser
desatado. É a compreensão da noção do lenço com um nó, a sabedoria primordial vê as coisas como
nós atados sobre um lenço original. Nós podemos sempre desatar. Nós podemos não saber como
desatar, mas aquilo é desatável. Então, dupla realidade é isso, entender a configuração de um lado
que está operando, e de outro lado que aquela configuração pode se dissolver. Aqui eu descrevi a
sabedoria do espelho.

A sabedoria da igualdade
A segunda sabedoria é a sabedoria da igualdade. Ela também tem uma conexão com tatata. Por
exemplo, o aspecto primordial da sabedoria da igualdade é o fato de que não estamos presos a nossa
própria identidade. Quando nós olhamos as outras pessoas não precisamos ficar olhando se
ganhamos ou perdemos alguma coisa com isso. Se tivéssemos fixado nossa identidade com uma única
forma, não teríamos outra forma de operar. Mas a nossa natureza é livre de nós mesmos. Quando
vocês percebem que andam meio cansados de “si mesmos”, ótimo! Tirem umas férias, que nada vai
acontecer, nós temos esta liberdade. Um exemplo disso é que olhamos as outras pessoas no mundo
delas e podemos aspirar que elas tenham uma experiência melhor, e aí nos alegramos. Podemos
aspirar que elas superem o sofrimento, e nós nos alegramos... Podemos nos engajar para que elas
tenham algo melhor, e vamos nos alegrando. É como sentem as mães e seus bebês, elas não têm a
sensação que estão fazendo pelo bebê, mas há uma recompensa, elas se sentem felizes. Essa é a
sabedoria do espelho, olhamos para o outro e vemos igualdade, não há separação.

Podemos manifestar essa igualdade porque nós não somos alguma coisa, somos este aspecto plástico
que é capaz de aderir e de se alegrar com o outro. Então, de um lado a sabedoria primordial,
liberdade diante de nós mesmos, e do outro lado a sabedoria relativa de entender o outro no seu

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mundo. Quando nós fazemos algo, isso é positivo. Eu diria que a base da civilização, da humanidade,
está ligada a isso, a essa nossa capacidade, de um modo ou de outro, há algum momento em que nós
começamos a nos ajudar uns aos outros. Assim, olhando para trás no tempo, hoje está tudo
estruturado. Nós estamos aqui, mas tem alguém trabalhando para nos trazer iluminação e as estradas
seguirem funcionando. É bem complexo, a maior parte de nós trabalha para um bem comum ainda
que não saiba. Já existe uma inteligência ampla que faz a gente trabalhar pelo salário, que parece
muito estreito, mas beneficiando de forma direta o conjunto das pessoas. Somos beneficiados por
inteligências, mesmo quando morremos as inteligências seguem. A cada cem anos todas as pessoas
morrem, mas as inteligências só crescem, tornando-se mais abrangentes, protetoras. Hoje estamos
vendo a gripe no México, e vemos que boa parte da defesa se dá em um nível sutil pela internet -
informações, mostrando as ruas vazias. Isso me lembra a gripe espanhola, meu sogro me contava, ele
viveu 101 anos. Ele perdeu muitos irmãos em Rio Grande, onde morava. O pai dele veio da Alemanha,
fundou uma livraria e editora. Então ele presenciou isso – ninguém nas ruas. Quando morria alguém
eles empurravam até a beira da calçada e passava o caminhão para pegar os defuntos. Quando olho o
México, lembro disso, espero que não chegue a isso. Mas como as pessoas estão se protegendo hoje,
pela informação. Na época da gripe espanhola não tinha informação. Há pessoas trabalhando no
isolamento genético do vírus, trabalhando com vacinas etc.

Tatata é o aspecto absoluto e o relativo juntos. Se consigo manifestar esse aspecto de entender o
outro, que é algo relativo, para fazer isso preciso estar livre da minha própria fixação, exercendo uma
liberdade que é o aspecto absoluto.

A sabedoria discriminativa
A sabedoria discriminativa também possui tatata. Todas elas possuem porque é a mente do Buda,
mas é bom apontarmos e vermos. Essa sabedoria é assim: nós olhamos para as coisas e
essencialmente entendemos as causas do sofrimento, a base da compreensão das causas do
sofrimento e como podemos ultrapassar essas causas. Entendemos as causas da felicidade e sabemos
como encontrá-las. Nesse caso isto significa que entendemos as Quatro Nobres Verdades, o Nobre
Caminho Óctuplo e os 12 elos. Isso está claro para nós, como as coisas se complicam. A sabedoria
discriminativa não discrimina de modo causal o que eu penso que vai me proporcionar felicidade. É
assim, eu entendo o sofrimento, as causas do sofrimento, que o sofrimento não tem base, portanto
ele pode ser liberado, entendo que há um caminho para isso, que esse caminho tem motivação,
purificação, ações positivas, meditação, compreensão da vacuidade, compreensão da natureza
primordial. Entendo que devo estabilizar, entendo estrutura cármica, como superar o carma.

Tudo isso é sabedoria discriminativa. Entendemos como as pessoas não obterão êxito dentro dos seis
reinos, sem chance. A única chance de atingir algum resultado definitivo é ultrapassando os seis
reinos. O aspecto mais sofisticado é utilizar os seis reinos para sair dos seis reinos, não temos muita
escolha, temos que fazer isso. A grande habilidade é não rejeitar os seis reinos, mas usá-los para que
possamos impulsionar nossa saída. Porque tem tatata junto: de um lado raciocinamos as coisas, tem
o aspecto comum, convencional, relativo, por outro lado estamos distantes das coisas, por isso

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conseguimos raciocinar sobre elas, temos a sabedoria que dissolve os nós, conseguimos ver através
da vacuidade como aquilo tudo que estamos olhando, que parece sólido, não é sólido, pode ser
desmanchado, por isso brota toda essa compreensão do sofrimento.

Então não há o sofrimento, há a vida, não há causa do sofrimento e sim um problema ali, outro aqui,
não existe a liberação do sofrimento, não nesse sentido, menos ainda caminho, motivação,
meditação, purificação, tudo isso é sem sentido. Mas aqui, como estamos distanciados, entendemos
o ponto final, podemos ver as coisas deste ponto e como podemos traçar uma rota até isso. Essa
rota, esse diagnóstico, isso é sabedoria discriminativa.

Aí eu pergunto a vocês: vocês já viram isso? É a sabedoria, é muito espiritual mesmo, é muito
budista. Mas outras tradições religiosas devem ter isso também, eu acho. Na sua própria forma têm
isso. Devemos ver se isso brotou em nós. Eventualmente temos sabedoria do mundo, temos como
fazer para obter um lugar dentro de tal empresa, ou uma forma de viver, uma certa profissão dentro
do Rio de Janeiro. Isso não é fácil, é algo discriminativo também, mas não corresponde à sabedoria
discriminativa nesse sentido. A noção de livre-arbítrio está ligada à base que nos permite surgir como
o talo, quando estamos com o lodo e as lágrimas, e a água no lago, podemos ser simplesmente
arrastados por algum dos seis reinos, o livre-arbítrio é olharmos para isso e decidirmos o próprio
rumo sem sermos arrastados, é alguém vir nos agredir e não precisarmos responder com agressão
também. Aqui, nesse caso, eu tenho uma liberdade que me permite compreender situações. Isso é
sabedoria discriminativa – eu sei onde estou, para onde deveria ir e agora entendo como ir. Também
desenvolvo isso na compreensão das outras pessoas, eu olho para elas e vejo como ajudá-las,
minimamente que seja, vejo como brota essa sabedoria dentro de nós. É uma lucidez cognitiva.

A sabedoria da causalidade
Depois temos a sabedoria da causalidade, que tem três aspectos. O mais importante desses aspectos
é que não estamos presos à causalidade, é o ponto mais importante, nós não estamos presos nem ao
carma, de fato. Precisamos entender isso. O aspecto externo da compreensão da sabedoria da
causalidade é: se fazemos ações positivas, de um modo geral colhemos ações positivas, resultados
positivos; e se fazemos ações negativas, colhemos resultados negativos, de um modo geral. Eu já digo
de um modo geral por quê? Porque se alguém fizer uma ação negativa a um bodisatva, ele tem o
poder de pegar aquilo, sorrir e virar numa ação positiva. Então não é sempre que as ações negativas
geram resultados negativos. Em resumo, se forem fazer ações negativas, façam aos bodisatvas, eles já
saberão resolver – façam assim!

Então fica a pergunta se já vimos brotar isso em nós - a capacidade de transmutar a negatividade, se
em algum momento ajudamos alguém que nos respondeu de forma negativa. Na verdade vamos
refinar a nossa ação. Vamos supor um cachorro atropelado, pomos a mão nele e ele nos morde! Nós
temos o poder de subverter o próprio carma, se não tivéssemos este poder a liberação seria
impossível. O carma é uma tendência, não é uma lei, infalível.

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Como tatata está aqui? O aspecto absoluto está exatamente nesta liberdade. Podemos absorver a
negatividade, e as práticas de tonglen, de metabavana vão trabalhar com isso. Não importa o que
outro faça, vamos sempre dizer: Que seja feliz! É unilateral. Não tem nada a ver com a causalidade,
nós vamos chamar de ação não-causal, produz a ação e pronto, não é porque algo veio que vai me
condicionar como vou agir. Eu já tenho uma decisão unilateral previamente tomada, eu só preciso
saber como vou encaixar. Nós podemos ter várias estruturas cármicas dos seis reinos, mas não vamos
segui-las. As pessoas às vezes adoecem porque a desgraça cai sobre elas, e a vida toma outro rumo, a
pessoa transmuta a negatividade em algo positivo, isso é a sabedoria da causalidade.

A sabedoria de Darmata
Depois temos a sabedoria de Darmata, a quinta sabedoria. Ela diz que além de todos os aspectos
transitórios há uma natureza incessantemente presente, luminosa que não é atingida pelas coisas.
Não importa quantas ondas haja, o lago está lá. O lago corresponde a Darmata, aquilo que não se
move em meio às coisas que se movem.

Então podemos olhar cada uma dessas sabedorias e elas podem se refletir como uma mandala. Nós
olhamos para as coisas com a sabedoria do espelho sem nem pensar que precisamos da sabedoria do
espelho. Olhamos assim, e isso é sabedoria do espelho a nível de paisagem. Nós podemos ter
sabedoria a nível consciente, que é a mente – eu “ligo” e passo a olhar as coisas com esse olho.
Temos a nível de energia, ou seja, eu não só olho as coisas, como a minha energia se move a partir de
como eu vejo. Mas, por exemplo, eu posso olhar com um olho de sabedoria, mas minha energia
responder mal àquilo. E também a energia pode acompanhar e da mesma forma no nível de corpo, e
aí se manifesta de acordo com a sabedoria do espelho. Nós temos esses quatro níveis. Quando forem
investigar se já tiveram, por exemplo, a sabedoria do espelho, nesse ou naquele episódio, pode ser
que tenham vivido a nível de mente, mas não tenham vivido a nível de energia; podem ter vivido a
nível de mente, mas não ter vivido a nível de corpo etc. Podem ter vivido a nível de paisagem
também. Do mesmo modo olhamos para a sabedoria da igualdade e assim por diante.

Parte prática
Proposta de meditação:

Primeira parte: minha proposta é que vocês utilizem as cinco sabedorias procurando algum exemplo
que já viveram, tentem localizar isso nas experiências passadas. Se não encontrarem todas as
sabedorias pode ser uma só, não tem importância. Se chegarem à conclusão que não têm nenhuma,
peguem esses exemplos mesmo, não consegui expressar nada, estava no reino dos infernos mesmo!!

Segunda parte: Peguem um exemplo que vocês vivenciam hoje e vejam se conseguem gerar essas
sabedorias e, portanto, solucionar esses problemas.

Façam tudo por meia hora e depois contem uns para os outros do grupo.

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