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PROCESSO Nº TST-ARR-1001201-46.2016.5.02.

0041

A C Ó R D Ã O
(6ª Turma)
GMKA/dng/rm

I – PETIÇÃO AVULSA DA RECLAMADA.


Processo remetido de ofício para
julgamento em plenário presencial.
Prejudicada a petição avulsa na qual
foi requerida a referida remessa.
Petição avulsa prejudicada.

II – AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO


DE REVISTA. RECLAMADA. VIGÊNCIA DA
LEI Nº 13.015/2014 E DA INSTRUÇÃO
NORMATIVA Nº 40 DO TST. ANTERIOR À
LEI Nº 13.467/2017. RELAÇÃO DE
EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO.
1 - No caso, constata-se que o
recurso de revista não preencheu o
requisito previsto no art. 896, § 1º-
A, I, da CLT, visto que o trecho do
acórdão recorrido transcrito para
fins de prequestionamento não abrange
todos os fundamentos de fato e de
direito utilizados para decidir a
controvérsia relativa à
caracterização da relação de emprego.
2 - Dessa forma, não resultou
atendido o requisito do art. 896, §
1º-A, I, da CLT.
3 – Agravo de instrumento a que se
nega provimento.

II - RECURSO DE REVISTA. RECLAMANTE.


VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014 E DA
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 40 DO TST.
ANTERIOR À LEI Nº 13.467/2017.
JORNADA ESPECIAL DE TRABALHO.
ADVOGADO. QUATRO HORAS DIÁRIAS.
DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. VÍNCULO DE
EMPREGO RECONHECIDO EM JUÍZO.
1 - Nos termos do art. 20 da Lei nº
8.906/94 (Estatuto da OAB), "a
jornada de trabalho do advogado
empregado, no exercício da
profissão, não poderá exceder a
duração diária de quatro horas
Firmado por assinatura digital em 21/08/2019 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme
MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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contínuas e a de vinte horas


semanais, salvo acordo ou convenção
coletiva ou em caso de dedicação
exclusiva". Ao dispor sobre referido
dispositivo legal, o Regulamento
Geral do Estatuto da Advocacia e da
OAB, em seu art. 12, dispõe que se
considera de dedicação exclusiva o
regime de trabalho que for
expressamente previsto em contrato
individual de trabalho.
2 – No caso dos autos, o próprio
vínculo de emprego foi reconhecido em
juízo, de modo que nem havia contrato
de trabalho ajustado do ponto de
vista formal (escrito). Essa situação
é até mais grave, porquanto, além de
sonegar os direitos comuns típicos da
relação empregatícia, o reclamado
deixou de observar a regra especial
do Estatuto da OAB, relativa à
necessidade de previsão expressa de
dedicação exclusiva.
3 – Acrescente-se que a
jurisprudência do TST é de que não se
presume a dedicação exclusiva,
incumbindo ao empregador a
comprovação de que houve disposição
contratual expressa nesse sentido. E
no caso dos autos, o TRT presumiu a
existência de dedicação exclusiva por
parte do reclamante, com fulcro
apenas na "inequívoca posição de gestor que
ocupava no escritório", o que não se
admite.
4 – Recurso de revista de que se
conhece e a que se dá provimento.
JORNADA ESPECIAL DE TRABALHO.
ADVOGADO. QUATRO HORAS DIÁRIAS.
DIVISOR DE HORAS EXTRAS.
1 - A Lei nº 13.015/2014 exige que a
parte indique, nas razões recursais,
o trecho da decisão recorrida no qual
se consubstancia o prequestionamento,
o que não ocorreu no caso concreto.

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2 - Nesses termos, não demonstrada a


viabilidade do conhecimento do
recurso de revista, por não atender
ao requisito exigido no art. 896, §
1º-A, I, da CLT.
3 – Recurso de revista de que não se
conhece.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de


Recurso de Revista com Agravo n° TST-ARR-1001201-46.2016.5.02.0041,
em que é Agravante e Recorrido RONCATO SOCIEDADE DE ADVOGADOS e
Agravado e Recorrente ADRIANO GALHERA.

O juízo primeiro de admissibilidade admitiu o


recurso de revista do reclamante e negou seguimento ao recurso de
revista da reclamada, sob o fundamento de que não é viável seu
conhecimento.
A reclamada interpôs agravo de instrumento, com
base no art. 897, b, da CLT.
Contrarrazões foram apresentadas.
Os autos não foram remetidos ao Ministério Público
do Trabalho porque não se configuraram as hipóteses previstas em lei
e no RITST.
É o relatório.

V O T O

I – PETIÇÃO AVULSA DA RECLAMADA.


Processo remetido de ofício para julgamento em
plenário presencial.
Prejudicada a petição avulsa na qual foi requerida
a referida remessa.
Petição avulsa prejudicada.

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II - AGRAVO DE INSTRUMENTO DA RECLAMADA

1. CONHECIMENTO

Preenchidos os pressupostos de admissibilidade,


conheço do agravo de instrumento.

2. MÉRITO

2.1. RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO.


O Tribunal Regional, juízo primeiro de
admissibilidade do recurso de revista (art. 682, IX, da CLT),
denegou-lhe seguimento, adotando os seguintes fundamentos:
"PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
Contrato Individual de Trabalho / Reconhecimento de Relação de
Emprego.
Alegação(ões):
- divergência jurisprudencial.
- VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 2º, 3ª E 818 DA CLT, 373 DO CPC,
15 E 39 DA LEI 8.906/94.
Para se adotar entendimento diverso da decisão Regional, ter-se-ia
que proceder à revisão do conjunto fático-probatório, conduta incompatível
na atual fase do processo (Súmula nº 126 do C. Tribunal Superior do
Trabalho), o que também afasta, de plano, a possibilidade de cabimento do
recurso por divergência jurisprudencial ou por violação literal de disposição
de lei federal ou afronta direta e literal à Constituição Federal.
DENEGO seguimento.
CONCLUSÃO
DENEGO seguimento ao Recurso de Revista."

Eis o trecho do acórdão indicado nas razões do


recurso de revista (fl. 539):
"A prova dividida quanto ao caráter obrigatório das diretrizes
oriundas do sócio Pedro Roncato, que segundo a ré consistiam em meras
orientações, reverte-se contra si, por se tratar de fato impeditivo ao direito
do autor, e desse encargo probatório não se desvencilhou.
Assim, como bem concluído a quo, revela-se "situação incompatível
com o alegado regime de parceria e que caracteriza, na realidade, a
subordinação jurídica própria da relação de emprego", sobretudo porque as

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demais circunstâncias como comparecimento diário e remuneração fixa são


incontroversas, eis que confessadas pela própria ré em depoimento.
Ademais, consoante também ressaltado na sentença, a tese defensiva
de "distribuição de lucros" não se sustenta, pois "não é crível que o lucro
mensal da sociedade não tenha sofrido nenhuma variação, por menor que
fosse, ao longo de todo o período contratual em discussão", e que o autor
sempre recebesse importância invariável.
E o fato de o reclamante ter ou não clientes particulares não constitui
óbice à configuração da relação de emprego, pois a exclusividade não é
elemento essencial para seu reconhecimento." Mantenho, portanto, o
julgado por seus próprios e jurídicos fundamentos."

Nas razões do recurso de revista, renovadas no


agravo de instrumento, a parte sustenta, em síntese, que não
resultaram configurados os requisitos da relação empregatícia.
Renova alegação de violação dos arts. 2º, 3º e
818, da CLT, 373 do CPC e 15 e 39 da Lei nº 8.906/94.
Ao exame.
No caso, constata-se que o recurso de revista não
preencheu o requisito previsto no art. 896, § 1º-A, I, da CLT, visto
que o trecho do acórdão recorrido transcrito para fins de
prequestionamento não abrange todos os fundamentos de fato e de
direito utilizados para decidir a controvérsia relativa à
caracterização da relação de emprego.
A parte omite trechos em que o eg. Regional trata
das seguintes questões: a) em depoimento pessoal, a reclamada
admitiu que o escritório pagava ao reclamante uma remuneração fixa
de R$8.000,00, posteriormente majorada para R$12.000,00, quando
promovido de coordenador das áreas cível e trabalhista para diretor
do departamento jurídico, além de comissões; b)o reclamante
permanecia por 5 a 6 horas diárias no escritório porque "tinha que
estar presente para prestar serviço e atender clientes"; c) a
testemunha da reclamada, Paula Regina da Silva, coordenadora
financeira, confirmou as funções desempenhadas pelo reclamante, o
pagamento de remuneração fixa, e seu comparecimento diário no
escritório; e d) a testemunha do reclamante, Damaris de Araujo,
secretária do escritório à época, também afirmou o comparecimento

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diário e a remuneração fixa mensal, além de ratificar a tese autoral


ao declarar a falta de autonomia, e que ele recebia ordens do sócio
Pedro Roncato.
Dessa forma, não resultou atendido o requisito do
art. 896, § 1º-A, I, da CLT.
Pelo exposto, nego provimento ao agravo de
instrumento.

III – RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE

1. CONHECIMENTO
Atendidos os pressupostos extrínsecos de
admissibilidade do recurso de revista.

1.1. JORNADA ESPECIAL DE TRABALHO. ADVOGADO.


QUATRO HORAS DIÁRIAS. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. VÍNCULO DE EMPREGO
RECONHECIDO EM JUÍZO.
Inicialmente, consigne-se que o recurso de revista
foi interposto sob a vigência da Lei nº 13.015/2014. Eis o trecho do
acórdão indicado nas razões do recurso de revista (fl. 305):
"Não se conforma a ré com as horas extras deferidas além da 4ª diária
ou 20ª semanal trabalhadas, alegando que o mesmo fundamento legal
utilizado na sentença, art. 20 da Lei 8.906/94, também prevê o regime de
dedicação exclusiva, compatível com as funções de gestão desempenhadas
pelo autor.
De acordo com esse dispositivo, "a jornada de trabalho do advogado
empregado, no exercício da profissão, não poderá exceder a duração diária
de quatro horas contínuas e a de vinte horas semanais, salvo acordo ou
convenção coletiva ou em caso de dedicação exclusiva".
A normatização do regime de dedicação exclusiva foi estabelecida
pelo Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia, que, em seu art. 12,
fixou a necessidade de expressa disposição acerca da adoção desse regime
no contrato de trabalho.
Nesse caso, em que pese a inexistência de contrato escrito e, por
consequência, da previsão expressa de dedicação exclusiva, é incontroverso
que o autor foi coordenador das áreas cível e trabalhista e posteriormente
diretor do departamento jurídico, e que, segundo ele próprio, trabalhava das
8h30 às 18h, quando não excedia tal horário. Inegável, pois, ser inviável a

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possibilidade de dedicação à outra atividade, sobretudo diante da


inequívoca posição de gestor que ocupava no escritório.
Assim sendo, com fundamento no princípio da primazia da realidade,
não devem ser consideradas extras todas aquelas que excedem a jornada de
quatro horas.
Diversamente da correlação feita pelo Juízo a quo ao concluir ser
"impossível vislumbrar a atribuição de fidúcia diferenciada a pessoa que
não teve sequer a condição essencial de empregado reconhecida pelo
empregador, haja vista que essas duas situações são inconciliáveis entre si"
(Id. df90747, p. 2), entendo que, ao contrário, a tese defensiva de
autonomia é compatível com a de insuscetibilidade de fiscalização de
jornada, sobretudo pelas características dos cargos e funções
desempenhados pelo autor.
Reformo, pois, para excluir as horas extras respectivas e seus
reflexos.
ACORDAM os Magistrados da 3ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região em conhecer dos recursos: por unanimidade
de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao da ré, para excluir da
condenação as horas extras e seus reflexos. "

Nas razões do recurso de revista, o reclamante


alega que, não comprovado pelo reclamado o labor em dedicação
exclusiva, faz jus à jornada especial de quatro horas diárias e
vinte semanais prevista no art. 20 da Lei nº 8.906/94 (Estatuto da
OAB).
Aponta violação do art. 20, caput, do Estatuto da
OAB, bem como colaciona arestos para configuração de divergência
jurisprudencial.
À análise.
Recurso de revista interposto na vigência da Lei
nº 13.015/2014.
Nos termos do art. 20 da Lei nº 8.906/94 (Estatuto
da OAB), "a jornada de trabalho do advogado empregado, no exercício da profissão, não poderá
exceder a duração diária de quatro horas contínuas e a de vinte horas semanais, salvo acordo ou
convenção coletiva ou em caso de dedicação exclusiva". Ao dispor sobre referido
dispositivo legal, o Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da
OAB, em seu art. 12, dispõe que se considera de dedicação exclusiva
o regime de trabalho que for expressamente previsto em contrato
individual de trabalho.
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No caso dos autos, o próprio vínculo de emprego


foi reconhecido em juízo, de modo que nem havia contrato de trabalho
ajustado do ponto de vista formal (escrito). Essa situação é até
mais grave, porquanto, além de sonegar os direitos comuns típicos da
relação empregatícia, o reclamado deixou de observar a regra
especial do Estatuto da OAB, relativa à necessidade de previsão
expressa de dedicação exclusiva.
Acrescente-se que a jurisprudência do TST é de que
não se presume a dedicação exclusiva, incumbindo ao empregador a
comprovação de que houve disposição contratual expressa nesse
sentido. E no caso dos autos, o TRT presumiu a existência de
dedicação exclusiva, com fulcro apenas na "inequívoca posição de gestor que
ocupava no escritório", o que não se admite:

RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO POSTERIOR À LEI Nº


13.015/2014. ADVOGADO EMPREGADO. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA.
EXIGÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL EXPRESSA. A
jurisprudência deste Tribunal Superior firmou-se no sentido de não
presumir a cláusula de dedicação exclusiva pelo só fato de haver no
contrato de trabalho a previsão de jornada superior às quatro horas diárias
de que trata o artigo 20 da Lei nº 8.906/94, sendo necessária a disposição
expressa nesse sentido no referido contrato. Precedentes. No presente caso,
tendo o Tribunal Regional presumido que o reclamante se submetia a
regime de dedicação exclusiva sem que houvesse, de fato, cláusula expressa
em seu contrato de trabalho prevendo esse regime, a decisão recorrida
violou o artigo 20 da Lei n.º 8.906/1994. Ressalva de entendimento do
Relator. Recurso de revista conhecido por violação do art. 20 da Lei
8.906/1994 e provido. (RR - 10683-50.2017.5.18.0010 , Relator Ministro:
Alexandre de Souza Agra Belmonte, Data de Julgamento: 20/02/2019, 3ª
Turma, Data de Publicação: DEJT 22/02/2019)
RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI
N.º13.015/2014. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. Deixo
de analisar a preliminar em epígrafe, ante o permissivo do art. 282, § 2º, do
CPC/15. HORAS EXTRAS. ADVOGADO EMPREGADO.
CONTRATAÇÃO APÓS O ADVENTO DA LEI 8.906/1994.
DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. NECESSIDADE DE CLÁUSULA
EXPRESSA. Na hipótese dos autos, o Regional manteve a sentença,
concluindo que a jornada pactuada de 40 horas semanais, de 8h às 18h, com
intervalo de 2h para refeição, exige dedicação exclusiva, não sendo
necessário previsão expressa no contrato. Contudo, a jurisprudência do TST
é no sentido de que, após a edição da Lei 8.906/1994, a configuração do
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regime de dedicação exclusiva depende de previsão expressa em contrato


individual de trabalho, conforme preconiza o art. 12 do Regulamento Geral
do Estatuto da Advocacia e da OAB. Precedentes. Recurso de revista
conhecido e provido. (RR - 1556-69.2015.5.10.0014 , Relatora Ministra:
Maria Helena Mallmann, Data de Julgamento: 06/02/2019, 2ª Turma, Data
de Publicação: DEJT 15/02/2019)
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO EM EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE
REVISTA. ERRO DE PREMISSA. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. 1. "A
jurisprudência tem admitido os embargos de declaração em que a parte
aponta de erro de premissa no julgado, espécie de omissão de ponto sobre o
qual devia pronunciar-se o Tribunal (art. 535, II, do CPC). (...)" (TST-ED-
RR-119500-94.2005.5.02.0037, Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa,
1ª Turma, DEJT 04.4.2014). 2. Na hipótese, o acórdão embargado
considerou deficiente a fundamentação do agravo de instrumento porque o
reclamante não teria renovado a indicação de ofensa ao art. 20 da Lei nº
8.906/94, tampouco transcrito os arestos supostamente divergentes. 3.
Verifica-se, contudo, que o julgado embargado partiu de premissa
equivocada, na medida em que o agravo de instrumento traz indicação de
afronta ao referido preceito legal. 4. Cumpre, pois, acolher os embargos de
declaração para, superando o fundamento da decisão agravada, dar
provimento ao agravo e prosseguir na análise do agravo de instrumento.
Embargos de declaração acolhidos, com a concessão de efeito modificativo.
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.
ADVOGADO EMPREGADO. CONTRATAÇÃO OCORRIDA EM 2008.
AUSÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL EXPRESSA DE
DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. JORNADA DO ART. 20 DA LEI
8.906/1994. HORAS EXTRAS DEVIDAS. 1. Hipótese em que o Tribunal
Regional, a despeito de ausência de previsão expressa no contrato de
trabalho do reclamante (incontroversamente admitido após a edição da Lei
nº 8.906/1994), concluiu pela existência de dedicação exclusiva em função
da jornada de trabalho acordada. 2. Aparente violação do art. 20 da Lei nº
8.906/94, nos moldes do art. 896 da CLT, a ensejar o provimento do agravo
de instrumento. Agravo de instrumento conhecido e provido. RECURSO
DE REVISTA. ADVOGADO EMPREGADO. CONTRATAÇÃO
OCORRIDA EM 2008. AUSÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL
EXPRESSA DE DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. JORNADA DO ART. 20 DA
LEI 8.906/1994. HORAS EXTRAS DEVIDAS. 1. Hipótese em que o
Tribunal Regional, a despeito de ausência de previsão expressa no contrato
de trabalho do reclamante (incontroversamente admitido após a edição da
Lei nº 8.906/1994), concluiu pela existência de dedicação exclusiva em
função da jornada de trabalho acordada. 2. A SDI-I do TST, ao julgamento
do E-RR-1606-53.2011.5.15.0093, firmou entendimento no sentido de que
"o regime de dedicação exclusiva, por consubstanciar situação excepcional,
requer ajuste contratual expresso nesse sentido", não restando configurado
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pela "mera submissão do empregado advogado à jornada de oito horas


diárias e quarenta semanais" (Redator Designado Ministro João Oreste
Dalazen, DEJT de 06/09/2018). 3. Assim, à míngua de previsão expressa de
dedicação exclusiva no ajuste contratual, o reclamante tem direito à jornada
de quatro horas e carga semanal de 20 horas. 4. Violação do art. 20 da Lei
nº 8.906/94 que se reconhece. Recurso de revista conhecido e provido. (RR
- 572-09.2014.5.02.0446 , Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann,
Data de Julgamento: 06/02/2019, 1ª Turma, Data de Publicação: DEJT
08/02/2019)
A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.
HORAS EXTRAS. ADVOGADO EMPREGADO. DEDICAÇÃO
EXCLUSIVA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Esta Corte Superior consagra
entendimento de que o regime de dedicação exclusiva do advogado
empregado contratado depois da Lei nº 8.906/1994 depende de expressa
previsão em contrato individual de trabalho, não sendo passível de
presunção do enquadramento nesse regime o simples fato de o advogado
empregado prestar serviços em jornada superior a 4 horas diárias ou 20
horas semanais. Precedentes da SDI-1 do TST. Óbice da Súmula nº 333 do
TST e do art. 896, § 7º, da CLT. Agravo de instrumento conhecido e não
provido. B) RECURSO DE REVISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
REQUISITOS. Segundo a diretriz das Súmulas nos 219 e 329 do TST, na
Justiça do Trabalho, a condenação ao pagamento de honorários
advocatícios não decorre pura e simplesmente da sucumbência, devendo a
parte estar assistida por sindicato da categoria profissional e comprovar a
percepção de salário inferior ao dobro do salário mínimo ou encontrar-se
em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo do
próprio sustento ou da respectiva família. Recurso de revista conhecido e
provido. (ARR - 20925-77.2016.5.04.0015 , Relatora Ministra: Dora Maria
da Costa, Data de Julgamento: 12/12/2018, 8ª Turma, Data de Publicação:
DEJT 14/12/2018)
RECURSO DE REVISTA - PROCESSO REGIDO PELA LEI Nº
13.015/2014 E SOB A ÉGIDE DO CPC/73 - ADVOGADO EMPREGADO
- CONTRATAÇÃO OCORRIDA APÓS A EDIÇÃO DA LEI 8.906/94 -
DEDICAÇÃO EXCLUSIVA - INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO
EXPRESSA NO CONTRATO DE TRABALHO - IMPOSSIBILIDADE. O
entendimento atual prevalecente nesta Corte é de que não se presume o
regime laboral de dedicação exclusiva do advogado empregado que, ao
contrário, depende necessariamente de expressa previsão contratual, para os
empregados contratados após o advento do Estatuto da OAB. In casu, a
Corte regional, não obstante inexistir previsão expressa, mas apenas
implícita, quanto ao regime de dedicação exclusiva, reconhece a
possibilidade de presunção do regime de dedicação exclusiva. A conclusão
pela aplicabilidade da jornada de oito horas diárias ao empregado desatende
o comando do art. 20 da Lei nº 8.906/94. Precedentes. Recurso de revista
conhecido e provido. (RR - 959-60.2016.5.21.0014 , Relator Ministro: Luiz
Firmado por assinatura digital em 21/08/2019 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme
MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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PROCESSO Nº TST-ARR-1001201-46.2016.5.02.0041

Philippe Vieira de Mello Filho, Data de Julgamento: 12/12/2018, 7ª Turma,


Data de Publicação: DEJT 14/12/2018)
Os   julgados   citados   trazem   teses   que   levam   em
conta situações similares à examinada no caso concreto, demonstrando
o entendimento desta Corte Superior sobre a matéria, o qual também
deve ser aplicado neste processo.
No caso, o TRT presumiu a existência de dedicação
exclusiva do reclamante, com fulcro apenas na "inequívoca posição de gestor
que ocupava no escritório". Assim, ao afastar o direito do reclamante à
jornada de trabalho reduzida, sem qualquer previsão contratual
expressa de dedicação exclusiva, violou o art. 20 da Lei nº
8.906/94.
Conheço do recurso de revista, no que tange à
jornada especial do advogado, por violação do art. 20 da Lei nº
8.906/94.

1.2. JORNADA ESPECIAL DE TRABALHO. ADVOGADO.


QUATRO HORAS DIÁRIAS. DIVISOR DE HORAS EXTRAS.
Nas razões do recurso de revista, o reclamante
pugna pela aplicação do divisor 100 para cálculo das horas extras.
Aponta contrariedade à Súmula nº 431 do TST, bem
como colaciona aresto.
À análise.
Recurso de revista sob a vigência da Lei nº
13.015/2014.
Constata-se, contudo, que não é viável o
conhecimento do recurso revista, no particular, porque não foi
demonstrado o preenchimento de um de seus pressupostos específicos
de admissibilidade, qual seja, o prequestionamento.
A Lei nº 13.015/2014 exige que a parte indique,
nas razões recursais, o trecho da decisão recorrida no qual se
consubstancia o prequestionamento, o que não ocorreu no caso
concreto. Nesses termos, não demonstrada a viabilidade do
conhecimento do recurso de revista, por não atender ao requisito
exigido no art. 896, § 1º-A, I, da CLT.
Firmado por assinatura digital em 21/08/2019 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme
MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
fls.12

PROCESSO Nº TST-ARR-1001201-46.2016.5.02.0041

Não conheço.

2. MÉRITO
2.1. JORNADA ESPECIAL DE TRABALHO. ADVOGADO.
QUATRO HORAS DIÁRIAS. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO
DE EMPREGO EM JUÍZO.
Ante o conhecimento por violação do art. 20 da Lei
nº 8.906/94, deve ser provido o recurso de revista do reclamante
para restabelecer a r. sentença no que tange à condenação ao
pagamento de horas extras, assim consideradas as excedentes de 4
horas diárias ou 20 horas semanais.

ISTO POSTO

ACORDAM os Ministros da Sexta Turma do Tribunal


Superior do Trabalho, por unanimidade:
I – rejeitar a petição avulsa;
II - negar provimento ao agravo de instrumento da
reclamada;
III – conhecer do recurso de revista do reclamante
apenas quanto ao tema "JORNADA ESPECIAL DE TRABALHO. ADVOGADO.
QUATRO HORAS DIÁRIAS. DEDICAÇÃO EXCLUSIVA. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO
DE EMPREGO EM JUÍZO", por violação do art. 20 da Lei nº 8.906/94, e,
no mérito, dar-lhe provimento para restabelecer a r. sentença no que
tange à condenação ao pagamento de horas extras, assim consideradas
as excedentes de 4 horas diárias ou 20 horas semanais. Rearbitra-se,
provisoriamente, o valor da condenação em R$ 120.000,00 (cento e
vinte mil reais), com custas de R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos
reais).
Brasília, 21 de agosto de 2019.

Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001)


KÁTIA MAGALHÃES ARRUDA
Ministra Relatora

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