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Conhecer-produzir-transformar:

paradigmas da Escola Latino-


Americana de Comunicação*
Knowing-producing-transforming:
paradigms of the Latin-American
School of Communication

Conocer-produzir-transformar:
paradigmas de la Escuela
Latinoamericana de Comunicación

José Marques de Melo, jornalista, dou-


tor em Ciências da Comunicação pela
Universidade de São Paulo, é titular da
Cátedra Unesco-Umesp de Comunica-
ção para o Desenvolvimento Regional.
E.mail: marquesmelo@uol.com.br.

* Conferência lida na abertura do VI Colóquio Brasil-França de Ciências da


Comunicação – Universidade de Poitiers (França), 8 de janeiro de 2001.

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MARQUES DE MELO, José. Conhecer-produzir-transformar: paradigmas
da Escola Latino-Americana de Comunicação. Comunicação &
Sociedade. São Ber nardo do Campo: PósCom-Umesp, a.23, n.36, p.
89-110, 2o. sem. 2001.

Resumo
Reflexões sobre a natureza acadêmica do campo comunicacional e sua
configuração em diferentes realidades geopolíticas. Evidências
históricas sobre a trajetória da Escola Latino-Americana de
Comunicação, caraterizada por interações da práxis com a teoria,
gerando estratégias de ação pública. Contradições e perplexidades
enfrentadas pelas novas gerações de pesquisadores das Ciências da
Comunicação na América Latina.
Palavras-chave: Ciências da Comunicação – América Latina –
Universidade – Epistemologia – História.

Abstract
Reflections on the nature of communication scholarship and its
configurations in different geopolitical realities. Historic evidences on
the itinerary of the Latin American School of Communication, shaped
by interactions between praxis and theory, generating public policies.
Contradictions and perplexities faced by the new generation of
communication scholars in Latin America.
Keywords: Communication Sciences – Latin America – Scholarship –
Epistemology – History.

Resumen
Reflexiones sobre la naturaleza académica del campo comunicacional
y su configuración en distintas realidades sociopoliticas. Evidencias
históricas sobre la trayectoria de la Escuela Latinoamericana de
Comunicación, caracterizada por interaciones de la praxis com la
teoría, generando estrategias de acción pública. Contradiciones y
perplejidades enfrentadas por las nuevas generaciones de
investigadores de las Ciencias de la Comunicación en América Latina.
Palabras-llave: Ciencias de la Comunicación – América Latina –
Universidad – Epistemología – Historia.

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Como se desenvolve um novo campo do saber?
Qualquer campo do conhecimento humano surge como
conseqüência das demandas coletivas. Trata-se da resultante de
um processo destinado a compreender e controlar os fenôme-
nos sociais emergentes. Começa na base da sociedade, robus-
tecido pelo senso comum. Amplia-se e desenvolve-se no inte-
rior das org anizações profissionais, culminando com a sua
legitimação cognitiva por parte da academia.
Para melhor entendimento desse pressuposto, tomemos
como referência a sociologia, disciplina científica que tem exer-
cido forte impacto sobre o desenvolvimento das Ciências da
Comunicação. Referindo-se à gênese desse campo científico, diz
Max Weber (1977, p. 11):

Todos nós sabemos que a nossa ciência, tal como qualquer outra ciência
(...) que tenha por objeto as instituições e os acontecimentos culturais
do homem, nasceu historicamente de considerações práticas. O seu fim
imediato, a princípio, foi o de elaborar juízos de valor sobre determi-
nadas medidas de política econômica. Tratava-se de uma técnica, apro-
ximadamente no mesmo sentido em que também o são as disciplinas clí-
nicas das ciências médicas. Já é sabido como essa situação se foi pau-
latinamente modificando...

O estoque de saber acumulado pela humanidade provém,


assim, da confluência de duas fontes:
a) Práxis – aplicação do saber acumulado pelas sociedades
e, dentro delas, pelas corporações profissionais. Sua meta é
desenvolver modelos produtivos, transmitindo-os às novas
gerações para acelerar o processo civilizatório.

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b) Teoria – apropriação do saber prático pela academia,
que o submete a permanente reflexão e sistematização. Através
do ensino e da pesquisa, a universidade atua como formadora
de recursos humanos e como produtora de conhecimentos.
A inserção de um novo campo do conhecimento na estru-
tura acadêmica traduz a sua legitimação social. Implica, ao
mesmo tempo, seu aperfeiçoamento e contínuo avanço. Tal
fenômeno é situado por Granger dentro do contexto que ele
denomina “desenvolvimento explosivo da ciência” (cf. 1993, p.
9-13). A formação de novos profissionais se faz de maneira a
combinar o saber já testado pela práxis (quase sempre manua-
lizado) e o pensamento inovador (produzido pela reflexão e
convalidado pela pesquisa).

O campo da comunicação
Quando a comunicação se torna um novo campo do saber?
Retomemos, aqui, o roteiro contido no meu livro de es-
tréia na vida acadêmica (Marques de Melo, 1970):
– Comunicação interpessoal – trata-se de um longo proces-
so que flui do século III AC, na Grécia, completando-se na
França, no século XVIII (enciclopedismo).
– Comunicação massiva – começa no século XVII (Alema-
nha), quando o jornal diário começa a exercer impacto na
sociedade urbana, fortalecendo-se nos Estados Unidos, no sé-
culo XX. Nessa conjuntura, emergem as indústrias midiáticas,
demandando recursos humanos capacitados e conhecimentos
novos destinados a neutralizar as incertezas dos investidores.
Elucidar o panorama da emergência do campo comunica-
cional nos EUA significa tomar em consideração também a ação
desencadeada pela sociedade civil, temerosa dos efeitos nega-
tivos da mídia.
As primeiras escolas norte-americanas de jornalismo são
caudatárias das perplexidades da sociedade civil diante da
exacerbação sensacionalista dos jornais diários (imprensa ama-
rela). No panorama europeu, elas seriam produto da mudança
de postura exercida pela Igreja Católica, que supera a visão
apocalíptica da imprensa, passando a considerar seu potencial
moralizador (Leão XIII e Pio XI).
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A aceitação desse novo campo do saber pelas universida-
des conduz ao aparecimento das primeiras instituições destina-
das a formar comunicadores. Inicialmente jornalistas, depois
cineastas, publicitários, relações-públicas, extensionistas, divul-
gadores científicos, produtores culturais etc. Três fluxos conver-
gentes deter minam a eclosão de tal fenômeno:
a) Industriais – demandando mão-de-obra qualificada. Um
marco histórico foi a doação feita por Pulitzer à Universidade
de Columbia para criar uma escola pós-graduada de jornalismo.
Ela constitui um modelo para as instituições congêneres dos
Estados Unidos, da mesma forma que o seria a escola de jor-
nalismo fundada na Universidade de Missouri (1908) para for-
mar repórteres.
b) Profissionais – os trabalhadores midiáticos reivindicam
aperfeiçoamento intelectual para ter melhores oportunidades
ocupacionais e ao mesmo tempo fortalecer as corporações a
que pertencem. O congresso europeu de jornalistas realizado
em Portugal (1899) reivindica a criação de escolas profissionais,
inicialmente implantadas na França.
c) Cívicos – requerendo produtos culturais de qualidade, a
sociedade civil reage ao abastardamento da imprensa diária ou,
melhor, à sua popularização. Trata-se de movimento liderado pelas
classe média, na qual se incluem os intelectuais. Temerosos do
nivelamento por baixo, eles preconizam linguagens e temáticas
mais sintonizadas com as aspirações das classes trabalhadores,
porém capazes de influir no processo de ascensão social.

Que tipo de campo é a comunicação?


Trata-se de um “campo científico” plenamente enquadrado
naquela noção de “campo social” definido por Bourdieu:

(...) o universo puro da mais pura ciência é um campo social como


outro qualquer, com suas relações de força e monopólios, suas lutas e
estratégias, seus interesses e lucros, mas onde todas essas invariantes
revestem for mas específicas. (...) O que está em jogo especificamente
nessa luta é o monopólio da autoridade científica definida, de maneira
inseparável como capacidade técnica e poder social, ou, se quiser mos,
o monopólio da competência científica (1976, p. 88).

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Contudo, o campo comunicacional não se confunde com
as rubricas vigentes no universo dos cientistas hegemônicos, ou
seja, os produtores de ciência básica (físicos, botânicos ou
sociólog os). Emerge no bloco das chamadas ciências aplicadas,
entre as quais a medicina, a engenharia e o direito constituem
protótipos dotados de maior semelhança.
Perfila-se a comunicação como uma ciência convencional
ou ordinária? A resposta é negativa.
Kuhn estabelece uma escala distintiva entre a ciência ordi-
nária ou normal e a ciência extraordinária ou ciência em crise.

A transição de um paradigma em crise a outro novo, do qual possa


surgir uma nova tradição de ciência normal, está longe de ser um pro-
cesso de acumulação ou uma antiga aplicação de uma articulação ou
uma ampliação do antigo paradigma. É na verdade uma reconstrução do
campo, a partir de novos fundamentos, reconstrução que muda algumas
das generalizações teóricas mais elementares do campo, assim como
também muitos dos métodos e aplicações do paradigma (1971, p. 139).

O campo comunicacional assume a fisionomia típica da


“ciência em crise”. Como explica Kuhn: “reconhecer a crise” é
o “prelúdio apropriado ao surgimento de novas teorias”. Ele
argumenta que “o nascimento de uma nova teoria rompe com
uma tradição de prática científica e introduz outra nova que se
completa com reg ras diferentes e de acordo com um marco
referencial também distinto...” (op. cit., p. 140).
Nesse sentido é que conforma um aglomerado de discipli-
nas, composto por cinco segmentos da atividade intelectual:
a) Artes – linguagens e estilos, formatos e tendências:
Estética, Artes Plásticas, Literaturas.
b) Humanidades – reflexões e especulações sobre sua
natureza e impactos sociais: da Filosofia da Comunicação à
Pedagogia e à História da Comunicação.
c) Tecnologias – suportes que permitem a difusão das
mensagens: Imprensa, Telecomunicações, Informática.
d) Ciências Sociais – análises sistemáticas sobre os fatores
que determinam os atos comunicacionais e seus reflexos no
organismo social: da Sociologia da Comunicação à Antropologia

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da Comunicação, passando pela Ciência Política aplicada à Co-
municação – seja no âmbito da Comunicação Política ou das
Políticas de Comunicação – e pela Psicologia da Comunicação –
na vertente da Opinião Pública ou do Imaginário Coletivo.
e) Conhecimento Midiático: saberes acumulados no interior
das corporações profissionais e das agências produtoras de bens
midiáticos. Eles fazem a simbiose entre as práticas legitimadas
pela aplicação cotidiana e as inovações advindas das universi-
dades ou dos centros de pesquisa que prestam ser viços
especializados. Incluem-se aqui Jornalismo, Publicidade, Rela-
ções Públicas, Bibliologia, Hemerografia, Cinematografia,
Radialismo, Teledifusão, Entretenimento, Cibermídia etc.
A terminologia de Kuhn é plenamente compatível com o
ethos latino. Por exemplo, a SFSIC, sociedade aglutinadora dos
comunicólogos franceses, optou claramente pela autonomia
disciplinar, adotando o termo Sciences de l’Information et de
la Comunication (Micchielli, 1995). Mas, numa outra perspec-
tiva, pode ser entendido informalmente, ou seja, como mero
segmento acadêmico: os anglo-saxões o situam desta maneira,
usando indistintamente as expressões Communication Science,
Communication Research ou Communication Scholarship
(Rosengren, 2000).
Miège reconhece a natureza complexa do nosso campo,
insistindo na articulação indispensável entre o conhecimento
midiático e o conhecimento acadêmico:

O pensamento comunicacional constituiu-se, portanto, ao mesmo tempo,


como contribuição de teóricos (geralmente rompendo com suas disci-
plinas ou escolas de origem) e com a sistematização de concepções que
dependem diretamente da atividade profissional e social. É inútil pro-
curar qual teria sido, das duas, a fonte dominante; além disso, podemos
prever que tal co-produção acabará por se acentuar no futuro, mesmo
correndo, às vezes, o risco de que não sejam respeitadas as exigências
mínimas de qualquer trabalho intelectual que corresponda às indispen-
sáveis regras metodológicas (2000, p. 128).

Por sua vez, Newcomb prefere distanciar-se daquilo que


ele chama de “guerras teóricas”, recorrendo a uma angulagem

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nitidamente empírica, embora postule a interação entre a pes-
quisa acadêmica e as demandas do sistema midiático:

Nós precisamos reconhecer inicialmente a existência de problemas


definidos, não por nós, através das complicadas fendas abertas pelos
nossos pressupostos ou metodologias, mas efetivamente pelas circuns-
tâncias que configuram os objetos reais do nosso estudo. Trata-se de
desafios e mudanças na evolução, aplicação e desdobramento das
novíssimas tecnologias da comunicação, que exigem, segundo meu pon-
to de vista, novas perspectivas para o nosso trabalho. Eu não estou
reivindicando que nossas tarefas sejam “determinadas” pela tecnologia.
Ao contrário, eu estou preocupado com o modo pelo qual nós criamos
verdadeiramente nossas questões. Na minha opinião, as atividades aca-
dêmicas de vanguarda e a pesquisa de ponta devem ser definidas pelas
questões nas quais elas estão enraizadas (2000, p. 16).

Eis a hipótese for mulada pelo cientista midiático de maior


expressão no âmbito da teledifusão norte-americana:

Para sermos inovativos nós devemos esclarecer a estreita margem entre


as questões definidas pelo conhecimento científico já acumulado e as
questões definidas por aqueles que controlam as indústrias, tecnologias
e as aplicações a serem feitas. Mais do que nunca, cabe-nos reconhecer
quais as questões postas por ambos os lados, seja aquelas derivadas dos
nossos estudos prévios, seja aquelas indicadas pelos que trabalham no
seio das indústrias, contendo sinalização importante para o trabalho ino-
vador. Essas novas questões podem direcionar a pesquisa para aspectos
como a expansão massiva dos canais de distribuição, os desafios por eles
antepostos aos setores de comunicação eletrônica, seja nas empresas co-
merciais ou nos serviços públicos, as desafiadoras políticas implementadas
pela regulamentação dessas mudanças, a convergência global da propri-
edade e a criação de conglomerados midiáticos dominando os novos
cenários da indústria comunicacional (ib.).

Paradigmas latino-americanos
O campo da comunicação estabeleceu-se na América La-
tina na década de 1970, representando a ampliação da discipli-
na de Jornalismo, que começa a legitimar-se na década de 1930
(Argentina e Brasil) e a prevalecer na de 1960 (Ciespal). 1

1. Um panorama instigante dessa transição histórica pode ser encontrado em


Fuentes Navarro (1992).

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Historicamente, o primeiro objeto comunicacional a suscitar
estudos (pesquisas) e a demandar sistematização (ensino) foi a
imprensa (século XIX), ensejando o nascimento de duas discipli-
nas – bibliologia e hemerografia. Depois aparece o jornalismo,
inicialmente em sua vertente impressa, mas depois enveredando
pela difusão através dos outros meios massivos: cinejornalismo,
radiojornalismo (primeira metade do século XX) e telejornalismo
e ciberjornalismo (segunda metade do século XX).
As demais disciplinas midiáticas – publicidade, relações
públicas, cinematografia, radialismo, teledifusão, entreteni-
mento – conquistaram espaços somente nas três últimas déca-
das no século passado.
Tais objetos foram sendo configurados através das seguin-
tes etapas:
a) Legitimação empírica – conhecimentos gerados nas
corporações, manualizados ou transfor mados em livros e en-
saios que comportavam reflexões críticas dos seus produtores
paradigmáticos ou se incorporavam à memória histórica das
profissões.
b) Assimilação universitária – pressionadas pelo mercado,
pelo Estado ou pela sociedade civil, as universidades admitem
essas novas formas de saber e as convertem em cursos profis-
sionais ou as privilegia como objetos de pesquisa, institucio-
nalizados ou não.
c) Reconhecimento acadêmico – quando se criam progra-
mas regulares de ensino avançado e de pesquisa teórica,
ensejando a formação de pesquisadores do campo (isso se dá no
âmbito da pós-graduação). Estes, por sua vez, constituem uma
comunidade autônoma, inserida na comunidade internacional.
Evidencia-se, portanto, desde o início da década de 1970,
o aparecimento de novos espaços de pesquisa da comunicação
nas universidades. A criação de cursos de mestrado e doutorado
em Ciências da Comunicação em alguns universidades latino-
americanas facilita a circulação de uma mescla de teorias e
metodologias forâneas, da semiótica à psicanálise, das correntes
pós-modernistas aos postulados neoliberais.
Essas idéias importadas naturalmente se confrontam com
as embrionárias construções científicas autóctones, feitas por
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instigantes pensadores latino-americanos, como o venezuelano
Antonio Pasquali, o brasileiro Luiz Beltrão, o boliviano Luis
Ramiro Beltrán, o argentino Eliseo Verón, o equatoriano Jorge
Fernandez, o belga-chileno Armand Mattelart, o uruguaio Mário
Kaplún ou o paraguaio Juan Díaz Bordenave.
A marca distintiva de todas essas elaborações científicas é
o hibridismo teórico e a superposição metodológica, plasmando
uma singular investigação mestiça, representativa da fisionomia
cultural latino-americana.
Tal perfil se caracteriza pelos cruzamentos de tradições
européias, heranças meso-sul-americanas (pré- e pós-colombia-
nas), costumes africanos, inovações de modernas matrizes norte-
americanas, além de muitas contribuições introduzidas pelos
distintos grupos étnicos que navegaram pelos oceanos durante
as recentes sagas migratórias internacionais.
As produções embrionárias do pensamento comunicacional
latino-americano estão eivadas de reflexões críticas e ao mesmo
tempo ancoradas em postulados pragmáticos. Sua meta sempre
foi a de buscar soluções para os problemas gerados pela emer-
gente indústria midiática da região.
Vamos recorrer à classificação esboçada em nosso artigo
“Difusão dos paradigmas da escola latino-americana de comu-
nicação nas universidades brasileiras” (Marques de Melo, 1996,
p. 9-20) para esboçar as três gerações que integram essa cor-
rente de pensamento:
a) O g rupo dos pioneiros é composto por um contingente
multifacetado, cujas marcas problematizadoras se inscrevem nos
anos 1950-1960. Seu marco constituinte é o processo de criação
do Ciespal, instituição que atua como nucleadora dessa primeira
geração. Alguns deles amadurecem, aprofundam ou revisam
suas idéias nas décadas posteriores.
b) A seguir, destaca-se o grupo dos inovadores, atuante a
partir da década de 1970, quando se faz a crítica contundente do
conhecimento existente, definindo-se com maior nitidez a natu-
reza do campo comunicacional latino-americano. O ponto de
partida dessa etapa é o Seminário de La Catalina (1973), promo-
vido pelo Ciespal, ocasião em que seus participantes concitam

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os pesquisadores da região a buscar “novas aberturas teóricas e
metodológicas”, na tentativa de obter “resultados ainda mais
satisfatórios, compatíveis com as necessidades da América Latina”.
c) O ciclo vai se completar na década de 1980, ag regando
as contribuições daquele grupo de renovadores, alguns deles
realizando avanços empíricos ou reflexivos, referenciados nas
matrizes esboçadas pelos cientistas que os precederam. Tal
período estende-se até 1992, quando foi promovido o I Con-
g resso Latino-Americano de Ciências da Comunicação, na cida-
de de São Paulo/Brasil.
Ocorreu ali a transição do que temos denominado Escola
de Pensamento 2 (marcada pelo protagonismo de lideranças
exponenciais que atuaram coletivamente) para a formação de
uma Comunidade Científica. 3 Ela passou a ser constituída por
jovens pesquisadores, tão competentes como as das gerações
anteriores, porém atuando organicamente de forma sintonizada
com as demandas locais e nacionais. A mística latino-americana
parece começar a perder força, intensidade, motivação.
Independentemente de geração intelectual, também de-
vem ser incluídos nesse contingente os cientistas sociais ou os

2. Jesús Martín-Barbero identifica nesse movimento o maior ganho da década de


1980. “En los años 80 empezamos no sólo a asumir el pensamiento proprio
en el campo de comunicación – que América Latina tenía desde mucho antes
–, sino que empezamos a valorarnos, a valorar nuevos puntos de partida
desde los cuales miramos sin despreciar para nada lo que se estaba haciendo
en el resto del mundo, pero poniéndolo en nuestras coordenadas históricas,
culturales y políticas. El mayor logro de los 80 fue la configuración de lo que
há denominado Marques de Melo la Escuela Latinoamericana de Pensamiento
en Comunicación” (Martín-Barbero, 2000, p. 24).
3. É desta maneira que Guillermo Orozco prefere nominar os agrupamentos
de comunicólogos latino-americanos na década de 1990. “Otra característica
de la comunidad de investigadores en la región, tal vez una de las más
controvertidas, es la ‘intercomunicación’ entre homólogos. Por una parte, los
investigadores de la comunicación no conocen entre sí los trabajos que se
desarrollan en diferentes partes del subcontinente. (...) Por otra parte,
cuando se da una itnercomunicación, ésta se realiza más bien por canales
informales...” (1997, p. 133).

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humanistas, de diferentes países latino-americanos, autores de
reflexões sobre os processos comunicacionais vigentes na se-
gunda metade do século XX. Todos eles se mostravam perple-
xos diante da esfinge midiática, fonte permanente das trans-
for mações experimentadas pela cultura erudita ou pelas cul-
turas populares.

Contradições e perplexidades
A Escola Latino-Americana de Comunicação - Elacom 4 se
impôs como uma corrente de pensamento reconhecida interna-
cionalmente. 5
Ela tem sido privilegiada como tópico de análises em
universidades da América do Norte (Atwood & Mcanany, 1986;
Fox, 1988). Da mesma maneira vem sendo escolhida como
tema de debates em publicações européias (Moragas, 1981;
Schlesinger, 1988; Bustamante, 1989 E 1996).
Mas corre o risco de ser tragada pela espiral do esqueci-
mento em seu próprio território. Trata-se de fenômeno típico
das sociedades periféricas. Corroídas pelo complexo do colo-
nizado, suas universidades se estruturam segundo modelos
forâneos, deles constituindo muitas vezes espelhos acríticos.
Mais grave ainda: seus intelectuais padecem da doença infantil
do reprodutivismo deslumbrado, preferindo buscar referências
(defasadas ou impróprias) apenas nas fontes do conhecimento
d’além fronteiras. Vacilam portanto em reconhecer as singula-
ridades dos pensadores regionais ou nacionais que os precede-
ram, legando contribuições inovadoras ou problematizantes.
Essa situação corresponde, no plano das relações intelec-
tuais, àquela distorção que Paulo Freire percebe no âmbito das

4 . O escopo da Elacom está esboçado na edição inaugural da revista eletrô-


nica PCLA – Pensamento Comunicacional Latino-Americano. Cf. Marques
de Melo (1999).
5. Início evidente dessa legitimação está contido no convite que recebi de
Mark Levy e Michael Gurevich para escrever o capítulo final –
Communication research: new challenges of the Latin American School – da
coletânea Defining media studies (Levy & Gurevich, 1994).

100 • Comunicação e Sociedade 36


relações sociais, denominando-a “aderência ao opressor”. Ve-
jamos sua argumentação.

Isto decorre (...) do fato de que, em certo momento de sua experiência


existencial, os oprimidos assumam uma postura que chamamos de
aderência ao opressor. Netas circunstâncias, não chegam a admirá-lo,
o que os levaria a objetivá-lo, a descobrí-lo fora de si. Ao fazermos esta
afir mação, não queremos dizer que os oprimidos, neste caso, não se
saibam oprimidos. O seu conhecimento de si mesmo, como oprimidos,
se encontra, contudo, prejudicado pela imersão em que se acham na
realidade opressora (1979, p. 33).

Tenho viajado, nos últimos anos, por várias partes da


América Latina. Impressiona-me sobremaneira a inquietação
dessa juventude fascinada pelo universo midiático. Ela se sente
desorientada e perplexa diante das teorias que seus mestres
importam dos antigos centro metropolitanos, mas são incapazes
de dar conta dos problemas cotidianos, globalmente referen-
ciados, mas localmente vivenciados. Ela está ávida para ir ao
encontro das teorias autóctones, justamente porque seus diag-
nósticos antecipavam situações hoje configuradas pela sociedade
da informação e do entretenimento.
Trata-se evidentemente de mais um capítulo daquela luta pelo
monopólio do campo científico, tão bem descrita por Bourdieu: “A
forma que reveste a luta inseparavelmente científica e política pela
legitimidade depende da estrutura do campo, isto é, da estrutura da
distribuição do capital específico de reconhecimento científico entre
os participantes na luta” (1976, p. 136-137).

Perspectivas para o novo século


Mas o bloqueio vem se rompendo, pouco a pouco, através
de iniciativas editoriais impressas ou de produtos digitalizados
que evidenciam a riqueza das idéias comunicacionais gestadas
na América Latina. Elas tendem a repercutir sobre os novos
contingentes que se preparam para inter vir no universo
midiático, no século que se avizinha.
A primeira ofensiva foi desencadeada, na década de 1980,
através da série de bibliografias nacionais fomentadas pela ALAIC

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- Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación.
Ela dava continuidade ao projeto de resgate da nossa memória
investigativa lançado pioneiramente pelo Ciespal (1977)
Resultaram daquele projeto da ALAIC ou foram por ele
inspirados os repertórios produzidos por Almengor et al. (1992);
Anzola & Cooper (1985); Beltrán, Suárez & Isaza (1990);
Fuentes Navarro (1987 e 1992); Kunsch (1997); Marques de
Melo (1984 e 1995); Mattos (1990); Moreira (1991); Munizaga
& Rivera (1983 e 1997); Rivera (1986); Sánchez Ruiz (1992);
Hullebroeck (1994); Peirano & Kudo (1982); Stumpf & Caparelli
(1998a e 1998b); Vega Alfaro y Sánchez Ruiz (1994).
Durante a década de 1990, surgiram obras que, penetran-
do além das fronteiras documentais, passaram a inventariar
criticamente as contribuições latino-americanas ao pensamento
comunicacional contemporâneo.
Destacam-se, nesse conjunto, os trabalhos de Aguirre
(1996); Barbero (1987); Barbero & Lópes de La Roche (1998);
Dencker (1998); Cervantes Barba & Sánchez Ruiz (1994);
Cimadevilla (1997); Entel (1994); Fuentes Navarro (1991, 1992
e 1998); Galindo & Luna (1995); Lozano (1996); Marques de
Melo (1992 e 1998); Marques de Melo & Castelo Branco (1998);
Marro & Dellamea (1993); Orozco (1990, 1992 e 1997); Sánchez
Ruiz (1992b); Lopes (1990 e 1999).
A eles se ag regam quatro iniciativas recentes protag o-
nizadas em São Paulo (Brasil), Lima (Peru), Buenos Aires (Ar-
gentina) e La Paz (Bolívia):
a) A primeira corresponde ao resgate crítico da trajetória
da Elacom, aprofundando o conhecimento sobre seus principais
sujeitos, tanto individuais quanto institucionais. Trata-se da série
de colóquios internacionais promovidos pela Cátedra Unesco-
Umesp de Comunicação, dos quais já resultaram três livros. Um
sobre o itinerário comunicacional de Luis Ramiro Beltrán (Mar-
ques de Melo & Brittes, 1999). Outro referente ao percurso
intelectual de Jesús Martín-Barbero e suas concepções media-
cionais (Marques de Melo & Dias, 1999). E um terceiro que
procura a gênese das idéias comunicacionais latino-americanas,
identificando instituições (Ciespal, no Equador; Icinform,no

102 • Comunicação e Sociedade 36


Brasil; e Ininco, na Venezuela) que ocuparam papel decisivo na
configuração dessa corrente de pensamento (Marques de Melo
& Gobbi, 2000).
b) A segunda se caracteriza como uma inventário crítico
da produção comunicacional latino-americana desencadeada a
partir da década de 1980. Ela foi feita pela equipe da Cátedra
de Teoria da Comunicação da Universidade de Buenos Aires,
sob a liderança do professor Miguel Ángel Santagada, autor do
livro De certezas e ilusiones: trayectos latinoamericanos de
investigación en comunicación (2000).
Sua percepção é a de a pesquisa latino-americana do final
do século XX, além de não haver equacionado adequadamente
a questão do “rigor acadêmico”, contabilizou um “déficit
cognoscitivo”, ocasionando uma espécie de “abstração discipli-
nar” responsável pelo defasagem em relação àquelas “ambições
de longo prazo”. Trata-se de contribuir para a melhoria da
qualidade de vida de nossos povos. Isso se traduz pela distri-
buição eqüitativa dos direitos e deveres sociais, pelo acesso
irrestrito às fontes de conhecimento, informação e diversão,
bem como pela abertura efetiva à participação cidadã e ao
resgate sistêmico das demandas coletivas.
Vale a pena reproduzir aqui o breve diagnóstico explici-
tado pelo autor na introdução do seu estudo. Ele aponta lacu-
nas e distorções que nos cabe completar e corrigir; mas tam-
bém identifica avanços e acertos, que suscitam preservação,
continuidade, fortalecimento:

Nossos trajetos latino-americanos de pesquisa em comunicação devem ser


lidos – e compreendidos – sem que se perca de vista o contexto da cres-
cente complexidade em que foram transitando. Convém destacar o pano-
rama resultante das intervenções das indústrias culturais extracontinentais
nas culturas latino-americanas? A dissolução das funções integrativas dos
Estados nacionais não demanda por acaso um esforço destinado a pensar
novas formas de solidariedade, solidamente institucionalizadas e que
expressem legitimamente as aspirações dos novo povos?

Desde seu início, a pesquisa latino-americana da comuni-


cação tem levantado tais questões, que correspondem em certo

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sentido ao desiderato explícito pela simplicidade e acumulação
progressiva do saber acadêmico. Não obstante, e apesar dos
fracassos e das inconseqüências, os trajetos da pesquisa confor-
maram uma pluralidade de perspectivas e intuições cujas prin-
cipais características reiteram não apenas a originalidade, mas
também a forte propensão ao diálogo, ao questionamento, à
crítica referente a uma ordem cultural que se define como ili-
mitada, única, inquebrantável (Santagada, 2000).
c) A terceira corresponde à antologia dos textos basilares
que marcam a pesquisa em comunicação na América Latina,
editada por Franz Portugal Bernedo – La investigación en
comunicación en América Latina – 1970-2000 (2000). Seu valor
documental é ressaltado pela atual presidente da ALAIC, Mar-
garida M. Krohling Kunsch (2000, p. 11):

A comunidade acadêmica latino-americana dispõe de poucas obras que


procuram tratar da investigação das Ciências da Comunicação de for ma
abrangente e que inclua todo o continente. A maioria dos estudiosos
tem se limitado a mapear a produção científica dos seus próprios países.
Faltam, portanto, mais reflexões e trabalhos que reúnam estudos e pen-
samentos daqueles que fizeram a história do campo na região e que
continuam a militância para a consolidação definitiva das Ciências da
Comunicação no conjunto das demais ciências. O grande mérito do
trabalho de Franz Portugal Bernedo é exatamente reunir num só volume
trabalhos dos principais protagonistas dos estudos de Comunicação na
América Latina.

d) Uma das últimas iniciativas provém da Cátedra Luiz


Ramiro Beltrán, recentemente criada na Universidade Católica
Boliviana, em La Paz. Se inicialmente esteve dedicada à orga-
nização do acervo documental pertencente a Beltrán, deposi-
tária que é da sua biblioteca particular, fonte dos estudos e das
reflexões que ele produziu ao longo de várias décadas, a Cá-
tedra de La Paz inicia agora uma nova fase, lançando-se à
difusão das suas idéias.
O volume intitulado Investigación sobre comunicación en
Latinoamérica: inicio, transcendencia y proyección (Beltrán,
2000) tem dupla vantagem. Além de reunir ensaios e comentários
sobre o autor e sua obra, enfeixa um conjunto de reflexões te-

104 • Comunicação e Sociedade 36


óricas e metodológicas que constituem o cerne do Pensamento
Comunicacional de Beltrán. Ali estão embutidos os conceitos-
chave que seriam depois aprofundados para formular sua con-
tribuição original sobre as Políticas Nacionais de Comunicação.
O que emerge das observações de Beltrán, um pesquisador
que teve formação acadêmica, mas nunca militou efetivamente
no front universitário, é justamente o diferencial que caracteriza
o modo latino-americano de produzir conhecimento sobre comu-
nicação. Não se trata de exegese elitista e preconceituosa da
realidade midiática, como faziam certos radicais europeus.
Tampouco significa trilhar pela rota dos instrumentalistas norte-
americanos (regiamente pagos para pesquisar sem se comprome-
ter com os resultados da pesquisa), mais preocupados em dar
respostas imediatas às demandas industriais. Os pioneiros da
Escola Latino-Americana queriam efetivamente intervir na cena
comunicacional dos respectivos países, contribuindo para corrigir
distorções e melhorar o desempenho das organizações produtoras
de bens simbólicos. Estavam mais comprometidos com o interes-
se público e menos sensibilizadas pelos interesses corporativos
dos capitães do sistema produtivo. Ou daqueles militantes polí-
ticos, encastelados na burocracia estatal ou sindical.

Conclusão
Foi justamente esse engajamento público que fortaleceu a
embrionária comunidade acadêmica latino-americana, dando-lhe
projeção mundializada no campo comunicacional.
Lamentavelmente, essa legitimidade internacional não
encontraria acolhida no interior da sociedade política do nosso
continente, justamente pela idéias heterodoxas dos seus prota-
gonistas. Por um lado, eles defendiam o planejamento estatal
para evitar o caos midiático. Por outro, reivindicavam a liber-
dade de expressão para neutralizar o monopólio informativo.
Os integrantes da emergente Escola Latino-Americana fo-
ram combatidos no interior de cada país da região. Eles enfren-
taram reações dos falsos capitalistas que temiam a livre com-
petição, afeitos que estavam ao controle da engrenagem estatal
para se beneficiar autarquicamente, recusando o arbítirio do
Estado, a partir de regras democraticamente instituídas.
105
Também foram patrulhados pelos falsos democratas, po-
líticos acantonados nos aparelhos burocráticos do Estado. De-
fensores de interesses corporativos, tais agentes partidários
estavam obcecados pelo monopólio das informações, visando
beneficiar os respectivos agrupamentos ideológicos, em detri-
mento da abertura do espectro comunicacional para o uso
responsável de toda a coletividade.
São questões que não se esgotaram completamente. Con-
tinuam vigentes do ponto de vista histórico. Sem dúvida alguma,
elas vão ressurgir, sob novas aparências, na esteira da complexa
sociedade da informação em processo de ascensão mundial.
Para enfrentá-las adequadamente, nada melhor que o le-
gado acumulado criticamente pelos pioneiros da Escola Latino-
Americana de Comunicação.
Cheg ou a hora de privilegiar, na América Latina, as idéias
latino-americanas. E de compreendê-las como parte de um
acervo analítico de processos cognitivos cuja hegemonia política
persiste ancorada nos países hegemônicos da Europa ou da
América do Norte, mas que só possuem vigência cultural no
cotidiano daqueles contingentes, metropolitanos ou periféricos,
que se defrontam com o fluxo regular dos produtos midiáticos.
Trata-se, enfim, de observar, diagnosticar e predizer situ-
ações comunicacionais concretas. Elas exigem, para sua
elucidação, referencial teórico e metodológico gerado no pró-
prio ambiente sociocultural que as determina contextualmente.
O que não significa absolutamente deixar de validá-lo cienti-
ficamente, através de comparações sistemáticas e periódicas
com as tendências vigentes em outros pólos mundiais.

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