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O PRAZER DOS OLHOS Escritos sobre cinema François

Truffaut
ele escrevia tão bem como filmava. os diretores e críticos que François Truffaut
admirava – como Jean Renoir, Alfred Hitchcock, Orson Welles, André Bazin, Henri
Langlois –, os atores com quem trabalhou e os problemas do cinema francês de sua
época.
Truffaut viveu num tempo em que fazer filmes significava refletir sobre o cinema e seu
papel transformador do mundo. Seu primeiro filme, Os incompreendidos, de 1959, seria
avaliado mais tarde como uma espécie de prenúncio das grandes transformações pelas
quais a cultura e o comportamento passariam na década seguinte.
Na França, a concepção de que escrever crítica era um modo de fazer cinema reuniu
um grupo de jovens talentosos para formar o movimento da Nouvelle Vague. Junto com
Jean-Luc Godard e Jacques Rivette, Truffaut foi um dos mais célebres representantes
desse movimento.
Pouco antes de morrer, em 1984, vítima de um câncer cerebral fulminante, Truffaut tinha
o plano de lançar uma coletânea de artigos que seria o prolongamento de seu livro Os
filmes de minha vida, de 1975. Não conseguiu levar adiante esse projeto, mas as
anotações que deixou orientaram Jean Narboni e Serge Toubiana, também críticos de
cinema, na montagem desse livro.
Entre os grandes cineastas franceses, o diretor de Jules e Jim e Uma noite americana
foi, sem dúvida, um dos que mais escreveu sobre cinema, tanto como crítico e polemista
virulento quanto como ensaísta. Desempenhou essa atividade com o mesmo prazer que
tinha ao dirigir um filme.
Sobre o autor: FRANÇOIS TRUFFAUT (1932-1984) começou a freqüentar as salas de
cinema aos sete anos de idade. Por volta de 1947, conheceu o crítico de cinema André
Bazin, que se tornaria seu grande amigo e protetor. Em 1953 escreveu sua primeira
crítica de cinema nos Cahiers du Cinéma (“Uma certa tendência do cinema francês”,
incluída nesse livro). Em 1959 fez seu primeiro longa- metragem, Os incompreendidos, e
ganhou o Festival de Cannes. A partir daí dirigiu mais de 20 longas-metragens e
escreveu dezenas de roteiros para Eric Rohmer, Jean-Luc Godard e outros. Em 1973
ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro com A noite americana. Escreveu diversos
livros, entre os quais Os filmes da minha vida e O cinema segundo Hitchcock.