Você está na página 1de 13

CAPÍTULO 2: Informações Introdutórias – Um resumo sobre as escolas literárias pós

Idade Média. Falar sobre isso com a Arlete

Para melhor compreensão dos dados apresentados nos capítulos seguintes, é


preciso que se apresente agora este adendo sobre as escolas literárias pós da Idade
Média.

1, resumo de cada escola literária


Trovadorismo
Realismo
Maneirismo
Barroco
Arcadismo
Pre romantismo
Romantismo
Realimo/Naturalismo
Parnasianismo
Simbolismo
Pre modernismo
Modermismo
Pos modernismo
Correntes atuais
2, colocar as particularidades em cada país escolhido: Itália, Espanha, Portugal,
Brasil
3, citar os autores expoentes

Antes que se apresentem os autores que lançaram mão de Marcial de alguma


maneira, é preciso que explique, de maneira resumida, os movimentos literários em solo
brasileiro para que assim se possa entender a recepção literária dos epigramas de
Marcial na literatura brasileira.
Considera-se literatura brasileira aquela produzida em língua portuguesa desde o
momento que os portugueses aqui fincaram, incentivada pelos jesuítas, no século XVI
(Cf. COUTINHO, 2008, pp.20-211).
Os primeiros momentos literários foi chamado de Quinhentismo, período que vai
de 1500 a 1600, muito parecido com o classicismo português e com o renascimento que
estava em auge na Europa, e exaltava a terra, e trazia como tema principal a conquista
marítima, com a literatura informativa, como a carta de Pero Vaz de Caminha (1450-
1500), destinado a Manuel I (1469-1521), em Portugal, onde se detalhava as
características do país e seus habitantes. Tal tipo de texto dominou o cenário literário
brasileiro, assim como a literatura dos jesuítas, como os sermões de José de Anchieta
(1534-1597), que lançavam mão do teatro e da poesia para catequizar os primeiros
habitantes do solo brasileiro (Cf. VERISSIMO, 19152).
Em 1601, tem-se o começo do Barroco em solo brasileiro com a publicação do
poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira (1561-1600)3, tal composição seria o
marco introdutório do Barroco no Brasil.O barroco brasileiro carrega todas as
características do gênero, como o gosto pela linguagem rebuscada e pelo uso de muitas
figuras de linguagem, marcado pelo uso da racionalização, do exagero, por exemplo
(Cf. BERNARDI, 1994, p. 654). Segundo Bosi (2017), no Brasil, não houve
efetivamente o barroco, apenas ecos do movimento literário. Apenas, no meado do
século XVIII é que se pode dizer que houve um movimento barroco brasileiro, em
especial, na arquitetura, escultura e música. Os principais autores são Gregório de
Matos (1636-1696) e Padre Antônio Vieira (1608-1698).
O Arcadismo, conhecido também por Neoclassismo, teve seu início já na
segunda metade do século XVIII, muito influenciado pelo Iluminismo europeu, tendo
como marco a publicação das Obras poéticas, de Cláudio Manuel da Costa (1729-
1789), em 1768 e termina em 1836 com a introdução dos ideais românticos. Como
características principais o gosto pela vida campestre, a poesia pastoril, carpe diem,
fugere urbem, aure mediocritas, o uso de temas nacionais, flora e fauna brasileira, o

1
COUTINHO, A. Conceito de literatura brasileira. PETRÓPOLIS: Editora Vozes, 2008. 112p.
2
VERÍSSIMO, J. História da literatura brasileira. MINISTÉRIO DA CULTURA: Fundação
Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro. Disponível em:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000116.pdf Acesso em 23 de set. de 2019.
3
MONTEIRO,C. Esboços de história literária . RIO DE JANEIRO: Livraria Acadêmica. 1961. pp. 55-
58
4
BERNARDI, F. As bases da literatura brasileira: histórias, autores, textos e testes. PORTO ALEGRE:
Editora AGE Ltda, 1999. 214p.
índio como tema principal. Seus principais autores foram: Tomás Antônio Gonzaga
(1744-1810); Basílio da Gama (1741-1795); Santa Rita Durão (1722-1784).
É a partir de 1836 que o movimento romântico começa a influenciar a literatura
brasileira, tendo como marco inicial a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, de
Gonçalves de Magalhães. Os primeiros autores desse movimento estavam em busca de
uma literatura nacional, utópica, onde o índio tinha posição de destaque, em um
processo de construção de uma nova identidade nacional, muito inspirados pelos
escritos de Montaigne e Rousseau. Como exemplo, temos as linhas de Gonçalves Dias
(1823-1864). A segunda geração romântica teve seu início em 1850. Os sentimentos
estavam mais exacerbados, os autores eram influenciados pelos escritos de Lorde
Byron, poeta ultrarromântico francês, e possuíam uma vida boêmia, noturna, eram
narcisistas, sentimentalistas, angustiados, Álvares de Azevedo (1831-1852), Junqueira
Freire (1832-1855), Casimiro de Abreu (1839-1860) e Fagundes Varela (1841-1875)
são alguns dos autores desse momento. Com a abolição da escravatura, em 1888, e o
início da República, em 1889, nasce a terceira geração romântica, chamada de
Condoreira, caracterizada por uma poesia social e libertária, como principal exemplo
desse momento, tem-se o nome do poeta Castro Alves (1847-1871).
O romantismo tem morada também na prosa, que fora dividida em três
momentos: romance urbano — narrava a vida social principalmente da capital do país,
Rio de Janeiro, onde havia a descrição dos tipos passantes pelas ruas da cidade;
romance regionalista — retratando a vida no interior, os seus hábitos e seu jeito de falar;
romance histórico — narrando a revalorização do passado do país e o romance
regionalista — colocando o índio como herói brasileiro. Como exemplo da prosa
romântica tem-se: Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882); José de Alencar; Bernardo
Guimarães (1824-1884); Manuel Antônio de Almeida (1830-1861), por exemplo.
Nos meados do século XIX, o romantismo começa a perder forças dando espaço
para o movimento realista, juntamente com uma série de transformações sociais
ocorridas no país, mas seu início oficial se deu, em 1881, com a publicação de
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1839-1908). Os textos
realistas podem ser caracterizados pela observação e na escrita verossímil do que se
observava, muito influenciados pelo cientificismo, positivismo e pelas teorias sociais
advindas de toda a Europa e também influenciados pelas mudanças que estavam
ocorrendo no país, como o abolicionismo, a Guerra do Paraguai e a introdução do ideal
republicano, culminando na proclamação da República, em 1889, além disso, ocorreu a
ascensão de uma sociedade burguesa, impulsionando o surgimento de indústrias e da
mão de obra assalariada, como também a expansão da economia cafeeira. As principais
características desse período são a objetividade, a crítica social, o uso da ironia,
descrições psicológicas. Além de Machado de Assis, outros nomes são importantes
neste momento, como Raul Pompéia (1863-1895), Visconde de Taunay (1843-1899),
Euclides da Cunha (1866-1909).
Em decorrência do Realismo, surge o Naturalismo, movimento que tentou
representar quase biologicamente, os personagens narrados, lançando mão de conceitos
psicológicos e sociológicos. Pela primeira vez, o pobre, o excluído, o homossexual, o
negro, o mulato, os doentes tiveram espaço nas linhas dos autores naturalistas. O
primeiro romance naturalista foi publicado por Aluísio de Azevedo (1857-1913), em
1881, intitulado O mulato (Cf. COUTINHO e SOUSA, 20015).
Pouco tempo durou a estética naturalista, no ano seguinte de seu marco inicial,
em 1882, Teófilo Dias (1854-1889) publica Fanfarras, obra que dá início ao
Parnasianismo no Brasil. O movimento buscava a perfeição estética, residida na
máxima arte pela arte, tendo como características principais o uso de fatos reis para a
composição de suas obras, o gosto pela mitologia e cultura clássica, o uso de rimas, a
predileção pelo soneto e a descrição visual detalhada. Olavo Bilac (1865-1918) e
Raimundo Correia (1859-1911) são os principais autores desse momento literário.
No final do século XIX, a literatura tem o seu início. No Brasil, a publicação de
Missal, em 1893, de Cruz e Souza, marca o seu início (Cf. MONTEIRO, 1961, pp. 274-
275). A literatura simbolista é marcada pelo subjetivismo, individualidade,
espiritualidade, musicalidade, misticismo. Os principais autores são Alphonsus de
Guimarães (1870-1921), Augusto dos Anjos (1884-1914).
Passado o simbolismo, as letras brasileiras são influenciadas por um novo
movimento nascente na literatura, que marca a transição da estética simbolista para o
movimento modernista, denominado de Pré-Modernismo, termo criado por Tristão de
Ataíde para designar os escritores do período de 1910-1920. O Brasil vivia em um
momento conturbado, decorrente das inúmeras revoltas, como o fanatismo religioso,
representado pelas figuras de Antônio Conselheiro (1830-1897) e Padre Cícero (1844-
1934); o cangaço nordestino; as revoltas da vacina (novembro de 1904) e da chibata

5
COUTINHO, A; SOUSA, J. G. Enciclopédia de Literatura Brasileira 2 Volumes. RIO DE
JANEIRO: Fundação Biblioteca Nacional, Dep. Nacional do Livro: Global, 2001.
(novembro de 1910), ocorridas no Rio de Janeiro e a Guerra do Contestado (1912-
1916), no sul do país. A política brasileira era baseada na oligarquia rural, com o
destaque para o coronelismo e as disputas provincianas e havia o nascimento de uma
crescente burguesia urbana e de uma industrialização, surgimento do proletariado e a
imigração europeia. A estética pré-modernista fora marcada pela ruptura da linguagem
do movimento anterior, o uso de uma linguagem mais simples, exposição da realidade
brasileira, o marginal como personagem principal das linhas. Lima Barreto (1881-1922)
e Monteiro Lobato (1822-1948) podem ser considerados autores deste período. É a
partir de 1922, que se inicia o movimento Modernista, que fora fortemente influenciado
pelas vanguardas europeias, a saber, o cubismo e o futurismo, por exemplo.
Oficialmente, o movimento teve seu ponto de partida a Semana de Arte Moderna, de
1922, realizada em São Paulo. Sua estética perpassou três fases: do radicalismo
irreverente e escandaloso — onde havia uma busca pelo moderno e pelo nacionalismo
através da valorização do índio e pela língua daqueles povos. É deste tempo que se tem
inúmeras revistas e manifestos, como o movimento antropofágico ou o Movimento
Verde-Amarelismo (Escola da Anta) — para uma fase mais amena — onde havia as
letras tratavam sobre o universo político à época, os questionamentos sobre estar no
mundo moderno, escreviam em versos livres, longe do academicismo, também trazia
um forte regionalismo e um humor ácido — até chegar ao que se conhece como Pós
Modernismo — onde as linhas buscam uma poesia mais séria e mais comprometida me
narrar os males sociais.

Tomando por base a seção intitulada Marcial português, da tese Marcial


brasileiro de Fábio Cairolli (2014). As linhas a seguir se concentrarão na – provavél –
emulação dos escritos de Marcial pelos poetas portugueses. Antes de serem
apresentados, voltam-se os olhos para os primeiros momentos literários enquanto
Portugal como nação estabelecida, no século XII, nos meados da Idade Média até a
literatura atual portuguesa, em um breve resumo.
Sendo assim, os primeiros registros literários da literatura portuguesa datam do
século XII, uma vez que a nação estava integrada cultura e linguisticamente com a
Galícia, o que compreende hoje ao território espanhol, e boa parte dos regitros literários
da época foram escritos em galego-português, a língua que se falava na região. Já nesta
época, havia grande circulação de livros e de informações científicas; em 1290, é
fundada a Universidade de Coimbra por D. Dinis I (1261-1325), também famoso
trovador português, amante das artes e das letras. Essa grande circulação literária só
pode acontecer também com a iminiente expansão marítima.
A primeira manifestação literária portuguesa é denominada de trovadorismo,
que eram cantigas breves e tratavam de amigo – onde o trovador exalta a mulher amada,
e ele se torna humilde servo desta, o eu-lírico é sempre masculino; de amizade – tendo
como voz principal a feminina, tratava do amor entre ela e o seu amigo (namorado), o
diálogo com sua mãe, suas amigas; escárnio – uma espécie de sátire indireta, cheia de
duplos sentidos, trocadilhos, irônias e mordacidade; maldizer – uma sátira direta, sem
duplos sentidos, marcada pela agressão verbal. A cantiga mais antiga é a Cantiga da
Ribeirinha (ou Cantiga da Garvaia), de Paio Soares de Taveirós (nascido em 1200). No
século XIII há incidência de outros tipos de texto, como as crônicas, hagiografias
(biografia dos santos), tratados de genealogia, algumas traduções de obras clássicas e
ainda as novelas de cavalaria.
Com o alvorecer do Renascimento no continente europeu, a literatura portuguesa
é ligada aos reis autores, como D. João I, (1357-1433), autor de um livro de caça e
possui uma tradição cronpistica, tendo seu início com Fernão Lopes (1418–1459),
abrindo as portas para o humanismo português. A poesia portuguesa estava sob a
influência dos escritos de Petrarca, conhecido em Portugal em sua tradução para o
espanhol, o que ocasionou a escrita em espanhol por muitos autores. Também,
influencados pelo movimento renascentista, os autores portugueses demostravam o
gosto pelos assuntos da Antiguidade Clássica. É neste período que começaram a
aparecer os primeiros compilados de canções trovadorescas, como o Cancioneiro
Geral,compilado por Resende (1470-1536), em 1516, fechando o período humanista,
dando início ao classicismo português, no século XVI. O primeiro livro impresso em
Portugal seria Sacramental (1488). A partir de 1490, os livros eram impressos nas
cidades de Porto e Braga. A impressão de livros fez com que aumentassem os tipos
literários no país, nasciam o romance, a novela, os almanaques, o cordel.
O século XVI se inicia com a entrada de novas formas literárias em Portugal.
Bernardim Ribeiro (1482?-1552?) traz a lume as primeiras manifestações de uma poesia
pastorial; a medida nova na poesia aparece nas cartas de Sá de Miranda (1481-1558),
que introduziu o soneto nas letras portuguesas; Camões (1524-1579) apresenta aos
portugueses a construção de uma poesia épica, onde soube fundir os seus modelos
clássicos, como Vírgilo, em sua narrativa nacional; além disso, Portugal conheceu as
peças de Gil Vicente (1465-1536), conhecido comop pai do teatro português, suas
peças, juntamente com as peças de outros dramaturgos portugueses, ajudaram na
expansão da literatura portuguesa. É também aqui que aparecem a literatura de viagem e
a prosa religiosa, por exemplo.
O barroco em Portugal teve seu início em 1580 e o seu findar em 1756, com a
inauguração da Arcádia Lusitânia. Chamado também de Seiscentismo, o período
floereceu nas artes em geral – arquitetura, pintura, literatura e música. Os poetas deste
período foram influenciados pelas obras do poeta espanhol Luis de Góngora y Argote
(1561-1627) e pelopoeta italiano Giambattista Marino (1569-1625). Tal influência
estrangeira é percebida em maior grau no teatro português. Na poesia lírica, há a
produção da poesia pastoril, como as de Francisco Rodrigues Lobo (1580-1622).
Nascia, no barroco, textos historiográficos, como o Frei António Brandão (1584-1637),
biográficos, como o Frei Luís de Sousa (1555-1632), sobre eloquência religiosa, como
o padre Antônio Vieira (1608-1697) e o gênero epistolar, como Francisco Manuel de
Melo (1608- 1666), tendo, como principais autores, os monges, os viajantes e os
conquistadores.
A literatura portuguesa aportada no neoclassimo, com o movimento árcade nos
meados do século XVIII, mais precisamente em 1756, com a fundação da Arcádia
Lusitânia pelos poetas Cruz e Silva (1731-1799), Manuel Nicolau Esteves Negrão
(morto em 1824) e Teotónio Gomes de Carvalho (1728-1800) (Cf. ANASTÁCIO,
20076), extinguindo-se, em 1776, ali, se reuniam o escritores que queriam romper com a
estética barroca, apresentando o novo estilo nascente, inspirado pela introdução as
Academias literárias na Itália, em 1690, e buscavam uma literatura menos rebuscada e
extravagante como era o barroco. Esteticamente, o arcadismo exaltava a natureza, o
carpe diem, áurea mediocritas, fugere urbem, os poetas usavam pseudônimos,
lembrando os antigos pastores dos poemas pastoris da Antiguidade. O movimento
árcade teve seu fim, em Portugal, em 1825, a partir da publicação de Camões, poema
composto por Almeida Garret, dando início ao Romantismo português.
O século XIX se inicia com a transição das letras do pensamento árcade para o
pensamento romântico. No início do século, as letras portuguesas passam a conhecer a
mete engenhosa de Almeida Garret (1799-1854), autor que teve contato com o
romantismo inglês e francês, que dali retirou as bases do gênero na literatura

6
ANASTÁCIO, Vanda. O Terramoto de 1755: Marco da História Literária?In. ARAÚJO, A. C. et alii
(orgs.), O Terramoto de 1755. Impactos Históricos. LISBOA: Livros Horizonte, pp. 363-367.
portuguesa. Com Alexandre Herculano (1810-1877), a literatura portuguesa conheceu a
poesia carregada de temas patrióticos e religiosos. Há de se lembrar também de Camilo
Castelo Branco (1825-1890) com suas belas descrições do ambiente português durante o
século XIX. O ultrarromantismo se mostra com as letras de Antônio Feliciano de
Castilho. O teatro reproduzia algumas tragédias clássicas, os dramaturgos portugueses
buscavam a reforma da cena portuguesa, um teatro essencialmente nacional, como as
peças de Frei Luís de Sousa.
Nos fins do século XIX, as letras portuguesas adentram ao Realismo, mais
precisamente em 1865, com a Questão Coimbrã — em resposta ao artificialismo
romântico. Deste período têm-se os nomes de Teófilo Braga (1843-1924); Eça de
Queiroz (1845-1900); Antero de Quental (1842-1891). Fora com O crime do padre
Amaro que de fato se inicia o movimento realista na literatura portuguesa, onde se pode
perceber uma minuciosa descrição de quaisquer tipos sociais, físicos e psicológicos que
aparecem como meio pelo qual se justifica o caráter do personagem narrado.
O século XX é marcado, na literatura, com o surgimento do Modernismo — que
teve como marco principal o lançamento da revista Orpheu e vai até o fim da ditadura
portuguesa, em 1970. O movimento rompe com os padrões estéticos antigos por meio
de uma escrita que lança mão de uma linguagem inovadora. Os principais nomes desse
período foram Fernando Pessoa (1888-1935) e seus heterônomos; Mario de Sá Carneiro
(1890-1916); Almada Negreiros (1893-1970), por exemplo. Estas páginas apresentarão
abaixo os autores que leram Marcial durante este período.

A língua italiana nasce a partir da evolução do latim vulgar, uma junção do latim
falado com os inúmeros dialetos falados nas províncias romanas do lado ocidental. A
partir do século XII, o italiano se torna língua oficial, após a unificação dos pequenos
estados na Península Itálica. O primeiro movimento literário italiano foi o trovadorismo,
como as trovas de Rambertino Buvalelli (1170/80-1221), considerado como o primeiro
poeta trovador da Itália. Antes disso, toda a literatura escrita era composta em latim,
além de ser destinada apenas ao ambiente eclesiástico. Em 1230, surge a Escola
Siciliana, movimento de alguns poetas italianos reunidos na corte de Frederico II (1994-
1250), monarca que patrocinou as ciências e as artes. Os autores pertencentes à escola
foram os primeiros a escrever na língua italiana propriamente dita e narravam o
embelezamento da corte e a fuga de assuntos mais sérios. É creditado a Jacopo da
Lentini, autor deste tempo, a invenção do soneto.
É a partir do movimento renascentista que se inicia o estudo sobre a
permanência dos escritos de Marcial em solo italiano, uma vez que é neste momento
que se voltam aos olhos para os clássicos greco-latinos. O Renascimento7 se inicia no
século XIV e dura 300 anos (cf. REYNOLDS; WILSON, 1991, p. 122), em Florença8,
tendo seu fim nos idos do século XVI na Itália9, mas o movimento se expande para o
norte europeu, o Renascimento acha morada na França, Inglaterra, Alemanha e
Espanha, por exemplo. A influência do Renascimento pôde ser sentida na literatura,
filosofia, arte, música, política, ciência e na religião. Além disso, foi um movimento
urbano e das minorias: os humanistas, os patrícios ou os artistas; ainda foi um momento
em que as mulheres ganharam mais espaço nas artes, como na pintura e na literatura.
Tomando emprestado os ensinamentos de Burckhardt, nas palavras de Garin (1991,
p.9), esse espaço para as minorias, esse despertar cultural é “afirmação renovada do
homem, dos valores humanos nos vários domínios: desde as artes à vida diária”. A
mentalidade do homem renascentista também muda, agora ele se reconhece como algo
individual, desligado do Estado e da Igreja. Muito mais que uma mudança de

7
O termo la rinascita aparece pela primeira vez nas linhas de Giorgio Vasari (1511-1574) em sua obra Le
Vite de' più eccellenti pittori, scultori, e architettori, publicada em 1550. No entanto, foi somente no
século XIX que o vocábulo Renaissance alcança popularidade; e foi definido como um período histórico
em sua totalidade, conforme as palavras de Jules Michelet (1708-1874) em 1855, no livro Histoire de
France, uma vez que foi também um desenvolvimento científico além de ser somente um
desenvolvimento cultural no final do século XV, até a metade do século XVII. Além disso, é preciso levar
em consideração que houve outros Renascimentos na história, como o empreendido por Carlos Magno,
por exemplo, que buscou remorar a literatura antiga também.
8
Creditam a Florença o início do Renascimento, visto que a cidade possuía estrutura política propícia,
com o patrocínio da Família Medici (cf. STRATHERN P. The Medici: Godfathers of the Renaissance. New
York: Vintage Books, 2003. 448p.) e a migração dos eruditos gregos para a Itália após a queda de
Constantinopla. Havia também outros centros urbanos italianos que serviram de local para o
florescimento do Renascimento, como Veneza, Milão, Bolonha e Roma.
9
No século XV, a Itália era uma das áreas mais urbanizadas de toda a Europa, uma vez que as
tranformações no país já eram percebidas desde o século XII, conforme aponta Skinner (1978, p. 69) ao
dizer que já havia ali uma sociedade baseada no comércio. Além disso, havia a separação da Igreja e do
Império, o que favorecia certa liberdade destas cidades-estados, que mesmo sendo oligárquicas, possuíam
características democráticas. A decadência do feudalismo e o estabelecimento de novas organizações
econômicas e rotas comerciais proporcionam novas experiências e maior contato com novas culturas. O
limiar do sistema comercial, o capitalismo, traz a tona o surgimento de uma nova camada na estrutura
social, a burguesia, que se desenvolvia intensamente na economia, administração, sociedade e cultura,
bem como na religião e educação. Os burgueses, interessados na educação e na cultura, tornam-se
praticantes do mecenato, investindo em palácios, catedrais, esculturas, pinturas, livros. Os mecenas
patrocinavam e incentivavam as artes no Renascimento, fazendo com que a cultura renascentista fosse
desenvolvida e propagada.
mentalidade, ou uma mudança de espírito, deve-se pensar o movimento renascentista
como também uma confluência de transformações ocorridas dentro da sociedade
italiana. O que pode ser comprovado pelas palavras de Burckhard:

Na Idade Média, [...] o homem reconhecia-se a si próprio apenas como raça,


povo, partido, corporação, família ou sob qualquer outra das demais formas
do coletivo. Na Itália, pela primeira vez, tal véu se dispersa ao vento;
desperta ali uma contemplação e um tratamento objetivo do Estado e de todas
as coisas deste mundo. Paralelamente a isso, no entanto, ergue-se também, na
plenitude de seus poderes, o subjetivo: o homem torna-se um indivíduo
espiritual e se reconhece como tal. (2009, p. 145).

Estas são suas principais características: humanismo, que representa a


valorização do ser humano e sua condição acima de tudo, ou seja, tem-se a preocupação
em valorizar os atributos humanos, o que ocasiona o antropocentrismo, que colocava o
homem no centro do universo, o que trazia um sentimento de individualismo como a
obra mais perfeita da criação, surgindo assim um homem racional, crítico e que
questiona a sua própria realidade rompendo com o pensamento medieval; racionalismo,
que põe em destaque a razão como base do conhecimento, contrapondo a ideia
medieval, que colocava a autoridade divina como base de todo conhecimento.
Cientificismo, que colocava a ciência em posição de destaque para que o indivíduo
pudesse desvendar o mundo em sua volta e descobrir novas tecnologias. Nesse período
acontece a Revolução Científica, liderada por Galileu Galilei (1564-1642), que defendia
que a terra girava em torno do sol. Destaca-se a figura de Nicolau Copérnico (1473-
1543) e a teoria heliocêntrica, que afirmava que o centro do universo seria perto do sol.
A ciência, que até então era atrelada à Igreja, se desvincula dela e passa a transmitir o
conhecimento mais estruturado e prático. Por fim, tem-se o universalismo, ou seja, a
expansão do ensino nas escolas e universidades e também o surgimento de novas
disciplinas. Outras descobertas são importantes para o período: em 1492, Cristovão
Colombo (1451-1506) descobre o novo mundo; Andreas Vesalius (1514-1564) se torna
o pioneiro nos estudos sobre anatomia e dissecação; Luca Pacioli (1445-1517) foi o
primeiro a se lançar aos estudos sobre contabilidade. A cultura ainda foi fortemente
propagada com o início das grandes navegações, que partiram em busca de novas rotas
comerciais, uma vez que, com o acúmulo de riquezas, por parte dos navegadores, houve
maior investimento nas artes em geral.
O surgimento da imprensa, nos idos de 1470, por Gutenberg (1400-1468),
revolucionou o sistema de produção dos livros durante o século XV, uma vez que o
processo era mais rápido e barato que a prensa manual, e tornou-se um grande
facilitador da propagação das obras literárias e para a divulgação do conhecimento para
a população renascentista. Valendo-se das palavras de Burcke (1999), aponta Barbieri
(2004, p.208) 10:

Segundo Burke, os efeitos da invenção da imprensa na organização da


literatura foram tão variados quanto perturbadores. Em primeiro lugar, foi um
desastre para os que não estavam preparados para se adaptar e começar uma
nova carreira. Em segundo lugar, a expansão e a produção de livros levaram
à criação de novas ocupações que ajudavam a sustentar escritores criativos.

Também os renascentistas buscavam o retorno dos valores, hábitos, cultura,


literatura da Antiguidade Clássica. Para isso, sairam a procura, nas bibliotecas
europeias, de autores greco-latinos. Na literatura e nas artes, os temas mais comuns
versavam sobre o amor humano, a natureza, a mitologia, os heróis guerreiros, temas
filosóficos, políticos, idealização da realidade; os poetas têm gosto pelas formas e textos
harmônicos, claridade e ordem na composição. Ainda compõem uma poesia que versa
sobre a religião — em uma tentativa de fazer o espírito alcançar a perfeição moral —,
além de tratar de assuntos míticos — aqueles que tratam dos fenômemos que
experimentam o misticismo quando se entra em contato com Deus.
De uma maneira resumida, após a derrocada do Renascimento na Itália,
ocasionada pelas inúmeras invasões sofridas, o grande saque de Roma, em 1527,
realizado pelos Estados Pontifícios e as tropas rebeldes de Carlos V (1500-1558),
imperador do Sacro Império Romano-Germânico; os novos ideais advindos da Reforma
Protestante e as primeiras expedições aos novos mundos, nasce um novo sentimento
literário, denominado maneirismo (chamado também Secentismo), vigorando entre os
anos de 1515 e 1600. Tal movimento, apesar de ser um desdobramento do próprio
Renascimento, se propunha a revisar os valores clássicos em detrimento da
originalidade, da sofisticação da intelectualidade e da individualidade. Sobre a cultura
maneirista, complementa Edelman (1996, p. 21) que os escritores e pintores eram
menos realistas que seus predecessores, ensinando a vida em um misto de uma visão
crua, perplexa, melancólica, lúdica, ambígua, irônica, sempre se preocupando com a
qualidade de vida cotidiana, com o desejo de experimentar e inovar a cultura, a
sociedade, a política. Hausser (1972, p. 505) diz que os artistas da época viviam sob um

10
BARBIERI, C. A. P. O Renascimento Italiano. Ciências da religião: história e sociedade Ano 2 • N. 2 •
2004, pp. 205-210.
espectro de dualidade, ou seja, apresentam predileções pela vida e pela fuga, pelo
tradicional e pelo rebelde, pela subjetivismo e pelo exibicionismo. Torquato Tasso
(1544-1595) é importante para o movimento maneirista. Os estudiosos da literatura
italiana consideram o século XVII como um período de decadência, os escritores,
desprovidos de sentimentos, recorriam ao exagero para tentar encobrir a pobreza de
escrita, surgindo assim o movimento barroco. O início do barroco italiano coincide com
o florescimento do gongorismo na Espanha e da poesia metafísica na Inglaterra. A
literatura volta os olhos para a Idade da Prata latina, como os escritos de Sêneca, e lança
mão de uma linguagem metafórica (cf. CHERCHI, 1997, p. 30111). Nas artes em geral,
Caravaggio (1571-1610) é um dos nomes mais citados como usuário das técnicas
barrocas em suas pinturas. Giambattista Marino (1569-1625), poeta que compôs o longo
poema Adone, revivendo o mito ovidiano de Vênus e Adonis. O Arcadismo (chamado
também de setecentismo ou neoclassicismo) foi instituído na tentativa de restaurar a
literatura, voltando aos olhos para a simplicidade dos antigos, com sonetos, madrigais,
canções, como os escritos de Gian Vincenzo Gravina (1664-1718), um dos fundadores
da Academia de Arcádia12, em 1690, com o objetivo de trazer de volta a simplicidade de
estilo, uma poesia ligada à natureza.
O século XVIII é considerado o século das luzes, o mundo vive a Revolução
Industrial e o Iluminismo, dando boas vindas aos tempos modernos. Destaque para as
comédias de caráter de Carlo Goldoni (1707-1793). A partir de 1740, ocorre o
movimento do pré-romantismo, precedindo ao movimento romântico de fato. A
principal mudança foi a distância dos temas rebuscados, idealistas, dos sentimentos
idealizados do movimento anterior para uma aproximação as formas mais simples e
sincera. Vittorio Alfieri (1749-1803) pode ser considerado um autor do período. A
virada do século XVIII para XIX foi marcada pela Revolução Francesa e pelo Império
de Napoleão. É em 1816 que se tem as primeiras notícias sobre o Romantismo em solo
italiano. Na Itália, foi um período de efervecência política, o que acarretou a unificação
italiana e a participação de muitos autores em assuntos políticos, ocasionando uma
literatura planfetária, que tratava da herança nacional da Itália. Com este pano de fundo,
a poesia buscava uma tendência individualista, com forte desejo nacionalista. Ugo
Foscolo (1778-1827) transparece esse sentimento em seus escritos, mesmo que tenha se

11
Ver referência completa: BRAND, P; PERTILE, L.
12
Fundada em Roma, na casa de Cristina, ex-rainha da Suécia, após a morte da monarca, que se
estabeleceu em Roma por ser católica. Era uma mulher culta, cercada de artistas.
inspirado nos autores clássicos para compor as suas obras, abrindo os caminhos para
uma literatura romântica13. Se contrapondo aos ideais românticos, os artistas da segunda
metade do século XIX, motivados pelas correntes filosóficas e teorias científicas,
retratavam o homem e a sociedade tal como era, o cotidiano, o amor cruel, a falsidade, o
egoísmo, baseados no sendo crítico e na objetividade, por isso, o nome Realismo.
Giovanni Verga (1840-1922) foi um dos principais nomes da corrente literária do
verísimo, baseada nas premissas filosóficas do positivismo e no naturalismo francês. O
simbolismo italiano (última década do século XIX e avança pelo início do século XX),
movimento que renega as características do Realismo/Naturalismo e deseja a volta dos
ideais românticos, é representado pela obra do dramaturgo Gabriele d'Annunzio (1863-
1938).
No fim do século XIX e no início do século XX, surge o Modernismo,
caracterizado pela ruptura dos modos tradicionais de escrita na poesia e na prosa, na
tentativa de subverter as formas usuais de representação, trazendo uma nova
sensibilidade para a literatura da época. A primeira manifestação modernista na Itália
está nos escritos de Antonio Fogazzaro (1842-1911). Nos idos dos 1900, pós Segunda
Guerra, surge a corrente pós-modernista, que lança mão das técnicas de fragmentação,
paradoxo. Os trabalhos pós-modernistas são a respostas para as abordagens literárias
anteriores (cf. FELUGA, 2013.14). As correntes pós-modernas, como o Futurismo15,
dominavam o cenário literário italiano, com destaque para os autores Filippo Tomasso
Marinetti (1876-1944), autor do primeiro manifesto futurista, intitulado Manifesto
Futurista, em 1909. Com o final da guerra e do antigo regime, ocorre o Neo-Realismo,
também conhecido pela Idade de Ouro da literatura italiana, que se valeu do cinema
nacional para transmitir a sua mensagem, retratando de forma crua a nova realidade do
país pós-segunda, pós-fim do regime totalitário, face à miséria e pobreza que assolavam
a Itália. Um dos nomes mais conhecidos desse período é o de Primo Levi (1919-1987),
autor que escreveu contos, poemas e novelas.

13
Após o Neoclassismo, ocorre o Pré-romantismo, uma preparação para o movimento posterior, já nos
anos finais do século XVIII. Valorizava-se o sentimentalismo face à moral social e as convenções sociais,
além do amor pela natureza.
14
Felluga, D. General Introduction to Postmodernism. College of Liberal Arts: Purdue University.
Retrieved August 16, 2013.
15
Os adeptos desra corrente rejeitavam as escolas literárias anteriores em detrimento do futuro, os
autores futuristas pregavam a guerra e a violência.