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Como nasceu a união europeia?

Falar sobre as origens da união europeia, final da 2º guerra 1


Mundial, influência grega romana e cristianismo, sec xx
 Base é o Direito Romano.
 A influência nos povos europeus é: Grega-Romana, Católica (espiritualidade) e de Culturas.
 A altura de Alexandre o Grande é considerada a 1ª União Europeia, o inspirador foi Aritóteles, o mar Egeu
era o centro do Mundo.
 O grande objectivo da União Europeia: a paz.
1945 - 1959
Uma Europa pacífica – o início da cooperação
A União Europeia é criada com o objetivo de pôr termo às frequentes guerras sangrentas entre países vizinhos, que
culminaram na Segunda Guerra Mundial. A partir de 1950, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço começa a
unir económica e politicamente os países europeus, tendo em vista assegurar uma paz duradoura. Os seis países
fundadores são a Alemanha, a Bélgica, a França, a Itália, o Luxemburgo e os Países Baixos. Os anos 50 são dominados
pela guerra fria entre os países do Leste e os países ocidentais. Na Hungria, as manifestações contra o regime
comunista são reprimidas pelos tanques soviéticos em 1956. Em 1957, o Tratado de Roma institui a Comunidade
Económica Europeia (CEE) – o chamado «Mercado Comum».
1960 - 1969
Um período de crescimento económico
A década de sessenta é um bom período para a economia, favorecida pelo facto de os países da União Europeia
terem deixado de cobrar direitos aduaneiros sobre as trocas comerciais realizadas entre si. Estes países decidem
também gerir em conjunto a produção alimentar, de forma a assegurar alimentos suficientes para todos.
Rapidamente, passam a existir excedentes de produtos agrícolas. O mês de maio de 68 torna-se famoso pelas
manifestações de estudantes em Paris, tendo muitas mudanças na sociedade e a nível dos comportamentos ficado
para sempre associadas à denominada «geração de 68».
1970 - 1979
Uma Comunidade em expansão - O primeiro alargamento
A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido aderem à União Europeia em 1 de Janeiro de 1973, elevando assim o número
dos Estados-Membros para nove. Na sequência do breve, mas violento, conflito israelo-árabe em outubro de 1973, a
Europa debate-se com uma crise energética e problemas económicos. A queda do regime de Salazar em Portugal,
em 1974, e a morte do General Franco em Espanha, em 1975, põem fim às últimas ditaduras de direita na Europa.
No âmbito da política regional da UE, as regiões mais pobres começam a beneficiar da transferência de montantes
elevados para fomentar a criação de emprego e de infraestruturas. O Parlamento Europeu aumenta a sua influência
na UE e, em 1979, pela primeira vez, os cidadãos elegem diretamente os seus deputados. A luta contra a poluição
intensifica-se. A UE adota legislação para proteger o ambiente e introduz o conceito do «poluidor-pagador».
1980 - 1989
Uma Europa em mutação – A queda do Muro de Berlim
O sindicato polaco Solidarność e o seu dirigente Lech Walesa tornam-se num símbolo por todos conhecido não só na
Europa como no mundo inteiro na sequência do movimento grevista dos trabalhadores do estaleiro de Gdansk
durante o Verão de 1980. Em 1981, a Grécia torna-se o décimo Estado-Membro da UE, seguindo-se-lhe a Espanha e
Portugal cinco anos mais tarde. Em 1987, é assinado o Ato Único Europeu, um Tratado que prevê um vasto
programa para seis anos destinado a eliminar os entraves que se opõem ao livre fluxo de comércio na UE, criando
assim o «Mercado Único». Com a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, dá-se uma grande
convulsão política: a fronteira entre a Alemanha de Leste e a Alemanha Ocidental é aberta pela primeira vez em 28
anos o que leva à reunificação das duas Alemanhas.
1990 - 1999
Uma Europa sem fronteiras
Com o desmoronamento do comunismo na Europa Central e Oriental, assiste-se a um estreitamento das relações
entre os europeus. Em 1993, é concluído o Mercado Único com as «quatro liberdades»: livre circulação de
mercadorias, de serviços, de pessoas e de capitais. A década de noventa é também marcada por dois Tratados: o
Tratado da União Europeia ou Tratado de Maastricht, de 1993, e o Tratado de Amesterdão, de 1999. A opinião
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pública mostra-se preocupada com a proteção do ambiente e com a forma como os europeus poderão cooperar em
matéria de defesa e segurança. Em 1995, a União Europeia acolhe três novos Estados-Membros: a Áustria, a
Finlândia e a Suécia. Uma pequena localidade luxemburguesa dá o seu nome aos acordos de «Schengen», que,
gradualmente, permitirão às pessoas viajar sem que os seus passaportes sejam controlados nas fronteiras. Milhões
de jovens estudam noutros países com o apoio da UE. Torna-se mais fácil comunicar à medida que cada vez mais
pessoas começam a utilizar o telemóvel e a Internet.
2000 – 2009
Continuação do alargamento
O euro é a nova moeda de muitos europeus. Ao longo da década, o número dos países que adotam o euro aumenta.
O 11 de Setembro de 2001 torna-se sinónimo de «guerra contra o terrorismo», depois de aviões desviados
embaterem em edifícios em Nova Iorque e Washington. Os países da UE começam a trabalhar cada vez mais em
conjunto para lutar contra a criminalidade. As divisões políticas entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental são
finalmente sanadas quando dez novos países aderem à União Europeia em 2004, seguidos pela Bulgária e a Roménia
em 2007. A economia mundial é abalada por uma crise financeira em setembro de 2008. O Tratado de Lisboa é
ratificado por todos os países da UE antes de entrar em vigor em 2009, dotando a UE de instituições modernas e de
métodos de trabalho mais eficientes.
2010 - Presente
Uma década de desafios
A crise económica mundial tem repercussões profundas na Europa. A UE ajuda a vários países de enfrentar as suas
dificuldades e cria a «União Bancária» para garantir bancos mais seguros e mais fiáveis. Em 2012, a União Europeia
recebe o Prémio Nobel da Paz. Em 2013, a Croácia torna-se o 28.º Estado-Membro da UE. As alterações climáticas
continuam a ser uma prioridade e os dirigentes chegam a acordo para reduzir as emissões nocivas para o ambiente.
Com as eleições europeias de 2014, o número de eurocéticos no Parlamento Europeu aumenta. Na sequência da
anexação da Crimeia pela Rússia, é estabelecida uma nova política de segurança. O extremismo religioso intensifica-
se no Médio Oriente e em vários países e regiões em todo o mundo, conduzindo a conflitos e guerras que resultam
num grande número de pessoas que fogem dos seus países e procuram refúgio na Europa. Além de ter de fazer face
aos problemas decorrentes desta onda de refugiados, a UE torna-se o alvo de vários atentados terroristas.

a fase de integração e da cooperação, ver soberania (tratado de Paris)


Tratado de Paris e a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (1951)
Juridicamente, a declaração Schuman veio a dar um impulso político efetivo para um novo Tratado de direito
internacional, o Tratado de Paris que criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA). Este tratado
foi celebrado entre os Países do Benelux, França, Alemanha e Itália, e foi a primeira etapa da construção
europeia que hoje encontramos com um prolongamento da UE.

A criação da CECA representa a primeira concretização do modelo comunitário, proposto pela declaração de
Schuman. No entanto, o Tratado de Paris tinha um quadro institucional muito mais complexo do que um
tratado de direito internacional clássico visto que criou um órgão do tipo parlamentar, um tribunal e um
órgão representante dos EM, paralelamente à Alta Autoridade.

A lógica do tratado CECA que se mantém até aos dias de hoje é a seguinte:

 Quadro institucional complexo (órgãos politico legislativos e jurisdicionais)


 Sistema de fontes de direito capaz de criar direitos e obrigações tanto para os EM como para os
particulares

Não obstante o processo de construção europeia ter começado pela instituição de uma organização, dotada de
poderes supranacionais ao serviço de objetivos bem definidos de natureza económica, o pragmatismo adotado foi
substituído mediante a criação de uma Comunidade Europeia da Defesa, em 1952. No entanto, esta intenção não
procedeu uma vez que o tratado não foi ratificado por todos os Estados.
TRatados, semelhanças e diferenças entre contrato constitucional e tratado de Lisboa 3
Tratados da UE
A União Europeia assenta no Estado de Direito. Isso significa que todas as suas iniciativas têm por base Tratados que
foram aprovados voluntária e democraticamente por todos os países da UE. Por exemplo, se um domínio de
intervenção não for mencionado num Tratado, a Comissão não pode propor legislação nesse domínio.
Os Tratados são acordos vinculativos entre os países da UE, que definem os objetivos prosseguidos pela UE, as regras
de funcionamento das instituições europeias, o processo de tomada de decisão e as relações entre a UE e os países
que a constituem.
Por vezes, os Tratados são alterados para melhorar a eficácia e a transparência do funcionamento da UE, preparar a
adesão de novos países ou alargar a cooperação entre os países da UE a novos domínios, como no caso da moeda
única.
Ao abrigo dos tratados, as instituições europeias podem adotar legislação que, em seguida, é aplicada pelos países
da UE.

Tratado que institui a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (considerado o mais importante pelo valor
simbólico)
Assinatura: 18 de abril de 1951
Entrada em vigor: 23 de julho de 1952
Termo de vigência: 23 de julho de 2002
Finalidade: tornar os setores do carvão e do aço interdependentes para que um país deixasse de poder mobilizar as
suas forças armadas sem que os restantes tivessem conhecimento, dissipando assim a desconfiança e a tensão
existentes entre os países europeus depois da Segunda Guerra Mundial; o Tratado CECA atingiu o termo de vigência
em 2002.

Tratados de Roma – Tratados CEE e EURATOM


Assinatura: 25 de março de 1957
Entrada em vigor: 1 de janeiro de 1958
Finalidade: instituir a Comunidade Económica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da Energia Atómica
(Euratom)
Principais mudanças: aprofundamento da integração europeia, que passa a abranger a cooperação económica

Tratado de Fusão – Tratado de Bruxelas


Assinatura: 8 de abril de 1965
Entrada em vigor: 1 de julho de 1967
Finalidade: simplificar o funcionamento das instituições europeias
Principais mudanças: criação de uma Comissão única e de um Conselho único para as três Comunidades Europeias
(CEE, Euratom, CECA); revogado pelo Tratado de Amesterdão

Ato Único Europeu


Assinatura: 17 de fevereiro de 1986 (Luxemburgo)/28 de fevereiro de 1986 (Haia)
Entrada em vigor: 1 de julho de 1987
Finalidade: proceder à reforma das instituições para preparar a adesão de Portugal e de Espanha e simplificar a
tomada de decisões na perspetiva do mercado único
Principais mudanças: extensão da votação por maioria qualificada no Conselho (tornando assim mais difícil que um
único país possa vetar uma proposta legislativa), introdução de processos de cooperação e de comum acordo que
conferiram maior peso ao Parlamento

Tratado da União Europeia – Tratado de Maastricht


Assinatura: 7 de fevereiro de 1992
Entrada em vigor: 1 de novembro de 1993
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Finalidade: preparar a União Monetária Europeia e introduzir elementos para uma união política (cidadania, política
comum em matéria de relações externas e assuntos internos)
Principais mudanças: criação da União Europeia e introdução do procedimento de codecisão, que confere mais peso
ao Parlamento no processo de tomada de decisão; novas formas de cooperação entre os governos dos países da UE,
nomeadamente no quadro da defesa, da justiça e dos assuntos internos

Tratado de Amesterdão
Assinatura: 2 de outubro de 1997
Entrada em vigor: 1 de maio de 1999
Finalidade: proceder à reforma das instituições para preparar a adesão de mais países à UE
Principais mudanças: alteração, renumeração dos artigos e consolidação dos Tratados UE e CEE, reforço da
transparência do processo de tomada de decisão.

Tratado de Nice
Assinatura: 26 de fevereiro de 2001
Entrada em vigor: 1 de fevereiro de 2003
Finalidade: proceder à reforma das instituições para que UE pudesse continuar a funcionar eficazmente após o seu
alargamento a 25 países
Principais mudanças: método para alterar a composição da Comissão e redefinição do sistema de votação do
Conselho.

Tratado de Lisboa
Assinatura: 13 de dezembro de 2007
Entrada em vigor: 1 de dezembro de 2009
Finalidade: tornar a UE mais democrática e eficaz e mais apta a fazer face a problemas mundiais, como as alterações
climáticas, permitindo-lhe falar a uma só voz
Principais mudanças: reforço dos poderes do Parlamento Europeu, alteração dos processos de votação no Conselho,
introdução da iniciativa de cidadania europeia, criação dos cargos de Presidente do Conselho Europeu e de Alto
Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política e Segurança, bem como de um novo serviço diplomático da
UE
O Tratado de Lisboa clarifica a repartição de competências:
- competências da UE
- competências dos países da UE
- competências partilhadas
Os objetivos e valores da UE estão consagrados no Tratado de Lisboa e na Carta dos Direitos Fundamentais da UE.

O Tratado que estabelece uma Constituição, com objetivos idênticos aos do Tratado de Lisboa, foi assinado mas não
chegou a ser ratificado.

Se o tratado de lisboa é constitucional ou não?


O Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa foi adoptado pelo Conselho Europeu em 18 de Junho de
2004 e assinado em Roma, no mesmo ano, na presença do Presidente do PE, Josep Borrell Fontelles. Depois de
aprovado pelo PE (relatório Méndez de Vigo-Leinen), o Tratado foi rejeitado pela França (29 de Maio de 2005) e pela
Holanda (1 de Junho de 2005), em referendos nacionais.
No seguimento da rejeição do Tratado Constitucional, os Estados-Membros começaram a trabalhar no Tratado de
Lisboa.
Os Tratados nesta versão dada pelo Tratado de Lisboa passaram a elencar, pela 1ª vez, as competências exclusivas
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da união, o Tratado de Lisboa deu, finalmente, consagração à Carta dos Direitos Fundamentais da UE (CDFUE),
nomeadamente, no art.6/1 TUE, que atribui à carta o mesmo valor jurídico que aos tratados.
Em matéria de revisão constitucional, a UE distingue-se claramente de uma federação, já que, nesta última, quem
protagoniza a revisão são os órgãos da poria federação, não sendo necessário que as alterações aprovadas sejam
ratificadas por todos os membros, bastando maioria qualificada.

Declaração Schuman de 9 de maio 1950


Declaração Schuman (1950)
Quem defendia a via federal na questão fundamental já descrita tinha noção que os Estados europeus que tinham
sido grandes potências internacionais não estariam dispostos a construir ou associar-se a uma ia federal, cujo
exemplo mais conhecido são os EUA. É neste contexto que surge a Declaração Schuman.

A Declaração Schuman é um texto político que foi redigido pelo ministro dos negócios estrangeiros de França, onde
fica muito clara a sua intenção federal. No entanto, este autor defendia que a via federal deveria ser concretizada
pela via económica, e não pela defesa e diplomacia, cujo caso era o dos EUA.

A primeira etapa para a criação da federação europeia seria a criação de um mercado comum do carvão e do aço,
uma vez que em 1950 eram as matérias-primas essenciais. Para construir um mercado comum do carvão e do aço
achava-se que “a fusão dos interesses indispensáveis introduziria uma comunidade mais larga e profunda entre
Países há muito tempo opostos por divisões sangrentas”. A realidade é que resultou, 60 anos depois é impensável
uma guerra entre França e a Alemanha.

Para a criação desta comunidade seria necessário que os Estados que a ela se associasse renunciassem aos seus
poderes soberanos relativamente ao aço e ao carvão, e deixassem que fosse uma Alta Autoridade Comum Europeia,
independente dos EM, a ser incumbida dessa competência. Esta Alta Autoridade seria composta por personalidades
independentes e não representativas dos governos dos EM, numa lógica de transferência de soberania para uma
entidade independente dos EM. Atualmente, a instituição que corresponde a esta Alta Autoridade é a Comissão
Europeia, uma vez que é um órgão decisório e não representativo dos EM.

Dia da Europa é comemorado a 9 de maio.

Natureza jurídica da união europeia (na nossa opinião) artº47º TUE


A UE, uma criação do direito e uma União baseada no direito
A característica decisivamente inovadora da UE em relação às tentativas anteriores reside no facto de que, para
unificar a Europa, não usar a violência ou a submissão, mas antes a força do direito. Só uma união baseada no livre
arbítrio poderá ter um futuro duradouro, uma união baseada em valores fundamentais, como a liberdade e a
igualdade, e preservada e concretizada pelo direito. É neste entendimento que se baseiam os Tratados que criaram a
União Europeia.
A Comunidade não só é uma criação do direito como também recorre exclusivamente ao direito na prossecução dos
seus fins. Por outras palavras, é uma União baseada no direito. É o direito da União, não a força do poder, que regula
a coexistência económica e social dos cidadãos dos Estados-Membros. É o direito da União que constitui a base do
sistema institucional. É esse direito que define os processos de decisão das instituições da União e que regula as
relações destas entre si. Atribui-lhes poderes de acção através de regulamentos, diretivas e decisões que podem ser
aprovados e constituir atos jurídicos vinculativos para os Estados-Membros e seus nacionais. Os cidadãos tornam-se,
assim, uma das principais preocupações da União e a ordem jurídica influencia cada vez mais diretamente a sua vida
quotidiana. Confere-lhes direitos e impõe-lhes obrigações, quer como nacionais de um Estado quer como cidadãos
da União, ficando assim estes submetidos a ordens jurídicas de níveis diferentes, tal como sucede num regime
constitucional federal. Como em qualquer ordem jurídica, a ordem jurídica da UE constitui também um sistema
fechado de proteção jurídica para litígios sobre o direito da União e para a sua aplicação. O direito da União
determina igualmente as relações da UE com os Estados-Membros.
Compete a estes tomar todas as medidas adequadas para cumprimento das obrigações que lhes incumbem por
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força dos Tratados ou dos atos das instituições da União. Compete-lhes ainda facilitar a ação da UE e abster-se de
tomar quaisquer medidas suscetíveis de pôr em risco a realização dos objetivos dos Tratados. Os Estados-Membros
respondem perante os cidadãos da UE por todos os danos causados pela violação do direito da União.
No plano internacional, a personalidade jurídica consiste, de acordo com a definição tradicional do Tribunal
Internacional de Justiça (TIJ), na capacidade de uma organização ser titular de direitos e obrigações internacionais
que derivam dos objectivos e das funções que lhe são atribuídas. A personalidade jurídica é, assim, um elemento
inerente à própria definição de organização internacional, determinando a sua qualidade distinta da dos seus
Estados-Membros e de sujeito de direito na ordem interna e internacional. É com base neste conceito que uma
organização pode, por exemplo, ser objecto de uma ação em tribunal para indemnização de danos causados pelos
seus órgãos ou agentes no exercício das suas funções.

As fontes jurídicas do direito da União


O conceito de «fonte de direito» tem uma aceção dupla: o sentido inicial do termo aponta para a razão do
nascimento do direito, isto é, a motivação na essência do direito. Assim, a fonte do direito da União foi a vontade de
preservar a paz e de construir uma Europa mais próspera pela via da integração económica, as duas pedras basilares
a que se deve a existência da União Europeia. Em linguagem jurídica, em contrapartida, o conceito de «fonte de
direito» consubstancia a origem e a fundamentação do direito.
Eficácia das diretivas 7
O tratado de lisboa constitucionalizou muitas soluções que se obtiverem no âmbito do sistema jurisdicional. É um
fato fundamental da legitimação do sistema jurisdicional da UE e da justiciabilidade da aplicação do DUE.
Até o princípio do primado foi objeto de reconhecimento pelos autores do tratado de lisboa. O princípio do primado
consta de um regulamento, mas que remete para a jurisprudência que consagrou este princípio. O princípio do
primado foi objeto de reconhecimento no Tratado de Lisboa, embora de forma diferente daquela que tinha sido
inicialmente prevista (através de uma constituição da Europa).

Objectivo político da união europeia


Objetivos da UE
Enquanto instituição politicamente independente, a Comissão Europeia representa e defende os interesses da UE no
seu conjunto, propondo legislação, políticas e programas que refletem os objetivos da UE, designadamente a
promoção da paz, da liberdade e da prosperidade.
Prioridades políticas da UE
O Conselho Europeu representa os Chefes de Estado ou de Governo dos países da UE, definindo a orientação e as
prioridades políticas gerais da UE e estabelecendo o seu programa político a longo prazo.

Valores e princípios fundamentais da União Europeia


O art.2º TUE elenca os valores fundamentais da UE. Todos os litígios a este respeito podem ser levados aos tribunais
para ser resolvidos pelo TJ.
São, assim, valores fundamentais e altamente justiçáveis:
i. Dignidade Humana
ii. Democracia
iii. Igualdade
iv. Estado de Direito
v. Respeito pelos direitos do Homem
i)Princípio pelo respeito da dignidade humana
Numa fase em que ainda não existia art.4/2, o Acórdão Omega estabeleceu que este princípio pode assumir
contornos diferentes nos diversos EM.
Este acórdão ilustra um caso muito interessante em que o que estava em causa era a popularidade de jogos laser,
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onde uma determinada casa com jogos simulados atingiu uma grande popularidade com as simulações de homicídio.
Em determinado momento, isto assumiu popularidade na cidade de Bona e as autoridades começaram a inquietar-
se por esse gosto pela violência. As autoridades camarárias introduziram restrições, em termos de horário de
funcionamento, idade mínima, entre outras.
A empresa Omega vem dizer que isso é uma restrição à liberdade de circulação de mercadorias e uma restrição à
liberdade de prestação de serviços. Portanto, a questão chegou ao Tribunal de Justiça, e o que estava em causa era
precisamente as autoridades alemãs que tinham introduzido aquelas restrições. As autoridades alemãs invocavam a
dignidade da pessoa humana, consagrada na lei fundamental de Bona. O TJ respondeu que naquele caso, tendo em
conta a especial importância dos contornos que dá a este princípio a jurisprudência do tribunal, se justificava aquela
restrição, mas que ponderando bem se justificava em função da importância que na constituição alemã assume o
valor do respeito pela dignidade da pessoa humana.
Esta ideia, ligada ao respeito da identidade constitucional dos estados-membros, acabou por ser precipitada no
próprio tratado. Hoje, temos o artigo 4º 2, onde consta esta ideia de respeito das identidades nacionais. Um bom
exemplo disso é o acórdão Omega, que entendeu que a dignidade da pessoa humana assumia uma importância tal
na constituição alemã que justificava aquelas restrições à circulação de mercadorias e serviços que não existiam
noutros estados-membros.
ii)Princípio democrático
Este princípio assume contornos específicos no contexto da UE, sendo que o próprio Tratado lhe dedica várias
disposições, nomeadamente art.10º e 11º/4 TUE.
A Comissão detém o monopólio da iniciativa legislativa, pelo que uma iniciativa dos cidadãos tem de ser prestada,
em primeira instância, à Comissão. Assim, já houve naturalmente várias iniciativas que não tiveram seguimento, o
que desencadeou inúmeros litígios entre os cidadãos e a Comissão.
Foi neste sentido que o TJ esclarece, em acórdão (12 setembro de 2017), que existe um dever de fundamentação
por parte da Comissão, quando não proceder com a intenção legislativa dos cidadãos. Este dever é um corolário do
Estado de Direito.
Outro aspeto próprio da UE quanto ao princípio democrático é a participação dos Parlamentos nacionais no quadro
do funcionamento da UE. Estes têm um papel fundamental na garantia dos dois princípios fundamentais: princípio
da subsidiariedade e princípio da proporcionalidade.
Portanto, uma vez notificados da proposta legislativa, os parlamentos têm a possibilidade de se pronunciarem no
sentido de se saber se, na sua opinião, a proposta respeita os princípios da subsidiariedade e da proporcionalidade
(art.12º TUE).
Princípio da subsidiariedade
O art.5/1 TUE estabelece o princípio da competência de atribuição. Ou seja, não compete à UE definir a sua própria
competência, e por isso, não pode fazer leis sobre qualquer matéria, apenas pode legislar se encontrar nos Tratados
de competência uma norma que o legitime (nomeadamente, art.3º TFUE. Todas as competências que não se
encontram neste artigo são partilhadas, à luz do art.4º TFUE).
O art.3ºTFUE estabelece quais as competências exclusivas da UE, e o art.4º TFUE estabelece quais as competências
partilhadas. As competências partilhadas englobam todos os casos em que tanto a UE como os EM podem legislar.
Contudo, nesse âmbito, a UE apenas pode legislar se passar o princípio da subsidiariedade: isto é, tem de se mostrar
que os objetivos do ato legislativo não podem ser alcançados pelos EM, dado o seu potencial impacto transnacional.
Pelo facto dos EM não terem “alcance” suficiente para legislar, nesses casos pode a UE legislar.
Nestes casos, os parlamentos nacionais podem apresentar “cartões amarelos”, isto é, apesar de não poderem
impedir a ação legislativa, podem obrigar a Comissão a repensá-la em função das suas objeções relativas à
inobservância deste princípio.
Protocolo relativo à aplicação dos princípios da subsidiariedade e da proporcionalidade.
Encontramos aqui mencionadas expressamente duas entidades com legitimidade ativa para impugnar um ato
legislativo com fundamento em violação do princípio da subsidiariedade. Isto significa que, como o papel dos
parlamentos nacionais se limita ao lançamento de cartões amarelos e cartões laranja, eles não podem evitar que a
iniciativa se venha mesmo a converter em ato legislativo. Uma vez convertida em ato legislativo, esse ato pode ser
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contestado judicialmente por violação destes dois princípios.
A particularidade do artigo 8º está no facto de os parlamentos nacionais, a montante da adoção do ato legislativo,
terem o papel na garantia da subsidiariedade. Se, no âmbito da sua contestação com fundamento no princípio da
subsidiariedade, ficarem vencidos podem eles próprios, diretamente, contestar esse ato junto do TJ.
Há aqui uma nota interessante: é o EM que tem uma legitimidade ativa geral para contestar atos da UE, significando,
em termos processuais, que os EM e as próprias instituições da UE não precisam de demonstrar um interesse em
recorrer. Podem contestar qualquer ato. O estatuto dos particulares não é igual ao dos estados-membros e das
instituições – para um particular contestar, tem de demonstrar um interesse em recorrer. Os particulares não são
recorrentes privilegiados. É justo e equilibrado que os Parlamentos Nacionais ou as suas Câmaras que sempre se
opuseram a que aquele ato legislativo vigorasse possam depois contestá-lo a jusante (já adotado) junto do TJ.
O princípio da proporcionalidade
A ideia da proporcionalidade radica na necessidade de medida e na proibição do excesso e tem como características:
• Adequação da medida a adotar com vista à realização do fim previsto nos Tratados;
• Proporcionalidade em sentido estrito, que não é excessiva em relação ao fim a prosseguir;
• Necessidade da adoção daquela medida.

artº3 da TUE
Art. 3º, 1º paragrafo TUE (versão Maastricht):
“A União dispõe de um quadro institucional público que assegura a coerência e a continuidade das ações
empreendidas, dos seus objetivos.”
• O quadro institucional postulado pelo TUE era único, ao contrário do quadro institucional que vigorava no
AUE, quadro mantido das CE, tipicamente intergovernamental, acrescentando ainda outas instancias para a
cooperação europeia em matéria de política externa.
• Se o núcleo é a Comunidade Europeia, o quadro institucional único tem que ser o da Comunidade Europeia,
a que se acrescentaria, num artigo à parte, o Conselho Europeu.
Nota: De acordo com o professor, estas duas disposições explicam a UE até ao T. Lisboa

Acórdão Costa v. ENEL


Contextualização
O sr. Costa era um advogado experimentado que resolveu testar, junto do tribunal italiano, como é que este reagiria
à aplicabilidade do DUE (sobretudo tendo em conta o precedente do Van Gend and Loos). O tratado de Roma tinha
entrado em vigor, e era um grande travão às nacionalizações. A ENEL era uma empresa pública de eletricidade,
nacionalizada por lei posterior ao tratado de Roma. O sr. Costa não quis pagar a fatura de eletricidade, porque a
empresa foi nacionalizada e isso é contrário ao tratado de Roma.
Nestas circunstâncias, perante o precedente do Van Gend and Loos, que perguntas o juiz italiano (giudice
consigliatore de Milão/juiz conciliador), juiz de pequena instância, faz perante um caso tao bicudo? Em que é que o
Van Gend and Loos o ajudava a formular as questões prejudiciais? Não sabemos ao certo, porque o TJ reproduz
apenas uma parte da questão prejudicial.
Afinal, o que é que o juiz italiano perguntou? Se uma série de disposições do tratado de Roma tinham efeito direto.
Foi basicamente isto.

Neste caso, o juiz italiano está vinculado a aplicar leis posteriores mesmo que elas contradigam a lei que tinha
incorporado o tratado de Roma, em consequência da visão dualista que vigorava em Itália. Portanto, o tribunal de
justiça tinha que dizer aqui qualquer coisa prévia à questão do efeito direto, e por isso é que muitos pensam que o
primado vem antes do efeito direto, mas não vem, nem historicamente nem logicamente, como mostra o Van Gend
and Loos.
Naturalmente lê-se no acórdão Costa/ENEL que o governo italiano suscitou a questão da inadmissibilidade absoluta
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do pedido do judice consigliatore, que estava obrigado a aplicar a lei interna. O TJ respondeu que o juiz podia invocar
o artigo 277º (então 177º).
O tribunal resolveu nestes termos: a eficácia do direito comunitário na ordem jurídica dos estados-membros não
podia variar em função do que esses ordenamentos dos estados-membros dizem. O tribunal descartou a exceção da
inadmissibilidade suscitada pelo governo italiano. O estado italiano não gostou, mas teve de se conformar, pois
havia autonomia decisória do TJ em relação aos estados-membros.
Fazendo as suas considerações, o tribunal passa depois a debruçar-se sobre o efeito direto das várias disposições do
tratado que o juiz perguntava se tinham ou não efeito direto.
Parte decisória do Costa-Enel: as questões submetidas pelo juiz italiano são admissíveis, não podendo qualquer ato
unilateral posterior ser oponível às regras comunitárias.
Deste acórdão resultou que a Itália considerasse que a contrariedade entre norma interna e direito comunitário é
uma questão de constitucionalidade que deve ser sujeita à apreciação do TC.
Como é que acaba esta saga? Com o acórdão Simmenthal.

Existe uma democracia neste momento na união europeia?


Para fazer parte da união europeia tem de existir uma democracia estável nos países estados-membros.

As Instituições da União Europeia (art.º 14º ao19º da TUE)

PARLAMENTO EUROPEU (Art.º 14ºTUE)


Representa os povos europeus, começou por se chamar assembleia comum depois assembleia e por fim por auto
iniciativa Parlamento Europeu.
Cada Estado utiliza as suas próprias regras para as eleições mas com as mesmas regras democráticas fundamentais.
Competências:
 Legislativas;
 Matéria orçamental e financeira;
 Matéria de relações internacionais.
Parlamento Europeu nunca aprovou nenhuma moção, o parlamento europeu tem o direito de emitir os acórdãos ou
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não.

CONSELHO EUROPEU (Art.º15ºTUE)


Representa o conselho dos Estados, reúne os grandes estados membros, onde se discute os tratados.
Se é dada importância ao conselho também é dada aos estados-membros, é como uma balança precisa de equilíbrio.
O Conselho tem, na prática seguida pela União, de responder às pergunta do Parlamento Europeu, este tem a
possibilidade de realizar um debate político direto com duas importantes instituições da UE do ponto de vista
constitucional.
O Conselho Europeu reúne, pelo menos duas vezes por semestre em Bruxelas, os chefes de Estado e de Governo dos
Estados-Membros e os presidentes da Comissão e do Conselho.
O Conselho Europeu não exerce funções legislativas.
COMPOSIÇÃO DO CONSELHO EUROPEU
Chefes de Estado e de Governo dos Estados-Membros
Presidente do Conselho Europeu
Presidente da Comissão Europeia
Alto-representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança
Funções
Define as orientações e prioridades políticas gerais da EU

O Conselho (artigo 16.º do TUE)


Um representante do Governo de cada Estado-Membro ao nível ministerial, com uma composição que varia de
acordo com o assunto a tratar.
Composição e presidência
No Conselho da UE estão representados os governos dos Estados-Membros.
Os 28 Estados-Membros enviam um representante, geralmente (mas não necessariamente) os ministros
responsáveis pelas questões previstas para debate e/ou os respetivos secretários de Estado. É importante que o
representante de cada Estado-Membro tenha poderes para vincular o seu governo. As diferentes possibilidades de
representação de um governo de um Estado-Membro tornam claro que não existe um membro permanente do
Conselho, pois o Conselho reúne com dez formações diferentes consoante o assunto a tratar.
O Conselho tem cinco funções principais:
■ A tarefa mais prioritária do Conselho é a elaboração de legislação, que exerce no quadro do processo de co-
decisão em conjunto com o Parlamento Europeu.
■ Seguidamente cabe ao Conselho a tarefa de coordenar as políticas económicas dos Estados-Membros.
■ Desenvolve a política externa e de segurança comum com base nas orientações políticas definidas pelo Conselho
Europeu.
■ O Conselho é a instituição responsável por celebrar acordos entre a União, por um lado, e países terceiros ou
organizações internacionais, por outro.
■ O Conselho elabora ainda, com base num anteprojecto da Comissão Europeia, um orçamento que depois precisa
ainda de obter a aprovação do Parlamento Europeu. É também o Conselho que recomenda ao Parlamento Europeu
que dê quitação à Comissão pela execução do orçamento. Compete ainda ao Conselho nomear os membros do
Tribunal de Contas, do Comité Económico e Social Europeu e do Comité das Regiões.

A Comissão Europeia (artigo 17.º do TUE)


Representa o interesse geral ou comum da união, é a guardiã dos Tratados e o motor da União Europeia, o propulsor
da integração europeia.
Funções
 Iniciar a legislação da União
 Monitorizar a observância e a adequada aplicação do direito da União
 Administrar e aplicar a legislação da União
 Representar a EU nas organizações internacionais 12

O Tribunal de Justiça da União Europeia (artigo 19.º do TUE)


Nenhum ordenamento pode subsistir se as suas normas não forem controladas por uma autoridade independente.
Além disso, numa União de estados, se as normas comunitárias estivessem sob controlo dos tribunais nacionais, elas
seriam interpretadas e aplicadas diferentemente em cada estado. A aplicação uniforme do direito da União em
todos os Estados-Membros seria assim posta em causa. Foram estes os motivos que, já em 1952, quando foi
instituída a primeira Comunidade (CECA), levaram à criação de um tribunal que se tornaria em 1957 no órgão judicial
para as duas outras Comunidades (C[E]E e CEEA), e que é hoje o órgão judicial da UE.

A jurisprudência passou entretanto a ser fixada em duas instâncias:


■ o Tribunal de Justiça como mais alta instância judicial na jurisdição
europeia (artigo 253.º do TFUE) e
■ o Tribunal Geral (artigo 254.º do TFUE).

O Tribunal de Justiça é a jurisdição suprema para todas as questões decorrentes do direito da União. Compete-lhe na
generalidade e para esse efeito «garantir o respeito do direito na interpretação e aplicação dos Tratados».
Esta apresentação geral das suas funções comporta três domínios fundamentais:
■ Controlo do respeito do direito da União, quer em termos da conduta das instituições da UE aquando da aplicação
das disposições dos Tratados, quer em termos do cumprimento das obrigações decorrentes do direito da União
pelos Estados-Membros e pessoas singulares;
■ Interpretação do direito da União;
■ Desenvolvimento da legislação da União.