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Pescaria de demersais dos Açores

Mário Rui Pinho & Gui Menezes

Pinho, M. R. & Menezes, G. (2009), Pescaria de Demersais dos Açores.


Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 18: 85-102.
Sumário: A pescaria demersal dos Açores é considerada como de multiartes, porque utiliza
várias artes de pesca, e de multiespécies, porque captura ou desembarca várias espécies ao
mesmo tempo. É também considerada de pequena escala ou mesmo artesanal porque na estru-
tura da sua frota predominam as pequenas embarcações de fraca autonomia utilizando artes
de linha e anzol. Esta pescaria opera num ecossistema complexo caracterizado pela desconti-
nuidade sendo as estruturas predominantes os montes submarinos. A dinâmica dos recursos e
as interacções entre as diferentes estruturas (ilhas, bancos, montes submarinos), assim como
as interacções a escalas mais alargadas (ex.: ZEE, dorsal média atlântica) não são ainda bem
conhecidas. Os recursos são considerados intensivamente explorados embora o resultado da
avaliação dos stocks seja incerto. Para efeitos de gestão e conservação têm sido aplicadas
medidas técnicas e precaucionárias, não estado definidos objectivos de gestão para estas espé-
cies. O sistema complexo de governança da pesca na região tem retardado a adaptação efectiva
da gestão da pesca e conservação dos recursos e ecossistema. Este artigo pretende rever e
actualizar a pescaria de espécies demersais dos Açores.

Pinho, M. R. & Menezes, Gui (2009), Demersal fishery off the Azores.
Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 18: 85-102.
Summary: The Azorean demersal fishery is considered a multigear fishery, because several
different hook and line gears are used, and multispecies, because several species are caught or
landed at the same time. It is also considered as small scale, because the fleet is composed mainly
by small vessels with limited autonomy. This fishery operated on a very complex ecosystem,
characterized by spatial discontinuity, where the predominant structures are the seamounts. The
dynamic of the resources and the interaction between the different habitats (islands, banks and
seamounts) are poorly known. Interactions at larger scales (EEZ and Mid Atlantic Ridge) are
also unknown. The resources are considered intensively exploited although results of the stock
assessments are considered uncertain. There is no management objectives defined for almost
all the demersal/deep-water species. Management has been based on technical measures under
the precautionary principle. The complex fisheries governance system on the region has been
delayed the adaptive management of the local fishery and conservation of the ecosystem and
resources. This paper is an attempt to review and update the Azorean demersal fishery.

Mário Rui Pinho – Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.


Gui Menezes – Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.

Palavras-chave: Pesca, Açores, demersal/profundidade, gestão e conservação.

Key-words: Fishery, Azores, Demersal/Deep water, management and conservation.


86 Boletim do Núcleo Cultural da Horta

Introdução
São consideradas por definição como internacionais dos quaisl Portugal é
espécies demersais aquelas que habi- membro como o Comité Internacio-
tam junto ao substrato marinho, po- nal da Exploração do Mar (CIEM)
dendo apresentar comportamento que define claramente como espécies
dependente do fundo (bentónicas) de profundidade aquelas que habitam
ou habitar na interface entre o fundo abaixo dos 400 m. A FAO no entanto
e a coluna de água (bentopelágicos). considera como espécies de profundi-
A definição é no entanto plástica dade as espécies que habitam abaixo
porque as espécies se estruturam por dos 200 m de profundidade. Assim, é
comunidades em função da profun- também comum generalizar a clas-
didade. Assim, podemos falar de es- sificação da pescaria açoriana como
pécies demersais, profundidade ou de Demersais/Profundidade.
grande profundidade correspondendo Por último deve salientar-se a comple-
a um grupo específico de espécies que xidade do sistema de governança das
habitam uma amplitude específica de pescas associado à região enquanto
estratos de profundidade. Embora região autónoma e ultraperiférica da
conveniente ao homem para efeitos União Europeia.
de gestão e conservação esta defini- A complexidade destas questões para
ção também não é estanque porque efeitos de conservação e gestão au-
algumas espécies distribuem-se, às mentam consideravelmente quando
vezes de uma forma complexa, por consideramos as características do
todos os estratos de profundidade. ecossistema da região dos Açores, a
Uma outra classificação importante biologia das espécies, a forma como
para a conservação e gestão é a rela- se estrutura e exerce a pesca no espa-
cionada com as pescarias dirigidas a ço e no tempo e a estrutura institucio-
estes recursos, porque se relaciona di- nal da governança das pescas. Assim,
rectamente com o impacto do homem este artigo pretende caracterizar de
no ecossistema. A pescaria Açoriana forma resumida a estrutura do ecos-
tem sido classificada genericamente sistema, espécies, frotas e gestão e
como de demersais. No entanto, esta inferir o estado actual dos recursos
classificação não se ajusta ao forma- e da pesca.
to utilizado por alguns organismos
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O ecossistema dos Açores


O ecossistema dos Açores tem sido A mais importante estrutura topo-
definido como oceânico caracteri- gráfica da região é a Crista Média
zado por uma abundante área abissal Atlântica que segue um curso para
(profundidade média de 3000 m) por sul desde a Islândia atravessando o
uma estreita ou ausente plataforma arquipélago entre o grupo ocidental
costeira e pontuado por alguns bancos e o grupo central. A topografia nesta
e montes submarinos (Martins 1986, área é acidentada e constituída por
1987; Isidro, 1996; Pinho & Menezes, ‘picos’ muito irregulares. Os montes
2005; Silva & Pinho, 2007; Morato submarinos e as fontes hidrotermais
et al., 2008) (Fig. 1). As estruturas estão geralmente associadas a esta
predominantes nesta área são os estrutura, embora os montes subma-
montes submarinos com uma densi- rinos ocorram também de forma iso-
dade média de 3.3 picos por 1000 m2 lada na bacia. A crista funciona como
(Morato et al., 2008). Estas estrutu- uma barreira limitando as trocas de
ras apresentam uma grande varieda- massas de água entre as bacias de
de na amplitude de tamanho, forma,
Este e Oeste. Contudo, ao longo da
profundidade do pico e inclinação
crista encontram-se várias fracturas,
sugerindo que podem na prática ser
Charlie Gibs, Faraday, Maxwell e
considerados como que micro ecos-
Kurchatov, correspondendo a vales
sistemas. Os montes submarinos são
profundos que correm paralelamente
caracterizados também por apresen-
tarem padrões de circulação oceano- à crista. A principal comunicação
gráfica específicos como correntes entre o bloco Este e Oeste da crista
amplificas junto ao substrato, padrões efectua-se por estas áreas de fractura
circulares de correntes e mistura ver- afectando assim toda a circulação
tical (White et al., 2007). São por isso oceanográfica do atlântico norte
considerados importantes habitats (ICES WGRED, 2008, Brower et al.,
para a fauna bentónica e bentopelági- 2002, Bashmachnikov et al., 2005,
ca podendo ser afectados por factores Arhan et al., 1989).
externos distantes. Contudo, o conhe-
cimento das espécies e das dinâmicas As ilhas do arquipélago dos Açores
físicas e biológicas associadas a estas são as únicas estrutura que emer-
estruturas a diferentes escalas é ainda gem à superfície associadas à Crista
limitado, particularmente no contexto Média Atlântica (Fig. 1). Para Sul a
do ecossistema oceânico como o dos crista estende-se na direcção Oeste
Açores (Pitcher et al., 2007). e para Este estende-se a fractura dos
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Figura 1: O ecossistema dos Açores. Na figura são apresentados em contraste de cores a batimetria, a
distribuição dos montes submarinos e áreas chave de gestão (100 milhas, ZEE, área estatística ICES Xa2,
área de proibição de arrasto e limites sul comités internacionais). Adicionalmente está também representado
o esforço de pesca dirigido a demersais durante o ano de 2007. Fonte: ImagDop.

Açores até ao estreito de Gibraltar (entre ilhas e montes submarinos).


marcando o limite Sul da placa tectó- Este facto coloca grandes limitações
nica Euro-asiática e Africana. Sendo na produtividade e distribuição das
de origem vulcânica recente (Azeve- espécies (Menezes et al., 2006, Pinho
do, 1991) as ilhas são caracterizadas & Menezes, 2005).
por falta ou estreitas plataformas cos- Do ponto de vista oceanográfico os
teiras e taludes pronunciados onde Açores estão localizados na fronteira
predominam os substratos rochosos. norte do Giro Subtropical do Atlân-
As áreas pouco profundas (<1000 m) tico Norte (SG) caracterizado por
são muito limitadas, representando um elevado gradiente de temperatura
cerca de 3% da área total da ZEE da horizontal e com profunda influência
região, e distribuem-se ao longo do da Corrente do Golfo que transporta à
arquipélago de forma descontínua superfície massas de água quente tro-
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picais de oeste para o norte. O sistema sistema dos Açores (Menezes et al.,
de correntes que envolve os Açores é 2006).
complexo mas na prática é dominado O ecossistema dos Açores pode ser
a norte por um braço sul da corrente considerado um micro ecossistema
fria do atlântico norte (NAC) e a sul oceânico do Atlântico Norte na qual
pelo sistema frontal da corrente dos se podem definir para efeitos de ges-
Açores, transportando à superfície tão e conservação ecossistemas parti-
massas de água quente, atravessando culares correspondentes às estruturas
a crista média atlântica entre os para- topográficas do mesmo da qual se
lelos 34º N e 36º N (Alves & Verdière, destacam as zonas costeiras das ilhas,
1999; Bashmachnikov et al., 2004). os montes submarinos e a fontes hi-
Na região são detectadas em profun- drotermais (Fig. 1). O conhecimento
didade, abaixo da termoclina, massas das dinâmicas a várias escalas destes
de água com origem no atlântico norte ecossistemas e as suas interacções no
central acima dos 700 m. Nas profun- macro ecossistema do Atlântico Norte
didades intermédias (700-2000 m) são são ainda limitados.
detectadas massas de água subpolares A estrutura de gestão associada a
do norte e sul e do mar do Lavrador. este ecossistema oceânico é por si só
São ainda detectadas massas de água complexa sendo por exemplo a região
de origem Mediterrânica entre os 800- abrangida pelas convenções OSPAR,
‑1200 m de profundidade (Johnson & Comissão de Pesca do Atlântico
Stevens, 2000). Entre os 2000-4000 m Nordeste (NEAFC), Comité Inter-
predominam massas de água fria de nacional para a Exploração do Mar
profundidade do atlântico norte. (CIEM), Comité Internacional para
A temperatura de superfície apresen- a Conservação do Atum do Atlântico
ta variações sazonais consideráveis, (ICAAT) e Comité das Pescas para o
aumentando de Sul para Norte com a Atlântico Central Este (CECAF). Os
progressão das estações do ano com Açores estão no limite sul abrangido
um máximo no verão (http://oceano. pelas áreas da Convenção OSPAR,
horta.uac.pt/detra/). ICES e NEAFC correspondendo a
Embora os Açores sejam dominados uma zona de transição latitudinal das
por sistemas oceânicos predominan- características do ambiente e da fauna
tes de oeste, a fauna litoral tem mais (40º-50º N) e ao limite da distribui-
afinidades com o Atlântico leste, evi- ção (norte ou sul) de alguns recursos
denciando a complexidade do ecos- como os atuns.
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Estrutura da comunidade demersal dos Açores


Nos Açores foi identificada a ocorrên- subtropical, Atlântico nordeste e Me-
cia de mais de 460 espécies de peixes diterrâneo (www.int-res.com/articles/
(Santos et al., 1997) e o seu número suppl/m324p241_app.pdf).
vai aumentando à medida que a pros-
pecção em profundidade vai ocorren- As espécies demersais de interesse
do. Cerca de 100 destas espécies são comercial distribuem-se principal-
classificadas como demersais, captu- mente até aos 1200 metros de profun-
radas por artes de anzol, 25% dos didade estruturando-se por comuni-
quais são elasmobrânquios (Menezes dades (Menezes et al., 2006) (Fig. 2).
et al., 2006). Cerca de 50% destas Podemos identificar três grandes
espécies demersais apresentam um comunidades de acordo com a ampli-
comportamento bêntónico e as restan- tude de profundidades que define o
tes um comportamento bentopelágico seu habitat: a) Uma comunidade cos-
sendo predominantemente de origem teira (< 200 m), b) Intermédia (200-

Figura 2: Comunidades de peixes demersais comerciais em profundidade.


Na figura apresenta-se a denominação científica e a comercial.
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‑700m) e c) Profundidade (> 700 m). rísticas preferenciais do habitat como


Estas comunidades são denominadas por exemplo o tipo de substrato.
na legislação pesqueira de demersais Dentro de cada comunidade podemos
(< 400 m), profundidade (400-700 m) também definir espécies dominantes.
e grande profundidade (> 700 m) Por exemplo o goraz e o boca-negra
(Portaria n.º 101/2002, de 24 de Ou- são espécies dominantes na comuni-
tubro). Esta inconsistência resulta da dade de profundidade e a melga na
adaptação da legislação regional à da comunidade de grande profundidade.
Comissão Europeia. Convém no entanto chamar a atenção
Dentro de cada uma daquelas comu- que embora classificadas por comu-
nidades genéricas definidas de acor- nidades a distribuição das espécies
do com a profundidade podemos tam- em profundidade não são estanques.
bém definir pequenos grupos de espé- Por exemplo o goraz distribui-se por
cies associados de forma mais homo- todas as comunidades do litoral até
génea em função de outras caracte- aos 700 m de profundidade.

Estrutura da pescaria demersal

Frota, artes e regime de operação

A frota de pesca dos Açores é com- guel. Estruturalmente podemos defi-


posta maioritariamente por pequenas nir seis pescarias em função do tipo
embarcações (< 14 m ff – comprimento de recursos que a frota explora (ver
fora a fora) das quais mais de 80% são Fig. 3) (Pinho & Menezes, 2005).
de boca aberta (Figura 3). É por este Observa-se no entanto, que com a
facto classificada como de pequena excepção dos grandes atuneiros todas
escala, significando que apresenta ca- as componentes da frota exploram as
racterísticas limitativas de autonomia espécies demersais, sugerindo uma
e do tipo de tecnologia da pesca que forte variabilidade sazonal no regime
pode utilizar e portanto, apresenta um de operação de uma fracção grande
regime de operação artesanal. Efec- da frota em função da combinação
tuam desembarques anuais destas de algumas características biológicas
espécies aproximadamente 600 em- (abundância) e económicas (preço)
barcações correspondente a um TAB do recurso e da pesca (combustível,
total de 6000 t e uma potência total pessoal, etc.). A frota açoriana é por
de 21000 Kw. Cerca de 30-35% desta este motivo também classificada
frota concentra-se na ilha de S. Mi- como polivalente. Por exemplo uma
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Figura 3: Estrutura da frota dos Açores.

pequena fracção da frota de boca barcações cabinadas com compri-


aberta efectua uma pesca dirigida aos mento entre 12-24 m e TAB < 50 t;
pequenos pelágicos mas simultanea- c) Embarcações com comprimento
mente opera com artes de linhas-de- superior a 24 m e TAB > 50 t.
‑mão ou palangre-de-fundo dirigidas Embora esta estrutura base da frota se
a demersais. Esta estrutura do regime mantenha, na última década tem-se
de operação é também função do licen- observado uma renovação significati-
ciamento de várias artes de pesca va da mesma, com a entrada de novas
para a mesma embarcação. Na prática embarcações cabinadas de maior au-
definem-se na pescaria de demersais tonomia e maior capacidade tecnoló-
três grandes componentes represen- gica de navegação e da pesca, aumen-
tando características das embarcações tando a eficiência, o poder de captura
e regimes de operação mais homogé- e portanto o esforço de pesca.
neos: a) Embarcações de boca aberta Na pescaria de demersais apenas são
ou cabinada com comprimento fora a permitidas artes de linha e anzol,
fora <12 m e com um tonelagem de sendo as linhas-de-mão e o palangre-
arqueação bruta (TAB < 50 t); b) Em- ‑de-fundo as artes predominantes.
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Existe uma grande variedade de artes lance diário de 8000 anzóis. A com-
genericamente designadas de linhas- ponente de embarcações cabinadas
‑de-mão e dois tipos base de palan- (12-24 m) utiliza linhas-de-mão e pa-
gre-de-fundo (bentónico ou de pedra- langre-de-fundo explorando recursos
-pedra e bentopelágico ou de pedra- de todos os estratos de profundida-
‑bóia) (http://www.pescas.net/artes- de, mas concentra preferencialmente
pescas.php). Devido à utilização de mais esforço de pesca nos estratos
vários desenhos de arte de pesca, que intermédios (200-700 m). As linhas-
permitem dirigir o esforço a um con- ‑de-mão são utilizadas fundamental-
junto específico de espécies, a pes- mente nas áreas costeiras das ilhas e o
caria demersal dos Açores é também palangre, devido a legislação recente,
classificada como de multiartes. é utilizado quase exclusivamente nos
O regime de operação da frota varia bancos e montes submarinos. Esta
consideravelmente em função do ta- componente palangreira efectua via-
manho da embarcação e arte que uti- gens de três a dez dias de pesca com
liza. A componente artesanal (com- um lance diário, (ocasionalmente
primento <12 m) utiliza fundamental- mais dependendo do tipo de embarca-
mente artes de linhas-de-mão e opera ção), utilizando em média entre 8 a 10
na área de influência do porto de re- mil anzóis por lance. As embarcações
gisto. Efectua normalmente viagens que operam com linhas-de-mão efec-
diárias de pesca, embarcando um ou tuam em média três dias de viagem
dois pescadores, e dirige o esforço de e utilizam fundamentalmente de 15 a
pesca a recursos costeiros das comu- 30 linhas-de-mão de deriva com 20
nidades demersais e de profundida- anzóis cada. A componente indus-
de. Esta componente da frota é a que trial (> 24 m) opera exclusivamente
apresenta maior variabilidade nas es- nos bancos e montes submarinos
pécies alvo da pesca ao longo do ano explorando os recursos dos estratos
(Silva & Goulding, 2003). As maio- intermédios (200-700 m) e profundos
res embarcações desta componente (> 700 m). Efectuam em média via-
da frota, particularmente as cabinadas gens de 8 a 12 dias de pesca, com um
e as embarcações de boca aberta de ou mais lances diários de aproxima-
S. Miguel operam também nalguns damente 14000 anzóis cada. Este re-
bancos e montes submarinos situados gime médio de operação da frota pode
mais próximo das ilhas. Algumas em- variar ao longo do ano entre embarca-
barcações desta componente utilizam ções, áreas de pesca, artes e espécies
a arte de palangre-de-fundo podendo alvo. A espécie alvo da frota é o goraz
efectuar dois dias de mar com um (Pagellus bogaraveo) observando-se
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um ajuste preferencial da dinâmica da de uma forma complexa devido à


frota à dinâmica da espécie. A dinâ- introdução de medidas técnicas de
mica da frota tende a especializar-se gestão dirigidas aos demersais.

Desembarques e esforço de pesca


A pescaria de demersais é a segunda tindo a expansão da frota e a explo-
mais importante em termos de desem- ração mais intensiva de estratos mais
barque em peso, depois dos atuns, e a profundos (400-700 m). Por outro
mais importante em valor da região. lado a melhoria das infra-estruturas
Os desembarques em peso aumen- terrestres como portos, lotas, siste-
taram linearmente durante os anos mas de frio e transportes permitiram
oitenta estabilizando depois nas 5000 melhorar os circuitos comerciais e
toneladas durante os anos 90 (Fig. 4). portanto valorizar o pescado. A partir
Este aumento foi devido ao desenvol- do final dos anos 90 os desembarques
vimento implementado no sector com diminuíram como consequência do
a introdução de novas embarcações, aumento do esforço de pesca e maior
novas artes de pesca (palangre-de- especialização do regime de opera-
‑fundo), melhor tecnologia de nave- ção da frota, para se manterem depois
gação e formação profissional permi- durante os últimos oito anos aproxi-

6000 TAC 25000

5000
20000

4000
Euros (10 )
Peso (ton)

15000
3000
10000
2000
3 milhas
1000 5000

0 0
1982

1984

1986

1988

1990

1992

1994

1996

1998

2000

2002

2004

2006

2008

Anos

Peso Valor

Figura 4: Desembarques totais em peso e valor de espécies demersais nos Açores. No gráfico são também
apresentados os períodos de introdução de duas medidas técnicas de gestão relevantes (a “box” das três
milhas e captura total autorizada para algumas espécies alvo – TAC).
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1600

1400

1200
Desembarques (t)

1000

800

600

400

200

0
1976

1978

1980

1982

1984

1986

1988

1990

1992

1994

1996

1998

2000

2002

2004

2006

2008
Anos
Pagelus bogaraveo Phycis phycis Beryx splendens Helicolenus dactylopterus
Pontinus kuhlii Poliprion americanus Conger conger Beryx Decadactylus
Lepidopus caudatus Mora mora Serranus atricauda Pagrus pagrus
Raja clavata Scorpaena scrofa Galeorhinnus galeus Pagellus acarne
Ruvettus pretiosus Zeus faber Molva macrophtalma Muraenidae
Aphanopus carbo Hoplostethus atlanticus Centrophorus squamosus Chaceon Affinis
Dalatias licha Diversos

Figura 5: Desembarques em peso da frota comercial Açoriana de demersais por espécie. Fonte: Lotaçor.

12000 Pagellus bogaraveo


Phycis phycis
Beryx splendens
Helicolenus dactylopterus
10000 Pontinus kuhlii
Poliprion americanus
Conger conger
Beryx Decadactylus
8000 Lepidopus caudatus
Mora mora
Euros (103)

Serranus atricauda
Pagrus pagrus
6000 Raja sp
Scorpaena scrofa
Galeorhinnus galeus
Pagellus acarne
4000
Ruvettus pretiosus
Zeus faber
Molva macrophtalma

2000 Muraenidae
Aphanopus carbo
Hoplostethus atlanticus
Barroso
0 C. Affinis
1980
1981
1982
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008

Dalatias licha
Phycis blenoides
Anos Epigonus telescopus

Figura 6: Desembarques em valor da frota comercial Açoriana de demersais por espécie. Fonte: Lotaçor.
96 Boletim do Núcleo Cultural da Horta

madamente nas 3000 toneladas como diminuição ou manutenção dos va-


consequências das medidas técnicas lores dos desembarques nas décadas
de gestão introduzidas. Os desembar- seguintes (Fig. 5). Revelam também
ques em valor aumentaram sempre a dependência da frota por uma es-
de forma linear representando actual- pécie (goraz) e o carácter oportunista
mente cerca de 20 milhões de euros associado à dinâmica da frota explo-
(Fig. 4). rando outros recursos em função de
A pesca demersal é caracterizada tam- abundâncias pontuais extraordinárias
bém como de multiespécies porque (caso do peixe-espada-branco e do
captura e desembarca várias espécies cherne) ou dos preços pontualamente
(Fig. 5). A espécie alvo da pescaria é mais elevados (caso do cherne). Con-
tudo, durante a última década tem-se
o goraz, porque para além de relativa-
observado uma exploração intensiva
mente abundante é a espécie de maior
dos recursos demersais tradicionais,
valor comercial (Fig. 6). Contudo,
como resultado de um aumento do
outras espécies de valor comercial
esforço pesca (devido a maior auto-
são também capturadas e desembar- nomia das embarcações) e do aumen-
cadas como o pargo (Pagrus pagrus), to do poder de captura (devido à intro-
abrótea (Phycis phycis), bagre (Ponti- dução de melhor tecnologia e especia-
nus kuhlii), congro (Conger conger), lização dos pescadores) situando-se
boca-negra (Helicolenus dactylopte- os desembarques actuais de algumas
rus), cherne (Polyprion americanus), espécies ao nível dos anos 80, como
alfonsim e imperador (Beryx sp.), é o caso do boca negra, da abrótea e
etc. A evolução dos desembarques do congro. O esforço de pesca tende
individuais por espécie segue a ten- a concentrar-se em áreas particula-
dência dos desembarques totais com res como os bancos do grupo central
aumento até ao início dos anos 90 e (Fig. 1).

Estado dos recursos

Os recursos demersais dos Açores ria que dificulta a interpretação da


são considerados actualmente como sua dinâmica relativamente às espé-
estando intensivamente explorados cies alvo. O carácter multiespecífico
(ICES, 2006). O estado individual é função de interacções tecnológicas
dos stocks é incerto não havendo (mesma arte captura diferentes espé-
avaliações analíticas validadas. Esta cies em função do regime de operação
incerteza está associada ao carácter da frota) cuja modelação se tem tam-
mltiespecífico e multiartes da pesca- bém mostrado difícil. Grande parte
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Phycis phycis - Abrótea Pagrus pagrus - Pargo


28 450
40 500 400
24

Indíce de abundância
35 350

Desembarques (t)
Indice de abundância

Desembarques (t)
400 20
30 300
25 300 16 250
20 12 200
15 200 150
8
10 100
100 4
5 50
0 0 0 0

1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
Ano Ano

Conger conger -Congro Pontinus kuhlli - Bagre


40 100
25 900 35
800
Indíce de abundância

80

Indíce de abundância
Desaembarques (t)

Desembarques (t)
20 30
700
600 25 60
15 500 20
10 400 40
15
300
200 10
5 20
100 5
0 0 0 0
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009

1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
Ano Ano

Pagellus bogaraveo - Goraz Helicolenus dactylopterus - Boca negra

160 1800 240 700


140 1600 600
Indice de abundância

Indíce de abundância
Desembarques (t)

Desembarques (t)
120 1400 180
1200 500
100
1000 400
80 120
800 300
60 600
40 60 200
400
20 200 100
0 0 0 0
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009

1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009

Ano Ano

Beryx splendens - Alfonsim Beryx decadactylus - Imperador


90 400
80 350 35 250
Indíce de abundância

Desembarques (t)

70 30
Desembarques (t)
Indíce de abundância

300 200
60 25
250
50 20 150
200
40 15 100
150
30 10
20 100 50
5
10 50 0 0
0 0
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009

Ano
Ano
Indíce de abundância Desembarques

Figura 6: Abundância anual de algumas espécies de demersais dos Açores estimados a partir de cruzeiros
de investigação de primavera de palangre-de-fundo dos Açores.
98 Boletim do Núcleo Cultural da Horta

dos stocks, sobretudo de profundi- sições por comprimento) da pescaria


dade, têm uma distribuição que vai e dos cruzeiros de investigação se
para além da ZEE dos Açores não mostram estáveis. Contudo, esta apa-
sendo possível definir unidades de rente estabilidade pode ser enganosa
gestão validadas para a região dos consequência da distribuição geográ-
Açores. Não se conhecem também, fica da espécie podendo ocorrer ou
para alguns stocks, as possíveis existindo mesmo eventuais depleções
interacções entre as pescarias interna- locais em determinados ‘pesqueiros’
cionais realizadas fora da região e a de algumas dessas subpopulações
pescaria dos Açores. (ICES, 2006).
A aproximação que tem sido seguida As capturas das principais espécies
para a avaliação dos recursos é con- comerciais, como por exemplo a abró-
siderar o goraz como a espécie alvo tea, congro, boca-negra, alfonsim e
da pescaria, supondo-se que o ajuste imperador apresentam tendências de-
do esforço de pesca para este stock crescentes na última década (Fig. 5).
pode ser utilizado como indicador Análises exploratórias utilizando mé-
para gestão da frota. Para as outras todos expeditos sugerem que estas
espécies procura-se regulamentar a espécies estão intensivamente explo-
pescaria com a introdução de medi- radas. Contudo, resultados dos cru-
das técnicas. Contudo, a aproximação zeiros de investigação mostram ten-
não se tem mostrado eficiente devido dências da abundância opostas das
à dificuldade de capturar a dinâmica observadas para as capturas (Fig. 6).
da frota e do recurso. Por exemplo o A variabilidade interanual destas esti-
goraz é uma espécie hermafrodita e mações é muito grande e nalguns
distribui-se por uma extensa área des- casos sugerem que as tendências
contínua formando metapopulações observadas nas capturas são reflexo
(subpopulações da mesma espécies da variação do regime de operação da
separadas geograficamente – ilhas, frota (variação da espécie alvo, área
bancos, montes submarinos) cujas e arte de pesca por exemplo) e não
interacções se desconhecem. As ava- da variação real da abundância do
liações realizadas até agora, embora stock. Convém chamar a atenção que
incertas, têm mostrado uma grande o cruzeiro de investigação pode não
estabilidade na biomassa e mortali- estar desenhado para a estimação de
dade do goraz (ICES, 2006). Todos abundâncias relativas de algumas das
os indicadores (abundância e compo- espécies.
Mário Rui Pinho & Gui Menezes 99

Gestão e Conservação

O sistema de gestão e conservação do normal quadro regulamentar na-


dos recursos pesqueiros dos Açores é cional e europeu de licenciamento de
complexo e está ainda em construção, embarcações e artes de pesca. A partir
em parte também devido ao estatuto do final dos anos 90, com a explora-
de Região Autónoma e como região ção intensiva dos recursos, foram in-
ultraperiférica da União Europeia, troduzidas algumas medidas técnicas,
com limitações de competências para incluindo restrições ao licenciamento
para espécies demersais e de profun-
legislar em algumas áreas e matérias
didade, restrições de pesca por área
relacionadas com as pescas e a con- e tipo de embarcação (box costeira
servação do meio marinho. das três milhas), tamanho mínimo do
Até ao início dos anos 90 os recursos anzol e tamanho mínimo de desem-
demersais eram considerados mode- barque para algumas espécies (Porta-
radamente explorados e praticamente ria N.º 101/2002 de 24 de Outubro)
não havia medidas de conservação cujo resumo, incluindo adaptações
específicas para a região para além em curso, se apresenta na Figura 7.

Figura 7: Resumo ilustrado das medidas técnicas de gestão dirigidas a espécies demersais dos Açores.
100 Boletim do Núcleo Cultural da Horta

No âmbito da política comum de pes- 2005 foi introduzido TAC ao alfon-


cas da União Europeia foi implemen- sim/imperador, juliana e tubarões de
tada legislação própria que institui um profundidade (Reg (CE) 2270/2004),
quadro comunitário para a recolha e a estando previsto para estes últimos
gestão dos dados da pesca (Reg. (CE) TAC = 0 a partir de 2010 (Reg (CE)
N.º 1543/2000; Reg (CE) 1581/2004) N.º 1359/2008).
e legislação que estabelece os requisi- Como medida adicional de protecção
tos e condições de acesso aos recursos de habitats vulneráveis foi imple-
de profundidade (Reg (CE) N.º 2347/ mentada a proibição da utilização do
2002). Em 2002 foram introduzidos arrasto de fundo e de redes de ema-
limites de capturas autorizados (TAC) lhar numa área extensa da ZEE dos
para as espécies de profundidade como Açores (Reg. (CE) Nº 1568/2005)
o goraz e peixe-espada preto (Reg. (ver Fig. 1).
(CE) N.º 2341/2002). A partir de

Conclusão

O ambiente marinho dos Açores é ração. O resultado das características


naturalmente considerado de pro- ambientais deste ecossistema é a ocor-
fundidade devido às características rência de recursos com abundâncias
oceânicas. Neste ambiente podemos modestas e com ciclos de vida com-
definir diferentes ecossistemas a dife- plexos caracterizados por vida longa
rentes escalas, como por exemplo, e maturação tardia. Estes recursos são
ilhas, bancos e montes submarinos, portanto mais vulneráveis à explo-
crista média atlântica, hidrotermais, ração motivo pela qual os Açores
etc. A dinâmica e interacções entre têm optado pelo desenvolvimento de
estes ecossistemas não são ainda bem pescarias de pequena escala ou arte-
conhecidas. No entanto, o habitat dis- sanais. A gestão e conservação destes
ponível na região para a distribuição recursos têm no entanto apresentado
das principais espécies exploradas dificuldades resultantes das caracte-
comercialmente é muito limitado e rísticas biológicas das espécies, carac-
noutros casos a distribuição geográ- terísticas físicas do ecossistema e
fica das espécies (ou dos recursos) também devido ao carácter multiespe-
vai muito para além da ZEE dos Aço- cífico e multiartes da pescaria. Adicio-
res, sugerindo dinâmicas dos recursos nalmente o complexo sistema de go-
complexas e aumentando a incerteza vernança da região, enquanto região
em relação ao seu estado de explo- autónoma e ultraperiférica da União
Mário Rui Pinho & Gui Menezes 101

Europeia, impondo uma estrutura desenvolver novas pescarias para re-


institucional a diferentes escalas (re- cursos considerados complementares
gional, nacional, europeia) por vezes de rendimento não têm tido sucesso
pouco adaptada á realidade local tem devido aos custos de exploração ele-
colocado também problemas ao nível vados, mercados não desenvolvidos
da decisão e implementação atem- e objectivos de gestão conflituosos.
pada de medidas de gestão e criado Assim, têm sido implementadas me-
conflitos nos objectivos de gestão de didas técnicas de gestão restritivas ao
médio e longo prazo. licenciamento, áreas de pesca, esforço
Os recursos são actualmente conside- de pesca e forma de pescar. Adicio-
rados intensivamente explorados po- nalmente têm sido implementados à
dendo ocorrer ocasionalmente sobre luz do princípio de precaução limites
exploração de algumas espécies mais autorizados de capturas (TAC) para
vulneráveis ou ocorrer depleção local algumas espécies, particularmente de
de algumas áreas. Os esforços para profundidade.

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