Você está na página 1de 92

SÉRIE AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL

FUNDAMENTOS
FÍSICOS E
MATEMÁTICOS
APLICADOS À
INSTRUMENTAÇÃO
SÉRIE AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL

FUNDAMENTOS
FÍSICOS E
MATEMÁTICOS
APLICADOS À
INSTRUMENTAÇÃO
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
Robson Braga de Andrade
Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA


Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor de Educação e Tecnologia

SENAI-DN – SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL


Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor-Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações
SÉRIE AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL

FUNDAMENTOS
FÍSICOS E
MATEMÁTICOS
APLICADOS À
INSTRUMENTAÇÃO
© 2014. SENAI – Departamento Nacional

© 2014. SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico,
mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização,
por escrito, do SENAI – Departamento Regional do Rio Grande do Sul.

Esta publicação foi elaborada pela equipe da Unidade Estratégica de Desenvolvimento


Educacional – UEDE/Núcleo de Educação a Distância – NEAD, do SENAI do Rio Grande do
Sul, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os
Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional do Rio Grande do Sul


Unidade Estratégica de Desenvolvimento Educacional – UEDE/Núcleo de Educação a
Distância – NEAD

FICHA CATALOGRÁFICA

S491 Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional


Fundamentos físicos e matemáticos aplicados à instrumentação / Serviço Nacional
de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional; Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial. Departamento Regional do Rio Grande do Sul. – Porto
Alegre: SENAI-RS, 2014.
92 p.: il. (Automação e Mecatrônica Industrial).

ISBN: 978-85-7519-824-7

1. Instrumentação industrial. 2. Matemática. 3. Física. I. Serviço Nacional de


Aprendizagem Industrial - Departamento Regional do Rio Grande do Sul. II. Título. III.
Série.

CDU – 51

Responsável pela Catalogação na Fonte: Lidiane Marques Gomes - CRB-10/2257

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte . Quadra 1 . Bloco C . Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen . 70040-903 . Brasília – DF . Tel.: (0xx61)3317-9190
Departamento Nacional http://www.senai.br
Lista de ilustrações
Figura 1 - Papiro da obra “Elementos da Geometria”, de Euclides....................................................................15
Figura 2 - Esquema de multiplicação de números decimais..............................................................................17
Figura 3 - Divisão das frações.........................................................................................................................................22
Figura 4 - Representação de ângulo............................................................................................................................27
Figura 5 - Não conformidade da tubulação..............................................................................................................28
Figura 6 - Representação de ângulo reto..................................................................................................................28
Figura 7 - Representação de ângulo agudo..............................................................................................................29
Figura 8 - Representação de ângulo obtuso............................................................................................................29
Figura 9 - Representação de ângulos complementares.......................................................................................29
Figura 10 - Representação de ângulos suplementares........................................................................................30
Figura 11 - Posições do manômetro de coluna: a) Incorreta; b) Correta........................................................30
Figura 12 - Fórmulas para o cálculo de áreas de superfícies planas................................................................32
Figura 13 - Tubulação com as medidas para calcular o perímetro...................................................................33
Figura 14 - Dimensões do material isolante.............................................................................................................33
Figura 15 - Bloco retangular...........................................................................................................................................34
Figura 16 - Dimensões do reservatório......................................................................................................................34
Figura 17 - Reservatório do cilindro.............................................................................................................................34
Figura 18 - Dimensões do reservatório......................................................................................................................35
Figura 19 - Relação entre massa e peso.....................................................................................................................42
Figura 20 - Sentido de corrente (I) convencional....................................................................................................46
Figura 21 - Alicate amperímetro e amperímetro fixo............................................................................................46
Figura 22 - Voltímetro fixo...............................................................................................................................................47
Figura 23 - Resistor e componentes............................................................................................................................52
Figura 24 - Simbologia para resistores adotada pela ABNT................................................................................52
Figura 25 - Código de cores dos resistores em relação aos seus valores em ohms....................................53
Figura 26 - Detalhamento de faixas de um resistor...............................................................................................53
Figura 27 - Circuito série..................................................................................................................................................54
Figura 28 - Circuito paralelo...........................................................................................................................................54
Figura 29 - Circuito misto................................................................................................................................................55
Figura 30 - Condutor de cobre......................................................................................................................................56
Figura 31 - Gráfico de corrente contínua...................................................................................................................58
Figura 32 - Comportamento ondulatório..................................................................................................................58
Figura 33 - Ângulo de defasagem................................................................................................................................60
Figura 34 - Recipiente de 1000 litros...........................................................................................................................61
Figura 35 - Distância percorrida em determinado tempo...................................................................................63
Figura 36 - Comparação entre as unidades de temperatura..............................................................................66
Figura 37 - Relação entre força e área de superfície..............................................................................................67
Figura 38 - Transmissor de pressão..............................................................................................................................68
Figura 39 - Termômetro de vidro e termômetro bimetálico...............................................................................72
Figura 40 - Aspecto construtivo de um termopar..................................................................................................72
Figura 41 - PT100................................................................................................................................................................73
Figura 42 - Manômetro com a conexão para tubo de Bourdon........................................................................74
Figura 43 - Vacuômetro com a conexão para tubo de Bourdon.......................................................................74
Figura 44 - Modelo de transdutor de pressão tipo extensômetro (strain gage)..........................................75
Figura 45 - Modelo de paquímetro universal e digital..........................................................................................76
Figura 46 - Formas de medição com o paquímetro...............................................................................................76
Figura 47 - Tacômetro digital.........................................................................................................................................77
Figura 48 - Medição de componente girante com tacômetro ótico e de contato.....................................77
Figura 49 - Uso do dinamômetro manual.................................................................................................................79
Figura 50 - Tipo de célula de carga..............................................................................................................................79
Figura 51 - Temporizador eletrônico de uso industrial.........................................................................................80

Quadro 1 - Adição de números decimais..................................................................................................................16


Quadro 2 - Potenciação e radiciação...........................................................................................................................18
Quadro 3 - Sinal da base e do expoente....................................................................................................................18
Quadro 4 - Diferentes formas de representação de números percentuais...................................................26
Quadro 5 - Unidades do SI..............................................................................................................................................37
Quadro 6 - Unidades do sistema MKS........................................................................................................................38
Quadro 7 - Prefixos utilizados nos múltiplos e submúltiplos das unidades de medidas.........................38
Quadro 8 - Unidades de comprimento, símbolos e valores................................................................................39
Quadro 9 - Múltiplos e submúltiplos do grama......................................................................................................43
Quadro 10 - Resistividade de alguns materiais a 20 °C.........................................................................................50
Quadro 11 - Quadro milimétrico de fios com a corrente máxima suportada..............................................57
Quadro 12 - Relação entre volume e capacidade...................................................................................................61
Quadro 13 - Unidades de medida de pressão e seus fatores de conversão.................................................68
Quadro 14 - Aspectos construtivos dos termopares tipo J e K..........................................................................73
Sumário
1  INTRODUÇÃO.................................................................................................................................................................13

2  FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA........................................................................................................................15
2.1 Operações básicas.......................................................................................................................................16
2.1.1 Adição............................................................................................................................................16
2.1.2 Subtração......................................................................................................................................16
2.1.3 Multiplicação...............................................................................................................................17
2.1.4 Divisão...........................................................................................................................................17
2.2 Potenciação e radiciação...........................................................................................................................18
2.2.1 Potências de base 10................................................................................................................19
2.2.2 Equações algébricas.................................................................................................................19
2.3 Razão e proporção.......................................................................................................................................20
2.3.1 Razão..............................................................................................................................................21
2.3.2 Proporção.....................................................................................................................................21
2.4 Frações..............................................................................................................................................22
2.4.1 Tipos de frações..........................................................................................................................22
2.4.2 Número misto.............................................................................................................................23
2.4.3 Frações equivalentes................................................................................................................24
2.4.4 Adição de frações.......................................................................................................................24
2.4.5 Subtração de frações................................................................................................................25
2.4.6 Multiplicação de frações.........................................................................................................25
2.4.7 Divisão de frações......................................................................................................................25
2.5 Porcentagem.................................................................................................................................................26
2.6 Regra de três: direta e inversa.................................................................................................................26
2.6.1 Regra de três direta...................................................................................................................26
2.6.2 Regra de três inversa.................................................................................................................27
2.7 Ângulos...........................................................................................................................................................27
2.7.1 Tipos de ângulo..........................................................................................................................28
2.7.2 Operações e aplicações com medidas de ângulos........................................................30
2.8 Cálculo de área, perímetro e volume....................................................................................................31
2.8.1 Área.................................................................................................................................................31
2.8.2 Perímetro......................................................................................................................................33
2.8.3 Volume...........................................................................................................................................33

3  FUNDAMENTOS DA METROLOGIA........................................................................................................................37
3.1 Sistema Internacional de Unidades.......................................................................................................37
3.1.1 Prefixos de unidades do Sistema Internacional de Unidades....................................... 38
3.2 Medidas de comprimento........................................................................................................................39
3.2.1 Unidades de comprimento ...................................................................................................39
3.2.2 Polegada.......................................................................................................................................40
3.3 Medidas de massa.......................................................................................................................................42
4  FUNDAMENTOS DA FÍSICA.......................................................................................................................................45
4.1 Grandezas elétricas.....................................................................................................................................45
4.1.1 Corrente elétrica.........................................................................................................................45
4.1.2 Tensão elétrica............................................................................................................................46
4.1.3 Resistência elétrica....................................................................................................................47
4.1.4 Potência elétrica.........................................................................................................................48
4.1.5 Resistividade................................................................................................................................50
4.1.6 Condutividade............................................................................................................................50
4.2 Materiais condutores..................................................................................................................................51
4.3 Materiais isolantes.......................................................................................................................................51
4.4 Materiais resistores......................................................................................................................................52
4.4.1 Simbologia ..................................................................................................................................52
4.4.2 Código de cores dos resistores.............................................................................................52
4.4.3 Associação de resistores..........................................................................................................54
4.5 Lei de Ohm.....................................................................................................................................................55
4.5.1 Primeira Lei de Ohm.................................................................................................................55
4.5.2 Segunda Lei de Ohm................................................................................................................56
4.6 Corrente contínua........................................................................................................................................58
4.7 Corrente alternada......................................................................................................................................58
4.8 Grandezas físicas .........................................................................................................................................60
4.8.1 Comprimento .............................................................................................................................60
4.8.2 Área ................................................................................................................................................61
4.8.3 Volume...........................................................................................................................................61
4.8.4 Tempo ...........................................................................................................................................62
4.8.5 Velocidade....................................................................................................................................63
4.8.6 Massa..............................................................................................................................................64
4.8.7 Temperatura.................................................................................................................................64
4.8.8 Força...............................................................................................................................................67
4.8.9 Pressão...........................................................................................................................................67

5  INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO................................................................................................................................71
5.1 Medição de temperatura..........................................................................................................................71
5.1.1 Termômetro ................................................................................................................................71
5.1.2 Termopar ......................................................................................................................................72
5.1.3 Termorresistência ......................................................................................................................73
5.2 Medição de pressão ...................................................................................................................................73
5.2.1 Manômetro .................................................................................................................................74
5.2.2 Vacuômetro..................................................................................................................................74
5.2.3 Transdutor de pressão..............................................................................................................75
5.3 Comprimento................................................................................................................................................75
5.3.1 Régua.............................................................................................................................................75
5.3.2 Trena...............................................................................................................................................76
5.3.3 Paquímetro...................................................................................................................................76
5.4 Velocidade .....................................................................................................................................................77
5.4.1 Tacômetro ....................................................................................................................................77
5.5 Massa................................................................................................................................................................78
5.5.1 Balança...........................................................................................................................................78
5.6 Força ................................................................................................................................................................78
5.6.1 Dinamômetro..............................................................................................................................78
5.6.2 Célula de carga ..........................................................................................................................79
5.7 Tempo .............................................................................................................................................................79
5.6.1 Temporizador .............................................................................................................................80

REFERÊNCIAS......................................................................................................................................................................83

MINICURRÍCULO DO AUTOR.........................................................................................................................................84

ÍNDICE....................................................................................................................................................................................85
INTRODUÇÃO

Para realizar a maior parte das atividades como instrumentista industrial, você utilizará
os conhecimentos da matemática e da física que estão apresentados neste livro, de forma
bastante didática e simples. Além disso, conheceremos alguns aspectos sobre a metrologia e
quais os equipamentos e instrumentos que lhe serão úteis no seu dia a dia de trabalho. Desse
modo, este livro será de grande auxílio para você resolver os mais diversos desafios como
instrumentista industrial.
Aproveite a oportunidade para construir uma base sólida sobre os fundamentos físicos,
matemáticos, metrológicos e sobre as características, as funções e a importância dos
instrumentos e equipamentos da área da instrumentação industrial.
FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA

Os conhecimentos da matemática são utilizados na sociedade desde a antiguidade. Os


egípcios fizeram diversos cálculos para construir pirâmides, diques, canais de irrigação, entre
outras obras. Entretanto, foram os gregos que desenvolveram e organizaram os conhecimentos da
aritmética, geometria, astronomia e mecânica, com os quais trabalhamos atualmente. O filósofo
e matemático grego Euclides desenvolveu o tratado matemático e geométrico “Elementos da
Geometria”, há cerca de 2.400 anos. A Figura 1 ilustra um papiro dessa obra de Euclides.

Figura 1 - Papiro da obra “Elementos da Geometria”, de Euclides


Fonte: THE UNIVERSITY OF BRITISH COLUMBIA, [20--?]

Como a matemática é a ciência que estuda as quantidades, o espaço, as relações abstratas e


lógicas relacionadas aos símbolos, ela é fundamental para a utilização correta de instrumentos
e equipamentos relacionados ao controle dos processos industriais. Como veremos, qualquer
produto industrializado depende do monitoramento, avaliação e supervisão dos instrumentos
e equipamentos envolvidos em sua fabricação. Logo, os cálculos mais simples até os mais
avançados ajudarão você a calcular os parâmetros dos instrumentos e equipamentos
necessários para controlar os processos na empresa em que irá trabalhar.

Na área de instrumentação, a matemática é muito utilizada nas estratégias


VOCÊ de controle de processos. O cálculo diferencial, por exemplo, inventado há
SABIA? alguns séculos por Isaac Newton, é utilizado, atualmente, para cálculos de
controle de processos.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
16

2.1 OPERAÇÕES BÁSICAS

Como a maior parte das dificuldades encontradas em cálculos está relacionada a conceitos básicos da
matemática, devemos revisar alguns aspectos importantes para que possamos avançar em nossos estudos.
Vamos rever as operações com números decimais, pois você utilizará esses conhecimentos em seu trabalho
como instrumentista industrial.

2.1.1 ADIÇÃO

Utilizamos a operação matemática da adição para combinar dois ou mais números, de forma a
acrescentar um número a outro. A execução de processos de adição com números decimais ocorre da
seguinte maneira:
Passo 1: alinhamos todos os números de modo que suas vírgulas coincidam;
Passo 2: completamos o número de casas decimais;
Passo 3: efetuamos a soma dos números em colunas.
Exemplo prático: vamos aplicar os três passos de adição de números decimais, somando os valores
3,12 + 60,4 + 8,0 + 4,378, conforme apresenta a Quadro 1.

PASSO1 PASSO 2 PASSO 3

3,12 . 3,120 3,120


60,4 . 60,400 60,400
8,0 . 8,000 8,000
+ 4,378 . + 4,378 + 4,378
75,898
Quadro 1 - Adição de números decimais
Fonte: SENAI-RS

2.1.2 SUBTRAÇÃO

Utilizamos a operação matemática da subtração para combinar dois ou mais números, de modo a
retirar um número de outro. Para se executar o processo de subtração de números decimais, utilizam-se os
mesmos procedimentos da adição, trocando o sinal de mais (+) por (-), como, por exemplo, subtrair 476,3
de 17,342. Para isso, basta fazer o seguinte:
476,300
- 17,342
458,958
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
17

FIQUE Observe a posição da vírgula nos procedimentos de soma e subtração, pois esse
ALERTA posicionamento pode interferir no resultado dos cálculos.

2.1.3 MULTIPLICAÇÃO

A multiplicação é a operação que determina o produto de dois ou mais termos, denominados fatores.
Devemos seguir os passos:
Passo 1: multiplicamos termo a termo, desconsiderando a vírgula;
Passo 2: somamos os produtos;
Passo 3: contamos a quantidade total de casas decimais;
Passo 4: colocamos a vírgula na mesma posição da quantidade total de casas decimais, contando da
direita para a esquerda.
Exemplo prático: vamos aplicar os quatro passos de multiplicação de números decimais, multiplicando os
valores 8,76 x 9,8, conforme a Figura 2, a seguir.

3 casas
8,76 8,76 8,76 decimais 8,76

x 9,8 x 9,8 x 9,8 x 9,8


7008 7008 7008 7008
+ 7884- + 7884- + 7884-
85848 85,848

3 casas decimais da direita para


a esquerda e coloca-se a vírgula
Figura 2 - Esquema de multiplicação de números decimais
Fonte: SENAI-RS

2.1.4 DIVISÃO

A divisão é a operação que possibilita saber a quantidade de vezes que um número está contido em
outro. Devemos seguir os passos:
Passo 1: igualamos o número de casas decimais e desconsideramos a vírgula;
Passo 2: executamos o procedimento de divisão normalmente.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
18

Exemplo prático: vamos aplicar os dois passos de divisão de números decimais, dividindo 8,26 por 1,4.
Para isso, basta fazer o seguinte:
8,26 ÷ 1,4 =
8,26 ÷ 1,40 =
826 ÷ 140.
Agora, efetuamos a conta normalmente:

826 140
- 700 5,9
1260
- 1260
0

SAIBA Há diversos critérios de divisibilidade para facilitar as operações de divisão.


Verifique quais são essas regras em: http://www.prof2000.pt/users/renatodias/
MAIS matematica%205/divisao/divisao.htm

2.2 POTENCIAÇÃO E RADICIAÇÃO

Potenciação e radiciação são operações inversas. A potenciação representa o produto de fatores iguais,
enquanto a radiciação representa a potenciação com expoente fracionário. Observe o Quadro 2.

n
POTENCIAÇÃO: X N = Y RADICIAÇÃO: √X = Y
Em que: Em que:
• X = base; • X = radicando;
• n = expoente; • n = índice;
• y = potência. • y = raiz.
Quadro 2 - Potenciação e radiciação
Fonte: SENAI-RS

Exemplo de potenciação:
23 = 2 x 2 x 2 = 8
Exemplo de radiciação:
√4 = 2

Devemos observar o sinal da base e do expoente, pois os sinais influenciam diretamente o resultado,
conforme apresenta o Quadro 3.

PROBLEMA RESULTADO
PositivoPAR/ÍMPAR Positivo
NegativoPAR Positivo
Negativo ÍMPAR
Negativo
Quadro 3 - Sinal da base e do expoente
Fonte: SENAI - RS
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
19

2.2.1 POTÊNCIAS DE BASE 10

As potências de base 10 são amplamente utilizadas nas áreas da engenharia. A principal finalidade é
suprimir uma determinada quantidade de zeros. A seguir, temos exemplos de potências com base 10.
a)102 = 100
b)103 = 1000 Expoente positivo (zeros)
após o número um.
c)104 = 10000
d)10(-1) = 0,1
e)10(-2) = 0,01 Expoente negativo (zeros)
f )10(-3) = 0,001 após o número um.
g)10(-4) = 0,0001

2.2.2 EQUAÇÕES ALGÉBRICAS

Nas equações algébricas, utilizamos variáveis, também conhecidas como incógnitas, que estão
sujeitas a operações de adição, subtração, multiplicação, divisão e radiciação. A incógnita mais utilizada é
representada pela letra ”x”. Havendo mais de uma variável, elas podem ser representadas pelas letras “y” e
“z”.
Exemplos:
ax + b = 0
ax2 + bx + c = 0
ax4 + bx2 + c = 0
As equações algébricas mais conhecidas são as equações de 1° grau e 2° grau. Veremos, a seguir, as
formas de resolução desses dois tipos de equações.

Equações de 1° grau

As equações de 1º grau são assim denominadas devido ao termo “ax” ser elevado à potência 1.
Exemplo:
ax + b = 0
2x + 4 = 0
2x = 0 + 4
2x = 4
4
x=
2
x=2
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
20

Equações de 2° grau

As equações de 2° grau são equações do tipo ax2 + bx + c = 0 em que {a,b,c} ε R e a≠0. Chama-se equação
de 2° grau devido ao expoente que acompanha o termo “ax2 “.
Exemplo:
x2 - 9 = 0
x2 = 9
√x2 = ± √9
x=±3
S = {3;-3}

Exemplo:
x2 + 3x = 0
x+3=0
x = -3
S = {0;-3}

Podemos também resolver equações de 2° grau utilizando a fórmula de Bhaskara: x = -b ± √b - 4ac .


2

2a
Agora, vamos resolver o exemplo 2, utilizando a fórmula de Bhaskara:
Exemplo: x2 + 3x = 0
-b ± √b2 - 4ac
Fórmula de Bhaskara: x =
2a
Solução:
-3 ± √32 - 4.1.0
x=
2.1
-3 ± √9
x= -3 + 3
2 x= =0
-3 ± 3 2
x= -3 - 3
2 x= = -3
S = {0;-3} 2

2.3 RAZÃO E PROPORÇÃO

Quando observamos um cartão postal de um lugar famoso, logo reconhecemos o local ou o monumento
fotografado, apesar de a fotografia do cartão postal estar em uma escala muito menor do que a realidade.
Esse exemplo retrata o conceito de razão e proporção, pois, nesse caso, o mais importante é a forma e não
o tamanho. Você reconhece o lugar turístico apesar da proporção observada ser muito menor do que as
dimensões reais do lugar.
Veremos como essas questões de razão e proporção são tratadas na matemática e, consequentemente,
na área da instrumentação.
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
21

2.3.1 RAZÃO

A razão entre dois números A e B representa o quociente entre eles, A . Na área da instrumentação, o
B
cálculo da razão é utilizado para calcular a velocidade de um fluido em movimento. Assim, a velocidade
seria a razão entre a distância e o tempo, de acordo com a fórmula a seguir:
d
V=
t
Em que:
V = velocidade (m/s);
d = distância (m);
t = tempo (s).

2.3.2 PROPORÇÃO

A proporção é definida, matematicamente, como a igualdade entre duas razões, conforme fórmula a
seguir:
A C
=
B D
Exemplo:
6 9
=
8 12
Se simplificarmos as duas frações, teremos como resposta 3 .
4

Na instrumentação, a proporção pode ser usada para simplificar o cálculo de área ou de volume de um
reservatório. Digamos que um reservatório retangular tenha 10 m de altura e 4 m de base. Como resposta
obtém-se uma área de 40 m2.
Para simplificar, podemos usar valores proporcionais como, por exemplo, 5 m e 2 m. Nesse caso, o
resultado será 10 m2. Como os valores de base e altura foram reduzidos em 2 vezes cada, o resultado final
ficou 4 vezes menor.

É fundamental que você saiba utilizar corretamente a razão e a proporção na área


FIQUE de instrumentação. Por exemplo, quando você tiver que definir a quantidade correta
ALERTA de matéria-prima para o desenvolvimento de um produto. Caso a proporção de
matéria-prima não esteja correta, sua empresa poderá ter prejuízos com o descarte
de produtos mal-elaborados.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
22

2.4 FRAÇÕES

Para representar uma ou mais partes do inteiro são necessários dois números:
• o primeiro indica o número de partes que foram tomadas do inteiro, chamado numerador;
• o segundo, diferente de zero, indica em quantas partes, de mesma forma e tamanho, foi dividido o
número inteiro, chamado denominador.
O numerador e o denominador são os termos da fração. Na Figura 3, observamos as divisões de frações,
a partir de uma unidade até um décimo de unidade.

unidade sextos
1 1
=1
1 6

meios sétimos
1 1
2 7

terços oitavos
1 1
3 8

quartos nonos
1 1
4 9

quintos décimos
1 1
5 10

Figura 3 - Divisão das frações


Fonte: SENAI-RS

As frações são muito usadas na conversão de unidades, principalmente do sistema


VOCÊ métrico para o sistema inglês (polegadas), a maioria das mangueiras e tubulações
SABIA? tem seu diâmetro expresso em polegadas.

Veremos diversos aspectos sobre as frações, devido a sua importância para a instrumentação.

2.4.1 TIPOS DE FRAÇÕES

Há três tipos de frações que dependem da relação entre o denominador e o numerador:


• fração própria: são aquelas em que o numerador é menor que o denominador;

3
8
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
24

2.4.3 FRAÇÕES EQUIVALENTES

Multiplicando ou dividindo ambos os termos de uma fração por um mesmo número, diferente de zero,
obtém-se uma fração equivalente, ou seja, de mesmo valor que a anterior.
Exemplo:
5 3 15
x =
4 3 12
5 15
Logo: =
4 12
Exemplo:
8 ÷ 2 4
=
6 2 3
8 4
Logo: =
6 3

2.4.4 ADIÇÃO DE FRAÇÕES

A adição de frações é bastante utilizada na área industrial, principalmente quando se trabalha com
medidas em polegadas. Podemos efetuar a adição de frações com o mesmo denominador ou com
denominadores diferentes, conforme veremos a seguir:
• frações de mesmo denominador: nesse caso, mantemos o denominador e somamos os numeradores;
Exemplo:
2 5 7
+ =
3 3 3

• frações de denominadores diferentes: inicialmente, reduzimos as frações ao mesmo denominador e,


a seguir, conservamos o mesmo denominador e somamos os numeradores.
Exemplo:
3 1
+
5 4
12 + 5 17
MMC de 5 e 4 é 20 portanto: =
20 20
Exemplo:
1 5
3+2 +
4 3
3 9 5
+ +
1 4 3
36 + 27 + 20 83
MMC de 1, 4, 3 é 12, portanto: =
12 12
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
25

2.4.5 SUBTRAÇÃO DE FRAÇÕES

Assim como a adição de frações, a subtração também é bastante utilizada na área industrial. Podemos
efetuar a subtração de frações com o mesmo denominador ou com denominadores diferentes, conforme
veremos a seguir:
• frações de mesmo denominador: nesse caso, mantemos o denominador e subtraímos o numerador;
Exemplo:
9 3 6 3
- = =
4 4 4 2
• frações de denominadores diferentes: inicialmente, reduzimos as frações ao mesmo denominador e,
a seguir, conservamos o mesmo denominador e subtraímos os numeradores.
Exemplo:
7 9 7
9- = -
5 1 5
45 - 7 38
MMC de (1, 5) é 5, portanto: =
5 5
Exemplo:
3 5
- =
2 7
21-10 11
MMC de (2, 7) é 14, portanto: =
14 14

2.4.6 MULTIPLICAÇÃO DE FRAÇÕES

Para multiplicar frações, efetua-se o produto dos numeradores e dos denominadores.


Exemplo:
3 27
9x =
5 5
Exemplo:
5 8 40
x =
7 3 21

2.4.7 DIVISÃO DE FRAÇÕES

Na divisão de frações, conservamos a primeira fração, trocamos o sinal de dividir pelo de multiplicar,
invertemos a segunda fração (o denominador passa a ser numerador e o numerador passa a ser
denominador) e, a seguir, efetuamos a operação de multiplicação.
Exemplo:
8 1 8 3 24
÷ = x =
5 3 5 1 5
Exemplo:
3 5 11 2 22
4 ÷ = x =
2 2 2 5 10
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
26

As operações com frações devem ser feitas com muita atenção, principalmente
VOCÊ a operação de divisão. A divisão deve ser feita com uma multiplicação, cruzando
SABIA? as extremidades, ou seja, multiplicando o numerador de uma fração com o
denominador da outra.

2.5 PORCENTAGEM

A porcentagem é muito utilizada em especificações técnicas de manuais de equipamentos e


instrumentos da área de instrumentação, para a definição de tolerâncias de medidas de conexões e seus
respectivos tamanhos. Em uma eventual troca de equipamento, essas tolerâncias são importantes para
instalação e manutenção, pois nem sempre há o mesmo modelo disponível na empresa.
A regra básica é que a porcentagem é expressa como uma fração com denominador 100. O Quadro 4
mostra as diferentes formas de representação de números percentuais.

PORCENTAGEM RAZÃO CENTESIMAL NÚMERO DECIMAL


17,42% 17,42 0,1742
100
100% 100 1
100
3700% 3700 37
100
1% 1 0,01
100
Quadro 4 - Diferentes formas de representação de números percentuais
Fonte: SENAI-RS

2.6 REGRA DE TRÊS: DIRETA E INVERSA

A regra de três é utilizada na resolução de problemas que envolvem grandezas diretas ou inversamente
proporcionais. Pode ser direta ou inversa. Vamos conhecê-las por meio dos exemplos a seguir.

2.6.1 REGRA DE TRÊS DIRETA

A relação “mais-mais” ou “menos-menos” caracteriza a regra de três direta. Na regra de três direta, a
multiplicação é feita de modo cruzado.
Exemplo prático: para a construção de 12 m2 de parede foram utilizados 540 tijolos. Quantos tijolos
serão necessários para construir 20 m2 de parede?
Relação: mais m2 de parede mais tijolos:
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
27

12 m2 540 tijolos

20 m2 X

12 x X = 20 x 540
12X = 10800

X = 10800
12
X = 900 tijolos

2.6.2 REGRA DE TRÊS INVERSA

A relação “mais-menos” ou “menos-mais” caracteriza a regra de três inversa. Na regra de três inversa, a
multiplicação é realizada lado a lado.
Exemplo prático: uma casa é construída por 20 pedreiros em 30 dias. Em quantos dias será construída
a mesma casa se o número de pedreiros aumentar para 50?
Relação: mais operários menos dias:

20 operários 30 dias
50 operários X
50 x X = 20 x 30
50X = 600

X = 600
50
X = 12 dias

2.7 ÂNGULOS

Em seu dia a dia de trabalho como instrumentista industrial você utilizará diversas medidas de ângulos
para a instalação e a manutenção de instrumentos de medição em plantas industriais. Um determinado
ângulo de inclinação pode interferir nas medições efetuadas pelos instrumentos, provocando erros no
funcionamento de um processo. Por isso, estudaremos algumas definições e aplicações de medidas de
ângulos utilizadas na área de instrumentação.
Como você sabe, um ângulo representa uma abertura formada entre duas semirretas de mesma origem.
A Figura 4 ilustra a representação de ângulo.

Figura 4 - Representação de ângulo


Fonte: SENAI-RS
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
28

Os ângulos são muito utilizados na área industrial, como, por exemplo, na área da soldagem. Observe a
Figura 5 e veja como os conhecimentos sobre ângulos são aplicados para a soldagem de tubulações.

FORA DE ÂNGULO FORA DE PLANO

90° 90°
Figura 5 - Não conformidade da tubulação
Fonte: VAL AÇO, 2009

Nesse caso, a pessoa responsável pela soldagem das curvas metálicas deve consultar a tolerância
permitida de angularidade das peças para realizar a solda.

SAIBA Para aprofundar seus conhecimentos sobre ângulos acesse: http://www.


MAIS matematicamuitofacil.com/angulos.html

2.7.1 TIPOS DE ÂNGULO

Os ângulos podem ser caracterizados como reto, agudo, obtuso, complementar e suplementar.
Ângulo reto: possui a medida de 90°, como ilustra a Figura 6.

100
90 80
110 70
0 60
12
0 50
13
0

40
14
0

30
15
160

20
170

10
180

Figura 6 - Representação de ângulo reto


Fonte: SENAI-RS
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
29

Ângulo agudo: possui medida menor do que 90°. Observe a Figura 7.

100
90 80
110 70
0 60
12
0 50
13

40
14
0

30
15
160

20
170

10
180

0
Figura 7 - Representação de ângulo agudo
Fonte: SENAI-RS

Ângulo obtuso: possui medida maior do que 90°. A Figura 8 ilustra esse tipo de ângulo.

100
90 80
110 70
0 60
12
0 50
13
0

40
14
0

30
15
160

20
170

10
180

Figura 8 - Representação de ângulo obtuso


Fonte: SENAI-RS

Ângulos complementares: chamamos de ângulos complementares, dois ângulos cuja soma de suas
medidas é 90°, conforme apresenta a Figura 9.

65°
25°
0 B o D
Figura 9 - Representação de ângulos complementares
Fonte: SENAI-RS
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
30

Ângulos suplementares: são dois ângulos cuja soma de suas medidas é 180°. Observe a Figura 10.

A
C 150°

30°
0 D
0 B
Figura 10 - Representação de ângulos suplementares
Fonte: SENAI-RS

2.7.2 OPERAÇÕES E APLICAÇÕES COM MEDIDAS DE ÂNGULOS

Quando você tiver que adaptar algum instrumento industrial às tubulações, poderá acontecer o caso de
a tubulação não estar no mesmo nível do instrumento. Nesse momento, você deve saber que o principal
recurso do instrumentista é a aplicação de montagens em ângulos.
Além disso, no processo de calibração de instrumentos em laboratório, utilizam-se manômetros
de coluna como referência. Nessa operação, o ângulo de inclinação do manômetro pode interferir nas
medidas. A Figura 11 apresenta a posição correta de utilização de manômetro de coluna.

a) b)
2 2

1 1

0 0

1 1

2 2

Figura 11 - Posições do manômetro de coluna: a) Incorreta; b) Correta


Fonte: SENAI-RS

Além disso, há muitas instalações e montagens de tubulações e instrumentos em que nem sempre
temos acesso a um determinado ponto para medição do ângulo. Nesse caso, precisamos medir o ângulo
do lado inverso, sendo necessário efetuar um cálculo de adição ou subtração, para que possamos definir o
ângulo final do instrumento.
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
31

CASOS E RELATOS

Um pequeno erro pode provocar grandes prejuízos


Durante um procedimento no laboratório de uma empresa de calibração, o manômetro de referência foi
posicionado em uma superfície desnivelada. O desnível causou o posicionamento errado do manômetro, gerando
um ângulo diferente de 90°, ocasionando uma medida de pressão diferencial incorreta. Consequentemente,
essa falha provocou a calibração do instrumento com valores errôneos. Esse pequeno descuido com o ângulo
na posição durante a calibração do instrumento apresentou um erro significativo, gerando um grande prejuízo
para a empresa. Portanto, caso você precise executar a calibração de instrumentos, principalmente em pequenas
pressões, observe a montagem da estrutura para o procedimento.

2.8 CÁLCULO DE ÁREA, PERÍMETRO E VOLUME

Nos processos de instrumentação, a aplicação dos conceitos e cálculos de área, perímetro e volume
são fundamentais para que você possa realizar a manutenção e a instalação de reservatórios, bem como
trabalhar com os instrumentos de medição.

2.8.1 ÁREA

A área é simplesmente a medida de uma superfície, expressada em m2. O cálculo da área depende do
formato da superfície que se deseja calcular. Na Figura 12, apresentamos as principais fórmulas para o
cálculo de áreas de superfícies planas.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
32

Quadrado
Retângulo h a

b a
A=bxh A = a2

Paralelogramo

h
Triângulo

b b
A =b x h A=bxh
2
b

d
Losango
Trapézio

B D

A=
(B+b)xh A= Dxd
2 2

c
Círculo

πd2
A = π r2 ou A=
4
Figura 12 - Fórmulas para o cálculo de áreas de superfícies planas
Fonte: SENAI-RS

CASOS E RELATOS

A importância do cálculo de áreas


No setor de manutenção de uma determinada empresa, os trabalhos de manutenção dos equipamentos
retirados de campo são realizados em bancadas. O supervisor da área, Sr. Mendonça, solicitou ao instrumentista,
Paulo, que fizesse a manutenção nas conexões de um reservatório, pois ele tinha amplos conhecimentos de
manutenção. Paulo chamou o carregador Luis para retirar e transportar o reservatório até uma das bancadas
do setor de manutenção. Assim, foram eles para o local onde o reservatório estava; retiraram e transportaram o
equipamento para uma das bancadas que ficava bem distante da área de operação.
Entretanto, quando eles chegaram ao setor de manutenção, tiveram uma surpresa desagradável: a bancada
era bem menor do que o reservatório, o que impossibilitava o serviço. Eles tiveram que levar de volta o
equipamento até o seu local de origem para esperar que a bancada maior fosse desocupada e, desse modo, o
serviço pudesse ser feito. Todo esse esforço poderia ter sido evitado se Paulo tivesse simplesmente calculado
a área da bancada e comparado essas dimensões com as medidas do reservatório, antes de iniciar o trabalho.
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
33

2.8.2 PERÍMETRO

A soma de todos os lados de uma figura representa o seu perímetro. Para o cálculo do perímetro do círculo, é
usada a fórmula: 2 π r, sendo o valor de π = 3,1415. Normalmente, o cálculo do perímetro é utilizado para saber
a quantidade de material necessário para recobrir ou contornar uma determinada forma.
Exemplo prático: uma tubulação de água de 1 m de comprimento e 0,6 m de raio precisa ser recoberta
com um material isolante, a fim de manter a temperatura estável por mais tempo. A Figura 13 ilustra a
tubulação que precisa ser revestida.

0,6 m

1m
Figura 13 - Tubulação com as medidas para calcular o perímetro
Fonte: SENAI-RS

Se você fosse chamado para fazer esse serviço, deveria calcular a quantidade de material isolante que
deveria ser usado para o trabalho. A fórmula que você deveria utilizar para o cálculo é a seguinte: P = 2 π r.
Aplicando as medidas à fórmula, temos:
P=2πr
P = 2 x 3,1415 x 0,6
P = 3,7698 m
Portanto, para recobrir a tubulação, é necessário que o material isolante tenha as seguintes dimensões
de 1 m x 3,1415 m, conforme mostra a Figura 14.

1m

3,7698 m

Figura 14 - Dimensões do material isolante


Fonte: SENAI-RS

2.8.3 VOLUME

A palavra volume pode ter muitas definições, mas, para a matemática, representa o espaço ocupado
por um corpo. O cálculo de volume é necessário para saber a capacidade que um determinado sólido tem
de ser preenchido com algum tipo de substância. Na área de instrumentação, geralmente, se trabalha com
o cálculo de volume para definir a capacidade de certos recipientes armazenarem líquidos. A unidade de
medida de volume pelo Sistema Internacional de Unidades (SI) é o metro cúbico (m3).
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
34

Exemplo prático: qual seria o volume de um reservatório que tivesse a forma de um bloco retangular, similar
a um paralelepípedo. Primeiramente, temos que saber que o volume do paralelepípedo é calculado conforme a
fórmula: V = a x b x c, expressada na Figura 15.

a
b
Figura 15 - Bloco retangular
Fonte: SENAI-RS

A Figura 16 apresenta a ilustração desse reservatório e suas respectivas medidas.

c = 2, 5 m

b=2m
a=4m
Figura 16 - Dimensões do reservatório
Fonte: SENAI-RS

Agora, aplicando as medidas à formula, temos:


V=axbxc
V = 4 x 2 x 2,5
V = 20 m3
Exemplo prático: imagine que você tenha que definir o volume de um reservatório cilíndrico.
Primeiramente, temos que saber que o volume do cilindro é calculado conforme a fórmula: V = π r2 h,
expressada na Figura 17.

r
h

Figura 17 - Reservatório do cilindro


Fonte: SENAI-RS
2 FUNDAMENTOS DA MATEMÁTICA
35

A Figura 18 apresenta a ilustração desse reservatório cilíndrico e suas respectivas medidas.


d=6m

h=5m

Figura 18 - Dimensões do reservatório


Fonte: SENAI-RS

Agora, aplicando as medidas à formula, sabendo que o raio é a metade do diâmetro, temos:
V = π r2 h
V = 3,14 x 32 x 5
V = 141,37 m3

O número π é a razão entre o perímetro de uma circunferência e o seu diâmetro, ou


VOCÊ seja,
perímetro 2 π r
= = π.
Pode-se verificar que para qualquer valor de raio a resposta
SABIA? diâmetro 2r
será sempre a mesma, 3,141592...

RECAPITULANDO

Nesse capítulo, percebemos a importância da aplicação dos conceitos e das fórmulas matemáticas
para resolver questões fundamentais da prática diária da instrumentação industrial. Aprendemos que as
operações básicas da matemática são muito úteis no momento em que o instrumentista tiver que converter
unidades, calcular ângulos, definir a proporção e o volume de reservatórios, e compreender as tolerâncias
de medidas de conexões e seus tamanhos. Entendemos, também, que o cálculo de área e do perímetro são
conhecimentos importantes para o trabalho do instrumentista.
FUNDAMENTOS DA METROLOGIA

A metrologia é a ciência da medição e de suas aplicações, reunindo todos os aspectos


teóricos e práticos da medição, independentemente do campo de aplicação. Na área da
instrumentação, o entendimento dos fundamentos físicos e suas respectivas formas de
medição são imprescindíveis para a manutenção dos processos industriais.
Por isso, compreender os fundamentos básicos das principais grandezas físicas aplicadas
à instrumentação, saber utilizar os instrumentos de medidas e entender o comportamento
de uma variável em diversas situações, para que seja possível o seu controle, são requisitos
essenciais para que você trabalhe como instrumentista industrial em qualquer empresa.

SAIBA Para mais informações sobre metrologia e eventos relacionados, acesse o site
MAIS da Sociedade de Metrologia: http://www.metrologia.org.br/nw/index.php.

3.1 SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES

Na instrumentação, trabalhamos com uma variedade de unidades de medidas. Há cerca de


200 anos, as unidades de medidas não eram padronizadas, o que provocava grande confusão
no meio científico. Então, foi criado o Sistema Internacional de Unidades (SI), para facilitar a
comunicação científica entre os países.
Atualmente, no Brasil e na maioria dos países, o sistema de unidades adotado oficialmente é o
SI. De acordo com o SI, há sete unidades fundamentais, conforme apresenta o Quadro 5, a seguir.

UNIDADES FUNDAMENTAIS DO SI
GRANDEZA NOME SÍMBOLO
comprimento metro m
massa quilograma kg
tempo segundo s
intensidade de corrente elétrica ampere A
temperatura termodinâmica kelvin K
quantidade de matéria mol mol
intensidade luminosa candela cd
Quadro 5 - Unidades do SI
Fonte: SENAI-RS
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
38

As unidades de outras grandezas derivam das unidades fundamentais e são denominadas unidades
derivadas. No estudo da mecânica, utiliza-se um subconjunto do SI conhecido como sistema MKS. Veja
esse sistema no Quadro 6.

SISTEMA MKS
COMPRIMENTO MASSA TEMPO
M K S
m (metro) kg (quilograma) s (segundos)
Quadro 6 - Unidades do sistema MKS
Fonte: SENAI-RS

Podemos observar que no sistema MKS, as letras utilizadas como sigla são as representações das
unidades metro, quilograma e segundos.

O metro é definido como sendo o comprimento do trajeto percorrido pela luz no


1
VOCÊ vácuo, durante um intervalo de tempo de
299.792.458
de segundo. Já o segundo é
SABIA? definido como a duração de 9 192 631 770 períodos da radiação correspondente à
transição entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133.

3.1.1 PREFIXOS DE UNIDADES DO SISTEMA INTERNACIONAL DE UNIDADES

O Quadro 7 apresenta os prefixos utilizados nos múltiplos e submúltiplos das unidades de medidas, de
acordo com regulamentação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO).

NOME SÍMBOLO FATOR DE MULTIPLICAÇÃO


exa E 1018
peta P 1015
tera T 1012
giga G 109
mega M 106
quilo k 103
hecto h 102
deca da 10
deci d 10-1
centi c 10-2
mili m 10-3
micro μ 10-6
nano n 10-9
pico p 10-12
fento f 10-15
atto a 10-18
Quadro 7 - Prefixos utilizados nos múltiplos e submúltiplos das unidades de medidas
Fonte: ADAPTADO DE INMETRO, 2007
3 FUNDAMENTOS DA METROLOGIA
39

Os prefixos são colocados antes das unidades de medida para uma melhor representação das grandezas,
sem a necessidade de utilizar muitas casas decimais.

SAIBA Para mais informações sobre o Sistema Internacional de Unidades, acesse: http://
MAIS www.inmetro.gov.br/noticias/conteudo/sistema-internacional-unidades.pdf

3.2 MEDIDAS DE COMPRIMENTO

Medir uma grandeza física significa compará-la a outra grandeza de mesma espécie, tomada como
padrão. Esse padrão é a unidade de medida. Vamos analisar alguns aspectos importantes relativos às
medidas de comprimento que são importantes para o instrumentista industrial.

3.2.1 UNIDADES DE COMPRIMENTO

O metro é a unidade de comprimento do Sistema Internacional de Unidades. No Quadro 8, apresentamos


as unidades de comprimento, seus símbolos e os valores correspondentes na unidade metro.

NOME SÍMBOLO VALOR CORRESPONDENTE


quilômetro km 1000 m
hectômetro hm 100 m
decâmetro dam 10 m
metro m 1
decímetro dm 0,1 m
centímetro cm 0,01 m
milímetro mm 0,001 m
Quadro 8 - Unidades de comprimento, símbolos e valores
Fonte: SENAI-RS

Observando o Quadro 6, constatamos que cada unidade de comprimento equivale a 10 vezes a unidade
imediatamente inferior, sendo também igual a um décimo da unidade imediatamente superior.
Para converter uma unidade de comprimento para outra imediatamente inferior, deslocamos a vírgula
um algarismo para a direita ou multiplicamos o número por 10. Como regra, podemos estabelecer que, para
converter uma unidade de comprimento para outra inferior, desloca-se a vírgula de um em um algarismo
para a direita.

7,914 m = 791,4 cm
7,914 m = 791,4 cm
Km hm dam m dm cm mm
Km hm dam m dm cm mm
7 9 1, 4
7 9 1, 4

9,14 dm = 914 mm
9,14 dm = 914 mm
Km hm dam m dm cm mm
Km hm dam m dm cm mm
9, 1 4
9, 1 4
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
40

SAIBA Para saber mais sobre conversões acesse: http://www.convertworld.com/pt/


MAIS comprimento/

Para converter uma unidade de comprimento para outra imediatamente superior, devemos deslocar
a vírgula de um algarismo para a esquerda ou dividir por 10. Como regra, podemos estabelecer que, para
converter uma unidade de comprimento para outra imediatamente superior, desloca-se a vírgula de um
em um algarismo para a esquerda.

85000 cm = 8,5 hm
Km hm dam m dm cm mm
8, 5 0 0 0

5800 cm = 5,8 dam


Km hm dam m dm cm mm
5, 8 0 0

A correta conversão de unidades métricas e inglesas na área industrial é de


FIQUE fundamental importância. Como os fabricantes trabalham com as normalizações
ALERTA vigentes de seu país, são utilizadas unidades de medidas diferentes, conforme seu
país de origem.

3.2.2 POLEGADA

A polegada é uma unidade de medida do sistema inglês de comprimento, baseado na jarda imperial
(Yard). Esse sistema é bastante utilizado na área instrumentação, devido ao fato de muitos equipamentos
serem importados de países de língua inglesa. Uma polegada é equivalente a 25,4 mm.
A leitura de medida em polegada pode ser dada em frações, nas quais o denominador pode assumir os
seguintes valores: 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128. As divisões da polegada são:
• 1/2” - meia polegada;
• 1/4” - um quarto de polegada;
• 1/8” - um oitavo de polegada;
• 1/16” - um dezesseis avos de polegada;
• 1/32” - um trinta e dois avos de polegada;
• 1/64” - um sessenta e quatro avos de polegada;
• 1/128” - um cento e vinte e oito avos de polegada.
3 FUNDAMENTOS DA METROLOGIA
41

Conversão de polegadas em milímetros

Para você converter polegadas inteiras em milímetros deve multiplicar o valor da polegada pelo seu
valor equivalente (25,4 mm).
Exemplo:
3” = 3 x 25,4 = 76,2 mm
Para você converter polegadas fracionárias em milímetros, o primeiro passo é transformar a polegada
fracionária em polegada milesimal. Para isso, deve-se dividir o numerador pelo denominador e somar com
o valor da polegada inteira. O segundo passo é multiplicar esse valor pelo valor equivalente da polegada
(25,4 mm).
Exemplo:
1” 1”
5 = 5+ = 5,125
8 8
5,125 x 25,4 = 130,175 mm

Como você observou nesse exemplo, é necessário transformar o valor fracionário de polegada, que é
representado por um número misto, em uma fração, antes de executar a conversão.

Conversão de milímetros em polegadas

Para você converter milímetros em polegadas deve-se dividir a medida em milímetros pelo seu valor
equivalente (25,4 mm).
Exemplo:
130,175
130,175 mm =
25,4

Nesse exemplo, observe que para resolver a fração 130,175 deve-se transformar a fração em número
25,4
misto, resultando em 5 3,175 . A fração 3,175 é simplificada da seguinte maneira: os dois termos (numerador
25,4 25,4
e denominador) são divididos por 3,175 resultando em 1” .
8
3,175 1”
5 =5
25,4 8

Agora, vamos ver uma conversão de milímetros em polegadas que é bastante utilizada na indústria, a
1”
conversão de 38,1 mm para 1 .
2
Exemplo:
38,1 12,7 1”
38,1 mm = =1 =1
25,4 25,4 2
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
42

CASOS E RELATOS

Um descuido com medidas provocou sérios problemas


Em uma empresa de alimentos de médio porte, houve a necessidade de substituição do manômetro
de uma das caldeiras da linha de produção. O instrumentista Marcos ficou responsável por realizar essa
operação. Para tanto, ele solicitou a compra do manômetro e, quando o manômetro chegou à empresa,
Marcos foi informado que o instrumento estava disponível para realizar o serviço.
Ele foi até o estoque, pegou o manômetro e solicitou a parada de produção para substituir o instrumento
antigo pelo novo, mas, no momento de instalar o manômetro, ocorreu um problema: as conexões do
manômetro eram de uma polegada e meia e a conexão da tubulação da caldeira era de uma polegada. O
resultado desse descuido, por parte do instrumentista Marcos, provocou prejuízos com a parada desnecessária
da linha de produção e com a aquisição de um instrumento que não poderia ser utilizado. Todo esse problema
poderia ter sido evitado, se o instrumentista tivesse especificado as dimensões corretas do manômetro.

3.3 MEDIDAS DE MASSA

Muitas pessoas confundem massa com peso. Não caia nesse erro, pois a massa é uma medida da inércia
de um corpo, ou seja, a massa é definida como a quantidade de matéria que um corpo possui. Desse modo,
é a massa que é medida por meio de balanças. Já o peso é uma grandeza vetorial, é a força resultante da
interação gravitacional entre esse corpo e algum outro em sua vizinhança.
Essa confusão entre massa e peso acontece com muita frequência no dia a dia. Veja a Figura 19 que
ilustra muito bem a relação entre massa e peso.

A UM
VOCÊ ESTÁ QUERO QUE VOCÊ PERÇA EI,
PLANETA
MUITO GORDO. PESO. OUVIU BEM? AONDE
ONDE A
ESTOU VAI?
GRAVIDADE
OUVINDO. FALOU. SEJA MENOR.

Figura 19 - Relação entre massa e peso


Fonte: SENAI-RS
3 FUNDAMENTOS DA METROLOGIA
43

A unidade de medida de massa pelo SI é o quilograma (kg), que é um múltiplo do grama (g). Para
facilitar a representação da unidade podemos trabalhar com outros múltiplos e submúltiplos do grama,
conforme demonstrado no Quadro 9.

NOME SÍMBOLO VALOR CORRESPONDENTE


quilograma kg 1000 g
hectograma hg 100 g
decagrama dag 10 g
grama g 1
decigrama dg 0,1 g
centigrama cg 0,01 g
miligrama mg 0,001 g
Quadro 9 - Múltiplos e submúltiplos do grama
Fonte: SENAI-RS

VOCÊ A massa de uma pessoa é a mesma em qualquer lugar da terra ou em qualquer outro
planeta, porém o peso varia de acordo com a gravidade do local em que a pessoa
SABIA? está. A gravidade da lua, por exemplo, é seis vezes menor do que a da terra.

RECAPITULANDO

Nesse capítulo, vimos que o Sistema Internacional de Unidades é o padrão das unidades de medidas de
diversas grandezas. A forma de apresentação dessas unidades pode vir acompanhada de prefixos que facilitam
a leitura de seus valores. Por isso, a padronização das unidades e sua forma de apresentação são essenciais
para a demonstração das variações de valores das grandezas envolvidas em um determinado processo, na
área da instrumentação. Aprendemos, também, que a grandeza mais conhecida é o comprimento e, por fim,
conhecemos o sistema de conversão entre unidades métricas e inglesas.
FUNDAMENTOS DA FÍSICA

Para que você possa reconhecer e trabalhar com os princípios físicos (pressão, força,
área, volume, massa e movimento) aplicáveis aos sistemas de instrumentação, deveremos
compreender alguns fundamentos da física e da eletricidade. Todos esses conhecimentos
serão fundamentais para o seu dia a dia como instrumentista industrial.

4.1 GRANDEZAS ELÉTRICAS

A eletricidade é a área da física que estuda os fenômenos relacionados à eletrostática e ao


eletromagnetismo. Por isso, estudaremos agora as principais grandezas elétricas para que você
compreenda o funcionamento dos circuitos elétricos.

4.1.1 CORRENTE ELÉTRICA

A corrente elétrica é o fluxo ordenado de partículas portadoras de carga elétrica ou, também,
pode ser o deslocamento de cargas dentro de um condutor, quando há uma diferença de
potencial elétrico entre as extremidades. Esse deslocamento de cargas procura restabelecer
o equilíbrio desfeito pela ação de um campo elétrico ou outros meios, como reação química,
atrito, luz, entre outros.
O sentido do fluxo de cargas positivas, que é o movimento das cargas do polo positivo para
o polo negativo, foi definido, no início da história da eletricidade, como sendo o sentido da
corrente elétrica. Essa definição do sentido dos fluxos de cargas é utilizada até os dias de hoje,
chamado de sentido convencional da corrente. A unidade de medida de corrente elétrica pelo
SI é o ampere (A), e a representação da grandeza elétrica de corrente é a letra I. A Figura 20
ilustra um circuito elétrico que apresenta tensão (U), corrente (I) e resistência (R).
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
46

I U

Figura 20 - Sentido de corrente (I) convencional


Fonte: SENAI-RS

O ampere (A), que tem esse nome como homenagem ao físico, filósofo, cientista
VOCÊ e matemático André-Marie Ampère, equivale ao fluxo de 6,25 x 1018 elétrons por
SABIA? segundo.

Para a medição de corrente elétrica utilizamos o instrumento amperímetro fixo integrado em um


quadro de comando ou o alicate amperímetro. O amperímetro é um aparelho que funciona em um estado
de baixa impedância para que não interfira no funcionamento do circuito. Isso se deve ao fato de que para
se obter o valor correto de corrente em determinado ponto do circuito é necessário que a corrente circule
por dentro do aparelho. A Figura 21 apresenta um exemplo de alicate amperímetro e de amperímetro fixo.

A 400 500
300
200
100

Figura 21 - Alicate amperímetro e amperímetro fixo


Fonte: SENAI-RS

4.1.2 TENSÃO ELÉTRICA

A tensão elétrica é definida como a diferença de potencial elétrico entre dois pontos. Sua unidade de
medida pelo SI é volt (V), em homenagem ao físico italiano Alessandro Volta. Podemos fazer a seguinte
analogia: a tensão elétrica é a “força” responsável pela movimentação de elétrons. Portanto, a tensão é a
tendência que uma carga tem de ir de um ponto para o outro. Normalmente, toma-se um ponto que se
considera de tensão igual a zero (referência) e mede-se a tensão do restante dos pontos em relação a esse.
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
47

A representação da grandeza elétrica de tensão é dada pela letra E. Também


FIQUE encontramos muitas bibliografias utilizando a letra U ou V, porém, tome cuidado ao
ALERTA utilizar a letra V para não confundir com a unidade de medida volt, que também é
representada pela letra V.

Para a medição de tensão elétrica utilizamos o instrumento integrado ao quadro de comando elétrico
chamado voltímetro. Essa medição corresponde à diferença do potencial elétrico existente entre dois
pontos. A unidade de medida de tensão elétrica é o volt, representado pela letra V. O voltímetro funciona
em um estado de alta impedância, pois, como sua função é medir a diferença de potencial entre dois
pontos, é necessária uma alta impedância devido ao fato de que quanto maior a resistência, maior a queda
de tensão no componente. A Figura 22 ilustra um exemplo de um voltímetro fixo.

V 200
250

150
100

50
0

Figura 22 - Voltímetro fixo


Fonte: SENAI-RS

4.1.3 RESISTÊNCIA ELÉTRICA

A resistência é a característica elétrica dos materiais em oposição à passagem da corrente elétrica, que
é provocada pela dificuldade dos elétrons livres se movimentarem pela estrutura atômica do material. Na
área eletroeletrônica, as resistências que são utilizadas recebem o nome de resistores. O valor da resistência
depende da natureza dos materiais, de suas dimensões e da temperatura.
Para que você possa calcular a resistência, deve utilizar a seguinte fórmula:

L
R=ρ
A

Em que:
R = Resistência Elétrica (Ω);
ρ = Resistividade do material (Ωm);
L = Comprimento (m);
A = Área da secção transversal (m2).
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
48

Um fenômeno que podemos relacionar com as grandezas de resistência e corrente


VOCÊ elétrica é o efeito Joule, provocado pelo choque dos elétrons que passam a vibrar
SABIA? com mais intensidade, aumentando a temperatura do material.

4.1.4 POTÊNCIA ELÉTRICA

É a capacidade de realizar trabalho (J) em uma determinada unidade de tempo (s). A unidade da potência
é joules por segundo (J/s) ou watts (W). Ela transforma energia elétrica em outros tipos de energia, tais
como energia calorífica (forno), energia mecânica (motor), energia luminosa (lâmpada), entre outros.
Como a potência é proporcional à tensão e à corrente aplicadas a um resistor, podemos dizer que:
potência = tensão x corrente. Traduzindo essa conclusão para uma fórmula matemática, temos:
P=ExI
Em que:
P – potência em watts (W);
E – tensão elétrica em volts (V);
I – corrente elétrica em ampere (A).
A potência elétrica define a energia dissipada por um resistor em um determinado tempo. O cálculo da
energia gasta nesse período ocorre pela multiplicação da potência, dissipada durante esse tempo, pelo
intervalo de tempo. Desse modo, temos:
Energia = potência x tempo
Em que as unidades de medidas são:
• energia é dada em joule;
• potência é dada em watts;
• tempo em segundos.
Por ser uma unidade de medida de energia muito pequena, na prática, a unidade mais utilizada é o
quilowatt/hora (kWh). Note que a unidade de potência é dada em quilowatt e o tempo, em hora. Veja a
aplicação dessa equação nos exemplos a seguir:
Exemplo prático: Em uma determinada empresa, um gerador de corrente contínua com uma
tensão de 50 V fornece uma corrente de 10 A ao circuito externo. Você deve determinar a potência,
desprezando a resistência interna do gerador:
P=ExI
P = 50 V x 10 A
P = 500 W
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
49

Exemplo prático: A corrente solicitada por um motor de corrente contínua é de 75 A. Seu supervisor
informa que a tensão nos terminais do motor é 230 volts e solicita que você calcule qual é a potência de
entrada do motor em KW:
P=ExI
P = 230 V x 75 A
P = 17.250 W
P = 17,25 KW
Exemplo prático: Em outro caso, seu supervisor lhe informa que um gerador de corrente contínua
apresenta os seguintes características: 150 KW e 220 V. Ele pede que você calcule a corrente nominal do
gerador:

P=ExI
P
I=
E
150000 W
I=
220 V
I = 681,81 A

Exemplo prático: Em sua casa, o chuveiro consome 30 A para produzir uma potência de 6.500 W. Com
esses dados, você deve definir qual é a tensão necessária para essa potência:
P=ExI
P
E=
I
6500 W
E=
30 A
E = 216,67 V

Há outras formas de se calcular a potência em função da resistência e da corrente. A fórmula da potência


em função da resistência e corrente é P = R x I2. A fórmula da potência em função da resistência e tensão,
2
sendo a unidade da resistência dada em ohms é: P = E .
R

VOCÊ Em corrente alternada, a potência pode ser dada também em Volt Ampere (VA) e Volt
SABIA? Ampere Reativo (VAR).
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
50

4.1.5 RESISTIVIDADE

A resistividade elétrica é uma constante de proporcionalidade que caracteriza o tipo de material que é
feito um condutor elétrico. Essa grandeza varia com a temperatura.
ρ = ρ0 x [ 1 + α x ∆ t ]
Em que:
ρ = Resistividade do material a determinada temperatura (Ω m);
ρ0 = Resistividadde do material a temperatura de referência (Ω m)1;
α = Coeficiente de temperatura do material (°C(-1));
∆t = Variação de temperatura (°C).
A característica do material, relacionada à equação da resistência, corresponde à resistividade do
material. A resistividade dos materiais possuem seus valores tabelados. Observe o Quadro 10.

MATERIAL RESISTIVIDADE A 20 °C (Ω. m)


Aço (0,4; 0,5% C) 0,000013 – 0,000022
Alumínio 0,0000028
Bronze fósforo (4%Sn, 95,5% Cu) 0,0000094
Carbono (forma de grafite) 0,0014
Chumbo 0,0000219
Cobre (comercial) 0,0000017241
Constantan (55% Cu, 45% Ni) 0,0000442
Estanho 0,0000114
Ferro 0,00000011
Latão (66% Cu, 34%Zn) 0,0000039
Mercúrio 0,0000958
Níquel 0,0000069
Prata 0,00000162
Tungstênio 0,00000548
Zinco 0,000006
Ouro 0,0000000172
Quadro 10 - Resistividade de alguns materiais a 20 °C
Fonte: SENAI-RS

4.1.6 CONDUTIVIDADE

A condutividade é a capacidade de condução de corrente elétrica que o material possui. A condutividade


é o inverso da resistividade, conforme apresente a seguinte fórmula:

1
σ=
ρ

1 É geralmente 20°C (tabelado)


4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
51

Em que:
σ = Condutividade do material (S/m);
ρ = Resistividade do material (Ω m).
Assim como a condutividade é o inverso da resistividade, a condutância é o inverso da resistência,
conforme apresenta a seguinte fórmula:
1
G=
R
Em que:
G = Condutância do material (S);
R = Resistência elétrica do material (Ω).

VOCÊ No SI, a unidade de medida de condutância é o siemens (S), em homenagem a Ernst


SABIA? Werner von Siemens (1822-1896), o pai da engenharia elétrica na Alemanha.

4.2 MATERIAIS CONDUTORES

Em alguns materiais, certas cargas negativas podem mover-se livremente, como nos metais, na água e no
corpo humano. Denominamos tais materiais de condutores. Em outros materiais, tais como borracha, vidro
e plástico, nenhuma carga pode mover-se livremente. Esses materiais são chamados de não condutores ou
isolantes. Desse modo, condutores são todos os materiais que possibilitam a circulação de corrente elétrica
com facilidade.

FIQUE Por motivos de segurança, não entre em contato com cabos e fios de instalações
ALERTA elétricas que estejam sem isolação antes de garantir que estejam desenergizados.

4.3 MATERIAIS ISOLANTES

Os materiais isolantes são materiais que apresentam resistência à passagem da corrente elétrica.
Vale lembrar que nenhum material é um isolante perfeito, pois a característica isolante está diretamente
relacionada a sua rigidez dielétrica, que define um limite de tensão que o material suporta sem conduzi-la.
Ultrapassando esse limite, o material começa a apresentar características de condutor, liberando elétrons
para circular em sua estrutura.

Os condutores elétricos são um bom exemplo de utilização dos materiais condutores


VOCÊ e isolantes, pois o material condutor está envolto em um material isolante, para que a
SABIA? circulação de corrente elétrica ocorra sem que o material condutor esteja em contato
com o meio externo, a fim de evitar acidentes como o choque elétrico.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
52

4.4 MATERIAIS RESISTORES

Dentre os materiais resistores utilizados na área da eletricidade, o mais conhecido é o próprio resistor.
Os resistores são componentes construídos para apresentar um determinado valor de resistência elétrica.
Os materiais mais utilizados em sua construção são carbono, metais e ligas. A função dos resistores é limitar
a intensidade de corrente elétrica por meio de determinados componentes. A Figura 23 apresenta os
componentes que formam o resistor.

Filme de carvão
Terminal helicoidal
( tampa ) Cobertura isolante
Terminal
( fio )

Tubo Cerâmico
Figura 23 - Resistor e componentes
Fonte: SENAI-RS

4.4.1 SIMBOLOGIA

A simbologia adotada no Brasil para os resistores segue as normas estabelecidas pela Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT) que é o órgão responsável pela normatização técnica no país. A Figura 24 representa
o modelo adotado pela ABNT.

ABNT
Figura 24 - Simbologia para resistores adotada pela ABNT
Fonte: ABNT, 2014

4.4.2 CÓDIGO DE CORES DOS RESISTORES

Os valores de resistência dos resistores em ohms (Ω) podem ser reconhecidos pelas cores das faixas,
observando a ordem em que aparecem. Cada cor possui uma posição no corpo do resistor e representa um
número. A Figura 25 ilustra o código de cores dos resistores em relação aos seus valores em ohms.
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
53

2% . 5%. 10% 560 k Ω + 5%

COR 1ª BANDA 2ª BANDA 3ª BANDA MULTIPLICADOR TOLERÂNCIA


PRETO 0 0 0 1Ω
MARROM 1 1 1 10 Ω ±1% (F)
VERMELHO 2 2 2 100 Ω ±2% (G)
LARANJA 3 3 3 1K Ω
AMARELO 4 4 4 10 K Ω
VERDE 5 5 5 100 k Ω ±0,5% (D)
AZUL 6 6 6 1M Ω ±0,25% (C)
VIOLETA 7 7 7 10 M Ω ±0,1% (B)
CINZA 8 8 8 ±0,05%
BRANCO 9 9 9
DOURADO 0,1 ±5% (J)
PRATEADO 0,01 ±10% (K)

0.1%. 0.25%.0,5%.1% 237Ω + 1%

Figura 25 - Código de cores dos resistores em relação aos seus valores em ohms
Fonte: FERRAZ NETTO, 1999.

Exemplo prático: veja a explicação sobre cada faixa de um resistor de acordo com as definições de
cores. A Figura 26 ilustra esse resistor e, a seguir, temos o detalhamento de cada uma de suas faixas.

Tolerância
4 7 00 Ouro

±5%
Primeiro Dígito
Amarelo Multiplicador
Vermelho
Segundo Dígito
Violeta

Figura 26 - Detalhamento de faixas de um resistor


Fonte: SENAI-RS

• primeira faixa: amarela, assim o primeiro dígito é 4;


• segunda faixa: violeta, assim o segundo dígito é 7;
• terceira faixa: vermelha, chamado de multiplicador. O número associado à cor do multiplicador nos
informa quantos zeros devem ser colocados após os dígitos que já temos;
• quarta faixa: ouro, representa a faixa de tolerância. Ela nos informa a precisão do valor real da resistência
em relação ao valor lido pelo código de cores. Isso é expresso em termos de porcentagem.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
54

4.4.3 ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES

A associação de resistores organiza, em um circuito, conjuntos de resistores interligados. A associação varia o


seu comportamento de acordo com a ligação entre os resistores. Os tipos de associações possíveis são: em série,
em paralelo e mista.

Associação em série

Na associação em série, todos os resistores são percorridos pela mesma corrente elétrica. Os resistores
são ligados um após o outro, havendo apenas um caminho para a corrente elétrica. Observe a Figura 27 que
exemplifica esse processo.

A R1 R2 R3 B

Figura 27 - Circuito série


Fonte: SENAI-RS

O valor da resistência equivalente é dado pela soma das resistências dos resistores que constituem a
série. A equação para esse cálculo é a seguinte:
Req = R1 + R2 + R3 + R4 + R...

Associação em paralelo

Esse tipo de associação corresponde a um conjunto de resistores ligados em paralelo, de modo que
todos recebem a mesma diferença de potencial. Nessa associação, há dois ou mais caminhos para a
corrente elétrica. A corrente elétrica total do circuito não percorre todos os resistores. Observe a Figura 28.

R1

i1

A R2 B

i2
R3

i3

Figura 28 - Circuito paralelo


Fonte: SENAI-RS
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
55

O valor da resistência equivalente do circuito paralelo é dado pela seguinte equação:


1 1 1 1
= + +
Req R1 R2 R3

Associação mista

Na associação mista de resistores, é encontrado o valor para a resistência equivalente. Para isso devemos
considerar cada associação (série ou paralelo) separadamente, sendo que todas as propriedades descritas
anteriormente são válidas para as associações mistas. A Figura 29 exemplifica esse tipo de associação.
R2

A R1 i1 B

i R3

i2
Figura 29 - Circuito misto
Fonte: SENAI-RS

A fórmula da associação mista é a seguinte:


1
Req = R1 +
1 1
+
R2 R3

4.5 LEI DE OHM

A Lei de Ohm estabelece a relação existente entre as grandezas elétricas de tensão, corrente e resistência.
Essa é a principal lei utilizada na área da eletricidade. Desse modo, você trabalhará com a Lei de Ohm
para calcular circuitos elétricos e verificar a relação entre corrente, tensão e potência de motores, bombas,
resistências, entre outros.

4.5.1 PRIMEIRA LEI DE OHM

A primeira Lei de Ohm afirma que ao percorrer um resistor (R), a corrente elétrica (I) é diretamente
proporcional à tensão (E).

E E
E=RxI I= R=
R I

Lembrando que:
R = Resistência (ohms);
I = Intensidade da corrente (amperes);
E = Diferença de potencial ou tensão (volts).
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
56

A resistência (R) é uma constante de proporcionalidade que tem como unidade no SI o ohm (Ω), em
homenagem ao físico Georg Simon Ohm, que propôs a lei. Pode-se afirmar que um material que constitui
os dispositivos condutores, obedece à Lei de Ohm quando sua resistividade é independente do campo
elétrico aplicado ou da densidade de corrente escolhida.

4.5.2 SEGUNDA LEI DE OHM

A segunda Lei de Ohm afirma que, para um condutor homogêneo de comprimento L e área de secção
transversal A, a resistência entre os extremos desse fio condutor pode ser calculada. Observe a ilustração
de um condutor homogêneo na Figura 30.

Figura 30 - Condutor de cobre


Fonte: SENAI-RS

A fórmula da segunda Lei de Ohm é a seguinte:

L
R=ρ
A

Em que:
R é a resistência do condutor (Ω);
ρ é a resistividade elétrica do material (Ω m);
L é o comprimento do fio condutor (m);
A é a área da secção transversal do fio (m²).
O dimensionamento do condutor que servirá a uma instalação deve, primeiramente, levar em
consideração a corrente que será conduzida e, posteriormente, considerar a queda de tensão admissível
no circuito. Os fabricantes de condutores fornecem tabelas para a escolha da secção em função da corrente
do circuito elétrico. Observe a Quadro 11.
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
57

SEÇÃO DIÂMETRO RESISTÊNCIA CORRENTE CORRENTE BITOLA DOS


DOS ELÉTRICA MÁX. P/ ATÉ 3 MÁX. P/ ATÉ 3 ELETRODUTOS
FIOS E MÁXIMA CONDUTORES CONDUTORES P/ ATÉ 3
CABOS ISOLADOS AO NO CONDUTORES
AR LIVRE ELETRODUTO ISOLADOS
mm2 mm Ohms/Km Amperes Amperes Polegadas
0,50 0,80 3,60 6,5 6,0 1/2
0,75 0,98 2,45 10,00 9,0 1/2
1,00 1,13 1,81 13,5 12,0 1/2
1,50 1,38 1,21 17,5 15,5 1/2
2,50 1,78 7,41 24,00 21,0 1/2
4,00 2,25 4,61 32,00 28,0 1/2
6,00 2,76 3,08 41,00 36,0 1/2
10,00 3,57 1,83 57,00 50,0 1.0
16,00 4,50 1,15 76,00 68,0 1.1/4
25,00 5,65 0,727 101,00 89,0 1.1/4
35,00 6,70 0,524 125,00 111,0 1.1/2
50,00 8,00 0,387 151,00 134,0 2.0
70,00 10,70 0,268 192,00 171,0 2.0
95,00 12,60 0,193 232,00 207,0 2.1/2
120,00 14,20 0,153 269,00 239,0 2.1/2
150,00 15,75 0,124 309,00 272,0 3.0
185,00 17,65 0,0991 353,00 310,0 4.0
240,00 20,25 0,0754 415,00 364,0 4.0
300,00 22,68 0,0601 473,00 419,0 4.0
Quadro 11 - Quadro milimétrico de fios com a corrente máxima suportada
Fonte: ADAPTADO DE ELETRODIGITAL, 2012

Outro modo de se obter a secção dos condutores é feita a partir da queda de tensão, utilizando as
fórmulas a seguir:
2xIxl
Para sistema monofásico: S =
56 x u

√3 x I x l
Para sistema trifásico: S =
56 x u
Em que:
S é a secção em mm2;
I a corrente em amperes;
u queda de tensão absoluta em volts;
l distância ao gerador em metros.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
58

4.6 CORRENTE CONTÍNUA

A corrente contínua caracteriza-se por manter a mesma polaridade e o mesmo valor, de forma que
a corrente elétrica no circuito tem sempre o mesmo sentido. Não possui ponto de valor máximo e valor
mínimo. É comumente chamada de Direct Current (DC) ou Corrente Contínua (CC), conforme mostra a
Figura 31.

I (A)

t (s)
Figura 31 - Gráfico de corrente contínua
Fonte: SENAI-RS

Esse tipo de energia é fornecido por baterias e fontes específicas. Na área industrial, é comum a utilização
de fontes chaveadas de alimentação que convertem a energia elétrica de corrente alternada em corrente
contínua, por meio de um circuito eletrônico.

4.7 CORRENTE ALTERNADA

Algumas grandezas físicas apresentam um comportamento ondulatório em que seu valor e sua
polaridade sofrem alternâncias em relação ao tempo, segundo uma lei definida. Os fenômenos ondulatórios
possuem algumas características que são comuns a todas as formas de ondas, como: ciclo, amplitude,
comprimento de onda, período e frequência, que veremos na Figura 32.

À - lambda
Comprimento de onda

crista

amplitude

vale
Figura 32 - Comportamento ondulatório
Fonte: SENAI-RS

Em relação à Figura 32, temos as seguintes explicações:


4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
59

• ciclo: onda representada, cujo valor começa em zero, alcança o valor máximo negativo, depois vai
crescendo, passa pelo zero, assume o valor máximo positivo e retorna novamente a zero. Essa variação
completa de valores chama-se ciclo;
• amplitude: também conhecida como a altura da onda, é a distância entre o eixo da onda até o ponto de
valor máximo. Quando esse valor ocorrer no segmento positivo, é denominado de crista e se ocorrer
no segmento negativo, é denominado de vale. Quanto maior a amplitude, maior será a quantidade de
energia transportada pela onda;
• comprimento de onda: é o tamanho de uma onda, que pode ser medida em três pontos diferentes: de
crista a crista, do início ao final de um período ou de vale a vale. É representado no SI pela letra grega
lambda (λ);
• frequência: é o número de oscilações da onda por certo período de tempo. A unidade de frequência
do SI, é o hertz (Hz), que equivale a 1 ciclo por segundo e é representada pela letra f. A frequência de
uma onda só muda quando houver alterações na fonte;
• período: é o tempo necessário para a onda completar um ciclo. No SI, é representado pela letra T, e é
medido em segundos.

A corrente alternada foi criada por Nikola Tesla que, na primeira metade do século XX,
já havia desenvolvido os sistemas de corrente alternada de 25 Hz, no Canadá e nos
EUA. Alguns desses sistemas perduram até hoje por conveniência das indústrias, que
VOCÊ não têm interesse em trocar o equipamento para operar com 60 Hz. Sistemas AC de
SABIA? 400 Hz são usados na indústria têxtil, em aviões, navios, espaçonaves e em grandes
computadores. Na América do Sul, além do Brasil, também usam 60 Hz o Equador,
Peru, Venezuela e a Colômbia. A frequência de 50 Hz é usada em países como a
Argentina, a Bolívia, o Chile e Paraguai, bem como na Europa.

Quando a grandeza de comportamento ondulatório for uma tensão elétrica, chamamos de tensão
alternada. A corrente elétrica produzida a partir da tensão alternada é chamada de corrente alternada (CA ou
AC), cujas representações gráficas podem ter formas do tipo senoidal, quadrada, entre outras.

A preferência pelo uso da corrente alternada pelas concessionárias de energia


SAIBA se deve ao fato de esse tipo de corrente apresentar baixo custo e praticidade
MAIS de distribuição para as residências. Para saber mais sobre corrente senoidal,
consulte:http://efisica.if.usp.br/eletricidade/basico/ac/corrente_senoidal

Segundo a teoria eletromagnética, quando um condutor, em forma de espiral, gira perpendicularmente


às linhas de um campo magnético, aparece nele uma tensão elétrica que varia segundo as ordenadas da
curva de uma senoide.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
60

Em circuitos elétricos, também é comum a análise de mais de um sinal senoidal de mesma frequência,
sendo necessário comparar suas fases. Quando há uma diferença de ângulo Δθ, entre esses sinais, ela é
denominada de defasagem. O ângulo de defasagem entre as ondas A e B é de 90º. Enquanto a onda B
começa com seu valor máximo e cai para zero, quando o ângulo é 90º, a onda A atinge o seu valor máximo
em 90º de atraso em relação à onda B. Esse ângulo de defasagem de 90º entre as ondas B e A é mantido
durante o ciclo completo e em todos os ciclos sucessivos, conforme mostra a Figura 33.

Onda co-seno B VB
Tensão Onda seno A
Sentido
+ anti-horário
90°
VA
0 180° 270º 360°
90° Tempo
Fator de
referência

a)Formas de onda b)Diagrama de fatores


Figura 33 - Ângulo de defasagem
Fonte: SENAI-RS

4.8 GRANDEZAS FÍSICAS

A grandeza física é tudo aquilo que pode ser medido, associado a um valor numérico e a uma unidade
de medida. As grandezas físicas são classificadas em grandeza escalar e grandeza vetorial:
• grandeza escalar: é o valor numérico acompanhado de uma unidade de medida, como, por exemplo,
comprimento, área, volume, massa, tempo, temperatura, entre outros;
• grandeza vetorial: é um valor numérico, denominado módulo ou intensidade, acompanhado de uma
unidade de medida, de uma direção e de um sentido. Toda a grandeza física vetorial é representada
por um vetor, como, por exemplo, força, velocidade, aceleração, campo elétrico, entre outros.

A instrumentação tem a finalidade de controlar e monitorar por meio de medições,


SAIBA as grandezas físicas, tanto escalares, como vetoriais. Para mais informações sobre as
MAIS grandezas escalares e vetoriais, acesse: http://www.brasilescola.com/fisica/grandezas-
vetoriais-escalares.htm

4.8.1 COMPRIMENTO

O comprimento é uma grandeza unidimensional, isto é, define a medida de uma só dimensão. A unidade
de medida de comprimento no SI é o metro (m). Para medir a grandeza de comprimento, utilizamos
instrumentos como escalímetro, régua graduada, trena ou paquímetro.
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
61

Em aplicações de hidráulica e pneumática, o comprimento é relevante no momento


FIQUE da escolha do atuador que será usado para os movimentos mecânicos. Esse
ALERTA comprimento interfere na velocidade dos movimentos a serem executados.

4.8.2 ÁREA

Área é a medida de uma superfície, em duas dimensões; sua unidade de medida no SI é o m2. É utilizada
para definir o espaço útil de uma determinada superfície. Como a área é uma grandeza indireta e não há
um instrumento para calcular sua medida, só podemos obter a medida da área por meio de cálculos.
Exemplo prático: imagine que, em sua empresa, há uma bancada com 1 m de comprimento e 0,7 m
de largura. Como você faria para definir a área útil dessa bancada? Bem, como a bancada é um retângulo,
utilizamos a seguinte equação para esse cálculo.
A = b x h = 1 x 0,7 = 0,7 m2
Logo, nesse caso, a área da bancada é de 0,7 m2.

4.8.3 VOLUME

O volume é a quantidade de espaço que um corpo ocupa. Essa medida é calculada em função da área da
sua base, que é bidimensional, e a altura, que é uma unidade de comprimento unidimensional. Portanto, o
volume é uma grandeza tridimensional. A unidade de medida de volume no SI é m3. O volume está muito
relacionado à capacidade que é dada em litros (l). Observe a Figura 34, que apresenta um recipiente de 1
m3. Nesse recipiente, que poderia ser uma pequena caixa d’água, é possível armazenar até 1000 l de líquido.

1m

1m 1m

Figura 34 - Recipiente de 1000 litros


Fonte: SENAI-RS

A capacidade de uma caixa de leite longa vida, por exemplo, tem 1 dm cúbico de volume; então, dizemos
que sua capacidade é de 1 litro. O Quadro 12 mostra a relação entre volume e capacidade.

VOLUME CAPACIDADE
Metro cúbico Quilolitro
Decímetro cúbico Litro
Centímetro cúbico Mililitro
Quadro 12 - Relação entre volume e capacidade
Fonte: SENAI-RS
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
62

As medidas de área e volume são obtidas de forma indireta, ou seja, não são
VOCÊ medidas, são calculadas a partir da medida de comprimento de cada uma das
SABIA? dimensões do objeto em questão.

4.8.4 TEMPO

Desde as antigas civilizações, o tempo tem sido calculado para as mais diversas finalidades. O tempo
pode ser medido em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, décadas, séculos ou por outras grandezas,
conforme a necessidade. Na área da instrumentação, utilizaremos as grandezas de segundos, minutos e
horas para calcular o tempo. No SI, o tempo é medido em segundos (s), sendo possível fazer conversões
para outras grandezas que chamamos de usuais, mas não são as padronizadas pelo SI.
Como instrumentista, você poderá calcular o tempo para que um determinado processo alcance uma
temperatura específica ou, ainda, para calcular a vazão de um líquido e a velocidade de estabilização de
um instrumento de controle.
Para a conversão de tempo de sua unidade fundamental, que é o segundo, para as demais grandezas,
podemos fazer uso de um cálculo matemático utilizando a regra de três, como, por exemplo, quando
queremos saber quantos segundos temos em oito minutos. Ora, em um minuto, temos 60 segundos; logo,
basta fazer a seguinte regra de três:
1 min ------- 60 s
8 min ------- X
Resolução: X = 60 x 8
X = 480 s
Agora que sabemos como fazer a conversão de unidades de tempo, vamos a um exemplo prático muito
comum na área de instrumentação, para que você perceba a importância do tempo para o trabalho do
instrumentista.
Exemplo prático: um processo de banho térmico deve permanecer em uma temperatura controlada
de 123°C. Você deve saber que, se essa temperatura estiver fora da sua tolerância (± 3 °C) por mais de 2
min, o processo será perdido, pois as propriedades químicas da solução irão alterar tornando o processo
ineficiente. Nesse exemplo prático, percebemos que o tempo é importante para a continuidade do processo
de forma correta. Desse modo, deveremos fazer uma operação conhecida na área da instrumentação,
como parametrizar os instrumentos de controle, a fim de que o tempo de correção da temperatura seja tal
que permaneça dentro dos limites aceitáveis do processo.
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
63

4.8.5 VELOCIDADE

Velocidade média é a razão entre a distância percorrida pelo móvel e o tempo gasto no percurso. A
Figura 35 apresenta a situação em que um móvel parte da posição d0, no instante t0 e chega à posição d
no instante t.

Origem

t0 t

d=0 d0 ∆d d
Figura 35 - Distância percorrida em determinado tempo
Fonte: SENAI-RS

A partir das informações da Figura 35, temos a fórmula que define qual a velocidade do automóvel
que percorre uma certa distância em um determinado tempo:

∆d
Vm =
∆t
d - d0
Logo, Vm =
t - t0

Em que:
Δd = distância total percorrida (metro - m);
Δt = tempo gasto no percurso (segundo – s);
do = posição inicial;
d = posição final;
to = instante de tempo inicial;
t = instante de tempo final;
V = velocidade (metro/segundo - m/s).
Esse é o exemplo mais comum para que possamos entender o conceito de velocidade. Esses conceitos
servem para os cálculos relativos aos fluidos, como, por exemplo, quando precisarmos determinar a
velocidade de escoamento de líquidos, que está relacionada à pressão do fluido dentro de um equipamento
conhecido como atuador. A velocidade dos sistemas hidráulicos e pneumáticos pode ser controlada por
meio de reguladores de fluxo.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
64

4.8.6 MASSA

A massa é definida como a quantidade de matéria que um corpo possui, é o quociente entre a força
aplicada a um corpo e a aceleração que essa força produz nesse corpo. A unidade de medida de massa é a
quilograma (kg). A massa é calculada com a seguinte fórmula:

F
m=
a

O quilograma é usado para caracterizar a grandeza de massa e não de peso, como


VOCÊ normalmente usamos no dia a dia. O peso é dado em Newton (N), portanto, do ponto
SABIA? de vista científico, em vez de dizer que “o meu peso é 70 kg”, podemos dizer que “a
minha massa é 70 kg”.

4.8.7 TEMPERATURA

O estado térmico de um corpo é determinado pelo grau de agitação de suas partículas (átomos,
moléculas ou íons). Todo o corpo, sólido, líquido ou gasoso, é composto de partículas em constante
agitação. A agitação é maior nos gases do que nos líquidos. Do mesmo modo, a agitação é mais intensa
nos líquidos do que nos sólidos.
Para um mesmo estado físico, a agitação das partículas está relacionada com a temperatura. Portanto,
a temperatura é uma medida do grau de agitação (energia cinética média) das partículas que compõem
o corpo. O somatório das energias dessas partículas corresponde à energia interna do corpo. Quanto
maior o grau de agitação das partículas, maior é a sua energia cinética e, consequentemente, maior é
a sua temperatura. Quando os corpos apresentam os mesmos estados térmicos, dizemos que as suas
temperaturas são iguais, ou seja, estão em equilíbrio térmico.
Veremos, agora, algumas leis e conceitos fundamentais para compreendermos como aplicar
corretamente os conhecimentos da temperatura no trabalho diário do instrumentista.

Lei zero da termodinâmica

De acordo com essa lei, se dois corpos estão em equilíbrio térmico com um terceiro corpo, esses corpos
estão em equilíbrio térmico entre si.

Medida da temperatura

Como a agitação térmica das partículas não pode ser medida diretamente, a indústria utiliza, para a
construção dos termômetros, as grandezas físicas que variam com a temperatura, que são denominadas
de grandezas termométricas. Veja alguns exemplos dessas grandezas:
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
65

• comprimento de uma barra de metal (termômetros metálicos);


• altura e volume dos líquidos (termômetros de mercúrio e de álcool);
• pressão dos gases (termômetro de gás);
• resistência elétrica (termômetro de resistência).
Cada valor de uma grandeza macroscópica no termômetro (grandeza termométrica), como volume,
pressão, resistência, entre outros, corresponde a um valor da temperatura. O termômetro mais utilizado
é o termômetro de mercúrio. Esse termômetro é fabricado de modo que a grandeza termométrica
corresponde à altura (h) de uma coluna de mercúrio, inserida em uma haste capilar. Essa haste está ligada
a um reservatório (bulbo) que contém mercúrio. Cada temperatura corresponde a um valor para a altura
da coluna.

Escalas termométricas

Para pontos fixos em graduação das escalas, foram escolhidos dois fenômenos que se reproduzem,
sempre nas mesmas condições: a fusão do gelo e a ebulição da água. Ambos fenômenos reproduzidos sob
pressão normal:
• 1º ponto fixo: corresponde à temperatura de fusão do gelo, conhecido como ponto do gelo;
• 2º ponto fixo: corresponde à temperatura de ebulição da água, conhecido como ponto de vapor.

Escala Celsius

A escala termométrica Celsius, desenvolvida pelo astrônomo sueco Anders Celsius, é a mais utilizada na
indústria. Nessa escala, o número zero corresponde ao 1º ponto fixo (ponto do gelo) e o número 100 ao 2º
ponto fixo (ponto do vapor). A escala foi dividida em 100 partes iguais, sendo que cada divisão corresponde
a 1 grau Celsius (1 ºC).

Escala Fahrenheit

Nos países de língua inglesa, utiliza-se a escala Fahrenheit, proposta pelo físico alemão Daniel Gabriel
Fahrenheit. Fahrenheit atribuiu para o 1º ponto fixo (ponto do gelo) 32 °F e ao segundo ponto fixo (ponto
do vapor) 212 ºF. O intervalo entre 32 e 212 é dividido entre 180 partes iguais, sendo que cada divisão
corresponde a 1 ºF.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
66

Escala Kelvin

A temperatura é uma medida da agitação térmica molecular, sendo que a menor temperatura
corresponde à situação em que essa agitação cessa completamente. Esse limite inferior de temperatura é
denominado zero absoluto que, na prática, é um valor inatingível. A escala Kelvin é a única escala absoluta,
ou seja, a única cujo zero é absoluto e não relativo, como nas outras.
O zero absoluto corresponde, aproximadamente, a -273,15 ºC. Ao simplificarmos esse valor, utilizamos
273 °C. A escala Kelvin (escala absoluta de temperatura) é utilizada pelo SI e é dividida em partes iguais às
da escala Celsius, sendo que o 0 °C corresponde a 273 K e 100 ºC correspondem a 373 K, conforme ilustra
a Figura 36.

Celsius Kelvin Fahrenheit

2 ponto fixo 100 373 212


(Ponto do vapor)

tc tk tF

1 ponto fixo
(Ponto do gelo)
0 273 32

Figura 36 - Comparação entre as unidades de temperatura


Fonte: SENAI-RS

Relação entre as escalas

É importante lembrar que a variação de temperatura (∆t) em graus Celsius (°C) é igual à variação em
Kelvin (K). Mas, não é igual à variação em Fahrenheit (°F). A equação a seguir é utilizada para fazermos a
conversão de temperatura:

tc t - 32 t - 273
= f = k
5 9 5

Exemplo prático: Em um determinado processo, o ar que passa por uma serpentina varia sua temperatura
de 20 °F para 120 °F. Imagine que seu supervisor precise saber qual seria o aumento da temperatura em
°C e K? Nessa situação, você deveria calcular a temperatura inicial e final em Celsius para, posteriormente,
calcular a variação de temperatura, da seguinte maneira:
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
67

tc (tf - 32)
=
5 9
(tf - 32)
tc = x5
9

Desse modo, obteríamos as seguintes temperaturas:


(tf - 32) (20 - 32)
temperatura inicial: tc = 9
x5=
9
x 5 = -6,67 ºC
(t - 32) x 5 = (120 - 32) x 5 = 48,89 ºC
temperatura final: tc = f 9
9
variação de temperatura: ∆tc = 48,89 - (-6,67) = 55,56 ºC

A influência da temperatura em um sistema hidráulico ou pneumático é um importante


FIQUE aspecto a ser observado. Com o aumento da temperatura, a pressão também aumenta,
ALERTA podendo interferir no comportamento de um determinado processo e principalmente
na segurança do sistema.

4.8.8 FORÇA

A força é o agente capaz de modificar o estado de repouso ou de movimento de um corpo. Com


aplicação de uma força sobre um corpo inicialmente em repouso, ele irá adquirir aceleração e entrará em
movimento. A unidade de medida de força no SI é o Newton (N) ou o quilograma força (kgf ). O instrumento
utilizado para a medição da força é o dinamômetro. Há dinamômetros digitais e manuais.

4.8.9 PRESSÃO

Pressão é a relação entre a intensidade da força atuante F e a área A da superfície. A Figura 37 ilustra a
relação entre a força e a área da superfície.

F
Área A

Figura 37 - Relação entre força e área de superfície


Fonte: SENAI-RS
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
68

De acordo com a fórmula, verificamos que a pressão é diretamente proporcional à força F e inversamente
proporcional à área A:
F
p=
A
Em que:
Área (A): m2;
Força (F): N (Newton) ;
N
Pressão (p): 2 = Pa (Pascal).
m
Nas aplicações industriais, o PSI e o BAR também são utilizados para definir a grandeza de pressão. A
Quadro 13 mostra os fatores de conversão para as unidades utilizadas para definir a pressão.

Pa bar at atm Torr Psi mmHg


= 1 N/m2
= 10 bar
5
= 10,2 x = 9,87 x = 7,5. 10
-3
= 145 x 0,0075
1 Pa

106 bar 106 atm Torr 106 psi mmHg


= 1000000 = 106 dyn/ = 1,02 at = 0,987 = 750 Torr = 14,504 750,061
1 bar

Pa cm2 atm psi mmHg

= 98066,5 = 0,980665 = 1 kgf/ = 0,968 = 736 Torr = 14,223 735,559


1 Torr 1 atm 1 at

Pa bar cm2 atm psi mmHg


= 101325 = 1,01325 = 1,033 at = 101325 = 760 Torr = 14,696 760
Pa bar Pa psi mmHg

= 133,322 = 1,333 x 10-3 = 1,360 x = 1,316 x =1 = 19,337 x 1 Torr


Pa bar 10-3 at 10-3 atm mmHg 10-3 psi
= 6894,757 = 68,948 x = 70,307 x = 68,046 x = 51,7149 = 1 lbf/in2 51,715
1 psi

Pa 10-3 bar 10-3 at 10-3 atm Torr mmHg


Quadro 13 - Unidades de medida de pressão e seus fatores de conversão
Fonte: SENAI-RS

O instrumento de medição de pressão mais utilizado é o manômetro. Esse instrumento é amplamente


empregado na indústria para a indicação local de pressão. Há outros tipos de medidores de pressão como,
por exemplo, os transmissores de pressão, muito utilizados na área de instrumentação e controle de
processos. Observe a Figura 38.

Figura 38 - Transmissor de pressão


Fonte: SENAI-RS
4 FUNDAMENTOS DA FÍSICA
69

Os transmissores funcionam como um elemento primário de medição de uma variável (pressão)


e possibilitam a leitura remota desse valor. A pressão é a grandeza física que interfere diretamente na
utilização de sistemas pneumáticos e hidráulicos. Devido à necessidade de movimentos mecânicos, a força
aplicada ao sistema depende de quanto o fluido foi comprimido para o aumento da sua pressão. Como
sabemos, força e pressão estão diretamente relacionadas.

RECAPITULANDO

Nesse capítulo, conhecemos como as principais grandezas elétricas e físicas são utilizadas na instrumentação.
Estudamos exemplos práticos com aplicações específicas sobre corrente elétrica, tempo e temperatura.
Enfatizamos aspectos sobre corrente e tensão elétrica, pois são conhecimentos fundamentais para o
instrumentista. Sobre os materiais resistores, aprendemos vários aspectos, como a associação em série, mista e
em paralelo. Percebemos que a Lei de Ohm, que estabelece a relação entre as quatro grandezas da eletricidade
(tensão, corrente, resistência e potência), é fundamental para que você saiba fazer os cálculos necessários
utilizados em circuitos elétricos industriais. Aprendemos que a tensão é diretamente proporcional à resistência
e a corrente é inversamente proporcional à resistência. Concluindo este capítulo, entendemos como aplicar as
grandezas físicas no dia a dia de trabalho do instrumentista. Vimos que a pressão, a temperatura, a velocidade,
o tempo, entre outras grandezas, são fundamentais para determinar o tipo de processo a ser controlado na
fabricação de qualquer produto industrializado.
INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO

Como já sabemos, a medição das grandezas físicas, como temperatura, pressão, massa
e comprimento, é um conhecimento fundamental que você utilizará para o controle
dos processos produtivos industriais. Para cada uma dessas grandezas físicas, há uma
tecnologia apropriada.
Os instrumentos podem ser de natureza eletrônica ou mecânica, apresentar indicação
analógica ou digital e serem operados de forma manual ou automática. Cada fabricante produz
seus equipamentos com características específicas. Por isso, é fundamental que você adquira e
utilize instrumentos de medição que sejam apropriados para as necessidades de sua empresa.
A qualidade da medição depende também da escolha do instrumento mais adequado. A
partir de agora, conheceremos os instrumentos de medição, os tipos de sensores e medidores
mais usados e suas características mais importantes.

5.1 MEDIÇÃO DE TEMPERATURA

A temperatura é a grandeza física mais medida e controlada nos processos industriais.


Os instrumentos utilizados para medir a temperatura são o termômetro, o termopar e a
termorresistência.

5.1.1 TERMÔMETRO

Esse é o instrumento utilizado para medição local da temperatura. Na maioria das aplicações,
ele é fixado no equipamento que se deseja medir a temperatura. A escala de temperatura mais
usual dos termômetros é a escala Celsius.
O termômetro utiliza o princípio da dilatação de sólidos, líquidos e gases em função
da variação da temperatura. Sua construção está baseada no uso de grandeza física que
dependa da temperatura. Para a execução de uma medida de temperatura, é necessário
esperar o equilíbrio térmico. Os termômetros podem ser de vários tipos. Na instrumentação,
os mais utilizados são os de vidro e bimetálicos. A Figura 39 mostra um termômetro de
vidro e um bimetálico.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
72

60 90
100
10 120
80

60
0 150
40
20
0

Figura 39 - Termômetro de vidro e termômetro bimetálico


Fonte: SENAI-RS

Para a padronização das medidas de temperatura entre diferentes tipos de termômetros, é necessário
que se faça a calibração dos instrumentos. Desse modo, o INMETRO determinou que o termômetro de gás
a volume constante deve ser utilizado como padrão, de modo que todos os outros termômetros devem ser
calibrados a partir desse padrão.

5.1.2 TERMOPAR

O termopar (thermocouples em inglês) é um elemento sensor que mede a temperatura por meio de um
par de fios, daí o nome termopar. O termopar possui duas extremidades, uma chamada de junta quente,
que fica exposta a temperatura a ser medida, e outra de junta fria, em que aparece uma tensão proporcional
à diferença de temperatura, conforme mostrado na Figura 40.

Junta Metal A Junta


Fria + Quente
mV
Metal B

Figura 40 - Aspecto construtivo de um termopar


Fonte: SENAI-RS

No âmbito da instrumentação, os termopares são amplamente utilizados, pois a temperatura afeta a


maioria dos fenômenos físicos e químicos. Como o termopar não possui indicação local, necessita de um
circuito eletrônico que converta a tensão gerada numa indicação da temperatura.
Há diferentes tipos de termopares, conforme a liga metálica empregada na composição de seus cabos.
O Quadro 14 mostra os materiais e as características dos termopares tipos J e K, que são os mais aplicados
na indústria.
5 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO
73

NORMA ANSI NORMA DIN


TIPO FIO (+) FIO (-)
(AMERICANA) (ALEMÃ)
J Ferro
(magnético)
Constantan
(cobre e níquel)
+
+ ++
-- -
-
K Cromel (níquel Alumel -
e cromo) magnético +
+ ++
-
-- -
Quadro 14 - Aspectos construtivos dos termopares tipo J e K
Fonte: SENAI-RS

5.1.3 TERMORRESISTÊNCIA

A termorresistência é um elemento resistivo que aumenta o valor da sua resistência em função do aumento
da temperatura. O elemento mais comum no uso industrial é PT100, que é construído de uma liga de platina
que apresenta a resistência de 100 ohms na temperatura de 0 °C. Assim como o termopar, a termorresistência
também precisa de um circuito eletrônico para converter a variação da resistência em indicação de temperatura.
A Figura 41 apresenta um PT100.

Figura 41 - PT100
Fonte: SENAI-RS

A termorresistência é utilizada quando o processo exige altíssima precisão de leitura


VOCÊ e boa estabilidade térmica. Em situações menos críticas, a preferência é utilizar o
SABIA? termopar, pois este tem menor custo.

5.2 MEDIÇÃO DE PRESSÃO

A pressão é identificada como a força que os fluidos exercem sobre as paredes internas dos
recipientes. Nos sistemas de controle industriais, os instrumentos empregados para medição de
pressão são os manômetros, vacuômetros e transdutores.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
74

5.2.1 MANÔMETRO

O manômetro é um instrumento analógico para indicação local da pressão de um sistema. O manômetro


usa a deformação de um material elástico para movimentar um ponteiro. O material elástico pode ser um
tubo de Bourdon, um fole metálico ou diafragma. Esse instrumento é utilizado na mecânica dos fluidos para
se efetuar a medição da pressão. No setor industrial, há diversos tipos e aplicações. A Figura 42 apresenta
um exemplo de manômetro que utiliza tubo de Bourdon como elemento sensor de pressão.

200
150 250
100 300

50 psi 350
0 400

Figura 42 - Manômetro com a conexão para tubo de Bourdon


Fonte: SENAI-RS

O tubo de Bourdon é um elemento sensor composto de um tubo metálico de


VOCÊ paredes finas, em formato de C, desenvolvido e patenteado pelo francês Eugène
SABIA? Bourdon, em 1848.

5.2.2 VACUÔMETRO

O vacuômetro é um instrumento analógico para indicação local da pressão de um sistema abaixo da


pressão atmosférica. O vacuômetro também usa a deformação de um material elástico para movimentar
um ponteiro. A Figura 43 mostra um vacuômetro que apresenta a conexão do tubo de Bourdon como
elemento sensor de pressão.

0,6 0,4

0,8 0,2
c

1,0 0

Figura 43 - Vacuômetro com a conexão para tubo de Bourdon


Fonte: SENAI-RS
5 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO
75

FIQUE No manômetro, a indicação de zero e o ponteiro estão posicionados ao lado esquerdo


do instrumento, enquanto que no vacuômetro o zero e o ponteiro estão posicionados
ALERTA no lado direito do instrumento.

5.2.3 TRANSDUTOR DE PRESSÃO

O transdutor de pressão é o instrumento que fornece um sinal elétrico correspondente à pressão


que o fluido exerce sobre o elemento sensor. O transdutor de pressão pode ser construído com cristal
piezelétrico, extensômetro (strain gage), ou célula capacitiva. O transdutor não possui indicador local, pois
o objetivo é transmitir o sinal para locais distantes do ponto de medição. A Figura 44 mostra um transdutor
do tipo medidor de deformação com extensômetro muito usado na medição de pressão de gases líquidos
na indústria.

Figura 44 - Modelo de transdutor de pressão tipo extensômetro (strain gage)


Fonte: SENAI-RS

5.3 COMPRIMENTO

Todos nós observamos o mundo em três dimensões, mas, em algumas situações, precisamos
representar certos objetos em duas dimensões, como, por exemplo, em desenhos mecânicos. Do
mesmo modo, muitas vezes, precisamos saber o comprimento de algum objeto e uma única dimensão.
Os instrumentos mais comuns usados na tarefa de medição unidimensional são a régua, a trena e o
paquímetro.

5.3.1 RÉGUA

A régua é o instrumento utilizado para medir a dimensão de pequenos objetos como lápis, copos e
folhas. As réguas são construídas em materiais do tipo plástico, metal ou madeira. São comercializadas em
diversos comprimentos e algumas possuem divisões da escala em milímetros e polegadas. Também há
algumas réguas especiais, construídas de forma triangular e graduada em diferentes escalas.
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
76

5.3.2 TRENA

Instrumento empregado para medir de forma linear objetos de dimensões maiores como móveis e
ambientes. A escala é desenhada sobre uma fita enrolada produzida em plástico ou metal. Geralmente,
apresenta a escala no sistema de medida métrico e em polegada, e são comercializadas com comprimentos
de 1 metro até 50 metros, conforme sua aplicação.

5.3.3 PAQUÍMETRO

Para fazer medições lineares de objetos com grande exatidão, utilizamos o paquímetro. Esse instrumento
é formado por um encosto fixo e uma régua graduada, em milímetros e polegadas, sobre a qual desliza um
cursor. O paquímetro pode ser do tipo universal ou digital e seu aspecto construtivo permite versatilidade
ao medir os objetos de várias formas. A Figura 45 mostra os paquímetros universal e digital, ambos para
uso industrial.

0
10
0
0 10 20 30 40 50 60 70
80
90
100
0 10 3
4

Figura 45 - Modelo de paquímetro universal e digital


Fonte: SENAI-RS

Um profissional qualificado consegue explorar bem os recursos do paquímetro: medir os diâmetros interno
e externo das peças, determinar a profundidade de pequenos orifícios e o ressalto existente em objetos. A
Figura 46 apresenta a maneira correta de posicionar o instrumento ao realizar os quatro tipos de medição.

1 EXTERNO 2 INTERNA

3 DE PROFUNDIDADE 4 DE RESSALTO

Figura 46 - Formas de medição com o paquímetro


Fonte: SENAI-RS
5 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO
77

5.4 VELOCIDADE

A medição da velocidade na indústria é uma operação muito importante, pois possibilita controlar a
rotação de motores, estabelecer o sincronismo entre esteiras transportadoras e, também, determinar o
comprimento de sacarias. O instrumento utilizado para medição de velocidade é o tacômetro.

5.4.1 TACÔMETRO

O tacômetro, também chamado de conta-giros, é o instrumento usado para contar o número de rotações
por minuto (RPM) executado por eixos, polias e motores. Os pulsos gerados pelos sensores são convertidos
em RPM e mostrados em indicadores do tipo analógico ou digital. A Figura 47 ilustra um tacômetro digital.

Figura 47 - Tacômetro digital


Fonte: SENAI-RS

No tacômetro, um elemento sensor monitora o componente girante a partir de pulsos gerados por
sistemas mecânicos, óticos ou magnéticos. A Figura 48 ilustra a utilização do tacômetro de contato e ótico.

Figura 48 - Medição de componente girante com tacômetro ótico e de contato


Fonte: SENAI-RS
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
78

5.5 MASSA

A determinação da massa de um corpo ocorre em vários momentos ao longo de um processo produtivo.


Por meio da pesagem, é possível quantificar os produtos que entram e que saem da empresa, controlar
os padrões de qualidade mediante análise de laboratório e também cumprir as receitas especificadas pela
engenharia de produção. O equipamento utilizado para determinar a massa dos produtos nessas etapas é
a balança.

5.5.1 BALANÇA

A balança é o instrumento utilizado para medir a massa de objetos e produtos, cuja unidade de medida e
a escala dependem do tipo e da sua aplicação. Esse equipamento utiliza o princípio de massa gravitacional
e sua equivalência para a indicação do valor de massa de um corpo. As balanças são definidas por meio da
sua aplicação e da sua escala e precisão.
Além das balanças de uso geral, há algumas específicas como:
• balança analítica: possui mecanismo com elevada sensibilidade de leitura e indicação;
• balança industrial: balança que opera com ciclos automáticos de pesagens;
• balança rodoviária: usada para pesagem de veículos de carga.

5.6 FORÇA

Força é o resultado da interação entre dois ou mais corpos que modificam o movimento ou causam
deformação nos corpos envolvidos. A unidade de medida no SI é o Newton (N). Os instrumentos que
podem ser utilizados para medir forças são o dinamômetro e a célula de carga.

5.6.1 DINAMÔMETRO

O dinamômetro é um dispositivo dotado, basicamente, de uma mola, um gancho e uma escala graduada.
Seu princípio de funcionamento consiste na deformação que a mola sofre em razão da ação de uma força
aplicada no gancho preso a sua extremidade. O dinamômetro é empregado no desenvolvimento de
produtos, em laboratórios de controle de qualidade, nos ensaios de tração, compressão, flexão, adesão,
rasgamento em plásticos, borrachas, metais, fios, molas, tecidos, couros, papel e outros. Também é utilizado
para avaliação física. A Figura 49 ilustra como utilizar um dinamômetro manual.
5 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO
79

Figura 49 - Uso do dinamômetro manual


Fonte: SENAI-RS

5.6.2 CÉLULA DE CARGA

A célula de carga é um sensor que transforma pequenas deformações elásticas de um elemento


metálico, quando submetido a esforços mecânicos, em sinal elétrico. A deformação provoca alteração
no valor da resistência de pequenos extensômetros fixados nas suas paredes. A célula de carga é muito
utilizada como elemento sensor de ensaios mecânicos, balanças comerciais, balanças rodoviárias e na
pesagem de tanques industriais. A Figura 50 mostra um tipo de célula de carga.

Figura 50 - Tipo de célula de carga


Fonte: SENAI-RS

5.7 TEMPO

Muitos movimentos realizados em máquinas automáticas são sincronizados pelo tempo e, em


muitos casos, o rendimento delas fica muito alterado quando não são efetuados os ajustes corretos
nos tempos de sincronismos entre as etapas. Em algumas máquinas, o controlador de tempo é
programado internamente no próprio software, mas em outras são instalados controladores discretos
chamados de temporizador (timer).
AUTOMAÇÃO E MECATRÔNICA INDUSTRIAL
80

5.6.1 TEMPORIZADOR

Para a medição de tempo podem ser utilizados diversos instrumentos e dispositivos, dentre eles o
relógio. Industrialmente, os contadores de tempo são chamados de temporizadores. Os temporizadores
mais modernos são os digitais, pois além de controlar o tempo, também indicam seu valor ajustado e
decorrido. Permitem, ainda, diferentes programas de acionamento e realizam a contagem de modo
crescente ou decrescente. Sua construção envolve tecnologias mecânicas, eletrônicas e digitais. A Figura
51 ilustra um modelo de temporizador eletrônico de uso industrial.

c
15 25
a 110/127V
220V P2D

15
12,5
2,5 5
10 Os
1,5 7,5
Omin
Os 7,5
10 1,5
Omin
2,5
5
15 12,5
15 25
a (c) RELE
GERAL 28
b 16 18 26
b
28
26
16 18

Figura 51 - Temporizador eletrônico de uso industrial


Fonte: SENAI-DN, 2013

RECAPITULANDO

Conhecemos os instrumentos de medição que são utilizados para mensurar as grandezas físicas de
temperatura, pressão, comprimento, velocidade, massa, força e tempo, na área da instrumentação. Vimos que
por serem de uso industrial, esses equipamentos são mais robustos em relação a outros instrumentos mais
conhecidos. Verificamos que existem diversos fabricantes de instrumentos de medição, portanto, antes de fazer
uma compra, você deve observar as características dos equipamentos que cada fabricante fornece. Desse modo,
como instrumentista, você deve reconhecer qual o instrumento de medição mais apropriado para o trabalho em
sua empresa.
5 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO
81

Anotações:
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Coletânea eletrônica de normas técnicas: sím-
bolos gráficos. Rio de Janeiro, 2014. 137 p.

ELETRODIGITAL. Tabelas de fios e cabos. Campinas, 2012. Disponível em: <http://eletrodigital.


com.br/tabelas-de-fios-e-cabos/#!prettyPhoto>. Acesso em: 10 dez. 2014.

FERRAZ NETTO, Luiz. Código de resistores e capacitores. São Paulo, 1999. Disponível em: <http://
www.feiradeciencias.com.br/sala15/15_28.asp>. Acesso em: 12 dez. 2014.

INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA. Quadro geral de unidades


de medida: resolução CONMETRO n.° 12/88. 4. ed. Rio de Janeiro: SENAI, 2007. 46 p.

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. Departamento Nacional. Instrumentação e


controle. Brasília, DF: SENAI-DN, 2013. 256 p. (Automação Industrial).

THE UNIVERSITY OF BRITISH COLUMBIA. One of the oldest extant diagrams from Euclid. Vancou-
ver, [20--?]. Disponível em: <https://www.math.ubc.ca/~cass/Euclid/papyrus/papyrus.html>. Acesso
em: 12 dez. 2014.

VAL AÇO. Tolerâncias para curvas de aço para solda de topo. Contagem, 2009. Disponível em:
<http://www.valaco.com.br/inf_tecnicas/cx_tolcurva.html>. Acesso em: 12 dez. 2014.
MINICURRÍCULO DO AUTOR

CARLOS RICARDO DOS SANTOS BARBOSA


O autor colaborador é Graduado em Física – Licenciatura Plena pelo Centro Educacional La
Salle (2014). Possui formação técnica em Eletricista Instalador (2000), Eletricista de Manutenção
(2001) e Reparador de Equipamentos Eletroeletrônicos (2002), todos pelo SENAI do Rio Grande
do Sul. É Instrutor de Nível Técnico na Escola de Educação Profissional SENAI Plínio Gilberto Kroeff.
ÍNDICE

A
Ampere 37, 45, 46, 48, 49,55, 57
Amperimetro 46
Ângulo 27, 28, 29, 30, 31, 35, 60

C
Calibracao 30, 31, 72
Celsius 65, 66, 71
Celula de carga 78, 79
Circuito eletrico 45, 56
Condutividade 50, 51
Condutor 45, 50, 51, 56, 57, 59
Corrente eletrica 37, 45, 46, 47, 48, 50, 51, 52, 54, 55, 58, 59, 69

D
Diametro 22, 35, 57, 76
Dinamometro 67, 78,79

E
Eletricidade 45,52, 55,69
Eletromagnetismo 45
Eletrons 46, 47, 48, 51
Eletrostatica 45

F
Fahrenheit 65, 66

G
Grandeza escalar 60
Grandeza vetorial 42, 60

I
Isolante 33, 51, 52

J
Jarda imperial 40
K
Kelvin 37,66

M
Manometro 30, 31, 42, 68, 73, 74, 75
Metrologia 37
Monofasico 57

O
Ohm 49, 52, 53, 55, 56, 57, 69, 73

P
Paquimetro 60, 75, 76
Perimetro 31, 33, 35
Potencia eletrica 48
PT100 73

R
Resistencia eletrica 47, 51, 52, 57, 65
Resistividade 47, 50, 51, 56
Resistor 47, 48, 52, 53, 55, 69

S
Sistema ingles 22, 40
Sistema Internacional de Unidades 33, 37, 38, 39, 43

T
Tacometro 77
Temporizador 79,80
Tensao eletrica 46, 47, 48, 59, 69
Termodinamica 37, 64
Termometrica 64, 65
Termopar 71, 72, 73
Termorresistencia 71, 73
Tolerancia 26, 28, 35, 53, 62
Transdutor 73, 75
Transmissor de pressao 68
Trifasico 57
Tubulacao 28, 30, 33, 42
V
Vacuometro 73, 74, 75
Velocidade media 63
Volt 46, 47, 48, 49, 55, 57
Voltimetro 47

W
Watts 48
SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo

Waldemir Amaro
Gerente

Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo


Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

SENAI – DEPARTAMENTO REGIONAL DO RIO GRANDE DO SUL

Claiton Oliveira da Costa


Coordenação do Desenvolvimento dos Livros no Departamento Regional

Carlos Ricardo dos Santos Barbosa


Elaboração

Marcelo Quadros
Revisão Técnica

Fernando R. G. Schirmbeck
Coordenação Educacional

Adriana Ferreira Cardoso


Enrique Sérgio Blanco
Patricia Camargo da Silva Rodrigues
Design Educacional

Camila J. S. Machado
Rafael Andrade
Ilustrações

Bárbara V. Polidori Backes


Tratamento de imagens e Diagramação

Lidiane Marques Gomes


Normatização

Roberta Triaca
Apoio à Normatização

Duploklick
Revisão Ortográfica e Gramatical

i-Comunicação
Projeto Gráfico