ALDO CESAR PRIGOL

CARACTERIZAÇÃO DE AGREGADO MIÚDO DE JAZIDA DA REGIÃO DE SÃO LUIZ DO PURUNÃ EM SUBSTITUIÇÃO AO AGREGADO MIÚDO NATURAL UTILIZADO EM UMA EMPRESA DE CONCRETO DOSADO EM CENTRAL

Trabalho de Conclusão de Curso de graduação apresentado à disciplina de Trabalho de Diplomação, do Curso Superior de Tecnologia em Concreto do Departamento de Construção Civil – DACOC – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, como requisito para obtenção do título de Tecnólogo. - Orientador Profº. M. Engª. Gilberto Walter Gogola. - Coorientadora Prof.ª Drª. Engª. Elizabete Yukiko Nakanishi.

CURITIBA 2010

AGRADECIMENTOS Inicialmente agradeço meu Avô Alexandre Barbieri e minha Avó Emilia Barbieri pelos exemplos que me deram e que continuam vivos em minha mente, mostrando que nossos valores e conquistas refletem-se em todas as etapas de nossas vidas. À minha querida Esposa, minhas Filhas, minha Mãe e a toda a minha família. Ao Orientador Profº. M. Engª Gilberto Walter Gogola, pela orientação. À Prof.ª Drª. Engª Elizabete Yukiko Nakanishi, pela orientação e disponibilidade para me atender durante a realização deste trabalho. À Luciane Ladeia Pereira da Camargo Corrêa Concretos – Curitiba, pelo apoio em toda a realização do estudo. Ao Empreendedor Renato Costa, do Areal Costa, pela oportunidade. A minha Filha Tais Prigol, futura Engenheira Civil pela grande ajuda durante todo o processo. Aos professores e funcionários da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, pelos ensinamentos e apoios recebidos. Às Empresas Camargo Correa Concretos e Areal Costa, pela disponibilização de seu “Know-How” e de seus funcionários para realização desse trabalho. Ao laboratorista Jeferson Freitas do Laboratório da Camargo Correa Concretos pelo apoio em toda a realização do estudo. A todos meus colegas e demais pessoas que, direta ou indiretamente contribuíram na realização do trabalho.

RESUMO PRIGOL, Aldo Cesar. Caracterização de agregado miúdo de jazida da região de São Luiz do Purunã em substituição ao agregado miúdo natural utilizado em uma empresa de concreto dosado em central. 2010. 78 p. Trabalho de Conclusão de Curso de graduação apresentado à disciplina de Trabalho de Diplomação, do Curso Superior de Tecnologia em Concreto do Departamento de Construção Civil – DACOC – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR O estudo dos agregados envolve muitos aspectos, tais como, o processo geológico de sua formação, o crescimento de sua produção e do seu consumo, os impactos ambientais e econômicos nos ambientes onde é feita a sua exploração, são pontos muito importantes e que nos remetem a entender a importância da procura de novas alternativas para a substituição do agregado atualmente utilizado na construção civil, já que 70% a 80% do volume do concreto é constituído por agregados e o estudo desse componente é imprescindível para a Tecnologia do Concreto. Buscou-se nesse trabalho pesquisar, caracterizar e avaliar a substituição parcial e total do agregado natural utilizado em um traço de concreto convencional padrão, com fck igual a 25 MPa, por um agregado artificial de uma jazida da região de São Luiz do Purunã – Paraná, verificando a resistência à compressão axial do concreto resultante. A partir da composição granulométrica dos agregados miúdos e do agregado graúdo, utilizados na formulação do traço do concreto convencional padrão, bem como, do teor de material pulverulento, massa unitária em estado solto e compactada, massa específica, impurezas, inchamento desses agregados, obteve-se várias tabelas e gráficos para a comparação e análise dos resultados. Foram avaliadas as propriedades do concreto fresco e endurecido. Concluí-se que é possível a utilização do agregado artificial tanto parcial como totalmente, dentro das condições estudadas, e inclusive identificou-se que houve um ganho na resistência à compreensão axial nos concretos onde a substituição foi de 100% e o aditivo plastificante polifuncional foi adicionado com percentuais de 0,8% e 1,0%. Palavras Chaves: Concreto, Substituição, Agregado Natural, Agregado Artificial, Compressão Axial.

ABSTRACT PRIGOL, Aldo Cesar. Characterization of tiny aggregate of field from the region of São Luiz do Purunã substituiting the tiny natural agregate used in a concret dosed in the central company. 2010. 78p Completion of course work for graduation submitted to the discipline of graduation work, the Advanced Course in Concrete Technology, Department of Civil Engineering - DACOC - Federal Technological University of Parana - UTFPR The study of aggregates involves many aspects, such as, the geological process of its formation, the growth of its production and its consume, the environmental and economical impacts where its exploration is done, are very important points that bring us to understanding the importance of looking new alternatives to substitute the aggregate used nowadays in construction, since 70% to 80% of the concrete volume is consisting in aggregates and the study of this component is necessary to the Concrete Technology. In this paper, it was meant to research, characterize and evaluate the partial and total substitution of the natural aggregate used in a concrete trace of conventional standard, with fck equal to 25 MPa, by an artificial aggregate of a field on the region of São Luiz do Purunã – Paraná, verifying the resistance to the axial compression of the resultant concrete. Since the granulometric composition of the tiny aggregates and the big aggregates, used in the formulation of the conventional standard concrete trace, as well as the content of powder material, unit mass in loose and compressed state, specific mass, impurities, swelling of this aggregates, it was obtained plenty of tables and graphics to the comparison and analysis of the results. The properties of the fresh and hard concrete were evaluated. It was concluded that it is possible to use the artificial aggregate both partial and totally, within the studied conditions, and, it also was identified that there was a gain on the resistance to the axial compression on the concretes where the substitution was of 100% and the plasticizer polyfunctional additive was added with percentage of 0.8% and 1.0%. Key Word: Concrete, Substitution, Natural Aggregate, Artificial Aggregate, Axial Compression.

SUMÁRIO 1 1.1 1.2 1.2.1 1.2.2 1.3 1.4 2 2.1 2.1.1 2.1.2 2.1.3 2.1.4 2.1.5 2.1.6 2.2 2.2.1 2.2.2 3 3.1 3.1.1 3.1.2 3.1.3 3.1.4 3.2 3.2.1 3.2.2 3.2.3 3.2.4 3.2.5 INTRODUÇÃO .................................................................................... CONSIDERAÇÕES INICIAIS .............................................................. OBJETIVOS ........................................................................................ Objetivo Geral ..................................................................................... Objetivo Específico ............................................................................. JUSTIFICATIVA ................................................................................. ESTRUTURA DA PESQUISA ............................................................ REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................... TECNOLOGIA DO CONCRETO ........................................................ Características do Agregado .............................................................. Composição Granulométrica .............................................................. Massa Unitária em Estado Solto e Compactada ................................ Massa Específica, Aparente e Absorção do Agregado ...................... Determinação do Inchamento do Agregado Miúdo para Concreto .... Pé de Pedra ........................................................................................ PROPRIEDADES DO CONCRETO ................................................... Propriedades do Concreto Fresco ...................................................... Propriedades do Concreto Endurecido .............................................. MATERIAIS E METODOLOGIA ......................................................... METODOLOGIA................................................................................... Composição Granulométrica do Agregado Graúdo .......................... Teor de Material Pulverulento ........................................................... Massa Unitária .................................................................................. Massa Específica e Absorção do Agregado e Graúdo....................... MATERIAIS ......................................................................................... Cimento Portland ............................................................................... Aditivos ................................................................................................ Água .................................................................................................... Traço do Concreto ............................................................................... Parâmetros e Percentual de Substituições no Concreto Convencional de Referência ............................................................... 3.2.6 Betoneira de Eixo Inclinado com Capacidade de 400 Litros .............. 3.2.7 Preparo do Concreto .......................................................................... 3.2.8 Determinação da Consistência pelo Abatimento do Tronco de Cone. 3.2.9 Corpos de Prova ................................................................................ 3.2.10 Capeamento ....................................................................................... 3.2.11 Desvio Padrão, Desvio Relativo e Desvio Relativo Máximo ............... 4 RESULTADO E ANÁLISES ............................................................... 5 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................. 5.1 CONCLUSÕES DO ESTUDO ............................................................. 5.2 RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ....................... 5.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................ REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 11 11 13 13 14 14 15 16 16 16 18 19 20 21 22 22 22 23 25 25 26 26 27 27 27 27 28 28 29 30 31 32 33 33 34 36 38 59 59 62 62 63

LISTA DE FIGURAS FIGURA 01 FIGURA 02 FIGURA 03 FIGURA 04 FIGURA 05 FIGURA 06 FIGURA 07 FIGURA 08 FIGURA 09 FIGURA 10 FIGURA 11 FIGURA 12 FIGURA 13 FIGURA 14 FIGURA 15 FIGURA 16 FIGURA 17 FIGURA 18 FIGURA 19 FIGURA 20 FIGURA 21 FIGURA 22 FIGURA 23 FIGURA 24 FIGURA 25 FIGURA 26 FIGURA 27 FIGURA 28 FIGURA 29 FIGURA 30 FIGURA 31 Agregado Miúdo Artificial – Jazida ................................................ Agregado Miúdo Artificial – Pó de Pedra ....................................... Agregado Miúdo Natural – Areia ................................................... Betoneira Intermitente de Queda Livre com Eixo Inclinado ......... Materiais e Forma de Determinação do Ensaio Tronco de Cone . Confecção de Corpos de Prova .................................................... Corpos de Prova para Ensaio de Compressão Axial .................... Prensa EMIC ................................................................................ Corpo de Prova ............................................................................ Exemplo de Rompimentos de Corpos de Prova Após Compressão Axial ......................................................................... Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulométrica Agregado Miúdo da Jazida ............................................................................ Gráfico Amostra 02 – Distribuição Granulométrica Agregado Miúdo da Jazida ............................................................................ Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulométrica Agregado Miúdo Pó de Pedra ....................................................................... Gráfico Amostra 02 – Distribuição Granulométrica Agregado Miúdo Pó de Pedra ....................................................................... Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulométrica Agregado Miúdo Areia ................................................................................... Gráfico Amostra 02 – Distribuição Granulométrica Agregado Miúdo Areia ................................................................................... Comparativo Limites Zonas Inferior e Superior Utilizáveis – Granulometria Agregados ............................................................. Comparativo Impurezas Orgânicas entre Amostra e Padrões do Agregado Miúdo da Jazida ........................................................... Comparativo Impurezas Orgânicas entre Amostra e Padrões do Agregado Miúdo da Areia ............................................................ Curva de Inchamento – Agregado Miúdo Jazida ......................... Curva de Inchamento – Agregado Miúdo Areia ........................... Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulométrica Agregado Graúdo Brita .................................................................................. Gráfico Amostra 02 – Distribuição Granulométrica Agregado Graúdo Brita .................................................................................. Agregado Graúdo Brita ................................................................ Ensaio Agregado Graúdo Brita .................................................... Abatimento (Slump) ..................................................................... Comparativo do Abatimento dos Traços Comparativo Massa Específica do Concreto Fresco .................... Tipo de Rompimento no Corpo de Prova ...................................... Comparativo das Resistências dos Corpos de Prova dos Traços aos 07 dias .................................................................................... Média das Resistências dos Corpos de Prova dos Traços aos 07 dias ................................................................................................ 25 25 25 31 33 33 35 35 35 36 39 39 40 40 41 41 42 44 44 45 45 48 48 48 48 48 49 51 51 52 52

FIGURA 32 FIGURA 33 FIGURA 34

Comparativo das Resistências dos Corpos de Prova dos Traços 53 aos 28 dias .................................................................................... Média das Resistências dos Corpos de Prova dos Traços aos 28 54 dias ................................................................................................ Comparação de Resistência Médias dos Traços aos 07 e 28 55 dias ................................................................................................

LISTA DE TABELAS TABELA 01 TABELA 02 TABELA 03 TABELA 04 TABELA 05 TABELA 06 TABELA 07 TABELA 08 TABELA 09 TABELA 10 TABELA 11 TABELA 12 TABELA 13 TABELA 14 TABELA 15 TABELA 16 TABELA 17 TABELA 18 TABELA 19 TABELA 20 TABELA 21 TABELA 22 TABELA 23 TABELA 24 Características do Cimento CPV ARI – Cauê Apiaí ..................... Quantidades para 1,0 m³ Relação e Características do Traço Referência ..................................................................................... Referências de Componentes e Abreviações do Traço ............... Relação de Produtos em Função do Cimento por Traço Estudado ....................................................................................... Granulometria Agregado Miúdo – Jazida ..................................... Granulometria Agregado Miúdo – Pó de Pedra ........................... Granulometria Agregado Miúdo – Areia ..................................... Relação – Peneiras Zona / Utilizável .......................................... Teor de Material Pulverulento dos Agregados Miúdos ............... Percentuais Material Pulverulento Proporcional ao Traço (Agregados Miúdos) ..................................................................... Massas Unitárias, Massas Específicas e Absorção dos Agregados Miúdos ........................................................................ Coeficientes Relativos ao Inchamento do Agregado Miúdo da Jazida ........................................................................................... Granulometria Agregado Graúdo - Brita..................................... Massa Unitária e Massa Específica e Absorção – Agregado Graúdo .......................................................................................... Resultado do Abatimento (Slump) por Traço Estudado ................. Massa Específica Concreto Fresco .............................................. Resistência a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 07 dias ................................................................................................ Resistência a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 28 dias ................................................................................................ Médias das Resistência a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 07 e aos 28 dias .......................................................... Validação dos Resultados das Resistências a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 07 dias ................................................. Validação Excluindo Resultados das Resistências com Desvio Relativo Máximo acima de 6% das Resistências a Compressão dos Corpos de Prova aos 07 dias ................................................. Validação dos Resultados das Resistências a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 28 dias ................................................. Validação Excluindo Resultados das Resistências com Desvio Relativo Máximo acima de 6% das Resistências a Compressão dos Corpos de Prova aos 28 dias ................................................. Absorção, Índice de Vazios e Massa Específica da Amostra Seca do Concreto Endurecido ...................................................... 28 30 31 32 38 39 40 41 43 43 45 45 47 48 49 50 52 53 54 56 56 57 58 58

ABREVIATURAS ANEPAC % ABCP cm³ CPs CPV - ARI DACOC DMC g hab kg m² m³ MF mm MPa N NM NBR ppm RCD t UTFPR y Associação Nacional de Entidades de Produtores de Agregados para Construção Civil Porcentagem Associação Brasileira de Cimento Portland Centímetro Cúbico Corpos de Prova Cimento Portland com Alta Resistência Inicial Departamento de Construção Civil Dimensão Máxima Característica Gramas Habitante Quilograma Metro Quadrado Metro Cúbico Módulo de Finura Milímetro Mega Pascal Newton Norma Brasileira Registrada - Norma MERCOSUL Partes Por Milhão Resíduo de Construção e Demolição Tonelada Universidade Tecnológica Federal do Paraná Massa Específica

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1. 1.1

INTRODUÇÃO CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O processo geológico e a forma de produção do agregado influenciam nas características do agregado miúdo. Essas características são importantes e afetam consideravelmente nos resultados do concreto produzido com esse agregado (METHA e MONTEIRO, 2008). A indústria da construção civil busca, de maneira constante e insistente, materiais alternativos oriundos de subprodutos que venham a atender à redução de custos, a agilidade de execução, a durabilidade e a melhoria as propriedades do produto final, visando principalmente à redução da extração de materiais naturais mediante o emprego de resíduos recicláveis solucionando também, os problemas de estocagem do material (BARBOSA, COURA e MENDES, 2008). Outro aspecto que remete a procura de alternativas que atendam a substituição do agregado natural é o significativo crescimento do consumo e da produção dos agregados miúdos. A utilização de agregado miúdo pelas concreteiras (concreto dosado em central) com outros materiais não convencionais, pode tornar-se um nicho de mercado rentável, alternativo e eficiente, na medida em que o agregado miúdo oferecido a essas empresas atenda as expectativas econômicas e tecnológicas. Segundo a Associação Nacional de Entidades de Produtores de Agregados para Construção Civil – ANEPAC (2008) é estimado que o consumo de agregados no Brasil seja um pouco acima de 2 t/hab/ano. Essa quantidade é bem inferior ao que consome um cidadão americano que está em torno de 9 t/hab/ano e inferior às 13 t/hab/ano de um cidadão no Canadá. Na Europa Ocidental o consumo per capita (por habitante) varia entre 5t/hab/ano a 8 t/hab/ano. A reportagem da 43º. Edição da Revista Areia & Brita (Julho/Agosto/Setembro - 2008), identifica o crescimento da venda de Areia e a necessidade de investimento do setor para acompanhar o crescimento da Construção Civil estimada em 10% ao ano (SANTOS e OLIVEIRA, 2008).

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Muitos fatores vêm contribuindo para a escassez ou para a dificuldade de oferta da areia, entre eles o impacto de exploração. A atividade de exploração é por natureza, causadora de impactos ambientais. Tais impactos são decorrentes da exploração, muitas vezes desordenada das jazidas e causam grandes e graves problemas ambientais (BUEST, 2006). Somam-se a isso os grandes conflitos entre a extração de areia e a expansão urbana, identificados na dissertação de mestrado de Fabianovicz (1998), onde é mostrando que a ocupação desenfreada e sem planejamento das áreas urbanas levam a população a instalar-se em áreas próximas e vizinhas a mineração de areia. O conflito entre o uso do solo e a proteção ambiental faz com que a mineração tenha dificuldade em permanecer inserida nas áreas urbanas e como conseqüência há o deslocamento da mineração para áreas mais afastadas. Fabianovicz (1998), informa que o consumo e conseqüentemente a produção, tem ligação próxima com os impactos ambientais que contribuem para o comprometimento da qualidade dos recursos hídricos e os conflitos entre a mineração de areia e a expansão urbana na Região Metropolitana de Curitiba que está localizada na sua maioria nos Municípios de Araucária, Balsa Nova, Curitiba, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais. A urbanização caótica e o crescente aumento na preocupação com a preservação ambiental na Grande Curitiba provocam o deslocamento da mineração para áreas com potencial mineral, gerando assim conflitos entre o uso do solo e a proteção ambiental (FABIANOVICZ, 1998). Logicamente todas essas alterações são imperceptíveis se observado um curto espaço de tempo, como exemplo, um período de um ou dois meses, porém ao analisar a ocupação das regiões metropolitanas em um período de tempo maior vamos observar mudança drástica na ocupação do solo. No período de 1986-1997, as regiões metropolitanas que apresentaram maiores variações no que se referem aos dados de emprego, constituindo-se de forte indicativo de crescimento e dinamismo foram identificados nas regiões de Curitiba e Belo Horizonte (SOUZA, 2002).

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Segundo dados dos Censos Demográficos, entre as décadas de 1970 e 2000 verificam-se que, no período 1970/1980, 65,72% dos domicílios urbanos situavamse no pólo da Região Metropolitana de Curitiba, e 31,3% distribuiu-se nos demais municípios do aglomerado. No período 1991/2000 o pólo reduziu sua participação para 44,41%, e os demais municípios do aglomerado passaram a receber 52,12% dos domicílios urbanos (PEREIRA e SILVA, 2007) Lembrando que, a qualidade dos concretos está diretamente ligada à qualidade do agregado, merecendo especial atenção os agregados miúdos, que sofrem com a escassez de reservas localizadas próximas dos grandes centros consumidores. A produção de areia e pedra britada caracteriza-se pelo baixo valor unitário e pela produção de grandes volumes. O custeio com o transporte corresponde cerca de 67% do custo final do agregado, e a proximidade com o centro consumidor é vital para a relação custo benefício desse processo. Em regiões metropolitanas, como as de São Paulo e Rio de Janeiro, quase toda a areia consumida pela construção civil estão localizadas a grandes distâncias, conseqüentemente, aumentando sobremaneira o custo com o transporte que chega cerca de 100 Km de trajeto (RODRIGUES, 2000).

1.2

OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Esta pesquisa tem como objetivo geral caracterizar e avaliar o desempenho e viabilidade da substituição do agregado natural utilizado em uma empresa de concreto dosado em central, por um agregado extraído de uma jazida localizada no Município de Balsa Nova, região de São Luiz do Purunã, demonstrando que a Tecnologia do Concreto como conhecimento pode agregar valor à sociedade por meio de estudos que viabilizem a melhoria dos processos com resultado para a indústria, o meio ambiente, e a sociedade.

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1.2.2 Objetivo Específico

Para alcançar o objetivo geral é necessário à realização de ensaios de granulometria, massa unitária e massa específica, absorção e inchamento, sendo que esses ensaios serão feitos nos agregado artificiais e naturais visando sua caracterização no sentido de obter informações que possibilitem a avaliação dos agregados que compõem os traços a serem estudados. Também é necessário a realização ensaios relativos ao concreto fresco e de compressão axial para o concreto endurecido para certificar-se da viabilidade técnica da substituição dos agregados miúdos em um traço de concreto convencional padrão utilizado atualmente em uma Empresa de concreto dosado em central instalada na região de Curitiba.

1.3

JUSTIFICATIVA

Existem características do agregado resultantes da composição mineralógica da rocha fonte, que são relevantes para a composição do concreto e se não participam das reações químicas podem afetar a qualidade dessas reações no que se refere às propriedades do concreto fresco e endurecido (MEHTA e MONTEIRO, 2008). A eventual substituição do agregado natural largamente utilizado na construção civil poderá trazer consideráveis e importantes benefícios ambientais em um segmento em que o processo de degradação do meio ambiente que cerca as jazidas exploradas de agregados naturais é visível e inequívoca. Todos esses aspectos são motivadores para o desenvolvimento desse estudo, já que a tecnologia do concreto como conhecimento pode ser inserido e agregar valor à sociedade por meio de estudos que viabilizem a melhoria dos processos com resultado para a indústria, o meio ambiente, e a sociedade.

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1.4

ESTRUTURA DA PESQUISA

O trabalho é composto por seis capítulos, desenvolvidos da seguinte forma:

No Capítulo 1 é feita a introdução da pesquisa com Considerações Gerais, Objetivo Geral, Objetivo Específico. No Capítulo 2 é apresentada a Revisão Bibliográfica. No Capítulo 3 é apresentada a Metodologia Aplicada na Pesquisa. No Capítulo 4 são apresentados os Resultados e as Análises da Pesquisa. No Capítulo 5 são apresentadas as Conclusões e Considerações Finais da Pesquisa assim como as Sugestões para Futuras Pesquisas.

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2

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1

TECNOLOGIA DO CONCRETO

No Brasil e no resto do mundo, o concreto comum, feito com agregado natural e artificial tem deficiências no que se refere à relação resistência-peso na comparação com o aço (MEHTA e MONTEIRO, 2008). Assim Mehta e Monterio (2008), dedicam o capitulo 12 da 3ª edição de seu livro, para tratar dessa evolução no tratamento e fabricação do concreto de alta resistência, auto-adensável, com fibras, com polímeros, para blindagem contra radiação, concreto massa, compactado a rolo, onde todos esses tipos, podem ser afetados pela utilização do agregado miúdo das misturas. Para isso, a melhoria das propriedades do concreto com o objetivo de aumentar às resistências a compressão levou ao desenvolvimento e a novos tipos de misturas. Apesar de termos já em várias regiões concretos de alta resistência disponível para utilização é verificado que o custo dessa produção é proporcional ao aumento da resistência (MEHTA e MONTEIRO, 2008). Também se destaca a necessidade de que em longo prazo o desenvolvimento sustentável da indústria do cimento/concreto se dará apenas com melhorias efetivas e profundas na produtividade e no uso dos recursos disponíveis (MEHTA e MONTEIRO, 2008). 2.1.1 Características do Agregado

Segundo Metha e Monteiro (2008), os agregados são comumente tratados como material de enchimento inerte do concreto. Essa afirmação se deriva da observação de que o agregado não faz parte das complexas reações químicas com a água (MEHTA e MONTEIRO, 2008). O estudo dos agregados deve ser considerado imprescindível em um curso de tecnologia do concreto, tendo em vista que de 70% a 80% do volume do concreto é constituído pelos agregados, bem como é o material menos homogêneo com que se lida na fabricação do concreto e das argamassas (RODRIGUES,2000).

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É necessário conhecer certas características dos agregados, para a definição das dosagens de concreto. Em geral, as propriedades do agregado afetam não apenas as características de dosagem do concreto, mas também o comportamento do concreto nos estados fresco e endurecido (MEHTA e MONTEIRO, 2008). Considerando que os Agregados quanto a sua origem são classificados como Naturais ou Artificiais levando em consideração a sua obtenção a) Naturais - são aqueles que já são encontrados na natureza sob a forma de agregado (exemplo: areia de cava, seixo rolado, etc.); b) Artificiais - são aqueles que necessitam ser trabalhados para chegarem à condição necessária e apropriada para uso (exemplo: brita, pó de pedra, RCD – resíduo de construção e demolição (BASÍLIO, 1995). O agregado artificial miúdo proveniente da britagem do arenito que é uma rocha sedimentar, se forma a partir de mudanças ocorridas em outras rochas depois de fragmentadas pelo intemperismo, são transportados pelos ventos ou pela água da chuva até os rios que, por sua vez, vão se depositando em camadas. O arenito é composto por quartzo, mineral mais abundante, feldspato ou outros materiais de origem ígnea e fragmentos líticos. Esses fragmentos ou sedimentos vão se acumulando ao longo do tempo. As camadas de cima exercem pressão sobre as camadas de baixo, compactando-as e cimentando os fragmentos, endurecendo a massa formada. É assim que surgem as rochas sedimentares (MACHADO, 2010) Ao contrário das areias de rios, a areia artificial possui como principal vantagem manter sempre a mesma faixa granulométrica pelo seu beneficiamento. Além disso, dois aspectos podem ser considerados de grande relevância na utilização de areia artificial em substituição à areia natural. O primeiro aspecto é de ordem ambiental, pois o uso dos rejeitos dos agregados graúdos na fabricação de areia artificial e a diminuição da utilização de areia natural nas construções irão reduzir a extração deste material do meio ambiente (COSTA, 2005).

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2.1.2 Composição Granulométrica

Um aspecto importante do conhecimento da composição granulométrica do agregado se deve a grande influência exercida sobre a qualidade das argamassas e dos concretos, especialmente sobre a compacidade (Grau de Compactação) e a resistência aos esforços mecânicos (BASÍLIO, 1995) Entre os motivos para especificação dos limites granulométricos e a dimensão máxima do agregado Mehta e Monteiro (2008), definem como importantes a influência sobre a trabalhabilidade e o custo, já que areias muito grossas produzem misturas de concreto ásperas e não trabalháveis, e areias muito finas aumentam a demanda de água e possivelmente o consumo de cimento para uma dada relação água/cimento. Neville (1923), informa que a granulometria do agregado miúdo é o ensaio de maior importância. Assim procurou-se caracterizar e analisar os valores encontrados dos ensaios realizados com o agregado artificial, originário da jazida de São Luiz do Purunã (PR) e o agregado natural atualmente utilizado na confecção do traço de concreto convencional padrão, que servirá como referência nos demais ensaios. Para material pulverulento, determinado de acordo com a NBR NM 46:2003 , no caso de agregados miúdos produzidos pela britagem de rochas (areia industrializada), os limites para material fino apresentados na tabela acima podem ser alterados para 10% em concreto submetido a desgaste superficial e para 12% em concreto protegido de desgaste superficial, desde que se comprove, por apreciação petrográfica, que o material não interfere nas propriedades do concreto NBR 7211(2009). O silte e o pó fino podem revestir o agregado de forma semelhante à argila, ou podem estar presentes sob a forma de partículas soltas, e devido à finura e portanto, à grande área superficial, esse materiais aumentam a demanda de água necessária para molhagem de todas as partículas do concreto (NEVILLE, 1923) A pasta de um cimento tem como função, envolver os agregados, enchendo os vazios formados e comunicando ao concreto, possibilidades de manuseio quando recém misturado, assim como aglutinar os agregados no concreto endurecido,

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dando um conjunto com certa impermeabilidade, resistência aos esforços mecânicos e durabilidade frente aos agentes agressivos. Para tudo isto acontecer, a pasta do cimento tem que envolver os grãos de agregados e necessita-se de mais pasta, quanto maior for a área da superfície dos grãos (GRIGOLI, 1999).

2.1.3 Massa Unitária em Estado Solto e Compactada

Um dos aspectos importantes para o conhecimento da massa unitária do agregado é a utilização desse parâmetro para o cálculo do consumo do material empregado por metro cúbico de concreto. O fenômeno da massa unitária surge porque não é possível empacotar as partículas do agregado juntas de forma a não deixar espaços vazios entre elas. Assim, o termo massa unitária é utilizado uma vez que o volume é ocupado tanto pelos agregados quanto pelos vazios. A massa unitária aproximada dos agregados comumente usados para o concreto e peso normal varia de 1.300 a 1.750 Kg/m³ (METHA, 2008). A maioria dos agregados naturais, tais como areia e pedregulho têm massa unitária entre 1.520 e 1.680 Kg/m³, e produzem concretos normais com aproximadamente 2.400 Kg/m³, de massa específica. Para fins especiais, agregados mais leves ou mais pesados podem ser usados para produzirem respectivamente concreto leves e pesados. Geralmente, os agregados com massa unitária menor que 1.120 Kg/m³, são chamados leves e aqueles com mais de 2.080 Kg/m³, são designados pesados (SIQUEIRA, 2008). PILZ (2010), detalha a classificação dos agregados pela massa unitária como sendo: • • Leves Médios por m³. • Pesados - Massa Unitária maior que 2 tonelada por m³. Em termos médios, uma areia apresenta massa unitária da ordem de 1,5 Kg/dm³.(BASÍLIO, 1995). - Massa Unitária menor que 1 tonelada por m³. - Massa Unitária maior que 1 tonelada e menor que 2 tonelada

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2.1.4 Massa Específica, Aparente e Absorção do Agregado.

Mehta e Monteiro (2008), citam a “Massa Específica Real” e informa que para efeitos de dosagem, é necessário que se conheça o espaço ocupado pelas partículas do agregado, incluindo os poros existentes dentro das partículas. Para efeitos da dosagem é suficiente determinar a “Massa Específica”, que é definida como a massa do material, incluindo os poros internos, por unidade de volume. Em função do agregado geralmente ter poros permeáveis e impermeáveis, o significado da expressão “Massa Específica” deve ser cuidadosamente definido, e que existem, diversos tipos de massa específica (NEVILLE, 1923). Basílio (1995), no Estudo Técnico da ABCP refere-se somente a “Massa Específica Real” como sendo uma propriedade absoluta e independente do material. O entendimento do fenômeno da absorção é fundamental para a compreensão da característica da massa específica, e é determinada medindo-se o aumento de peso de uma amostra, seca previamente em estufa, e imersa posteriormente em água. Após estes procedimentos descritos na norma de execução do ensaio remoção da umidade superficial tem-se o agregado na condição saturado superfície seca NBR 9778 (2005). A relação entre esse acréscimo e a massa da amostra seca, demonstra o quanto de água foi absorvido, ou seja, a absorção que é expressa em percentual. A massa específica para muitas rochas comumente utilizadas varia entre 2.600 e 2.700 kg/ m³; valores típicos para granito, arenito e calcário denso são de 2.690, 2.650, e 2.600 Kg/m³, respectivamente (METHA e MONTEIRO, 2008) Segundo Scandiuzzi e Andriolo (1986), alertam que a presença de poros internos em suas partículas tem grande influência nas propriedades dos agregados e, conseqüentemente nas propriedades dos concretos. Assim se o agregado estiver completamente seco no momento de ser misturado, absorve uma parte de água de mistura o que acarreta, entre outros efeitos, a sua perda da trabalhabilidade. Tendo em vista essa situação, é comum na tecnologia do concreto, trabalhar com a massa específica na condição saturada superfície seca.

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Outro motivo para se considerar o agregado na condição de saturado superfície seca, nos cálculos de dosagem, é o fato de que a água contida nos poros não toma parte nas reações de hidratação do cimento, devendo, portanto, ser considerada como parte integrante do agregado (MEHTA e MONTEIRO, 2008).

2.1.5 Determinação do Inchamento do Agregado Miúdo para Concreto

Denomina-se inchamento de agregados miúdos ao fenômeno da variação do seu volume aparente, provocado pela água adsorvida, assim, se variarmos a quantidade de água contida em um agregado miúdo, seu volume também variará (BASÍLIO, 1995). Areias podem sofrer um fenômeno, conhecido como inchamento e dependendo do teor de umidade e composição granulométrica do agregado, pode ocorrer um aumento considerável do volume aparente da areia, porque a tensão superficial da água mantém as partículas afastadas (SIQUEIRA, 2008). A maioria das areias é despachada para uso na condição saturada, podem ocorrer grandes variações nos consumos por betonada, se a dosagem for feita em volume (SIQUEIRA, 2008). Umidade crítica: máximo do agregado; e • Inchamento médio: é a média dos valores do inchamento no ponto de umidade crítica e no ponto máximo da curva (Inchamento Máximo). Normalmente, o inchamento máximo ocorre para teores de umidade entre 4 e 7%. Poderá variar, dependendo da granulometria da areia, para teores entre 15 e até 35%. Acima desses níveis, o inchamento decresce, chegando praticamente a anular-se no estado saturado (RODRIGUES, 2000). é o valor da umidade onde ocorre o inchamento

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2.1.6 Pó de pedra

Brita ou pedra britada é produzida pela desintegração em unidade industrial mineradora da rocha que dá origem à brita (granito, gnaisse, basalto etc.). O material fino de britagem é um subproduto das pedreiras oriundo da cominuição da rocha para a produção de agregado graúdo para concreto. No Brasil o material possui várias denominaçãos, como pó-de-pedra, areia industrial ou areia artificial. Independentemente da denominação esse agregado é utilizado nas misturas á base de cimento Portland é utilizada como agregado miúdo, substituindo ao todo ou em parte a areia extraída de rios (LANG e ROCHA, 2006). Considerando as zonas granulométricas da NBR 7211(2009), o pó-de-pedra se enquadra como agregado cujos grãos passam pela peneira com abertura de malha de 4,75 mm e ficam retidos na peneira com abertura de malha 150 µm.

2.2 PROPRIEDADES DO CONCRETO

Concreto de cimento Portland é o material resultante da mistura, em determinadas proporções, do aglomerante cimento Portland com um agregado miúdo, agregado graúdo e água, pode-se usar aditivos. Para efeito de suas propriedades, o concreto deve então ser analisado nessas duas condições: fresco e endurecido, levando em consideração que o concreto fresco é assim considerado até o momento em que tem início a pega do aglomerante e o concreto endurecido é o material que se obtém, após o fim da pega do aglomerante (ARAUJO, RODRIGUES e FREITAS, 2000) 2.2.1 Propriedades do Concreto Fresco

Para o concreto fresco, as propriedades desejáveis são as que asseguram a obtenção de uma mistura fácil de transportar, lançar e adensar, sem segregação. As principais propriedades do concreto, quando fresco é a consistência, poder de retenção de água e trabalhabilidade (ARAUJO, RODRIGUES e FREITAS, 2000).

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Araujo, Rodrigues e Freitas (2000), ainda esclarecem que a consistência é o maior ou menor grau de fluidez da mistura fresca, relacionando-se com a mobilidade da massa. Para determinação dessa propriedade utilizamos a determinação da consistência pelo abatimento do tronco e Cone NBR NM 67 (1998). A trabalhabilidade é uma propriedade composta, contendo pelo menos dois componentes principais, onde a primeira delas é a fluidez que pode ser descrita como a facilidade de mobilidade do concreto e a segunda é a coesão, que pode ser descrita como a resistência à exsudação e à segregação (MEHTA e MONTEIRO, 2008). A não retenção de água pelo concreto acarreta a exudação, quando a água se separa da massa e sobe à superfície da peça concretada. Pela ASTM C-125 (American Society for Testing and Materials) a trabalhabilidade é definida como a propriedade que determina o esforço exigido para manipular uma quantidade de concreto fresco, com perda mínima de homogeneidade (MEHTA e MONTEIRO, 2008). A massa específica do concreto fresco será determinado pela norma Massa Específica e Teor de Ar Pelo Método Gravimétrico NBR 9833 (1987). 2.2.2 Propriedades do Concreto Endurecido

As propriedades que um concreto depois de endurecido deve possuir são resistência, durabilidade, impermeabilidade e aparência. A resistência a compressão do concreto é a propriedade mais valorizada por projetistas e engenheiros de controle de qualidade. Considerada como a capacidade para resistir à esforços sem se romper, no concreto a resistência está relacionada aos esforços necessários para causar a ruptura (MEHTA e MONTEIRO, 2008). A resistência à compressão dos concretos tem sido tradicionalmente utilizada como parâmetro principal de dosagem e controle da qualidade dos concretos destinados a obras correntes. Isso se deve, por um lado, à relativa simplicidade do procedimento de moldagem dos corpos-de-prova e do ensaio de compressão axial, e, por outro, ao fato de a resistência à compressão ser um parâmetro sensível às alterações de composição da mistura permitindo inferir modificações em outras propriedades do concreto. (HELENE & TERZIAN, 1993).

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A utilização do conceito de relação água/cimento teve início em 1918, após a demonstração do resultado de 50.000 testes que, para um determinado cimento e conjunto de agregados, a resistência do concreto a certa idade é dependente essencialmente da relação água/cimento. Em termos simples o que a Lei de Abrams diz é que a resistência do concreto é tanto menor quanto maior for a quantidade de água adicionada à mistura (ARAUJO, RODRIGUES e FREITAS, 2000). A norma utilizada para essa determinação é a NBR 5739 (2007), Resistência a Compressão Axial. A resistência característica do concreto à compressão axial para corpos cilíndricos (fck), é um dos dados utilizados no cálculo estrutural e sua unidade de medida é o MPa (Mega Pascal), sendo que o cálculo da resistência à compressão (fc) se dá pela expressão:

25

3

MATERIAIS E METODOLOGIA

3.1

METODOLOGIA

Todos os insumos foram doados pela Empresa Camargo Corrêa, e os ensaios foram realizados no Laboratório de Processos Construtivos pertencente ao Departamento de Construção Civil (DACOC) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Os materiais empregados nesta pesquisa serão descritos a seguir, bem como os procedimentos dos ensaios. Foram realizados ensaios da determinação granulométrica dos três agregados miúdos, conforme instruções nas recomendações da NBR 7211 (2009). Mantiveram-se os mesmos agregados miúdo (Pó de Pedra) e graúdo (Brita) utilizado no traço do concreto convencional padrão de referência.

Figura 01 – Agregado Miúdo Artificial - Jazida Fonte: do autor

Figura 02 – Agregado Miúdo Artificial – Pó de Pedra Fonte: do autor

Figura 03 – Agregado Miúdo Natural – Areia Fonte do Autor

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Os agregados foram assim denominados nesta pesquisa: • Agregado miúdo artificial • Agregado miúdo natural • Agregado miúdo artificial – pó de pedra; – areia – substituido; – jazida de São Luiz do Purunã (PR) – substituto;

Agregado graúdo artificial – brita Foram realizados ensaios da determinação granulométrica dos três agregados miúdos (Figuras, 01, 02 e 03), realizando-se duas determinações para cada tipo de agregado, conforme instruções nas recomendações da NBR 7211 (2009). Manteve-se em todos os traços do ensaio, a mesma quantidade mesmo agregado miúdo (Pó de Pedra), utilizado pela concreteira e no traço do concreto convencional padrão de referência.

3.1.1 Composição Granulométrica do Agregado Graúdo As amostras de agregado graúdo foram submetidas ao ensaio segundo a NBR NM 248 (2003).

3.1.2 Teor de Material Pulverulento A NBR NM 46 (2003) é a norma que estabelece os parâmetros para determinação da quantidade de material , mais fino que a abertura da malha da peneira de 0,075 mm. Esse material quando em quantidades excessivas pode prejudicar a aderência entre a pasta de cimento e o agregado, interfere no consumo de água já que a superfície específica do agregado aumenta consideravelmente, culminando com a diminuição da resistência de concretos e argamassa NBR NM 46:2003. A NBR 46 (2003) determina que o material pulverulento são as partículas minerais com dimensões inferiores a 0,075 mm, inclusive os materiais solúveis em água presente nos agregados.

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3.1.3 Massa Unitária A NBR NM 45 (2006) é a norma que estabelece os procedimentos para determinação dessa característica que é utilizada para transformar massa em volume, porém especialmente em obras, deve-se tomar cuidado no sentido de observar em que condições físicas o agregado está estocado, as condições de enchimento dos recipientes bem como a forma desses recipientes. 3.1.4 Massa Específica e Absorção do Agregado Miúdo e Graúdo A NM 52 (2003) é a norma que estabelece os procedimentos para determinação da Massa Específica, Massa Específica Aparente e Absorção do Agregado Miúdo, enquanto a NBR NM 53 (2003), refere-se a (Massa Específica, Massa Específica Aparente e Absorção do Agregado Graúdo. Ambas informam que a “Massa Específica” é a relação entre a massa do agregado seco e seu volume, sem considerar os poros permeáveis à água e que a “Massa Específica Aparente” é a relação entre a massa do agregado seco e seu volume, incluindo os poros permeáveis por água, referindo-se também à “Massa Específica do Agregado Saturado Superfície Seca”,

3.2

MATERIAIS

3.2.1 Cimento Portland O cimento Portland utilizado foi o CPV ARI – Marca cauê Apiaí, é um cimento utilizado para concretos com resistência inicial acima de 28 MPa, superando valores mínimos normatizados pela NBR 5733 (1991), para cimentos Portland de alta resistência inicial, Tabela 01. Disponível em sacos de 50 kg e, também podendo ser fornecido à granel, sendo indicado pela empresa par uso em situações que exigem rápida desforma e alta resistência, tendo assim as seguintes características:

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Tabela 01 – Características do Cimento CPV ARI – Cauê Apiaí Resistência à Compressão (MPa) Blaine Início de Fim de 24h 3 Dias 7 dias 28 Dias (cm²) pega pega (min) (min) NBR 5737 NBR 5733 CPV ARI ≥ 14 28* ≥ 24 39* ≥ 34 44* 51* ≥ 3000 5100* ≥ 60 160* ≤ 600 270*

* Valores médios obtidos do Mapa da Qualidade do CPV ARI da unidade de Ijaci/MG no período de Janeiro a Novembro de 1009.

Fonte - Cauê - Camargo Corrêa

3.2.2 Aditivos A norma NBR 11.768 (1992), define aditivo como sendo, “Os produtos que adicionados em pequenas quantidades a concretos e argamassas de Cimento Portland modificam algumas das suas propriedades, no sentido de melhor adequálas a determinadas condições.” Denomina-se aditivo os materiais adicionados aos ingredientes normais do concreto, durante a mistura, para obter propriedades desejáveis, tais como: aumento da plasticidade, controle do tempo de pega, controle do aumento da resistência, redução do calor de hidratação, etc. Os aditivos plastificantes têm efeitos benéficos, pois permitem reduzir a quantidade de água necessária para se obter a plasticidade desejada (ANDOLFATO, 2002). O aditivo utilizado no traço do concreto convencional padrão de referência foi o Mira RT 65 – Segundo as informações da GRACE Construction Products, o MIRA™ RT 65 é um aditivo redutor de água polifuncional contendo polímeros modificados de compostos hidroxicarboxílicos, com excelentes resultados em concretos feitos com areia industrial, pois dispersa os aglomerados de cimento com maior eficácia. Pode ser utilizado com uma ampla gama de dosificações, e para se para conseguir importantes reduções da água de mistura resultando assim relações água/cimento muito baixas. As dosificações podem variar de acordo com a redução de água desejada e tempo de pega. normalmente as dosificações se encontram dentro da faixa de 0,3 a 1,0% em peso de cimento.

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3.2.3 Água Para o estudo foi utilizado à água da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, cabendo neste caso o destaque de que esta água é proveniente do poço artesiano, ou seja, a água utilizada é isenta de qualquer tipo de substância química nociva ao concreto. É importante lembrar que, águas suspeitas devem ser ensaidas e atender aos requisitos da ABNT BR 15900 para serem utilizadas na fabricação do concreto.

3.2.4 Traço do Concreto A metodologia empregada para este trabalho foi experimental e comparativa, dos resultados, visando a identificação da possibilidade de substituição de agregado natural por agregado artificial da jazida encontrado na região de São Luiz do Purunã no estado do Paraná e o traço padrão utilizado por uma concreteira de Curitiba. Foram mantido os mesmos agregados pó de pedra e brita utilizados pela concreteira nas mesmas quantidades em todos os traços estudados onde serão identificados da seguinte maneira: 1: an1 : an2 : b : a/c : ad 1 = uma parte de cimento Portland (Kg) an1 = agregado miúdo natural - areia an2 = agregado miúdo artificial – pó de pedra b = agregado graúdo a/c = quantidade de água ad = aditivo Para isso o traço do concreto convencional a ser utilizado como referência nesta pesquisa, é o mesmo utilizado em uma empresa concreteira na região de Curitiba e embora se tenha o conhecimento dos vários métodos para obtenção de traço, optou-se por um traço já com parâmetros de resistência identificados.

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O traço do concreto de referência foi assim adotado e, as quantidades individuais dos insumos para a produção de 1,0 m³ apresentam as proporções conforme Tabela 02.
Tabela 02 – Quantidades para 1,0 m³, Relação e Características do Traço Referência

Materiais
Cimento Portland Agregado Natural Agregado Artificial Agregado Graúdo CPV ARI ( Kg ) Areia ( Kg ) Pó de Pedra ( Kg ) Brita ( Kg ) Água ( Kg ) Aditivo em ml (Volume) Fonte: Camargo Corrêa Cimentos

Kg/m³ Relação 264 502 350 1049 183 1,00 1,90 1,33 3,97 0,69

a/c Ad

0,60% Volume

O traço de concreto convencional de referência apresenta ainda as seguintes características: • • • - fck - Lançamento - Abatimento : 25,0 MPa : convencional; : 60 ± 10 mm;

3.2.5 Parâmetros e Percentual de Substituições no Concreto Convencional de Referência. Iniciar-se-á a substituição do agregado miúdo natural (an1), pelo agregado artificial da jazida numa proporção de 50% e 100% e, substituições no proporcionamento de aditivo em 0,6% 0,8% e 1% em volume do peso do cimento. As proporções e traços a serem desenvolvidos no estudo foram assim tabelados para melhor compreensão (Tabela 03).

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Tabela 03– Referências de Componentes e Abreviações do Traço. Mistura 1 2 3 4 5 Componentes Traço de Referência 100 % Agregado Normal 0,6 % Aditivo Traço de Referência com 50 % de substituição; (50 % Agregado Normal, 50 % Agregado Jazida); 0,6 % Aditivo; Traço de Referência com 100% de substituição; 100% Agregado Jazida; 0,6 % Aditivo; Traço de Referência com 100% de substituição; 100% Agregado Jazida; 0,8 % Aditivo; Traço de Referência com 100% de substituição; 100% Agregado Jazida; 1,0 % Aditivo;
Fonte: do autor

Abreviações TR - 0,6% TR S 50% - 0,6% TR S 100% - 0,6% TR S 100% - 0,8% TR S 100% - 1,0%

3.2.6 Betoneira de Eixo Inclinado com Capacidade de 400 Litros Uma betoneira (Figura 04) ou misturador de concreto é o equipamento utilizado para mistura de materiais, na qual se adicionam cargas de pedra, areia, cimento e água, na proporção devida, de acordo com a finalidade da mistura. No estudo foi utilizado uma betoneira que pode ser classificada como intermitente de queda livre com eixo inclinado.

Figura 04: Betoneira Intermitente de Queda Livre com Eixo Inclinado Fonte: do autor

32

3.2.7 Preparo do Concreto Após a pesagem dos materiais conforme tabela de traço a preparação do concreto seguiu a seguinte seqüência para todas as quatro preparações: 1) A betoneira foi umedecida previamente; 2) Foi colocado toda a quantidade de agregado graúdo; 3) Foi adicionado ¼ da água e acionada a betoneira deixando misturar por 5 minutos; 4) Foi Misturado o aditivo ao restante da água a ser utilizada; 5) Foi adicionado o cimento e mais ¼ de água, misturando por 30 segundos e desligada betoneira; 6) Foi adicionado os agregados miúdos e o restante da água deixando-se por mais 10 minutos ligada. O proporcionamento de cada traço do concreto com as respectivas substituições, para ser confeccionada na betoneira de eixo inclinado (vide tabela 03), ficou assim definido conforme mostrada na Tabela 04.
Tabela 04 – Relação de Produtos em Função do Cimento por Traço Estudado

Traço
TR 06%
Cimento Portland CPV ARI ( Kg ) Agregado Natural Areia ( Kg ) Agregado Artificial Jazida ( Kg ) Agregado Artificial Pó de Pedra ( Kg ) Agregado Graúdo Brita ( Kg ) Água ( Kg ) Aditivo em ml (Volume) Fonte: do autor Obs.: Aditivo em g ( γ = 1,18g/cm³)

Traço
TR S 50% 0,6%

Traço
TR S 100% 0,6%

Traço
TR S 100% 0,8%

Traço
TR S 100% 1,0%

1,00 1,90 0,00 1,33 3,97 0,69 0,60%

1,00 0,95 0,95 1,33 3,97 0,69 0,60%

1,00 0,00 1,90 1,33 3,97 0,69 0,60%

1,00 0,00 1,90 1,33 3,97 0,69 0,80%

1,00 0,00 1,90 1,33 3,97 0,69 1,00%

33

3.2.8 Determinação da Consistência pelo Abatimento do Tronco de Cone Foi utilizada a NBR NM 67 (1996), especifica o método de Determinação da Consistência pelo Abatimento do Troco de Cone, para determinar a consistência do concreto fresco através da medida de seu assentamento, em laboratório e em obra.

.
Figura 05 – Materiais e Forma de Determinação do Ensaio Tronco e Cone Fonte – NBR NM 67 (1998)

3.2.9 Corpos de Prova O método utilizado para o ensaio está descrito na NBR 5738 (2003), moldagem e cura de corpos-de-prova cilíndricos ou prismáticos de concreto, que fixa as condições exigíveis para moldagem, desforma, preparação de topos, transporte e cura de corpos-de-prova cilíndricos, destinados a ensaios para determinação das propriedades de resistência a compressão axial, massa específica, absorção e índice de vazios.

Figura 06: Confecção de Corpos de Prova Fonte Própria

34

Para cada betonada, foi confeccionado 10 corpos de prova (Figura 06), sendo que 08 desses foram utilizados para os ensaios de Resistência a Compressão Axial, (4 - para cada idade) de 7 e 28 dias, e 02 serão utilizados para determinação de Absorção de água por imersão, Índices de Vazios, e Massa Específica aos 28 Dias. Considerando a quantidade de corpos de prova por ensaio e com base na NBR 5738 (2003), Moldagem e Cura de Corpos de Prova de Concreto, onde a dimensão básica dos corpos-de-prova deve ser de 100 mm, 150 mm, 250 mm, ou 450 mm, de forma que obedeça à relação: • d ≥ 3D • d = dimensão básica; • DMC = dimensão máxima característica do agregado, NBR 7211 (2009). Assim o corpo-de-prova utilizado foi o cilíndrico com diâmetro de 10 cm levando-se em conta o atendimento à norma e, apresenta ainda, a vantagem economia de material, facilidade de capeamento, transporte e estocagem.

3.2.10 Capeamento A NBR 5738 (2003), cita que deve ser utilizado um dispositivo auxiliar, denominado capeador, que garanta a perpendicularidade da superfície obtida com a geratriz do corpo-de-prova e que esta superfície deve ser lisa, isenta de riscos ou vazios e não ter falhas de planicidade superiores a 0,05mm em qualquer ponto, com o objetivo de garantir uma distribuição uniforme de tensões no que se referem as faces a serem comprimidas. A norma destaca ainda que outros processos podem ser empregados, desde que sejam submetidos à avaliação prévia por comparação estatística com corposde-prova capeados pelo processo tradicional porém a superfície resultante deve ser lisa, isenta de riscos ou vazios e não ter falhas de planicidade superiores a 0,05 mm em qualquer ponto, e para a presente pesquisa foi utilizado o capeamento com enxofre (Figura 07).

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Figura 07: Corpos de Prova para Ensaio de Compressão Axial Fonte Própria

O ensaio de resistência à compressão axial foi realizado nas dependências da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná e a prensa utilizada é modelo EMIC, tendo sido calibrada em 26/03/2010 – conforme número de certificado 216/2010, (Figuras, 08 e 09).

Figura 08: Prensa EMIC Fonte: do autor

Figura 09: Corpo de Prova Fonte: do autor

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Atendendo a NBR 05739 (2007), foi identificado, (Figura 10), o tipo de ruptura do corpo de prova foram de forma colunar para todos os traços.

Figura 10: Exemplo de Rompimentos de Corpos de Prova Após Compressão Axial Fonte: NBR 05739 (2007)

3.2.11 Desvio Padrão, Desvio Relativo e Desvio Relativo Máximo Uma característica importante de uma distribuição normal é que, quanto maior a amostragem, mais uniformemente as ocorrências se distribuem à medida que se afastam da média central. O “desvio padrão”, um valor que quantifica a dispersão dos eventos sob distribuição normal, ou seja, é a média das diferenças entre o valor de cada evento e a média central. Para calcular o “desvio relativo” de uma série de quatro resultados de rompimento de corpo de prova, deve-se dividir o valor absoluto da diferença entre a resistência média e a resistência individual pela resistência média, resultado que deve ser apresentado como porcentual. O “desvio relativo máximo” é o resultado que apresente o maior porcentual absoluto, ou seja, o maior valor independentemente do sinal, positivo ou negativo. Quando o “desvio relativo máximo” for superior a 6%, deve-se calcular uma nova média, desconsiderando o valor discrepante. Recalcula-se o “desvio relativo” e o “desvio relativo máximo” para a nova série identificando se o mesmo encontra-se dentro do parâmetro de 6% para cima ou para baixo da média. Persistindo o fato, eliminar os corpos de prova de todas as idades, devendo o ensaio ser totalmente refeito (GOMES e SILVA, 2006).

37

( 01 ) Desvio Relativo Resistência do Corpo de Prova Resistência Média da Série . Define-se a durabilidade como a capacidade do concreto em resistir à ação intempéries, ataque químico, abrasão, ou qualquer outro processo de deterioração (MEHTA e MONTEIRO, 2008) A maior compacidade do concreto poderá proporcionar uma maior durabilidade, pois esta propriedade está ligada intimamente a impermeabilidade. A água enquanto agente deteriorante é veículo de transporte de substâncias agressivas. Foi utilizada a NBR 9778:2006 para determinação da massa específica, índices de vazios e absorção de água por imersão do concreto endurecido.

38

4

RESULTADO E ANÁLISES

Apresentar-se-á todas as análises obtidas durante a realização do programa experimental, conforme metodologia descrita no capitulo 3, cujos resultados serão apresentados em forma de tabelas, gráficos para elucidar melhor a compreensão. A granulometria do agregado da jazida, agregado pó-de-pedra, agregado areia, são apresentadas respectivamente nas Tabelas 05, 06 e 07 e as curvas granulométricas podem ser observadas conforme Figuras 11, 12, 13, 14, 15 e16.
Tabela 05– Granulometria Agregado Miúdo – Jazida
REALIZAÇÃODE ENSAIOS FISICOS DO AGREGADO MIÚDO JAZIDA GRANULOMETRIA DO Abertura a) massa inicial seca (gr) = 1.000,0 1.000,0 (Vr) % retido Variações + 4% 0,0% 0,4% 0,0% 0,1% 0,2% 0,7% 0,0% 1,1% 0,1% Finu ra (%) 0,0% 0,7% 1,3% 4,0% 6,7% 19,9% 31,0% 27,5% 8,8% = (Mrm) % retido AGREGADO (Mra) % retido acumulada (%) 0,0% 0,7% 2,1% 6,1% 12,8% 32,7% 63,7% 91,2% 100,0% 2,08 MIÚDO

Faixas - % retidas acumuladas Limites Inferiores Zona Utilizável 0 0 0 0 5 15 50 85 100 Zona Ótima 0 0 0 10 20 35 65 90 100 Limites Superiores Zona Utilizável 0 0 5 20 30 55 85 95 100 Zona Ótima 0 7 10 25 50 70 95 100 100 4,75

da malha b) massa inicial seca (gr) = Massa das peneiras (mm) 9,5 6,3 4,75 2,36 1,18 0,6 0,3 0,15 Fundo Total S retida (gr) Ensaio a 0,00 5,39 13,41 40,73 65,69 195,47 309,80 280,25 88,41 999,15 Ensaio b 0,00 9,31 13,23 39,93 67,62 202,43 309,76 269,87 87,60 999,75 a 0,0% 0,5% 1,3% 4,1% 6,6% 19,6% 31,0% 28,0% 8,8% Ensaio

retida (%) Ensaio b 0,0% 0,9% 1,3% 4,0% 6,8% 20,2% 31,0% 27,0% 8,8%

Módulo de

D i â m e t r o m á x. =

Fonte: do autor

39

Dist. Granulometrica - Amostra 01 - Jazida
100,00% 91,15%

Dist. Granulométrica - Amostra 02 - Jazida
100,00%

100,00% 80,00% P e rc e n tu a is 60,00% 40,00% 20,00% 0,00%
m m
2,25% 0,00% 0,93% 6,25% 13,01% 33,26% 64,24%

100,00% 80,00% P e rc e n tu a is 60,00% 40,00% 20,00% 0,00%
m m
1,88% 0,00% 0,54% 5,96% 12,53% 32,10% 63,10%

91,24%

m

m

m

m

mm

mm

m

m

m

m

m

m

m 0µ

o

nd

0m

m

m

m

m

m

m

Fu

50

50

30

75

36

18

60

30

6,3

4,7

15

60

30

9,

9,

6,

4,

2,

2,

1,

Peneiras

Figura 11: Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulometrica Agregado Miúdo da Jazida Fonte Própria

Figura 12: Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulometrica Agregado Miúdo da Jazida Fonte Própria

Tabela 06 – Granulometria Agregado Miúdo – Pó de Pedra
REALIZAÇÃO DE ENSAIOS FISICOS DO AGREGADO MIÚDO

PÓ DE PEDRA GRANULOMETRIA DO a) massa inicial seca (gr) = 1.000,0 Abertura da malha das peneiras (mm) b) massa inicial seca (gr) = 1.000,0 Massa retida (gr) retida (%) Ensaio a 9,5 6,3 4,75 2,36 1,18 0,6 0,3 0,15 Fundo Total S 0,00 0,00 32,27 119,33 146,57 220,46 185,10 161,72 130,02 995,47 Ensaio b 0,00 0,00 31,37 116,29 148,04 217,65 189,28 168,18 128,72 999,53 Ensaio a 0,0% 0,0% 3,2% 12,0% 14,7% 22,1% 18,6% 16,2% 13,1% Ensaio b 0,0% 0,0% 3,1% 11,6% 14,8% 21,8% 18,9% 16,8% 12,9% de % (Vr) retida (Mrm) % retida AGREGADO (Mra) % retida MIÚDO

1,

Peneiras

Faixas - % retidas acumuladas Limites Limites Inferiores Superiores Zona Zona Zona Zona

Variações + 4% 0,0% 0,0% 0,1% 0,4% 0,1% 0,4% 0,3% 0,6% 0,2% (%) 0,0% 0,0% 3,2% 11,8% 14,8% 22,0% 18,8% 16,5% 13,0% =

acumulada (%) 0,0% 0,0% 3,2% 15,0% 29,8% 51,7% 70,5% 87,0% 100,0% 2,57

Utilizável Ótima Utilizável Ótima 0 0 0 0 5 15 50 85 100 0 0 0 10 20 35 65 90 100 0 0 5 20 30 55 85 95 100 0 7 10 25 50 70 95 100 100 4,75

Módulo

Finu ra

D i â m e t r o m á x. =

Fonte: do autor

15

36

18

5

Fu

nd

o

40

Figura 13: Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulometrica Agregado Miúdo Pó de Pedra Fonte Própria

Figura 14: Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulometrica Agregado Miúdo Pó de Pedra Fonte Própria

Tabela 07 – Granulometria Agregado Miúdo – Areia
REALIZAÇÃO DE ENSAIOS FISICOS DO AGREGADO MIÚDO AREIA GRANULOMETRIA DO a) massa inicial seca (gr) = 1.000,0 Abertura da malha das peneiras (mm) b) massa inicial seca (gr) = 1.000,0 Massa retida (gr) retida (%) Ensaio a 9,5 6,3 4,75 2,36 1,18 0,6 0,3 0,15 Fundo Total S 0,00 6,90 7,07 69,61 146,82 251,19 256,79 206,36 55,21 999,95 Ensaio b 0,00 6,02 7,24 68,10 166,75 249,58 249,56 199,39 53,26 999,90 Ensaio a 0,0% 0,7% 0,7% 7,0% 14,7% 25,1% 25,7% 20,6% 5,5% Ensaio b 0,0% 0,6% 0,7% 6,8% 16,7% 25,0% 25,0% 19,9% 5,3% de (Vr) % retido Variaçõe s + 4% 0,0% 0,1% 0,0% 0,2% 2,0% 0,2% 0,7% 0,7% 0,2% Finu ra AGREGADO (Mra) % retido M I Ú D O - Areia Faixas - % retidas acumuladas Limites Limites Inferiores Superiores Zona Zona Zona Zona

(Mrm) % retido média (%) 0,0% 0,6% 0,7% 6,9% 15,7% 25,0% 25,3% 20,3% 5,4% =

acumulada (%) 0,0% 0,6% 1,4% 8,2% 23,9% 49,0% 74,3% 94,6% 100,0% 2,51

Utilizável Ótima Utilizável Ótima 0 0 0 0 5 15 50 85 100 0 0 0 10 20 35 65 90 100 0 0 5 20 30 55 85 95 100 0 7 10 25 50 70 95 100 100 4,75

Módulo

D i â m e t r o m á x. =

Fonte: do autor

41

Dist. Granulometrica - Amostra 01 - Traço
100,00%

100,00% 94,48%

Dist. Granulometrica - Amostra 02 - Traço
100,00%

100,00%
94,67%

80,00% P ercen tu ais 60,00% 40,00% 20,00%
0,00% 8,36% 0,69% 1,40% 23,04% 48,16%

73,84%

80,00% P ercentuais 60,00%
49,77%

74,73%

40,00% 20,00%
0,00% 8,14% 0,60% 1,33% 24,81%

0,00%
0µ m 0µ m 0µ m m m m m m o nd m m m m m Fu

0,00%

m

m

µm 0

m

m

m

m

m

m

m

m

m

m

50

30

75

36

50

18

60

30

30

75

36

18

15

60

30

9,

4,

2,

6,

9,

6,

4,

1,

2,

1,

Peneiras

Peneiras

Figura 15: Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulometrica Agregado Miúdo Areia Fonte Própria

Figura 16: Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulometrica Agregado Miúdo Areia Fonte Própria

Quanto à origem tanto o Agregado da Jazida quanto o Agregado Pó de Pedra são considerados artificiais, e a Areia é considerado um Agregado Natural.
Tabela 08 – Relação – Peneiras Zona / Utilizável Peneira com Abertura de Malha (ABNT NBR NM ISSO 3310-1) 9,50 mm 6,30 mm 4,75 mm 2,36 mm 1,18 mm 600 µm 300 µm 150 µm Fundo Módulo de Finura Diâmetro Máximo Fonte: do autor 0 0 0 0 5 15 50 85 0 0 0 10 20 35 65 90 0 0 5 20 30 55 85 95 0 7 10 25 50 70 95 100 0,00 0,70 2,10 6,10 12,80 32,70 63,70 91,20 8,80 2,08 4,75 0,00 0,00 3,20 15,00 29,80 51,70 70,50 87,00 13,00 2,57 4,75 0,00 0,60 1,40 8,20 23,90 49,00 74,30 94,60 5,40 2,51 4,75 Porcentagem, Em Massa, Retida, Acumulada limites Inferiores Zona Utilizável Zona Ótima Limites Superiores Zona Ótima Zona Utilizável Agregado Jazida Agregado Pó de Pedra Agregado Areia

15

Fu

nd

o

42

Os três agregados encontram-se dentro das zonas utilizáveis inferior e superior (Tabela 08). Agregados jazida, pó de pedra e areia apresentaram o módulo de finura de 2,08, 2,57 e 2,51 respectivamente o que demonstra que o agregado da jazida tem uma granulometria mais fina que os outros dois. O diâmetro máximo de todos os três agregados miúdos foram de 4,75. Na Figura 17 é possível de identificar as zonas correspondentes aos limites recomendados pela NBR 7211 (2009), e as curvas granulométricas de todos os agregados miúdos ensaiados.

Figura 17: Comparativo Zonas Inferior e Superior Utilizáveis - Granulometria Agregados Fonte: do autor

Lembrando que o agregado natural, a areia, será substituído por outro agregado artificial da Jazida e, o que se espera deste, é que, este apresente desempenho e características adequadas para garantir a sua substituição já que essa substituição não pode comprometer o desempenho do concreto convencional

43

No entanto, verifica-se que, a areia artificial da Jazida tem grãos bem mais finos que a areia natural utilizada pela concreteira, podendo induzir, neste caso, a um aumento de água de amassamento ou de aditivos, pela maior quantidade de finos presentes encontrados no ensaio granulométrico (Tabela 09).
Tabela 09: Teor de Material Pulverulento dos Agregados Miúdos Agregado da Jazida Amostra 01 Amostra 02 Média Fonte: do Autor 8,78% 9,54% 9,16% Agregado Pó-dePedra 12,50% 13,44% 12,97% Agregado Areia

2,92% 3,04% 2,98%

A amostra o agregado da jazida e areia apresentaram de material pulverulento dentro dos limites aceitáveis da norma. O agregado pó de pedra apresentou valores de material pulverulento um pouco acima, porém bem próximos dos limites superiores da norma e em vista de ter sido mantido as mesmas quantidades desse agregado em todos os traços, esse detalhe não interfere na validação dos resultados, já que a substituição, objetivo específico desse estudo, é entre o agregado da jazida e o agregado areia. Na Tabela 10 é apresentado o material pulverulento dos agregados miúdos proporcionalmente a cada traço, sendo que nos traços com substituição de 100%, houve um aumento 3,65% na quantidade de material pulverulento desse material com relação a massa total de agregados miúdos do traço.
Tabela 10: Percentuais Material Pulverulento Proporcional ao Traço (Agregados Miúdos) TR Percentual Material Pulverulento Fonte: do autor 7,08% TR S 50% 0,6% 8,90% TR S 100% 0,6% 10,73% TR S 100% 0,8% 10,73% TR S 100% 1,0% 10,73%

44

1% 1% Amostra 0,5%

0,5%

Amostra

Figura 18: Comparativo Impurezas Orgânicas entre Amostra e Padrões do Agregado Miúdo da Jazida Fonte: do Autor

Figura 19: Comparativo Impurezas Orgânicas entre Amostra e Padrões do Agregado Miúdo Areia Fonte: do autor

A matéria orgânica pode prejudicar a pega, o endurecimento e a resistência á compressão do concreto. O ensaio colorimétrico, de acordo com a NBR NM49 (2001), indica o percentual de impurezas orgânicas nas areias. Na comparação da amostra da jazida, com duas amostras preparadas a 1% e 0,5% (100 e 50 ppm respectivamente) é possível identificar que nas Figuras 18 e 19 que tanto o agregado miúdo da jazida como o agregado areia apresentam colocação mais clara que o padrão. Na Figura 18, a amostra ensaiada encontra-se no meio da amostra com 1%, lado esquerdo, com coloração mais escura e a amostra 0,5%, a direita, com colocação mais clara, observa-se que, por comparação visual, a amostra ensaiada, apresenta uma coloração visual em torno de valores com 0,7% a 0,8% (70 a 80 ppm). Na Figura 19, a amostra ensaiada da areia, encontra-se à direita das duas amostras, e por comparação, observa-se que se apresenta uma coloração visual em torno de valores com 0,3% a 0,4% (30 a 40 ppm). A amostra com 1% é a da esquerda, com a coloração mais escura e a amostra com 0,5% é a do centro.

45

Tabela 11: Massas Unitárias, Massas Específicas e Absorção dos Agregados Miúdos Agregado da Jazida Massa Unitária em Estado Solto Massa Unitária Compactada Massa Específica Aparente (d1) Massa Específica Saturada Superfície Seca (d2) Massa Específica Real (d3) Absorção Fonte: do autor 2,68 0,11 g/cm³ % 2,60 2,12 g/cm³ % 2,54 0,40 g/cm³ % 1.582,00 Kg/m³ 1.719,00 Kg/m³ 2,52 2,58 g/cm³ g/cm³ Agregado Pó de Pedra 1.612,00 Kg/m³ 1.757,00 Kg/m³ 2,79 2,66 g/cm³ g/cm³ Agregado Areia 1.441,67 Kg/m³ 1.564,68 Kg/m³ 2,49 2,51 g/cm³ g/cm³

As massas unitárias e específicas encontram-se dentro dos parâmetros normais para esse tipo de estudo e de resultado (Tabela 11) A determinação do percentual de absorção se da, depois de identificado o requisito, agregado saturado superfície seca. Assim os agregados pó de pedra e areia, apresentaram percentuais diferenciados e normais.

Tabela 12: Coeficientes Relativos ao Inchamento do Agregado Miúdo da Jazida Agregado da Jazida Coeficiente Máximo Vh / Vs Coeficiente para a Umidade Crítica Coeficiente Inchamento Médio Percentual Água no Inchamento Máximo Fonte: do autor 1,38 1,35 1,36 6,50 % Agregado Areia 1,24 1,20 1,23 4,55 %

46

Figura 20 – Curva de Inchamento – Agregado Miúdo Jazida Fonte : do autor

Figura 21– Curva de Inchamento – Agregado Miúdo Areia Fonte: do autor

Diante dos valores apresentados na Tabela 12, é possível afirmar que se ao adicionar 6,5% da massa do agregado miúdo da jazida em água, acontece um aumento de volume da ordem de 37,46%. Já o agregado miúdo areia natural, com a introdução 4,5% de sua massa em água, acontece um aumento de volume da ordem de 24,16%.

47

Tabela 13: Granulometria Agregado Graúdo
R E AL IZ AÇÃO DE ENSAIOS F I S I C O S D O A G R E G A D O GRAÚDO

GR ANU LOMETRIA DO Abertura da malha das peneiras (mm) a) massa inicial seca (gr) = 5.000,0 (Vr) (Mrm) % b) massa inicial seca (gr) = 5.000,0 Massa (gr) Ensaio a > 50 mm 50 mm 37,5 mm 25,0 mm 19,0 mm 12,5 mm 9,5 mm 4,75 mm < 4,75 mm Total S 0,00 0,00 0,00 0,00 554,42 3.794,51 573,96 74,18 2,93 5.000,00 Ensaio b 0,00 0,00 0,00 0,00 541,81 3.821,00 565,74 69,24 2,21 5.000,00 retida Massa (%) Ensaio a 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 11,1% 75,9% 11,5% 1,5% 0,1% Ensaio b 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 10,8% 76,4% 11,3% 1,4% 0,0% retida Variações + 4% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,3% 0,5% 0,2% 0,1% 0,0% média (%) 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 11,0% 76,2% 11,4% 1,4% 0,1% % retiro retiro

AGREGADO

GRAÚDO

(Mra)

Faixas - % retidas acumuladas

% retiro acumulada (%) 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 11,0% 87,1% 98,5% 99,9% 100,0% 0-5 2 - 15 40 - 100 80 - 100 D i â m e t r o m á x. = 19 0-5 2 - 15 40 - 65 80 - 100 92 - 100 0-5 5 - 25 65 - 95 92 -100 92 - 100 0-5 5 - 30 87 - 100 95 - 100

BRITA 0 4,75 -12,5

BRITA 1 9,5 - 25

BRITA 2 19 - 31,5

BRITA 3 25 - 50

BRITA 4 37,5 - 75

75 - 100 90 - 100 95 - 100

Módulo

de

Finu ra

=

6,98

Fonte: do autor

Os resultados da análise granulométrica do agregado graúdo estão apresentados na tabela 13, sendo que quanto à origem o agregado é considerado artificial, de origem basáltica, com colocação entre tons de cinza-claro e cinzaescurol. Foi realizado duas determinações, conforme recomendações da NBR 7211 (2009), onde se identificou diâmetro máximo característico (DMC) do agregado graúdo, obtendo o valor é 19 mm. Manteve-se o mesmo agregado graúdo utilizado pela concreteira no traço do concreto convencional padrão de referência, que segundo a NBR 7211 (2009), podemos classificar o agregado graúdo como brita 01. Pode-se visualizar melhor a granulometria das duas amostras através dos gráficos das Figuras 22 e 23.

48

Dist. Granulometrica - Amostra 01 - Agregado Graúdo
100,00% 99,96%

Dist. Granulometrica - Amostra 01 - Agregado Graúdo
100,00%

100,00%

98,46% 86,98%

99,94%

100,00% 80,00% Percentuais 60,00% 40,00% 20,00%
0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 10,84% 87,26%

98,57%

80,00% Percentuais 60,00% 40,00% 20,00%
0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 11,09%

0,00% > 50 mm

50 mm

37,5 mm

25,0 mm

19,0 mm Peneiras

12,5 mm

9,5 mm

4,75 < 4,75 mm mm

0,00% > 50 mm

50 mm

37,5 mm

25,0 mm

19,0 mm Peneiras

12,5 mm

9,5 mm

4,75 < 4,75 mm mm

Figura 22: Gráfico Amostra 01 – Distribuição Granulometrica Agregado Graúdo Brita Fonte: do auto

Figura 23: Gráfico Amostra 02 – Distribuição Granulometrica Agregado Graúdo Brita Fonte: do autor

Figura 24: Agregado Graúdo - Brita Fonte: do autor

Figura 25: Ensaio Agregado Graúdo - Brita Fonte: do autor

Tabela 14: Massa Unitária e Massa Específica e Absorção– Agregado Graúdo

Massa Unitária em Estado Solto Massa Unitária Compactada Massa Específica Aparente – d Massa Específica Saturada Superfície Seca – ds Massa Específica do Agregado Seco – da Absorção – a
Fonte: do autor

1.346,33 Kg/m³ 1.462,00 kg/m³ 2,67 g/cm³ 2,68 g/cm³ 2,67 g/cm³ 0,33 %

49

As propriedades físicas do agregado graúdo (Figuras 24 E 25), massa unitárias e específica bem como a absorção encontram-se dentro dos parâmetros normais para esse tipo de estudo e de resultado (Tabela 14). Analisando a Tabela 15 e a Figura 26, verifica-se que, o abatimento do concreto convencional de referência utilizada pela concreteira foi de 60 mm.
Tabela 15: Resultado do Abatimento (Slump) por Traço Estudado

TRAÇO TR - 06% TR S 50% 0,6% TR S 100% 0,6% TR S 100% 0,8% TR S 100% 1,0%
Fonte: do autor

SLUMP ( mm ) 60 60 50 80 110

Figura 26: Abatimento (Slump) Fonte: do autor

Figura 27: Comparativo do Abatimento dos Traços Fonte: do autor

50

Substituindo 50% da areia natural de referencia pela areia artificial da Jazida verificou-se que não houve nenhuma interferência no resultado do abatimento, aliás, mantendo-se os mesmos valores de referência de 60 mm. Substituindo-se totalmente a areia natural (100%) pela areia artificial e, mantendo-se a mesma quantidade de aditivo, o abatimento encontrado no ensaio foi menor, ou seja, com 50 mm. Isto se deve, ao fato, de que, a areia artificial da Jazida tem uma quantidade maior de grãos mais finos que a areia natural, e conseqüentemente, para manter o mesmo abatimento de referência, nestas condições, deve-se aumentar a quantidade de água de amassamento. No entanto, não é objetivo desta pesquisa manter o abatimento do concreto convencional de referência devidas às substituições propostas e, sim, analisar as conseqüências substituições. Verifica-se que, ao acrescentar uma maior quantidade de aditivo (0,8% e 1,0%) na massa do concreto com 100% de areia artificial, o abatimento é muito maior em relação ao concreto convencional de referencia. O aditivo utilizado no traço do concreto convencional padrão de referência foi o Mira RT 65, que age como redutor de água, pois dispersa os aglomerados de cimento com maior eficácia. No entanto, manteve-se a mesma quantidade de água de amassamento para todos os cinco traços adotados e que, conseqüentemente, há aumento do abatimento do tronco de cone, ou seja, ocorre maior fluidez da massa do concreto. Tabela 16: Massa Específica do Concreto Fresco
TR Massa Específica do Concreto Fresco (Kg/dm³) 2,355 TR S 50% 0,6% 2,366 TR S 100% 0,6% 2,376 TR S 100% 0,8% 2,389 TR S 100% 1,0% 2,398

ou

alterações comportamentais

nos resultados

devidas

as

Fonte: do autor A massa especifica do concreto fresco (Tabela 16), apresenta um resultado dentro da normalidade, observando uma proximidade entre todos os resultados, também uma tendência de crescimento (Figura 28), a medida que se aumentou o percentual de substituição, e o percentual de aditivo foi crescendo.

51

Figura 28: Comparativo Massa Específica do Concreto Fresco Fonte: do autor

Figura 29: Tipo de Rompimento no Corpo de Prova Fonte Própria

Na figura 29 é possível verificar que em comparação com aos tipos de rompimento mencionados no item (Capeamento), todos os corpos de prova rompidos nesta pesquisa, apresentaram o mesmo tipo de rompimento apresentado pelo corpo de prova (e) da figura 10, ou seja colunar.

52

Tabela 17 – Resistência a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 07 dias. TR Resistência 7 dias CP 1 Resistência 7 dias CP 2 Resistência 7 dias CP 3 Resistência 7 dias CP 4 Fonte: do autor 25,04 27,21 24,84 26,71 TR S 50% 0,6% 24,88 25,50 23,83 26,59 TR S 100% 0,6% 24,60 26,01 23,37 27,48 TR S 100% 0,8% 32,78 32,98 34,67 30,46 TR S 100% 1,0% 30,24 28,92 28,46 29,77

Figura 30: Comparativo das Resistências dos Corpos de Prova dos Traços aos 07 dias Fonte: do autor

Média das Resistências - 07 Dias
35,00 30,00 Resistência (MPa) 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 25,95 25,20 25,37 Média das Resistências (Mpa) 32,72 29,35

TR

%

0, 6%

%

0, 6

10 0%

S

10 0%

S

TR

TR

S

TR

Traços

Figura 31 – Média das Resistências dos Corpos de Prova dos Traços aos 07 dias Fonte: do autor

TR

S

10 0%

50 %

1, 0

0, 8

%

53

A primeira idade a ser rompida dos corpos de prova foi aos 07 dias. Na substituição de 50% e 100% do agregado miúdo, as resistências praticamente mantiveram-se no mesmo patamar do traço de referência. Já nos traços onde a substituição foi de 100% com alteração no percentual do aditivo, houve um aumento da resistência em relação ao traço de referência, sendo o traço “TR S 100% - 0,8%” aquele que apresentou uma resistência maior (Tabela 17) e (figura 30). Esse mesmo padrão pode ser verificado no gráfico das médias das resistências (Figura 31).
Tabela 18 – Resistência a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 28 dias. TR TR S 50% TR S 100% TR S 100% TR S 100% 0,6% 0,6% 0,8% 1,0% Resistência 28 dias CP 1 Resistência 28 dias CP 2 Resistência 28 dias CP 3 Resistência 28 dias CP 4 Fonte: do autor 32,15 31,15 32,67 33,38 32,58 31,10 33,74 32,49 30,13 35,56 30,08 32,14 36,62 37,92 39,83 39,06 35,82 34,12 34,28 33,45

Figura 32: Comparativo das Resistência dos Corpos de Prova dos Traços aos 28 dias Fonte: do autor

54

Média das Resistências - 28 Dias
45,00 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00

38,36 32,34 32,48 31,98

Resistência (MPa)

34,42 Média das Resistências (Mpa)

TR

0, 6

10 0%

10 0%

0, 8%

S

S

S

TR

TR

TR

Traços

Figura 33 - Média das Resistências dos Corpos de Prova dos Traços aos 28 dias Fonte: do autor

A exemplo do que aconteceu com as resistências dos corpos de prova com idade aos 07 dias, os valores de resistências os 28 dias na substituição de 50% e 100% do agregado miúdo as resistências ficaram nos mesmos patamares da resistência dos corpos de prova do traço de referência. Os traços onde a substituição foi de 100% com alteração no percentual do aditivo, houve um aumento da resistência em relação ao traço de referência, sendo o traço “TR S 100% - 0,8%” aquele que apresentou uma resistência maior. (Tabela 18) e (Figura 32). Esse mesmo padrão pode ser verificado no gráfico das médias das resistências (Figura 33).

Tabela 19 – Média das Resistências a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 07 e aos 28 dias. TR TR S 50% TR S 100% TR S 100% TR S 100% 0,6% 0,6% 0,8% 1,0% Média das Resistência aos 7 dias Média das Resistência aos 28 dias Percentual 25,95 32,34 24,62% 25,2 32,48 28,89% 25,37 31,98 26,05% 32,72 38,36 17,24% 29,35 34,42 17,27%

Fonte Própria

TR

S

10 0%

50 %

1, 0%

0, 6%

%

55

Verifica-se que a variação percentual da resistência à compressão axial dos corpos de prova ensaiados aos 07 e aos 28 dias, tiveram um aumento de 24,62%, 28,89% e 26,06% respectivamente nos traços de referência, substituição de 50% e substituição de 100% com 0,6% de aditivo (Tabela 19) e (Figura 34). Já nos traços com substituição de 100% da areia natural pela areia da jazida, com o aditivo em 0,8% e 1,0% a variação percentual da resistência à compressão axial dos corpos de prova ensaiados ficou na casa dos 17%.

Figura 34 – Comparação das Resistência Médias dos Traços aos 07 e 28 dias Fonte: do autor

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Tabela 20 – Validação dos Resultados das Resistências a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 07 Dias. TR TR S 50% 0,6% TR S 100% 0,6% TR S 100% 0,8% TR S 100% 1,0% Resist. MPa
Res. 7 dias CP 1 Res. 7 dias CP 2 Res. 7 dias CP 3 Res. 7 dias CP 4 Média Desvio Padrão DRM

Desvio Relativo -3,51% 4,86% -4,28% 2,93%

Resist. MPa 24,88 25,50 23,83 26,59 25,20 1,155

Desvio Relativo -1,27% 1,19% -5,44% 5,52%

Resist. MPa 24,60 26,01 23,37 27,48 25,37 1,775

Desvio Relativo -3,02% 2,54% -7,87% 8,34%

Resist. MPa 32,78 32,98 34,67 30,46 32,72 1,730

Desvio Relativo 0,18% 0,79% 5,95% -6,91%

Resist. MPa 30,24 28,92 28,46 29,77 29,35 0,805

Desvio Relativo 3,04% -1,46% -3,02% 1,44%

25,04 27,21 24,84 26,71 25,95 1,187

4,86%

5,44%

8,34%

6,91%

3,04%

Fonte: do autor

Nos resultados do rompimento dos corpos de prova com 07 dias, verifica-se ma Tabela 20, que os CPs de nº 4 do traços (TR S 100% 0,6%) e (TR S 100% 0,8%), apresentaram o desvio relativo respectivamente de 8,34% e 6,91, ou seja, ambos os percentuais estão acima do parâmetro de 6%. No traço (TR S 100% 0,6%) destacamos o CP3 com o percentual do desvio relativo em valor absoluto de 7,87%. Os outros CPs mantiveram o desvio relativo abaixo do percentual de 6%.
Tabela 21 – Validação Excluindo Resultados com Desvio Relativo Máximo acima de 6% das Resistências a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 07 Dias. TR Resist. MPa
Res.7 dias CP 1 Res. 7 dias CP 2 Res. 7 dias CP 3 CP Excluído Média Desvio Padrão DRM

TR S 50% 0,6% Resist. MPa 24,88 25,50 23,83 26,59 25,20 1,15 Desvio Relativo -1,27% 1,19% -5,44% 5,52%

TR S 100% 0,6% Resist. MPa 24,60 26,01 23,37 27,48 24,66 1,32 Desvio Relativo -0,24% 5,47% -5,23%

TR S 100% 0,8% Resist. MPa 32,78 32,98 34,67 30,46 33,48 1,04 Desvio Relativo -2,08% -1,48% 3,56%

TR S 100% 1,0% Resist. MPa 30,24 28,92 28,46 29,77 29,35 0,81 Desvio Relativo 3,04% -1,46% -3,02% 1,44%

Desvio Relativo -3,51% 4,86% -4,28% 2,93%

25,04 27,21 24,84 26,71 25,95 1,31

4,86%

5,44%

5,47%

3,56%

3,04%

Fonte: do autor

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Para validação dos resultados foi retirado os dois CPs com o maior valor absoluto de cada traço acima dos 6% (Tabela 21). Verifica-se agora que não há percentual de desvio relativo acima dos 6%, inclusive o CP 3 do traço (TR S 100% 0,6%) que apresentava anteriormente um desvio relativo de 7,87% teve seu percentual de desvio relativo definido em 5,23%.
Tabela 22 – Validação dos Resultados das Resistências a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 28 Dias. TR Resist. MPa Resi. 28 dias CP 1 Res. 28 dias CP 2 Res. 28 dias CP 3 Res. 28 dias CP 4 Média Desvio Padrão DRM Fonte Própria 32,15 31,15 32,67 33,38 32,34 0,94 3,67% Desvio Relativo -0,58% -3,67% 1,03% 3,22% TR S 50% 0,6% Resist. MPa 32,58 31,10 33,74 32,49 32,48 1,08 4,24% Desvio Relativo 0,32% -4,24% 3,89% 0,04% TR S 100% 0,6% Resist. MPa 30,13 35,56 30,08 32,14 31,98 2,57 11,20% Desvio Relativo -5,78% 11,20% -5,93% 0,51% TR S 100% 0,8% Resist. MPa 36,62 37,92 39,83 39,06 38,36 1,40 4,53% Desvio Relativo -4,53% -1,14% 3,84% 1,83% TR S 100% 1,0% Resist. MPa 35,82 34,12 34,28 33,45 34,42 1,00 4.07% Desvio Relativo 4,07% -0,86% -0,40% -2,81%

Nos resultados do rompimento dos corpos de prova com 28 dias (Tabela 22), verifica-se que o CP de nº 2 do traço (TR S 100% 0,6%), apresentou o desvio relativo de 11,2, percentual está acima do parâmetro de 6%. Todos os outros CPs mantiveram o desvio relativo abaixo do percentual de 6%. Para validação dos resultados foi retirado o CP com o maior valor absoluto do traço acima dos 6%. Verifica-se agora que não há percentual de desvio relativo acima dos 6% (Tabela 23).

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Tabela 23 – Validação Excluindo Resultados com Desvio Relativo Máximo acima de 6% das Resistências a Compressão Axial dos Corpos de Prova aos 28 Dias. TR Resist. MPa Resistência 28 dias CP 1 Resistência 28 dias CP 2 Resistência 28 dias CP 3 CP Excluído Média Desvio Padrão DRM Fonte Própria 32,15 31,15 32,67 33,38 32,34 0,94 3,67% Desvio Relativo -0,58% -3,67% 1,03% 3,22% TR S 50% 0,6% Resist. MPa 32,58 31,10 33,74 32,49 32,48 1,32 4,24% Desvio Relativo 0,32% -4,24% 3,89% 0,04% TR S 100% 0,6% Resist. MPa 30,13 30,08 32,14 35,56 30,78 1,18 4,41% Desvio Relativo -2,12% -2,28% 4,41% TR S 100% 0,8% Resist. MPa 36,62 37,92 39,83 39,06 38,36 1,61 4,53% Desvio Relativo -4,53% -1,14% 3,84% 1,83% TR S 100% 1,0% Resist. MPa 35,82 34,12 34,28 33,45 34,42 1,00 4,07% Desvio Relativo 4,07% -0,86% -0,40% -2,81%

Tabela 24 – Absorção, Índice de Vazios e Massa Específica da Amostra Seca do Concreto Endurecido
ABSORÇÃO TR TR S 50% 0,6% TR S 100% 0,6% TR S 100% 0,8% TR S 100% 1,0% ÍNDICE DE VAZIOS MASSA ESPECÍFICA SECA MASSA ESPECÍFICA SATURADA

5,98% 5,36% 5,34% 4,97% 5,35%

13,23% 12,25% 12,10% 11,47% 12,07%

2,213 2,285 2,265 2,309 2,256

kg/dm³ kg/dm³ kg/dm³ kg/dm³ kg/dm³

2,550 2,603 2,577 2,609 2,565

kg/dm³ kg/dm³ kg/dm³ kg/dm³ kg/dm³

Fonte : do autor

Verifica-se que os valores absorção, índice de vazios, massas específica seca e saturada (Tabela 24), dos traços estudados, estão muito próximos dos valores do traço referência.

59

5

CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo, serão apresentadas as conclusões observadas na realização dessa pesquisa e também sugerir temas ligados a pesquisa que podem ser avaliados de forma mais específica em trabalhos futuros. 5.1 CONCLUSÕES DO ESTUDO

Após a realização de todas as etapas propostas no programa experimental, no que se refere a caracterização de agregado miúdo de jazida da região de sSão Luiz do Purunã em substituição ao agregado miúdo natural (substituto) utilizado em uma empresa de concreto dosado central, e levando-se em conta as condições desta pesquisa verifica-se que: Em relação às propriedades dos agregados conclui-se que: • Embora o agregado da jazida apresente um módulo de finura menor e um percentual de material pulverulento maior que o agregado natural da jazida, o material substituto possui todas as características físicas necessárias à sua utilização como agregado miúdo em concretos, e com os números de sua granulometria e sua curva granulométrica pode-se classificá-lo como areia fina segundo a NBR 7211 (2009). • O caráter fino da granulometria do agregado da jazida, nos remete a viabilidade de utilização desse agregado em traços de concretos aparentes que normalmente utilizam areias com granulometria menor além da possibilidade de utilização em traços convencionais. • As massas unitárias e específicas de ambos os agregados, substituído e substituto, mantiveram-se próximas e dentro da normalidade dos agregados miúdos utilizados na confecção de concretos normais dosados em central. A absorção do agregado substituto se mostrou menor que a absorção do agregado substituído, porém essa propriedade não se refletiu totalmente na absorção identificada nos corpos de prova (concreto endurecido). • Ambos os agregados demonstraram estarem aptos a serem utilizados no que se referem a impurezas orgânicas, uma vez praticamente não apresentaram índice de contaminação.

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• É possível destacar que o inchamento do agregado da jazida apresentou índice acima a do agregado natural, porém dentro dos padrões e referências bibliográficas que apresentamos no presente estudo. • A comparação do abatimento do tronco de cone dos traços estudados demonstrou que não deve haver dificuldades de estabelecer os limites de abatimento (Slump) em novos traços confeccionados com o agregado da jazida, já que os resultados do abatimento nos traços onde não houve variação de aditivo redutor de água permaneceram muito próximo ou iguais ao do traço referência, e a variação do abatimento nos traços onde houve aumento do percentual de aditivo teve variação pequena. Em relação às do concreto fresco e endurecido conclui-se que: • A massa específica do concreto fresco de todos os traços estudados, apresentaram números muito próximos ao traço de referência, o que demonstra que por esse aspecto o agregado da jazida também está apto a seu utilizado. • Nos dois primeiros traços onde houve substituição de agregado de 50% e 100% com a manutenção do percentual do aditivo em 0,6%, as resistências à compressão axial para 07 dias de idade do concreto demonstraram um quadro de normalidade e padronização com o traço de referencia onde o agregado era a areia, ficando a resistência a compressão axial desses três traços em 25 MPa. • Nos traços onde a substituição da areia natural foi de 100% e houve alteração no percentual do aditivo redutor de água para 0,8% e 1,0%, é possível verificar um aumento de resistência para a idade de 07 dias, na ordem de 26% no traço com 0,8% de aditivo e de 13%, traço com 1% de aditivo em comparação com relação ao traço de referencia onde o agregado era a areia. O mesmo padrão do diferencial da resistência desses dois traços e a resistência dos corpos de prova do traço de referência ocorreu no concreto aos 28 dias, aonde a média das resistências a compressão axial dos traços com 100% de substituição chegaram a 38,36 MPa (TR 100% 0,8% ) e 34,42 MPa (TR 100% 1,0% ) enquanto a média dos corpos de prova do traço de referência foi de 32,24 (MPa).

61

• Vale salientar que entre o crescimento das resistências a compressão axial dos 07 aos 28 dias se mostraram diferentes entre os traços com percentual de 0,6% e os outros dois traços com adição de 0,8% e 1,0%. Nos três primeiros traços que continham aditivo com o mesmo percentual (0,6%) a variação da resistência de 07 para 28 dias, ficou na casa de 25% enquanto nos outros dois traços o crescimento da resistência de 07 para 28 dias ficou na casa de 17%. • No que se refere a resistência a compressão axial, a possibilidade da substituição do agregado natural pelo agregado da jazida está comprovada. • As propriedades como absorção, índice de vazios, massa específica seca e massa específica saturada, do concreto endurecido apresentaram valores próximos e dentro dos parâmetros das referências citadas no presente estudo. Pode-se concluir que o Agregado Artificial da Jazida de São Luiz do Purunã é um material alternativo à areia natural, apresentou os requisitos necessários a um agregado miúdo, e os resultados dos estudos demonstraram que as propriedades do concreto mantiveram-se ou tiveram uma melhora. Nesta conclusão é relevante enfatizar a contribuição que essa substituição pode vir a fazer com a redução de impactos ambientais no processo de produção do concreto.

62

5.2

RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Mediante a determinação por este estudo da viabilidade de utilização e substituição no traço de concreto convencional de agregado natural pelo agregado da jazida, recomenda-se a análise de estudo específica sobre a influência da variação do percentual de aditivo na resistência à compressão axial em concretos confeccionados com esse agregado. Efetuar estudos voltados a utilização do presente agregado em traços de concreto convencional destinados a concreto aparente, onde a coloração e a granulometria do agregado miúdo é diferenciada. Efetuar estudos voltados a utilização do presente agregado em concretos auto adensáveis e em argamassas de assentamento. Efetuar estudos para a substituição da areia natural é utilizada em traços diversos. Efetuar estudos petrográficos e geológicos do agregado artificial da jazida. 5.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando os objetivos propostos para a pesquisa, acredita-se que obteve-se êxito, uma vez que ficou comprovado que a viabilidade da substituição da areia natural pelo agregado miúdo da jazida de São Luis do Purunã – PR, na produção de concreto dosado em Central.

63

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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64

_____.NBR9775 – Agregados – Determinação da umidade superficial em agregados miúdos por meio do frasco de Chapman (1987); _____.NBR9778 – Concreto – Determinação da absorção de água, índice de vazios e massa específica (2005); _____.NBR 9833 – Concreto Fresco – Determinação da massa especifica e teor de ar pelo método gravimétrico (2008); _____.NBR9939 – Agregados – Determinação do teor de umidade total, por secagem, em agregado graúdo (1987); _____.NBR 11768 – Aditivos para concreto de cimento Portland – Specification (1992). ANEPAC – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS ENTIDADES DE PRODUTORES DE AGREGADOS PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL. 2008. Disponível em <HTTP://www.anepac.org.br - acesso em 25 julho 2010. ANDOLFATO, R. P. Controle Tecnológico Básico do Concreto, Apostila para o Nucleo de Ensino e Pesquisa da Alvenaria Estrutural da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho – Ilha Solteira - SP, 2002 33p. ARAUJO, R. C. L.; RODRIGUES, E. H. V.; FREITAS, E G A.; Materiais de Construções – Construções Rurais – Serotopédica, Rio de Janeiro, 2000, v1 203p. BARBOSA, M. T. G. COURA, C. V. G. MENDES, L. O. Estudo Sobre a Areia Artificial em Substituição à Natural para Confecção de Concreto, Impresso da Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído. 2008. 10p BASÍLIO, E. S. Agregados para Concreto, Estudo Técnico – ABCP - Associação Brasileira de Cimento Portland, 1995, 35p BUEST, G. T. Estudo da substituição de agregados miúdos naturais por agregados miúdos britados em concretos de cimento Portland, Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Construção Civil da Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2006, 169p COSTA, M. J. Avaliação do Uso da Areia Artificial em Concreto de Cimento Portland: Aplicabilidade de um Método de Dosagem, Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, 2005. 44 p. FABIANOVICZ, R. Conflito entre a extração de areia e a expansão urbana na região da grande Curitiba – PR: Dissertação apresentada ao Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Geociências, Campinas, 1998, 105 p

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