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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
(PUC-SP)

João Rafael da Cruz Gaudencio

SMART CITY: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL,


SOCIEDADE DE CONTROLE E CIDADE INTELIGENTE

MESTRADO EM COMUNICAÇÃO E SEMIÓTICA

SÃO PAULO
2015
 
 
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
(PUC-SP)

João Rafael da Cruz Gaudencio

SMART CITY: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, SOCIEDADE DE


CONTROLE E CIDADE INTELIGENTE

MESTRADO EM COMUNICAÇÃO E SEMIÓTICA

Dissertação apresentada à Banca


Examinadora da Pontifícia
Universidade Católica de São
Paulo, como exigência parcial para
obtenção do título de MESTRE em
Comunicação e Semiótica
(PEPGCOS/PUC-SP), na linha de
pesquisa Cultura e Ambientes
Midiáticos, sob orientação do Prof.
Doutor Eugênio Rondini
Trivinho.

SÃO PAULO
2015
 
 

BANCA EXAMINADORA

__________________________________

__________________________________

__________________________________
 
 
AGRADECIMENTOS

Agradeço, em primeiro lugar, a Deus, pela oportunidade de poder


transmitir minhas próprias convicções sobre uma aperfeiçoada maneira de
buscar um mundo melhor para todos.

À minha mãe, Prof. (a) Edith – a quem dedico este trabalho – por me
acompanhar nesta trajetória educacional, sempre me proporcionando a melhor
educação, sem medir esforços, com muito carinho e amor. Tenho em mente a
frase que ela salientava nos momentos difíceis: “Estudar é amargo, mas os
seus frutos são doces” (Aristóteles).

Agradeço, também, à minha família, aos amigos e à minha namorada,


que me deram profundo apoio e continuam me apoiando ao longo do caminho.
Pensando ainda na minha própria família, quero fazer memória ao meu
saudoso e querido pai, Jair.

Reconhecimento e agradecimento a todos os professores da casa. Em


especial, ao Prof. Dr. Jorge de Albuquerque Vieira que me indicou para o
projeto de aquisição de bolsa na orientação do memorial de qualificação e na
dissertação. Fica aqui registrado, o meu apreço ao grande Professor que ele foi
na PUC-SP. Cordial agradecimento ao Prof. Dr. Eugênio Trivinho por sua
dedicação e acolhida no Programa. Sendo agora, meu novo orientador, reitero
os agradecimentos pela firmeza dos primeiros passos e pela convivência
possível nestes 12 meses. Todas as suas intervenções contribuíram, de um
modo ou de outro, para o meu crescimento acadêmico e para a maturidade das
reflexões pertinentes ao trabalho.

Finalizando, agradeço ao Conselho Nacional de Desenvolvimento


Científico e Tecnológico CNPq pela oportunidade de realização do Mestrado
em Comunicação e Semiótica por meio de Bolsa de Estudos, e ao Programa
de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PEPGCOS/PUC-SP).
 
 

“Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso


está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta
ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho
que a motivação da nossa vida é a felicidade”.

Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso


Atual Dalai Lama (líder religioso) – Budismo
Lama, A. A., A arte da felicidade - Tibete, 2000.
 
 
RESUMO

A presente Pesquisa de Mestrado examina o conceito Smart City:


desenvolvimento sustentável, sociedade de controle e cidade inteligente. Neste
quadro temático, o objeto de estudo se recorta no cenário contemporâneo de
desenvolvimento da Smart City. Embasada em elementos teóricos e empíricos,
pressupostos no objeto mencionado, a pesquisa propõe uma linha de
argumentação pautada em conceitos sociológicos e tecnológicos. No esboço
previsto, os conceitos de sustentabilidade e tecnologia referem-se a ações e
mobilizações articuladas para o engajamento social e para a pauta política,
promovendo desenvolvimento igualitário. Não obstante, existem dificuldades na
contextualização da Smart City, como por exemplo, a sociedade de controle e,
principalmente, as políticas regulatórias. Assim, estabelece-se uma sociedade
ideal com base na visibilidade midiática sobre iniciativas privadas promovidas
por corporações em promoção do ser humano, de maneira igualitária. Conduzir
de modo relevante a comunidade pressupõe interesses essenciais que elevam
o patamar social no mundo, buscando, desse modo, uma economia ecológica.
A contrapartida da sustentabilidade é proveniente da industrialização voraz,
que tenta suprir os anseios sociais e, de forma midiática, interfere nos
costumes e desejos na cultura populacional. Com base em tais elementos
teóricos e práticos, o problema de pesquisa consiste na complexidade evolutiva
humana e social crescente que aponta para um possível novo rompimento civil.
Esse problema diz respeito à questão sobre como as Cidades Inteligentes são
estruturadas atualmente e sua condução futura. A pesquisa prevê métodos
combinados de análise qualitativa e presencial para evidenciar os caminhos
que a Smart City propõe para a sociedade e para o consumo. A análise do
corpus da pesquisa se aprofunda nos métodos vigentes nos costumes em
matéria de interação com o ecossistema e o ser humano, de modo consciente,
desempenhando desenvolvimento sustentável. Além disso, os procedimentos
metodológicos envolveram a pesquisa bibliográfica. A articulação temática
entre sustentabilidade, tecnologia, sociedade de controle e consumo foi feita
com base no referencial epistemológico das teorias da comunicação, do
conhecimento, da administração e marketing, da sustentabilidade e do
consumo. Neste estudo, destacam-se Foucault, Deleuze, Parkin e Kotler. Com
essas características, a relevância da pesquisa se centraliza em aprofundar o
debate no campo discursivo da política, do social e do consumo sustentável.

Palavras-chave: Sociedade; consumo; política; sociedade de controle;


desenvolvimento sustentável; smart city.  
 
 
ABSTRACT

This Master's Dissertation reflects upon the subject Smart City: sustainable
development, control society and the city of the future. In this thematic
framework, the object of study is the contemporary scenario of Smart City
development. Founded upon theoretical and empirical elements that are
assumptions about the aforementioned object, the research proposes a line of
argument guided by sociological and technological concepts. In the outline, the
concepts of sustainability and technology pertain to proposed actions and
mobilization for social engagement and for the political agenda, promoting
equitable development. However, some obstacles to contextualizing the Smart
City are, for example, the control society, and particularly, regulatory policies.
Thus, an ideal society is established based on media visibility about private
initiatives promoted by corporations for the equitable advancement of people.
Leading the community in a meaningful way presupposes essential interests
that raise the social level in the world in the search for a green economy. The
counterpart of sustainability is the result of rapacious industrialization, which
seeks to satisfy social expectations and, through the media, interferes in the
customs and desires in popular culture. Based on these theoretical and
practical elements, the research problem consists in the growing human and
social evolutionary complexity which points to possible new civil turmoil. This
problem concerns the question of how Smart Cities are currently structured and
their future development. This research involved the use of combined methods
of qualitative and hands-on analysis to discover the directions the Smart City
proposes for society and for consumption. The analysis of the corpus of
research delves into the current methods of customs as they pertain to
interaction with the ecosystem and with man engaged in conscious sustainable
development. In addition, the methodological procedures involved a literature
review. The thematic link between sustainability, technology, control society and
consumption was based on the epistemological framework of theories of
communication, knowledge, administration and marketing, sustainability and
consumption. Authors that stand out in this study are Foucault, Deleuze, Parkin
and Kotler. With these characteristics, the relevance of this research centers on
deepening the debate in the discursive field of politics, the social, the current
context and sustainable consumption.

Keywords: Society; consumption; policy; control society; sustainable


development; smart city.
 
 
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Etapas do Evolon......................................................................... 31


Figura 2: Entendimento do mapa de controle........................................... 45
Figura 3: Pirâmide de Maslow..................................................................... 47
Figura 4: Entendimento da dinâmica de Walt Disney............................... 48
Figura 5: Mudança climática....................................................................... 57
Figura 6: Diagrama de visão de aprendizado – Sara Parkin.................... 60
Figura 7: Mapa geográfico turístico da cidade de Santander.................. 62
Figura 8: Cidade de Santander................................................................... 63
Figura 9: Igreja de Santander...................................................................... 64
Figura 10: Entrada do Palácio da Magdalena.............................................. 64
Figura 11: Palácio da Magdalena.................................................................. 65
Figura 12: Banco Santander.......................................................................... 66
Figura 13: App SmartSantander................................................................... 67
Figura 14: Função de Realidade Ampliada.................................................. 68
Figura 15: Centro da Cidade de Santander.................................................. 69
Figura 16: Centro de Pesquisas Telefônica................................................. 70
Figura 17: Centro de Pesquisas Telefônica................................................. 71
Figura 18: Centro de Pesquisas Telefônica................................................. 73
Figura 19: Centro da Cidade de Santander.................................................. 74
Figura 20: Centro da Cidade de Santander.................................................. 75
Figura 21: Centro de Pesquisas Santander................................................. 76
Figura 22: Centro de Pesquisas Santander................................................. 77
Figura 23: Centro da Cidade Santander....................................................... 78
Figura 24: Centro da Cidade Santander....................................................... 79
Figura 25: Sistema de tecnologia da cidade de Santander........................ 80
Figura 26: Ciclo do Desenvolvimento Sustentável..................................... 81
Figura 27: Base de dados - Telefônica e Prefeitura de Santander............ 82
Figura 28: Plataforma aberta Fi-Ware........................................................... 83
Figura 29: Progressos da cidade.................................................................. 83
Figura 30: Sistemas disponíveis no SmartSantander................................ 84
Figura 31: Ciclo do Desafio........................................................................... 85
Figura 32: Pirâmide do Desenvolvimento.................................................... 87
Figura 33: EPICENTRO DA MUDANÇA........................................................ 95
Figura 34: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 114
Figura 35: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 115
Figura 36: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 115
Figura 37: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 116
Figura 38: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 116
Figura 39: Smart City – Águas de São Pedro – Parceria USPCIDADES... 117
 
 
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Comportamento do consumidor......................................... 46


Tabela 2: Meadows............................................................................. 52
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária


APP Aplicativo Móvel
BRICS Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul
CMMA Conselho Municipal Meio Ambiente
DS Desenvolvimento Sustentável
EE Economia Ecológica
FUNAI Fundação Nacional do Índio
ONG Organização não-Governamental
ONU Organização das Nações Unidas
PIB Produto Interno Bruto
PPP Parcerias Público- Privado
SMS Short Message Service
TELECOM Telecomunicações
TI Tecnologia da Informação
 
 
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO......................................................................................... 12

1. ANÁLISE DA ECONOMIA ECOLÓGICA........................................... 18

1.1 Análise sustentável: Economia Ecológica no capitalismo


contemporâneo............................................................................. 18
1.2 Economia e Sustentabilidade, evidenciando o
cotidiano........................................................................................   23

1.3Desenvolvimento Sustentável: o que pode ser?......................... 26

2. PROCESSOS ATUAIS DE COMUNICAÇÃO E CONSUMO.............. 36

2.1 Sociedade disciplinar e sociedade de controle da constituição


da sociedade ideal........................................................................... 36

2.2 Sociedade de controle para a sociedade ideal............................. 42

3. 3. SMART CITY....................................................................................... 51

3.1 Smart City, apresentação.............................................................. 51

3.2 Smart City – Tudo está conectado: Sociedade, Política, Setor


Privado e Meio Ambiente.................................................................... 53

3.3Administração e liderança na sustentabilidade…………………… 58

4. SMARTSANTANDER: PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO 61

4.1. Geografia e dados Santander...................................................... 61

4.1.1. História de Santander............................................................ 63

4.2. Smart City Santander................................................................... 66

4.2.1. Projeto SmartSantander......................................................... 82

4.3. Estado do ofício, a transformação de dados em


sabedoria.................................................................................. 84

4.4.Desafios globais para o Smart City.............................................. 87

4.5.Resultados.................................................................................... 90

4.6 Smart City – Águas de São Pedro................................................. 91


 
 

CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................... 93
REFERÊNCIAS....................................................................................... 99
ANEXO I................................................................................................... 108
ANEXO II.................................................................................................. 114
12  
 
INTRODUÇÃO

O trabalho espanta os três grandes males: o vício, a


pobreza e o tédio.  
Voltaire, Chez A. Houssiaux, (1853, p. 442)

Entende-se por Smart City um projeto de cidade em parceria público-


privada que objetiva a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico. O
conceito de Smart City está disposto em algumas cidades do mundo. No
entanto, esta pesquisa desenvolveu-se no Brasil, com curto estágio em
Santander, na Espanha.

A presente discussão envolve temas semânticos, econômicos,


tecnológicos, sociedade de controle e o conceito de sustentabilidade. Contudo,
o seu limite de propagação e mobilização, seja ele social, político ou privado,
ainda é objeto complexo de definição.

Atrelado aos meios midiáticos se caracteriza como o ponto chave para a


propagação do tema que é legítimo, já que há um limite do ecossistema para o
seu crescimento. De qualquer maneira, o sistema demonstrou, no decorrer das
décadas, fragilidade, no que tange ao acompanhamento do capitalismo, seja
ele por terra, água e ar.

Recursos naturais, antes utilizados como ilimitados, começam, neste


milênio, a ser repensados com relação às suas maneiras de aproveitamento,
além de sua suficiência para suprir desejos e anseios das necessidades
humanas para as gerações atuais e futuras.

O Desenvolvimento Sustentável (DS) foi idealizado a partir de uma ação


capaz de atender às necessidades do presente, sem comprometer os anseios
das futuras gerações quanto ao meio ambiente. Essa nova discussão “otimista”
teve um significado ambíguo, ou seja, surgiram diversas conotações
13  
 
pertinentes ao assunto, que foram oferecidas por economistas, agentes
internacionais, acadêmicos, ambientalistas, ONGs, políticos e empresários.

A chave para o desenvolvimento sustentável deverá ser conduzida pela


política. Ela é responsável por demonstrar o conhecimento do sistema
capitalista e das economias vigentes que não se interessam em promover
outras formas de vida.

Invariavelmente, os seres humanos creem, por sua vez, na infinita


capacidade inventiva da ciência. Todavia, o que assombra é a possibilidade de
estarmos enganados e não termos como retornar à utilização dos recursos
naturais que poderão ser extintos da Terra.

O desenvolvimento econômico, social e tecnológico, muitas vezes,


caracteriza-se pela obscuridade da população a ser criada, pois não sabemos
onde e o que se pretende fazer com dados que serão gerados na cidade
inteligente. Nesse sentido, poderíamos denominá-la sociedade de controle? A
resposta para essa questão é debatida por cientistas e pesquisadores e, em
torno desse conceito, há autores como Foucault e Deleuze, como, por
exemplo, Vigiar e punir, de Foucault, que descreve a sociedade disciplinar e o
surgimento da sociedade de controle como manipuladora de desejos da vida
cotidiana, visando a geração de valor capitalista e poder. Dessa maneira, o
capitalismo somente se satisfaz e legitima a sua força com base no controle da
sociedade.

Além de livros, Teses e Dissertações, alguns filmes já citam o imaginário


da sociedade de controle, como Minority Report, (COSTA, 2006, p.46). Nesse
universo, os crimes são desvendados antes de ocorrer, modulando-se sempre
com o presente. Nessa ficção, presente e futuro coexistem e articulam
fortemente o imaginário.

Em outros segmentos, como o das redes sociais, observa-se, também, a


vigilância da sociedade. A natureza expositiva das redes, caracterizada pelos
perfis exibicionistas, constituídos pelos próprios usuários, evidencia sua
14  
 
subjetividade em um espaço público denominado Internet. Nesse sentido, nota-
se um tipo de intimidade sem interioridade. As atribuições do usuário são
constituídas desafiando, muitas vezes, os limites de privacidade dos
internautas.

No campo da vigilância, o perfil é menos exposto. O ambiente digital


armazena e captura todos os registros de entrada e saída, compras de seus
usuários e localização geográfica, gerando uma enorme quantidade de dados
robustos e fragmentados.

Foucault 1 , em diversas passagens de sua obra, descreve que toda


vigilância está ligada a controles, procedimentos e execuções. Não bastando a
vigilância, temos ainda de conhecer o vigiado, ou seja, o indivíduo que gera
informações. Todos esses dados, sobre esses indivíduos, têm a capacidade de
produzir poder para a sociedade de controle, exercendo uma ação direcionada
ao consumo. Esse processo faz com que não se conheça, de fato, o indivíduo,
e sim o seu potencial de consumo, atrelando a ele um perfil performático que o
identifica apenas por um código.

Deleuze, por sua vez, em sua obra, faz referência ao sistema global de
comportamentos, que cria um tipo determinado de evidências. Em função
delas, que tipo de ação deve-se tomar com relação à sociedade atual? Como
pensar a sociedade de controle, em tempos presentes e futuros?

Assim, tratar com radicalismo o contexto contemporâneo requer


ponderações, uma vez que as atividades sobre sustentabilidade, colocadas em
pauta na presente dissertação, são caracterizadas como passos para a
evolução humana e a chave para o desenvolvimento futuro. O aprofundamento
do conhecimento da sustentabilidade e seus negócios gerados, aqui, são
contemplados cuidadosamente.

                                                                                                               
1Baseado no livro de FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. São Paulo: Vozes, 2014.  
15  
 
O contexto atual retrata características mais aprofundadas dos seres
humanos, proporcionando-lhes “poder” relativo, dado que temos de considerar
que atrás das máquinas sempre existirá o homem. Anseios, desejos,
satisfações o acompanham na sua contemporaneidade, como a Smart City,
conceito descrito na dissertação.

Temos como um dos reflexos da sociedade de controle as novas


tendências introduzidas para tentar satisfazer o homem, que está em constante
busca de mais; fato que ocorre desde tempos passados e alcança a
atualidade.

Nesse sentido, o aprofundamento do tema em questão é de relevância


global, já que um dos alicerces fundamentais discutidos no mundo, na
atualidade, é o desenvolvimento sustentável. Para que haja um engajamento
dessa linha de pensamento, faz-se necessário quebrar paradigmas do
capitalismo de massa e repensar a nossa sociedade.

“Trazer a política ao cerne desse problema é fundamental”. De fato,


diante de qualquer “intempérie da natureza”, as necessidades humanas
básicas podem sofrer interferências e, assim, passaremos pela “síndrome do
juízo final” (MADDOX, 1974, p. 113).

Logo, o que inquieta é a falta de “conhecimento” da gestão


governamental, privada e social, porque esses segmentos não promovem, na
mesma direção, ações articuladas em benefício de uma economia verde.

O princípio fundamental para o desenvolvimento sustentável deve


passar pela educação, almejando o discernimento necessário para a busca de
soluções embrionárias que desafiem a comunidade a repensar o mundo em
que vive, além de engajar-se em uma sociedade sustentável.

Desse modo, projetos como o da Smart City são concebidos como uma
das soluções imediatas para desenvolver pontos estratégicos em metrópoles e
megalópoles, como São Paulo, por exemplo.
16  
 
O projeto Smart City visa a interação com a sociedade civil, o setor
privado e os governos. Suas parcerias têm apoio dos mais diversos setores
privados, como a Telecom, o TI e o Startups. Além disso, o Terceiro setor
reforça sua parceria em comunidades com a multiplicação do conhecimento,
suprindo-se de informações e pesquisas relativas ao tema.

Um dos projetos vigentes e de maior notoriedade é o SmartSantander,


proveniente de uma parceria público-privada que tem grande sinergia com a
comunidade. Sua plataforma aberta busca propagar, com maior velocidade,
informações e conhecimentos, a fim de promover bem-estar social para a
comunidade.

Essa plataforma, hoje em dia, disponibiliza novos empregos em novas


áreas do saber. A economia verde, por exemplo, é fruto de redução do
consumo elétrico da gestão pública, que gera um superávit aos cofres públicos.

As cidades que se utilizam desse novo conceito urbano ganham em


cidadania, notoriedade, visibilidade internacional, turismo, meio ambiente e
vida inteligente. Mais moradores aderem ao sistema, uma vez que o mesmo
proporciona, em sua aplicação, soluções mais eficazes ao habitante, seja
quanto à mobilidade urbana, à reciclagem, às atrações culturais ou à realidade
aumentada.

No entanto, seu valor de investimento versus retorno ainda não é


mensurável, na medida em que esse projeto trata de satisfazer as
necessidades humanas vigentes, sem comprometer as carências futuras.

O resultado surpreende quando é visto pela ótica da economia


ecológica, já que transforma bens que não teriam mais valor agregado na
antiga economia, a um novo patamar, estimulando, assim, o desenvolvimento
igualitário.

Décadas se passaram para que a causa da sustentabilidade fosse


colocada em pauta. Desse modo, esperamos que esta pesquisa possa
17  
 
contribuir, de maneira eficaz, para responder algumas questões relativas ao
tema, uma vez que projetos como o Smart City podem colaborar com um modo
de vida diferente, que está relacionado diretamente com a nossa existência,
considerando uma vida futura que leve em conta a biodiversidade ecológica.
18  
 
1. ANÁLISE DA ECONOMIA ECOLÓGICA

1.1 Análise sustentável: economia ecológica no capitalismo


contemporâneo

Compreender é o começo da aprovação.


Baruch Spinoza (2003, p. 94).
 
 
 
A Economia Ecológica (EE) reconhece a existência de uma
“incomensurabilidade lógica entre aspectos econômicos e ambientais”, o que
obriga a buscar-se um “novo paradigma científico”. (MUNDA, 1997, p. 20),
estabelecendo uma relação subordinada à conexão geral do meio ambiente e
da economia.

Essa “subordinação” sobrepõe o Estado, que ocupa um papel de gestor


passivo das atividades capitalistas, e que, em suma, é onipresente, mas se
configura como mero coadjuvante dos novos caminhos e propostas que podem
apontar para novas sociedades.

As nuances governamentais, na sociedade atual, conferem significativas


expressões com o decorrer do tempo, no que tange à sustentabilidade. Assim,
somente o Estado pode flexionar ou inclinar uma comunidade, para que haja
avanços com relação ao tema.

A EE defende que o crescimento econômico de um Estado passe por


ela. Ocupa uma posição de desenvolvimento social, antes de uma possível
ruptura ambiental, que gera a escassez dos recursos naturais. O contrassenso
desta afirmação é o crescimento nulo da economia, tendo em vista que o
consumo é proveniente do usufruto da produção, através de recursos naturais,
o que está em desacordo com a sustentabilidade.
19  
 
A economia ecológica vai além das nossas concepções, em relação a
outros campos de estudos; desenvolve-se, embrionariamente, em diversos
locais, seja no setor público ou privado, na Europa ou na Ásia. Sua ciência vem
sendo desvendada como forma de quebrar paradigmas entre economia
ecológica e economia global. Ideias sobre ecologia emergiram como forma
holística de integrar sistemas vivos, como a natureza.

Desse modo, a economia ecológica vem para se integrar à economia


geral, ainda que tardiamente. Nesse sentido, o Estado vislumbra nela
importante oportunidade de renovar a gestão pública, que diminui a sua
percepção social de passividade sustentável. O setor privado tem por escopo,
oportunidade de novos negócios e parcerias, que parte de uma nova
tendência: compra de títulos de crédito de carbono; novas filosofias culturais
ambientais, em relação à comunidade, governos, acionistas e consumidores.
Essa última visão é a vilã do negócio, dado que o consumo é o alicerce do
capitalismo e, nele, a empresa deve, de forma midiática, preservar sua
imagem, a fim de construir sua reputação social vigente, e agora sustentável.

Muitas empresas derrapam na tentativa de se integrar ao conceito de


responsabilidade sustentável, haja vista que é uma nova dinâmica do mercado
para garimpar novos consumidores e ter colaboradores mais engajados.

Alguns autores da economia contemporânea propõem a quebra do


“paradigma ecológico”, que é evidenciada como uma nova possibilidade de
sustentabilidade, com a finalidade de introduzir um outro tipo de economia.
Nesse sentido, é importante que ela não seja refém dos atuais grandes capitais
econômicos e da ascensão de estados, e com eles, novos blocos econômicos
como o BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O arcabouço disponível para enfrentar a adversidade econômica vem da


possibilidade de melhor condução dos problemas ambientais, ou seja, formas
de debater o atual momento e, além disso, repensar para onde queremos nos
conduzir. Com isso, disciplinas enfatizam o tema, fazendo com que novos
20  
 
estudos e hipóteses sejam levantados, além de ações embrionárias e, às
vezes, midiáticas, sejam implementadas.

Assim, é sintomático que academias e autores venham discutir o


assunto, que ganha notória evidência na construção do discurso ambiental em
torno de sistemas e cidades planejadas. Tentar subverter esse discurso, o
âmago central da questão, é uma forma de regressão econômica ecológica,
podendo-se dizer que o assunto é substancial para a prosperidade e o
desenvolvimento sustentável.

O princípio 80-20 da Teoria de Pareto2 está interligado a esse momento;


e mesmo que a sustentabilidade seja consistente, surgem interferências que
asseguram uma tendência mais expressiva em economias mais sólidas que
em economias mais frágeis (de países em desenvolvimento). Sendo assim,
“20% das políticas distributivas são mais eficazes que 80% das políticas
convencionais para alcançar a sustentabilidade” (SWANEY, 1992, p.77). Desse
modo, Swaney enuncia que:

Os conservadores defensores do livre mercado [...] afirmam que


o governo deveria agir somente para estabelecer (e impor) as
reivindicações da propriedade privada. Uma vez que a
propriedade privada eficiente é estabelecida, argumentam que o
livre jogo das forças de mercado irá alocar os recursos em seu
uso de mais alto valor. Se o mundo nunca mudasse, esta
alocação poderia ser possível, apesar daqueles sem
propriedade poderem objetar. Mas o nosso conhecimento
constante expande, assim como nosso impacto sobre o
ecossistema, e a nossa noção de valor muda ao longo do
percurso. Inevitavelmente, será necessário mudar as regras.
(SWANEY, 1992, p. 96).

A questão governamental sustentável não tem fim, devido às suas


constantes modificações temporais, sejam elas tecnológicas, culturais ou
ambientais. O Estado, muitas vezes, responde às iniciativas privadas como
forma de estabelecer novos mercados de consumo. De fato, isso causa

                                                                                                               
2Muitos adventos ocorrem, 80% das consequências advêm de 20% das causas.  
21  
 
preocupação, na medida em que ele trata de garantir os desejos dos
reivindicadores, não assegurando o direito de propriedade.

A conduta da política pública deve caminhar juntamente com a questão


ambiental, levando sustentabilidade à cidade, à economia e à sociedade
contemporânea. A finalidade é propiciar um desenvolvimento sustentável, o
que efetivará junções entre o debate acadêmico-científico e os problemas da
nova sociedade ascendente. Dessa forma, abrir-se-á uma visão tecnocrática
dos problemas ambientais. Contudo, as forças que irão regular os sistemas
não estão preparadas para esse novo cenário. Essas são questões que ainda
necessitam de um amplo debate. Nessa esteira, Beckerman assegura que:

[...] uma definição de se um caminho de desenvolvimento


particular é tecnicamente sustentável é não carregar qualquer
força moral especial. A definição de uma linha reta não implica
que haja qualquer virtude moral particular em andar sempre em
linha reta. Mas a maioria das definições de desenvolvimento
sustentável no mercado tenta incorporar alguma injunção ética
em qualquer aparente reconhecimento das necessidades de
demonstrar por que aquela injunção ética vascular seria melhor
que muitos outros que se pode imaginar. (BECKERMAN, 1994,
p. 192).

Assim, pode-se afirmar que a sociedade contemporânea sustentável


não existe, já que não há nenhum movimento em sua direção que busque
realmente engajá-la em aspectos que norteiam o sistema. Logo, se o governo
não mantém programas efetivos de educação para sua sociedade, a mesma
não se compromete com o desenvolvimento sustentável3. Há, nesse sentido,
falta de interesse no que tange à educação sustentável da sociedade, por parte
do governo, incluindo, também, as empresas que almejam o lucro, antes
mesmo da vida sustentável. Observa-se que os interesses privados estão em
primeiro plano e a sustentabilidade não pode esbarrar no capital e nos grandes
negócios. A concepção de sustentabilidade, desse modo, pode ser entendida

                                                                                                               
3 Não se pretende aqui tratar a fundo aspectos educacionais das instituições privadas e
públicas. Muito menos discutir ações estruturais de mobilidade e sanitária. Trata-se apenas do
ponto ético e formação do homem.  
22  
 
como fraca perante o consumo, mas, ainda assim, ela ocupa o seu lugar,
porque é imprescindível para se ter acesso ao desempenho econômico.

O mainstream da análise sustentável passa pelo instrumento teórico,


pela pauta política, pelo investimento privado (economia) e engajamento social.
O novo paradigma coletivo é estabelecido pela coesão dos setores, na direção
do desenvolvimento sustentável. Essa prática alcança debates políticos,
sociais e econômicos, já que os interesses dessas três classes, hoje em dia,
são difusos.

A primazia do desenvolvimento sustentável coloca em questão a


economia ambiental que caminha lado a lado com a ciência e a tecnologia,
além de dar suporte ao capitalismo. A precaução se efetiva quanto ao custo de
mudança de comportamento, alteração de políticas públicas que possam
causar transtornos complexos no sistema das cidades. Todavia, a busca pelo
desenvolvimento sustentável traz benefícios, por se tratar de “ação antecipada
e custos da irreversibilidade” (O’RIORDAN, 1995, p. 234).
 
23  
 
1.2. Economia e sustentabilidade, evidenciando o cotidiano

“A moral, propriamente dita, não é a doutrina que nos ensina como


sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade.”
Immanuel Kant,1827, p. 90 apud Christian Hamm.

“Desenvolver-se sustentavelmente (DS) é o que os governos vêm


buscando, porém, do ponto de vista econômico, necessita-se,
fundamentalmente, de uma atitude ética, o que implica em gerir recursos
ambientais, promovendo o seu melhor uso” (CAVALCANTI, 1999). Tal prática,
efetivada de maneira ética, está diretamente ligada à humanidade e à
perpetuação de sua vida na Terra, seja ela animal, vegetal ou mineral.

O uso sustentável tem como princípio a preservação da economia


neoclássica. Contudo, o problema do desenvolvimento sustentável deve
apresentar o real significado de uso renovável e de suas condições
necessárias de existência. Em resumo, define-se esse campo, através da
racionalidade de maximização das utilidades individuais, que resulta no uso
eficiente dos recursos e, por fim, em estabilização sustentável.

A apresentação ambiental é desenvolvida por meio de duas chaves: a


economia de poluição, impulsionada pelo capitalismo; e a economia dos
recursos naturais; nas quais se almejam gerar novos negócios, com o respaldo
ambiental. Assim, essa discussão abre o debate para os valores ambientais
praticados e para a reflexão dos mesmos.

Partindo do princípio de que a problemática ambiental deve-se à


economia da poluição e à economia dos recursos naturais, o processo
produtivo de transformação se desdobra em: 1. Outputs e 2. Inputs.

1. Outputs: a economia de poluição concluiu o processo de


transformação, este, por sua vez, já está pronto para ser fornecido ao
consumidor, ou seja, o produto final.
24  
 

2. Inputs: para a economia dos recursos naturais adentrarem no


processo de transformação, uma matéria-prima ou um outro produto deverá ser
terminado, e agora, será transformado novamente. Nesse sentido: “O sistema
recebe entradas (inputs) ou insumos para poder operar. A entrada de um
sistema é tudo que o sistema importa ou recebe de seu mundo exterior”.
(CHIAVENATO,2011, p. 418).

Concorda-se com o autor citado, uma vez que a economia de poluição


é aquela que nos proporciona bem-estar, posto que gera benefícios privados e
sociais. Benefícios sobre os quais os indivíduos podem gerar custos e
resultados proveitosos a terceiros, especificamente, ao setor empresarial.

Essa economia da poluição é definida como ambiente público, que viola


as condições marginais, não monetárias, da utilidade ou produção de um
indivíduo para satisfazer seu bem-estar.

O agente privado poluidor, devido às funções de produção, que se


materializa no consumo, se utiliza do caráter de bem público dos recursos
naturais. Em outras palavras, o consumo dita as regras, a indústria produz, o
meio ambiente dispõe dos recursos para a produção. Os custos privados e os
custos sociais ocupam um lugar superior na escala do uso sustentável,
tornando-se ineficientes, caso sejam mal executados.

A problemática ambiental parte da questão da sustentabilidade, dos


problemas com a poluição e dos agentes públicos. Dizem-se públicos, visto
que não existe um órgão específico para reclamações e que seja
regulamentador, o que acarreta um dano com custos sociais, por exemplo.
Desse modo, não importa se identificamos o poluidor, uma vez que não há
como autuá-lo. Sendo assim, o que se observa é que devemos ter práticas
sustentáveis como hábito de nossas vidas, uma vez que, pelo menos um
segmento será beneficiado. No Brasil, é muito comum que leis sejam criadas,
detalhadamente, sobre determinado assunto, porém, quando incorporadas ao
25  
 
cotidiano, elas tendem a não ser cumpridas porque são leis sem planejamento
e sem conhecimento do cenário atual.

Nesse sentido, indaga-se: será que a questão fundamental, quanto a


esse debate, pode ser caracterizada pelos custos de valoração e benefícios
ambientais que a sustentabilidade pode trazer? “Na economia neoclássica, os
atributos ambientais são tipificados pelos indivíduos, já que eles representam a
geração atual e não possuem conhecimento suficiente para planejar o futuro”
(CAVALCANTI, 1999).

Recentemente, vimos, no Brasil, plataformas sustentáveis sendo


implantadas na mobilidade urbana, nas construções, no saneamento, na
reciclagem e no setor privado. Contudo, tais medidas não bastam, o
fundamental é educar e planejar o futuro. “O papel do Estado, enfim, deveria
ser mais amplo, envolvendo toda a cadeia reguladora para o entendimento de
que, uma vez educada sobre a causa ambiental, a questão da utilização dos
recursos naturais passa a ser um clamor geral e cotidiano” (CAVALCANTI,
1999).

As interligações entre governo, sociedade, tecnologia e política geram


uma sinergia entre as responsabilidades de cada setor quanto às suas
gerações, uma vez que: a biodiversidade está cada vez mais reduzida; o
crescimento populacional afeta os novos hábitos de consumo; o homem
contribui, cada vez mais, com a degradação do meio ambiente; a alimentação,
em longo prazo, se torna precária, já que o ecossistema é degradado pelos
novos meios de produção e traz impactos irreversíveis.

Há a busca pelo consumo de energia limpa de fontes renováveis que se


apoia nas novas tecnologias; aumento da produção industrial em países
subdesenvolvidos, gerando, assim, transações unilaterais de divisas
financeiras, crescimento de conhecimento e especialização.

A disseminação dos grandes centros e o controle da urbanização, a


exemplo de construção de estradas, em que se devastam florestas e não há o
26  
 
cultivo da fauna e da flora, são fatores que estão intrinsicamente ligados à
urbanização e ao capitalismo. Assim, os países desenvolvidos devem
sancionar leis e deveres para a sustentabilidade do mundo.

Para a economia, os recursos naturais não geram dividendos enquanto


estão no solo. Com o aumento progressivo da escassez de um recurso, ocorre
o aumento do preço, o que influência na regulação da oferta e da demanda de
produtos.

A economia por recursos naturais deve ser destacada pela discussão de


sua utilização social que afeta a sustentabilidade e as gerações futuras.
Decisões míopes, que podem afetar um mercado futuro, promovem uma
insuficiência/inexistência de conhecimento e informação do presente e do
futuro.

Muitas questões pairam sobre a “economia e a sustentabilidade,


chamando a atenção para os recursos naturais que se converteram em fontes
de negócios” (CAVALCANTI, 1999). Contudo, a discussão mais emblemática
da sociedade atual se direciona para uma fusão entre a economia da poluição
e a economia dos recursos naturais no cotidiano.

1.3. Desenvolvimento Sustentável: o que pode ser?

Uma visão sem ação não passa de um sonho. Ação sem visão é só um
passatempo. Mas uma visão com ação pode mudar o mundo.
Joel Barker (1993, p. 44)

Para explicar o desenvolvimento sustentável, necessita-se de uma


ampla investigação. O seu sentido categórico é deveras obscuro. Há algumas
definições sobre esse conceito do ponto de vista de alguns segmentos da
sociedade, tais como: Terceiro Setor; Governo; Sistema capitalista e
Sociedade. Vejamos alguns:
27  
 

Terceiro Setor:

A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o


desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração
atual, sem comprometer a capacidade de atender às
necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que
não esgota os recursos para o futuro. Essa definição surgiu na
Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de
harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a
conservação ambiental4.

O Terceiro Setor afirma como definição assertiva, sobre o tema, a


harmonização do desenvolvimento econômico e a conservação ambiental, mas
ambos os meios não são sinérgicos, dado que possuem interesses
demasiadamente convergentes.

Governo Federal brasileiro:

Os ministros Miriam Belchior (Planejamento, Orçamento e


Gestão) e Edison Lobão (Minas e Energia) anunciam nesta
quarta-feira (1/6), às 11 horas, no Salão Oeste do Palácio do
Planalto, três ações simultâneas de cidadania na região do
Xingu, no Pará. São elas: lançamento da Operação Cidadania
Xingu; abertura de uma Casa de Governo e implantação do
Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional
Sustentável (PDRS) do Xingu. (DECRETO DE LEI, em 13 de
julho de 2006).

“O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável da região com a


participação da população na gestão das atividades” (MINISTÉRIO DO
PLANEJAMENTO5, 2011). Segundo fontes do Palácio do Planalto: “As ações
buscam potencializar os benefícios gerados pela construção da Usina
                                                                                                               
4
WWF. Disponível em:
<http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/
>. Acesso em: 10 abr. 2015.  
5 Ministério do Planejamento. Disponível em:
<http://antigo.planejamento.gov.br/conteudo.asp?p=noticia&ler=7333> Acesso em: 10 abr.
2015.  
28  
 
Hidrelétrica de Belo Monte e reduzir os impactos de natureza social e
ambiental na região do Xingu”6.

O que chama atenção, para os ministros, é o envolvimento de diversos


ministérios, menos o criado para esse assunto, o Ministério do Meio Ambiente
(MMA). Raro também é caso de Belo Monte, não pelo embate que envolve o
tema, mas pela forma com que o governo promove a sustentabilidade,
transpondo sua responsabilidade apenas para a sociedade. Nesse sentido,
quais são os interesses governamentais para o desenvolvimento sustentável?
Onde está a responsabilidade ambiental das empresas envolvidas? Por que
essas empresas nunca se engajam na promoção da educação para esse
povoado?

No site do MMA, também não se encontram informações para um


planejamento efetivo do desenvolvimento sustentável. O que se observa é um
extenso Decreto, de 27 de dezembro de 2004, assinado pelo então presidente
em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva, para reger a Comissão Nacional de
Desenvolvimento Sustentável das Comunidades Tradicionais (Veja-se o Anexo
I).

Sistema capitalista:

O dogma da teoria econômica atual exige o crescimento econômico a


qualquer custo. Assim, tomando a China como base, que cresceu próximo a
8% ao ano e é geradora da segunda maior riqueza do mundo, com atividades
que exploram seu povo com salários baixos, com a falta de preservação do
meio ambiente local, além de ser o maior emitente de gás carbônico na
atmosfera.

                                                                                                               
6 Palácio do Planalto – Presidência da República. Disponível em:
<http://www2.planalto.gov.br/acompanhe-o-planalto/releases/governo-federal-lanca-plano-para-
o-desenvolvimento-sustentavel-do-xingu. Acesso em: 10 abr. 2015.

 
29  
 
Desse modo, o nosso setor privado é caracterizado nestes termos:
crescimento contínuo num planeta finito; extração de minérios, petróleo, gás,
ultrapassando os limites biofísicos; modificações dos ciclos naturais da terra,
estações; destruição do ecossistema e modificação genética de plantas e seres
animais, para minimizar o impacto causado pelo crescimento.

Sociedade:

Para ela, destina-se o papel fundamental de conscientizar e trabalhar


em prol do meio ambiente. Por sua vez, as pátrias educadoras não
desenvolvem medidas educacionais para a população e ainda cobram seu
engajamento.

A sociedade é oprimida pelas más condutas políticas direcionadas a ela,


isto é, não são dirigidas a ela, as realizações de anseios sociais sustentáveis7.
Em contrapartida, o setor privado carece de gestão pública atuante, que
também discipline, fiscalize e cobre sua atuação.

Claramente, os principais fatores apontam que a civilização atual é


insustentável a médio e longo prazo. Cientistas, que estudam o meio ambiente,
descrevem um possível colapso futuro, ainda maior do que o existente.

No conceito de Evolon, apresentado por Mende (1981, p. 199), já se


descrevia a crise evolutiva em uma estrutura que poderia se dissipar, pois sua
organização seria rompida e o sistema começaria a se auto-organizar em outro
estágio. Crises desse tipo são encontradas na química, física, biologia (meio
ambiente), e no ser humano.

As etapas de Evolon ficam evidentes para o nosso cotidiano, pois no


passado, o planeta mostrou que era finito (rompimento); ficou doente,
descongelou e aqueceu, além disso, sua biodiversidade mudou (fase latente);
houve hipóteses para alcançar soluções. Assim, se elaborou a RIO-92 (RUMO
                                                                                                               
7 Sistema de reciclagem, economia sustentável, política que participam além de ações
midiáticas paliativas.  
30  
 
SUSTENTÁVEL), foram feitos títulos de crédito de carbono (fase do
crescimento); foram movimentados recursos, políticas, sistemas tecnológicos,
um gargalo para a solução (fase de transição).

No contexto atual, acredita-se que estamos na fase de transição de


Evolon, abdução do conhecimento, que é novo, pouco familiar e extremamente
complexo, já que a educação ofertada, quanto a esse tema, concebia que os
recursos eram infinitos, voltados para produções em séries, economias de
massas e políticas populistas.

Caminhamos para a maturação sem um planejamento, sem que haja


uma forma. Em biologia, denomina-se “estratégia K” (intensiva), trabalha com
qualidade, fase de acabamento (refinação, sofisticação), por exemplo, o
homem cria a sustentabilidade, vendo-a ascender no mundo.

A sexta etapa é o clímax. É a “fase que emerge para o topo, em outras


palavras, há uma crise de superação, fornece sinergia aos meios”
(PRIGOGINE, 1976, p. 93). Tratando disso, o mundo está distante, uma vez
que, observando a natureza, vemos buracos negros – “caos”, pois a
descontinuidade e súbitas mudanças qualitativas no ecossistema se
caracterizam como irreversíveis. Desse modo, Arnold enuncia que:
“Catástrofes são mudanças súbitas e violentas, representando respostas
descontínuas de sistemas com variações suaves nas condições externas”.
(ARNOLD, 1989, p. 19).

A sétima etapa será a do novo rompimento. “Nascemos, crescemos,


conhecemos, destruímos, tentamos nos recuperar e morremos”(PRIGOGINE,
1976, p. 93). A melhor forma de compreensão é que se começa tudo
novamente, porém, se isso não ocorrer, não existiremos mais. Neste momento,
as crises humanas são muito mais complexas.
A proposta do “Evolon traz o passo unitário da evolução, isso significa
que todo o sistema passa por essa evolução e sua complexidade evolutiva
cresce por meio desta teoria” (PRIGOGINE, 1976, p. 93).
31  
 
Figura 1: Etapas do Evolon

Fonte: Diagrama do autor, com utilização de imagem do Google.

Deve-se levar em conta a quebra de paradigmas referentes à


sustentabilidade, os quais emergem de princípios que possibilitam a
construção de uma nova sociedade que vislumbrará um desenvolvimento
social harmônico.

A utopia do desenvolvimento sustentável é relacionada com o modo de


se evitar uma catástrofe, inventando meios tecnológicos que propiciem
esquivar-se de um descarrilamento sintomático. Esse conceito é evidenciado
no texto da CMMA: “O desenvolvimento sustentável é aquele que atende, às
vezes, às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as
gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades” (CMMA, 1988, p.
46).

O aspecto conceitual, quanto à natureza, subverte a ordem natural,


extrapolando limites e ações para atender ao mercado. O entendimento das
palavras “subverter” e “extrapolar” converge com a cultura de valor que o
desenvolvimento somente será sustentável na medida em que se sustentar por
um tempo e por uma nova cultura.
32  
 

A nova cultura é contraditória, uma vez que se caracteriza como algo


inibitório ao crescimento econômico, que renuncia ao processo de progresso e
prosperidade social entre os seres.

A ideia de desenvolvimento sustentável é a concepção de que a


civilização não seja extinta. “A discussão trava-se, no ímpeto civilizatório, do
homem desenvolvido” (CAVALCANTI, 2001), que busca ser maior do que a
natureza. É natural que o homem empreenda, descubra, conquiste e invente,
contudo, devastar a natureza, para o seu consumo, pode ter um efeito
contrário.

Todavia, vimos como a economia apresenta marcas estruturais,


limitando-se a uma discussão do desenvolvimento sustentável. A problemática
ambiental para este século torna-se importante para a construção de novas
teorias econômicas que, ultimamente, são voltadas para o individualismo e
utilitarismo. Assim, há de surgir “o advento de um mundo em que os homens,
gozem [...] da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade”
(TRINIDADE 1991, p. 74).

Os valores econômicos, de preferências individuais, revelam a relação


de escassez dos respectivos bens agregados ao valor de produção, alterando
o seu valor e, desse modo, provocando uma crise.

Como a problemática ambiental é muito comum neste século, é de bom


alvitre observar que os equívocos e as preferências são formados em
decorrência da sociocultura, política, economia e da tecnologia que nos
rodeiam. Daí, surgindo novos hábitos de consumo. Assim como no
pensamento de Goethe:
Na natureza, há um eterno viver, um eterno devir, um eterno
movimento, embora não avance um passo. Transformar-se
eternamente, e não tem um momento de pausa. Não se sabe
deter-se, e cobre de maldições a pausa. No entanto, esta
parada, o seu passo é comedido, as suas exceções raras, as
suas leis imutáveis. (GOETHE, 1780).
33  
 
Podemos criar uma concepção mental de que o desenvolvimento
sustentável é composto por aspectos e componentes que não correspondem à
realidade presente. O movimento social, criado em torno da sustentabilidade, é
algo histórico, mapeado por ONGs, pela ONU, governos e empresas, mas
tampouco ganha a devida eficácia.

O desenvolvimento sustentável desafia uma nova geração, quanto aos


aspectos normativos e de seu funcionamento na sociedade, problemas que
conduzem a um movimento de proteção ambiental.

O desenvolvimento sustentável sempre envolve uma retórica e


afirmação. Nós podemos ter tudo isso: crescimento econômico,
conversação ambiental, justiça social; e não apenas neste
momento, mas perpetuamente. Nenhuma mudança dolorosa é
necessária. Essa retórica afirmativa está longe das imagens de
catástrofe, redenção encontrada no sobreviventismo, ou nas
histórias de terror adoradas pelos racionalistas econômicos. Os
defensores do desenvolvimento sustentável preferem enfatizar
as histórias locais de sucesso da sustentabilidade do quer ficar
reprisando buscar casos de insustentabilidade. (DRYZEK, 2005,
p. 157).

Desse modo, Dryzek caracteriza o desenvolvimento sustentável como


utopia.

O modelo de desenvolvimento é questionável e, por muitos, é tratado


como insustentável a médio e longo prazo. Nesse sentido, indaga-se: é
possível que as transformações tragam mudanças? É possível que haja um
novo direcionamento multissetorial e global competente para mudar os
principais eixos civilizatórios da sociedade atual?

A crise do ecossistema evidencia a vida de uma civilização artificial, que


é bipolar. O humano é pertencente ao planeta terra. Já o mundo, apresenta
ecossistemas integrados, ao contrário da realidade que é composta de
sistemas culturais, políticos, sociais e naturais, gerando alto grau de
desintegração. O mundo acaba não sendo capaz de interferir no principio ativo
da civilização e, portanto, é inevitável que haja, nestes tempos, uma dualidade
racional, originando-se uma crise do ecossistema.
34  
 
O planeta age sobre nós e nós agimos sobre ele, por meio dessa
abertura cerebral. A natureza lida com aberturas e fechamentos, de acordo
com as circunstâncias, relacionadas a uma adaptação evolutiva8.

Assim: “O sistema aberto troca energia e matéria, biologicamente,


permutando informação entre os meios. Nessa questão, a natureza é livre para
fazer entropia em um corpo vivo” (VIEIRA, 2008, p. 35), visto que este está
aberto para relacionar-se com o ambiente.

No século XX, o físico russo Lev Landau afirmou que:

Admita o universo isolado, mas em observações atuais dizem


que ele está expandindo. A teoria não é capaz de dizer, se ele
expande, aonde? E para ele poder expandir, ele gasta energia
interna dele. A expansão é um trabalho e o trabalho demanda
energia, e, para essa expansão ocorrer essa energia deve ser
sugada de dentro para fora. (LANDAU, 1922).

Na teoria geral dos sistemas, a ontologia pode vir a esclarecer os


“conceitos de auto-organização e de complexidade” (VIEIRA, 2008, p. 31). Nas
últimas décadas, observa-se o desenvolvimento de ideias para construir
processos de práticas sustentáveis para o nosso atual estágio humano, mas
sem entender “a capacidade de o homem realizar entropia com seu meio social
– por trás de cada objetoexiste uma complexidade e é nela que devemos nos
focar” (Ibid, p. 35), para uma formação de cultura e desenvolvimento.
O ecossistema exprime, então, uma tendência vital e orgânica de caráter
defensivo, consequência de sua alta entropia com a civilização, que consiste
em desenvolver a humanidade e integrá-la.

A sustentabilidade pressupõe9 um quadro temporal contemporâneo, no


qual estamos inseridos, ou seja, que tudo, fatalmente, sucumbirá à sua
                                                                                                               
8
Neste caso, parece que o isolamento não existe. E sob este conceito surge um raciocínio
interessante: O universo é tudo que existe, se o universo é tudo que existe, não pode haver
nada fora do tudo. Se não há nada fora do tudo, não há ambiente para tudo. Então o universo
deve ser um sistema isolado (VIEIRA, 2000).  
9
Com a necessidade de consumo crescente, temos um descompasso do tempo capitalista
com tempo de regeneração do ecossistema e o tempo de consumo. O consumo é crescente, a
produção é acelerada e não há mais espaço para depois da produção ter uma recuperação da
Terra e essa transformação dos produtos não recicláveis (alta entropia) por parte do sistema
35  
 
degradação, sendo assim, não renovável. Do mesmo modo que vemos
conceitos de Cidades Sustentáveis nascendo, do ponto de vista administrativo,
(os quais são altamente eficazes e necessários para o desenvolvimento
sustentável), será que, sociologicamente, está se traçando um paralelo
evidenciando que tipo de sociedade haverá no futuro?

[...] o fator básico para determinar se um recurso é renovável


ou não, a partir de uma dada perspectiva temporal, é
justamente a diferença entre a velocidade do seu consumo e a
velocidade da sua formação, ou seja: horizontes temporais.
(STAHEL, 2001, p. 115).

Talvez a sociedade que se almeja seja generalista, entendendo-se que


a mesma visa buscar a satisfação das presentes necessidades humanas,
procurando atendê-las, sem comprometer e reduzir a capacidade de gerações
futuras e suas necessidades, mantendo o meio ambiente preservado para
novas gerações.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   
capitalista, gerando um esgotamento de recursos. Existe a busca de uma transição do
biológico, para uma semiosfera nãolinear em sistemas vivos afastados do equilíbrio. Há
também uma termodinâmica, um estudo e transformação da energia, existe uma
termodinâmica nos sistemas abertos e abastados do equilíbrio, é a sutileza de estrutura e
simpatia. Não basta que o sistema seja termodinamicamente aberto, ou seja, tem de estar
abastado do equilíbrio. Normalmente, quando o sistema é afastado do equilíbrio, ele tende a
romper, tende a ser extinto, mas a vida é uma estratégia sistêmica tal, que este afastamento do
equilíbrio induz à auto-organização, ou seja, todo o sistema deve ter um conteúdo de
desorganização, conteúdo de entropia, para quando ele for atirado numa crise, se afastar do
equilíbrio, para que possa recuperar o equilíbrio, se equilibrando de novo pela construção de
um novo nível de organização, usando as regras de entropia que tinha para gerar ou ver a
organização e a auto-organização. A ideia é que a organização não entre em choque com a
entropia, (MENDE,1981). Em outras palavras, no nosso caso, o sistema da terra é um sistema
bastante organizado, com um processo de auto-organização em forma de vida e se alimentado
deste sistema, ele tem uma queda de entropia local, devido à grande relação de entropia do
sol. Quem está pagando a conta da entropia para nós é o sol (MENDE, 1981).
 
36  
 
2. PROCESSOS ATUAIS DE COMUNICAÇÃO E CONSUMO

2.1 Sociedade disciplinar e sociedade de controle: a constituição da


sociedade ideal

Não me pergunte quem sou e não


me diga para permanecer o mesmo.
Michel Foucault (1995, p. 20)

O presente capítulo não abre margens para as discussões sobre a


concordância dos conceitos da sociedade disciplinar e da sociedade de
controle para o atual sistema da Smart City10. O que importa aqui é o contexto
das novas gerações da sociedade de controle, das décadas de 80 e 90, para o
presente momento (2015), que foi defendido com criticismo por Foucault e
Deleuze.

Nesse sentido, Foucault citou as sociedades disciplinares, dos séculos


XVIII e XIX, que eram grandes meios de confinamento, regulados para educar
a sociedade, como forma de coibir roubos, crimes e assassinatos. Tinham
como meta o cumprimento de sentenças com suplícios, em que era gerado um
espetáculo se elimina o homem, mas é também o domínio sobre o corpo que
se extingue.

Só posso esperar que não esteja longe o tempo em que as


forças, o pelourinho, o patíbulo, o chicote, a rota, serão
considerados, na história dos suplícios, com as marcas da
barbárie dos séculos e dos países e com as provas dar fraca
influência da razão e da religião sobre o espírito humano.
(RUSH, 1787 apud FOUCAULT, 2014, p. 15).

                                                                                                               
10
Há diversas traduções para o conceito de Smart City, mas considera-se a ideia de que a
cidade inteligente é composta de negociações, que tem o caráter de estabelecer parcerias
público-privadas, como forma de contribuição para a erradicação das distorções ambientais,
constituídas durante esses anos, nos quais houve a falta do Estado e do setor privado,
engajados no mesmo interesse, futuro social.  
37  
 
Atos punitivos eram deferidos para os crimes, como forma de obter-se
uma sociedade disciplinar. Essa ferrenha “justiça do crime” (FOUCAULT, 2014,
p. 15) buscava legitimar seu poder através de penas mortais. Atualmente,
ainda evocamos tais penais letais, quando a punição se julga com a
descontinuidade da vida, uma cena que, com inteira justiça, é preciso proibir.

Com o decorrer dos séculos, houve um afrouxamento da severidade


penal, vista com menos sofrimento e mais respeito à humanidade. De acordo
com Mably (1789 apud FOUCAULT 2014, p. 21): “Que o castigo, se assim
posso exprimir fira mais a alma do que o corpo”. Assim: “Com o tempo, a pena
foi se tornando um setor autônomo, em que um mecanismo administrativo
desonera a justiça, que se livra desse secreto mal-estar por um enterramento
burocrático da pena” (FOUCAULT, 2014, p.15). A justiça, agora, começa a se
ater à nova realidade, realidade incorpórea.

Em 1990, o filósofo Gilles Deleuze, seguindo as análises de Foucault,


percebe um enclausuramento da sociedade disciplinar que vai além dos meios
fechados, a saber: prisão, hospital, fábrica, escola, família, uma crise
generalizada de todos os meios de confinamento.

Deleuze, no seu contexto intelectual, nos auxilia na transição da


sociedade disciplinar para a sociedade de controle, e Foucault previu esse
processo como um futuro próximo, corroborado no “governo de si e dos
outros”. O governo precisa disseminar formas e coisas para introduzir uma
prática ou conduta, no entanto, como afirma Costa (2013): “Não se pode falar
qualquer coisa em qualquer época”, já que a afirmação de Foucault descrita,
em 1984, abarcava o contexto da época.

O autor traz a individualização como o caminho de exercício do poder


individual. De acordo com ele, os conceitos que organizam as formas
convencionais de pensar o poder não podem contê-lo na sociedade civil. O
termo prisão é igual à tecnologia de poder social, porém, mais generalizada. O
poder não impõe restrições ao cidadão, mas determina o quanto o indivíduo é
capaz de tolerar um tipo de liberdade controlada, cerceada por dados criados
38  
 
por ele mesmo, gerando um súbito poder, sobre operações e informações
incontroláveis. A chave da mudança está na troca do “por que” para o “como”,
diminuindo, dessa maneira, a causalidade, e dando-nos condições de nos
abstermos dos problemas indigestos como os causados pelo Estado.

Por sua vez, Foucault propõe que os indivíduos julguem e avaliem a si


mesmos e suas vidas, buscando dominar, guiar, controlar, salvar ou aprimorar
a si mesmos. Dessa tentativa de aprimorar a si mesmos, renasce a ideia que
tende a aprimorar o conceito de sociedade de controle.

Deleuze (1992), por exemplo, observou e situou uma “crise dos


dispositivos do poder disciplinar, algo facultativo, com aprimoramento
tecnológico, ocorrido no final do século 20 e começo do século 21”. Surgiram
aparelhos e mecanismos de poder que não necessitavam mais do corpo em
instituições fechadas. Houve um avanço tecnológico que tende a manipular,
controlar espaços abertos, de forma ilimitada 24x7 (24 horas). Deleuze
ressaltou ainda que o surgimento das novas tecnologias fez sucumbir os
dispositivos disciplinares, provocando o seu declínio completo e absoluto,
extinguindo, assim, o poder adquirido pelas formas disciplinares.

De uma maneira ou de outra, o dispositivo de poder disciplinar e de


controle se conectam, estabelecendo, assim, uma nova forma de poder, que
extrai práticas disciplinares para instalar o controle absoluto. Em outras
palavras, segundo Deleuze (1992, p. 216): “[...] estamos entrando nas
sociedades de controle que funcionam não mais por confinamentos, mas por
controle contínuo e comunicação instantânea”. Logo, observa-se uma nova
sequência do tempo passado, quanto aos aspectos disciplinares, em direção à
atual sociedade de controle. Deleuze assegura que através do controle
contínuo e da comunicação instantânea, pode-se compreender que esse
desenvolvimento passa a competir com o poder que se possui, de maneira
mais contundente, de modo a suplantá-lo, gradativamente. Na análise do
pensamento de Michael Foucault, em Vigiar e Punir, a concepção de poder
reorientou a maneira como a história foi constituída, abarcando o poder
disciplinar e a sua configuração nas instituições disciplinares.
39  
 
Mecanismos de controle, agora, estão permanentemente ao ar livre, seja
na escola, na praça, no carro, na estrada, onde quer que se esteja
(FOUCAULT, 2014, p. 258). Atualmente, não são as estruturas físicas e
materiais, caracterizadas pelo poder disciplinar, como as prisões, que agem
sobre a ação do indivíduo em suas relações sociais e interpessoais. Elas agora
são imateriais, impalpáveis. Quando se utiliza o cartão de crédito, o celular
para traçar rotas, a comunicação em redes sociais, fazer compras, jogar e
tantas outras formas de se conectar, tudo isso gera uma base de dados
robustos sobre o perfil do usuário, mapeando e controlando sua
movimentação. Além disso, ainda há as câmeras de vigilância que monitoram o
indivíduo, também por satélite.

Deleuze, em seu tempo, nos auxilia a elucidar as “sociedades de


disciplina que eram rígidas porque eram constituídas por instituições cruéis”
(Ibid, p. 258) como a prisão, por exemplo. Contudo, hoje essas sociedades são
diferentes da sociedade de controle, já que aparentemente, são flexíveis. Seus
mecanismos, para dominar e gerar poder sobre o coletivo, são articulados em
fluxos que produzem amarrações e fazem o sujeito ficar rendido. Os
dispositivos de controle são caracterizados pelo refinamento do novo poder,
contam com uma invisibilidade e flexibilidade que permitem modulações,
conforme o objeto de captura, produzindo, assim, um poder invisível sobre a
civilização. Essa nova dinâmica pode controlar comportamentos de ordem
pessoal, podendo atuar no nível do desejo, caracterizado pelo consumo.
Também age no nível corporativo / estratégico, controlando as diretrizes que
movimentam o mundo.

Atualmente, a sensação de controle social intensifica e generaliza a


disciplina, rompendo as fronteiras das instituições, não havendo distinções
nítidas entre o dentro e o fora. É como se, ao invés de programas escolares, o
aperfeiçoamento fosse individual e contínuo, substituindo o trabalho in loco por
maneiras alternativas, quase incorpóreas.

Segundo Deleuze, os dispositivos de controle proliferam nas mãos dos


homens. O indivíduo conectado gera diversas informações e, neste momento,
40  
 
busca-se estratificá-lo e entendê-lo, de forma mais complexa. Essa é a maneira
mais comum de observá-lo, isto é, como se estivesse confinado.

Por outro lado, Passetti (2003) discute o aspecto fundamental da


satisfação: “é importante discutir o poder como manipulação, pois a tendência
contemporânea da sociedade de controle está enraizada no seu âmago”.
Nesse sentido, a manipulação pode ser vista e sentida através de informações
on-line, pesquisas sobre os consumidores e rastreamento dos indivíduos. O
autor ainda questiona o fato de o “regime democrático estar sendo ferido,
sucumbido, já que o Estado se afasta do sistema, competindo a ele, a
excelência de governo e uma política de inclusão” (MORAES apud PASSETTI,
1999, p. 66).

O autor também debate a questão levantada por Foucault (1977) sobre


a sociedade disciplinar, explicitando:

[...] os homens deixam de ser meramente obedientes e dóceis,


para assumir a característica de ativos e responsáveis,
mudando a vida da comunidade, alterando desejos, produção,
hábitos e cultura. A sociedade de controle pode ser
exemplificada como o atual cenário econômico, que visa à
maximização absoluta dos desejos dos seus acionistas,
prevenindo-se contra a instabilidade do mercado, antecipando-
se a riscos, atuando sempre com previsibilidade. Os dispositivos
de controle não obedecem às regras temporais. (PASSETTI,
2003).

O objetivo maior da sociedade de controle é trazer seguridade à vida,


cuidando de pessoas e povos. Segundo Passetti (2003), isso se tornou um
“investimento para a saúde, pois busca prevenir, reduzir mortalidades e
calamidades públicas de saúde, evidenciando pontos de mortalidade”. Um
exemplo desse controle foi observado no Estado de São Paulo, na gestão do
governador José Serra, na qual se instituiu a lei que proíbe fumar em locais
fechados (Lei 13.541/09 - Lei Anti-fumo - Estado São Paulo). Contudo, a lei
não tinha como escopo direto beneficiar a sociedade, mas servir a interesses
públicos. Como gestor, o governador percebeu que o imposto arrecadado,
advindo da indústria tabagista, era inferior ao gasto público, para tratamento de
41  
 
pacientes, vítimas de câncer, provenientes do cigarro. A estratégia, na ocasião,
foi implantar uma lei que proibisse o fumo em lugares fechados, prática que ia
ao encontro do desejo de grande parte da sociedade, que queria a restrição do
consumo de cigarro. Por força do Estado, houve a redução do número de
fumantes e, por consequência, uma taxa decrescente do consumo de cigarro.
Além disso, espera-se que haja no futuro uma sensível redução dos leitos
hospitalares com pacientes usuários e vítimas da indústria do tabaco. Essa lei
foi aprovada pela grande maioria da população, ademais, é vista como um
auxílio para quem busca parar de fumar. A redução do gasto público na área
da saúde, para o tratamento de câncer, procedente de hábitos tabagistas, não
deixa de ser uma benesse para o Estado que está, supostamente, investindo
em sua população.

A sociedade de controle avança pela civilização, gerenciando e


prevenindo, como autoridade, a vida de cada um, sem respeito às
idiossincrasias individuais e grupais. Essa geração da sociedade de controle,
se assim podemos dizer, é a geração imaculada, sem anticorpos, numa era de
desenvolvimento que, atualmente, amadurece o controle da segurança, com
dispositivos que estão sendo disseminados.

Embora se observe claramente ações que vislumbram a busca pelo


poder, é evidente que as organizações privadas investem diariamente em
recursos para o desenvolvimento tecnológico. Tratar a sociedade de controle
com severa criticidade e apenas como provedora de guerras desconstitui o seu
caráter positivo. Guerras existem desde a formação do mundo.
42  
 
2.2 Sociedade de controle para a sociedade ideal

Não é na resignação, mas na rebeldia em face das


injustiças que nos afirmaremos.
Paulo Reglus Neves Freire (1996, p. 87)

A ascendente sociedade de controle instala dispositivos e dispara


mecanismos e instrumentos de captura para identificar e antecipar percursos,
caos e guerra, potencializando, dessa forma, em si mesma, a violência.

Os dispositivos de controle difundem e disseminam o seu conteúdo de


forma online e de modo colaborativo, o que facilita a gestores e a usuários
tomar decisões com maior qualidade e exatidão.

A dicotomia entre o certo e errado da sociedade de controle prevê o


poder, o conhecimento do ser humano, a regulação ou manipulação da vida,
dentre outros fatores. Contudo, o Estado já possui esse papel regulador,
moderador das convivências sociais, atuando, contemporaneamente, em prol
de si mesmo.

A sociedade de controle era tratada por Foucault, em seu repertório


bibliográfico, como a própria legitimação do poder. “Na atualidade, esse
pensamento evoluiu” (MORAIS, 1999 p. 92). Percebe-se que na sociedade de
controle, o indivíduo não é tratado como pessoa, como um ser não apenas
ativo e conectado, mas um ser humano igual aos seus antepassados. Ele, o
homem, não deixou de ter curiosidade pela vida, conhecer, desfrutar, avaliar,
manifestar desejos e saciá-los e este homem é constituído em demasia por
todos esses impulsos, que obviamente foram personificados ao ser humano.

Nesse sentido, como explicar o comportamento do índio que vive fora da


sociedade, morando em florestas, sendo controlado por órgãos
governamentais como ONGs, FUNAI, setor privado (por interesses
comerciais)? Observa-se que os índios não carecem da sociedade civil e de
43  
 
suas doutrinas. Manifestam anseios de controlar seu povo de forma autônoma,
gerindo sua floresta, tendo atitudes que coíbam o impacto da civilização em
terras indígenas. “O poder instaurado sobre o povo indígena refere-se ao
desenvolvimento do controle social (políticas públicas) e políticas indígenas,
aparentemente, ambas as políticas são direcionadas em prol da sociedade
indígena” (FUNAI, 2008).

Esse tema gera complexidade e discordância. A expectativa é a de que,


embora o governo tenha traçado, no século XX, diversas mudanças
estratégicas com o rótulo de “Estado de bem-estar”, elas, de fato, ocorressem.
Houve críticas que problematizaram essas tentativas de mudanças, por falhas
da gestão governamental, no que se refere à preservação dos direitos que
garantem a individualidade e a moral privada. Por outro lado, essas mudanças
propiciaram o desenvolvimento de novos dispositivos de governabilidade,
promovendo o alcance dos benefícios sociais aos cidadãos, o que lhes
garantiu bem-estar e progresso. Desse modo, é estabelecido o sentido do
estado liberal, a administração pública que Foucault comenta: “A ciência de
administração pública europeia do século XVIII sonhava com um tempo em
que um território e seus habitantes seriam transparentes ao conhecimento:
tudo devia ser conhecido, registrado, enumerado e documentado”
(FOUCAULT, 1989, 1991 apud PASQUINO, 1991).

Além disso, de acordo com Oestreich:

A conduta das pessoas em todos os domínios da vida deveria


ser especificada e escrutinada nos mínimos detalhes, através de
minuciosa regulação de moradia, vestuário, costumes e similares
– impedindo a desordem através de um ordenamento fixo de
pessoas e de atividades. (OESTREICH, 1982).

Nesse sentido, a primeira citação demonstra um sonho utópico para a


época. Refere-se à idealização da sociedade contemporânea, que propicia um
estado gestor de direito dos comportamentos sociais. Analisando a segunda
citação, observa-se que o estado liberal apregoa uma sociedade totalmente
gerenciada, interferindo no âmago do ser humano. Assim, há um confronto
44  
 
com a sociedade civil, que almeja direitos e interesses para os cidadãos, que
antes eram impedidos.

A sociedade passa por diversas etapas de “governamentalidade”, em


busca sempre de direitos democráticos, além de exercer o “poder sobre a
vida”, prática identificada por Foucault (MILLER; ROSE, 2012). A presente
sociedade de controle ainda não é regulamentada, o que deixa um hiato para o
futuro. No entanto, ela não se manifesta contra a democracia estabelecida;
antes, coaduna-se com cada uma de suas formas. Essa posição de tolerância
possibilita para ambas confortável autonomia existencial.

Novas tecnologias implantadas para suportar a sociedade vigente


tendem a manifestar, com autoridade, a expertise implantada. Assim, as
relações que se produziam entre as autoridades políticas, as medidas legais e
as autoridades independentes têm como objetivo a regulação da economia e
da sociedade.

Em outra etapa, se fazia necessário mitigar os efeitos do trabalho


realizado nas fábricas, no que tange à saúde, para diminuir os perigos sociais
das epidemias. Exemplificando, o controle proporcionou a criação de órgãos de
regulamentação como a ANVISA que monitora de alimentos a medicamentos,
propiciando proteção à saúde.

Com o boom tecnológico, as informações ganham formas estruturadas


porque o trânsito de dados diários é colossal, além de haver a cooperação do
indivíduo comum que gera, simultaneamente, informações, comunicações e
localizações (uma espécie de tracking 11 ). Logo, se realiza o movimento
individual no “espaço informacional”. A sociedade vive em uma vigilância
disseminada no social, uma vez que todos sabem os passos de todos, com o
auxílio dos dispositivos.
                                                                                                               
11
“O tracking generalizado nos chama a atenção. Há uma espécie de vigilância disseminada
no social, haja vista a possibilidade de todos poderem, de certa maneira seguir os passos de
todos. O controle exercido é generalizado, multilateral. As empresas controlam seus clientes;
as ONGs controlam as empresas e os governos; os governos controlam os cidadãos; e
cidadãos controlam a si mesmos, porque precisam estar atentos ao que fazem” COSTA (2006,
p. 39).  
45  
 
Confeccionando um mapa de controle, temos:

Figura 2: Entendimento do mapa de controle

Fonte: Diagrama modulado pelo autor, com base na ideia de tracking citado por
COSTA (2006, p. 39). Com utilização de imagens do Google.

A forma verbal “almejam”, sublinhada na imagem (figura 2), é a forma


pela qual a sociedade contemporânea é controlada. Somente existe a
diversidade para a compra de um determinado produto porque o consumidor
não tem fidelidade à marca, algo ainda inatingível. É possível concluir que
hábitos podem ser controlados por um determinado tempo, mas não por uma
vida toda.

O controle é, por vezes, ilimitado. O exemplo mais comum é o da


vigilância por câmeras, que efetivamente estão presentes em todos os lugares.
Mas somente monitoram, realmente, quando há atividade. No presente
contexto, isso demanda esforços muito maiores, ou seja, ele é eficaz
temporariamente, conforme o movimento do ser humano, mas o controle tem a
capacidade de construir um conjunto de padrões para uma vida, poderá fazer
associações, conexões de primeiro e segundo grau, conforme o método de
ações dos indivíduos. Porém, como dito, esses dados não são padrões para
46  
 
uma vida, visto que o indivíduo não está sendo copilado por um só centro de
controle. Logo, o mesmo pode se tornar vulnerável e ineficaz, à medida que o
tempo passe.

Como exemplo dessa prática, temos o consumidor de uma operadora de


telefonia X que consome 500 minutos por mês, tem um gasto médio de R$ 250
reais, logo, se ele solicitar a portabilidade, a nova operadora Y irá iniciar um
novo processo de consumo desse comprador. Caso ele não fique satisfeito
com o serviço da Y, regressará para a X e seu consumo anterior, que está
armazenado na base de dados da operadora X, não pode mais ser válido, visto
que, neste espaço de tempo, os hábitos desse cliente se alteraram. Ele tem
agora um novo perfil de consumo, novos desejos, novos hábitos, algo
esperado pela operadora X, se a cultura de sua base mudar. A base diminui no
consumo de minutos e aumenta em megabits de sua internet (dados); é uma
referência de informação, que pode ter nuances, conforme a variação de
indivíduo para indivíduo. São fatores que influenciam o comportamento do
consumidor:

Tabela 1: Comportamento do consumidor

Fonte: Diagrama do Dr. Newton Siqueira da Silva, FIA-USP


47  
 
Segundo Featherstone (1941, p. 14), crítico da “sociedade de massa”,
acredita-se que “[...] há uma massa automatizada, manipulada, que participava
de uma cultura de mercadoria tipo ersatz, produzia em grande escala, voltada
para o mais baixo denominador comum”. Desse modo, o autor vê a onda
crescente de novos bens de consumo, propagandas, que ensejavam o
nascimento de uma “massa atomizada”. De um lado, a sociedade estabelece
atos de consumo e relações com tudo àquilo que envolve o consumo,
satisfazendo suas necessidades (conforme Tabela 1); exerce atos de poder e
constrói subjetividades que se socializam, de maneira contemporânea,
conforme a pirâmide de Maslow. Por outro lado, o consumo é interpretado
como conquistas individuais, cuja dinâmica vislumbra apenas o lucro,
modelado por uma relação de poder, na qual o sistema capitalista interpõe
seus conteúdos e valores sobre a sociedade – os prazeres e os poderes.

Figura 3: Pirâmide de Maslow

Fonte: Diagrama modulado pelo autor, com base referencial do diagrama de Maslow.
48  
 
O homem, criador, desenvolvedor e detentor de conhecimentos e
desejos, passa a não existir sob a ótica de autores como Shields (1992) e
Featherstone (1991), dado que as relações humanas são subvertidas para
relações incorpóreas, sem materialidade social. O homem, então, passa a ser
um fantoche do sistema que manipula suas necessidades. Porém, a
construção desse sistema é desenvolvida por esse mesmo homem, que a cada
geração se reinventa, constrói e refaz aquilo que já foi feito. Ao se reinventar, o
homem discute novos temas sociais, culturais e econômicos, buscando ser
mais assertivo ao seu tempo. Assim, segundo Albrecht (1992): “É uma
combinação de coisas e experiências que criam no cliente uma percepção total
do valor recebido”.

A geração do atual está estruturada nas necessidades de estima e


desejos. Aproveitando essa onda, as empresas investem, cada vez mais, nos
anseios e buscam satisfazê-la, criando benefícios entre o homem e o produto.

Qualter, em 1991, assegura que a propaganda traz pensamentos


dúbios, fazendo uso de técnicas psicológicas que ultrapassam concepções de
atitudes, relativamente simples, e métodos de mudança de hábito. Trata os
consumidores como irracionais e tolos, e estes se deixam ser manipulados por
uma cultura pública, insalubre para a democracia.

Walt Disney definiu que: “O exemplo mais bem-acabado de alguém que


ousou sonhar”, de forma dinâmica e constante do fluxo:

Figura 4: Entendimento da dinâmica de Walt Disney

Fonte: Diagrama modulado pelo autor, com utilização de imagem do Google.


49  
 
Ele trata seus consumidores, neste contexto, com atenção,
reconhecimento, humildade, treinamento e, principalmente, encantamento,
despertando sempre emoções, satisfação e interatividade. Para quem ainda
não foi ao parque da Disney, o desejo está incutido no imaginário da pessoa,
que, de alguma maneira, tem a reprodução gravada na memória de imagens
que mobilizam ideias, criam vontades, e ela é construída a partir do suporte
técnico, pelo qual se difundem propagandas, meios televisivos, boca a boca e
por agências de viagens.

O que Qualter cita, em 1991, ou seja, que a “propaganda traz


pensamentos dúbios, fazendo uso de técnicas psicológicas que ultrapassam
concepções de atitudes”, e trazer essa informação para o contexto atual. Logo,
observa-se que a tecnologia está a serviço do homem para desempenhar
funções diárias de análise, mapeando o ser humano, mas, instantaneamente.
Isso porque, no dia seguinte, ele já não se comporta da mesma maneira.

O contexto acadêmico atual, que atira sobre a cultura, preconceitos e


mudanças econômicas, defende apenas uma teoria crítica, ou seja, que a
sociedade de controle irá sucumbir com a racionalidade humana, e isso é
temerário porque esse mesmo ser humano é diretor, protagonista e detém
relativo poder. Diz-se relativo, pois, para deter o poder da massa, precisaria se
constituir uma religião capitalista com ditaduras severas, e que manipularia a
sociedade em prol de seu poder autônomo, advindo de um pequeno planeta.

Contudo, acredita-se que só podem questionar aqueles que vivem


paralelos à sociedade de controle, que estão desprovidos das tendências
atuais, de sofisticação, alienados do contexto de consumo e desprovidos de
recursos. A atualidade nos traz, como artifício de condutas, práticas e relações
sociais do cotidiano com cartões de créditos, celulares, aplicativos, dentre
outros. “Como seres vivos que somos, com 23 pares de cromossomos, em seu
núcleo humano diploide, podemos acentuar que somos seres racionais com
capacidade de agir e pensar sobre nossos atos e escolhas. Defender
estritamente uma ideia, sem evoluí-la, é se alienar para o mundo” (QUALTER,
1991).
50  
 

Não conhecemos ainda a capacidade humana e onde ela poderá


chegar, mas sabemos que ela não é maior do que o seu criador.
51  
 
3. SMART CITY

3.1. Smart City, apresentação

Para os eleitos do mundo das ideias, a miséria está na


decadência, e não na morte.
Rui Barbosa apud Luís Viana Filho (1953, p. 174)

O conceito Smart City está intrinsecamente relacionado com o


desenvolvimento de um novo modelo de cidade, com alicerces claros para gerir
a vida. Sua base tecnológica consolida dados e gera uma demanda, seja ela
para a solução do próprio sistema ou por autonomia humana. O setor público é
o maior gestor e está interessado em satisfazer os seus anseios, propiciando
alternativas futuras para uma melhor gestão dos recursos financeiros.

Porém, para constituir-se uma plataforma de Smart City é necessário


que se visualize alguns cenários nos quais seja possível a sua instalação. É
preciso que haja processos interconectados que superem barreiras para
chegar a bons resultados de sustentabilidade. Meadows (1972) definiu os
lugares para investir em um sistema:
52  
 

Tabela 2: Meadows

10 constantes, parâmetros, números (como subsídios, taxas, padrões, objetivos, medidas)

9 estoques materiais e fluxos (para dentro e para fora - administração de recursos, podendo incluir pessoas)

8 a força de feedbacks negativos relativos aos impactos que estão tentando amenizar (piorando as coisas)

7 os ganhos em torno de ciclos de feedbacks positivos (que melhoram as coisas)

6 a estrutura dos fluxos de informação (quem tem e não tem acesso aos diversos tipos de informação)

5 as regras do sistema (como incentivos, punições, restrições)

4 o poder de auto-organização (acrescentar, modificar, expandir, ou auto-organizar estruturas de sistemas)

3 os objetivos do sistema

a mentalidade, paradigma ou visão de mundo a partir dos quais o sistema (seus objetivos, estrutura, regras,
2
parâmetros etc ) se origina

paradigmas transcendentes (fazer julgamentos baseados em evidências, independentemente de visão de mundo


1
ou sabedoria convencional)

Fonte: Diagrama retirado do livro de Sara Parkin (2010, p. 83), com imagens
adequadas para a pesquisa do autor, sob a pesquisa de Meadows (2009).

Conforme a tabela 2, para promover uma cidade com o conceito de


Smart City, é necessária uma junção de fatores, implicando a inviabilidade do
projeto. É necessário pensar num conjunto de coisas, agrupadas como
sistema, para entender como elas se relacionam entre si.

A estratégia para uma determinada comunidade Smart City desenvolver-


se economicamente é fazer com que a vizinhança a reconheça dando valor à
qualidade de vida gerada, como segurança, prevenção quanto a eventos
climáticos, falhas, mobilidade, saúde e gestão. Contudo, o sucesso é
dependente da população, ou seja, se a população interagir com os
dispositivos instalados, gerando feedbacks para sanar eventuais falhas, se
contribuir para a separação de resíduos e, se praticar a solidariedade entre si,
esta população promoverá, sem duvida, a construção de um Estado mais forte.
53  
 
O Estado enfrenta os problemas contemporâneos porque, só
tardiamente, vem educando e mobilizando a sociedade para a questão da
sustentabilidade. “A cultura, a identidade e a política estão se tornando locais”,
segundo Jeremy Greenstock, uma vez que os desafios globais podem ser
combatidos eficientemente.

3.2 Smart City – tudo está conectado: sociedade, política, setor privado e
meio ambiente

O conceito de Smart City é aparentemente indispensável nas


discussões sobre o contexto brasileiro. Por sua complexidade, a cidade do
futuro tende a ser um déjà-vu para países desenvolvidos. Praticar
desenvolvimento sustentável requer engajamento político e social. Trazer
bandas como pauta de supra necessidade é um esforço questionável,
politicamente, pois o governo tem maior responsabilidade em conduzir novas
políticas sociais. Em outra linha, a sociedade deve manifestar o desejo de se
relacionar com o meio ambiente. Esse relacionamento deve ter a proposta de
ser sustentável, no entanto, a gênese da sustentabilidade é apontar os limites
naturais, além de uma diplomacia entre a sociedade, governo e setor privado.

O DS, no século XXI, está tendo maior notoriedade devido à grande


escassez de novos recursos naturais. Muitos países vislumbram, na
sustentabilidade, uma forma de extrair novas economias. Esse recurso,
proveniente do desenvolvimento sustentável, ainda não vem gerando riquezas
para o governo, mas emana uma nova educação social. Desliza, muitas vezes,
nas relações econômicas, sociais e político-diplomáticas. Entre os principais
objetivos das políticas ambientalistas vigentes, derivadas desse conceito de
desenvolvimento sustentável, temos que:
54  
 
[...] retomar o crescimento; alterar a qualidade do
desenvolvimento; atender às necessidades essenciais de
emprego, alimentação, energia, água e saneamento; manter um
nível populacional sustentável; conservar e melhorar a base de
recursos; reorientar a tecnologia e administrar o risco; incluir o
meio ambiente e a economia no processo de tomada de
decisões. (BARBIERI e DELAZARO, 1994, p. 76).

A educação sustentável ganha espaço em países emergentes. O


governo e a comunidade local se engajam em um único propósito sustentável,
expandindo plataformas de depósito de resíduos orgânicos, em busca de uma
energia renovável, mobilidade urbana, diminuição do desperdício natural,
dentre outros.

Para desenvolver uma administração astuta, é estabelecida a função do


Smart City, pois há necessidade de transparência para que mais e melhores
serviços possam ser oferecidos. Assim, a partir da construção de uma cidade
sustentável, com áreas verdes, uso eficaz dos recursos naturais, conhecimento
do território e otimização do funcionamento dos serviços coletivos, vai-se
melhorando a mobilidade urbana. Investir para um crescimento econômico
sustentável, inteligente e robusto faz com que o desenvolvimento em setores
tecnológicos se desenvolva mais.

Implantar novas infraestruturas de serviços sustentáveis e tecnológicos


desenvolve também a administração pública. O governo se torna mais
integrado ao dia a dia da população, além de propiciar às empresas
desenvolvimento e transparência social.

A política de desenvolvimento deste século está intrinsecamente


atrelada à perspectiva global de longo prazo. Pode-se apontar para as
tendências de crescimento da população mundial - industrialização, produção
de alimentos, poluição, escassez de recursos limitados naturais. Meadows e
outros autores produzem um modelo matemático, com cinco diferentes
variáveis: “industrialização (crescente), população (em rápido crescimento), má
nutrição (em expansão), recursos naturais não renováveis (em extinção) e o
meio ambiente (em deterioração)”. (MEADOWS et al., 1972, p. 21). O autor
55  
 
ainda sustenta que: “os limites ao crescimento neste planeta serão alcançados
nalgum momento nos próximos cem anos. O resultado mais provável será um
declínio súbito e incontrolável tanto na população como na capacidade
industrial” (MEADOWS, 1972, p. 23).

Prevê-se um declínio súbito e incontrolável da atividade econômica e da


taxa de natalidade, uma vez que os indicadores econômicos serão mais
opressores, devido à insuficiência de recursos naturais. Em países em
desenvolvimento, o Estado de equilíbrio econômico é vulnerável, dado que a
qualquer intempérie da natureza, as necessidades básicas de cada pessoa
sofrem interferências sensíveis. Em breve, se não houver novas alternativas de
vida sustentável, passaremos pela “síndrome do juízo final” (MADDOX, 1974).

Meadows et al (1972, p. 20) propõem a estabilidade econômica e


ecológica para escapar do perigo de um crescimento desenfreado populacional
e industrial, se forem formulados princípios básicos para a visão do
desenvolvimento:

1- Sustentabilidade;
2- Garantir as necessidades básicas;
3- Preservação ambiental;
4- Solidariedade com as gerações futuras;
5- Satisfação do sistema social, educacional, segurança, mobilidade
urbana.

O desenvolvimento sustentável é a ação que se satisfaz no presente,


sem comprometer as necessidades básicas das gerações futuras. Trata a terra
sob sua oferta e não mais sob sua demanda, de forma ideal para restabelecer
um equilíbrio natural.

A forma sintomática, que vivemos atualmente, ressalta a relação entre


estado, sociedade, tecnologia e setor privado, todos os segmentos caminham
de forma singular, para um objetivo comum. Nesse sentido, chama atenção a
relação ética humana versus a natureza e sua responsabilidade quanto à
56  
 
sociedade atual. Há uma reflexão a respeito das noções e princípios que
fundamentam a vida moral e seu modo de proceder, regulado pelo uso ou
costume. “A Organização das relações das pessoas, na sociedade, almeja o
certo e o errado, e quando se trata de algo inatingível, como os meios naturais,
o ser humano se demonstra abnegado a essa causa” (MARX, 2003).

De maneira comum, o ser humano tende a se proteger de sua conduta


opressora, inclinando-se para outras condutas, cujos códigos morais de nosso
grupo são regidos por sua sociedade e condutas vigentes.

O caráter ideológico da estrutura política econômica e social transita


pelas mudanças climáticas, pela poluição, seja ela propagada pelo ar, pela
água ou pela terra. Esses fatores são decisivos para a destruição das cidades
e da humanidade. Há um desafio em combater essa cegueira pela qual a
humanidade passa. Não há preocupação com problemas ambientais, com o
descarte de forma inapropriada de resíduos, no meio ambiente. Casos
recorrentes nessas décadas levam essa nova humanidade à indiferença com a
natureza. De seu lado, a natureza promete a quem maltratá-la prestar contas
com ela; e os sinais de fragilidade tornam-se evidentes, principalmente, pela
crise da água que já atinge diversos lugares ao redor do mundo.

Em momentos de crises ambientas, como essa, soluções paliativas são


implementadas pelo governo. Para a sociedade, resta a contribuição e a sua
religião. A demanda crescente por recursos naturais, como água, energia e
alimentos contribui negativamente para a emissão de gases de efeito estufa,
agravando o clima. A figura 5 retrata a mudança climática que sofremos:
57  
 

Figura 5: Mudança climática

Fonte: Diagrama retirado do livro de Sara Parkin (2010, p.127), com imagem do
Google e adequada para a pesquisa do autor.

O governo compartilha a ineficácia e a falta de previsibilidade com a


sociedade, cerceando o consumo de água, a energia e os alimentos, de forma
bruta, sobretaxando os impostos, por exemplo.

A população, solidariamente, divide a conta com o governo,


sensibilizando-se momentaneamente com o caos instaurado. Então, a
população teve de repensar seus hábitos de consumo e, eticamente, se
compromete a fiscalizar suas atitudes e as ações do próximo.

Pode-se observar que a fé = confiança, embutida na religião, traz o


suporte para todos alimentarem a esperança em um futuro melhor, no qual São
Pedro e os deuses da água ou o ritual da dança da chuva lutem contra a falta
d’água. Entretanto, todos nós sabemos que à coletividade e, sobretudo, ao
Estado compete a solução efetiva referente à questão da água.
58  
 
Um debate sobre o direcionamento do meio ambiente é a inevitável
constatação de que a teoria sobre o desenvolvimento e o meio ambiente
resvala na economia. Nesse sentido, como enfrentar o capitalismo de
consumo? Há uma contradição da relação entre o desenvolvimento
(crescimento do consumo do material produzido) e do meio ambiente
(capacidade de absorção do impacto ambiental do ser humano no
ecossistema). Subentende-se que o desenvolvimento é nulo, já que ambos não
caminham na mesma direção. Já para o meio ambiente e sua capacidade
esgotável e não inesgotável, há a necessidade de que produtores tenham
controle sobre a propriedade e sobre os seus meios de produção. Logo, o meio
ambiente não tem porque defender o sistema capitalista, estudado por Marx
(1843).

3.3 Administração e liderança na sustentabilidade

A liderança é uma condição vital para se praticar sustentabilidade. Sem


ela não há desenvolvimento sustentável. A sustentabilidade não ocorrerá em
nenhum setor da sociedade civil e do setor privado. Faz-se necessário também
o avanço tecnológico, disseminado, envolvido com as novas tendências da
vida humana com a intenção de criar interações, de trabalhar num cenário de
baixa/alta congruência com a sustentabilidade (PASSETTI, 2003). Assim,
apenas as novas lideranças, sejam elas governamentais e privadas que se
emanam, poderão definir a direção para aquilo que funciona melhor. Uma coisa
sem a outra não basta (uma escola sem aluno não se justifica).

O caminho e o desafio a respeito desse tema são amplos, além do


pragmatismo que envolve o assunto. O desconhecimento em tratar a
informação e conduzi-la a outro patamar faz a sustentabilidade ser um “objeto,
complexo”.

A catástrofe de uma liderança pode gerar o declínio da economia


ecológica e dos negócios gerados por ela, o que comprometeria todo o
59  
 
empenho em por em prática a sustentabilidade. A má administração pode
originar uma lacuna grande para o futuro. A falta de liderança apropriada faz
com que a solução de problemas insignificantes não seja encontrada no tempo
oportuno. Na sequência, o caos instalado disfarça, através de falsas
aparências, questões sociais importantes. Com isso, a gestão administrativa é
avaliada, muitas vezes, como ineficaz e morosa, por não saber fomentar a
demanda de seus serviços.

Uma liderança segura com uma administração segura é primordial para o


investimento tanto no setor público, quanto no privado, haja vista que nela se
garante a qualidade do desempenho de ambos os setores.

Ao observar a política pública vigente, é possível enxergar, através da


névoa, o que envolve a educação na liderança e na administração. Mostra-se
falta de conhecimento quando o assunto tem como tema a sustentabilidade.
Muitos governos, para saciar o desejo de poder mundial, ou pauta política,
rasgam o plano diretor e traçam medidas de mobilidades equivocadas, como
saúde, segurança, dentre outras. Não se ressalta que os progressos obtidos
são devidos a uma nova economia verde, sustentável, ambiental. É comum
muitos projetos, com interessantes pautas sustentáveis, naufragarem pela falta
de lideranças preparadas que atuem dentro de uma visão clara de
sustentabilidade.

Já a educação desenvolvida para fins administrativos e de liderança


ocorre por influência de interesses comerciais, sustentada pelo advento da
responsabilidade social corporativa. As empresas largam na frente, uma vez
que buscam contribuir de forma solidária com o meio ambiente, porém, com
relação à gestão pública, as ações ocorrem em detrimento de leis que visam a
melhoria da sociedade, para demonstrar o seu compromisso social e
eventualmente vislumbrar oportunidades de negócios.

O Diagrama de conexões do aprendizado pessoal contextualiza a visão


de aprendizado; “ser e fazer” (na imagem), de Sara Parkin nos traz uma linha
60  
 
de pensamento que pode ser aplicada na estratégia de alcançar a
sustentabilidade, em países onde não se trata de maneira real essa questão.

A visão de aprendizado trata ainda do “EU”, “Visão do Mundo”,


“Relacionamentos” e “Ferramentas para Mudança”. Parkin foi habilidosa ao
montar um fluxo, no qual desenvolve todos os sujeitos da ação, dando:

Figura 6: Diagrama de visão de aprendizado – Sara Parkin

O"Diagrama"de"
conexões"de"
aprendizado"do"
divergente"posi5vo"

EU"""!!!!!!! Relacionamentos! Ferramentas"para"


Compreensão! Visões"de"mundo! Poder! mudança"
Histórica!!
Conhecimento! Redes! Pessoais!!
Autoconhecimento! Atual! Parcerias! Técnicas!

Entenda!! Comunicações!!
Desenvolvimento! Aprender!estratégias! Tecnológica!! Advocacia!! Futuros!
Hábitos!de! Sustentabilidade! Econômica!! Relacionamentos! Cinco!medidas!capitais!
insustentável,!áreas! ecológica! próprios!/!redes! De!outros! Mudança!de!
principais!de! pensamento!etc! Social! comportamento! de!ciclo!de!vida!
conhecimento! Futuros!etc.!

Compreensão" Estratégias"
Princípios" Conjunto"de"
própria"de"como"o" próprias"para"
próprios"de" ferramentas"
mundo" influenciar"os"
prá5ca" próprio"
“Funciona”" outros"

Seu" Melhoramento contínuo por meio de:


comportamento"e" •  Autodesenvolvimento e aprendizado
as"ações"prá5cas" •  Experiência
•  Reflexão / autoavaliação
que"empreende"

Fonte: Diagrama retirado do livro de Sara Parkin (2010, p. 209) e parcialmente


modulado pelo autor.
61  
 
4. SMARTSANTANDER:PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO

O cientista não é a pessoa que dá as respostas


certas, é aquele que faz as perguntas certas.
Claude Lévi-Strauss (2006, p.461).

No decorrer do processo de estudo da presente Dissertação, o autor


teve a oportunidade de realizar uma viagem a Santander, na Espanha, com a
finalidade de desvendar os conceitos de Smart City e o SmartSantander12.
Essa viagem foi realizada no dia 27 de fevereiro de 2015 e teve duração de
duas semanas. Durante esse tempo, visitei o sistema de monitoramento da
Corporate Innovation Center (Telefônica) e a prefeitura de Santander,
especificamente o Consejal del Grupo Popular, órgãos que serão descritos
posteriormente. A visita a esses locais proporcionou o conhecimento, de uma
forma mais abrangente, do sistema Smart City em parceria público-privada. De
forma curiosa, o autor descobriu, em Santander, o conceito de Smart City
aplicado a cidades brasileiras como Águas de São Pedro e Rio de Janeiro. Isso
demonstra a falta de divulgação de tal conceito dentro de nossas cidades. A
escolha da referida cidade para a elucidação desse conceito, deu-se através
de pesquisas realizadas na internet. O material pesquisado mostrou a
relevância da cidade com a aplicação de tal conceito.

4.1. Geografia e dados Santander

A pesquisa foi realizada em Santander, uma cidade litorânea, localizada


no norte da Espanha, rica em atrativos culturais, desde artesanatos e de sua
história marcada por pestes, desenvolvimento econômico e marítimo, e
incêndio. Sua gastronomia é rica em pescados e frutos do mar, e os vinhos são
da região da Cantábria. Sua localização geográfica a favorece, pois em sua
                                                                                                               
Material disponível em DVD, produzido pelo autor. Acompanha a presente dissertação.  
12
62  
 
costa, há um grande desenvolvimento de negócios, uma porta de entrada para
o comércio marítimo da Espanha. A cidade possui uma população aproximada
de 200 mil habitantes, distribuída ao longo dos seus 35 mil quilômetros
quadrados; em sua alta temporada (nos meses de junho e julho), a cidade
chega a hospedar cerca de 500 mil turistas. O seu destaque turístico é
percorrido pelas suas praias amplas da costa. Atualmente, o Centro de
Demonstrações do SmartSantander perfila como a 10ª atração mais visitada
em Santander.

Figura 7: Mapa geográfico turístico da cidade de Santander

Fonte: Imagem retirada do material de apoio da divulgação do SmartSantander,


confeccionado pela prefeitura de Santander.
63  
 
Figura 8: Cidade de Santander

Fonte: Imagem do Google. Cidade de Santander, na Espanha. Região de sua costa


litorânea.

4.1.1. História de Santander

Em 1941, a cidade tem sua história marcada por catástrofes como o


incêndio criminal que sofreu, arrasando os edifícios que, em sua maioria,
ficavam em torno do centro. A reconstrução foi favorecida pelo impulso
econômico através de sua capacidade de ressurgir após desastres; seu porto
que traz novas oportunidades econômicas e industrialização da região, vivido
na segunda metade do século passado, que reergueu a cidade, com traços
arquitetônicos, de influência racionalista, que se mesclaram a reproduções de
estilos ancestrais (por exemplo, Catedral gótica, figura 9 abaixo). Sua região foi
também sede eclesiástica da igreja Católica. O Palácio de Magdalena ainda
preserva características da arquitetura do início do século XX e é uma das
moradias de veraneio (figuras 10 e 11) do Rei Dom Juan Carlos e da família
real espanhola.
64  
 
Figura 9: Igreja de Santander

Fonte: acervo do autor. Catedral gótica, centro da cidade de Santander.

Figura 10: Entrada do Palácio da Magdalena

Fonte: acervo do autor. Entrada do Palácio de Magdalena.


65  
 
Figura 11: Palácio da Magdalena

Fonte: acervo do autor. Palácio de Magdalena, moradia de veraneio da Família Real


Espanhola. Aberto para visitações.

Atualmente, a cidade de Santander desenvolve sua atividade comercial


portuária com um Porto Comercial e um Porto de Passageiros, situados na
Estação Marítima. Santander é voltada para o comércio, e a sua economia
baseia-se no comércio marítimo, no transporte de passageiros e no turismo.

Uma das maiores instituições financeiras do mundo está localizada em


Santander, como o Banco Santander, que foi fundado na cidade e permanece
sendo sua sede. Atualmente, o Banco Santander se perfila como a maior
instituição bancária da Espanha.
66  
 
Figura 12: Banco Santander

Fonte: acervo do autor. Sede do Banco Santander, na Espanha.

4.2. Smart City Santander

A mente usa a sua faculdade criativa


apenas quando a experiência a obriga a fazê-lo.
Henri Poincaré (2002, p.165)

Santander é um projeto de investigação europeu, em parceira com a


União Europeia e iniciativa privada, com a Telefônica, caracterizado como o
lugar em que tudo se sabe e tudo se vê. Contudo, não através da velha boa
fofoca de comadres. Santander é conhecida como a cidade inteligente. Nesse
lugar, quase tudo é digitalizado, desde o ar, as lixeiras, o trânsito, a iluminação
pública, até os pontos históricos da cidade de Santander.
67  
 
Foram instalados, inicialmente, 10 mil sensores e, atualmente, a cidade
conta com mais de 20 mil deles, que captam essas informações, tudo para
facilitar a vida de quem vive na cidade. Esses dispositivos tecnológicos, com
suas estonteantes complexidades, geram economia aos cofres públicos e um
maior poder na tomada de decisão. O mais interessante é que todos podem ter
acesso às informações, disponíveis diretamente da tela do celular, pelo App
Smart Santander RA, que possui a função de realidade aumentada:

Figura 13: App SmartSantander

Fonte: acervo do autor, aplicativo SmartSantander.


68  
 
Figura 14: Função de Realidade Ampliada

Fonte: acervo do autor, aplicativo SmartSantander.

Com o App, houve uma contribuição para que o cidadão mais jovem,
conectado à tecnologia, ganhasse mais tempo e qualidade de vida. Os
benefícios alcançaram e agradaram ao turista. Por meio do App
SmartSantander, é possível saber e até visualizar as imagens, em tempo real,
da localização de ônibus, táxis, viaturas policiais, situação do trânsito, zonas
de poluição sonora e do ar. As informações turísticas, histórias sobre os
monumentos da cidade e espaços públicos também estão disponíveis.

Os 12 mil sensores (figura 15) que captam essas informações, via rádio,
as transmitem para uma central que codifica tudo em milésimos de segundos,
com a finalidade de gerar, automaticamente, uma atividade que facilite a vida
de quem vive na cidade. Simultaneamente, os gastos públicos ganham
considerável redução. Assim, todos os moradores e não moradores podem ter
acesso às informações, diretamente da tela do celular ou do computador, com
conexão à internet. Uma nova mentalidade vai ocupando concretamente os
aperfeiçoados espaços de Santander.
69  
 
Figura 15: Centro da Cidade Santander

Fonte: acervo do autor, referente ao projeto instalado da parceria Telefônica.

O atual desenvolvimento da Smart City no mundo e seu processo de


comunicação e consumo social oferecem ênfase a uma ciência englobada na
produção de uma Smart City.

O município espanhol foi um projeto formador de experiências de Smart


City, para algumas cidades europeias. Visando desenvolver plataformas de
desenvolvimento tecnológico e sustentável, o projeto tem como parceria
governo, comunidade e instituições privadas. Em Santander, a parceria privada
é desenvolvida pelo grupo Telefônica.

O Centro de Monitoramento tem layout imponente, mas todas as


funções (dados obtidos) são automaticamente gerenciadas pelo sistema, a fim
de oferecer maior confiabilidade (sem interferência humana), agilidade (gera
70  
 
um atividade automaticamente) e segurança (dados passam por uma rede
única).

Sala de Monitoramento:

Na Sala de Visitação, é oferecida ao usuário uma experiência no


manuseio do sistema. Assim, ele interage com a realidade, uma vez que os
dados gerados são abertos e todas as atividades realizadas são feitas online,
no ambiente real.

Figura 16: Centro de Pesquisa Telefônica

Fonte: acervo do autor, fotografia feita nas dependências do SmartSantander da


empresa Telefônica , na cidade de Santander, Espanha.
71  
 
Sala de Visitação:

Na sala de Visitação, encontram-se algumas peças implantadas no


SmartSantander. Há informações do que foi feito, do que está sendo realizado
e quais são as aspirações futuras.

No Centro de Demonstração, a língua predominante, para obter


informações, é o inglês, visto que Santander é conhecida como a cidade
inteligente, que vem atraindo curiosos e novas Startup’s para o
desenvolvimento de sistemas de aplicação, App, testes e outros.

Figura 17: Centro de Pesquisas Telefônica

Fonte: acervo do autor, fotografia feita nas dependências do SmartSantander da


empresa Telefônica , na cidade de Santander, Espanha.
72  
 
Os dispositivos utilizados em Santander:

1- Detector de drogas e explosivos é utilizado pela polícia e por


agentes de segurança no aeroporto, nas linhas de trens e nas
rodoviárias. O dispositivo leva com ele a tecnologia de
frequência de rádio que se comunica apenas com
administração pública de segurança sob demanda. Seu
manuseio é simples.

2- Monitoramento de vibrações: é um sistema que foi implantado


em Los Angeles (USA) para detectar abalos sísmicos. Basta o
usuário instalar o App que o mesmo faz uma leitura por
algoritmo matemático e inspeciona se a região está tendo ou
irá ter problemas.

3- Desfibrilador, pode ser utilizado por qualquer pessoa na rua


para auxiliar a outra. Seu manuseio é simples: 1. Ao abrir a
máquina, a mesma acionará uma ligação para bombeiros; 2.
Existe, no aparelho, uma comunicação de como socorrer a
pessoa que passa mal; 3. O atendente pedirá para conectar o
desfibrilador na pessoa; 4. O atendente, pela central, verificará
os pulsos cardíacos e se realmente a pessoa está tendo um
ataque cardíaco, ela acionará o choque. Assim, evita-se que
leigos operem, de forma equivocada, o sistema, que pode
ocasionar a morte, numa anamnese errada, por falta de
conhecimento. Esse serviço funciona via sistema de dados de
internet móvel, 3G ou 4G.

4- O Sensor de estacionamento é muito comum no centro da


cidade, ele faz a sua medição através da leitura do metal
sobre ele.
73  
 
Figura 18: Centro de Pesquisas Telefônica

Fonte: acervo do autor, fotografia feita nas dependências do SmartSantander da


empresa Telefônica, na cidade de Santander, Espanha.
74  
 
Figura 19: Centro da Cidade de Santander

Fonte: acervo do autor, referente ao projeto já instalado na cidade, com a parceria


Telefônica.

Os Displays de Vagas para estacionar estão distribuídos por todo o


centro da cidade, a informação é em tempo real e pode também ser acessada
pelo App. A escala de informação da vaga para o usuário é assim distribuída:

1. Bairro; 2. Avenida; 3. Rua.


75  
 
Figura 20: Centro da Cidade Santander

Fonte: acervo do autor, referente ao projeto já instalado na cidade, com a parceria


Telefônica.

Sensor de Luminosidade e ruído:

1- A luminosidade gerou uma economia de 40% nas contas públicas, já


que, na região sem movimento, a luz diminui até o seu ponto mínimo
e só acende com o movimento.

2- O sensor de ruído monitora o ruído que está sendo gerado na


cidade. Exemplo: se uma ambulância estiver socorrendo uma pessoa
e passar por algumas avenidas, o farol estará verde (aberto) até o
hospital.

3- O celular para idoso detecta uma queda e gera um SMS ou uma


ligação, ambos para telefones já pré-cadastrados.

4- O dispositivo para controle de residência realiza a gestão de


consumo de sua casa otimizando-a para uma melhor eficiência e
economia. O serviço é pago à parte pelo morador.
76  
 
Figura 21: Centro de Pesquisas Santander

Fonte: acervo do autor, fotografia feita nas dependências do SmartSantander da


empresa Telefônica , na cidade de Santander, Espanha.

Sala de Gerenciamento e Desenvolvimento da Telefônica:

1- Sala de Gerenciamento: sala de debates técnicos e desenvolvimento


de negócios; lá o Gestor visualiza o nível de atividades e o tratamento
que estão sendo oferecidos. Além disso, demonstra uma possível falha
no sistema de monitoramento ampliado, online, da vida cotidiana, neste
caso sem possibilidade de bruscas interferências.

2- Sala de desenvolvimento: esta sala está disponível para qualquer


pessoa entrar e começar a desenvolver alguma ferramenta, aplicação,
App, dispositivos e culturas sociais, dentre outras. Essa sala, para eles,
tem notória importância, pois nesse local são concebidos 30% dos
projetos vigentes, reduzindo o custo com laboratórios e experimentos
fora.
77  
 
Figura 22: Centro de Pesquisas Santander

Fonte: acervo do autor, fotografia feita nas dependências do SmartSantander da


empresa Telefônica , na cidade de Santander, Espanha.

Sistema de umidade do solo:

Com esse sistema, a cidade começou a reduzir drasticamente os gastos


públicos, com a manutenção do município. O sistema mapeia a umidade do
solo, do ponto instalado, para gerar, automaticamente, uma atividade. Dos
benefícios:

1- Irrigação das plantas na hora necessária, no local adequado e


no volume necessário;
2- Redução de CO2, nas áreas já implantadas; o caminhão “pipa”
que irrigava o jardim público não passa mais na região.
Redução no trânsito;
3- Maior manutenção com os jardins;
78  
 
4- Nenhum desperdício de água, uma vez que a mesma é
coletada das chuvas;
5- Baixo custo de implantação;
6- Funcionamento do sistema, na frequência de rádio.

Figura 23: Centro da Cidade Santander

Fonte: acervo do autor, referente ao projeto já instalado na cidade, com a parceria


Telefônica.

Sistema de Reciclagem e coleta inteligente:

1- A reciclagem é feita, primeiramente, pelos habitantes e


estabelecimentos comerciais de cada rua. Nesse lugar, o morador
descarta o lixo na lixeira coletora e não na frente de sua casa.

2- Coleta inteligente: antigamente os caminhões de lixo retiravam o lixo de


porta em porta. Por volta dos anos 2000, a prefeitura implantou a coleta
seletiva, ficando, assim, a cargo do morador distribuir os entulhos em
79  
 
cada lixeira. Já nesse formato, a prefeitura teve uma redução nas
despesas e uma eficiência logística notável. No formato implantado para
o SmartSantander, os benefícios foram:

1. O caminhão coletor somente recolherá o lixo se a lixeira já estiver


com mais de 70% do seu volume utilizado. Reduz-se, também, a
emissão de CO2;
2. O caminhão é específico para coleta; logo, segue direto para a
reciclagem;
3. O veículo também opera apenas com dois funcionários, motorista e
ajudante;
4. Esse serviço funciona via frequência de rádio;
5. E já é utilizado por 70% da população. O restante ainda está
aguardando a chegada do projeto.

Figura 24: Centro da Cidade Santander

Fonte: acervo do autor, referente ao projeto já instalado na cidade, com a parceria


Telefônica.
80  
 

A imagem abaixo mostra todas as funcionalidades vigentes, de forma


simplificada, de como trabalha o sistema SmartSantander.

Figura 25: Sistema de tecnologia da cidade de Santander

Fonte: Diagrama do Big date do site SmartSantander, em Santander, Espanha.

Iniciativas desse caráter, de grupos privados, também podem ser


compreendidas como adesão à política de desenvolvimento e uma possível
manipulação de informações e dados, nunca antes manuseados.
Responsáveis por esse projeto reafirmam que esse tipo de discussão, em torno
de uma sociedade de controle, não é factível ainda.

Considerando que a informação de qualquer natureza vem, cada vez


mais, se tornando um capital valioso do século XXI, a sociedade que detém tal
informação e conhecimento conseguirá, com maior rapidez, sair de possíveis
caos oriundos da escassez de recursos naturais. Destaca-se na figura o ciclo
do desenvolvimento sustentável
81  
 

Figura 26: Ciclo do Desenvolvimento Sustentável

Fonte: Diagrama parcialmente modulado pelo autor com base no site


(http://www.ibm.com/smarterplanet/us/en/smarter_cities/overview/), IBM Smart Cities.

• Gerenciamento estratégico da cidade: significa construir e realizar


maneiras para efetivar todo o seu potencial, para que mantendo
eficientes operações do dia a dia e pensando de forma holística, possa
ter planejamento com a finalidade de construções verdes, leis
ambientais mais rígidas e segurança pública participativa na coleta de
dados. Na sequência, haverá análises e uma demanda para
emergências, podendo-se descobrir tendências antes que se tornem
questões sistêmicas ou eventos criminais.

• Sistema Humano, desejo social, necessidades do cidadão, sejam


elas, força de trabalho, programas sociais, sistema de saúde e
educação.
82  
 
• Sistema de Infraestrutura: faz com que a cidade se torne mais
habitável, com a intenção de propiciar aos cidadãos os serviços básicos
como a mobilidade urbana, serviços utilitários como a água, energia e
áreas ambientais adequadas. O governo que coíbe o desmatamento,
desenvolve sua região, otimizando outras fontes renováveis de energia
e água.

4.2.1. Projeto SmartSantander

O contexto de cidades inteligentes se efetiva em um campo de testes e


pesquisas de desenvolvimento. Seguem os dados referentes ao projeto
SmartSantander da Telefônica Vivo em parceria com a prefeitura local:

Figura 27: Base de dados - Telefônica e Prefeitura de Santander

Fonte: Diagrama do autor, com utilização retirada da apresentação da Telefônica em


nov. 2014.

O investimento de 630 milhões de euros é integralmente proveniente da


parceria privada. Houve também um auxílio da comunidade europeia, no
desenvolvimento das pesquisas socioculturais da região. A Universidade da
Cantábria auxilia com o desenvolvimento de novas tecnologias e updates dos
sistemas que vigoram.
83  
 
Tecnologia utilizada:

Figura 28:

Processo de transformação de Cidade para Smart City:

Figura29:
84  
 
Visibilidade da Gestão Pública:

Figura 30:

4.3. Estado do ofício, a transformação de dados em sabedoria

As boas práticas, pontuais e compartilhadas, tendem a ter resultados


mais expressivos do que resultados incorporados ao local, com uma
discordância positiva entre desenvolvimento e implementação de políticas.

Essa discordância positiva necessita empreender, estrategicamente, não


se permitindo viver com tantas políticas e práticas contrárias à sustentabilidade,
afim de que se torne o comportamento individual versado.

O desenvolvimento sustentável se promoverá, na maioria dos casos, a


partir de políticas públicas, sem necessidade de grandes movimentos privados.
Dependerá também de uma maior agilidade da comunidade e organizações,
para se engajarem em projetos como SmartSantander em toda parte,
desafiando a perversidade e agindo de forma correta.
85  
 

Paradigmas devem ser quebrados. Porém, alguns princípios da prática e


dos instrumentos do ofício tendem a ter resiliência para a promoção de um
novo estado. O desafio (figura 31) em promover uma nova cultura, por falta de
conhecimento, seja ele científico ou popular, se faz necessário para aprimorar
a política em direção a novos conceitos.

Figura 31: Ciclo do Desafio

Fonte: Fonte: Diagrama de “O Divergente Positivo”, de Sara Parkin (2010, p. 187).

Movimentos que propiciem uma nova tomada de decisões empregam,


hoje em dia, novos termos como “gestão do conhecimento”, “economia do
conhecimento”, “era tecnológica”, fenômenos do século XXI. O volume de
informações geradas, atualmente, nos confere o poder de decisão, num curto
espaço de tempo, ao apertar a tecla do computador.

Contudo, a informação é diferente do conhecimento. Vivemos na era da


informação, que está presente, rotineiramente, no dia a dia de cada indivíduo.
Mas, onde está o conhecimento? (figura 32). O homem cultua acumular
86  
 
montanhas de informações. Entretanto, sabemos da problemática da
sustentabilidade e temos dados que traduzem o quanto é danoso o consumo
em massa.

A interconectividade para a sustentabilidade é capaz de processar o


quanto é difícil organizar a informação por meio das políticas atuais, mesmo
com os avanços tecnológicos. No Brasil, essa prática se traduz com a confusão
das energias renováveis às usinas termoelétricas, o chamado biocombustível.
A mobilidade urbana através de bicicletas representa um avanço significativo
na questão da sustentabilidade, ainda que nem todos que podem abraçar essa
ideia, o tenham feito. As responsabilidades são dirigidas integralmente aos
especialistas no assunto, ao governo, à comunidade, e às empresas, que até
agora não compreenderam a pirâmide do conhecimento.

Com as novas tecnologias, cria-se a expectativa de que haja a


promoção da pirâmide do conhecimento. Com a nova indústria, cada vez mais
especializada e antenada aos conhecimentos para atender aos anseios do
homem moderno, na sociedade contemporânea, abre-se a primeira
oportunidade de promover a pirâmide do conhecimento, no estado de ofício.

A transformação de dados em sabedoria depende da maneira como se


evitará o afogamento da sociedade em busca do conhecimento, com pessoas
e organizações. De acordo com Parkin (2010, p. 224): “[...] viver numa
sociedade do conhecimento significa organizar para si mesmo um sistema que
priorize o suficiente da informação certa, na hora certa e no lugar certo”. Em
suma transpirar a esperança de um futuro melhor.
87  
 
Figura 32: Pirâmide do desenvolvimento

Fonte: Diagrama parcialmente modulado pelo autor com base do Livro O Divergente
Positivo de Sara Parkin (2010, p. 212).

4.4. Desafios globais para o Smart City

O objetivo central do Smart City é combater argumentos segundo os


quais se estabelece uma sociedade de controle e um desenvolvimento
insustentável.

O contexto atual, que busca rapidamente evoluir e propagar boas


práticas, não pode ser permissível quanto ao enriquecimento de
conhecimentos, pois fará com que o ser humano não pratique atos
sustentáveis.

O rótulo de Smart City para a sociedade de controle é caracterizado pelo


desafio de aprofundar conhecimentos e gerenciá-los. É incontestável que, sem
as boas práticas dessas cidades, estaremos fadados ao retrocesso humano,
com a sua descontinuidade.

A sociedade de controle contribuiu muito para o avanço do


conhecimento que abarca aspectos questionáveis do tipo: Para onde vamos?
88  
 
Quem está por trás desta análise de informações da sociedade de controle? O
caráter de poder do Estado é subtraído? É legitimo questionar, porém, acima
de tudo, temos de contextualizar o tempo dos fatos ocorridos, do passado,
presente e futuro (conforme citação), acolhendo a oportunidade de
compreensão quanto à evolução da sociedade de controle. Nesse sentido,
Latour assegura que “estaremos realmente tão distantes do nosso passado
quanto desejamos crer? Não, já que a temporalidade moderna não tem muito
efeito sobre a passagem do tempo. O passado permanece, ou mesmo retorna”
(LATOUR, 2006, p. 68).

Logo, “o desafio de uma massa é desenvolver recursos que viabilizem o


cotidiano, a vida em todas as formas representadas e que seja transitável,
eticamente” (AFONSO, 2009, p. 7).

O desenvolvimento insustentável é uma produção incontrolável para a


biodiversidade da natureza. Promotoras desta ação, como as grandes nações
que movem suas economias sem se preocupar, de maneira efetiva, com a
sustentabilidade. O caminho para um planeta sustentável será construído
através de decisões e ações conscientemente corretas. Desse modo, de
acordo com Afonso:

Tem sido cada vez mais frequente o uso indevido do conceito


sustentabilidade, sem a devida reflexão, às vezes, pelos
próprios agentes promotores do modo insustentável de vida
atual. Também não é difícil encontrar o termo sustentabilidade
em anúncios publicitários e outras formas de propaganda
empresarial. (AFONSO, 2006,. p.8).

O Smart City tem como primeiro desafio, com sua essência de criação,
provar que realmente a sua eficácia é destinada para o tema da
sustentabilidade. É constituído da seguinte forma:
89  
 
1. O que propõe?

A sustentabilidade propõe o desenvolvimento, seja ele econômico, social,


ambiental, energético, vital, dentre outros, satisfazendo anseios sociais e
igualitários, que se perpetuem por gerações.

2. Qual é o grau de acessibilidade global?

No atual contexto, a plataforma Smart City é aberta para governos,


sociedade, setores privados da indústria e comércio, estudantes e
pesquisadores. Mas, o grau de acessibilidade é realmente baixo, no que diz
respeito a seu custo, parcerias privadas e governamentais são inacessíveis
para uma gestão municipal desenvolver um projeto dessa magnitude,
necessitando aprimorar uma parceria público-privada, conhecida no Brasil
como PPP.

3. Sua funcionalidade é para todos?

A plataforma é extremamente benéfica, mas sua funcionalidade não é


para todos. A população com o menor poder aquisitivo está basicamente fora,
não inserida nesta tecnologia, diretamente. Essa população que reprime a
tecnologia é constituída em sua maioria pela terceira idade que, por sua vez,
não manifesta interesse em interagir.
Indiretamente, ela participa no momento de consumo de serviços inteligentes,
como a mobilidade pública, sistema de saúde, coleta seletiva, principal maior
gestão, e consumo eficiente da verba pública, não onerando a população em
impostos.

4. O Projeto vai além de Santander?

O projeto está além das fronteiras de Santander. Ele busca desenvolver


plataformas globais renováveis. A cidade de Santander é utilizada apenas
como embrião de um projeto amplo de construção de Cidades Inteligentes e
90  
 
Sustentáveis. Visa aperfeiçoar e desenvolver novos dispositivos, a baixo custo,
criando, assim, possibilidades para sua implementação.

Suas parcerias com grandes empresas e startups vêm propiciando uma


notoriedade global, tanto de pesquisadores, governos e empresas. Contudo, o
projeto ganha cada dia mais adeptos pelo mundo, utilizando boas práticas
existentes para soluções verticais e horizontais, do plano diretor das cidades.

4.5. Resultados

Elaboração de um Planejamento Estratégico, participativo, intersetorial e


com levantamento de indicadores.

Os aplicativos e serviços que já estão operando são:

1. O portal Coruña Smart City: apresenta aos cidadãos várias informações


sobre a dinâmica da cidade em tempo real. O portal oferece um design
inovador onde o usuário pode obter dados “georeferenciados”. Por exemplo,
podem-se encontrar informações sobre as estações mais próximas de gás,
preços dos combustíveis, dados do reservatório de água, o tráfego ou obras na
cidade.

2. Aplicativo Móvel com toda a agenda cultural e de entretenimento da


cidade: esta é a primeira versão do aplicativo, que irá incorporar mais serviços
nas próximas semanas. O aplicativo permitequese procure por um determinado
tipo de evento, data ou local. Uma de suas vantagens é que é uma ferramenta
intuitiva que aprenda os gostos e preferências dos usuários para exibi-los na
tela inicial.

3. Aplicativo Móvel para visitas guiadas com realidade aumentada:


disponível para todos, inclusive turistas.
91  
 
4. O Portal de Dados Abertos: com informações e livre acesso de uso para
todos os cidadãos, com mais de 130 fontes de diferentes tipos de dados,
incluindo referências geográficas, demográficas, urbanas e sociológicas da
cidade, tais como dados sobre a população ou o plano geral.

5. Portal Prefeitura eletrônica: acesso através do site sede.coruna.gob.es,


é parte do e-Governance piloto. O banco começa com 12 procedimentos, que
serão expandidos nas próximas semanas para mais de 60. Através desse
portal, o cidadão pode solicitar e realizar diversos serviços relacionados à
prefeitura.

4.6 Smart City – Águas de São Pedro

O tema Smart City ganha notoriedade e já proporciona também sua


execução em outras cidades, como Águas de São Pedro, estado de São Paulo,
Brasil. De acordo com a Telefônica | Vivo, 2014, observa-se, também, nesta
cidade que:

O sucesso depende da criação de um ecossistema onde as


partes participam de forma cooperada, observando planos e
políticas de longo prazo. O ecossistema criado em uma Cidade
Inteligente gera novas oportunidades de crescimento e
desenvolvimento. Plataformas abertas são essenciais. A
tecnologia sozinha não transforma uma cidade: a Cidade
Inteligente nasce da colaboração dos governantes com os
Cidadãos. (TELEFÔNICA | VIVO, 2014).

Vejam-se dados no anexo II, relevantes à cidade de Águas de São


Pedro-SP, onde a parceria privada com a prefeitura local tem elevado a
qualidade de vida e serviços ofertados aos seus munícipes. Essa é uma
estratégia bem clara da instituição privada em promover para Anatel sua
capacidade de cabeamento de fibra ótica para um município todo.
92  
 
Alguns valores da sustentabilidade estão sendo implantados em muitas
regiões do Brasil, em parcerias como esta, como a de Águas de São Pedro; os
munícipes começam a ganhar familiaridade com as novas tecnologias das
parcerias Telefônica | Vivo e USP CIDADES, com o apoio da universidade, o
projeto ganha mais solidez.

Do ponto de vista acadêmico, são propiciados novos experimentos e


soluções, que ainda estão em fase de testes em cidades laboratórios. Contudo,
há o aprimoramento de dispositivos que geram maior eficiência e criam maior
interesse para outros gestores municipais em relação ao tema.

A parceria da USPCIDADES resulta numa alternativa de desvendar


mistérios e englobar a sociedade em uma posição central da dinâmica do
Smart City. Assim, de forma midiática, algumas ações já são realizadas, desde
cursos de pós-graduação, até consultorias.
93  
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Possuía uma fé – o pessimismo era um apóstolo rico e esforçado; e


tudo tentava, com suntuosidade, para provar a verdade de sua fé.
Eça de Queiroz (1950, p. 56)

O processo de progressiva institucionalização do debate e da disputa


política em torno da questão ambiental produz diversos desafios para gestores
públicos e privados. Com isso, firmaram-se determinadas amarras
institucionais acerca do desenvolvimento sustentável.

O problema é, portanto, o atual cenário da questão ambiental como


questão política e engajamento social. Ainda não está claro o que pretende o
setor privado, mas autores como Foucault e Deleuze viram esse processo
como uma oportunidade de se estabelecer uma sociedade de controle. Ao
manipular os desejos e vontades dos cidadãos e criar o poder, através da
manipulação dos dados gerados, buscar-se-á satisfação do consumidor.

Os discursos da sociedade de controle são autênticos para sua época e,


no atual século XXI, no contexto dos anos 2000, se traduz numa nova era de
oportunidades em promover e recriar aquilo que o homem vem deteriorando,
ao longo do tempo. As observações levantadas por autores e estudiosos, para
a sociedade de controle, vêm atropeladas pelas as novas tecnologias, que
passam a ser cada vez mais evasivas, ferindo, por muitas vezes, o senso ético
comum. O que se faz necessário é repensar como atingiremos o grau evolutivo
da sociedade, sem ferir, manipulando os anseios, desejos, hábitos e costumes
sociais.

O discurso do desenvolvimento sustentável dificulta a percepção para o


conflito econômico. Ambos são divergentes, posto que participam de interesses
difusos que interferem diretamente na essência dos seus negócios. De um
lado, empresas gerando produtos, a partir de recursos ambientais,
94  
 
supostamente “ilimitados” e não preservando o ecossistema vigente; de outro,
a importância do crescimento das economias e do capitalismo, impulsionando
a industrialização em massa. São atitudes de estímulos às economias mais
fortes e novas economias ascendentes.

De certa maneira, essa é uma ponderação que deve ser bem avaliada,
posto que, se houver escassez de algum recurso natural, podemos caminhar
para o fim dos tempos / caos geral. A principal relevância de diversos estudos
em torno do tema liga-se à escassez definitiva de certo recurso natural. Uma
forma eficaz de redução para esse impacto ambiental pode ser realizada pelas
políticas públicas vinculadas à iniciativa privada, ou seja, regulamentar políticas
dirigidas ao setor. As empresas já se preparam, cada vez mais, com áreas de
negócios voltadas ao meio ambiente e sustentabilidade, vislumbrando apenas
maximizar mais os seus negócios.

Ações como o SmartSantander devem-se a uma parceira público-


privada que pretende somar esforços, compartilhando informações e
conhecimento. Com plataformas abertas para a comunidade e órgãos
municipais em ação, é possível que o gestor conduza melhor a verba
administrativa da sociedade.

Assim, questionar o projeto Smart City como uma idealização da


sociedade de controle é abrir mão do desenvolvimento de uma nova geração.
Observa-se que outros aspectos de controle ainda não estão claros, mas o
limite está sendo respeitado e a população, ONGs e pesquisadores monitoram
constantemente a trajetória do projeto.

Vale ressaltar que sua eficiência vem se propagando para outras


cidades como Águas de São Pedro, Estado de São Paulo, e seu valor midiático
vem ganhando proporções que despertam interesse em outros municípios, no
que tange à obtenção dessas funcionalidades.
95  
 
Esta Dissertação buscou, fundamentalmente, e de modo sucinto,
ressaltar, com relação a esse campo teórico “institucional”, o processo de
funcionamento do Smart City e suas nuances.

O desafio para esta década é familiarizar o assunto da sustentabilidade


com a sociedade, a fim de propiciar maior conhecimento sobre o tema em
questão. O projeto tem como formulação a interação entre sociedade, governo
e setor privado. Contudo, para que haja melhor êxito, faz-se necessário o
engajamento acadêmico nessa causa, uma vez que, com esse novo agente,
serão propiciados novos desafios intelectuais, além de pesquisas e
desenvolvimentos sustentáveis.

Figura 33: EPICENTRO DA MUDANÇA

Fonte:Diagrama do autor.

Baseado na presente pesquisa, a partir das análises e considerações


sobre o ethos discursivo que motivou o objeto de pesquisa, considera-se que
96  
 
este é o pilar ideal para a massificação do DS, uma oportunidade para
desenvolver de maneira equacionada, em todas as bases da sociedade;.
Propõem-se através do Epicentro da Mudança:

1. Necessidades: eixo que pressupõe o desenvolvimento crítico do


conhecimento:

1.1- O conhecimento ilustrará ao ser humano o saber, que buscará se


desenvolver, conseguindo informações que lhe trarão suportes para
ampliar seus horizontes;

1.2- Recursos Limitados, saber o limite da terra, satisfazer agora e


favorecer para que as gerações futuras se satisfaçam também;
1.3- Sustentabilidade é o pontapé inicial para apoiar e conservar a atitude
que conduzirá a uma nova estratégia. Sejam elas ambientais,
ecológicas, empresariais ou sociais.

2. As iniciativas são a coluna sólida que irão sustentar o projeto e seus


anseios:

2.1- O governo, através de suas iniciativas relativas à economia


ecológica, poderá gerar maior engajamento social. Faz-se
necessário uma pauta na gestão pública para o desenvolvimento de
um gestor específico para assuntos relacionados ao meio ambiente.

2.2- Essa comunidade necessita, via de regra, ser trabalhada com ações
socioeducativas. A mesma não possui o ideal de conhecimento e
desconhece informações básicas em torno do assunto. É necessário
que o homem desenvolva aspectos sustentáveis com ele e com a
sua comunidade.
97  
 
2.3- Deve ser compartilhado, com a indústria, o maior impacto sobre o
meio ambiente. Devem ser criadas políticas públicas, municipais, leis
que façam reduzir o impacto da industrialização sem interferir na
geração de capital. Treinar um gestor hábil para articular
planejamentos estratégicos, com responsabilidade social e
desenvolvimento privado. Exemplo: às vezes, criar ou desenvolver
uma nova unidade de uma empresa XPTO na costa litorânea é um
investimento maior do que no interior do estado, uma vez que o
município necessita preservar mais o meio ambiente, devido aos
portos que mobilizam maior concentração de transportes terrestres,
gerando maior CO2.

2.4- Acredita-se que na Universidade esteja o alicerce de sustentação,


mudança, evolução, informação, conhecimento e desenvolvimento.
No entanto, muitas universidades não possuem centros de
desenvolvimento de pesquisas, que interajam com as três outras
iniciativas. A comunidade, a indústria e o governo veem o papel da
universidade apenas como gerador de profissionais. De forma
midiática, ela deve se expor, com suas pesquisas, não apenas para
instituições de fomento e congressos pertinentes a seu meio, mas,
desenvolver-se com parcerias que objetivem colocar em prática suas
pesquisas, trazendo as empresas e governos para ocuparem o
posto de parceiros econômicos e de pesquisas de desenvolvimento
para os projetos que estimulam a criação de valor social, sustentável
e econômico.

3. O anseio principal é dar continuidade à vida, seja ela humana, animal ou


vegetal, satisfazendo os desejos de forma equilibrada. “I havea dream” (Martin
Luther King).

3.1- O anseio principal do Smart City é que gestores municipais, privados e


pesquisadores se aproximem mais do contexto em que vivemos,
98  
 
século XXI (2015), quebrando os paradigmas existentes,
estabelecidos em outros tempos do nosso desenvolvimento
humano. A melhor forma de ocorrer uma mudança é disponibilizar a
informação para que ela se torne fonte de “conhecimento” para as
quatro iniciativas citadas acima. Essa sinergia entre as quatro
iniciativas tende a trilhar o planeta no caminho da revolução
sustentável, em que a economia continua gerando riqueza e
produzindo, de forma sustentável, sem biodegradar o ecossistema
presente.

4. Futuro: serão necessárias políticas públicas dirigidas para regulamentar,


de maneira protecionista, o meio ambiente e seus recursos.

À nova geração, com relação à sua existência, cabe o papel de:


a) Reinventar a maneira que sua cultura evolui;
b) Desenvolver o novo, oferecendo novas tecnologias;
c) Respeitar o limite da terra;
d) A União deve, em sua agenda política, priorizar a criação de um
“Juizado Ambiental”, especializado em meio ambiente e que
tenha sinergia com os órgãos, instituições e leis já existentes
como a Polícia Ambiental, Ministério do Meio Ambiente e ONGs.

A respeito desta obra o autor sereniza o seu espírito. A pesquisa é


legítima e de grande importância. A exiguidade do tempo e outros percalços
somaram-se à sua incansável dedicação. O resultado, quanto ao
aprofundamento das ideias e reflexões, foi gratificante.

Por fim, vemos as criações sustentáveis dos homens, como forma de


suprimir as destruições geradas por eles. A pesquisa, como um todo,
demonstrou, efetivamente, ser necessário dar continuidade a projetos
sustentáveis. Há um anseio em responder aos questionamentos que ainda
pairam sobre a comunicação e os sistemas de controle, assunto a ser debatido
com maior aprofundamento em pesquisas posteriores.
99  
 
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<https://www.youtube.com/watch?v=63HB0S72iXw>. Acesso em: 27 fev. 2015.
108  
 
ANEXO I

Esse Decreto, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva,


novamente interage na mediação entre o papel da empresa e o da sociedade.
Contudo, não visa construir alicerces fortes para aprimorar a geração atual e a
subsequente, referente à educação. Nesse sentido, alguns artigos do referido
Decreto se sobressaem: “[...] políticas relevantes para o desenvolvimento
sustentável de povos e comunidades”; “[...] promover, em articulação com
órgão, entidades e colegiados envolvidos [...] à formulação e execução de
políticas voltadas para o desenvolvimento sustentável dos povos e
comunidades”, ambas no mesmo art. 2º II VIII. Ao ler esse Decreto, a definição
mais exata para a leitura, é que o governo é altruísta e condutor/gestor de
políticas públicas direcionadas para sua população.

Art. 2º À Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos


e Comunidades Tradicionais compete:

I - coordenar a elaboração e acompanhar a implementação da Política


Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades
Tradicionais;
II - princípios e diretrizes para políticas relevantes para o
desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais no âmbito
do Governo Federal, observadas as competências dos órgãos e entidades
envolvidos;
III - propor as ações necessárias para a articulação, execução e
consolidação de políticas relevantes para o desenvolvimento sustentável de
povos e comunidades tradicionais, estimulando a descentralização da
execução destas ações e a participação da sociedade civil, com especial
atenção ao atendimento das situações que exijam providências especiais ou de
caráter emergencial;
IV - apresentar medidas para a implementação, acompanhamento e
avaliação de políticas relevantes para o desenvolvimento sustentável dos
povos e comunidades tradicionais;
109  
 
V - identificar a necessidade e propor a criação ou modificação de
instrumentos necessários à implementação de políticas relevantes para o
desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais;
VI - criar e coordenar câmaras técnicas ou grupos de trabalho
compostos por convidados e membros integrantes, com a finalidade de
promover a discussão e a articulação em temas relevantes para a
implementação dos princípios e diretrizes da Política Nacional de que trata o
inciso I, observadas as competências de outros colegiados instituídos no
âmbito do Governo Federal;
VII - identificar, propor e estimular ações de capacitação de recursos
humanos, fortalecimento institucional e sensibilização, voltadas tanto para o
poder público quanto para a sociedade civil visando o desenvolvimento
sustentável dos povos e comunidades tradicionais; e
VIII - promover, em articulação com órgãos, entidades e colegiados
envolvidos, debates públicos sobre os temas relacionados à formulação e
execução de políticas voltadas para o desenvolvimento sustentável dos povos
e comunidades tradicionais.

Art. 3º A Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos


e Comunidades Tradicionais deverá, no exercício das competências previstas
no art. 1º deste Decreto:
I - considerar as especificidades sociais, econômicas, culturais e
ambientais nas quais se encontram inseridos os povos e comunidades
tradicionais, a que se destina a Política Nacional de que trata o inciso I do art.
2o; e
II - privilegiar a participação da sociedade civil.

Art. 4º A Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos


e Comunidades Tradicionais será composta por quinze representantes de
órgãos e entidades da administração pública federal e quinze representantes
de organizações não governamentais, os quais terão direito à voz e voto, a
seguir indicados:
110  
 
I - Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, titular e
suplente;
II - Ministério do Meio Ambiente, titular e suplente;
III - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA, titular e suplente;
IV - Ministério do Desenvolvimento Agrário, titular e suplente;
V - Ministério da Cultura, titular e suplente;
VI - Ministério da Educação, titular e suplente;
VII - Ministério do Trabalho, titular e suplente;
VIII - Ministério da Ciência e Tecnologia, titular, e Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico, suplente;
IX - Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial da
Presidência da República, titular e suplente;
X - Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da
República, titular e suplente;
XI - Fundação Cultural Palmares, titular e suplente;
XII - Fundação Nacional do Índio - FUNAI, titular e suplente;
XIII - Fundação Nacional de Saúde - FUNASA, titular e suplente;
XIV - Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB, titular e
suplente;
XV - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA,
titular e suplente;
XVI - Associação de Mulheres Agricultoras Sindicalizadas, titular e
suplente;
XVII - Conselho Nacional de Seringueiros, titular e suplente;
XVIII - Coordenação Estadual de Fundo de Pasto, titular e suplente;
XIX - Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras
Rurais Quilombolas, titular e suplente;
XX - Grupo de Trabalho Amazônico, titular e suplente;
XXI - Rede Faxinais, titular e suplente;
XXII - Movimento Nacional dos Pescadores - MONAPE, titular e
suplente;
111  
 
XXIII - Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu, titular,
e Comunidades Organizadas da Diáspora Africana pelo Direito à Alimentação
Rede Kodya, suplente;
XXIV - Associação de Preservação da Cultura Cigana, titular, e Centro
de Estudos e Discussão Romani, suplente;
XXV - Associação dos Moradores, Amigos e Proprietários dos Pontões
de Pancas e Águas Brancas, titular, e Associação Cultural Alemã do Espírito
Santo, suplente;
XXVI - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia
Brasileira, titular, e Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do
Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, suplente;
XXVII - Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável - FORMAD, titular, e Colônia de Pescadores CZ-5, suplente;
XXVIII - Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Babaçu,
titular, e Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão,
suplente;
XXIX - Rede Caiçara de Cultura, titular, e União dos Moradores da
Juréia, suplente; e
XXX - Rede Cerrado, titular, e Articulação Pacari, suplente.

§ 1º Os representantes e respectivos suplentes constantes deste artigo


serão indicados pelos titulares dos órgãos, entidades e organizações não
governamentais, e designados pelo Ministro de Estado do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, para um período de dois anos, permitida a
recondução.

§ 2º O representante e respectivo suplente que não pertencer à mesma


organização não governamental poderá comparecer às reuniões com direito à
voz, mas apenas um voto será computado nas votações.

§ 3º O Presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento


Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais poderá convidar
representantes de outros órgãos governamentais, não governamentais e
pessoas de notório saber, para participar das reuniões, sem direito a voto.
112  
 
Art. 5º A Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos
e Comunidades Tradicionais será presidida pelo representante do Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, cabendo ao Ministério do Meio
Ambiente, por meio da Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento
Sustentável, as funções de secretaria-executiva.

Art. 6º A Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos


e Comunidades Tradicionais reunir-se-á em caráter ordinário a cada três
meses e, extraordinariamente, a qualquer momento, mediante convocação de
seu Presidente, ou da maioria absoluta de seus membros, neste caso, por
documento escrito, acompanhado de pauta justificada.

Art. 7º Eventuais despesas com diárias e passagens dos representantes


e seus suplentes enumerados nos incisos XVI a XXX do art. 4o deste Decreto
poderão ser pagas a conta dos órgãos e entidades constantes dos incisos I a
XV, mediante disponibilidade orçamentária e financeira.

Art. 8º A participação na Comissão Nacional de Desenvolvimento


Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais é considerada de
relevante interesse público e não enseja qualquer tipo de remuneração.

Art. 9º O regimento interno da Comissão Nacional de Desenvolvimento


Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais será aprovado por maioria
absoluta de seus membros, no prazo de cento e vinte dias a contar da data de
publicação deste Decreto, e deverá ser publicado mediante portaria do Ministro
de Estado do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Art. 10º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 11º Fica revogado o Decreto de 27 de dezembro de 2004, que cria a


Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável das Comunidades
Tradicionais.
113  
 
Brasília, 13 de julho de 2006, 185º da Independência e 118º da
República.

Presidente da República: LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome: Patrus Ananias
Ministra do Meio Ambiente: Marina Silva
114  
 
ANEXO II

Dados que envolvem as tecnologias, infraestrutura e soluções


implantadas que vem incrementar a parceria público-privada e com uma boa
conduta de governança, pois o investimento não se dirige e não atinge pontos
- chave da gestão municipal da cidade.

Figura 34:
115  
 
Figura 35:

Figura 36:
116  
 
Figura 37:

Figura 38:
117  
 
Figura 39: