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O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares:

metodologias de operacionalização (conclusão)

A auto-avaliação da BE nos relatórios de avaliação externa das escolas. Paula C. Marco

 Análise e comentário crítico à presença de referências a respeito das BE, nesses Relatórios.

Conclusões da análise

Os relatórios que seleccionei dizem todos respeito ao ano lectivo de 2009/10. A escolha destas três escolas / Agrupamentos prendeu-se com a
sua proximidade geográfica, pertencem ambas ao distrito de Aveiro e à minha área de residência e de trabalho. No entanto configuram
realidades distintas como se pode concluir pela análise dos dados recolhidos patentes na “Caracterização do Agrupamento”.
Agrupamento de Aradas (Aveiro) – acolhe 907 crianças e alunos; abrange uma única freguesia situada na periferia de Aveiro e que tem cerca de
10 km2. É constituído por 4 Jardins de Infância, 6 escolas do 1º Ciclo e uma escola dos 2º e 3º Ciclos que é a sede do Agrupamento.
Agrupamento de Vagos – acolhe 1939 crianças e alunos; abrange as 11 freguesias do concelho de Vagos. É constituído por 18 Jardins de
Infância, 20 escolas do 1º Ciclo e uma escola dos 2º e 3º Ciclos que é a sede do Agrupamento.
Escola Secundária com 3º Ciclo de Adolfo Portela (Águeda) acolhe 1028 alunos e situa-se na periferia da freguesia de Águeda, sede do concelho
com o mesmo nome, mas serve todo o concelho.
Fazendo ainda a análise do campo “Caracterização do Agrupamento” pude verificar que em relação ao Agrupamento de Aradas a Biblioteca
não é mencionada quando se elencam as diversas instalações de que a escola dispõe. Deve ter sido por lapso do relator, ou de que lhe
forneceu as informações necessárias para o campo em questão.

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No que diz respeito ao Agrupamento de Vagos, e ainda no mesmo campo, aparece referida a existência de Biblioteca, mas sem qualquer
destaque relativamente ao conjunto dos outros equipamentos.
Já no se refere à escola Secundária Adolfo Portela em Águeda, a biblioteca, e a própria RBE, é referida e destacada no próprio texto uma vez
que é logo referida na 2ª linha do 1º parágrafo do aludido campo. Neste relatório pode ler-se: “As instalações e equipamentos são adequados,
destacando-se a biblioteca – integrada na RBE – (…)”
Duma forma genérica há consciência, nos três relatórios de avaliação, da presença e importância da Biblioteca Escolar (BE) no
agrupamento/escola. Contudo o seu papel parece ser mais preponderante no relatório da Escola Adolfo Portela de Águeda. Efectivamente,
percebe-se pelas múltiplas referências, a integração da BE no Projecto Educativo da Escola. Os domínios A, B e D do MAABE transparecem no
relatório, transmitindo a consciência da contribuição da BE para o sucesso dos seus alunos.
Os agrupamentos (Aradas e Vagos) não demonstram uma ligação e interdependência tão marcante com as suas BE. Contudo, é evidente que a
BE participa nas actividades regulares do agrupamento. Ambos os relatórios referem a BE como estando suficientemente equipada (domínio D)
e como contribuindo positivamente para o sucesso dos seus discentes. No agrupamento das Escolas de Aradas há uma clara preocupação de
melhoria recorrendo à ferramenta de auto-avaliação, possivelmente extensível as actividades das suas BE.
Concretamente em relação ao agrupamento de Vagos, não é possível demonstrar cabalmente com base no relatório que a sua BE tenha um
papel preponderante no agrupamento. Estão sugeridos em vários pontos ligações à comunidade, seja através da participação dos encarregados
de educação, da autarquia entre outros, mas não fica claro o grau de participação/intervenção que as BE do agrupamento têm nesses
processos.
Relativamente ao campo “Resultados” seria de esperar ver aqui referido o contributo da BE para a melhoria dos resultados dos alunos, quer
em acções já realizadas, quer em acções futuras de melhoria. Apenas no relatório da escola de Águeda há referência à BE neste domínio, mas
parece-me que numa posição inversa àquela que seria de esperar. A BE é apontada como indicador de reconhecimento do mérito dos alunos
porque lhes atribui prémios e não é descrito em que medida a acção de BE poderá ter influenciado positivamente, espera-se que assim seja, os
resultados escolares dos alunos.

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Esta ausência de referências neste campo talvez se fique a dever ao facto de ser difícil de medir até que ponto é a BE responsável pela melhoria
dos resultados dos alunos, isto porque é difícil ou mesmo impossível isolar e medir o impacto das várias variáveis responsáveis pelo sucesso
dos alunos.
No campo 4, “liderança” a BE é referida como parceira de alguns projectos e iniciativas, isto nos três relatórios, no entanto ficamos sem saber
qual é o grau articulação da BE com as estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica.
Empiricamente somos levados a pensar que a BE faz mais e tem mais destaque na vida da escola do aquilo que a análise destes três relatórios
deixa transparecer. Como não sabemos em que condições decorreu a presença da IGE na escola / agrupamento, podemos ser tentados a
concluir que provavelmente o PB não foi suficientemente ouvido ou não soube dar a conhecer o trabalho que desenvolve na BE. Talvez o PB
até não tenha sido convidado para fazer parte de nenhum dos painéis de entrevistados. Temos também que ter em consideração que a
presença da IGE nas escolas decorre até ao mês de Maio, altura em que o processo de auto-avaliação da BE não está concluído. No
agrupamento de Aradas, por exemplo, a IGE esteve no início do mês de Novembro, altura em que o PB estava, provavelmente, a iniciar a
implementação do MAABE.
Depois do que afirmei anteriormente, parece-me que ficou demonstrado que é importante que o PB seja ouvido nos momentos de avaliação
da escola para ter oportunidade de demonstrar a importância da BE e dar a conhecer o trabalho que lá é desenvolvido em prol das
aprendizagens e da formação integral dos alunos.
Paula Cruz do Marco

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