Você está na página 1de 15

A produção da subjetividade e as relações de poder na escola: uma

reflexão sobre a sociedade disciplinar na configuração social da


atualidade

Para que serve a instituição escola, senão para o conhecimento? Essa é


uma questão amplamente discutida, a do papel da escola na sociedade, isso,
porque para muito além de compartilhar conhecimento e torná-lo aprendível, a
escola também delimita o conhecimento, o que será aprendido, quando isso
acontecerá e como acontecerá. Nesse sentido há na escola uma relação de
poder, que é extensiva a pedagogia (BEMVINDO & ALMEIDA & TURRINI, 2014).

A subjetividade é constituída no relacionamento com outro sujeito, que possui


sua historia, sonhos e desejos. E o sujeito social, é gerado na relação com a
sociedade o qual é receptor das informações que necessita. A subjetividade fica
de frente com a concepção de um sujeito que procede da sociedade complexa
e competitiva, estabelecendo como base nas representações e construções do
modo como se apresentam, assim, criam expectativas, motivações e desejos.

A subjetividade engloba o indivíduo em vários aspectos, o social, cultural e


coletivo. A subjetividade é constituída no relacionamento com outro sujeito, e é
por esse tipo de relações que, o ser humano cresce e reconhece como ser,
pessoa, indivíduo e constrói sua autoimagem. Se existir a valorização das
vivências individuais e grupais, reconhecemos mundos diferentes e objetivos
específicos, assim, valorizamos as diferenças entre as pessoas.

Portanto, a articulação da construção da subjetividade nas relações de


poder que residem na escola, não somente na relação professor/aluno, mas
igualmente da escola em si e de qual seu lugar na sociedade é uma reflexão
sempre importante e necessária. É importante salientar, que considerando a
subjetividade enquanto construção, admitimos que está diretamente relacionada
a padrões culturais, indenitários e regrados de cada época e que nesse sentido
é sempre um ponto de chegada de um processo complexo vivido num
determinado tempo cronológico, ambiente e sociedade.
Nesse sentido a escola, inserida em amplo contexto na história da
humanidade, é lugar de constituição da subjetividade marcada pela configuração
social do momento, tendo assim papel de definir o sujeito, tanto pela relação de
professor e aluno, quanto pela forma como concebe seu ensino/ aprendizagem
(PRATA, 2005). Na escola, tanto pela subjetividade e complexidade que possui
como características, ocorre transformação social, marcado por conflitos,
indisciplina e erros o universo escolar reproduz valores, normas e moral
hegemônicos da sociedade. Ao mesmo tempo é movimentada, até mesmo pelos
impasses e tensões criados, participando desse movimento e promovendo
novos valores e regras, promovendo assim a construção dos sujeitos.

Sendo assim, a educação está relacionada com a elaboração da subjetividade,


na situação escolar, o educador deve criar condições de desenvolvimento do
repertório necessário para a aprendizagem de letras, palavras e números, assim
como para a identificação de estados corporais e eventos internos como
motivação, alegria, autoestima e outros. Seria enriquecedor se a educação,
tivesse um espaço reconhecido para cada um, criasse oportunidades e levasse
em consideração as diversidades. A subjetividade está nessas diferenças, para
promover identidades coletivas e individuais, como gancho para novas linhas
pedagógicas e sociais, que são necessárias na formação do cidadão. Um dos
desafios atuais, referem-se sobre as estratégias que são realizadas no caso de
alunos excluídos, repetentes e aprovados. Se valorizar a subjetividade de cada
um, será possível lidarmos com esse desafio, pois iremos ao encontro das
diferenças individuais.

Podemos supor que a subjetividade é sempre produzida, ou seja, ela não


está na origem nem é imanente à natureza humana. Mesmo se considerarmos
determinados modos de a subjetividade se organizar em relação ao psíquico,
esses modos estão relacionados aos padrões identitários e normativos que se
constituem em cada época. Esses padrões identitários estão ativamente
presentes não só nas macrorrelações, mas também circulam nas microrrelações
entre os sujeitos. Ora, se não há uma subjetividade transcendental com valores
universais válidos para qualquer tempo e lugar, se não há uma constituição
psíquica que valha para qualquer época, uma vez que ela é sempre produzida
em determinado tempo, as regras transmitidas nas relações entre professores e
alunos na escola também se modificam. Mudam as regras, mudam as formas de
sujeição, mudam as formas de transgressão, mudam os processos de
subjetivação.

Seria enriquecedor se a educação, tivesse um espaço reconhecido para


cada um, criasse oportunidades e levasse em consideração as diversidades. A
subjetividade está nessas diferenças, para promover identidades coletivas e
individuais, como gancho para novas linhas pedagógicas e sociais, que são
necessárias na formação do cidadão. Isso revela que o "Caráter relacional e
institucional da vida humana implica a configuração subjetiva não apenas do
sujeito e de seus diversos momentos interativos, mas também dos espaços
sociais em que essas relações são produzidas" (GONZÁLEZ REY, 2005,p.24)

A escola e seus contextos são marcados por inúmeros conflitos, uma vez que
este espaço vem refletir tudo aquilo que que é produzido pela sociedade,
constitui-se numa amostragem da sociedade que está fora dos muros escolares,
entrelaçadas pela relações de poder e dominação que são refletidas através da
cultura e dos saberes que movimentam essa dinâmica. A escola enquanto uma
instituição, formadora de opinião e engendrada na sociedade abarca uma função
social que difere das demais instituições, por ter em sua essência, a contribuição
na formação social da grande sociedade humana. Nesse espaço, as relações de
poder metodizam valores, ensinamentos e regras, equilibrando o ensinamento
sistematizado através de formas que seus sujeitos tenham uma real apropriação
colaborando com a formação de novas gerações.

Os docentes enxergavam o mundo com parâmetros de nossos pais e


professores, diferente dos alunos de hoje, que tem como referências a cultura
atual, a mídia e o consumismo. O educador necessita olhar para si, como o
responsável por futuras transformações na docência, frente à falta de interesse
dos alunos. Modificar as matérias que são obrigatórias, a maneira como esta é
exposta, fazer com que esse conteúdo tenha sentido para o aluno e levá-los a
curiosidade, criticidade e enfrentar novos desafios.

A palavra poder, que vem do latim vulgar potere, substituído ao latim


clássico posse, que vem a ser a contração de potis esse, “ser capaz”;
“autoridade”. Dessa forma, na prática a etimologia da palavra poder torna sempre
uma palavra ou ação que exprime força, persuasão, controle, regulação etc.

São as relações de poder e de dominação que refletem na escola poderes e


saberes muitas vezes ambíguos, distantes da vida cotidiana. Percebemos isso
claramente quando vemos o processo de legitimação e hierarquização presentes
na sociedade estendidos à escola. Prevalecem assim na escola e em sua
organização um sistema estruturado com base numa sociedade de relações
sociais desiguais, que refletem muitas vezes discriminação, rendimento, conflitos
e indisciplinas externas aos seus muros.,
Assim, Thomas Holbes afirmava que os homens lutam uns contra os outros para
chegar ao poder. John Locke, fala do pacto entre os homens sobre igualdade e
a liberdade. Jean Jacques Rousseau reafirma que a igualdade seria um princípio
jurídico. Percebemos, que Dukheim afirma que a divisão do trabalho não produz
solidariedade. Karl Marx defendia que a dialética é pensamento e realidade a um
só tempo. Weber afirma que o sentido seria aquele vivido pelo sujeito
interpretando a ação social. A subjetividade é sempre produzida, ou seja, ela não
está na origem nem é imanente à natureza humana.

Se não há uma subjetividade transcendental com valores universais válidos para


qualquer tempo e lugar, se não há uma constituição psíquica que valha para
qualquer época, uma vez que ela é sempre produzida em determinado tempo,
as regras transmitidas nas relações entre professores e alunos na escola
também se modificam. Mudam as regras, mudam as formas de sujeição, mudam
as formas de transgressão, mudam os processos de subjetivação. A partir da
perspectiva, da subjetividade, há várias maneiras de se subjetivar no decorrer
da história, o sujeito pode fixar, manter ou transformar sua identidade (Foucault,
1997). A suposição é que a subjetividade hoje se produz diferente do que se
produziu, no início do século XX. A instituição escolar de maneira não casual
fez e hoje ainda faz parte dessa produção, sendo que, se por um lado ela é um
lugar fundamental na constituição da subjetividade, por outro ela também está
na mesma relação. Entende-se que, a engrenagem da escola é atravessada e
marcada pela configuração social, mas que essa engrenagem tem um papel
importante que é definir o sujeito, sendo através das relações de poder entre
professores e alunos, ou na forma pela qual gera a aprendizagem e transmite o
saber.
Para Durkheim a educação era um anexo à sociedade sendo que seu fim deveria
estar voltado para ela. Nesse sentido a escola deveria reforçar padrões e
comportamentos sociais, com ele a pedagogia inicia um processo de
desvinculação da teologia, da moral e da filosofia. Já no século XIX, Engels se
preocupava com os jovens que dedicavam seu tempo nas fábricas e produção
de bens, assim, sua preocupação com o trabalho infantil, tangia tanto a formação
quanto o desgaste que viviam. Nesse mesmo tempo, Marx (2008) define seu
entendimento por educação, sendo: "Mental; Física; e para Instrução
Tecnológica”, todas focadas no trabalho e na oposição ao sistema capitalista que
provocava mudanças sociais tensas, inclusive na educação.

Para Gransci (2004), a escola se apresentava como um aparelho de


hegemonia que assumia a ideologia da classe dominante ou da classe
subalterna. Nessa divisão fundamental da escola em clássica - para intelectuais
- e profissional - para classes instrumentais - impunha-se uma relação de poder
que gerou uma crise escolar motivada pela alta oferta de escolas particulares
onde a solução, para ele, seria a escola única, de cultura geral e humanista,
capaz de formar para o trabalho e para o intelecto.

Para esses autores a escola assumia caráter social e político capaz de superar
o modo de produção capitalista, uma vez que sua subjetividade geraria acesso
a conhecimento acumulado, dando-lhe autonomia num momento histórico de
grandes mudanças ocasionadas pela Revolução Industrial e pela alteração dos
modos de subsistência familiar. Essa escola parte de uma sociedade capitalista
sofre ao se adaptar as forças e tensões que provocam nela padrões de ensino
que acompanhem novas exigências e demandas de alunos que começam a
ingressar em outras realidades.

A subjetividade é um constante processo social de geração (Hardt & Negri,


2001). A produção da subjetividade pode ser melhorada pela noção de
subjetivação, esta nunca está acabada, se constituindo num processo contínuo.
Hoje a subjetividade se produz de forma diferente do que se produziu. A escola
faz parte desta produção, esta fica com o papel de definir o sujeito, por meio das
///////////////////////////////////////////////////////////

relações de poder entre alunos e professores ou pela forma em que a


aprendizagem é concebida e transmite o saber.

No século XX, segundo Foucault (1977), as relações de poder nas instituições,


seja escola, família, prisões ou quartéis, se viram marcadas pela disciplina. Todo
tipo de atividade era controlada , possibilitando isolamento de tempo de prática
do indivíduo. Foucault desenvolveu pesquisa sobre o tema , com uma teoria
sobre o poder , com uma concepção repressiva de poder. Esta teoria só mostra
um aspecto do poder , que diz que o poder consiste em uma força que diz não,
sem reconhecer o seu lado positivo e sua capacidade de afirmação.

As escolas adaptaram em si dispositivos de subjetivação. Desde a origem das


escolas , elas se parecem em suas técnicas com as fábricas, os quartéis e as
prisões(Foucault (1977). Então a escola é só mais uma instituição em qual o
Estado Moderno tentou exercer uma forma de poder.

A educação no contexto de trabalho nas instituições de ensino são temas de


análises frequentes, por especialistas e teóricos, devido as novas configurações
sociais e processos subjetivos que se constituem. Cabe frisar que a educação
está incluída na rede social, atravessada por forças, relações de poder e saber
que determinam modos de ser e de agir. Os professores sofrem efeitos dessas
composições, tanto nas diferentes relações e laços sociais que são
estabelecidos no contexto escolar, quanto em sua própria maneira de trabalhar
(SILVA E SANTOS, 2011).

Pode-se dizer que a escola como parte da sociedade capitalista sofre com os
efeitos de mudanças, constantes da própria vida, sendo pressionada pelas
forças sociais, produzindo mundanas nos seus padrões, no seu fazer, nos
objetivos, enquanto espaço educativo. Requer que essa possa acompanhar as
novas exigências de demandas de alunos que passam por diversas
aprendizagens.

A escola é um lugar de convívio, de saber, de poder, de querer, de gostar, de


procurar, de sonhar. O sujeito que aprende expressa a subjetividade social dos
diferentes espaços sociais em que vive no processo de aprender. Nenhuma
atividade humana resulta em uma atividade única do conjunto de sentidos que
caracteriza o mundo histórico e social da pessoa.

Foucault fala sobre a disciplina - um mecanismo de dominação e controle


destinado a suprimir ou domesticar os comportamentos divergentes. Esses
mecanismos formariam o que Focault chamou de tecnologia política, com
poderes de manejar espaço, tempo e registro de informações - tendo como
elemento unificador a hierarquia.

Estamos supondo que a subjetividade é sempre produzida, ou seja, ela não está
na origem nem é imanente à natureza humana. Mesmo se considerarmos
determinados modos de a subjetividade se organizar em relação ao psíquico,
esses modos estão relacionados aos padrões identitários e normativos que se
constituem em cada época. Esses padrões identitários estão ativamente
presentes não só nas macrorrelações, mas também circulam nas microrrelações
entre os sujeitos. Ora, se não há uma subjetividade transcendental com valores
universais válidos para qualquer tempo e lugar, se não há uma constituição
psíquica que valha para qualquer época, uma vez que ela é sempre produzida
em determinado tempo, as regras transmitidas nas relações entre professores e
alunos na escola também se modificam. Mudam as regras, mudam as formas de
sujeição, mudam as formas de transgressão, mudam os processos de
subjetivação. Talvez o que esteja sendo sinalizado na crise da autoridade
docente (Aquino, 1996b; 1998), ainda que muitas vezes inconscientemente e de
diferentes modos, é justamente a falência de um modelo de instituição calcado
na ideia de disciplina. Podemos supor que é a própria configuração social que
está se modificando, e essa modificação está ligada à produção de outro sujeito,
que se fará presente também nas relações entre professores e alunos,
causando, muitas vezes, um estranhamento em ambas as partes. Mesmo se
considerarmos que os professores fazem parte dessa nova produção subjetiva,
podemos perguntar se algumas vezes seu discurso não se mantém amarrado
em valores construídos na época em que eles próprios foram educados. Em
outras palavras, o professor escolar muitas vezes insiste num diagnóstico da
rebeldia do aluno a partir do modelo do poder disciplinar em que ele, professor,
foi sujeitado. Porém, para os alunos, o professor pode aparecer como alguém
desatualizado, seja em função das informações tecnológicas que eles
rapidamente obtêm, ou mesmo em função da postura disciplinar creditada, em
princípio, aos docentes.

Mesmo se considerarmos que os professores fazem parte dessa nova produção


subjetiva, podemos perguntar se algumas vezes seu discurso não se mantém
amarrado em valores construídos na época em que eles próprios foram
educados. Em outras palavras, o professor escolar muitas vezes insiste num
diagnóstico da rebeldia do aluno a partir do modelo do poder disciplinar em que
ele, professor, foi sujeitado. Porém, para os alunos, o professor pode aparecer
como alguém desatualizado, seja em função das informações tecnológicas que
eles rapidamente obtêm, ou mesmo em função da postura disciplinar creditada,
em princípio, aos docentes. Talvez a forma mais apropriada de encaminharmos
essa problemática.

Para Durkhein, a educação consiste na transmissão da cultura e formação de


uma sociedade unida, a qual possui uma consciência coletiva e propõe
estabilidade. Os indivíduos possuem os mesmos valores, e, isso, faz com que
esses sujeitos sintam-se integrantes de uma sociedade. Dessa forma, Durkhein
acredita que o papel da educação seja o de reprodução.

Segundo Marx, devemos ser atenciosos quanto à função reprodutora das


instituições sociais, pois esses estabelecimentos são produtos de um sistema
capitalista e, com isso, tornam-se reprodutoras do sistema que as gerou.

Para Bordieu, as instituições surgem no campo social e devem ser entendidas


de forma externa e interna. Por isso, não seria possível pensar em
transformações a partir da educação, mas em mudanças internas às estruturas
edificadas.

Foucault afirma que o poder se mantém e se impõe através da sua produção,


tanto no que induz ao prazer quanto na formação do saber e produção do
discurso.
Conclusão

Portanto podemos concluir que a subjetividade é constituída no relacionamento


com outro sujeito, que possui sua historia, sonhos e desejos. E o sujeito social,
é gerado na relação com a sociedade e é receptor das informações que
necessita. A subjetividade fica de frente com a concepção de um sujeito que
procede da sociedade complexa e competitiva.

E que Talvez a forma mais apropriada de encaminharmos essa problemática


seja tentando sair do discurso da “culpabilização generalizada”, entendendo que
tanto os professores quanto os alunos afetam e são afetados pelo mesmo
processo de mudança social. Mais do que um desencontro entre gerações
distintas, o que se apresenta aqui é um processo de transformação social que
abarca a instituição escolar e seus agentes. Dessa maneira, conforme coloca
Aquino (1996a), a indisciplina pode estar indicando o impacto do ingresso de um
novo sujeito histórico, com outras demandas e valores, numa ordem arcaica e
despreparada para absorvê-lo. Portanto, para além da impotência que alguns
professores sentem em relação à indisciplina do aluno, talvez essa última possa
estar deflagrando a existência de outros sujeitos em sala de aula, marcados por
essa nova modalidade de organização da instituição escolar, mas que também
a constituem. Nessa medida, podemos dizer que, se por um lado a escola
reproduz os valores hegemônicos da sociedade, por outro, pelos impasses
enfrentados em sala de aula, ela também participa da transformação desses
valores, pois é um lugar fundamental na produção de sujeitos, sejam professores
ou alunos.

Referencial Bibliográfico

BEMVINDO, Vitor; ALMEIDA, Cosme; TURRINI, Julia. A relação Trabalho e


Educação em Marx, Engels e Gramsci: elementos para uma análise
comparativa. Caderno Cemarx, nº 7, 2014. Disponível
em file:///C:/Users/bergj/Downloads/1832-5154-1-PB.pdf. Acesso em fevereiro
de 2018.

GUIRAUD, Luciene. AS RELAÇÕES DE PODER NA ORGANIZAÇÃO


ESCOLAR: UM ESTUDO SOBRE A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE.
Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), programa de formação
continuada dos professores da rede estadual de ensino do Estado do Paraná, s/
data. Disponível
em: href="https://docs.google.com/viewer?url=http%3A%2F%2Fwww.diaadiae
ducacao.pr.gov.br%2Fportals%2Fpde%2Farquivos%2F2235-
8.pdf&embedded=true&chrome=false&dov=1" title="View this pdf file">. Acesso
em fevereiro de 2018.

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere - Os Intelectuais. O Princípio


Educativo. Jornalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

MARX, Karl. Instruções para os Delegados do Conselho Geral Provisório. As


Diferentes Questões. Lisboa: Editorial Avante. 2008. Disponível
em:http://www.marxists.org/portugues/marx/1866/08/ instrucoes.htm. Acesso
em fevereiro de 2018.

PRATA, Maria Regina dos Santos. A produção da subjetividade e as relações de


poder na escola: uma reflexão sobre a sociedade disciplinar na configuração
social da atualidade. In: Revista Brasileira de Educação, n. 28, jan /fev /mar /abr.
2005.

GONZÁLEZ Rey, F. (2005).Pesquisa qualitativa e subjetividade: os processos


de construção da informação. São Paulo: Pioneira. Disponível em: Subjetividade,
ensino e aprendizagem SciELO Acesso em Março de 2018

AQUINO, Júlio Groppa, (1996a). A desordem na relação professoraluno:


indisciplina, moralidade e conhecimento. In: AQUINO, J. G. (org.). Indisciplina na
escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus. , (1996b).
Confrontos em sala de aula. São Paulo: Summus.

SILVA, Lúcia Almeida da Silva; SANTOS Nair Iracema Silveira. Subjetividade e


trabalho na educação. Revista Mal Estar e Subjetividade. Rev. Mal-Estar
Subj. vol.11 no.4 Fortaleza dez. 2011.

https://moodle.unicentro.br/pluginfile.php/197681/mod-
label/LOURENÇO%2C%20Alexandra%20-%Sociologia%20Geral.pdf Acesso
21 mar 2018
Subjetividade, educação e relações de poder

Antes de mais nada devemos conceituar cada um dos termos: Subjetividade é,


segundo o dicionário, “algo que varia de acordo com o julgamento de cada
pessoa, consistindo num tema que cada indivíduo pode interpretar da sua
maneira, que é subjetivo.” E também pode

(...) ser formada através das crenças e valores do indivíduo, com suas
experiências e histórias de vida. O tema da subjetividade é bastante debatido e
estudado em psicologia, como ela se forma, de onde vêm, etc.(...) é algo que
muda de acordo com cada pessoa, como o gosto pessoal, por exemplo, cada
um possui o seu, portanto é algo subjetivo.
(https://www.significados.com.br/subjetividade/ acesso em 24/03/2018).

Já a Educação engloba os processos de ensinar e aprender. No centro de um


sistema educativo deve situar-se o ser humano a educar, num horizonte de
plenitude. A tarefa educativa consiste, na verdade, na capacidade de identificar
e de acompanhar esta presente inquietação do homem, mantendo vivo o amor
pelo saber, despertando o coração e pondo em marcha a sua razão e a sua
liberdade, tal liberdade construída pelos tijolos da autonomia do indivíduo.

Desde o surgimento dos relatos dos primeiros filósofos como Platão, a educação
estabelece uma relação com a cidadania. Para Platão, a educação corresponde
ao desenvolvimento de faculdades e virtudes adequadas às funções que os
indivíduos exercem. E a governabilidade passaria a ser exercida pelos filósofos
que cultivavam a razão.

Já os pensamentos de Aristóteles não seguem o mesmo padrão, pois para ele


somente o Estado seria capaz de desenvolver os valores morais dos cidadãos,
portanto para ele a educação tem caráter público.

Kant não admite que a educação seja ofertada apenas para as pessoas da elite,
mas que seja para todos, pois só através da disciplina o homem educa sua
razão, domina seus instintos e adquire cultura. E só através da educação o
homem poderá ascender socialmente, através dela ele supera a minoridade e
os preconceitos.
Para Engels, a educação deve ser voltada para o serviço do Estado, é tarefa da
escola preparar indivíduos para serem membros desse Estado, onde quem
administrará esse Estado é uma classe política que está acima de outras
classes.

E o que vem se poder?

O Poder se expressa nas diversas relações sociais, assim, pode-se falar, que
onde existem Relações de Poder, existe política. Por sua vez, a política se
expressa nas diversas formas de poder e pode ser entendida como a política
relacionada ao Estado, como também, em um sentido mais amplo, e não menos
importante, em outras dimensões da vida social.

Uma relação de poder se forma no momento em que alguém deseja algo que
depende da vontade de outro. Esse desejo estabelece uma relação de
dependência de indivíduos ou grupos em relação a outros. Quanto maior a
dependência de A em relação a B, maior o poder de B em relação a A. Essa
dependência aumenta à medida que o controle de B sobre o que é desejado por
A aumenta.
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_de_poder acesso em
24/03/2018)

Os teóricos dos sistemas políticos preocupam-se antes de tudo, em construir um


esquema referencial básico dotado de grande generalidade. Não poderiam,
logicamente, permitir que na própria definição de sua unidade de análise fossem
incorporadas as características particulares de algum sistema político concreto,
quer "democrático", quer "autoritário", quer "primitivo", quer "moderno".

Por outro lado, ao falarem do sistema político como um "sistema de interações",


inserem na própria definição uma proposição de grande alcance, a saber, que
todo sistema político é constituído por diversas subunidades diferenciadas e
interdependentes, e, ainda, que o todo formado pela interação interna dessas
partes não é estático e fechado, mas, ao contrário, dinâmico e aberto.

Cada disciplina trata de um assento, respaldada no saber científico. Aos


especialistas é garantida a última palavra sobre o saber que dominam (médicos,
engenheiros, pedagogos, advogados...); O poder deixou de se concentrar em
um único centro, difundindo-se por toda sociedade. Uma mesma pessoa pode
exercer um poder em um campo e estar sujeita ao poder em outros.

Então não se deve conceber que a fonte do poder político é unicamente o


Estado, pois existem relações de poder em qualquer relação de interesses entre
dois ou mais sujeitos, sejam eles animais, pessoas ou entidades. Da mesma
forma, poder não deve ser visto como imposição de vontade, manipulação ou
dominação, pois pode, e frequentemente é, ser delegado voluntariamente por
interesse de ambas as partes. Para Weber:

"Poder é toda chance, seja ela qual for, de impor a própria vontade numa relação
social, mesmo contra a relutância dos outros."

São os cidadãos que fornecem o poder às leis e consequentemente aos políticos


e servidores públicos que são investidos com poder pela lei em uma democracia.
Quanto menor o acordo de vontade na concessão de poder, mais recursos são
necessários para mantê-lo e mais limitado seu poder de controle. Sendo assim,
acordos são essencialmente um tipo de poder mais eficiente do que coerção.
Não se deve ver poder como uma relação vertical, para compreender poder
político em toda sua amplitude é necessário entender a função e características
de cada um de seus participantes. O poder não é um bem, mas é algo que se
exerce em rede, e nessa rede todos os indivíduos circulam, sendo que qualquer
um pode estar em posição de ser submetido ao poder, mas também de exercê-
lo.

Na escola e seus partícipes reproduzem em escala menor a estrutura da


sociedade. Conhecer como essas relações se processam e qual é o plano de
fundo de ideias e conceitos é a tarefa das revelações que se seguem. A escola
vigia seus alunos. Por assim fazer, o poder disciplinar, nas palavras de Foucault,
produz saber. Tais mecanismos de controle do aluno levantam um
questionamento se se o aluno aprende ou apenas sabe como fazer os testes. A
escola se torna um observatório político. Mais do que controlar o aluno, a escola
também controla o professor.

Esta relação vertical cria o professor-proletário; controlado, mal remunerado,


torna-se o realizador da política do Estado. A sociedade, por outro lado, exprime
sua força neste novo proletário por relacionar educação com trabalho, o que
acentua a responsabilidade social do professor.

O sistema de avaliação também torna-se vil, por fazer com que professores
exerçam sua relação de poder sobre os alunos sem ao menos questionar a
validade de tal ferramenta. Uma tarefa mais sensata seria indagar se o saber do
professor um dia se tornará o saber do aluno.

Se olhar para o magistério com uma visão religiosa, e que o trabalho dignifica, o
papel do professor é mais sadomasoquista do que nobre. Este cenário está longe
de representar uma relação democrática. Esperar uma sociedade democrática
advinda de uma escola que não exerce tal papel, é tão utópico quanto cruel. Uma
solução plausível está na horizontalização da escola e suas relações, abrir o
diálogo entre alunos, docentes, diretores, e desvincular o saber do poder.

Segundo Foucault (1977), as relações de poder estabelecidas no século XX nas


instituições, seja na família, na escola, nas prisões ou nos quartéis, foram
marcadas pela disciplina, cujo objetivo principal era a produção de corpos dóceis,
eficazes economicamente e submissos politicamente.

A Educação está incluída na rede social, atravessada, o tempo todo, por forças,
relações de poder e saber que determinam modos de ser e agir. Os professores
sofrem os efeitos destas novas composições sociais, tanto nas diferentes
relações e laços sociais estabelecidos no cotidiano escolar quanto em seu
próprio modo de trabalhar. A escola entendida enquanto parte da sociedade
capitalista, sofre com os efeitos da mutação constante da própria vida, sendo
pressionada pelas forças sociais a produzir mudanças no seu fazer, nos seus
padrões de ensino, nos seus objetivos enquanto espaço educativo.

A educação, como uma importante instituição social, também é alvo de


sucessivas reformas. Do fim do governo militar até os dias de hoje, a educação
vai adquirindo cada vez mais um cunho político e menos pedagógico, decorrente
da instituição de programas e projetos de governo na área da educação.

As diferentes configurações sociais capturam todos os segmentos sociais


produzindo modos de ser, trabalhar, produzir, agir, amar, em cada época
específica. A escola, como uma das instituições mais importantes da sociedade
desde a modernidade, vem modificando suas estratégias de saber e poder e
seus objetivos, de acordo com as demandas sociais de cada momento histórico.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes.1997.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia - ISBN 978-85-7753-226.

Ministério da Educação. Uma “revolução na educação” ou uma educação como


“empresa de desumanização do homem” por Maria de Sousa Pereira Coutinho,
Observador, 10 de Maio de 2017.

RIBEIRO, Marlene. Educação para a Cidadania. Questão colocada pelos


movimentos sociais. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.