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Crise e queda de juros: afinal, momento é para poupar ou usar o crédito?

Por: Roberta de Matos Vilas Boas


14/08/09 - 10h37
Infomoney

SÃO PAULO - Com a crise econômica e a instabilidade no mercado de trabalho, a


recomendação para os consumidores era segurar os impulsos e poupar o máximo de
dinheiro que pudessem, para ter uma garantia em caso de demissão. Muitos seguiram o
conselho, e diversos setores da economia registraram queda nas vendas.
Ao mesmo tempo, para diminuir os efeitos dessa turbulência e facilitar a tomada de
crédito, as taxas de juros sofreram reduções constantes, a exemplo da Taxa Selic, que
levou diversos bancos a reduzirem suas taxas. Essa medida também teve resultado,
aumentando as vendas em alguns segmentos, principalmente o de bens duráveis.
Somado a isso, há os prazos de financiamento, que voltaram a subir, como para o
segmento de veículos, que voltou a ser oferecido em até 80 meses.
Mas, com isso, vem a dúvida: afinal de contas, é melhor poupar nesse período de
incertezas ou aproveitar as taxas baixas e usar o crédito para adquirir um carro, aquela
geladeira ou até mesmo um imóvel?

Esse é o momento
Para o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças,
Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira, esse é o momento para usar o
crédito. "As condições melhoraram muito e vão melhorar mais. As taxas de juros
tendem a continuar caindo mesmo sem queda na Selic", afirmou em recente entrevista à
Infomoney.
Segundo ele, isso será possível devido a ações do governo para reduzir o spread
bancário. Além disso, o cenário interno mais positivo e o menor risco de inadimplência
dos consumidores brasileiros contribuirão para melhorar a concessão de crédito.
Porém, Oliveira também ressalta que o consumidor deve pesquisar antes de fazer um
financiamento. Isso porque, nem todos os bancos reduziram as taxas, havendo
diferenças significativas entre as instituições financeiras. "O importante é que ele
pesquise muito, porque há variações muito grandes. E se ele tiver que fazer um
financiamento, que faça com prazos mais curtos, porque, assim, pagará menos juros",
aconselha.

"Poupar é sempre melhor"


Já o professor de Finanças da Escola de Administração da FGV (Fundação Getulio
Vargas), Fabio Gallo, considera que poupar dinheiro deve ser sempre a primeira opção
do consumidor, independente se o cenário é de crise ou não. "Nenhum cálculo desmente
o fato de que é melhor poupar do que gastar, mesmo com taxas de juros caindo",
ressalta.
Para ele, antes de decidir sobre usar o crédito, o consumidor precisa perguntar a si
mesmo se precisa realmente ou se quer o produto. "Se é uma necessidade da casa, da
família, aí vai gastar e acabou. Mas se simplesmente quer aquilo, então tem que estar
preparado, com planejamento financeiro", diz. Gallo também lembra que, mesmo com a
queda, as taxas de juros brasileiras ainda são altas em relação a outros países, assim
como o spread bancário.
Porém, há um tipo de crédito que o professor considera positivo utilizar nesse momento:
o crédito imobiliário. "Considerando a renda familiar brasileira, é difícil poupar antes de
comprar uma residência. Então, nesse momento em que as taxas estão melhores, vale a
pena", explica.

Cuidados na tomada de crédito


Com crise ou sem crise, com juros caindo ou subindo, o consumidor que vai utilizar o
crédito sempre deve ter alguns cuidados, para evitar o descontrole financeiro e
conseguir pagar todas as contas. O primeiro passo é avaliar se as parcelas do
empréstimo cabem mesmo no seu orçamento. Para isso, some suas despesas mensais,
subtraia dos rendimentos e veja quanto resta ao final do mês. Também não se esqueça
de observar as contas que estão por vir.
Também é necessário comparar as condições oferecidas por cada banco, principalmente
quando se trata de juros, pois economizar neste ponto é muito importante. Além disso, é
preciso ficar atento com o prazo, pois, como disse Miguel de Oliveira, quanto maior,
mais juros serão pagos.