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Secretaria da Educação do Estado da Bahia

SEE-BA
Coordenador Pedagógico Padrão P – Grau IA
Edital de Abertura de Inscrições – SAEB/02/2017, de 09 de Novembro de 2017

NB036-2017
DADOS DA OBRA

Título da obra: Secretaria da Educação do Estado da Bahia - SEE-BA

Cargo: Coordenador Pedagógico Padrão P – Grau IA

(Baseado no Edital de Abertura de Inscrições – SAEB/02/2017, de 09 de Novembro de 2017)

• Educação Brasileira: Temas Educacionais e Pedagógicos


• Noções de Igualdade Racial e de Gênero
• Conhecimentos Específicos

Professora
Silvana Guimarães

Produção Editorial/Revisão
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Camila Lopes
Suelen Domenica Pereira

Capa
Joel Ferreira dos Santos

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno

Gerente de Projetos
Bruno Fernandes
SUMÁRIO

Educação Brasileira: Temas Educacionais e Pedagógicos

As diferentes correntes do pensamento pedagógico brasileiro e as implicações na organização do sistema de educação


brasileiro....................................................................................................................................................................................................................... 01
A didática e o processo de ensino/aprendizagem: planejamento, estratégias, metodologias e avaliação da aprendiza-
gem................................................................................................................................................................................................................................ 06
A sala de aula como espaço de aprendizagem. .......................................................................................................................................... 17
As teorias do currículo. .......................................................................................................................................................................................... 19
Os conhecimentos socioemocionais no currículo escolar. ...................................................................................................................... 30
Aspectos legais e políticos da organização da educação brasileira. ................................................................................................... 36
Políticas educacionais para a educação básica: as diretrizes curriculares nacionais. .................................................................... 44
A Interdisciplinaridade e a contextualização no Ensino Médio. ............................................................................................................ 46
Os fundamentos de uma escola inclusiva. .................................................................................................................................................... 48
Convenção da ONU sobre direitos das pessoas com deficiência. ....................................................................................................... 51
Educação para as relações étnico-raciais. ...................................................................................................................................................... 65
Decreto federal nº 65.810, de 8 de dezembro de 1969 (promulga a Convenção Internacional sobre a Eliminação de
todas as Formas de Discriminação Racial). O Decreto federal nº 4.738, de 12 de junho de 2003 (reitera a Convenção
Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial)............................................................................. 69
Educação e trabalho: o trabalho como princípio educativo. .................................................................................................................. 75
Ação da escola, protagonismo juvenil. ........................................................................................................................................................... 78
A Lei estadual nº 13.559, de 11 de maio de 2016: o Plano Estadual de Educação. ...................................................................... 81
A avaliação da Educação Básica. ....................................................................................................................................................................... 98
As licenciaturas interdisciplinares como paradigma atual da formação docente. .......................................................................105
Os movimentos de aproximação entre a educação básica e educação superior na Bahia no momento presente: contexto
do Decreto estadual nº 16.718, de 11 de maio de 2016. ......................................................................................................................108
O paradigma da supralegalidade como norma constitucional para os tratados dos direitos humanos: sua importância
para os sistemas de educação e para a cultura escolar. .........................................................................................................................112
Legislação educacional: principais marcos regulatórios da Educação Básica: a) A LDB – Lei federal nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996 e Lei federal nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017 que converte a MP 746 em alterações na LDB; a
Lei federal nº 11.494, 20 de junho de 2007 e as demais normativas legais sobre o FUNDEB; ...............................................115
b) as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica do Conselho Nacional de Educação – DCNs (para a edu-
cação infantil, para a educação de jovens e adultos, para o ensino fundamental, para o ensino médio, para a educação
profissional, para a educação do campo, para a educação especial, para a educação das relações étnico-raciais, para a
educação quilombola, para a educação escolar indígena, para o ensino fundamental de 9 anos), a Resolução CNE/CEB
nº. 4/2010. ................................................................................................................................................................................................................126
Constituição Federal. ............................................................................................................................................................................................188
Documentos orientadores da Secretaria da Educação do Estado da Bahia: Portaria SEC nº. 6.562/2016 (que dispõe
sobre a sistemática de avaliação do ensino e da aprendizagem das unidades escolares da Rede Estadual de Ensino, em
todas as etapas da Educação Básica e suas modalidades); Portaria SEC/BA nº 1.128/2010 (que institui a Reorganização
Curricular das Escolas da Educação Básica da Rede Pública Estadual) Lei estadual nº 8.261, 29 de maio de 2002, que
dispõe sobre o Estatuto do Magistério Público do Ensino Fundamental e Médio do Estado da Bahia e dá outras pro-
vidências............................................................................................................................................................................................................... 189
O planejamento da Jornada Pedagógica anual da rede pública estadual: função e resultados.............................................203
SUMÁRIO

Noções de Igualdade Racial e de Gênero

Constituição da República Federativa do Brasil (art. 1°, 3°, 4° e 5°). ................................................................................................... 01


Constituição do Estado da Bahia, (Cap. XXIII “Do Negro”). ..................................................................................................................... 23
Lei federal n° 12.288, de 20 de julho de 2010 (Estatuto da Igualdade Racial). ............................................................................... 24
Lei federal nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989 (Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor) e Lei federal
n° 9.459, de 13 de maio de 1997 (Tipificação dos crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor)........................... 30
Decreto federal n° 65.810, de 08 de dezembro de 1969 (Convenção internacional sobre a eliminação de todas as formas
de discriminação racial). ....................................................................................................................................................................................... 32
Decreto federal n° 4.377, de 13 de setembro de 2002 (Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discrimina-
ção contra a mulher). ............................................................................................................................................................................................. 38
Lei federal nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria da Penha). ................................................................................................. 44
Código Penal Brasileiro (art. 140). ..................................................................................................................................................................... 49
Lei federal n° 9.455, de 7 de abril de 1997 (Crime de Tortura). ............................................................................................................. 50
Lei federal n° 2.889, de 1º de outubro de 1956 (Define e pune o Crime de Genocídio). ........................................................... 50
Lei federal nº 7.437, de 20 de dezembro de 1985 (Lei Caó). .................................................................................................................. 51
Lei estadual n° 10.549, de 28 de dezembro de 2006 (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial); alterada pela Lei
estadual n° 12.212, de 04 de maio de 2011. ................................................................................................................................................. 51
Lei federal nº 10.678, de 23 de maio de 2003, com as alterações da Lei federal nº 13.341, de 29 de setembro de 2016
(Referente à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República)................................... 77

Conhecimentos Específicos

O Projeto Político Pedagógico: o marco para a autonomia da unidade escolar, sua construção coletiva e sua implemen-
tação na escola.......................................................................................................................................................................................................... 01
O Projeto Político Pedagógico como diretriz para o planejamento da organização e do desenvolvimento do currículo
escolar: planos de ensino, aulas, reconfigurações das ações e avaliação cíclica do executado. .............................................. 06
O Projeto Político Pedagógico como guia para a participação, gestão colegiada e ambiente das representações da de-
mocracia escolar........................................................................................................................................................................................................ 14
O Projeto Político Pedagógico como dispositivo institucional a favor interação, integração e (re)invenção das práticas
pedagógicas............................................................................................................................................................................................................... 19
O Projeto Político Pedagógico à luz da LDB vigente: estratégia convergente para a cultura organizacional de uma escola
que se preocupa com a finalidade dos saberes no cotidiano da vida dos estudantes e nos seus grupos de interação
social.............................................................................................................................................................................................................................. 22
Implicações da interdisciplinaridade no processo de ensino e aprendizagem e na formação dos profissionais: dilemas,
desafios e perspectivas........................................................................................................................................................................................... 24
A interdisciplinaridade e a perspectiva de um novo paradigma para o trabalho docente em sala de aula......................... 32
A interdisciplinaridade e seu foco para a organização de conteúdos em áreas de conhecimento......................................... 35
A interdisciplinaridade e a interação entre conhecimentos: a comunicação entre saberes escolares. ................................. 40
A interdisciplinaridade como estratégia pedagógica para a renovação da didática..................................................................... 41
EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

As diferentes correntes do pensamento pedagógico brasileiro e as implicações na organização do sistema de educação


brasileiro....................................................................................................................................................................................................................... 01
A didática e o processo de ensino/aprendizagem: planejamento, estratégias, metodologias e avaliação da aprendiza-
gem................................................................................................................................................................................................................................ 06
A sala de aula como espaço de aprendizagem. .......................................................................................................................................... 17
As teorias do currículo. .......................................................................................................................................................................................... 19
Os conhecimentos socioemocionais no currículo escolar. ...................................................................................................................... 30
Aspectos legais e políticos da organização da educação brasileira. ................................................................................................... 36
Políticas educacionais para a educação básica: as diretrizes curriculares nacionais. .................................................................... 44
A Interdisciplinaridade e a contextualização no Ensino Médio. ............................................................................................................ 46
Os fundamentos de uma escola inclusiva. .................................................................................................................................................... 48
Convenção da ONU sobre direitos das pessoas com deficiência. ....................................................................................................... 51
Educação para as relações étnico-raciais. ...................................................................................................................................................... 65
Decreto federal nº 65.810, de 8 de dezembro de 1969 (promulga a Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas
as Formas de Discriminação Racial). O Decreto federal nº 4.738, de 12 de junho de 2003 (reitera a Convenção Interna-
cional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial)........................................................................................... 69
Educação e trabalho: o trabalho como princípio educativo. .................................................................................................................. 75
Ação da escola, protagonismo juvenil. ........................................................................................................................................................... 78
A Lei estadual nº 13.559, de 11 de maio de 2016: o Plano Estadual de Educação. ...................................................................... 81
A avaliação da Educação Básica. ....................................................................................................................................................................... 98
As licenciaturas interdisciplinares como paradigma atual da formação docente. .......................................................................105
Os movimentos de aproximação entre a educação básica e educação superior na Bahia no momento presente: contexto
do Decreto estadual nº 16.718, de 11 de maio de 2016. ......................................................................................................................108
O paradigma da supralegalidade como norma constitucional para os tratados dos direitos humanos: sua importância
para os sistemas de educação e para a cultura escolar. .........................................................................................................................112
Legislação educacional: principais marcos regulatórios da Educação Básica: a) A LDB – Lei federal nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996 e Lei federal nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017 que converte a MP 746 em alterações na LDB; a
Lei federal nº 11.494, 20 de junho de 2007 e as demais normativas legais sobre o FUNDEB; ...............................................115
b) as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica do Conselho Nacional de Educação – DCNs (para a edu-
cação infantil, para a educação de jovens e adultos, para o ensino fundamental, para o ensino médio, para a educação
profissional, para a educação do campo, para a educação especial, para a educação das relações étnico-raciais, para a
educação quilombola, para a educação escolar indígena, para o ensino fundamental de 9 anos), a Resolução CNE/CEB
nº. 4/2010. ................................................................................................................................................................................................................126
Constituição Federal. ............................................................................................................................................................................................188
Documentos orientadores da Secretaria da Educação do Estado da Bahia: Portaria SEC nº. 6.562/2016 (que dispõe
sobre a sistemática de avaliação do ensino e da aprendizagem das unidades escolares da Rede Estadual de Ensino, em
todas as etapas da Educação Básica e suas modalidades); Portaria SEC/BA nº 1.128/2010 (que institui a Reorganização
Curricular das Escolas da Educação Básica da Rede Pública Estadual) Lei estadual nº 8.261, 29 de maio de 2002, que
dispõe sobre o Estatuto do Magistério Público do Ensino Fundamental e Médio do Estado da Bahia e dá outras provi-
dências.................................................................................................................................................................................................................. 189
O planejamento da Jornada Pedagógica anual da rede pública estadual: função e resultados.............................................203
EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

PROF. SILVANA GUIMARÃES FERREIRA 2. Administrar a progressão das aprendizagens.


- Conceber e administrar situações-problema ajusta-
Bacharel em Direito Especialização em Gestão Empre- das ao nível e as possibilidades dos alunos: em torno da
sarial e Gestão de Projetos; Consultora Empresarial e Coor- resolução de um obstáculo pela classe, propiciando refle-
denadora de Projetos Empresária; Palestrante (área De- xões, desafios, intelectuais, conflitos sociocognitivos;
senvolvimento Pessoal / Atendimento e Vendas / Relações - Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do en-
Comportamentais) sino: dominar a formação do ciclo de aprendizagem, as
fases do conhecimento e do desenvolvimento intelectual
da criança e do adolescente, além do sentimento de res-
ponsabilidade do professor pleno conjunto da formação
AS DIFERENTES CORRENTES DO PENSAMENTO do ensino fundamental;
PEDAGÓGICO BRASILEIRO E AS IMPLICAÇÕES - Estabelecer laços com as teorias subjacentes às ativi-
NA ORGANIZAÇÃO DO SISTEMA DE dades de aprendizagens;
EDUCAÇÃO BRASILEIRO. - Observar e avaliar os alunos em situações de apren-
dizagens;
- Fazer balanços periódicos de competências e tomar
decisões de progressão;
O ofício de professor deve consagrar temas como a - Rumar a ciclos de aprendizagem: interagir grupos de
prática educativa, a profissionalização docente, o trabalho alunos e dispositivos de ensino-aprendizagem.
em equipe, projetos, autonomia e responsabilidades cres-
centes, pedagogias diferenciadas, e propostas concretas. 3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferen-
O autor toma como referencial de competência adotado ciação.
em Genebra, 1996, para uma formação continua. O pro- - Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma
fessor deve dominar saberes a ser ensinado, ser capaz de turma, com o propósito de grupos de necessidades, de
dar aulas, de administrar uma turma e de avaliar. Ressalta projetos e não de homogeneidade;
a urgência de novas competências, devido às transforma- - Abrir, ampliar a gestão de classe para um espaço mais
ções sociais existentes. As tecnologias mudam o trabalho, vasto, organizar para facilitar a cooperação e a geração de
a comunicação, a vida cotidiana e mesmo o pensamento. grupos utilidades;
A prática docência tem que refletir sobre o mundo. Os pro- - Fornecer apoio integrado, trabalhar com alunos por-
fessores são os intelectuais e mediadores, interpretes ati- tadores de grandes dificuldades, sem todavia transforma-
vos da cultura, dos valores e do saber em transformação. se num psicoterapeuta;
Se não se perceberem como depositários da tradição ou - Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas
percursos do futuro, não serão desempenhar esse papel formas simples de ensino mútuo, provocando aprendiza-
por si mesmos. O currículo deve ser orientado para se de- gens através de ações coletivas, criando uma cultura de
signar competências, a capacidade de mobilizar diversos cooperação através de atitudes e da reflexão sobre a ex-
recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações, periência.
etc.) para enfrentar, solucionar uma serie de situações. Dez
domínios de competências reconhecidas como prioritárias 4. Envolver os alunos em sua aprendizagem e em seu
na formação contínua das professoras e dos professores do trabalho.
ensino fundamental. - Suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação
com o saber, o sentido do trabalho escolar e desenvolver
1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem. na criança a capacidade de auto avaliação. O professor
- Conhecer, para determinada disciplina, os conteúdos deve ter em mente o que é ensinar, reforçar a decisão de
a serem ensinados e sua tradução em objetivos de apren- aprender, estimular o desejo de saber, instituindo um con-
dizagem: nos estágios de planejamento didático, da analise selho de alunos e negociar regras e contratos;
posterior e da avaliação. - Oferecer atividades opcionais de formação, à la carte;
- Trabalhar a partir das representações dos alunos: con- - Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno,
siderando o conhecimento do aluno, colocando-se no lu- valorizando-os e reforçando-os a incitar o aluno a realizar
gar do aprendiz, utilizando se de uma competência didáti- projetos pessoais, sem retornar isso um pré-requisito.
ca para dialogar com ele e fazer com que suas concepções
se aproxime dos conhecimentos científicos; 5. Trabalhar em equipe.
- Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à apren- - Elaborar um projeto de equipe, representações co-
dizagem: usando de uma situação-problema ara transpo- muns;
sição didática, considerando o erro, como ferramenta para - Dirigir um grupo de trabalho, conduzir reuniões;
o ensino. - Formar e renovar uma equipe pedagógica;
- Construir e planejar dispositivos e sequências didá- - Enfrentar e analisar em conjunto situações comple-
ticas; xas, práticas e problemas profissionais.
- Envolver os alunos em atividades de pesquisa, em - Administrar crises ou conflitos interpessoais.
projetos de conhecimento.

1
EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

6. Participar da administração da escola. Conclusão: Contribuir para o debate sobe a sua profissio-
- Elaborar, negociar um projeto da instituição; nalização, com responsabilidade numa formação continua.1
- Administrar os recursos da escola;
- Coordenar, dirigir uma escola com todos os seus par- Sabe-se que a prática escolar está sujeita a condicio-
ceiros (serviços para escolares, bairro, associações de pais, nantes de ordem sociopolítica que implicam diferentes
professores de línguas e cultura de origem); concepções de homem e de sociedade e, consequente-
- Organizar e fazer evoluir, no âmbito da escola, a par- mente, diferentes pressupostos sobre o papel da escola e
ticipação dos alunos. da aprendizagem, inter alia. Assim, justifica-se o presente
estudo, tendo em vista que o modo como os professores
7. Informar e envolver os pais. realizam o seu trabalho na escola tem a ver com esses pres-
- Dirigir reuniões de informação e de debate; supostos teóricos, explícita ou implicitamente.
- Fazer entrevistas;  
- Envolver os pais na construção dos saberes. TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS LIBERAIS
Segundo LIBÂNEO (1990), a pedagogia liberal sustenta
8. Utilizar novas tecnologias. a ideia de que a escola tem por função preparar os indi-
As novas tecnologias da informação e da comunicação víduos para o desempenho de papéis sociais, de acordo
transformam as maneiras de se comunicar, de trabalhar, de com as aptidões individuais. Isso pressupõe que o indiví-
decidir e de pensar. O professor predica usar editores de duo precisa adaptar-se aos valores e normas vigentes na
textos, explorando didáticas e programas com objetivos sociedade de classe, através do desenvolvimento da cul-
educacionais. tura individual. Devido a essa ênfase no aspecto cultural,
- Discutir a questão da informática na escola; as diferenças entre as classes sociais não são consideradas,
pois, embora a escola passe a difundir a ideia de igualdade
- Utilizar editores de texto; de oportunidades, não leva em conta a desigualdade de
- Explorar as potencialidades didáticas dos programas condições.
em relação aos objetivos do ensino;
- Comunicar-se à distância por meio da telemática; TENDÊNCIA LIBERAL TRADICIONAL
- Utilizar as ferramentas multimídia no ensino. Segundo esse quadro teórico, a tendência liberal tra-
dicional se caracteriza por acentuar o ensino humanístico,
Assim, quanto à oitava competência de Perrenoud, que de cultura geral. De acordo com essa escola tradicional, o
trabalhos nessa pesquisa, a Informática na Educação, nos aluno é educado para atingir sua plena realização através
fez perceber que cada vez mais precisamos do computa- de seu próprio esforço. Sendo assim, as diferenças de clas-
dor, porque estamos na era da informatização e por isso
se social não são consideradas e toda a prática escolar não
é primordial que nós profissionais da educação estejamos
tem nenhuma relação com o cotidiano do aluno.
modernizados e acompanhando essa tendência, visto que
Quanto aos pressupostos de aprendizagem, a ideia de
assim como um simples pagamento no banco, utilizamos o
que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para
computador , para estarmos atualizados necessitamos ob-
o espírito da criança é acompanhada de outra: a de que a
ter mais esta competência para se fazer uma docência de
capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adul-
qualidade.
to, sem levar em conta as características próprias de cada
9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão. idade. A criança é vista, assim, como um adulto em minia-
- Prevenir a violência na escola e fora dela; tura, apenas menos desenvolvida.
- Lutar contra os preconceitos e as discriminações se- No ensino da língua portuguesa, parte-se da concep-
xuais, étnicas e sociais; ção que considera a linguagem como expressão do pensa-
- Participar da criação de regras de vida comum refe- mento. Os seguidores dessa corrente linguística, em razão
rente á disciplina na escola, às sanções e à apreciação da disso, preocupam-se com a organização lógica do pensa-
conduta; mento, o que presume a necessidade de regras do bem
- Analisar a relação pedagógica, a autoridade, a comu- falar e do bem escrever. Segundo essa concepção de lin-
nicação em aula; guagem, a Gramática Tradicional ou Normativa se constitui
- Desenvolver o senso de responsabilidade, a solidarie- no núcleo dessa visão do ensino da língua, pois vê nessa
dade e o sentimento de justiça. gramática uma perspectiva de normatização linguística,
tomando como modelo de norma culta as obras dos nos-
10. Administrar sua própria formação contínua. sos grandes escritores clássicos. Portanto, saber gramática,
- Saber explicitar as próprias práticas; teoria gramatical, é a garantia de se chegar ao domínio da
- Estabelecer seu próprio balanço de competência e seu língua oral ou escrita.
programa pessoa de formação contínua;
- Negociar um projeto de formação comum com os co-
legas (equipe, escola, rede); 1 Fonte:
- Envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de Perrenoud, Philippe. 10 Novas Competências para Ensinar.
ensino ou do sistema educativo; Porto Alegre: ARTMED, 2000. Reimpressão 2008
- Acolher a formação dos colegas e participar dela.

2
EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

Assim, predomina, nessa tendência tradicional, o ensi- Conforme MATUI (1988), a escola tecnicista, baseada
no da gramática pela gramática, com ênfase nos exercícios na teoria de aprendizagem S-R, vê o aluno como depositá-
repetitivos e de recapitulação da matéria, exigindo uma rio passivo dos conhecimentos, que devem ser acumulados
atitude receptiva e mecânica do aluno. Os conteúdos são na mente através de associações. Skinner foi o expoente
organizados pelo professor, numa sequencia lógica, e a ava- principal dessa corrente psicológica, também conhecida
liação é realizada através de provas escritas e exercícios de como behaviorista. Segundo RICHTER (2000), a visão beha-
casa. viorista acredita que adquirimos uma língua por meio de
imitação e formação de hábitos, por isso a ênfase na repe-
TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA PROGRESSIVISTA tição, nos drills, na instrução programada, para que o aluno
Segundo essa perspectiva teórica de Libâneo, a tendên- forme “hábitos” do uso correto da linguagem.
cia liberal renovada (ou pragmatista) acentua o sentido da A partir da Reforma do Ensino, com a Lei 5.692/71, que
cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. implantou a escola tecnicista no Brasil, preponderaram as
A escola continua, dessa forma, a preparar o aluno para influências do estruturalismo linguístico e a concepção de
assumir seu papel na sociedade, adaptando as necessidades linguagem como instrumento de comunicação. A língua –
do educando ao meio social, por isso ela deve imitar a vida. como diz TRAVAGLIA (1998) – é vista como um código, ou
Se, na tendência liberal tradicional, a atividade pedagógica seja, um conjunto de signos que se combinam segundo re-
estava centrada no professor, na escola renovada progres- gras e que é capaz de transmitir uma mensagem, informa-
sivista, defende-se a ideia de “aprender fazendo”, portanto ções de um emissor a um receptor. Portanto, para os estru-
centrada no aluno, valorizando as tentativas experimentais, turalistas, saber a língua é, sobretudo, dominar o código.
a pesquisa, a descoberta, o estudo do meio natural e social, No ensino da Língua Portuguesa, segundo essa con-
etc, levando em conta os interesses do aluno. cepção de linguagem, o trabalho com as estruturas lin-
Como pressupostos de aprendizagem, aprender se tor- guísticas, separadas do homem no seu contexto social, é
na uma atividade de descoberta, é uma autoaprendizagem, visto como possibilidade de desenvolver a expressão oral e
sendo o ambiente apenas um meio estimulador. Só é retido escrita. A tendência tecnicista é, de certa forma, uma mo-
dernização da escola tradicional e, apesar das contribui-
aquilo que se incorpora à atividade do aluno, através da
ções teóricas do estruturalismo, não conseguiu superar os
descoberta pessoal; o que é incorporado passa a compor a
equívocos apresentados pelo ensino da língua centrado na
estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações.
gramática normativa. Em parte, esses problemas ocorreram
É a tomada de consciência, segundo Piaget.
devido às dificuldades de o professor assimilar as novas
No ensino da língua, essas ideias escolanovistas não
teorias sobre o ensino da língua materna.
trouxeram maiores consequências, pois esbarraram na prá-
tica da tendência liberal tradicional.
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PROGRESSISTAS
Segundo Libâneo, a pedagogia progressista designa as
TENDÊNCIA LIBERAL RENOVADA NÃO-DIRETIVA tendências que, partindo de uma análise crítica das realida-
Acentua-se, nessa tendência, o papel da escola na for- des sociais, sustentam implicitamente as finalidades socio-
mação de atitudes, razão pela qual deve estar mais preo- políticas da educação.
cupada com os problemas psicológicos do que com os
pedagógicos ou sociais. Todo o esforço deve visar a uma TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTADORA
mudança dentro do indivíduo, ou seja, a uma adequação
pessoal às solicitações do ambiente. As tendências progressistas libertadoras e libertárias
Aprender é modificar suas próprias percepções. Ape- têm, em comum, a defesa da autogestão pedagógica e o
nas se aprende o que estiver significativamente relacionado antiautoritarismo. A escola libertadora, também conhecida
com essas percepções. A retenção se dá pela relevância do como a pedagogia de Paulo Freire, vincula a educação à
aprendido em relação ao “eu”, o que torna a avaliação esco- luta e organização de classe do oprimido. Segundo GA-
lar sem sentido, privilegiando-se a auto-avaliação. Trata-se DOTTI (1988), Paulo Freire não considera o papel informati-
de um ensino centrado no aluno, sendo o professor apenas vo, o ato de conhecimento na relação educativa, mas insis-
um facilitador. No ensino da língua, tal como ocorreu com te que o conhecimento não é suficiente se, ao lado e junto
a corrente pragmatista, as ideias da escola renovada não- deste, não se elabora uma nova teoria do conhecimento e
diretiva, embora muito difundidas, encontraram, também, se os oprimidos não podem adquirir uma nova estrutura
uma barreira na prática da tendência liberal tradicional. do conhecimento que lhes permita reelaborar e reordenar
seus próprios conhecimentos e apropriar-se de outros.
TENDÊNCIA LIBERAL TECNICISTA Assim, para Paulo Freire, no contexto da luta de classes,
A escola liberal tecnicista atua no aperfeiçoamento da o saber mais importante para o oprimido é a descoberta
ordem social vigente (o sistema capitalista), articulando-se da sua situação de oprimido, a condição para se libertar da
diretamente com o sistema produtivo; para tanto, emprega exploração política e econômica, através da elaboração da
a ciência da mudança de comportamento, ou seja, a tecno- consciência crítica passo a passo com sua organização de
logia comportamental. Seu interesse principal é, portanto, classe. Por isso, a pedagogia libertadora ultrapassa os limi-
produzir indivíduos “competentes” para o mercado de tra- tes da pedagogia, situando-se também no campo da eco-
balho, não se preocupando com as mudanças sociais. nomia, da política e das ciências sociais, conforme Gadotti.

3
EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

Como pressuposto de aprendizagem, a força motivadora receptor, descendente, top-down, segundo os inatistas, mas
deve decorrer da codificação de uma situação-problema que ascendente/descendente, ou seja, a partir de uma negociação
será analisada criticamente, envolvendo o exercício da abs- de sentido entre enunciador e receptor. Assim, nessa aborda-
tração, pelo qual se procura alcançar, por meio de represen- gem interacionista, o receptor é retirado da sua condição de
tações da realidade concreta, a razão de ser dos fatos. Assim, mero objeto do sentido do texto, de alguém que estava ali
como afirma Libâneo, aprender é um ato de conhecimento para decifrá-lo, decodificá-lo, como ocorria, tradicionalmen-
da realidade concreta, isto é, da situação real vivida pelo edu- te, no ensino da leitura.
cando, e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica As ideias desses psicólogos interacionistas vêm ao
dessa realidade. Portanto o conhecimento que o educando encontro da concepção que considera a linguagem como
transfere representa uma resposta à situação de opressão a forma de atuação sobre o homem e o mundo e das moder-
que se chega pelo processo de compreensão, reflexão e crí- nas teorias sobre os estudos do texto, como a Linguística
tica. Textual, a Análise do Discurso, a Semântica Argumentativa
No ensino da Leitura, Paulo Freire, numa entrevista, sinte- e a Pragmática, entre outros.
tiza sua ideia de dialogismo: “Eu vou ao texto carinhosamente. De acordo com esse quadro teórico de José Carlos Li-
De modo geral, simbolicamente, eu puxo uma cadeira e con- bâneo, deduz-se que as tendências pedagógicas liberais,
vido o autor, não importa qual, a travar um diálogo comigo”. ou seja, a tradicional, a renovada e a tecnicista, por se de-
clararem neutras, nunca assumiram compromisso com as
TENDÊNCIA PROGRESSISTA LIBERTÁRIA transformações da sociedade, embora, na prática, procu-
A escola progressista libertária parte do pressuposto de rassem legitimar a ordem econômica e social do sistema
que somente o vivido pelo educando é incorporado e utiliza- capitalista. No ensino da língua, predominaram os méto-
do em situações novas, por isso o saber sistematizado só terá dos de base ora empirista, ora inatista, com ensino da gra-
relevância se for possível seu uso prático. A ênfase na apren- mática tradicional, ou sob algumas as influências teóricas
dizagem informal via grupo, e a negação de toda forma de do estruturalismo e do gerativismo, a partir da Lei 5.692/71,
repressão, visam a favorecer o desenvolvimento de pessoas da Reforma do Ensino.
mais livres. No ensino da língua, procura valorizar o texto pro- Já as tendências pedagógicas progressistas, em oposi-
duzido pelo aluno, além da negociação de sentidos na leitura. ção às liberais, têm em comum a análise crítica do sistema
capitalista. De base empirista (Paulo Freire se proclamava
TENDÊNCIA PROGRESSISTA CRÍTICO-SOCIAL DOS CON- um deles) e marxista (com as ideias de Gramsci), essas ten-
TEÚDOS dências, no ensino da língua, valorizam o texto produzido
Conforme Libâneo, a tendência progressista crítico-social pelo aluno, a partir do seu conhecimento de mundo, assim
dos conteúdos, diferentemente da libertadora e libertária, como a possibilidade de negociação de sentido na leitura.
acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto com as A partir da LDB 9.394/96, principalmente com as difu-
realidades sociais. A atuação da escola consiste na preparação sões das idéias de Piaget, Vygotsky e Wallon, numa pers-
do aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecen- pectiva sócio-histórica, essas teorias buscam uma aproxi-
do-lhe um instrumental, por meio da aquisição de conteúdos mação com modernas correntes do ensino da língua que
e da socialização, para uma participação organizada e ativa na consideram a linguagem como forma de atuação sobre o
democratização da sociedade. homem e o mundo, ou seja, como processo de interação
Na visão da pedagogia dos conteúdos, admite-se o prin- verbal, que constitui a sua realidade fundamental.
cípio da aprendizagem significativa, partindo do que o alu-
no já sabe. A transferência da aprendizagem só se realiza no TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS BRASILEIRAS
momento da síntese, isto é, quando o aluno supera sua visão As tendências pedagógicas brasileiras foram muito in-
parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. fluenciadas pelo momento cultural e político da sociedade,
pois foram levadas à luz graças aos movimentos sociais e
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS PÓS-LDB 9.394/96 filosóficos. Essas formaram a prática pedagógica do país.
Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de Os professores Saviani (1997) e Libâneo (1990) pro-
n.º 9.394/96, revalorizam-se as ideias de Piaget, Vygotsky e põem a reflexão sobre as tendências pedagógicas. Mos-
Wallon. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é trando que as principais tendências pedagógicas usadas
o fato de serem interacionistas, porque concebem o conhe- na educação brasileira se dividem em duas grandes linhas
cimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito de pensamento pedagógico. Elas são: Tendências Liberais e
e um objeto. De acordo com Aranha (1998), o conhecimento Tendências Progressistas.
não está, então, no sujeito, como queriam os inatistas, nem no Os professores devem estudar e se apropriar dessas
objeto, como diziam os empiristas, mas resulta da interação tendências, que servem de apoio para a sua prática peda-
entre ambos. gógica. Não se deve usar uma delas de forma isolada em
toda a sua docência. Mas, deve-se procurar analisar cada
Para citar um exemplo no ensino da língua, segundo essa uma e ver a que melhor convém ao seu desempenho aca-
perspectiva interacionista, a leitura como processo permite a dêmico, com maior eficiência e qualidade de atuação. De
possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. O acordo com cada nova situação que surge, usa-se a ten-
processo de leitura, portanto, não é centrado no texto, as- dência mais adequada. E observa-se que hoje, na prática
cendente, bottom-up, como queriam os empiristas, nem no docente, há uma mistura dessas tendências.

4
EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

Deste modo, seguem as explicações das características Libertária – Procura a transformação da personalidade
de cada uma dessas formas de ensino. Porém, ao analisá num sentido libertário e autogestionário. Parte do pressu-
-las, deve-se ter em mente que uma tendência não substitui posto de que somente o vivido pelo educando é incorpo-
totalmente a anterior, mas ambas conviveram e convivem rado e utilizado em situações novas, por isso o saber siste-
com a prática escolar. matizado só terá relevância se for possível seu uso prático.
Enfoca a livre expressão, o contexto cultural, a educação
Tendências Liberais - Liberal não tem a ver com algo estética. Os conteúdos, apesar de disponibilizados, não são
aberto ou democrático, mas com uma instigação da so- exigidos pelos alunos e o professor é tido como um conse-
ciedade capitalista ou sociedade de classes, que sustenta a lheiro à disposição do aluno.
ideia de que o aluno deve ser preparado para papéis sociais “Crítico-social dos conteúdos” ou “Histórico-Crítica”
de acordo com as suas aptidões, aprendendo a viver em - Tendência que apareceu no Brasil nos fins dos anos 70,
harmonia com as normas desse tipo de sociedade, tendo acentua a prioridade de focar os conteúdos no seu con-
uma cultura individual. fronto com as realidades sociais, é necessário enfatizar o
Tradicional - Foi a primeira a ser instituída no Brasil por conhecimento histórico. Prepara o aluno para o mundo
motivos históricos. Nesta tendência o professor é a figura adulto, com participação organizada e ativa na democra-
central e o aluno é um receptor passivo dos conhecimen- tização da sociedade; por meio da aquisição de conteúdos
tos considerados como verdades absolutas. Há repetição de e da socialização. É o mediador entre conteúdos e alunos.
exercícios com exigência de memorização. O ensino/aprendizagem tem como centro o aluno. Os co-
Renovadora Progressiva - Por razões de recomposição nhecimentos são construídos pela experiência pessoal e
da hegemonia da burguesia, esta foi a próxima tendência subjetiva.
a aparecer no cenário da educação brasileira. Caracteriza- Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
se por centralizar no aluno, considerado como ser ativo e (LDB 9.394/96), ideias como de Piaget, Vygotsky e Wallon
curioso. Dispõe da ideia que ele “só irá aprender fazendo”, foram muito difundidas, tendo uma perspectiva sócio-his-
valorizam-se as tentativas experimentais, a pesquisa, a des- tórica e são interacionistas, isto é, acreditam que o conhe-
coberta, o estudo do meio natural e social. Aprender se tor-
cimento se dá pela interação entre o sujeito e um objeto.
na uma atividade de descoberta, é uma autoaprendizagem.
Alguns dos principais expoentes da história educacio-
O professor é um facilitador.
nal nacional e internacional debruçaram-se sobre a ques-
Renovadora não diretiva (Escola Nova) – Anísio Teixeira foi
tão das tendências pedagógicas. Autores como Paulo Frei-
o grande pioneiro da Escola Nova no Brasil. É um método cen-
re, Luckesi, Libâneo, Saviani e Gadotti, entre outros não me-
trado no aluno. A escola tem o papel de formadora de atitudes,
nos importantes, dedicaram grande parte de suas vidas a
preocupando-se mais com a parte psicológica do que com a
social ou pedagógica. E para aprender tem que estar significa- estudos que pudessem contribuir para o avanço da Educa-
tivamente ligado com suas percepções, modificando-as. ção, desenvolvendo teorias para nortear as práticas peda-
Tecnicista – Skinner foi o expoente principal dessa cor- gógicas, objetivando melhorar a qualidade do ensino que é
rente psicológica, também conhecida como behaviorista. aplicado nas escolas. Essa é a função das tendências peda-
Neste método de ensino o aluno é visto como depositário gógicas no universo educacional. O que se pretende neste
passivo dos conhecimentos, que devem ser acumulados na trabalho é justamente trazer à tona essa questão, erguendo
mente através de associações. O professor é quem deposi- a bandeira das tendências pedagógicas contemporâneas,
ta os conhecimentos, pois ele é visto como um especialista buscando, assim, contribuir para uma melhor assimilação
na aplicação de manuais; sendo sua prática extremamente delas por parte de alguns professores de escolas públicas.
controlada. Articula-se diretamente com o sistema produ-
tivo, com o objetivo de aperfeiçoar a ordem social vigente, A relação entre as tendências pedagógicas e a prática
que é o capitalismo, formando mão de obra especializada docente
para o mercado de trabalho. As tendências pedagógicas são de extrema relevân-
Tendências Progressistas - Partem de uma análise crítica cia para a Educação, principalmente as mais recentes, pois
das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalida- contribuem para a condução de um trabalho docente mais
des sociopolíticas da educação e é uma tendência que con- consciente, baseado nas demandas atuais da clientela em
diz com as ideias implantadas pelo capitalismo. O desenvol- questão. O conhecimento dessas tendências e perspectivas
vimento e popularização da análise marxista da sociedade de ensino por parte dos professores é fundamental para a
possibilitou o desenvolvimento da tendência progressista, realização de uma prática docente realmente significativa,
que se ramifica em três correntes: que tenha algum sentido para o aluno, pois tais tendên-
Libertadora – Também conhecida como a pedagogia cias objetivam nortear o trabalho do educador, ajudando-o
de Paulo Freire, essa tendência vincula a educação à luta e a responder a questões sobre as quais deve se estruturar
organização de classe do oprimido. Onde, para esse, o sa- todo o processo de ensino, tais como: o que ensinar? Para
ber mais importante é a de que ele é oprimido, ou seja, ter quem? Como? Para quê? Por quê?
uma consciência da realidade em que vive. Além da busca E para que a prática pedagógica em sala de aula alcan-
pela transformação social, a condição de se libertar através ce seus objetivos, o professor deve ter as respostas para
da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua essas questões, pois, como defende Luckesi (1994), “a Pe-
organização de classe. Centraliza-se na discussão de temas dagogia não pode ser bem entendida e praticada na escola
sociais e políticos; o professor coordena atividades e atua sem que se tenha alguma clareza do seu significado. Isso
juntamente com os alunos. nada mais é do que buscar o sentido da prática docente”.

5
EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

Essas tendências pedagógicas, formuladas ao longo dos Redentora, a Educação Reprodutora e a Educação Transfor-
tempos por diversos teóricos que se debruçaram sobre o madora da sociedade. A primeira é otimista, acredita que a
tema, foram concebidas com base nas visões desses pensa- educação pode exercer domínio sobre a sociedade (peda-
dores em relação ao contexto histórico das sociedades em gogias liberais). A segunda é pessimista, percebe a educa-
que estavam inseridos, além de suas concepções de homem ção como sendo apenas reprodutora de um modelo social
e de mundo, tendo como principal objetivo nortear o tra- vigente, enquanto a terceira tendência assume uma postura
balho docente, modelando-o a partir das necessidades de crítica com relação às duas anteriores, indo de encontro tanto
ensino observadas no âmbito social em que viviam. ao “otimismo ilusório” quanto ao “pessimismo imobilizador”
Sendo assim, o conhecimento dessas correntes peda- (Pedagogias Progressivistas).
gógicas por parte dos professores, principalmente as mais Em consonância com estas leituras filosóficas sobre as re-
recentes, torna-se de extrema relevância, visto que possibili- lações entre educação e sociedade, Libâneo (1985), ao realizar
tam ao educador um aprofundamento maior sobre os pres- uma abordagem das tendências pedagógicas, organiza as di-
supostos e variáveis do processo de ensino-aprendizagem, ferentes pedagogias em dois grupos: Pedagogia Liberal e Pe-
abrindo-lhe um leque de possibilidades de direcionamento dagogia Progressivista. A Pedagogia Liberal é apresentada nas
do seu trabalho a partir de suas convicções pessoais, profis- formas Tradicional; Renovada Progressivista; Renovada Não
sionais, políticas e sociais, contribuindo para a produção de diretiva; e Tecnicista. A Pedagogia Progressivista é subdividida
uma prática docente estruturada, significativa, esclarecedora em Libertadora; Libertária; e Crítico-social dos Conteúdos. 2
e, principalmente, interessante para os educandos.
A escola precisa ser reencantada, precisa encontrar moti-
vos para que o aluno vá para os bancos escolares com satis-
fação, alegria. Existem escolas esperançosas, com gente ani- A DIDÁTICA E O PROCESSO DE ENSINO/
mada, mas existe um mal-estar geral na maioria delas. Não APRENDIZAGEM: PLANEJAMENTO,
acredito que isso seja trágico. Essa insatisfação deve ser apro- ESTRATÉGIAS, METODOLOGIAS E AVALIAÇÃO
veitada para dar um salto. Se o mal-estar for trabalhado, ele DA APRENDIZAGEM.
permite avanços. Se for aceito como fatalidade, ele torna a
escola um peso morto na história, que arrasta as pessoas e as
impede de sonhar, pensar e criar (Moacir Gadotti, em entre- À primeira vista, a definição do que é ensino e aprendizagem
vista para a revista Nova Escola, edição de novembro/2000). parece ser simples, mas existem profundas diferenças entre epis-
Desse modo, creio que seja essencial que todos os profes- temologias das abordagens da psicologia e da pedagogia. Desde
sores tenham um conhecimento mais aprofundado das tendên- o século 19 suas definições tem sofrido muitas alterações e de
cias pedagógicas, pois elas foram concebidas para nortear as fato, tem se dado ênfase as teorias baseadas em evidencias como
práticas pedagógicas. O educador deve conhecê-las, principal- o Behaviorismo seguido pelo  Construtivismo e o Cognitivismo.
mente as mais recentes, ainda que seja para negá-las, mas de A luz do Behaviorismo Radical podemos dizer que to-
forma crítica e consciente, ou, quem sabe, para utilizar os pon- dos os fenômenos humanos podem e devem ser entendi-
tos positivos observados em cada uma delas para construir uma dos como comportamentos, portanto, processos de ensino e
base pedagógica própria, mas com coerência e propriedade. aprendizagem também devem ser vistos como uma série de
Afinal, como já defendia Snyders (1974), é possível “pen- comportamentos que entrelaçados, geram uma consequência
sar que se pode abrir um caminho a uma pedagogia atual; especifica que pode ser compreendida como a modelagem de
que venha fazer a síntese do tradicional e do moderno: sín- novos repertórios comportamentais pelo educador em dire-
tese e não confusão”. O importante é que se busque tirar a ção ao aluno que o absorve em forma de aprendizagem.
venda dos olhos para enxergar, literalmente, o alunado e as- Dentro da psicologia de forma geral, existem diversas teo-
sim poder dar um sentido político e social ao trabalho que rias e formas de se entender o processo de ensino e apren-
está sendo realizado, pois, como afirma Libâneo, aprender é dizagem. Basicamente as explicações se devem mais a epis-
um ato de conhecimento da realidade concreta, isto é, da si- temologia da escola psicológica que a quer definir do que a
tuação real vivida pelo educando, e só tem sentido se resulta leis gerais e amplas de entendimento aceitas por uma classe
de uma aproximação crítica dessa realidade, o que está em de profissionais, seja da psicologia, seja da pedagogia. Skinner
consonância com o que diz Saviani (1991): a Pedagogia Críti- define aprendizagem em seu artigo Are the Theories of Lear-
ca implica a clareza dos determinantes sociais da educação, a ning Necessary? (1950) como uma mudança na probabilidade
compreensão do grau em que as contradições da sociedade de uma resposta especifica. Diferentemente de algumas es-
marcam a educação e, consequentemente, como é preciso se colas da psicologia, Skinner não apenas considera o aparelho
posicionar diante dessas contradições e desenredar a educa- biológico do estudante, mas também considera que além do
ção das visões ambíguas para perceber claramente qual é a aparato biológico (Variável Filogenética), existe um ambiente
direção que cabe imprimir à questão educacional. externo ao organismo que em determinadas condições, sejam
Para Luckesi (1994), a “Pedagogia se delineia a partir de elas planejadas ou não, ajudam ou atrapalham na instalação
uma posição filosófica definida”. Em seu livro Filosofia da de novos repertórios e mudança nas taxas de resposta emiti-
Educação, o autor discorre sobre a relação existente entre das ( Variável Ontogenética e Variável Cultural ). Skinner então
a Pedagogia e a Filosofia e busca clarificar as perspectivas chamou a interação entre a variável filogenética, ontogenética
das relações entre educação e sociedade. No seu trabalho, e cultural de Níveis de Seleção do Comportamento.
Luckesi apresenta três tendências filosóficas responsáveis por
interpretar a função da educação na sociedade: a Educação 2 Texto adaptado de Delcio Barros da Silva

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EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

A noção de interação constante entre organismo e ção aversiva e o comportamento de não aprender aparece,
ambiente está presente na obra de Skinner fazendo com seja por fuga-esquiva, seja por agressão direta ao profes-
que a sua teoria de aprendizagem se torne essencialmente sor. Para Skinner o professor é o responsável pelo ensino
interacionista e não ambientalista, e derruba criticas que de repertórios comportamentais de forma mais rápida, efi-
apenas é baseada em eventos observáveis e com a noção ciente e que se não for por modelagem direta, de certo
de homem que apenas responde passivamente a estímu- não seriam aprendidos de outra forma. Segundo a aborda-
los como erroneamente tem se pregado em clara confu- gem comportamental o método mais eficiente de ensino
são entre a Teoria Behaviorista Metodológica de J. B. Wat- é simplesmente arranjar contingências de reforço para o
son (1878-1958) e o Behaviorismo Radical de B. F. Skinner comportamento de aprender. Segundo os defensores des-
(1904-1990). sa abordagem, o que falta nas escolas é o reforço positivo.
A abordagem Skineriana como citado por HUBNER Criando-se condições mais favoráveis de ensino ba-
(pág. 48) defende a escola como instituição facilitadora do seadas em reforço positivo e não em coerção, a tendência
ensino, pois para existir comportamento é necessário uma é que o processo de aprendizagem se torne mais efetivo
interação entre organismo e ambiente e dessa interação por parte do aluno e mais prazeroso do ponto de vista do
certos repertórios vão ser selecionados pelas suas conse- educador criando então um ambiente propicio para o pro-
quências. Para que haja uma maior eficiência na transmis- cesso ensino-aprendizagem adequado. Segundo Skinner (
são de repertórios comportamentais, a escola pode fazer citado por Milhollan & Forisha; 1972) o papel principal da
a modelagem dos mesmos sem que seja essencialmente escola seria de acelerar o processo de transmissão de co-
necessária a seleção por consequências, tornando o ensino nhecimento modelando grande quantidade de respostas
mais rápido e efetivo. colocando o comportamento de aprender sobre numero-
O ensino é importante do ponto de vista cultural, pois sos controles de estímulos. O educador baseado em uma
o educador passa o conhecimento que já aprendeu e que estratégia comportamental tem a sua disposição ferramen-
foi passado de individuo para individuo historicamente de tas importantes capazes de aumentar a probabilidade do
alguém que em algum momento não foi ensinado, portan- comportamento de aprender arranjando contingências
to não precisando mais sofrer as limitações e dificuldades adequadas ao ensino.
enfrentadas pelo primeiro organismo a ter seu repertório A análise do comportamento tem estabelecido leis ge-
selecionado. O processo de transmissão de conhecimento rais do comportamento que podem ser utilizadas a favor
já não depende mais da tentativa e erro e da seleção por do educador como os procedimentos de reforçamento, os
consequências, potencializando, portanto a instalação de estudos sobre controle coercitivo, procedimento e efeitos
repertórios comportamentais. Skinner diz que ensinar é o colaterais da punição, controle de estímulos, equivalência,
ato de facilitar a aprendizagem, no sentido de que quem análise de contingências entre outros procedimentos fa-
é ensinado aprende mais rapidamente do que quem não cilitadores do processo de ensino-aprendizagem. Alguns
é (1972, p. 4). Segundo HÜBNER, (1998) as contingências educadores têm como forma de ensinar um método de
predominantes nas escolas, de acordo com a perspectiva passar conhecimento e esperam que com isso os alunos o
comportamental (ou behaviorista) vêm afastando o aluno absorvam sem considerar que cada organismo é diferente
da sala de aula, no sentido de punir muito mais do que re- e portanto precisa de ritmos, espaços, estratégias e tem-
forçar positivamente o que o aluno faz na direção do saber. pos diferentes para aprender. Tal método que basicamente
Essas contingências predominantes como nos diz força o individuo a decorar aquilo que lhe é passado não
HUBNER (1998) se referem a praticas de punição com bai- é uma estratégia de ensino inteligente já que não é basea-
xa frequência de uso de reforçadores positivos na pratica da em reforçamento positivo e sim em controle aversivo.  E
dos educadores. Tal uso indiscriminado de punição causa como nos diz SIDMAN (1995), a coerção gera estados de
como efeito colateral uma evasão escolar cada vez mais contra controle e de fuga esquiva além de estimular res-
alta com notável aversão ao ambiente escolar com alunos postas alternativas as esperadas.
se utilizando de frases como “aprender é pouco legal, as Skinner brilhantemente fecha a questão de forçar o es-
aulas são chatas, os colegas não gostam de aprender etc…” tudante a aprender por métodos coercitivos quando diz:
como apontam CALDAS, 2000 e HÜBNER, 1998. A Análise “Você não pode impor felicidade. Você em ultima instancia,
do Comportamento apoiada pela sua filosofia da ciência não pode impor coisa alguma. Nós não usamos a força!
conhecida como behaviorismo Radical tem em seu corpo Tudo que precisamos é de uma engenharia comportamen-
de conhecimento estratégias de ensino poderosas que po- tal adequada. (Skinner, 1948, p149)”3
dem de fato contribuir com o processo de aprendizagem. Nas palavras do educador Paulo Freire, não existe en-
Um dos maiores expoentes da psicologia da apren- sino sem aprendizagem. Para ele e para vários educadores
dizagem, Fred Keller propõe um ensino individualizado contemporâneos, educar alguém é um processo dialógi-
defendendo com isso que problemas comumente vistos co, um intercâmbio constante. Nessa relação educador e
dentro das escolas como a coerção e a punição sejam mi- educando trocam de papeis o tempo inteiro: o educando
nimizados ou mesmo sanados. No contexto educacional, o aprende ao passo que ensina seu educador e o educador
controle aversivo pode desencadear tentativas de buscar ensina e aprende com seu estudante.
alivio ou escapar desses estímulos que causam sofrimento
(Skinner, 1990; Sidman, 1995; Oliveira, 1998). O contra con- 3 www.psicologiaeciencia.com.br – Texto adaptado de
trole aparece na tentativa de evitar e eliminar a estimula- Marcelo C. Souza

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EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

Ainda para Freire, no processo pedagógico, alunos e b.      Aprendizagem organizada: É aquela que tem por
professores devem assumir seus papeis conscientemente finalidade específica aprender determinados conhecimen-
– não são apenas sujeitos do “ensinar” e do “aprender”, e tos, habilidades e normas de convivência social. Este tipo de
sim, seres humanos com histórias e trajetórias únicas. Para aprendizagem é transmitido pela escola, que é uma orga-
o educador, no processo de ensino-aprendizagem é pre- nização intencional, planejada e sistemática, as finalidades
ciso reconhecer o Outro (professor e aluno) em toda sua e condições da aprendizagem escolar é tarefa específica do
complexidade, em suas esferas biológicas, sociais, culturais, ensino (LIBÂNEO, 1994. Pág. 82).
afetivas, linguísticas entre outras. Esses tipos de aprendizagem tem grande relevância na
O ensino-aprendizagem promove o diálogo entre o assimilação ativa dos indivíduos, favorecendo um conheci-
conteúdo curricular (formal) e os conteúdos únicos (vivên- mento a partir das circunstâncias vivenciadas pelo mesmo.
cias, história, individualidade) tanto do professor quanto do O processo de assimilação de determinados conheci-
estudante.4 mentos, habilidades, percepção e reflexão é desenvolvido
por meios atitudinais, motivacionais e intelectuais do aluno,
Didática é considerada como arte e ciência do ensi- sendo o professor o principal orientador desse processo de
no, o objetivo deste artigo é analisar o processo didático assimilação ativa, é através disso que se pode adquirir um
educativo e suas contribuições positivas para um melhor melhor entendimento, favorecendo um desenvolvimento
desempenho no processo de ensino-aprendizagem. Como cognitivo.
arte a didática não objetiva apenas o conhecimento por Através do ensino podemos compreender o ato de
conhecimento, mas procura aplicar os seus próprios prin- aprender que é o ato no qual assimilamos mentalmente os
cípios com a finalidade de desenvolver no individuo as ha- fatos e as relações da natureza e da sociedade. Esse proces-
bilidades cognoscitivas, tornando-os críticos e reflexivos, so de assimilação de conhecimentos é resultado da refle-
desenvolvendo assim um pensamento independente. xão proporcionada pela percepção prático-sensorial e pelas
Nesse Artigo abordamos esse assunto acerca das vi- ações mentais que caracterizam o pensamento (Libâneo,
sões de Libâneo (1994), destacando as relações e os pro- 1994). Entendida como fundamental no processo de ensino
a assimilação ativa desenvolve no individuo a capacidade de
cessos didáticos de ensino e aprendizagem, o caráter edu-
lógica e raciocínio, facilitando o processo de aprendizagem
cativo e crítico desse processo de ensino, levando em con-
do aluno.
sideração o trabalho docente além da organização da aula
Sempre estamos aprendendo, seja de maneira sistemá-
e seus componentes didáticos do processo educacional
tica ou de forma espontânea, teoricamente podemos dizer
tais como objetivos, conteúdos, métodos, meios de ensi-
que há dois níveis de aprendizagem humana: o reflexo e o
no e avaliação. Concluímos o nosso trabalho ressaltando a
cognitivo. O nível reflexo refere-se às nossas sensações pelas
importância da didática no processo educativo de ensino e
quais desenvolvemos processos de observação e percepção
aprendizagem. das coisas e nossas ações físicas no ambiente. Este tipo de
aprendizagem é responsável pela formação de hábitos sen-
1.0 PROCESSOS DIDÁTICOS BÁSICOS, ENSINO E sório motor (Libâneo, 1994).
APRENDIZAGEM. O nível cognitivo refere-se à aprendizagem de determi-
A Didática é o principal ramo de estudo da pedagogia, nados conhecimentos e operações mentais, caracterizada
pois ela situa-se num conjunto de conhecimentos pedagó- pela apreensão consciente, compreensão e generalização das
gicos, investiga os fundamentos, as condições e os modos propriedades e relações essenciais da realidade, bem como
de realização da instrução e do ensino, portanto é consi- pela aquisição de modos de ação e aplicação referentes a es-
derada a ciência de ensinar. Nesse contexto, o professor sas propriedades e relações (Libâneo, 1994). De acordo com
tem como papel principal garantir uma relação didática esse contexto podemos despertar uma aprendizagem autô-
entre ensino e aprendizagem através da arte de ensinar, noma, seja no meio escolar ou no ambiente em que estamos.
pois ambos fazem parte de um mesmo processo. Segundo Pelo meio cognitivo, os indivíduos aprendem tanto pelo
Libâneo (1994), o professor tem o dever de planejar, dirigir contato com as coisas no ambiente, como pelas palavras que
e controlar esse processo de ensino, bem como estimular designam das coisas e dos fenômenos do ambiente. Portan-
as atividades e competências próprias do aluno para a sua to as palavras são importantes condições de aprendizagem,
aprendizagem. pois através delas são formados conceitos pelos quais pode-
A condição do processo de ensino requer uma clara mos pensar.
e segura compreensão do processo de aprendizagem, ou O ensino é o principal meio de progresso intelectual
seja, deseja entender como as pessoas aprendem e quais dos alunos, através dele é possível adquirir conhecimentos
as condições que influenciam para esse aprendizado. Sen- e habilidades individuais e coletivas. Por meio do ensino, o
do assim Libâneo (1994) ressalta que podemos distinguir professor transmite os conteúdos de forma que os alunos as-
a aprendizagem em dois tipos: aprendizagem casual e a similem esse conhecimento, auxiliando no desenvolvimento
aprendizagem organizada. intelectual, reflexivo e crítico.
a.      Aprendizagem casual: É quase sempre espontâ- Por meio do processo de ensino o professor pode al-
nea, surge naturalmente da interação entre as pessoas com cançar seu objetivo de aprendizagem, essa atividade de en-
o ambiente em que vivem, ou seja, através da convivência sino está ligada à vida social mais ampla, chamada de prática
social, observação de objetos e acontecimentos. social, portanto o papel fundamental do ensino é mediar à
4 www.educacaointegral.com.br relação entre indivíduos, escola e sociedade.

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EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

1.1 O CARÁTER EDUCATIVO DO PROCESSO DE ENSINO • Orientar as tarefas de ensino para objetivo educa-
E O ENSINO CRÍTICO. tivo de formação da personalidade, isto é, ajudar os alunos
De acordo com Libâneo (1994), o processo de ensino, a escolherem um caminho na vida, a terem atitudes e con-
ao mesmo tempo em que realiza as tarefas da instrução de vicções que norteiem suas opções diante dos problemas e
crianças e jovens, também é um processo educacional. situações da vida real (LIBÂNEO, 1994, Pág. 71).
No desempenho de sua profissão, o professor deve ter Além dos objetivos da disciplina e dos conteúdos, é fun-
em mente a formação da personalidade dos alunos, não damental que o professor tenha clareza das finalidades que
apenas no aspecto intelectual, como também nos aspectos ele tem em mente, a atividade docente tem a ver diretamen-
morais, afetivos e físicos. Como resultado do trabalho esco- te com “para que educar”, pois a educação se realiza numa
lar, os alunos vão formando o senso de observação, a ca- sociedade que é formada por grupos sociais que tem uma
pacidade de exame objetivo e crítico de fatos e fenômenos visão diferente das finalidades educativas.
da natureza e das relações sociais, habilidades de expressão Para Libâneo (1994), a didática trata dos objetivos, con-
verbal e escrita. A unidade instrução-educação se reflete, as- dições e meios de realização do processo de ensino, ligando
sim, na formação de atitudes e convicções frente à realidade, meios pedagógico-didáticos a objetivos sócio-políticos. Não
no transcorrer do processo de ensino. há técnica pedagógica sem uma concepção de homem e
O processo de ensino deve estimular o desejo e o gosto de sociedade, sem uma competência técnica para realiza-la
pelo estudo, mostrando assim a importância do conheci- educacionalmente, portanto o ensino deve ser planejado e
mento para a vida e o trabalho, (LIBÂNEO, 1994). ter propósitos claros sobre suas finalidades, preparando os
Nesse processo o professor deve criar situações que es- alunos para viverem em sociedade.
timule o indivíduo a pensar, analisar e relacionar os aspectos É papel de o professor planejar a aula, selecionar, or-
estudados com a realidade que vive. Essa realização cons- ganizar os conteúdos de ensino, programar atividades, criar
ciente das tarefas de ensino e aprendizagem é uma fonte de condições favoráveis de estudo dentro da sala de aula, es-
convicções, princípios e ações que irão relacionar as práticas timular a curiosidade e criatividade dos alunos, ou seja, o
educativas dos alunos, propondo situações reais que faça professor dirige as atividades de aprendizagem dos alunos a
com que os individuo reflita e analise de acordo com sua fim de que estes se tornem sujeitos ativos da própria apren-
realidade (TAVARES, 2011). dizagem.
Entretanto o caráter educativo está relacionado aos ob- Entretanto é necessário que haja uma interação mútua
jetivos do ensino crítico e é realizado dentro do processo de entre docentes e discentes, pois não há ensino se os alunos
ensino. È através desse processo que acontece a formação não desenvolverem suas capacidades e habilidades mentais.
da consciência crítica dos indivíduos, fazendo-os pensar in- Podemos dizer que o processo didático se baseia no
dependentemente, por isso o ensino crítico, chamado as- conjunto de atividades do professor e dos alunos, sob a
sim por implicar diretamente nos objetivos sócio-políticos e direção do professor, para que haja uma assimilação ativa
pedagógicos, também os conteúdos, métodos escolhidos e de conhecimentos e desenvolvimento das habilidades dos
organizados mediante determinada postura frente ao con- alunos. Como diz Libâneo (1994), é necessário para o plane-
texto das relações sociais vigentes da prática social, (LIBÂ- jamento de ensino que o professor compreenda as relações
NEO, 1994). entre educação escolar, os objetivos pedagógicos e tenha
È através desse ensino crítico que os processos mentais um domínio seguro dos conteúdos ao qual ele leciona, sen-
são desenvolvidos, formando assim uma atitude intelectual. do assim capaz de conhecer os programas oficiais e adequá
Nesse contexto os conteúdos deixam de serem apenas ma- -los ás necessidades reais da escola e de seus alunos.
térias, e passam então a ser transmitidos pelo professor aos Um professor que aspira ter uma boa didática necessita
seus alunos formando assim um pensamento independente, aprender a cada dia como lidar com a subjetividade do alu-
para que esses indivíduos busquem resolver os problemas no, sua linguagem, suas percepções e sua prática de ensino.
postos pela sociedade de uma maneira criativa e reflexiva. Sem essas condições o professor será incapaz de elaborar
problemas, desafios, perguntas relacionadas com os conteú-
1.2 A DIDÁTICA E O TRABALHO DOCENTE dos, pois essas são as condições para que haja uma aprendi-
Como vimos anteriormente à didática estuda o processo zagem significativa. No entanto para que o professor atinja
de ensino no seu conjunto, no qual os objetivos, conteúdos efetivamente seus objetivos, é preciso que ele saiba realizar
fazem parte, de modo a criar condições que garantam uma vários processos didáticos coordenados entre si, tais como
aprendizagem significativa dos alunos. Ela ajuda o professor o planejamento, a direção do ensino da aprendizagem e da
na direção, orientação das tarefas do ensino e da aprendi- avaliação (LIBÂNEO, 1994).
zagem, dando a ele uma segurança profissional. Segundo
Libâneo (1994), o trabalho docente também chamado de 1.3 A ORGANIZAÇÃO DA AULA E SEUS COMPONENTES
atividade pedagógica tem como objetivos primordiais: DIDÁTICOS DO PROCESSO EDUCACIONAL
• Assegurar aos alunos o domínio mais seguro e du- A aula é a forma predominante pela qual é organizado
radouro possível dos conhecimentos científicos; o processo de ensino e aprendizagem. É o meio pelo qual o
• Criar as condições e os meios para que os alunos professor transmite aos seus alunos conhecimentos adquiri-
desenvolvam capacidades e habilidades intelectuais de do no seu processo de formação, experiências de vida, con-
modo que dominem métodos de estudo e de trabalho inte- teúdos específicos para a superação de dificuldades e meios
lectual visando a sua autonomia no processo de aprendiza- para a construção de seu próprio conhecimento, nesse sen-
gem e independência de pensamento; tido sendo protagonista de sua formação humana e escolar.

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EDUCAÇÃO BRASILEIRA TEMAS EDUCACIONAIS E PEDAGÓGICOS

É ainda o espaço de interação entre o professor e o indi- Os objetivos são exigências que requerem do professor
víduo em formação constituindo um espaço de troca mútua. um posicionamento reflexivo, que o leve a questionamentos
A aula é o ambiente propício para se pensar, criar, desenvolver sobre a sua própria prática, sobre os conteúdos os materiais
e aprimorar conhecimentos, habilidades, atitudes e conceitos, e os métodos pelos quais as práticas educativas se concreti-
é também onde surgem os questionamentos, indagações e zam. Ao elaborar um plano de aula, por exemplo, o profes-
respostas, em uma busca ativa pelo esclarecimento e entendi- sor deve levar em conta muitos questionamentos acerca dos
mento acerca desses questionamentos e investigações. objetivos que aspira, como O que? Para que? Como? E Para
Por intermédio de um conjunto de métodos, o educa- quem ensinar?, e isso só irá melhorar didaticamente as suas
dor busca melhor transmitir os conteúdos, ensinamentos e ações no planejamento da aula. 
conhecimentos de uma disciplina, utilizando-se dos recursos Não há prática educativa sem objetivos; uma vez que es-
disponíveis e das habilidades que possui para infundir no tes integram o ponto de partida, as premissas gerais para o
aluno o desejo pelo saber. processo pedagógico (LIBÂNEO, 1994- pág.122). Os objetivos
Deve-se ainda compreender a aula como um conjunto são um guia para orientar a prática educativa sem os quais
de meios e condições por meio das quais o professor orienta, não haveria uma lógica para orientar o processo educativo.
guia e fornece estímulos ao processo de ensino em função Para que o processo de ensino-aprendizagem aconteça
da atividade própria dos alunos, ou seja, da assimilação e de modo mais organizado faz-se necessário, classificar os
desenvolvimento de habilidades naturais do aluno na apren- objetivos de acordo com os seus propósitos e abrangência,
dizagem educacional. Sendo a aula um lugar privilegiado da se são mais amplos, denominados objetivos gerais e se são
vida pedagógica refere-se às dimensões do processo didáti- destinados a determinados fins com relação aos alunos, cha-
co preparado pelo professor e por seus alunos. mados de objetivos específicos.
Aula é toda situação didática na qual se põem objetivos, a.      Objetivos Gerais: exprimem propósitos mais amplos
conhecimentos, problemas, desafios com fins instrutivos e acerca do papel da escola e do ensino diante das exigências
formativos, que incitam as crianças e jovens a aprender (LI- postas pela realidade social e diante do desenvolvimento da
BÂNEO, 1994- Pág.178). Cada aula é única, pois ela possui personalidade dos alunos (LIBANÊO, 1994- pág. 121). Por isso
seus próprios objetivos e métodos que devem ir de acordo
ele também afirma que os objetivos educacionais transcen-
com a necessidade observada no educando.
dem o espaço da sala de aula atuando na capacitação do in-
A aula é norteada por uma série de componentes, que
divíduo para as lutas sociais de transformação da sociedade,
vão conduzir o processo didático facilitando tanto o de-
e isso fica claro, uma vez que os objetivos têm por fim formar
senvolvimento das atividades educacionais pelo educador
cidadãos que venham a atender os anseios da coletividade.
como a compreensão e entendimento pelos indivíduos em
b.      Objetivos Específicos: compreendem as intencio-
formação; ela deve, pois, ter uma estruturação e organiza-
ção, afim de que sejam alcançados os objetivos do ensino. nalidades específicas para a disciplina, os caminhos traçados
Ao preparar uma aula o professor deve estar atento às para que se possa alcançar o maior entendimento, desen-
quais interesses e necessidades almeja atender, o que pre- volvimento de habilidades por parte dos alunos que só se
tende com a aula, quais seus objetivos e o que é de caráter concretizam no decorrer do processo de transmissão e assi-
urgente naquele momento. A organização e estruturação di- milação dos estudos propostos pelas disciplinas de ensino e
dática da aula têm por finalidade proporcionar um trabalho aprendizagem. Expressam as expectativas do professor sobre
mais significativo e bem elaborado para a transmissão dos o que deseja obter dos alunos no decorrer do processo de
conteúdos. O estabelecimento desses caminhos proporcio- ensino. Têm sempre um caráter pedagógico, porque explici-
na ao professor um maior controle do processo e aos alunos tam a direção a ser estabelecida ao trabalho escolar, em tor-
uma orientação mais eficaz, que vá de acordo com previsto. no de um programa de formação. (TAVARES, 2001- Pág. 66).
As indicações das etapas para o desenvolvimento da aula,
não significa que todas elas devam seguir um cronograma rígi- 1.3.2 CONTEÚDOS
do (LIBÂNEO, 1994-Pág. 179), pois isso depende dos objetivos, Os conteúdos de ensino são constituídos por um con-
conteúdos da disciplina, recursos disponíveis e das característi- junto de conhecimentos. É a forma pela qual, o professor ex-
cas dos alunos e de cada aluno e situações didáticas especificas. põem os saberes de uma disciplina para ser trabalhado por
Dentro da organização da aula destacaremos agora seus ele e pelos seus alunos. Esses saberes são advindos do con-
Componentes Didáticos, que são também abordados em junto social formado pela cultura, a ciência, a técnica e a arte.
alguns trabalhos como elementos estruturantes do ensino Constituem ainda o elemento de mediação no processo de
didático. São eles: os objetivos (gerais e específicos), os con- ensino, pois permitem ao discente através da assimilação o
teúdos, os métodos, os meios e as avaliações.   conhecimento  histórico, cientifico, cultural acerca do mundo
e possibilitam ainda a construção de convicções e conceitos.
1.3.1 OBJETIVOS O professor, na sala de aula, utiliza-se dos conteúdos da
São metas que se deseja alcançar, para isso usa-se de di- matéria para ajudar os alunos a desenvolverem competên-
versos meios para se chegar ao esperado. Os objetivos edu- cias e habilidades de observar a realidade, perceber as pro-
cacionais expressam propósitos definidos, pois o professor priedades e características do objeto de estudo, estabelecer
quando vai ministrar a aula já vai com os objetivos definidos. relações entre um conhecimento e outro, adquirir métodos
Eles têm por finalidade, preparar o docente para determinar de raciocínio, capacidade de pensar por si próprios, fazer
o que se requer com o processo de ensino, isto é prepará comparações entre fatos e acontecimentos, formar concei-
-lo para estabelecer quais as metas a serem alcançadas, eles tos para lidar com eles no dia-a-dia de modo que sejam
constituem uma ação intencional e sistemática. instrumentos mentais para aplicá-los em situações da vida

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