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Faculdades Integradas Soares de Oliveira - FISO

Credenciada pela Port nº. 1.482, de 15/05/2002, D.O.U. nº. 93,


Seção 1, p. 7, de 16/05/2002.
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E-mail: diretoria.fiso@gmail.com -

ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A RESPONSABILIDADE


NO ENSINO DE GRAMÁTICA: EQUÍVOCOS QUE SE
TORNAM PARADIGMAS.
CIPRIANO, Aparecido Donizete Alves. 1
Orientador: Prof. Waldinei Cesar Conceição
1 Faculdades Integradas Soares de Oliveira - FISO
E-mail para contato: Cipriano.educacao@yahoo.com.br
historia.waldineicesar@gmail.com

RESUMO

Este trabalho apresenta estudo realizado a fim de discutir a relevância de repensar o


papel do ensino de gramática na escola, de modo que ele possa ser significativo e
eficiente, bem como o papel e a importância do professor no contexto educacional
para oportunizar um aprendizado de qualidade. Objetiva-se fomentar a discussão
acerca de tal estudo em sala de aula, quais são os paradigmas criados e como o agir
do professor pode fomentar mitos e verdades a respeito do assunto. A abordagem
metodológica adotada é a pesquisa bibliográfica quali-quantitativa em educação,
conforme definem Chizzotti (2001), Knechtel (2014), Triviños (1987) e Gil (2010). O
trabalho apresenta a relevância do assunto para o ensino da língua portuguesa,
discute o que ensinar e como ensinar na gramática e como o fazer do professor pode
influenciar. Baseou-se em autores como Vygotsky (2001), Bechara (2006)
Faraco(2008), Neves (2003), Cegala (2012), Luft (2002), entre outros. Relatam-se
mitos e verdades sustentados por professores e que ficam no imaginário das pessoas;
também retrata a importância do ensino contextualizado a fim de combater tais mitos.
Por fim conclui-se pelo valor do professor nesse processo na busca propostas
eficientes para que esses equívocos possam ser evitados em consonância com o
ensino contextualizado da gramática.

PALAVRAS-CHAVE: Gramática. Responsabilidade no ensino. Mitos e verdades

ABSTRACT
This paper presents a study to discuss the relevance of rethinking the role of grammar
teaching in schools, so that it can be meaningful and efficient, as well as the role and
importance of the teacher in the educational context to facilitate learning. Of Quality.
The objective is to foster discussion about such a study in the classroom, what are the
paradigms created and how the teacher's action can foster myths and truths about the
subject. The methodological approach adopted is qualitative and quantitative
bibliographic research in education, as defined by Chizzotti (2001), Knechtel (2014),

1
Triviños (1987) and Gil (2010). The paper presents the relevance of the subject to the
teaching of the Portuguese language, discusses what to teach and how to teach in
grammar and how the teacher's influence influences. It was based on authors such as
Vygotsky (2001), Bechara (2006) Faraco (2008), Neves (2003), Cegala (2012), Luft
(2002), among others. Myths and truths reported by teachers are reported and that
remain in people's minds; It also portrays the importance of contextualized teaching in
order to counter such myths. Finally it is concluded by the value of the teacher in this
process in the search for efficient proposals so that these mistakes can be avoided in
line with the contextualized teaching of grammar.
KEYWORDS: Grammar. Responsibility in teaching. Myths and Truths

1 INTRODUÇÃO

O ensino de Língua Portuguesa tem sido objeto de muitas reflexões de


estudiosos, pesquisadores e do público em geral, especialmente porque cada vez
mais há a preocupação de um ensino que considere as diferentes variações
linguísticas e as possíveis e necessárias adequações à norma culta.
Entretanto, o que se observa, em boa parte das vezes, são as aulas de Língua
Portuguesa desvinculadas do contexto da língua falada, ou seja, um ensino
metalinguístico, por meio do qual se utiliza do código para explicar o próprio código,
exemplos disso são o uso dos dicionários como base para o aprendizado da
ortografia/significados resultando no ensino particionado da gramática como uma
“prescrição” de modo aleatório e descontextualizado, que tem com parâmetro uma
língua considerada ideal.
Na prática, o que se vivencia, especialmente no contexto do Ensino
Fundamental, são alunos com sérias dificuldades quanto ao emprego adequado de
regras gramaticais, tanto para produção textual, quanto para a interpretação de textos,
muitos deles até simples, fazendo assim crescer em nosso país o analfabetismo
funcional – incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos
simples. Devido à baixa escolaridade conseguem decodificar minimamente as letras,
geralmente frases textos curtos; porém não desenvolvem habilidade de interpretação
de textos.
Os resultados de pesquisa realizada em 2018 e divulgados no início de 2019,
demonstram que 3 em cada 10 brasileiros são considerados analfabetos funcionais e
apenas 12% da população está no nível “proficiente”, o mais alto da escala.

2
Figura 1 – INAF – Longe do Ideal

Fonte: Site Nova Escola

Nesse contexto, reafirma-se a responsabilidade dos docentes em séries


iniciais, especialmente daqueles com formação em Licenciatura em Letras, na busca
de um ensino de qualidade, haja vista que o melhor antídoto para o combate ao
analfabetismo funcional não vem somente da universalização do ensino, mas
sobretudo da qualidade do ensino oferecido pelas escolas de ensino fundamental. Se
o ensino não favorecer a efetiva aprendizagem, estaremos contribuindo para a
produção de analfabetos funcionais, que concluindo o ensino fundamental - nove
anos - não terão sucesso almejado.
Emerge então a necessidade, melhor que isso, a responsabilidade de formar
professores com conhecimentos suficientes para levar o aluno à compreensão daquilo
que está lendo, da mesma forma como se estivesse falando.
O que se nota, na práxis, é uma “divisão” entre Gramática x Linguística que em
nada contribui para o processo de ensino e aprendizagem, de um lado alguns
estudiosos da norma gramatical a defendem como único parâmetro para o ensino da
língua; de outro, os linguistas afirmando que gramática tradicional não se atenta para
os fenômenos da língua oral e, muitas vezes de forma equivocada, definem a língua
literária como modelo correto e exclusivo de falar e escrever.
Contribui para essa dicotomia os mitos criados por professores de língua
portuguesa no que se refere ao ensino da gramática particionada e, por muitas vezes,
simplificada a paradigmas criados de forma errônea; bem como, acentua-se essa
“briga” o questionamento dos defensores da linguística quanto à existência de regras
gramaticais que quase nunca são utilizadas pelas pessoas mais importantes e, por
conseguinte, pela população.

3
Surge assim a inquietação em relação a como tem sido abordada a gramática
nas aulas da educação básica, evidenciando como questão de pesquisa a
necessidade de: compreender o papel do ensino de gramática nas escolas,
consideração o funcionalismo linguístico.
Justifica-se o presente estudo a relevância de repensar o papel do ensino de
gramática na escola, de modo que ele possa ser significativo e eficiente, bem como o
papel e a importância do professor no contexto educacional para oportunizar um
aprendizado de qualidade. Busca-se fomentar a discussão acerca de tal estudo em
sala de aula, quais são os paradigmas criados e como o agir do professor pode
fomentar mitos e verdades a respeito do assunto

1.1 METODOLOGIA

No artigo em tela, a abordagem metodológica adotada é a pesquisa


bibliográfica quali-quantitativa em educação, a qual segundo Chizzotti (2001, p. 79)
“[...] parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e
sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável
entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito.”.
Knechtel (2014) relata que a pesquisa quali-quantitativa “interpreta as
informações quantitativas por meio de símbolos numéricos e os dados qualitativos
mediante a observação, a interação participativa e a interpretação do discurso dos
sujeitos (semântica)”. (pg. 106)
Triviños (1987) orienta a pesquisa qualitativa como um trabalho que:

Do ponto de vista instrumental, prático, parece-nos recomendável que o foco


de pesquisa de um estudante de pós-graduação deve estar essencialmente
vinculado a dois aspectos fundamentais 1.˚) O tópico da pesquisa deve cair
diretamente no âmbito cultural de sua graduação (secundariamente no da
especialização); 2.˚) O assunto deve surgir da prática quotidiana que o
pesquisador realiza como profissional.(TRIVIÑO, 1987, p.93)

A técnica selecionada para a coleta de dados foi entrevista semiestruturada - a


qual permite ao entrevistado a liberdade de expressão - bem como a conservação do
foco pelo entrevistador (GIL, 2010, p. 137).
Para obtenção de dados relevantes foi efetuada entrevista com 9 (nove)
questões fechadas e uma aberta, podendo ser justificada. Participaram 10 (dez)

4
professores de uma escola municipal de Ensino Fundamental – Ciclo I e 10 (dez)
adultos egressos de escola pública.
O presente estudo parte da experiência deste autor como Professor Universitário
de Português instrumental com alunos da graduação de Direito e de Psicologia e de
Gramática em cursinhos preparatórios para concursos, levando em conta os mitos
trazidos por esses alunos quanto ao ensino da Língua Portuguesa.
A pesquisa bibliográfica contempla abordagem interdisciplinar, com base em
leituras de artigos e publicações de autores, tanto da gramática quanto da linguística,
dentre eles destacamos: Vygotsky (1987), Faraco (2008), Martelotta (2013), Aquino
(2015), Furtado da Cunha (2013), também em estudos nas considerações de Neves
(2003) e Bechara (2009), além de outros estudiosos.
O principal objetivo é demonstrar a importância do ensino da Gramática na
Educação Básica, de forma contextualizada e não particionada, como fonte para o
entendimento completo dos textos, demonstrar sua relevância e buscar quebrar
pseudoparadigmas, indicando uma possível e necessária convivência pacífica entre
a gramática e a linguística.

2 GRAMÁTICA – um mal ou um bem necessário?

Nunca se discutiu tanto sobre qual é o papel da escola na formação das crianças
em nosso país e, nesse contexto, nos caminhos pelos quais perpassam o ensino da
língua portuguesa surge como cerne dessas discussões: o que ensinar e como
ensinar?
Assim emerge o debate a respeito do ensino da Gramática, sendo que alguns
autores chegam a defender que seu ensino deva ser abandonado e colocam em
cheque o conceito de “norma-padrão”.
Há autores que defendem a abordagem da gramática que se aproxime da
linguística nos diferentes contextos de interação, nesse sentido Furtado da Cunha &
Tavares (2007, p. 14) abordam o descontentamento quanto ao ensino baseado em
“prescrições”, reforçando pesquisas que:

“[...] visem contribuir para um ensino-aprendizagem que tenha por propósito


ampliar as competências comunicativas dos alunos ao privilegiar conteúdos
que não estejam distantes da língua que falamos, ouvimos, escrevemos e
lemos diariamente no Brasil, em diferentes contextos de interação”.

5
(FURTADO DA CUNHA & TAVARES- 2007, p. 14)

Nessa seara, Faraco (2008) reforça o ponto de vista de autores contrários ao


ensino da gramática desvinculada do uso linguístico concreto que permeia os
discursos reais, vale citar que o autor é incisivo ao dizer que:

Está mais do que na hora, então, de nós como cidadãos e como professores,
exorcizamos esse famigerado monstro. Olhá-lo de frente e destrinçá-lo sem
temor. Superar a cultura do erro e criar condições para um ensino mais
eficiente e eficaz da língua portuguesa em nossas escolas. (FARACO, 2008,
p. 130)

Apesar desse pensamento pergunta-se: como ampliar as competências


comunicativas sem o apoio da gramática? Como se fazer entender num país
globalizado sem que haja normas a serem seguidas? Por que abandonar a Gramática
na Educação Básica se os requisitos para que se galgar a melhores condições
socioeconômicas no Brasil estão no conhecimento das normas-cultas e na sua
aplicabilidade?
Para Martelotta (2013) o ensino da gramática é mais apropriado quando se
baseia na realidade do aluno como sujeito falante, ratificando que se deve levar em
consideração o processo comunicacional no qual ele está inserido, também quais são
os objetivos e o contexto discursivo.
A Professora Dra. Maria Helena1 defende que:

A gramática a ser trabalhada deve ser funcional, isto é, aquela que, segundo
explica, trata a língua na situação de produção, no contexto comunicativo.
Basta lembrar que saber expressar-se numa língua não é simplesmente
dominar o modo de estruturação de suas frases, mas é saber combinar
essas unidades sintáticas em pelas comunicativas eficientes, o que
envolve a capacidade de adequar enunciados às situações, aos objetivos
da comunicação e às condições de interlocução. E tudo isso se integra na
gramática. (NEVES, 2003, p. 226)

A falar sobre a norma-culta, a autora define que a linguagem precisa ser plural
e a norma deve ser adequada a cada situação, sendo este o papel essencial da
escola no que se refere à língua portuguesa é o de levar à reflexão sobre a linguagem.
O ensino da gramática tem Vygostsky como defensor e um dos maiores autores
estudados na atualidade, o qual reforça que no ato de escrever a ação analítica

1
Maria Helena de Moura Neves-Doutora em Letras pela USP, linguista e professora emérita pela Unesp.

6
intencional deve ser considerada, recurso este não exigido na fala. Ainda, segundo o
autor, na escrita de um texto é essencial a consciência fonológica, habilidade para
ordenar as palavras nas orações e também obedecer aos fundamentos da gramática.
Vygotski retoma a defesa reafirmando o ensino da gramática na escola, haja
vista que permite aos alunos o domínio e a tomada de consciência dos tópicos formais
da língua:

Mas na escola a criança aprende, particularmente graças à escrita e à


gramática, a tomar consciência do que faz e a operar voluntariamente com
as suas próprias habilidades. Suas próprias habilidades se transferem do
plano inconsciente e automático para o plano arbitrário, intencional e
consciente. (VYGOTSKI, 2001, p. 320)

Silva (2004), na mesma linha de Vygotsky, defende o ensino da gramática


teórica, pois segundo a autora tal ensino “[...] permite ao falante entender sua língua
como um sistema organizado, lógico e coerente, tornando-lhe possível a reflexão
sobre as regras e os princípios da língua.” (SILVA, 2004, pg.72).
Vygotsky (1987) aborda o ensino da gramática como mecanismo importante ao
desenvolvimento mental da criança:

“Já se chegou mesmo a dizer que o ensino de gramática na escola poderia


ser abolido. Podemos replicar que a nossa análise mostrou claramente que
o estudo de gramática é de grande importância para o desenvolvimento
mental da criança. [...] Ela pode não adquirir novas formas gramaticais ou
sintáticas na escola, mas, graças ao aprendizado da gramática e da escrita,
realmente torna-se consciente do que está fazendo e aprende a usar as
habilidades conscientemente. [...] A gramática e a escrita ajudam a criança
a passar para um nível mais elevado do desenvolvimento da fala.”
(VYGOTSKY,1987, p.86),

Também, em defesa do ensino da gramática nas escolas, em entrevista à


revista Veja, Evanildo Bechara um dos mais respeitados gramáticos da língua
portuguesa e autor de diversos livros, entre os quais Moderna Gramática Portuguesa,
contrapõe autores que dizem ser um "preconceito linguístico" o ato de corrigir os
alunos, dizendo que: "Alguns de meus colegas subvertem a lógica em nome de
uma doutrina que só serve para tirar de crianças e jovens a chance de
ascenderem socialmente". (VEJA-01.06.2011)
Corroboramos com a fala, principalmente porque não se consegue a almejada
ascensão social valorizando a discussão teórica da sociolinguística, que reconhece e
valoriza o linguajar popular em detrimento às normas cultas.

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Como forma de comunicação, a expressão popular, ou seja, a linguagem
coloquial tem o seu valor, entretanto não se pode perder o norte de que a linguagem
culta reúne valores e qualidades expressivas, as quais só serão adquiridas por meio
do ensino contextualizado da gramática, haja vista ser:

“[...] a única que consegue produzir e traduzir os pensamentos que


circulam no mundo da filosofia, da literatura, das artes e das ciências. A
linguagem popular a que alguns colegas meus se referem, por sua vez, não
apresenta vocabulário nem tampouco estatura gramatical que permitam
desenvolver ideias de maior complexidade - tão caras a uma sociedade que
almeja evoluir. Por isso, é óbvio que não cabe às escolas ensiná-la.
(BECHARA, Evanildo. Veja, 01.06.2011)

Há de se ressaltar que Bechara passou décadas lecionando português,


linguística e filologia românica em universidades do Rio de Janeiro, da Alemanha e
de Portugal, então não se trata de alguém que negue a linguística, mas que
demonstra o valor de cada um num contexto a ser tratado, essencialmente para
diferenciar quanto ao uso da linguagem culta e da coloquial, demonstrando que o
aprendizado da norma-culta:

[...] é um componente determinante da ascensão social. Qualquer pessoa


dotada de mínima inteligência sabe que precisa aprender a norma culta para
almejar melhores oportunidades. Privar cidadãos disso é o mesmo que lhes
negar a chance de progredir na vida. (BECHARA, Evanildo. Veja,
01.06.2011)

Nota-se que o principal papel da Educação Básica consiste em formar cidadão


críticos e aptos para a busca da tão almejada ascensão social e inseridos num
contexto em que sejam respeitados e, nessa linha de pensamento que Vygotsky,
como já citado, afirma que o ensino da gramática irá auxiliar os alunos na tomada de
consciência do que faz e a poder operar de forma voluntaria utilizando
conscientemente as suas próprias habilidades, auxiliando-os ainda a passar para
níveis mais elevados da fala. Bechara caminha nessa mesma lógica ao defender a
norma-culta contida na gramática utilizando a fala do linguista italiano Raffaele
Simone, que situou esse debate de forma mais lúcida, haja vista que mesmo
sendo linguista:
[...] critica os populistas que, ao fazer apologia da expressão popular,
contribuem para perpetuar a segregação de classes pela língua. Pois
justamente é o ensino da norma culta, segundo Raffaele, que ajuda na
libertação dos menos favorecidos. Suas palavras se encaixam perfeitamente
no debate atual. (BECHARA, Evanildo. Veja, 01.06.2011)

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Assim, não se trata de situar a gramática entre o bem e o mal, mas sim de
reconhecer o seu ensino como meio de aquisição de conhecimentos necessários para
a libertação de todas as camadas sociais, especialmente dos menos favorecidos e
que são atendidos pela escola pública, até porque nenhum país desenvolvido prega
a desvalorização da norma-culta em sala de aula.

3 A RESPONSABILIDADE NO ENSINO DA GRAMÁTICA – Mitos e


verdades

Diversos são os elementos a serem considerados no processo educativo como


meio de formação de futuros cidadãos, alguns exemplos são os fatores materiais, tais
como: sala de aula, laboratórios, entre outros; os materiais didáticos e os
procedimentos pedagógicos, como a avaliação. Entretanto, o fator preponderante é o
papel a ser exercido pelo professor, tido como modelo de referência não somente no
ensinamento dos conteúdos, mas também no modo de pensar e agir.
Ao relacionar a didática com a epistemologia, vale considerar que dentre as
inúmeras atribuições do professor está o dever de despertar no aluno o interesse por
conhecimentos mais aprofundados, assim como mediar esse processo.
O aluno precisa ser levado a pesquisar sobre os mais variados temas com
autonomia, de forma a sair do empirismo e lançar-se no universo epistemológico, ou
seja, buscar os porquês, as histórias, enfim, o comprovado.
Isto não significa tão somente transmitir conteúdos, mas sim conduzir o aluno a
pensar, a torna-lo crítico e ter a responsabilidade de conceber o aluno para ser um
cidadão ativo no seio da sociedade, pronto para o questionamento e para o debate,
pois como bem ensina Cury (2003, p.127 “[...] a exposição interrogada gera a dúvida,
a dúvida gera o estresse positivo e este estresse abre as janelas da inteligência.
Assim formamos pensadores, e não repetidores de informações”.
Contudo, faz-se necessário ainda ser flexível e ter consciência de que não há
nada acabado, tudo pode ser modificado, melhorado. Na atualidade, encontramos
conceitos envolvendo afirmações sobre o ensino da Gramática dadas em sala de
aula, que não estão corretas ou estão incompletas, sendo tal fato, inclusive, citado
por pesquisa feita:

9
[...] na cidade na cidade Maringá, foram observados problemas relativos à
conceituação e à seleção de conteúdos em turmas do ensino fundamental.
Muitos conceitos transmitidos pelos professores misturam critérios ou
deixam de lado aspectos importantes. (ANTONIO, 2006, p.1052)

O que corrobora com a necessidade premente de que o professor assuma seu


papel de educador de forma completa e contextualizada, haja vista seu mister como
responsável pela formação de novos cidadãos.

3.1 A importância do professor na formação do subconsciente e a


responsabilidade no ensino da gramática

Evidencia-se a enorme responsabilidade do professor, a qual exige dele o


compromisso com seu mister, com seus alunos e também consigo mesmo,
especialmente porque seus ensinamentos, palavras e ações causarão grande
impacto na vida presente e futura das pessoas que passarem por ele, ratifica-se aí a
missão com um processo de ensino e aprendizagem de forma fundamentada.
Sobre o ensino da Língua Portuguesa, segundo Neves (2003), ainda paira “... a
falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com a
gramática”.
Tendo esse contexto como pano de fundo, para melhor conhecer a relação entre
professor e aluno e suas implicações futuras, foram realizadas entrevistas 20
pessoas, sendo dessas 10 Professores(as) de uma Escola Municipal de Barretos de
Ensino Fundamental 1 e 10 Egressos de escola Pública. O resultado foi o seguinte:
A primeira parte da pesquisa versa sobre a característica do grupo – faixa-etária
e escolaridade – e questões que envolvem atualidades nas áreas de televisão,
esportes; política e cinema, também uma última questão buscando lembrança mais
antiga.
A idade média dos professores entrevistados foi de 45,1 anos, já dos Egressos
de escola pública foi de 34,7; perfazendo a média do grupo em 39,9 anos.
Referente à escolaridade 60% (sessenta por cento) do grupo tem Nível Superior;
10% possui pós-graduação e 30% (trinta por cento), Ensino Médio; sendo que o grupo
de professores apresentou a totalidade com Ensino Superior ou pós-graduação.
As questões que envolvem atualidades tinham como objetivo ratificar a
importância do professor num contexto geral, buscando reforçar a sua influência no

10
imaginário de pessoas que já há muito tempo tinham contato, para isso pesquisamos
se tinham lembrança do nome da primeira professora.
Questão 1. Diga o nome da atual miss Brasil:
• 100% dos entrevistados disseram não saber ou não se lembrar.
Questão 2. Qual é a atual Seleção campeã da Copa do Mundo?
• 40% dos entrevistados lembraram-se de que a França fora campeã em 2018;
• 40% disseram não saber ou não se lembrar, e
• 20% citaram outras seleções, como Brasil, Alemanha ou Espanha
Questão 3. Qual é o primeiro nome do Presidente Bolsonaro eleito em
2018?
• 70% dos entrevistados acertaram o nome Jair;
• 25% disseram ser Eduardo;
• 5% disseram não saber.
Questão 4. Que filme recebeu o Oscar de melhor filme em 2019?
• 100% dos entrevistados não sabiam
Questão 5. Qual é o nome da sua professora do 1º ano?
• 100% responderam o nome de pronto, sem se hesitarem.
Os números apresentados reforçam a importância do professor como formador,
especialmente quando no início da formação do aluno, haja vista que as perguntas
que envolviam fatos atuais não estavam na mente de boa parte dos entrevistados, já
o nome do primeiro professor, muitos, apesar de já passadas décadas, lembravam-
se com carinho de seus nomes, inclusive quando questionados mudavam suas
expressões com sorrisos e frases carinhosas.
Reforça-se a importância do professor no imaginário de crianças, adolescentes
ou adultos e como seus ensinamento se enraízam, tornando-se “leis”, Aquino (2015,
p. 14) reforça que tais equívocos ao afirmar que: “[...] o ensino, de modo
descontextualizado e prescritivo a fim de promover uma língua ideal, acaba por gerar
uma série de mitos e incoerências.”
Durante 26 anos, estudando a língua portuguesa e aplicando o aprendizado em
cursinhos preparatórios, este autor percebe que o ensino fragmentado e a criação de
falsos paradigmas tem influenciado de forma negativa, não somente na concepção
da gramática e das normas cultas, mas principalmente no seu aprendizado.
No exercício da prática docente, o professor de Língua Portuguesa, deve ter
consciência de sua função no processo de ensino e aprendizagem para a formação

11
e construção de cidadãos críticos.
Não cabe ao professor relativizar, resumir ou criar paradigmas no ensino da
gramática, buscando “facilitar a aprendizagem” com conceitos enraizados que no
futuro serão meios para influenciar de forma negativa o aprendizado mais efetivo e
contextualizado.
A seguir apresentam-se alguns pseudoparadigmas criados no ensino da Língua
Portuguesa e que por sua vez enraizados no subconsciente da criança ou do
adolescente funcionam como limitadores para conhecimento completo. Tais
conceitos formaram a segunda parte da entrevista realizada.

3.2 “Substantivo concreto é aquele que podemos pegar ou sentir”

Durante as aulas vistas na infância ou na adolescência, quem nunca ouviu


esse conceito? Na pesquisa realizada, todos os entrevistados, tanto os professores,
quanto os ex-alunos egressos de Escola Pública, isto é, 100% deles disseram já ter
ouvido tal afirmação em sala de aula.
Depreende-se aí um dos principais mitos no ensino descontextualizado da
Língua Portuguesa, talvez tal conceito tenha nascido do desejo do professor de tentar
“simplificar” o ensino, não levando em consideração que tal modelo não só está
incompleto como também ensinado de forma equivocada, o que faz com que o aluno
pense que exemplos como: Saci, Deus, lobisomem, fada, entre outros, sejam
considerados abstratos, reforça-se então a necessidade para o ensino
contextualizado, especialmente devido a esses pseudoconceitos.
Há de se ressaltar que existe evidente dificuldade em compreender os
conceitos – concreto ou abstrato – devido às falhas e difíceis descrições, algumas
amplas, outras restritas e imprecisas.
Bechara (2006, p.112) reforça sobre este equívoco está presente no ensino
não somente nas séries iniciais do ensino fundamental, mas até mesmo nas séries
avançadas e no ensino médio. Segundo o autor, de acordo com alguns professores
dessas séries, os substantivos concretos são aqueles sensíveis, que se pode tocar
ou ver, e os abstratos são todos os seres imaginários.
Para Bechara (2006), os substantivos concretos são o que tem existência
independente e os abstratos são os que dependem de um ser ou objeto para existir.
Para os Gramáticos José De Nicola e Ulisses Infante o diferencial entre

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concreto/abstrato reside na existência ou não do ser:

a) Concretos – designa os seres propriamente ditos (pessoas, objetos,


lugares), independentemente de sua existência real. Assim sendo, são
exemplos de substantivos concretos: fada, saci, mesa, cadeira, caneta, etc.
b) Abstratos – designa ações, qualidades ou estados, tomados como
seres. Indica coisas que não existem por si, que são o resultado de uma
abstração. É o caso de felicidade, pobreza, honra, caridade, etc. (DE
NICOLA, José e INFANTE, Ulisses, 1993, p. 158).

Importante reforçar que há de se considerar o ensino contextualizado, haja


vista que apesar de o substantivo abstrato ser visto como o contrário do substantivo
concreto, tal pensamento de oposição deve ser trocado por uma concepção que
defende alguns substantivos como concretos ou abstratos, isso dependendo do
contexto, conforme se vê abaixo:
• Qual a imagem que você tem do seu chefe? (noção – abstrato)
• A imagem do artista será emoldurada. (objeto – concreto)
• Depois da aliança entre os países foi possível selar a paz. (pacto – abstrato)
• Ana ganhou uma linda aliança de casamento. (anel – concreto)
Corrobora também o dever de estar atento aos conceitos próprios dos alunos,
com base nesse contexto, este autor, durante aulas em cursinho para adultos,
discorrendo sobre o assunto definia substantivo concreto como: “Seres de existência
real ou que nossa imaginação faça com que ele exista”, ratificando que se for possível
criar uma imagem será concreto e, uma filha de aluna – com apenas 9 anos de idade
– indagou? “O senhor quer dizer que se possível desenhar é substantivo concreto?”
e, após pesquisas, tal afirmativa, para este autor, demonstrou-se correta.

3.3 “Sujeito é quem faz a ação”


Imagem 1 – Tirinha definição de sujeito

Fonte: Google imagens

13
Agora observa-se outro conceito que, ao ser ensinado de forma resumida e
prescrita, tem causado prejuízos ao aprendizado contextualizado, sendo que na
entrevista feita, 95% dos entrevistados afirmaram ter ouvido tal conceito em suas
aulas.
A tirinha acima ressalta o equívoco na aprendizagem; pois, na maioria das
vezes, acaba-se ensinando e perpetuando regras inconsistentes que não dão conta
da aplicabilidade que a língua pede e possui.
Celso Cunha e Lindley Cintra (2007) têm o sujeito, e também o predicado,
como termo essencial da oração. O sujeito é definido como “o ser sobre o qual se faz
uma declaração” (p. 136); assim, deve-se entender o sujeito como um termo essencial
da oração sobre o qual se faz uma declaração, assim não há como resumi-lo somente
em um elemento que faz a ação, podendo então o sujeito da oração fazer ou receber
a ação verbal ou até mesmo indicar somente um estado ou característica:
 Eu dividi o pão com os pobres. (Sujeito –Eu -faz a ação verbal)
 Meu cachorro foi atropelado pelo ônibus. (Sujeito – Meu cachorro -recebe a
ação verbal)
 Aqueles alunos são inteligentes. (Sujeito – Aqueles alunos - verbo indica
característica)
 O paciente está com cólicas renais. (Sujeito – O paciente - verbo indica
estado)
Este autor, durante as de gramática, além de definir o sujeito como “o termo
da oração do qual se faz uma declaração, também indica dois questionamentos
inseparáveis para localizar o sujeito da oração:
1. Estou falando de quem?
2. Quem é que .....? (utilizando na lacuna o verbo da oração)
Meu cachorro foi atropelado pelo ônibus.
Estou falando de quem – do animal ou do ônibus?
Quem é que foi atropelado? Sem dúvidas: Meu cachorro.
Observe que o sujeito “Meu cachorro” não fez nada!

3.4 “Não se usa crase entre palavras repetidas”

Verifica-se outro conceito que é ensinado de modo resumido e novamente

14
descontextualizado, haja vista que não se trata somente de proibir o uso de crase
“entre palavras repetidas”, aqui se está diante do uso da regra de forma geral, o que
não é verdade, já que se pode definir a crase como um fenômeno linguístico que
surge quando há fusão (mistura) de duas vogais idênticas e é representada pelo
acento grave (`). Demonstrando que houve uma junção entre a preposição a (exigida
pela regência verbal ou nominal) e o artigo a.
Sobre tal citação quanto à proibição do uso da crase “entre palavras repetidas”,
50% dos entrevistados relataram ter ouvido em sala de aula.
Para Bechara (2009) a crase é "a fusão de dois ou mais sons iguais num só",
o Gramático Ernani Terra, em sua obra define que a crase provém do grego krasis e
significa “fusão”, “junção”, sendo a crase a fusão do artigo “a” com a preposição “a” e
que tal fusão é indicada por meio do acento grave, assim: “à”.
Em muitos livros, sites, artigos há tal a conceituação de que “não se usa crase
entre palavras repetidas, o que acaba sendo reiterado em sala de aula; porém,
convém notar aqui um equívoco entre os significados de “palavra” e “locução”.
Entende-se Locução como “expressão formada a partir da união de duas ou
mais palavras, podendo ser nominal- locução adjetiva, adverbial, prepositiva ou
verbal” e “palavra” como “unidade pertencente a uma das grandes classes
gramaticais, como substantivo, verbo, adjetivo etc., não levando em conta as
modificações que nela ocorrem nas línguas flexionais, e sim, somente, o significado”2.
Assim, é possível a crase entre palavras repetidas quando a regência solicita,
diferentemente no caso das Locuções com palavras repetidas, senão observem os
exemplos.
 Ficamos frente a frente com o perigo. (Nesse caso temos uma Locução– na
qual ela por completo funciona como adjunto adverbial e pode ser substituída
por cara a cara – ou seja, trata-se de uma “expressão com palavras repetidas”)
 Encontro você em frente à frente da escola. (Aqui são dois complementos e
não uma locução – em frente / à frente da escola)
 Dê vida à vida no campo. (Veja que a regência do verbo DAR pede dois
complementos: um sem preposição e o outro com preposição: Dar o quê?
Vida. Dar a quem? À vida. Novamente não se trata de uma locução, mas dois
complementos verbais)

2 http://underpop.online.fr/p/palavra/

15
Ratifica-se novamente a necessidade do ensino contextualizado, não somente
com conceitos pré-determinados.

3.5 “Não se usa vírgula antes ou depois da conjunção E”

Metade dos entrevistados na segunda parte da pesquisa – 50% do grupo –


relatou ter ouvido tal afirmativa durante aulas sobre pontuação, revelando que o
ensino de conceitos de forma resumida pode causar bloqueios na aprendizagem.
Nota-se que tal assertiva deriva da regra: “as orações coordenadas aditivas
com conetivo e ou nem, geralmente, não são separadas por vírgula: A nossa vaidade
atraiçoa e revela frequentes vezes a nossa incapacidade (Marquês de Maricá)”:
Há de se observar a palavra “geralmente” a qual aceita exceções, mas que na
maioria das vezes são omitidas durante as aulas, levando o aluno a entender que
sempre “Não se usa vírgula antes ou depois da conjunção E”. Novamente, retomam-
se equívocos no ensino particionado e como se pudesse sê-lo “em caixinhas” e não
contextualizado.
Importante que o educador possa buscar o conhecimento como um todo e
ensinar buscando frase, orações e textos e não somente por definições,
demonstrando nesse caso as exceções que podem ocorrer3:
I. Quando a conjunção e une duas orações com sujeitos diferentes:
A guerra mata os filhos[,] e as mães choram desesperadamente.
A mudança se exprime através de tensões graves[,] e destruições de toda
ordem a acompanham.

II. Quando o e é repetido no início de orações em uma sequência


(polissíndeto):
E eles riem[,] e eles cantam[,] e eles dançam.
Comigo, o mundo canta[,] e cisma[,] e chora[,] e reza[,] e sonha o que eu
sonhar.

III. Quando o e tem sentido adversativo (equivale a mas, contudo):


O capitão estava ferido[,] e (=mas) continuou lutando.

3Exemplos retirados de Cegalla (2012, p. 143).; Teixeira de Pascoaes, OC, III, 27 apud CUNHA E CINTRA,
2008, p. 661; Piacentini (2015, p. 33), Luft (2002, p. 36).

16
São uns incompetentes[,] e (=mas) ocupam altos cargos.

IV. Quando o e é precedido de uma intercalação:


“Silvano Valentino[,] vice-presidente[,] e Vicenzo Barello fizeram duas visitas
...”
“Mulher só[,] de Harold Robbins[,] e O mistério do trem azul, de Agatha
Christie.”

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente estudo, verifica-se que a discussão quanto ao ensino da gramática


nas escolas brasileiras é um tema que vem despertando muito interesse, não
somente dos especialistas em Língua Portuguesa, mas também nos professores de
séries iniciais do Ensino Fundamental.
Importante observar que Vygotsky (1987) já abordara a temática e, já naquele
tempo havia a discussão em torno do seu ensino com correntes contrárias, as quais
alegavam que as crianças já dominavam espontaneamente a língua; entretanto, não
somente Vygotsky, como outros renomados autores defendem a gramática como
elemento importante no desenvolvimento mental da criança e também auxiliar os
alunos na tomada de consciência.
Corroborando com os estudos, acreditamos que o ensino da norma-culta está
diretamente ligado com a função social da educação de oferecer as melhores
oportunidades para o aluno, contribuindo para sua formação crítica, até porque,
somente será possível galgar uma boa Universidade ou uma oportunidade em
grandes empresas se tiver o domínio das normas da Língua Portuguesa e, defender
o contrário, a nosso ver é uma utopia, haja vista que a adequação de textos
obedecendo a padrões cultos é imperativa e também uma condição social.
Depreende-se para que se torne realidade é essencial que o ensino da
gramática seja contextualizado e não fragmentado ou até reduzido a falsos
paradigmas que podem causar dificuldades na aprendizagem, como se pode ver nas
entrevistas, as quais apontam que termos enraizados no ensino tradicional são
internalizados e determinados mitos devem ser enfrentados com o ensino mais
responsável, dedicando estudos na formação de conceitos científicos.
Em linhas gerais, a gramática e o uso das normas-cultas devem ser vistos

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como instrumentos de interação ligados à realidade nas situações de comunicação,
os quais oportunizam aos educandos a conscientização quanto às suas escolhas e o
conhecimento da variedade da língua a fim de cumprir seus objetivos
comunicacionais, ratificando que não se trata de situar a gramática e a linguística
entre o bem e o mal, mas sim de conceber o ensino como instrumento para a
obtenção de conhecimentos necessários para a libertação de todas as camadas
sociais e para o combate ao analfabetismo funcional.
Por fim, há de situar a importância do professor e de sua formação permeada
por um estudo constante, a fim de montar propostas eficientes para que os equívocos
que se cometem em classe possam ser evitados ao fazer a distinção entre as regras
gramaticais em consonância com o ensino contextualizado, até porque, apesar da
desvalorização da missão docente em nosso país, a importância do professor não só
nas escolas, mas especialmente na vida das pessoas continua sendo indiscutível.
Considera-se que o presente artigo, apesar de suas lacunas, pode ser um
instrumento auxiliar para contribuir com o entendimento dos caminhos pelos quais
devem percorrer o ensino da Gramática, esperando que os estudos apresentados
possam se tornar mais uma gota no oceano de saberes necessários à Educação
Pública de qualidade e essencial ao real progresso do aluno, saberes esses que
nunca se esgotam.

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