Você está na página 1de 2

Defeitos dos Negócios Jurídicos

É anulável o ato jurídico por vício resultante de erro, dolo, coação, simulação ou fraude.

Os efeitos dos atos jurídicos dependem da total


correspondência entre a declaração de vontade e o íntimo querer do agente. Os vícios de
consentimento (Erro, Dolo, Coação, Estado de perigo e Lesão) são as influências
exógenas que modificam a vontade declarada tornando-a incompatível com a querida
pelo agente.
Os vícios sociais (Fraude contra credores) afetam o
ato onde a real vontade do agente de forma a obter resultados condenados ou
condenáveis pela Lei. Não conduz a um descompasso entre o íntimo querer do agente e
a sua declaração.

Evolução histórica das teorias:

1) Teoria da Vontade Real (Savigny): se, no ato jurídico, o


direito empresta conseqüências ao querer individual. É evidente que,
se ocorre disparidade entre a vontade e a declaração, é a primeira que
deve prevalecer. O íntimo querer deve prevalecer sobre a
declaração da vontade.
2) Teoria da Declaração: desconsidera a vontade, para ater-se
ao reflexo externado, almejando assegurar a estabilidade das relações
negociais. Visa a "paz social" advinda da estabilidade jurídica e
aduz que o que vale é a declaração.
3) Teoria da Responsabilidade e Confiança: busca realizar a
autonomia da vontade. Mesmo desacompanhada da vontade, pode a
declaração ter efeito obrigatório quando a disparidade entre ela e
vontade real decorrer de culpa ou dolo do declarante. Se houve culpa
ou dolo de quem manifestou então vale a declaração, caso
contrário vale o íntimo querer.
4) Teoria da Confiança: que defende que se havia condições
do destinatário saber que existia diferença entre o íntimo querer e a
declaração deverá valer a vontade real do agente. Representa um
abrandamento da doutrina da declaração, pois parte da
prevalência desta sobre a vontade, visando, por conseguinte,
proteger a pessoa a quem a declaração de dirige.

a) Defeitos graves – atingem os próprios requisitos de validade dos atos jurídicos .


Assim, seriam graves os previstos no art. 166, quais sejam . incapacidade
absoluta do agente, a impossibilidade do objeto, a ilicitude do motivo
determinante, comum a ambas as partes, a inadequação da forma. O CCBN
inclui também a simulação entre os defeitos graves.

b) Defeitos leves: são os que não atingem o ato de forma definitiva, considerados
tais os listados no art. 171, ou seja, a incapacidade relativa do agente, os vícios
do consentimento ( erro dolo coação), estado de perigo, a lesão, a fraude contra
credores.
Lesão: art.157 CC - artigo inovador, prevê uma verdadeira limitação à autonomia
individual da vontade, não mais admitindo o chamado “negócio da china”.

É prejuízo resultante da desproporção existente entre as prestações de um


determinado negócio jurídico, em face do abuso, inexperiência, necessidade
econômica ou leviandade de um dos declarantes.

Ex: na época da imigração italiana, muitos coronéis induziam os lavradores a comprar


mantimentos nos armazéns da própria fazenda, a preços e juros abusivos.

Hoje pode-se equiparar a essa prática, os contratos de adesão (em massa) como o
maior veículo de circulação de riquezas, bem como o mais eficaz instrumento de
opressão econômica que o direito contratual já criou.

O CDC procura em vários artigos combater a lesão nos contratos de consumo (lesão
consumerista) exigindo para sua caracterização e reconhecimento, apenas a
desvantagem obrigacional exagerada em detrimento do consumidor (desproporção
das prestações avençadas).

A lesão se compõe de dois requisitos:


a) objetivo ou material: desproporção das prestações avençadas. Possua ou não
fortuna o lesado, impõe-se de forma inevitável a celebração do negócio prejudicial.
Ex: alguém que possua posses, mas que em um determinado momento precisa de
dinheiro em espécie e para tal dispõe de um imóvel a baixo preço, a necessidade que
o leva a vendê-lo, configura lesão.

a) subjetivo ou imaterial ou anímico: a inexperiência e a leviandade podem compor


subjetivamente o vício da lesão. A primeira como falta de habilidade para os
negócios (não falta de instrução necessariamente) e a segunda, caracteriza uma
ação temerária, impensada, inconseqüente (falta de consciência das
conseqüências da avença).