CANTOS DE ESTIMA

Júlia de Carvalho Hansen

CANTOS DE ESTIMA em 120 exemplares Júlia de Carvalho Hansen Selo de estimas e grama Julho de 2009 São Paulo .

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cantos de estima .

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você toca nele .este que é da Ilana por ritmo da Clarisse por memória pro Manuel pela alegria formalmente do Eduardo e escrito com os Marcos é um oráculo.

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apaixonado. E às vezes estou na frente dos campos como se morresse. por que tocar em cordilheiras e oceanos! Carlos Drummond de Andrade Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas.Minha paixão há de brilhar na noite no céu de uma cidade do interior como um objeto não-identificado que ainda estou sozinho. Caetano Veloso Ah. outras. As pessoas imaginam seus próprios campos de rosas. Herberto Helder . como se agora somente eu pudesse acordar.

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13 . veio na direção do meu amigo Lero – – – o guindaste e disse pra ele que não dava pra jogar aquele jogo: — é a cabeça que pensa ou é o corpo inteiro? o Lero que era só corpo o Lero que não lia Sontag bem. um cata-vento trazendo o cheiro do laranjal.memória escolar Foi preciso chamar a atenção das crianças que descascavam as laranjas com facas sem corte: as atividades no pomar têm limites não se ponham a arrancar as ervas do chão como meninas desprezadas e raivosas depois de uma ciranda é proposto pedagogicamente que se faça um desenho feito um contrapeso do que a nossa cabeça pensa as crianças todas riem de satisfação mas o menino mais novo. o Lero quando se agitava a gente ia junto pra praia ele imensão pegava os prédios em redor com a sua garra pegava as pessoas e as barracas de sorvete arrancava as pedras do calçadão tirava de mim toda essa lembrança e lançava ao grande verde feito tudo fosse aquário cheio de peixes que um dia se descobre decorativo e afunda no meio da água do Atlântico silêncio violento que se ouve do cais e os peixes libertos todos se põem a contar notícias de além-mar.

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mercúrio .

18 .caderno de viagem Do alto a terra é tão extensa que assim só conhecia o mar se à noite fico bem quieta meu ouvido é uma concha em qual se ouve o rugido acordei aqui os pés enfiados a espera da tua chegada por terra. fumo até partir do corpo em heterônimos escrever como o mar que avança depois de muito retroceder duas ondas juntando a água que veio de trás.

19 .carne Seja a casa onde for construir estantes no pensamento de derrubá-las forrar as prateleiras com flores no papel de parede e livros de capa branca forrar todos os livros todas as páginas dos livros de branco com algodão secá-los da úmida solidão do que está escrito.

absolutamente estrangeiro a mim nesse interior sem tamanho eu juro que esse túnel não acaba estão nos levando a um lugar de verdade.os guardas dormem na fronteira De repente manifesto a gente vai se voltar a um outro escalão: montanha. o metrô que é o nosso trovão então você acha que os cantos estão mudando de lugar mas é a gente que vê os homens constrangidos da cidade e tenta: enseada sobre asfalto. névoa. marulho. lendo a realidade cientistas descobrem Alpes submersos na Austrália na contracapa um coração selvagem pela metade o cheiro de perto do sal um potro de pulmões novos e o mar. essa manhã. porque tudo que é. 20 . é o nosso estou no ponto pro Jardim da Glória. ah oceano cavalgadura.

que não esteja eu a ver bobagens. que não seja o andante um fantasma que caminha a assombrar a cabina.Vasco E batia-me ao encosto e ao virar-me nada via e jurava-lhe morte. monstros vermelhos. que amanhã ao abrir da janelita não encontre alga em lugar de nuvem. faz favoire. ciclopes alagados. estás a estar morto mas é já?. espesso abismo turbulento. me recompensar esta vida de tormentas. E as lampadinhas de acender não acendiam e a aeromoça nada que cá vinha desde a descolagem. que a mim sempre foi uma gorda roliça e não a rapariga magrinha. mas como?. 21 . dragões a rogar fogos de promessas. Senhorinha. venha. fortunas pelas ventas. e que Deus permita dizeres a verdade. e eu pedia a Nossa Senhora. minha Senhora.

abre) podia olhar por dez segundos (mesmo assim eu não vi nada). 22 .a noite que fomos ao observatório Era uma bola branca quando chegamos fui lembrando que aquilo era um planetário e tingi o concreto de azul tem sempre uma estrada antes a ferocidade humana dos sentidos sereno mato sobre a borracha uma voz que volta dos órgãos itinerantes 15 anos de cigarras e alienígenas num só planeta meu melhor amigo dizendo uma coisa bonita sobre o fígado eu não escutava mas era um rádio lento como se trouxesse a notícia da paz a gente corre pra inspirar o pulmão expande o fígado se ajeitando é massageado que vontade de apertar a bola do observatório e então abrir feito tenda o físico pra nós explicou o clarão no céu o raio das férias que iluminou num arco-verde por cima dos meninos nossos rostos de fogueira era lixo espacial velocidade ardendo voltando pras atmosferas estrela-cadente-não-existe escureceu quando chegamos ao ponto final (abre coração.

Eu sou o rio dos mortos dos meus parentes mortos e os meus mortos são o mundo inteiro 23 .infância Não com essa ressaca e ainda mais cedo papai me levava ao dentista e depois de cada barbárie obturada me recompensava com um sundae no Brooklin o poeta não consola a herança de nascermos destros não cuida de terem me tirado os dentes da vida de um jeito que nem sorvete adiantava lembro das suas gengivas sangrando tinta de lula trinta e dois pontos na sala de televisão o céu da boca da nossa morte de dentro da sua enorme lucidez não finja mais que não teme ao seu redor dispersões bandidos choques elétricos a noite que seu pai não veio mais.

24 .Eu sou o rio dos mortos nasci da sede pelo dó das lágrimas quando mortos todos os pensamentos eu sou o rio dos mortos me criei no pântano das palavras dos restos tudo trago eu sou o rio dos mortos minha carne é das nuvens se fujo só dou em mim eu sou o rio dos mortos e o meu choro o que devolve à terra o chão do sal da terra o chão eu sou o rio dos mortos minha margem de árvores dos astecas que me sangraram eu sou o rio dos mortos da terra não passo e ninguém me ultrapassa sem desvão.

autocracia

––––––––––––––––––––––––––––––––– sonho

e essa noite eu ia a um museu de história natural e havia uma água os canais da Disneylândia e então com pedrinhas seixos nas águas e plantas de plástico muito verdes dava pra ver as ferragens as pessoas passavam a mão na água muitos velhos em fila enfiando os dedinhos na correnteza e eu ficava assustada que aqueles velhos passassem a mão porque era a água do Pinheiros e relampejava um na verdade o museu de história natural é uma contenção da nascente e precipitava mas essa água é suja e depois mas essa água é nova daí minha mãe me dizia sem estar presente xxx xxx é uma água antiga que não deixa os velhos doentes mais,

––––––––––––––––––––––––––––––––– insight

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astrologia

Caço constelações em mim nem sempre sou a primeira a descobrir Centauro o olhar pendurado em constâncias a lua míngua, leva a maré sugar me balança o umbigo incha estou gestando um poema cadente nascerá todo destro esquecido do céu andando os próprios pés.

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caixa-preta 31.12 Ainda não apareceram em mim muitos compromissos eufóricos com a noite de réveillon. A taxa de saudosismo também está baixa e o futuro é uma entidade calma, sentada sempre à janela. Como num vagão de três passageiros, o futuro, eu no meio e escurecendo à esquerda, o passado. O sonho é ver as formas invisíveis, trançar meus braços dados. Às vezes me aflige estar muito alto no céu sobrevoando, outras não peço pra olhar, que é pra não ver o mar, porque sei que a embarcação afunda quando eu enjoar. mas ah! que naufrague! os despojos na praia também serão lindos. ah! esse ano de xxxx! só não direi que - - - - - - - porque não direi nada. é isso mesmo que vou fazer, não vou dizer nada. 1.1 Às vezes aparecem homens que andam sobre as águas. Um dia serei daquela tipografia de mulher-marfim que parou de respirar e agora só vive debaixo d’água. Mas tanta coisa ainda me assedia com desconversa, 7.1 Da raiva descobrir a alegria e o que eu não sei mais tristeza e sal. alguma coisa, acre Valentine, que me comove em nossa capacidade íntima de estar no subterrâneo. Sair, voltar, deixar você me ver chorar, sorrindo.
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9.1 O oceano é terrível mira como se agita a rêmora que nada colada ao tubarão meu destino tão diverso. 12.1 Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa. 19.1 Escrever alguma coisa. Bem, estamos no trópicos. As bananas e as mangas sobre a mesa, minha blusa listada de sair por aí, os protetores solares que dispomos sobre o corpo e que depois voltam num baile infinito sobre a mesa. Conheço seus limites, Valentine, já de olhos fechados. Dispomos também de um corpo inteiro pra transcendências sensoriais. Estamos em torno da verdade, da qual já nascemos docemente distantes. Orbitáveis por fora. É isso. Virei de madeira. Ainda não adquiri saberes de rocha. Nem sei se – – – o centauro de madeira tomou corpo e consciência e saiu vigoroso e leve, a andar. toda articulada. aí há consistência. sem dúvida um estado de crise.

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não. não.1 Nos dias em que não há colheita e todos os mercados de trocas estão fechados se faz necessário sair à caça deixar a intimidade sombreada deste quarto e achar nuns sentimentos da rua uns modos novos dentro da crise dançar dançar sem agitação ao voltar para casa esqueceu tão bem seus melhores mantimentos a canção que ainda falta um refrão a comida que resta há dias em cima da mesa porque a fome que sentes é outra fome de anjo que extermina dor e dúvida o caderno a que evitas dar o nome de diário porque temes os nomes que alcançam ou não atingem o grau de batismo. um janeiro difícil. estou cansada de me parecer com as pessoas. 20. 29 . pensava na Europa. cansada de me adaptar aos hábitos locais. não. a Europa seria só mais uma grande ilha.(à noite) estou em cinco lugares ao mesmo tempo. esse.

A mira do moleque matou dois. porque há dias se elegeu aos cachos do maestro Chiafarelli. San Pablo de las Neves. Rimos. Aperto-me no espelho até colocar os cabelos bem arrepiados. numa figura que me lembra homens inteligentes e soltos que me divertem no corpo de mulher. tal a rua da minha cidade.1 janeiro Do lado de lá havia chamas xxx das coisas do interior das coisas xxx eu vivia no mundo proibida xxx pra que não me ouvissem xxx podia apenas cantar quando chovia xxx e a água quente pelos seios das minhas pernas xxx não mais cacos de vidro por sobre a cabeça xxx e os poemas que me esperavam sem entrave xxx desde que pus os pés nessa ilha xxx porque não estava frio xxx a chuva me diluía xxx em algum lugar da minha terra xxx o incêndio que se apagava xxx botava submerso todo assunto que me valia xxx 29. Sem querer.1 Silencio tudo aquilo que do meu coração não parte 27. 30 . Acertamos cabeças de siris com amêndoas que caem dos chapéus de sol na praia.1 O que dança na visão do enforcado? dias limpos para trás e os homens que me sorriem na memória ganham de mim um sorriso de retribuição. E meu pai assim me chama de Gomes Cardim. para além da reprodução.26.

triplica e espraia. Os franceses que dias atrás nos viram trabalhando na praia ficaram ligeiramente comovidos. meu coração vagabundo. A palavra é a filha que renasceu do fracasso. comic. Valentine.30 . que tornou a ser sweet.1 Corre o rumor de que sou uma poeta sem lirismo. Entre encantados com uma aparição da cultura datiloscrita ocidental à Bahiá. Achei simpático ou será que foi o narcisismo terciário? 31 . Perguntam se eu penso essas coisas pela minha história ou por alguma história que eu esteja escrevendo (pergunto pra mim) e o vinho abaixa a nossa rotação Valentine. uma escritora sem histórias. replica.

32 .yira-yira As nuvens de vidro nos prédios o úmido vem de dentro da garagem confio na sabedoria dos ambulantes como quem se despede da raiva a vida passando toda nesse esperar o ônibus você que volta atrás em me dizer adeus como quem desce a Consolação e dentro duma luminária descobre nossa lenta constelação.

.. um crocodilo? havia um segredo que não caísse na água? deglutido por esse entre-ser evoluindo III búfalo também não tem mais IV comprei uma passagem pra Amazônia porque eu estava observando uma coisa impressionante no zoológico que era uns primatas que não viviam de dinheiro.montra Descobri que os homens acuavam mamutes pelos desfiladeiros porque era mais fácil derrubá-los do que acertá-los com mira em flecha fiquei imaginando uma flecha pra atravessar o couro de um mamute e quem sabe talvez o mar fosse menos impossível talvez alguma outra divina astúcia me acontecesse assim também e no supermercado exclamar que fertilidade entre abobrinhas poeta do finito e da matéria/ .. limpaladrilho beterraba às vezes a única coisa que eu consigo produzir é uma solidão radical II em alguma parte do marinho bate a luz e nasce um peixe é? os microscópios e satélites não puderam ver poema do escuro que havia que-quê sumiu entre nós./ cantor de um povo/. 33 ..

Ao topo de toda a minha época herói de mim mesmo revigoro: acredito que existam intimidade. 34 . o estômago é o novo coração e o coração é o novo leão. calor e frio.o príncipe Sonhei com alguém pra me proteger ele cortava o mato de uma clareira e eu a cada dia mais perto das ervas rasteiras.

esta paisagem Ou é tudo uma seqüência de imediatos todo dia de manhã ao espelho me tiram num 3x4 e estão enfileirando porta-retratos que se embaçam ao menor contato de respiração humana. 35 .

autognose É automatismo. meu filho. te juro puro enfoque de uma revelação no trato sou uma calha do invisível propulsora a palavra esquenta então passo o texto com giletes e das rasuras nascem flores. 36 .

37 .pro inferno com a literatura este é pro Marcos Numa coincidência infame tivemos a oportunidade Bob Dylan e eu de morrermos os dois amanhã e os amigos lembrariam ah como tinha futuro ah como tinha talento ah como sabia viver ah como tinha sorte ah até que veio que morreu no mesmo dia que o Bob Dylan eu nunca me esqueceria desse dia estavam ambos em Lisboa tomada por um ataque nos eléctricos nos bondes nos pickpockets no pitoresco mundo ibérico dos franceses que em realidade nunca entendem absolutamente nada ah souvenires coqueluches tíquetes de ingresso aos céus! meia dúzia de vezes em um século alguém pode dizer que sua amiga morreu no mesmo dia que o Bob Dylan morreu.

história natural Ele pode até gostar dela mas que sei eu das minhas próprias mãos? 38 .

mulher havia algo com que me deparar vinha desde a noite do nome que dei a algo que sabia tão bem pequena e que até ontem não sabia que sabia bem assim alguma coisa com nome de amor uma luz que às vezes ilumina minhas mãos e há nitidez nas ranhuras das digitais e sinto uma ternura imensa pelo passado pelo futuro tantas vezes é de noite e me acompanha pensar na morte como uma insônia madrugada passada acordei berrando porque pedia pesadelo pra amiga grita grita pra nos salvar ela não gritou ao que eu gritei levantei a cabeça olhei as montanhas das minhas clarezas antes de dormir e escrevi logo ao acordar: esqueci e fiquei olhando as montanhas e as estrelas pra ver se elas se mexiam. 39 .hoje there are some mornings when the sky looks like a road there are some dragons who were built to have and hold Joanna Newson Acalma teu brio de fugir.

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amor .

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esteve comigo. tremia as pernas quando nos beijamos. balançava-as fora do tempo da música que tocava alto. lembro que o puxei para o meu corpo como se eu fosse sólida. livre e desesperado. ele se encaixou. * e descobri que há um barulho que sempre pensei ser do mar mas é um som do vento um marulho que o vento faz. veio branco BRANCO invadindo meu olhar boca tetos e ouvidos. sólida feito uma embalagem tetra-pak de leite cheia. estive com ele. 43 . não.Queria que tua mão me guiasse no escuro do mundo mas tua presença me aclara fiquei confusa * deito uma pedra do meu peito feito carvão no teu caminho o que com ele escreves? * a ternura de um búfalo com medo que as palavras se percam na mandíbula morde um cartão postal * ele é o pássaro.

olha lá que o gelado derrete.* vim de longe porque eu trouxe o fogo * querendo comprar uma quinta e uns patos ficar vendo os patos e dá-los de comer aos filhos * Angelita no norte dizia: -Mamãe. e por baixo do letreiro do restaurante o garçom a dizer: -A pequena de rosa. rasguei a perna ao descer a escada do Universo. * terror do oceano mudar de nome enquanto durmo deve ser assim saber estar pra morrer * decido não tomar mais medidas aos cômodos vou me mostrando como as palavras não encostam nas coisas e as coisas estão livres tão livres que só o ar quando eu era pequena achava que não se devia tomar banho nos dias de chuva que era uma redundância você quer que eu pare com esse papo de amor? 44 .

45 . cestinhas. demorei a entender que ele era tão pequeno e que chorar não adiantava-nos nada. às vezes acontece da vida entrar pela janela uma história da Clarice. hoje de manhã vieram salvá-lo. voou. perguntava assim: o que tenho eu a ver com a vida desse passarinho que veio cair na minha janela por inexperiência? me respondia. ficou preso lá dentro. domingo. né. sem o passarinho. farelos de bolacha pra mantê-lo vivo. mas é a vida.* faz muito tempo que tenho perto da casa escrita a palavra airplane foi só essa semana que fui lá ao lado e escrevi duração * cuida de mim como s’eu fosse um qualquer * ontem chorei por causa de um passarinho. às vezes suas asinhas batiam fazendo schuif schuif schuif. então fiz de tudo. um passarinho do tamanho do meu polegar entrou entre as abas da janela e caiu no fosso em que elas se guardam. varetas. bambus. lanternas. ele abriu a janela e eu peguei o passarinho na mão. estou só agora. tenho tudo a ver com ele e nada dele me diz respeito. se eu abrisse a janela completamente o mataria esmagado. apavorado. precisava de mão de obra especializada.

doc? sim não cancelar 46 .* só me ouvem os moinhos * estou grávida de ti estamos a ver os patos a coaxar e os marrecos correndo as canelas dos bandidos e na hora em que estou quase parindo você me olha à meia luz e diz: ESTOU CERTO DE QUE O FILHO NÃO É MEU SUA MENTIHORORROSSSA e vai embora batendo a porta apagando as velas depois sou eu que fico com o coração batendo abandonado vagabundo feito tatuagem vagabundo * esperarei quarenta e cinco noites e se elas parecerem trezentas é porque quarenta e cinco foram * deseja salvar as alterações em amor.

Teddy Corpete. * bem comportada não vai dar em nada * CENA DE SANGUE NUM BAR DA AVENIDA SÃO JOÃO * não fiz nada eu juro eu tava aqui no escuro e senti o cheiro do aeroporto de Guarulhos * passei a tarde em poemas às dúzias como fotos digitais seqüência de frames de desenho animado a gente vai estrelar junto na tela da televisão eu.* a última vez que nos vimos eu – – – percebi que não sei escrever tinha matado um alce e carreg – – – um poema que fale da tua ando até à margem do lago – – – ausência quero dizer minha deposito ao lado na relva – – – dor de gravetos estalando fogo – – – . enrolando você entre os ossos da bacia 47 .

ficamos olhando. a explosão da alegria linda. sobram os ossinhos do medo entre as ervinhas. um beijo estalado e basta de filosofia. todo nariz sangra um dia. uma guerra que se luta junto”. quase atirou um vaso na cabeça pra que ele ficasse quieto. não é a causa da Andorinha. 48 . e me disse que nunca tinha acreditado que faria. riram. isso porque agora entendo o homem da festa de Paris exclamando para a namorada: “o amor é uma guerra. com eles fazemos um relicário em cetim. e calo. a calçada escura do ensolarado. pousamos junto aos nossos pés. tão rápido e: a explosão da tua alegria é lindo. a longitude. lhe deu uma bebida. que era mexicana. e ela. encosto abertas as palmas da mão. depois fico pelo buraco da porta a espiar que ninguém sobe a escada. imagine’ com um bibliotecário surfista. a porta. isso foi na casa da menina que tinha o mesmo pôster que eu. esse aqui na porta do Brasil. abrace a própria. a andorinha. não. os instintos farejam e comem nossas equações de medos. que vive em ti em você? se não fosse o coração dos animaizinhos eu estava tão sozinha. então escuta.” etc. ‘uma parisiense vivendo em San Diego. a madeira respira por mim. aliados.* mensagem pra dizer: “abraça uma andorinha.

pensando. e como só posso me despir. pensando é para os rochedos entre o mar que o amor se vai quando acaba? ou é na vida sem lógica sentimental dos peixes? uma casa em que se tirassem as paredes e o ar caísse sobre nós? * tenho medo que o tempo tenha apagado nós dois de ti na tua ausência tranço nas palavras porque sei que quando você as lê. são tuas.* POEMA DO MAR DE RESSACA * vim andando de longe. sou poeta. 49 .

* entro no quarto enquanto dormes escuro com a câmera de gravar tudo tão quieto respira tão bem e o meu maquinário tem a propriedade de filmar mas só passa os sonhos do que amamos em cores não sei. se insisto ou se parto. queimando os lugares reticentes do mundo aperto o botão e do início a gravação na tela curta se reproduz de imediato então tu? sonhas a lua? tem uma relva cresce um rio lilás mas lá não estás és o homem que desenha os trajes aos homens na hora de pisarem na lua calculas em ti todos os específicos a respiração do ar lunar e quando um astronauta pisa o solo do satélite tu também encontras a poeira homem subindo as solas e organizando-se à outra gravidade celeste então os homens voltam pra casa os bolsos cheios de estrelas tua ternura de abraçá-los de perto os poros feito uma cratera tomas a pedra sem quarentena entre os dedos o homem do teu sonho não tem medo coloca e chupa dentro da boca é uma bala doce que lá da lua veio sentado com os amigos bebendo uma coca-cola o homem constrói então um novo objeto: 50 .

redes de caçar borboletas para astronautas onde na falta de borboletas lunares se prende o invisível desligo a aparelhagem. então posso. * preciso de ti como se isso fosse um estar no coração de uma selva à noite escura ouvisse a respiração de um animal de olhos firmes se aproximando luminosos entre a folhagem tu és o animal eu sou a árvore a luz vem da cidade * mas não adivinhei se a tua letra é sempre como está no caderno porém. 51 . não era pra dizer isso! é que eu não sinto mais essa luta de romper assim não agora eu sinto mesmo é como se escrever fosse um pássaro que voando no mato se desviasse por dentro das árvores * e os jatinhos a voarem nossa sorte. me deito no fundo escuro da cama e durmo contigo a salivação do oceano.

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azul .

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adivinhação e máscara quem sabe pintura. mergulho no mar feito um gargalo de garrafa se abrindo o peito enquanto engulo toda a sua vaga. anjo surdo traga-me outra fumaça me dê outra maneira de fúria. esgrima? carruagem ou esquadro ou tipo um jogo de tirar palavras num amigo-secreto quem perder primeiro o dadáme a roupa que me ganha num estouro de borbulhante de primeiro do ano beba. enamorado. por favor. 55 .réveillon ou poética Sei que posso ser salsugem na margem de outro ou rabugem em mim que isso lá é mentira de poeta então estalo os dedos. babe na boca.

A forma é um caranguejo. pele de cobra. O júri é muito simpático mas é incompetente. somente quando desenha é que a direita não se entedia. estou tentando amestrar a mão esquerda pra que ela viva sozinha. Como poeta. Mistério sempre há de pintar por aí. travesti presenteada dos adornos. O amor vai nos juntar. Mas. Meu jardim da infância para sempre. O rei já usava azul antes d’eu nascer. inerte de ser a outra que assiste.sábado My eye is a young lady. agora própria fazendo o trabalho. a psicanálise é o meu catolicismo. * Agora que eu sou sincera. corta o pão e também saliva. Caso a outra. de novo. no computador. a esquerda escreve à máquina. hipertrofie. 56 . anel de prata. Hoje não tem Fernando Pessoa. meio débil. pulseira de ébano.

a ilha As embarcações foram feitas pra você que pudesse observá-las ao modo dos loucos que oscilam ao largo do nosso corpo e mordem as ventosas dos peixes expulsa das idéias o pensamento medita o vazio dos espaços interestelares escreve: falo por vós mas não vos compreendo e as luzes do cais na superfície do dilúvio os riscos. 57 .

aceite. 58 .desta amurada O que faço aqui no campo declamando aos metros versos longos e sentidos? Ana Cristina César Aceite este pequeno cascalho empoeirado relicário da minha fé lasca desencarnada de vida e sobre ainda estou em pé inscrevo calcanhares à margem da brita meu coração palpita sem adormecer o rio sem peixes as palavras me acordam pra ver pescadores a ver o mar sem ver as pedras do calçamento são a estrela-d’alva definitiva não sei se migro feito gaivota pro oceano da minha saliva o Tejo é mesmo dentro da gente e pois.

Mas. milhares de partículas no ar denso desse verão dores de cabeça caroços que incham 59 .o espelho imantado Outra vez te revejo. a mim não me revejo! Álvaro de Campos Te pus dormindo sobre o rio trajando o negro de sempre tua imagem bóia comigo nesse vestido de preto rente à janela irias me querer bem aqui. ai. meu deus. perdi a metáfora. como em outros tempos a gravidade dos -40º lá fora mulheres se notaram sem suas estolas neste espelho perdi a matéria minha carne se perdeu II posso discutir com meia-dúzia de amigas o vácuo a estratégia da beleza posso até fotografar-nos posando disso mas não sei se é você que me visita ou é essa luz e meia que me enfeitiça? que sentido faria um amor tão longe de me visitar agora? que é? pombos-correios embratel emails quanta dissipação.

808 miraram sem se ver? não sabem o que ouço da imagem de vidro talvez pela primeira vez este espelho fale português língua cheia de dúvida de conjugar amar ou amando de quem? III vítima e conquistadora a melhor definição de amor não vale um beijo de namorado e nessa tela fria tão sem cheiro tão sem beijo tão sem seu jeito atravessa tua imagem o leito dos meus olhos aos litros e tento meditar se te suicido? 60 .corcundas húngaras contadas na televisão teus olhos por trás de mim em todos os espelhos deste infinito apartamento de Budapeste quantas amostras de gente emolduradas desde 1.

61 .IV é uma maravilhosa sonolência que te traz em imagem enigmática mas como um galho. pela margem. a correnteza estanca pára de rodar o Danúbio nunca vai limpar o Pinheiros e o dedo que me ajeita o cabelo era capaz de ser teu fantasma de pau tua língua minha língua estrangeira de mim em qualquer parte.

Lisboa Parece que há uma luz lá dentro que não se apaga nem mesmo de dia dentro do cômodo branco de cal de modo que ficava dourado e quando a luz incendeia meus olhos cansados é me encostar nas paredes para estar à fresca II me encontro em renomear o mundo com palavras que já são dele: amor. 62 . oceano é o mar que nos divide às vezes resolve uma mulher e sai andando por sobre o Atlântico um dia você será daquela espécie de homemmarfim que parou de respirar e agora só vive debaixo d’água.

63 .me dê de presente o teu bis Quando presa ao ar da vigília procurar minha insistência desistiu voltas num ponto da penumbra e pedes pra que me abra novamente se o mundo fosse um estabelecimento havia de pesar destreza na planilha portas sanfonadas que emperram ferrugens do sangue de ontem mas sabes que banho os poetas ao sol e pelo modo de contagiar os descontentes ouço: vim dizer que o dia te seja calmo e não precises retirar prazer das coisas em dúvida. me recoloco a escrever calados depois dito no ritmo dos passos: silencio tudo aquilo que do meu coração não parte.

64 .romance ao marechal dos ares Deixei um cartão num banco de parque em Amsterdam contava a história completa e as gotas no papel parecem nuvens.

65 .tira ouro do nariz A criança meditativa sobre dinamites sonhou de repente todos os poetas desse país ao tórax enterrados acordou remelenta e descansada abriu a janela e pela rua toda torta tarde muita noite sobre nossos corpos trepavam abóboras em carruagens.

E os ossos magrinhos no raio-x. 66 . Era a compensação de não ser menino. que a mãe só lhe deixava usar pra lavar louça. Fui aos homens. Mas veio de tão antes que sumiu. II Amarra meu cabelo ao corpo deste bebê. Poeta também não tem mais. Estou indo ainda. Podia ao menos. Foi bem antes de você aparecer. essa mulher sem cabeça pra vida. Mas. de astronauta. Fantasiava. A única coisa que me interessa é ficar vendo me devolverem as coisas. era uma coisa. mas discordo de tudo ou plasmo sem sinceridade. não digo muito mais. Tinha uma herdada do irmão mais velho. Fui cair na teoria dos homens.suposições Se pelo menos tivesse nascido mais velho. Vênus em fúrias. Isso com a toalha vermelha nas costas. se ficasse no pensar. dá-lhe um dedo meu pra que chupe. com o pé em cima da máquina exclamar: sou o cavaleiro do aspirador de pó. se quiser o poema me come a carne. Foi só quando você apareceu que comecei a me sentir sozinha. desdobra a existência nesse pensar. O problema é o poema da caixa torácica. E esse pensar. Foi na época que sumiu bem antes de ser alguma coisa mais além do que uma mulher. III Cheguei da fazenda pensando. Pensei: um problema de existência carece então de teorização. Não consigo visitar ninguém. Decorava a ordem dos planetas. Mas quem não tem destino e pensa. Nem sabia porque queria isso. Meu poema que não te atravessa.

O mundo dos homens assim me recebe a convicção. O que me intriga não é de vermos. está no fazer o amor. VII Se pelo menos tivesse nascido mais velho. Enquanto isso tento arranjar alguém em mim que cuide de ti. corredores. V Sim.IV Alguma coisa acredita em mim que está guardado o segredo astrofísico que desaprendi na matéria da escola. continuemos. 67 . O que anseio é a dúvida feroz. VI São fictícios os números dos títulos. Caia madura da mãe. A ti também. avistarei. Avistará.

por mais estriada que pareça não te agarras o bastante e grita no ouvido do homem: sou tua. por que não me diz? 68 . toda superfície.endurece o coração Não dá em nada perdes a esperança é pior sem ela andas correndo substitui-se o vazio pelo sangue bombeado mas a dor nunca passa antes te atravessa a tinta das canetas pigmenta os grisalhos esse poema tinge de branco e irradia. * ou nasce da areia branca.

os miados num abraço a gatinha tem fome e cheiro de ser vivo pela primeira vez em um mês deixo a sala é mais fácil o mar abrir em dois do que interromper o trânsito é por isso que não atravesso a rua meio-dia sou o Torquato de colar de contas descendo as delícias de aves nas mãos ela pensa em casamento no sol de quase dezembro uma mãe me olha saindo pelo corredor até o portãozinho de aço range a filha vai pra escola a mala de rodinha. virei artista os dedos sujos de tinta e o uniforme azul-marinho o cabelo imundo embora a seda tenha rasgado só consigo desafinar o coro dos contentes me alimentar com drogas pra me manter escrevendo acordada e cansada e insuficiente esta melodia chega o texto ao fim e não reviso. it’s friday I’m in love. 69 . vergonha não é a palavra finalmente.strike a poet Tiro fotos da minha casa até acreditar que é uma cidade sigo abraçando cadeiras entre o olhar imperativo dos gatos a mão que afaga este problema a materialidade dos livros ajuda no colegial me chamavam de menina de outra época meu pai dizia que minha avó era uma mulher da terra isso resume pra mim toda a poesia contemporânea de repente ganharam o medo de dizer coração é preciso paciência e a sensibilidade de um peixe. Devem me ver como um dragão rasante.

soneto de separação Maria tinha braços que amavam longos capítulos por isso os finais eram seus favoritos. 70 .

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farewell depois de tantos combates meu amigo Lero pegou o seu corpo e tombou em um rio essa noite lá pelas três nós no Volkswagen meia-seis o estofado improvisado de oncinha barquinho marinheiro fora a vida ao relento os faróis a iluminar o caminho uma baleia andando no retrovisor pela estrada do sítio e chegados para a travessia de cima da ponte o Lero lá na água estava o splash que dali resultou revogou a forma do suicídio sua cauda amarela ficando ocre cheia de um musgo. mas um cheiro de promessa que às vezes libera a maresia cansou a ferida do Lero meu amigo dançador. descorava e as algas de todos os oceanos viravam suas saias o guindaste guinchava içando os cimentos dos corações contra o silêncio dos avaros até que o Lero também se calou e dentro de nós é que chovia a água entrou pelos vidros molhou os papéis e mais nada. 73 .

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posfácio .

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Há hoje todo um aparato editorial que se aciona à placidez política de um país de planos de saúde e imperialismo periférico — e xs poetas produzem conforto às nossas leituras. de ruminação. Em linhas gerais. de sentido histórico. o que se escreve hoje une o jocoso-acidental modernista (atualizado pelo desbunde dos 1970) à auto-satisfação concretista do texto que.PRA PERDER O MEDO DE DIZER CORAÇÃO uma casa em que se tirassem as paredes e o ar caísse sobre nós? Há uma agonia de bagagens. / Há um certo grau de insônia. sincronizado ao melhor da tradição. medo e cruel felicidade cordial. no qual o vivente chega a sofrer dano e por fim se arruína. qual a poesia? Recorte de todos os versos antes escritos . Júlia de Carvalho Hansen percorre com ritos de xamã os caminhos duradouros que nós pisamos. seja ele um homem. No mundo de todos os caminhos / é ainda com pé no chão que se caminha. / Para este tempo de acanhamentos. O livro cantos de estima não está fora nem longe. O poeta é antena da raça / um satélite que só quer amar. mas imbricado no hoje / raspa do musgo vivo 77 . Este texto não será laudatório. tradiciona-se acadêmico e balofo. ou uma civilização. ou um povo. / Simultaneamente a tradição mallarmeana da palavra pela palavra e o extremismo psicanalítico de uma essência que não se alcança.a mordida do novo em dentadas afoitas — galhardias dos medalhões de bons nomes e excelentíssimas relações — Escrever poesia pra disparatada tradição que nos escreve é um embuste.

que tem o livro em mãos. uma edição reduzida de doze exemplares feitos à mão e dados de presente / que agora vêm a maior público. É do texto publicitário ser agradável / e dos mantras pessoais colecionáveis que resultam da poesia consumida. E sem pressa. Dizer a que veio. na titubeante e afirmativa segunda parte dos cantos de estima está escrito o que pode ser o mote de todo o livro: o nosso amor a gente inventa. De qualquer forma. Que não seja preciosidade de fetichistas da poesia — e não é estardalhaço da geração do mimeógrafo — isso só vai depender de você.debaixo das pedras de toque um — subproduto do rock? E morde a tropicália das possibilidades. Uma carta para o mundo para amar. é o amado das cartas portuguesas. Este livro nasce de um artesanato. O leitor-destinatário desses versos não é o hipócrita da modernidade à francesa. E qual a ousadia em ousar dizer amor? Um amor prolixo. Só na entrega é que se ama. não como as cínicas cartas forjadas. 78 . Mas ainda não te disse. Quanto a este livro. Chega então um gesto. Meu amor é pra você. meu amor. Herói de toalha vermelha amarrada no pescoço. eu sugiro que você o mastigue pelos dentes. Talvez você possa lê-lo como uma carta. mais do que um texto. eu posso te dizer que as cartas — e este livro — dificilmente são endereçadas a um leitor imaginário. escreve os diários de Ana Cristina Cesar sem parecer inteligente ou dadivosa. há versos que serviriam melhor de canção. que não se contém / que esbarra em si mesmo seus fragmentos de discurso manjado. seu já-se-disse – – – . mas firme e perigo feito um abraço. Que afaga.

ele se põe a contar notícias de além-mar. Júlia de Carvalho Hansen beira o cafona e o mal-escrito dos melhores textos que hoje se publicam pra perder o medo de dizer coração. Profética e corpórea anuncia: O estômago é o novo coração e o coração é o novo leão. O que ela quer da gente é coragem. junho de 2009 79 . Daqui é construção. E se for uma poeta sem lirismo / Por que não? Por que não? Um conjunto de poemas que alcança a ferocidade humana / pela vida sem lógica sentimental dos peixes / que libertos todos de um aquário que súbito se descobre decorativo e que afunda no meio da água do Atlântico silêncio violento se ouve do cais. Marcos Visnadi São Paulo.Nos cantos de estima você provavelmente não encontrará nada de novo.

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Ama. 2. revisão de texto João Adolfo Hansen posfácio Marcos Visnadi marcosvisnadi@yahoo.br projeto gráfico Eduardo J. os já conhecidos e os ainda-não. edição.blogspot. copyright © 2009 Selo de estimas e grama Hansen. depois parou. Agradeço também a todos presentes nos 12 exemplares como participantes ou incentivadores do projeto.com Agradeço a todos que participaram desta edição e à minha mãe. Começou a escrever aos nove anos de idade.com 83 . Este livro é carne mútua. Selo de estimas e grama. juliadecarvalhohansen@gmail. 2009.com. reclama e é feliz. beijos para todos nós. cantos de estima. São Paulo. em tiragens limitadas em expansão. Júlia de Carvalho. Cintra Mauro a autora Júlia de Carvalho Hansen nasceu em São Paulo no 12 de janeiro de 1984. 120 exemplares. número de páginas. Agradeço finalmente a todos os interlocutores dos meus textos e sobretudo a todos os meus amigos. Sua 1ª edição (2008/09) com 14 poemas pode ser vista em: http://12exemplares-o-livro.cantos de estima é um livro sendo feito. Obrigada.

este exemplar leva o número: _____ .

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