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ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – LEI 8.

069/90,

TURMA 16 E 17 - AULA 08/04/2020

DA VENDA DE PRODUTOS E SERVIÇOS

- A proibição da venda de produtos e serviços impróprios pra crianças e adolescentes está


prevista no ECA, em seu artigo 81, que se inclui: armas, munições, bebidas alcólicas, revsitas e
bilhetes lotéricos.

-Estende-se também qualquer produto que possa causar dependência física ou psíquica, o que
se inclui o thinner, a “cola de sapateiro” e etc.

-As penas para aqueles que violarem estes dispositivos estão nos art. 243 e 244 do ECA.

Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente,
de qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa
causa, outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou
psíquica: (Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015)
Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime
mais grave. (Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015)

Art. 244. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer


forma, a criança ou adolescente fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles
que, pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer dano físico
em caso de utilização indevida:
Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa.

- Proibição de hospedagem de criança ou adolescente em motel, hotel, pensão ou


estabelecimento congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais.

Portaria nº 177, de 13/09/2011, do Ministério do Turismo, que estabelece o Sistema Nacional


de Registro de Hóspedes (SNRHos) e regulamenta a adoção da Ficha Nacional de Registro de
Hóspedes (FNRH) e do Boletim de Ocupação Hoteleira (BOH). Vale dizer que os
estabelecimentos citados (o que inclui os motéis) devem efetuar e manter (inclusive para
conferência pelas autoridades encarregadas de as fiscalizar e/ou pela defesa dos direitos
infantojuvenis) o registro de seus hóspedes e, quando este é efetuado, têm o dever de conferir
a documentação apresentada, de modo a aferir eventual ocorrência de exploração sexual de
crianças e adolescentes em suas dependências. Eventual suspeita deve levar ao acionamento
das autoridades competentes (valendo observar que, na forma do citado art. 70, do ECA, é
“dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do
adolescente”).

DA AUTORIZAÇÃO PARA VIAJAR

Quanto à regulamentação para viagens de crianças ou adolescentes, as alterações promovidas


pela lei 13.812/19, cabe esclarecer que o dispositivo anterior só trazia proibições para o trânsito
de crianças, com o novo dispositivo, ficou claro que as medidas restritivas se aplocarão apenas
ao menores de 16 anos.
- Proibição de viajar para fora da comarca onde reside sem autorização dos pais ou responsáveis.
Art. 83 do ECA.

Exceções:

A criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado: (Redação dada


pela Lei nº 13.812, de 2019)

1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o


parentesco;

2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável.

VIAGEM PARA O EXTERIOR

Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é dispensável, se a criança ou


adolescente:
I - estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável;
II - viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro
através de documento com firma reconhecida.

Nos passaportes emitidos no Brasil, os pais tem que indicar previamente no ato
preenchimento do documento obirgatório de viagem, se autoriza o menor sair do pais na
companhia de apenas um ou somente com os dois pais.

Exemplo jurisprudencial:

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS E MORAIS.


Contratação de pacote turístico familiar para Disney e Nova York, para fins de
confraternização do natal e réveillon. Viagem frustrada já no embarque, em
decorrência da ausência de autorização do outro pai para viagem das duas
crianças ao exterior (art. 84, inc. II, ECA). Apelante, operadora e agência de
turismo, que não informou os Apelados sobre os documentos obrigatórios à viagem
de crianças ao exterior. Violação à boa-fé objetiva, especialmente o dever de
informação. Fato de serviço. Responsabilidade objetiva da Apelante (art. 14 CDC).
Danos materiais e morais configurados. Condenação da apelante à devolução do
valor do pacote turístico (R$ 18.317.48) e ao pagamento de R$ 2.500,00, a título
de danos morais, para cada um dos cinco Apelados. Razoabilidade no caso
concreto. Juros de mora dos danos morais que incidem a partir da citação, por se
tratar de responsabilidade contratual (art. 405 do Código Civil). Sentença
reformada apenas neste ponto. Correção monetária dos danos morais que incidem
a partir do arbitramento (Súmula 362 STJ). Recurso parcialmente provido. (TJ-SP -
APL: 00014868720108260125 SP 0001486-87.2010.8.26.0125, Relator: Tasso
Duarte de Melo, Data de Julgamento: 28/09/2016, 12ª Câmara de Direito Privado,
Data de Publicação: 28/09/2016).
Ainda:

Ação de suprimento de consentimento paterno para realização de viagem ao


exterior pelo prazo de dois anos. Insurgência da genitora requerendo concessão do
prazo extenso para realizar viagens, sem anuência paterna. Não acolhimento.
Decisão recorrida diz respeito à viagem ao exterior e corretamente foi
fundamentada no art. 84, II do ECA, que trata do caso específico, e não no art. 83
do ECA. Proteção dos interesses da menor. Autorização de viagem deve ser
específica para cada viagem, sendo inviável por um período maior. Necessária
análise concreta dos motivos da recusa e do efetivo interesse da menor. Decisão
integralmente mantida. Recurso desprovido. (TJ-SP - AI: 20621451020138260000
SP 2062145-10.2013.8.26.0000, Relator: Mary Grün, Data de Julgamento:
16/04/2014, 7ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 19/05/2014).

- Para criança e adolescente sair do país na companhia de pessoa estrangeira residente ou


domiciliado no exterior, somente com autorização judicial.

DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO.

- A política de atendimento far-se-á atraves de um conjunto de medidas articuladas entre órgão


governamentais e não governamentais, e suas linhas de atendimento estão dispostas no art. 87
incisos de I a VII.

- São traçadas também as diretrizes da política de atendendimento, previstas no arts. 87 e 88, p


odemos destacar:

Municipalização do atendimento; (Rompimento com o modelo anterior, descentralização).

Mobilização da opinião pública no sentido da indispensável participação dos diversos segmentos


da sociedade.
A participação da sociedade na solução dos problemas que afligem a população infantojuvenil,
tida como “indispensável” pela lei e pela CF, pode se dar de variadas formas (através de uma
singela doação ao Fundo Especial da Infância e da Juventude; da participação nas reuniões dos
Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente; do acolhimento de crianças ou adolescentes
sob forma de guarda; do trabalho voluntário em entidades de atendimento; da participação
nas audiências públicas para discussão das propostas de leis orçamentárias, cobrando o
efetivo respeito ao princípio da prioridade absoluta à criança e ao adolescente..

- Aqueles que são membros dos conselhos nacionais, estaduais e municipais não serão
remunerados, por serem considerados de interesse público. Art. 89 ECA.

DAS ENTIDADES DE ATENDIMENTO

-São aquelas entidas responsáveis pelo acolhimentos especializado na criança e no adolescente.


As entidades aqui referidas tanto podem ser governamentais quanto não Governamentais, e
estas útimas podem receber recursos públicos desde que celebrado termo de parceria e esta
seja entidade sem fins lucrativos. Art. 90.

- As entidades não-governamentais poderão funcionar depois de registradas no Conselho


Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual comunicará o Registro ao Conselho
Tutelar. Será negado o registro à entidade que:
Não ofereça instalações à entidade que:
a) Não ofereça instalações físicas em condições adequadas de habilidade, higiene,
salubridade e segurança;
b) Não apresente plano de trabalho compatível com os princípios desta lei;
c) Estaja irregularmente constituída;
d) Tenha em seus quadros pessoas inidôneas.
e) Não se adequar ou deixar de cumprir as resoluções e deliberações relativas à
modalidade de atendimento prestado expedidas pelos Conselhos de Direitos da Criança
e do Adolescente, em todos os níveis.

- O registro terá validade máxima de 04 anos.

- Será equiparado à guardião o dirigente da antidade de acolhimento. Art. 92, parágrafo


primeiro.

- (Isso tem caído com frequência nas provas de concurso e exame de ordem!)As entidades que
mantenham programa de acolhimento institucional poderão, em caráter excepcional e de
urgência, acolher crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente,
fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude,
sob pena de responsabilidade. Art. 93.

- A fiscalização das entidades governamentais e não governamentais referidas no art. 90 serão


fiscalizadas pelo judiciário, pelo Ministério Público e pelos Conselhos Tutelares.