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FACULDADE GAMALIEL – CURSO DE DIREITO

Prof° Samir Anthunes Mattos Cordeiro


Email: samiranthunes@gmail.com
TURMA 9° SEMESTRE

AULA 15/04/2020

DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO


-As medidas de proteção da criança e do adolescente são aplicáveis sempre
que os direitos reconhecidos forem ameaçados ou violados:
a) Por ação ou omissão da sociedade ou do Estado.
b) Por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável.
c) Em razão de sua conduta.

- O art. 101, nos traz que verificada a ocorrência de alguma das hipóteses acima,
a autoridade competente poderá determinar, cumulativamente ou não, as
seguintes medidas:
I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de
responsabilidade;
Obs: Não por acaso relacionada em primeiro lugar, esta medida
mostra a preocupação do legislador em realizar as intervenções
necessárias com a criança ou o adolescente junto à sua família. Isto
não significa, no entanto, que o encaminhamento da criança ou
adolescente a seus pais ou responsável (notadamente quando
constatado que este se encontra numa situação “de rua” ou tenha
fugido de casa, por exemplo) deva ocorrer de forma “automática” e/ou
sem maiores cautelas. Como nos demais casos, antes da aplicação
desta medida é necessário ouvir a criança ou o adolescente atendidos
e submetê-los a uma avaliação técnica interdisciplinar, de modo a
descobrir o porquê da situação, que pode ter se originado por grave
omissão ou abuso dos pais ou responsável.

II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;


III - matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino
fundamental;
IV - inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção da
família, da criança e do adolescente;
IV - inclusão em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio
e promoção da família, da criança e do adolescente; (Redação dada pela Lei nº
13.257, de 2016)
V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime
hospitalar ou ambulatorial;
VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e
tratamento a alcoólatras e toxicômanos;
A exemplo, temos o jugado do Tribunal de Justiça do Estado do Pará:

EMENTA: INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA. APELAÇÃO.


RECEBIMENTO DO RECURSO NO EFEITO SUSPENSIVO.
PRECLUSÃO TEMPORAL. PRELIMINAR PREJUDICADA. ATO
INFRACIONAL. ANÁLOGO AO PREVISTO NO ARTIGOS 157, § 2º,
I E II DO CÓDIGO PENAL. AUTORIA E MATERIALIDADE
COMPROVADAS. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE
SEMILIBERDADE. ADEQUADA. CUMULAÇÃO COM MEDIDAS
PROTETIVAS DISPOSTAS NO ART. 101 ECA, INCISOS III, IV, V e
VI. NECESSIDADE. 1- O Juízo a quo recebeu a apelação apenas no
efeito devolutivo, e contra essa decisão não houve interposição de
agravo de instrumento. Logo, não há como proceder à análise do
pedido de efeito suspensivo, pois sobre a matéria operou-se a
preclusão temporal. Preliminar prejudicada. 2- Materialidade delitiva e
autoria comprovadas diante das provas documentais, depoimento da
vítima e testemunhas carreadas aos autos, bem como pela confissão
do apelante. 3- Configurada prática de ato infracional análogo ao
delito tipificado no artigo 157, § 2º, I e II do Código Penal, que já impõe
a aplicação da medida de semiliberdade, a teor do previsto no artigo
120, do ECA; 4- Na aplicação de medida socioeducativa deve ser
considerada a necessidade pedagógica do menor, sem olvidar
das circunstâncias e gravidade da infração. Logo, deve cumulada
com a internação, ao adolescente necessitado, a medida
protetiva prevista no artigo 101, VI do ECA; 5- Apelação
conhecida,a1 preliminar prejudicada, e no mérito, recurso desprovido
para manter a sentença. (TJ-PA - APL: 00123366620148140006
BELÉM, Relator: CELIA REGINA DE LIMA PINHEIRO, Data de
Julgamento: 09/11/2015, 2ª CÂMARA CÍVEL ISOLADA, Data de
Publicação: 26/11/2015).

VII - abrigo em entidade;


VII - acolhimento institucional; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência

VIII - colocação em família substituta.


VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar; (Redação dada pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
IX - colocação em família substituta. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
-Cabe salientar que o princípios que regem essas medidas, fundamentados no
art. 100, parágrafo único e incisos, entre outros, são:
a) Condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos.
b) Proteção integral e prioritária.
c) Responsabilidade primária e solidária do poder público e da possibilidade
de execução de programas por entidades não governamental.

d) Privacidade.

e) Intervenção precoce.

f) Intervenção Mínima.

g) Proporcionalidade e atualidade.

h) Responsabilidade parental.

i) Prevalência da Família.

j) Obrigatoriedade da informação.

k) Oitiva obrigatória e participação.

- Sempre que o ocorrer a necessidade de acolhimento familiar, este deve ser


realizado no local mais próximo da residência da criança e do adolescente,
para que a família de origem, também devidamente amparada possa manter
contato com o acolhido. Art. 101, § 7°.

- Verificada a impossibilidade de reintegração familiar à família de origem, deverá


ser enviado ao MP relatório pormenorizado, assinado pelos técnicos ou
responsáveis pela execução da política municipal, com as devidas
recomendações para a destituição do poder familiar ou destituição de tutela ou
guarda.

- Art. 102. As medidas de proteção de que trata este Capítulo serão


acompanhadas da regularização do registro civil. (Vide Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
§ 1º Verificada a inexistência de registro anterior, o assento de nascimento da
criança ou adolescente será feito à vista dos elementos disponíveis,
mediante requisição da autoridade judiciária.

§ 2º Os registros e certidões necessários à regularização de que trata este artigo


são isentos de multas, custas e emolumentos, gozando de absoluta prioridade.

§ 3 o Caso ainda não definida a paternidade, será deflagrado procedimento


específico destinado à sua averiguação, conforme previsto pela Lei n o
8.560, de 29 de dezembro de 1992.

Obs: É preciso lembrar que o direito ao reconhecimento do estado de filiação é


um direito personalíssimo (cf. art. 27, do ECA), que não pode ser objeto de
“disposição” quer por parte da mãe, quer por parte do Poder Público (incluindo o
Poder Judiciário e Ministério Público), que na forma da lei tem o dever de apurar
a paternidade da criança/adolescente. É importante orientar a mãe quanto ao
direito de seu filho saber a identidade de seu pai (valendo observar o disposto
no art. 100, par. único, inciso XI, do ECA), assim como é preciso reconhecer que
este tem o direito de saber que tem um filho, pois pode ter interesse em assumir
a paternidade que lhe é atribuída. Vale observar que, além de o Ministério
Público ter a atribuição de ingressar, se necessário, com a competente ação de
investigação de paternidade (cf. art. 2º, §4º, da Lei nº 8.560/1992), nos moldes
do disposto no art. 2º-A, da Lei nº 8.560/1992, a recusa do réu em se submeter
ao exame de código genético - DNA, gera a presunção da paternidade, que deve
ser apreciada em conjunto com o contexto probatório contido nos autos.

§ 4 o Nas hipóteses previstas no § 3 o deste artigo, é dispensável o


ajuizamento de ação de investigação de paternidade pelo Ministério
Público se, após o não comparecimento ou a recusa do suposto pai em
assumir a paternidade a ele atribuída, a criança for encaminhada para
adoção. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

§ 5 o Os registros e certidões necessários à inclusão, a qualquer tempo, do


nome do pai no assento de nascimento são isentos de multas, custas e
emolumentos, gozando de absoluta prioridade. (Incluído dada pela Lei nº
13.257, de 2016)

§ 6 o São gratuitas, a qualquer tempo, a averbação requerida do


reconhecimento de paternidade no assento de nascimento e a certidão
correspondente. (Incluído dada pela Lei nº 13.257, de 2016).
DA PRÁTICA DE ATO INFRACIONAL

- Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção


penal. Art. 103 do ECA.
- Para os efeitos desta lei deve ser considerada a idade do adolescente à
data do fato. Art. 104 parágrafo único.
Temos como exemplo:
APELAÇÃO. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO
INFRACIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS
(ART. 33, CAPUT, DA LEI N. 11.343/06). EXTINÇÃO DO
PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO SEM RESOLUÇÃO DO
MÉRITO POR TER O ADOLESCENTE COMPLETADO 18
(DEZOITO) ANOS DURANTE O PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO
DO ATO ILÍCITO. (...)ART. 104, PARÁGRAFO ÚNICO, DO ECA).
POSSIBILIDADE DE SUJEIÇÃO DO INFRATOR AOS
DISPOSITIVOS DO ESTATUTO ATÉ QUE ATINJA 21 (VINTE E UM)
ANOS (ARTIGOS 2º, PARÁGRAFO ÚNICO, E 121, § 5º, DO ECA).
MUDANÇA DA MAIORIDADE CIVIL INTRODUZIDA PELO CÓDIGO
CIVILISTA DE 2002 QUE NÃO INTERFERE NA INTERPRETAÇÃO
DAS NORMAS ESTABELECIDAS NO ESTATUTO. LEI ESPECIAL
QUE PREVALECE SOBRE A GERAL. PROSSEGUIMENTO DO
FEITO QUE SE IMPÕE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 1.
Por força do que dispõem os artigos 2º, parágrafo único; 104,
parágrafo único e 121, § 5º, da Lei n. 8.069/90, o adolescente que
comete ato infracional deve sujeitar-se aos ditames do Estatuto
da Criança e do Adolescente ainda que, durante o curso do
processo de apuração do ilícito, atinja a maioridade penal, uma
vez que, para os fins do Estatuto, deve ser levada em conta a
idade do agente na data dos fatos, e não no curso do processo
ou no cumprimento de medida socioeducativa que lhe venha a
ser imposta. 2. O único limite etário que há, nesse sentido, é em
relação à execução de eventual medida socioeducativa, que não
poderá ultrapassar os 21 (vinte e um) anos do infrator. 3. O
Superior Tribunal de Justiça já afirmou que "o ECA registra posição
de excepcional especialidade tanto em relação ao Código Civil como
ao Código Penal, que são diplomas legais de caráter geral, o que a
[...] (TJ-SC - APL: 20130284675 SC 2013.028467-5 (Acórdão),
Relator: Paulo Roberto Sartorato, Data de Julgamento: 08/07/2013,
Primeira Câmara Criminal Julgado, Data de Publicação: 22/07/2013
às 07:26. Publicado Edital de Assinatura de Acórdãos Inteiro teor Nº
Edital: 6557/13 Nº DJe: Disponibilizado no Diário de Justiça Eletrônico
Edição n. 1676 - www.tjsc.jus.br)
- São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às medidas
previstas nesta lei.

- Toda conduta que a Lei (Penal) tipifica como crime ou contravenção, se


praticada por criança ou adolescente é tecnicamente denominada “ato
infracional”. Importante destacar que esta terminologia própria não se trata de
mero “eufemismo”, mas sim deve ser encarada com uma norma especial de
Direito da Criança e do Adolescente, que com esta designação diferenciada
procura enaltecer o caráter extrapenal da matéria, assim como do
atendimento a ser prestado ao adolescente em conflito com a lei.

DOS DIREITOS INDIVIDUAIS

- Nenhum adolescente será privado de sua liberdade, senão em flagrante de ato


infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária
competente. Art. 106.

- A apreensão de qualquer adolescente deverá ser comunicada imediatamente


à família e a autoridade competente.

- A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de


quarenta e cinco dias antes da sentença, desde que haja materialidade suficiente
e imperiosa da medida Art. 108.

Um exemplo de um RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS provido no


SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA:

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA


CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO INFRACIONAL
EQUIPARADO AO DELITO DE ROUBO DUPLAMENTE
MAJORADO. MEDIDA DE INTERNAÇÃO PROVISÓRIA. ART. 108
DA LEI N. 8.069/90. 45 (QUARENTA E CINCO) DIAS. PRAZO
MÁXIMO ULTRAPASSADO. RECURSO ORDINÁRIO PROVIDO. A
medida cautelar de internação, antes da sentença, não pode se
estender por prazo superior a quarenta e cinco dias, ex vi do art. 108
do Estatuto da Criança e do Adolescente (precedentes). Recurso
ordinário provido para, confirmando a liminar anteriormente
deferida, determinar a desinternação dos recorrentes, que
deverão aguardar em liberdade a decisão final do procedimento
judicial apuratório de ato infracional, salvo se estiverem
internados por outro motivo. (STJ - RHC: 83326 SE 2017/0086193-
7, Relator: Ministro FELIX FISCHER, Data de Julgamento:
20/06/2017, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe
30/06/2017)
DAS GARANTIAS PROCESSUAIS

-Art. 110. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido
processo legal.

-Art. 111. São asseguradas ao adolescente, entre outras, as seguintes garantias:

I - pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação


ou meio equivalente;

II - igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e


testemunhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa;

AGRAVO DE INSTRUMENTO - ESTATUTO DA CRIANÇA E DO


ADOLESCENTE - INSURREIÇÃO OBJETIVANDO A
DECLARAÇÃO DE NULIDADE, EM FACE DA AUSÊNCIA DE
INTIMAÇÃO DO REPRESENTADO PARA AUDIÊNCIA DE
INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA - IMPRESCINDIBILIDADE -
VIOLAÇÃO À GARANTIA DA IGUALDADE NA RELAÇÃO
PROCESSUAL - INTELIGÊNCIA DO ART. 111, II, DA LEI N.
8.069/90. Tratando-se de disposição que visa a dar garantias
processuais ao adolescente, a falta de intimação acerca da
audiência de instrução implica em afronta ao princÍpio da
igualdade entre as partes, ali contido, levando-se à nulidade do
processo a partir do ato. PEDIDO DE FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS - INVIABILIDADE - DEFENSOR NOMEADO PARA
EFETUAR A DEFESA DE ADOLESCENTE DURANTE O
TRANSCORRER DO PROCESSO - OBSERVÂNCIA DA LEI
COMPLR ESTADUAL N. 155/97. "A remuneração prevista para os
atos isolados somente será devida para os advogados não nomeados
assistentes judiciários no processo" (item 4, notas gerais). AGRAVO
PARCIALMENTE PROVIDO. (TJ-SC - AI: 380572 SC 2009.038057-
2, Relator: Moacyr de Moraes Lima Filho, Data de Julgamento:
30/11/2009, Terceira Câmara Criminal, Data de Publicação: Agravo
de Instrumento n. , de Catanduvas)

III - defesa técnica por advogado;

IV - assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei;

V - direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente;

VI - direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase


do procedimento.