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Portugal, oficialmente República Portuguesa,[10][nota 9] é um país soberano[nota

10]
 unitário localizado no sudoeste da Europa, cujo território se situa na zona ocidental
da Península Ibérica e em arquipélagos no Atlântico Norte. O território português tem uma
área total de 92 090 km²,[11] sendo delimitado a norte e leste por Espanha e a sul e oeste
pelo oceano Atlântico, compreendendo uma parte continental e duas regiões autónomas:
os arquipélagos dos Açores e da Madeira. Portugal é a nação mais a ocidente do
continente europeu. O nome do país provém da sua segunda maior cidade, Porto, cujo
nome latino-celta era Portus Cale.[12][13]
O território dentro das fronteiras atuais da República Portuguesa tem sido continuamente
povoado desde os tempos pré-históricos: ocupado por celtas, como os galaicos e
os lusitanos, foi integrado na República Romana e mais tarde colonizado por povos
germânicos, como os suevos e os visigodos. No século VIII, as terras foram
conquistadas pelos mouros. Durante a Reconquista cristã foi formado o Condado
Portucalense,  estabelecido no século IX por Vímara Peres, um vassalo do rei das
Astúrias.[14] O condado tornou-se parte do Reino de Leão em 1097, e os condes de
Portugal estabeleceram-se como governantes independentes do reino no século XII, após
a batalha de São Mamede.[15] Com o estabelecimento do Reino de Portugal em 1139,
cuja independência foi reconhecida em 1143. Em 1297 foram definidas as
fronteiras no tratado de Alcanizes, tornando Portugal no mais antigo Estado-nação da
Europa.[16][17] Nos séculos XV e XVI, como resultado de pioneirismo na Era dos
Descobrimentos (ver: descobrimentos portugueses), Portugal expandiu a
influência ocidental e estabeleceu um império que incluía possessões
na África, Ásia, Oceânia e América do Sul, tornando-se a potência económica, política e
militar mais importante de todo o mundo. O Império Português foi o primeiro império
global da História[18] e também o mais duradouro dos impérios coloniais europeus,
abrangendo quase 600 anos de existência, desde a conquista de Ceuta em 1415,[19] até à
transferência de soberania de Macau para a China em 1999. No entanto, a importância
internacional do país foi bastante reduzida durante o século XIX, especialmente após
a independência do Brasil, a sua maior colónia.
Com a Revolução de 1910, a monarquia terminou, tendo desde 1139 até 1910, 34
monarcas. A Primeira República Portuguesa foi muito instável, devido ao
elevado parlamentarismo. O regime deu lugar à ditadura militar devido a um levantamento
em 28 de maio de 1926. Em 1933, um novo regime autoritário, o Estado Novo, presidido
por Salazar até 1968, geriu o país até 25 de abril de 1974. A democracia representativa foi
instaurada após a Revolução dos Cravos, em 1974, que terminou a Guerra Colonial
Portuguesa. As províncias ultramarinas de Portugal tornaram-se independentes, sendo as
mais proeminentes Angola e Moçambique.
Portugal é um país desenvolvido,[20] com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
considerado como muito elevado. O país foi classificado na 19.ª posição em qualidade de
vida (em 2005),[21] tem um dos melhores sistemas de saúde do planeta e é, também, uma
das nações mais globalizadas e pacíficas do mundo.[22] É membro da Organização das
Nações Unidas (ONU), da União Europeia (incluindo a Zona Euro e o Espaço Schengen),
da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), da Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa (CPLP). Portugal também participa em diversas missões de
manutenção de paz das Nações Unidas.

Índice

 1Etimologia
 2História
o 2.1Primeiros povos
o 2.2Ibéria muçulmana
o 2.3Reconquista e Condado Portucalense
o 2.4Descobrimentos e Dinastia Filipina
o 2.5Restauração, absolutismo e liberalismo
o 2.6Era Napoleónica
o 2.7Primeira República e Estado Novo
o 2.8Restauração da democracia e integração europeia
 3Geografia
o 3.1Clima
o 3.2Fauna e flora
 4Demografia
o 4.1Composição étnica
o 4.2Línguas
o 4.3Religião
o 4.4Localidades mais populosas
 5Política
o 5.1Governo
o 5.2Sistema judicial
o 5.3Relações externas
o 5.4Forças militares e policiais
 6Subdivisões
o 6.1NUTS
o 6.2Áreas urbanas
 7Economia
o 7.1Setores
o 7.2Turismo
 8Infraestrutura
o 8.1Educação
o 8.2Saúde
o 8.3Ciência e tecnologia
o 8.4Comunicações
o 8.5Energia
o 8.6Transportes
o 8.7Água e saneamento
 9Cultura
o 9.1Literatura
o 9.2Música e dança
o 9.3Arquitetura
o 9.4Gastronomia
o 9.5Desporto
o 9.6Feriados
 10Ver também
 11Notas
 12Referências
 13Bibliografia
 14Ligações externas

Etimologia
O nome Portugal apareceu entre os anos 930 a 950 da Era Cristã, sendo no final
do século X que começou a ser usado com mais frequência. O Rei Fernando I de Leão e
Castela, chamado o  Magno, denominou oficialmente o território de Portugal, quando,
em 1067, o deu ao seu filho D. Garcia, que se intitulou rei do mesmo nome. [23] No século V,
durante o reinado dos Suevos, Idácio de Chaves já escrevia sobre um local
chamado Portucale, para onde fugiu Requiário:
Rechiarius ad locum qui Portucale appellatur, profugus regi Theudorico captivus
adducitur: quo in custodiam redacto, caeteris qui de priore certamine superfuerant,
tradentibus se Suevis, aliquantis nihilominus interfectis, regnum destructum et finitum est
Suevorum[24] (Requiário fugitivo ao lugar ao qual chamam Portucale, foi levado como
prisioneiro ao rei Teodorico. Foi posto sob custódia, enquanto o resto dos suevos
sobreviventes à anterior batalha renderam-se — apesar de alguns terem morrido —; desta
maneira o reino dos Suevos foi extinto.)

Cale, a atual Vila Nova de Gaia, já era conhecida por Portucale no tempo dos godos.


[23]
 Num diploma de 841, surge por incidente, a primeira menção da
província portugalense. Afonso II das Astúrias, ampliando a jurisdição espiritual
do Bispo de Lugo, diz:
Totius galleciae, seu Portugalensi Provintiae summun suscipiat Praesulatum. [25] (Que ele
tome o governo supremo de toda a província da Galiza e de Portugal.)

Há quem afirme que Portugal teria derivado de Portogatelo, nome dado por um chefe


oriundo da Grécia chamado Catelo, ao desembarcar e se estabelecer junto do atual Porto.
[26]
 A primeira vez que o nome de Portugal aparece como elemento de raiz heráldica, é
numa carta de doação da Igreja de São Bartolomeu de Campelo por D. Afonso
Henriques em 1129.[27]

História
Ver artigo principal: História de Portugal

Primeiros povos
Ver artigos principais: Povos ibéricos pré-
romanos, Romanização, Lusitânia, Galécia e Invasões bárbaras

Citânia de Briteiros em São Salvador de O Templo de Diana, em Évora, construído


Briteiros. durante o domínio romano.
A pré-história de Portugal é partilhada com a do resto da Península Ibérica. Os vestígios
humanos modernos mais antigos conhecidos são de homens de Cro-Magnon com "traços"
de Neanderthal, com 24 500 anos e que são interpretados como indicadores de extensas
populações mestiças entre as duas espécies. São também os vestígios mais recentes de
seres com caraterísticas de Neandertal que se conhece, provavelmente os últimos da sua
espécie[28] Há cerca de 5500 a.C., surge uma cultura mesolítica. [29] Durante o Neolítico a
região foi ocupada por pré-celtas e celtas, dando origem a povos como
os galaicos, lusitanos e cinetes, e visitada por fenícios[30] e cartagineses.
Os romanos incorporaram-na no seu Império como Lusitânia [31] (centro e sul de Portugal),
após vencida a resistência onde se destacou Viriato.[29]
No século III, foi criada a Galécia, a norte do Douro, a partir da Tarraconense, abrangendo
o norte de Portugal. A romanização marcou a cultura, em especial a língua latina, que foi a
base do desenvolvimento da língua portuguesa.[32] Com o enfraquecimento do império
romano, a partir de 409, o território é ocupado por povos
germânicos como vândalos na Bética, alanos que fixaram-se na Lusitânia e suevos na
Galécia. Em 415 os visigodos entram na Península, a pedido dos romanos, para expulsar
os invasores. Vândalos e alanos deslocam-se para o norte de África. Os suevos e
visigodos fundam os primeiros reinos cristãos.

Ibéria muçulmana
Ver artigos principais: Invasão muçulmana da Península Ibérica e Al-Andalus

O Califado de Córdoba no início do século X

Estátua de Abu Alcacim Amade ibne Huceine ibne Cassi em frente ao Castelo de
Mértola no Alentejo.

O Portugal continental atual, juntamente com a maior parte da Espanha moderna, fazia


parte de al-Andalus entre 726 e 1249, após a conquista da Península Ibérica pelo Califado
Omíada. Esse domínio islâmico durou de algumas décadas no norte a cinco séculos no
sul.[33]
Depois de derrotar os visigodos em apenas alguns meses, o Califado Omíada começou a
se expandir rapidamente na península. A partir de 726, o território português atual tornou-
se parte do vasto império omíada centrado em Damasco, que se estendia do rio
Indo no subcontinente indiano ao sul da França, até seu colapso em 750. Naquele ano, o
oeste do império ganhou sua independência sob Abderramão I com o estabelecimento
do Emirado de Córdoba. Depois de quase dois séculos, o emirado tornou-se o Califado de
Córdoba em 929, até sua dissolução, em 1031, em 23 pequenos reinos, chamados reinos
de Taifa.[33]
Os governadores dos Taifas se proclamaram Emir de suas províncias e estabeleceram
relações diplomáticas com os reinos cristãos do norte. A maior parte de Portugal caiu nas
mãos da Taifa de Badajoz da Dinastia Abássida, e após um curto período de uma efêmera
Taifa de Lisboa em 1022, caiu sob o domínio da Taifa de Sevilha dos poetas dos abádidas.
O período dos reinos Taifa terminou com a conquista pelos almorávidas, que vieram
do Marrocos em 1086 e tiveram uma vitória decisiva na Batalha de Zalaca. Al-Andaluz foi
dividida em diferentes distritos chamados cora. O Algarbe Alandalus, no seu auge, era
constituído por dez coras,[34] cada um com uma capital e governadores distintos. As
principais cidades do período situavam-se na metade sul do país. A população muçulmana
da região consistia principalmente de ibéricos nativos convertidos para o Islã (os
chamados muladis) e berberes. Os árabes eram principalmente nobres da Síria e Omã; e
embora poucos em menor número, eles constituíam a elite da população. Os berberes
eram originalmente das montanhas do Atlas e Rife do norte da África e eram nômades.[33]

Reconquista e Condado Portucalense


Ver artigos principais: Reconquista, Condado Portucalense e Independência de
Portugal

Cerco de Lisboa, em 1147.

Mapa político do noroeste da Península Ibérica no final do século XII

Em 868, durante a Reconquista, foi formado o Condado Portucalense,[35] o núcleo do


Estado Português, estabelecidocomo parte da Reconquista do reino das Astúrias,
por Vímara Peres.[14][15] O condado tornou-se parte do Reino de Leão em 1097.[14][15]
Muito antes de Portugal conseguir a sua independência, já tinha havido algumas tentativas
de alcançar uma autonomia mais alargada e até a independência foi tentada por parte dos
condes que governavam as terras do Condado da Galiza e de Portucale (com destaque
para Nuno Mendes). Para anular as tentativas de independência da nobreza local em
relação ao domínio leonês, o Rei Afonso VI entregou o governo do Condado da Galiza
(que nessa altura incluía as terras de Portucale) ao Conde Raimundo de Borgonha, seu
genro. Após muitos fracassos militares de D. Raimundo contra os mouros, Afonso VI
decidiu entregar em 1096 ao primo deste, o Conde D. Henrique, também ele genro do rei,
o governo das terras mais a sul do Condado da Galiza, (re)fundando assim o Condado
Portucalense.
Com o governo do Conde D. Henrique, o Condado Portucalense conheceu não só uma
política militar mais eficaz na luta contra os mouros, como também uma política
independentista mais ativa. Só após a sua morte, quando o seu filho D. Afonso
Henriques subiu ao poder, Portugal conseguiu a sua independência, com a assinatura em
1143 do Tratado de Zamora, ao mesmo tempo que conquistou localidades importantes
como Santarém, Lisboa, Palmela (que foi abandonada pelos mouros após a conquista de
Lisboa) e Évora, esta conquistada por Geraldo Sem Pavor aos mouros.[36]
Terminada a Reconquista do território português em 1249, a independência do novo reino
viria a ser posta em causa várias vezes por Castela. Primeiro, na sequência da crise de
sucessão de D. Fernando I, que culminou na Batalha de Aljubarrota, em 1385.[37]

Descobrimentos e Dinastia Filipina


Ver artigos principais: Descobrimentos portugueses e Império Português
Vasco da Gama chega a Calecute, Índia, a 20 de maio de 1498.

Com o fim da guerra, Portugal deu início ao processo de exploração e expansão


conhecido por Descobrimentos. As figuras mais importantes foram o infante D. Henrique, o
Navegador, e o Rei D. João II. Ceuta foi conquistada em 1415. O cabo Bojador foi dobrado
por Gil Eanes em 1434 e a exploração da costa africana prosseguiu até que Bartolomeu
Dias, já em 1488, comprovou a comunicação entre os oceanos Atlântico e Índico ao dobrar
o cabo da Boa Esperança.[38]
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