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O Iluminismo

Introdução:
 O Iluminismo foi um movimento intelectual, filosófico e científico que, ocorreu na Europa,
entre a segunda metade do século XVII e do século XVIII. França, foi o país onde teve maior
expressão, sendo assim o palco do grande desenvolvimento da Ciência e da Filosofia. Teve
ainda maior influência no contexto cultural, social, político e espiritual em diversos países.
 É conhecido como a "Época das Luzes", um período de transformações na estrutura social
da Europa, onde Liberdade e o conhecimento do Progresso e do Homem eram vistos como
necessários para atingir a felicidade.
 O Iluminismo foi também um processo desenvolvido para corrigir as desigualdades da
sociedade e garantir os direitos naturais do indivíduo. Os iluministas acreditavam que Deus
estava presente na natureza e também no próprio indivíduo, sendo possível descobri-lo por
meio da razão.

Princípios gerais do Iluminismo:


 Universalidade: O Iluminismo visa a igualdade de todos os seres humanos,
independentemente das barreiras nacionais ou étnicas.
 Individualidade: Os seres humanos devem ser vistos como pessoas concretas e não apenas
como integrantes de uma coletividade.
 Autonomia: Os homens estão aptos a pensar por si mesmos, sem a tutela da religião ou
ideologia, e para agir no espaço público a fim de adquirir, por meio de seu trabalho, os bens
e serviços necessários à sobrevivência.

Características do Iluminismo:
 Defesa do conhecimento racional (poder da razão);
 Contrários ao Mercantilismo e Absolutismo monárquico;
 Apoiado pela burguesia;
 Defesa dos direitos naturais do indivíduo (liberdade e livre posse de bens, por exemplo);
 Defesa da liberdade econômica (sem interferência do Estado);
 Defesa de maior liberdade política;
 Antropocentrismo (avanço da ciência e razão humana);

Defesa dos direitos naturais do ser humano:


 A ideia de direito natural ganhou especial relevância durante o período das Luzes.
John Locke defendeu a liberdade e a igualdade entre os homens como elementos
naturais presentes nas sociedades humanas. Muitos Iluministas consideravam que o
direito natural se assumia como um sistema comum a todo o ser humano.
 A lei natural assentava numa moral, à qual o Homem, por ser racional, se devia
submeter. Era, assim, através da experiência e da razão que o ser humano obtinha
essa moral que garantia um equilíbrio nas relações com os indivíduos.
 Em conformidade com a Teoria do Direito Natural, o Homem era considerado "soberano por
natureza", sendo o Direito Natural o determinador da liberdade e integridade individual, que
deveria ser respeitada.

Teoria do «Contrato Social»:

 A vida em sociedade levara a que o indivíduo renunciasse a uma parte dessa


liberdade natural, submetendo-se a uma autoridade política que devia garantir a
manutenção da ordem social. Assim sendo, era estabelecido um acordo entre o
governo e o indivíduo, ou seja, um contrato social. Esta teoria foi defendida por
diversos autores, entre os quais se destacaram John Locke e Jean-Jacques
Rousseau.

Teoria do «Contrato Social» defendida por Jean-Jacques Rousseau:


 Rousseau defendia que os homens nasciam livres e iguais. No entanto, o homem
perde essa liberdade natural, sendo necessário o estabelecimento de um contrato
social que o aproximaria do estado natural.
 O filósofo idealiza, uma sociedade organizada mediante um contrato, segundo o
qual os indivíduos deveriam renunciar os seus direitos e a sua liberdade aos
governantes, atendendo ao bem comum público.
 A ideia de contrato social segundo este filósofo, retrata um novo conceito do
pensamento político, onde a sociedade organiza-se por meio de um contrato, no
qual, indivíduos e governantes, deveriam respeitar a vontade da maioria, ou seja,
geral.
 Na sua obra, "O Contrato Social", Rousseau reforça a ideia de que a soberania
popular se mantinha continuando a ter o direito à liberdade, podendo usá-la quando
a autoridade política se afastasse dos seus fins. Neste caso, a autoridade política
podia e devia ser legitimamente derrubada pelo povo. Para os iluministas o poder
tirânico era equivalente ao desrespeito pelos direitos naturais.

Teoria do «Contrato Social» defendida por John Locke:

 John Locke defendia a ideia de um contrato livremente assumido entre os


governados e os governantes e, por este contrato, o povo conferia aos seus
governantes a autoridade necessária ao bom funcionamento do corpo social, nunca
abdicando, assim, do direito à sua liberdade.
 Caso este contrato fosse quebrado, ou seja, se o poder régio abusa-se de poder e
não respeita-se o contrato, o filósofo considerava justo a deposição do monarca.

Desta forma, a união dos indivíduos através do contrato tinha implícita a


possibilidade de destituição o que significava que a sociedade mantinha parte da sua

liberdade perante o governo.


 Neste sentido, a ideia de contrato social decorria a certeza que o povo se assumia

como detentor do poder que partilhava, através do contrato, com o soberano. Era
através das leis e da partilha do poder que a sociedade se organizava.

Teoria da separação de poderes:


 No século XVIII, as transformações do pensamento político exigiam um novo modelo
político que substituísse o absolutismo. A divisão dos três poderes foi determinante
nesse novo modelo.
 O político francês Charles Montesquieu foi o grande sistematizador do modelo dos
Três Poderes, sendo também o responsável por organizar o modelo político que
caracterizou o Estado Democrático de Direito.
 Montesquieu fez a apologia das instituições políticas e dos governos que
protegessem a liberdade dos indivíduos e que respeitassem os seus direitos. Tomou
como exemplo a monarquia parlamentar inglesa, pela qual tinha grande admiração,
onde vigorava um modelo moderado.
 O filósofo francês considerava que o respeito dos direitos só era possível mediante o
exercício partilhado do poder político, logo, considerava o absolutismo monárquico
um regime condenável, uma vez que os poderes eram concentrados num só
indivíduo.
 Nesta medida, defendia que o clero, a nobreza e os parlamentos, vistos como
representantes naturais da sociedade, deviam assumir-se como responsáveis do
poder régio, com vista a favorecer a liberdade da sociedade.
 Segundo a concepção de poder de Charles, é da proteção dada pelas leis à
sociedade, e da limitação do poder, que decorre a liberdade. A garantia desta
fundamentava-se na distribuição dos poderes por órgãos diferentes que, apesar de,
exercerem as suas funções de forma independente, estavam interligadas,
controlando-se entre si para evitar o abuso do poder.

Voltaire, filósofo francês:


 Voltaire nasceu a 21 de novembro de 1694 numa família nobre francesa, em Paris, e
morreu, na mesma cidade, em 30 de maio de 1778 (aos 83 anos). Estudou num
colégio jesuíta da França, onde aprendeu latim e grego. Devido as suas
capacidades, com 19 anos, foi designado como secretário da embaixada da França
na Holanda. Em 1726, em função de uma disputa com um nobre francês, foi preso.
Quando liberto, foi exilado para Inglaterra, onde viveu na cidade de Londres entre os
anos de 1726 e 1728. Nesses dois anos começou a divulgar as suas primeiras
ideias filosóficas que tinham como base os pensamentos de Newton e John Locke.
 O filósofo foi um Iluminista que se opôs a intolerância religiosa e defendeu as
liberdades civis de expressão, religiosa e de associação, de modo, a atingir a
igualdade e a liberdade de cada Homem.
 Criticou o poder da Igreja Católica e sua interferência no sistema político apelando a
distribuição dos poderes por órgãos diferentes evitando assim o abuso do poder.
 O conjunto de ideias de Voltaire constituiu o conceito do liberalismo atual, uma
doutrina político-econômica que defende a abertura e a tolerância a vários
níveis. De acordo com esta doutrina, o interesse geral requer o respeito pela
liberdade cívica, econômica e da consciência dos indivíduos.
 Em 1734, publicou as Cartas Filosóficas, nas quais elogiava as liberdades vigentes
na Inglaterra, opondo-se ao absolutismo e a intolerância.A sua obra mais importante
é o Dicionário Filosófico na qual, critica a Igreja Católica e as instituições francesas
do seu tempo.

 Algumas das suas frases mais conhecidas são:

"Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas."

"Os infinitamente pequenos têm um orgulho infinitamente grande."