Você está na página 1de 14

Instituto Superior de Transportes e Comunicações

Licenciatura em Engenharia Mecânica e de transportes

Departamento de Tecnologias Mecânicas

Metrologia industrial

Operações com Algarismos Significativos

Docente: MSc. Eng.º Roberto Samuel Macaringue


Discentes:
 Iuri Chongo
 Paulo Gomes
 Seidy Manhiça
 Sérgio Cambona
 Valente Nhancale

Turma: M22

Maputo,03 de Abril de 2017


ÍNDICE
INTRODUÇÃO...........................................................................................................................2
1. Operações com Algarismos Significativos...........................................................................3
1.1. Adição..........................................................................................................................3
1.2. Subtração......................................................................................................................4
1.3. Multiplicação................................................................................................................4
1.4. Divisão.........................................................................................................................6
1.5. Potenciação..................................................................................................................7
1.6. Radiciação....................................................................................................................9
1.7. Logaritmização...........................................................................................................10
1.8. Algarismos Significativos e Conversão de Unidades..................................................10
CONCLUSÃO.......................................................................................................................12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................13

1
1. INTRODUÇÃO

É sabido que quando efetuamos medidas, nem todas apresentam números exatos, isto é,
alguns resultados apresentam valores divergentes, fora do esperado. Podemos dizer que
em uma medida, os valores que procuramos sempre estão limitados em precisão, em
fatores como incerteza experimental do instrumento de medida, a habilidade de quem
realiza experimentação e também o número de medições efetuadas.
Suponhamos que em uma medida de um objeto qualquer encontremos como valor o
número 3,8 cm. Para esse resultando estamos apresentando dois algarismos
significativos, onde o 3 representa o algarismo correto e o 8, o algarismo duvidoso. É
comum também encontrarmos algarismos significativos com inúmeras casas decimais, é
o caso do pi (π). Nesse caso temos que ter mais atenção para efetuar corretamente
algumas operações como adição, subtracção, multiplicação, divisão, potenciação,
radiciciação, logaritimização e conversão de unidades.

2
1. Operações com Algarismos Significativos

1.1. Adição

O número de casas decimais que figuram no total de uma soma de n parcelas é igual ao
da parcela que contém o menor número de casa decimais, ou seja, daquela que tem
menor precisão. Podemos utilizar diretamente a calculadora, descartar os algarismos que
não são significativos e proceder a um arredondamento se necessário.
Exemplo: Desejamos calcular a soma dos seguintes valores:

m1=5,832 kg

{
m2=0,7830 kg
m3=320,0 kg
m4 =0,278 kg

∑ m=m1+ m2 +m3 +m4


∑ m=5,832+ 0,7830+320,0+0,278
∑ m=326,893 kg

O resultado é 326,893kg mas como a precisão não pode exceder a parcela de menor
precisão, chegamos a 326,9 kg.

 Incerteza: (326, 9 ± 0, 05) kg

1.2. Subtração

3
Em uma subtração o resultado tem o mesmo número de casas decimais que o operando
menos preciso dentre o minuendo e o subtraendo. Podemos também utilizar diretamente
a calculadora, descartar os algarismos que não são significativos e proceder a um
arredondamento se necessário.
Exemplo: Desejamos efetuar a subtração de P1 e P2.

{PP 1=83
2
,5 kg
=0,3758 kg

P1−P2=83 ,5−0,3758=83,1kg

O resultado é 83,1242 kg mas como a precisão não pode exceder a parcela de menor
precisão, chegamos a 83,1 kg.
 Incerteza: (83, 1 ± 0, 05) kg

1.3. Multiplicação

A multiplicação deve ser efetuada de acordo com as seguintes regras:

1) Quando ambos os fatores forem inteiros, o resultado é o número inteiro que


aparecerá no visor da calculadora. Caso ela tenha sido programada para operar
com um certo número de casas decimais dentro do seu do seu range, então
dever-se-á desconsiderar todos os zeros que aparecerem após a vírgula.

Exemplos:
 5 × 3 = 15 ;
 6 × 7 = 42 ;
 35 × 7 = 245 ;
 1 034 × 327 = 338 118

2) Quando um dos números for inteiro e exato e o outro decimal, o resultado será
decimal e terá sempre a precisão do fator que é decimal.

Exemplos:
4
 3× 5, 0 = 15, 0 (lembrar que 3× 5, 0 = 15, 0 = 5, 0 + 5, 0 + 5, 0 = 15, 0 ) ;
 32, 0 ×12 = 384, 0 ;
 32, 00 ×123 = 3936, 00

3) Quando ambos os fatores forem números decimais, a parte decimal fracionária


do resultado deverá ter o mesmo número de algarismos que a parte decimal do
fator que for menos preciso, devendo-se proceder a um arredondamento se
necessário. De outra forma: a precisão do resultado é a mesma do fator que for
menos preciso.

Exemplos:
 4, 0 × 2, 0 = 8, 0 ;
 4, 3 × 3, 2 = 13, 76 = 13, 8 ;
 8, 837 × 7, 5 = 66, 2775 = 66, 3 ;
 3, 2 × 6, 43 = 20, 576 = 20, 6 .
 7 −3 4
(1, 32578 ×10 ) × ( 4,11×10 ) = 5, 45 ×10
 3× 5, 0 = 15, em que agora 3 não é um número inteiro e exato, mas um
valor medido com precisão até a casa das unidades, ou seja 3 ± 0, 5 . Seu
valor varia entre 2,5 e 3,5, excursionando, incertamente, pela casa dos
décimos. O fator menos preciso é o 3, que não tem casa decimais. Logo,
seguindo a regra, temos: 3× 5, 0 = 15
A única exceção a esta regra é quando o fator menos preciso conter zeros entre a
vírgula decimal e o primeiro algarismo não nulo da sua parte decimal fracionária.
Neste caso o número de casas decimais do resultado será igual ao número de
zeros acima citados, valendo os arredondamentos. Se ocorrerem os citados zeros,
mas no fator mais preciso, devemos proceder conforme preconizado na terceira
regra.
Exemplos:
 32, 3687 × 2, 08 = 67, 326... = 67, 3 ;
 32, 3687 × 2, 008 = 64, 996... = 65, 00 ;
 53, 2478 × 3, 00034 = 159, 76150... = 159, 7615

1.4. Divisão

Devemos agir de acordo com as seguintes regras:


5
1) Quando o dividendo e o divisor forem números inteiros e o resultado for uma
divisão exata e inteira, o resultado será o número inteiro que aparecerá no visor
da calculadora. Caso ela tenha sido programada para operar com um certo
número de casas decimais dentro do seu do seu range, então dever-se-á
desconsiderar todos os zeros que aparecerem após a vírgula.
Exemplo:
 132 ÷ 44 = 3

2) Quando o dividendo e o divisor forem números inteiros e o resultado for


uma divisão exata com resultado decimal, o resultado será o decimal que
aparecer no visor da calculadora, sem contudo incluir nenhum zero.

Exemplos:
 5 ÷ 4 = 1, 25000... = 1, 25 ;
 3 ÷ 2 = 1, 5000... = 1, 5 .

3) Quando o dividendo e o divisor forem números inteiros e o resultado não for


uma divisão exata, ou seja, um número decimal, o quociente deverá ter mesmo
número de algarismos significativos que o fator mais pobre nesses números,
dentre dividendo e divisor, devendo-se também efetuar um arredondamento se
necessário.
Exemplo:
 350 ÷ 36 = 9, 722... = 9, 7

4) Quando o dividendo e o divisor forem números decimais, o quociente


deverá ter um número máximo de algarismos significativos de tal forma a não
superar o número de algarismos significativos do fator menos preciso nem a
precisão do mesmo, devendo- se efetuar um arredondamento se necessário.

Exemplos:

2
 3, 8 ×10 ÷12 = 31, 66... = 32;
 200 ÷1,115 = 179, 37... = 179 ;
 40 ÷1,115 = 35, 87... = 36 ;
 40, 0 ÷1,115 = 35, 87... = 35, 9;
 40, 0 ÷ 0, 687 = 58, 22... = 58, 2;
 803, 47 ÷13,1 = 61, 33... = 61, 3;
3
 200 ÷ 0, 00053 = 377 ×10
 100 ÷ 20, 0 = 5
 30 ÷15, 0 = 2

6
5) Quando o dividendo e o divisor forem números decimais com a mesma
precisão, o quociente deverá ter esta mesma precisão, devendo-se efetuar um
arredondamento se necessário.

Exemplos:

 100, 0 ÷ 20, 0 = 5, 0 ;
 30, 0 ÷15, 0 = 2, 0 ;
 132, 00 ÷ 2, 00 = 66, 00 ;
 128, 32 ÷ 73, 42 = 1, 747... = 1, 75
 165, 29 ÷ 3,14 = 57, 398... = 57, 40

6) Quando um dos operandos (dividendo ou divisor) for um número decimal


e o outro um número inteiro e exato, o quociente deverá ter a mesma precisão
que o decimal, devendo-se efetuar um arredondamento se necessário.

Exemplos:

 200 ÷1,115 = 179, 3721... = 179, 372 ;


 40 ÷1,115 = 35, 8744... = 35, 874

1.5. Potenciação

Seja a potência genérica a n . Temos então as seguintes


regras:

1) Se a base e os expoentes forem inteiros, o resultado será também o inteiro que


aparecerá no visor da calculadora. Caso ela tenha sido programada para
operar com um certo número de casas decimais dentro do seu do seu
range, então dever-se-á desconsiderar todos os zeros que aparecerem após a
vírgula.

Exemplos:
5
 3 = 243 ;
 8
2 = 256 .

2) Se a base for decimal e o expoente inteiro, o resultado será decimal e


deveremos manter a parte inteira e considerar na parte decimal fracionária o
mesmo número de algarismos constantes na parte decimal fracionária
da base, devendo-se proceder a um arredondamento se necessário.
7
Exemplos:

 (2, 443)4 = 35, 6199... = 35, 620 ;


 (3, 9756)4 = 249, 81052... = 249, 8105 .

3) Se a base for inteira e o expoente decimal, o resultado será decimal e


deveremos manter a parte inteira e considerar na parte decimal fracionária o
mesmo número de algarismos constantes na parte decimal fracionária do
expoente, devendo-se proceder a um arredondamento se necessário.

Exemplos:

 102,443 = 277, 33201... = 277, 332 ;


 82,3 = 119, 428... = 119, 4

4) Se a base e o expoente forem decimais, o resultado será decimal e


deveremos manter a parte inteira e considerar na parte decimal fracionária o
mesmo número de algarismos constantes na parte decimal fracionária do fator
menos preciso dentre a base e o expoente, devendo-se proceder a um
arredondamento se necessário.

Exemplos:

 (3, 8247)2,73 = 38, 948... = 38, 95 ;


 (2, 32)3,4734 = 18, 5988... = 18, 60

1.6. Radiciação

8
p
Seja a raiz√q a p . Basta lembrar que √q a p =a q que é a transformação de raiz em
potência com expoente fracionário e adaptar as regras da potenciação, que
ficam sendo:
1) Se o radicando a é inteiro e p é múltiplo de q, o resultado será o
inteiro que aparecerá no visor da calculadora. Caso ela tenha sido programada
para operar com um certo número de casas decimais dentro do seu do
seu range, então dever-se-á desconsiderar todos os zeros que aparecerem
após a vírgula.

Exemplos:

 √3 26=22=4
 √ 34 =32=9

2) Se o radicando a é inteiro e p não é múltiplo de q, o resultado será o inteiro ou


o decimal que aparecerá no visor da calculadora. O número de casas
decimais a considerar vai depender da precisão do dado mais pobre
envolvido no problema.

Exemplos:
 √3 2=1 , 25992105...
 √3 82=4
 √7 23=1 , 345900193...

3) Se a é decimal , não importando se p é ou não múltiplo de q, o número


de casas decimais do resultado deverá ser o mesmo do radicando.

Exemplos:

 √ 3,14=1, 7720. ..=1 ,77 ;


 √3 320 , 83=6 , 845. ..=6 , 85 ;
10
 √(25 , 834)3=2 , 6525...=2, 653

1.7. Logaritmização

9
Ao se trabalhar com logaritmos, observa-se o número de algarismos
significativos do logaritmando (número ou antilogaritmo) e o total de casas
depois da vírgula do logarítmo é igual a esse número, devendo-se proceder
proceder a um arredondamento se necessário. Na realidade, a logaritmação é
uma das operações inversas da potenciação. De acordo com as regras 3) e 4) da
potenciação, que se encaixam, respectivamente para a base 10 e para a base e,
teríamos, a precisão do expoente. Ocorre que os logaritmos são melhor
conhecidos que as grandezas físicas, de modo que, semelhantemente ao que
se recomendou para certas constantes numéricas (π = 3,141592…; e = 2,71828...;
√2 = 1, 4142…), devemos tomá-los com um algarismo significativo a mais,
oque justifica a regra.
Exemplos:

 ln(5, 0 ×103 ) = 8, 5179... = 8, 52 ;


 ln(45, 0) = 3, 8066... = 3, 807 ;
 log(23) = 1, 3617... = 1, 36 ;
 log(53, 8) = 1, 7307... = 1, 731 .

1.8. Algarismos Significativos e Conversão de Unidades

Quando se converte unidades deve – se manter a correspondência da precisão original


com um dado número de algarismos significativos. Ou seja, o resultado de uma
conversão deve ter um número de algarismos significativos que represente a ordem de
grandeza da unidade a que se está convertendo, sem que se altere a precisão original.
O procedimento correto de se proceder à conversão é a multiplicação ou, a divisão do
valor que se quer converter, por um fator de conversão exato e então, arredondar
(quando necessário) o resultado da multiplicação ou divisão, para o número correto de
algarismos significativos, conforme regras já estabelecidas.
NB: Nunca se deve arredondar o fator de conversão e / ou valores de medidas que se
deseja converter. O arredondamento, caso seja feito, acarretará uma redução na precisão
da medida.
São apresentados alguns dos principais fatores de conversão de unidades na tabela de
conversão de Unidades de Medidas para a resolução dos exemplos.

Para converter de Para Multiplique por


Grau Fahrenheit Grau Celsius (ºF – 32) x 5/9
pascal Kgf/cm2 9,806500 x 10–6
 Exemplo 1: Transformar 50℉ em ℃ .
Pela tabela temos:

10
5 5
(℉ – 32)x =( 50 – 32 ) x =¿10℃
9 9

 Exemplo 2: Transformar 25 kgf /cm2 para Mpa.


Pela tabela, temos:
De pascal para kgf /cm2 , multiplicamos por 9,806500 ×10−6, portanto, de
kgf /cm2 para pascal dividimos por 9,806500 ×10−6. Assim, teremos:
25 25 × 106 6
= =2,549329 ×10
9,806500× 10 −6
9,806500

Como 25 kgf /cm2 possui 2 (dois) algarismos significativos, faz-se o


arredondamento conforme regras estabelecidas na multiplicação e divisão de
algarismos significativos, obtendo-se: 2 ,5 × 106 pascal ou 2,5 Mpa (*)

11
1. CONCLUSÃO

É muito comum que engenheiros, tecnicos, façam uso de um instrumento de medida, tal
como o metro, a polegada etc. O que podemos dizer desses exemplos é que cada um
deles, ao usarem o metro por exemplo, estão realizando uma comparação entre
grandezas. Até quando, resolvemos exercícios de cálculos estamos comparando
grandezas.
Ao comparar tais grandezas surge a necessacidade de efectuarmos operações, e para
garantir que o resultado final mantenha a precisão inicial ou nivel de incerteza é
necessario que saibamos as regras de operações com algarismos significativos para não
comprometer o resultado das operações.

12
2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SILVA, R. R.; BOCCHI, N.; ROCHA FILHO, R. C. Introdução à química


experimental. São Paulo: McGraw-Hill, 1990
SCHWARTZ, L. M. Propagation of significant figures. Journal of Chemical Education,
v. 62, n. 8, p. 693-697, Aug. 1985
Myers, R. Thomas; Oldham, Keith B.; Tocci, Salvatore. «2». Chemistry (Textbook).
Austin, Texas: Holt Rinehart Winston. p. 59.

13