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Risco de Desmatamento

Edição 01 - Janeiro de 2011

Márcio Sales; Carlos Souza Jr. & Sanae Hayashi.

RESUMO
Essa é a primeira edição do Boletim de Risco Amazônia para células de 1 quilômetro quadrado.
de Desmatamento. Neste boletim, apresentamos o Assumindo uma taxa de desmatamento
risco de desmatamento em municípios, Áreas anual de 7.500 quilômetros quadrados para o período
Protegidas, Assentamentos e áreas privadas, modelado, o modelo apontou uma área de floresta de
devolutas ou sob conflitos por posse, para o período pelo menos 3.700 quilômetros quadrados sob risco
de agosto de 2010 a julho de 2011. Para isso, o de desmatamento, ou seja, áreas de florestas com
Imazon desenvolveu um modelo de risco de probabilidade de desmatamento maior que zero (com
desmatamento baseado em técnicas geoestatísticas 95% de confiança estatística). As análises deste
que permitem estimar, de forma espacialmente Boletim apontaram que a maior parte das florestas
explícita, o risco de desmatamento futuro com base sob risco de desmatamento concentra-se no Pará
na distribuição espacial do desmatamento passado e (67%) e Mato Grosso (13%). Áreas privadas,
fatores que contribuem para a ocorrência do devolutas ou em conflitos por posse concentraram
desmatamento, a seguir: proximidade de estradas e 59% dessas áreas, enquanto que outros 25% estão
rios navegáveis, custo de transporte de madeira, dentro de assentamentos de reforma agrária. As
topografia, elevação de terreno, declividade e Unidades de Conservação e Terras Indígenas
unidades de conservação. O resultado do modelo é concentram 12% e 4% das áreas sob risco de
um mapa de probabilidade de desmatamento na desmatamento, respectivamente.

Nível de Risco de
Desmatamento
O modelo de risco de desmatamento gera duas Conservação e Terras Indígenas). Dessa forma,
informações importantes. A primeira, é a área total de florestas com intensidade de risco mais alta indicam
floresta sob risco de desmatamento, dada pela áreas com taxa acelerada de conversão da floresta.
somatória das áreas de florestas (i.e., pixels de 1 Essas informações foram combinadas para classificar
quilômetro quadrado) apontadas pelo modelo com as áreas de florestas em quatro categorias de nível de
probabilidade de desmatamento maior que zero (com risco de desmatamento: baixo, moderado, alto e crítico.
95% de confiança estatística). A segunda informação é O Quadro 1 apresenta os valores de área e de
a intensidade do risco, a qual representa a razão da área intensidade de risco de desmatamento, assim como as
sob risco pela área de floresta remanescente em uma definições dos níveis de risco baseadas nessas duas
dada região (municípios, assentamentos, Unidades de informações.

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Risco de Desmatamento
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Quadro 1. Categorias de nível de risco de desmatamento.

Intensidade de risco
Nível de Risco
de desmatamento
>1% Alto Alto Crítico
0,1 - 1% Médio Moderado
Alto
<0,1% Baixo Baixo
Baixo Médio Alto
2 2 2
<10km 10 a 100km >100km
Área de Floresta sob risco de desmatamento

Risco de
Desmatamento
O modelo discriminou uma área de 3.700 67% e 13% da área total sob risco, respectivamente
quilômetros quadrados sob risco de desmatamento na (Figura 1). Nesses Estados também se concentram a
Amazônia para o período de agosto de 2010 a julho de maioria (88%) dos pixels com maior probabilidade de
2011. Isso representa 49% da área total desmatada no desmatamento (acima de 60%).
cenário assumido para esse período (ou seja, 7.500 As áreas com maior probabilidade de
quilômetros quadrados). Os demais 3.800 quilômetros desmatamento concentram-se principalmente ao longo
quadrados foram excluídos de nossas análises, pois o da BR-163 (Rodovia Cuiabá- Santarém), BR-230
modelo não discriminou essas áreas com probabilidade (Rodovia Transamazônica) e na região da Terra do
significativamente maior que zero (com 95% de Meio (PA). Outras regiões de concentração estão
confiança estatística). Deste total, a maioria concentra- localizadas no sudeste do Acre, norte de Rondônia e
se nos Estados do Pará e Mato Grosso, englobando noroeste do Mato Grosso (Figura 2).

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Área total sob risco Área sob risco (em km ) x Probabilidade

Figura 1. Área total sob risco (em quilômetros quadrados) por Estado e faixa de
probabilidade de desmatamento na Amazônia Legal entre agosto de 2010 e julho de 2011.

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Figura 2. Distribuição espacial da probabilidade de desmatamento na


Amazônia Legal no período de agosto de 2010 e julho de 2011.

Geografia do
Risco de Desmatamento
Com relação à categoria fundiária, o risco de distribuição das áreas dentro de cada categoria de
desmatamento foi maior em áreas privadas ou em probabilidade de desmatamento é praticamente igual
algum estágio de ocupação, concentrando 59% da área em todas as categorias de situação fundiária, com
total sob risco de desmatamento. Assentamentos de sensível destaque para as Unidades de Conservação
reforma agrária concentraram 25% da área total sob Federais, cuja maior proporção de área sob risco
risco, as Unidades de Conservação federais e estaduais encontra-se em regiões com alta probabilidade de
somaram cerca de 12% e as Terras indígenas 4%. A desmatamento (Figura 3).

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Área total sob risco Área sob risco (em km2) x Probabilidade

Figura 3. Área total sob risco de desmatamento (em quilômetros quadrados)


por categoria fundiária e faixa de probabilidade de desmatamento.

Risco de Desmatamento
por Município
Os municípios Novo Progresso e Novo (Figura 4). Os três municípios com maior área sob risco
Repartimento são classificados com risco crítico de de desmatamento são São Félix do Xingú, Altamira e
desmatamento, (área e intensidade do risco altos). Novo Progresso, todos no Estado do Pará, acumulando
Vários municípios foram classificados com risco alto, 22.6% do total (Figura 5).
sendo que a maioria encontra-se no Estado do Pará

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Figura 4. Nível de risco de desmatamento por município na


Amazônia Legal, entre agosto de 2010 e julho de 2011.

Figura 5. Municípios com maior área sob risco de desmatamento na Amazônia Legal, entre agosto de 2010 e julho
de 2011. O volume das esferas e as porcentagens representam a intensidade do risco de desmatamento.

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Risco de Desmatamento
em Assentamentos de
Reforma Agrária
A área sob risco de desmatamento em Açu, Cidapar e Campus de Pilar, concentrando 28% da
Assentamentos de Reforma Agrária concentra 25% do área sob risco . Dentre os dez assentamentos com maior
total. A maior parte dos assentamentos com alto risco área sob risco, somente Jacaré-Açu foi classificado
concentra-se no Estado do Pará (Figura 6). Os como crítico.
assentamentos com maior área sob risco são Jacaré-

Figura 6. Nível de alerta de risco de desmatamento por assentamento


na Amazônia Legal entre agosto de 2010 e julho de 2011.

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Figura 7. Os assentamentos com maior área de floresta sob risco de desmatamento


na Amazônia Legal, entre agosto de 2010 e julho de 2011. O volume das esferas e
as porcentagens representam a intensidade do risco de desmatamento.

Risco de Desmatamento
em Áreas Protegidas
As Terras Indígenas (TI) concentram 4% da Triunfo do Xingú foi a única classificada com nível
área total sob risco de desmatamento na Amazônia crítico de risco de desmatamento, representando
Legal. Dentre as dez TIs com maior área sob risco, sozinha 63% da área total sob risco em Unidades de
apenas três foram classificadas com risco alto: Alto Rio Conservação Estaduais e uma intensidade de risco
Guamá, Maraiwatsede e Saraua (Figura 8). Entretanto, cerca de 18 vezes maior que a média das 9 demais
essas dez TIs detêm mais de 70% do total das áreas sob incluídas no ranking (Figura 9).
risco em Terras Indígenas. Dentre as UCs a APA

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Figura 8. Terras Indígenas com maior área de floresta sob risco de desmatamento
na Amazônia Legal, entre agosto de 2010 e julho de 2011. O volume das esferas e
as porcentagens representam a intensidade do risco de desmatamento.

Figura 9. Unidades de Conservação Estaduais (UCEs) com maior área de floresta sob risco
de desmatamento na Amazônia Legal, entre agosto de 2010 e julho de 2011. O volume das
esferas e as porcentagens representam a intensidade do risco de desmatamento.

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Risco de Desmatamento
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Figura 10. Unidades de Conservação Federais (UCFs) com maior área de floresta sob risco
de desmatamento na Amazônia Legal, entre agosto de 2010 a julho de 2011. O volume das
esferas e as porcentagens representam a intensidade do risco de desmatamento.

Figura 11. Nível de alerta de risco de desmatamento por Terra


Indígena na Amazônia Legal, entre agosto de 2010 e julho de 2011.

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Figura 12. Nível de alerta de risco de desmatamento por Unidade de


Conservação Federal na Amazônia Legal, entre agosto de 2010 e julho de 2011.

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Figura 13. Nível de alerta de risco de desmatamento por Unidade de


Conservação Estadual na Amazônia Legal, entre agosto de 2010 e julho de 2011.

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Quadro I: Modelo de risco de desmatamento


do Imazon
O modelo de risco de desmatamento usa informações sobre a localização da ocorrência do
desmatamento no passado para gerar estimativas da probabilidade de desmatamento no próximo
período por pixel, dada uma taxa de desmatamento geral projetada¹. O modelo considera também o
valor de variáveis relacionadas com o desmatamento, chamadas variáveis auxiliares, espacialmte
distribuídas, a fim de aumentar o poder de previsão espacial do modelo. As variáveis auxiliares
incluídas na versão atual do modelo não exaurem todos os fatores determinantes do desmatamento,
mas contém algumas das principais variáveis. São elas: distâncias para estradas e rios, topografia,
distâncias para áreas protegidas e alcance econômico. O modelo é resumido pela seguinte equação:
I J
p (t , s ) = p (t ,×)+ f (x, s, t )+ åå wij e(ti , s j )
i =1 j =1

Onde p (t, s ) é a probabilidade de desmatamento no período t para um pixel localizado na coordenada


dada por s. O fator p (t ,.) representa a taxa de desmatamento projetada para o período t; f (x, s, t ) é o
valor da função das variáveis auxiliares x para cada local e tempo passado (s,t).
I J

åå wij e(ti , s j )
Finalmente o termo i =1 j =1 representa os pesos dos pixels observados no passado para a
probabilidade de desmatamento futuro em cada pixel. Todos os componentes possuem parâmetros que
são ajustados usando-se os dados disponíveis. Atualmente apenas a projeção de taxa p (t ,.) não é
projetada, mas assumida ser igual ao do último período observado. Para o lançamento do boletim
aplicamos o modelo aos dados anuais do PRODES. Nas próximas edições o boletim trará estimativas
trimestrais, baseado nos dados do Sistema deAlerta de Desmatamento do Imazon.

¹ Sales, M. H. & Souza Jr., C. M. (em preparação). Geostatistical Modeling of Deforestation Risk in the Brazilian Amazon.

Equipe Responsável:

Márcio Sales
Carlos Souza Jr.
Sanae Hayashi

Todos os mapas do Boletim de Risco de Desmatamento estão disponíveis no site do ImazonGeo. www.imazongeo.org.br

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