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TUDO O QUE VOCÊ

PRECISA SABER PARA


CONHECER O TARÔ
Em 22 passos introdutórios

JULHO DE 2019
KELMA MAZZIERO
São Paulo
Direitos Autorais – Este ebook e seu conteúdo, integral e/ou parcial, não pode
ser vendido, copiado ou reproduzido sem prévia autorização da autora, bem
como é proibida a divulgação de seu conteúdo em sites, blogs, redes sociais e
outros veículos. Qualquer violação estará sujeita a responsabilização legal.

Todos os direitos reservados


Material registrado no EDA/Biblioteca Nacional
Copyright © 2019 by Kelma Mazziero

Imagens (na ordem)


Capa: Karen Arnold por Pixabay
Mãos em cartas: Jacqueline Macou por Pixabay
Cartas High Priestess e Roda da Fortuna: Jmangi1 por Pixabay
Cartas Marselha: Alain Aubry por Pixabay
Cartas espalhadas: Valentin_mtnezc por Pixabay
Vintage vitoriano: Oberholster Venita por Pixabay

Ebook gratuito
Sumário
1. S AIBA O QUE É TARÔ ............................................................................................... 7
2. C ONHEÇA COMO O TARÔ SURGIU ....................................................................... 7
3. E NTENDA AS FINALIDADES DAS CARTAS DO TARÔ ..................................... 7
4. A SSIMILE O FUNCIONAMENTO DO TARÔ ......................................................... 8
5. C ERTIFIQUE - SE DE QUE É POSSÍVEL APRENDER A JOGAR O TARÔ ........ 8
6. E NCONTRE O MELHOR TARÔ PARA VOCÊ ....................................................... 8
7. P ERCEBA O MELHOR MOMENTO DE APRENDER E DE JOGAR ................... 9
8. E LUCIDE SOBRE A CONSAGRAÇÃO E O MANUSEIO DO SEU TARÔ .......... 9
9. E SCLAREÇA SE OUTROS PODEM TOCAR SEU TARÔ ..................................... 10
10. J OGUE PARA SI MESMA ( O ). ............................................................................... 10
11. T REINE COM A CARTA DO DIA OU CARTA DE CONSELHO ..................... 11
12. A MPLIE O OLHAR DE CADA ARCANO DO TARÔ ......................................... 11
13. R ECONHEÇA O TARÔ COMO UMA PROFISSÃO ............................................ 12
14. D IFERENCIE O TARÔ DA ADIVINHAÇÃO ..................................................... 13
15. L OCALIZE O LIVRE ARBÍTRIO E O DESTINO NO TARÔ ............................ 13
16. D ISSOCIE O TARÔ DA RELIGIÃO E DAS CRENÇAS ..................................... 14
17. E SCLAREÇA SE O TARÔ ENVOLVE ESPIRITUALIDADE ............................. 14
18. E SQUEÇA AS CARTAS POSITIVAS E CARTAS NEGATIVAS ......................... 15
19. R EPENSE O AUTODIDATISMO .......................................................................... 16
20. A COLHA E DEFENDA A ÉTICA NO TARÔ ...................................................... 16
21. D ESVENDE OS 22 ARCANOS MAIORES NO CONSELHO ............................ 17
22. E MBARALHE E JOGUE ......................................................................................... 20

CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................... 21
À Maria Tereza
Que me mostrou uma nova chance
Onde ressignifiquei minhas capacidades
PREFÁCIO

DESMISTIFIQUE. CONTEXTUALIZE.
COMPREENDA
Para conhecer um pouco sobre qualquer assunto é preciso começar do
começo. Eu sei, às vezes dá preguiça e a tentação de recorrer ao Google em busca
de um resumo eventualmente vence. O que acaba acontecendo quando a gente
tem pressa é que isso resulta num ponto de vista resumido, recortado e – muitas
vezes – distorcido. Com o tarô esse hábito é recorrente e creio que seja um dos
maiores problemas que enfrentamos hoje. A falta de informação, a distorção do
sentido do tarô e a pressa foram vilões que nos trouxeram até uma
contemporaneidade mistificada. Ninguém sabe ao certo se tarô é crível ou se só
funciona para quem acredita nele. Essa confusão que povoa o imaginário é
resultado da desinformação e de outros elementos como a falta de cultura sobre
esse tema em nosso país, a espetacularização da mídia e (infelizmente) a conduta
de alguns profissionais que vendem o próprio trabalho de forma caricaturizada.
Este ebook é para você conhecer o mínimo sobre o assunto a fim de,
posteriormente, estudar mais e aprender a jogar sem medo. É para dar a
oportunidade de um(a) iniciante saber o essencial sobre tarô sem precisar pagar
uma fortuna por isso (mas lembre-se, nada se aprende completamente se não
houver um mínimo de investimento, inclusive financeiro).
Vamos, então, começar do começo. São 22 passos. 22 estágios de conhecimento.
22 ações importantes nesse trajeto para adentrar consciente no mundo do tarô.
E, se você quiser seguir adiante, que possa fazê-lo com responsabilidade e
comprometimento. Que sejam os primeiros passos de muitos ainda por vir!

Kelma Mazziero
OLÁ, EU SOU A KELMA
Jogo tarô há mais de 20 anos. Não determino uma data específica com
meu trabalho no tarô porque essa história não foi linear. Sou do interior de São
Paulo, vim morar na capital aos 18 anos para cursar faculdade de Direito e
trabalhar na moda (o que na época eu jurava ser o meu destino). Fiz ambas as
coisas e, no meio do caminho, apareceu a chance de fazer um curso de tarô (que
eu não conhecia bem, não gostava tanto e tinha até um pouco de receio). Mas foi
durante esse curso que senti uma vontade muito grande de levar isso a sério.
Entendi que minha vida estava mudando. De lá para cá muita coisa aconteceu.
Muitos anos de estudo, prática e (re)começos. Não abri mão do tarô nesse
tempo, em momento algum, mas abri mão de algumas abordagens até chegar
onde me encontro, exercendo uma atividade que acredito, de uma maneira que
não me incomoda e podendo compartilhar com quem pensa de forma
semelhante. Nesses últimos anos aproveitei para fazer as pazes com o estudo
formal, então fiz uma pós-graduação em Ciências da Religião e algumas
extensões/especializações que considero muito importantes no meu trabalho
com o simbólico além de ter buscado certificações nacionais e internacionais de
tarô. Tudo isso agregou e me ajudou a ver o tarô para além do ambiente
esotérico, numa possibilidade interdisciplinar, onde foi possível transportar esse
saber para a vida e algumas áreas de conhecimento, sem precisar segregar ou
estereotipar. Nesse caminho tive grandes prazeres: meu primeiro livro, que é uma
coletânea de textos do meu blog, o Cartas na Mesa. Um tempão depois chegou a
hora de escrever algo mais enxuto e contemporâneo, o pequeno livro Abrindo o
jogo e desmistificando o tarô contemporâneo. E para completar, neste mesmo ano de
2019, tive também o prazer e o desafio de produzir 2 capítulos em 2 livros
acadêmicos diferentes, para dar sequência a uma caminhada importante na peleja
pela desmistificação do tarô. Esse processo escrito acontece intercalado com
palestras e participações em eventos, até porque adoro falar e compartilhar
também ao vivo. É muito tempo nessa estrada, então, querendo saber mais sobre
meu trabalho acesse meu site ou me acompanhe nas redes sociais. Sempre tem
mais por vir e, quando a gente é constantemente surpreendida pelo que faz,
caminhar adiante é aprender a viver sem previsão e sem um pingo de tédio.
OS 22 PASSOS INTRODUTÓRIOS
1. S AIBA O QUE É TARÔ
Tarô é um baralho com 78 cartas. Essas cartas são divididas em 2
grupos: os arcanos maiores (que são as cartas ilustradas com figuras/alegorias
conhecidas por denominações como Papisa, Eremita, Torre); e os arcanos
menores (que nem sempre ilustram figuras nas cartas numeradas e se parecem
com o baralho comum – mas não são as mesma coisa) incluindo nesse grupo de
menores as cartas da corte: pajem, cavaleiro, rainha e rei (tem 1 figura a mais que
a corte do baralho comum: o cavaleiro). Logo, são 78 cartas de um baralho que
se divide em arcanos maiores e arcanos menores. É possível usar apenas os
arcanos maiores ou o baralho todo, depende apenas da escolha de quem joga.

2. C ONHEÇA COMO O TARÔ SURGIU


Por muito tempo acreditou-se na versão romantizada de que esse
baralho carregaria a herança de sabedoria de povos extintos. Porém, atualmente
com pesquisas e registros acessíveis, é sabido que o tarô surgiu aproximadamente
no século XIV, ficando mais conhecido no século XV, na região da Itália (que
não era unificada à época) e nem tinha no início uma definição no número de
cartas. Sua utilização foi, por alguns séculos, lúdica. Ou seja: eram cartas
utilizadas para jogos de azar, sem cunho espiritual ou oracular. Assim, o tarô
surgiu como diversão, apreciado pelas belas imagens confeccionadas por artesãos.
Só 4 séculos depois, aproximadamente, o tarô foi cogitado como possibilidade
oracular, o que significa que somente muito tempo após seu surgimento o tarô
foi cogitado como instrumento de respostas através de suas imagens e símbolos.

3. E NTENDA AS FINALIDADES DAS CARTAS DO TARÔ


Atualmente o tarô abraça muitas utilizações, por isso, não dá para brigar
pela exclusividade de um ou outro uso. Até hoje se joga o tarô na França como
diversão (em campeonatos de cartas, inclusive) além do grande espaço ocupado
como arte divinatória através da leitura oracular. Também inspirou artistas de
todas as áreas, tais como pintura, fotografia, teatro, cinema, música. O fato de o
tarô ser um baralho com linguagem imagética (que se comunica através de suas
imagens) é que permite interpretações e funções diversas. A partir de seus
símbolos o tarô se torna uma ponte que conecta o observador ao seu próprio
universo simbólico. Assim, as cartas permitem inúmeros fins, desde a versão
artística até a versão lúdica, sem perder com isso seu valor representativo. O tarô
não é “só” prática oracular, não é “só” arte, não é “só” jogo. O tarô é fonte de

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imagens e símbolos que pode ser interpretada de muitas formas, permitindo que
atue como diversão, reflexão, meditação, divinação e manifestação artística.

4. A SSIMILE O FUNCIONAMENTO DO TARÔ


Ainda é comum atrelar o tarô à superstição ou a dons sobrenaturais, já
que muita gente acha que só dá para acreditar na função do tarô enquanto
oráculo se for comprovado como é possível selecionar justamente a carta “certa”
para determinada pessoa. É importante frisar que o tarô não é ciência, ainda que
seja passível de estudo científico, por isso a necessidade de comprovar seu
funcionamento pode ser em vão. Muita gente já tentou explicar esse
funcionamento dizendo que a energia da carta é semelhante à energia de quem a
seleciona, outros dizem que é resultado de conexão espiritual, outros ainda
afirmam que se trata de sincronicidade. A realidade é que o ato de embaralhar e
escolher uma carta faz parte do seu lado originalmente lúdico, aliás, se
assemelhando bastante com o embaralhamento que fazemos quando jogamos
baralho comum por diversão. Logo, o embaralhamento é resquício de sua
ancestralidade lúdica e a seleção da carta é, sim, randômica e aleatória (tanto que
as tiragens em oráculos virtuais da internet acontecem de maneira randômica e
funcionam)! Desse modo, não adianta tentar encontrar uma explicação para uma
prática lúdica, muito menos decodificar o aleatório. Verdade seja dita, embaralhar
e escolher a carta é prática clássica com o tarô e a carta selecionada nunca deixa
de oferecer um sentido e uma mensagem. O tarô funciona porque é linguagem
imagética e carrega consigo simbologia que permite interpretação, configurando
assim sua funcionalidade oracular.

5. C ERTIFIQUE - SE DE QUE É POSSÍVEL APRENDER A JOGAR O TARÔ


Qualquer pessoa pode aprender a interpretar as imagens do tarô. Não é
necessário dom sobrenatural, intuição afiada, religiosidade, espiritualidade ou
mediunidade. É importante não confundir o tarô com todos esses elementos
citados anteriormente, pois é possível ser ateu e jogar tarô, é possível ser religioso
e jogar tarô, assim como é possível analisar as cartas tendo ou não tendo
facilidades intuitivas. É uma boa ideia deixar de lado os atributos seletivos
pessoais ou espirituais e entender o tarô como um baralho de imagens, que
contém símbolos passíveis de entendimento e tradução com o seu devido estudo.

6. E NCONTRE O MELHOR TARÔ PARA VOCÊ


O melhor tipo de tarô para iniciar seus estudos é o tarô clássico, pois é
um tarô que oferece ilustrações semelhantes às tradicionais e não foge da
proposta original. São muitos tipos de tarô atualmente, por isso, começar com

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uma opção clássica (Marselha ou similar) é a melhor maneira de iniciar seu
aprendizado. Deixe os tarôs mais ousados, complexos e controversos para
depois, assim não se confundirá com símbolos e representações.

7. P ERCEBA O MELHOR MOMENTO DE APRENDER E DE JOGAR


Se você se interessou por este ebook provavelmente já está perto de
começar a aprender ou avançar nesse assunto (só não vale ler com pressa e pular
partes importantes). Posteriormente a esta leitura, busque por cursos que te
preparem para a análise simbólica dos arcanos. Vá sem pressa. Não há uma
ordem certa de aprendizado, mas sem dúvida, ter os esclarecimentos
introdutórios vai te ajudar a começar - do básico, mesmo - com mais segurança.
Não será um curso de final de semana que te habilitará profissionalmente, mas
também não será preciso estudar uma década para começar a jogar. Escolha uma
abordagem com a qual se identifique, selecione um(a) profissional de sua
confiança e siga adiante com seus estudos. Se quiser conhecer minhas opções de
cursos gravados em áudio ou vídeo, tenho um leque abrangente de temas com
alternativas possíveis e acessíveis. O
importante é que você possa esclarecer os
pontos fundamentais para avançar e
agregar cada vez mais seus conhecimentos.
Sem véus, sem mistério, com seriedade.
Tarô é estudo para uma vida inteira sim,
mas nem por isso você jamais será capaz
de ler ou jogar. Com suporte e supervisão
você seguirá por essa trilha em seu próprio ritmo. O melhor momento você
decide. Mas seu primeiro cliente não é opcional, pois seu primeiro cliente deve
ser você mesma(o)!

8. E LUCIDE SOBRE A CONSAGRAÇÃO E O MANUSEIO DO SEU TARÔ


Você já deve ter percebido que a desmistificação é um fator importante
para o aprendizado do tarô. Só assim é possível que qualquer pessoa aprenda a
interpretar e, só assim, podemos ampliar suas possibilidades sem criar
superstições desnecessárias. Então, vale deixar bem claro: o tarô não precisa ser
consagrado. Não existe essa obrigatoriedade e isso não deverá mudar sua
relação com o baralho. Caso você queira consagrar, será uma escolha sua. Mas
lembre-se: quando for falar sobre isso ou mesmo estimular outras pessoas,
esclareça que a consagração não é obrigatória, mas sim, algo que você escolheu
fazer. Isso abre espaço para que cada um faça como preferir e não dogmatiza a
prática com as cartas. Afinal, se tarô não é religião, também não fará sentido criar
dogmas ou estigmatizá-lo. Os cuidados com o baralho seguem a mesma
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premissa: cuide de seu tarô como um baralho e não como se fosse uma
divindade. Numa visão bem prática, normalmente os tarôs importados são
plastificados, por isso são mais resistentes quando embaralhados; já os tarôs que
não são plastificados podem se desgastar com o tempo de embaralhamento,
fazendo com que o manuseio dependa muito mais do material que o tarô foi
confeccionado do que de seu poder “mágico”. Quanto mais resistente o baralho,
mais tempo ele irá durar. Colocar numa caixa com ervas, incensos, cristais ou
florais também não dará mais poder ao baralho. Quem lê o baralho é você,
portanto, o tarô não requer ritualística para funcionar melhor. Nota importante:
qualquer ritual ou elemento que você venha a atrelar à sua prática e ao seu
baralho são de responsabilidade sua e não precisam (nem devem) ser repassados
para os demais como obrigatórios. Vamos deixar o tarô livre de rótulos para que
ele siga proporcionando essa enorme gama de possibilidades. Relacionar as cartas
à espiritualidade, religiosidade, dogmas ou superstições reforça uma imagem
mistificada que confunde o estudo, o trabalho e mantém a distorção que paira no
imaginário popular a respeito da prática divinatória. Cobrir e guardar o tarô com
panos mágicos em caixas místicas criando uma aura de poder ao redor dele pode
ser uma forma de estabelecer conexões ilusórias com a leitura. Simplifique, isso
aliviará a pressão da prática e fortalecerá para sua capacidade interpretativa.

9. E SCLAREÇA SE OUTROS PODEM TOCAR SEU TARÔ


Esqueça o medo de outros tocarem seu baralho. A antiga crença de que
a energia de outra pessoa pode interferir no seu tarô e consequentemente em seu
jogo não procede, pois o tarô não depende da energia de quem o toca para dar
melhores resultados. Caso você não goste que toquem seu tarô ou caso tenha um
tarô não-plastificado que se desgasta mais rápido, procure deixar claro que não
devem tocar seu tarô por motivos práticos, não por superstição. Lembre-se
sempre da premissa que abriu esse ebook (e que o fechará): o tarô é um baralho!
Não se trata de uma entidade ou ferramenta divina com vontade própria. É um
baralho e, como tal, não requer fantasias ou mistificações para que se fomente
distorções de suas finalidades.

10. J OGUE PARA SI MESMA ( O ).


Você pode e deve fazer isso. Jogar para si é uma forma de arejar a
percepção das cartas, elaborar sentido, refletir sobre a simbologia na vida prática
e cotidiana. Além disso, jogar para a gente mesma(o) é uma maneira de cultivar a
neutralidade, lembrando que o cuidado na leitura é essencial para que não
atiremos sobre o outro coisas difíceis de se lidar. Respeito, tolerância e empatia se
fortalecem quando jogamos para nós mesmas(os), assim vemos a importância de
não emitir juízo de valor. Dentre meus cursos gravados proponho um tema com
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tiragem funcional para praticar a leitura para si, caso queira saber mais entre em
contato comigo. São vários elementos importantes que se desenvolvem com a
prática do tarô para autocompreensão e são muitas as formas de treinar para isso.

11. T REINE COM A CARTA DO DIA OU CARTA DE CONSELHO


Essa é uma maneira interessante de começar a ler as cartas para si
mesma(o) e ver, na prática, como funciona a associação do que foi interpretado
com o que se desenrolou no decorrer do dia. O último passo deste ebook oferece
dicas de conselho para cada um dos arcanos maiores, a fim de estimular seu
interesse, além de motivar seus estudos no futuro. Não se esqueça que este ebook
não ensina a jogar, muito menos prepara para ler para outras pessoas. Se trata de
um material introdutório que visa desmistificar o tarô, disponibilizando essa
ferramenta para que qualquer pessoa possa conhecê-lo a partir da desconstrução
das superstições atreladas às cartas. Por isso, vale o treino: experimente tirar uma
carta diariamente como conselho e observe ao longo desse dia as associações que
você faz entre o que vivenciou e aquilo que interpretou na carta selecionada. A
carta de conselho diário pode ser seu primeiro laboratório e, com o tempo, você
buscará mais conhecimentos para enriquecer a introdução aqui disponibilizada.
Saiba que o conselho diário é direcionado exclusivamente a você, não é uma carta
que servirá a outra pessoa. A carta do dia permite estimular associações,
instigando questionamentos ou reflexões, que são aspectos importantes no
desenvolvimento da análise simbólica e no reconhecimento das imagens.

12. A MPLIE O OLHAR DE CADA ARCANO DO TARÔ


Chamamos de arcanos as cartas do tarô. A palavra arcano deriva do latim
arcanum, que significa segredo. Cada arcano – ou carta – carrega uma ilustração,
um nome e um número (normalmente em algarismo romano no caso dos
arcanos maiores). Pode carregar também naipe,
cores específicas e numeração (no caso dos arcanos
menores). O seu estudo demanda tempo e
dedicação pois, ao contrário do que pode se pensar,
não há significado único para cada carta. A
linguagem imagética (a expressão da imagem da
carta) permite nuances de interpretações e análises
em planos distintos - material, mental, sentimental
ou espiritual - bem como sua simbologia permite
ricas associações. Isso tudo sem contar as tiragens
ou métodos de jogos, que podem construir mais
sentido para a interação e interdependência dessas
cartas. Sendo assim, dizer que um arcano tem um
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único significado seria, no mínimo, reduzir o valor de sua imagem. Não à toa
digo que tarô é estudo para a vida, pois cada leitura é distinta, cada jogo permite
um olhar personalizado e a cada interpretação poderá surgir nova associação.
Vale esclarecer que uma carta tem amplo sentido, mas nunca é o oposto de si
mesma. Por exemplo, quando estudamos um arcano que remete à lentidão, não
teremos na mesma carta a aceleração. Nesse caso, apesar de conseguirmos
ampliar o entendimento de lentidão associando-a com um processo, um
desenvolvimento ou um aprendizado, nenhuma dessas análises seguirá na
contramão da representação primordial (a lentidão). Remeter um único
significado para o arcano é como aprisionar amplo sentido numa leitura simplista,
onde a posição da carta indicaria uma ou outra coisa. Aqui ofereço uma
introdução a esse universo simbólico, mas não apresentarei elementos suficientes
para desenvolver maior complexidade de compreensão. Para aprender uma nova
linguagem - qualquer que seja - é preciso tempo, prática e conhecimento teórico.
Com o tarô não seria diferente.

13. R ECONHEÇA O TARÔ COMO UMA PROFISSÃO


É possível ser um(a) profissional do tarô ou um(a) especialista no Brasil.
Ainda que haja muita mistificação ao redor desse assunto, temos bons autores e
professores para divulgar essa prática da maneira adequada, além de pessoas que
sobrevivem desse ofício. É, também, na intenção de colaborar nos
esclarecimentos necessários que este ebook foi escrito, difundindo e
ressignificando o sentido distorcido ou caricato que persiste no imaginário social.
Você já deve ter ouvido que as pessoas que jogam tarô não deveriam cobrar isso,
pois “tudo aquilo que é dom deve ser doado e não cobrado”. Já deixei claro,
anteriormente, que tarô não demanda dom especial e não tem vínculo religioso,
especialmente porque essa ligação que se faz tem um cunho dogmático e
capcioso. Na religião é comum compartilharem alguns saberes sem custo e
acontece de algumas pessoas com dons espirituais disponibilizarem seus dons
para quem frequenta a mesma religião. Porém, na maioria dessas religiões, os
responsáveis recebem algum tipo de remuneração para poderem sobreviver e
contam, sim, com doações em dinheiro para manterem os templos e locais
sagrados. Logo, não há total gratuidade em nada (nem nas religiões), apenas uma
dinâmica material diferente. Para assegurar esse aspecto, pensemos: se tarô não é
religião e não carece de dom para ser analisado, não faz sentido ser categorizado
como tal. Partindo dessa distinção, o tarô pode ser reconhecido como uma
profissão e não mais confundido com trabalho voluntário e/ou religioso. E,
como em qualquer profissão, o ofício do especialista em tarô requer que se
estabeleça valores aos serviços oferecidos até porque a(o) profissional investe
financeiramente em sua formação técnica. Não se deve misturar essas questões
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religiosas com questões oraculares, justamente porque a religião e a arte
divinatória seguem direções diferentes. Grande parte da crença de que a leitura
ou o aprendizado de tarô devem ser gratuitos nasceu do link distorcido entre
tarô, espiritualidade e religiosidade. Observando um pouco mais de perto a gente
entende que cada um desses caminhos se dá separadamente e não precisam
necessariamente estar atrelados entre si. Aliás, ateus jogam tarô e nem por isso
são menos competentes no que fazem.

14. D IFERENCIE O TARÔ DA ADIVINHAÇÃO


É comum associar a leitura de tarô com a adivinhação do futuro. Porém,
esse é mais um dos rótulos que não retrata a realidade completamente. Já vimos
que o tarô não foi criado originalmente como oráculo (oráculo é o método ou
ferramenta divinatória que serve como veículo para se obter respostas às
questões humanas). Vimos também que não há vínculos espirituais ou sagrados
em sua origem que o certifiquem como ponte garantida para acessar entidades e
divindades. Assim, o tarô está mais para servir de bússola, sendo um conjunto de
imagens que permite interpretação direcionada ao conselho e à orientação, não
um dispositivo de predição fatalista. O tarô na arte divinatória é ferramenta que
clareia o momento presente e, conforme a tiragem utilizada, poderá indicar
tendências. Nada disso atesta a leitura do futuro ou a adivinhação. Até porque
adivinhação é prática diferente da divinação, já que a primeira remete à dedução e
a segunda à revelação. Tarô orienta, aconselha, representa, expressa
simbolicamente aquilo que se vive atualmente. O futuro não existe, por isso,
tentar adivinhá-lo é uma prática muito mais especulativa que orientadora.

15. L OCALIZE O LIVRE ARBÍTRIO E O DESTINO NO TARÔ


Já que o tarô não precisa adivinhar o futuro de ninguém, é importante
abordar esse assunto para desmistificar a ligação entre futuro e destino. A
discussão constante que se trava ao redor do destino e
do livre arbítrio é desnecessária na medida em que
temos, nas cartas do tarô, a representação de ambos.
No baralho temos as cartas que representam o
destino, indicando a ação externa, as coisas
inesperadas e tudo aquilo que não se controla na vida.
Temos também outros arcanos indicando a liberdade
e o livre arbítrio, quando há espaço para decisões e
mudanças a partir da intenção do ser humano. Pelas
próprias imagens é possível entender que livre arbítrio
e destino coexistem e estão presentes – atuantes – em

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nossas vidas. E nenhum dos dois fala do futuro, mas sim, do presente e suas
possibilidades.

16. D ISSOCIE O TARÔ DA RELIGIÃO E DAS CRENÇAS


O tarô é um baralho relativamente novo no Brasil. Surgiu no século XX
por aqui, muito tempo após ter surgido na Europa, por isso quando cá chegou já
estava imbuído de misticismo. Aqui não se pratica o tarô como jogo de azar e
raramente se usa as imagens como manifestação artística. Desse modo, o tarô
ficou mais conhecido como oráculo, inviabilizando um pouco seu
desenvolvimento cultural e simbólico. Durante uma pesquisa que realizei entre os
anos de 2018 e 2019 pude constatar que as pessoas que mal conhecem o tarô, o
associam a elementos místicos, descrevendo imagens que podem estar
relacionadas à sua prática, como por exemplo bolas de cristal, velas, cores em
tons de roxo e lilás, cartomantes de turbante. Ou seja, no imaginário popular, o
tarô tem ênfase como ferramenta mística. No meu recente livro Abrindo o jogo e
desmistificando o tarô contemporâneo falo com mais detalhes sobre isso e esclareço o
que é, de fato, a tão falada mística e outros termos usados equivocadamente para
definir o tarô. Aqui vale apenas deixar claro que o tarô não nasceu em berço
religioso e não tem essa conexão, mas é justamente por conta dessa associação do
tarô com religião que grande parte das superstições resistem até hoje. É possível
encontrar algumas religiões que usam o tarô, mas nesse caso ocorre o que
descrevi no 8º passo: mistificar e atrelar o tarô à religião ou espiritualidade é uma
escolha de quem o faz, não uma regra. O ideal seria que no ambiente religioso
isso fosse esclarecido para que todos pudessem compreender que o tarô não
precisa da religião, mas que algumas religiões escolhem usá-lo em determinadas
práticas. O tarô pode ser estudado e jogado por qualquer pessoa, seja religioso,
ateu, espiritualizado ou não (o 13º passo também menciona esse aspecto).
Acredite, a filosofia de vida ou a crença de alguém não precisam estar atreladas ao
estudo dos arcanos, porque nenhum desses caminhos nasceu interligado. Seja
livre para jogar seu tarô, para ter sua religião, cultivar sua espiritualidade ou... não!
O que importa é saber que o tarô existe independentemente de escolhas
religiosas ou espirituais. E continuará existindo. Basta estudar a história e origem
do tarô para se dar conta de sua resiliência.

17. E SCLAREÇA SE O TARÔ ENVOLVE ESPIRITUALIDADE


Lembra que no 2º passo falei sobre a origem do tarô e que não havia
qualquer ligação espiritual, mas sim, que surgiu como diversão e apreciação
artística? Pois é, aproximadamente no século XVIII que o tarô foi associado ao
ocultismo e à possibilidade divinatória. Por isso, a rigor, tarô não envolve
espiritualidade. Bem como, no passo anterior, vimos que por ter aparecido no
14
Brasil apenas no século XX o tarô já com misticismos e superstições. Mas não
precisa continuar sendo assim! Não há necessidade ritualística ou “mágica” do
incenso para defumar as cartas e consagrar o baralho ou objetos usando roupas
específicas e outras coisas associadas com a espiritualização. Saiba que no
imaginário popular tudo isso se mistura, pois é comum ver imagens que remetem
à espiritualidade atrelando incensos, ervas e velas, às vezes somados com as cartas
e elementos que originalmente não tem conexão alguma entre si, tampouco
obrigatoriedade de utilização. O incenso, a vela, a capa da bruxa, o cajado não são
obrigatórios e não darão mais poderes ao jogo. Sempre digo que é importante
dissociar esses elementos, inclusive para que as atividades possam ser entendidas
(e respeitadas) dentro de seus limites, não estando interligados como se
precisassem se apoiar para ter maior validade. Tarô não envolve espiritualidade e,
se você não quiser, não precisa linkar nada disso. Quem normalmente precisa
disso é a pessoa, não o baralho. Eu, pessoalmente, jogo e estudo tarô há anos
sem qualquer elemento ritualístico ou espiritual. Não sinto falta, nem
necessidade. Espiritualidade é opção, não condição. Importante esclarecer para
que cada um pratique à sua maneira e possa respeitar os demais em suas escolhas,
sabendo que se trata realmente de uma decisão, não de elementos que valorizam
mais (ou menos) a prática. Espaço para misticismo sempre tem. Precisamos
também do espaço aos que optam pela desmistificação.

18. E SQUEÇA AS CARTAS POSITIVAS E CARTAS NEGATIVAS


O hábito de categorizar e estereotipar as cartas gera uma leitura parcial e
alguns vícios que empobrecem sua interpretação. É comum pessoas com medo
da carta da Morte, da Torre, do Diabo ou do Pendurado. É comum também
gostarem “mais” da Imperatriz, do Sol, da Estrela. Porém, se a vida fosse só uma
coisa ou outra, seria tudo bem mais fácil... e menos rico em experiência, não é
verdade? Um exemplo de que não existe carta negativa é que, se você estiver
vivendo um momento de aprisionamento e sofrimento, a carta da Torre pode ser
um excelente caminho para sua libertação. Da mesma forma, a Estrela, que brilha
na leitura, pode ser um aviso de ilusão em
determinada situação. Isso porque as cartas
são “polissêmicas” em sua linguagem
plural de significados (falamos disso no 12º
passo). Acreditar na visão maniqueísta, no
bem e no mal como excludentes entre si, é
em certa medida ler o tarô com um juízo
de valor que limita o entendimento das
cartas. Grosso modo, todo arcano tem
aspectos “bons” e “ruins”. Saber que o
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tarô é a representação desses lados, como numa “interface”, é o caminho certo
para aprender a ler as cartas.

19. R EPENSE O AUTODIDATISMO


Como o tarô surgiu no Brasil recentemente e é normalmente associado
às práticas informais, infelizmente o hábito de se buscar informações gratuitas e
recortadas pela internet só faz ampliar o conhecimento equivocado. Não há
problema algum em se estudar sozinha(o), mas em se tratando de uma
ferramenta oracular que requer normalmente duas pessoas na leitura, pode ser
arriscado não trocar, não compartilhar ou mesmo não debater conhecimentos
com outros profissionais. Não adianta entrar para inúmeros grupos de discussão
na internet, algumas práticas não se substituem. Aprender com livros, com textos
em blogs, costurando assim uma colcha de retalhos que não ornam entre si é
tarefa arriscada. Ler, estudar, pesquisar é importante. Mas se recusar a aprender
com outras pessoas e relutar em sentar-se na cadeira de aluna(o) pode ser indício
de despreparo na hora de trabalhar com orientação. Para entendermos o que o
outro sente e vive é preciso que passemos pelo mesmo processo. Investir nos
estudos é, sim, prazeroso e enriquecedor. Como dito no começo deste ebook, é
importante aprender com responsabilidade e comprometimento. Logo, os livros
devem ser lidos, as pesquisas podem ser feitas, mas aprender com profissionais,
trocar informações e interagir com outros praticantes faz parte da jornada.
Quando se exerce um trabalho de orientação aos demais é essencial ter preparo e
não tentar economizar no que se aprende, até porque se não investimos em nós
mesmas(os), dificilmente os demais investirão em nosso conhecimento. Saia da
caverna e interaja, essa é uma parte importante do caminho do tarô. Jogar para si
é essencial, mas praticar com o outro faz parte também. Respeitando seus colegas
e valorizando o trabalho dos profissionais, você estará não apenas crescendo
nesse caminho, mas creditando seu próprio trabalho. Reconheça quem te ensina
e sedimente seu aprendizado.

20. A COLHA E DEFENDA A ÉTICA NO TARÔ


Tarô não é brinquedo nem é brincadeira. O ar de curiosidade e
imaturidade que às vezes cerca o tarô é indício de desinformação. Para que se
exija respeito é preciso saber respeitar, por isso, a ética se faz fundamental. Como
todo estudo e trabalho, a prática do tarô carrega consigo alguns aspectos éticos
que devem ser considerados, evitando que se interfira no trabalho dos demais ou
se reforce a imagem equivocada a respeito do tarô. Estudar a ética é fundamental
e, normalmente, os cursos básicos e iniciais transmitem essas informações. Não
deixe para depois e não ignore, pois isso faz parte de uma base sólida para que
sua conduta esteja alinhada com aquilo que você acredita. Costumo dizer que
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começar a aprender tarô ignorando a parte da origem/surgimento e atropelando
também a ética é renegar a estrutura fundamental do tarô. Do mesmo modo,
copiar material de outros profissionais e não dar os devidos créditos ou, ainda,
usar conhecimento de outros como se fossem seus é uma maneira de desrespeitar
a pessoa que te ensinou, desrespeitando igualmente a si mesma(o). Dar crédito e
citar suas fontes é uma maneira madura de mostrar respeito e seriedade em seu
trabalho. Não é vergonha alguma ter aprendido com alguém e é sim, parte da
conduta ética, valorizar o que o outro faz, assim como você gostaria que
valorizassem suas produções. Um bom relacionamento com o tarô começa com
o bom relacionamento entre colegas e com os próprios conhecimentos
(incluindo as próprias limitações). Se tarô fosse passatempo seria normal não
investir em seu aprendizado, mas não é esse o caso e, para ter o reconhecimento
e a valorização que tanto se almeja é preciso agir dentro da mesma perspectiva.

21. D ESVENDE OS 22 ARCANOS MAIORES NO CONSELHO


Aqui você vai conhecer os 22 arcanos maiores do tarô numa proposta
introdutória, por isso, não indico usar como roteiro ou guia para jogar para
outras pessoas. A leitura do conselho funciona apenas nessa abordagem e não
traduz a representação da carta em outras tiragens ou outras possibilidades. A
intenção é que você comece a usar as cartas com responsabilidade, numa versão
de orientação e aconselhamento para si mesma(o), ou como carta do dia.
A frase relativa a cada arcano é parte de um vídeo que disponibilizei em meu
Instagram dentro dessa mesma ideia. Aqui adicionei às frases um pequeno trecho
escrito, para contextualizar cada conselho. A leitura direciona o olhar para a carta
de maneira a buscar uma orientação para uma situação (que você esteja
vivenciando) ou para o seu dia. O conselho é a chamada para uma ação, um
entendimento, um posicionamento. Vamos olhar para a carta e imaginar que a
tiramos porque devemos seguir naquela direção. Costumo dizer que o conselho é
que a gente seja como o arcano, tanto para superar alguma questão ou até como
aprendizado para si. A seguir estão os 22 conselhos para cada carta:

I – O MAGO: “É preciso ter iniciativa”


Agir como o Mago é poder apostar e investir no que se deseja. Não adianta
querer realizar qualquer coisa sem antes acreditar nessa realização e tomar as
atitudes no sentido almejado.

II – A PAPISA: “É preciso saber observar”


A ação da Papisa acontece internamente, pois nela o posicionamento deve ser
comedido, refletido, elaborado. É preciso evitar exposição para perceber melhor
o que acontece ao redor, observar e absorver o momento.
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III – A IMPERATRIZ: “É preciso ser versátil”
Agir como a Imperatriz é agir com maleabilidade, não perdendo de vista suas
prioridades, mas nem por isso se deixando enrijecer demais. Saber agregar é a
melhor maneira de expandir.

IV – O IMPERADOR: “É preciso impor limites”


A ação do Imperador é direta e objetiva, orientando a praticidade para que não se
perca de vista a concretização. Nem sempre é possível negociar, por isso é
importante saber dizer “não”. Limites nem sempre são nocivos.

V – O PAPA: “É preciso ter diplomacia”


O conselho do Papa é trilhar o caminho da correção. Valorizar princípios e
conceitos pessoais pode ser a ação mais adequada para viver alinhado(a) com a
própria verdade. A diplomacia pode fazer milagres.

VI – OS AMANTES: “É preciso saber usar o livre arbítrio”


Agir como o arcano dos Amantes é amadurecer nas próprias escolhas. Para
avançar na vida é importante saber decidir e arcar com as consequências das
opções feitas. Não adianta delegar decisões, elas são intransferíveis.

VII – O CARRO: “É preciso ter determinação”


A ação do Carro é determinada, não dá espaço para hesitações, pois alcançar seu
objetivo é a grande motivação. Saber manter o olhar firme no propósito é o
caminho da realização. Use seu poder sem ressalvas.

VIII – A JUSTIÇA: “É preciso ter equilíbrio”


O conselho da Justiça orienta a neutralidade da mente para que se torne possível
obter a definição necessária. A racionalidade é uma aliada nos momentos de
ajustes da vida, por isso, a ação imparcial é o conselho.

IX – O EREMITA: “É preciso ser resiliente”


A sabedoria é um caminho de experiência, por isso, o Eremita orienta a
amadurecer ao longo das suas experiências para entender que a vitória não está
na meta atingida, mas no que se aprende durante o percurso.

X – A RODA DA FORTUNA: “É preciso aceitar as transições”


A ação da Roda da Fortuna sugere que se tenha a disponibilidade para viver os
altos e baixos da vida. Com rigidez nada se aprende, mas na diversidade, tudo
pode se tornar parte da sua história.

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XI – A FORÇA: “É preciso ter destreza”
A ação da Força orienta à autonomia em todos os sentidos, a fim de efetivar o
que se deseja de maneira autossuficiente. O manejo das conquistas está em contar
consigo mesmo(a) e confiar no próprio poder.

XII – O PENDURADO: “É preciso resignação”


Agir como o Pendurado é não agir. Nem sempre há algo a se fazer, pois muitas
vezes tudo o que era necessário já foi feito. Dar tempo ao tempo para aceitar as
coisas como elas são é uma maneira de amadurecer.

XIII – A MORTE: “É preciso ser realista”


O conselho da Morte é a lucidez como ação para um futuro mais promissor. Não
adianta olhar para trás e lamentar esperando que o passado retorne. O
aprendizado está em se reerguer e encarar a realidade.

XIV – A TEMPERANÇA: “É preciso saber esperar”


A ação da Temperança orienta a contemporização. Nem sempre é possível
mudar situações, pessoas, desejos. Saber ponderar e confiar no tempo é a direção
pacífica para entender que nem tudo se dá no tempo esperado.

XV – O DIABO: “É preciso ter malícia”


Agir como o Diabo é pensar em si mesma(o) sem culpa, vergonha ou receio. Às
vezes é necessário se colocar em primeiro lugar e saciar as próprias vontades.
Sem o desejo de conquista seu cotidiano pode cair na apatia.

XVI – A TORRE: “É preciso ser humilde”


Ser a Torre é estar consciente de que nem tudo na vida é passível de controle. Os
imprevistos fazem parte da realidade e nem sempre estão aí para satisfazer. Se
desmanchar é também poder se reconstruir.

XVII - A ESTRELA: “É preciso perseverar”


O conselho da Estrela leva pelo caminho da transparência e da fluidez,
destacando o que há de melhor em cada um e acreditando que para todo mal há
cura. A ação necessária é a de perseverar e recuperar a fé.

XVIII – A LUA: “É preciso conhecer a si mesmo”


A ação da Lua é profunda, complexa, sugerindo a autocompreensão. Não adianta
querer viver na escuridão por sentir medo de sofrer com a verdade. O
merecimento é um direito e é também um chamado para a autovalorização.

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XIX – O SOL: “É preciso saber conviver”
“Ser” o Sol é ser consciente da vida e das limitações que fazem parte dela. Brigar
com o inevitável é perda de tempo, mas aprender a interagir, conviver e aceitar
revitalizam o ser. A ação necessária é o compartilhar.

XX – O JULGAMENTO: “É preciso saber superar”


Agir como o Julgamento é agir na superação. Para avançar e seguir adiante é
importante questionar o que envolve os conflitos vividos, a fim de compreendê-
los e ultrapassá-los com a ajuda do tempo.

XXI – O MUNDO: “É preciso saber desapegar”


O conselho do Mundo é que se cultive a compreensão da impermanência de
tudo o que nos cerca. Nada é definitivo ou garantido, saber viver o momento no
hoje é saber viver sem apego. A ação é o desprendimento.

O LOUCO: “É preciso se aventurar pela vida”


A ação do Louco vai no sentido da libertação. O controle, o domínio e a ordem
são necessários, mas não devem ser a única via de sobrevivência. Estar aberta(o)
para o novo é cultivar o prazer de viver.

22. E MBARALHE E JOGUE


O embaralhamento das cartas deve se dar separadamente (arcanos
maiores e arcanos menores), assim você seleciona os arcanos maiores sugeridos
no 21º passo. Após a seleção das 22 cartas, você pode embaralhar como preferir.
Não há regra de corte, de ritual ou qualquer outro procedimento. Faça como
preferir, como se sentir bem e lembre-se (de novo!) que, se criar qualquer sistema
para o embaralhamento não significa que esse sistema deva se tornar regra
universal, ok? Deixemos o tarô o mais livre possível de dogmas, ações ritualísticas
e esquemas que não representem uma utilização acessível a todas e todos.
Após embaralhar, você pode abrir um leque de cartas ou deixá-las juntas num
maço. E então, selecione uma carta. Veja qual foi a carta tirada e não tenha pressa
em ter respostas. Observe, analise, deixe que o simbólico faça seu papel e
estimule a reflexão para construir então uma
narrativa. Consulte as sugestões deste ebook,
claro, mas expanda o que leu aqui e pratique!
A prática é que vai estimular cada vez mais
sua habilidade, capacidade de interpretação e
entendimento.

Siga praticando e boa sorte!


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CONSIDERAÇÕES FINAIS

COMPROMETIMENTO. RESPONSABILIDADE. AMOR

Ninguém nasce sabendo caminhar. Aprende-se. Com o tempo, a


observação, o amadurecimento. Da mesma maneira, não é possível jogar bem o
tarô sem ter antes vivenciado os primeiros passos e conhecido material
consistente para estruturar esse conhecimento. Tudo que se remete ao estudo é
questão de momento e de abordagem, logo, não existe um assunto que a gente
deteste do nascimento ao túmulo. Sabendo seguir seu ritmo e entendendo sua
maneira de apreender, você poderá aprimorar todos os temas que envolvem o
tarô, desde a sua história até suas mais diferentes tiragens. Não pule etapas, não
tenha pressa, perceba os momentos em que se abre um espaço para coisas novas
dentro de você. Junto disso, escolha uma abordagem que agregue, pois o
aprendizado não envolve apenas um curso caro ou professor famoso. O
aprendizado envolve identificação, disciplina, seriedade. Aqui deixo minha
contribuição para o seu início, na torcida para que você dê ainda mais passos – e
saltos – adiante. Faça tudo (ou quase tudo) com amor, porque é o que vai dar
sentido nos momentos dos encontros e dos desafios. Encerro reforçando o que
escrevi no começo: o tarô é um baralho! E é possível fazer coisas incríveis com
esse baralho se abrirmos mão das superstições. Te convido a me acompanhar nas
redes sociais, a conhecer meus livros, capítulos publicados e a visitar meu site.

É sempre um prazer compartilhar.

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ONDE VOCÊ PODE ME ENCONTRAR

@kelmazziero

otaroporkelmamazziero

www.kelmamazziero.com

kelmamazziero@gmail.com

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