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Faculdade de Letras

Disciplina: Literatura Grega 2

Professora: Tereza Virginia

Alunos: Yuri Romanelli Santos

O primeiro capítulo da Poética da obra de Aristóteles faz uma descrição objetiva a


respeito dos gêneros literários que havia na Grécia Antiga. O filosofo nesse capitulo
utiliza as comparações entre a tragédia, o gênero épico e os diálogos filosóficos de
Sócrates e os tratados filosóficos dos pré-socráticos sobre a natureza. Todos os gêneros
escritos e orais faziam o uso da metrificação, por ser de fácil assimilação pelo publico,
entretanto estes gêneros como um conjunto de regras que produzem um ato de fala
seguindo os conceitos de Tzvetan Todorov deste critico literário, possivelmente fazendo
referencias as teorias de Austin e Searle.

Aristóteles no primeiro capítulo da sua obra, ele faz uma introdução profundo sobre as
questões referentes aos gêneros em sua maioria eram transmitidos de forma oral como
as epopeia cantadas pelos aedos, as tragédias e comédias encenadas para o público entre
outros gêneros líricos como a poesia ditirâmbicas e as poesias satíricas. Todos estes
gêneros trabalham com a mimese. Para o filósofo a mimese é a representação, imitação
ou reencenação da realidade é através desses recursos que o ser humano poderia
adquirir conhecimento e prazer nas palavras do filosofo.

Neste capitulo da obra de Aristóteles sobre os gêneros apresenta três conceitos que são
fundamentais para entender a arte naquela época como o meio, modo e o objeto. O meio
trabalha com ritmo, canto e os versos, enquanto que no objeto se trabalham em duas
distinções a representação dos seres superiores na tragédia e seres inferiores e a
comédia. O modo pode ser feito pela narração que era feita pelos aedos no caso uma
única voz ou pelo modo dramático que seria várias vozes (conjunto de atores) como nas
tragédias e as comédias.

O helenista Gregory Nagy revista estes conceitos de gêneros antigos e a mimese em seu
artigo denominado “gêneros é ocasião”, ele traz conceitos da linguística, sociologia e da
filosofia, sobre os gêneros e como ficaria a respectiva classificação a respeito sobre este
tema, ele menciona uma obra chamada “O Homero de Píndaro 1”, a questão do ritual 2 e
do mito e a sua influencia sobre os gêneros da época. O interessante nesta citação
aparece o nome de Píndaro que foi um poeta famoso por seus epinícios que era um

1
Píndaro(518ªa.C-418Ac) Este poeta foi citado devido a poesia que ele recitava nas vitorias das
guerras e nos jogos olímpicos.

2
Ritual pode ser caracterizado também como ocasiões religiosas ,festas e eventos por isso Falei sobre
Pindaro.
gênero ligado celebração de vitória nas guerras e nos jogos olímpicos. O gênero era
ligado a algum tipo de ritual da comunidade grega, o poeta usava a musica e a poesia
para alegrar as ocasiões.

Gregory Nagy faz o uso da tese dos atos de fala, para defender que gêneros antigos
podem estar ligados a ideia de performarce, isto porque a tragédia não era um gênero
para ficar “preso na escrita’’, mas deveria ser encenado e a sua recepção para o público
poderia dar novos significados para a sua respectiva interpretação assim como discurso
oral. A ideia do discurso oral dialoga muito com um dos principais conceitos de mito
que relato fantástico da tradição oral, em sua maioria protagonizados por forças da
natureza, os vícios e virtudes e as outras características do comportamento humano,
geralmente carrega um significado pedagógico.

A tragédia grega quando era encenada, havia um ritual ao deus Dionísio, a cidade se
preparava e o espetáculo durava um dia inteiro. E cada tragédia tinha representações
diferentes sobre o mito, isto porque os tragediógrafos tinham uma visão diversificada
dentro desta questão, como por exemplo, Ésquilo ex-militar e sacerdote dos ritos Êleusis
via o sofrimento como desígnios dos deuses, enquanto que Sófocles acreditava que o
sofrimento era causado pela ignorância dos homens e como consequências das paixões e
por isso castigo dos deuses. Outro tragediógrafo que se destacou por questionar o
sofrimento como um designío dos deuses e aproximar as suas tragédias para realidade
humana junto com o mito foi Eurípedes além de ter criado recurso deus Ex maquina
usado até hoje.

A tragédia diferente dos demais gêneros antigos era um das poucos que provocava a
catarses que o processo da purificação do publico através da purgação de suas paixões,
nessas apresentações eram vivenciados os sentimentos de repulsão, terror ou
compaixão. Na obra de Platão A Republica, essa arte mimética foi muito criticada, por
causar este tipo de instabilidade emocional ao individuo, por isso deveria ser banida da
cidade ideal.

Portanto a tragédia é um gênero que usa de uma reunião de ações formais e cerimonias
cuja característica mescla o sagrado com profano, usando do mito para uma historia,
gerando conhecimento e aproximando o sujeito para o coletivo, pois o teatro era
essencial naquela sociedade, este era religioso e democrático ao mesmo tempo. E bem
diferente do gênero épico e dos demais gêneros poéticos que privilegiavam uma voz ao
invés varias, mas ambos trabalhavam com a representação da realidade de forma
artística tendo a mimese, como ferramenta principal diferente dos discurso históricos e
os tratados da natureza que estavam preocupados em relatar de forma critica e objetiva
afastando do mito.